Logo Passei Direto
Buscar

Economia e Negócios II

Trecho de unidade sobre microeconomia e mercados que explica a gênese da ciência econômica, diferenças entre produção pré‑mercado e capitalismo, papel dos mercados na formação de preços e alocação de fatores; traz indicação do filme A Guerra do Fogo.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

<p>45</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>Unidade II</p><p>5 MICROECONOMIA E MERCADOS</p><p>Vejamos, inicialmente, do que trata a economia. Os economistas, em geral, admitem que a</p><p>discussão sobre economia surge no mesmo período da Revolução Industrial e com o desenvolvimento</p><p>dos mecanismos de mercado de formação de preço e alocação dos recursos de produção. Assim, a</p><p>economia é percebida como uma ciência já no século XIX e, desde então, seus especialistas debatem</p><p>incansavelmente sobre seu campo de atuação e seus limites.</p><p>Do ponto de vista antropológico, o ser humano vem estabelecendo relações de troca com seu</p><p>grupo e com a natureza desde sempre, assim o fazendo, em parte, para garantir as condições materiais</p><p>necessárias para a sua sobrevivência. Em período anterior ao século XVIII, havia atividade econômica, e</p><p>sobre ela foram escritas obras e realizados estudos.</p><p>Saiba mais</p><p>O filme indicado a seguir mostra os diferentes estágios do</p><p>desenvolvimento social da espécie humana. Embora ele tenha tomado</p><p>a liberdade de colocar todos os estágios como se tivessem ocorrido</p><p>simultaneamente, você poderá perceber o valor e a importância de cada</p><p>transformação e o quanto nossa sociedade e nosso modo de viver foram</p><p>historicamente construídos ao longo do tempo.</p><p>A GUERRA do fogo. Direção: Jean‑Jacques Annaud. Canadá: Lume</p><p>Filmes, 1981. 97 min.</p><p>No entanto, consideramos a gênese da ciência econômica como aquela relacionada à investigação</p><p>de uma determinada forma de organização econômica, qual seja, aquela que resulta das relações</p><p>existentes no mercado. Uma explicação possível é que, apenas a partir do nascimento da economia</p><p>de mercado tornou‑se possível falar em atos econômicos com interesses e objetivos essencialmente</p><p>econômicos; que apenas a partir do advento da economia de mercado as relações sociais passaram a ser</p><p>explicadas em função de um sistema econômico organizado.</p><p>Como era organizada a produção de bens e serviços antes da economia de mercado? Naquele</p><p>tempo, o chefe de família provia sua prole, era isso o que a sociedade esperava dele. As trocas eram</p><p>realizadas não para o lucro, mas para a sobrevivência material. Produzia‑se comida não para vendê‑la</p><p>e, a partir da venda, obtinha‑se lucro; produzia‑se para consumir. Após a instituição de governo,</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>46</p><p>Unidade II</p><p>este passou a distribuir a riqueza para os cidadãos, esse era o seu papel. É apenas com o advento</p><p>do capitalismo que os fatores de produção (mão de obra, terra, conhecimento técnico, capacidade</p><p>empresarial e dinheiro, entre outros) não apenas são dirigidos ao mercado, mas passam a fazer parte</p><p>dele. Compra‑se e vende‑se mão de obra. Compra‑se e vende‑se conhecimento. O dinheiro passa a</p><p>ter um custo, mensurado por meio dos juros que os bancos cobram para fornecê‑lo sob a forma de</p><p>crédito. Trabalha‑se não para produzir os bens necessários, mas para obter recursos capazes de serem</p><p>trocados pelos bens necessários. Essa é uma diferença fundamental e que marca um momento de</p><p>transição nas formas de organização da sociedade.</p><p>Normalmente, os atos econômicos anteriores às sociedades capitalistas, ou que nelas não estejam</p><p>inseridos, são objeto de estudo dos antropólogos econômicos. Considerando nossos objetivos, basta</p><p>não confundirmos a economia (ciência) com o próprio sistema de mercado. Entende‑se por ciência</p><p>econômica a ciência que investiga como fatores escassos de produção são alocados para a produção</p><p>de bens e serviços que se destinam a saciar necessidades ilimitadas. Em contrapartida, economia de</p><p>mercado, e aquela relacionada aos negócios, representa a forma pela qual, nas sociedades capitalistas, a</p><p>reprodução material das sociedades passou a acontecer por meio de instituições orientadas para objetivos</p><p>econômicos, como os mercados (CERQUEIRA, 2001, p. 399). Assim, nos mercados, as trocas produzem</p><p>preços, sendo essas “trocas realizadas como resultado de barganha, de uma negociação, onde cada parte</p><p>é livre para buscar sua vantagem e não tem que se submeter, por exemplo, a preços pré‑estabelecidos</p><p>por algum agente regulador externo” (CERQUEIRA, 2001, p. 400). Portanto, compreenderemos que, na</p><p>economia de mercado,</p><p>toda a organização da produção é confiada aos mercados, que compõem</p><p>um sistema autorregulado: indivíduos perseguindo apenas seu interesse</p><p>pessoal ofertam e demandam mercadorias, fazendo com que estes bens</p><p>alcancem um preço determinado. As decisões sobre o que e quanto produzir</p><p>serão tomadas com base apenas nos preços informados pelos mercados, que</p><p>sinalizam as expectativas de ganho em cada processo produtivo. Da mesma</p><p>maneira, a distribuição do produto depende apenas de preços, já que eles</p><p>formam os rendimentos de cada indivíduo: aluguel e salários são os preços</p><p>do uso da terra e da força de trabalho; o lucro é a diferença entre o preço do</p><p>produto e os preços dos insumos necessários para sua produção. Em resumo,</p><p>a reprodução material da sociedade depende de que tudo alcance um preço,</p><p>ou seja, se comporte como uma mercadoria, inclusive a terra e o trabalho</p><p>(CERQUEIRA, 2001, p. 402).</p><p>Seria possível haver economia sem economia de mercado? Os economistas não respondem de</p><p>forma consensual e unânime à questão. Para Judensnaider e Manzalli (2011), o surgimento da economia</p><p>ocorreu não apenas por que a estrutura econômica passou a ser a de mercado (finalmente havendo</p><p>o que se investigar), mas porque as condições do pensamento científico daquele momento permitiram</p><p>que ela, enquanto saber, se organizasse, enfim, de forma sistemática e autônoma. Também é importante</p><p>ressaltar que somente naquele momento (e, de forma hegemônica, até os dias de hoje), o que se há</p><p>para investigar são justamente as relações que se estabelecem no mercado. Considerar como seu objeto</p><p>de análise única e simplesmente a economia de mercado significa represá‑la de forma tautológica à</p><p>47</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>imutabilidade das estruturas e relações materiais tais como as desenvolvidas no Ocidente a partir do</p><p>século XVIII: a economia, sob essa ótica, seria tão somente o estudo das maneiras como o Ocidente se</p><p>organizou em termos de determinada estrutura econômica.</p><p>Saiba mais</p><p>É interessante, nos tempos atuais, a produção de uma enormidade</p><p>de estudos relacionados a outras culturas, particularmente em relação às</p><p>respostas dadas por elas aos problemas de produção de bens e serviços</p><p>capazes de satisfazer as necessidades da comunidade. Nesse sentido,</p><p>recomenda‑se acessar o site da Associação Brasileira de Antropologia (ABA).</p><p>Disponível em: http://www.portal.abant.org.br. Acesso em: 3 abr. 2023.</p><p>Embora isso acrescente dificuldade à investigação econômica, há que se considerar, portanto, que</p><p>o sistema de mercado foi historicamente construído, não sendo “uma entidade acima do tempo e do</p><p>espaço” (SILVEIRA, 2007, p. 8). Da mesma forma, os pressupostos comportamentais de racionalidade</p><p>econômica (autointeresse e propensão para o lucro) não são naturais, mas socialmente construídos.</p><p>Há economia sem mercado? Apesar de a antropologia ter demonstrado a existência de outras</p><p>racionalidades socioeconômicas, “é intrínseca à racionalidade econômica moderna, como uma espécie de</p><p>monopólio epistemológico e moral, a desvalorização dos outros modos de vida diferentes do conduzido</p><p>pela lei do valor” (SILVEIRA, 2007, p. 7).</p><p>Conforme Judensnaider e Manzalli (2011), os economistas ainda estão a debater possíveis respostas</p><p>a essa pergunta e, embora esse debate seja extremamente interessante, ele extrapola os limites deste</p><p>livro‑texto. Assim, assumiremos que, segundo os parâmetros científicos da modernidade, a economia</p><p>nasceu na época de Adam Smith, no século XVIII, sendo Riqueza das nações um texto fundador, obra</p><p>que marca uma mudança na natureza da reflexão sobre os temas econômicos, não tanto pela criação</p><p>de novos conceitos, mas pelo estabelecimento de um novo arranjo dos conceitos, de um novo ponto de</p><p>vista. Não se trata apenas do fato de que a reflexão sobre assuntos econômicos tenha deixado de</p><p>de um clima propício para a produção. Vamos supor que uma</p><p>geada tenha provocado dificuldade muito grande no cultivo desse tipo de produto, ocasionando perda</p><p>de produção. Assim, os produtores de beterraba ofertarão menores quantidades. Como demonstrar esse</p><p>evento? Vejamos.</p><p>P</p><p>E’</p><p>E</p><p>D</p><p>Q</p><p>O’</p><p>O</p><p>Figura 43 – Modificações do equilíbrio a partir de queda na oferta</p><p>Verificamos que, nesse caso, houve deslocamento negativo (para a esquerda) da curva de oferta,</p><p>indicada agora por O’, demonstrando que menores quantidades de beterrabas estão sendo oferecidas.</p><p>Como em nosso exemplo não houve modificação nas relações de demanda desse produto, o deslocamento</p><p>para a esquerda da curva de oferta original, de O para O’, estabelece um novo equilíbrio para esse</p><p>mercado, destacado pelo ponto E’, onde menores quantidades de beterrabas são transacionadas a</p><p>preços maiores.</p><p>Nesse ponto, vale destacar o que recomenda Wessels (2002, p. 48‑49):</p><p>Lembre‑se: uma mudança no preço nunca elevará a curva de demanda</p><p>ou de oferta. As curvas mostram todos os efeitos da mudança de preço.</p><p>Use os procedimentos abaixo para evitar erros ao analisar como os eventos</p><p>afetam a oferta e a demanda. [...]</p><p>1. equilíbrio inicial. Desenhe o diagrama de oferta e demanda. Dê um</p><p>nome ao preço e ao produto inicial de equilíbrio;</p><p>87</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>2. evento e deslocamento. Algum evento ocorre. Pergunte‑se como a</p><p>demanda e a oferta se alterariam se o preço não mudasse de seu nível inicial.</p><p>Desenhe a nova curva de oferta ou demanda;</p><p>3. permita que o preço mude. Ao preço antigo, uma falta ou um</p><p>excesso do bem ocorreria. Uma falta resultará em um preço mais alto.</p><p>Um excesso resultará em um preço mais baixo. Como uma mudança</p><p>no preço nunca desloca as curvas, não desenhe nenhuma curva mais;</p><p>4. novo equilíbrio. O novo preço e a nova quantidade de equilíbrio estarão</p><p>no ponto no qual as novas curvas de oferta e demanda se cruzem.</p><p>Saiba mais</p><p>Para se aprofundar nos deslocamentos das curvas de demanda</p><p>e de oferta, leia o livro indicado a seguir. Há um capítulo dedicado</p><p>inteiramente ao assunto e com muitos exemplos de aplicação. Não deixe</p><p>de consultá‑lo.</p><p>PASSOS, C. R. M.; NOGAMI, O. Princípios de economia. 7. ed. São Paulo:</p><p>Cengage Learning, 2016.</p><p>6 ESTRUTURAS DE MERCADO: VISÃO CONCEITUAL</p><p>Esse tema aborda a forma como as empresas estão divididas nos diversos ramos de atividade</p><p>econômica. Envolve analisar o tipo de produto que produzem, bem como o comportamento de seus</p><p>concorrentes. Por fim, neste tópico conheceremos qual é a estratégia que as empresas utilizam para</p><p>determinar seus lucros.</p><p>As várias formas ou estruturas de mercado que as empresas se encontram dependem, fundamentalmente,</p><p>de três características:</p><p>• número de empresas que compõem esse mercado;</p><p>• tipo de produto;</p><p>• existência ou não de barreiras ao acesso de novas empresas.</p><p>São basicamente quatro as estruturas de mercado predominantes: o mercado de concorrência</p><p>perfeita, o de monopólio, a concorrência monopolística e o oligopólio. Vamos conhecê‑los?</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>88</p><p>Unidade II</p><p>6.1 Concorrência perfeita e imperfeita</p><p>Um mercado de concorrência perfeita é um tipo de mercado em que há grande número de</p><p>vendedores e de compradores, de tal sorte que cada um deles, isoladamente, detém poder insignificante,</p><p>não afetando os níveis de oferta e de demanda de mercado e, consequentemente, o preço de equilíbrio.</p><p>Para que um mercado seja de concorrência perfeita, algumas características devem ser reunidas, como:</p><p>• grande quantidade de compradores para grande quantidade de vendedores;</p><p>• produto homogêneo;</p><p>• mercado transparente;</p><p>• total liberdade à entrada e saída de agentes, tanto compradores quanto vendedores;</p><p>• mercado atomizado;</p><p>• empresas seguidoras de preços de mercado.</p><p>Figura 44 – A feira livre é um exemplo de mercado em concorrência perfeita</p><p>Disponível em: https://cutt.ly/QwqR0Ycs. Acesso em: 25 maio 2023.</p><p>A feira livre é um exemplo de mercado onde se encontram aqueles que oferecem produtos e aqueles</p><p>que têm a intenção de comprá‑los. É do encontro entre essas diferentes expectativas que se formam os</p><p>preços. Nesse tipo de mercado, no longo prazo, não existem lucros extraordinários (quando as receitas</p><p>superam os custos), mas apenas os chamados lucros normais, que representam a remuneração implícita</p><p>do empresário.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>89</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>Observação</p><p>Do ponto de vista da teoria microeconômica, a estrutura de mercado de</p><p>concorrência perfeita é uma construção teórica, simplificada da realidade,</p><p>por assumir que, a partir da construção de modelos simples, pode‑se</p><p>explicar a realidade mais complexa.</p><p>Construção teórica ou não, o fato é que uma empresa atuando como concorrente perfeito</p><p>também terá o objetivo de lucro. Melhor ainda: terá como objetivo a maximização de seu lucro e,</p><p>assim, precisa decidir quais quantidades produzidas são aquelas que atingem o objetivo. Como se</p><p>trata de um mercado em que há muitos vendedores de um mesmo produto, a margem de manobra</p><p>quanto ao preço de venda da mercadoria fica bastante prejudicada, por isso o preço é fixado</p><p>pelo mercado.</p><p>Nesse tipo de mercado, a curva de demanda tem a configuração de uma reta, mostrando o preço</p><p>estabelecido pelo mercado, e todas as firmas componentes desse mercado tornam‑se tomadoras de</p><p>preços. Nenhuma firma isoladamente tem condições de alterar o preço ou praticar preço superior ao</p><p>fixado pelo mercado. Contudo, diante do preço dado pelo mercado, ela poderá vender quanto puder,</p><p>limitada apenas por sua estrutura de produção e custos.</p><p>(a)</p><p>P</p><p>P*</p><p>P</p><p>E E</p><p>Q*Q*</p><p>Q</p><p>Q</p><p>D</p><p>D</p><p>O</p><p>(b)</p><p>Cmg</p><p>Figura 45 – Curvas de demanda e oferta em concorrência perfeita</p><p>Em concorrência perfeita, como a quantidade demandada e a quantidade ofertada do bem se dão</p><p>por muitos compradores e por muitos vendedores, o preço é estabelecido a partir do encontro das</p><p>curvas de demanda e de oferta. No gráfico (b) da figura anterior, a curva de demanda se transforma na</p><p>própria curva do preço que foi obtida no ponto de equilíbrio, conforme ilustrado no gráfico (a). Portanto,</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>90</p><p>Unidade II</p><p>o preço do bem é fixado pelo mercado e, após isso, as firmas seguem o preço estipulado. Dessa forma,</p><p>são também chamadas de seguidoras de preços ou tomadoras de preços. Cabe às empresas administrar</p><p>sua função custo para que haja lucros normais. A função custo desse tipo de empresa é representada</p><p>pela curva de custo marginal, Cmg, e o ponto de equilíbrio nesse mercado passa a ser determinado pela</p><p>intersecção das curvas de demanda e custo marginal. Assim, cabe uma pergunta: onde reside o ganho da</p><p>empresa em mercado de concorrência perfeita? Resposta: nas quantidades que consegue comercializar</p><p>ou na oportunidade de oferecer alguma diferenciação naquilo que comercializa.</p><p>Observação</p><p>Embora alface seja um produto homogêneo, dentro da homogeneidade</p><p>do bem, há algumas ramificações: alface lisa, crespa, romana, americana,</p><p>mimosa, roxa. Referem‑se ao mesmo bem, mas são diferentes.</p><p>Figura 46 – O mercado produtor de laranjas funciona</p><p>praticamente em uma estrutura de concorrência perfeita</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3Ks3dWG. Acesso em: 3 abr. 2023.</p><p>O mercado de monopólio apresenta condições diametralmente opostas às da concorrência perfeita.</p><p>Nele existe, de um lado, um único empresário dominando inteiramente a oferta e, de outro, todos os</p><p>consumidores. Não há, portanto, concorrência nem produto substituto. Nesse caso, ou os consumidores</p><p>se submetem às condições impostas pelo vendedor, ou simplesmente deixarão de consumir o bem ou</p><p>serviço. O fornecimento de energia elétrica nas cidades é um exemplo de empresa em monopólio.</p><p>Para existir monopólios, deve haver barreiras que impeçam a entrada de novas firmas no mercado.</p><p>Essas barreiras</p><p>podem advir de diversas formas, sendo o monopólio puro ou natural uma delas.</p><p>Esse caso ocorre quando o mercado, por suas próprias características, exige a instalação de grandes</p><p>plantas industriais, as quais operam normalmente com economias de escala e a custos unitários</p><p>bastante baixos, possibilitando à empresa cobrar preços baixos por seu bem ou serviço, o que acaba</p><p>praticamente inviabilizando a entrada de novos concorrentes.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>91</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>Podemos elencar ainda como barreiras:</p><p>• elevado volume de capital requerido para montar uma indústria monopolista;</p><p>• as marcas e patentes;</p><p>• o controle de matéria‑prima específica;</p><p>• as instituições.</p><p>A legislação brasileira proíbe a existência de monopólio, permitido apenas para aqueles segmentos de</p><p>mercado em que, para o perfeito funcionamento, deveria existir apenas uma empresa. São os chamados</p><p>monopólios institucionais ou estatais considerados estratégicos ou de segurança nacional, por exemplo,</p><p>a energia elétrica e o petróleo.</p><p>Figura 47 – O setor de energia elétrica representa monopólio</p><p>Disponível em: https://bit.ly/40BGOf9. Acesso em: 3 abr. 2023.</p><p>Diferentemente da concorrência perfeita, como existem barreiras à entrada de novas empresas, os</p><p>lucros extraordinários devem persistir também no longo prazo em mercados monopolizados. Vejamos a</p><p>demanda do monopolista na figura a seguir, onde:</p><p>P = preço</p><p>Q = quantidade</p><p>Cmg = custo marginal</p><p>D = demanda</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>92</p><p>Unidade II</p><p>Rme = receita média</p><p>Rmg = receita marginal</p><p>Om = quantidade ofertada pelo monopolista</p><p>Pm = preço cobrado pelo monopolista</p><p>Qm = quantidade demandada pelos consumidores</p><p>Pmáx = preço maximizador de lucros</p><p>Qmáx = quantidade maximizadora de lucros</p><p>P Cmg</p><p>Om</p><p>E</p><p>Pm</p><p>Pmáx</p><p>Qmáx Qm Q</p><p>D = Rme</p><p>Rmg</p><p>Figura 48 – Demanda do monopolista</p><p>Precisamos agora interpretar a leitura do gráfico para compreendê‑lo. A curva de demanda</p><p>do  monopolista representada por D reflete o quanto o monopolista necessita atender</p><p>à demanda de mercado, pois é a única empresa a oferecer o bem e a prestar o serviço. Assim, a</p><p>curva de demanda também reflete a receita média do monopolista, Rme, representando a receita</p><p>por unidade de produto vendido, e é calculada pelo emprego da seguinte expressão:</p><p>Rme = RT / Q</p><p>93</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>Onde:</p><p>Rme = receita média</p><p>RT = receita total de vendas</p><p>Q = quantidade vendida do bem ou serviço</p><p>Nessa estrutura de mercado, a curva de demanda da empresa é a própria curva de demanda do</p><p>mercado como um todo, D. Como a empresa é exclusiva no mercado, não está sujeita aos preços vigentes.</p><p>Todavia, isso não significa que poderá aumentar os preços indefinidamente.</p><p>A curva de custo marginal reflete as mesmas relações daquelas acentuadas para o caso da</p><p>concorrência perfeita. Agora aparece mais uma curva, a receita marginal, Rmg. Apresenta o acréscimo</p><p>de receita à medida que são aumentadas as quantidades comercializadas. Ela pode ser obtida pelo</p><p>emprego da expressão:</p><p>Rmg = ∆RT / ∆Q</p><p>Onde:</p><p>Rmg = receita marginal</p><p>∆RT = variação da receita total</p><p>∆Q = variação da quantidade</p><p>Conforme o gráfico anterior, o monopolista não utiliza a igualdade entre oferta e demanda para</p><p>determinar os preços e a quantidade de equilíbrio. A maximização dos lucros é obtida igualando‑se</p><p>o custo marginal (Cmg) à receita marginal (Rmg). Essa quantidade indicada por Qmáx combina com</p><p>o Pmáx, que significam, respectivamente, quantidade maximizadora de lucros e preço maximizador de</p><p>lucros. Nesse ponto, o lucro econômico é normal, pois há igualdade entre Rmg e Cmg. O que se gasta a</p><p>mais para produzir é exatamente o volume de receita auferida pela venda de unidades adicionais. Bem</p><p>sabemos que uma situação como essa não deve perdurar em situação de monopólio puro, haja vista a</p><p>existência de apenas uma unidade empresarial de oferta.</p><p>Assim, a empresa em monopólio exercerá seu poder de influência de mercado e adotará uma</p><p>política de preços mais elevados do que aquele que gera o lucro normal. Procurará algum ponto</p><p>em que o lucro extraordinário esteja presente. Tal ponto é representado no gráfico em Om, oferta</p><p>de monopólio, em que Pm, preço cobrado pelo monopolista, combine com Qmáx. O que isso significa?</p><p>Significa que a empresa em monopólio oferece menores quantidades do que aquelas requeridas pela</p><p>demanda, cobrando um preço mais elevado do que o real necessário. Assim, a empresa em monopólio</p><p>é conhecida como ditadora de preços, estabelecedora de preços.</p><p>94</p><p>Unidade II</p><p>Conforme Silva e Luiz (2018, p. 186),</p><p>O monopólio puro é um tipo extremo de mercado, em que apenas uma</p><p>empresa vende um produto para o qual não existem bons substitutos.</p><p>A importância dessa empresa no mercado é absoluta, pois com o</p><p>encerramento de suas atividades o mercado deixaria de existir, pelo fato de</p><p>o bem fabricado por ela não mais ser ofertado. O produto ofertado nesse</p><p>mercado é diferenciado, não homogêneo, não havendo possibilidade de ser</p><p>substituído por outros satisfatoriamente. O monopólio puro também é uma</p><p>situação de mercado dificilmente encontrada no mundo real. Na iniciativa</p><p>privada, esse tipo de mercado não é encontrado pelo fato de ser impossível</p><p>para qualquer empresa que esteja operando nesse regime impedir a</p><p>entrada de outra empresa no mercado ofertando um produto similar ao</p><p>seu. Os únicos casos de monopólio puro são encontrados no setor público,</p><p>como o abastecimento de água de uma cidade, que está a cargo do governo</p><p>estadual ou da prefeitura. Nesse caso, temos realmente um monopólio puro,</p><p>pois a companhia que fornece a água é a única naquele mercado, ou seja, na</p><p>cidade, e a água não tem nenhum substituto próximo satisfatório.</p><p>Saiba mais</p><p>Sobre o monopólio, ou situação de monopólio, leia a matéria</p><p>indicada a seguir, de Brian LaSorsa. O site também possui outros textos</p><p>relacionados ao assunto.</p><p>LASORSA, B. Cinco maneiras de se criar um monopólio. Mises Brasil,</p><p>7 nov. 2013. Disponível em: https://bit.ly/40DYOp5. Acesso em: 3 abr. 2023.</p><p>O oligopólio é um tipo de estrutura marcada por um pequeno número de empresas que dominam a</p><p>oferta de mercado. Pode caracterizar‑se como um mercado em que há pequeno número de empresas,</p><p>como a indústria automobilística, ou então onde há grande número de empresas, mas poucas dominam</p><p>o mercado, a exemplo da indústria de bebidas. A aviação aérea é outro exemplo de oligopólio.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>95</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>Figura 49 – A aviação aérea comercial é um exemplo de oligopólio</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3m6FIcj. Acesso em: 3 abr. 2023.</p><p>Conforme Silva e Luiz (2018, p. 186),</p><p>O oligopólio é um regime de mercado intermediário entre a concorrência</p><p>pura e o monopólio puro. No oligopólio, temos um número de produtores</p><p>pequeno o suficiente para que cada empresa seja importante, de modo que</p><p>as ações de uma afetam as demais e os preços dos bens por elas produzidos.</p><p>Além disso, esses bens, apesar de perfeitamente substituíveis entre si, são</p><p>diferenciados, permitindo que o consumidor saiba exatamente qual empresa</p><p>produziu determinado produto.</p><p>No oligopólio, tanto as quantidades ofertadas quanto os preços podem ser fixados entre as empresas</p><p>por meio de conluios ou cartéis. Normalmente, as empresas discutem suas estruturas de custos, embora o</p><p>mesmo não ocorra com relação a sua estratégia de produção e de marketing. Há uma empresa líder que,</p><p>via de regra, fixa o preço, respeitando as estruturas de custos das demais, e há empresas satélites, que</p><p>seguem as regras ditadas pelas líderes. Esse é um modelo chamado de liderança de preços. Ainda para</p><p>Silva e Luiz (2018, p. 186, grifo nosso),</p><p>Esse regime de mercado [o oligopólio] talvez seja o mais comumente</p><p>encontrado na vida real. Os exemplos que podem ser citados são vários,</p><p>indo desde bens de consumo duráveis,</p><p>como os eletrodomésticos em</p><p>geral e os automóveis, até bens de consumo não duráveis, como sabão</p><p>em pó e pasta de dente. O que caracteriza, à primeira vista, um caso</p><p>concreto de oligopólio é a marca do produto. De fato, as geladeiras,</p><p>por exemplo, são conhecidas pelo consumidor por suas marcas, que</p><p>identificam sua origem e a empresa que as produziu. E embora todas</p><p>as geladeiras prestem o mesmo tipo de serviço e satisfaçam às mesmas</p><p>necessidades, cada consumidor individualmente prefere esta ou aquela</p><p>marca. O mesmo acontece com o sabão em pó e os automóveis.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>96</p><p>Unidade II</p><p>Quanto aos objetivos da empresa oligopolista de maximização de lucros, a teoria microeconômica</p><p>apresenta duas correntes: aquela oferecida pela teoria marginalista e aquela oferecida pela organização</p><p>industrial (PASSOS; NOGAMI, 2016).</p><p>Pela abordagem marginalista, a maximização de lucros se dá por:</p><p>LT = RT – CT</p><p>Onde:</p><p>LT = lucro total</p><p>RT = receita total</p><p>CT = custo total</p><p>Observação</p><p>De acordo com essa abordagem, basta então que os custos de produção</p><p>sejam menores do que as receitas de vendas, que haverá lucros para essa</p><p>empresa oligopolista.</p><p>A abordagem da organização industrial não enfatiza a maximização de lucros pura e simples, mas sim</p><p>a maximização de mark‑up. A teoria do mark‑up repousa na constatação empírica de que as empresas</p><p>não conseguem prever adequadamente a demanda por seu produto e, portanto, suas receitas, mas</p><p>conhecem seus custos. Como tem poder oligopolista, elas podem fixar os preços com base nos custos.</p><p>Difere da teoria marginalista, na qual a empresa, para fixar seu preço no lucro máximo, precisa prever</p><p>também as receitas, o que envolve conhecer a demanda por seu produto, para igualar suas receitas</p><p>marginais aos custos marginais.</p><p>Para que a empresa chegue a seu preço de venda, deverá ter em mente seus custos de produção e</p><p>qual será sua taxa de mark‑up. Dessa forma, o preço será composto de:</p><p>p = (1 + m)c</p><p>Onde:</p><p>p = preço do produto</p><p>m = taxa de mark‑up, que é uma porcentagem sobre os custos diretos</p><p>c = custo direto unitário</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>97</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>Portanto, o mark‑up será dado pela diferença entre a receita de vendas e os custos diretos.</p><p>mark‑up = RT – custos diretos</p><p>Observação</p><p>A taxa de mark‑up deve cobrir, além dos custos diretos, os custos fixos,</p><p>e atender certa taxa de rentabilidade desejada pela empresa oligopolista.</p><p>A concorrência monopolista é uma estrutura intermediária entre a concorrência perfeita e o</p><p>monopólio, mas que não se confunde com o oligopólio. Há número relativamente grande de empresas</p><p>com poder concorrencial, porém com segmentos de mercados e produtos diferenciados, seja por</p><p>características físicas, seja por embalagens, seja por prestação de serviços.</p><p>Figura 50 – Restaurantes são exemplos de concorrência monopolística</p><p>Disponível em: https://bit.ly/40DwlQa. Acesso em: 3 abr. 2023.</p><p>Essas empresas detêm alguma margem de manobra para fixação dos preços, mas não é muito</p><p>ampla, uma vez que existem produtos substitutos no mercado. Essas características acabam</p><p>conferindo um pequeno poder monopolista sobre o preço de seu produto, embora o mercado</p><p>seja competitivo.</p><p>Conforme explicam Silva e Luiz (2018, p. 187),</p><p>A concorrência monopolística é uma situação de mercado em que há um</p><p>número suficientemente grande de produtores, de modo que cada produtor</p><p>individualmente não é importante. Todos eles produzem um mesmo produto,</p><p>mas na mente dos consumidores cada um deles é diferente dos demais, de</p><p>acordo com a empresa que o produz. Neste caso temos um elemento da</p><p>concorrência perfeita, que é o razoável número de empresas produzindo o</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>98</p><p>Unidade II</p><p>mesmo bem, de modo que a saída de uma empresa do mercado não tem</p><p>efeito sobre as demais. Temos, também uma característica do oligopólio, que</p><p>é o fato de cada produto ser diferente dos demais – pelo menos na mente do</p><p>consumidor –, apesar de altamente substituíveis entre si. Como exemplos,</p><p>temos as fábricas de roupas da moda, os produtos têxteis e a prestação de</p><p>serviços em grandes cidades.</p><p>O quadro a seguir sumariza as principais estruturas de mercado e suas características.</p><p>Quadro 3</p><p>Estrutura Número de</p><p>empresas</p><p>Diferenciação</p><p>do produto</p><p>Condições</p><p>de entrada</p><p>e saída</p><p>Influência</p><p>sobre o preço Exemplos</p><p>Concorrência</p><p>perfeita Muitas Produto</p><p>homogêneo Fácil</p><p>Nenhuma, pois</p><p>são tomadoras</p><p>de preços</p><p>Alguns</p><p>produtos</p><p>agrícolas</p><p>Monopólio Uma</p><p>Produto único,</p><p>sem substituto</p><p>próximo</p><p>Difícil Forte Serviços de</p><p>energia elétrica</p><p>Concorrência</p><p>monopolista Muitas Produto</p><p>diferenciado Fácil Leve</p><p>Comércio</p><p>varejista,</p><p>restaurantes,</p><p>farmácias etc.</p><p>Oligopólio Poucas Homogêneo</p><p>ou diferenciado Difícil Considerável</p><p>Homogêneo:</p><p>alumínio</p><p>Diferenciado:</p><p>automóveis</p><p>Adaptado de: Passos e Nogami (2016).</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>99</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>Resumo</p><p>Esta unidade apresentou o estudo da teoria microeconômica.</p><p>Iniciamos o texto descrevendo as questões centrais da teoria, e a principal</p><p>delas é que, para analisar um mercado específico, a microeconomia</p><p>desenvolveu um conjunto de pressupostos que garante a aplicabilidade</p><p>dos dados analisados. Isso é permitido pelo uso da hipótese coeteris</p><p>paribus, em que o analista microeconômico, ou microeconomista, se</p><p>preferir, consegue direcionar seu foco exclusivamente ao mercado</p><p>escolhido para análise. Outro pressuposto de grande importância reside</p><p>no princípio da racionalidade, indicando que os agentes econômicos</p><p>envolvidos no estudo buscarão sempre a maximização de sua função</p><p>utilidade.</p><p>Depois, passamos a entender a teoria do consumidor, quando</p><p>acentuamos a teoria da demanda. Percebemos que esta explica o</p><p>comportamento racional do consumidor diante da grande variedade</p><p>de bens que têm à sua disposição. Para o desenvolvimento da teoria</p><p>da demanda, destacamos conceitos e definições do que influencia</p><p>o consumo, bem como a função demanda com seus determinantes.</p><p>Vimos que o preço do bem não é o único fator que determina consumo</p><p>e que deve ser analisado ponderando‑se as condições do momento.</p><p>Avançamos na teoria com a apresentação da curva de demanda e a lei</p><p>geral da demanda.</p><p>Também acentuamos os ofertantes. Após apresentar a teoria da</p><p>oferta, percebemos que ela explica o comportamento do vendedor,</p><p>do produtor, do ofertante, portanto, que a análise deste difere</p><p>completamente da análise do consumidor. Nesse aspecto, estudamos a</p><p>lei geral da oferta, sobretudo, a curva de oferta.</p><p>Como os conceitos de demanda e oferta pressupõem a ideia de</p><p>mercado, esta unidade ilustrou o funcionamento de mercado a partir</p><p>das funções mencionadas anteriormente. Percebemos que, apesar da</p><p>existência de conflitos entre as duas partes – demandantes e ofertantes –,</p><p>há um ponto de satisfação entre eles. Chamamos esse ponto de ponto</p><p>de equilíbrio. No curto prazo, o ponto de equilíbrio é estático, porém</p><p>não permanente no longo prazo. Condições da demanda ou da oferta,</p><p>ou seja, condições de mercado, deslocam o ponto de equilíbrio entre</p><p>preços e quantidades para mais ou para menos, dependendo da influência</p><p>recebida. Para tanto, deslocamentos das curvas de demanda e de oferta</p><p>foram analisados.</p><p>100</p><p>Unidade II</p><p>Em seguida, estudamos as estruturas de mercado, notadamente,</p><p>o reconhecimento de como são estabelecidos os preços de mercado</p><p>por diferentes empresas em diferentes situações de produção e</p><p>concorrência. A concorrência perfeita foi o primeiro mercado a ser</p><p>estudado, por apresentar‑se mais simples do que os demais. Vimos que</p><p>a principal característica desse tipo de mercado é a ausência de poder</p><p>de decisão aos agentes individuais, mas forte em termos coletivos.</p><p>O monopólio, estrutura de mercado extremamente</p><p>diferente</p><p>da concorrência perfeita, também foi considerado. Neste, o poder de</p><p>mercado está nas mãos do ofertante, pois é único em seu mercado</p><p>específico. Nesse sentido, sua existência é importante para a sociedade</p><p>quanto à oferta do bem específico. Contudo, causa ineficiência em termos</p><p>de alocação de recursos pela geração do peso morto ao consumidor.</p><p>O oligopólio é outra estrutura de mercado em que existem poucas</p><p>grandes empresas dominando a oferta de um bem ou serviço que pode</p><p>ser padronizado ou diferenciado. A concorrência acirrada entre os</p><p>participantes é forte, principalmente na oferta, o que faz que a empresa</p><p>oligopolista tenha que administrar de forma eficiente sua estrutura</p><p>de custos para bem poder precificar o que vende ou produz. Por fim,</p><p>a concorrência monopolista, ou monopolística para alguns autores,</p><p>coloca‑se entre a concorrência perfeita e o monopólio, reunindo</p><p>características desses dois mercados.</p><p>Na teoria microeconômica, preocupamo‑nos com a abordagem de</p><p>equilíbrio parcial, analisando determinado mercado sem considerar os</p><p>efeitos que esse mercado pode ocasionar sobre os demais. A preocupação</p><p>central estava em descobrir o comportamento dos preços de uma</p><p>mercadoria, quantidades produzidas de outra ou a fixação de condições</p><p>de lucratividade por empresas estabelecidas em diferentes mercados.</p><p>101</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>Exercícios</p><p>Questão 1. Leia o texto a seguir.</p><p>O preço de equilíbrio é o único preço em que os planos dos consumidores e os planos dos produtores</p><p>concordam, ou seja, nesse caso, a quantidade que os consumidores desejam comprar do produto</p><p>(quantidade demandada) é equivalente à quantidade que os produtores desejam vender (quantidade</p><p>ofertada). Essa quantidade em comum é chamada de quantidade de equilíbrio. Para qualquer outro</p><p>preço, a quantidade demandada não se iguala à quantidade ofertada. Logo, o mercado não está em</p><p>equilíbrio naquele preço.</p><p>A palavra equilíbrio significa harmonia. Se um mercado está em seu preço e em sua quantidade de</p><p>equilíbrio, então não há motivo para afastar‑se daquele ponto. Entretanto, se um mercado não está</p><p>em equilíbrio, as pressões econômicas surgem para movê‑lo em direção ao preço e à quantidade de</p><p>equilíbrio. Se o preço for maior do que o preço de equilíbrio, poderá existir mais oferta do que procura.</p><p>Se o preço for menor do que o preço de equilíbrio, poderá existir mais procura do que oferta.</p><p>Adaptado de: https://bit.ly/3zjxVKY. Acesso em: 28 mar. 2023.</p><p>Suponha que, para determinado produto, as curvas de demanda (D) e de oferta (O) sejam as</p><p>apresentadas na figura a seguir.</p><p>Preço (R$)</p><p>Quantidade</p><p>2.500,00</p><p>2.400,00</p><p>2.300,00</p><p>2.200,00</p><p>2.100,00</p><p>2.000,00</p><p>1.900,00</p><p>1.800,00</p><p>1.700,00</p><p>1.600,00</p><p>1.500,00</p><p>1.400,00</p><p>1.300,00</p><p>1.200,00</p><p>1.100,00</p><p>1.000,00</p><p>900,00</p><p>800,00</p><p>700,00</p><p>600,00</p><p>500,00</p><p>400,00</p><p>300,00</p><p>200,00</p><p>100,00</p><p>‑</p><p>Demanda</p><p>Oferta</p><p>12011511010510095908580757065605550454035302520151050</p><p>Figura 51</p><p>102</p><p>Unidade II</p><p>Para essa situação, avalie as afirmativas a seguir.</p><p>I – O ponto de equilíbrio ocorre quando o preço for R$ 1.400,00.</p><p>II – A quantidade de equilíbrio é 65 unidades.</p><p>III – Se o preço de cada unidade for R$ 1.100,00, haverá escassez de produtos em 65 unidades.</p><p>IV – Se o preço de cada unidade for R$ 1.500,00, haverá excesso de oferta em 15 unidades.</p><p>É correto apenas o que se afirma em:</p><p>A) I.</p><p>B) II e III.</p><p>C) I, III e IV.</p><p>D) I, II e IV.</p><p>E) I e II.</p><p>Resposta correta: alternativa D.</p><p>Análise das afirmativas</p><p>I – Afirmativa correta.</p><p>Justificativa: o ponto de equilíbrio é aquele em que, para determinado preço, a quantidade</p><p>demandada é igual à quantidade ofertada. Isso ocorre no ponto de intersecção entre as curvas de oferta</p><p>e de demanda. A figura a seguir mostra o ponto de equilíbrio.</p><p>103</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>Preço (R$)</p><p>Quantidade</p><p>2.500,00</p><p>2.400,00</p><p>2.300,00</p><p>2.200,00</p><p>2.100,00</p><p>2.000,00</p><p>1.900,00</p><p>1.800,00</p><p>1.700,00</p><p>1.600,00</p><p>1.500,00</p><p>1.400,00</p><p>1.300,00</p><p>1.200,00</p><p>1.100,00</p><p>1.000,00</p><p>900,00</p><p>800,00</p><p>700,00</p><p>600,00</p><p>500,00</p><p>400,00</p><p>300,00</p><p>200,00</p><p>100,00</p><p>‑</p><p>12011511010510095908580757065605550454035302520151050</p><p>Oferta</p><p>Demanda</p><p>Quantidade de</p><p>equilíbrio = 65</p><p>Preço de equilíbrio =</p><p>R$ 1.400,00</p><p>Ponto de</p><p>equilíbrio</p><p>Figura 52</p><p>A figura mostra que o preço de equilíbrio é R$ 1.400,00.</p><p>II – Afirmativa correta.</p><p>Justificativa: a resolução da afirmativa anterior mostra que, no preço de equilíbrio, a quantidade</p><p>demandada e ofertada é 65 unidades.</p><p>III – Afirmativa incorreta.</p><p>Justificativa: quando marcamos no gráfico de oferta e de demanda o valor de R$ 1.100,00, obtemos</p><p>o apresentado na figura a seguir.</p><p>Preço (R$)</p><p>Quantidade</p><p>2.500,00</p><p>2.400,00</p><p>2.300,00</p><p>2.200,00</p><p>2.100,00</p><p>2.000,00</p><p>1.900,00</p><p>1.800,00</p><p>1.700,00</p><p>1.600,00</p><p>1.500,00</p><p>1.400,00</p><p>1.300,00</p><p>1.200,00</p><p>1.100,00</p><p>1.000,00</p><p>900,00</p><p>800,00</p><p>700,00</p><p>600,00</p><p>500,00</p><p>400,00</p><p>300,00</p><p>200,00</p><p>100,00</p><p>‑</p><p>Demanda</p><p>Oferta</p><p>12011511010510095908580757065605550454035302520151050</p><p>Quantidade demandada</p><p>95 unidades</p><p>Quantidade ofertada</p><p>50 unidades</p><p>Ponto de</p><p>equilíbrio</p><p>Preço = R$ 1.100,00</p><p>Figura 53</p><p>104</p><p>Unidade II</p><p>Na figura anterior, podemos observar que, quando o preço de cada unidade é R$ 1.100,00, não existe</p><p>equilíbrio, e a demanda é maior do que a oferta. Para esse preço, a quantidade ofertada é 50 unidades e</p><p>a quantidade demandada é 95 unidades. Isso significa que haverá escassez de 45 unidades.</p><p>IV – Afirmativa correta.</p><p>Justificativa: para o preço de R$ 1.500,00 as quantidades ofertada e demandada são as mostradas</p><p>na figura a seguir.</p><p>Preço (R$)</p><p>Quantidade</p><p>2.500,00</p><p>2.400,00</p><p>2.300,00</p><p>2.200,00</p><p>2.100,00</p><p>2.000,00</p><p>1.900,00</p><p>1.800,00</p><p>1.700,00</p><p>1.600,00</p><p>1.500,00</p><p>1.400,00</p><p>1.300,00</p><p>1.200,00</p><p>1.100,00</p><p>1.000,00</p><p>900,00</p><p>800,00</p><p>700,00</p><p>600,00</p><p>500,00</p><p>400,00</p><p>300,00</p><p>200,00</p><p>100,00</p><p>‑</p><p>Demanda</p><p>Oferta</p><p>12011511010510095908580757065605550454035302520151050</p><p>Preço = R$ 1.500,00</p><p>Quantidade ofertada</p><p>70 unidades</p><p>Quantidade demandada</p><p>55 unidades</p><p>Ponto de</p><p>equilíbrio</p><p>Figura 54</p><p>Na figura anterior, podemos observar que, para o preço de R$ 1.500,00, a quantidade ofertada é</p><p>70 unidades, e a quantidade demandada é 55 unidades. Isso significa que haverá excesso de oferta</p><p>em 15 unidades.</p><p>105</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>Questão 2. As quatro estruturas de mercado predominantes são a concorrência perfeita, o monopólio,</p><p>a concorrência monopolística e o oligopólio.</p><p>Com relação ao oligopólio, avalie as afirmativas a seguir.</p><p>I – O oligopólio caracteriza‑se pela presença de poucas empresas, que consideram sua interdependência</p><p>estratégica no momento de suas decisões.</p><p>II – No oligopólio existe uma empresa líder, que determina o preço, e as empresas satélites, que</p><p>seguem a líder.</p><p>III – No modelo de oligopólio, a empresa líder escolhe primeiro o preço, tendo como premissa a</p><p>maximização do lucro.</p><p>IV – No oligopólio, há grande número de vendedores e de compradores, de tal sorte que cada</p><p>um deles, isoladamente, detém poder insignificante, não afetando os níveis de oferta e de demanda</p><p>de mercado.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>A) I, apenas.</p><p>B) II e III, apenas.</p><p>C) I, II e III, apenas.</p><p>D) I, III e IV, apenas.</p><p>E) I, II, III e IV.</p><p>Resposta correta: alternativa C.</p><p>Análise das afirmativas</p><p>I – Afirmativa correta.</p><p>Justificativa: no oligopólio, existem poucas empresas no setor, que tomam decisões estratégicas</p><p>independentes. Um exemplo de oligopólio é a indústria automobilística.</p><p>II – Afirmativa correta.</p><p>Justificativa: no oligopólio, normalmente, as empresas discutem suas estruturas de custos, embora o</p><p>mesmo não ocorra com relação às estratégias de produção e de marketing. Há uma empresa líder, que,</p><p>106</p><p>Unidade II</p><p>geralmente, fixa o preço, respeitando as estruturas de custos das demais, e há empresas satélites, que</p><p>seguem as regras ditadas pelas líderes.</p><p>III – Afirmativa correta.</p><p>Justificativa: no oligopólio, a empresa líder fixa o preço, tendo como objetivo a maximização do</p><p>lucro. Ela faz isso com base em seus custos.</p><p>IV – Afirmativa incorreta.</p><p>Justificativa: a estrutura de mercado em que há grande número de vendedores e de compradores, de</p><p>tal sorte que cada um deles, isoladamente, detém poder</p><p>insignificante, não afetando os níveis de oferta</p><p>e de demanda de mercado, é a estrutura de concorrência perfeita.</p><p>ser</p><p>tópica, fragmentada e guiada por interesses essencialmente práticos, como nos escritos mercantilistas.</p><p>Importa, sobretudo, que ela tenha ganhado a forma de uma disciplina autônoma, desligada da ética</p><p>e da filosofia política, no interior das quais a escolástica e as doutrinas do direito natural ainda a</p><p>enquadravam (CERQUEIRA, 2001, p. 397).</p><p>É evidente que a compreensão do contexto histórico que vai ensejar o nascimento das ciências</p><p>econômicas traz à tona uma questão vital: afinal, se a economia surge por meio do esforço de se</p><p>distinguir da história, da sociologia, da ética, da filosofia moral e da política, poderíamos ser levados</p><p>a crer na existência de uma distância entre ela e essas outras áreas, especialmente do ponto de vista</p><p>da delimitação do seu objeto de estudo ou da determinação de sua metodologia de investigação.</p><p>Esse é um problema que economistas da atualidade vêm buscando lidar e equacionar. Assim, debateremos</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>48</p><p>Unidade II</p><p>aqui não apenas as condições necessárias para o surgimento da economia de mercado, mas também</p><p>os desafios que esse sistema e sua investigação têm de enfrentar hoje.</p><p>5.1 Sistemas de preços e mercado de bens</p><p>A microeconomia, a mais antiga forma de produzir análise econômica, fornece um instrumental</p><p>analítico que é empregado por praticamente todos os ramos do pensamento econômico dominante.</p><p>O prefixo micro é derivado da palavra grega mikros, que representa “pequeno”. Assim, a microeconomia</p><p>estuda o comportamento de unidades econômicas muito específicas, por exemplo, um consumidor,</p><p>um trabalhador, uma empresa, uma família, uma indústria, mercados específicos etc. De acordo com</p><p>Vasconcellos e Oliveira (2000), os princípios que caracterizam a elaboração da teoria microeconômica</p><p>apoiam‑se em duas condições:</p><p>• Pressupõe‑se que a economia seja composta de unidades tomadoras de decisão, também</p><p>chamadas de agentes econômicos, entendidos estes como empresas enquanto produtoras</p><p>e vendedoras de mercadorias, e as famílias como consumidoras das mercadorias produzidas</p><p>pelas empresas.</p><p>• Cada um desses agentes detém um único objetivo – a maximização de seu bem‑estar, ou a</p><p>maximização de seus resultados. No caso dos agentes individuais, consumidores ou famílias, seus</p><p>objetivos são de melhorar seu padrão de consumo diante das oportunidades de consumo que lhe</p><p>são oferecidas e diante de sua capacidade de consumo, ou seja, de sua restrição orçamentária.</p><p>Por sua vez, o agente econômico empresa deve cumprir seu objetivo de obtenção de lucro e</p><p>maximizá‑lo, também diante de restrições que lhe são impostas pelo ambiente econômico.</p><p>A teoria microeconômica, ou análise de equilíbrio parcial, preocupa‑se em dar respostas às seguintes</p><p>questões:</p><p>• O que determina o preço dos diversos tipos de bens e serviços?</p><p>• O que define a remuneração de um trabalhador?</p><p>• O que estipula o quanto de cada mercadoria será produzida?</p><p>• O que determina a maneira pela qual um indivíduo gasta sua renda entre os mais diversos tipos</p><p>de bens e serviços?</p><p>Em sentido mais amplo, a teoria microeconômica, ao presumir que o sistema econômico oferece</p><p>limites para a obtenção dos objetivos a serem atingidos pelos agentes econômicos, e que esses limites</p><p>são relativamente determinados pela escassez de recursos, procura descobrir quais são os melhores</p><p>resultados alcançados em um sistema econômico diante das restrições que o sistema econômico impõe</p><p>aos agentes.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>49</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>Para responder tais questionamentos, construindo modelos que representam de forma simplificada</p><p>a realidade, a teoria microeconômica lança mão de algumas técnicas empregadas na construção dos</p><p>modelos, a exemplo da teoria do consumidor, bem como dos estudos das diferentes estruturas de</p><p>mercado em que as mais diversas empresas estão inseridas. Passemos, então, ao conhecimento dessas</p><p>teorias e seus desdobramentos.</p><p>5.1.1 Teoria do consumidor</p><p>Trata do estudo de como a demanda se fundamenta no comportamento dos consumidores. A teoria:</p><p>• serve de guia para a elaboração e interpretação de pesquisas de mercado, principalmente as</p><p>relacionadas com o lançamento de novo produto;</p><p>• fornece métodos para comparar a eficácia de diferentes políticas de incentivo ao consumidor;</p><p>• fornece elementos à avaliação da eficiência dos sistemas econômicos.</p><p>A teoria do consumidor divide‑se em duas outras: a teoria da utilidade e a teoria de escolha.</p><p>A primeira pode ser entendida como uma medida de satisfação, ao explicar a diferença entre utilidade</p><p>total e utilidade marginal.</p><p>Para entendermos essas duas teorias, utilidade e escolha, vamos efetuar um simples raciocínio: se as</p><p>pessoas demandam mercadorias, ou seja, se consomem determinadas mercadorias, isso ocorre porque</p><p>as mercadorias são necessárias à manutenção da vida, portanto, o consumo deve promover algum tipo</p><p>de prazer ou satisfação.</p><p>Como vimos em definições anteriores, precisamos efetuar escolhas para melhor alocação de nossos</p><p>esforços. Em se tratando do consumo de mercadorias, dado que nossa renda não é o bastante para</p><p>consumir tudo aquilo que desejamos, o agente econômico, agindo de forma racional, procurará empregar</p><p>seus recursos limitados entre as melhores alternativas de uso possível.</p><p>Abstraindo dessa ideia para a noção de consumo, se devemos, agindo racionalmente e pensando</p><p>na maximização de nossos bem‑estar, despender parte de nossa renda ao consumo de mercadorias</p><p>necessárias à manutenção de nossa vida, fica estabelecido então que as mercadorias que desejamos são</p><p>úteis e raras.</p><p>Observação</p><p>Note que consumo de necessidade é diferente de consumo de desejo.</p><p>Sabe diferenciar um do outro?</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>50</p><p>Unidade II</p><p>Imaginando que o prazer ou a satisfação percebida pelo consumidor ao adquirir uma mercadoria</p><p>possam ser medidos, teríamos então uma medida de satisfação traduzida em utilidade.</p><p>Conforme Silva e Luiz (2018, p. 153‑154),</p><p>A utilidade de um bem ou de um serviço é sua capacidade de satisfazer às</p><p>necessidades das pessoas. Assim, a utilidade da água é saciar a sede, de um</p><p>automóvel é sua capacidade de transportar pessoas, objetos etc. Podemos</p><p>dizer, então, que um consumidor, agindo racionalmente, procurará obter</p><p>a maior utilidade possível a partir de sua renda, que recebe o nome de</p><p>orçamento. Para obter essa utilidade, sua renda será usada na aquisição</p><p>de bens e serviços, que chamamos de cesta de mercadorias. Assim sendo,</p><p>é razoável pensar que, quanto maior o orçamento do consumidor, maiores</p><p>serão suas possibilidades de obter maior quantidade de utilidade, ou seja, de</p><p>melhor satisfazer às necessidades. Para maximizar sua utilidade, isto é, obter</p><p>o maior grau possível de satisfação, o consumidor deve escolher quais bens</p><p>e serviços vai adquirir e também em que quantidade, pois seu orçamento já</p><p>apresenta, por si só, uma limitação.</p><p>Como as pessoas deveriam alocar seus recursos escassos de modo a obter o maior valor? Para um</p><p>economista responder a tal questionamento, utilizará da análise marginal: “a análise dos benefícios e</p><p>custos da unidade marginal de um bem” (WESSELS, 2002, p. 10).</p><p>Um exemplo bastante simples, o paradoxo da água e do diamante, usado por uma grande quantidade</p><p>de autores, ilustra o que estamos dizendo. Por que a água, mais necessária à vida humana, é relativamente</p><p>barata, e o diamante, supérfluo, tem preço tão elevado? Ocorre que a água tem grande utilidade total,</p><p>mas, como é encontrada em abundância, tem baixa utilidade marginal, enquanto o diamante, por ser</p><p>escasso, tem grande utilidade marginal. Traduzindo: o que se tem em grande quantidade, valoriza‑se</p><p>pouco; o que se tem em pouca quantidade, valoriza‑se muito!</p><p>Outro exemplo, agora pensando em uma barra de chocolate e em uma criança que nunca havia</p><p>experimentado tal produto. A primeira barra de chocolate apresentada a uma</p><p>criança deve resultar em</p><p>um elevado grau de satisfação quando consumida. Portanto, ela terá um elevado grau de utilidade,</p><p>tanto total quanto marginal. Se uma segunda barra é dada à mesma criança, o grau de satisfação</p><p>também será elevado, assim como serão as utilidades totais e marginais. Conforme formos aduzindo</p><p>unidades crescentes de barras de chocolates à mesma criança, chegará um momento em que o grau</p><p>de satisfação já não será mais elevado quanto o da primeira e, portanto, sua utilidade marginal será</p><p>decrescente. Vejamos a curva de utilidade total e o que ela demonstra.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>51</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>Consumo</p><p>Utilidade total</p><p>Figura 16 – Curva de utilidade total</p><p>Observando a curva de utilidade total, notamos que ela mostra que, à medida que aumentamos as</p><p>quantidades consumidas de uma mesma mercadoria, há elevação no grau de satisfação, ou seja, em</p><p>sua utilidade total, até um ponto em que acréscimos no consumo resultam em utilidades constantes</p><p>e, desse ponto em diante, decrescentes. Esse fenômeno é resultado de outro conceito de satisfação:</p><p>o conceito de utilidade marginal. Vejamos a curva.</p><p>Consumo</p><p>Utilidade marginal</p><p>Figura 17 – Curva de utilidade marginal</p><p>De acordo com a curva de utilidade marginal, percebemos que o grau de satisfação diminui à medida</p><p>que são aumentadas as quantidades de consumo de determinada mercadoria. Isso pode refletir aquele</p><p>exemplo das barras de chocolates e a criança. Ou seja, a última unidade de chocolate acrescida ao</p><p>consumo traz menos satisfação, produz menor utilidade marginal, ou seja, diminui a utilidade total.</p><p>Tome como exemplo o bem H2OH: nem é refrigerante, nem é água, é um misto dos dois; assim, o</p><p>fabricante diz não ser refrigerante por conter menor quantidade de gases em relação aos conhecidos.</p><p>Quando o bem foi lançado, a empresa fez uma grande campanha de marketing para fazer‑se conhecida. E o</p><p>consumidor? Insatisfeito por natureza, desejará conhecer o novo produto. Pois bem: conhece ao comprar</p><p>e beber. E depois? Se gostou, volta a comprar, e assim por diante. Há como medir o grau de satisfação</p><p>desse consumidor ao beber o primeiro gole do bem H2OH? E o segundo gole? É possível como medir?</p><p>52</p><p>Unidade II</p><p>É disso que estamos tratando ao apresentar as noções de utilidade total e utilidade marginal.</p><p>Nesse exemplo, a utilidade total surgirá quando o consumidor conseguir “matar a curiosidade”,</p><p>quando experimentar o bem. Depois, continuando a consumir o bem, este já não será mais novidade,</p><p>será costume. Podemos dizer, portanto, que há um decréscimo em sua utilidade marginal: a cada</p><p>nova unidade do bem que for consumido, menos satisfação terá o consumidor. É por essa razão</p><p>que as empresas devem sempre inovar, inventar coisas ou novas formas de fazer o consumidor</p><p>sentir utilidade total novamente: troca de embalagem, mudança em formulação, campanhas</p><p>publicitárias e promocionais são alguns exemplos de chamada do consumidor. Outra forma é retirar</p><p>momentaneamente o bem de circulação para que o consumidor sinta falta dele e, ao retornar, o</p><p>consumidor volta a adquiri‑lo, às vezes, a preços maiores.</p><p>Exemplo de aplicação</p><p>Se alguém está com sede, o que satisfaz necessidade: água ou algum outro bem que possa exercer</p><p>a função da água? O que é consumo de necessidade e o que é consumo de desejo? Procure responder:</p><p>por qual deles pagamos mais?</p><p>Ao entender a utilidade total e a marginal, sabemos como a ciência econômica investiga o</p><p>comportamento do consumidor, assumido como racional. Partindo do princípio de que o consumidor</p><p>adquira somente produtos que lhe gerem satisfação combinada com seu nível de renda, é interessante</p><p>inserir na análise o papel desempenhado pelos preços dos produtos. Vejamos agora como se dá o</p><p>comportamento do consumidor a partir da teoria da demanda.</p><p>5.1.1.1 Teoria da demanda</p><p>Preocupa‑se com o comportamento do consumidor em relação ao consumo de mercadorias.</p><p>Entende‑se por demanda a procura de um indivíduo por um determinado bem ou serviço. Demanda</p><p>refere‑se, então, à quantidade de um bem ou serviço que o consumidor está disposto e capacitado a</p><p>comprar em determinado período.</p><p>Observação</p><p>A expressão demanda remete a uma condição de vontade de consumo,</p><p>o que difere do ato da compra. Está ligada à necessidade ou mesmo ao</p><p>desejo de consumir.</p><p>A demanda, diferentemente de compra, representa uma intenção de compra, sobretudo por</p><p>causa da restrição orçamentária e de outros determinantes da demanda. Vejamos, então, alguns</p><p>determinantes de demanda:</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>53</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>• preço do bem ou serviço;</p><p>• renda ou riqueza do consumidor;</p><p>• gostos e preferências do consumidor;</p><p>• preços de bens relacionados (substitutos ou complementares) na demanda;</p><p>• demais determinantes.</p><p>Com os determinantes da demanda, podemos obter uma função demanda:</p><p>Função demanda = Qdx = ƒ (P, R, PBR, G, E)</p><p>Onde:</p><p>Qdx = quantidade demandada do bem x</p><p>P = preço do bem x</p><p>R = renda ou orçamento do consumidor</p><p>PBR = preço de bens relacionados no consumo do bem x, a exemplo dos substitutos e/ou</p><p>complementares</p><p>G = gosto e preferência do consumidor</p><p>E = expectativa do consumidor sobre o mercado do bem x</p><p>Veja o seguinte: quando o preço dos televisores está mais baixo nas lojas de venda especializada</p><p>desse tipo de bem durável, o que ocorre com o comportamento do consumidor? Podemos desenhar uma</p><p>função demanda para esse caso:</p><p>Qdt = ƒ (Pt)</p><p>Onde:</p><p>Qdt = quantidade demandada de televisores</p><p>(Pt) = preço do televisor</p><p>Como sugerimos queda de preços, então a função pode ser representada da seguinte forma:</p><p>↑ Qdt = ƒ (↓Pt)</p><p>54</p><p>Unidade II</p><p>O que ela indica? Que o consumidor apresenta uma tendência de demandar mais televisores quando</p><p>os preços desse tipo de bem estão mais baixos. Mais: que o consumidor apresenta tendência em aumentar</p><p>as quantidades demandadas de televisores. Pode ser que já exista um na residência do consumidor e que</p><p>ele deseje mais um. Portanto, o que influenciou a quantidade demandada de televisores foi o preço do</p><p>bem, e não a renda do consumidor, por exemplo. E se a renda fosse a grande influenciadora da demanda</p><p>por televisores, como seria a função?</p><p>Qdt = ƒ (R)</p><p>Onde:</p><p>Qdt = quantidade demandada de televisores</p><p>(R) = renda</p><p>Pois bem: se a renda do consumidor aumentar, o que ocorre? E se diminuir? O efeito será o mesmo?</p><p>Não, e nem pode ser. Em caso de aumento na renda, o consumidor agora tem mais condições de adquirir</p><p>mais televisores, portanto, a demanda por televisores aumentará.</p><p>↑ Qdt = ƒ (↑R)</p><p>Você já é capaz de entender o efeito de diminuição de renda?</p><p>Lembra‑se de como surge a renda da uma sociedade? Dos tipos de renda existentes?</p><p>Outro determinante da demanda é o PBR: preço de bens relacionados na demanda, chamados de</p><p>complementares ou substitutos. Bens complementares são tipos de bens que o consumo de um enseja,</p><p>necessariamente, o consumo de outro. Exemplos: pão e manteiga, dispositivos móveis e serviços de</p><p>streaming, máquinas fotográficas e cartão de memória, impressoras e papel, impressoras e cartuchos</p><p>de tinta. Imagine que em determinado tempo tenha aumentado muito o preço das impressoras. Como</p><p>será a função demanda por impressoras?</p><p>Qdi = ƒ (Pi)</p><p>Onde:</p><p>Qdi = quantidade demandada de impressoras</p><p>(Pi) = preço da impressora</p><p>E o efeito? Queda de demanda de impressoras, conforme a função a seguir.</p><p>↓ Qdi = ƒ (↑ Pi)</p><p>55</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>Reflita um pouco: anteriormente, destacamos que existe um bem complementar à impressora.</p><p>Lembra‑se qual é? Sim, muito bem: os cartuchos de tinta. Haverá influência no mercado de cartuchos</p><p>de tinta caso haja queda de demanda por impressoras? Resposta: sim!</p><p>Qual é a função demanda de cartuchos de tintas em função do preço das impressoras?</p><p>Qdct = ƒ (Pi)</p><p>Onde:</p><p>Qdct = quantidade demandada de cartuchos de impressora</p><p>(Pi) = preço da impressora</p><p>Se haverá queda na demanda por impressoras, porque seu preço está mais elevado, menor quantidade</p><p>de impressoras serão adquiridas. Assim, menos cartuchos de tinta serão adquiridos. O efeito, então, será:</p><p>↓ Qdct = ƒ (↑ Pi)</p><p>Figura 18 – Automóvel e combustível: bens complementares</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3KVp0pV. Acesso em: 3 abr. 2023.</p><p>Por outro lado, bens substitutos são aqueles que o consumidor tem condições de escolher</p><p>entre um ou outro. Exemplo: manteiga ou margarina, pão francês ou pão de forma, maçã ou pera,</p><p>feijão‑carioca ou feijão‑preto. Os dois atendem às necessidades de consumo. Em outras palavras, o</p><p>consumo de um pode substituir o consumo do outro. Se a ida ao supermercado mostra que os preços</p><p>do feijão‑carioca estão exorbitantemente mais elevados em relação aos preços do feijão‑preto, qual</p><p>adquirir? Como são substitutos, o preço de cada um deles exercerá influência sobre o consumidor.</p><p>Lembrando que o consumidor é tratado na microeconomia como racional, comparará os preços dos dois</p><p>56</p><p>Unidade II</p><p>bens e, entendendo estar diante de bens substitutos entre si, levará aquele que estiver com preço mais</p><p>baixo. Demonstrando em função, teríamos:</p><p>Qdfp = ƒ (Pfc)</p><p>Nesse caso, o preço do feijão‑carioca (Pfc) influencia na demanda de feijão‑preto Qdfp.</p><p>Ou</p><p>Qdfc = ƒ (Pfp)</p><p>Em que o preço do feijão‑preto (Pfp) influencia na demanda de feijão‑carioca Qdfc.</p><p>Conforme o exemplo, haverá aumento na demanda de feijão‑preto em função da elevação no preço</p><p>do feijão‑carioca.</p><p>↑ Qdfp = ƒ (↑ Pfc)</p><p>A) B)</p><p>Figura 19 – Bovinos e suínos: sua carne são bens substitutos</p><p>Disponível em: A) https://bit.ly/3Kyor5h; B) https://bit.ly/3ZH0psX. Acesso em: 3 abr. 2023.</p><p>Entretanto, e se o consumidor não gostar de forma alguma de feijão‑preto? Mesmo com o preço</p><p>mais baixo em relação ao feijão‑carioca, o consumidor não foi tocado a adquirir feijão‑preto, não gosta</p><p>desse tipo de produto! Assim, entra em cena mais um determinante da demanda, qual seja, G, gosto e</p><p>preferência do consumidor.</p><p>O gosto ou preferência do consumidor apresenta‑se como um elemento subjetivo que influencia a</p><p>demanda. Como medir o gosto do consumidor por feijão‑preto em relação ao feijão‑carioca? Se seu</p><p>consumo, digamos mensal, não inclui feijão‑preto ou pouco inclui em relação ao outro, dizemos que</p><p>feijão‑carioca é preferível ao feijão‑preto. Por ser preferível, coloca‑se com certa subjetividade e pode</p><p>influenciar a demanda de bens. O mesmo ocorre com outros determinantes da demanda, a exemplo das</p><p>expectativas de mercado.</p><p>57</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>Os consumidores costumam tomar conhecimento dos preços dos bens que consomem, bem</p><p>como ficar atentos às informações acerca dos setores que produzem tais bens. A formação de</p><p>expectativas também influencia a demanda. Basta imaginar se por um período qualquer o Governo</p><p>Federal anunciar que alguns bens de consumo durável, a exemplo de automóveis e eletrodomésticos</p><p>de linha‑branca, estariam isentos de determinados impostos. O que faria boa parte da sociedade?</p><p>Na expectativa de que o governo, findo o período de isenção, não mais adotasse a mesma medida,</p><p>acabaria por antecipar compras, independentemente de suas formas de pagamento.</p><p>Como todos os determinantes da demanda sofrem variações simultaneamente, de consumidor</p><p>para consumidor, e como pode haver modificação de influenciadores da demanda para um mesmo</p><p>consumidor, a teoria microeconômica lança mão da utilização da condição coeteris paribus. O que vem</p><p>a ser tal condição?</p><p>Imagine a seguinte situação: houve diminuição dos preços dos televisores e, ao mesmo tempo,</p><p>elevação da renda da sociedade, diminuição do preço dos planos de TV por assinatura e serviços de</p><p>streaming e aumento do custo da energia elétrica consumida pelos lares! Quatro coisas acontecendo ao</p><p>mesmo tempo. Como estimar a demanda de televisores diante desse quadro?</p><p>A condição coeteris paribus significa “iguais às demais coisas” e permite à microeconomia analisar</p><p>o que ocorre em um determinado mercado diante da modificação de alguma condição isolada,</p><p>mantendo os demais influenciadores constantes. Exemplificando, se queremos saber o que ocorre</p><p>com o mercado de leite diante do crescimento da renda de uma população, a teoria microeconômica</p><p>analisa os impactos nesse mercado diante somente da modificação da renda, para, em um segundo</p><p>momento, examinar o que ocorre com esse mercado quando houver modificação em alguma outra</p><p>relação da demanda.</p><p>Se desejo saber o que ocorre no mercado de televisores, primeiro verificamos a influência que</p><p>os preços exercem sobre a demanda desse tipo de bem. Depois, apura‑se a influência da renda do</p><p>consumidor na demanda desse produto, desconsiderando‑se a influência do preço. Pela expressão</p><p>economicamente correta, a pergunta seria: o que ocorre com o mercado de televisores diante da</p><p>elevação da renda do consumidor, coeteris paribus? Como deve‑se ler tal pergunta: o que ocorre</p><p>com o mercado de televisores diante da elevação da renda do consumidor, permanecendo tudo o</p><p>mais constante?</p><p>A mesma pergunta pode ser feita desta forma: O que ocorre com o mercado de TV por assinatura</p><p>e serviços de streaming, coeteris paribus, diante da elevação na renda do consumidor? Como ler?</p><p>O que ocorre com o mercado de TV por assinatura e serviços de streaming, permanecendo tudo o mais</p><p>constante, diante da elevação na renda do consumidor?</p><p>Quer outra? Vamos lá! Considerando apenas a diminuição no preço da manteiga, qual é o impacto</p><p>na demanda por margarina? Utilizando a expressão ficaria: coeteris paribus, qual é o comportamento</p><p>do mercado de margarina diante da diminuição no preço da manteiga?</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>58</p><p>Unidade II</p><p>Exemplo de aplicação</p><p>Tendo em mente o exemplo anterior, complete a frase a seguir.</p><p>Esquecendo, ou não considerando, demais fatores...</p><p>A condição coeteris paribus permite simplificar a realidade e, dessa forma, consegue dar respostas</p><p>de comportamento de mercados no curto prazo. Essa condição significa que não há modificação de</p><p>outras características ou circunstâncias além daquelas supostas na análise. Consiste, essencialmente,</p><p>em compartilhar a economia de modo que os principais efeitos de uma mudança de parâmetro em</p><p>determinado minimercado possam ser ressaltados sem considerar os efeitos colaterais em outros</p><p>mercados, inclusive as reações, ou seu feedback.</p><p>Saiba mais</p><p>Para conhecer melhor a aplicação inicial da condição coeteris paribus na</p><p>análise econômica, leia a obra de Marshall indicada a seguir. A concepção</p><p>geral dessa obra se baseia em uma visão microeconômica neoclássica do</p><p>regime capitalista de produção, supondo‑se uma tendência natural para</p><p>o equilíbrio, na qual as forças do mercado distribuíam os recursos da</p><p>melhor maneira possível entre os diversos usos alternativos. Seu método</p><p>de análise enfatiza as chamadas análises de equilíbrio parcial, com amplo</p><p>uso da abordagem coeteris paribus, uma das mais famosas contribuições</p><p>de Marshall.</p><p>MARSHALL, A. Princípios de economia. São Paulo: Abril Cultural, 1982.</p><p>(Coleção Os Economistas).</p><p>Na teoria da demanda, o comportamento do consumidor representativo é demonstrado por uma</p><p>relação entre preços dos bens que este consumidor está interessado em adquirir e suas respectivas</p><p>quantidades. Tal relação é indicada por uma curva: a curva da demanda. Ela é formada pela combinação</p><p>de pontos de preços de uma mercadoria (P) no eixo vertical com suas quantidades demandadas (Q) no</p><p>eixo horizontal. Destaca uma lei geral: a lei geral da demanda. Observe a seguir essa curva.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>59</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>P</p><p>D</p><p>Q</p><p>Figura 20 – Curva da demanda</p><p>A lei geral da demanda diz que as quantidades demandadas de um bem qualquer caminham em</p><p>sentido contrário aos preços deste. De forma análoga, a curva de demanda mostra a relação inversa</p><p>entre preços e quantidades demandadas. Quando o preço de uma mercadoria é elevado, as quantidades</p><p>demandadas dessa mercadoria são baixas; quando são baixos, as quantidades são elevadas.</p><p>Observe com atenção a tabela a seguir.</p><p>Tabela 2 – Escala de demanda</p><p>Preço</p><p>(UM$) Quantidade</p><p>demandada Ponto</p><p>10,00 20 A</p><p>8,00 25 B</p><p>6,00 30 C</p><p>4,00 35 D</p><p>Com as informações dessa escala, podemos então construir a curva de demanda individual</p><p>(figura a seguir).</p><p>60</p><p>Unidade II</p><p>10</p><p>8</p><p>6</p><p>4</p><p>AA</p><p>P</p><p>B</p><p>C</p><p>D</p><p>Q</p><p>20 25 30 35</p><p>Figura 21 – Curva de demanda individual</p><p>Observação</p><p>Tanto pela escada de demanda quanto pela curva de demanda, é</p><p>possível perceber a ocorrência da lei geral da demanda.</p><p>Analisando as informações da tabela bem como da curva de demanda, percebe‑se que, à medida que</p><p>o preço apresenta queda, as quantidades demandadas aumentam. Quando o preço dessa mercadoria</p><p>qualquer é UM$ 10,00, a quantidade demandada é de 20 unidades; quando o preço é de UM$ 8,00,</p><p>25 unidades; quando o preço é de UM$ 6,00, há aumento de cinco unidades nas quantidades demandadas,</p><p>ou seja, passam a ser 30 unidades; por fim, quando o preço é UM$ 4,00, 35 unidades.</p><p>Observação</p><p>Note que demanda é diferente de quantidades demandadas. Demanda</p><p>é intenção de compra, já quantidades demandadas representam, de fato, o</p><p>quanto se consome em determinado nível de preços.</p><p>Lembrete</p><p>Como a demanda representa relação inversa entre preços e quantidades,</p><p>você poderia pensar no exemplo acentuado para o caso de os preços</p><p>subirem. Nesse caso, as quantidades demandadas apresentariam queda.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>61</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>Denominamos de curva de demanda individual as combinações das quantidades de uma mesma</p><p>mercadoria que um consumidor isolado está apto a adquirir, por unidade de tempo, em relação aos</p><p>comportamentos dos preços dessa mercadoria. Chamaremos curva de demanda de mercado quando</p><p>uma escala de demanda apresentar as intenções de mais de um consumidor. Vejamos então uma nova</p><p>escala de demanda.</p><p>Tabela 3 – Escala de demanda para vários consumidores</p><p>Preço (UM$) Consumidor 1 Consumidor 2 Consumidor 3 Consumo total Ponto</p><p>10,00 10 7 13 30 A</p><p>8,00 12 8 16 36 B</p><p>7,00 13 8 17 38 C</p><p>6,00 14 9 19 42 D</p><p>4,00 16 10 28 54 E</p><p>A escala ilustrada relaciona, para cada nível de preço, quantidades demandadas diferentes para</p><p>cada um dos consumidores, demonstrando, dessa forma, a demanda total de mercado por um</p><p>produto qualquer. Então, podemos proceder ao conhecimento da curva de demanda de mercado,</p><p>que nada mais será do que demonstrar a relação entre os níveis de preços dessa mercadoria com</p><p>as respectivas quantidades demandadas por todos os seus consumidores.</p><p>Exemplo de aplicação</p><p>Considerando a tabela anterior, você pode criar a curva de demanda individual para cada um dos</p><p>consumidores. Faça a curva de demanda para o consumidor 1, relacionando o preço do bem como</p><p>as quantidades que ele demanda. Construa a curva de demanda para o consumidor 2 relacionando,</p><p>agora, o preço do bem com as quantidades que este consumidor demanda. Faça o mesmo com o</p><p>consumidor 3.</p><p>A</p><p>P</p><p>B</p><p>C</p><p>D</p><p>E</p><p>Q30 36 38 42 54</p><p>10</p><p>8</p><p>7</p><p>6</p><p>4</p><p>Figura 22 – Curva de demanda de vários consumidores</p><p>62</p><p>Unidade II</p><p>Observe que a curva de demanda para vários consumidores reflete a mesma lei geral de demanda,</p><p>e a análise pode ser por meio da queda de preços ou de sua elevação. Quando o preço do bem é de</p><p>UM$ 10,00, preço comum para todos os consumidores, o consumidor 1 adquire 10 unidades, o</p><p>consumidor 2 adquire sete e o consumidor 3 adquire 13. Assim, cada consumidor contribui com uma</p><p>parcela do consumo total, que é de 30 unidades nesse nível de preços.</p><p>Quando o preço cai para UM$ 8,00, o que ocorre? O consumo total de mercado sobe para</p><p>36 unidades. Vejamos o comportamento de cada consumidor: o consumidor 1 adquire mais duas</p><p>unidades, o consumidor 2 adquire somente mais uma, enquanto o consumidor 3 adquire mais três.</p><p>Mesmo que o preço seja idêntico para todos os consumidores, o comportamento de cada um deles</p><p>é diferente. E quando o preço passa a ser de UM$ 7,00? O consumidor 1 adquire mais uma unidade;</p><p>agora, seu consumo individual é de 13 unidades, e o consumidor 2 não adquire quantidades adicionais,</p><p>permanecendo no mesmo nível de consumo de quando o preço era de UM$ 8,00. Ele continua</p><p>consumindo apenas oito unidades, enquanto o consumidor 3 aumenta em mais uma unidade seu</p><p>consumo, adquirindo agora 17 unidades. Você pode continuar o raciocínio quando os preços são de</p><p>UM$ 6,00 e de UM$ 4,00.</p><p>O que explica comportamentos diferentes de consumo de um mesmo bem a diferentes preços?</p><p>Várias podem ser as respostas. Podemos pensar em algumas:</p><p>• a renda do consumidor influencia no consumo;</p><p>• trata‑se de um bem de consumo saciado;</p><p>• como o produto é novo no mercado, inicialmente, os consumidores o adquiriram para conhecê‑lo;</p><p>alguns continuam consumindo, enquanto outros se mostram indiferentes;</p><p>• pode ser um produto sazonal, a exemplo daquele consumo que acontece no período de Páscoa,</p><p>Natal e outras datas comemorativas, por exemplo;</p><p>• o bem pode proporcionar elevado ou baixo grau de utilidade.</p><p>Exemplo de aplicação</p><p>As respostas anteriores correspondem à análise positiva ou normativa? Reflita, responda e procure</p><p>apresentar outras hipóteses.</p><p>Da mesma forma que quantidades demandadas são influenciadas pelo preço do bem, a curva de</p><p>demanda também sofre influência. Nesse caso, dependendo do determinante da demanda (renda do</p><p>consumidor, preço de bens relacionados, gosto ou preferência do consumidor), a curva de demanda</p><p>sofre deslocamentos positivos ou negativos. Aqui, precisamos efetuar uma distinção entre o que são</p><p>movimentos da curva, também chamados de deslocamentos da curva, e movimentos ao longo da curva.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>63</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>Movimentos ao longo da curva são percebidos quando o influenciador da demanda é o preço do</p><p>bem. Pense no seguinte: coeteris paribus, o que ocorre com a quantidade demandada de carne de frango</p><p>quando há diminuição de seus preços? Aumento ou diminuição nas quantidades demandadas? Aumento,</p><p>muito bem. Como representar a curva de demanda por carne de frango? Mais: como representar a</p><p>curva de demanda por carne de frango e o efeito das quantidades demandadas diante da diminuição</p><p>de preço? Vamos lá.</p><p>Suponha que o quilo do preço da carne de frango esteja em UM$ 9,00 e que os consumidores, em</p><p>conjunto, adquiram 1.200 kg. O preço do quilo cai para UM$ 7,20 e o consumo de mercado passa a ser</p><p>de 2.200 kg. Temos aqui uma escala de demanda.</p><p>Tabela 4 – Escala de demanda por carne de frango</p><p>Ponto Preço (UM$) Quantidade</p><p>demandada (kg)</p><p>A 9,00 1.200</p><p>B 7,20 2.200</p><p>Vejamos a representação da curva de demanda por carne de frango e o efeito das quantidades</p><p>demandadas diante da diminuição de preço.</p><p>9,00</p><p>7,20</p><p>P</p><p>B</p><p>D</p><p>Qdcf</p><p>A</p><p>1.200 2.200</p><p>Figura 23 – Curva de demanda por carne de frango</p><p>Como houve diminuição no preço da carne de frango, P, e os consumidores passaram a adquirir</p><p>maior quantidade do bem, (Qdcf), há um deslocamento de pontos ao longo da curva. O ponto inicial</p><p>está em A, correspondendo ao preço UM$ 9,00 e a 1.200 kg. A queda de preços para UM$ 7,20 faz que</p><p>as quantidades demandadas do bem sejam de 2.200 kg, o que é representado pelo ponto B. Assim, a</p><p>modificação no preço provocou movimento de pontos ao longo da curva de demanda, D. Se o preço</p><p>aumentar, o efeito será o contrário: deslocamento de ponto ao longo da curva de B para A.</p><p>64</p><p>Unidade II</p><p>Observação</p><p>Você pode chamar deslocamento de pontos ao longo da curva ou</p><p>simplesmente movimento ao longo da curva.</p><p>De forma diferente, deslocamentos da curva de demanda ocorrem quando a renda do consumidor,</p><p>o preço de bens relacionados ou gosto ou preferência do consumidor apresentarem alteração individual</p><p>ou em conjunto.</p><p>Em função da condição coeteris paribus, admite‑se que a alteração seja individual: um determinante</p><p>de cada vez exercendo influência sobre a demanda.</p><p>Lembrete</p><p>Da mesma forma que quantidades demandadas são influenciadas pelo</p><p>preço do bem, a curva de demanda também sofre influência.</p><p>Voltemos ao exemplo em que a renda do consumidor influencia na demanda por televisores.</p><p>Qdt = ƒ (R)</p><p>Onde:</p><p>Qdt =</p><p>quantidade demandada de televisores</p><p>(R) = Renda</p><p>Admita, coeteris paribus, crescimento da renda: o que ocorre? Você deve ter respondido que será</p><p>elevada a demanda por televisores. E mais: deve ter imaginado rapidamente a função demanda para o</p><p>caso proposto:</p><p>↑ Qdt = ƒ (↑R)</p><p>E qual é o impacto na curva de demanda?</p><p>65</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>P</p><p>P BA</p><p>D’</p><p>D</p><p>Q1 Q2 Qdt</p><p>Figura 24 – Demanda por televisores</p><p>Com a elevação na renda do consumidor, maior será a demanda por televisores, coeteris paribus.</p><p>Assim, a curva de demanda original, D, combina o preço dos televisores com determinada quantidade,</p><p>Q1, antes da alteração da renda, ponto A. Com a alteração da renda, a curva de demanda por televisores</p><p>sofre deslocamento positivo, e agora é chamada D’. O ponto B demonstra novas, e maiores, quantidades</p><p>demandadas de televisores, Q2, e o preço permanece constante.</p><p>Observação</p><p>O fato de o preço ter permanecido constante deve‑se à alteração</p><p>somente da função demanda influenciada pelo determinante renda. Como</p><p>tudo o mais permaneceu constante, também permaneceu constante a</p><p>influência da oferta e do comportamento do mercado.</p><p>Vejamos outro exemplo. Estamos agora preocupados em investigar o que acontece com o mercado</p><p>de margarina se houver uma diminuição do preço da manteiga. Tratando‑se de bens substitutos, o</p><p>consumidor racional tomará qual atitude? Se você está pensando que nosso agente racional demandará</p><p>mais manteiga e menos margarina, acertou! Parabéns. Observe a seguir a representação gráfica.</p><p>66</p><p>Unidade II</p><p>B</p><p>Dmant</p><p>(a)</p><p>Demanda de manteiga</p><p>A</p><p>Q1 Q2</p><p>P1</p><p>P2</p><p>Q1</p><p>Dmarg</p><p>C</p><p>(b)</p><p>Demanda de margarina</p><p>Dmarg’</p><p>Figura 25 – Demanda de manteiga e de margarina</p><p>Em (a) temos a representação da demanda por manteiga, Dmant; em (b), da demanda por margarina,</p><p>Dmarg. No início, a demanda por manteiga – Dmant – está no ponto A, onde P1 corresponde a Q1. A demanda</p><p>por margarina está no ponto C. Com a queda de preço de manteiga, a nova quantidade demandada passa</p><p>a ser B: P2,Q2. A diminuição no preço força queda de demanda por margarina, e a curva de demanda</p><p>desse produto sofre deslocamento negativo, ou para a esquerda, e agora é representada por Dmarg’.</p><p>No gráfico (b), a quantidade demandada de margarina permanece constante em Q1, mas, na prática,</p><p>a quantidade demandada diminuirá. Por que isso ocorre? Porque, no momento, estamos trabalhando</p><p>somente com a demanda.</p><p>Para que o consumidor possa exercer sua demanda por bens, alguém tem que ofertá‑los. Nesse</p><p>sentido, passamos a considerar a teoria da oferta.</p><p>5.1.1.2 Teoria da oferta</p><p>Preocupa‑se com o comportamento dos empresários em relação à oferta de mercadorias. A oferta</p><p>refere‑se à quantidade de um bem ou serviço que o produtor ou vendedor está disposto e capacitado a</p><p>ofertar em determinado período de tempo.</p><p>De forma análoga à da demanda, a oferta será diferente de venda, porque representa uma</p><p>intenção de venda, em função principalmente de alguns determinantes da oferta. Vejamos alguns</p><p>determinantes da oferta:</p><p>• preço do bem ou serviço;</p><p>• preço dos fatores de produção;</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>67</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>• tecnologia;</p><p>• preço de bens relacionados (substitutos ou complementares) na oferta;</p><p>• clima;</p><p>• demais determinantes.</p><p>Com os determinantes da oferta, podemos obter uma função oferta:</p><p>Função oferta = Qox = ƒ (P, PFP, T, PBR, C, E)</p><p>Onde:</p><p>Qox = quantidade ofertada do bem x</p><p>P = preço do bem x</p><p>PFP = preço dos fatores de produção (custo dos fatores)</p><p>T = tecnologia de produção</p><p>PBR = preço de bens relacionados na produção do bem x, a exemplo dos substitutos e/ou</p><p>complementares</p><p>C = condições climáticas e de solo</p><p>E = expectativa do ofertante sobre o mercado do bem x</p><p>Na oferta, o preço do bem impacta positivamente o crescimento de quantidades. Por qual motivo?</p><p>Se um empresário qualquer percebe que o mercado está pagando um preço elevado pelo produto</p><p>que vende, terá maior incentivo para aumentar a produção. Suponha um agricultor do setor de</p><p>soja. Ao perceber que o consumo de soja mostra elevação, terá maior incentivo a continuar em tal</p><p>produção, pois há demanda. Assim, poderá praticar uma política de crescimento de preços, uma</p><p>vez que os consumidores se mostram favoráveis a tal produto. Se continuarem consumindo após o</p><p>crescimento do preço, mais incentivado estará nosso agricultor a continuar com sua produção.</p><p>Por outro lado, se o mercado apresenta saturação e não valoriza o bem que se oferta, o empresário</p><p>de qualquer setor sentir‑se‑á desmotivado e poderá procurar por outra atividade. Portanto, preços</p><p>elevados influenciam positivamente quantidades ofertadas, e preços baixos influenciam negativamente</p><p>quantidades ofertadas. Utilizando os termos da função oferta, temos:</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>68</p><p>Unidade II</p><p>↑Qo = ƒ (↑P)</p><p>E</p><p>↓Qo = ƒ (↓P)</p><p>Onde:</p><p>Qo = quantidade ofertada</p><p>P = preço do bem</p><p>Acompanhe outro exemplo: suponha que em determinado momento o preço dos tecidos tenha</p><p>sofrido elevação em função de uma queda de produção. O que deve ocorrer com a oferta de calças?</p><p>Observação</p><p>Estamos supondo que o tecido seja um fator de produção de calças.</p><p>Se houve diminuição na oferta de tecidos, as indústrias produtoras de calças terão menos fator de</p><p>produção à sua disposição e, portanto, deverão produzir menor quantidade de calças. Dessa forma,</p><p>haverá diminuição na oferta de calças. Vejamos a função que representa tal situação.</p><p>Qo = ƒ (PFP)</p><p>Onde:</p><p>Qo = quantidade ofertada</p><p>PFP = preço dos fatores de produção</p><p>Então, a função anterior seleciona apenas um determinante da oferta, qual seja, o preço dos fatores</p><p>de produção. Aplicada ao exemplo, a função será:</p><p>↓ Qoc = ƒ (↑ Pt)</p><p>Onde:</p><p>Qoc = quantidade ofertada de calças</p><p>Pt = preço do tecido</p><p>69</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>A função representa exatamente a conclusão a que chegamos: o aumento do preço do tecido</p><p>devido à diminuição da oferta desse fator de produção impacta negativamente o mercado de calças,</p><p>causando a diminuição da oferta.</p><p>Observação</p><p>Percebeu que, para os exemplos, novamente usamos um determinante</p><p>da oferta de cada vez? É a condição coeteris paribus também presente na</p><p>teoria da oferta.</p><p>Outro exemplo? Agora vamos utilizar a tecnologia como determinante da oferta.</p><p>Suponha uma indústria de bebidas que produza refrigerantes. Seu processo de produção é por esteira</p><p>rolante; os recipientes são transportados pela esteira até o local em que receberão o líquido. Depois,</p><p>o processo continua até o recebimento da tampa plástica para vedação. Estamos pensando em uma</p><p>indústria que produza refrigerantes acondicionados em garrafas do tipo PET.</p><p>Figura 26 – Garrafas PET</p><p>Disponível em: https://cutt.ly/XwqCFtRN. Acesso em: 3 abr. 2023.</p><p>Há um mecanismo específico que fecha a garrafa após estar completada com o líquido correspondente.</p><p>É uma máquina que coloca a tampa e fecha a garrafa. A empresa pensa em modernizar tal mecanismo</p><p>aplicando uma nova tecnologia, que fará tal processo em menos tempo, o que resultará em mais</p><p>agilidade no fechamento de cada garrafa, ou seja, mais garrafas estarão prontas em menos tempo.</p><p>70</p><p>Unidade II</p><p>A função que representa a situação anterior será:</p><p>Qor = ƒ (↑T)</p><p>Onde:</p><p>Qor = quantidade ofertada de refrigerantes</p><p>T = tecnologia</p><p>Saiba mais</p><p>Saiba mais sobre a produção de refrigerantes acessando o site da</p><p>Afebras (Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil). Há notícias</p><p>interessantes na plataforma.</p><p>Disponível em: http://afrebras.org.br. Acesso em: 3 abr. 2023.</p><p>Como todos os determinantes da oferta variam simultaneamente, de produtor para produtor, e</p><p>como pode haver modificação no comportamento dos influenciadores da oferta para um mesmo</p><p>produtor, a teoria microeconômica, assim como o faz na teoria da demanda, lança mão da utilização</p><p>da condição coeteris paribus. Tal condição permite à microeconomia analisar o que ocorre</p><p>em um</p><p>determinado mercado diante da modificação de alguma condição isolada, mantendo os demais</p><p>influenciadores constantes. Exemplificando: se nosso interesse é saber o que ocorre com o mercado</p><p>de alfaces diante de um clima frio extremamente rigoroso, a teoria microeconômica analisa os</p><p>impactos nesse mercado ponderando somente a condição do clima para, depois, analisar o que</p><p>ocorre com esse mercado quando houver modificação em algum outro determinante da oferta.</p><p>Observação</p><p>Considerando o exemplo anterior, e olhando para a função oferta, o</p><p>determinante utilizado foi a condição climática.</p><p>Exemplo de aplicação</p><p>Você pode investigar como os bens relacionados na oferta, os chamados substitutos ou complementares,</p><p>são tratados na teoria. Basta procurar livros de microeconomia para encontrar situações interessantes.</p><p>71</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>Na teoria da oferta, o comportamento do produtor representativo é demonstrado por uma relação</p><p>entre preços dos bens que esse produtor está interessado em ofertar e suas respectivas quantidades.</p><p>Tal relação é indicada por uma curva: a curva da oferta. Ela é formada pela combinação de pontos de</p><p>preços de uma mercadoria (P) no eixo vertical com suas quantidades ofertadas (Q) no eixo horizontal.</p><p>Demonstra uma lei geral: a lei geral da oferta. Vejamos a curva de oferta.</p><p>O</p><p>P</p><p>Q</p><p>Figura 27 – Curva de oferta</p><p>A lei geral da oferta diz que as quantidades ofertadas de uma mercadoria qualquer caminham no</p><p>mesmo sentido dos preços dessa mercadoria. De forma análoga, a curva de oferta mostra a relação direta</p><p>entre preços e quantidades ofertadas. Quando o preço de uma mercadoria é elevado, as quantidades</p><p>ofertadas dessa mercadoria são também elevadas; quando os preços são baixos, as quantidades ofertadas</p><p>dessa mercadoria serão baixas.</p><p>Observe com atenção a tabela a seguir.</p><p>Tabela 5 – Escala de oferta</p><p>Preço (UM$) Quantidade ofertada Ponto</p><p>4,00 20 A</p><p>6,00 25 B</p><p>8,00 30 C</p><p>10,00 35 D</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>72</p><p>Unidade II</p><p>Com as informações dessa escala, podemos, então, construir a curva de oferta individual.</p><p>10</p><p>8</p><p>6</p><p>4</p><p>20 25 30 35</p><p>O</p><p>P</p><p>Q</p><p>Figura 28 – Curva de oferta individual</p><p>Observação</p><p>Tanto pela escada de oferta quanto pela curva de oferta, é possível</p><p>perceber a ocorrência da lei geral da oferta.</p><p>Analisando as informações da tabela, bem como da curva de oferta, percebe‑se que, à medida que o</p><p>preço apresenta queda, as quantidades ofertadas aumentam. Quando o preço dessa mercadoria qualquer</p><p>é UM$ 10,00, a quantidade ofertada é de 35 unidades; quando o preço é de UM$ 8,00, 30 unidades;</p><p>quando o preço é de UM$ 6,00, há diminuição de cinco unidades nas quantidades ofertadas, ou seja,</p><p>passam a ser 25; por fim, quando o preço é UM$ 4,00, 20 unidades.</p><p>Observação</p><p>Note que oferta é diferente de quantidades ofertadas. Oferta é intenção de</p><p>produção ou de venda, enquanto quantidades ofertadas representam,</p><p>de fato, o quanto se oferece a determinado nível de preços.</p><p>Como a oferta representa relação direta entre preços e quantidades, você poderia pensar no exemplo</p><p>acentuado para o caso de os preços subirem. Nesse caso, as quantidades ofertadas apresentariam elevação.</p><p>Denominamos curva de oferta individual as combinações das quantidades de uma mesma mercadoria</p><p>que um produtor está apto a ofertar por unidade de tempo em relação aos comportamentos dos</p><p>preços dessa mercadoria. Chamaremos de curva de oferta de mercado quando em uma escala de oferta</p><p>estiverem demonstradas as informações de mais do que um produtor em relação a um mesmo produto.</p><p>Vejamos então uma nova escala de oferta. Agora, a escala de oferta para vários produtores.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>73</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>Tabela 6 – Escala de oferta para vários produtores</p><p>Preço (UM$) Produtor 1 Produtor 2 Produtor 3 Oferta total Ponto</p><p>4,00 10 7 13 30 A</p><p>6,00 12 8 16 36 B</p><p>7,00 13 9 16 38 C</p><p>8,00 14 9 19 42 D</p><p>10,00 16 10 28 54 E</p><p>A escala acentuada relaciona, para cada nível de preço, quantidades ofertadas diferentes para</p><p>cada um dos produtores, demonstrando, assim, a oferta total de mercado por um produto qualquer.</p><p>Podemos, então, proceder ao conhecimento da curva de oferta de mercado, que nada mais será do</p><p>que demonstrar a relação entre os níveis de preços dessa mercadoria com as respectivas quantidades</p><p>ofertadas por todos os produtores dessa mercadoria.</p><p>Exemplo de aplicação</p><p>Considerando a tabela anterior, você pode criar a curva de oferta individual para cada um dos</p><p>produtores. Construa a curva de oferta para o produtor 1 relacionando o preço do bem como as</p><p>quantidades que ele oferta. Faça a curva de oferta para o produtor 2 relacionando, agora, o preço do</p><p>bem com as quantidades que esse produtor oferece. Faça o mesmo com o produtor 3.</p><p>30 36 38 42 54 Q</p><p>10</p><p>8</p><p>7</p><p>6</p><p>4</p><p>P</p><p>A</p><p>B</p><p>C</p><p>D</p><p>E</p><p>O</p><p>Figura 29 – Curva de oferta para vários produtores</p><p>Observe que a curva de oferta para vários produtores reflete a mesma lei geral de oferta, e a análise</p><p>pode ser por meio da queda de preços ou de sua elevação. Quando o preço do bem é de UM$ 10,00,</p><p>preço comum para todos os produtores, o produtor 1 está disposto a oferecer 16 unidades, o produtor 2</p><p>oferece 10 unidades e o produtor 3 está apto a ofertar 28 unidades. Assim, cada produtor contribui com</p><p>uma parcela da oferta total, que é de 54 unidades nesse nível de preços.</p><p>74</p><p>Unidade II</p><p>Quando o preço cai para UM$ 8,00, o que ocorre? A produção total de mercado cai para 42 unidades.</p><p>Vejamos o comportamento de cada produtor: o produtor 1 oferece duas unidades a menos, o produtor 2</p><p>diminui a oferta em uma unidade, enquanto o produtor 3 diminui em nove unidades sua oferta. Mesmo</p><p>que o preço seja idêntico para todos os produtores, o comportamento de cada um deles é diferente.</p><p>E quando o preço passa a ser de UM$ 7,00? O produtor 1 oferta uma unidade a menos (agora sua oferta</p><p>individual passa a ser de 13 unidades) e o consumidor 2 não altera seu padrão de oferta, permanecendo</p><p>no mesmo nível de oferta de quando o preço era de UM$ 8,00. Ele continua ofertando apenas nove</p><p>unidades, enquanto o produtor 3 diminui outras três unidades de sua oferta, passando a oferecer agora</p><p>apenas 16 unidades. Você pode continuar o raciocínio quando os preços são de UM$ 6,00 e de UM$ 4,00.</p><p>O que explica comportamentos diferentes de produção (oferta) de um mesmo bem a diferentes</p><p>preços? Várias podem ser as respostas. Uma delas: a queda de preços não cobre os custos de produção,</p><p>de modo que o produtor poderá incorrer em lucros menores.</p><p>Da mesma forma que quantidades ofertadas são influenciadas pelo preço do bem, a curva de oferta</p><p>também sofre influência. Nesse caso, dependendo do determinante da oferta (preço dos fatores de produção,</p><p>preço dos bens relacionados, tecnologia, condições climáticas), a curva de oferta sofre deslocamentos positivos</p><p>ou negativos. Aqui vale a mesma distinção apresentada quando do tratamento da teoria da demanda:</p><p>entre o que são movimentos da curva, também chamados de deslocamentos da curva, e movimentos ao</p><p>longo da curva.</p><p>Movimentos ao longo da curva são percebidos quando o influenciador da oferta é o preço do bem.</p><p>Pense no seguinte: coeteris paribus, o que ocorre com a quantidade ofertada de leite diante da diminuição</p><p>de seus preços? Aumento ou diminuição nas quantidades ofertadas? Diminuição, pois se trata de relação</p><p>direta entre preços e quantidades. Como representar a curva de oferta de leite? Mais: como indicar a curva</p><p>de oferta de leite e o efeito das quantidades ofertadas diante da diminuição de preço? Vamos lá.</p><p>Figura 30 – O leite e sua fonte</p><p>Disponível em: https://cutt.ly/4wqR03K5. Acesso em: 15 maio 2023.</p><p>75</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>Suponha que o preço do litro de leite seja UM$ 3,00 e que os vendedores, em conjunto, ofertem</p><p>12.000 litros. O preço do litro cai para UM$ 2,80 e a oferta de mercado passa a ser de 10.700 litros. Temos</p><p>aqui uma escala de oferta.</p><p>Tabela</p><p>7 – Escala de oferta de leite</p><p>Ponto Preço (UM$) Quantidade ofertada (litros)</p><p>A 3,00 12.000</p><p>B 2,80 10.700</p><p>Vejamos a representação da curva de oferta de leite e o efeito das quantidades ofertadas diante</p><p>da diminuição de preço.</p><p>10.700 12.000 QoI</p><p>3,00</p><p>2,80</p><p>O</p><p>A</p><p>B</p><p>P</p><p>Figura 31 – Curva de oferta de leite</p><p>Como houve diminuição no preço do leite, P, e os produtores passaram a ofertar menor</p><p>quantidade do bem, (Qol), há um deslocamento de pontos ao longo da curva. O ponto inicial</p><p>está em A, correspondendo ao preço UM$ 3,00 e a 12.000 litros. A queda de preços para</p><p>UM$ 2,80 faz que as quantidades ofertadas do bem sejam de 10.700 litros, o que é representado</p><p>pelo ponto B. Assim, a modificação no preço provocou movimento de pontos ao longo da curva</p><p>de oferta, O. Se o preço aumentar, o efeito será o contrário: deslocamento de ponto ao longo da</p><p>curva de B para A.</p><p>De forma diferente, deslocamentos da curva de oferta ocorrem quando o preço dos fatores de</p><p>produção, o preço dos bens relacionados, a tecnologia ou condições climáticas apresentarem alteração</p><p>individual ou em conjunto.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>76</p><p>Unidade II</p><p>Observação</p><p>Em função da condição coeteris paribus, admite‑se que a alteração seja</p><p>individual: um determinante de cada vez exercendo influência sobre a oferta.</p><p>Voltemos ao exemplo da oferta de calças em função do tecido:</p><p>Qoc = ƒ (PFP)</p><p>Onde:</p><p>Qoc = quantidade ofertada de calças</p><p>(PFP) = preço de fator de produção</p><p>Figura 32 – Indústria têxtil</p><p>Disponível em: https://bit.ly/41lH95w. Acesso em: 3 abr. 2023.</p><p>Admita, coeteris paribus, diminuição da oferta de tecido e, portanto, crescimento no preço do tecido:</p><p>o que ocorre? Você deve ter respondido que diminuirá a oferta de calças. E mais – deve ter imaginado</p><p>rapidamente a função oferta para o caso proposto:</p><p>↓ Qoc = ƒ (↑Pt)</p><p>E qual é o impacto na curva de oferta?</p><p>77</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>P</p><p>P B</p><p>A</p><p>O’</p><p>O</p><p>Q2 Q1 Qoc</p><p>Figura 33 – Oferta de calças</p><p>Com a queda na oferta de tecidos, menor será a oferta de calças, coeteris paribus. Assim, a curva</p><p>de oferta original, O, combina o preço das calças com determinada quantidade, Q1, antes da alteração</p><p>do preço e da queda de oferta de tecidos, ponto A. Com a alteração no mercado de tecidos, a curva de</p><p>oferta de calças sofre deslocamento negativo, e agora é chamada de O’. O ponto B demonstra novas,</p><p>e menores, quantidades ofertadas de calças, Q2, e o preço permanece constante.</p><p>Observação</p><p>O fato de o preço ter permanecido constante deve‑se à alteração</p><p>somente da função oferta influenciada pelo determinante preço</p><p>de fatores de produção. Como tudo o mais permaneceu constante,</p><p>também permaneceu constante a influência da demanda e do</p><p>comportamento do mercado.</p><p>Estudemos outro exemplo. Analisando um agricultor, estamos agora preocupados em investigar o</p><p>que acontece com o mercado de soja se houver uma diminuição do preço do milho.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>78</p><p>Unidade II</p><p>Figura 34 – Milho</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3GekRdI. Acesso em: 3 abr. 2023.</p><p>Tratando‑se de bens substitutos na produção, o produtor racional tomará qual atitude? Se você</p><p>está pensando que nosso agente racional mudará a produção para o cultivo de soja, acertou! Parabéns.</p><p>Por qual motivo? Simplesmente pelo fato de a queda do preço do milho desencorajar continuidade na</p><p>produção, estimulando mudança para o cultivo de soja. Observe a seguir a representação gráfica.</p><p>Qom</p><p>(b)</p><p>Oferta de soja</p><p>C D</p><p>Os’</p><p>Q1 Q2</p><p>Qos</p><p>Os</p><p>(a)</p><p>Oferta de milho</p><p>P</p><p>P1</p><p>P2</p><p>BB</p><p>A</p><p>Om</p><p>Q2 Q1</p><p>P</p><p>Figura 35 – Oferta de milho e soja</p><p>79</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>Em (a) temos a representação da oferta de milho, Om; em (b), a de soja, Os. No início, a oferta de</p><p>milho, Om, está no ponto A, onde P1 corresponde a Q1. A oferta de soja está no ponto C. Com a queda do</p><p>preço do milho, a nova quantidade ofertada passa a ser B: P2,Q2. A diminuição no preço força o aumento</p><p>da oferta de soja, e a curva de oferta desse produto sofre deslocamento positivo, ou para a direita, e</p><p>agora é representada por Os’. No gráfico (b), a quantidade ofertada de soja passa a ser Q2.</p><p>Figura 36 – Soja</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3oDdBlT. Acesso em: 3 abr. 2023.</p><p>Pois bem: até o momento olhamos as duas teorias em separado: a da demanda e a da oferta, ambas</p><p>com seus determinantes e deslocamentos. Agora vamos examinar como elas se comportam juntas.</p><p>5.2 Equilíbrio entre oferta e demanda e possibilidades de desequilíbrio</p><p>Como já estudamos a demanda e a oferta, devemos acentuar outro ponto, que é o local onde as</p><p>relações da demanda se defrontam com as relações da oferta. Nesse local, quem quer comprar uma</p><p>mercadoria relaciona‑se com quem quer vender determinada mercadoria e vice‑versa. Chamamos esse</p><p>local de mercado.</p><p>No mercado, por meio da determinação de preços de mercadorias e suas respectivas quantidades,</p><p>são realizadas todas as transações entre os agentes e, dessa forma, todas as relações da demanda são</p><p>postas em ação, assim como acontece com as relações da oferta. Então, se em um mercado existe o</p><p>encontro de demandantes de mercadorias com os ofertantes de mercadorias, podemos representá‑los</p><p>da seguinte forma:</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>80</p><p>Unidade II</p><p>P O</p><p>D</p><p>Q</p><p>Figura 37 – Representação do funcionamento do mercado</p><p>Assim, o mercado de uma mercadoria qualquer é representado posicionando as curvas de demanda</p><p>e de oferta em um mesmo gráfico. Aqui, a curva de demanda indicará as quantidades demandadas</p><p>de uma mercadoria em relação aos seus preços, e a curva de oferta, por sua vez, também ilustrará as</p><p>quantidades ofertadas de uma mercadoria em relação ao comportamento de seus preços. Mas lembre‑se:</p><p>os determinantes da demanda e da oferta também estão representados nas curvas específicas.</p><p>Segundo a teoria da demanda, as quantidades que os consumidores estão interessados em adquirir</p><p>reagem de forma inversa aos preços; ou seja, para preços maiores, as quantidades demandadas serão</p><p>menores, e também vale o inverso. Já a teoria da oferta demonstra que as quantidades que os produtores</p><p>estão interessados em oferecer reagem de forma direta aos preços; ou seja, para preços maiores, as</p><p>quantidades ofertadas serão maiores, e para preços menores, elas também serão menores.</p><p>Então, parece haver desencontro de interesses entre os que ofertam e os que demandam</p><p>mercadorias. Esse desencontro é resolvido quando os demandantes passam a aceitar pagar os</p><p>preços que os ofertantes desejam receber; de forma análoga, o desencontro também passa a ser</p><p>resolvido quando os produtores ofertam mercadorias na real quantidade em que os consumidores</p><p>desejam adquirir. Estamos nos referindo a um ponto de equilíbrio.</p><p>No ponto de equilíbrio, que no próximo gráfico está representado pela letra E, serão harmonizados</p><p>os interesses conflitantes de demandantes e ofertantes de mercadorias. Se os ofertantes desejarem</p><p>cobrar preços mais elevados do que aqueles que os demandantes aceitam pagar, haverá mais</p><p>quantidades ofertadas do que aquelas que serão consumidas. Existirá, portanto, um excesso de</p><p>oferta. De outra forma, se os consumidores desejarem adquirir maiores quantidades do que aquelas</p><p>ofertadas pelos produtores, existirá escassez. Representando o ponto de equilíbrio, temos:</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>81</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>P</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>Q</p><p>Figura 38 – Representação do equilíbrio de mercado</p><p>Vamos representar numericamente as relações do equilíbrio de mercado, recordando tanto a escala</p><p>de demanda de mercado quanto a escala de oferta de mercado acentuadas nas teorias da demanda</p><p>e da oferta. A escala de demanda de mercado está elencada na tabela a seguir.</p><p>Tabela 8 – Escala de demanda para vários consumidores</p><p>Preço (UM$) Consumidor 1 Consumidor 2 Consumidor 3 Consumo total Ponto</p><p>10,00 10 7 13 30 A</p><p>8,00 12 8 16 36 B</p><p>7,00 13 8</p><p>17 38 C</p><p>6,00 14 9 19 42 D</p><p>4,00 16 10 28 54 E</p><p>Quanto à escala de oferta de mercado, a apresentada foi a seguinte:</p><p>Tabela 9 – Escala de oferta para vários produtores</p><p>Preço (UM$) Produtor 1 Produtor 2 Produtor 3 Oferta total Ponto</p><p>4,00 10 7 13 30 A</p><p>6,00 12 8 16 36 B</p><p>7,00 13 9 16 38 C</p><p>8,00 14 9 19 42 D</p><p>10,00 16 10 28 54 E</p><p>82</p><p>Unidade II</p><p>Observação</p><p>Como estamos tratando do assunto equilíbrio de mercado, trouxemos</p><p>aqui novamente as informações acerca dos participantes do mercado:</p><p>todos demandantes e ofertantes de um mesmo bem.</p><p>A partir das duas escalas separadas, é possível construir uma escala que represente, para um mesmo</p><p>nível de preços, as quantidades demandadas e as quantidades ofertadas de certa mercadoria. É o que</p><p>ilustra a próxima tabela.</p><p>Tabela 10 – Escala de mercado</p><p>Preço (UM$) Quantidades demandadas Quantidades ofertadas Ponto</p><p>4,00 54 30 A</p><p>6,00 42 36 B</p><p>7,00 38 38 C</p><p>8,00 36 42 D</p><p>10,00 30 54 E</p><p>Feita a escala de mercado, que combina quantidades demandadas e quantidades ofertadas de uma</p><p>mesma mercadoria para diferentes níveis de preços, poderemos então representar o ponto de equilíbrio</p><p>para esse mercado. Antes disso, observe os números da tabela: ao preço de UM$ 4,00, quantidades</p><p>demandadas e ofertadas são diferentes; ao preço de UM$ 6,00, idem. O mesmo ocorre aos preços de</p><p>UM$ 8,00 e UM$ 10,00. Mas e ao preço de UM$ 7,00? As quantidades demandadas são idênticas às</p><p>ofertadas. Portanto, ao preço UM$ 7,00, as quantidades demandadas e ofertadas são de 38 unidades,</p><p>representando o ponto de equilíbrio nesse mercado.</p><p>Observação</p><p>Note o que ocorre quando o preço é superior ao de equilíbrio bem como</p><p>quando é inferior ao equilíbrio. Precisaremos disso adiante.</p><p>Na tabela anterior, estão representadas as leis gerais tanto da demanda quanto da oferta, cada uma</p><p>delas com suas relações específicas: na demanda relação inversa e na oferta, direta.</p><p>O gráfico a seguir acentua numericamente o equilíbrio de mercado.</p><p>83</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>P</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>38</p><p>7,00</p><p>Q</p><p>Figura 39 – Equilíbrio de mercado</p><p>Com a representação, vemos que ao preço de UM$ 7,00 as quantidades demandadas e ofertadas</p><p>são as mesmas, ou seja, 38 unidades. Para qualquer preço superior a UM$ 7,00, as quantidades</p><p>ofertadas serão maiores do que as demandadas, gerando excesso de oferta. De outra forma, para</p><p>preços menores do que UM$ 7,00, as quantidades demandadas serão maiores do que as ofertadas,</p><p>gerando excesso de demanda, chamada, portando, escassez.</p><p>Exemplo de aplicação</p><p>Procure retomar as informações da tabela 10 (escala de mercado). Estabeleça, para cada nível de</p><p>preços, se há excesso de demanda ou excesso de oferta e quais são as quantidades de tais excessos.</p><p>Para não ocorrer nem excesso de oferta nem de demanda, o comportamento dos consumidores</p><p>e de vendedores deverá se adaptar às condições do próprio mercado, em que um exercerá pressão</p><p>sobre o comportamento do outro. Da mesma forma que o comportamento dos consumidores em</p><p>relação aos preços praticados pelos vendedores modifica as relações de mercado dos vendedores,</p><p>qualquer modificação em cada um daqueles influenciadores da demanda ou influenciadores da</p><p>oferta também afeta o equilíbrio de mercado. Por exemplo, dada a ocorrência de elevação na renda</p><p>dos consumidores, a tendência é a de que maiores quantidades de mercadorias sejam consumidas.</p><p>Da mesma forma, se existir, por exemplo, uma melhoria no clima, tornando mais propícia a produção</p><p>de bens agrícolas, a tendência é que exista maior oferta desses tipos de bens.</p><p>Assim, as quantidades demandadas e ofertadas de determinada mercadoria, bem como seus preços,</p><p>sofrem modificações de acordo com o comportamento dos integrantes da demanda e/ou da oferta.</p><p>Portanto, a cada modificação da demanda ou da oferta, desloca‑se o ponto de equilíbrio.</p><p>Exemplificando: vamos supor que variações na renda dos consumidores influenciem a demanda</p><p>por automóveis. Portanto, se a renda dos consumidores aumentar, a procura por automóveis também</p><p>deve aumentar; se a renda dos consumidores diminuir, a procura por automóveis deve caminhar na</p><p>mesma direção.</p><p>84</p><p>Unidade II</p><p>Observação</p><p>Note que estamos nos utilizando da condição coeteris paribus. Nesse</p><p>caso, um único bem: automóvel; um único influenciador da demanda:</p><p>renda do consumidor.</p><p>Representaremos, então, o deslocamento do ponto de equilíbrio diante de uma maior procura por</p><p>automóveis. Quando esta procura é maior, a curva de demanda descola‑se para a direita, agora indicada</p><p>por D’, mostrando que maiores quantidades dessa mercadoria são procuradas pelos consumidores.</p><p>Mantendo‑se constante as relações de oferta, o deslocamento positivo da curva de demanda estabelece</p><p>um novo ponto de equilíbrio, ilustrado por E’. Nesse novo ponto de equilíbrio, percebe‑se que maiores</p><p>quantidades desse bem são transacionadas, mas a preços maiores. Vejamos a representação gráfica.</p><p>P</p><p>E</p><p>E’</p><p>D D’</p><p>Q</p><p>O</p><p>Figura 40 – Modificações do equilíbrio a partir de crescimento de demanda</p><p>Nesse caso, o preço do bem sofre elevação, pois, já que os consumidores aumentaram a demanda</p><p>em função de suas rendas, os ofertantes deverão aumentar as quantidades de automóveis produzidos,</p><p>cobrando mais por isso.</p><p>Vejamos outro exemplo.</p><p>Sabemos que, para uma máquina fotográfica exercer sua função, deve ser utilizada conjuntamente</p><p>a seus componentes, a exemplo de baterias ou cartões de memória. Vamos supor, por simplificação,</p><p>que o uso desse tipo de aparelho requeira a utilização de baterias e que os fornecedores de máquinas</p><p>fotográficas tenham provocado uma elevação nos preços de venda desse tipo de produto. O que deve</p><p>ocorrer com a quantidade demandada de baterias?</p><p>Como já sabemos pelo estudo da teoria da demanda, sempre que o preço de um bem aumenta, as</p><p>quantidades demandadas desse bem tendem a diminuir. Portanto, a resposta a nossa pergunta deverá ser</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>85</p><p>ECONOMIA E NEGÓCIOS</p><p>que as quantidades demandadas de máquinas fotográficas deverão diminuir. Contudo, o que isso tem de</p><p>relação com o mercado de baterias? Se menos máquinas fotográficas são vendidas, logo, menos quantidades</p><p>de baterias também serão utilizadas, diminuindo a demanda por baterias. Representando o que ocorre no</p><p>mercado de baterias, teremos um deslocamento para a esquerda na curva de demanda, agora chamada D’.</p><p>O deslocamento da curva de demanda para a esquerda exercerá pressão para queda de preços das baterias,</p><p>e o novo ponto de equilíbrio nesse mercado está em E’.</p><p>P</p><p>E’</p><p>E</p><p>O</p><p>D’ D</p><p>Q</p><p>Figura 41 – Modificações do equilíbrio a partir de diminuição da demanda</p><p>De outra forma, os influenciadores da oferta também alteram o equilíbrio dos diversos mercados.</p><p>Vamos verificar como operam alguns desses influenciadores.</p><p>Vamos supor que, para a produção de pneus, seja necessária a utilização da borracha enquanto fator de</p><p>produção, que os vendedores de borracha estejam com uma produção muito elevada e que isso tenha diminuído</p><p>o preço da borracha em seu mercado. Logo, os demandantes de borracha, que nesse caso serão os produtores de</p><p>pneus, desejarão consumir mais borracha para poderem produzir mais pneus e assim ofertarem maiores</p><p>quantidades de sua produção. Dessa forma, como se comporta o mercado de pneus? Vejamos graficamente</p><p>antes de explicar.</p><p>P</p><p>E</p><p>E’</p><p>D</p><p>Q</p><p>O</p><p>O’</p><p>Figura 42 – Modificações do equilíbrio a partir do aumento da oferta</p><p>86</p><p>Unidade II</p><p>Como a produção de pneus foi beneficiada pela grande quantidade de borracha, melhoraram as</p><p>condições de oferta e, dessa forma, maiores quantidades de pneus serão ofertadas, o que é demonstrado</p><p>pelo deslocamento positivo da curva de oferta, agora indicada por O’. Como nada ocorreu com relação à</p><p>demanda, ela permaneceu constante, e um novo ponto de equilíbrio será estabelecido nesse mercado,</p><p>representado agora por E’, acentuando que maiores quantidades de pneus serão transacionadas a</p><p>preços menores.</p><p>Pensemos agora no mercado de beterrabas. Sabemos que as beterrabas são produtos da agricultura,</p><p>a qual depende, entre outros fatores,</p>

Mais conteúdos dessa disciplina