Prévia do material em texto
<p>03Aula</p><p>A escrita no ensino</p><p>superior: a argumentação</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao término desta aula, vocês serão capazes de:</p><p>• rever o que consiste a prática de argumentar e e entender sua importância na produção de textos acadêmicos;</p><p>• compreender os diferentes tipos de intertextualidade, observando a sua relevância nos textos;</p><p>• reconhecer os operadores argumentativos que podem ser usados nos textos para a construção de sequências</p><p>argumentativas coesas e coerentes.</p><p>Caro(a) acadêmico(a),</p><p>Iniciaremos a nossa conversa revendo alguns conceitos</p><p>importantes acerca da escrita no Ensino Superior. Nas próximas</p><p>aulas, aprofundaremos mais os conteúdos para que, ao final desta</p><p>disciplina, você se sinta mais preparado e seguro para produzir, ler</p><p>e analisar textos, sobretudo, os acadêmicos. Lembrem-se: esta aula</p><p>foi preparada para que vocês não encontrem grandes dificuldades.</p><p>Contudo, podem surgir dúvidas no decorrer dos estudos e, neste</p><p>caso, anotem, acessem a plataforma e utilizem as ferramentas</p><p>“Quadro de Avisos” ou “Fórum” para interagir com seus colegas de</p><p>curso ou com seu tutor. A participação de vocês é muito importante</p><p>e estou preparada para ensinar e aprender com seus avanços. Ah,</p><p>é importante ainda que leia e posicione-se criticamente em relação</p><p>aos objetivos de aprendizagem e as Seções de estudo da Aula 03.</p><p>Bons estudos!</p><p>Linguagem e Argumentação 24</p><p>1 - O que é argumentar?</p><p>2 - Intertextualidade</p><p>3 - Interdiscursividade</p><p>4 - Operadores argumentativos</p><p>1- O que é argumentar?</p><p>A argumentação acontece todas as vezes em que o</p><p>locutor do texto tenda persuadir ou convencer o interlocutor,</p><p>visto que, segundo Abreu (2009), “argumentar é a arte de</p><p>convencer e persuadir”. Nesse sentido, segundo o autor,</p><p>convencer se realiza no campo da razão. Para tanto, o locutor</p><p>usa recursos de natureza lógica e linguística de maneira que</p><p>cause o efeito desejado. Já a persuasão se realiza no campo</p><p>da emoção, visto que não somente provar algo é suficiente</p><p>para alcançar o efeito desejado, mas também a sensibilização</p><p>é trabalhada para que o interlocutor realize o que se deseja.</p><p>Abreu (2009) enfatiza que a argumentação, ao contrário</p><p>do que se pensa, não se realiza de maneira forçosa. Para Abreu</p><p>(2009, p. 10), “saber argumentar é, em primeiro lugar, saber</p><p>integrar-se ao universo do outro. É também obter aquilo</p><p>que queremos, mas de modo cooperativo e construtivo,</p><p>traduzindo nossa verdade dentro da verdade do outro”. Daí</p><p>a necessidade de “manusear” de forma consciente e coerente</p><p>os recursos que nos estão disponíveis a fim de alcançar o que</p><p>desejamos.</p><p>No Ensino Superior, fala-se muito em argumentar ou</p><p>produzir textos argumentativos. Talvez, seja o nível de ensino</p><p>em que praticamos a argumentação com mais intensidade</p><p>e frequência; no entanto, se pararmos para observar,</p><p>argumentamos em várias situações de nossas vidas e desde a</p><p>tenra idade. Segundo Koch e Elias (2016):</p><p>Aprendemos a argumentar desde cedo, ainda</p><p>crianças: quando queremos que nossos pais</p><p>leiam um livro para nós, uma, duas ou mais</p><p>vezes; quando não queremos dormir; quando</p><p>justificamos à professora a tarefa em branco,</p><p>quando apresentamos razões para nossas</p><p>escolhas ou comportamentos etc. (KOCH;</p><p>ELIAS, 2016, p. 23).</p><p>Saber argumentar no Ensino Superior é, pois, uma</p><p>habilidade imprescindível para o encadeamento das ideias que</p><p>se quer apresentar, as quais poderão ser aceitas ou não. O</p><p>modo como os argumentos são construídos, ou seja, a escolha</p><p>lexical (vocabulário), o uso de recursos linguísticos para</p><p>articular as ideias fará com que os conceitos sejam coerentes</p><p>ou incoerentes. Koch e Elias (2016) esclarecem que a:</p><p>Argumentação, portanto, é o resultado</p><p>textual de uma combinação entre diferentes</p><p>componentes, que exige do sujeito que</p><p>argumenta construir, de um ponto de vista</p><p>racional, uma explicação, recorrendo a</p><p>Seções de estudo</p><p>experiências individuais e sociais, num quadro</p><p>espacial e temporal de uma situação com</p><p>finalidade persuasiva (KOCH; ELIAS, 2016,</p><p>p. 24).</p><p>Portanto, as ideias precisam ter sentido e clareza na relação</p><p>com as demais combinações de diferentes componentes e</p><p>também quanto às informações, dados, resultados e análises</p><p>a que se referem para que o efeito desejado aconteça e assim</p><p>haver uma compreensão e interpretação sobre o que foi</p><p>transmitido.</p><p>A seguir, na seção 2, revisitaremos a noção de</p><p>intertextualidade e as suas modalidades.</p><p>2- Intertextualidade</p><p>Disponível em: http://atividadesdeportugueseliteratura.blogspot.com</p><p>/2016/05/interpretacao-de-charges.html Acesso em: 05 jan. 2019.</p><p>A intertextualidade é um fator de textualidade</p><p>importante para revermos nesta aula, pois trata da relação que</p><p>se estabelece com outro texto, mencionando explicitamente</p><p>parte do original, ou mesmo implicitamente, ou ainda fazendo</p><p>apenas alusão à sua forma ou conteúdo. Até pouco tempo</p><p>se mencionava alguns exemplos de intertextualidade como</p><p>sendo um recurso usado de forma ocasional em situações</p><p>mais específicas na produção textual, ou seja, não era</p><p>identificada com frequência nos textos de uma forma geral.</p><p>No entanto, Marcuschi (2008, p. 129) destaca que “[...] há</p><p>hoje um consenso quanto ao fato de se admitir que todos os</p><p>textos comungam com outros textos, ou seja, não existem</p><p>textos que não mantenham algum aspecto intertextual, pois</p><p>nenhum texto se acha isolado e solitário”. Assim, todo texto</p><p>mantém relação intertextual com outro(s) texto(s). Vejamos o</p><p>exemplo do poema Canção do Exílio e Canto de Regresso</p><p>à Pátria para verificarmos a intertextualidade:</p><p>Canção do Exílio (texto fonte)</p><p>Minha terra tem palmeiras,</p><p>Onde canta o Sabiá;</p><p>As aves, que aqui gorjeiam,</p><p>Não gorjeiam como lá.</p><p>Nosso céu tem mais estrelas,</p><p>Nossas várzeas têm mais flores,</p><p>Nossos bosques têm mais vida,</p><p>Nossa vida mais amores.</p><p>Em cismar, sozinho, à noite,</p><p>Mais prazer encontro eu lá;</p><p>Minha terra tem palmeiras,</p><p>Onde canta o Sabiá.</p><p>25</p><p>Minha terra tem primores,</p><p>Que tais não encontro eu cá;</p><p>Em cismar - sozinho, à noite -</p><p>Mais prazer encontro eu lá;</p><p>Minha terra tem palmeiras,</p><p>Onde canta o Sabiá.</p><p>Não permita Deus que eu morra,</p><p>Sem que eu volte para lá;</p><p>Sem que desfrute os primores</p><p>Que não encontro por cá;</p><p>Sem qu’inda aviste as palmeiras,</p><p>Onde canta o Sabiá.</p><p>(Gonçalves Dias)</p><p>Canto de Regresso à Pátria (intertextualidade)</p><p>Minha terra tem palmares</p><p>Onde gorjeia o mar</p><p>Os passarinhos daqui</p><p>Não cantam como os de lá</p><p>Minha terra tem mais rosas</p><p>E quase que mais amores</p><p>Minha terra tem mais ouro</p><p>Minha terra tem mais terra</p><p>Ouro terra amor e rosas</p><p>Eu quero tudo de lá</p><p>Não permita Deus que eu morra</p><p>Sem que volte para lá</p><p>Não permita Deus que eu morra</p><p>Sem que volte pra São Paulo</p><p>Sem que veja a Rua 15</p><p>E o progresso de São Paulo.</p><p>(Oswald de Andrade)</p><p>Observaram como a intertextualidade é presente nos</p><p>poemas apresentados? Você certamente já identificou outros</p><p>textos que fazem relação com outros e por ter conhecimento</p><p>prévio acerca dos textos originais conseguiu ler de forma</p><p>analítica e atenciosa. Para aprofundarmos mais um pouquinho</p><p>nosso estudo acerca dessas relações entres textos, na próxima</p><p>seção, estudaremos sobre a relação interdiscursiva. Já estudou</p><p>sobre esse conceito antes?</p><p>Vale a pena aprender!</p><p>3- Interdiscursividade</p><p>Disponível em: http://atividadesdeportugueseliteratura.blogspot.com/2016/05/</p><p>interpretacao-de-charges.html Acesso em: 10 jan. 2019.</p><p>Na seção anterior, estudamos sobre a intertextualidade</p><p>como sendo a relação entre textos. Já nesta seção, estudaremos</p><p>sobre a interdiscursividade, a qual se refere não à relação</p><p>material entre textos. Este conceito é bem definido por Fiorin</p><p>(2006), o qual nos remete à relação entre discursos e não mais</p><p>entre textos. Para o autor:</p><p>A relação dialógica no texto não é manifestada,</p><p>não é materializada linguisticamente</p><p>quando ocorre a interdiscursividade, pois a</p><p>interdiscursividade é a relação entre enunciados,</p><p>os quais são compostos por vozes sociais</p><p>que o enunciam. A relação interdiscursiva é</p><p>uma relação dialógica a partir do momento</p><p>em que existe</p><p>uma relação de sentido entre</p><p>os discursos, seja ele negado ou afirmado em</p><p>outros enunciados (FIORIN, 2006).</p><p>A relação interdiscursiva pode se dar de diversas</p><p>formas e pode ser encontrada em diferentes gêneros textuais</p><p>(propaganda, editorial, artigo de opinião, carta do leitor, dissertação escolar</p><p>etc.) No meio acadêmico, a interdiscursividade é encontrada</p><p>em textos da ordem do argumentar (artigo científico, monografia,</p><p>resumo expandido, tese, dissertação etc.).</p><p>Essa relação dialógica nos textos (interdiscursividade)</p><p>é percebida todas as vezes em que há referência à outras</p><p>“vozes”, outros discursos. As citações diretas e indiretas são</p><p>bons exemplos desse interdiscurso. A citação é usada nos</p><p>textos quando há a necessidade de apresentar a “fala” do</p><p>autor tal qual foi dita por ele, funcionando como recurso</p><p>argumentativo muito eficiente para provar o que estamos</p><p>dizendo, seja o argumento favorável ou contrário a algo,</p><p>conforme explicam Koch e Elias (2016):</p><p>A citação direta é uma estratégia muito</p><p>eficiente: fazemos esse tipo de citação para</p><p>argumentar a favor ou contra algo, para dar</p><p>credibilidade ao que dizemos, para atribuir ao</p><p>outro a responsabilidade pelo que foi dito e,</p><p>consequentemente, nos eximirmos de eventual</p><p>responsabilidade, para impressionar o outro e</p><p>muitas outras razões. (KOCH; ELIAS, 2016,</p><p>p. 49).</p><p>A interdiscursividade é usada não somente em textos</p><p>argumentativos, mas também em outros gêneros textuais que</p><p>não sejam da ordem do argumentar. No exemplo a seguir,</p><p>a citação é usada como recurso retórico para persuadir o</p><p>interlocutor acerca dos atributos do veículo (automóvel)</p><p>apresentado.</p><p>Disponível em: http://educacao.globo.com/portugues/assunto/</p><p>estudo-do-texto/intertextualidade.html Acesso em: 20 jan. 2019.</p><p>Linguagem e Argumentação 26</p><p>Nos textos acadêmicos, a citação deve obedecer</p><p>às normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas</p><p>Técnicas) para trabalhos científicos, por isso, a citação deve</p><p>ser acompanhada de referência ao autor, ano de publicação</p><p>da obra citada e página da obra onde se pode localizar a “fala”</p><p>do autor. Observem o exemplo a seguir extraído do artigo</p><p>“Leitura e Interlocução: denúncias sociais em contos do</p><p>sertão norte mineiro”, publicado na Revista Interletras:</p><p>Bloom (2011, p. 17) reflete que “caso pretenda desenvolver a</p><p>capacidade de formar opiniões críticas e chegar a avaliações pessoais,</p><p>o ser humano precisará continuar a ler por iniciativa própria. ” Assim,</p><p>para que o estudante alcance a autonomia de ler, é necessário que</p><p>os esforços de todos os responsáveis pela formação educacional</p><p>do estudante estejam interligados, a fim de que as aulas de língua</p><p>materna ofereçam ao estudante momentos de leitura e reflexão.</p><p>Cosson discorre acerca das maneiras de ensinar. [...]</p><p>MARTINS, Antônio Carlos Soares; LEMOS, Cleunice da Silva. Leitura e</p><p>Interlocução: denúncias sociais em contos do sertão norte mineiro. Revista</p><p>Interletras. Disponível em: https://www.unigran.br/interletras/conteudo/</p><p>artigos/9.pdf Acesso em: 04 fev. 2019.</p><p>Outra forma de apresentar o discurso do outro no nosso</p><p>discurso se faz por meio de citação indireta. Como o próprio</p><p>nome, esse tipo de citação não preserva a fala do autor</p><p>conforme apresentada no original, mas remete a ela por meio</p><p>de reescrita do discurso já proferido. Vejamos o exemplo</p><p>a seguir, o qual também foi extraído do artigo “Leitura e</p><p>Interlocução: denúncias sociais em contos do sertão</p><p>norte mineiro”, publicado na Revista Interletras:</p><p>Ler pressupõe interagir com o texto na intenção de compreender e</p><p>interpretar os seus pressupostos e subentendidos. Conforme Terra</p><p>(2014), o termo literatura vem de littera, letra, ou seja, manifestação da</p><p>arte representada pela escrita que oportuniza o desenvolvimento de</p><p>diversas habilidades. Assim, pois, é necessário ampliar os processos</p><p>de leitura literária na sala de aula para que os estudantes participem</p><p>dos momentos dessa prática de maneira ativa e crítica. Pois é por</p><p>meio da leitura, sobretudo literária, que o leitor pode ser sensibilizado</p><p>pela construção lírica, levantar hipóteses, estimular a curiosidade para</p><p>conhecer personagens, atos e fatos, em um dado tempo e espaço da</p><p>narrativa. Ademais, isso implica o desenvolvimento de competências</p><p>que ampliam os conhecimentos do leitor.</p><p>MARTINS, Antônio Carlos Soares; LEMOS, Cleunice da Silva. Leitura e</p><p>Interlocução: denúncias sociais em contos do sertão norte mineiro. Revista</p><p>Interletras. Disponível em: https://www.unigran.br/interletras/conteudo/</p><p>artigos/9.pdf Acesso em: 04 fev. 2019.</p><p>Caro(a) aluno(a), você observou como o nosso discurso</p><p>é carregado de outros discursos? As ideias/ opiniões que</p><p>construímos são resultados do que ouvimos e/ou lemos.</p><p>Não há, segundo o linguista Bakhtin, discurso puro, ou seja,</p><p>todo discurso é originário de discursos anteriores. Para ele, o</p><p>discurso inédito é o do Adão bíblico.</p><p>Vamos avançar mais um pouquinho? A seguir,</p><p>estudaremos os operadores argumentativos que são elementos</p><p>linguísticos responsáveis pela ligação das ideias nas sequências</p><p>frasais e textuais a fim de que a articulação se faça presente.</p><p>4- Operadores argumentativos</p><p>Já vimos nas seções anteriores o que vem a ser a</p><p>argumentação por meio dos textos, ou seja, como é</p><p>importante sabermos construir boas ideias e sermos capazes</p><p>de sustenta-las com bons argumentos, principalmente em</p><p>textos acadêmicos, os quais podem ser produzidos oralmente</p><p>ou por escrito.</p><p>Nesta seção, estudaremos sobre os operadores</p><p>argumentativos. Provavelmente, já tenha estudado sobre este</p><p>assunto, portanto, relembraremos o que são e como podemos</p><p>usá-los adequadamente nos textos argumentativos de modo a</p><p>construir os efeitos de sentido e atingir o objetivo desejado.</p><p>Os operadores argumentativos, segundo Köche, Boff e</p><p>Marinello (2014), são encontrados na nossa língua e podemos</p><p>nos apropriar deles nas nossas produções textuais. Segundo</p><p>ela,</p><p>Os operadores argumentativos são essenciais</p><p>na leitura e produção textual, especialmente</p><p>nos gêneros das ordens do argumentar e do</p><p>expor. São elementos linguísticos importantes</p><p>na argumentação, uma vez que estabelecem</p><p>relações entre os segmentos do texto: orações</p><p>de um mesmo período, períodos, sequências</p><p>textuais, parágrafos ou partes de um texto</p><p>(KÖCHE; BOFF; MARINELLO, 2014, p.</p><p>103).</p><p>Não são raras as vezes que nos deparamos com textos</p><p>em que há deficiência de articulação entre as ideias por conta</p><p>da ausência de elementos encadeadores de ideias ou emprego</p><p>incorreto desses elementos. Por isso, é imprescindível o</p><p>conhecimento desses operadores.</p><p>Köche, Boff e Marinello (2014) apresenta em sua obra</p><p>um estudo sobre os operadores argumentativos que poderão</p><p>ser usados na construção da argumentação. Segue o quadro a</p><p>seguir com as exemplificações:</p><p>Exemplos: Operadores argumentativos</p><p>José Bernardino levantou cedo e acendeu o fogareiro para ferver café.</p><p>(José C. Pozenato, A cocanha).</p><p>Adição</p><p>(e, também, ainda, nem etc.)</p><p>Somam argumentos a favor de uma mesma conclusão.</p><p>As palavras caíam-lhe trêmulas e a voz saía-lhe sumida, em parte</p><p>porque ele forcejava em a abafar a fim de que o não ouvissem, em</p><p>parte porque a comoção lhe comprimiria a garganta. (Machado de</p><p>Assis, A mão e a luva).</p><p>Finalidade</p><p>(a fim de, a fim de que, com o intuito de, para, para que, com o objetivo de</p><p>etc. )</p><p>Indicam uma relação de finalidade</p><p>27</p><p>Houve quem perguntasse: bebemos porque já somos loucos ou</p><p>ficamos loucos porque bebemos? (Lima Barreto, O cemitério dos</p><p>vivos).</p><p>Causa e consequência</p><p>(porque, pois, visto que, já que, em virtude de, uma vez que, devido a, por</p><p>motivo de, graças a, em razão de, em decorrência de, por causa de, como,</p><p>por isso que etc.)</p><p>Iniciam uma oração subordinada denotadora de causa.</p><p>O menino parou de chorar, porque tinha brio, mas como doía seu</p><p>coração! (Rubem Braga, História triste de Tuim)</p><p>Explicação</p><p>(porque, pois, já que etc.)</p><p>Introduzem uma justificativa ou explicação relativa ao enunciado anterior.</p><p>Tentou rezar, mas</p><p>não conseguiu nem terminar uma Ave-Maria. (José</p><p>C. Pozenato, A cocanha)</p><p>Oposição</p><p>(mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, embora, muito</p><p>embora, muito embora, apesar de, não obstante, ao contrário etc.)</p><p>Contrapõem argumentos voltados para conclusões contrárias.</p><p>É inútil ir até a China se não saímos da bolha onde vivemos. (Rubem</p><p>Alves, Desembarcar)</p><p>Condição</p><p>(caso, se, contanto que, a não ser que, a menos que, desde que etc.)</p><p>Indicam uma hipótese ou uma condição necessária para a realização ou</p><p>não de um fato.</p><p>O pássaro só é encontrado quando é livre. (Rubem Alves, Inspiração)</p><p>Tempo</p><p>(quando, em pouco tempo, em muito tempo, logo que, assim que, antes</p><p>que, depois que, sempre que etc.)</p><p>Indicam uma circunstância de tempo.</p><p>A razão de tal sentimento é a tristeza que vejo nos padrinhos, à medida</p><p>que se aproxima o dia 24. (Machado de Assis, Memorial de Aires)</p><p>Proporção</p><p>(à medida que, à proporção que, ao passo que, tanto quanto, tanto mais</p><p>etc.)</p><p>Iniciam uma oração que se refere a um fato realizado ou para realizar-se</p><p>simultaneamente a outro.</p><p>Não se deliberam sentimentos; ama-se ou aborrece-se, conforme o</p><p>coração quer. (Machado de Assis, Helena)</p><p>Conformidade</p><p>(conforme, para, segundo, de acordo com, como etc.)</p><p>Exprimem uma ideia de conformidade ou acordo em relação a um fato</p><p>expresso na oração principal.</p><p>Se o nosso amor, portanto, nobres damas, vos pertence, as tolices que</p><p>ele gera vos pertencem também. (William Shakespeare, Trabalhos de</p><p>amor perdidos)</p><p>Conclusão</p><p>(portanto, então, assim, logo, por isso, por conseguinte, pois – posposto ao</p><p>verbo -, de modo que, em vista disso etc.)</p><p>Introduzem uma conclusão relacionada a argumentos apresentados</p><p>anteriormente.</p><p>Lutará para não perder o pouco que tem, ou lutará porque não tem</p><p>nada a perder. (Rubem Braga, Cristo morto)</p><p>Alternância</p><p>(ou, ou...ou, ou então, quer...quer, seja...seja, ora...ora etc.)</p><p>Introduzem argumentos alternativos, levando a conclusões opostas ou</p><p>diferentes.</p><p>Ele ia andando distraído pela rua quando, repentinamente, o conto</p><p>lhe veio pronto, como a bola chega às mãos do goleiro. (Rubem Alves,</p><p>Pensamentos-brinquedos)</p><p>Comparação</p><p>(como, mais...[do] que, menos que, tão [tanto]...como, tão [tanto, tal]...</p><p>quanto, assim como etc.)</p><p>Estabelecem relações de comparação entre elementos.</p><p>Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou</p><p>pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a</p><p>minha morte. (Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas)</p><p>Esclarecimento</p><p>(ou seja, quer dizer, isto é, vale dizer etc.)</p><p>Introduzem um enunciado que esclarece o anterior.</p><p>O principezinho arrancou também, não sem um pouco de melancolia,</p><p>os últimos rebentos de baobá. (Antoine de Saint-Exupéry , O pequeno</p><p>príncipe)</p><p>Inclusão</p><p>(até mesmo, até, mesmo, inclusive, também etc.)</p><p>Assinalam o argumento mais forte, orientando no sentido de uma</p><p>determinada conclusão.</p><p>E na multidão de insetos, imagináveis e inimagináveis, só lhe</p><p>interessava aquele, companheiro noturno vindo de não sabe onde, a</p><p>caminho de ignorado rumo. (Carlos Drummond de Andrade, Visitante</p><p>noturno)</p><p>Exclusão</p><p>(somente, só, apenas, senão etc.)</p><p>Indicam uma relação de exclusão entre duas orações</p><p>Fonte: KÖCHE, Vanilda Salton; BOFF, Odete Maria Benedetti; MARINELLO, Adriane Fogali. Leitura e produção textual: gêneros textuais do argumentar e expor. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.</p><p>Linguagem e Argumentação 28</p><p>Mais importante do que conhecer estes elementos</p><p>linguísticos, é saber como empregá-los nas orações, períodos</p><p>e textos, isto é, usá-los na situação adequada para que o efeito</p><p>desejado seja alcançado. Por isso, é importante saber que</p><p>relação cada um dos operadores estabelece nas partes com as</p><p>quais relaciona.</p><p>Retomando a aula</p><p>Chegamos, assim, ao final da terceira aula. Espera-se</p><p>que agora tenha ficado mais claro o entendimento de</p><p>vocês sobre o conceito do que vem a ser argumentar,</p><p>bem como as definições de intertextualidade</p><p>e interdiscursividade. Ao final, vimos à explicação e os usos dos</p><p>operadores argumentativos. Vamos, então, recordar:</p><p>1 - O que é argumentar?</p><p>Nesta seção, vimos a definição da prática de argumentar</p><p>relacionada ao contexto acadêmico, visto que o Ensino</p><p>Superior é o nível de ensino em que há a argumentação é</p><p>realizada com mais frequência, e o contexto exige a construção</p><p>de opinião, bem como a tomada de decisão por parte do</p><p>acadêmico.</p><p>2 - Intertextualidade</p><p>Esse fator é responsável pela relação entre textos, visto</p><p>que novos textos são criados a partir de um já existente.</p><p>Essa inter-relação textual pode acontecer entre textos de</p><p>modalidades diferentes, por exemplo, a criação de uma charge</p><p>a partir da cena de filme ou do trecho de uma música.</p><p>3 - Interdiscursividade</p><p>A interdiscursividade refere-se à relação entre discursos.</p><p>Esse conceito é parecido com a intertextualidade, mas, neste,</p><p>há uma espécie de diálogo com o dito por outra pessoa. Essa</p><p>relação é mais evidente nos textos.</p><p>4 - Operadores argumentativos</p><p>Nesta seção, vimos que os operadores argumentativos</p><p>são responsáveis pela articulação das ideias nos textos.</p><p>São muito usados em textos argumentativos para que a</p><p>argumentatividade se faça não somente com a construção dos</p><p>argumentos, mas também pela forma como eles são inseridos</p><p>na sequência textual. Por isso, a escolha dos operadores</p><p>argumentativos precisa ser coerente com o efeito de sentido</p><p>que se quer causar no texto e a partir dele.</p><p>Caso você tenha ficado com dúvidas sobre a Aula 3, poste suas</p><p>duvidas e ou perguntas nas ferramentas “fórum”,“quadro de avisos”</p><p>e/ou “chat” e interaja com seus colegas de curso e com seu tutor.</p><p>Afinal, você é o personagem principal de sua aprendizagem!</p><p>Abreu, antônio suarez. A arte de argumentar: gerenciando</p><p>razão e emoção. 7. Ed. Rio de janeiro: marques saraiva;</p><p>cotia: ateliê editorial, 2013.</p><p>Este livro é centrado na arte de argumentar que,</p><p>segundo o autor, é a arte de convencer e persuadir. Ao</p><p>longo do livro, o autor ilustra com vários exemplos reais a</p><p>eficácia e a ineficácia da argumentação, apontando as suas</p><p>consequências.</p><p>Vale a pena ler</p><p>Vale a pena</p><p>Leitura complementar sobre argumentação. Disponível</p><p>em: http://educacao.globo.com/portugues/assunto/texto-</p><p>argumentativo/argumentacao.html.</p><p>Vale a pena acessar</p><p>Filmes:</p><p>Disponível em: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-26884/.</p><p>Acesso em: 15 jan. 2019.</p><p>Vídeos:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=QpnW7eQn9js.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=wCyHIinP19Q.</p><p>Vale a pena assistir</p>