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<p>Luciana de Luca Dalla Valle</p><p>ISBN 978-85-387-6726-8</p><p>9 788538 767268</p><p>Código Logístico</p><p>I000797</p><p>Educação Lúdica</p><p>Luciana de Luca Dalla Valle</p><p>IESDE BRASIL</p><p>2022</p><p>Todos os direitos reservados.</p><p>IESDE BRASIL S/A.</p><p>Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200</p><p>Batel – Curitiba – PR</p><p>0800 708 88 88 – www.iesde.com.br</p><p>© 2022 – IESDE BRASIL S/A.</p><p>É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito da autora e do</p><p>detentor dos direitos autorais.</p><p>Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: AnnaFrajtova/shutterstock-nadiia_oborska/shutters-</p><p>tock-graphixmania/shutterstock-passionartist/shutterstock-Alhovik/shutterstock-Rawpixel/Envatoelement</p><p>22-81113 CDD: 371.337</p><p>CDU: 37.026</p><p>CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO</p><p>SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ</p><p>V273e</p><p>Valle, Luciana de Luca Dalla</p><p>Educação lúdica / Luciana de Luca Dalla Valle. - 1. ed. - Curitiba [PR] : IESDE,</p><p>2022.</p><p>Inclui bibliografia</p><p>ISBN 978-85-387-6726-8</p><p>1. Educação lúdica. 2. Projeto Ludicidade. 3. Jogos educativos. I. Título.</p><p>Gabriela Faray Ferreira Lopes - Bibliotecária - CRB-7/6643</p><p>14/11/2022 18/11/2022</p><p>Luciana de Luca</p><p>Dalla Valle</p><p>Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade</p><p>Federal de Santa Catarina (UFSC). Especialista em</p><p>Educação Infantil e em Psicopedagogia pela Pontifícia</p><p>Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Graduada</p><p>em Pedagogia pela PUCPR. É autora de livros para</p><p>formação de professores e sobre desenvolvimento</p><p>infantil, tendo sido agraciada, em 2010, com o Prêmio</p><p>Jabuti, na categoria material didático. Possui experiência</p><p>como docente e pesquisadora na área de capacitação</p><p>de professores na graduação e pós-graduação.</p><p>Atuou também como professora de Educação Básica,</p><p>professora universitária, coordenadora pedagógica e</p><p>diretora de instituição de Ensino Superior.</p><p>Agora é possível acessar os vídeos do livro por</p><p>meio de QR codes (códigos de barras) presentes</p><p>no início de cada seção de capítulo.</p><p>Acesse os vídeos automaticamente, direcionando</p><p>a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet</p><p>para o QR code.</p><p>Em alguns dispositivos é necessário ter instalado</p><p>um leitor de QR code, que pode ser adquirido</p><p>gratuitamente em lojas de aplicativos.</p><p>Vídeos</p><p>em QR code!</p><p>SUMÁRIO</p><p>1 Ludicidade humana: autoconhecimento e socialização 9</p><p>1.1 O que é ludicidade? 9</p><p>1.2 Ludicidade presente na história humana 15</p><p>1.3 A ludicidade como ciência 20</p><p>2 Ludopedagogia: brincar para aprender 28</p><p>2.1 Planejamento de aulas criativas 29</p><p>2.2 Ludicidade em projetos educativos 36</p><p>2.3 Ludicidade e dificuldades de aprendizagem 43</p><p>3 Recursos lúdicos para a prática pedagógica 49</p><p>3.1 Desenho e aprendizagem 50</p><p>3.2 Aprendendo com animações 57</p><p>3.3 Música e dramatização na aprendizagem 63</p><p>4 Estratégias lúdicas para despertar o desejo de aprender 70</p><p>4.1 Atividades em grupos 71</p><p>4.2 Atividades entre pares 79</p><p>4.3 Construção de jogos e brincadeiras 84</p><p>5 Projetos transdisciplinares com uso de tecnologia 92</p><p>5.1 Uso da tecnologia na escola 93</p><p>5.2 Google e YouTube: ferramentas de aprendizado 102</p><p>5.3 Jogos e aplicativos digitais 110</p><p>5.4 Aprendendo com o celular 114</p><p>Resolução das atividades 121</p><p>Agora é possível acessar os vídeos do livro por</p><p>meio de QR codes (códigos de barras) presentes</p><p>no início de cada seção de capítulo.</p><p>Acesse os vídeos automaticamente, direcionando</p><p>a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet</p><p>para o QR code.</p><p>Em alguns dispositivos é necessário ter instalado</p><p>um leitor de QR code, que pode ser adquirido</p><p>gratuitamente em lojas de aplicativos.</p><p>Vídeos</p><p>em QR code!</p><p>Esta obra contribui para o estudo da ludicidade como</p><p>prática educativa, destacando a relevância da intencionalidade</p><p>educativa nas escolhas metodológicas que o professor faz.</p><p>Entendendo a ludicidade como força motriz de todas as</p><p>pessoas, este livro traz reflexões e sugestões de práticas para</p><p>auxiliar o docente em seu trabalho educativo, para que seus</p><p>alunos possam aprender mais e melhor.</p><p>No primeiro capítulo, a ludicidade é apresentada como</p><p>uma constante na história da humanidade e, dessa forma,</p><p>como parte da cultura humana, além de ser também abordada</p><p>sob a perspectiva da ciência.</p><p>O segundo capítulo destaca a importância do planejamento</p><p>de aulas criativas para um processo de ensino-aprendizagem</p><p>mais significativo, reforçando o uso da ludicidade nos projetos</p><p>educativos que serão desenvolvidos nas escolas. Aborda</p><p>também a questão do uso de recursos lúdicos para auxiliar</p><p>crianças e jovens com problemas de aprendizagem.</p><p>O terceiro capítulo trata especificamente de alguns recursos</p><p>lúdicos que podem ser utilizados na escola, como as animações</p><p>infantis, sejam curta ou longa metragens. São oferecidos a você</p><p>sugestões do uso de recursos da dramaturgia para otimizar</p><p>o processo de ensino-aprendizagem, destacando quanto e</p><p>como o teatro e a música podem ser excelentes aliados em um</p><p>projeto pedagógico de qualidade.</p><p>No quarto capítulo, as metodologias ativas são reconhecidas</p><p>como elementos potencializadores da aprendizagem, dando</p><p>destaque especial à aprendizagem entre pares (Peer Instruction),</p><p>atividades em grupos e construção e desenvolvimento de jogos</p><p>educativos.</p><p>O quinto capítulo trata da necessidade vital do uso das</p><p>tecnologias no ambiente escolar, dando destaque às ferramentas</p><p>do Google e YouTube na aprendizagem, além de sugerir práticas</p><p>educativas com o uso do telefone celular, entendendo-as como</p><p>uma presença forte em nossa sociedade da informação.</p><p>APRESENTAÇÃOVídeo</p><p>8 Educação Lúdica</p><p>A ludicidade é uma experiência que pressupõe muitas relações que</p><p>ultrapassam o caráter físico ou intelectual e avançam também para o caráter</p><p>emocional. Se faz bem ao corpo e à mente, funcionará como um aliado poderoso</p><p>nas propostas educativas que estamos oferecendo aos nossos alunos.</p><p>A ideia é fazer os alunos da Educação Básica aprenderem de maneira</p><p>significativa, e aqui a ludicidade é apresentada como um caminho. Escrito em</p><p>linguagem clara e com muitos exemplos e sugestões, este livro vai lhe desafiar</p><p>a encarar jogos, brincadeiras, filmes, brinquedos e recursos tecnológicos</p><p>como elementos extremamente válidos para a aprendizagem.</p><p>Ludicidade humana: autoconhecimento e socialização 9</p><p>1</p><p>Ludicidade humana:</p><p>autoconhecimento e socialização</p><p>As crianças correm de um lado para outro, animadas com a possibilidade</p><p>de assistir ao que vai começar. Os adultos se reúnem em grupo, o figurino</p><p>foi especialmente escolhido para o evento e representa a ancestralidade.</p><p>Começa o festival folclórico da cidade, e as equipes adultas iniciam as apre-</p><p>sentações com diversão, como convém às práticas lúdicas, mas também com</p><p>seriedade, uma vez que sabem que a dança serve como forma de mostrar a</p><p>cultura de seus ancestrais e precisam representá-la com maestria.</p><p>A dança não é o mais importante nesse caso. É o que ela representa</p><p>que é. A prática lúdica adulta remete a pensar em quanto a ludicidade faz</p><p>parte da vida cotidiana de todos os povos hoje e no passado.</p><p>Este capítulo convida a pensarmos sobre a força da ludicidade presen-</p><p>te em cada indivíduo, bem como na história da humanidade, sendo repre-</p><p>sentada por resultados que indicam que cientificamente o fazer lúdico é</p><p>uma grande força que devemos utilizar e respeitar.</p><p>Com o estudo deste capítulo, você será capaz de:</p><p>• compreender o conceito de ludicidade;</p><p>• relacionar práticas presentes na história humana ao conceito de</p><p>ludicidade;</p><p>• compreender a ludicidade como saber e prática científicos.</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>1.1 O que é ludicidade?</p><p>Vídeo O termo ludicidade vem sendo usado há muito tempo, fazendo re-</p><p>ferência ao que é alegre, divertido e recreativo, mas, importante salien-</p><p>tar, não necessariamente infantil.</p><p>Há relatos de que no século XIII Tomás de Aquino, importante filóso-</p><p>fo da época, tratava em seus textos a importância do brincar do adulto,</p><p>10 Educação Lúdica</p><p>bem como a consideração de que a graça, o bom humor e a jovialidade</p><p>professor precisa ser criati-</p><p>vo, porque há muitas possibilidades, mas basicamente entende-se que</p><p>ele precisa traçar dois caminhos:</p><p>No início deste capítulo,</p><p>apresentamos o exemplo</p><p>de um entrevistador que</p><p>pergunta às crianças o</p><p>que é mais interessante</p><p>na escola. Desafio você</p><p>a fazer essa pergunta a</p><p>alguma criança de sua</p><p>família/convívio que tenha</p><p>entre 6 a 14 anos. Se a</p><p>resposta for “recreio”,</p><p>emende outra pergun-</p><p>ta: e qual aula você já</p><p>participou que era tão</p><p>interessante quanto o re-</p><p>creio? A resposta, seja ela</p><p>positiva ou negativa (não</p><p>possui um exemplo de</p><p>aula interessante), pode</p><p>te fazer pensar sobre isto:</p><p>como os seus alunos res-</p><p>ponderão a essa pergunta</p><p>quando falarem das suas</p><p>aulas?</p><p>Para refletir</p><p>O primeiro é em direção a</p><p>conhecimento de estratégias,</p><p>técnicas e jogos para educação de</p><p>crianças (e há uma grande variedade</p><p>de material nesse sentido).</p><p>Atividade</p><p>lúdica</p><p>O segundo é o conhecimento das</p><p>etapas de desenvolvimento em que suas</p><p>crianças estão. Basicamente, o professor</p><p>precisa conhecer as particularidades da</p><p>faixa etária das crianças para as quais</p><p>leciona, estudando aspectos do seu</p><p>desenvolvimento.</p><p>Jano</p><p>s Le</p><p>ven</p><p>te/</p><p>Shu</p><p>tte</p><p>rst</p><p>ock</p><p>Vo</p><p>lha</p><p>H</p><p>lin</p><p>sk</p><p>ay</p><p>a/</p><p>Sh</p><p>utt</p><p>ers</p><p>tock</p><p>Como vimos nessas orientações, a criatividade do professor deve</p><p>estar pautada nas particularidades de seus alunos. Como explica</p><p>Kishimoto (2010, p. 5)</p><p>Não se pode planejar práticas pedagógicas sem conhecer a crian-</p><p>ça. Cada uma é diferente, tem preferências conforme sua singu-</p><p>laridade. Em qualquer agrupamento infantil, as crianças avançam</p><p>em ritmos diferentes. Dispor de um tempo mais longo, em am-</p><p>bientes com variedade de brinquedos, atende aos diferentes rit-</p><p>mos das crianças e respeita a diversidade de seus interesses.</p><p>Suponha que você dá aulas para crianças entre 8 e 9 anos de idade.</p><p>Para acertar na escolha da atividade lúdica, precisa encontrar respostas</p><p>para as seguintes perguntas: do que gostam as crianças de 8 anos hoje em</p><p>dia? Sim, porque não adianta dizer que as crianças de hoje não são como</p><p>as de antigamente, ou fazer seu juízo de valor sobre o que você acha certo</p><p>ou não, trata-se de educar essas crianças com base nas características de-</p><p>las. Você as conhece como elas de fato são? Ou ainda está preso na ideia</p><p>de como gostaria que elas fossem ou como elas eram em anos anteriores?</p><p>É preciso também ter conhecimento técnico e científico sobre a faixa</p><p>etária. Segundo os autores de referência na educação, em que fase as</p><p>crianças dessa idade se encontram? Não é necessário apenas saber o</p><p>nome da fase, e sim compreender o que é normal na idade em questão.</p><p>Não se trata de um saber empírico (como pensam muitos professo-</p><p>res que dizem já conhecer as crianças porque trabalham com elas há</p><p>anos), mas sim de um trabalho com base científica, fruto de pesquisa</p><p>de autores renomados, tecnicamente reconhecidos como formadores</p><p>de base teórica para a ação educativa. Por isso, os cursos de formação</p><p>M</p><p>on</p><p>ke</p><p>y</p><p>Bu</p><p>sin</p><p>es</p><p>s</p><p>Im</p><p>ag</p><p>es</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>M</p><p>on</p><p>ke</p><p>y</p><p>Bu</p><p>sin</p><p>es</p><p>s</p><p>Im</p><p>ag</p><p>es</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>3434 Educação LúdicaEducação Lúdica</p><p>Ludopedagogia: brincar para aprender 35</p><p>de professores trabalham igualmente com teorias e práticas, porque</p><p>uma não se sustenta sem a outra.</p><p>O caminho da ludicidade na escola fará da sala de aula (e da escola</p><p>de um modo geral) um lugar de aprendizagem se o professor equilibrar</p><p>os seguintes itens:</p><p>Obviamente a experiência do professor também conta muito no</p><p>conhecimento sobre as crianças, uma vez que quanto mais tempo pas-</p><p>samos com elas, mais podemos de fato conhecê-las, mas não basta só</p><p>estar com as crianças, gostar delas, é preciso profissionalizar esse conta-</p><p>to. O bom professor não é aquele considerado “bonzinho”. O bom pro-</p><p>fessor é aquele que desenvolve seu ofício de maneira competente, e isso</p><p>inclui ser “bonzinho” e gostar das crianças. Mas inclui também ser justo,</p><p>assertivo, desafiador, alegre e tantas outras características.</p><p>Um planejamento para aulas criativas não deve considerar somente o</p><p>conteúdo a ser ensinado, e sim quais competências serão desenvolvidas.</p><p>Para entender isso com mais propriedade, responda às perguntas: você se</p><p>considera um professor competente? Qual atributo você julga necessário</p><p>para ser um professor competente? Verá que as respostas não trarão só a</p><p>competência baseada no conhecimento teórico ou na experiência prática,</p><p>mas sim num mix de teoria, experiência, vontade de acertar e habilidades.</p><p>Ya</p><p>vd</p><p>at</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>A Base Nacional Comum</p><p>Curricular determina que</p><p>as aulas sejam realizadas</p><p>com base nas competên-</p><p>cias que os alunos vão</p><p>desenvolver na escola.</p><p>Ficou com dúvida sobre</p><p>como planejar uma aula</p><p>de matemática embasada</p><p>nas competências e habili-</p><p>dades? Este texto vai aju-</p><p>dar a clarear suas ideias:</p><p>7 dicas para planejar uma</p><p>boa aula de Matemática</p><p>alinhada à BNCC.</p><p>Disponível em: https://novaescola.</p><p>org.br/conteudo/12177/7-dicas-</p><p>para-planejar-uma-boa-aula-</p><p>de-matematica-alinhada-a-bncc.</p><p>Acesso em: 21 out. 2022.</p><p>Leitura</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/12177/7-dicas-para-planejar-uma-boa-aula-de-matematica-alinhada-a-bncc</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/12177/7-dicas-para-planejar-uma-boa-aula-de-matematica-alinhada-a-bncc</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/12177/7-dicas-para-planejar-uma-boa-aula-de-matematica-alinhada-a-bncc</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/12177/7-dicas-para-planejar-uma-boa-aula-de-matematica-alinhada-a-bncc</p><p>36 Educação Lúdica</p><p>Assim, o professor deve pensar quando for planejar a aula para ensi-</p><p>nar determinado conteúdo: quais competências meus alunos precisam</p><p>ter para isso? O que realmente é ser competente nesse quesito? Ele deve</p><p>basear as aulas no desenvolvimento dessas competências, não só no re-</p><p>passe do conteúdo em si. Por exemplo, se você transferir essa explicação</p><p>teórica para o ensino da divisão na matemática, verá que faz sentido.</p><p>Quais competências um aluno precisa ter para aprender a dividir? Quem</p><p>pode ser considerado competente em divisão? E principalmente: como</p><p>fazer seu aluno ser competente em divisão? Vai ver que quanto mais</p><p>perguntas você tiver sobre o tema, maior a possibilidade de achar a res-</p><p>posta certa, pesquisando e tentando fazer diferente do que já foi feito.</p><p>É fato que a questão do conhecimento teórico e científico do pro-</p><p>fessor precisa ser sempre melhor desenvolvida, para acompanhar as</p><p>mudanças do mundo, e isso se dará tanto na formação regular do pro-</p><p>fessor quanto nas formações continuadas. Precisamos considerar real-</p><p>mente a importância de um trabalho profissional em que o professor</p><p>utilize autores e pesquisas relevantes para realizar seu trabalho. Não</p><p>há mais espaço para amadorismo na escola.</p><p>Planejar uma aula criativa com o uso da ludicidade vai muito além</p><p>de escolher uma brincadeira para seus alunos. É um compromisso sé-</p><p>rio de um educador que compreendeu a importância do aprender brin-</p><p>cando, que conhece etapas do desenvolvimento infantil e que utiliza os</p><p>melhores recursos para garantir aprendizagens significativas baseadas</p><p>nas competências, não só no conteúdo. Escolher uma brincadeira para</p><p>fazer parte das suas aulas é sem dúvida um trabalho sério!</p><p>2.2 Ludicidade em projetos educativos</p><p>Vídeo</p><p>Maíra era uma menininha de sete anos quando foi dama de um casa-</p><p>mento (ou aia, como é chamada em alguns estados), levando as alianças</p><p>dos noivos. Era o ano de 1980, numa cidade do interior do Paraná. Após</p><p>o casamento católico na igreja, o padre chamou os noivos, pais e padri-</p><p>nhos para assinarem o registro civil (naquele tempo o casamento civil</p><p>era feito ao mesmo tempo) na sacristia. Quando escutou o padre se diri-</p><p>gindo aos participantes com essa proposta, a menininha Maíra exclamou</p><p>em alto e bom som “Ah, não, eu não posso assinar ainda, não sei escre-</p><p>ver meu nome, não cheguei na lição do Macaco”. Foi uma risada geral.</p><p>Uma busca pela expres-</p><p>são livros sobre ludicidade</p><p>na educação no site de</p><p>buscas Google vai lhe</p><p>surpreender por conta da</p><p>quantidade de referências</p><p>teóricas disponíveis. De-</p><p>safiamos você a encontrar</p><p>um livro que lhe interesse</p><p>nesse universo e, após</p><p>lê-lo, fazer uma postagem</p><p>de recomendação desse</p><p>material nas suas redes</p><p>sociais. Que tal? Marque</p><p>seus amigos, divulgue seu</p><p>conhecimento e ajude</p><p>a auxiliar a formação</p><p>de professores de todo</p><p>o país, visto o grande</p><p>alcance que as redes</p><p>sociais têm.</p><p>Desafio</p><p>Filatova Halyna/Shutetrstock</p><p>Ludopedagogia: brincar para aprender 37</p><p>Veja só, a Maíra tinha sete anos e, como estava aprendendo a ler</p><p>pela cartilha, que iniciava na letra A e ia em sequência até a Z, não ha-</p><p>via chegado na letra do seu nome ainda (que era representada pela</p><p>sílaba ma, de macaco). Mas como assim? Você consegue imaginar hoje</p><p>uma criança de sete anos que esteja na escola e não saiba escrever</p><p>seu nome? Então, por que naquele tempo a Maíra não sabia? Porque</p><p>a aprendizagem das crianças dessa época era direcionada pela</p><p>ordem das letras do alfabeto, não pelo centro de interesse das</p><p>crianças. Hoje em dia, sabe-se que a primeira aprendizagem é a</p><p>do seu próprio nome, que tem mais significado para a criança,</p><p>certo? Percebe que não é só uma mudança de metodologia e</p><p>sim uma mudança de conceito? De aprender com significado?</p><p>Você já se deu conta de quantos conteúdos aprendeu na escola e</p><p>não percebia como eles se integravam na sua vida? Se você estudou até</p><p>o início da década de 1990, isso era realmente uma verdade. Havia uma</p><p>ideia de que os alunos deveriam aprender partes, frações de conteúdos</p><p>que desvinculados da vida real eram passíveis de serem ensinados na</p><p>escola, como se a aprendizagem escolar fosse dissociada da realidade</p><p>e não refletisse o que existe no mundo. Era a ideia do paradigma frag-</p><p>mentador, que limitava o conhecimento a pedaços do que deveria ser</p><p>ensinado. Como fora da escola o aluno dificilmente teria o contato com o</p><p>conteúdo completo, aquela parte da verdade acabava sendo considera-</p><p>da como verdade absoluta, e as crianças que não conseguiam aprender</p><p>(ou decorar) eram caracterizadas como “com dificuldade”.</p><p>Acontece que com o advento das tecnologias da informação e da</p><p>comunicação ficou muito mais fácil conhecer os assuntos na sua to-</p><p>talidade, e o paradigma escolar tomou outra direção: passou a ser o</p><p>paradigma da complexidade que, em linhas gerais, defende que as te-</p><p>máticas são complexas e se relacionam entre si, como tudo que está</p><p>presente no mundo. Obviamente o resultado dos alunos que foram en-</p><p>sinados “por partes” também não era o esperado e assim a mudança se</p><p>fez necessária. Dessa forma, considerar o todo quando vai fazer uma</p><p>abordagem escolar de conteúdos passou a ser entendido como muito</p><p>mais significativo para a criança, especialmente se conseguir vincular</p><p>esse todo a um entendimento prévio que a criança já tenha.</p><p>E é assim que a proposta de trabalho com projetos entra em cena,</p><p>para possibilitar e favorecer a construção de conhecimentos com base</p><p>em uma visão global, não mais somente com parte dos conteúdos tra-</p><p>F</p><p>ila</p><p>tov</p><p>a</p><p>Ha</p><p>ly</p><p>na</p><p>/S</p><p>hu</p><p>te</p><p>trs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Um dos criadores e o</p><p>maior divulgador da</p><p>teoria da complexida-</p><p>de é o filósofo Edgar</p><p>Morin. No livro Ensinar</p><p>a viver: manifesto para</p><p>mudar a educação, com</p><p>a escrita profunda, gentil</p><p>e convincente do autor,</p><p>há propostas para mudar</p><p>a forma de conceber a</p><p>educação utilizando o</p><p>princípio de “pensar bem”</p><p>sobre o que tem que ser</p><p>feito. O livro é encantador.</p><p>Escrito por um filósofo de</p><p>mais de 90 anos na época</p><p>de lançamento do livro,</p><p>e numa linguagem clara,</p><p>vem encantando as novas</p><p>gerações e mudando a</p><p>forma de fazer educação.</p><p>É super recomendada</p><p>essa leitura.</p><p>MORIN, E. Porto Alegre: Sulina,</p><p>2015.</p><p>Leitura</p><p>38 Educação Lúdica</p><p>balhados, mas sim com a possibilidade de pesquisar e compreender o</p><p>todo de que os conteúdos fazem parte.</p><p>Projetos educativos são uma possibilidade metodológica que permi-</p><p>te conhecer e explorar a complexidade dos conteúdos e das propostas</p><p>pedagógicas. Na teoria da complexidade, os projetos desenvolvem uma</p><p>possibilidade de o aluno ter acesso aos conhecimentos específicos, mas</p><p>sem perder de vista o contexto do qual os conteúdos fazem parte.</p><p>Em linhas gerais, a educação por projetos prevê a mobilização de to-</p><p>dos os envolvidos para a resolução de um problema comum. Um dos</p><p>grandes valores educacionais dessa forma de educação está no esforço</p><p>comum empreendido pelos estudantes para alcançar o objetivo: todos</p><p>trabalham juntos para o sucesso de um projeto, e é justamente essa bus-</p><p>ca que faz com que a aprendizagem tenha muito mais significado.</p><p>É interessante também considerar que projetos pedagógicos ino-</p><p>vam na forma de trabalho de conteúdos, pois uma vez que o tema é</p><p>aberto para pesquisa, incluirá novas formas de pensar com as respos-</p><p>tas que vão surgindo, que podem desencadear novos projetos.</p><p>Utilizar projetos educativos nas aulas é uma forma de vincular a teo-</p><p>ria à prática e pode ajudar a alcançar alguns objetivos, por exemplo</p><p>(HERNÁNDEZ, 2009):</p><p>Abordar o sentido da globalização dos conteúdos (estudando</p><p>assuntos que fazem parte da vida e não só dos livros escolares).</p><p>Fazer os conhecimentos escolares terem uma nova significação</p><p>para os alunos, sendo parte relacionada com seu dia a dia.</p><p>Considerar uma nova maneira de o professor dar aulas, em</p><p>que ele privilegiará os processos de reflexão e não as respostas</p><p>prontas dadas ao aluno.</p><p>Fazer os alunos serem também parte do processo de</p><p>ensino-aprendizagem, responsabilizando-os (e com isso tendo-os</p><p>mais participativos) pela busca do conhecimento.</p><p>Projetos de trabalho, portanto, são uma concretização da relação</p><p>teoria e prática, uma eterna dicotomia nas escolas brasileiras. Assim,</p><p>Dois vídeos para você</p><p>conhecer o pensamento</p><p>complexo de Edgar Morin.</p><p>O primeiro, nas palavras</p><p>dele mesmo.</p><p>Disponível em: https://</p><p>www.youtube.com/</p><p>watch?v=ZiFQqEHH4QA&ab_</p><p>channel=CUMULUSTV Acesso em:</p><p>31 out. 2022.</p><p>A segunda sugestão é</p><p>uma explicação da teoria</p><p>dele sob o ponto de</p><p>vista de um professor</p><p>de Filosofia. Edgar Morin</p><p>completou 100 anos em</p><p>2021, e este programa de</p><p>apenas alguns minutos</p><p>pode aproximar você da</p><p>realidade que ele acredita</p><p>e defende. Invista!</p><p>Disponível em: https://</p><p>www.youtube.com/</p><p>watch?v=2jytpltQB8A&ab_</p><p>channel=MateusSalvadori Acesso</p><p>em: 31 out. 2022.</p><p>Vídeo</p><p>O texto Educação por</p><p>projetos: o que é e por que</p><p>implementá-la? utiliza uma</p><p>linguagem clara e concisa</p><p>sobre o uso de projetos</p><p>na educação brasileira,</p><p>levantando pontos inte-</p><p>ressantes que devem ser</p><p>levados em conta quando</p><p>o professor fizer essa</p><p>escolha. A leitura é bem</p><p>interessante e instrutiva.</p><p>Disponível em: https://</p><p>institutoayrtonsenna.org.br/</p><p>pt-br/meu-educador-meu-idolo/</p><p>materialdeeducacao/educacao-</p><p>por-projetos-o-que-e-e-por-que-</p><p>implementa-la.html. Acesso em: 31</p><p>out. 2022.</p><p>Leitura</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=ZiFQqEHH4QA&ab_channel=CUMULUSTV</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=ZiFQqEHH4QA&ab_channel=CUMULUSTV</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=ZiFQqEHH4QA&ab_channel=CUMULUSTV</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=ZiFQqEHH4QA&ab_channel=CUMULUSTV</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=2jytpltQB8A&ab_channel=MateusSalvadori</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=2jytpltQB8A&ab_channel=MateusSalvadori</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=2jytpltQB8A&ab_channel=MateusSalvadori</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=2jytpltQB8A&ab_channel=MateusSalvadori</p><p>https://institutoayrtonsenna.org.br/pt-br/meu-educador-meu-idolo/materialdeeducacao/educacao-por-projetos-o-que-e-e-por-que-implementa-la.html</p><p>https://institutoayrtonsenna.org.br/pt-br/meu-educador-meu-idolo/materialdeeducacao/educacao-por-projetos-o-que-e-e-por-que-implementa-la.html</p><p>https://institutoayrtonsenna.org.br/pt-br/meu-educador-meu-idolo/materialdeeducacao/educacao-por-projetos-o-que-e-e-por-que-implementa-la.html</p><p>https://institutoayrtonsenna.org.br/pt-br/meu-educador-meu-idolo/materialdeeducacao/educacao-por-projetos-o-que-e-e-por-que-implementa-la.html</p><p>https://institutoayrtonsenna.org.br/pt-br/meu-educador-meu-idolo/materialdeeducacao/educacao-por-projetos-o-que-e-e-por-que-implementa-la.html</p><p>https://institutoayrtonsenna.org.br/pt-br/meu-educador-meu-idolo/materialdeeducacao/educacao-por-projetos-o-que-e-e-por-que-implementa-la.html</p><p>Ludopedagogia: brincar para aprender 39</p><p>ao utilizar uma fundamentação de projetos, desenvolve-se um cami-</p><p>nho de conhecimento muito mais significativo para o aluno.</p><p>“Temas, assuntos ou habilidades afins de diferentes componentes podem</p><p>compor projetos nos quais saberes se integrem, gerando experiências de</p><p>aprendizagem amplas e complexas”. (BRASIL, 2018, p. 196)</p><p>Um dos pontos mais importantes da proposta de educação com</p><p>projetos diz respeito à significação do conteúdo, uma vez que a apren-</p><p>dizagem significativa prevê que o aluno seja sujeito ativo no seu de-</p><p>senvolvimento, recebendo informações que o obrigam a racionalizar e</p><p>construir sua rede de conhecimentos à medida que a informação que</p><p>chega integra-se com a que havia antes. A aprendizagem significativa,</p><p>portanto, pressupõe que o aluno seja desafiado a conhecer mais sobre</p><p>algo que já sabe, ampliando seu rol teórico (MOREIRA; MASINI, 2001).</p><p>Certamente o professor já vivenciou casos em que um aluno com</p><p>dificuldade de assimilação de algum conteúdo parece que não “quer”</p><p>aprender. E isso é verdadeiro. Algumas crianças não demostram que-</p><p>rer aprender porque não estão vinculadas com aquele conteúdo, não</p><p>conseguiram encontrar nele algum sentido. Quem nunca disse a famo-</p><p>sa frase “Para que eu vou usar isso?” (em relação a conteúdos que lhes</p><p>foram ensinados na escola). Fique atento, professor: se os alunos estão</p><p>fazendo essa pergunta, é hora de mudar a estratégia de ensino e tornar</p><p>aquele conteúdo mais significativo para eles.</p><p>A BNCC (BRASIL, 2018) já normatiza quais são as competências e</p><p>respectivos conteúdos a serem ensinados nas séries. A questão, por-</p><p>tanto, não é o que ensinar. É como ensinar. E nesse ponto de vista, os</p><p>projetos funcionam como uma excelente alternativa.</p><p>É muito importante que o aluno queira aprender, por isso a mo-</p><p>tivação para buscar as respostas fará toda a diferença. E aquilo que</p><p>se aprende precisa ter relação com a vida dele. Porém, atente-se a</p><p>isto: não se trata de deixar que os alunos escolham o que estudar e</p><p>em que medida de profundidade. Isso seria dar a eles a responsabi-</p><p>lidade que é do professor, da escola e do currículo escolar. Não se</p><p>trata de somente os alunos escolherem, trata-se de dar sentido ao</p><p>que se propõe ensinar a eles. E nesse contexto o professor tem um</p><p>papel importantíssimo.</p><p>Quer um material que tra-</p><p>ta com muita propriedade</p><p>da utilização de projetos</p><p>na escola? Se você tem</p><p>dúvidas ou quer se</p><p>aprofundar sobre o uso</p><p>de projetos na educação,</p><p>esse material será muito</p><p>útil. E está disponível</p><p>para download gratuito.</p><p>Acesse.</p><p>Disponível em: http://www.</p><p>dominiopublico.gov.br/download/</p><p>texto/me003153.pdf Acesso em:</p><p>21 out. 2022.</p><p>Leitura</p><p>https://livrariapublica.com.br/pdf-aprendizes-do-futuro-as-inovacoes-comecaram-lea-da-cruz-fagundes-dominio-publico/.</p><p>40 Educação Lúdica</p><p>Vamos pensar a atuação do professor no trabalho com projetos</p><p>destacando quatro funções, a seguir.</p><p>Função de ativação da</p><p>aprendizagem</p><p>Trabalhar consigo mesmo a percepção</p><p>de seu próprio valor e promover a</p><p>autoestima e a alegria de conviver e</p><p>cooperar. Desenvolver um clima de</p><p>respeito e de autorrespeito.</p><p>Função de orientação dos projetos</p><p>Orientar projetos de investigação</p><p>estimulando e auxiliando na viabilização</p><p>de busca e organização de informações,</p><p>face às indagações do grupo de alunos.</p><p>Função de articulação da prática</p><p>Facilidade de relacionamento e</p><p>flexibilidade na tomada de decisões.</p><p>Função de especialista</p><p>Coordenar (ou articular especialistas</p><p>para) os conhecimentos específicos</p><p>de sua área de formação, com as</p><p>necessidades dos alunos de construir</p><p>conhecimentos específicos.</p><p>Figura 1</p><p>Atuação do professor no trabalho com projetos</p><p>Fonte: Elaborado pela autora com base em Fagundes, Sato e Laurindo, 2006, p. 20-22.</p><p>11</p><p>33</p><p>22</p><p>44</p><p>Vo</p><p>lha</p><p>H</p><p>lin</p><p>sk</p><p>ay</p><p>a/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Observe que num projeto o professor precisa se envolver com os</p><p>alunos e assim proporcionar as atividades que vão ajudá-los a com-</p><p>preender o que estão buscando. De nada adianta um projeto em que</p><p>o professor diga que os alunos terão que se virar sozinhos. Esse não é o</p><p>papel dele. O que se espera de um professor é que caminhe junto com</p><p>seus alunos em direção ao conhecimento, oportunizando passeios,</p><p>materiais, discussões, indicações de vídeos, leituras, entrevistas que</p><p>possam ajudar seus alunos na progressão da sua aprendizagem. Tam-</p><p>bém se atente, professor, para o fato de que a responsabilidade do</p><p>projeto é sua, uma vez que foi a metodologia escolhida para educar.</p><p>Ludopedagogia: brincar para aprender 41</p><p>Então, o sucesso desta depende da sua participação, auxílio e mentoria.</p><p>Cuidado para não repassar aos pais e responsáveis essa tarefa. É muito bom</p><p>termos famílias envolvidas nos projetos educativos que propomos, mas não</p><p>podemos repassar a eles a responsabilidade de o projeto funcionar.</p><p>Os materiais e propostas que o professor ajudar os alunos a en-</p><p>contrar despertarão neles possibilidades de testarem suas hipóteses,</p><p>desenvolverão esforços para argumentação e explicação, e a docu-</p><p>mentação ensinará a eles muito sobre escrita, inclusive sobre a escrita</p><p>matemática, em documentos qualitativos ou quantitativos (FAGUNDES;</p><p>SATO; LAURINDO, 2006).</p><p>Algumas das perguntas que geram inquietação e vontade de apren-</p><p>der são: “Como se produziu esse fenômeno? Qual a origem dessa prá-</p><p>tica? Sempre foi assim? Como percebiam as pessoas de outras épocas</p><p>e lugares? Era semelhante ao modo como pensamos? Como escreve-</p><p>mos? Como fazemos cálculos? Como se explicam essas mudanças?”</p><p>(HERNÁNDEZ, 1998, p. 28). Cabe ao professor também um questiona-</p><p>mento relevante: “estamos ajudando nossos alunos a estabelecerem</p><p>relações entre as diferentes matérias, a partir do que fazemos em sala</p><p>de aula?” (HERNÁNDEZ, 1998, p. 18).</p><p>A expressão estabelecerem relações dá a dimensão do que precisa</p><p>ser feito. Se um conteúdo não tem vinculação com nada do que a crian-</p><p>ça conhece, de que adiantará? Como será possível aprender? Conteú-</p><p>dos escolares precisam ser aprendidos, compreendidos, analisados</p><p>dentro da ótica infantil e comparados com a ótica adulta da própria</p><p>história da humanidade. Assim a criança cresce, vê a dimensão da sua</p><p>aprendizagem.</p><p>É preciso que o professor faça a análise da sua postura como edu-</p><p>cador e dos resultados obtidos com seus alunos. Estão satisfatórios?</p><p>As crianças estão aprendendo? Percebem o significado do que lhes</p><p>é ensinado para a vida delas? As respostas a esses questionamentos</p><p>trarão reflexão ao professor, que poderá vislumbrar outro caminho,</p><p>e entendemos que a educação com projetos é um desses caminhos.</p><p>Algumas ações dos professores devem permear esse caminho (INFOR-</p><p>SATO; SANTOS, 2011, p. 98):</p><p>• buscar material para a realização do projeto;</p><p>• estudar para preparar o tema e orientar os alunos;</p><p>• desenvolver formas de envolver os componentes do grupo;</p><p>Fernando Hernández é</p><p>professor na Espanha</p><p>e escreve com muita</p><p>propriedade sobre a</p><p>utilização de projetos</p><p>no ambiente escolar.</p><p>Especificamente no livro</p><p>Transgressão e mudança</p><p>na educação: os projetos</p><p>de trabalho, ele trata da</p><p>questão dos projetos ana-</p><p>lisando o ponto de vista</p><p>do reconhecimento do</p><p>professor, da mudança de</p><p>currículo, da aprendiza-</p><p>gem significativa, da ava-</p><p>liação de projetos e ainda</p><p>apresenta sugestões de</p><p>trabalho. É uma verdadei-</p><p>ra aula sobre o tema.</p><p>Hernández, F. Porto Alegre: Artes</p><p>Médicas, 1998.</p><p>Livro</p><p>42 Educação Lúdica</p><p>• mostrar a importância do tema para o grupo, com vistas ao mun-</p><p>do atual;</p><p>• manter uma constante postura de avaliação processual e formativa;</p><p>• desenvolver permanente atitude de planejamento, partindo do</p><p>que foi feito para o que deve ser realizado.</p><p>Ao trabalhar com projetos, o professor permite que várias compe-</p><p>tências dos alunos sejam desenvolvidas, entre elas destacam-se (HER-</p><p>NÁNDEZ, 1998):</p><p>A autodireção, pois permite que o aluno escolha em que direção vai</p><p>seguir a pesquisa.</p><p>A inventiva, ao usar a solução criativa de recursos.</p><p>A formulação e resolução de problemas desde</p><p>o diagnóstico</p><p>até a solução.</p><p>A tomada de decisões, ao escolher por qual caminho seguir</p><p>comparando as opiniões encontradas.</p><p>A comunicação interpessoal, tendo que negociar opiniões,</p><p>aceitar opiniões diferentes da sua e até mesmo validar sua</p><p>opinião perante os outros.</p><p>Há muito a ganhar trabalhando com projetos na educação. Agora,</p><p>pensando praticamente, imagine o professor utilizar um projeto para</p><p>ensinar cada conteúdo que faz parte do rol necessário para aquela sé-</p><p>rie. Claro que isso não seria possível, não é mesmo? Então é preciso</p><p>reformar o pensamento sobre dar aulas, compreendendo que proje-</p><p>tos de trabalho vão compreender vários conteúdos simultaneamen-</p><p>te, inclusive conteúdos de disciplinas diferentes. Nessa proposta, a</p><p>interdisciplinaridade é realmente efetivada. Relembre que o conceito</p><p>de interdisciplinaridade prevê uma integração das disciplinas em con-</p><p>teúdos/assuntos comuns. Nem sempre é possível fazer com todos os</p><p>conteúdos, mas isso não pode funcionar como desculpa para não ser</p><p>realizada em conteúdo nenhum. E é sempre bom lembrar que o único</p><p>lugar onde o conhecimento é compartimentado em áreas de estudo é</p><p>Essa proposta de pesqui-</p><p>sa e reflexão do professor</p><p>parece recente? Saiba</p><p>que Lawrence Stenhou-</p><p>se, professor inglês, já</p><p>defendia a ideia de a</p><p>pesquisa estar presente</p><p>no dia a dia escolar desde</p><p>1960 (mas a ideia é da</p><p>década de 1930). Para ele,</p><p>professores têm que ser</p><p>autônomos e reflexivos,</p><p>pensando e analisando</p><p>criticamente seu ofício,</p><p>trocando experiências</p><p>com seus colegas. Saiba</p><p>mais sobre as ideias</p><p>desse pensador no texto</p><p>Lawrence Stenhouse – o</p><p>defensor da pesquisa no</p><p>dia a dia.</p><p>Disponível em: https://novaescola.</p><p>org.br/conteudo/7244/lawrence-</p><p>stenhouse. Acesso em: 31 out. 2022.</p><p>Leitura</p><p>Quer conhecer muitos</p><p>projetos realizados em</p><p>escolas brasileiras que</p><p>podem servir de inspira-</p><p>ção para você também</p><p>realizar? O material</p><p>Desafio Diário de Inovações</p><p>– 18 práticas educacio-</p><p>nais que transformam a</p><p>aprendizagem faz parte de</p><p>um acervo da ONG Porvir</p><p>(recomendamos que</p><p>você faça o cadastro para</p><p>acessar) e foi escrito pelos</p><p>próprios professores que</p><p>realizaram os trabalhos.</p><p>De professor para profes-</p><p>sor, acesse!</p><p>Disponível em: https://porvir-prod.</p><p>s3.amazonaws.com/wp-content/</p><p>uploads/2019/09/16182537/</p><p>diario_inovacoes_ebook_ed3_vf-</p><p>compactado.pdf. Acesso em: 27</p><p>jun. 2022.</p><p>Leitura</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/7244/lawrence-stenhouse</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/7244/lawrence-stenhouse</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/7244/lawrence-stenhouse</p><p>https://porvir-prod.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2019/09/16182537/diario_inovacoes_ebook_ed3_vf-compactado.pdf</p><p>https://porvir-prod.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2019/09/16182537/diario_inovacoes_ebook_ed3_vf-compactado.pdf</p><p>https://porvir-prod.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2019/09/16182537/diario_inovacoes_ebook_ed3_vf-compactado.pdf</p><p>https://porvir-prod.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2019/09/16182537/diario_inovacoes_ebook_ed3_vf-compactado.pdf</p><p>https://porvir-prod.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2019/09/16182537/diario_inovacoes_ebook_ed3_vf-compactado.pdf</p><p>Ludopedagogia: brincar para aprender 43</p><p>na escola. Na vida real as disciplinas ou áreas acontecem simultanea-</p><p>mente, numa grande experiência interdisciplinar. Então, cumpre trazer</p><p>a vida para dentro da escola e contextualizar as aulas.</p><p>A parte mais importante a se considerar em um projeto é o caminho</p><p>que se faz em direção ao conhecimento, não necessariamente a res-</p><p>posta finalizada, mas as aprendizagens que permearam as etapas de</p><p>trabalho. A aprendizagem não está no fim, está no meio, como quando</p><p>se diz que a viagem já é parte do passeio. Por isso, o professor preci-</p><p>sa investir muito no processo, na valorização das atitudes dos alunos,</p><p>permitindo que falem, que pesquisem, que apreciem a tarefa de saber</p><p>mais sobre alguma coisa.</p><p>a aprendizagem não está, apenas, em chegar a uma resposta</p><p>correta para cada problema, mas que as ações que encaminham</p><p>sua resolução – como questionar, interpretar, pesquisar, obter e</p><p>selecionar informações, esquematizar soluções, saber lidar com</p><p>as diferentes opiniões – são tão importantes no processo de en-</p><p>sino e de aprendizagem quanto obter uma resposta adequada</p><p>para o problema proposto. (SÃO PAULO, 2007, p. 158)</p><p>Mas como projetos de trabalho e atividades lúdicas se relacionam?</p><p>Lembre-se que o projeto é uma forma lúdica de aprender. Sim! A mo-</p><p>vimentação de pesquisa que um projeto permite é uma atividade pra-</p><p>zerosa e lúdica. Então, só por isso já valeria a pena utilizar. Mas, no</p><p>decorrer das atividades, algumas outras possibilidades lúdicas como</p><p>registros, passeios, jogos, leituras etc. estão presentes para tornar mais</p><p>significativa a aprendizagem.</p><p>Um dos exemplos mais</p><p>instigantes de como um</p><p>projeto de vida pode</p><p>desencadear muitas</p><p>possibilidades é a história</p><p>de Steve Jobs, famoso</p><p>criador da Apple, empresa</p><p>americana responsável</p><p>pela venda de telefones</p><p>celulares, entre outros</p><p>produtos. A história de</p><p>Jobs mostra que ele sem-</p><p>pre teve a ideia de criar</p><p>um produto revolucioná-</p><p>rio e não desanimou nem</p><p>quando as adversidades</p><p>apareceram. Por isso, su-</p><p>gerimos que você assista</p><p>ao filme Steve Jobs.</p><p>Direção: Danny Boyle. EUA:</p><p>Universal Pictures, 2016.</p><p>Filme</p><p>2.3 Ludicidade e dificuldades de aprendizagem</p><p>Vídeo</p><p>Quando se fala em dificuldades de aprendizagem, a maioria das</p><p>pessoas pensa na incapacidade de uma criança em aprender aquilo</p><p>que seu professor ensina. Esse é o senso comum. E pode ser que es-</p><p>teja acontecendo isso mesmo, por um período: uma disfunção, uma</p><p>síndrome. Ocorre que há outra análise a ser feita, que pode ajudar o</p><p>professor: a metodologia escolhida para tal ensinamento ou para a aju-</p><p>da com relação às dificuldades que possam surgir está adequada? Foi</p><p>escolhida com base no interesse das crianças? Pressupõe concentra-</p><p>ção, divertimento, lazer?Ie</p><p>n4</p><p>fo</p><p>to</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>44 Educação Lúdica</p><p>Alicia Fernández, psicóloga argentina, tem uma teoria muito interes-</p><p>sante sobre isso. Ela afirma que a escola e o professor também têm “di-</p><p>ficuldades de ensinagem”, especialmente quando este está em contato</p><p>com alunos de gênero diferente do seu. Os estudos dela mostraram que</p><p>a maioria das crianças que era apontada pelos seus professores como</p><p>tendo dificuldades de aprendizagem era de meninos, enquanto a maioria</p><p>dos professores deles eram mulheres. Ela, então, traça um paralelo com a</p><p>ideia da expectativa das professoras em relação ao desempenho e atitude</p><p>das crianças do sexo masculino e como a forma de ser dos meninos im-</p><p>pactava o resultado das aprendizagens deles, no ponto de vista da profes-</p><p>sora (FERNÁNDEZ, 2001). Ou seja: como os professores esperam que as</p><p>crianças reajam ao que eles ensinam? Como esperam que se comportem</p><p>na sala de aula? Esperam que façam anotações, que os cadernos estejam</p><p>super arrumados? Essa é a realidade das crianças da sua sala de aula? Cui-</p><p>dado, professor, para não ter expectativas diferenciadas das crianças que</p><p>educa, para que cada um possa se mostrar como de fato é, ser aceito e</p><p>aprender da melhor forma possível, não como você gostaria que fossem.</p><p>É razoável afirmar que num grupo de crianças (ou até de pessoas</p><p>adultas) algumas vão se desenvolver mais cedo, outras mais tarde, cada</p><p>uma terá seu tempo, e a defasagem de conteúdos pode ir se diluin-</p><p>do no período completo de aprendizagem. Por isso, é relevante saber</p><p>que o professor acredita no desempenho de todas as crianças e não</p><p>se apavora quando ela demonstra insegurança ou falta de maturidade</p><p>para determinada aprendizagem. Para a criança, é muito importante</p><p>receber o apoio do seu professor, saber que ele confia nela, que vai</p><p>ajudá-la, que ela pode contar com ele.</p><p>Crianças precisam da confiança e incentivo de seus professores,</p><p>porque sem isso, especialmente quando não estiverem aptas a apren-</p><p>der, terão uma grande sensação de fracasso para consigo mesmas e</p><p>para com o professor. É como se ela, ao não conseguir aprender, es-</p><p>tivesse decepcionando</p><p>o professor. Com o tempo, essa sensação, de</p><p>tanto fazer parte da vida da criança, vai se tornando revolta, e a criança</p><p>acaba por desinteressar-se da escola e da aprendizagem.</p><p>Os constantes fracassos nas aprendizagens escolares seriam as</p><p>causas das alterações nas relações sociais das crianças com di-</p><p>ficuldades na aprendizagem, já que provocam nelas atitudes de</p><p>rejeição em relação à escola e tudo o que ela significa, bem como</p><p>o convencimento de que sua própria incapacidade é a causa de</p><p>suas dificuldades de aprendizagem. (COLL, 1997, p. 77)</p><p>Alicia Fernández é uma</p><p>psicóloga argentina que</p><p>trabalhou na Argentina e</p><p>demais países da América</p><p>do Sul, inclusive o Brasil,</p><p>com temáticas relacio-</p><p>nadas a problemas de</p><p>aprendizagem. Suas obras</p><p>são contestadoras, desa-</p><p>fiam os leitores a pensar</p><p>e contêm análises amplas</p><p>sobre o fenômeno da</p><p>educação. Sobre ela, três</p><p>indicações: uma palestra,</p><p>um livro e uma entrevista</p><p>por escrito. Escolha, clique</p><p>e aproveite.</p><p>Palestra: Disponível em:</p><p>https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=N9LR4wcnqBc</p><p>Acesso em: 31 out. 2022.</p><p>Livro: FERNÁNDEZ, Alicia. A Mulher</p><p>Escondida na Professora. Porto</p><p>Alegre: Artmed, 2001.</p><p>Entrevista: Disponível em: https://</p><p>novaescola.org.br/conteudo/867/</p><p>alicia-fernandez-aprendizagem-</p><p>tambem-e-uma-questao-de-</p><p>genero. Acesso em: 31 out. 2022.</p><p>Saiba mais</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=N9LR4wcnqBc</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=N9LR4wcnqBc</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/867/alicia-fernandez-aprendizagem-tambem-e-uma-questao-de-genero</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/867/alicia-fernandez-aprendizagem-tambem-e-uma-questao-de-genero</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/867/alicia-fernandez-aprendizagem-tambem-e-uma-questao-de-genero</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/867/alicia-fernandez-aprendizagem-tambem-e-uma-questao-de-genero</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/867/alicia-fernandez-aprendizagem-tambem-e-uma-questao-de-genero</p><p>Ludopedagogia: brincar para aprender 45</p><p>Por isso, é mais do que justo que os professores estejam lado a lado</p><p>com os alunos, mostrando a eles que errar faz parte do processo, que con-</p><p>fiam e acolhem suas crianças e vão ajudá-las a aprender o que precisam.</p><p>Nesse sentido, as opções metodológicas que envolvem a ludicidade</p><p>são um excelente recurso para que o aluno possa aprender mais e me-</p><p>lhor. Os jogos e brincadeiras possibilitam que a aura de diversão per-</p><p>meie a aprendizagem, o que muitas vezes tira da criança o “peso” do não</p><p>aprender. Em contato com brinquedos, brincadeiras e jogos, a aprendi-</p><p>zagem costuma fluir mais facilmente, o que pode ajudar na superação</p><p>das dificuldades porque desperta na criança mais vontade de aprender.</p><p>Obviamente há algumas situações em que a ludicidade pode dis-</p><p>trair e não ensinar, e a depender da dificuldade, pode ser necessária a</p><p>intervenção psicopedagógica. Porém, se o professor investir na ludici-</p><p>dade, pode ter um ganho com relação a muitos dos sintomas de não</p><p>aprendizagem das crianças.</p><p>Há algumas escolas que têm classes que funcionam no contraturno</p><p>do horário regular de aulas, com propostas mais lúdicas, e isso costu-</p><p>ma ajudar as crianças. Não é incomum que a criança interaja melhor</p><p>com os conteúdos no contraturno do que no horário regular propria-</p><p>mente dito. E sabe por que isso acontece? Quase sempre por causa da</p><p>metodologia utilizada. Normalmente o ambiente escolar regular utili-</p><p>za poucas atividades lúdicas (especialmente no Ensino Fundamental)</p><p>e por isso, quando submetida a processos de aprender brincando, a</p><p>criança se dá muito melhor.</p><p>O professor e a escola de modo geral precisam ter em mente que</p><p>a educação tem como premissa contribuir para que todas as crianças</p><p>aprendam, desenvolvam suas capacidades e saiam da escola melhores</p><p>do que entraram. E se isso não está acontecendo, a pergunta que deve</p><p>ser feita é: o que faremos para isso acontecer? Uma das alternativas é</p><p>investir numa metodologia lúdica.</p><p>Não se trata de culpar a criança, sua família ou algo externo bioló-</p><p>gico ou cognitivo. Trata-se do empenho que a escola terá para buscar</p><p>alternativas lúdicas que possam ensinar aquela criança de outra forma</p><p>que lhe seja possível compreender ou resgatar partes de um conhe-</p><p>cimento perdido. Trata-se do compromisso e da responsabilidade de</p><p>cada professor pela aprendizagem dos seus alunos. Por isso, é preciso</p><p>equilibrar o conteúdo que se ensina com as metodologias escolhidas e</p><p>incluir prioritariamente a questão lúdica.</p><p>O fato é que todas as crianças querem aprender, querem ter suces-</p><p>so. Quando isso não sai como o planejado, é preciso ver o que não está</p><p>bem, e as metodologias escolhidas com técnicas e estratégias que não</p><p>colaboram para isso podem ser grandes causadoras de problemas.</p><p>Uma das queixas comuns dos professores com relação aos alunos é</p><p>sobre a falta de concentração deles. Mas é preciso analisar: que falta de</p><p>concentração é essa? Estamos falando de falta de concentração numa</p><p>aula expositiva? Numa realização de exercícios? Generalizar é um proces-</p><p>so perigoso. Caracterizar bem essa falta de atenção e saber em que mo-</p><p>mentos ela ocorre pode ajudar a encontrar a solução para o problema.</p><p>Se você está com essa situação em sua sala de aula, invista em tra-</p><p>balhos que requerem atenção, como quebra-cabeças, jogos de encaixe,</p><p>jogos eletrônicos que envolvam atenção e tempo, jogos de tabuleiro.</p><p>Percebe que nessa indicação estamos tratando a causa da desatenção</p><p>e ensinando o aluno que ele pode se concentrar mais nas atividades?</p><p>Investir nas atividades lúdicas, portanto, ensina e transforma.</p><p>Jogos, brinquedos e brincadeiras são de fato atividades lúdicas que</p><p>resultam em conhecimento. Ao mesmo tempo em que divertem, auxi-</p><p>liam o processo de ensino-aprendizagem e precisam estar presentes</p><p>nos fazeres diários dos professores.</p><p>“Do ponto de vista pedagógico, percebemos que as brincadeiras auxiliam os</p><p>educandos a formar conceitos, relacionar ideias, estabelecer relações lógi-</p><p>cas, desenvolver a expressão oral, reforçar habilidades sociais e construir seu</p><p>próprio conhecimento, confirmando ser esse o papel dos jogos: facilitador no</p><p>desenvolvimento da criança”. (BISPO, 2009, p. 17)</p><p>E assim destaca-se o papel do educador, não só como aquele que vai</p><p>escolher os jogos e brincadeiras que vão fazer parte daquela</p><p>aula, como o que vai realizar intervenções com seus alunos</p><p>para que eles possam elaborar melhor seu raciocínio,</p><p>justificar suas ideias. A ludicidade diverte, mas não faz</p><p>o trabalho pedagógico sozinha; é preciso a função de</p><p>mediador do professor para que o pensamento do alu-</p><p>no se amplie. Questionamentos, desafios, análises, há</p><p>muito a ser feito pelo educador para que o brincar seja</p><p>efetivado em aprendizagem e possa trazer melhores</p><p>resultados, minimizando as dificuldades do caminho.</p><p>Os jogos virtuais ajudam</p><p>muito na concentração</p><p>das crianças e são bem</p><p>aceitos por elas. Para</p><p>uma diversão virtual, com</p><p>muitas possibilidades de</p><p>jogos para várias idades,</p><p>inclusive para o professor,</p><p>acesse a página Racha</p><p>cuca.</p><p>Disponível em: https://rachacuca.</p><p>com.br/raciocinio/quebra-cabeca/</p><p>https://rachacuca.com.br/logica/</p><p>problemas/. Acesso em: 21 out.</p><p>2022.</p><p>Jogo</p><p>Im</p><p>ag</p><p>eF</p><p>low</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Im</p><p>ag</p><p>eF</p><p>low</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>4646 Educação LúdicaEducação Lúdica</p><p>https://rachacuca.com.br/raciocinio/quebra-cabeca/</p><p>https://rachacuca.com.br/raciocinio/quebra-cabeca/</p><p>https://rachacuca.com.br/logica/problemas/</p><p>https://rachacuca.com.br/logica/problemas/</p><p>Ludopedagogia: brincar para aprender 47</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>O brincar é muito importante para crianças de todas as idades. E jus-</p><p>tamente por proporcionar que a criança levante hipóteses, acerte, erre,</p><p>combine, analise, trace estratégias, é um excelente recurso a ser usado nas</p><p>aulas. Professores precisam investir em ludicidade para aulas mais criativas</p><p>e consequentemente uma melhor aprendizagem dos seus alunos.</p><p>Educar por meio de projetos é um excelente recurso que os professo-</p><p>res podem utilizar para uma educação de qualidade, em que o aluno seja</p><p>desafiado, instigado a pesquisar</p><p>e a buscar suas respostas. A ludicidade</p><p>se fará presente nas escolhas de estratégias que compõem o projeto.</p><p>Dificuldades de aprendizagem podem ser sanadas ou prevenidas se o</p><p>professor investir num trabalho lúdico. Os jogos, brincadeiras e brinque-</p><p>dos, ao mesmo tempo que divertem, produzem conhecimento em quem</p><p>participa e podem ser excelentes aliados numa prática pedagógica que</p><p>busca diminuir os problemas de aprendizagem.</p><p>ATIVIDADES</p><p>Atividade 1</p><p>Por que as atividades lúdicas podem fazer as crianças aprenderem</p><p>mais e melhor?</p><p>Atividade 2</p><p>Projetos são recursos favoráveis na educação de crianças? Por</p><p>quê?</p><p>Atividade 3</p><p>De que forma jogos, brinquedos e brincadeiras funcionam como</p><p>auxílio nos problemas de aprendizagem?</p><p>48 Educação Lúdica</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BISPO, J. N. M. A ludicidade como motivação na aprendizagem. Monografia (Graduação em</p><p>Licenciatura Plena em Pedagogia) – Faculdade de Formação de Professores, Universidade</p><p>do Estado do Rio de Janeiro, São Gonçalo, 2009. Disponível em: http://www.ffp.uerj.br/</p><p>arquivos/dedu/monografias/JNMB.2008.pdf. Acesso em: 31 out. 2022.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: Ministério da</p><p>Educação, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_</p><p>EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 31 out. 2022.</p><p>COLL, C. Desenvolvimento psicológico e educação: necessidades especiais e aprendizagem</p><p>escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.</p><p>FERNÁNDEZ, A. A mulher escondida na professora, Porto Alegre: Artmed, 2001.</p><p>FORTUNA, T. R. Sala de aula é lugar de brincar? In: XAVIER, M. L.; ZEN, M. I. D. Planejamento</p><p>em destaque: análises menos convencionais. Porto Alegre: Mediação, 2000.</p><p>FREIRE, J. B. Entre o riso e o choro. Campinas: Autores Associados, 2017.</p><p>HERNÁNDEZ, F. A organização do currículo por projetos de trabalho. Trad. de Jussara</p><p>Rodrigues. Porto Alegre: Artes Médicas, 2009.</p><p>HERNÁNDEZ, F. Transgressão e mudança na educação: os projetos de trabalho. Trad. de</p><p>Jussara Rodrigues. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.</p><p>INFORSATO, E. C.; SANTOS, R. A. A preparação das aulas. In: UNIVERSIDADE ESTADUAL</p><p>PAULISTA. Prograd. Caderno de Formação: formação de professores didática geral. São</p><p>Paulo: Cultura Acadêmica, 2011. p. 86-99, v. 9.</p><p>KISHIMOTO, T. M. (org). et al. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 3. ed. São Paulo:</p><p>Cortez, 2003.</p><p>LA TAILLE, Y.; OLIVEIRA, M. K.; DANTAS, H. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas</p><p>em discussão. 21. ed. São Paulo: Summus, 1992.</p><p>MAFFEI, L. Q. A ludopedagogia no contexto brasileiro de pesquisas.  RELACult: Revista</p><p>Latino-Americana De Estudos Em Cultura E Sociedade, v. 7, n. 1, 2021.</p><p>MIRANDA, S. Do fascínio do jogo à alegria do aprender. Campinas: Papiros, 2001.</p><p>MOREIRA, M. A.; MASINI, E. Aprendizagem significativa: a teoria de David Ausubel. 2. ed. São</p><p>Paulo: Centauro. 2001.</p><p>PIAGET, J. A construção do real na criança. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.</p><p>RONCA, P. A. C.; TERZI, C. A. O movimento lúdico. In: RONCA, P. A. C.; TERZI, C. A. A aula</p><p>operatória e a construção do conhecimento. São Paulo: Editora do Instituto Esplan, 1995.</p><p>SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Educação. Orientações curriculares e proposição de</p><p>expectativas de aprendizagem para o ensino fundamental: ciclo I. São Paulo: SME/DOT, 2007.</p><p>SILVEIRA, R. C.; FREITAS, D. P.; MELLO, H. M. (org.). Inovação pedagógica: vivências</p><p>pedagógicas na relação ensino a aprendizagem. São Paulo: Pimenta Cultural, 2021.</p><p>VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.</p><p>WALLON, H. As origens do pensamento na criança. São Paulo: Manole, 1989.</p><p>http://www.ffp.uerj.br/arquivos/dedu/monografias/JNMB.2008.pdf</p><p>http://www.ffp.uerj.br/arquivos/dedu/monografias/JNMB.2008.pdf</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf</p><p>Recursos lúdicos para a prática pedagógica 49</p><p>3</p><p>Recursos lúdicos para a</p><p>prática pedagógica</p><p>Era aniversário da professora e os alunos prepararam uma festa surpresa.</p><p>Era o mês das festas juninas, e a sala de aula, que já estava decorada com ban-</p><p>deirinhas, continha também balões coloridos, docinhos, salgadinhos, pipoca e</p><p>bolo. Foi uma diversão. Ao final da festa, a professora pediu que cada criança</p><p>desenhasse o que tinha acontecido naquela tarde, como forma de registro da</p><p>festa. Um desenho chamou a atenção: apresentava uma grande forma geo-</p><p>métrica oval, toda riscada de preto. Ora, o que pensar de um registro desse?</p><p>Que a criança não gostou da festa, que alguma coisa havia acontecido ou que a</p><p>criança estava com algum problema. Contendo sua surpresa, lá foi a professo-</p><p>ra pedir para o autor comentar sobre seu desenho. E no auge dos seus quatro</p><p>anos, a Amanda respondeu à professora “Eu desenhei o bolo”. E tudo fez sen-</p><p>tido. Na organização da festa surpresa coube à mãe da Amanda levar o bolo</p><p>de chocolate; logo, para a criança, não havia coisa mais importante a registrar.</p><p>Neste capítulo trataremos de desenho, animações, música e drama-</p><p>tização como recursos lúdicos para a aprendizagem, os quais podem</p><p>proporcionar situações em que o mundo infantil surpreenda, como a</p><p>Amanda fez com a professora dela.</p><p>Com o estudo deste capítulo, você será capaz de:</p><p>• reforçar o uso de modos diferentes de linguagem como recursos</p><p>lúdicos para a aprendizagem;</p><p>• reconhecer no desenho uma ferramenta lúdica para a compreen-</p><p>são dos conteúdos;</p><p>• compreender que filmes e desenhos animados podem funcionar</p><p>como recursos de aprendizagem na escola;</p><p>• associar o uso de músicas e paródias com a aprendizagem;</p><p>• reconhecer o teatro como elemento importante no processo de</p><p>ensino aprendizagem;</p><p>• destacar a importância da dramatização para a aprendizagem.</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>3.1 Desenho e aprendizagem</p><p>Vídeo Se você convive com crianças, sabe que, por volta de um ano e meio,</p><p>dois anos, elas começam a se interessar por desenhar. Nessa idade,</p><p>a motricidade infantil está apta a segurar o elemento escolhido para</p><p>desenhar, ou aquele que lhe foi oferecido, como: giz de cera, lápis de</p><p>cor, carvão, pincel ou mesmo tinta livre nos dedinhos, para citar ape-</p><p>nas alguns exemplos. Chamados esses primeiros rabiscos de garatujas,</p><p>que são as tentativas de representação gráfica feitas pela criança e vão</p><p>tomando forma à medida que ela cresce e desenvolve sua motricidade.</p><p>Embora elas possam desenhar em qualquer local (em alguns casos in-</p><p>clusive nas paredes das casas), é na escola que encontram um ambien-</p><p>te perfeito para tal crescimento, com materiais e estratégias próprias.</p><p>É importante destacar que desenhar não é apenas uma atividade mo-</p><p>tora. O desenho é uma forma de linguagem em que a criança expressa o</p><p>que sente, pensa e vive. Por meio do ato de desenhar, a criança integra sen-</p><p>sibilidade e imaginação, podendo refletir sobre o que faz, expressando-se</p><p>criativamente (BRASIL, 1998). É também uma forma simbólica de exprimir</p><p>necessidades, desejos e preferências, uma vez que ao desenhar a criança</p><p>mobiliza suas capacidades cognitivas e emocionais também (MOREIRA,</p><p>1991). Desenhar, portanto, é um ato muito relevante para o desenvolvimen-</p><p>to do ser humano, além de ser uma atividade lúdica muito prazerosa.</p><p>Desenhar não é só registar o que já viveu, e essa é uma compreen-</p><p>são importante: o desenho não diz respeito apenas ao que já passou.</p><p>O desenho infantil pode representar um registro de uma vivência ou</p><p>algo que está sendo criado (inventado) no momento, pode ser parte da</p><p>ação, da brincadeira, do que está sendo vivido no momento. É de fato</p><p>o registro do viver. Pode também ser usado para projetar expectativas</p><p>e desejos, ou apenas utilizado para extravasar a imaginação. Por isso,</p><p>é bem comum que as crianças desenhem e brinquem com o desenho,</p><p>Ka</p><p>ya</p><p>M</p><p>e/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>rabiscando, completando, pintando e conversando enquanto fazem.</p><p>Não são incomuns frases que acompanham o desenho: “daí choveu”,</p><p>e enchem o desenho de risquinhos; “deu um vendaval”,</p><p>e lá está um</p><p>desenho com rabiscos em forma de espiral, por exemplo. Portanto,</p><p>acompanhar a feitura do desenho, ouvir o que a criança diz, perceber</p><p>as nuances do que registra podem dar muitas pistas ao professor do</p><p>desenvolvimento e das percepções de mundo por parte dos alunos.</p><p>A linguagem oral, nesse caso, atua como apoiadora do desenho e</p><p>da fantasia infantil, uma vez que a criança fala para organizar seu pen-</p><p>samento. Caberá ao professor deixar que falem, explorar suas ideias</p><p>ou simplesmente ouvir o que estão falando. Claro que se a conversa de</p><p>uma criança atrapalhar o desenho de outros, o professor pode usar es-</p><p>tratégias de trocá-la de lugar, de conversar com a criança falante sobre</p><p>o desenho ou até mesmo de deixar que eles conversem e se resolvam.</p><p>Depende da situação. Mas lembre-se de que as interações das crianças</p><p>são muito significativas, e estar atento a elas fará com que o professor</p><p>conheça melhor seu pequeno aluno.</p><p>De fato, a atividade lúdica de desenhar é muito relevante na infân-</p><p>cia e consequentemente na escola, porque permite que o professor se</p><p>aproxime da realidade do seu aluno, do que ele pensa, do que ele pre-</p><p>cisa, do que ele está comunicando. Desenhar, destacaremos aqui essa</p><p>ideia, é uma forma de comunicação muito importante.</p><p>O desenho das crianças também pode funcionar como elemento</p><p>de registro de experiências negativas, como no caso em que revelam</p><p>alguma situação perigosa ou constrangedora ou até mesmo de explo-</p><p>ração infantil. É sempre pertinente averiguar e perceber outros sinais</p><p>na criança (comportamento e relação com os colegas) e, se possível,</p><p>chamar um profissional apto a lidar com isso.</p><p>Acompanhar a construção</p><p>de um desenho infantil é</p><p>ouvir as conversas e ver</p><p>os pequenos autores re-</p><p>fletirem sobre o que está</p><p>sendo feito. Para o profes-</p><p>sor é uma oportunidade</p><p>de ouro, pois permite que</p><p>o profissional conheça</p><p>mais a sua criança, apro-</p><p>ximando-se da realidade</p><p>delas. Quer ter essa expe-</p><p>riência? Assista ao vídeo e</p><p>veja o que crianças de 3 a</p><p>5 anos falam e constroem</p><p>enquanto desenham.</p><p>Disponível em: https://</p><p>www.youtube.com/</p><p>watch?v=AFx4ViEFjF8. Acesso em:</p><p>3 nov. 2022.</p><p>Vídeo</p><p>Se é tão importante que</p><p>a criança desenhe e ao</p><p>desenhar é comum que</p><p>ela vá construindo verbal-</p><p>mente seu raciocínio, qual</p><p>o sentido de os professo-</p><p>res exigirem silêncio na</p><p>hora do desenho? Mas se</p><p>todas as crianças conver-</p><p>sarem isso não vai atra-</p><p>palhar o desenvolvimento</p><p>da atividade? O que você</p><p>pensa sobre isso?</p><p>Para refletir</p><p>at</p><p>su</p><p>rk</p><p>an</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>at</p><p>su</p><p>rk</p><p>an</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Se os desenhos dos seus</p><p>alunos sugerirem qual-</p><p>quer coisa incomum, não</p><p>se abstenha de conversar</p><p>com seu coordenador</p><p>para juntos encontrarem</p><p>a melhor alternativa.</p><p>Acesse o texto a seguir</p><p>sobre como denunciar o</p><p>abuso infantil e saiba mais</p><p>sobre isso.</p><p>Disponível em: https://catracalivre.</p><p>com.br/cidadania/como-denunciar-</p><p>abuso-infantil/. Acesso em: 3</p><p>nov. 2022.</p><p>Leitura</p><p>5050 Educação LúdicaEducação Lúdica</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=AFx4ViEFjF8</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=AFx4ViEFjF8</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=AFx4ViEFjF8</p><p>https://catracalivre.com.br/cidadania/como-denunciar-abuso-infantil/</p><p>https://catracalivre.com.br/cidadania/como-denunciar-abuso-infantil/</p><p>https://catracalivre.com.br/cidadania/como-denunciar-abuso-infantil/</p><p>rabiscando, completando, pintando e conversando enquanto fazem.</p><p>Não são incomuns frases que acompanham o desenho: “daí choveu”,</p><p>e enchem o desenho de risquinhos; “deu um vendaval”, e lá está um</p><p>desenho com rabiscos em forma de espiral, por exemplo. Portanto,</p><p>acompanhar a feitura do desenho, ouvir o que a criança diz, perceber</p><p>as nuances do que registra podem dar muitas pistas ao professor do</p><p>desenvolvimento e das percepções de mundo por parte dos alunos.</p><p>A linguagem oral, nesse caso, atua como apoiadora do desenho e</p><p>da fantasia infantil, uma vez que a criança fala para organizar seu pen-</p><p>samento. Caberá ao professor deixar que falem, explorar suas ideias</p><p>ou simplesmente ouvir o que estão falando. Claro que se a conversa de</p><p>uma criança atrapalhar o desenho de outros, o professor pode usar es-</p><p>tratégias de trocá-la de lugar, de conversar com a criança falante sobre</p><p>o desenho ou até mesmo de deixar que eles conversem e se resolvam.</p><p>Depende da situação. Mas lembre-se de que as interações das crianças</p><p>são muito significativas, e estar atento a elas fará com que o professor</p><p>conheça melhor seu pequeno aluno.</p><p>De fato, a atividade lúdica de desenhar é muito relevante na infân-</p><p>cia e consequentemente na escola, porque permite que o professor se</p><p>aproxime da realidade do seu aluno, do que ele pensa, do que ele pre-</p><p>cisa, do que ele está comunicando. Desenhar, destacaremos aqui essa</p><p>ideia, é uma forma de comunicação muito importante.</p><p>O desenho das crianças também pode funcionar como elemento</p><p>de registro de experiências negativas, como no caso em que revelam</p><p>alguma situação perigosa ou constrangedora ou até mesmo de explo-</p><p>ração infantil. É sempre pertinente averiguar e perceber outros sinais</p><p>na criança (comportamento e relação com os colegas) e, se possível,</p><p>chamar um profissional apto a lidar com isso.</p><p>Acompanhar a construção</p><p>de um desenho infantil é</p><p>ouvir as conversas e ver</p><p>os pequenos autores re-</p><p>fletirem sobre o que está</p><p>sendo feito. Para o profes-</p><p>sor é uma oportunidade</p><p>de ouro, pois permite que</p><p>o profissional conheça</p><p>mais a sua criança, apro-</p><p>ximando-se da realidade</p><p>delas. Quer ter essa expe-</p><p>riência? Assista ao vídeo e</p><p>veja o que crianças de 3 a</p><p>5 anos falam e constroem</p><p>enquanto desenham.</p><p>Disponível em: https://</p><p>www.youtube.com/</p><p>watch?v=AFx4ViEFjF8. Acesso em:</p><p>3 nov. 2022.</p><p>Vídeo</p><p>Se é tão importante que</p><p>a criança desenhe e ao</p><p>desenhar é comum que</p><p>ela vá construindo verbal-</p><p>mente seu raciocínio, qual</p><p>o sentido de os professo-</p><p>res exigirem silêncio na</p><p>hora do desenho? Mas se</p><p>todas as crianças conver-</p><p>sarem isso não vai atra-</p><p>palhar o desenvolvimento</p><p>da atividade? O que você</p><p>pensa sobre isso?</p><p>Para refletir</p><p>at</p><p>su</p><p>rk</p><p>an</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>at</p><p>su</p><p>rk</p><p>an</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Se os desenhos dos seus</p><p>alunos sugerirem qual-</p><p>quer coisa incomum, não</p><p>se abstenha de conversar</p><p>com seu coordenador</p><p>para juntos encontrarem</p><p>a melhor alternativa.</p><p>Acesse o texto a seguir</p><p>sobre como denunciar o</p><p>abuso infantil e saiba mais</p><p>sobre isso.</p><p>Disponível em: https://catracalivre.</p><p>com.br/cidadania/como-denunciar-</p><p>abuso-infantil/. Acesso em: 3</p><p>nov. 2022.</p><p>Leitura</p><p>Recursos lúdicos para a prática pedagógicaRecursos lúdicos para a prática pedagógica 5151</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=AFx4ViEFjF8</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=AFx4ViEFjF8</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=AFx4ViEFjF8</p><p>https://catracalivre.com.br/cidadania/como-denunciar-abuso-infantil/</p><p>https://catracalivre.com.br/cidadania/como-denunciar-abuso-infantil/</p><p>https://catracalivre.com.br/cidadania/como-denunciar-abuso-infantil/</p><p>52 Educação Lúdica</p><p>Nas escolas de Educação Infantil brasileiras, o ato de desenhar está</p><p>sempre presente, mas à medida que as crianças crescem, tal atividade vai</p><p>sendo esquecida ou oportunizada somente nas aulas de Artes Visuais, o</p><p>que acaba limitando a possibilidade desse recurso lúdico. Não é incomum</p><p>que adultos de hoje digam que não gostam de desenhar, ou que não sa-</p><p>bem, porque a escola em que estudaram focou a atividade de desenho no</p><p>desenvolvimento de habilidades motoras (cópia de desenhos, inclusive) e</p><p>não na compreensão do desenho como uma atividade prazerosa, criativa</p><p>e de crescimento cognitivo e emocional (BRASIL, 1998).</p><p>Assim, é válido destacar que o desenho como recurso de ludicidade</p><p>pode ser usado com crianças de várias idades e níveis de ensino, basta</p><p>que o professor possa encontrar atividades desafiadoras que permi-</p><p>tam a expressão criativa dos seus alunos.</p><p>É importante também que o professor conheça o percurso do desen-</p><p>volvimento do desenho infantil. À proporção que as crianças crescem,</p><p>seus desenhos vão se alterando, porque as próprias crianças (cognitiva,</p><p>motora e emocionalmente) também</p><p>vão. Isso também é percebido na for-</p><p>ma como registram suas impressões do mundo em que vivem. Piaget e</p><p>Inhelder (1993) caracterizaram algumas etapas pelas quais passa o dese-</p><p>nho infantil, as quais estão dispostas resumidamente a seguir.</p><p>Etapas</p><p>Faixa etária</p><p>aproximada</p><p>Características</p><p>Garatuja A partir de 1 ano</p><p>e meio</p><p>A partir de 1 ano</p><p>e meio</p><p>(Continua)</p><p>Garatuja desordenada: a criança desenha por</p><p>prazer, sem se importar com cores ou formas.</p><p>Usa movimentos amplos desordenadamente,</p><p>podendo desenhar várias vezes no mesmo local,</p><p>sem explorar o espaço todo disponível. Exemplo:</p><p>Garatuja ordenada: começa a utilizar mais o espaço</p><p>disponível e tem mais compromisso com as formas</p><p>do que com as cores. Normalmente desenha o que</p><p>pensa sobre os objetos e pode alterar a proposta</p><p>do desenho no decorrer do processo (começa</p><p>desenhando uma coisa e depois muda o objeto à</p><p>medida que o desenho avança). Exemplo:</p><p>KayaMe/Shutterstock</p><p>Kate Si/Shutterstock</p><p>Quadro 1</p><p>Etapas do desenho infantil 1</p><p>Pedimos especial cuidado</p><p>a você, leitor, pois o qua-</p><p>dro e as fotos são apenas</p><p>um referencial para</p><p>seus estudos e trabalho</p><p>docente, porque algumas</p><p>síndromes, dificuldades,</p><p>habilidades ou mesmo</p><p>características individuais</p><p>de determinadas crianças</p><p>podem fazer com que o</p><p>traçado do desenho seja</p><p>diferente das idades a</p><p>que foi relacionado.</p><p>1</p><p>Recursos lúdicos para a prática pedagógica 53</p><p>Etapas</p><p>Faixa etária</p><p>aproximada</p><p>Características</p><p>Pré-</p><p>-esquematismo</p><p>Desenhos com algumas formas</p><p>escolhidas, pode haver inserção de letras,</p><p>não respeita a proporção, a ocupação</p><p>do espaço é desordenada, embora mais</p><p>ampla que o período anterior. Exemplo:</p><p>Stephan Schlachter/Shutterstock</p><p>Aproximadamente</p><p>dos 2 aos 4 anos</p><p>Realismo</p><p>O desenho começa a ter outro caráter,</p><p>incluindo sobreposição, planos diferentes,</p><p>detalhes, adequação maior à questão das</p><p>cores e formas. Diferenciação de gene nos</p><p>desenhos. Exemplo:</p><p>pixeldreams.eu/Shutterstock</p><p>Aproximadamente</p><p>dos 6 aos 10 anos</p><p>Pseudo</p><p>-naturalista</p><p>Fase da consciência visual e da autocrítica.</p><p>Os desenhos são planejados e representam</p><p>também realismos, objetividade, mas também a</p><p>subjetividade. Geralmente as cores seguem os</p><p>parâmetros estabelecidos no mundo real (a não</p><p>ser quando é intencional não o fazer). Exemplo:</p><p>sasha_stozhko/Shutterstock</p><p>10 anos em diante</p><p>Representa os objetos com alguns traços e</p><p>símbolos simples que não são muito realistas,</p><p>mas já se percebe alguma relação entre desenho,</p><p>pensamento e realidade, embora o uso de</p><p>cores seja por preferência. Cria esquemas</p><p>representativos ao desenhar objetos de várias</p><p>categorias, por exemplo, pessoas, flores, árvores.</p><p>Exemplo:</p><p>Coltty/Shutterstock</p><p>Esquematismo</p><p>Aproximadamente</p><p>dos 4 anos</p><p>aos 6 anos</p><p>Fonte: Elaborado pela autora com base em Piaget e Inhelder, 1993.</p><p>O desenvolvimento infantil está amplamente relacionado às produções e à</p><p>maturação cognitiva das crianças, inclusive suas produções gráficas, como</p><p>os desenhos. Mas não há como esgotar o assunto em um espaço diminuto.</p><p>É preciso sempre estudar e aprofundar os temas para compreendê-los na</p><p>sua grandiosidade. Para isso, sugiro a leitura do artigo Desenho infantil: fases</p><p>evolutivas e expressões significativas, que apresenta uma visão interessante</p><p>sobre o tema.</p><p>Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>http://www.cp2.g12.br/ojs/index.php/cadernos/article/view/2742</p><p>Artigo</p><p>http://www.cp2.g12.br/ojs/index.php/cadernos/article/view/2742</p><p>54 Educação Lúdica</p><p>Ter um parâmetro do que se espera em determinada idade ajuda</p><p>o professor a conhecer melhor seus alunos. Um dos pontos presentes</p><p>no contexto do desenho infantil são os elogios que os professores ex-</p><p>pressam quando as crianças mostram seu trabalho realizado. Não é</p><p>incomum que professores façam os mais variados elogios, e queremos</p><p>destacar que é sempre bom elogiar a criança, pois isso ajuda na cons-</p><p>trução da sua autoestima. A questão aqui é que algumas frases escolhi-</p><p>das podem ser inadequadas, porque comunicam sobre capacidades e</p><p>habilidades e não sobre esforço e dedicação, como deveriam ser.</p><p>Geralmente, elogios que indicam juízo de valor fazem com que a</p><p>criança realize a atividade somente para agradar ao professor, usando</p><p>cores e formas que sabe que serão bem recebidas. Pior ainda quan-</p><p>do o professor usa como exemplo um desenho de alguma criança,</p><p>indicando que essa sim conseguiu alcançar as expectativas dele. Ora,</p><p>lembre-se de que é muito importante para a criança a aceitação de</p><p>seu professor, por outro lado, o desenho é uma construção que toca a</p><p>emoção da criança também. Assim, o que dizer de um professor que,</p><p>após ver o desenho da criança, considera-o inadequado ou insuficien-</p><p>te? A criança se sentirá muito mal. Por outro lado, aquela criança que</p><p>teve sua produção super elogiada terá seu ego inflado, podendo ter</p><p>uma percepção inadequada da situação, fazendo até com que vínculos</p><p>de amizade não se fortaleçam (porque será apontada como a “queridi-</p><p>nha” da professora, por exemplo).</p><p>Recorde a introdução deste capítulo, quando a criança desenhou o</p><p>bolo do aniversário da festa surpresa da sua professora. Será que se a</p><p>professora tivesse questionado na frente de todas as crianças, expondo</p><p>o desenho da Amanda, teria tido um resultado favorável ao desenvolvi-</p><p>mento emocional da criança? Por outro lado, conduzindo as coisas com</p><p>calma, descobriu que a pequena desenhista tinha feito um registro de</p><p>algo que era emocionalmente muito relevante para ela e, ao explicá-lo</p><p>para os demais alunos, o desenho ficou compreendido por todos.</p><p>Para evitar julgamentos ou o uso inadequado dessa valiosa ferramenta</p><p>do desenho, o professor precisa compreender que o registro do desenho</p><p>infantil passa pela percepção que a criança tem sobre os fatos. Assim, a</p><p>criança desenha o que ela percebe, o que é (ou foi) significativo para ela.</p><p>É comum os professores</p><p>elogiarem as atividades</p><p>infantis expressando seu</p><p>próprio ponto de vista</p><p>ou gosto pessoal, como</p><p>as frases “eu gostei”, “eu</p><p>acho que está bonito”.</p><p>Mas essa não é a melhor</p><p>forma de elogiar. Tem dú-</p><p>vidas sobre quais elogios</p><p>resultam em melhoria</p><p>para as crianças? Acesse o</p><p>artigo Os melhores elogios</p><p>para as crianças e conheça</p><p>algumas possibilidades.</p><p>Disponível em: https://</p><p>br.guiainfantil.com/materias/</p><p>educacao/valoresos-</p><p>melhores-elogios-para-as-</p><p>criancas/#:~:text=%2D%20</p><p>Voc%C3%AA%20</p><p>%C3%A9%20um%20filho%20</p><p>maravilhoso,est%C3%A1%20</p><p>fazendo%20isso%20muito%20</p><p>melhor. Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>Leitura</p><p>Agora analise sob seu</p><p>ponto de vista. Se fosse</p><p>você a professora em</p><p>questão, como teria rea-</p><p>gido se seu aluno tivesse</p><p>feito um desenho da mes-</p><p>ma forma que a Amanda</p><p>fez e você se deparasse</p><p>com um desenho todo</p><p>riscado de preto? Após</p><p>ler este capítulo, mudaria</p><p>sua ação?</p><p>Para refletir</p><p>https://br.guiainfantil.com/materias/educacao/valoresos-melhores-elogios-para-as-criancas/#:~:text=%2D%20Voc%C3%AA%20%C3%A9%20um%20filho%20maravilhoso,est%C3%A1%20fazendo%20isso%20muito%20melhor</p><p>https://br.guiainfantil.com/materias/educacao/valoresos-melhores-elogios-para-as-criancas/#:~:text=%2D%20Voc%C3%AA%20%C3%A9%20um%20filho%20maravilhoso,est%C3%A1%20fazendo%20isso%20muito%20melhor</p><p>https://br.guiainfantil.com/materias/educacao/valoresos-melhores-elogios-para-as-criancas/#:~:text=%2D%20Voc%C3%AA%20%C3%A9%20um%20filho%20maravilhoso,est%C3%A1%20fazendo%20isso%20muito%20melhor</p><p>https://br.guiainfantil.com/materias/educacao/valoresos-melhores-elogios-para-as-criancas/#:~:text=%2D%20Voc%C3%AA%20%C3%A9%20um%20filho%20maravilhoso,est%C3%A1%20fazendo%20isso%20muito%20melhor</p><p>https://br.guiainfantil.com/materias/educacao/valoresos-melhores-elogios-para-as-criancas/#:~:text=%2D%20Voc%C3%AA%20%C3%A9%20um%20filho%20maravilhoso,est%C3%A1%20fazendo%20isso%20muito%20melhor</p><p>https://br.guiainfantil.com/materias/educacao/valoresos-melhores-elogios-para-as-criancas/#:~:text=%2D%20Voc%C3%AA%20%C3%A9%20um%20filho%20maravilhoso,est%C3%A1%20fazendo%20isso%20muito%20melhor</p><p>https://br.guiainfantil.com/materias/educacao/valoresos-melhores-elogios-para-as-criancas/#:~:text=%2D%20Voc%C3%AA%20%C3%A9%20um%20filho%20maravilhoso,est%C3%A1%20fazendo%20isso%20muito%20melhor</p><p>https://br.guiainfantil.com/materias/educacao/valoresos-melhores-elogios-para-as-criancas/#:~:text=%2D%20Voc%C3%AA%20%C3%A9%20um%20filho%20maravilhoso,est%C3%A1%20fazendo%20isso%20muito%20melhor</p><p>https://br.guiainfantil.com/materias/educacao/valoresos-melhores-elogios-para-as-criancas/#:~:text=%2D%20Voc%C3%AA%20%C3%A9%20um%20filho%20maravilhoso,est%C3%A1%20fazendo%20isso%20muito%20melhor</p><p>https://br.guiainfantil.com/materias/educacao/valoresos-melhores-elogios-para-as-criancas/#:~:text=%2D%20Voc%C3%AA%20%C3%A9%20um%20filho%20maravilhoso,est%C3%A1%20fazendo%20isso%20muito%20melhor</p><p>Recursos lúdicos para a prática pedagógica 55</p><p>De fato, é preciso olhar com atenção para o registro que as crian-</p><p>ças fazem, sem um pré-julgamento. Especialmente na questão “feio”,</p><p>“bonito” ou o famoso “eu gostei” que a professora pode ser tentada a</p><p>manifestar. As crianças sempre têm o que nos contar sobre seus dese-</p><p>nhos, sobre suas visões da realidade e estar atento a isso é muito im-</p><p>portante. Desenhos não são bonitos ou feios. Desenhos são leituras da</p><p>realidade da forma que a pessoa em questão consegue fazer naquele</p><p>momento. “O desenho da criança não é apenas a representação pura,</p><p>visual do objeto e sim uma representação baseada na experiência que</p><p>a criança possui em particular, na qual deixa expressa as suas emo-</p><p>ções” (GUIMARAES; COLESANTI, 2007, p. 29).</p><p>Agora que já pudemos refletir sobre as diferentes funções do de-</p><p>senho e sua importância no espaço escolar, conheceremos algumas</p><p>situações em que o desenho pode ser usado como uma ferramenta</p><p>para a aprendizagem, a ser usada com várias idades, dependendo do</p><p>encaminhamento do professor.</p><p>Figura 1</p><p>Desenho como uma ferramenta para a aprendizagem</p><p>Desenho e</p><p>aprendizagem</p><p>Desenhos com</p><p>areia e cola</p><p>Desenhos</p><p>naturais</p><p>Desenhos e</p><p>narrativas</p><p>Desenho com</p><p>interferência</p><p>As crianças desenham com cola (líquida ou bastão) e</p><p>depois jogam areia por cima, para ver o que criaram.</p><p>Usando pigmentos naturais para desenhar (açafrão,</p><p>beterraba, carvão, folhas verdes).</p><p>Em fila, cada criança faz uma parte do desenho, ao sinal do</p><p>professor, passa a folha para o próximo aluno, que continua o</p><p>desenho. Ao final, a equipe apresenta sua obra.</p><p>Faberr Ink/Shutterstock (Continua)</p><p>1. Com base em uma</p><p>história contada pela</p><p>professora ou outra</p><p>criança, todos vão</p><p>desenhando.</p><p>2. Pode ser feito</p><p>com base em uma</p><p>contação de história</p><p>sem imagens, por</p><p>exemplo.</p><p>3. Retratar vivências do</p><p>fim de semana e contar</p><p>sobre o que fez usando</p><p>o desenho como base.</p><p>56 Educação Lúdica</p><p>Desenho e</p><p>aprendizagem</p><p>Desenho com</p><p>observação da natureza</p><p>Desenho em</p><p>perspectiva</p><p>Desenhando em</p><p>parceria</p><p>Desenhos de</p><p>preferências</p><p>Após um passeio, retratar elementos que</p><p>percebeu na natureza.</p><p>Após a atividade anterior, em outro momento, retratar</p><p>elementos da natureza sobre diferentes pontos de vista:</p><p>flores próximas e distantes; embaixo das árvores.</p><p>Em duplas, compondo um desenho após narrativa ouvida,</p><p>ou criando narrativas com composição de desenho.</p><p>Desenhar opções que são preferências dos alunos: tipos de</p><p>música, alimentos, trajes, locais.</p><p>Faberr Ink/ShutterstockFonte: Elaborada pela autora com base em Santos; Diel, 2020.</p><p>Além dessas sugestões, os desenhos também podem servir para:</p><p>Registro de viagens, passeios ou datas comemorativas.</p><p>Noções de mapeamento.</p><p>Escrever uma carta só com desenhos, como se fossem emojis.</p><p>Desenho de problemas envolvendo noções matemáticas.</p><p>Planificação.</p><p>Ler desenhos, descobrindo nomes de filmes com emojis.</p><p>(Continua)</p><p>Às vezes o professor</p><p>conhece uma estratégia,</p><p>mas não tem certeza de</p><p>como montar um plano</p><p>de aula eficiente com ela.</p><p>Se você também tem essa</p><p>dificuldade, acesse a pá-</p><p>gina e conheça 12 opções</p><p>de plano de aulas prontos</p><p>para te ajudar na tarefa</p><p>de incrementar suas aulas</p><p>com atividades lúdicas</p><p>envolvendo desenho.</p><p>Disponível em: https://novaescola.</p><p>org.br/conteudo/19390/</p><p>desenho-para-criancas-12-planos-</p><p>de-atividade-para-usar-ate-no-</p><p>ensino-remoto. Acesso em: 3 nov.</p><p>2022.</p><p>Leitura</p><p>In</p><p>fo</p><p>gr</p><p>áfi</p><p>co</p><p>: F</p><p>ab</p><p>er</p><p>r I</p><p>nk</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>-</p><p>Íc</p><p>on</p><p>es</p><p>: C</p><p>ol</p><p>or</p><p>lif</p><p>e/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/19390/desenho-para-criancas-12-planos-de-atividade-para-usar-ate-no-ensino-remoto</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/19390/desenho-para-criancas-12-planos-de-atividade-para-usar-ate-no-ensino-remoto</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/19390/desenho-para-criancas-12-planos-de-atividade-para-usar-ate-no-ensino-remoto</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/19390/desenho-para-criancas-12-planos-de-atividade-para-usar-ate-no-ensino-remoto</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/19390/desenho-para-criancas-12-planos-de-atividade-para-usar-ate-no-ensino-remoto</p><p>Recursos lúdicos para a prática pedagógicaRecursos lúdicos para a prática pedagógica 5757</p><p>Desenho e</p><p>aprendizagem</p><p>Desenho com</p><p>observação da natureza</p><p>Desenho em</p><p>perspectiva</p><p>Desenhando em</p><p>parceria</p><p>Desenhos de</p><p>preferências</p><p>Após um passeio, retratar elementos que</p><p>percebeu na natureza.</p><p>Após a atividade anterior, em outro momento, retratar</p><p>elementos da natureza sobre diferentes pontos de vista:</p><p>flores próximas e distantes; embaixo das árvores.</p><p>Em duplas, compondo um desenho após narrativa ouvida,</p><p>ou criando narrativas com composição de desenho.</p><p>Desenhar opções que são preferências dos alunos: tipos de</p><p>música, alimentos, trajes, locais.</p><p>Faberr Ink/ShutterstockFonte: Elaborada pela autora com base em Santos; Diel, 2020.</p><p>Além dessas sugestões, os desenhos também podem servir para:</p><p>Registro de viagens, passeios ou datas comemorativas.</p><p>Noções de mapeamento.</p><p>Escrever uma carta só com desenhos, como se fossem emojis.</p><p>Desenho de problemas envolvendo noções matemáticas.</p><p>Planificação.</p><p>Ler desenhos, descobrindo nomes de filmes com emojis.</p><p>(Continua)</p><p>Às vezes o professor</p><p>conhece uma estratégia,</p><p>mas não tem certeza de</p><p>como montar um plano</p><p>de aula eficiente com ela.</p><p>Se você também tem essa</p><p>dificuldade, acesse a pá-</p><p>gina e conheça 12 opções</p><p>de plano de aulas prontos</p><p>para te ajudar na tarefa</p><p>de incrementar suas aulas</p><p>com atividades lúdicas</p><p>envolvendo desenho.</p><p>Disponível em: https://novaescola.</p><p>org.br/conteudo/19390/</p><p>desenho-para-criancas-12-planos-</p><p>de-atividade-para-usar-ate-no-</p><p>ensino-remoto. Acesso em: 3 nov.</p><p>2022.</p><p>Leitura</p><p>In</p><p>fo</p><p>gr</p><p>áfi</p><p>co</p><p>: F</p><p>ab</p><p>er</p><p>r I</p><p>nk</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>-</p><p>Íc</p><p>on</p><p>es</p><p>: C</p><p>ol</p><p>or</p><p>lif</p><p>e/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>1Faberr Ink/Shutterstock - 2Colorlife/Shutterstock1</p><p>Compor crachás ou cartazes desenhando sua emoção naquele</p><p>momento (escolhendo um desenho que lhe represente).</p><p>Jogos da memória e demais jogos de tabuleiro (lince, dominó,</p><p>quebra-cabeça) criados com desenhos dos alunos.</p><p>As opções dadas aqui servem como início de um trabalho, mas não</p><p>como limitação dele. O professor precisará olhar para o desenho como</p><p>uma atividade lúdica com muito potencial para ajudar na aprendizagem</p><p>dos mais variados conteúdos, bem como o desenvolvimento de muitas</p><p>capacidades. Lembre-se de que para desenhar não usamos só a motri-</p><p>cidade, usamos a parte cognitiva e a emocional também. Com isso es-</p><p>tabelecido, varie na posição: desenhar em pé (especialmente para os</p><p>pequenos), deitado no chão, nas paredes (cubra com papel ou use tinta</p><p>lavável), e varie nos materiais: pincel, tintas variadas, rolos de pintura,</p><p>giz de cera, caneta, lápis grafite, lápis de cor, giz de quadro. São muitas</p><p>opções e variedades para você fazer um maravilhoso trabalho lúdico.</p><p>3.2 Aprendendo com animações</p><p>Vídeo</p><p>Uma história bem contada atrai a atenção de pessoas de todas as</p><p>idades. Quando essa história é contada de maneira lúdica, como numa</p><p>animação feita para cinema, TV ou mídias digitais, a possibilidade de</p><p>interesse só tende a aumentar. São inúmeros os exemplos de histórias</p><p>que foram contadas por meio de animações infantis e conquistaram</p><p>adultos, jovens e crianças. Por animações entendemos filmes e dese-</p><p>nhos realizados com o auxílio da tecnologia. Você pode opinar relem-</p><p>brando qual é sua animação infantil favorita nesse universo.</p><p>1</p><p>t</p><p>om</p><p>es</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>-</p><p>2 V</p><p>ki</p><p>Ve</p><p>ct</p><p>or</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>-</p><p>3 Y</p><p>um</p><p>m</p><p>yB</p><p>uu</p><p>m</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>-</p><p>4 N</p><p>at</p><p>yk</p><p>ac</p><p>h</p><p>N</p><p>at</p><p>al</p><p>iia</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>12</p><p>3</p><p>3</p><p>4</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/19390/desenho-para-criancas-12-planos-de-atividade-para-usar-ate-no-ensino-remoto</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/19390/desenho-para-criancas-12-planos-de-atividade-para-usar-ate-no-ensino-remoto</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/19390/desenho-para-criancas-12-planos-de-atividade-para-usar-ate-no-ensino-remoto</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/19390/desenho-para-criancas-12-planos-de-atividade-para-usar-ate-no-ensino-remoto</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/19390/desenho-para-criancas-12-planos-de-atividade-para-usar-ate-no-ensino-remoto</p><p>58 Educação Lúdica</p><p>De fato, as animações infantis ao longo dos anos passaram por</p><p>diferentes mudanças proporcionadas pela tecnologia e as histórias</p><p>contadas cada vez mais enlaçam o telespectador. Você imaginava ver</p><p>dinossauros tão realistas como nos filmes da franquia Jurassic Park?</p><p>Juntando esse realismo decorrente dos avanços tecnológicos com o</p><p>fato de a cultura da imagem ser bastante presente na nossa realidade,</p><p>temos uma equação cujo resultado aproxima as pessoas dos filmes,</p><p>fazendo com que muitos deles sejam sucesso de público e crítica espe-</p><p>cializada (PELEGRINI, 2003).</p><p>Com tanto sucesso, as diferentes formas de animação invadiram o am-</p><p>biente escolar, seja porque os professores utilizam seus vídeos, seja porque</p><p>as crianças comentam ou porque alguns personagens são tão marcantes</p><p>que têm jargões e comportamento repetidos na sociedade e consequen-</p><p>temente no ambiente escolar. Ao frequentarmos escolas, podemos encon-</p><p>trar crianças e jovens cantando as músicas dos filmes, dançando como os</p><p>personagens ou repetindo falas e trejeitos apresentados nas animações.</p><p>O sucesso das animações infanto-juvenis, portanto, não ficou restrito ao</p><p>ambiente social e se faz presente também no ambiente escolar.</p><p>O vídeo (aqui entendido como cultura audiovisual que engloba tam-</p><p>bém as animações) é um poderoso elemento da cultura contemporânea,</p><p>porque fornece elementos que nos encantam, que tornam possível a pro-</p><p>jeção de outras realidades, outras épocas, fantasiosas ou não, que nos</p><p>fazem viajar entre mundos e ideias combinando a comunicação sensorial</p><p>com a lógica, o emocional e a razão (MORAN, 1995). O uso das animações</p><p>permite que a criança exercite suas competências socioemocionais, uma</p><p>vez que vive a situação que o personagem está vivendo, com seus dilemas,</p><p>escolhas, dificuldades e consequências, além, claro, de oportunizar situa-</p><p>ções em que a criança pode desenvolver seu senso crítico.</p><p>Observe, porém, que quando destacamos o uso de animações na esco-</p><p>la, não estamos tratando do simples ato de colocar um filme (geralmente</p><p>muito longo) para distrair ou ocupar a criança (especialmente as peque-</p><p>nas da Educação Infantil) durante certo tempo. Algumas escolas fazem</p><p>isso de tal forma que as crianças ficam sonolentas ao assistir ao filme, ser-</p><p>vindo essa animação apenas para preencher lacunas de tempo e garantir</p><p>que por alguns momentos as crianças estejam distraídas (MORAN, 1995).</p><p>Os filmes que reviveram</p><p>os dinossauros com uma</p><p>semelhança impressio-</p><p>nante começaram em</p><p>1993, com Jurassic Pak,</p><p>que teve duas sequências,</p><p>totalizando três filmes.</p><p>Depois foi criada a trilogia</p><p>Jurassic World, como parte</p><p>da mesma temática. Se</p><p>você não viu, vale muito à</p><p>pena. Atente-se para a fai-</p><p>xa etária, porque não são</p><p>filmes para crianças muito</p><p>pequenas, mas podem</p><p>ser uma opção para o</p><p>trabalho com adolescen-</p><p>tes, por exemplo. Você vai</p><p>encontrar reflexões sobre</p><p>a relação do homem com</p><p>a natureza, bem como</p><p>dilemas morais sobre limi-</p><p>tes da ciência. Saiba mais</p><p>sobre eles acessando o</p><p>link a seguir.</p><p>Disponível em: https://canaltech.</p><p>com.br/entretenimento/onde-</p><p>filmes-jurassic-park-jurassic-world-</p><p>dominio-218185/. Acesso em: 3</p><p>nov. 2022.</p><p>Leitura</p><p>https://canaltech.com.br/entretenimento/onde-filmes-jurassic-park-jurassic-world-dominio-218185/</p><p>https://canaltech.com.br/entretenimento/onde-filmes-jurassic-park-jurassic-world-dominio-218185/</p><p>https://canaltech.com.br/entretenimento/onde-filmes-jurassic-park-jurassic-world-dominio-218185/</p><p>https://canaltech.com.br/entretenimento/onde-filmes-jurassic-park-jurassic-world-dominio-218185/</p><p>Recursos lúdicos para a prática pedagógica 59</p><p>Esse não é um bom exemplo quando estamos falando de recurso peda-</p><p>gógico. Para ser considerado como ação pedagógica, o uso de animação</p><p>precisa ter intencionalidade educativa.</p><p>É verdade que há momentos em que queremos oferecer só diver-</p><p>são às crianças, e as animações podem servir para isso, de modo a</p><p>serem apreciadas apenas por seu lado artístico; mas este capítulo tem</p><p>seu foco no trabalho educativo, que envolve além da diversão, ensina-</p><p>mento, aprendizado, reflexão e consequentemente crescimento, por</p><p>isso estamos considerando as animações como recurso pedagógico.</p><p>Mas é relevante registrar que como obra de arte a cultura audiovisual</p><p>merece também ser compreendida e apreciada.</p><p>A intenção do ato educativo faz com que a escolha dos filmes e ani-</p><p>mações seja usada com estratégias e temáticas que possam funcionar</p><p>como um recurso lúdico promotor do desenvolvimento infantil, fazen-</p><p>do com que a criança se conecte tanto ao que está sendo dito quanto</p><p>à forma escolhida para dizê-lo. Portanto, forma e conteúdo são os dife-</p><p>renciais que fazem uma animação ter mais sucesso que outra e servir a</p><p>diferentes propósitos educativos.</p><p>É possível, portanto, utilizar as animações infantis para ensinar. E não</p><p>há limite de idade para isso, engana-se quem acha que animações são</p><p>possibilidades de aprendizagem apenas para crianças pequenas. Não!</p><p>É possível utilizar animações e discutir temas relevantes para, digamos</p><p>assim, crianças de todas as idades (considerando que todos os adultos já</p><p>foram crianças um dia e que seu lado lúdico permanece durante a vida</p><p>toda). A indústria do entretenimento tem muitas opções de desenhos</p><p>infantis que podem ser usados na escola como recursos para o desen-</p><p>volvimento de competências, habilidades e para o ensino de alguns con-</p><p>teúdos. Mas tem que se pensar que a escola precisa fornecer elementos</p><p>para o aluno pensar sobre o que está vendo, refletir sobre atitudes dos</p><p>personagens, atribuindo significado àquilo que está sendo mostrado.</p><p>A escola precisa deixar de ser meramente uma agência transmis-</p><p>sora de informação e transformar-se num lugar de análises críti-</p><p>cas e produção da informação, onde o conhecimento possibilita</p><p>a atribuição de significado à informação. Nessa escola os alunos</p><p>aprendem a buscar a informação (nas aulas, no livro didático,</p><p>na TV, no rádio, no jornal, nos vídeos, no computador etc.) e os</p><p>É importante que o</p><p>professor conheça alguns</p><p>desenhos animados</p><p>para trabalhar diferentes</p><p>temas com as crianças.</p><p>Neste site há uma relação</p><p>interessante apresentan-</p><p>do algumas sugestões de</p><p>desenho e as temáticas</p><p>que podem ser desenvol-</p><p>vidas com eles. Assim, se</p><p>você quer ideias de dese-</p><p>nhos infantis que podem</p><p>lhe ajudar a trabalhar</p><p>temas variados com as</p><p>crianças, acesse.</p><p>Disponível em: https://incrivel.club/</p><p>inspiracao-criancas/20-desenhos-</p><p>animados-inspiradores-que-</p><p>podem-ensinar-licoes-valiosas-as-</p><p>criancas-1091310/. Acesso em: 3</p><p>nov. 2022.</p><p>Site</p><p>A série Hilda, feita em</p><p>formato de desenho</p><p>animado, retrata uma</p><p>menina que foi criada</p><p>numa floresta, rodeada de</p><p>criaturas fantásticas, e, em</p><p>determinado momento,</p><p>por uma decisão familiar,</p><p>precisa mudar para a ci-</p><p>dade grande. Essa grande</p><p>mudança em sua vida</p><p>ensina sobre amizade e</p><p>diferenças.</p><p>Direção: Andy Coyle. EUA: Silvergate</p><p>Media Mercury Filmworks, 2018.</p><p>Série</p><p>https://incrivel.club/inspiracao-criancas/20-desenhos-animados-inspiradores-que-podem-ensinar-licoes-valiosas-as-criancas-1091310/</p><p>https://incrivel.club/inspiracao-criancas/20-desenhos-animados-inspiradores-que-podem-ensinar-licoes-valiosas-as-criancas-1091310/</p><p>https://incrivel.club/inspiracao-criancas/20-desenhos-animados-inspiradores-que-podem-ensinar-licoes-valiosas-as-criancas-1091310/</p><p>ao falar e ao agir tornam o convívio humano, e por consequência a vida</p><p>das pessoas da época, descontraído, divertido, acolhedor e agradável</p><p>(LAUAND, 1991). Tais palavras podem parecer óbvias para nós, na con-</p><p>temporaneidade, porém é relevante destacar que elas foram proferi-</p><p>das e escritas entre os anos 1201 e 1300 1 .</p><p>Dessa forma, até o século XIII havia duas palavras que se aproxima-</p><p>vam do que entendemos hoje por ludicidade: jocus, em latim, utilizada</p><p>para jogos de palavras, enigmas, e ludus, que era empregada para jo-</p><p>gos não verbais que envolviam ação e movimento das pessoas. Após o</p><p>século XIII, as duas palavras se aproximaram no significado, tornando-</p><p>-se sinônimas, com o uso maior do termo ludus (DATNER, 2006).</p><p>Portanto, ludicidade é uma palavra oriunda do termo ludus, que sig-</p><p>nifica jogo, jogar, e essa etimologia está ligada a divertimento, lazer,</p><p>liberdade e movimento.</p><p>Há uma consideração importante a ser feita sobre a ludicidade: ela</p><p>não é vivenciada somente pela humanidade (HUIZINGA, 2005). Se essa</p><p>afirmação lhe causa estranhamento, tomaremos de exemplo uma ni-</p><p>nhada de cachorrinhos brincando, ou mesmo leões. Obviamente, são</p><p>categorias de animais diferentes, os domésticos e os selvagens, e assim</p><p>mesmo em ambas as espécies (e em muitas outras) é possível observar-</p><p>mos momentos de lazer, de brincadeiras, de jogos e diversão. Nessas</p><p>ações, os envolvidos permitem aproximações e entregam-se às brin-</p><p>cadeiras naturalmente, sem combinar as regras, e todos se divertem.</p><p>Os animais não precisaram do homem para aprender a brincar li-</p><p>vremente (embora seja claro que homem e animal possam fazê-lo),</p><p>mas o destaque aqui está sendo dado ao fato de que também é ineren-</p><p>te aos animais a capacidade de brincar e de expressar-se pelo lúdico.</p><p>Então, pode-se afirmar que os animais e os homens se relacionam com</p><p>suas espécies também por meio do aspecto lúdico. Esse relacionamen-</p><p>to é um impulso natural dos seres vivos em geral, algo que não é ex-</p><p>plicado pela razão. Desse modo, o aspecto lúdico aqui equiparado ao</p><p>jogo, sendo parte da natureza dos seres humanos e dos animais, pode</p><p>ser considerado mais antigo que o próprio conceito de cultura, uma</p><p>vez que a cultura é inerente à humanidade (HUIZINGA, 2005). “O jogo</p><p>é fato mais antigo que a cultura, pois esta, mesmo em suas definições</p><p>Tomás de Aquino foi</p><p>padre e professor na</p><p>Idade Média, principal</p><p>representante da Esco-</p><p>lástica. Nesse período</p><p>havia grande produção</p><p>filosófica, predominante-</p><p>mente para a divulgação</p><p>de valores e preceitos</p><p>da Igreja Católica. Foi</p><p>declarado Santo por essa</p><p>doutrina em 1323.</p><p>1</p><p>A informação de que os</p><p>animais também têm</p><p>um aspecto lúdico lhe</p><p>surpreendeu? Neste</p><p>pequeno vídeo você</p><p>encontrará um exemplo</p><p>de um leão brincando</p><p>com seu filhote. Observe</p><p>que não há nenhum</p><p>ensinamento sobre o que</p><p>fazer, simplesmente se</p><p>entregam à diversão, do</p><p>jeito deles, claro!</p><p>Disponível em: https://</p><p>www.youtube.com/</p><p>watch?v=eYJOrQakw6s. Acesso em:</p><p>26 out. 2022.</p><p>Vídeo</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=eYJOrQakw6s</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=eYJOrQakw6s</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=eYJOrQakw6s</p><p>menos rigorosas, pressupõe sempre a sociedade humana; mas, os ani-</p><p>mais não esperaram que os homens os iniciassem na atividade lúdica.</p><p>[...] Os animais brincam tal como os homens” (HUIZINGA, 2005, p. 4).</p><p>O lúdico é uma força da natureza presente nas diferentes espécies.</p><p>A ludicidade não é algo que foi inventado pelo homem. É algo que</p><p>faz parte da sua natureza. Esse entendimento é fundamental para que</p><p>possamos compreender a influência do lúdico no processo de desenvol-</p><p>vimento humano, inclusive nos processos educacionais sistematizados,</p><p>dos quais o ambiente escolar é o principal representante.</p><p>A ludicidade é uma experiência que pressupõe muitas relações.</p><p>Para as pessoas, a experiência com o lúdico feita de diferentes formas</p><p>é mais que apenas um fenômeno fisiológico (por exemplo, exercícios</p><p>para melhorar sua respiração ou desenvolver partes do corpo) ou psi-</p><p>cológico (cujo valor emocional pode se revelar), é uma experiência mui-</p><p>to mais ampla, que apresenta em si mesma um significado que por</p><p>vezes abrange a fisiologia (faz bem ao corpo) e a psicologia (faz bem</p><p>à mente), mas está sempre envolto numa complexidade de relações e</p><p>vários sentimentos individuais (LUKESI, 2000).</p><p>O ser humano, quando age ludicamente, vivencia uma experiên-</p><p>cia plena. [...] Enquanto estamos participando verdadeiramente</p><p>de uma atividade lúdica, não há lugar, na nossa experiência, para</p><p>qualquer outra coisa além dessa própria atividade. [...] Ludicida-</p><p>de, a meu ver, é um fenômeno interno do sujeito, que possui</p><p>manifestações no exterior. (LUKESI, 2000, p. 21)</p><p>Assim sendo, é possível compreender o aspecto lúdico como um fe-</p><p>nômeno interno que desperta diferentes reações e senti-</p><p>mentos nas pessoas. Tendo a atividade</p><p>lúdica a intenção de ser recreação,</p><p>competição, lazer ou reflexão so-</p><p>bre determinado tema, e mesmo</p><p>que seja realizada em grupo, uma</p><p>grande parte dos senti-</p><p>mentos despertados por</p><p>ela sempre será particu-</p><p>lar, própria de cada pes-</p><p>J</p><p>ac</p><p>ob</p><p>L</p><p>un</p><p>d/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Ludicidade humana: autoconhecimento e socializaçãoLudicidade humana: autoconhecimento e socialização 1111</p><p>12 Educação Lúdica</p><p>soa, decorrente do que cada um já viveu e de como lida com o que está</p><p>sendo proposto.</p><p>Mesmo sendo atividades que se apresentam pelo caráter da di-</p><p>versão, há certa seriedade no jogo. Não a seriedade de uma ação</p><p>de trabalho, mas a seriedade do envolvimento, do comprometi-</p><p>mento com o que está sendo proposto. Quando vivem uma ex-</p><p>periência de ludicidade, as pessoas se envolvem numa atividade que</p><p>desperta prazer, que é diferente da vida real e que acontece dentro</p><p>de um tempo e espaço próprio, com regras para serem seguidas, mas</p><p>nem por isso há menos envolvimento ou aprendizagem numa expe-</p><p>riência lúdica. Na verdade, as atividades lúdicas podem funcionar como</p><p>para-raios de muitas emoções das pessoas, mesmo as que foram vi-</p><p>venciadas na infância.</p><p>“O jogo é uma atividade livre, conscientemente tomada como “não-séria” e</p><p>exterior à vida habitual, mas ao mesmo tempo capaz de absorver o jogador</p><p>de maneira intensa e total. É uma atividade desligada de todo e qualquer inte-</p><p>resse material, [...] praticada dentro de limites espaciais e temporais próprios,</p><p>segundo uma certa ordem”. (HUIZINGA, 2005, p. 13)</p><p>Tome por exemplo uma brincadeira muito comum na infância das</p><p>crianças brasileiras ao longo dos anos: a amarelinha. Dificilmente alguém</p><p>no Brasil não conhece ou não vivenciou essa brincadeira nas escolas ou</p><p>na cultura de seu bairro ou família, pois é um dos jogos mais tradicionais</p><p>da cultura brasileira. Digamos que hoje em dia um grupo de adultos seja</p><p>convidado a pular amarelinha como parte de um vivencial de ludicidade.</p><p>Os objetivos de tal proposta podem ser variados: aprender matemática</p><p>ou apenas reviver jogos de infância como parte do conhecimento cultural.</p><p>Mas o que verdadeiramente tal atividade significará para cada uma das</p><p>pessoas? Certamente diversão, risadas e movimento.</p><p>Porém internamente pode também despertar outros significados,</p><p>como o de poder (alguém pode lembrar que foi campeão de amareli-</p><p>nha quando era criança e isso lhe trará de volta a sensação da vitória)</p><p>ou de tristeza (pois pode suscitar a lembrança de um tempo vivido que</p><p>não pode ser retomado), e até a sensação de inferioridade, em quem</p><p>recorrentemente perdia nos desafios da infância (de amarelinha ou de</p><p>outros jogos) e isso desenvolveu nessa pessoa uma sensação de infe-</p><p>Ka</p><p>te</p><p>rin</p><p>a</p><p>Ch</p><p>ek</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Ludicidade humana: autoconhecimento e socialização 13</p><p>rioridade, que se manifesta também na vida adulta. Portanto, não há</p><p>como desmerecer a força de uma atividade lúdica. Não dá para con-</p><p>siderar como “só” uma atividade lúdica. É, sim, uma atividade muito</p><p>complexa, que envolve, desperta e permite reflexão, aciona memórias</p><p>e mexe com a emoção das pessoas envolvidas.</p><p>Analise que estamos refletindo sobre o fato de a ludicidade</p><p>https://incrivel.club/inspiracao-criancas/20-desenhos-animados-inspiradores-que-podem-ensinar-licoes-valiosas-as-criancas-1091310/</p><p>https://incrivel.club/inspiracao-criancas/20-desenhos-animados-inspiradores-que-podem-ensinar-licoes-valiosas-as-criancas-1091310/</p><p>60 Educação Lúdica</p><p>elementos cognitivos para analisá-la criticamente de darem a ela</p><p>um significado pessoal. (LIBÂNEO, 2004, p. 26)</p><p>A animação usada como recurso pedagógico pode funcionar como o</p><p>canal que oportuniza a reflexão sobre as situações retratadas. Há também</p><p>as questões de paradigmas da sociedade que foram sendo questionados</p><p>e muitas vezes alterados pela ação dos personagens. E ainda questões</p><p>presentes em nosso dia a dia, como a posição ocupada pela mulher na</p><p>sociedade, a questão intrínseca do racismo e de outros preconceitos, as</p><p>disputas de poder etc. De modo geral é possível dizer que o uso de anima-</p><p>ções nas escolas aproxima as crianças de reflexões e conteúdos envolven-</p><p>do as questões sociais, comportamentais e culturais presentes em nossa</p><p>sociedade, bem como na formação de valores dos povos.</p><p>Listaremos alguns passos que podem ajudar a desenvolver es-</p><p>tratégias pedagógicas adequadas ao uso de desenhos e animações</p><p>infantis. A figura a seguir mostra algumas opções de uso das anima-</p><p>ções nas salas de aula.</p><p>Na página Cartoonito há</p><p>muitos vídeos curtos,</p><p>próprios para crianças</p><p>da Educação Infantil e</p><p>disponíveis gratuitamente</p><p>para uso em sala de aula.</p><p>Seus alunos vão gostar</p><p>e você pode criar muitas</p><p>estratégias pedagógicas</p><p>para esse trabalho. Se</p><p>os seus alunos forem</p><p>do Ensino Fundamental,</p><p>acesse Cartoon Network e</p><p>crie muitas possibilidades</p><p>de trabalho com os vídeos</p><p>disponíveis.</p><p>Disponível em: https://cartoonito.</p><p>com.br/ e https://cnapp.</p><p>cartoonnetwork.com.br/shows.</p><p>Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>Site</p><p>Faberr Ink/Shutterstock</p><p>Animações</p><p>Ilustração</p><p>Sensibilização</p><p>Simulação</p><p>Conteúdo</p><p>propriamente dito</p><p>Expressão cultural</p><p>Para chamar a atenção dos alunos sobre algum tema, sendo a introdução</p><p>dos temas que serão posteriormente trabalhados pelo professor.</p><p>Quando apresenta uma evolução no tempo, envelhecimento das</p><p>pessoas, crescimento das plantas etc. Coisas que as crianças não</p><p>poderiam acompanhar, pois demanda observação de muito tempo.</p><p>Utilizando as animações como o conteúdo que será trabalhado, por</p><p>exemplo, racismo, temáticas envolvendo o papel das mulheres na</p><p>sociedade.</p><p>Possibilidade de o vídeo apresentar às crianças diferentes culturas e</p><p>suas variadas manifestações.</p><p>As animações ajudam a compor os cenários e épocas históricas desconhecidos</p><p>dos alunos. Mesmo que não seja totalmente fiel (pois muitas vezes é também</p><p>fantasioso), ajuda a situar os alunos no tempo histórico e traz para a escola</p><p>realidades desconhecidas das crianças, como outros continentes, espaços</p><p>brasileiros característicos etc.</p><p>Figura 2</p><p>Uso das animações em sala de aula</p><p>Fonte: Elaborada pela autora com base em Moran, 1995, p. 30-31.</p><p>https://cartoonito.com.br/</p><p>https://cartoonito.com.br/</p><p>https://cnapp.cartoonnetwork.com.br/shows</p><p>https://cnapp.cartoonnetwork.com.br/shows</p><p>Recursos lúdicos para a prática pedagógica 61</p><p>Trabalhar com uma animação na escola requer a organização de algumas</p><p>premissas. É preciso pensar, por exemplo, no que se deseja ao escolher essa</p><p>ou aquela animação como recurso pedagógico. Levantar temáticas relevan-</p><p>tes? Explorar o uso das cores feita pelo artista? Utilizar a animação para con-</p><p>textualizar um conteúdo? Essas perguntas precisam permear o trabalho de</p><p>planejamento dos professores, para que a escolha seja acertada, aí está uma</p><p>grande diferença das animações utilizadas como recurso pedagógico ou não.</p><p>São muitas as opções de trabalho com desenhos e animações. Como</p><p>esquecer Shrek, o famoso ogro que mesmo com hábitos não tão educados,</p><p>mostrou que era sensível e justo? Ou Fiona, a primeira princesa que alte-</p><p>rou o padrão de beleza até então existente? Como esquecer das princesas</p><p>guerreiras Merida e Mulan, que alteraram o estereótipo de mulheres como</p><p>seres frágeis? Como esquecer a amizade de Anna e Elsa, que brincando na</p><p>neve ensinaram sobre amor entre irmãs? Isso para citar somente alguns</p><p>exemplos mais conhecidos. Lembre-se de que se for usar uma animação</p><p>dessas, possivelmente será necessário dividir a apresentação do vídeo em</p><p>mais de uma exibição, para que não seja cansativo para as crianças.</p><p>Na sequência, destacamos algumas sugestões de animação curta-me-</p><p>tragem (para ser curta-metragem tem que ter, em média, menos de 40</p><p>minutos) que podem fazer parte das aulas para várias idades. O uso de</p><p>curta-metragens nas aulas apresenta aos alunos vídeos diferentes, além de</p><p>possibilitar o uso do vídeo completo em uma aula, pelo tempo reduzido de</p><p>exibição. É significativo dizer que isso depende da estratégia usada pelo do-</p><p>cente. Assim, é preciso assistir às animações com os olhos dos seus alunos,</p><p>para escolher aquela que pode adequar-se ao que você está planejando.</p><p>Quadro 2</p><p>Sugestões de curta-metragem</p><p>Vídeo DescriçãoOnde encontrar</p><p>Histórias da unha do dedão do</p><p>pé do fim do mundo</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=a-</p><p>HDwM3jebY</p><p>Apresenta poesias de Manoel de</p><p>Barros em forma de desenhos.</p><p>Calango https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=sx5ZQ73cUwA</p><p>Conta a história de um pequeno</p><p>calango que tenta caçar um</p><p>grilo para comer. Tudo no ritmo</p><p>de “brasileirinho”. Uma linda</p><p>animação.</p><p>(Continua)</p><p>Se o ponto que você</p><p>deseja abordar na escola</p><p>passa pelo tema da inclu-</p><p>são, não deixe de acessar</p><p>esse link que contém uma</p><p>série de pequenos vídeos</p><p>que tratam do assunto.</p><p>Cada um da sua maneira,</p><p>os curtas mostram a inclu-</p><p>são pelo ponto de vista da</p><p>criança. Imperdível para o</p><p>professor assistir e bolar</p><p>uma estratégia bem inte-</p><p>ressante para trabalhar</p><p>com eles e seus alunos.</p><p>Disponível em: https://</p><p>somostodosgigantes.com.</p><p>br/10-desenhos-animados-sobre-</p><p>inclusao-e-diferencas/. Acesso em:</p><p>31 ago. 2022.</p><p>Vídeo</p><p>Faberr Ink/Shutterstock</p><p>Animações</p><p>Ilustração</p><p>Sensibilização</p><p>Simulação</p><p>Conteúdo</p><p>propriamente dito</p><p>Expressão cultural</p><p>Para chamar a atenção dos alunos sobre algum tema, sendo a introdução</p><p>dos temas que serão posteriormente trabalhados pelo professor.</p><p>Quando apresenta uma evolução no tempo, envelhecimento das</p><p>pessoas, crescimento das plantas etc. Coisas que as crianças não</p><p>poderiam acompanhar, pois demanda observação de muito tempo.</p><p>Utilizando as animações como o conteúdo que será trabalhado, por</p><p>exemplo, racismo, temáticas envolvendo o papel das mulheres na</p><p>sociedade.</p><p>Possibilidade de o vídeo apresentar às crianças diferentes culturas e</p><p>suas variadas manifestações.</p><p>As animações ajudam a compor os cenários e épocas históricas desconhecidos</p><p>dos alunos. Mesmo que não seja totalmente fiel (pois muitas vezes é também</p><p>fantasioso), ajuda a situar os alunos no tempo histórico e traz para a escola</p><p>realidades desconhecidas das crianças, como outros continentes, espaços</p><p>brasileiros característicos etc.</p><p>Figura 2</p><p>Uso das animações em sala de aula</p><p>Fonte: Elaborada pela autora com base em Moran, 1995, p. 30-31.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=sx5ZQ73cUwA</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=sx5ZQ73cUwA</p><p>https://somostodosgigantes.com.br/10-desenhos-animados-sobre-inclusao-e-diferencas/</p><p>https://somostodosgigantes.com.br/10-desenhos-animados-sobre-inclusao-e-diferencas/</p><p>https://somostodosgigantes.com.br/10-desenhos-animados-sobre-inclusao-e-diferencas/</p><p>https://somostodosgigantes.com.br/10-desenhos-animados-sobre-inclusao-e-diferencas/</p><p>62 Educação Lúdica</p><p>Uma surpresa para vovó (e</p><p>demais vídeos do canal)</p><p>https://www.youtube.com/channel/</p><p>UCPnxd3Xt-fNldebkgrsLUHw/videos</p><p>Guilhermina e Candelário são</p><p>duas crianças que vivem algumas</p><p>aventuras juntos.</p><p>Kamalu</p><p>Fonte: Elaborado pela autora.</p><p>https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=PMn3HWONYDM</p><p>Cinco personagens compõem</p><p>essa turma que por meio da</p><p>música estimulam as crianças com</p><p>ensinamentos e diversão.</p><p>Vídeo DescriçãoOnde encontrar</p><p>De modo geral, é possível utilizar as animações como recurso pe-</p><p>dagógico realizando atividades</p><p>de vários formatos. Porém, é funda-</p><p>mental que o professor desperte a atenção dos alunos para o que vão</p><p>assistir. Então, antes da exibição, informe aspectos gerais do vídeo</p><p>(autor, duração, prêmios etc.), destaque se for uma produção brasi-</p><p>leira ou se há brasileiros na execução daquela obra (é importante que</p><p>os alunos valorizem as obras brasileiras), mas não interprete o filme</p><p>antes da exibição. Para deixar que cada aluno faça a sua análise, não</p><p>levante pré-julgamentos, nem destaque este ou aquele personagem</p><p>de maneira positiva ou negativa. Apenas “venda” a ideia de que o ví-</p><p>deo é bem interessante e que possivelmente eles vão gostar do que</p><p>verão. Caberá ao professor sensibilizar o aluno para que ele queira</p><p>assistir o que virá a seguir.</p><p>Após assistir ao vídeo, é preciso ressignificá-lo no universo dos alu-</p><p>nos, então, sugerimos duas formas de leitura (MORAN, 1995).</p><p>É preciso que o professor</p><p>se atente para que as</p><p>crianças assistam filmes</p><p>e animações que tenham</p><p>relação com a vida delas.</p><p>Cuidado com estereótipos</p><p>que envolvam cor de pele,</p><p>diferenças individuais e</p><p>culturais. Para pensar</p><p>sobre isso, assista ao</p><p>vídeo em que uma</p><p>jovem africana chamada</p><p>Chimamanda Adichie trata</p><p>desse assunto. A fala dela</p><p>é muito realista, além</p><p>de ser doce e calma, vai</p><p>lhe proporcionar boas</p><p>reflexões. Imperdível para</p><p>todos os professores.</p><p>Disponível em: https://</p><p>www.youtube.com/</p><p>watch?v=qDovHZVdyVQ</p><p>Vídeo</p><p>Leitura globalizante: ocorre em atividades com os alunos</p><p>(se possível, primeiro em grupos pequenos e depois no</p><p>grande grupo de alunos), destacando aspectos positivos da</p><p>situação vivenciada pelos personagens e da trama central da</p><p>animação. Pode-se analisar a linguagem utilizada no vídeo e</p><p>compará-la com a linguagem dos alunos. Quais ideias principais</p><p>perceberam no vídeo? Que história é contada? Questione: essa</p><p>história poderia ser vivenciada nos dias de hoje?</p><p>fil</p><p>bo</p><p>rg</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ckLeitura em conjunto: uma breve conversa informal</p><p>sobre o vídeo, na qual os alunos opinam, e o professor</p><p>faz a mediação. É importante que o professor não dê a</p><p>sua opinião primeiro, uma vez que ele é influenciador do</p><p>pensamento dos alunos, e que encontre perguntas que</p><p>ultrapassem o “você gostou?”, porque não se trata só de</p><p>gostar ou não, trata-se de compreender o vídeo e a situação</p><p>que ele pretende retratar.</p><p>11</p><p>22</p><p>https://www.youtube.com/channel/UCPnxd3Xt-fNldebkgrsLUHw/videos</p><p>https://www.youtube.com/channel/UCPnxd3Xt-fNldebkgrsLUHw/videos</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=PMn3HWONYDM</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=PMn3HWONYDM</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=qDovHZVdyVQ</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=qDovHZVdyVQ</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=qDovHZVdyVQ</p><p>Recursos lúdicos para a prática pedagógica 63</p><p>11</p><p>22</p><p>A estratégia a ser utilizada depois da exibição do vídeo pode va-</p><p>riar de um desenho à dramatização de algumas cenas da animação,</p><p>bem como pesquisas que aprofundem a temática trabalhada, cartazes</p><p>e conversas. Uma animação pode desencadear um projeto de trabalho</p><p>na escola, por exemplo. Caberá ao professor elencar estratégias e de-</p><p>senvolver sua metodologia para produzir bons resultados pedagógicos</p><p>após a apresentação da animação. O importante é sempre realizar al-</p><p>guma atividade variada e criativa.</p><p>Há ainda uma possibilidade de uso de animações na escola em que</p><p>os alunos produzem uma animação. Hoje em dia as possibilidades são</p><p>variadas, pois cada vez mais os alunos portam aparelhos celulares que</p><p>podem ajudar nessa missão. Então, caberá ao professor coordenar as</p><p>possíveis produções dos seus alunos, que podem até incluir um ma-</p><p>king of (uma espécie de documentário dos bastidores) da elaboração</p><p>de uma pesquisa, por exemplo.</p><p>As animações infanto juvenis, quando bem utilizadas na escola, podem</p><p>ajudar e muito a educação de maneira significativa, agradável e divertida.</p><p>Caberá a cada professor fazer o melhor uso desse poderoso recurso.</p><p>Making of é uma forma de</p><p>produção bem interes-</p><p>sante e pode movimentar</p><p>crianças e seus profes-</p><p>sores na direção de uma</p><p>aprendizagem significativa</p><p>sobre o tema abordado.</p><p>Isso porque ao contar os</p><p>bastidores do trabalho</p><p>realizado, estamos, de</p><p>certa forma, valorizando</p><p>tanto o produto realizado</p><p>quanto o esforço des-</p><p>pendido para chegar ao</p><p>resultado. No link a seguir</p><p>há um projeto completo,</p><p>composto de cinco aulas</p><p>para realizar um vídeo e o</p><p>making of com crianças.</p><p>Disponível em: https://novaescola.</p><p>org.br/planos-de-aula/educacao-</p><p>infantil/pre-escola/sequencia/</p><p>compartilhando-descobertas/646.</p><p>Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>Saiba mais</p><p>3.3 Música e dramatização</p><p>na aprendizagem Vídeo</p><p>A música e a dramatização estão presentes em muitos momentos</p><p>da cultura brasileira e sem dúvida também no ambiente escolar. É uma</p><p>linguagem que utiliza formas sonoras para comunicar sentimentos,</p><p>sensações e pensamentos (BRASIL, 1998). Reconhecida como muito</p><p>relevante para a educação, os conteúdos e competências relativos ao</p><p>ensino da música e do teatro estão dispostos na área de Artes Visuais</p><p>na Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2018), mas podem ser tra-</p><p>balhadas em projetos interdisciplinares junto com qualquer outra área.</p><p>Dentre as várias possibilidades que a música e a dramatização</p><p>oferecem à educação, destacamos que ambas podem ser exploradas</p><p>como arte e como recurso para outros ensinamentos. Nesta seção,</p><p>trataremos tanto da música quanto da dramatização como aliadas da</p><p>aprendizagem, revelando a importância desses campos lúdicos para a</p><p>educação de crianças e jovens.</p><p>11 R</p><p>oh</p><p>ap</p><p>py</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Ro</p><p>ha</p><p>pp</p><p>y/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>22 R</p><p>am</p><p>on</p><p>a</p><p>Ka</p><p>ul</p><p>itz</p><p>ki</p><p>/s</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Ra</p><p>m</p><p>on</p><p>a</p><p>Ka</p><p>ul</p><p>itz</p><p>ki</p><p>/s</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>https://novaescola.org.br/planos-de-aula/educacao-infantil/pre-escola/sequencia/compartilhando-descobertas/646</p><p>https://novaescola.org.br/planos-de-aula/educacao-infantil/pre-escola/sequencia/compartilhando-descobertas/646</p><p>https://novaescola.org.br/planos-de-aula/educacao-infantil/pre-escola/sequencia/compartilhando-descobertas/646</p><p>https://novaescola.org.br/planos-de-aula/educacao-infantil/pre-escola/sequencia/compartilhando-descobertas/646</p><p>Sendo uma das formas importantes da expressão humana (o que já</p><p>justificaria sua presença na escola), música e teatro integram aspectos</p><p>sensíveis, estéticos e cognitivos, além de possibilitar um caráter signifi-</p><p>cativo da linguagem (BRASIL, 1998).</p><p>Uma das formas mais interessantes de trabalho com a música diz</p><p>respeito ao reconhecimento dela como espaço de manifestação de</p><p>cultura. Nesse sentido, a música pode funcionar como um excelente</p><p>recurso para aproximar as crianças de diferentes culturas de uma ma-</p><p>neira interessante e agradável, pois, de certa forma, as músicas ajudam</p><p>a contar a história dos povos.</p><p>Alguns exemplos da música como aliada ao ensinamento, ou mes-</p><p>mo à aproximação de diferentes culturas, pode incluir aspectos da cul-</p><p>tura indígena, música erudita, músicas africanas, músicas folclóricas do</p><p>Brasil e de outros países, análises de textos musicais, música para o</p><p>ensino em outras línguas, análises da linguagem musical presentes em</p><p>clipes musicais, pesquisas sobre a vida e obra de músicos (não só os</p><p>antigos, mas também os atuais, alguns de significado para as crianças</p><p>e jovens), além de outros tantos exemplos de utilização, a depender da</p><p>criatividade e do conhecimento dos professores.</p><p>E aí entramos num ponto crucial do trabalho com a música: o professor</p><p>precisa conhecer opções de trabalho para, além de diversificar, fazer real-</p><p>mente com que a música atenda ao que propõe, seja como transmissora de</p><p>cultura (que pode ser utilizada como recurso lúdico em diferentes propos-</p><p>tas), seja como manifestação da arte, seja como apenas um recurso para o</p><p>trabalho com os conteúdos, competências e habilidades que o professor</p><p>deseja trabalhar com seu aluno. As escolhas pedagógicas passam pelo co-</p><p>nhecimento do professor e pela necessidade da percepção dele de que é</p><p>preciso ser um eterno pesquisador, buscar os assuntos, as temáticas, para</p><p>incrementar</p><p>as aulas com qualidade. Hoje em dia, com o avanço das tecno-</p><p>logias, isso é muito mais fácil de se realizar. Portanto, o professor dizer “não</p><p>sei fazer” não é o problema. A questão é quando ele não vai buscar como</p><p>fazer. Como a música não é um conteúdo muito trabalhado nas formações</p><p>dos professores (a não ser com cursos específicos), as práticas pedagógi-</p><p>cas acabam sendo limitadas, enquanto poderiam ser vastas, desafiadoras e</p><p>completas, a depender da busca do professor.</p><p>A música pode ser traba-</p><p>lhada de muitas formas</p><p>na Educação Infantil e</p><p>no Ensino Fundamental,</p><p>basta que o professor</p><p>tenha boas ideias para</p><p>compor os planos de aula.</p><p>Se você quiser conhecer</p><p>algumas dessas ideias e</p><p>conhecer planos de aula</p><p>prontos para utilizar em</p><p>suas salas de aula, acesse</p><p>o link a seguir.</p><p>Disponível em: https://novaescola.</p><p>org.br/conteudo/19027/para-fazer-</p><p>batuque-em-casa-atividades-com-</p><p>movimentos-corporais-e-musica.</p><p>Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>Leitura Um dos pontos importantes a ser levado em conta no trabalho que uti-</p><p>liza a música como recurso lúdico no processo ensino-aprendizagem diz</p><p>respeito ao ponto de que para ter um grau de envolvimento dos alunos</p><p>(principalmente dos alunos do Ensino Fundamental) é preciso aproximar o</p><p>conteúdo musical a ser trabalhado com aquele do conhecimento dos alu-</p><p>nos. Nem sempre essa é uma tarefa fácil, pois algumas músicas tidas como</p><p>populares apresentam letras (e às vezes coreografias) que não são apro-</p><p>priadas para crianças e jovens (embora sigam sendo repetidas por eles). É</p><p>aí que entra a escola na ampliação do conhecimento musical das crianças</p><p>e jovens. Identificada a preferência deles (que pode ser funk, por exemplo),</p><p>buscaremos músicas que possam ser trabalhadas na escola, conheceremos</p><p>a cultura presente nesse gênero e o que representa, quem são os cantores,</p><p>qual a história deles, o que esse (ou outro gênero) musical representa.</p><p>Com certeza a escola vai ser palco da manifestação de todo tipo de</p><p>música por parte dos alunos, mas caberá ao professor, em conjunto com</p><p>seus alunos, a mediação do que será considerado para estudo, trabalho,</p><p>projetos e reflexões.</p><p>O trabalho com dramatização no universo escolar é amplamente utili-</p><p>zado em todas as séries e níveis de ensino. Bem possivelmente você tenha</p><p>uma experiência do chamado teatrinho, do qual participou no seu tempo</p><p>de escola. A dramatização, que faz parte do contexto do teatro na escola,</p><p>é uma linguagem muito utilizada, até mesmo, muitas vezes, em conjunto</p><p>com a música.</p><p>Observe, no entanto, que quando falamos em dramatização, não esta-</p><p>mos apenas tratando de encenação de peças de teatro para um determina-</p><p>do público, geralmente externo à escola. Encenar é uma boa opção (veja o</p><p>boxe), mas a dramatização como recurso lúdico para a aprendizagem tem</p><p>muitos outros aspectos. Os chamados jogos teatrais, ou teatro de improvisa-</p><p>ção, podem incrementar as suas aulas sem que necessariamente precisem</p><p>ser apresentados a algum público, e sim vivenciado pelos alunos.</p><p>Jogos teatrais são, portanto, experiências vivenciadas em que há a</p><p>encenação de um determinado papel que pode fazer parte de uma peça</p><p>de teatro, ou pode ser criado unicamente para aquele breve momento.</p><p>Para ajudar a lhe situar, é como uma brincadeira em que dois partici-</p><p>pantes combinam: “agora você é uma pessoa fazendo compras e eu sou</p><p>Destacamos aqui o livro</p><p>Música, cultura e educação,</p><p>que faz uma relação</p><p>muito importante para</p><p>o educador, que é a da</p><p>música, da cultura e da</p><p>educação. O professor</p><p>precisa ampliar seus co-</p><p>nhecimentos para poder</p><p>trabalhar com a música</p><p>como elemento cultural, e</p><p>esse livro apresenta uma</p><p>grande possibilidade de</p><p>estudo nesse sentido.</p><p>Para o professor ler e</p><p>crescer.</p><p>SANTOS, R. M. S. 2. ed. Porto Alegre:</p><p>Editora Sulina, 2012.</p><p>Livro</p><p>Cada vez mais é preciso</p><p>que professores de todas</p><p>as áreas conheçam sobre</p><p>a educação musical. O</p><p>livro Música na Educação</p><p>Infantil: propostas para</p><p>a formação integral do</p><p>indivíduo se propõe a res-</p><p>significar a música dentro</p><p>da escola, oportunizando</p><p>ao professor um pensar</p><p>sobre o assunto. Leitura</p><p>muito interessante para</p><p>formação de professores.</p><p>BRITO, T. A. de. São Paulo: Peirópolis,</p><p>2003.</p><p>Livro</p><p>Não é fácil para os</p><p>professores ouvirem</p><p>seus alunos cantando</p><p>músicas com apologia à</p><p>violência, a questões de</p><p>sexualidade ou mesmo à</p><p>promulgação de valores</p><p>que a escola não comun-</p><p>ga. No entanto, reprimir</p><p>totalmente pode não ser</p><p>uma boa alternativa, de</p><p>acordo com o artigo Por</p><p>que o funk é proibido na</p><p>escola. Partindo da ideia</p><p>de que o professor tem</p><p>que ler, estudar e tirar</p><p>suas próprias conclu-</p><p>sões, indicamos a leitura</p><p>desse artigo.</p><p>Disponível em: https://novaescola.</p><p>org.br/conteudo/8678/por-que-o-</p><p>funk-e-proibido-na-escola. Acesso</p><p>em: 3 nov. 2022.</p><p>Dica</p><p>6464 Educação LúdicaEducação Lúdica</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/19027/para-fazer-batuque-em-casa-atividades-com-movimentos-corporais-e-musica</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/19027/para-fazer-batuque-em-casa-atividades-com-movimentos-corporais-e-musica</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/19027/para-fazer-batuque-em-casa-atividades-com-movimentos-corporais-e-musica</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/19027/para-fazer-batuque-em-casa-atividades-com-movimentos-corporais-e-musica</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/8678/por-que-o-funk-e-proibido-na-escola</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/8678/por-que-o-funk-e-proibido-na-escola</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/8678/por-que-o-funk-e-proibido-na-escola</p><p>Recursos lúdicos para a prática pedagógica 65</p><p>Um dos pontos importantes a ser levado em conta no trabalho que uti-</p><p>liza a música como recurso lúdico no processo ensino-aprendizagem diz</p><p>respeito ao ponto de que para ter um grau de envolvimento dos alunos</p><p>(principalmente dos alunos do Ensino Fundamental) é preciso aproximar o</p><p>conteúdo musical a ser trabalhado com aquele do conhecimento dos alu-</p><p>nos. Nem sempre essa é uma tarefa fácil, pois algumas músicas tidas como</p><p>populares apresentam letras (e às vezes coreografias) que não são apro-</p><p>priadas para crianças e jovens (embora sigam sendo repetidas por eles). É</p><p>aí que entra a escola na ampliação do conhecimento musical das crianças</p><p>e jovens. Identificada a preferência deles (que pode ser funk, por exemplo),</p><p>buscaremos músicas que possam ser trabalhadas na escola, conheceremos</p><p>a cultura presente nesse gênero e o que representa, quem são os cantores,</p><p>qual a história deles, o que esse (ou outro gênero) musical representa.</p><p>Com certeza a escola vai ser palco da manifestação de todo tipo de</p><p>música por parte dos alunos, mas caberá ao professor, em conjunto com</p><p>seus alunos, a mediação do que será considerado para estudo, trabalho,</p><p>projetos e reflexões.</p><p>O trabalho com dramatização no universo escolar é amplamente utili-</p><p>zado em todas as séries e níveis de ensino. Bem possivelmente você tenha</p><p>uma experiência do chamado teatrinho, do qual participou no seu tempo</p><p>de escola. A dramatização, que faz parte do contexto do teatro na escola,</p><p>é uma linguagem muito utilizada, até mesmo, muitas vezes, em conjunto</p><p>com a música.</p><p>Observe, no entanto, que quando falamos em dramatização, não esta-</p><p>mos apenas tratando de encenação de peças de teatro para um determina-</p><p>do público, geralmente externo à escola. Encenar é uma boa opção (veja o</p><p>boxe), mas a dramatização como recurso lúdico para a aprendizagem tem</p><p>muitos outros aspectos. Os chamados jogos teatrais, ou teatro de improvisa-</p><p>ção, podem incrementar as suas aulas sem que necessariamente precisem</p><p>ser apresentados a algum público, e sim vivenciado pelos alunos.</p><p>Jogos teatrais são, portanto, experiências vivenciadas em que há a</p><p>encenação de um determinado papel que pode fazer parte de uma peça</p><p>de teatro, ou pode ser criado unicamente para aquele breve momento.</p><p>Para ajudar a lhe situar, é como uma brincadeira em que dois partici-</p><p>pantes combinam: “agora você é uma pessoa fazendo compras e eu sou</p><p>Destacamos aqui o livro</p><p>Música, cultura e educação,</p><p>que faz uma relação</p><p>muito importante para</p><p>o educador, que é a da</p><p>música, da cultura e da</p><p>educação. O professor</p><p>precisa ampliar seus co-</p><p>nhecimentos para poder</p><p>trabalhar com a música</p><p>como elemento cultural, e</p><p>esse livro apresenta uma</p><p>grande possibilidade de</p><p>estudo nesse sentido.</p><p>Para o professor ler e</p><p>crescer.</p><p>SANTOS, R. M. S. 2. ed. Porto Alegre:</p><p>Editora Sulina, 2012.</p><p>Livro</p><p>Cada vez mais é preciso</p><p>que professores de todas</p><p>as áreas conheçam sobre</p><p>a educação musical. O</p><p>livro Música na Educação</p><p>Infantil: propostas para</p><p>a formação integral do</p><p>indivíduo se propõe a res-</p><p>significar a música dentro</p><p>da escola, oportunizando</p><p>ao professor um pensar</p><p>sobre o assunto. Leitura</p><p>muito interessante para</p><p>formação de professores.</p><p>BRITO, T. A. de. São Paulo: Peirópolis,</p><p>2003.</p><p>Livro</p><p>Não é fácil para os</p><p>professores ouvirem</p><p>seus alunos cantando</p><p>músicas com apologia à</p><p>violência, a questões de</p><p>sexualidade ou mesmo à</p><p>promulgação de valores</p><p>que a escola não comun-</p><p>ga. No entanto, reprimir</p><p>totalmente pode não ser</p><p>uma boa alternativa, de</p><p>acordo com o artigo Por</p><p>que o funk é proibido na</p><p>escola. Partindo da ideia</p><p>de que o professor tem</p><p>que ler, estudar e tirar</p><p>suas próprias conclu-</p><p>sões, indicamos a leitura</p><p>desse artigo.</p><p>Disponível em: https://novaescola.</p><p>org.br/conteudo/8678/por-que-o-</p><p>funk-e-proibido-na-escola. Acesso</p><p>em: 3 nov. 2022.</p><p>Dica</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/8678/por-que-o-funk-e-proibido-na-escola</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/8678/por-que-o-funk-e-proibido-na-escola</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/8678/por-que-o-funk-e-proibido-na-escola</p><p>uma pessoa que quer te vender um sapato que você não está precisan-</p><p>do, mas eu farei de tudo para vender para você”. E encenam um breve</p><p>episódio para os demais colegas, por exemplo. Podem contar ainda com</p><p>interferências: o professor ou outro aluno retira objetos de uma sacola</p><p>e, à medida que os objetos aparecem, os atores que estão dramatizando</p><p>precisam inseri-los na atuação.</p><p>A ideia principal é a de oferecer atividades lúdicas, promovendo vi-</p><p>vências diversas de personagens que demandam reflexões, acertos, er-</p><p>ros e que vão deixar transparecer as ideias, necessidades, linguagem e</p><p>até mesmo diversidade cultural dos alunos em questão.</p><p>Para a realização de dramatizações realizadas nessa forma de impro-</p><p>viso, é necessário que exista uma parceria entre professores e alunos,</p><p>para que não haja episódios de bullying durante nem depois das apre-</p><p>sentações. É importante deixar claro para os alunos que aquilo será uma</p><p>vivência e que sendo uma atividade relativa à aprendizagem de cada um,</p><p>precisa ser tratada com o devido respeito e colaboração, e que caberá</p><p>ao professor destacar que na escola não há atores, há alunos desempe-</p><p>nhando função lúdica, proposta como atividade didática. Ao trabalhar</p><p>com teatro, os alunos são apresentados a um mundo de novas experiên-</p><p>cias, que vão ajudar a desenvolver suas habilidades (REVERBEL, 1996).</p><p>Caberá à escola, e especialmente ao professor, buscar situações ri-</p><p>cas para que nas atividades os alunos possam se comunicar utilizando</p><p>movimentos, gestos, olhares, além, é claro, da linguagem. O teatro não</p><p>deixa de ser uma grande brincadeira de faz de conta que será mais bem</p><p>aproveitada se o professor explorar emoção, movimento e linguagem.</p><p>Até aquele jogo conhecido por não pode falar as palavras é, não, e</p><p>porque (em que uma pessoa faz perguntas para outro participante e</p><p>a resposta não pode incluir as expressões destacadas) pode ser uma</p><p>forma de trabalhar o conteúdo escolar envolvendo a</p><p>dramatização e linguagem, numa experiência diver-</p><p>tida de teatro de improviso.</p><p>Teatro na escola trabalha fortemente três grandes</p><p>aspectos do desenvolvimento das crianças e jovens: pro-</p><p>mover a sociabilidade, ajudar a vencer a timidez e pro-</p><p>piciar uma melhora da comunicação verbal e corporal.</p><p>Para o professor conhe-</p><p>cer algumas peças de</p><p>teatro que podem ser en-</p><p>cenadas com crianças de</p><p>várias idades, recomenda-</p><p>mos a exploração do site</p><p>Instituto Ruth Salles. Ruth</p><p>Salles é uma escritora,</p><p>educadora e formadora</p><p>de professores que, com</p><p>base na Pedagogia Wal-</p><p>dorf, propõe alternativas</p><p>didáticas diferenciadas</p><p>para escolas públicas. Não</p><p>passe batido nessa! Além</p><p>do site, você vai encontrar</p><p>também livros dessa au-</p><p>tora. Invista na pesquisa e</p><p>boas aulas.</p><p>Disponível em: https://</p><p>institutoruthsalles.com.br/category/</p><p>teatro/. Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>Site</p><p>Uma das formas de</p><p>dramatização na escola</p><p>é o teatro de improvi-</p><p>sação em que algumas</p><p>habilidades como escuta,</p><p>colaboração e trabalho</p><p>em equipe fazem a</p><p>diferença. O livro Jogos</p><p>teatrias na escola trata so-</p><p>bre isso, além de oferecer</p><p>muitas alternativas para o</p><p>professor.</p><p>REVERBEL, O. São Paulo: Scipione,</p><p>1996.</p><p>Livro</p><p>Ta</p><p>tia</p><p>na</p><p>B</p><p>ob</p><p>ko</p><p>va</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Ta</p><p>tia</p><p>na</p><p>B</p><p>ob</p><p>ko</p><p>va</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>6666 Educação LúdicaEducação Lúdica</p><p>https://institutoruthsalles.com.br/category/teatro/</p><p>https://institutoruthsalles.com.br/category/teatro/</p><p>https://institutoruthsalles.com.br/category/teatro/</p><p>Recursos lúdicos para a prática pedagógica 67</p><p>A utilização da dramatização na escola alia corpo e pensamento e desen-</p><p>volve a imaginação e a criatividade. Alguns pontos são importantes focos</p><p>de desenvolvimento da criança e do adolescente que está em contato com</p><p>aulas de teatro. Tais pontos podem ajudar a professor a fortalecer a impor-</p><p>tância do uso da dramatização nas suas aulas. Vejamos na figura a seguir.</p><p>Figura 3</p><p>Benefícios do teatro para crianças e adolescentes</p><p>Desinibição</p><p>Socialização</p><p>Criatividade e</p><p>confiança</p><p>Dicção</p><p>Memória e</p><p>concentração</p><p>Responsabilidade e</p><p>comprometimento</p><p>Autonomia</p><p>As crianças são desafiadas a encontrar a melhor forma de se</p><p>expressar dentro de um grupo, trabalhando, assim, a confiança e</p><p>a timidez, estimulando sua expressão.</p><p>Ao escolher uma peça para encenar, os alunos junto com seu</p><p>professor conversarão sobre ela, precisarão lê-la, entender o</p><p>contexto em que ela se passa e realizar pesquisas para que tudo saia</p><p>o mais próximo do real. Essa aproximação fará com que a criança e</p><p>o jovem possam se interessar mais sobre os temas escolhidos, que</p><p>serão parte de outras disciplinas, numa grande interdisciplinaridade.</p><p>A dramatização cria uma relação entre as crianças e elas são</p><p>fortalecidas para compartilharem suas ideias e pensamentos</p><p>com outras pessoas.</p><p>Exercícios teatrais possibilitam que as crianças exercitem sua</p><p>criatividade, conhecendo também a dos outros, confiando nas</p><p>pessoas para se expor.</p><p>O formato do teatro pode melhorar a dicção das crianças no</p><p>que diz respeito à entonação e à articulação das palavras, uma</p><p>vez que para encenar é preciso garantir que a plateia ouça e</p><p>compreenda o que se está dizendo.</p><p>Decorar falas e acompanhar o raciocínio do outro participante</p><p>são elementos que sempre estarão presente no teatro de uma</p><p>ou outra forma. A criança vai aos poucos desenvolvendo maior</p><p>concentração na atividade proposta, o que pode ajudar nas</p><p>outras atividades escolares também.</p><p>Quando se faz parte de um grupo que encena ou participa</p><p>de jogos teatrais, é preciso demonstrar comprometimento e</p><p>responsabilidade, pois tudo só funcionará se cada um fizer a</p><p>sua parte. É uma forma excelente de dividir funções e exercitar</p><p>sua responsabilidade.</p><p>De certa forma, encenar propicia à criança e ao jovem a</p><p>possibilidade de escolher como fazer, que traje usar e que</p><p>linguagem utilizar. Mesmo que haja consenso sobre como</p><p>prosseguir no teatro, a autonomia será desenvolvida, e isso é</p><p>muito importante para todas as faixas etárias.</p><p>Teatro</p><p>Interesse pelos</p><p>assuntos escolhidos /</p><p>interdisciplinaridade</p><p>Faberr Ink/Shutterstock</p><p>Fonte: Elaborada pela autora com base em 8 benefícios..., 2022.</p><p>68 Educação Lúdica</p><p>Seja por meio da música ou da dramatização, ou outras formas de</p><p>representação, as artes visuais sempre estarão presentes na escola e,</p><p>quando bem utilizadas, propiciarão excelentes momentos lúdicos que</p><p>servirão aos objetivos pedagógicos.</p><p>Já imaginou se os seus alunos pudessem aprender história do Brasil en-</p><p>cenando personagens?</p><p>Ocorre que para isso seria necessário que eles</p><p>estudassem o contexto em que se deu o período histórico para com-</p><p>preenderem a linguagem usada, as roupas, as expressões e o gestual da</p><p>época. Percebe como assim há uma aprendizagem muito maior do que</p><p>propriamente o teatro?</p><p>Para refletir</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Desenho infantil, animações, música e dramatização estão diariamen-</p><p>te presentes em nossas escolas como estratégias lúdicas para uma apren-</p><p>dizagem mais alegre, criativa e dinâmica. Não há como o professor não as</p><p>utilizar nas suas salas de aula. Cada uma com sua especificidade, são lin-</p><p>guagens artísticas que podem de fato ajudar o professor a melhorar suas</p><p>aulas, fazendo com que a aprendizagem dos alunos seja mais significativa.</p><p>ATIVIDADES</p><p>Atividade 1</p><p>É possível afirmar que o uso do desenho em sala de aula é consi-</p><p>derado apenas uma atividade que desenvolve a motricidade nas</p><p>crianças e jovens?</p><p>Atividade 2</p><p>O uso de animações infantis é recomendado na escola? Tais filmes</p><p>não são longos demais para prender a atenção das crianças?</p><p>Recursos lúdicos para a prática pedagógica 69</p><p>Atividade 3</p><p>Por fazerem parte da cultura de nosso país e estarem fortemente</p><p>representadas no dia a dia, a música e a dramatização devem</p><p>também fazer parte do ambiente escolar? Por quê?</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>8 BENEFÍCIOS do teatro para crianças e adolescentes. Escola de atores Wolf Maya, 3 jun.</p><p>2022. Disponível em: https://wolfmaya.com.br/8-beneficios-do-teatro-para-criancas-e-</p><p>adolescentes. Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>BRASIL. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. v. 3. Brasília: MEC/SEF,</p><p>1998. v. 3 Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/volume3.pdf. Acesso</p><p>em: 3 nov. 2022.</p><p>BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2018.</p><p>Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_</p><p>versaofinal_site.pdf. Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>BRITO, T. A. de. Música na Educação Infantil: propostas para a formação integral do</p><p>indivíduo. São Paulo: Peirópolis, 2003.</p><p>GUIMARÃES, J. M.; COLESANTI, M. Do risco ao traço – Do traço à forma – O desenho infantil.</p><p>Educação Significante – Revista do Departamento de Educação do centro de Ciências</p><p>Humanas da Unimontes, Montes Claros, v. 2, n. 1, p. 21-46, 2007- Montes Claros. Brasil.</p><p>LIBÂNEO, J. C. Adeus Professor, Adeus Professora? Novas exigências educacionais e profissão</p><p>docente. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2004.</p><p>MORAN, J. M. O vídeo na sala de aula. Revista Comunicação e Educação. São Paulo, ECA-Ed.</p><p>Moderna, 1995. p. 27 a 35. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/comueduc/article/</p><p>view/36131/38851. Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>MOREIRA, A. A. O espaço do desenho: a educação do educador. São Paulo: Loyola, 1991.</p><p>PELEGRINI, T. Narrativa verbal e narrativa visual: possíveis aproximações. In: PELEGRINI,</p><p>T. (org.). Literatura, cinema e televisão. São Paulo: Editora Senac; São Paulo: Instituto Itaú</p><p>Cultural, 2003. p.15-35.</p><p>PIAGET, J.; INHELDER, B. A representação do espaço na criança. Porto Alegre: Artes Médicas,</p><p>1993.</p><p>REVERBEL, O. Jogos teatrais na escola. São Paulo: Editora Scipione LTDA. 1996.</p><p>SANTOS, D. Desenho para crianças: 12 planos de atividade para usar em casa ou na escola.</p><p>Nova Escola, 2020. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/19390/desenho-para-</p><p>criancas-12-planos-de-atividade-para-usar-ate-no-ensino-remoto. Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>SANTOS, R. M. S. (org.). Música, cultura e educação. 2. ed. Porto Alegre: Editora Sulina, 2012.</p><p>https://wolfmaya.com.br/8-beneficios-do-teatro-para-criancas-e-adolescentes</p><p>https://wolfmaya.com.br/8-beneficios-do-teatro-para-criancas-e-adolescentes</p><p>http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/volume3.pdf</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf</p><p>https://www.revistas.usp.br/comueduc/article/view/36131/38851</p><p>https://www.revistas.usp.br/comueduc/article/view/36131/38851</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/19390/desenho-para-criancas-12-planos-de-atividade-para-usar-ate-no-ensino-remoto</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/19390/desenho-para-criancas-12-planos-de-atividade-para-usar-ate-no-ensino-remoto</p><p>70 Educação Lúdica</p><p>4</p><p>Estratégias lúdicas para</p><p>despertar o desejo de aprender</p><p>O convite era para jantar na casa de uma amiga muito querida, a quem</p><p>ela não via há muitos anos. Na chegada, a casa imponente já mostrava</p><p>que o padrão de vida da amiga era alto. Ela percebeu a mesa posta e re-</p><p>cebeu a notícia de que o jantar seria servido à francesa. Ficou apreensiva,</p><p>pois desconhecia essa forma de serviço. Olhou ao lado e percebeu que</p><p>algumas pessoas, já familiarizadas com o formato escolhido, estavam à</p><p>vontade em meio a tantos talheres, taças e pratos. Definiu a sua estra-</p><p>tégia: o que elas fizerem, eu faço. E jantou seguindo os protocolos que o</p><p>formato exigia, dessa vez com uma nova aprendizagem, adquirida apenas</p><p>imitando quem sabia mais do que ela.</p><p>O texto acima é uma provocação ao leitor sobre as aprendizagens que</p><p>desenvolvemos na vida. Quantas delas foram obtidas com as pessoas que na-</p><p>quele momento dividiam a cena conosco? Assim ocorre também na escola. É</p><p>sobre isto que vamos falar neste capítulo: a possibilidade de aprender com o</p><p>outro. Falaremos também sobre construção de material e a relevância disso</p><p>para uma aprendizagem lúdica. Venha conosco, que o jantar está servido!</p><p>Com o estudo deste capítulo, você será capaz de:</p><p>• caracterizar a aprendizagem entre pares e grupos, reconhecendo</p><p>sua ação para a aprendizagem;</p><p>• analisar a prática de jogos e brincadeiras na educação;</p><p>• reconhecer a importância da construção de materiais próprios</p><p>para a aprendizagem.</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>4.1 Atividades em grupos</p><p>Vídeo</p><p>Se você parar para pensar, vai perceber que sempre fará parte de</p><p>um grupo. Seja no seu trabalho, seja no grupo de mães ou pais da esco-</p><p>la de seu filho, seja em algum grupo religioso ou esportivo. Os grupos</p><p>fazem parte do nosso dia a dia, e o aprendizado com eles também.</p><p>Uma das formas mais eficientes de aprendizagem é aquela que</p><p>fazemos em conjunto com outras pessoas, sejam colegas de sala, de</p><p>profissão, de clube. Nem sempre aprender com o outro (ou com os</p><p>outros) significa que haverá uma explicação teórica sobre o assunto</p><p>por alguma das partes. É possível aprender observando, participando</p><p>de algum trabalho ou atividade junto com alguém. Se você chegasse</p><p>numa festa e o jantar fosse oferecido com um serviço à francesa, como</p><p>descrito no início deste capítulo, como se sairia? Certamente alguns de</p><p>nós saberíamos como nos portar, mas uma parcela dos convidados se</p><p>espelharia nos que parecem mais à vontade sabendo o que fazer, con-</p><p>corda? Aprender com o outro é sempre possível.</p><p>Voltando nossos olhares para o ambiente escolar, e sendo este um</p><p>local que também reproduz aquilo que se vive em sociedade, não nos</p><p>cabe perguntar se devemos ou não fazer grupos, pois de fato</p><p>não há como evitá-los. Na escola temos grupos de alunos</p><p>com mais afinação para música, os que fazem parte do co-</p><p>ral, o grupo dos esportes, o grupo dos professores (e di-</p><p>versas outras divisões com base em afinidades), e mesmo</p><p>we</p><p>e</p><p>de</p><p>zi</p><p>gn</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>we</p><p>e</p><p>de</p><p>zi</p><p>gn</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Estratégias lúdicas para despertar o desejo de aprenderEstratégias lúdicas para despertar o desejo de aprender 7171</p><p>72 Educação Lúdica</p><p>dentro da sala de aula os professores sabem que existem os grupinhos</p><p>de alunos, divididos por afeto. A questão, portanto, não é se os alunos</p><p>(ou os professores) fazem ou não parte de um grupo, uma vez que</p><p>isso é parte do desenvolvimento social das pessoas. A questão é que</p><p>podemos aproveitar esse lado humano do ser social e fazer grupos de</p><p>trabalho nas salas de aula, de modo a alavancar os objetivos de apren-</p><p>dizagem definidos, melhorar a aprendizagem e o relacionamento entre</p><p>os integrantes.</p><p>Determinadas práticas eram realidade em décadas anteriores</p><p>quando se tratava de trabalho</p><p>em grupo, especialmente com alunos do</p><p>Ensino Fundamental, e certamente você poderá reconhecer algumas:</p><p>O professor estabelecia o tema do trabalho em grupo, geralmente o mesmo tema para</p><p>todos os alunos da sala.</p><p>gr</p><p>afi</p><p>cr</p><p>ive</p><p>r_</p><p>ic</p><p>on</p><p>s_</p><p>lo</p><p>go</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Aos alunos era determinado que pesquisassem sobre o tema, sem que fossem</p><p>oferecidas, contudo, condições e acompanhamento real dessa pesquisa por parte</p><p>do professor para sanar dúvidas e para torná-la eficiente.</p><p>Os trabalhos em grupo eram solicitados extraclasse (e os alunos tinham problemas</p><p>de logística para o realizar fora do ambiente escolar).</p><p>Os trabalhos em grupo funcionavam como escape para as aulas do professor.</p><p>Assim, muito tempo era empenhado na realização destes, e outro tanto de tempo</p><p>na apresentação dos trabalhos. Mas o que de fato era aprendido?</p><p>Os alunos eram encaminhados para a biblioteca e precisavam pesquisar sozinhos sobre o</p><p>tema, o que resultava em cópias dos materiais disponíveis (com o upgrade dos tempos de</p><p>tecnologia, em que o copia e cola é realizado com mais facilidade na pesquisa em sites).</p><p>Se a sua imagem de trabalho em grupo ainda está ancorada nes-</p><p>sas premissas listadas, é preciso total atualização. O trabalho em grupo</p><p>hoje pode ser uma ferramenta muito eficiente para a aprendizagem,</p><p>como metodologia lúdica incorporada às práticas educativas da sala de</p><p>aula. Claro que é possível que alguma parte desse trabalho seja realiza-</p><p>do em outro ambiente que não o escolar, mas é preciso considerar as</p><p>possibilidades do grupo em questão para tudo funcionar. Planejamen-</p><p>to é fundamental.</p><p>https://www.shutterstock.com/g/Hublot99</p><p>Estratégias lúdicas para despertar o desejo de aprender 73</p><p>Um trabalho em grupo é uma estratégia que o professor pode usar</p><p>para suas aulas, uma vez que interação, conversa e trabalho em con-</p><p>junto permitem que os alunos participem e ajam como pesquisado-</p><p>res. De certa forma, alunos que participam de tarefas que permitem</p><p>investigar, coletar dados e argumentar têm a chance de aprender mais,</p><p>especialmente se o trabalho exige pensamento e discussão e não há</p><p>resposta aparente (COHEN; LOTAN, 2017).</p><p>Com relação ao acompanhamento do professor no desenrolar do</p><p>trabalho, é preciso atenção: alunos que trabalham em grupo expres-</p><p>sam (mesmo que não verbalmente) suas ideias, sentimentos, desejos,</p><p>triunfos e hesitações. Se o professor estiver atento, pode coletar vá-</p><p>rios dados sobre o funcionamento de seus alunos, como isso impacta</p><p>na aprendizagem deles e, consequentemente, qual é o seu papel para</p><p>ajudá-los a crescer. O trabalho em grupo funciona ainda como um óti-</p><p>mo meio para o desenvolvimento da linguagem com modos e gêneros</p><p>de comunicação variáveis, desde palavras isoladas até sentenças mais</p><p>complexas (COHEN; LOTAN, 2017).</p><p>Uma grande responsabilidade recai sobre o professor, que vai ser</p><p>o propositor do trabalho em grupo. Em primeiro lugar, é preciso que</p><p>ele esteja bem confiante de que aquele tema escolhido para gerar co-</p><p>nhecimento seja de fato relevante para isso. Muitos de nós, que fomos</p><p>alunos em décadas anteriores, podemos descrever alguns trabalhos</p><p>em grupo que fizemos como sendo atividades que pouco agregavam</p><p>à formação dos alunos – especialmente aqueles em que cada grupo</p><p>apresentava em uma aula os resultados de sua pesquisa. Pouco agre-</p><p>gavam aos que faziam as pesquisas e muito menos aos que assistiam</p><p>às apresentações, em geral cansativas e pouco estimulantes.</p><p>Claro que isso não é uma regra nem há por que desmerecer a ação</p><p>educativa de um trabalho em grupo, mas é muito necessário que o pro-</p><p>fessor compreenda que tal atividade deve verdadeiramente preceder</p><p>de um planejamento docente, com orientações bem-dadas aos estu-</p><p>dantes, com apoio para gerar aprendizagem e com partilha de infor-</p><p>mações que possa ser tanto agradável quanto significativa aos demais</p><p>alunos da sala ou ao público escolhido. Então, quando for propor um</p><p>trabalho em grupo, é importante que o professor se questione sobre</p><p>a relevância do trabalho e sobre os ganhos que seus alunos terão ao</p><p>Essa dica é para o profes-</p><p>sor assistir com as crian-</p><p>ças. O filme A fuga das</p><p>galinhas mostra a força do</p><p>trabalho em equipe usan-</p><p>do muito humor. Presas</p><p>numa fazenda e prestes</p><p>a serem sacrificadas, as</p><p>galinhas decidem fugir</p><p>e precisam planejar e</p><p>colocar em ação um plano</p><p>de sucesso. Trabalho em</p><p>grupo divertido e com</p><p>boas reflexões.</p><p>Direção: Nick Park e Peter Lord. EUA:</p><p>Aardman Animations e DreamWorks</p><p>Animation, 2000.</p><p>Filme</p><p>74 Educação Lúdica</p><p>realizá-lo, bem como sobre formas de orientá-los para a apresentação</p><p>dos resultados.</p><p>Uma dúvida que pode surgir: sempre os alunos deverão mostrar</p><p>aos demais o que pesquisaram no trabalho? A resposta é: depende.</p><p>E depende em grande parte das orientações e do encaminhamento</p><p>do professor. Vamos analisar da seguinte forma: o professor orien-</p><p>tará seus alunos para um trabalho em grupo em que todos os gru-</p><p>pos da sala farão a mesma pesquisa? Nesse caso, as apresentações</p><p>em grupo serão iguais, o que inviabilizará as ações de aprendiza-</p><p>gem devido à repetição excessiva. Por outro lado, se ao escolher</p><p>um tema o professor determinar que cada grupo de alunos discorra</p><p>sobre um aspecto daquele tema, os ganhos podem ficar muito mais</p><p>interessantes.</p><p>Nem sempre há harmonia e sorrisos e nem comunicação absoluta</p><p>nos grupos que trabalham juntos; é preciso considerar que embates</p><p>vão acontecer. E essa também é uma riqueza do trabalho: conflitos es-</p><p>tão presentes em muitos momentos de nossas vidas, por que não esta-</p><p>riam na escola? Nem sempre dá para satisfazer os desejos individuais,</p><p>que precisam ser sublimados em função dos coletivos; há brigas de</p><p>poder e afetividade. É preciso compreender que tudo isso é parte do</p><p>aprendizado que a convivência entre pessoas reforça. Mas caberá ao</p><p>professor não dar uma noção negativa quando os embates acontece-</p><p>rem, e sim auxiliar os alunos a enfrentar e administrar as dificuldades</p><p>(MOSCOVICI, 2018).</p><p>O trabalho em grupo é realmente uma grande alternativa para</p><p>aprender sobre respeito às opiniões divergentes e aprendizados sobre</p><p>gerenciar conflitos ou pontos de vistas discordantes, bem como para</p><p>desenvolver a escuta para além da fala (FERREIRA, 2019).</p><p>A escolha dos integrantes do grupo faz diferença se desejamos</p><p>que o trabalho possa somar as habilidades de cada um em prol de</p><p>uma aprendizagem comum. Normalmente os alunos querem esco-</p><p>lher os integrantes do grupo, uma vez que se sentem mais à vontade</p><p>com os amigos, mas recomenda-se que o professor esteja atento</p><p>a alguns pontos quando no momento da montagem dos grupos</p><p>(FERREIRA, 2019):</p><p>Tamanho do grupo: planejar previamente levando</p><p>em conta o número de estudantes daquela turma para</p><p>não correr o risco de formar grupos grandes demais,</p><p>pequenos demais ou de que haja alunos sobrando.</p><p>im</p><p>Gh</p><p>an</p><p>i/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Ausência de alunos: dividir igualmente em grupos</p><p>os alunos que não estiverem na sala de aula naquele</p><p>momento, para evitar concessões ou mudanças.</p><p>Critérios de montagem dos grupos: deixar os</p><p>critérios de separação de grupos de maneira clara para</p><p>todos os alunos. Neste caso podem ser por afetividade,</p><p>por sorteio, por definição do professor com base nas</p><p>habilidades de cada um (sem que precise especificar</p><p>esse ponto aos alunos).</p><p>Categorização das equipes: um ponto muito importante é</p><p>criar categorias em cada equipe que se forma e deixar que</p><p>os alunos escolham os participantes de cada categoria pelas</p><p>suas habilidades: o redator, o anotador, o líder e o moderador.</p><p>Lembrando que mesmo com tais atribuições (ou outras que</p><p>você escolher), todos os alunos são pesquisadores.</p><p>É muito importante que o professor compreenda que a formação do</p><p>grupo precisa impelir os alunos a potencializarem suas habilidades e me-</p><p>lhorarem suas competências acerca do assunto – e de maneira alguma o</p><p>grupo pode funcionar como opositor a isso. Por isso, a escolha dos inte-</p><p>grantes do grupo precisa ser bem feita e bem acompanhada, para que,</p><p>invariavelmente, quando os conflitos</p><p>chegarem o professor possa ajudar</p><p>o grupo e seu líder a pensar numa solução, analisando pontos de vista,</p><p>ações e habilidades dos integrantes. É realmente um exercício de convi-</p><p>vência e aprendizado tanto para o professor quanto para os alunos.</p><p>Para descontrair o grupo</p><p>de alunos e conhecer</p><p>mais sobre eles antes</p><p>de montar os grupos, há</p><p>algumas dinâmicas que</p><p>podem ajudar o profes-</p><p>sor. Neste link você pode</p><p>conhecer quatro rápidas</p><p>dinâmicas para realizar</p><p>com crianças do Ensino</p><p>Fundamental – Anos</p><p>Iniciais, Finais e Ensino</p><p>Médio.</p><p>Disponível em: https://www.</p><p>ibccoaching.com.br/portal/confira-</p><p>4-dinamicas-rapidas-para-fazer-</p><p>em-grupo/. Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>Leitura</p><p>https://www.ibccoaching.com.br/portal/confira-4-dinamicas-rapidas-para-fazer-em-grupo/</p><p>https://www.ibccoaching.com.br/portal/confira-4-dinamicas-rapidas-para-fazer-em-grupo/</p><p>https://www.ibccoaching.com.br/portal/confira-4-dinamicas-rapidas-para-fazer-em-grupo/</p><p>https://www.ibccoaching.com.br/portal/confira-4-dinamicas-rapidas-para-fazer-em-grupo/</p><p>Estratégias lúdicas para despertar o desejo de aprender 75</p><p>Tamanho do grupo: planejar previamente levando</p><p>em conta o número de estudantes daquela turma para</p><p>não correr o risco de formar grupos grandes demais,</p><p>pequenos demais ou de que haja alunos sobrando.</p><p>im</p><p>Gh</p><p>an</p><p>i/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Ausência de alunos: dividir igualmente em grupos</p><p>os alunos que não estiverem na sala de aula naquele</p><p>momento, para evitar concessões ou mudanças.</p><p>Critérios de montagem dos grupos: deixar os</p><p>critérios de separação de grupos de maneira clara para</p><p>todos os alunos. Neste caso podem ser por afetividade,</p><p>por sorteio, por definição do professor com base nas</p><p>habilidades de cada um (sem que precise especificar</p><p>esse ponto aos alunos).</p><p>Categorização das equipes: um ponto muito importante é</p><p>criar categorias em cada equipe que se forma e deixar que</p><p>os alunos escolham os participantes de cada categoria pelas</p><p>suas habilidades: o redator, o anotador, o líder e o moderador.</p><p>Lembrando que mesmo com tais atribuições (ou outras que</p><p>você escolher), todos os alunos são pesquisadores.</p><p>É muito importante que o professor compreenda que a formação do</p><p>grupo precisa impelir os alunos a potencializarem suas habilidades e me-</p><p>lhorarem suas competências acerca do assunto – e de maneira alguma o</p><p>grupo pode funcionar como opositor a isso. Por isso, a escolha dos inte-</p><p>grantes do grupo precisa ser bem feita e bem acompanhada, para que,</p><p>invariavelmente, quando os conflitos chegarem o professor possa ajudar</p><p>o grupo e seu líder a pensar numa solução, analisando pontos de vista,</p><p>ações e habilidades dos integrantes. É realmente um exercício de convi-</p><p>vência e aprendizado tanto para o professor quanto para os alunos.</p><p>Para descontrair o grupo</p><p>de alunos e conhecer</p><p>mais sobre eles antes</p><p>de montar os grupos, há</p><p>algumas dinâmicas que</p><p>podem ajudar o profes-</p><p>sor. Neste link você pode</p><p>conhecer quatro rápidas</p><p>dinâmicas para realizar</p><p>com crianças do Ensino</p><p>Fundamental – Anos</p><p>Iniciais, Finais e Ensino</p><p>Médio.</p><p>Disponível em: https://www.</p><p>ibccoaching.com.br/portal/confira-</p><p>4-dinamicas-rapidas-para-fazer-</p><p>em-grupo/. Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>Leitura</p><p>https://www.ibccoaching.com.br/portal/confira-4-dinamicas-rapidas-para-fazer-em-grupo/</p><p>https://www.ibccoaching.com.br/portal/confira-4-dinamicas-rapidas-para-fazer-em-grupo/</p><p>https://www.ibccoaching.com.br/portal/confira-4-dinamicas-rapidas-para-fazer-em-grupo/</p><p>https://www.ibccoaching.com.br/portal/confira-4-dinamicas-rapidas-para-fazer-em-grupo/</p><p>76 Educação Lúdica</p><p>Algumas dicas podem ajudar o professor a potencializar os resulta-</p><p>dos do trabalho em grupo (TRABALHO..., 2018):</p><p>• Ajude a criança a diversificar o grupo que trabalha.</p><p>• Faça grupos cuja característica maior seja a experiência da</p><p>diferença.</p><p>• Em algumas atividades, as crianças podem escolher com quem</p><p>trabalhar.</p><p>• Nunca permita que qualquer criança fique sem grupo e/ou que</p><p>não seja escolhida.</p><p>• Nunca silencie em situações de opressão: racismo, homofobia,</p><p>em relação a qualquer marca do corpo e todas as múltiplas for-</p><p>mas de opressão.</p><p>O professor precisa atuar com os alunos para delegar as responsa-</p><p>bilidades de cada integrante no trabalho, isso é muito desafiador e não</p><p>se deve esperar que eles consigam fazer isso sozinhos. É importante</p><p>se certificar de que a distribuição do trabalho – papéis e responsabi-</p><p>lidades de cada aluno – esteja muito clara para todos. O ideal é que o</p><p>professor crie algumas tarefas que exijam que os alunos pesquisem</p><p>de maneira independente e depois compartilhem no grupo que fazem</p><p>parte (KUNUTSON, 2018).</p><p>Quando um professor propõe uma atividade em grupo e permite que</p><p>os alunos se esforcem para buscar a solução ele está delegando a eles</p><p>o poder da autoridade. É fato que eles errarão (como parte do acertar),</p><p>mas a sensação de aprender por si só é algo muito importante. Delegar é</p><p>permitir que os alunos sejam responsáveis por partes específicas do seu</p><p>trabalho. Veja bem, delegar esse poder aos alunos não significa que o tra-</p><p>balho em grupo está sem controle, significa que seus alunos estão tam-</p><p>bém aprendendo sobre liberdade, responsabilidade e percebendo que</p><p>podem ir em busca de seus conhecimentos (COHEN; LOTAN, 2017).</p><p>Lembre-se de que o trabalho em grupo não possibilita ao aluno so-</p><p>mente a aprendizagem sobre o tema a ser estudado (mesmo que o ob-</p><p>jetivo seja o aumento de conhecimento nesse sentido), pois a relação</p><p>entre as pessoas também permite partilhar conhecimentos e valores</p><p>tanto sociais quanto culturais. Portanto, é na interação com pessoas di-</p><p>ferentes que o indivíduo conhece os outros, o objeto de aprendizagem</p><p>e a si mesmo, cresce e se situa como ser social, e para esse crescimento</p><p>o trabalho em grupo é muito importante.</p><p>Quando convive com grupos sociais, interagindo, ouvindo, questionando, di-</p><p>vidindo informações, a criança também está se encontrando, formando a sua</p><p>personalidade, tendo consciência de si própria (WALLON, 1995).</p><p>A interação também precisa vir da parte do professor e dos alunos.</p><p>É preciso relembrar que caberá ao professor as orientações, o acompa-</p><p>nhamento e a mediação das atividades dos grupos, de modo que os alu-</p><p>nos possam realmente aprender com o que estão pesquisando. Observe</p><p>que delegar não é transferir toda a responsabilidade do trabalho aos</p><p>alunos, mas também não é estar o tempo todo supervisionando. É orien-</p><p>tar, acompanhar, mas deixar que tenham meios para conseguir fazer o</p><p>que foi proposto por eles mesmos e que o façam ajudando um ao outro.</p><p>Algumas dicas podem ajudar o professor nesse sentido (FERREIRA, 2019):</p><p>Deixar bem claro o processo de execução do trabalho e o seu cronograma. Como</p><p>sugestão é importante deixar isso visível para todos. Não se trata das datas de</p><p>apresentação do trabalho, trata-se das datas e passos para a realização dele.</p><p>Verificar se há algum problema quanto aos materiais que os alunos vão acessar</p><p>ou adquirir para construção do trabalho.</p><p>Evitar que encontros do trabalho sejam feitos fora da escola. E, se forem feitos em</p><p>horários contrários às aulas, deixar bem esquematizado com a coordenação.</p><p>Incentivar o uso de ferramentas tecnológicas para a elaboração do trabalho, ajudando</p><p>os alunos a construírem o melhor.</p><p>kornn/Shutterstock</p><p>De certa forma, a palavra que permeia todo o trabalho que os gru-</p><p>pos realizam como estratégia de aprendizagem é colaboração! E cola-</p><p>boração é uma palavra que indica movimento, ação, pois pressupõe</p><p>interação, conversa e trabalho conjunto, bases de uma comunidade de</p><p>aprendizagem colaborativa (COHEN; LOTAN, 2017).</p><p>É necessário haver uma compreensão ampla do significado dessa</p><p>palavra para que se tenha colaboração entre os integrantes do grupo e</p><p>colaboração por parte do professor. Atente-se para o fato de que a pa-</p><p>lavra colaboração não está sendo usada aqui como um pedido de ajuda,</p><p>como muitos professores dizem em sala de aula: quero a colaboração de</p><p>Se você é um professor</p><p>que se sentiu desafiado</p><p>com essa visão do trabalho</p><p>em grupo, você precisa</p><p>conhecer o livro Planejando</p><p>o trabalho em grupo: estra-</p><p>tégias para sala de aulas</p><p>heterogêneas. Ele apresenta</p><p>de maneira leve conceitos</p><p>do trabalho em grupo com</p><p>abordagens que podem</p><p>realmente ajudar a efeti-</p><p>vação do trabalho em sala</p><p>de aula. Escrita por duas</p><p>autoras, que também são</p><p>professoras universitárias,</p><p>a leitura é muito elucidativa</p><p>e recheada de exemplos.</p><p>Invista seu tempo!</p><p>COHEN, E. G.; LOTAN, R. A. 3. ed.</p><p>Porto Alegre: Penso, 2017.</p><p>Livro</p><p>O vídeo Trabalho em</p><p>grupo! é perfeito para</p><p>exemplificar aos seus</p><p>alunos qual é a intenção</p><p>de um trabalho em</p><p>grupo. É um desenho</p><p>animado curto, mas com</p><p>certeza tocará alunos e</p><p>professores na percep-</p><p>ção de que não basta ser</p><p>bom, é preciso ser bom</p><p>em conjunto! Um minuto</p><p>do seu tempo e algumas</p><p>risadas! Não perca.</p><p>Disponível em: https://</p><p>www.youtube.com/</p><p>watch?v=Dc91Zp5ji2M.</p><p>Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>Vídeo</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=Dc91Zp5ji2M</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=Dc91Zp5ji2M</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=Dc91Zp5ji2M</p><p>Estratégias lúdicas para despertar o desejo de aprender 77</p><p>Quando convive com grupos sociais, interagindo, ouvindo, questionando, di-</p><p>vidindo informações, a criança também está se encontrando, formando a sua</p><p>personalidade, tendo consciência de si própria (WALLON, 1995).</p><p>A interação também precisa vir da parte do professor e dos alunos.</p><p>É preciso relembrar que caberá ao professor as orientações, o acompa-</p><p>nhamento e a mediação das atividades dos grupos, de modo que os alu-</p><p>nos possam realmente aprender com o que estão pesquisando. Observe</p><p>que delegar não é transferir toda a responsabilidade do trabalho aos</p><p>alunos, mas também não é estar o tempo todo supervisionando. É orien-</p><p>tar, acompanhar, mas deixar que tenham meios para conseguir fazer o</p><p>que foi proposto por eles mesmos e que o façam ajudando um ao outro.</p><p>Algumas dicas podem ajudar o professor nesse sentido (FERREIRA, 2019):</p><p>Deixar bem claro o processo de execução do trabalho e o seu cronograma. Como</p><p>sugestão é importante deixar isso visível para todos. Não se trata das datas de</p><p>apresentação do trabalho, trata-se das datas e passos para a realização dele.</p><p>Verificar se há algum problema quanto aos materiais que os alunos vão acessar</p><p>ou adquirir para construção do trabalho.</p><p>Evitar que encontros do trabalho sejam feitos fora da escola. E, se forem feitos em</p><p>horários contrários às aulas, deixar bem esquematizado com a coordenação.</p><p>Incentivar o uso de ferramentas tecnológicas para a elaboração do trabalho, ajudando</p><p>os alunos a construírem o melhor.</p><p>kornn/Shutterstock</p><p>De certa forma, a palavra que permeia todo o trabalho que os gru-</p><p>pos realizam como estratégia de aprendizagem é colaboração! E cola-</p><p>boração é uma palavra que indica movimento, ação, pois pressupõe</p><p>interação, conversa e trabalho conjunto, bases de uma comunidade de</p><p>aprendizagem colaborativa (COHEN; LOTAN, 2017).</p><p>É necessário haver uma compreensão ampla do significado dessa</p><p>palavra para que se tenha colaboração entre os integrantes do grupo e</p><p>colaboração por parte do professor. Atente-se para o fato de que a pa-</p><p>lavra colaboração não está sendo usada aqui como um pedido de ajuda,</p><p>como muitos professores dizem em sala de aula: quero a colaboração de</p><p>Se você é um professor</p><p>que se sentiu desafiado</p><p>com essa visão do trabalho</p><p>em grupo, você precisa</p><p>conhecer o livro Planejando</p><p>o trabalho em grupo: estra-</p><p>tégias para sala de aulas</p><p>heterogêneas. Ele apresenta</p><p>de maneira leve conceitos</p><p>do trabalho em grupo com</p><p>abordagens que podem</p><p>realmente ajudar a efeti-</p><p>vação do trabalho em sala</p><p>de aula. Escrita por duas</p><p>autoras, que também são</p><p>professoras universitárias,</p><p>a leitura é muito elucidativa</p><p>e recheada de exemplos.</p><p>Invista seu tempo!</p><p>COHEN, E. G.; LOTAN, R. A. 3. ed.</p><p>Porto Alegre: Penso, 2017.</p><p>Livro</p><p>O vídeo Trabalho em</p><p>grupo! é perfeito para</p><p>exemplificar aos seus</p><p>alunos qual é a intenção</p><p>de um trabalho em</p><p>grupo. É um desenho</p><p>animado curto, mas com</p><p>certeza tocará alunos e</p><p>professores na percep-</p><p>ção de que não basta ser</p><p>bom, é preciso ser bom</p><p>em conjunto! Um minuto</p><p>do seu tempo e algumas</p><p>risadas! Não perca.</p><p>Disponível em: https://</p><p>www.youtube.com/</p><p>watch?v=Dc91Zp5ji2M.</p><p>Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>Vídeo</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=Dc91Zp5ji2M</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=Dc91Zp5ji2M</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=Dc91Zp5ji2M</p><p>vocês! (para que os alunos façam silêncio durante uma explicação, por</p><p>exemplo). Nada disso! Não é a colaboração do silêncio. A colaboração</p><p>aqui está sendo entendida como uma ação de contribuição à execução</p><p>do trabalho, do acompanhamento das tarefas. Parte da ideia de que to-</p><p>dos fazem parte da mesma equipe, como num time de futebol, digamos,</p><p>e precisam colaborar com algo para o resultado final. Não se deve enten-</p><p>der a colaboração como ausência de atitude.</p><p>Seja no ambiente escolar ou profissional de modo geral, equipe e</p><p>grupo parecem ser a mesma coisa, porém no ambiente empresarial</p><p>convencionou-se chamar grupos de trabalho de equipes e desejamos</p><p>trazer essa visão para a educação.</p><p>Conceitualmente, o que difere grupo de equipe é a sensação de per-</p><p>tencimento, o comprometimento do grupo em torno de um resultado</p><p>comum. Acompanhe isso num exemplo:</p><p>O professor do quarto ano do Ensino Fundamental sugere um trabalho em grupo e</p><p>divide o tema em vários tópicos, pede que os alunos façam o trabalho por conta pró-</p><p>pria e define o dia para a apresentação. Não vai ser algo incomum se os alunos divi-</p><p>direm o trabalho entre eles, deixando cada um responsável por escrever um pedaço</p><p>e apresentá-lo. Certamente você já viu isso acontecer. Mas imagine que estivéssemos</p><p>falando de um time de futebol, cuja missão seria ganhar determinado jogo. O que</p><p>seria mais provável? Que eles treinassem, que o técnico desse dicas, analisasse os</p><p>resultados e estivesse sempre ao lado de seus jogadores, certo? Pois é essa a ideia</p><p>de equipe que se pretende imprimir no trabalho de um grupo escolar: uma equipe</p><p>não trabalha individualmente, porque o jogo é coletivo. Então de nada adianta um</p><p>jogador estar bem em forma e desempenho, e os demais não. Dificilmente se encon-</p><p>trará bom resultado assim. Por outro lado, equipe coesa, com boas orientações, que</p><p>treinou e estudou junto, tem muito mais chances de crescer e aprender. Consegue</p><p>agora olhar o trabalho em grupo sob essa perspectiva de equipe?</p><p>Go</p><p>ro</p><p>de</p><p>nk</p><p>of</p><p>f/</p><p>sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Exemplo</p><p>O autor do livro As 17</p><p>incontestáveis leis do</p><p>trabalho em equipe: des-</p><p>cubra os segredos para o</p><p>desenvolvimento de equipes</p><p>vencedoras é conhecido</p><p>por suas diversas publi-</p><p>cações no mundo corpo-</p><p>rativo, incluindo muitos</p><p>best-sellers. Nesse livro ele</p><p>trata do tema trabalho em</p><p>equipe, analisando casos</p><p>e propondo um olhar</p><p>diferenciado em 17 leis</p><p>(temas, na verdade) que</p><p>podem ajudar o professor</p><p>tanto a desenvolver es-</p><p>pírito de equipe em seus</p><p>alunos quanto em si mes-</p><p>mo. Leitura desafiadora,</p><p>linguagem clara e muito</p><p>interessante.</p><p>MAXWELL, J. C. Trad. de Emirson</p><p>Justino. Rio de Janeiro: Thomas</p><p>Nelson, 2007.</p><p>Livro</p><p>7878 Educação LúdicaEducação Lúdica</p><p>Estratégias lúdicas para despertar o desejo de aprender 79</p><p>É importante que você compreenda que não se trata somente de</p><p>mudar a terminologia, chamar os grupos de trabalho de equipes e</p><p>achar que tudo se resolverá assim. O desafio é fazer com que esses</p><p>grupos trabalhem em espírito de equipe, com colaboração, respeito às</p><p>diferenças e focando um objetivo comum, cada um com suas caracte-</p><p>rísticas. Somando talentos, sempre se pode chegar mais longe.</p><p>4.2 Atividades entre pares</p><p>Vídeo</p><p>Imagine um tipo de dinâmica de grupo em que os alunos são divi-</p><p>didos em pares e a partir desse encontro estudarão juntos, buscarão</p><p>conhecimentos, melhorarão suas habilidades e aprenderão um com a</p><p>colaboração do outro. Isso não precisa ficar no campo da imaginação,</p><p>essa metodologia existe desde a década de 1990, sob o nome (em in-</p><p>glês) Peer Instruction, com tradução livre de Instrução entre Pares, in-</p><p>tegrando o que se convencionou chamar de metodologias</p><p>ativas. Seu</p><p>desenvolvedor foi o professor Eric Mazur (2015), que lecionava a disci-</p><p>plina de Física na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.</p><p>Metodologias ativas são aquelas que problematizam a realidade</p><p>como uma estratégia de ensino e com isso permitem que haja ação do</p><p>aluno para a resolução de problemas. É totalmente contrária à ideia de</p><p>passividade do aluno em sala de aula e da hegemonia da aula presen-</p><p>cial (CAMARGO; DAROS, 2018).</p><p>Claro que muitos de nós aprendemos com a aula expositiva e a re-</p><p>petição, mas há que se reconhecer que não foi tão fácil fazer isso e que</p><p>muitos realmente não aprenderam. É possível portanto concordar que</p><p>a metodologia expositiva pode até ser uma “excelente maneira de en-</p><p>sinar, mas é uma péssima maneira de aprender” (CAMARGO; DAROS,</p><p>2018, p. 1). Com base na ideia de que as demandas de aprendizagem</p><p>dos alunos mudaram e de que é preciso retirar o aluno da posição</p><p>daquele que tem contato com muita informação, mas não consegue</p><p>transformá-la em conhecimento, as metodologias ativas ganham cada</p><p>vez mais destaque nas escolas.</p><p>De modo geral, a Peer Instruction, criada pelo professor Mazur</p><p>(2015), desenvolve suas atividades seguindo etapas (lembre-se de que</p><p>ele era professor de Física e usava essa técnica para que seus alunos</p><p>conseguissem aprender conceitos da sua disciplina).</p><p>As metodologias ativas</p><p>estão em alta na educa-</p><p>ção, pois valorizam a ação</p><p>do aluno na construção</p><p>de seu conhecimento. O</p><p>livro Metodologias ativas</p><p>para uma educação ino-</p><p>vadora: uma abordagem</p><p>teórico-prática apresenta</p><p>muitos conceitos sobre</p><p>as diversas formas de</p><p>metodologia ativas que</p><p>existem, e você certa-</p><p>mente poderá aprender</p><p>muito com essa leitura.</p><p>BACICH, L.; MORAN, J. (org.). Porto</p><p>Alegre: Penso, 2018.</p><p>Livro</p><p>80 Educação Lúdica</p><p>Quadro 1</p><p>Etapas do Peer Instruction</p><p>Etapas Ações</p><p>1ª etapa</p><p>Os conceitos sobre um tema são apresentados por um curto período de tempo, em no</p><p>máximo 15 minutos.</p><p>2ª etapa Exibição de uma questão de múltipla escolha sobre o tema apresentado.</p><p>3ª etapa Os alunos são informados que têm 3 minutos para ler e responder à questão.</p><p>4ª etapa</p><p>Os alunos escolhem as alternativas que consideram corretas, levantando simultaneamen-</p><p>te flash cards com as letras A, B ou C.</p><p>5ª etapa O professor avalia as respostas e informa a classe sobre a distribuição geral de respostas.</p><p>6ª etapa</p><p>Se a maioria dos alunos escolheu a resposta certa, o professor confirma e passa para a</p><p>próxima questão.</p><p>7ª etapa</p><p>Caso ocorra grande divergência nas respostas, o professor deve estabelecer um tempo</p><p>de aproximadamente 2 minutos para que cada aluno defenda sua resposta com o colega</p><p>ao seu lado.</p><p>8ª etapa</p><p>Depois de trazer as discussões sobre as respostas, a classe então escolhe novamente a</p><p>resposta. A classe então volta a resposta novamente e voltamos para a etapa 5.</p><p>9ª etapa</p><p>Se a proporção de alunos com a resposta certa aumentou após a discussão, o professor pode</p><p>confirmá-la e passar para o próximo tópico ou questão. Se não, o professor pode querer ex-</p><p>plicar a resposta certa antes de passar.</p><p>Fonte: Butchart, Handfield e Restall, 2009, apud FEREIRA; KEMPNER-MOREIRA, 2017, p. 4</p><p>Como você pode ver no quadro, trata-se exatamente de uma se-</p><p>quência de etapas. Flash cards, que são indicados no quadro, são pla-</p><p>cas que sinalizam qual é a alternativa escolhida pelos alunos, ou seja,</p><p>os alunos escolhiam e levantavam a placa indicando a alternativa, o</p><p>que tornava a aula, além de ativa no campo cognitivo, uma vez que</p><p>os alunos precisavam ler as alternativas para fazer a escolha, também</p><p>divertida, porque as respostas eram levantadas como em um grande</p><p>programa de auditório.</p><p>Com o tempo, as placas chamadas flash cards foram substituídas</p><p>por aplicativos de celular ou computador, que poderiam dar as por-</p><p>centagens das escolhas das letras rapidamente ao professor. Mas as</p><p>placas ainda são usadas nessa técnica em muitos lugares (então não</p><p>dispor de recursos tecnológicos para efetivar a técnica não serve como</p><p>desculpa para não aplicar este método).</p><p>Analise a importância de você, professor, elaborar questões com</p><p>respostas inteligentes e contextualizadas que permitam que seus alu-</p><p>nos reflitam, para que possa perceber se os alunos encontraram res-</p><p>postas pertinentes. A proposta é que os alunos pensem no que estão</p><p>respondendo e não somente escolham uma resposta aleatória.</p><p>A interação com os pares, com base nas respostas (e ainda sem os</p><p>alunos saberem qual era a resposta correta) permite que duas pessoas</p><p>revejam suas opiniões, que podem ser contrárias a princípio, e argu-</p><p>mentem no sentido de eleger uma única resposta para a dupla.</p><p>Os itens listados impõem movimento nas aulas e isso gera respos-</p><p>tas dos alunos: ação no lugar de passividade.</p><p>Ouvir o outro.</p><p>Considerar opinião</p><p>diferente da sua.</p><p>Rever conceitos.</p><p>Compreender que sua</p><p>opinião pode não ser a</p><p>única correta.</p><p>Aprender com</p><p>o erro.</p><p>Mudar de opinião.</p><p>lu</p><p>st</p><p>ra</p><p>çã</p><p>o:</p><p>ro</p><p>bu</p><p>ar</p><p>t/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>-</p><p>Íc</p><p>on</p><p>es</p><p>: V</p><p>ec</p><p>to</p><p>r s</p><p>tre</p><p>et</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Estratégias lúdicas para despertar o desejo de aprenderEstratégias lúdicas para despertar o desejo de aprender 8181</p><p>82 Educação Lúdica</p><p>O professor Mazur (2015) indica que se deve considerar a porcentagem</p><p>de 75% para determinar que a sala havia entendido o conceito explicado.</p><p>Assim, se 75% dos alunos acertassem a resposta, o professor retomaria o</p><p>conceito ensinado para esclarecer a quem não tinha o entendido. Caso a</p><p>porcentagem fosse menor, retomava o trabalho em duplas.</p><p>É importante considerar que para que tal instrução funcionar é ab-</p><p>solutamente necessário que o aluno já tenha algum conhecimento so-</p><p>bre o assunto. Por isso, a primeira parte de um Peer Instruction é o ato</p><p>de o professor disponibilizar um material para os alunos lerem sobre o</p><p>assunto antes das aulas.</p><p>Nesse momento é preciso avaliar e escolher com critério tais mate-</p><p>riais. É sabido que os estudantes não têm o hábito de ler sobre os con-</p><p>teúdos das aulas previamente. Talvez até por falta de proposta por parte</p><p>de seus professores, mas nesse modelo de aprendizagem ativa é preciso</p><p>que haja uma leitura prévia, que vai se concretizar com as explicações</p><p>dadas pelo professor e a sequência de passos indicada no quadro. Por</p><p>isso, salienta-se ao professor que faça escolha de materiais que possam</p><p>fazer sentido a alguém que o lê pela primeira vez. O material em si não</p><p>vai ensinar, só vai aproximar o aluno do conteúdo. Considerando, por-</p><p>tanto, a falta de hábito de leitura de documentos antes das aulas, esco-</p><p>lha com critério, para que o documento faça o primeiro papel de motivar</p><p>para a aprendizagem, e não o contrário.</p><p>O que consideramos aqui como atividades entre pares não se resu-</p><p>me a Peer Instruction e ao seguimento de etapas. Queremos que você</p><p>reflita sobre a importância da atividade lúdica, da ação do aluno nas</p><p>opções metodológicas que escolhe. Seguindo ou não as orientações</p><p>da Peer Instruction, atividades entre pares (ou grupos pequenos) são</p><p>sempre possíveis na escola.</p><p>Pares aqui podem ser duplas ou grupos pequenos (é comum nas es-</p><p>colas brasileiras que se formem trios), desde que um integrante não anule</p><p>a possibilidade do outro. Veja bem, temos um critério para a definição</p><p>desses pequenos grupos, uma dica ao professor: escolha (ou permita que</p><p>eles escolham) alunos diferentes, porém próximos! Vamos explicar.</p><p>Sabia que dá para ensinar</p><p>matemática com Peer</p><p>Instruction? Com a popula-</p><p>rização das metodologias</p><p>ativas, a aprendizagem</p><p>entre pares foi sendo</p><p>aplicada em diversas</p><p>faculdades e também</p><p>no Ensino Fundamental.</p><p>A dissertação de Bruna</p><p>Ligabo de Moura é fruto</p><p>de um estudo que aplicou</p><p>essa metodologia em</p><p>escolas brasileiras. Vale</p><p>a leitura para conhecer</p><p>a experiência de outra</p><p>professora e, quem sabe,</p><p>seguir os passos dela.</p><p>Disponível em: https://teses.usp.</p><p>br/teses/disponiveis/97/97138/</p><p>tde-21112017-141058/publico/</p><p>PED17006_C.pdf. Acesso em: 3</p><p>nov. 2022.</p><p>Leitura</p><p>As atividades em dupla</p><p>podem ser igualmente</p><p>parte de um projeto</p><p>maior.</p><p>No texto deste</p><p>link a professora conta</p><p>sua experiência com</p><p>produção de textos, em</p><p>que disponibilizou previa-</p><p>mente alguns textos para</p><p>conhecimento dos alunos</p><p>e usou o trabalho entre</p><p>pares para melhorar as</p><p>produções de cada um.</p><p>Atividade para ser seguida</p><p>nas escolas de todo Brasil.</p><p>Disponível em: https://novaescola.</p><p>org.br/conteudo/3357/como-</p><p>oferecer-bons-modelos-para-a-</p><p>producao-de-texto-dos-alunos.</p><p>Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>Leitura</p><p>https://teses.usp.br/teses/disponiveis/97/97138/tde-21112017-141058/publico/PED17006_C.pdf</p><p>https://teses.usp.br/teses/disponiveis/97/97138/tde-21112017-141058/publico/PED17006_C.pdf</p><p>https://teses.usp.br/teses/disponiveis/97/97138/tde-21112017-141058/publico/PED17006_C.pdf</p><p>https://teses.usp.br/teses/disponiveis/97/97138/tde-21112017-141058/publico/PED17006_C.pdf</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/3357/como-oferecer-bons-modelos-para-a-producao-de-texto-dos-alunos</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/3357/como-oferecer-bons-modelos-para-a-producao-de-texto-dos-alunos</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/3357/como-oferecer-bons-modelos-para-a-producao-de-texto-dos-alunos</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/3357/como-oferecer-bons-modelos-para-a-producao-de-texto-dos-alunos</p><p>Estratégias lúdicas para despertar o desejo de aprender 83</p><p>Diferentes, porém próximos</p><p>Diferentes porque assim cada um vai poder ajudar o outro a encontrar novas</p><p>perspectivas, novas direções, diferentes formas de pensar, de agir. E próximos</p><p>porque tal diferença não pode ser muito grande, sob o risco de realmente um</p><p>anular o outro. Analise: se um aluno é muito falante e o outro é extremamente</p><p>quieto, a possibilidade de que no pequeno grupo a opinião daquele que se</p><p>expressa verbalmente seja preferida em lugar do mais quieto é muito alta. E</p><p>assim, enquanto professor, você deixa de conhecer as opiniões daquele que</p><p>se expõe pouco. Já se dois próximos estiverem juntos (dois falantes, por</p><p>exemplo) precisarão encontrar meios de reunir uma opinião única, enquanto</p><p>outro grupo mais quieto vai mostrar que pode opinar sem tanta eloquência,</p><p>mas também com potencial alto de aprendizagem.</p><p>Dm</p><p>yt</p><p>ro</p><p>Z</p><p>in</p><p>ke</p><p>vy</p><p>ch</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Acompanhe aqui outras dicas para montar duplas de crianças para</p><p>o trabalho (RODRIGUES, 2018):</p><p>• pensar nos níveis de aprendizagem próximos e, em outros casos,</p><p>em níveis de aprendizagem;</p><p>• em alguns casos, utilizar como critério o parceiro como modelo;</p><p>• considerar, sobretudo, o objetivo da atividade;</p><p>• considerar que, para que as trocas ocorram, as diferenças de habi-</p><p>lidades e competências não podem ser grandes;</p><p>(Continua)</p><p>É sempre importante</p><p>que o professor monte</p><p>suas próprias aulas, mas</p><p>conhecer bons exemplos</p><p>também ajuda muito</p><p>neste processo. Que tal</p><p>um plano de aula para</p><p>que a criança aprenda</p><p>em duplas e possa, por</p><p>meio da comparação de</p><p>números, refletir sobre o</p><p>sistema numérico decimal</p><p>e suas regularidades? É</p><p>um objetivo proposto pela</p><p>Base Nacional Comum</p><p>Curricular. Acesse o link e</p><p>conheça esse plano pron-</p><p>tinho para você aplicar na</p><p>sua sala.</p><p>Disponível em: https://novaescola.</p><p>org.br/planos-de-aula/</p><p>fundamental/1ano/matematica/</p><p>batalha-reflexao-sobre-o-sistema-</p><p>numerico-decimal/413. Acesso em:</p><p>3 nov. 2022.</p><p>Dica</p><p>https://novaescola.org.br/planos-de-aula/fundamental/1ano/matematica/batalha-reflexao-sobre-o-sistema-numerico-decimal/413</p><p>https://novaescola.org.br/planos-de-aula/fundamental/1ano/matematica/batalha-reflexao-sobre-o-sistema-numerico-decimal/413</p><p>https://novaescola.org.br/planos-de-aula/fundamental/1ano/matematica/batalha-reflexao-sobre-o-sistema-numerico-decimal/413</p><p>https://novaescola.org.br/planos-de-aula/fundamental/1ano/matematica/batalha-reflexao-sobre-o-sistema-numerico-decimal/413</p><p>https://novaescola.org.br/planos-de-aula/fundamental/1ano/matematica/batalha-reflexao-sobre-o-sistema-numerico-decimal/413</p><p>84 Educação Lúdica</p><p>• considerar que deve haver um nível mínimo de empatia entre os colegas;</p><p>• ter claros os objetivos da atividade;</p><p>• cuidar para que a dupla não permaneça a mesma por muito tempo;</p><p>• trocar as duplas de acordo com os objetivos de trabalho. Sendo</p><p>assim, no mesmo dia pode haver mudanças de dupla, por exem-</p><p>plo: uma dupla para atividade de produção de texto e, outra dupla,</p><p>para a atividade de matemática.</p><p>an</p><p>ek</p><p>.s</p><p>oo</p><p>wa</p><p>nn</p><p>ap</p><p>ho</p><p>om</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Aprender com o outro é sempre possível. Nesse caso, em duplas ou</p><p>trios em que haja interação e atividade, as crianças podem aprender,</p><p>para além da disciplina, a viver em sociedade. Tudo isso de maneira</p><p>lúdica e divertida.</p><p>4.3 Construção de jogos e brincadeiras</p><p>Vídeo</p><p>Que jogos e brincadeiras são muito importantes no ensino de crian-</p><p>ças pequenas todo mundo já sabe (ou pelo menos espera-se que todo</p><p>mundo da escola já saiba, não é?). O brincar é uma força natural pre-</p><p>sente em todas as pessoas e fortemente representada na infância.</p><p>Ao brincar as crianças experimentam o mundo: testam habilidades</p><p>físicas e cognitivas, aprendem regras, treinam as relações interpessoais</p><p>e a possibilidade de viver em sociedade, vivenciam conflitos e precisam</p><p>organizar ou aprender a controlar suas emoções (BRITES, 2020).</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/g/aneoho</p><p>Estratégias lúdicas para despertar o desejo de aprender 85</p><p>Mas brincar com brinquedos prontos, ou chamados brinquedos estru-</p><p>turados, não é a única forma de aprendizagem com jogos e brincadeiras: é</p><p>possível aprender também construindo seu brinquedo e jogo, ou utilizan-</p><p>do objetos que funcionam como símbolos, representando alguma coisa</p><p>diferente do que são, e é sobre isso que trataremos a partir de agora.</p><p>Não se trata de dar receitas de brinquedos que possam ser cons-</p><p>truídos, pois isso você achará facilmente em uma simples pesquisa em</p><p>buscadores on-line. O que desejamos é fazer você refletir sobre a impor-</p><p>tância da oferta de criação de brinquedos e brincadeiras para o desen-</p><p>volvimento das crianças. A pergunta que precisa ser respondida é: por</p><p>que oferecer opções de construção de brinquedos com materiais alter-</p><p>nativos se há uma gama enorme de brinquedos prontos disponíveis?</p><p>Vamos começar respondendo que é verdade a última parte da per-</p><p>gunta. Há realmente uma quantia imensa de brinquedos prontos e mui-</p><p>tos deles são excelentes para o desenvolvimento infantil. Alguns são</p><p>jogos, outros exploram o lado comercial, aspectos tecnológicos; alguns</p><p>brinquedos apresentam temas ecológicos, outros exploram multimeios</p><p>e encantam por suas cores, luzes e sons. Hoje em dia dá para escolher</p><p>brinquedos para as crianças com muita opção, variedade e qualidade.</p><p>Então, retomamos a pergunta: por que construir brinquedos?</p><p>Porque, quando constroem jogos, as crianças desenvolvem suas</p><p>potencialidades, divertem-se e ficam mais dispostas a aprender, mais</p><p>interessadas nas linguagens, mais capazes de se interrogar, de fazer</p><p>perguntas, de se organizar e de fazer uma série de interações (DUBO-</p><p>VICK; CIPPITELLI, 2018). Também vamos ponderar que construir brin-</p><p>quedos com materiais disponíveis (muitos deles inclusive considerados</p><p>sucatas) possibilita a reutilização de materiais, que é bem oportuna</p><p>num mundo com tanto consumismo, não é?</p><p>A construção de brinquedos possibilita o desenvolvimento da crian-</p><p>ça nos seguintes aspectos:</p><p>Motores, pois precisará refinar sua coordenação motora</p><p>para colar, recortar, encaixar.</p><p>Cognitivo, pois precisará compreender tamanhos, distâncias,</p><p>propriedades de materiais.</p><p>Emocionais, pois precisará dividir espaço e materiais, compartilhar.</p><p>1</p><p>2</p><p>1</p><p>No link a seguir você pode</p><p>conhecer 50 modelos de</p><p>brinquedos que podem</p><p>ser construídos com</p><p>sucata, para que você</p><p>possa criar e inovar na</p><p>construção de brinquedos</p><p>com suas crianças. Não</p><p>há limite de idade, basta</p><p>você propor a atividade</p><p>respeitando os interesses</p><p>dos seus alunos.</p><p>Disponível em: https://soloinfantil.</p><p>com/brinquedos/brinquedo-de-</p><p>sucata/. Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>Dica</p><p>1</p><p>ko</p><p>rn</p><p>n/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>-</p><p>2</p><p>da</p><p>vo</p><p>od</p><p>a/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Para assistir e se encan-</p><p>tar: a série Brinquedos e</p><p>brincadeiras</p><p>desper-</p><p>tar sentimentos diferentes nas pessoas envolvidas, porque não é ape-</p><p>nas o corpo que estará em movimento, é também a mente que estará</p><p>permeada de lembranças e emoções.</p><p>“A ludicidade não está diretamente relacionada a jogos e brincadeiras [...]</p><p>A ludicidade está, sim, relacionada à atitude interna do indivíduo que expe-</p><p>rimenta uma experiência de integração entre seu sentir, seu pensar e seu</p><p>fazer”. (LUCKESI, 2000, p. 24)</p><p>Claro que para participar de uma atividade lúdica as pessoas preci-</p><p>sam se familiarizar com as regras dela. Brougère (1998) propôs o termo</p><p>cultura lúdica, e, para o autor, essa cultura é o “conjunto de regras e</p><p>significações próprias do jogo que o jogador adquire e domina no con-</p><p>texto de seu jogo” (BROUGÈRE, 1998, p. 1). Segundo ele, esse conjunto</p><p>de regras e significações é necessário para que a experiência da ludici-</p><p>dade seja completa. Resumidamente: se o participante se apropria das</p><p>regras e das movimentações da ludicidade que participa, há maiores</p><p>chances de ela resultar numa ação positiva.</p><p>Exemplificaremos para um melhor entendimento: imagine um jogo</p><p>de xadrez. Podemos explorar o jogo de infinitas formas, mas para jo-</p><p>gar xadrez é preciso antes aprendermos as regras – pelo menos parte</p><p>delas – para iniciar, uma vez que é correto afirmar que algumas regras</p><p>podem ser aprendidas ou fortalecidas durante o jogo. Assim, aprender</p><p>as regras é uma forma de aprender sobre a cultura que envolve o jogo,</p><p>como o local em que o jogo foi criado, o tempo que demora uma par-</p><p>tida, qual o objetivo etc. Conhecer e jogar envolve aprender também</p><p>sobre tempo, espera e estratégias.</p><p>E qual a relação do jogo de xadrez com a cultura lúdica? É</p><p>que as referidas regras desse jogo foram formadas com base</p><p>na cultura da população e da época em que ele foi criado.</p><p>Dessa maneira, ao conhecer as regras do jogo, o participante</p><p>Katerina Chek/Shutte</p><p>rst</p><p>oc</p><p>k</p><p>14 Educação Lúdica</p><p>também está perpetuando aquela cultura por todo o mundo em outros</p><p>tempos, mesmo sem estudar ou ter a intenção de fazer isso diretamente.</p><p>Como a ludicidade está presente há muito tempo na humanidade,</p><p>há jogos diferentes em várias partes do mundo, com regras variadas,</p><p>cada um próprio de uma cultura diferente.</p><p>Assim, se você ampliar esse pequeno exemplo do xadrez para ou-</p><p>tros jogos, vai compreender que a ludicidade, vista dessa forma, além</p><p>de ser uma força interior presente nas espécies, é também formada e</p><p>formadora de cultura. Pensando na ludicidade aplicada ao jogo, po-</p><p>demos afirmar que ela é:</p><p>• formada pela cultura, porque o jogo foi criado num tempo e es-</p><p>paço de referida cultura, portanto é parte dela; e</p><p>• formadora de cultura, porque ao ser reproduzida por anos, e às</p><p>vezes séculos, mais tarde, ela contribui para a formação de no-</p><p>vas culturas, tendo por base um jogo antigo. Como é o caso do</p><p>xadrez, que existe há muitos séculos, é reproduzido em vários</p><p>lugares do mundo e faz parte da cultura de muita gente, nos mais</p><p>diferentes espaços geográficos. Ou seja, diferentes culturas cau-</p><p>sam diferentes formas de ludicidade, isso desde o início dos tem-</p><p>pos na humanidade até agora.</p><p>Pensar o conceito de ludicidade, dessa maneira, nos leva a duas</p><p>dimensões:</p><p>a) a de que as atividades lúdicas são criações culturais, são atos</p><p>sociais, oriundos das relações dos homens entre si na sociedade;</p><p>b) a de que a ludicidade é um estado de ânimo, um estado de</p><p>espírito que expressa um sentimento de entrega, de inteireza,</p><p>de vivência plena, e diz respeito à realidade interna do indivíduo</p><p>(D’ÁVILA, 2014, p. 94).</p><p>É muito importante considerar que a ludicidade faz parte da natu-</p><p>reza humana e da cultura e que, desse modo, pode ser uma excelente</p><p>ferramenta em muitos aspectos da vida diária, inclusive nos aspectos</p><p>que envolvem o processo de ensino-aprendizagem. Porém, é preciso</p><p>de fato considerar as duas premissas indicadas: não há como conceber</p><p>um conceito de ludicidade a ser vivenciado atualmente sem levar em</p><p>consideração a cultura que a ludicidade representa e a entrega parti-</p><p>cular do indivíduo – e o que acarretará disso, como emoções diversas,</p><p>aprendizados e lembranças – nos processos lúdicos que vivenciará.</p><p>O Gambito da Rainha é</p><p>uma série cuja trama tem</p><p>como central o jogo de</p><p>xadrez e foi premiada</p><p>com o Emmy de melhor</p><p>minissérie. O enredo</p><p>envolve uma garota que</p><p>se torna um prodígio</p><p>em xadrez analisando</p><p>jogadas e desenvolvendo</p><p>estratégias diferentes no</p><p>jogo. Além disso, mostra</p><p>aspectos interessantes</p><p>da ludicidade, como as</p><p>emoções despertadas na</p><p>personagem principal e</p><p>nos seus oponentes, bem</p><p>como a questão da busca</p><p>por vitórias versus a par-</p><p>ticipação para diversão.</p><p>Sem dúvida você precisa</p><p>assistir!</p><p>Direção: Scott Frank. EUA:</p><p>Wonderful Films, 2020.</p><p>Série</p><p>1.2 Ludicidade presente na história humana</p><p>Vídeo</p><p>A ludicidade está presente na história da humanidade desde o iní-</p><p>cio, seja como construção cultural, seja como energia vital. Cada época,</p><p>porém, tratou a questão da ludicidade de uma forma, considerando o</p><p>contexto social e político envolvido, fazendo com que estivesse presen-</p><p>te, por exemplo, em cerimônias religiosas, comemorações e disputas.</p><p>Também com diferentes finalidades, os jogos lúdicos sempre esti-</p><p>veram presentes nas distintas culturas. Nesse contexto, é importante</p><p>destacar que os jogos originalmente não foram criados para diverti-</p><p>mento ou aprendizado das crianças de modo particular, e sim para</p><p>toda a comunidade (principalmente a adulta). A ludicidade que os jogos</p><p>proporcionavam funcionava como espaço para incutir, difundir e per-</p><p>petuar a cultura daquele determinado povo, numa atividade integrada</p><p>à vida cotidiana (PRISTA; TEMBE; EDMUNDO, 1992).</p><p>Há certa relação dos jogos com o trabalho: as tarefas cotidianas, na</p><p>Antiguidade, por exemplo, eram realizadas numa espécie de brinca-</p><p>deira, como um jogo com regra, e por meio dele muitos ensinamentos</p><p>eram repassados às crianças (inclusive jogos de guerra, visto o caráter</p><p>guerreiro da população). Assim, o lúdico atuava como preparação do</p><p>indivíduo para a vida adulta. Considere, no entanto, que o trabalho não</p><p>era visto com a função social que vemos hoje, era apenas um fazer re-</p><p>petitivo e necessário, que muitas vezes era realizado (devido ao caráter</p><p>repetitivo) como sendo uma brincadeira (HUIZINGA, 2005).</p><p>Yu</p><p>eS</p><p>toc</p><p>k/</p><p>Sh</p><p>utt</p><p>ers</p><p>toc</p><p>k</p><p>Ludicidade humana: autoconhecimento e socializaçãoLudicidade humana: autoconhecimento e socialização 1515</p><p>16 Educação Lúdica</p><p>Um exemplo é o Mancala, um dos jogos considerados mais antigos</p><p>do mundo, que trata da semeadura, considerando que a época do seu</p><p>desenvolvimento era agrária. No entanto, não era um jogo em que se</p><p>fazia de conta que alguém semearia, era de fato a ação de semear a terra</p><p>que resultava numa brincadeira que originou o jogo conhecido até hoje.</p><p>As atividades lúdicas também destacavam as habilidades individuais</p><p>e funcionavam como uma ferramenta para a simulação da realidade.</p><p>Havia ainda a questão de os jogos serem utilizados para a preparação</p><p>dos soldados e dos cidadãos, para certa obediência pelo firme exercí-</p><p>cio de seguir as regras (BROUGÈRE, 1998).</p><p>A ludicidade também tem uma outra identificação: com os aspectos</p><p>religiosos da natureza humana, o que chamamos de sagrado 2 . Não es-</p><p>tamos tratando de uma religião especificamente, mas sim do aspecto</p><p>religioso que as pessoas carregam na sua essência, daquilo que nos</p><p>une ao que consideramos sagrado, aos seres supremos e deuses ou ao</p><p>Deus que cada fé professa (HUIZINGA, 2005).</p><p>Na Idade Média, época em que a ludicidade estava presente por</p><p>meio de jogos e brincadeiras dos adultos, a Igreja tinha um papel muito</p><p>importante nas relações entre as pessoas. Então, a ludicidade era uma</p><p>forma de mostrar a alegria dos homens, o espírito da alegria de Deus</p><p>na relação entre as pessoas.</p><p>Uma das formas de exaltar o sagrado surgiu aproximadamente em</p><p>2.500 a.C., pelos gregos, e é realizada, com certas modificações, até os</p><p>dias atuais. São os Jogos Olímpicos, criados em homenagem ao deus</p><p>Zeus, considerado</p><p>da página</p><p>Território do Brincar</p><p>retrata crianças do Brasil</p><p>todo, em contextos muito</p><p>diferentes, na criação de</p><p>jogos e brincadeiras. Vale</p><p>muito a pena assistir aos</p><p>vídeos para conhecer</p><p>como brincam as crianças</p><p>de todo o país e reafirmar</p><p>que brincar é mesmo coi-</p><p>sa de criança, não importa</p><p>onde elas estejam.</p><p>Disponível em: https://</p><p>territoriodobrincar.com.br/</p><p>brincadeiras-pelo-brasil/. Acesso</p><p>em: 26 ago. 2022.</p><p>Vídeo</p><p>https://soloinfantil.com/brinquedos/brinquedo-de-sucata/</p><p>https://soloinfantil.com/brinquedos/brinquedo-de-sucata/</p><p>https://soloinfantil.com/brinquedos/brinquedo-de-sucata/</p><p>Tudo isso deve estar envolto num relacionamento social importantíssi-</p><p>mo para a construção da personalidade infantil. A construção de materiais é</p><p>uma atividade completa, que também desenvolve a linguagem das crianças.</p><p>É muito importante variar os contextos e materiais oferecidos à</p><p>criança, para que possam construir jogos e brincadeiras, amplian-</p><p>do suas percepções, sua forma de pensar, de planejar, de lidar com</p><p>desafios, frustrações e sucessos. Lembre-se de que os materiais e as</p><p>possibilidades de construção aguçam a curiosidade infantil e a sua cria-</p><p>tividade, dando asas à imaginação (DUBOVICK; CIPPITELLI, 2018).</p><p>A criança quando brinca está em estado de busca, e brincar é um</p><p>estado de descobrir, indagar, escolher, recriar; é uma metáfora</p><p>da criação. Diante dessa complexidade, a atividade lúdica não é</p><p>simples prazer e contentamento; é também viver a tensão das</p><p>escolhas, dos conflitos, dos limites; é experimentar o equilíbrio e</p><p>o desequilíbrio, o contraste e o semelhante, a união e a desunião.</p><p>(CARVALHO, 2005, p. 24)</p><p>Brincar, portanto, é uma atividade levada muito a sério pela criança.</p><p>E brincar livremente fazendo escolhas é uma das partes mais impor-</p><p>tantes da brincadeira. Inventar, criar, relacionar-se com os outros. Tudo</p><p>isso está presente nos jogos e brincadeiras que as crianças fazem en-</p><p>quanto brincam livremente.</p><p>Já pensou aonde você chegaria se tivesse asas? Se você pudesse ser</p><p>um avião, para onde iria? Essas são perguntas que poderiam pautar a</p><p>construção que a garotinha da foto desta página fez. E agora ela brinca li-</p><p>vremente voando na sua imaginação. Quanto aprendizado ela teve para</p><p>confeccionar esse avião de papelão?</p><p>Existem muitas possibilidades de brincadeiras de construir, algu-</p><p>mas delas são:</p><p>Construção de brinquedos: pipas, bonecas ou um carrinho de garrafa pet.</p><p>Criação do espaço e elementos para um faz de conta: por exemplo, construir</p><p>uma cozinha ou uma casinha para criar um jogo simbólico.</p><p>Montagem de cabanas, túneis, cavernas ou de uma rede.</p><p>Brincadeiras de empilhar usando blocos, caixas, potes e almofadas de espuma.</p><p>Construções dentro da caixa de areia usando baldes e água.</p><p>(Continua)</p><p>Sabia que a natureza, o</p><p>pátio da sua escola ou o</p><p>quintal da sua casa podem</p><p>ser excelentes espaços</p><p>de aprendizagem para as</p><p>crianças? Este vídeo vai te</p><p>mostrar como as crianças</p><p>podem criar brincadeiras</p><p>sem nada estabelecido,</p><p>apenas em contato com</p><p>a natureza. São dois mi-</p><p>nutos do seu tempo para</p><p>aprender muito.</p><p>Disponível em: https://</p><p>www.youtube.com/</p><p>watch?v=NqK147AfJnA&t=33s</p><p>Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>Vídeo</p><p>Vo</p><p>lo</p><p>dy</p><p>m</p><p>yr</p><p>T</p><p>VE</p><p>RD</p><p>OK</p><p>HL</p><p>IB</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>8686 Educação LúdicaEducação Lúdica</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=NqK147AfJnA&t=33s</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=NqK147AfJnA&t=33s</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=NqK147AfJnA&t=33s</p><p>https://www.shutterstock.com/g/Volodymyr+Tverdohlib</p><p>Estratégias lúdicas para despertar o desejo de aprender 87</p><p>Uso de cordas e elásticos para criar circuitos.</p><p>Montar pistas e brinquedos usando material reciclado, por exemplo, tubos de</p><p>papel toalha e higiênico de diferentes tamanhos.</p><p>Criar instrumentos musicais usando materiais não estruturados.</p><p>As imagens a seguir representam possibilidades de criação de ob-</p><p>jetos que podem compor painéis de contação de histórias (Figura 1) e</p><p>percepção de cores (Figura 2). O objeto final, no entanto, não é exata-</p><p>mente o objetivo do trabalho. O trabalho realmente acontece na elabo-</p><p>ração dos materiais, no momento em que a criança escolhe o material</p><p>e decide fazer algo. Esse é um ponto importante também. A criança</p><p>pode decidir o que fazer (como na composição do sol com palitos) ou</p><p>ser convidada a criar um jogo (como na Figura 2). As duas opções são</p><p>válidas e a exploração dos materiais depois de prontos vai ser bem</p><p>mais significativa para a criança, certamente. Um material feito por ela</p><p>tem muito mais valor.</p><p>Figura 1</p><p>Composição do sol com palitos</p><p>Participar de oficinas</p><p>pedagógicas, nas quais é</p><p>possível construir o seu</p><p>próprio brinquedo, é uma</p><p>grande oportunidade</p><p>de desenvolvimento e</p><p>ludicidade infantil. O livro</p><p>Oficinas pedagógicas: a</p><p>arte e a magia do fazer na</p><p>escola apresenta mais de</p><p>50 opções de atividades</p><p>para serem realizadas</p><p>em sua escola. Um</p><p>ótimo investimento para</p><p>o professor que deseja</p><p>inovar com atividades de</p><p>construção de jogos em</p><p>sua prática.</p><p>MUTSHELE, M. S.; GONSALES FILHO,</p><p>J. São Paulo: Edições Loyola, 1992.</p><p>Livro</p><p>St</p><p>ud</p><p>io</p><p>.G</p><p>p</p><p>ho</p><p>to</p><p>gr</p><p>ap</p><p>hy</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>https://www.shutterstock.com/g/StudioGphotography</p><p>88 Educação Lúdica</p><p>Figura 2</p><p>Jogo de cores com palitos</p><p>St</p><p>ud</p><p>io</p><p>.G</p><p>p</p><p>ho</p><p>to</p><p>gr</p><p>ap</p><p>hy</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Na Figura 3 a criança está trabalhando com conceitos matemáticos</p><p>e utilizando materiais não estruturados. Essa é uma outra opção de</p><p>construção de jogo para divertir e ensinar.</p><p>Figura 3</p><p>Sequência numérica com gravetos</p><p>Neste link você pode</p><p>encontrar muitas imagens</p><p>de jogos que foram</p><p>feitos para o trabalho com</p><p>matemática e se inspirar e</p><p>realizar alguns deles com</p><p>seus alunos. Lembre-se</p><p>de que o propósito é a</p><p>criança construir os jogos</p><p>e depois explorá-los.</p><p>Disponível em: https://alunoon.com.</p><p>br/infantil/atividades.php?c=256.</p><p>Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>Dica</p><p>ph</p><p>ot</p><p>og</p><p>ra</p><p>ph</p><p>y/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Não há limite para as possibilidades que os materiais não estrutura-</p><p>dos oferecem em sala de aula, nem para os jogos que podem derivar a</p><p>partir deles. A questão é: impõe-se ao professor a necessidade da per-</p><p>cepção de que muitos materiais (da natureza inclusive) podem resultar</p><p>em excelentes opções para a educação de crianças.</p><p>Figura 4</p><p>Materiais encontrados na natureza</p><p>Ko</p><p>lp</p><p>ak</p><p>ov</p><p>a</p><p>Da</p><p>ria</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Jogos estruturados também podem ser confeccionados pelas crian-</p><p>ças para seu aprendizado; é o caso dos jogos para alfabetização. Há</p><p>uma gama muito grande de opções para esse trabalho e de jogos com</p><p>materiais reutilizáveis feitos para o ensino de matemática.</p><p>Construir jogos e brincadeiras para as crianças é uma experiência</p><p>muito interessante, além de lúdica, e um campo fértil para a imagina-</p><p>ção infantil. O que precisamos é que cada vez mais professores com-</p><p>preendam que ao optar por uma forma lúdica de lecionar, os resultados</p><p>serão muito mais significativos para seus alunos. Esse é o caráter que</p><p>queremos para a educação atual: significativa e lúdica, promovedora</p><p>de muitas aprendizagens.</p><p>Conheça aqui uma expe-</p><p>riência muito especial de</p><p>uma escola que propôs</p><p>oficinas de construções</p><p>de jogos e brincadeiras</p><p>para trabalhar a inclusão</p><p>com seus alunos. A</p><p>experiência não só pro-</p><p>porcionou brincadeiras e</p><p>diversão, estimulando mo-</p><p>vimento, como também</p><p>inspirou a criatividade dos</p><p>alunos, além de integrar</p><p>e lidar com diferenças</p><p>individuais de uma forma</p><p>que merece o nosso</p><p>reconhecimento.</p><p>Disponível em: https://novaescola.</p><p>org.br/conteudo/5274/brincadeiras-</p><p>inclusivas-estimulam-coordenacao-</p><p>motora. Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>Leitura</p><p>Que tal aprender a fazer</p><p>10 jogos que podem</p><p>ajudar na alfabetização de</p><p>seus alunos? São feitos</p><p>com material descartável,</p><p>então são uma excelente</p><p>opção para o trabalho</p><p>sobre reutilização. O</p><p>mais importante é que as</p><p>crianças podem ajudar a</p><p>confeccionar o material e</p><p>depois brincar. Confira no</p><p>vídeo a seguir.</p><p>Disponível em: https://www.</p><p>youtube.com/watch?v=zNOwKh2-</p><p>iGg. Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>Vídeo</p><p>https://www.shutterstock.com/g/StudioGphotography</p><p>https://alunoon.com.br/infantil/atividades.php?c=256</p><p>https://alunoon.com.br/infantil/atividades.php?c=256</p><p>https://www.shutterstock.com/g/StudioGphotography</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/5274/brincadeiras-inclusivas-estimulam-coordenacao-motora</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/5274/brincadeiras-inclusivas-estimulam-coordenacao-motora</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/5274/brincadeiras-inclusivas-estimulam-coordenacao-motora</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/5274/brincadeiras-inclusivas-estimulam-coordenacao-motora</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=zNOwKh2-iGg</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=zNOwKh2-iGg</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=zNOwKh2-iGg</p><p>Estratégias lúdicas para despertar o desejo de aprender 89</p><p>Não há limite para as possibilidades que os materiais não estrutura-</p><p>dos oferecem em sala de aula, nem para os jogos que podem derivar a</p><p>partir deles. A questão é: impõe-se ao professor a necessidade da per-</p><p>cepção de que muitos materiais (da natureza inclusive) podem resultar</p><p>em excelentes opções para a educação de crianças.</p><p>Figura 4</p><p>Materiais encontrados na natureza</p><p>Ko</p><p>lp</p><p>ak</p><p>ov</p><p>a</p><p>Da</p><p>ria</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Jogos estruturados também podem ser confeccionados pelas crian-</p><p>ças para seu aprendizado; é o caso dos jogos para alfabetização. Há</p><p>uma gama muito grande de opções para esse trabalho e de jogos com</p><p>materiais reutilizáveis feitos para o ensino de matemática.</p><p>Construir jogos e brincadeiras para as crianças é uma experiência</p><p>muito interessante, além de lúdica, e um campo fértil para a imagina-</p><p>ção infantil. O que precisamos é que cada vez mais professores com-</p><p>preendam que ao optar por uma forma lúdica de lecionar, os resultados</p><p>serão muito mais significativos para seus alunos. Esse é o caráter que</p><p>queremos para a educação atual: significativa e lúdica, promovedora</p><p>de muitas aprendizagens.</p><p>Conheça aqui uma expe-</p><p>riência muito especial de</p><p>uma escola que propôs</p><p>oficinas de construções</p><p>de jogos e brincadeiras</p><p>para trabalhar a inclusão</p><p>com seus alunos. A</p><p>experiência não só pro-</p><p>porcionou brincadeiras e</p><p>diversão, estimulando mo-</p><p>vimento, como também</p><p>inspirou a criatividade dos</p><p>alunos, além de integrar</p><p>e lidar com diferenças</p><p>individuais de uma forma</p><p>que merece o nosso</p><p>reconhecimento.</p><p>Disponível em: https://novaescola.</p><p>org.br/conteudo/5274/brincadeiras-</p><p>inclusivas-estimulam-coordenacao-</p><p>motora. Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>Leitura</p><p>Que tal aprender a fazer</p><p>10 jogos que podem</p><p>ajudar na alfabetização de</p><p>seus alunos? São feitos</p><p>com material descartável,</p><p>então são uma excelente</p><p>opção para o trabalho</p><p>sobre reutilização. O</p><p>mais importante é que as</p><p>crianças podem ajudar a</p><p>confeccionar o material e</p><p>depois brincar. Confira no</p><p>vídeo a seguir.</p><p>Disponível em: https://www.</p><p>youtube.com/watch?v=zNOwKh2-</p><p>iGg. Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>Vídeo</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Grupos ou pares de trabalho são excelentes formatos para interação</p><p>e aprendizado das crianças e jovens. Primeiramente porque naturalmente</p><p>eles gostam de se agrupar, mas também porque juntos, podem aprender</p><p>uns com os outros.</p><p>O desafio é fazer com que esses grupos trabalhem em espírito de</p><p>equipe, com colaboração, respeito às diferenças e focando um objetivo</p><p>comum, cada um com suas características. Somando talentos, sempre se</p><p>pode chegar mais longe.</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/5274/brincadeiras-inclusivas-estimulam-coordenacao-motora</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/5274/brincadeiras-inclusivas-estimulam-coordenacao-motora</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/5274/brincadeiras-inclusivas-estimulam-coordenacao-motora</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/5274/brincadeiras-inclusivas-estimulam-coordenacao-motora</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=zNOwKh2-iGg</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=zNOwKh2-iGg</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=zNOwKh2-iGg</p><p>90 Educação Lúdica</p><p>Da mesma forma, a construção de materiais, como jogos e brincadei-</p><p>ras, possibilita o desenvolvimento da imaginação e de competências di-</p><p>versas conforme forem os conteúdos trabalhados nessa elaboração.</p><p>Professores precisam investir nisso! Trabalho em grupo e elaboração</p><p>de materiais podem trazer para a educação um caráter lúdico e a promo-</p><p>ção de muitas aprendizagens.</p><p>ATIVIDADES</p><p>Atividade 1</p><p>Cite dois aspectos do desenvolvimento infantil que podem ser</p><p>potencializados com o trabalho em grupo.</p><p>Atividade 2</p><p>Explique o critério usado para a formação de duplas que se carac-</p><p>teriza pela expressão diferente, porém próximos.</p><p>Atividade 3</p><p>Se há uma infinidade de brinquedos já fabricados disponíveis para</p><p>as crianças e muitos deles servem ao propósito da educação, por</p><p>que é relevante que o professor invista na construção de brinque-</p><p>dos para educar?</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BRITES, L. Brincar é fundamental: como entender o neurodesenvolvimento e resgatar a</p><p>importância do brincar durante a primeira infância. São Paulo: Gente, 2020.</p><p>CAMARGO, F.; DAROS, T. A sala de aula inovadora: estratégias pedagógicas para fomentar</p><p>o aprendizado ativo. Porto Alegre: Penso, 2018.</p><p>CARVALHO, A. et al. Brincar(es). Belo Horizonte: Editora UFMG, 2005.</p><p>COHEN, E. G.; LOTAN, R. A. Planejando o trabalho em grupo: estratégias para sala de aulas</p><p>heterogêneas. 3. ed. Porto Alegre: Penso, 2017.</p><p>DUBOVICK, A.; CIPPITELLI, A. Construção e construtividade: materiais naturais e artificiais</p><p>em jogos de construção. Trad. de Bruna Heringer de Souza Villar. São Paulo: Phorte, 2018.</p><p>Estratégias lúdicas para despertar o desejo de aprender 91</p><p>FERREIRA, E. D.; KEMPNER-MOREIRA, F. Metodologias ativas de aprendizagem: relatos de</p><p>experiências no uso do peer instruction. In: XVII COLÓQUIO INTERNACIONAL DE GESTÃO</p><p>UNIVERSITÁRIA. Mar del Plata, nov. 2017.</p><p>FERREIRA, S. D. 5 estratégias para melhorar o trabalho em grupo na sua sala de aula. Porvir,</p><p>5 nov. 2019. Disponível em: https://porvir.org/5-estrategias-para-melhorar-o-trabalho-em-</p><p>grupo-na-sua-sala-de-aula/. Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>MAZUR, E. Peer instruction, a revolução da aprendizagem ativa. Trad. de Anatólio Laschuk.</p><p>Porto Alegre: Penso, 2015.</p><p>MOSCOVICI. Equipes dão certo: a multiplicação do talento humano. Rio de Janeiro: José</p><p>Olympio, 2018.</p><p>RODRIGUES, C. A importância do trabalho em dupla para o desenvolvimento da criança. Jornal</p><p>Olhar, 16 dez. 2018. Disponível em: https://jornal.olharbrasileiro.pt/2018/12/1179/a-importancia-</p><p>do-trabalho-em-dupla-para-o-desenvolvimento-da-crianca/. Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>TRABALHO em grupo e a importância dele na escola. 2018. Diário Escola, 2022. Disponível</p><p>em: https://diarioescola.com.br/trabalho-em-grupo-e-a-importancia-dele-na-escola/.</p><p>Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>WALLON, H. A evolução psicológica da criança. Lisboa: Edições 70, 1995.</p><p>https://porvir.org/5-estrategias-para-melhorar-o-trabalho-em-grupo-na-sua-sala-de-aula/</p><p>https://porvir.org/5-estrategias-para-melhorar-o-trabalho-em-grupo-na-sua-sala-de-aula/</p><p>https://jornal.olharbrasileiro.pt/2018/12/1179/a-importancia-do-trabalho-em-dupla-para-o-desenvolvimento-da-crianca/</p><p>https://jornal.olharbrasileiro.pt/2018/12/1179/a-importancia-do-trabalho-em-dupla-para-o-desenvolvimento-da-crianca/</p><p>https://diarioescola.com.br/trabalho-em-grupo-e-a-importancia-dele-na-escola/</p><p>92 Educação Lúdica</p><p>5</p><p>Projetos transdisciplinares</p><p>com uso de tecnologia</p><p>Se pedissem para você elencar objetos que fazem parte da sua vida na</p><p>atualidade, você certamente incluiria os recursos tecnológicos. Presentes</p><p>no cotidiano das pessoas, esses recursos são responsáveis por muitas</p><p>transformações na vida diária: desde eletrodomésticos, que fazem parte</p><p>do dia a dia das residências, passando pelo aparelho celular, que acom-</p><p>panha a maioria das pessoas do mundo moderno, lembrando também</p><p>das tecnologias que permitem dirigir um carro de maneira mais segura ou</p><p>responsáveis por dispor um transporte coletivo mais confortável e menos</p><p>poluente. Poderíamos citar aqui outros vários exemplos, pois a tecnologia</p><p>está tão presente, que é difícil imaginar uma vida sem ela atualmente.</p><p>E, assim como fazem parte da vida em geral, as tecnologias também</p><p>invadiram a escola, trazendo desafios</p><p>aos educadores para que possam</p><p>também ser ferramentas de aprendizagem, cujo objetivo vai além dos de di-</p><p>versão e comunicação. E é essa a ideia que este capítulo vai trabalhar: como</p><p>explorar recursos de algumas tecnologias para ensinar mais e melhor!</p><p>Com o estudo deste capítulo, você será capaz de:</p><p>• reconhecer a necessidade de uso das tecnologias no ambiente es-</p><p>colar para potencializar o aprendizado dos alunos;</p><p>• explorar recursos das ferramentas Google e YouTube na</p><p>aprendizagem;</p><p>• conhecer jogos e aplicativos digitais, reconhecendo sua importân-</p><p>cia para a aprendizagem;</p><p>• desenvolver estratégias de uso do celular como recurso de</p><p>aprendizagem.</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>5.1 Uso da tecnologia na escola</p><p>Vídeo</p><p>As tecnologias causaram uma revolução em todas as estruturas da</p><p>sociedade, envolvendo todas as atividades humanas, ainda que depen-</p><p>dam dos interesses e valores praticados por elas. Cria-se uma verda-</p><p>deira sociedade em rede com base em toda a informação, que tanto é</p><p>transmitida quanto produzida pelos seus integrantes (CASTELLS, 2005).</p><p>Há na nossa sociedade uma substituição de grande parte da cultura</p><p>do material (entendido como físico, palpável) para a cultura do tecnológico</p><p>(caracterizado como algo impalpável, mas que existe), o chamado mundo</p><p>virtual. A vivência desse período virtual alterou paradigmas da vida diária,</p><p>colocando-a sob nova organização, que não existe fisicamente, a não ser</p><p>que você se conecte com alguns recursos tecnológicos.</p><p>No mundo moderno, uma das presenças mais fortes dos recursos tec-</p><p>nológicos na sociedade diz respeito às TICs (Tecnologias da Informação e</p><p>da Comunicação), que atuam na capacidade de representar e transmitir a</p><p>informação, e das TDICs (Tecnologias Digitais da Informação e da Comu-</p><p>nicação), que englobam os equipamentos digitais, como computadores,</p><p>laptops, celulares, tablets e outros. Dessa forma, o acesso à informação é</p><p>uma das grandes mudanças causadas pelo desenvolvimento da área tec-</p><p>nológica e que impacta a vida das pessoas e principalmente a ação escolar.</p><p>Ao assistir o filme O</p><p>dilema das redes você com</p><p>certeza reconhecerá nele</p><p>situações da sua vida e</p><p>do seu uso da tecnologia.</p><p>Embora o filme trate o</p><p>tema do ponto de vista de</p><p>uma teoria da conspira-</p><p>ção, ele sugere muitas</p><p>reflexões sobre o uso</p><p>desmedido das redes</p><p>sociais e a manipulação</p><p>das mídias nas realidades</p><p>sociais. Para o professor</p><p>assistir e indicar a alunos</p><p>do Ensino Fundamental II</p><p>e Ensino Médio.</p><p>Direção: Jeff Orlowski. Estados</p><p>Unidos: Exposure Labs; The Space</p><p>Program; Agent Pictures; Argent</p><p>Pictures, 2020.</p><p>Filme</p><p>M</p><p>on</p><p>ke</p><p>y B</p><p>us</p><p>in</p><p>es</p><p>s</p><p>Im</p><p>ag</p><p>es</p><p>M</p><p>on</p><p>ke</p><p>y B</p><p>us</p><p>in</p><p>es</p><p>s</p><p>Im</p><p>ag</p><p>es</p><p>Em qual situação cotidia-</p><p>na você deixou de fazer</p><p>algo com material físico</p><p>para acessar somente</p><p>o material no modelo</p><p>virtual?</p><p>E na escola um exemplo</p><p>simples ajuda a corro-</p><p>borar a ideia de que a</p><p>tecnologia está presente</p><p>em nossa sala de aula:</p><p>muitos professores não</p><p>se surpreendem mais</p><p>quando os alunos, em</p><p>vez de copiar o que está</p><p>escrito no quadro, tiram</p><p>uma foto com seu celular.</p><p>Já passou por isso como</p><p>aluno ou como professor?</p><p>O que pensa sobre isso?</p><p>Para refletir</p><p>Projetos transdisciplinares com uso de tecnologiaProjetos transdisciplinares com uso de tecnologia 9393</p><p>94 Educação Lúdica</p><p>A relação entre a quantidade de informação disponibilizada e a ve-</p><p>locidade com que ela chega até as pessoas possibilitou novas expe-</p><p>riências, que vão desde os exemplos mais simples, como a realização</p><p>de uma receita culinária, até a leitura de textos sobre os mais variados</p><p>assuntos, seja por lazer ou por pura curiosidade. Há ainda as famosas</p><p>postagens das redes sociais, nas quais o autor informa onde está e o</p><p>que está fazendo em tempo real (se assim desejar) e pode se mostrar</p><p>ao mundo, comunicando suas preferências e desejos. No ambiente</p><p>escolar, as TDICs impactaram o cotidiano, pois nunca houve tanta in-</p><p>formação disponível. Assim, de certa forma a escola deixou de ser o</p><p>único espaço social destinado à busca de informações e conhecimento,</p><p>passando a dividir esse espaço com as tecnologias.</p><p>É preciso considerar que as tecnologias digitais amplamente presen-</p><p>tes na sociedade são meios de disseminação de saberes e, dessa forma,</p><p>precisam ser compreendidas, estudadas e disponibilizadas nas escolas</p><p>em propostas educacionais coerentes, que verdadeiramente possam</p><p>colocá-las a serviço dos alunos da atualidade (COSCARELLI, 2016). As</p><p>tecnologias são elementos que podem potencializar o processo de en-</p><p>sino-aprendizagem, tanto pelo aspecto lúdico que representam quanto</p><p>pelas possibilidades abertas de pesquisa e informação, mas precisam</p><p>estar presentes em propostas educativas pensadas pelos professores,</p><p>para que sejam coerentes e eficientes. Não basta apenas incluir a tec-</p><p>nologia na escola, é preciso fazer um bom uso dela.</p><p>“Sempre que a sociedade se defronta com mudanças significativas em</p><p>suas bases sociais e tecnológicas, novas atribuições são exigidas à escola”.</p><p>(PENIN; VIEIRA, 2002, p. 13)</p><p>A Base Nacional Comum Curricular – BNCC (2017), documento nor-</p><p>mativo que contém o conjunto das aprendizagens e competências a</p><p>serem adquiridas pelos alunos na Educação Básica (Educação Infantil</p><p>ao Ensino Fundamental), destaca a necessidade de as ações pedagó-</p><p>gicas estarem em consonância com as TDICs. Ao lembrar que o papel</p><p>da escola é promover a aprendizagem integral do aluno e considerar a</p><p>questão da cultura digital como elemento muito significativo no mundo</p><p>moderno, a BNCC defende que não há como exercer um trabalho edu-</p><p>cativo que busque o desenvolvimento integral do aluno sem contem-</p><p>plar o aspecto digital no rol das propostas escolares oferecidas.</p><p>É sempre relevante</p><p>relembrar que não há</p><p>neutralidade na informa-</p><p>ção reproduzida pelas</p><p>tecnologias. O que se lê</p><p>e se produz nem sempre</p><p>é verdadeiro, tratando-se</p><p>muitas vezes somente da</p><p>opinião deste ou daquele</p><p>autor. Não são poucas as</p><p>notícias falsas veiculadas</p><p>e é preciso sempre checar</p><p>o que se lê para evitar</p><p>distorção.</p><p>Atenção</p><p>E se existisse um minis-</p><p>tério que se ocupasse</p><p>de comprovar toda as</p><p>verdades do país? Você</p><p>acha que isso funcionaria?</p><p>O autor George Orwell</p><p>criou esse ministério no</p><p>famoso livro 1984. O livro</p><p>é um clássico da literatura</p><p>e suscita reflexões sobre</p><p>modificações da verdade,</p><p>mentiras e manipula-</p><p>ção da informação. Foi</p><p>nesse livro que ele criou a</p><p>expressão Big Brother, que</p><p>denomina o governante</p><p>do país fictício. Leitura</p><p>muito crítica e necessária</p><p>para pensar na tecnologia</p><p>como parte do mundo e</p><p>também das fake news.</p><p>ORWELL, G. São Paulo: Companhia</p><p>das Letras, 2009.</p><p>Livro</p><p>Observe que o teor do documento deixa claro que não é mais uma</p><p>opção usar ou não as tecnologias, é a norma! Já é parte do presente,</p><p>e nesse contexto as tecnologias são reconhecidas tanto como meio e</p><p>suporte para a promoção da aprendizagem e do interesse dos alunos</p><p>quanto como elementos para construção de conhecimento por parte</p><p>dos alunos (BRASIL, 2017). Assim, as ações pedagógicas devem prever</p><p>tanto o uso pelo professor quanto o uso pelo aluno.</p><p>As tecnologias são por si elementos de grande aceite por parte das</p><p>crianças e jovens, muitos deles nascidos no mundo em que a realidade</p><p>tecnológica já existia. Por isso, utilizá-las na vida cotidiana é um hábito,</p><p>uma realidade já estabelecida. Na escola, no entanto, ainda há certa</p><p>resistência de alguns professores, alguns dos quais conhecedores da</p><p>tecnologia, depois de já exercerem a função de professor por anos. E</p><p>é preciso encarar esse desafio, melhorar a formação dos professores</p><p>para tal uso e realizar os trabalhos.</p><p>A BNCC (BRASIL, 2017) indica um rol de 10 competências que devem</p><p>ser asseguradas aos alunos durante a sua passagem pela Educação Bási-</p><p>ca brasileira, e a quinta competência trata especificamente da tecnologia:</p><p>Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação</p><p>e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas</p><p>diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comuni-</p><p>car, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos,</p><p>resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida</p><p>pessoal e coletiva. (BRASIL, 2017, p. 9)</p><p>É muito importante que o</p><p>professor conheça todas</p><p>as competências listadas</p><p>na BNCC como essenciais</p><p>para o desenvolvimento</p><p>dos alunos desde a Edu-</p><p>cação Infantil até o Ensino</p><p>Fundamental. Lembre-se</p><p>de que é tarefa dos</p><p>profissionais da escola</p><p>garantir que todas essas</p><p>competências sejam de-</p><p>senvolvidas ao longo dos</p><p>anos escolares. Acesse o</p><p>documento e procure-as</p><p>na página 9.</p><p>Disponível em: http://</p><p>basenacionalcomum.mec.gov.br/</p><p>images/BNCC_EI_EF_110518_</p><p>versaofinal_site.pdf. Acesso em: 7</p><p>nov. 2022.</p><p>Dica</p><p>Go</p><p>ro</p><p>de</p><p>nk</p><p>of</p><p>f/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Projetos transdisciplinares com uso de tecnologiaProjetos transdisciplinares com uso de tecnologia 9595</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf</p><p>96 Educação Lúdica</p><p>Atente-se para o fato de que para desenvolver competências de uso</p><p>das tecnologias nos alunos será necessário que o professor utilize as</p><p>tecnologias em diversos contextos escolares. Desses contextos fazem</p><p>parte especialmente os projetos que são realizados durante o ano.</p><p>Isso requer uma mudança de perspectiva, para que os recursos tec-</p><p>nológicos sejam entendidos como parte da cultura do mundo contem-</p><p>porâneo e, dessa forma, sejam entendidos como algo que deve estar</p><p>presente e que é indispensável no ambiente escolar.</p><p>Devido ao seu caráter de amplitude e à capacidade de possibilitar a</p><p>busca por conhecimentos sem fronteiras, as tecnologias digitais podem</p><p>atuar tanto com transversalidade no ensino das disciplinas, pois não res-</p><p>tringem as suas possibilidades somente a essa ou aquela área, quanto</p><p>como uma disciplina específica; e ainda há uma terceira escolha, que é</p><p>mesclar as duas opções. Fica a cargo de cada instituição e/ou sistema de</p><p>ensino escolher como será feito o trabalho com elas (BRASIL, 2017).</p><p>A vida é realmente complexa e as tecnologias permitem explorar</p><p>e pesquisar de forma integrada sem a divisão de disciplinas. Por isso,</p><p>são elementos muito relevantes para propostas de integração de con-</p><p>teúdos, como as decorrentes da interdisciplinaridade (na integração</p><p>de conteúdos de várias disciplinas) e da transdisciplinaridade (quando</p><p>permitem que os assuntos abordados perpassem por várias disciplinas,</p><p>sem que tenham, no entanto, que pertencer a nenhuma em particular).</p><p>É interdisciplinar uma ação educativa que envolve conteúdos de duas ou</p><p>mais disciplinas (FAZENDA, 2013). Já a transdisciplinaridade ultrapassa os</p><p>conteúdos das disciplinas e propõe que os temas escolares sejam trabalha-</p><p>dos perpassando pelas áreas envolvidas (MORIN, 2008).</p><p>Especialmente sob o aspecto da transdisciplinaridade, as tecnolo-</p><p>gias permitem uma maior integração dos temas tratados, uma vez que</p><p>não há apresentação fragmentada, e sim uma aprendizagem completa,</p><p>que relaciona diversos saberes (MORIN, 2008). Um exemplo de estudo</p><p>transdisciplinar é a ética. Esse tema não pertence a nenhuma área em</p><p>específico e ao mesmo tempo está presente em todas as áreas. Então,</p><p>um trabalho que envolva a ética será transdisciplinar, pois passará por</p><p>todas as áreas do conhecimento e poderá ser amplamente estudado</p><p>com o uso das tecnologias tanto para as pesquisas quanto para a pro-</p><p>pagação do conhecimento aprendido.</p><p>Como forma de apoio à</p><p>elaboração de propostas</p><p>escolares da Educação</p><p>Infantil até o Ensino</p><p>Fundamental II para o uso</p><p>das TDICs, foi criado pela</p><p>ONG Centro de Inovação</p><p>para a Educação Brasileira</p><p>um currículo de refe-</p><p>rência em tecnologia e</p><p>computação, material que</p><p>disponibiliza referências</p><p>e orientações no apoio às</p><p>escolas para a inclusão</p><p>das tecnologias em suas</p><p>realidades. Material de</p><p>leitura indispensável para</p><p>consulta e estudo por</p><p>parte dos profissionais da</p><p>educação. Acesse!</p><p>Disponível em: https://curriculo.</p><p>cieb.net.br/. Acesso em: 7 nov.</p><p>2022.</p><p>Leitura</p><p>https://curriculo.cieb.net.br/</p><p>https://curriculo.cieb.net.br/</p><p>Projetos transdisciplinares com uso de tecnologia 97</p><p>Lembre-se de que a ideia de transversalidade já está presente na</p><p>educação brasileira desde que os Parâmetros Curriculares Nacionais</p><p>(BRASIL, 1998) propuseram os temas transversais. Nesse caso, as te-</p><p>máticas sugeridas às escolas para serem incorporadas nos trabalhos</p><p>eram: ética, meio ambiente, pluralidade cultural, saúde, orientação se-</p><p>xual, trabalho e consumo. A atuação didática devia permitir que essas</p><p>temáticas perpassassem pelas diversas áreas do conhecimento e con-</p><p>sequentemente pelas disciplinas.</p><p>Na BNCC, os temas que indicam transversalidade são chamados</p><p>de temas contemporâneos transversais, reforçando a necessidade de</p><p>adequação à contemporaneidade, e são obrigatórios em cada sistema</p><p>de ensino/escola. Estão divididos em seis grandes áreas temáticas: Ci-</p><p>dadania e Civismo, Ciência e Tecnologia, Economia, Meio Ambiente,</p><p>Multiculturalismo e Saúde, englobando 15 Temas Contemporâneos,</p><p>a saber: Ciência e Tecnologia; Direitos da Criança e do Adolescente;</p><p>Diversidade Cultural; Educação Alimentar e Nutricional; Educação Am-</p><p>biental; Educação para Valorização do Multiculturalismo nas Matrizes</p><p>Históricas e Culturais Brasileiras; Educação em Direitos Humanos;</p><p>Educação Financeira; Educação Fiscal; Educação para o Consumo; Edu-</p><p>cação para o Trânsito; Processo de Envelhecimento, Respeito e Valori-</p><p>zação do Idoso; Saúde; Trabalho; e Vida Familiar e Social (BRASIL, 2017).</p><p>Certamente você notou o destaque nas ocorrências da palavra</p><p>Tecnologia, apontando que estão presentes tanto como represen-</p><p>tantes de uma grande área temática quanto de um dos temas con-</p><p>temporâneos 1 . E não há como ser diferente, visto a influência na</p><p>contemporaneidade. Mas além de ser contemporâneo, de fazer par-</p><p>te do mundo moderno, de disponibilizar boas opções para melhorar</p><p>as aulas, as escolas precisam realizar trabalhos envolvendo a tec-</p><p>nologia, porque isso está previsto na normatização do documento.</p><p>O uso das tecnologias na escola precisa considerar duas funções:</p><p>melhorar as aulas como recurso pedagógico e possibilitar a produção</p><p>de conteúdo. Todos nós, alunos e professores, somos ao mesmo tem-</p><p>po consumidores e produtores de conhecimentos, e a ideia é que a</p><p>escola forneça aos alunos propostas que possibilitem que ele tanto use</p><p>as ferramentas tecnológicas como elemento técnico quanto seja capaz</p><p>de produzir conteúdo nelas (BRASIL, 2018).</p><p>Há uma proposta de que</p><p>a BNCC renove os temas</p><p>contemporâneos escolhi-</p><p>dos a cada cinco anos.</p><p>1</p><p>No livro Tecnologias na</p><p>educação: contribuições</p><p>para uma aprendizagem</p><p>significativa, o autor</p><p>apresenta experiências</p><p>educativas práticas com</p><p>pesquisas e dados que</p><p>mostram a contribui-</p><p>ção das tecnologias na</p><p>educação. Há vínculo com</p><p>a prática pedagógica, pois</p><p>o autor propõe algumas</p><p>mudanças metodológicas</p><p>para que o currículo seja</p><p>abordado sob o ponto</p><p>de vista da educação de</p><p>projetos com o uso das</p><p>tecnologias.</p><p>CURSINO, A. Curitiba: Appris, 2019.</p><p>Livro</p><p>98 Educação Lúdica</p><p>A responsabilidade do professor é grande nessa empreitada do</p><p>uso da tecnologia na escola. Não basta, portanto (citando um exem-</p><p>plo comum do dia a dia escolar) que o professor use o PowerPoint</p><p>para reproduzir os textos que antes escrevia no quadro, ainda que</p><p>os recursos desse programa possam melhorar muito a apresenta-</p><p>ção de um conteúdo.</p><p>Trata-se de usar os recursos digitais e ensinar os alunos a usá-los</p><p>como elementos propulsores de descobertas, em todas as suas pos-</p><p>sibilidades. Utilizar as tecnologias na escola requer do professor, por-</p><p>tanto, conhecimento das formas de comunicação que as tecnologias</p><p>digitais possibilitam para que, de fato, ele possa ajudar o aluno a re-</p><p>conhecer diferentes modais propostos pela tecnologia, produzindo</p><p>conteúdo</p><p>neles.</p><p>É quase como dizer que professor e alunos precisam ser alfabetizados</p><p>para o uso dos recursos tecnológicos, mas, para isso, é necessário que</p><p>o professor reconheça em tais recursos potenciais educacionais. Tendo</p><p>isso em mente, vamos aumentar nossa reflexão sobre a alfabetização e os</p><p>recursos tecnológicos.</p><p>Há muitas aprendizagens necessárias para que as crianças aprendam</p><p>a ler e a escrever na escola: é preciso saber segurar o lápis, entender que</p><p>nossa escrita se dá da esquerda para a direita, conhecer as diferentes</p><p>letras e suas formas de traçado, respeitar regras ortográficas, conhecer</p><p>elementos de pontuação, reconhecer que existem sons atrelados às le-</p><p>tras e que ao juntá-las criamos as palavras e expressamos ideias.</p><p>Todo professor alfabetizador sabe que a decodificação das letras e</p><p>o conhecimento das regras de ortografia são muito importantes para</p><p>o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita, mas não se</p><p>pode dizer que alguém domina plenamente as competências da leitura</p><p>somente com esses saberes. Isso porque também é preciso aprender</p><p>a interpretar o que está escrito, considerar que há sentido no que se</p><p>escreve e lê, adequar o que se escreve ao gênero textual escolhido. É</p><p>nesse momento que o conceito de letramento surge na alfabetização,</p><p>como elemento que dá sentido, que ultrapassa a técnica e integra a</p><p>capacidade de ler e de escrever em situações da vida diária, reforçando</p><p>aos alunos e aos professores a necessidade de trabalho com contextos</p><p>conhecidos dos alunos para gerar aprendizagens significativas.</p><p>Projetos transdisciplinares com uso de tecnologia 99</p><p>Com o uso das tecnologias também é assim. Da mesma forma que a</p><p>proposta de letramento sugere que a alfabetização seja contextualiza-</p><p>da e se aplique a situações diárias e conhecidas dos alunos, o letramen-</p><p>to digital também necessita de contexto e significado para as ações dos</p><p>alunos na interação com os elementos tecnológicos, levando em conta</p><p>sua diversidade (ZACHARIAS, 2016).</p><p>Para utilizar um computador, por exemplo, os alunos precisam co-</p><p>nhecer elementos inerentes a ele (como de que modo usar o mouse, a</p><p>barra de rolagem, os diversos botões que permitem editar um texto ou</p><p>criar uma planilha, o editor de vídeos do celular, de que modo agir em</p><p>determinado programa, seja site ou jogo, para citar apenas algumas</p><p>habilidades). Essa é a parte técnica do aprendizado. Como aprender</p><p>a traçar as linhas, as letras, o som das vogais etc. O aluno geralmente</p><p>não terá dificuldade com o uso técnico das tecnologias, primeiramente</p><p>porque já convive num ambiente tecnológico e, em segundo lugar, por-</p><p>que a maioria das tecnologias disponibilizadas é de fácil acesso e uso.</p><p>Também é preciso considerar que cada vez mais cedo os alunos</p><p>estão aptos a navegar nas redes, com tecnologias cada vez mais intui-</p><p>tivas. Devido à curiosidade típica da infância e da juventude, os alunos</p><p>precisam de pouca ajuda no que se refere ao uso técnico das tecnolo-</p><p>gias, não raras vezes eles sabem mais sobre isso do que os seus pro-</p><p>fessores. Por isso, o uso da técnica não deve se sobrepor à reflexão,</p><p>especialmente na área educacional.</p><p>Assim, os professores precisam ficar mais atentos à necessidade</p><p>de que seus alunos sejam capazes de analisar o que as tecnologias</p><p>apresentam, de selecionar informação relevante, navegar em sites</p><p>de pesquisa, construir um blog, definir linguagem apropriada para</p><p>ser usada em cada recurso tecnológico e fazer uso da tecnologia em</p><p>sua realidade com criticidade. A isso chamamos de letramento digital</p><p>(ZACHARIAS, 2016).</p><p>O conceito de letramento digital possibilita reflexões sobre o uso</p><p>da tecnologia, não somente analisando o recurso em si, mas também</p><p>as funções sociais que ele promove. Não basta incluir na escola várias</p><p>mídias, como se por si só os recursos oportunizassem aprendizagem</p><p>reflexiva. Lembre-se de que a tecnologia pode fazer diferença, é ver-</p><p>dade, mas a proposta educativa precisa compreender o bom uso dela.</p><p>100 Educação Lúdica</p><p>Lembre-se: “o letramento produz relações essenciais entre significados</p><p>e fazeres” (LEMKE, 2010, p. 455). Letramento digital “envolve a capaci-</p><p>dade de realizar ações digitais bem-sucedidas como parte das situações</p><p>da vida” (ZACHARIAS, 2016, p. 21).</p><p>Gr</p><p>ou</p><p>nd</p><p>P</p><p>ic</p><p>tu</p><p>re</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Gr</p><p>ou</p><p>nd</p><p>P</p><p>ic</p><p>tu</p><p>re</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>M</p><p>on</p><p>ke</p><p>y B</p><p>us</p><p>in</p><p>es</p><p>s</p><p>Im</p><p>ag</p><p>es</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>M</p><p>on</p><p>ke</p><p>y B</p><p>us</p><p>in</p><p>es</p><p>s</p><p>Im</p><p>ag</p><p>es</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Então, os recursos precisam apresentar ao aluno pluralidade de tex-</p><p>tos, de informações, de formatos variados de escritas, de gráficos que</p><p>possibilitem comparações, análises, constatações; que possam, enfim,</p><p>reunir informações sobre o cotidiano e a vida diária e possibilitar que o</p><p>aluno aprenda mais e melhor sobre os conteúdos propostos.</p><p>Vejamos um exemplo do que estamos tratando:</p><p>Se algum tempo atras alguém respondesse a uma pergunta sua com a</p><p>expressão “Não entendeu ou quer que eu desenhe?”, você poderia achar</p><p>que era uma falta de educação e até ficar chateado. Mas analise por outra</p><p>ótica: fazemos isso diariamente na comunicação moderna. Você conhece</p><p>a linguagem dos emojis, em que um desenho é usado para comunicar uma</p><p>ideia? É preciso reconhecer que as novas tecnologias da comunicação e da</p><p>informação trouxeram novas formas de comunicação.</p><p>Quer ver só? Vamos mostrar aqui o título de três histórias infantis</p><p>contadas em filmes e que a maioria das pessoas conhece. Você está</p><p>desafiado a ler o nome da história apenas decifrando os emojis.</p><p>1</p><p>Tu</p><p>rk</p><p>an</p><p>R</p><p>ah</p><p>im</p><p>li/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>//J</p><p>os</p><p>ep</p><p>Pe</p><p>ria</p><p>ne</p><p>s/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>//</p><p>Va</p><p>le</p><p>nt</p><p>in</p><p>a</p><p>Ve</p><p>ct</p><p>or</p><p>s/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>(continua)</p><p>Projetos transdisciplinares com uso de tecnologia 101</p><p>2</p><p>3</p><p>As respostas são: O rei leão (1), Procurando Nemo (2) e Frozen (3)</p><p>O fato de você interpretar as imagens de emojis com certa facilidade (se</p><p>você conhecer os filmes, claro!) indica uma mudança do paradigma de</p><p>comunicação de ideias, na qual a linguagem escrita não é mais essencial.</p><p>Você considera essa uma forma eficiente de comunicação, em que as letras</p><p>e palavras são dispensáveis para a comunicação escrita? Acha que as crian-</p><p>ças da atualidade estão familiarizadas com essa nova forma de comunicar?</p><p>A educação de qualidade sempre vai demandar reflexão sobre o</p><p>que se ensina e, do ponto de vista do aluno, sobre o que se aprende,</p><p>mas não podemos esquecer de que todos os discursos presentes nas</p><p>novas mídias têm influência na formação das crianças.</p><p>É fundamental que a escola, enquanto principal espaço de letra-</p><p>mento da sociedade, potencialize o letramento digital em suas ações,</p><p>reconhecendo que com o advento das TDICs e a revolução do acesso à</p><p>informação, os formatos de texto mudaram e precisam ser considera-</p><p>dos pela escola tanto na forma de escrever e de ler quanto sobre o que</p><p>se escreve e se lê (ZACHARIAS, 2016).</p><p>Quando for escolher uma tecnologia para realizar um trabalho na escola,</p><p>pergunte-se: ao escolher esse recurso tecnológico estou tornando a apren-</p><p>dizagem do meu aluno melhor? Estou ofertando a ele mais possibilidades de</p><p>aprendizado do que com outra escolha?</p><p>Então, a tarefa a ser realizada pelos profissionais da escola é reconhe-</p><p>cer a tecnologia como parte integrante da escola e dar sentido pedagógico</p><p>ao trabalho realizado com ela. Seja qual for a tecnologia escolhida, ela não</p><p>deve ser a parte mais importante do processo, e sim uma das partes que</p><p>compõem o processo educativo. A parte mais importante é a aprendiza-</p><p>gem, razão pela qual professores e alunos estão juntos.</p><p>Se quiser conhecer mais</p><p>ideias para trabalhar com</p><p>emojis com seus alunos,</p><p>acesse o link a seguir.</p><p>Disponível em: https://</p><p>educacrianca.com.br/atividades-</p><p>pedagogicas-com-emojis-e-fotos/.</p><p>Acesso em: 27 out. 2022</p><p>Dica</p><p>https://educacrianca.com.br/atividades-pedagogicas-com-emojis-e-fotos/</p><p>https://educacrianca.com.br/atividades-pedagogicas-com-emojis-e-fotos/</p><p>https://educacrianca.com.br/atividades-pedagogicas-com-emojis-e-fotos/</p><p>102102 Educação LúdicaEducação Lúdica</p><p>5.2 Google e YouTube: ferramentas</p><p>de aprendizado Vídeo</p><p>Mais de 80% dos alunos das escolas brasileiras acessaram a internet</p><p>em 2021, sendo 87% dos alunos da rede pública e 98,2% da rede privada</p><p>(PNAD, 2021). Obviamente é preciso reconhecer que na maioria das vezes</p><p>há uma disparidade de estrutura e investimento entre as escolas públicas</p><p>e privadas do país, mas, mesmo assim, a porcentagem de 87% dos alunos</p><p>da rede pública que utilizam a internet não deve ser desconsiderada. O</p><p>fato é que as tecnologias já estão presentes na vida dos nossos alunos.</p><p>É necessário incluir nessa análise o isolamento social causado no pe-</p><p>ríodo de periculosidade da Covid-19, que aproximou muitas pessoas do</p><p>mundo virtual, inclusive com ações educacionais realizadas nesse modelo.</p><p>Muitas escolas transmitiram aulas on-line (ou tarefas em diferentes plata-</p><p>formas com acesso à internet), o que de certa forma forçou alunos e pro-</p><p>fessores a navegar mais na rede, gerando aumento da demanda. Mesmo</p><p>que para alguns a realidade virtual tenha sido apresentada e utilizada por</p><p>necessidade, ela esteve presente no dia a dia escolar intensamente.</p><p>Sobre o período da</p><p>pandemia é importante</p><p>ressaltar que a educação</p><p>a distância, ofertada nes-</p><p>se período, não é indicada</p><p>para alunos do Ensino</p><p>Fundamental e muito</p><p>menos para os pequenos</p><p>da Educação Infantil.</p><p>Aquele foi um período de</p><p>extrema necessidade em</p><p>que para muitos essa foi</p><p>a única forma de contato</p><p>possível com o ambiente</p><p>escolar. Aulas presenciais</p><p>são indispensáveis para</p><p>as crianças e jovens da</p><p>Educação Básica.</p><p>Importante</p><p>Ov</p><p>er</p><p>ea</p><p>rth</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Projetos transdisciplinares com uso de tecnologia 103</p><p>Há muita relação entre a infância, as brincadeiras e as tecnologias</p><p>do ponto de vista da ludicidade (GOMES, 2016); por isso, para as crian-</p><p>ças e jovens, o uso da tecnologia é uma experiência lúdica bem-suce-</p><p>dida, pois possibilita desenvolver a habilidade mental e a imaginação,</p><p>seus desafios aumentam a aprendizagem, tem o efeito de prender a</p><p>atenção, dispõe de várias informações e estimula vários sentidos. De</p><p>fato, é inegável a associação desses recursos com a realidade escolar,</p><p>uma vez que eles permitem trabalhar qualquer conteúdo de maneira</p><p>mais prazerosa e divertida (FALKEMBACH, 2016).</p><p>Lembre-se de que as concepções de ludicidade envolvendo brin-</p><p>cadeiras e o próprio ato de brincar são frutos da atualidade. Assim,</p><p>diferentes épocas apresentam diferentes formas de brincar e a época</p><p>atual apresenta muitas brincadeiras no mundo virtual. Não se trata de</p><p>substituir as brincadeiras físicas ou presenciais, ou os jogos de tabu-</p><p>leiro, trata-se de respeitar a cultura que está presente na contempo-</p><p>raneidade e incluir as tecnologias, sem, no entanto, deixar de oferecer</p><p>oportunidades de ludicidade não virtual.</p><p>Portanto, a parte mais importante de uma pesquisa na internet, por</p><p>exemplo, não é a internet em si, é a pesquisa! É o fato de que a tecno-</p><p>logia precisa estar a favor do desenvolvimento do aluno e da otimiza-</p><p>ção da aprendizagem. Mas é preciso reconhecer que o uso da internet</p><p>revolucionou os trabalhos escolares, as aulas, as propostas educativas;</p><p>na verdade, revolucionou o mundo todo, não é mesmo?</p><p>Se você precisa fazer uma rápida pesquisa sobre qualquer assunto,</p><p>onde busca a resposta? Sem dúvida você considerou buscar no Goo-</p><p>gle. Seus alunos também. Pouca gente no mundo todo pode dizer que</p><p>não conhece a expressão “Dá um Google aí”. Essa forma tão intimista</p><p>de solicitar uma pesquisa mostra que a plataforma de busca Google</p><p>está cumprindo o que se colocou como missão desde a sua criação</p><p>em 1998, como consta em sua página da internet: “Organizar as infor-</p><p>mações disponíveis no mundo todo e torná-las acessíveis e úteis para</p><p>todos” (GOOGLE SEARCH, 2022).</p><p>Vamos considerar que é uma ideia bem ousada, não acha? Mas,</p><p>realmente, hoje em dia a plataforma Google mostra números impres-</p><p>sionantes de seu sucesso, e aquilo que começou apenas como mais um</p><p>site de buscas oferece atualmente muitas possibilidades.</p><p>Será que é correto, no</p><p>período pós-pandemia, a</p><p>escola ignorar o uso das</p><p>tecnologias e continuar</p><p>realizando suas práticas</p><p>sem o uso delas? Consi-</p><p>derando a realidade e a</p><p>presença da tecnologia</p><p>em nossa sociedade, a</p><p>resposta é não. Devemos</p><p>sim adequar as formas de</p><p>utilizar a tecnologia com</p><p>propostas pedagógicas</p><p>interessantes. Acesse o</p><p>link a seguir e conheça</p><p>algumas formas de traba-</p><p>lhar com a tecnologia.</p><p>Disponível em: https://porvir.org/</p><p>uso-de-plataformas-e-solucoes-</p><p>tecnologicas-pode-favorecer-</p><p>colaboracao-entre-estudantes/</p><p>Acesso em: 7 nov. 2022.</p><p>Dica</p><p>O livro Tecnologias para</p><p>aprender apresenta 10</p><p>capítulos com temáticas</p><p>diferentes sobre a relação</p><p>das tecnologias na escola.</p><p>É muito relevante para</p><p>quem busca dicas de</p><p>como trabalhar com os</p><p>recursos tecnológicos</p><p>na escola da atualidade,</p><p>incorporando as inúmeras</p><p>possibilidades oferecidas</p><p>por equipamentos e</p><p>aplicativos. Para formar</p><p>leitores e produtores de</p><p>texto no mundo digital em</p><p>que vivemos, esse livro é</p><p>leitura super indicada.</p><p>COSCARELLI, C. V. (org.). São Paulo:</p><p>Parábola Editorial, 2016.</p><p>Livro</p><p>https://porvir.org/uso-de-plataformas-e-solucoes-tecnologicas-pode-favorecer-colaboracao-entre-estudantes/</p><p>https://porvir.org/uso-de-plataformas-e-solucoes-tecnologicas-pode-favorecer-colaboracao-entre-estudantes/</p><p>https://porvir.org/uso-de-plataformas-e-solucoes-tecnologicas-pode-favorecer-colaboracao-entre-estudantes/</p><p>https://porvir.org/uso-de-plataformas-e-solucoes-tecnologicas-pode-favorecer-colaboracao-entre-estudantes/</p><p>104 Educação Lúdica</p><p>Com opções de busca tão impressionantes quanto variadas, você</p><p>vai encontrar no Quadro 1 pelo menos algum produto Google que já</p><p>utilizou. E o desafio agora se encontra em reconhecer que, assim como</p><p>o professor, muitos alunos também já utilizaram tais ferramentas. A</p><p>seguir, um panorama dos números do Google em 20 anos de oferta e</p><p>sugestões para o uso dos produtos. É importante que antes de ler as</p><p>sugestões, você analise que as tecnologias do Google oferecem muitas</p><p>possibilidades de trabalho em sala de aula e aqui iremos indicar algu-</p><p>mas. Faça a diferença no uso com criatividade.</p><p>Quadro 1</p><p>8 produtos do Google em duas décadas de história (1998 – 2018) e sugestões de trabalho</p><p>educativo com eles</p><p>Produto Google Números Sugestão de uso na escola</p><p>Google Busca Registra trilhões de pesquisas. O recurso de</p><p>autocompletar economizou 200 anos de digi-</p><p>tação por dia, se contabilizado o tempo pou-</p><p>pado de todos os usuários.</p><p>10 Dicas de pesquisa no Google</p><p>para alunos (e professores).</p><p>Disponível em: https://www.edu-</p><p>catech.pt/10-dicas-de-pesquisa-</p><p>-no-google-para-alunos-e-profes-</p><p>sores/</p><p>Google Maps Gerou mais de 64 milhões de quilômetros de</p><p>rotas em mais de 240 países e territórios – cer-</p><p>ca de 80 viagens de ida e volta à Lua.</p><p>Como usar Google Maps nas au-</p><p>las de Geografia?</p><p>Disponível em: http://objetosdea-</p><p>prendizagem.com.br/como-usar-</p><p>-google-maps-nas-aulas-de-geo-</p><p>grafia/</p><p>Google Tradutor Conta com mais de meio bilhão de usuários e</p><p>já realizou mais de 143 milhões de traduções</p><p>em mais de 100 idiomas.</p><p>Como usar o Google Tradutor em</p><p>sala de aula?</p><p>Disponível em: https://novaesco-</p><p>la.org.br/conteudo/6908/como-</p><p>-usar-o-google-tradutor-na-aula</p><p>Gmail Serviço de e-mail que conta com o recurso de</p><p>anti-spam e bloqueou quase 10 milhões de</p><p>mensagens perigosas por minuto.</p><p>Uso pedagógico do e-mail.</p><p>Disponível em: https://pro-</p><p>f e s s o r d i g i t a l . w o r d p r e s s .</p><p>com/2009/08/26/uso-pedagogi-</p><p>co-do-e-mail/</p><p>Google Assistente Ferramenta que usando a inteligência artifi-</p><p>cial cria um assistente pessoal para auxiliar</p><p>os usuários com tarefas pessoais do dia a dia.</p><p>Opera em mais de 20 idiomas e atende a usuá-</p><p>rios bilíngues.</p><p>Sete funções do Google Assisten-</p><p>te que vão te ajudar muito em</p><p>passeios.</p><p>Disponível em: https://www.</p><p>techtudo.com.br/listas/2022/09/</p><p>7-funcoes-do-google-assisten-</p><p>te-que-vao-te-ajudar-muito-em-</p><p>-passeios.ghtml</p><p>(continua)</p><p>https://www.educatech.pt/10-dicas-de-pesquisa-no-google-para-alunos-e-professores/</p><p>https://www.educatech.pt/10-dicas-de-pesquisa-no-google-para-alunos-e-professores/</p><p>https://www.educatech.pt/10-dicas-de-pesquisa-no-google-para-alunos-e-professores/</p><p>https://www.educatech.pt/10-dicas-de-pesquisa-no-google-para-alunos-e-professores/</p><p>http://objetosdeaprendizagem.com.br/como-usar-google-maps-nas-aulas-de-geografia/</p><p>http://objetosdeaprendizagem.com.br/como-usar-google-maps-nas-aulas-de-geografia/</p><p>http://objetosdeaprendizagem.com.br/como-usar-google-maps-nas-aulas-de-geografia/</p><p>http://objetosdeaprendizagem.com.br/como-usar-google-maps-nas-aulas-de-geografia/</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/6908/como-usar-o-google-tradutor-na-aula</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/6908/como-usar-o-google-tradutor-na-aula</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/6908/como-usar-o-google-tradutor-na-aula</p><p>https://professordigital.wordpress.com/2009/08/26/uso-pedagogico-do-e-mail/</p><p>https://professordigital.wordpress.com/2009/08/26/uso-pedagogico-do-e-mail/</p><p>https://professordigital.wordpress.com/2009/08/26/uso-pedagogico-do-e-mail/</p><p>https://professordigital.wordpress.com/2009/08/26/uso-pedagogico-do-e-mail/</p><p>https://www.techtudo.com.br/listas/2022/09/7-funcoes-do-google-assistente-que-vao-te-ajudar-muito-em-passeios.ghtml</p><p>https://www.techtudo.com.br/listas/2022/09/7-funcoes-do-google-assistente-que-vao-te-ajudar-muito-em-passeios.ghtml</p><p>https://www.techtudo.com.br/listas/2022/09/7-funcoes-do-google-assistente-que-vao-te-ajudar-muito-em-passeios.ghtml</p><p>https://www.techtudo.com.br/listas/2022/09/7-funcoes-do-google-assistente-que-vao-te-ajudar-muito-em-passeios.ghtml</p><p>https://www.techtudo.com.br/listas/2022/09/7-funcoes-do-google-assistente-que-vao-te-ajudar-muito-em-passeios.ghtml</p><p>Projetos transdisciplinares com uso de tecnologia 105</p><p>Produto Google Números Sugestão de uso na escola</p><p>Google Fotos Lançado em 2015, o serviço de armazena-</p><p>mento na nuvem já conta com mais de 500</p><p>milhões de usuários mensais, responsáveis</p><p>pelo backup de 1,2 bilhões de fotos e vídeos</p><p>todos os dias.</p><p>Como organizar fotos no Google</p><p>Fotos.</p><p>Disponível em: https://pt.wikihow.</p><p>com/Organizar-suas-Fotos-no-</p><p>-Google-Fotos</p><p>Google Play Está presente em quase todos os países do</p><p>mundo e em 2 bilhões de dispositivos. É a loja</p><p>oficial da rede para vendas de aplicativos.</p><p>Como adicionar e usar contas na</p><p>Google Play Store no seu dispositivo</p><p>Disponível em: https://support.</p><p>google.com/googleplay/ans-</p><p>wer/2521798?hl=pt-BR&ref_</p><p>topic=2450266</p><p>YouTube Cobre 95% de todo o tráfego de internet no</p><p>mundo e está presente em 91 países com con-</p><p>teúdo próprio em 80 idiomas.</p><p>Como usar o YouTube na educa-</p><p>ção. Disponível em: https://www.</p><p>studos.com.br/gestao-escolar/co-</p><p>mo-usar-o-youtube-na-educacao/</p><p>Fonte: Elaborado pela autora com base em Alves, 2018.</p><p>Se você ficou animado com as possibilidades dos produtos Google</p><p>e o alcance de seus números, você já entendeu que não há como essa</p><p>tecnologia (e as que virão, visto que periodicamente a empresa atualiza</p><p>seu portfólio de produtos) ficar distante das aulas do mundo moderno.</p><p>Vamos explorar mais o uso de vídeos na educação. Já é do conheci-</p><p>mento dos profissionais da educação que o uso de vídeos pode trazer</p><p>à escola muitas possibilidades. Costuma-se dizer que o vídeo é um re-</p><p>curso que vai onde você e seus alunos não podem ir.</p><p>O vídeo parte do concreto, do visível, do imediato próximo, que</p><p>toca todos os sentidos. Mexe com o corpo, com a pele - nos toca</p><p>e “tocamos” os outros, estão ao nosso alcance através dos re-</p><p>cortes visuais, do close, do som estéreo envolvente. Pelo vídeo</p><p>sentimos, experienciamos sensorialmente o outro, o mundo, nós</p><p>mesmos. (MORAN, 1995, p. 1)</p><p>Para a ideia de uso de vídeos na escola existe uma das mais podero-</p><p>sas ferramentas: o YouTube, uma plataforma que recebe vídeos, catego-</p><p>riza-os e os disponibiliza na internet. Originalmente criado apenas para</p><p>hospedar vídeos, as possibilidades do YouTube cresceram desde 2005,</p><p>ano da sua criação. Hoje, além de as pessoas disponibilizarem vídeos na</p><p>internet, ainda é possível que elas criem um canal, como muitos profes-</p><p>sores e internautas já fizerem. É possível tratar e pesquisar sobre absolu-</p><p>tamente tudo no YouTube. A plataforma também faz recomendações de</p><p>acordo com seus interesses, notícias e informações que você busca, em</p><p>tempo real, possibilitando até rentabilização (YOUTUBE, 2022).</p><p>Quanto mais o professor</p><p>conhecer os recursos</p><p>tecnológicos que vai dispo-</p><p>nibilizar aos alunos, melhor</p><p>será o uso pedagógico</p><p>deles. Para conhecer mais</p><p>sobre as possibilidades de</p><p>uso e recursos presentes</p><p>na plataforma YouTube,</p><p>recomendamos assistir ao</p><p>vídeo a seguir.</p><p>Disponível em: https://www.</p><p>youtube.com/intl/ALL_pt/</p><p>howyoutubeworks/. Acesso em: 7</p><p>nov. 2022.</p><p>Vídeo</p><p>https://pt.wikihow.com/Organizar-suas-Fotos-no-Google-Fotos</p><p>https://pt.wikihow.com/Organizar-suas-Fotos-no-Google-Fotos</p><p>https://pt.wikihow.com/Organizar-suas-Fotos-no-Google-Fotos</p><p>https://support.google.com/googleplay/answer/2521798?hl=pt-BR&ref_topic=2450266</p><p>https://support.google.com/googleplay/answer/2521798?hl=pt-BR&ref_topic=2450266</p><p>https://support.google.com/googleplay/answer/2521798?hl=pt-BR&ref_topic=2450266</p><p>https://support.google.com/googleplay/answer/2521798?hl=pt-BR&ref_topic=2450266</p><p>https://support.google.com/googleplay/answer/2521798?hl=pt-BR&ref_topic=2450266</p><p>https://support.google.com/googleplay/answer/2521798?hl=pt-BR&ref_topic=2450266</p><p>https://www.studos.com.br/gestao-escolar/como-usar-o-youtube-na-educacao/</p><p>https://www.studos.com.br/gestao-escolar/como-usar-o-youtube-na-educacao/</p><p>https://www.studos.com.br/gestao-escolar/como-usar-o-youtube-na-educacao/</p><p>https://www.youtube.com/intl/ALL_pt/howyoutubeworks/</p><p>https://www.youtube.com/intl/ALL_pt/howyoutubeworks/</p><p>https://www.youtube.com/intl/ALL_pt/howyoutubeworks/</p><p>106106 Educação LúdicaEducação Lúdica</p><p>Recentemente o YouTube tem fortalecido suas políticas com rela-</p><p>ção a direito autoral, ao uso de imagens sem autorização e à segurança</p><p>das informações e do acesso das crianças, além de combate às notícias</p><p>falsas (fake news) (YOUTUBE, 2022).</p><p>O YouTube não foi um ambiente criado para uso escolar, mas apre-</p><p>senta aos profissionais da escola muitas possibilidades de trabalho:</p><p>Professor escolhe vídeos ou autores e canais que podem ser vistos ou</p><p>seguidos e que são importantes para os conteúdos trabalhados e envia</p><p>os links para os alunos.</p><p>Professor cria playlist com vídeos que abordam os assuntos</p><p>estudados e a disponibiliza aos alunos.</p><p>Professor grava suas aulas (ou parte delas, complementos de aulas,</p><p>histórias para ilustrar) e disponibiliza aos alunos.</p><p>Alunos gravam vídeos pertinentes às aulas e publicam para os colegas</p><p>(neste caso é importante que o professor atente-se para a autorização</p><p>dos pais e responsáveis).</p><p>Djen</p><p>t/Shutterstock</p><p>O Google também tem uma divisão especialmente criada para a</p><p>educação. Chama-se (em inglês) Google for education ou (em português)</p><p>Google para a educação. É um conjunto de ferramentas tecnológicas</p><p>idealizadas para o trabalho entre professores e alunos nas escolas e</p><p>fora delas em tempo assíncrono, bastando apenas um dispositivo co-</p><p>nectado à internet para usufruir disso. A maioria das ferramentas é de</p><p>uso gratuito. A ideia é que os produtos oferecidos possam:</p><p>Além dos vídeos e canais</p><p>disponibilizados na pla-</p><p>taforma, o YouTube tem</p><p>dois produtos que podem</p><p>auxiliar o professor. O</p><p>YouTube Kids, que exige o</p><p>preenchimento dos dados</p><p>de pais ou responsá-</p><p>veis e permite acesso e</p><p>bloqueio de canais para</p><p>crianças pequenas, e o</p><p>YouTube Edu, que fornece</p><p>conteúdos educacionais</p><p>gratuitos e de qualidade</p><p>nos níveis dos Ensinos</p><p>Fundamental e Médio.</p><p>Acesse, explore e encon-</p><p>tre o que pode lhe ajudar</p><p>nas aulas.</p><p>Disponível em: https://www.</p><p>youtube.com/c/educac</p><p>https://www.youtubekids.</p><p>com/?hl=pt. Acesso em: 28 out.</p><p>2022.</p><p>Vídeo</p><p>Ajudar os alunos a</p><p>entregar trabalhos</p><p>melhores com o uso</p><p>de ferramentas.</p><p>Oportunizar o</p><p>desenvolvimento da</p><p>criatividade.</p><p>Melhorar a colaboração</p><p>e a interação entre</p><p>professores e alunos,</p><p>alunos e alunos e alunos</p><p>e comunidade.</p><p>Aumentar a</p><p>produtividade</p><p>das aulas.</p><p>Aprimorar o ensino.</p><p>Íc</p><p>on</p><p>es</p><p>: P</p><p>uc</p><p>ku</p><p>ng</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Ilu</p><p>st</p><p>ra</p><p>çã</p><p>o:</p><p>K</p><p>er</p><p>on</p><p>n</p><p>ar</p><p>t/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>https://www.youtube.com/c/educac</p><p>https://www.youtube.com/c/educac</p><p>https://www.youtubekids.com/?hl=pt</p><p>https://www.youtubekids.com/?hl=pt</p><p>Projetos transdisciplinares com uso de tecnologia 107</p><p>Além de tudo isso, as ferramentas possibilitam que o professor organize,</p><p>compartilhe e corrija trabalhos em um só lugar, o que pode ajudar a poupar</p><p>tempo do docente. As ferramentas também possibilitam que os dados dos</p><p>envolvidos sejam protegidos, pois dispõem de recursos de segurança.</p><p>Uma das ferramentas mais conhecidas pelos professores é o Google</p><p>Classroom (em inglês) ou Google Sala de Aula (em português), que consiste</p><p>numa plataforma virtual que gerencia o processo de ensino-aprendizagem,</p><p>possibilitando ao professor criar turmas e gerenciar os envios, produções e</p><p>interesses dos seus alunos, além de interagir com eles. Os alunos, por sua</p><p>vez, podem postar trabalhos, perguntar num fórum criado pelo professor,</p><p>assistir a um vídeo colocado pelo professor, entregar trabalhos.</p><p>Outra possibilidade de trabalho diz respeito ao Google Meet, que é uma</p><p>ferramenta que permite reunir até 100 pessoas ao mesmo tempo (embora</p><p>não se recomende fazer isso com crianças e jovens). No uso com a educação</p><p>básica, é possível montar grupos de estudo de determinado assunto, ensi-</p><p>nar os alunos a reunirem-se virtualmente para, por exemplo, realizar uma</p><p>prévia de trabalhos e outras necessidades que não são possíveis em um</p><p>encontro real, inclusive entre alunos de outras escolas, cidades ou países.</p><p>Não se trata aqui de incorporar a educação a distância para as</p><p>crianças e jovens, trata-se de usar um recurso ao qual eles estão muito</p><p>acostumados para melhorar a sua dedicação aos temas propostos nas</p><p>aulas. Por isso, é fundamental que o professor lance bons desafios. Se</p><p>a tecnologia for usada sem que o aluno seja desafiado a pesquisar, a</p><p>interagir, a buscar, o resultado positivo não virá.</p><p>Reconhecer que a tecnologia faz parte do mundo e da escola impõe</p><p>ao professor responsabilidade sobre seu uso e difusão. Paulo Freire já</p><p>alertava para a necessidade de reflexão quando da opção do uso das</p><p>tecnologias (que na época dizia respeito ao uso do computador na es-</p><p>cola) no final dos anos da década de 1990.</p><p>A educação não se reduz à técnica, mas não se faz educação sem</p><p>ela. Utilizar computadores na educação, em lugar de reduzir,</p><p>pode expandir a capacidade crítica e criativa de nossos meni-</p><p>nos e meninas. Dependendo de quem o usa, a favor de que e de</p><p>quem e para quê. (FREIRE, 2001, p. 98)</p><p>A análise da fala do autor remonta ao fato de que a tecnologia ajuda</p><p>a deixar a parte técnica da educação melhor. Por parte técnica estamos</p><p>entendendo a parte das estratégias que o professor usa para otimizar a</p><p>A melhor forma de</p><p>conhecer todos os</p><p>recursos oferecidos pela</p><p>Google para a educação</p><p>é explorando sua página</p><p>na internet. Lá você vai</p><p>encontrar, além das</p><p>explicações necessárias,</p><p>breves cursos que podem</p><p>te capacitar para o uso</p><p>dos recursos. Não deixe</p><p>de conhecer e explorar.</p><p>Lembre-se: a tecnologia</p><p>veio para ficar e cabe ao</p><p>professor conhecê-la para</p><p>poder melhor usá-la.</p><p>Disponível em: https://edu.google.</p><p>com/intl/ALL_br/workspace-for-</p><p>education/editions/overview/.</p><p>Acesso em: 7 nov. 2022.</p><p>SiteRecentemente o YouTube tem fortalecido suas políticas com rela-</p><p>ção a direito autoral, ao uso de imagens sem autorização e à segurança</p><p>das informações e do acesso das crianças, além de combate às notícias</p><p>falsas (fake news) (YOUTUBE, 2022).</p><p>O YouTube não foi um ambiente criado para uso escolar, mas apre-</p><p>senta aos profissionais da escola muitas possibilidades de trabalho:</p><p>Professor escolhe vídeos ou autores e canais que podem ser vistos ou</p><p>seguidos e que são importantes para os conteúdos trabalhados e envia</p><p>os links para os alunos.</p><p>Professor cria playlist com vídeos que abordam os assuntos</p><p>estudados e a disponibiliza aos alunos.</p><p>Professor grava suas aulas (ou parte delas, complementos de aulas,</p><p>histórias para ilustrar) e disponibiliza aos alunos.</p><p>Alunos gravam vídeos pertinentes às aulas e publicam para os colegas</p><p>(neste caso é importante que o professor atente-se para a autorização</p><p>dos pais e responsáveis).</p><p>Djen</p><p>t/Shutterstock</p><p>O Google também tem uma divisão especialmente criada para a</p><p>educação. Chama-se (em inglês) Google for education ou (em português)</p><p>Google para a educação. É um conjunto de ferramentas tecnológicas</p><p>idealizadas para o trabalho entre professores e alunos nas escolas e</p><p>fora delas em tempo assíncrono, bastando apenas um dispositivo co-</p><p>nectado à internet para usufruir disso. A maioria das ferramentas é de</p><p>uso gratuito. A ideia é que os produtos oferecidos possam:</p><p>Além dos vídeos e canais</p><p>disponibilizados na pla-</p><p>taforma, o YouTube tem</p><p>dois produtos que podem</p><p>auxiliar o professor. O</p><p>YouTube Kids, que exige o</p><p>preenchimento dos dados</p><p>de pais ou responsá-</p><p>veis e permite acesso e</p><p>bloqueio de canais para</p><p>crianças pequenas, e o</p><p>YouTube Edu, que fornece</p><p>conteúdos educacionais</p><p>gratuitos e de qualidade</p><p>nos níveis dos Ensinos</p><p>Fundamental e Médio.</p><p>Acesse, explore e encon-</p><p>tre o que pode lhe ajudar</p><p>nas aulas.</p><p>Disponível em: https://www.</p><p>youtube.com/c/educac</p><p>https://www.youtubekids.</p><p>com/?hl=pt. Acesso em: 28 out.</p><p>2022.</p><p>Vídeo</p><p>Ajudar os alunos a</p><p>entregar trabalhos</p><p>melhores com o uso</p><p>de ferramentas.</p><p>Oportunizar o</p><p>desenvolvimento da</p><p>criatividade.</p><p>Melhorar a colaboração</p><p>e a interação entre</p><p>professores e alunos,</p><p>alunos e alunos e alunos</p><p>e comunidade.</p><p>Aumentar a</p><p>produtividade</p><p>das aulas.</p><p>Aprimorar o ensino.</p><p>Íc</p><p>on</p><p>es</p><p>: P</p><p>uc</p><p>ku</p><p>ng</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Ilu</p><p>st</p><p>ra</p><p>çã</p><p>o:</p><p>K</p><p>er</p><p>on</p><p>n</p><p>ar</p><p>t/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>https://edu.google.com/intl/ALL_br/workspace-for-education/editions/overview/</p><p>https://edu.google.com/intl/ALL_br/workspace-for-education/editions/overview/</p><p>https://edu.google.com/intl/ALL_br/workspace-for-education/editions/overview/</p><p>https://www.youtube.com/c/educac</p><p>https://www.youtube.com/c/educac</p><p>https://www.youtubekids.com/?hl=pt</p><p>https://www.youtubekids.com/?hl=pt</p><p>K</p><p>er</p><p>on</p><p>a</p><p>rt/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>K</p><p>er</p><p>on</p><p>a</p><p>rt/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Fa</p><p>gr</p><p>ei</p><p>a/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Fa</p><p>gr</p><p>ei</p><p>a/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>ph</p><p>ip</p><p>at</p><p>bi</p><p>g/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>ph</p><p>ip</p><p>at</p><p>bi</p><p>g/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>108108 Educação LúdicaEducação Lúdica</p><p>aula, no que concerne à pesquisa, à apresentação da informação pelo</p><p>professor, à análise dos dados, à confecção de gráficos, às imagens, à</p><p>interatividade, às muitas possibilidades abertas numa tela de computa-</p><p>dor conectada à internet. Há ainda outras maneiras de a tecnologia nos</p><p>auxiliar, como na obtenção de dados superatualizados de determinados</p><p>assuntos, no conhecimento de diversas versões de uma mesma história,</p><p>bem como no acompanhamento de discussões e votações de legislação</p><p>ambiental em tempo real, por exemplo. Mas é preciso que a ação do pro-</p><p>fessor aconteça. É preciso que o professor realize a mediação, instigue,</p><p>ajude o aluno a processar as informações que estão chegando.</p><p>Mediar é se colocar entre o objeto do conhecimento e o aluno de forma a</p><p>ajudá-lo a organizar, enfatizar e transformar os estímulos que ele recebe para</p><p>a construção da sua aprendizagem. (MEIER; GARCIA, 2008)</p><p>De certa forma, ao mediar, o professor potencializa a construção do</p><p>conhecimento do aluno, porque suas inferências o ajudam a pensar,</p><p>a repensar suas escolhas, a fortalecer suas aprendizagens. Por vezes,</p><p>uma simples inserção de perguntas por parte do professor pode des-</p><p>pertar o interesse dos alunos sobre o tema, assim como o de ouvir com</p><p>atenção o que ele tem a dizer. Lançando comentários, o professor pode</p><p>desafiar o estudante a pensar sobre outra perspectiva.</p><p>Isso requer do professor uma ação ativa, uma participação importante</p><p>no conhecimento do aluno. Veja só, se antes o aluno recebia um texto es-</p><p>crito sobre o tema, seja como fotocópia ou no livro didático, hoje ele tem</p><p>acesso às portas de uma biblioteca</p><p>repleta de informações na rede. E isso</p><p>pode encantar, mas também pode dispersar.</p><p>A ação do professor é muito importante no auxílio às atividades,</p><p>para que os alunos (COSCARELLI, 2016):</p><p>Selecionem as</p><p>informações</p><p>encontradas de acordo</p><p>com a necessidade.</p><p>Encontrem as</p><p>informações.</p><p>Reconheçam</p><p>estratégias de</p><p>marketing e reflitam,</p><p>assim, sobre consumo</p><p>excessivo.</p><p>Compreendam que nem tudo</p><p>que está na rede é verdade</p><p>absoluta e que algumas coisas</p><p>não são verdade sob nenhum</p><p>aspecto (fake news).</p><p>Projetos transdisciplinares com uso de tecnologia 109</p><p>Usar as tecnologias na escola diz respeito a oferecer oportunidades</p><p>aos alunos para que possam ser autônomos, mas a autonomia aqui</p><p>não diz respeito a deixar que façam tudo sozinhos, como num caso</p><p>em que o professor deixa o aluno pesquisar sem orientação. Quando</p><p>dizemos que desejamos um aluno autônomo, isso não se trata de dei-</p><p>xar que o aluno vá sozinho em busca do conhecimento por meio das</p><p>tecnologias. Trata-se de indicar os caminhos, de ajudá-lo na busca, de</p><p>rever o trajeto e de ampliar o que se procura, se esse for o caso, de ana-</p><p>lisar as respostas que a tecnologia pode trazer. Não é possível um bom</p><p>trabalho pedagógico nesse caso sem uma ação direta dos professores.</p><p>As tecnologias devem servir a um bom projeto educativo. Vamos</p><p>analisar isso por meio de um exemplo:</p><p>Uma professora da pré-escola, realizando um trabalho sobre a diversidade, preservação</p><p>da natureza e reconhecimento de formas geométricas presentes nela (num projeto que</p><p>incluía as áreas de natureza e sociedade e matemática), escolheu uma estratégia na qual</p><p>seus alunos utilizariam os computadores da escola para desenhar elementos da natu-</p><p>reza que contêm formas geométricas. E lá foram as crianças desenhar árvores, flores,</p><p>animais e outros elementos da natureza nos quais reconheciam as formas geométricas.</p><p>A sequência da atividade previu a impressão desses trabalhos em papel sulfite, a apre-</p><p>sentação deles aos pais, a fixação dos trabalhos na parede externa da sala de aula numa</p><p>exposição, que indicaria que as crianças conseguem perceber que existem formas</p><p>geométricas na natureza. Vamos analisar a coerência da proposta?</p><p>Exemplo</p><p>Se o tema dos estudos era as formas presentes na natureza e a pro-</p><p>fessora ressaltou a diversidade presente nela e a questão da necessidade</p><p>da preservação, que são abordagens indicadas na BNCC, qual o sentido</p><p>de imprimir a atividade utilizando o recurso tecnológico para fazer aquilo</p><p>que está sendo ensinado como algo a não ser feito? Gastar papel para</p><p>ensinar a criança a preservar a natureza? E se uma criança questionasse</p><p>o professor sobre as árvores que são derrubadas para fazer o papel?</p><p>Observe que por mais que a atividade seja conscientizadora e</p><p>atenda ao que pede a BNCC, o uso da tecnologia no projeto apresen-</p><p>tado foi inadequado, uma vez que se está contribuindo para o uso</p><p>desmedido do papel (e dos componentes químicos da tinta) e não</p><p>há ação de preservação da natureza. Então, endossando a reflexão</p><p>proposta por Paulo Freire (2001) vista anteriormente: essa tecnolo-</p><p>gia está a serviço de quê?</p><p>Para aprimorar suas aulas</p><p>usando a tecnologia, por</p><p>exemplo, direcione a</p><p>pesquisa dos seus alunos</p><p>para flores diferentes</p><p>das conhecidas por eles,</p><p>compare os tamanhos, a</p><p>região onde vivem, as for-</p><p>mas presentes em cada</p><p>uma delas, a matemática</p><p>perfeita que existe em</p><p>muitas delas. Para iniciar,</p><p>acesse esse artigo e veja</p><p>quantas flores dessas</p><p>você mesmo já conhecia.</p><p>Disponível em: https://www.</p><p>paraoscuriosos.com/a7237/plantas-</p><p>naturais-que-formam-figuras-</p><p>geometricas-perfeitas#utm_</p><p>source=SiteShareButton&utm_</p><p>medium=SiteShareButton&utm_</p><p>campaign=Article_7237?page=4</p><p>Acesso em: 19 out. 2022.</p><p>Dica</p><p>https://www.paraoscuriosos.com/a7237/plantas-naturais-que-formam-figuras-geometricas-perfeitas#utm_source=SiteShareButton&utm_medium=SiteShareButton&utm_campaign=Article_7237?page=4</p><p>https://www.paraoscuriosos.com/a7237/plantas-naturais-que-formam-figuras-geometricas-perfeitas#utm_source=SiteShareButton&utm_medium=SiteShareButton&utm_campaign=Article_7237?page=4</p><p>https://www.paraoscuriosos.com/a7237/plantas-naturais-que-formam-figuras-geometricas-perfeitas#utm_source=SiteShareButton&utm_medium=SiteShareButton&utm_campaign=Article_7237?page=4</p><p>https://www.paraoscuriosos.com/a7237/plantas-naturais-que-formam-figuras-geometricas-perfeitas#utm_source=SiteShareButton&utm_medium=SiteShareButton&utm_campaign=Article_7237?page=4</p><p>https://www.paraoscuriosos.com/a7237/plantas-naturais-que-formam-figuras-geometricas-perfeitas#utm_source=SiteShareButton&utm_medium=SiteShareButton&utm_campaign=Article_7237?page=4</p><p>https://www.paraoscuriosos.com/a7237/plantas-naturais-que-formam-figuras-geometricas-perfeitas#utm_source=SiteShareButton&utm_medium=SiteShareButton&utm_campaign=Article_7237?page=4</p><p>https://www.paraoscuriosos.com/a7237/plantas-naturais-que-formam-figuras-geometricas-perfeitas#utm_source=SiteShareButton&utm_medium=SiteShareButton&utm_campaign=Article_7237?page=4</p><p>Ti</p><p>er</p><p>ne</p><p>yM</p><p>J/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Se você fosse convidado a usar as tecnologias para fazer um trabalho pedagógico tratando</p><p>a respeito da diversidade, da preservação da natureza e do reconhecimento de formas</p><p>geométricas presentes nela, como usaria a tecnologia?</p><p>Seguem algumas dicas:</p><p>Poderia ser feita a análise das formas geométricas presentes na natureza em imagens reais</p><p>(além, claro, de passeios que possam mostrar tais formas na natureza viva e não apenas</p><p>em imagens). O tema poderia explorar ainda a necessidade da preservação da natureza.</p><p>São ações coerentes com o que se deseja ensinar. Então, ressaltamos: não basta usar a</p><p>tecnologia, é preciso usá-la a favor de um projeto pedagógico coerente e completo.</p><p>Por fim, para que os alunos interajam com o computador, ou outra tecnologia, pode-se</p><p>propor o uso de um aplicativo de desenho para que eles desenhem utilizando as</p><p>formas geométricas.</p><p>Exemplo</p><p>Tecnologia e escola têm muito a oferecer uma à outra. Os projetos</p><p>educacionais podem ser realmente muito melhores com o uso do Google</p><p>e de vídeos do YouTube. Mas nada disso se concretiza se o professor dei-</p><p>xar o aluno livre nesse universo tão vasto. Nesse contexto, as tecnologias</p><p>são aliadas, caso o professor oriente, monitore, explore e acredite nelas;</p><p>mas mais que tudo: é preciso mostrar ao aluno que há vários modos de</p><p>aprender com a tecnologia.</p><p>5.3 Jogos e aplicativos digitais</p><p>Vídeo Jogos fazem parte da história da humanidade e, com o grande avan-</p><p>ço tecnológico do final do século XX e início do século XXI, eles passaram</p><p>a ter também elementos tecnológicos. Jogos são uma representação</p><p>da cultura humana, e atualmente parte da cultura que vivenciamos na</p><p>atualidade é digital, certo? Assim sendo, com o digital tão presente no</p><p>cotidiano da maioria das sociedades, os jogos também trilharam esse</p><p>caminho, que depois foi ampliado para os aplicativos digitais.</p><p>110110 Educação LúdicaEducação Lúdica</p><p>Projetos transdisciplinares com uso de tecnologia 111</p><p>Os aplicativos são conhecidos como apps: “O termo App é uma abre-</p><p>viação de application, que significa aplicativo em português. Um App pode</p><p>ser oferecido em versão gratuita ou paga, para ser executado diretamente</p><p>[...] nos dispositivos digitais” (COUTO; PORTO; SANTOS, 2016, p. 11).</p><p>De modo geral, um aplicativo digital é um sistema em que você rea-</p><p>liza tarefas. Google Earth é um aplicativo que, ainda que não tenha sido</p><p>criado especificamente para a educação, pode ser um grande aliado nas</p><p>aulas. A plataforma que permite análise geoespacial possibilita aos usuá-</p><p>rios visualizar e analisar imagens de satélite do nosso planeta. Sem dúvi-</p><p>da, a proposta desse aplicativo pode transformar as aulas de Geografia,</p><p>uma vez que permite visualizar em tempo real o que se está estudando.</p><p>Dois dos aplicativos mais conhecidos são o Facebook e o Instagram,</p><p>no campo das redes sociais, e Uber, no da mobilidade. Um dos aplicativos</p><p>mais utilizados no país é o WhatsApp, que permite mandar mensagens de</p><p>voz, texto e imagens aos usuários</p><p>sem restrição geográfica (desde que a</p><p>outra parte tenha uma conexão à internet e o aplicativo baixado).</p><p>Há também aplicativos que são jogos, pois, à medida que o parti-</p><p>cipante vai realizando as tarefas, recebe incentivo e pontuação para</p><p>continuar avançando os níveis de intensidade propostos.</p><p>Facebook e Instagram são aplicativos já em uso em várias escolas e</p><p>sistemas de ensino, e muitas vezes as instituições têm contas oficiais.</p><p>Acompanhe, a seguir, algumas ideias:</p><p>Quadro 2</p><p>Propostas pedagógicas para uso do Facebook e do Instagram</p><p>1. Faça a mediação de grupos</p><p>de estudo</p><p>Convide alunos (varie as salas, as idades e até</p><p>as escolas em que você leciona) para participa-</p><p>rem de grupos de estudos.</p><p>Interesses dos estudantes podem ser traba-</p><p>lhados em sala de aula, de acordo com os con-</p><p>teúdos curriculares já planejados para cada</p><p>série, mas lembre-se: você é o mediador das</p><p>discussões propostas e tem o papel de orien-</p><p>tar os alunos.</p><p>Solicite aos alunos indicação de sites e links</p><p>interessantes nas postagens, pois a colabora-</p><p>ção dos alunos é um dos privilégios que esses</p><p>espaços possibilitam.</p><p>Através das propostas dos alunos,</p><p>do que eles indicam, você conhe-</p><p>cerá o que eles pensam, qual seu</p><p>maior interesse, poderá propor</p><p>estratégias de ensino, levando</p><p>essas informações em conta, e</p><p>compreender melhor quais são as</p><p>dúvidas e dificuldades deles.</p><p>Cabe ao professor a mediação do</p><p>debate. Não deixe os alunos soltos</p><p>no ambiente virtual. Lembre-se de</p><p>que é um ambiente educativo.</p><p>(Continua)</p><p>Fique atento, professorPropostas</p><p>Batalha bilionária: o</p><p>caso Google Earth é uma</p><p>minissérie que trata da</p><p>disputa entre o Google</p><p>e a ART+COM, empresa</p><p>alemã que processou</p><p>a gigante americana</p><p>por suposto plágio do</p><p>programa alemão Terra</p><p>Vision. Mostra o lado</p><p>milionário das tecnologias</p><p>e suscita reflexões sobre</p><p>a influência delas em</p><p>nossas vidas. São quatro</p><p>capítulos. Recomendamos</p><p>que você, professor, assis-</p><p>ta não só pela disputa em</p><p>si, mas para compreender</p><p>o que está envolvido na</p><p>elaboração de programas</p><p>como esse.</p><p>Direção: Oliver Ziegenbalg & Robert</p><p>Thalheim. Alemanha: Kundschafter</p><p>Filmproduktion; Sunny Side Up</p><p>Films, 2021.</p><p>Série</p><p>112 Educação Lúdica</p><p>Fique atento, professorPropostas</p><p>2. Disponibilize conteúdos ex-</p><p>tras para os alunos</p><p>Nesses espaços é possível compartilhar muito</p><p>material variado (multimídia, pequenos vídeos,</p><p>trechos de reportagens, trechos de filmes, e</p><p>muitas outras coisas), faça isso constantemente.</p><p>Escolha com critério o que será</p><p>compartilhado com seus alunos,</p><p>para que tenha menos cara de</p><p>material escolar e mais a lin-</p><p>guagem própria da juventude.</p><p>Vídeos curtos, reportagens com</p><p>linguagem mais fácil terão maior</p><p>adesão de visualização e leitura.</p><p>Respeite a língua do app.</p><p>3. Promova discussões e com-</p><p>partilhe bons exemplos</p><p>Os alunos passam muito tempo nas redes so-</p><p>ciais. Faça com que seja produtivo, compartilhe</p><p>histórias de sucesso, de pessoas que possam</p><p>inspirar seus alunos.</p><p>Promova discussões e ensine-os a</p><p>opinar nas redes, bem como a res-</p><p>peitar opiniões divergentes.</p><p>4. Elabore um calendário de</p><p>eventos</p><p>Use os espaços “Meu Calendário” e “Eventos” do</p><p>Facebook para agendar ou recomendar visitas a</p><p>exposições, teatros, cinema. Use os recursos igual-</p><p>mente para agendar debates, trabalhos e avalia-</p><p>ções ou entrega de pesquisas da sua turma.</p><p>Os calendários das redes socias</p><p>não podem ser os únicos locais</p><p>dessas marcações, até que os alu-</p><p>nos estejam integrados com eles.</p><p>5. Organize um chat para tirar</p><p>dúvidas</p><p>Esteja disponível para responder sobre dúvidas</p><p>e/ou para debater assuntos de modo síncrono,</p><p>ao vivo com seus alunos. É uma grande vanta-</p><p>gem poder reunir os alunos sem precisar de</p><p>deslocamento físico.</p><p>Faça com que o uso do chat seja</p><p>produtivo, muitas vezes os alunos</p><p>precisarão pensar antes nas per-</p><p>guntas que farão para que o chat</p><p>tenha dinamicidade.</p><p>Fonte: Elaborado pela autora com base em Pecchi, 2011.</p><p>As ideias propostas com o uso dos aplicativos das redes sociais vão</p><p>oferecer às suas aulas uma inserção tecnológica que pode ajudar – e</p><p>muito – na aprendizagem dos alunos; apenas atente-se para que o uso</p><p>da tecnologia escolhida seja do consentimento dos pais das crianças</p><p>e jovens. Se apoiado pela escola e pelos pais das crianças, você pode</p><p>ter muitos ganhos educacionais. Observe, no entanto, que para muitos</p><p>pais e profissionais da educação é preciso explicar claramente as van-</p><p>tagens do uso da tecnologia (e nesse caso isso deve estar bem claro</p><p>para você também). Às vezes pais ou diretores/coordenadores são con-</p><p>tra tais iniciativas por não compreenderem o ganho educacional que</p><p>pode advir delas. Então vá à luta e explique as vantagens.</p><p>Trazendo a conversa para os jogos digitais, é preciso considerar que</p><p>nesse caso o jogador precisa de dois tipos de letramento digital: o pri-</p><p>meiro diz respeito às técnicas da mecânica do jogo: determinado botão</p><p>do controle ou do teclado faz determinada ação, por exemplo; a com-</p><p>Neste link você pode</p><p>conhecer muitos aplica-</p><p>tivos que se propõem a</p><p>ajudar a educação como</p><p>um todo. Se você busca</p><p>aplicativos para que seus</p><p>alunos aprendam ludi-</p><p>camente sobre história,</p><p>inglês, língua portuguesa,</p><p>matemática e outras</p><p>áreas, clique e conheça</p><p>alguns.</p><p>Disponível em: https://www.</p><p>melhorescola.com.br/artigos/</p><p>aplicativos-para-educacao-</p><p>gratuitos-sao-aliados-do-ensino.</p><p>Acesso em: 7 nov. 2022.</p><p>Dica</p><p>O Graphogame é um</p><p>aplicativo educativo que</p><p>promete tornar mais</p><p>divertida a aprendizagem.</p><p>Lançado pelo Ministério</p><p>da Educação brasileiro,</p><p>a princípio para ajudar</p><p>com atividades remotas,</p><p>o Graphogame pode ser</p><p>usado como elemento</p><p>complementar às ações</p><p>educativas. É gratuito.</p><p>Saiba mais através do link</p><p>a seguir.</p><p>Disponível em: https://</p><p>alfabetizacao.mec.gov.br/grapho-</p><p>game. Acesso em: 7 nov. 2022.</p><p>Jogo</p><p>https://www.melhorescola.com.br/artigos/aplicativos-para-educacao-gratuitos-sao-aliados-do-ensino</p><p>https://www.melhorescola.com.br/artigos/aplicativos-para-educacao-gratuitos-sao-aliados-do-ensino</p><p>https://www.melhorescola.com.br/artigos/aplicativos-para-educacao-gratuitos-sao-aliados-do-ensino</p><p>https://www.melhorescola.com.br/artigos/aplicativos-para-educacao-gratuitos-sao-aliados-do-ensino</p><p>https://alfabetizacao.mec.gov.br/grapho-game</p><p>https://alfabetizacao.mec.gov.br/grapho-game</p><p>https://alfabetizacao.mec.gov.br/grapho-game</p><p>Projetos transdisciplinares com uso de tecnologia 113</p><p>binação de teclas pode impulsionar o participante a outros níveis; e há</p><p>mais uma sucessão de possibilidades que não caberiam aqui. O outro</p><p>letramento que um jogo permite, especialmente se for um jogo temáti-</p><p>co, diz respeito ao conhecimento da história que faz parte do jogo, dos</p><p>personagens que existem além daquela realidade, da mitologia que</p><p>envolve as histórias (SILVA, 2013) ou das habilidades de determinado</p><p>jogador de futebol, por exemplo.</p><p>Nos jogos que envolvem os super-heróis conhecidos das crianças,</p><p>os passos, ataques e respostas deles dependem dos poderes que já</p><p>têm naquele mundo. O jogo funciona nesse caso como uma possibili-</p><p>dade de continuar as aventuras que as crianças veem nas séries, nos</p><p>filmes e nos desenhos animados.</p><p>Não são só crianças as fascinadas pelos jogos on-line, obviamente. A in-</p><p>dústria de jogos on-line movimenta cerca de 200 milhões de dólares com</p><p>aprimoramento tecnológico e grande interesse do público (PACETE, 2022).</p><p>Para montar jogos cada vez mais desafiadores e realistas, há um grande</p><p>investimento em diferentes áreas do conhecimento (COELHO, 2022).</p><p>Os jogos existem há muito tempo no contexto educativo e os jogos</p><p>eletrônicos/on-line são uma possibilidade para a educação das crianças e</p><p>jovens. A ludicidade e a atenção que os jogos requerem, bem como o en-</p><p>tendimento das partes que o compõem, das etapas que serão vencidas e</p><p>em especial da parte lúdica, que é muito grande, envolvem os jogadores</p><p>de tal forma, que é possível aprender com o que se está praticando. En-</p><p>tão, jogos digitais fazem parte das novas tendências pedagógicas.</p><p>Há diferentes jogos para diversos propósitos,</p><p>o maior deus da Grécia Antiga. Segundo a mitologia,</p><p>o nome olímpico faz menção ao monte Olimpo, morada dos deu-</p><p>ses gregos (NI, 2011).</p><p>Esses jogos, da forma como ocorriam na Grécia An-</p><p>tiga, são conhecidos hoje em dia como da Antiguidade.</p><p>Eram uma importante competição, realizados com inter-</p><p>valo de tempo de quatro anos; os vencedores eram muito</p><p>valorizados, e alguns deles foram imortalizados em poemas</p><p>e estátuas. As provas eram atividades de “corrida, pentatlo</p><p>(que consiste em um evento de saltos, lançamento de disco e</p><p>lançamento de dardo, uma corrida a pé e luta), boxe, luta livre</p><p>e eventos equestres” (NI, 2011, p. 48).</p><p>Que tal conhecer um dos</p><p>jogos mais antigos do</p><p>mundo? O Mancala é um</p><p>jogo africano, considera-</p><p>do um dos mais antigos</p><p>da história, tem quase</p><p>4.000 anos. Na verdade,</p><p>o termo Mancala indica</p><p>um conjunto de jogos</p><p>com muitas variações,</p><p>inclusive com adaptações</p><p>para realizar nas escolas</p><p>da atualidade. É uma aula</p><p>de cultura e de ludicidade.</p><p>Nos links a seguir você</p><p>pode conhecer mais</p><p>sobre o jogo e aprender</p><p>como jogar. Diversão para</p><p>adultos e crianças!</p><p>Disponível em: https://</p><p>educacrianca.com.br/</p><p>mancala-jogo-africano/</p><p>https://super.abril.com.br/</p><p>comportamento/jogo-mancala/.</p><p>Acesso em: 26 out. 2022.</p><p>Saiba mais</p><p>Aqui, está se denominan-</p><p>do sagrado o aspecto</p><p>religioso presente nas</p><p>pessoas, sem vinculação</p><p>específica com doutrinas</p><p>religiosas.</p><p>2</p><p>Gilmanshin/Shutterstock</p><p>https://educacrianca.com.br/mancala-jogo-africano/</p><p>https://educacrianca.com.br/mancala-jogo-africano/</p><p>https://educacrianca.com.br/mancala-jogo-africano/</p><p>https://super.abril.com.br/comportamento/jogo-mancala/</p><p>https://super.abril.com.br/comportamento/jogo-mancala/</p><p>ve</p><p>ct</p><p>or</p><p>fu</p><p>si</p><p>on</p><p>ar</p><p>t/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Os Jogos Olímpicos tiveram seu auge nos séculos VI e V a.C., mas</p><p>foram perdendo sua importância quando o imperador Teodósio, con-</p><p>vertido ao cristianismo, proibiu-os com a alegação de que eram desti-</p><p>nados a cultuar deuses pagãos. Consta que aproximadamente no ano</p><p>393 d.C. foram extintos (NI, 2011). Só foram retomados em 1896, com</p><p>a audaciosa proposta, até então inédita, de promover uma competição</p><p>esportiva internacional, juntando países de todos os continentes, e que</p><p>se espelhasse nos Jogos Olímpicos gregos. As chamadas Olimpíadas</p><p>modernas são realizadas a cada quatro anos, divididas entre Jogos de</p><p>Inverno e Verão, com intervalos de dois anos entre os jogos de inverno</p><p>e verão (RUBIO, 2010).</p><p>Mesmo com tantas mudanças de cultura e contexto entre os Jogos</p><p>Olímpicos realizados na Grécia Antiga e as Olimpíadas atuais – e mes-</p><p>mo que essa tenha como objetivo o congraçamento das diversas po-</p><p>pulações dos cinco continentes e não de ser oferecido aos deuses –, os</p><p>eventos permanecem ao longo dos tempos como exemplos de ludici-</p><p>dade adulta.</p><p>É preciso citar aqui as Paraolimpíadas. Sim, porque a ludicidade</p><p>abrange todas as pessoas, independentemente das suas necessida-</p><p>des especiais. Isso motivou o Dr. Ludwig Guttmann, que era diretor do</p><p>centro nacional britânico de traumatismos e trabalhava na reabilitação</p><p>de soldados feridos da Segunda Guerra Mundial, a criar em 1948 os</p><p>Jogos Internacionais de Stoke Mandeville, um evento esportivo voltado</p><p>exclusivamente a pessoas com deficiência. Com o passar dos anos a</p><p>competição recebeu atletas de outras cidades, de ou-</p><p>tros países e aumentou o rol de esportes envolvidos</p><p>(nas primeiras edições era somente tiro ao alvo). Em</p><p>1960, a competição foi organizada em Roma, na Itália,</p><p>que também era sede olímpica naquele ano, e assim</p><p>surgiram os primeiros Jogos Paraolímpicos, reali-</p><p>zados com 400 atletas de 23 países (ZOCHIO; AL-</p><p>VES; CONDE, 2016).</p><p>Certamente você conhece</p><p>alguma modalidade</p><p>dos Jogos Olímpicos de</p><p>nossos tempos, mas e</p><p>no início, como eram as</p><p>modalidades disputadas?</p><p>Quer conhecer jogos que</p><p>foram muito populares</p><p>na Grécia Antiga e como</p><p>eram praticados? Leia o</p><p>texto 9 Jogos populares da</p><p>Grécia Antiga.</p><p>Disponível em: www.historiaantiga.</p><p>com/jogos-populares-grecia-</p><p>antiga/. Acesso em: 26 out. 2022.</p><p>Leitura</p><p>Hoje em dia não dá para</p><p>conceber uma Olimpía-</p><p>da sem a participação</p><p>das atletas femininas.</p><p>A participação das mu-</p><p>lheres foi crescente ao</p><p>longo dos anos. Acesse</p><p>o link a seguir e veja uma</p><p>animação que mostra os</p><p>esportes e a porcentagem</p><p>das mulheres atletas das</p><p>Olimpíadas ao longo das</p><p>edições dos jogos.</p><p>Disponível em: https://youtu.</p><p>be/iH7oYpYD9TE. Acesso em: 26</p><p>out. 2022.</p><p>Vídeo</p><p>Ludicidade humana: autoconhecimento e socializaçãoLudicidade humana: autoconhecimento e socialização 1717</p><p>http://www.historiaantiga.com/jogos-populares-grecia-antiga/</p><p>http://www.historiaantiga.com/jogos-populares-grecia-antiga/</p><p>http://www.historiaantiga.com/jogos-populares-grecia-antiga/</p><p>https://youtu.be/iH7oYpYD9TE</p><p>https://youtu.be/iH7oYpYD9TE</p><p>18 Educação Lúdica</p><p>KONSTANTIN_SHISHKIN/Shutterstock</p><p>As Paraolimpíadas são também divididas em jogos de inverno</p><p>e de verão, em datas posteriores às da realização das Olimpíadas,</p><p>na mesma cidade sede. O evento é um sucesso em ludicidade, em</p><p>inclusão e em respeito ao próximo. Nas Paraolimpíadas partici-</p><p>pam atletas com deficiências motoras, amputados, cegos, além</p><p>de pessoas que sofreram paralisia cerebral e que possuem al-</p><p>guma deficiência mental.</p><p>Outro exemplo de ludicidade na história da humanidade está</p><p>presente na cultura dos povos indígenas. Muitas comunidades</p><p>indígenas no mundo todo ensinam seus costumes às próximas ge-</p><p>rações por meio da ludicidade (SANT’ANNA; NASCIMENTO, 2011).</p><p>Assim sendo, a cultura indígena brasileira também apresenta for-</p><p>tes elementos lúdicos.</p><p>De modo geral, a prática da ludicidade entre os indígenas brasi-</p><p>leiros é uma atividade desenvolvida para socialização dos membros</p><p>das comunidades, por exemplo, quando envolve as crianças para</p><p>além da diversão, como forma de aprender as tarefas que serão rea-</p><p>lizadas na vida adulta.</p><p>Alguns elementos da ludicidade indígena brasileira são “as bo-</p><p>las de palha dos Bakairis. As bolas de mangaba dos Paresis com</p><p>as de seiva, os piões entre os Tapirapés, as petecas e bonecas de</p><p>barro entre os Karajás, apitos e bonecas de algodão são feitas pelos</p><p>Rikbaktsas e as flechas de buriti feitas pelos Xavantes, entre outros”</p><p>(BALDUS, 1970, p. 65).</p><p>Você percebeu quantos nomes de etnias indígenas aparecem em destaque? Que tal</p><p>pesquisar esses nomes e conhecer um pouco mais sobre a ludicidade na cultura dos</p><p>diferentes povos indígenas brasileiros?</p><p>Desafio</p><p>Os indígenas brasileiros têm uma grande variedade de jogos e</p><p>atividades lúdicas em sua cultura. São brinquedos, brincadeiras,</p><p>cânticos, danças e cerimônias. Muitos desses são praticados nas</p><p>aldeias há muitos anos, numa perpetuação da cultura, que é pas-</p><p>sada de pai para filho.</p><p>A Figura 1 mostra uma variedade de brinquedos e jogos que foram</p><p>construídos pelas culturas indígenas brasileiras com elementos da na-</p><p>tureza e permanecem vivos na cultura desses grupos.</p><p>Sabia que o primeiro</p><p>esporte adaptado para</p><p>pessoas com deficiência</p><p>no Brasil foi o basquete</p><p>na cadeira de rodas? Isso</p><p>aconteceu em 1958 e</p><p>desde então a realidade</p><p>do esporte paraolímpico</p><p>mudou bastante. Conheça</p><p>mais sobre a participação</p><p>brasileira nas parao-</p><p>limpíadas, bem como a</p><p>possibilidade de alguém</p><p>que você conhece, ou tal-</p><p>vez você mesmo, ser um</p><p>atleta paraolímpico, no</p><p>site do comitê paralímpico</p><p>brasileiro.</p><p>Disponível em: https://www.cpb.</p><p>org.br/. Acesso em: 26 out. 2022.</p><p>Saiba mais</p><p>Brinquedos</p><p>Pião (y’ym)</p><p>Arma de pressão</p><p>(mocauara an-gap)</p><p>Peteca (popok)</p><p>Perna-de-pau</p><p>(my’yta)</p><p>Construído com uma vareta de bambu fincada em uma fruta, produz um zumbido ao</p><p>ser friccionado e lançado.</p><p>A polpa de pequi funciona como a “bala” da arma, que é feita com um</p><p>bambu.</p><p>Segue o mesmo formato do brinquedo tradicional e é feita de palha</p><p>recheada com folhas de algodão.</p><p>É montada em casca de embira, em que são fixados dois pedaços de madeira para o</p><p>apoio dos pés.</p><p>Figura 1</p><p>Elementos lúdicos indígenas</p><p>Fa</p><p>berr In</p><p>k/Shutterstock</p><p>Marimbondo (kap)</p><p>Briga-de-galo</p><p>Brincadeira da</p><p>mandioca</p><p>Ywa</p><p>que vão desde apren-</p><p>dizagem até diversão, servindo, desta forma, a vários propósitos na</p><p>educação. Podem ser úteis como instrumentos para a aprendizagem</p><p>de línguas, porque exigem que o participante conheça a língua usada</p><p>para o jogo (muitas vezes em inglês) e podem, assim, ser práticas so-</p><p>ciais e vivências que possibilitam aprendizagem. Podem também pro-</p><p>porcionar que se aprenda sobre navegação e práticas sociais de escrita</p><p>no ambiente digital (RIBEIRO, 2016). Jogos e aplicativos, portanto, não</p><p>ensinam somente o conteúdo proposto, ensinam também sobre pos-</p><p>tura ética na internet, sobre perdas e ganhos, sobre motivação, sobre</p><p>persistência, sobre respeito ao adversário e sobre o próprio mundo</p><p>digital, que é parte da cultura contemporânea.</p><p>Há muitas opções de</p><p>jogos que trabalham com</p><p>a etapa da alfabetização</p><p>infantil, tornando esse um</p><p>tempo de muita ludicida-</p><p>de, que gera descoberta e</p><p>motivação. Na reporta-</p><p>gem a seguir você encon-</p><p>trará muitas opções de</p><p>jogos que podem ajudar</p><p>nesse período tão encan-</p><p>tador da infância e guiar</p><p>seus alunos pelo mundo</p><p>mágico do aprendizado</p><p>da leitura e da escrita.</p><p>Disponível em: https://novaescola.</p><p>org.br/conteudo/18163/</p><p>jogos-digitais-e-alfabetizacao-</p><p>como-dar-mais-dinamismo-</p><p>ao-aprendizado#:~:text=E%20</p><p>%C3%A9%20neste%20</p><p>cen%C3%A1rio%20</p><p>que,incr%C3%ADvel%20</p><p>aventura%20para%20as%20</p><p>crian%C3%A7as. Acesso em: 9</p><p>out. 2022.</p><p>Leitura</p><p>As ideias propostas com o uso dos aplicativos das redes sociais vão</p><p>oferecer às suas aulas uma inserção tecnológica que pode ajudar – e</p><p>muito – na aprendizagem dos alunos; apenas atente-se para que o uso</p><p>da tecnologia escolhida seja do consentimento dos pais das crianças</p><p>e jovens. Se apoiado pela escola e pelos pais das crianças, você pode</p><p>ter muitos ganhos educacionais. Observe, no entanto, que para muitos</p><p>pais e profissionais da educação é preciso explicar claramente as van-</p><p>tagens do uso da tecnologia (e nesse caso isso deve estar bem claro</p><p>para você também). Às vezes pais ou diretores/coordenadores são con-</p><p>tra tais iniciativas por não compreenderem o ganho educacional que</p><p>pode advir delas. Então vá à luta e explique as vantagens.</p><p>Trazendo a conversa para os jogos digitais, é preciso considerar que</p><p>nesse caso o jogador precisa de dois tipos de letramento digital: o pri-</p><p>meiro diz respeito às técnicas da mecânica do jogo: determinado botão</p><p>do controle ou do teclado faz determinada ação, por exemplo; a com-</p><p>Neste link você pode</p><p>conhecer muitos aplica-</p><p>tivos que se propõem a</p><p>ajudar a educação como</p><p>um todo. Se você busca</p><p>aplicativos para que seus</p><p>alunos aprendam ludi-</p><p>camente sobre história,</p><p>inglês, língua portuguesa,</p><p>matemática e outras</p><p>áreas, clique e conheça</p><p>alguns.</p><p>Disponível em: https://www.</p><p>melhorescola.com.br/artigos/</p><p>aplicativos-para-educacao-</p><p>gratuitos-sao-aliados-do-ensino.</p><p>Acesso em: 7 nov. 2022.</p><p>Dica</p><p>O Graphogame é um</p><p>aplicativo educativo que</p><p>promete tornar mais</p><p>divertida a aprendizagem.</p><p>Lançado pelo Ministério</p><p>da Educação brasileiro,</p><p>a princípio para ajudar</p><p>com atividades remotas,</p><p>o Graphogame pode ser</p><p>usado como elemento</p><p>complementar às ações</p><p>educativas. É gratuito.</p><p>Saiba mais através do link</p><p>a seguir.</p><p>Disponível em: https://</p><p>alfabetizacao.mec.gov.br/grapho-</p><p>game. Acesso em: 7 nov. 2022.</p><p>Jogo</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/18163/jogos-digitais-e-alfabetizacao-como-dar-mais-dinamismo-ao-aprendizado#:~:text=E%20%C3%A9%20neste%20cen%C3%A1rio%20que,incr%C3%ADvel%20aventura%20para%20as%20crian%C3%A7as</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/18163/jogos-digitais-e-alfabetizacao-como-dar-mais-dinamismo-ao-aprendizado#:~:text=E%20%C3%A9%20neste%20cen%C3%A1rio%20que,incr%C3%ADvel%20aventura%20para%20as%20crian%C3%A7as</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/18163/jogos-digitais-e-alfabetizacao-como-dar-mais-dinamismo-ao-aprendizado#:~:text=E%20%C3%A9%20neste%20cen%C3%A1rio%20que,incr%C3%ADvel%20aventura%20para%20as%20crian%C3%A7as</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/18163/jogos-digitais-e-alfabetizacao-como-dar-mais-dinamismo-ao-aprendizado#:~:text=E%20%C3%A9%20neste%20cen%C3%A1rio%20que,incr%C3%ADvel%20aventura%20para%20as%20crian%C3%A7as</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/18163/jogos-digitais-e-alfabetizacao-como-dar-mais-dinamismo-ao-aprendizado#:~:text=E%20%C3%A9%20neste%20cen%C3%A1rio%20que,incr%C3%ADvel%20aventura%20para%20as%20crian%C3%A7as</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/18163/jogos-digitais-e-alfabetizacao-como-dar-mais-dinamismo-ao-aprendizado#:~:text=E%20%C3%A9%20neste%20cen%C3%A1rio%20que,incr%C3%ADvel%20aventura%20para%20as%20crian%C3%A7as</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/18163/jogos-digitais-e-alfabetizacao-como-dar-mais-dinamismo-ao-aprendizado#:~:text=E%20%C3%A9%20neste%20cen%C3%A1rio%20que,incr%C3%ADvel%20aventura%20para%20as%20crian%C3%A7as</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/18163/jogos-digitais-e-alfabetizacao-como-dar-mais-dinamismo-ao-aprendizado#:~:text=E%20%C3%A9%20neste%20cen%C3%A1rio%20que,incr%C3%ADvel%20aventura%20para%20as%20crian%C3%A7as</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/18163/jogos-digitais-e-alfabetizacao-como-dar-mais-dinamismo-ao-aprendizado#:~:text=E%20%C3%A9%20neste%20cen%C3%A1rio%20que,incr%C3%ADvel%20aventura%20para%20as%20crian%C3%A7as</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/18163/jogos-digitais-e-alfabetizacao-como-dar-mais-dinamismo-ao-aprendizado#:~:text=E%20%C3%A9%20neste%20cen%C3%A1rio%20que,incr%C3%ADvel%20aventura%20para%20as%20crian%C3%A7as</p><p>https://www.melhorescola.com.br/artigos/aplicativos-para-educacao-gratuitos-sao-aliados-do-ensino</p><p>https://www.melhorescola.com.br/artigos/aplicativos-para-educacao-gratuitos-sao-aliados-do-ensino</p><p>https://www.melhorescola.com.br/artigos/aplicativos-para-educacao-gratuitos-sao-aliados-do-ensino</p><p>https://www.melhorescola.com.br/artigos/aplicativos-para-educacao-gratuitos-sao-aliados-do-ensino</p><p>https://alfabetizacao.mec.gov.br/grapho-game</p><p>https://alfabetizacao.mec.gov.br/grapho-game</p><p>https://alfabetizacao.mec.gov.br/grapho-game</p><p>114 Educação Lúdica</p><p>5.4 Aprendendo com o celular</p><p>Vídeo</p><p>Para que você usa o seu celular? Ora, para telefonar! A resposta</p><p>poderia ser óbvia, mas tenho certeza de que não é. Você, no mínimo,</p><p>listaria três coisas que usuários de celular fazem, além de telefonar.</p><p>Vamos lá: mandar mensagens, tirar fotos e, talvez, sua terceira opção</p><p>fosse telefonar, mas apostaríamos em acessar a internet.</p><p>Tome como exemplo o uso diferente de um aparelho cuja maior função quan-</p><p>do criado era a de possibilitar ligações telefônicas entre as pessoas. Quando</p><p>você vai ao mercado, como faz a lista de compras? Muitas pessoas já fazem</p><p>a famosa lista de compras do supermercado no aparelho celular. Você é uma</p><p>dessas pessoas?</p><p>São muitas as funções que os aparelhos celulares apresentam hoje</p><p>em dia, e vamos incluir aqui mais uma tarefa: a ludicidade. Sim, jogos</p><p>para celulares (incluindo os on-line e os aplicativos) estão presentes na</p><p>grande maioria dos aparelhos do mundo todo e permitem diversão,</p><p>estratégia, desenvolvimento de habilidades e de concentração. Que</p><p>atire a primeira pedra (virtual, por favor) quem nunca jogou no celular,</p><p>mesmo que tenha sido um simples joguinho conhecido de empilhar/</p><p>estourar bolinhas.</p><p>Os números e valores desse mercado de jogos</p><p>mobile são imensos e seguem crescendo. O mercado</p><p>de jogos ultrapassará US$ 200 bilhões ao final</p><p>de 2023, seguindo a média estimada de alta</p><p>de 7,2% entre 2019 e 2023 para US$ 204,6 bi-</p><p>lhões. Os jogos para celular serão o segmento</p><p>de crescimento mais acelerado nos próximos</p><p>anos (PACETE, 2022). Então, se você ainda não</p><p>teve a experiência de jogar no celular, acredi-</p><p>te, em breve você terá.</p><p>O aparelho celular é a tecnologia mais</p><p>presente na vida das pessoas segundo uma</p><p>pesquisa realizada por uma consultoria ame-</p><p>Ev</p><p>ge</p><p>ni</p><p>y Y</p><p>at</p><p>sk</p><p>ov</p><p>/S</p><p>hu</p><p>ut</p><p>er</p><p>st</p><p>oc</p><p>k</p><p>Projetos transdisciplinares com uso de tecnologia 115</p><p>ricana. Há uma estimativa de que em 2021, 3,85 bilhões de pessoas</p><p>possuíam aparelho celular, o que corresponde à metade da população</p><p>mundial, estimada em 7,9 bilhões de pessoas no mesmo ano (MATTOS,</p><p>2021). Acompanhe no gráfico</p><p>o crescimento da demanda de telefones</p><p>celulares na população mundial nas últimas décadas.</p><p>Gráfico 1</p><p>Crescimento do uso de smartphones na população mundial</p><p>60%</p><p>50%</p><p>40%</p><p>30%</p><p>20%</p><p>10%</p><p>0%</p><p>1994</p><p>1995</p><p>1996</p><p>1997</p><p>1998</p><p>1999</p><p>2000</p><p>2001</p><p>2002</p><p>2003</p><p>2004</p><p>2005</p><p>2006</p><p>2007</p><p>2008</p><p>2009</p><p>2010</p><p>2011</p><p>2012</p><p>2013</p><p>2014</p><p>2015</p><p>2016</p><p>2017</p><p>2018</p><p>2019</p><p>2020</p><p>2021</p><p>50%</p><p>Fonte: Mattos, 2021.</p><p>Os números brasileiros também são muito grandes. A Pesquisa</p><p>Nacional de Amostragem por Domicílio (PNAD) contínua, do IBGE, in-</p><p>dica que desde 2019 a quantidade de brasileiros que possui telefone</p><p>celular passa de 80%. Em 2021 os números mostraram que, pela pri-</p><p>meira vez, 51% (ou seja, mais da metade) das crianças e dos adoles-</p><p>centes de 10 a 13 anos tem um celular para uso próprio (PNAD, 2021).</p><p>O número de pessoas que usam o celular como meio para acessar</p><p>a internet é enorme: 84,7% dos brasileiros em 2021, o que totaliza</p><p>aproximadamente 155,7 milhões de pessoas com 10 anos ou mais</p><p>(PNAD, 2021).</p><p>Considerar a quantidade de pessoas que possuem telefone celu-</p><p>lar interessa à escola, pois sabemos que ter um celular atualmente</p><p>não diz respeito apenas a funções comunicacionais (ligação em áu-</p><p>dio ou vídeo). Diz respeito também – e com muita intensidade – a</p><p>ter uma conexão com a internet à disposição e, dessa forma, acesso</p><p>à informação irrestrita. Assim, conhecer os números nos apresenta</p><p>A PNAD (Pesquisa Nacio-</p><p>nal de Amostragem por</p><p>Domicílio), realizada pelo</p><p>IBGE desde 2011, coleta</p><p>dados para mapear infor-</p><p>mações relevantes para</p><p>o estudo do desenvolvi-</p><p>mento socioeconômico</p><p>do país, com divulgação</p><p>mensal, bimestral ou tri-</p><p>mestral, a depender dos</p><p>dados pesquisados. Para</p><p>conhecer mais, acesse o</p><p>link a seguir.</p><p>Disponível em: https://www.</p><p>ibge.gov.br/estatisticas/sociais/</p><p>habitacao/17270-pnad-continua.</p><p>html?=&t=resultados. Acesso em:</p><p>7 nov. 2022.</p><p>Saiba mais</p><p>https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/habitacao/17270-pnad-continua.html?=&t=resultados</p><p>https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/habitacao/17270-pnad-continua.html?=&t=resultados</p><p>https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/habitacao/17270-pnad-continua.html?=&t=resultados</p><p>https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/habitacao/17270-pnad-continua.html?=&t=resultados</p><p>116 Educação Lúdica</p><p>uma situação bem próxima daquela com que estamos lidando nas</p><p>escolas. É quase como dizer: todo mundo tem um aparelho celular,</p><p>salvo em regiões do planeta onde há restrição de informações ou</p><p>pobreza extrema.</p><p>Mas a verdade é que os celulares estão em todas as escolas do país,</p><p>com uso democratizado por todos, inclusive e fortemente pelo gru-</p><p>po de alunos. Não é uma convivência fácil aquela estabelecida entre</p><p>alunos usuários de celular e escola. Em muitas escolas eles não são</p><p>permitidos e, quando os alunos burlam essa regra, há confusão. Há, a</p><p>propósito, escolas que ao proibirem, resguardam-se com cláusulas nos</p><p>regimentos internos e legislação das esferas estaduais ou municipais</p><p>(MENDONÇA; GUIRALD, 2022).</p><p>A questão é que, entendendo um celular como uma tecnologia mó-</p><p>vel que permite acesso a ambientes variados, com comunicação de inú-</p><p>meras formas entre pessoas e empresas, não dá para desconsiderar o</p><p>seu uso na escola.</p><p>Observe que o uso na escola não necessariamente indica um uso</p><p>educacional. E é nisso que reside o X da questão. Não são raras as ve-</p><p>zes em que professores relatam que os celulares atrapalham a atenção</p><p>dos alunos, distraem a concentração deles e impedem que aprendam</p><p>o que é preciso.</p><p>Não há como dizer que isso não é verdade, pois em muitas vezes o</p><p>celular é o vilão da atenção nas salas de aula, assim como nas casas de</p><p>milhares de crianças e adolescentes também.</p><p>Mas e se pensássemos de outra maneira? Uma vez que o celular</p><p>tem uma presença tão relevante entre crianças e jovens da sociedade</p><p>atual, por que não usamos algumas das potencialidades desse recurso</p><p>tecnológico para ensinar e aprender melhor?</p><p>Que tal se entendêssemos que esse recurso, com os vários apps</p><p>disponíveis, pode deixar de ser distração e passar a ser recurso</p><p>pedagógico. Alguns argumentos podem colaborar para a desmisti-</p><p>ficação do seu uso e fortalecer a decisão de fazer do celular, em</p><p>algumas ocasiões, o carro-chefe da aprendizagem. Vejamos alguns</p><p>deles (ANDRADE, 2022):</p><p>Jovens adoram tecnologia e usar o celular pode aumentar o engajamento deles no processo de</p><p>aprendizagem.</p><p>Uso de celulares inova o ensino e mostra que sua escola está antenada com a modernidade</p><p>e as possibilidades reais de aprendizagem que a tecnologia permite. Mas não basta sugerir</p><p>pesquisas, é preciso verificar quais possibilidades o celular permite, se todos têm acesso à</p><p>internet, se o aplicativo escolhido para as aulas foi baixado pelos alunos.</p><p>Oferecem mobilidade, pois, enquanto tecnologias móveis, os celulares permitem que os</p><p>trabalhos ou atividades em apps sejam feitas em diferentes lugares, no horário das aulas ou</p><p>no contraturno. Você, professor, decide (e pode decidir isso junto com os seus alunos).</p><p>Facilitam o acesso às informações, até mesmo economizando nos recursos como papel e impressão.</p><p>Não estamos afirmando que todas as atividades devem ser virtuais, mas as pesquisas ou jogos do celular</p><p>são; por isso contribuem para a preservação da natureza, pois evitam o uso dispendioso de papel. Inclusive</p><p>você pode fazer com seus alunos (adeque a atividade às idades, por favor) uma pesquisa sobre o uso dos</p><p>celulares nas escolas de sua cidade, por meio do celular deles. Uma atividade em que eles certamente se</p><p>engajarão muito.</p><p>Al</p><p>ex</p><p>an</p><p>dr III</p><p>/Shutterstock</p><p>Projetos transdisciplinares com uso de tecnologia 117</p><p>Jovens adoram tecnologia e usar o celular pode aumentar o engajamento deles no processo de</p><p>aprendizagem.</p><p>Uso de celulares inova o ensino e mostra que sua escola está antenada com a modernidade</p><p>e as possibilidades reais de aprendizagem que a tecnologia permite. Mas não basta sugerir</p><p>pesquisas, é preciso verificar quais possibilidades o celular permite, se todos têm acesso à</p><p>internet, se o aplicativo escolhido para as aulas foi baixado pelos alunos.</p><p>Oferecem mobilidade, pois, enquanto tecnologias móveis, os celulares permitem que os</p><p>trabalhos ou atividades em apps sejam feitas em diferentes lugares, no horário das aulas ou</p><p>no contraturno. Você, professor, decide (e pode decidir isso junto com os seus alunos).</p><p>Facilitam o acesso às informações, até mesmo economizando nos recursos como papel e impressão.</p><p>Não estamos afirmando que todas as atividades devem ser virtuais, mas as pesquisas ou jogos do celular</p><p>são; por isso contribuem para a preservação da natureza, pois evitam o uso dispendioso de papel. Inclusive</p><p>você pode fazer com seus alunos (adeque a atividade às idades, por favor) uma pesquisa sobre o uso dos</p><p>celulares nas escolas de sua cidade, por meio do celular deles. Uma atividade em que eles certamente se</p><p>engajarão muito.</p><p>Al</p><p>ex</p><p>an</p><p>dr III</p><p>/Shutterstock</p><p>Crianças e jovens também podem produzir conteúdo com o uso do</p><p>celular, e uma das atividades de que gostam muito é gravação e edição</p><p>de vídeos. É possível que as crianças e jovens saibam fazer isso melhor</p><p>do que os seus professores, e aí está o desafio: que tal uma sala de jovens</p><p>ensinar professores a editar seus vídeos em apps de celular? Claro que</p><p>essa é apenas uma opção, pois tão logo os professores saibam fazer isso</p><p>(ou para os que já sabem), sugere-se que gravem vídeos com sugestões</p><p>de leitura, de pesquisa, de temáticas interessantes entre os alunos etc.</p><p>Há muitos projetos transdisciplinares que podem alçar novos voos com</p><p>a inserção das possibilidades dos celulares, como os que envolvem gra-</p><p>vação de entrevistas entre participantes de um determinado projeto,</p><p>por exemplo.</p><p>Tome alguns cuidados, no entanto. Os alunos têm celulares dife-</p><p>rentes, tanto em marca quanto em potencial. Não exclua ninguém com</p><p>base no que o celular pode ou não realizar. Proponha alternativas que</p><p>sejam viáveis à sala toda ou organize a sala em grupos que possam</p><p>usar um único celular para o trabalho.</p><p>118 Educação</p><p>Lúdica</p><p>Lembre-se de que, geralmente, as escolas não disponibilizam celula-</p><p>res para o uso nas instituições, então converse antes com seus superio-</p><p>res para que decidam juntos como atuarão com relação às propostas</p><p>sugeridas e à possibilidade de algum dano aos aparelhos particulares</p><p>dos alunos.</p><p>Tome cuidado para que o uso do celular seja comunicado aos pais,</p><p>para que eles não sintam que você está propondo atividades que po-</p><p>dem desvirtuar os alunos do caminho do aprendizado tal qual eles co-</p><p>nhecem. Tenha paciência com quem não pensa como você. Sempre é</p><p>preciso considerar que as famílias precisam saber o que vai acontecer</p><p>com antecedência.</p><p>Tecnologia e educação podem combinar e fazer uma grande parce-</p><p>ria, mas a verdade é que para isso precisamos de um professor dispos-</p><p>to, estudioso, consciente das suas atitudes e pertinente nas suas ações.</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Ao longo deste capítulo conhecemos muitas possibilidades de uso dos</p><p>recursos tecnológicos na escola, entendendo que eles podem ser utili-</p><p>zados como exemplos de ludicidade. Descobrimos que as tecnologias</p><p>podem ajudar a ensinar melhor com projetos que transitam em várias</p><p>disciplinas ao mesmo tempo e em algumas ocasiões em temáticas que</p><p>ultrapassam as disciplinas e atuam em áreas de conhecimento, o que dá</p><p>amplitude ao saber.</p><p>Além das propostas amplas e diversificadas presentes no Google e</p><p>nos vídeos dos canais do YouTube, conhecemos também alguns jogos e</p><p>aplicativos digitais e compreendemos o poder e a persuasão de apren-</p><p>der brincando. Também foi possível reconhecer o aparelho celular como</p><p>um recurso poderoso nos envolvimentos dos jovens para projetos de</p><p>educação.</p><p>Recursos tecnológicos podem nos auxiliar bastante na tarefa de ensi-</p><p>nar, mas não podem ser usados desmedidamente ou sem planejamento</p><p>e conscientização do professor. A ação pedagógica e o conhecimento das</p><p>tecnologias disponíveis por parte do professor são os únicos caminhos</p><p>para essa junção funcionar.</p><p>Projetos transdisciplinares com uso de tecnologia 119</p><p>ATIVIDADES</p><p>Atividade 1</p><p>Por que as tecnologias devem fazer parte da escola, em proje-</p><p>tos educacionais, assim como se fazem presentes na vida das</p><p>pessoas?</p><p>Atividade 2</p><p>O uso de vídeos na escola é sempre recomendável? Explique.</p><p>Atividade 3</p><p>Aplicativos digitais podem fazer diferença na aprendizagem dos</p><p>alunos? Comente.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALVES, P. Google em números: veja curiosidades sobre os 20 anos da empresa. Techtudo,</p><p>27 set. 2018. Disponível em: https://www.techtudo.com.br/noticias/2018/09/google-em-</p><p>numeros-veja-curiosidades-sobre-os-20-anos-da-empresa.ghtml. Acesso em: 4 nov. 2022.</p><p>ANDRADE, S. Por que fazer o uso de celular em sala de aula? Imaginie Educação, 11 maio</p><p>2022. Disponível em: https://educacao.imaginie.com.br/uso-de-celular-em-sala-de-aula/.</p><p>Acesso em: 4 nov. 2022.</p><p>BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e</p><p>quarto ciclos – apresentação dos temas transversais. Secretaria de Educação Fundamental.</p><p>Brasília: MEC/SEF, 1998.</p><p>BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2018.</p><p>Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_</p><p>versaofinal_site.pdf. Acesso em: 4 nov. 2022.</p><p>COELHO, D. Indústria dos games: a mais lucrativa no mundo do entretenimento. Gazeta</p><p>do Povo, 19 ago. 2022. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/gazz-conecta/</p><p>papo-raiz/industria-dos-games-mais-lucrativa-mundo-do-entretenimento/. Acesso em:</p><p>4 nov. 2022.</p><p>https://www.techtudo.com.br/noticias/2018/09/google-em-numeros-veja-curiosidades-sobre-os-20-anos-da-empresa.ghtml</p><p>https://www.techtudo.com.br/noticias/2018/09/google-em-numeros-veja-curiosidades-sobre-os-20-anos-da-empresa.ghtml</p><p>https://educacao.imaginie.com.br/uso-de-celular-em-sala-de-aula/</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf</p><p>https://www.gazetadopovo.com.br/gazz-conecta/papo-raiz/industria-dos-games-mais-lucrativa-mundo-do-entretenimento/</p><p>https://www.gazetadopovo.com.br/gazz-conecta/papo-raiz/industria-dos-games-mais-lucrativa-mundo-do-entretenimento/</p><p>120 Educação Lúdica</p><p>COSCARELLI, C. V. (org.). Tecnologias para aprender. São Paulo: Parábola Editorial, 2016.</p><p>COUTO, E.; PORTO, C.; SANTOS, E. App-Learning: experiências de pesquisa e formação.</p><p>Salvador: Edufba, 2016. 252 p. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/bitstream/</p><p>ri/30756/1/app_learning_repositorio.pdf. Acesso em: 4 nov. 2022.</p><p>FALKEMBACH G. A. M. O lúdico e os jogos educacionais. Mídias na educação, Universidade</p><p>Federal do Rio Grande do Sul, 2016. Disponível em: http://penta3.ufrgs.br/midiasedu/</p><p>modulo13/etapa4/leituras/arquivos/Leitura_4.pdf. Acesso em: 4 nov. 2022.</p><p>FAZENDA, I. C. A. O que é interdisciplinaridade?. São Paulo: Cortez, 2013.</p><p>FREIRE, P. A educação na cidade. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2001.</p><p>GOMES, S. dos S. Infância e tecnologias. In: COSCARELLI, C. V. (org.). Tecnologias para</p><p>aprender. São Paulo: Parábola Editorial, 2016.</p><p>IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. PNAD Contínua – Pesquisa nacional por</p><p>amostra de domicílios contínua. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2022. Disponível</p><p>em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/habitacao/17270-pnad-continua.html?=&t=o-</p><p>que-e. Acesso em: 20 out. 2022.</p><p>LEMKE, J. L. Letramento metamidiático: transformando significados e mídias. Trad. de Clara</p><p>Dornelles. Trabalhos em Linguística Aplicada, v. 49, n. 2, p. 455-479, jul./dez. 2010. Disponível</p><p>em: https://www.scielo.br/j/tla/a/pBy7nwSdz6nNy98ZMT9Ddfs/?format=pdf&lang=pt.</p><p>Acesso em: 4 nov. 2022.</p><p>MATTOS, T. A. Pesquisa estima que metade da população mundial tem smartphones.</p><p>TecMundo, 27 jun. 2021. Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/</p><p>mercado/220009-pesquisa-estima-metade-populacao-mundial-tem-smartphones.</p><p>htm#:~:text=%22Com%20uma%20estimativa%20de%207,mundo%20possui%20</p><p>smartphones%22%2C%20acrescentou. Acesso em: 4 nov. 2022.</p><p>MEIER, M.; GARCIA, S. Mediação da Aprendizagem – contribuições de Feuerstein e de</p><p>Vygotsky. 3. ed. Curitiba: Edição do autor, 2008.</p><p>MENDONÇA A.; GUIRALD, F. Considerações sobre o uso e o abuso de celulares, nas</p><p>instituições escolares. Ministério Público do Paraná, 2022. Disponível em: https://crianca.</p><p>mppr.mp.br/pagina-1322.html. Acesso em: 4 nov. 2022.</p><p>MORIN, E. Introdução ao pensamento complexo. 5. ed. Lisboa: Instituto Piaget, 2008.</p><p>PACETE, L. G. 2022 promissor: mercado de games ultrapassará US$ 200 bi até 2023. Forbes,</p><p>3 jan. 2022. Disponível em: https://forbes.com.br/forbes-tech/2022/01/com-2022-decisivo-</p><p>mercado-de-games-ultrapassara-us-200-bi-ate-2023/. Acesso em: 4 nov. 2022.</p><p>PENIN, S. T. S; VIEIRA, S. L. Refletindo sobre a função social da escola. In: VIEIRA, S. L. (org.).</p><p>Gestão da escola – desafios a enfrentar. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.</p><p>SILVA, D. P. Jogos de interface textual: práticas de letramento em MUD. In: ROJO, R. Escola</p><p>conectada: os multiletramentos e as TICs. São Paulo: Parábola Editorial, 2013.</p><p>ZACHARIAS, V. R. de C. Letramento digital: desafios e possibilidades para o ensino. In:</p><p>COSCARELLI, C. V. (org.). Tecnologias para aprender. São Paulo: Parábola Editorial, 2016.</p><p>https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/30756/1/app_learning_repositorio.pdf</p><p>https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/30756/1/app_learning_repositorio.pdf</p><p>http://penta3.ufrgs.br/midiasedu/modulo13/etapa4/leituras/arquivos/Leitura_4.pdf</p><p>http://penta3.ufrgs.br/midiasedu/modulo13/etapa4/leituras/arquivos/Leitura_4.pdf</p><p>https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/habitacao/17270-pnad-continua.html?=&t=o-que-e</p><p>https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/habitacao/17270-pnad-continua.html?=&t=o-que-e</p><p>https://www.scielo.br/j/tla/a/pBy7nwSdz6nNy98ZMT9Ddfs/?format=pdf&lang=pt</p><p>https://www.tecmundo.com.br/mercado/220009-pesquisa-estima-metade-populacao-mundial-tem-smartphones.htm#:~:text=%22Com%20uma%20estimativa%20de%207,mundo%20possui%20smartphones%22%2C%20acrescentou</p><p>https://www.tecmundo.com.br/mercado/220009-pesquisa-estima-metade-populacao-mundial-tem-smartphones.htm#:~:text=%22Com%20uma%20estimativa%20de%207,mundo%20possui%20smartphones%22%2C%20acrescentou</p><p>https://www.tecmundo.com.br/mercado/220009-pesquisa-estima-metade-populacao-mundial-tem-smartphones.htm#:~:text=%22Com%20uma%20estimativa%20de%207,mundo%20possui%20smartphones%22%2C%20acrescentou</p><p>https://www.tecmundo.com.br/mercado/220009-pesquisa-estima-metade-populacao-mundial-tem-smartphones.htm#:~:text=%22Com%20uma%20estimativa%20de%207,mundo%20possui%20smartphones%22%2C%20acrescentou</p><p>https://crianca.mppr.mp.br/pagina-1322.html</p><p>https://crianca.mppr.mp.br/pagina-1322.html</p><p>https://forbes.com.br/forbes-tech/2022/01/com-2022-decisivo-mercado-de-games-ultrapassara-us-200-bi-ate-2023/</p><p>https://forbes.com.br/forbes-tech/2022/01/com-2022-decisivo-mercado-de-games-ultrapassara-us-200-bi-ate-2023/</p><p>Resolução das atividades</p><p>1 Ludicidade humana: autoconhecimento e socialização</p><p>1. De que forma é possível explicar que na história da humanidade</p><p>as experiências lúdicas podem ser consideradas ao mesmo tempo</p><p>formadas por cultura bem como formadoras de cultura?</p><p>As práticas de ludicidade são uma forma de perpetuar a cultura de um</p><p>povo, pois refletem atividades e práticas vivenciadas há muitos anos.</p><p>São práticas de perpetuação da cultura. Elas são também formadoras</p><p>de cultura, pois, do mesmo modo que reproduzem o que já foi feito, as</p><p>práticas de ludicidade criam novas experiências que, por sua vez, tornam-</p><p>se parte da cultura atual, que será perpetuada também. É um ciclo.</p><p>2. Na história da humanidade, a ludicidade sempre foi considerada</p><p>uma prática infantil? Explique.</p><p>Não. As práticas de ludicidade em muitas culturas na história eram</p><p>voltadas aos adultos, funcionando como aprendizado para jogos de</p><p>guerra, aprendizado dos costumes de um povoado ou para o repasse</p><p>de cultura. As crianças participavam de algumas práticas, mas não</p><p>eram o público principal.</p><p>3. De que maneira o aspecto sociológico pode influenciar uma prática</p><p>de ludicidade?</p><p>A ludicidade é influenciada pelo fundamento sociológico, porque a</p><p>base dele é a relação entre as pessoas. Assim, as práticas propostas</p><p>poderão sofrer esta ou aquela interferência, com sucesso ou não,</p><p>tanto quanto forem saudáveis as relações entre as pessoas, a</p><p>administração de seus conflitos e as expectativas depositadas em</p><p>cada um.</p><p>2 Ludopedagogia: brincar para aprender</p><p>1. Por que as atividades lúdicas podem fazer as crianças aprenderem</p><p>mais e melhor?</p><p>Primeiro porque a ludicidade faz parte de todas as pessoas, em</p><p>especial das crianças; segundo porque possibilita que elas se dirijam</p><p>ao conteúdo ou objeto de estudo de maneira alegre e prazerosa,</p><p>aprendendo de maneira leve os conceitos trabalhados.</p><p>Resolução das atividades 121</p><p>2. Projetos são recursos favoráveis na educação de crianças? Por quê?</p><p>São, sim. Projetos unem a ludicidade com a pesquisa e fazem toda</p><p>a diferença na educação das crianças, porque permitem que elas</p><p>explorem, testem hipóteses, tracem caminhos para chegarem ao</p><p>resultado final. É uma educação lúdica.</p><p>3. De que forma jogos, brinquedos e brincadeiras funcionam como</p><p>auxílio nos problemas de aprendizagem?</p><p>Quando trabalham conteúdos em forma de diversão e retiram da</p><p>criança que está com problemas para aprender a aura de que ela</p><p>fracassará. Na atividade lúdica há mais chance de acerto, há trabalho</p><p>em grupo e há parceria. Isso também levanta a autoestima das</p><p>crianças e faz com que elas aprendam melhor.</p><p>3 Recursos lúdicos para a prática pedagógica</p><p>1. É possível afirmar que o uso do desenho em sala de aula é</p><p>considerado apenas uma atividade que desenvolve a motricidade</p><p>nas crianças e jovens?</p><p>Embora seja também uma atividade motora, o ato de desenhar envolve</p><p>bem mais do que a motricidade. Envolve a emoção, a sensibilidade.</p><p>Quando a criança desenha, ela se comunica, ela se expressa. Assim,</p><p>o desenho infantil é considerado uma forma de comunicação em que</p><p>a criança projeta suas vivências, seus sentimentos e seus desejos e</p><p>expectativas. É bem mais que só motricidade.</p><p>2. O uso de animações infantis é recomendado na escola? Tais filmes</p><p>não são longos demais para prender a atenção das crianças?</p><p>Quando tratamos de animações em sala de aula, estamos falando</p><p>de filmes e desenhos de vários tamanhos (mesmo os grandes</p><p>podem ser utilizados fracionados em várias sessões). Seu uso é</p><p>muito recomendado, porque a linguagem utilizada (desenho) é muito</p><p>querida pelas crianças, chamando a atenção delas para as temáticas</p><p>que compõem a obra.</p><p>3. Por fazerem parte da cultura de nosso país e estarem fortemente</p><p>representadas no dia a dia, a música e a dramatização devem</p><p>também fazer parte do ambiente escolar? Por quê?</p><p>Sim, e o maior motivo é realmente eles fazerem parte da cultura</p><p>brasileira e serem bem recebidos pelas crianças. De modo geral,</p><p>122 Educação Lúdica</p><p>música e dramatização possibilitam que a criança conheça partes</p><p>diferenciadas de culturas diferentes da sua, pesquisem sobre</p><p>personagens históricos, além de desenvolverem suas capacidades de</p><p>comunicação e expressão.</p><p>4 Estratégias lúdicas para despertar o desejo de</p><p>aprender</p><p>1. Cite dois aspectos do desenvolvimento infantil que podem ser</p><p>potencializados com o trabalho em grupo.</p><p>Há muitas possibilidades de desenvolvimento das crianças no</p><p>trabalho em grupo, mas dois aspectos importantes são: percepção</p><p>da necessidade de cooperação e percepção de que há respostas</p><p>diferentes da sua e que por isso é preciso compreender o ponto de</p><p>vista do outro.</p><p>2. Explique o critério usado para a formação de duplas que se</p><p>caracteriza pela expressão diferente, porém próximos.</p><p>Diferentes, porém próximos na configuração de uma dupla de trabalho</p><p>significa que precisa haver diferenças entre os participantes porque</p><p>um encontrará no outro pontos que não tem. Essas diferenças, porém,</p><p>não podem ser impeditivas para a produtividade do trabalho. Por isso</p><p>as diferenças não podem ser muito grandes, os pares precisam ter</p><p>proximidade para funcionarem trabalhando juntos.</p><p>3. Se há uma infinidade de brinquedos já fabricados disponíveis</p><p>para as crianças e muitos deles servem ao propósito da educação,</p><p>por que é relevante que o professor invista na construção de</p><p>brinquedos para educar?</p><p>Realmente há muitos brinquedos comerciais disponíveis e eles</p><p>podem ajudar no desenvolvimento da criança, mas a construção</p><p>de brinquedos e materiais, além de oportunizar o aprendizado</p><p>decorrente da utilização e manipulação do brinquedo, oportuniza</p><p>vivências de relacionamentos sociais, frustrações, conquistas,</p><p>percepção espacial, desenvolvimento de coordenação motora e,</p><p>principalmente, habilidades no relacionamento. Com a construção</p><p>dos materiais aprende-se tanto fazendo quanto brincando.</p><p>Resolução das atividades 123</p><p>5 Projetos transdisciplinares com uso de tecnologia</p><p>1. Por que as tecnologias devem fazer parte da escola, em projetos</p><p>educacionais, assim como se fazem presentes na vida das pessoas?</p><p>A pergunta já contém parte da resposta. As tecnologias devem estar</p><p>na escola, porque fazem parte da vida na sociedade. A escola, como</p><p>parte da sociedade, não pode ficar alheia a esse fato. Além disso,</p><p>tecnologias têm potencial para otimizar o trabalho educativo e</p><p>melhorar o desempenho e as aprendizagens dos alunos.</p><p>2. O uso de vídeos na escola é sempre recomendável? Explique.</p><p>Nem sempre. Costuma-se afirmar que o vídeo é um recurso que</p><p>vai onde o professor não pode ir, mas, de fato, ele deve ir com seus</p><p>alunos até onde puder. A realidade e as possibilidades dos vídeos são</p><p>muito amplas, então muitas vezes seu uso é, sim, recomendado na</p><p>escola, desde que faça parte de um projeto educacional pertinente.</p><p>3. Aplicativos digitais podem fazer diferença na aprendizagem dos</p><p>alunos? Comente.</p><p>Sim, pois estão presentes em tecnologias móveis que os alunos utilizam</p><p>muito no seu cotidiano (como celulares, tablets ou laptops) e isso</p><p>pode funcionar tanto como motivação para seu uso e consequente</p><p>aproveitamento quanto como uma oportunidade, já que o número de</p><p>opções de aplicativos destinados à educação só cresce e, com isso, as</p><p>possibilidades de aprendizagem se tornam também mais numerosas.</p><p>124 Educação</p><p>Lúdica</p><p>Luciana de Luca Dalla Valle</p><p>ISBN 978-85-387-6726-8</p><p>9 788538 767268</p><p>Código Logístico</p><p>I000797</p><p>ywa – exercita a</p><p>habilidade no arco e flecha</p><p>U’u – jogo de estratégia</p><p>na areia</p><p>Cama-de-gato (mojarutap</p><p>myrytsiowit)</p><p>Meninos e meninas se dividem em dois grupos. Elas brincam de casinha</p><p>enquanto eles constroem uma casa de marimbondo. Assim que as meninas</p><p>notam sua existência, tentam destruí-la. Os meninos correm e tentam “picar”</p><p>as meninas.</p><p>Na água, duas crianças sobem no ombro de outras duas e tentam se</p><p>derrubar. A que cair perde.</p><p>Uma pessoa se joga no chão e as outras deitam em cima dela,</p><p>formando uma pilha. Quando a primeira não aguenta mais, ela rola,</p><p>fazendo todos caírem.</p><p>Um grupo de crianças lança um aro circular feito de</p><p>fibra de buriti, enquanto outro grupo tenta atingi-lo</p><p>com flechas.</p><p>Um dos jogadores enterra um fio de buriti sem deixar que os</p><p>outros saibam em que lugar ele termina. Para dificultar, ele</p><p>coloca diversos pedaços de fio em locais diferentes da área</p><p>do jogo. Em seguida, o jogador move o fio para a frente e</p><p>para trás, e os outros têm de descobrir onde ele termina.</p><p>Usam fio de buriti para formar figuras ligadas à sua cultura, como</p><p>morcegos, gaivotas, peixes, cobras, entre outros.</p><p>Jogos e</p><p>brincadeiras</p><p>Fonte: Elaborada pela autora com base em Oliveira, 2003.</p><p>https://www.cpb.org.br/</p><p>https://www.cpb.org.br/</p><p>Ludicidade humana: autoconhecimento e socialização 19</p><p>Brinquedos</p><p>Pião (y’ym)</p><p>Arma de pressão</p><p>(mocauara an-gap)</p><p>Peteca (popok)</p><p>Perna-de-pau</p><p>(my’yta)</p><p>Construído com uma vareta de bambu fincada em uma fruta, produz um zumbido ao</p><p>ser friccionado e lançado.</p><p>A polpa de pequi funciona como a “bala” da arma, que é feita com um</p><p>bambu.</p><p>Segue o mesmo formato do brinquedo tradicional e é feita de palha</p><p>recheada com folhas de algodão.</p><p>É montada em casca de embira, em que são fixados dois pedaços de madeira para o</p><p>apoio dos pés.</p><p>Figura 1</p><p>Elementos lúdicos indígenas</p><p>Fa</p><p>berr In</p><p>k/Shutterstock</p><p>Marimbondo (kap)</p><p>Briga-de-galo</p><p>Brincadeira da</p><p>mandioca</p><p>Ywa ywa – exercita a</p><p>habilidade no arco e flecha</p><p>U’u – jogo de estratégia</p><p>na areia</p><p>Cama-de-gato (mojarutap</p><p>myrytsiowit)</p><p>Meninos e meninas se dividem em dois grupos. Elas brincam de casinha</p><p>enquanto eles constroem uma casa de marimbondo. Assim que as meninas</p><p>notam sua existência, tentam destruí-la. Os meninos correm e tentam “picar”</p><p>as meninas.</p><p>Na água, duas crianças sobem no ombro de outras duas e tentam se</p><p>derrubar. A que cair perde.</p><p>Uma pessoa se joga no chão e as outras deitam em cima dela,</p><p>formando uma pilha. Quando a primeira não aguenta mais, ela rola,</p><p>fazendo todos caírem.</p><p>Um grupo de crianças lança um aro circular feito de</p><p>fibra de buriti, enquanto outro grupo tenta atingi-lo</p><p>com flechas.</p><p>Um dos jogadores enterra um fio de buriti sem deixar que os</p><p>outros saibam em que lugar ele termina. Para dificultar, ele</p><p>coloca diversos pedaços de fio em locais diferentes da área</p><p>do jogo. Em seguida, o jogador move o fio para a frente e</p><p>para trás, e os outros têm de descobrir onde ele termina.</p><p>Usam fio de buriti para formar figuras ligadas à sua cultura, como</p><p>morcegos, gaivotas, peixes, cobras, entre outros.</p><p>Jogos e</p><p>brincadeiras</p><p>Fonte: Elaborada pela autora com base em Oliveira, 2003.</p><p>20 Educação Lúdica</p><p>Uma representação muito significativa da cultura lúdica dos povos</p><p>indígenas brasileiros são os Jogos dos Povos Indígenas, realizados em</p><p>nosso país desde 1996. O principal objetivo desses jogos é a celebra-</p><p>ção da cultura, bem como a integração de diferentes tribos. Em 2003</p><p>foram 60 etnias participantes, e em 2019, no Ceará, 21 delegações de</p><p>14 etnias participaram.</p><p>As modalidades esportivas praticadas nos Jogos são arco e flecha,</p><p>arremesso de lança, cabo de guerra, canoagem, corrida da tora, fute-</p><p>bol, queda de braço e triathlon revezado (RONDINELLI, 2022).</p><p>Percebe que as modalidades dos Jogos se assemelham ao que os</p><p>indígenas realizam diariamente nas suas localidades? Assim, confir-</p><p>mamos a ideia de que o lúdico muitas vezes não é usado só para</p><p>diversão, mas também para aprendizados e divulgação de costumes,</p><p>perpetuando a cultura.</p><p>O conceito de ludicidade também perpassava jogos perigosos,</p><p>uma vez que nem sempre na história as atividades eram prazero-</p><p>sas para quem participava delas. Ao longo da história, há relatos de</p><p>jogos que envolviam a vida, como era o caso das lutas de gladiado-</p><p>res, nas quais uma plateia assistia a pessoas lutarem até a morte</p><p>com animais ferozes.</p><p>Seja para repassar e vivenciar conhecimentos da sua cultura,</p><p>seja para se divertir ou se aproximar do sagrado, o aspecto lúdico</p><p>sempre esteve presente na humanidade, o que permite considerar</p><p>tais representações lúdicas como um aspecto da construção cultu-</p><p>ral humana.</p><p>1.3 A ludicidade como ciência</p><p>Vídeo Para caracterizar a ludicidade como ciência, primeiramente ve-</p><p>remos o conceito do termo ciência. De maneira geral, uma das pri-</p><p>meiras ideias que se tem quando a palavra ciência vem à mente é a</p><p>necessidade de conhecer, de saber mais sobre determinado assun-</p><p>to. Na etimologia da palavra, ciência deriva do latim scientia, que</p><p>significa conhecimento ou saber. Então, na raiz da palavra, ciência</p><p>é um saber sobre alguma coisa.</p><p>É preciso ter cuidado com</p><p>o estereótipo de tratar os</p><p>indígenas como se fossem</p><p>um único grupo. É preciso</p><p>conhecer mais sobre eles,</p><p>pois o Brasil abriga 850</p><p>mil povos indígenas em</p><p>300 povoados, com 180</p><p>línguas diferentes. Pode</p><p>imaginar quanta cultura</p><p>lúdica está presente em</p><p>cada uma dessas comuni-</p><p>dades? (LEÃO, 2021).</p><p>Para refletir</p><p>O filme mais emblemático</p><p>para representar esse</p><p>esporte da Antiguidade</p><p>é Gladiador, sucesso de</p><p>público e crítica, que</p><p>ganhou o Oscar de melhor</p><p>filme em 2001. Ele conta</p><p>a história do general roma-</p><p>no Maximus, que por ser</p><p>objeto de inveja do novo</p><p>imperador Commodorus,</p><p>precisa viver disfarçado</p><p>de escravo e de gladiador.</p><p>As cenas de Maximus</p><p>gladiando na arena são</p><p>impressionantes e lhe</p><p>darão uma amostra dos</p><p>jogos em que a vida era</p><p>colocada em risco.</p><p>Direção: Ridley Scott. EUA: Universal</p><p>Pictures, 2001.</p><p>Filme</p><p>Ludicidade humana: autoconhecimento e socialização 21</p><p>Com o desenvolvimento desse conceito amparado pela busca do</p><p>saber, desenvolveu-se o método científico, para que os saberes envol-</p><p>vidos fossem estudados, comparados e provados, em oposição ao con-</p><p>ceito do empirismo, que é o tipo de conhecimento adquirido no dia a</p><p>dia, por meio dos erros e acertos, sem sistematização, apenas vivências</p><p>livres, ou seja, o conhecimento baseado em experiências.</p><p>“Conhecimento científico é conhecimento provado. [...]. Opiniões ou preferên-</p><p>cias pessoais e suposições especulativas não têm lugar na ciência. A ciência</p><p>é objetiva. O conhecimento científico é conhecimento confiável, porque é</p><p>conhecimento provado objetivamente”. (CHARMENS, 1993, p. 24)</p><p>Portanto, estudar um tema sob a ótica da cientificidade permite</p><p>que se conheça os fundamentos dele, que as ações pertinentes à sua</p><p>ação possam ser comprovadas. Considerar que a ludicidade pode ser</p><p>estudada pelo ponto de vista da ciência quer dizer poder provar que</p><p>os resultados oriundos dessa prática apresentam elementos palpáveis,</p><p>que os estudos conduzem a respostas científicas que indicam que a</p><p>ludicidade é um excelente recurso para o desenvolvimento humano,</p><p>tanto do ponto de vista de desenvolvimento corporal global quanto da</p><p>aprendizagem propriamente dita, porque apresenta resultados que</p><p>comprovam sua eficiência.</p><p>A ludicidade precisa ser encarada dessa forma. Não só como um</p><p>elemento de diversão, mas como um tema que provoca reflexões,</p><p>aprendizados que foram sendo validados ao longo dos períodos histó-</p><p>ricos. Depois de conhecer parte da história da ludicidade e verificar que</p><p>as práticas lúdicas permanecem vivas em muitas culturas, não é mais</p><p>possível entender a ludicidade como algo passageiro. Não! É preciso</p><p>reconhecer e validar os resultados de tais práticas e compreender que</p><p>propósito o elemento lúdico possui.</p><p>Existem quatro eixos de natureza diferente que sustentam as ati-</p><p>vidades de ludicidade, como processos científicos, sendo base e fun-</p><p>damento dessa ideia.</p><p>São eles: sociológico, psicológico, pedagógico e</p><p>epistemológico. Tais eixos são considerados como pilares de sustenta-</p><p>ção das atividades lúdicas (NEGRINI, 2001, p. 42).</p><p>22 Educação Lúdica</p><p>Atividades</p><p>lúdicas</p><p>Sociológicos Psicológicos Pedagógicos Epistemológicos</p><p>As atividades</p><p>de cunho lúdico</p><p>englobam</p><p>demandas</p><p>sociais e</p><p>culturais.</p><p>Relacionam-se</p><p>com os processos</p><p>de aprendizagem</p><p>do ser humano,</p><p>em qualquer</p><p>idade.</p><p>Servem-se tanto</p><p>da fundamentação</p><p>teórica existente</p><p>como das</p><p>experiências</p><p>educativas</p><p>provenientes da</p><p>prática docente.</p><p>Oferecem</p><p>conhecimentos</p><p>científicos que</p><p>comprovam o</p><p>lúdico como</p><p>fator de</p><p>desenvolvimento.</p><p>Ax</p><p>is</p><p>R</p><p>at</p><p>io</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>O fundamento sociológico se faz presente na ludicidade uma vez</p><p>que por meio dele é possível avançar e conhecer mais sobre culturas e</p><p>relações interpessoais. Isso ocorre não só porque se aprende este ou</p><p>aquele jogo de culturas antigas, mas porque se criam opções de ativi-</p><p>dade que representam e demonstram a cultura atual.</p><p>A relação entre as pessoas durante as práticas de ludicidade é um</p><p>ponto importante a ser considerado, pois fomenta muitas facetas do</p><p>relacionamento humano: as competições, as ajudas mútuas, o senso</p><p>de coletividade, as decepções, entre outros aspectos. Seja por parte</p><p>dos adultos ou das crianças, as relações entre os pares envolvem uma</p><p>multiplicidade de emoções. E como sabemos, há muitos exemplos lú-</p><p>dicos que são tratados com muita seriedade, como nos casos de jogos</p><p>que tratam do relacionamento humano.</p><p>A ludicidade, portanto, quando colocada em forma de jogo, brinca-</p><p>deira ou diversão, possibilita que os envolvidos vivenciem e experimen-</p><p>tem sem o caráter da seriedade da vida real, mas com reflexões tão</p><p>importantes quanto se fosse, digamos assim, de verdade. Realmente a</p><p>frase aprender brincando pode ser dita para as vivências de crianças e</p><p>adultos em diferentes contextos históricos.</p><p>O fundamento psicológico (emocional) da ludicidade é amplamen-</p><p>te conhecido. Relações de poder, sensações de inferioridade, medo,</p><p>alegria, sensação de sucesso, apreensão são alguns dos sentimentos</p><p>envolvidos nas práticas lúdicas.</p><p>Não há como separar a parte emocional das pessoas quando envol-</p><p>vidas na ludicidade. Não há exagero em dizer que aspectos emocionais</p><p>são exacerbados quando uma pessoa está em relação com a outra,</p><p>seja por brincadeiras, seja competições, jogos etc. Toda ludicidade é</p><p>carregada de emoção.</p><p>A parte emocional, portanto, sempre estará presente nos adultos e crian-</p><p>ças que participam de atividades lúdicas e pode se manifestar em situações</p><p>que envolvam os aspectos apresentados a seguir (FALKENBACH, 2001).</p><p>Um dos exemplos</p><p>sociológicos que envolve</p><p>ludicidade é o programa</p><p>Big Brother Brasil. Reality</p><p>shows com esse formato</p><p>são realizados no mundo</p><p>todo, com sucesso de</p><p>audiência em vários</p><p>países. Mas de que forma</p><p>a ludicidade presente no</p><p>programa se relaciona</p><p>com o aspecto sociológi-</p><p>co? Acesse o vídeo BBB</p><p>e sociologia | ProEnem</p><p>e entenda melhor essa</p><p>relação.</p><p>Disponível em: https://</p><p>www.youtube.com/</p><p>watch?v=6B8uMalpdAQ. Acesso</p><p>em: 26 out. 2022.</p><p>Vídeo</p><p>Relações inter e</p><p>intrapessoais dos</p><p>participantes.</p><p>As recordações pessoais</p><p>e afetivas da infância</p><p>(no caso de adultos).</p><p>Os sentimentos de</p><p>desconforto pessoal.</p><p>Íc</p><p>on</p><p>es</p><p>: C</p><p>ub</p><p>e2</p><p>9/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Ilu</p><p>st</p><p>ra</p><p>çã</p><p>o:</p><p>K</p><p>er</p><p>on</p><p>n</p><p>ar</p><p>t/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>A criatividade e a</p><p>disponibilidade corporal.</p><p>A capacidade de escuta de si</p><p>e dos outros.</p><p>A disponibilidade de interação,</p><p>ajuda e compreensão.</p><p>As intervenções nas situações</p><p>agressivas.</p><p>Ludicidade humana: autoconhecimento e socialização 23</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=6B8uMalpdAQ</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=6B8uMalpdAQ</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=6B8uMalpdAQ</p><p>24 Educação Lúdica</p><p>O planejamento da atividade lúdica, se bem-feito, pode prever e an-</p><p>tecipar pontos a serem trabalhados, inclusive dos aspectos emocionais,</p><p>o que permite um melhor aproveitamento da ação; mas em alguns ca-</p><p>sos não há como prever o que a emoção das pessoas vai despertar. O</p><p>fato é que o espaço lúdico, nas suas várias manifestações, permite que</p><p>as pessoas envolvidas despertem em si mesmas e na sua relação com</p><p>os outros pontos de destaque emocional que podem ser agradáveis ou</p><p>não, mas sempre serão significativos.</p><p>Outro ponto de destaque é o fundamento pedagógico, em que a</p><p>ludicidade também desempenha um papel relevante. Sendo uma fer-</p><p>ramenta tão importante na relação entre as pessoas e para o autoco-</p><p>nhecimento, a ludicidade cabe à educação como aspecto primordial. A</p><p>relação é simples: para aprender é preciso se envolver com o que está</p><p>sendo estudado, o objeto de estudo (PIAGET, 1994). Esse envolvimen-</p><p>to pode constar da relação entre mais pessoas (como num estudo em</p><p>grupo, por exemplo) ou da relação da própria pessoa com o que está</p><p>sendo estudado (numa pesquisa, ou na exploração de tamanhos dife-</p><p>rentes por parte de uma criança pequena).</p><p>Nesse quesito em que a busca pelo conhecimento se faz presente,</p><p>várias estratégias são usadas para que o sucesso se efetive, e uma das</p><p>estratégias mais eficientes é a ludicidade. Assim, aprender por meio de</p><p>brincadeiras, jogos e desafios parece ser a melhor forma de entrar em</p><p>contato com o conteúdo que deseja aprender e sobre o qual se deseja</p><p>aprender mais.</p><p>Há muitos estudos disponíveis que comprovam a premissa de que</p><p>as pessoas aprendem melhor quando estão brincando, ou quando par-</p><p>tilham momentos em grupo (que também servem para a construção da</p><p>sua autonomia), desde os autores clássicos que destacam a importância</p><p>da relação entre as pessoas para com a aprendizagem, como Vygotsky</p><p>(1998), a teoria epistemológica genética de Piaget (1994) e os estudos</p><p>sobre a importância da brincadeira realizados por Winnicot (1990). São</p><p>autores muito respeitados que por meio das suas teorias mostraram a</p><p>relação dos jogos, das brincadeiras e da ludicidade propriamente dita,</p><p>com a aprendizagem. Nesse caso, a ciência da ludicidade se torna com-</p><p>provada pelos estudos desses e de outros muitos pesquisadores que</p><p>reforçam a importância dos aspectos lúdicos na pedagogia.</p><p>Estudar ludicidade não</p><p>é apenas encontrar</p><p>atividades divertidas</p><p>para realizar com seu</p><p>aluno. Compreender a</p><p>teoria envolvida no tema</p><p>e conhecer realidades</p><p>diferentes são alter-</p><p>nativas excelentes de</p><p>aprendizagem. Diferentes</p><p>abordagens da ludicidade</p><p>são propostas no livro A</p><p>ludicidade como Ciência,</p><p>que reúne palestras,</p><p>pesquisas e relatos de</p><p>experiência sobre o tema.</p><p>SANTOS, S. M. P. (org.). Petrópolis:</p><p>Vozes, 2001.</p><p>Livro</p><p>Ludicidade humana: autoconhecimento e socialização 25</p><p>Para compreender a ligação da ludicidade com os fundamentos episte-</p><p>mológicos, partiremos da ideia de que a epistemologia nos permite conhe-</p><p>cer a história dos conceitos. Essa compreensão dos conceitos de ludicidade,</p><p>de diversão, de aprendizagem foi sendo estabelecida ao longo do tempo e é</p><p>um importante fator para que possamos entender quais opções são viáveis</p><p>nos dias atuais e principalmente por que fazemos essas escolhas.</p><p>O fundamento epistemológico é a teoria do conhecimento. Logo,</p><p>é de suma importância para as escolhas que serão feitas sobre o uso</p><p>da ludicidade nas práticas e a força das atividades lúdicas na história</p><p>da humanidade. A epistemologia enquanto estudo do conhecimento é</p><p>fundamental para compreendermos os paradigmas que envolvem as</p><p>escolhas, crenças, atitudes e valores que são levados em conta quando</p><p>optamos por esta ou aquela prática.</p><p>Mesmo tecendo comentários sobre cada um dos aspectos, é importante</p><p>ressaltar que essa é apenas uma forma didática de fazer isso. Nas práticas</p><p>de ludicidade da vida real, os fundamentos sociológicos, psicológicos, peda-</p><p>gógicos e epistemológicos estão presente em maior ou menor número o</p><p>tempo todo, interligados dentro das práticas.</p><p>A ludicidade, portanto, não é somente composta de diversão e mo-</p><p>vimento. Ela pode ter seus resultados provados pela ciência e pelos inú-</p><p>meros relatos de sucesso com seu uso em diferentes</p><p>tempos históricos e</p><p>é uma poderosa opção para boas performances em diferentes áreas de</p><p>conhecimento, mas não necessariamente no que diz respeito somente à</p><p>quantificação dessas performances. O uso da ludicidade, principalmente</p><p>no universo educacional, pode ampliar significativamente os ganhos de</p><p>qualidade do processo. As perspectivas abertas com o estudo da ludicida-</p><p>de e o reconhecimento de que faz parte da natureza humana expandem</p><p>a possibilidade de sucesso e de preservação cultural.</p><p>A criança que você foi se</p><p>orgulha do adulto que</p><p>você se tornou? Quais</p><p>fundamentos da ludicida-</p><p>de infantil ainda perma-</p><p>necem dentro de você? A</p><p>proposta do documentá-</p><p>rio Tarja branca é resgatar</p><p>alguns princípios básicos</p><p>da ludicidade que fizeram</p><p>parte da nossa vida e</p><p>que podem retornar à</p><p>vida atual, tão corrida</p><p>e atribulada. Assista ao</p><p>trailer, com certeza você</p><p>vai querer ver o documen-</p><p>tário completo.</p><p>Direção: Cacau Rhoden. São Paulo:</p><p>Maria Farinha Fimes, 2014.</p><p>Trailer disponível em:</p><p>https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=dadvMzBqIdI. Acesso em:</p><p>26 out. 2022.</p><p>Documentário</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Ludicidade é uma força vital, orgânica, inerente aos seres vivos e que</p><p>acompanha a humanidade desde o início. Não é composta apenas de</p><p>brincadeiras e diversão, mas sim de atividades que promovam movimen-</p><p>to, reflexão, alegria e prazer. É também uma forma de representatividade</p><p>da cultura de um povo e de uma época.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=dadvMzBqIdI</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=dadvMzBqIdI</p><p>26 Educação Lúdica</p><p>As práticas lúdicas são conhecidas e utilizadas ao longo dos tempos,</p><p>em várias culturas, como diversão, como forma de trabalho, como jogos</p><p>de guerra, como repasse de informações e no processo de aprendizagem.</p><p>Práticas diferentes para cada época e contexto.</p><p>Podemos considerar e analisar a ludicidade também com base na</p><p>ciência, e, ao se compreender a relação complexa das pessoas com a lu-</p><p>dicidade, é possível analisar o enorme potencial que ela exerce sobre os</p><p>seres humanos. Dessa forma, é preciso sempre considerar que os resulta-</p><p>dos e estudos de muitos autores comprovam que sua utilização pode tra-</p><p>zer benefícios em muitos aspectos da sociedade, inclusive no educativo.</p><p>ATIVIDADES</p><p>Atividade 1</p><p>De que forma é possível explicar que na história da humanidade</p><p>as experiências lúdicas podem ser consideradas ao mesmo tempo</p><p>formadas por cultura bem como formadoras de cultura?</p><p>Atividade 2</p><p>Na história da humanidade, a ludicidade sempre foi considerada</p><p>uma prática infantil? Explique.</p><p>Atividade 3</p><p>De que maneira o aspecto sociológico pode influenciar uma práti-</p><p>ca de ludicidade?</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BALDUS, H. Tapirapé tribo Tupí no Brasil Colônia. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1970.</p><p>BROUGÈRE, G. Jogo e educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.</p><p>CHARMENS, A. F. O que é Ciência, afinal? Trad. de Raul Filker. 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Acesso</p><p>em: 26 out. 2022.</p><p>https://www.dw.com/pt-br/1896-primeiros-jogos-ol%C3%ADmpicos-da-era-moderna/a-490534</p><p>https://www.dw.com/pt-br/1896-primeiros-jogos-ol%C3%ADmpicos-da-era-moderna/a-490534</p><p>https://www.revistas.usp.br/rfe/article/view/33463/36201</p><p>https://www.revistas.usp.br/rfe/article/view/33463/36201</p><p>https://esportes.yahoo.com/noticias/jogos-dos-povos-indigenas-sao-interrompidos-pela-pandemia-de-covid-19-090049332.html</p><p>https://esportes.yahoo.com/noticias/jogos-dos-povos-indigenas-sao-interrompidos-pela-pandemia-de-covid-19-090049332.html</p><p>http://www.univates.br/revistas/index.php/signos/article/view/713</p><p>http://www.univates.br/revistas/index.php/signos/article/view/713</p><p>https://www.olimpiadatododia.com.br/curiosidades-olimpicas/250498-historico-mulheres-nas-olimpiadas/</p><p>https://www.olimpiadatododia.com.br/curiosidades-olimpicas/250498-historico-mulheres-nas-olimpiadas/</p><p>https://brasilescola.uol.com.br/educacao-fisica/jogos-dos-povos-indigenas.htm</p><p>https://brasilescola.uol.com.br/educacao-fisica/jogos-dos-povos-indigenas.htm</p><p>https://www.scielo.br/j/rbefe/a/FGF4RhWHqydrFnsYq65ZBrw/?format=html</p><p>https://www.scielo.br/j/rbefe/a/FGF4RhWHqydrFnsYq65ZBrw/?format=html</p><p>https://www1.folha.uol.com.br/esporte/olimpiada-no-rio/2016/09/1810298-paraolimpiada-surgiu-com-recuperacao-de-soldados.shtml</p><p>https://www1.folha.uol.com.br/esporte/olimpiada-no-rio/2016/09/1810298-paraolimpiada-surgiu-com-recuperacao-de-soldados.shtml</p><p>28 Educação Lúdica</p><p>2</p><p>Ludopedagogia: brincar</p><p>para aprender</p><p>O repórter está esperando do lado de fora da escola. As crianças saem</p><p>naquela algazarra comum à faixa etária para encontrar seus responsáveis,</p><p>alguns se juntam em grupinhos para conversar. O repórter se aproxima</p><p>de três crianças e pergunta “Vocês gostam da escola?”. A resposta é unâ-</p><p>nime: “SIM!” Todos sorriem e a entrevista continua: “Tenho certeza de que</p><p>vocês vivem muitas experiências aqui, aprendem muito, né?”. E novamen-</p><p>te os entrevistados concordam e sorriem.</p><p>E o repórter continua: “E qual é</p><p>o melhor momento que vocês vivenciaram na escola, do que vocês gos-</p><p>tam mais?”. E as crianças em coro respondem “O recreio!”</p><p>Considerando que a escola é o espaço social criado para o processo</p><p>de ensino-aprendizagem, o que leva os alunos a gostarem mais do único</p><p>momento em que teoricamente não estão estudando? Se você respon-</p><p>deu “A liberdade e a brincadeira”, está corretíssimo. E é sobre isso que</p><p>vamos conversar neste capítulo: sobre a possibilidade de planejarmos au-</p><p>las tão interessantes que possam ser atrativas para os alunos, incluindo</p><p>o lúdico definitivamente nas aulas e no auxílio para com os problemas</p><p>de aprendizagem. Quem sabe assim os alunos poderão responder que</p><p>gostam mais das suas aulas do que do recreio?! Temos certeza de que é</p><p>possível, vem conferir.</p><p>Com o estudo deste capítulo, você será capaz de:</p><p>• compreender a necessidade de planejamento de aulas criativas</p><p>para melhor aprendizagem dos alunos;</p><p>• reconhecer o uso de projetos como elementos potencializadores da</p><p>aprendizagem;</p><p>• analisar a importância da ludicidade para a melhoria de problemas</p><p>de aprendizagem.</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ludopedagogia: brincar para aprender 29</p><p>2.1 Planejamento de aulas criativas</p><p>Vídeo</p><p>O lúdico é importante no desenrolar das atividades educativas. Há</p><p>muitos anos existe um sem-número de estudos e autores que incenti-</p><p>vam as propostas que incluem o lúdico na realidade educacional. Uma</p><p>simples pesquisa no site de buscas Google vai revelar muitas opções</p><p>que reforçam a ideia de que o lúdico é uma força vital das pessoas e</p><p>pode ajudar muito na construção e fixação de conceitos, além de pro-</p><p>porcionar momentos de descontração, lazer e alegria.</p><p>Então, apenas para reforçar: todas as pessoas têm um</p><p>lado lúdico, seja na competição dos times de futebol, seja</p><p>na participação nos desafios propostos pelas academias de</p><p>ginástica, seja nos jogos de celular, seja na dança ou na músi-</p><p>ca, todos os adultos, de alguma forma, convivem (e se diver-</p><p>tem) com a ludicidade. Se isso é uma verdade com adultos,</p><p>pode imaginar quão forte é para as crianças e jovens?</p><p>Na infância, o lúdico é ação preponderante. Perceba que</p><p>as crianças estão sempre brincando, sempre dispostas a co-</p><p>nhecer um jogo novo, a criar brinquedos com as coisas mais</p><p>improváveis, enfim, a brincar de todas as maneiras possíveis. Mas o</p><p>que é exatamente o “lúdico” dentro do espaço educativo? É um concei-</p><p>to composto que contém diversão, alegria, desafio; tudo isso permea-</p><p>do por brincadeiras, brinquedos e jogos.</p><p>Brincadeira, brinquedo e jogo têm definições diferentes, mas cada um</p><p>desses conceitos, com suas características próprias, é parte integrante do</p><p>que chamamos de lúdico. De modo geral, brincadeira é uma atividade li-</p><p>vre de regras, um divertimento, a própria ação do brincar. Brinquedo é um</p><p>objeto usado para a efetivação do brincar, e jogo é uma brincadeira com</p><p>regras (MIRANDA, 2001). O lúdico funciona nesse contexto como estratégia</p><p>para a aprendizagem. Em palavras bem simples: utilizar o lúdico na educa-</p><p>ção é priorizar uma metodologia em que se ensina e se aprende brincando.</p><p>É importante frisar que essa ideia de ludicidade na educação coloca as</p><p>crianças em movimento, em ação na direção da sua aprendizagem. Brin-</p><p>cando a criança levanta hipóteses, acerta, erra, combina, analisa, prevê. Não</p><p>é uma aprendizagem passiva, em que se espera que o professor repasse</p><p>conhecimentos e a criança os absorva. Nessa proposta, há verdadeiramen-</p><p>HAKINMHAN/Shutterstock</p><p>O autor do livro Entre o</p><p>riso e o choro é muito res-</p><p>peitado e escreveu muitos</p><p>materiais com sugestões</p><p>de jogos para todas as</p><p>idades. Nesse livro ele</p><p>aborda a questão do</p><p>jogo como parte da vida</p><p>das pessoas em todas as</p><p>idades, inclusive do tempo</p><p>delas na escola. É uma</p><p>leitura muito rica, um livro</p><p>que faz pensar, escrito de</p><p>uma forma crítica e amo-</p><p>rosa, indicado a todos os</p><p>professores e estudiosos</p><p>do assunto.</p><p>FREIRE, J. B. Campinas: Autores</p><p>Associados, 2017.</p><p>Livro</p><p>Íc</p><p>on</p><p>es</p><p>: T</p><p>Vh</p><p>ap</p><p>py</p><p>Li</p><p>ne</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Íc</p><p>on</p><p>es</p><p>: T</p><p>Vh</p><p>ap</p><p>py</p><p>Li</p><p>ne</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tte</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Ilu</p><p>st</p><p>ra</p><p>çã</p><p>o:</p><p>K</p><p>er</p><p>on</p><p>n</p><p>ar</p><p>t/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>Ilu</p><p>st</p><p>ra</p><p>çã</p><p>o:</p><p>K</p><p>er</p><p>on</p><p>n</p><p>ar</p><p>t/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>te uma construção do conhecimento, pois no desenrolar da brincadeira são</p><p>vivenciados os conceitos que estão sendo trabalhados pelo professor.</p><p>Aprender brincando encontra força teórica em muitos educadores,</p><p>mas é relevante destacar três autores:</p><p>Piaget (1975) Vygotsky (1998) Wallon (1989)</p><p>Ra</p><p>mc</p><p>re</p><p>at</p><p>iv</p><p>e/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>defende que a</p><p>criança é</p><p>sujeito de sua</p><p>aprendizagem,</p><p>agindo sobre</p><p>e construindo seu</p><p>conhecimento.</p><p>destaca a linguagem</p><p>e a vivência social</p><p>como elementos</p><p>indispensáveis</p><p>à aprendizagem</p><p>significativa.</p><p>destaca o afeto</p><p>e o movimento</p><p>como partes</p><p>importantes da</p><p>aprendizagem.</p><p>Os três autores eram psicólogos e trataram também de aspectos da</p><p>construção do conhecimento nas crianças, o que torna a teoria deles</p><p>altamente relevante para a educação e para a ideia de aprender brin-</p><p>cando que destacamos aqui.</p><p>Porém, deve-se considerar que as teorias de Jean Piaget, Lev S.</p><p>Vygotsky e Henry Wallon são muito mais amplas e complexas do que o</p><p>descrito neste livro e merecem ser lidas e compreendidas na sua tota-</p><p>lidade. Aqui só trouxemos uma visão parcial, pequenos aspectos para</p><p>seguir com o objetivo do livro de tratar sobre ludicidade e educação.</p><p>Recomendamos aprofundamento.</p><p>Considerar o lúdico como preponderante na educação de crianças</p><p>não é só tornar o aprendizado uma brincadeira, uma vez que ludicida-</p><p>de não prima somente pela diversão. Há muitos outros ganhos educa-</p><p>cionais nessa opção; acompanhe algumas possibilidades:</p><p>Embora seja sempre inte-</p><p>ressante ler os livros que</p><p>o próprio autor da teoria</p><p>escreveu, recomendamos</p><p>a leitura do livro Piaget, Vy-</p><p>gotsky, Wallon: teorias psi-</p><p>cogenéticas em discussão,</p><p>que reúne a teoria dos</p><p>três autores destacados</p><p>neste capítulo. Escrito por</p><p>estudiosos renomados, dá</p><p>ao leitor a possibilidade</p><p>de conhecer ou aprimorar</p><p>seus conhecimentos</p><p>sobre a teoria de Piaget,</p><p>Vygotsky e Wallon com</p><p>profundidade.</p><p>LA TAILLE, Y.; OLIVEIRA, M. K.;</p><p>DANTAS, H. 18. ed. São Paulo:</p><p>Summus, 1992.</p><p>Livro</p><p>Ajuda a desenvolver</p><p>a organização.</p><p>Favorece o</p><p>desenvolvimento</p><p>da lógica.</p><p>Motiva para o</p><p>aprendizado.</p><p>Favorece a convivência</p><p>nos grupos em que os</p><p>alunos fazem parte.</p><p>Melhora a elaboração da</p><p>argumentação.</p><p>Possibilita exercitar o</p><p>planejamento por meio da</p><p>construção de hipóteses e</p><p>estratégias.</p><p>3030 Educação LúdicaEducação Lúdica</p><p>Ludopedagogia: brincar para aprender 31</p><p>Pode haver certo temor de que a proposta de educação lúdica pos-</p><p>sa substituir outras formas de ensinar, e é importante frisar que isso</p><p>não é necessariamente verdade (embora em alguns casos isso possa</p><p>acontecer). A aula expositiva, por exemplo, é também relevante, a de-</p><p>pender do que vai ser ensinado. O que se destaca é que em algum</p><p>momento o lúdico precisa fazer parte da realidade educacional, visto</p><p>ser um aspecto tão significativo do próprio desenvolvimento humano.</p><p>Assim, a ludicidade pode acontecer para ensinar ou fortalecer (fixar)</p><p>uma aprendizagem, propiciando a reconstrução da aprendizagem com</p><p>um ensino mais dinâmico e fácil. Recursos lúdicos são uma alternativa</p><p>muito poderosa que se apresenta ao processo ensino-aprendizagem</p><p>(SILVEIRA; FREITAS; MELLO, 2021).</p><p>“Pelo lúdico a criança ‘faz ciência’, pois trabalha com imaginação e produz uma</p><p>forma complexa de compreensão e reformulação de sua experiência cotidiana.</p><p>Ao combinar informações e percepções da realidade, problematiza, tornando-se</p><p>criadora e construtora de novos conhecimentos”. (RONCA; TERZI, 1995, p. 98)</p><p>A questão que se apresenta agora diz respeito ao planejamento de</p><p>aulas que incluam o lúdico. Pode parecer fácil preparar uma aula envol-</p><p>vendo alguma atividade lúdica, mas na verdade é preciso ter cuidado.</p><p>Mesmo sendo relativamente fácil propor uma brincadeira para crian-</p><p>ças (e com certeza uma aula de</p><p>brincadeiras será divertida e instrutiva),</p><p>não se trata somente de brincar. Trata-se de aprender brincando. E o</p><p>verbo aprender, aqui, deve ser tão importante quanto o verbo brincar.</p><p>Mas, mesmo com tanta proeminência nos estudos sobre a ludici-</p><p>dade e educação, não é incomum constatar-se que especialmente os</p><p>professores que lecionam a partir do Ensino Fundamental relutam em</p><p>utilizar algum recurso lúdico com regularidade em suas aulas, como se</p><p>brincar fosse um atributo somente das crianças menores. Geralmente,</p><p>esse espaço lúdico é realizado apenas nas aulas de Educação Física.</p><p>A realidade é diferente nas salas de aula de Educação Infantil, nas</p><p>quais há grande utilização de jogos e brincadeiras. Mas se é sabido que</p><p>o lúdico é importante para todas as pessoas, qual o sentido de não uti-</p><p>lizarmos esse recurso nas práticas educativas de crianças de todas as</p><p>idades? Lembre-se de que o lúdico é uma força da natureza de todas as</p><p>pessoas em quaisquer idades. Portanto, ensinar e aprender utilizando</p><p>o lúdico não deve ser apenas uma ação da Educação Infantil.</p><p>Aprender</p><p>Brincar</p><p>nirow</p><p>orld</p><p>/Sh</p><p>utt</p><p>ers</p><p>toc</p><p>k</p><p>É importante destacar</p><p>que existe muita validade</p><p>na brincadeira livre, mas</p><p>não estamos tratando</p><p>dela neste momen-</p><p>to. Aqui, propomos a</p><p>brincadeira como um ele-</p><p>mento que atuará como</p><p>estratégia nas propostas</p><p>educativas. Sobre o brin-</p><p>car livre e a sua enorme</p><p>importância, leia o artigo</p><p>Brincar não é só alegria, de</p><p>Renata Meirelles.</p><p>Disponível em: https://novaescola.</p><p>org.br/conteudo/12452/renata-</p><p>meirelles-brincar-nao-e-so-alegria</p><p>Acesso em: 21 out. 2022.</p><p>Leitura</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/12452/renata-meirelles-brincar-nao-e-so-alegria</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/12452/renata-meirelles-brincar-nao-e-so-alegria</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/12452/renata-meirelles-brincar-nao-e-so-alegria</p><p>32 Educação Lúdica</p><p>A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento cujas normas</p><p>definem as aprendizagens que as crianças e jovens devem alcançar nos</p><p>diferentes níveis de ensino e que funciona como referência nacional para</p><p>a formulação dos currículos dos sistemas e das redes escolares, trata do</p><p>assunto, destacando que na Educação Infantil o brincar é um direito das</p><p>crianças. Assim sendo, deve ser assegurado à criança:</p><p>Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espa-</p><p>ços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), am-</p><p>pliando e diversificando seu acesso a produções culturais, seus</p><p>conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas experiên-</p><p>cias emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas,</p><p>sociais e relacionais. (BRASIL, 2018, p. 38)</p><p>No documento são descritos cinco direitos de aprendizagem e de-</p><p>senvolvimento que devem ser respeitados pelas instituições e sistemas</p><p>educacionais, para que as situações de aprendizagem propostas para as</p><p>crianças permitam que elas desempenhem um papel ativo, em ambien-</p><p>tes propícios para desafios. Esse é o caminho para que a criança se sin-</p><p>ta provocada a realizar os desafios e possa aprender significativamente</p><p>(BRASIL, 2018). Os demais direitos, além do brincar, são: participar das</p><p>atividades, explorar seu contexto, expressar-se de variadas formas e co-</p><p>nhecer-se construindo sua identidade pessoal, social e cultural.</p><p>Com relação ao Ensino Fundamental, que é a maior etapa da Educa-</p><p>ção Básica, a BNCC destaca a relevância de se pensar uma educação de</p><p>qualidade, pois a criança passa por muitas mudanças. Nos nove anos</p><p>que compõem o Ensino Fundamental (a criança estuda nesse período</p><p>dos 6 aos 14 anos) há muito o que se propor em termos de ludicidade.</p><p>É preciso respeitar a etapa de transição da criança da Educação In-</p><p>fantil para o Ensino Fundamental, e assim valorizar as situações lúdicas</p><p>de aprendizagem, articulando as propostas com as experiências viven-</p><p>ciadas na Educação Infantil. Aos poucos, essa articulação vai progressi-</p><p>vamente incluindo na realidade das crianças novas formas de relação</p><p>com o mundo, novas possibilidades de ler e formular hipóteses sobre</p><p>os fenômenos, de testá-las, de refutá-las, de elaborar conclusões, em</p><p>uma atitude ativa na construção de conhecimentos (BRASIL, 2018).</p><p>Mas assim sendo, qual metodologia é a mais adequada para que o</p><p>aluno possa estar ativo nessas aprendizagens? Se você pensou em me-</p><p>todologias que colocam os alunos em atividade, em movimento, acertou!</p><p>Você pode conhecer</p><p>mais sobre os direitos de</p><p>aprendizagem e desen-</p><p>volvimento das crianças</p><p>na BNCC, na etapa da</p><p>Educação Infantil. No</p><p>documento esses direitos</p><p>estão especificados na</p><p>página 38.</p><p>Disponível em: http://</p><p>basenacionalcomum.mec.gov.</p><p>br/abase/#infantil. Acesso em: 8</p><p>nov. 2022.</p><p>Leitura Esse é o princípio da ludopedagogia, cuja construção da palavra re-</p><p>laciona ludo (jogo, brinquedo) e pedagogia (teoria e ciência do ensino)</p><p>(MAFFEI, 2021). Então, quando falamos ludopedagogia, estamos tratan-</p><p>do do processo de ensino-aprendizagem por meio de jogos, brinque-</p><p>dos e brincadeiras. Simples assim. Percebe que sob esse ponto de vista</p><p>o professor tem um papel importantíssimo?</p><p>É necessário um equilíbrio entre o cumprimento das funções que envolvem</p><p>o ensino de conteúdos, o desenvolvimento de habilidades, com as funções</p><p>psicológicas que vão contribuir para que os alunos sejam autônomos, criati-</p><p>vos, tenham capacidades trabalhadas para desenvolverem suas habilidades</p><p>sociais (FORTUNA, 2000).</p><p>Mas como escolher a ludicidade assertiva para determinado con-</p><p>teúdo a ser trabalhado com crianças nos dias de hoje? Uma atividade</p><p>lúdica que seja capaz de ensinar, de ajudar a aprender, prazerosa e ao</p><p>mesmo tempo desafiadora? Sem dúvida o professor precisa ser criati-</p><p>vo, porque há muitas possibilidades, mas basicamente entende-se que</p><p>ele precisa traçar dois caminhos:</p><p>No início deste capítulo,</p><p>apresentamos o exemplo</p><p>de um entrevistador que</p><p>pergunta às crianças o</p><p>que é mais interessante</p><p>na escola. Desafio você</p><p>a fazer essa pergunta a</p><p>alguma criança de sua</p><p>família/convívio que tenha</p><p>entre 6 a 14 anos. Se a</p><p>resposta for “recreio”,</p><p>emende outra pergun-</p><p>ta: e qual aula você já</p><p>participou que era tão</p><p>interessante quanto o re-</p><p>creio? A resposta, seja ela</p><p>positiva ou negativa (não</p><p>possui um exemplo de</p><p>aula interessante), pode</p><p>te fazer pensar sobre isto:</p><p>como os seus alunos res-</p><p>ponderão a essa pergunta</p><p>quando falarem das suas</p><p>aulas?</p><p>Para refletir</p><p>O primeiro é em direção a</p><p>conhecimento de estratégias,</p><p>técnicas e jogos para educação de</p><p>crianças (e há uma grande variedade</p><p>de material nesse sentido).</p><p>Atividade</p><p>lúdica</p><p>O segundo é o conhecimento das</p><p>etapas de desenvolvimento em que suas</p><p>crianças estão. Basicamente, o professor</p><p>precisa conhecer as particularidades da</p><p>faixa etária das crianças para as quais</p><p>leciona, estudando aspectos do seu</p><p>desenvolvimento.</p><p>Jano</p><p>s Le</p><p>ven</p><p>te/</p><p>Shu</p><p>tte</p><p>rst</p><p>ock</p><p>Vo</p><p>lha</p><p>H</p><p>lin</p><p>sk</p><p>ay</p><p>a/</p><p>Sh</p><p>utt</p><p>ers</p><p>tock</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/#infantil</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/#infantil</p><p>http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/#infantil</p><p>Ludopedagogia: brincar para aprender 33</p><p>Esse é o princípio da ludopedagogia, cuja construção da palavra re-</p><p>laciona ludo (jogo, brinquedo) e pedagogia (teoria e ciência do ensino)</p><p>(MAFFEI, 2021). Então, quando falamos ludopedagogia, estamos tratan-</p><p>do do processo de ensino-aprendizagem por meio de jogos, brinque-</p><p>dos e brincadeiras. Simples assim. Percebe que sob esse ponto de vista</p><p>o professor tem um papel importantíssimo?</p><p>É necessário um equilíbrio entre o cumprimento das funções que envolvem</p><p>o ensino de conteúdos, o desenvolvimento de habilidades, com as funções</p><p>psicológicas que vão contribuir para que os alunos sejam autônomos, criati-</p><p>vos, tenham capacidades trabalhadas para desenvolverem suas habilidades</p><p>sociais (FORTUNA, 2000).</p><p>Mas como escolher a ludicidade assertiva para determinado con-</p><p>teúdo a ser trabalhado com crianças nos dias de hoje? Uma atividade</p><p>lúdica que seja capaz de ensinar, de ajudar a aprender, prazerosa e ao</p><p>mesmo tempo desafiadora? Sem dúvida o</p>

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