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<p>Dados	Internacionais	de	Catalogação	na	Publicação	(CIP)</p><p>Azevedo,	Israel	Belo	de</p><p>Apologética	cristã	/	Israel	Belo	de	Azevedo.	—	São	Paulo	:	Vida	Nova,	2006.	—</p><p>(Curso	Vida	Nova	de	Teologia	Básica;	v.	6)</p><p>recurso	digital;	3,8	MB</p><p>Bibliografia</p><p>ISBN	978-65-86136-93-7	(recurso	eletrônico)</p><p>1.	Apologética	2.	Teologia	–	Estudo	e	ensino	I.	Título.	II.	Série.</p><p>06-2275</p><p>CDD-239</p><p>Índices	para	catálogo	sistemático</p><p>1.	Apologética	:	Defesa	da	fé	:	Cristianismo	239</p><p>Copyright	©	2006	Edições	Vida	Nova</p><p>Publicado	no	Brasil	com	a	devida	autorização	e	com	todos	os	direitos</p><p>reservados	por</p><p>Sociedade	Religiosa	Edições	Vida	Nova</p><p>Caixa	Postal	21266,	São	Paulo,	SP,	04602-970</p><p>vidanova.com.br	|	vidanova@vidanova.com.br</p><p>1.ª	edição:	2006</p><p>Proibida	a	reprodução	por	quaisquer	meios	(mecânicos,	eletrônicos,</p><p>xerográficos,	fotográficos,	gravação,	estocagem	em	banco	de	dados,	etc.),	a	não</p><p>ser	em	citações	breves	com	indicação	de	fonte.</p><p>SUPERVISÃO	EDITORIAL</p><p>Aldo	Menezes</p><p>COORDENAÇÃO	EDITORIAL</p><p>http://vidanova.com.br</p><p>Marisa	Lopes</p><p>REVISÃO</p><p>Emirson	Justino</p><p>COORDENAÇÃO	DE	PRODUÇÃO</p><p>Sérgio	Siqueira	Moura</p><p>REVISÃO	DE	PROVAS</p><p>Mauro	Nogueira</p><p>CAPA</p><p>Julio	Carvalho</p><p>Produção	do	arquivo	ePub</p><p>Booknando</p><p>CONTEÚDO</p><p>Apresentação</p><p>Introdução</p><p>1.	Por	que	propagar	um	cristianismo	cuja	história	está	cheia	de	violência?</p><p>2.	Não	é	a	religião	uma	ilusão?</p><p>3.	É	politicamente	correto	afirmar	que	só	Jesus	salva?</p><p>4.	Como	crer	em	um	Deus	amoroso,	que	permite	o	sofrimento?</p><p>5.	Como	acreditar	em	milagres,	se	a	ciência	não	os	confirma?</p><p>6.	E	se	a	homossexualidade	for	genética?</p><p>7.	Por	uma	mente	bíblica</p><p>8.	Elogio	da	tolerância</p><p>Enriqueça	sua	biblioteca</p><p>Apresentação</p><p>Curso	Vida	Nova	de	Teologia	Básica</p><p>Todos	os	cristãos	precisam	de	teologia</p><p>Durante	muito	tempo	a	teologia	esteve	confinada	nos	círculos	acadêmicos.	Sua</p><p>linguagem	técnica	e	seu	rigor	científico	impediam	que	o</p><p>público	leigo,	não-especializado,	saboreasse	a	boa	erudição	bíblica.	A	parte	que</p><p>lhe	cabia	era	ouvir	longos	sermões,	que	nem	sempre	atingiam	o	coração	dos</p><p>ouvintes,	muito	menos	sua	mente.</p><p>A	distinção	entre	clérigos	e	leigos,	sem	dúvida,	contribuiu	para	o	surgimento</p><p>desse	abismo	entre	a	teologia	e	os	não-iniciados	no	saber	teológico.	O	estudo</p><p>sobre	Deus	e	sua	relação	com	seu	povo	foi	se	tornando	cada	vez	mais</p><p>propriedade	de	uma	elite	intelectual.</p><p>As	Escrituras,	no	entanto,	apontam	outro	caminho.	O	povo	de	Deus,	e	não</p><p>apenas	uma	parcela	desse	povo	(os	mestres),	é	chamado	de	“sacerdócio	real”.</p><p>Esse	povo	deve	anunciar	“as	grandezas	daquele	que	[o]	chamou	das	trevas	para</p><p>sua	maravilhosa	luz”	(1Pe	2.9).	Todos	estão	obrigados	a	cumprir	a	Grande</p><p>Comissão:	fazer	discípulos	para	o	Mestre,	ensinando-os	a	obedecer	a	todas	as</p><p>coisas	que	ele	ordenou	(Mt	28.19,	20).	Todos	devem	renovar	a	mente,	para</p><p>experimentar	a	“boa,	agradável	e	perfeita	vontade	de	Deus”	(Rm	12.2).	Todos</p><p>devem	estar	preparados	para	“responder	a	todo	aquele	que	[...]	pedir	a	razão	da</p><p>esperança”	que	há	neles	(1Pe	3.15).	Todos	são	instados	a	crescer	não	apenas	na</p><p>“graça”,	mas	também	“no	conhecimento	de	nosso	Senhor	e	Salvador	Jesus</p><p>Cristo”	(2Pe	3.18).</p><p>A	retomada	do	ensino	bíblico	do	sacerdócio	de	todos	os	crentes,	no	entanto,	não</p><p>significa	que	Deus	não	tenha	capacitado	especialmente	alguns	para	exercer</p><p>determinados	dons	na	igreja.	O	apóstolo	Paulo	afirma	que</p><p>Deus	“designou	uns	como	apóstolos,	outros	como	profetas,	e	outros	como</p><p>evangelistas,	e	ainda	outros	como	pastores	e	mestres”	(Ef	4.11).	Esses</p><p>especialmente	capacitados,	porém,	não	deviam	guardar	para	si	o	depósito	do</p><p>conteúdo	da	fé.	Eles	tinham	uma	missão	a	cumprir:</p><p>...	o	aperfeiçoamento	dos	santos	para	a	obra	do	ministério	e	para	a	edificação	do</p><p>corpo	de	Cristo;	até	que	todos	cheguemos	à	unidade	da	fé	e	do	pleno</p><p>conhecimento	do	Filho	de	Deus,	ao	estado	de	homem	feito,	à	medida	da	estatura</p><p>da	plenitude	de	Cristo;	para	que	não	sejamos	mais	como	crianças,	inconstantes,</p><p>levados	ao	redor	por	todovento	de	doutrina,	pela	mentira	dos	homens,	pela	sua</p><p>astúcia	nainvenção	do	erro;	pelo	contrário;	seguindo	a	verdade	em</p><p>amor,cresçamos	em	tudo	naquele	que	é	a	cabeça,	Cristo.	Nele	o	corpo	inteiro,</p><p>bem	ajustado	e	ligado	pelo	auxílio	de	todas	as	juntas,	segundo	a	correta	atuação</p><p>de	cada	parte,	efetua	o	seu	crescimento	para	edificação	de	si	mesmo	em	amor</p><p>(Ef	4.12-16).</p><p>Essas	passagens	bíblicas	mostram	claramente	que	a	teologia	deve	estar	a	serviço</p><p>de	todo	o	povo	de	Deus.	Mais	ainda:	que	todo	o	povo	de	Deus	deve	se	beneficiar</p><p>de	todos	os	campos	do	labor	teológico.	Vejamos	alguns	exemplos:</p><p>Anunciar	as	grandezas	de	Deus	(1Pe	2.9)	requer	preparo	no	falar.	A	parte	da</p><p>teologia	que	cuida	da	boa	transmissão	oral	da	Palavra	de	Deus	é	a	homilética,</p><p>cujos	princípios	não	se	aplicam	somente	à	preparação	do	sermão,	mas	à</p><p>comunicação	da	Palavra	de	Deus	como	um	todo.</p><p>Não	basta	fazer	discípulos,	é	preciso	ensiná-los	(Mt	28.19,	20).	Isso	requer</p><p>conhecimento	das	coisas	de	Deus	(e	esta	é	uma	definição	básica	de	teologia	=</p><p>estudo	sobre	Deus).</p><p>Estar	preparado	para	“responder	a	todo	aquele	que	[...]	pedir	a	razão	da</p><p>esperança”	que	há	em	nós	(1Pe	3.15)	requer	conhecimento	bíblico	e	o	exercício</p><p>da	“apologética”	(um	discurso	de	defesa	da	fé	cristã	bem	embasado	nas</p><p>Escrituras).</p><p>Quando	Pedro	disse	que	os	cristãos	devem	crescer	“no	conhecimento	de	[...]</p><p>Jesus	Cristo”	(2Pe	3.18),	ele	estava,	segundo	o	contexto,	alertando-os	a	não	se</p><p>deixar	levar	pelos	que	“deturpam”	as	Escrituras	(2Pe	3.14-17).	Pedro	também</p><p>reconheceu	que	há	passagens	de	difícil	interpretação	(v.	16).	A	hermenêutica	é	a</p><p>parte	da	teologia	que	se	encarrega	de	avaliar	o	sentido	preciso	de	uma	passagem</p><p>bíblica,	lidando	com	as	“coisas	difíceis”.	Bem	preparados,	não	seremos	“levados</p><p>[...]	por	todo	vento	de	doutrina,	pela	mentira	dos	homens,	pela	sua	astúcia	na</p><p>invenção	do	erro”	(Ef	4.14).</p><p>É	evidente,	portanto,	que	todos	nós,	povo	de	Deus,	precisamos	de	teologia.</p><p>Todos	nós	precisamos	aprimorar	diariamente	nosso	conhecimento	das	Escrituras.</p><p>Devemos	ser	realmente	estudiosos	da	Palavra	de	Deus.	E	o	labor	teológico	nos</p><p>conduz	a	esses	fins.</p><p>A	importância	e	as	vantagens	do	Curso	Vida	Nova	de	Teologia	Básica</p><p>Edições	Vida	Nova	reconhece	o	valor	e	a	força	da	comunidade	leiga	de	nossas</p><p>igrejas.	Nossa	missão	é	levar	conhecimento	e	preparo	teológico	a	todo	o	povo	de</p><p>Deus.	Pensando	nessa	parcela	significativa	de	cristãos	e	com	pleno</p><p>conhecimento	da	necessidade	do	saber	teológico	para	todos,	temos	o	prazer	de</p><p>apresentar	o	Curso	Vida	Nova	de	Teologia	Básica.	Trata-se	de	um	curso	básico</p><p>de	teologia	para	leigos.	Isso	quer	dizer	que	esse	curso	está	desprovido	do	jargão</p><p>teológico	tradicional	e	de	tecnicismos	dessa	área.	É	um	curso	perfeito	para</p><p>leitores	que	desejam	conhecer	um	pouco	de	teologia	numa	linguagem	informal,</p><p>instrumental	e	não-acadêmica.</p><p>O	material	é	altamente	didático	e	informativo.	É	de	fácil	assimila-	ção.	Os</p><p>autores	também	se	valem	de	perguntas	para	debate,	que	funcionam	como</p><p>questões	de	recapitulação,	a	fim	de	fixar	na	mente	do	leitor	os	pontos	principais</p><p>apresentados	ao	longo	de	cada	lição.	Como	se	diz	em	homilética:	“A	repetição	é</p><p>a	mãe	da	retenção”.	Quanto	mais	recapitulamos,	mais	fixamos	o	que</p><p>aprendemos.	Além	disso,	há	uma	bibliografia	ao	mesmo	tempo	concisa	e</p><p>precisa,	conduzindo	o	leitor	a	obras	que	poderão	auxiliá-lo	em	seu	crescimento</p><p>espiritual.</p><p>Todos	os	cristãos	desejosos	de	crescer	no	“conhecimento	de	nosso	Senhor	e</p><p>Salvador	Jesus	Cristo”	se	beneficiarão	desse	curso.	Crentes	bem	preparados	e</p><p>conhecedores	da	Palavra	de	Deus	farão	das	escolas	dominicais,	dos	centros	de</p><p>treinamento	de	líderes	e	de	outros	ministérios	voltados	para	o	aperfeiçoamento</p><p>do	corpo	de	Cristo	um	espaço	agradável	de	estudo	e	reflexão	das	Escrituras.</p><p>O	currículo	básico	do	curso	inclui	os	seguintes	assuntos:</p><p>Introdução	à	Bíblia</p><p>Panorama	do	Antigo	Testamento</p><p>Panorama	do	Novo	Testamento</p><p>Panorama	da	história	da	igreja</p><p>Homilética</p><p>Apologética	cristã</p><p>Teologia	sistemática</p><p>Educação	cristã</p><p>Filosofia</p><p>Aconselhamento</p><p>Louvor	e	adoração</p><p>Ética	cristã</p><p>Hermenêutica</p><p>Apologética	cristã</p><p>Neste	sexto	volume	da	série,	vamos	estudar	uma	disciplina</p><p>como	único	Salvador.	Tenhamos	coragem	de	dizer</p><p>que	há	muitas	verdades	nas	outras	religiões,	mas	em	nenhuma	delas	há	fé</p><p>salvadora.	É	absolutamente	necessário	que	se	creia	em	Jesus	para	a	salvação.</p><p>UMA	ESCOLHA	INDISPENSÁVEL</p><p>Devemos	celebrar	a	diversidade,	mas	sem	ignorar	que	toda	a	humanidade	jaz</p><p>pecadora	e	carente	da	graça	salvadora	de	Jesus	Cristo.	Muitas	pessoas	reagem	à</p><p>doutrina	cristã	da	graça	por	entenderem	que	podem	salvar	a	si	mesmas.	A	ideia</p><p>de	que	alguém	morreu	para	salvar	outros	é	inaceitável	para	muitas	mentes.	A</p><p>cruz	é	um	golpe	mortal	desfechado	contra	o	orgulho	humano.	Desde	Adão	e	Eva</p><p>o	homem	quer	salvar	a	si	mesmo.	Como	mostra	Fernando	Ajith:</p><p>[...]	as	pessoas	gostam	de	pensar	que	estão	salvando	a	si	mesmas.	Com	isso	se</p><p>sentem	bem	e	são	ajudadas	a	silenciar,	temporariamente,	a	voz	da	insegurança	e</p><p>do	vazio	que	lhes	pertence,	por	estarem	separadas	do	seu	Criador.</p><p>Qual	é	sua	escolha?	Jesus	é	o	Caminho.	Aceite-o.	A	Bíblia	diz	que	Deus	é	nosso</p><p>Salvador	e	deseja	que	todos	sejam	salvos	e	cheguem	ao	conhecimento	da</p><p>verdade.	Pois	há	um	só	Deus	e	um	só	mediador	entre	Deus	e	os	seres	humanos:	o</p><p>homem	Cristo	Jesus,	que	se	entregou	como	resgate	por	todos.	Esse	foi	o</p><p>testemunho	dado	em	seu	tempo	(1Tm	2.4-6).</p><p>Se	Jesus	é	o	Filho	de	Deus,	em	sentido	histórico	e	real,	e	não	apenas	simbólico,</p><p>ele	pôde	se	declarar	como	o	único	caminho	para	o	Pai,	e	o	fez.	Se	você	já	o</p><p>aceitou	como	o	Caminho	de	sua	vida,	não	se	esqueça	disso.	Proclame	para	você</p><p>mesmo	e	para	todos	quantos	você	puder.</p><p>Jesus	é	a	Verdade.	Aceite-o.	A	Bíblia	diz	que	precisamos	conhecer	a	verdade,	se</p><p>queremos	ser	livres	(	Jo	8.32).	Se	você	já	aceitou	esta	Verdade	como	suprema</p><p>para	a	sua	vida,	não	se	deixe	seduzir	por	outras	verdades.	Não	tenha	vergonha	de</p><p>afirmar.</p><p>Jesus	é	a	Vida.	Aceite-o.	A	Bíblia	diz	que	Deus	nos	deu	a	vida	eterna,	e	essa	vida</p><p>está	em	seu	Filho.	Quem	tem	o	Filho,	tem	a	vida;	quem	não	tem	o	Filho	de	Deus,</p><p>não	tem	a	vida	(1Jo	5.11,12).	A	Vida	em	Cristo	vem	por	meio	do	perdão	divino</p><p>de	nossos	pecados.	Todos	os	profetas	dão	testemunho	dele,	de	que	todo	o	que</p><p>nele	crê	recebe	o	perdão	dos	pecados	mediante	seu	nome	(At	10.43).	No	passado</p><p>Deus	não	levou	em	conta	essa	ignorância,	mas	agora	ordena	que	todos,	em	todo</p><p>lugar,	se	arrependam	(At	17.30).</p><p>Se	você	já	permitiu	que	a	Vida	transformasse	sua	vida,	deixe-se	aquecer	por	essa</p><p>realidade.	Leve	esta	boa	notícia	aos	outros.	O	convite	bíblico	continua	a	ecoar:</p><p>“a	fé	vem	por	se	ouvir	a	mensagem,	e	a	mensagem	é	ouvida	mediante	a	palavra</p><p>de	Cristo”	(Rm	10.17).</p><p>Qual	é	a	sua	resposta?</p><p>PERGUNTAS	DE	RECAPITULAÇÃO</p><p>Discuta	as	afirmações	deste	capítulo:</p><p>Segundo	a	certeza	de	alguns,	os	cristãos	não	podem	ter	a	pretensão	de	que	Jesus</p><p>Cristo	seja	o	Cristo	Salvador	de	todas	as	nações.</p><p>Ser	tolerante	não	é	negar	que	haja	diferenças	entre	pessoas	e	culturas,	mas,	a</p><p>partir	disso,	agir	com	profundo	respeito	por	elas,	independentemente	de	suas</p><p>crenças,	suas	atitudes	e	seus	hábitos.</p><p>O	pluralismo	religioso	exige	que	se	abandone	a	fé	na	singularidade	de	Cristo,	ao</p><p>ver	as	outras	religiões	como	o	modo	“usual”	de	salvação,	enquanto	o</p><p>cristianismo	é	o	modo	“muito	especial	e	extraordinário	da	salvação”.</p><p>Devemos	celebrar	a	diversidade,	sem	ignorar	que	toda	a	humanidade	jaz</p><p>pecadora	e	carente	da	graça	salvadora	de	Jesus	Cristo.</p><p>4</p><p>Como	crer	em	um	Deus	amoroso,	que	permite	o</p><p>sofrimento?</p><p>Eu	já	sabia	que	Deus	não	é	o	ser	impassível,	indiferente,	imutável,</p><p>descrito	pelos	teólogos.	Eu	já	sabia	da	compaixão	de	Deus,	que	ele</p><p>tem	prazer	em	algumas	coisas	e	desprazer	em	outras.	Mas,</p><p>estranhamente,	seu	sofrimento	eu	nunca	vira	antes.	Deus	não	é</p><p>apenas	o	Deus	dos	sofredores,	mas	o	Deus	que	sofre.	A	dor	e	a	ruína</p><p>da	humanidade	entraram	em	seu	coração.	Pelo	prisma	de	minhas</p><p>lágrimas	vi	um	Deus	sofredor.	(...)	Em	vez	de	explicar	nosso</p><p>sofrimento,	Deus	participa	dele.</p><p>Walter	Wolterstoff</p><p>E	passando	Jesus,	viu	um	homem	cego	de	nascença.	Perguntaram	seus</p><p>discípulos:	—	Rabi,	quem	pecou:	este	ou	seus	pais,	para	que	nascesse	cego?</p><p>Respondeu	Jesus:	—	Nem	ele	pecou	nem	seus	pais;	mas	foi	para	que	nele	se</p><p>manifestem	as	obras	de	Deus	(	Jo	9.1-3).</p><p>A	Bíblia	diz	que	Deus	é	tão	amoroso	que	deu	seu	único	filho	para	morrer	pelos</p><p>seus	amados,	que	é	a	totalidade	dos	seres	humanos	(	Jo	3.16).	Ninguém	tem</p><p>maior	amor	do	que	este:	de	dar	[...]	sua	vida	pelos	seus	amigos	(1Jo	15.13).</p><p>Nossa	vida	é	possível	neste	mundo	injusto	e	duro	por	causa	do	amor	do	Filho	de</p><p>Deus,	Jesus	Cristo,	que	se	entregou	(literalmente)	por	nós	(Gl	2.20),	sem	que</p><p>houvesse	nenhum	mérito	no	ser	humano	(Rm	5.8).	É	por	isso	que	vivemos:</p><p>porque	Deus	enviou	seu	Filho	unigênito	ao	mundo	(1Jo	4.9).</p><p>O	amor	de	Deus	é	derramado	em	nosso	coração	pelo	Espírito	Santo,	que	nos	foi</p><p>dado	(Rm	5.5).	Por	isto,	os	que	aceitam	este	oferecimento	jamais	podem	ser</p><p>separados	deste	Deus	amoroso	(Rm	8.39).</p><p>Tão	amoroso	é	Deus	que	a	Bíblia	diz	que	ele	é	amor	(1Jo	4.8	e	16).	No	entanto,</p><p>não	há	como	ver	o	sofrimento	dos	seres	humanos	e	não	perguntar,	como	Castro</p><p>Alves,	diante	do	flagelo	da	escravidão:</p><p>Senhor	Deus	dos	desgraçados!</p><p>Dizei	vós,	Senhor	Deus!</p><p>Se	é	loucura...	se	é	verdade</p><p>Tanto	horror	perante	os	céus?!</p><p>Oh	mar,	por	que	não	apagas</p><p>Co’a	esponja	de	tuas	vagas</p><p>De	teu	manto	este	borrão?...</p><p>Astros!	noites!	tempestades!</p><p>Rolai	das	imensidades!</p><p>Varrei	os	mares,	tufão!¹</p><p>A	AUSÊNCIA	DE	DEUS	COMO	RESPOSTA</p><p>O	problema	do	sofrimento	humano	suscita	em	nós	uma	pergunta	que	não	pode</p><p>calar:	Deus	existe?	Se	existe,	por	que	permite	o	galope	do	mal?	Ao	longo	da</p><p>história,	três	respostas	têm	sido	frequentemente	apontadas	para	solucionar	o</p><p>dilema:</p><p>Deus	não	existe</p><p>Não	existindo	Deus,	o	problema	do	sofrimento	deve	ser	compreendido	dentro	da</p><p>natureza	e	da	história,	sem	nenhum	recurso	à	transcendência,	seja	para	explicar,</p><p>seja	para	minorar	ou	superar.	Na	perspectiva	ateísta	ou	agnóstica,	o	ser	humano</p><p>está	sozinho,	e	sozinho	tem	de	se	virar.	Não	há	conforto	para	ele.</p><p>Negar	a	existência	de	Deus	por	causa	do	sofrimento	pode	resolver,	ainda	que</p><p>equivocadamente,	um	problema	filosófico,	mas	não	traz	nenhuma	satisfação</p><p>emocional,	porque	não	capacita	a	pessoa	a	enfrentar	melhor	seu	problema,	que	é</p><p>o	que	mais	importa.</p><p>Deus	existe,	mas	errou	ao	criar	o	homem</p><p>O	escritor	Saramago,	que	se	declara	ateu,	atribui	as	injustiças	e	as	atrocidades</p><p>dos	seres	humanos	a	um	“erro	nas	previsões	divinas”	(a	“grosseiros	erros	de</p><p>previsão”).	Segundo	ele,	o	erro	de	Deus	foi	criar	a	espécie	humana.</p><p>Se	o	ateísmo	põe	toda	a	conta	do	mal	na	natureza	humana,	a	afirmação	de	que</p><p>Deus	errou,	ao	projetar	mal	sua	obra,	põe	contraditoriamente	toda	a	culpa	na</p><p>ação	divina,	tirando	do	ser	humano	toda	responsabilidade	por	seus	atos;	atos	que</p><p>produzem	sofrimento	em	si	e	nos	outros.</p><p>Deus	existe,	mas	não	é	amoroso	a	ponto	de	evitar	o	sofrimento</p><p>Embora	a	Bíblia	afirme	que	Deus	é	amor,	não	pode	haver	amor	nele.	Se	fosse</p><p>bondoso,	não	permitiria	o	mal	tão	avassalador,	especialmente	sobre	os	inocentes.</p><p>Mesmo	os	cristãos	podem	mergulhar	na	dúvida,	depois	de	longo	tempo	à	espera</p><p>de	resposta	a	sua	oração.	Quando,	no	entanto,	mergulham	na	memória,	a</p><p>esperança	lhes	retorna:	o	Deus	que	um	dia	o	ouviu	o	ouvirá	de	novo	(Lm	3.21).</p><p>A	certeza	de	que	Deus	não	existe	porque	o	sofrimento	existe	não	traz	a	quem</p><p>pensa	assim	nenhuma	direção	para	a	vida.	A	convicção	de	que	ele	errou	ao	criar</p><p>o	ser	humano	é	contraditória	em	si	mesma	e	nada	ajuda	na	condição	humana.	A</p><p>dúvida	de	que	Deus	não	se	importa	com	o	sofrimento	humano	não	faz	sentido</p><p>diante	das	inúmeras	manifestações	do	amor	divino.	A	quem	nutre	essas	visões</p><p>resta	o	desespero	da	solitária	e	triste	condição	humana.	É	uma	escolha	que</p><p>muitos	têm	feito,	mais	pelo	que	observam	do	sofrimento	humano	e	menos	por</p><p>aqueles	que	veem	seus	corpos	e	mentes	sendo	dilacerados	pela	dor.</p><p>A	PRESENÇA	DE	DEUS	COMO	SOLUÇÃO</p><p>Os	pressupostos	cristãos	são	outros:	Deus	existe	e	é	justo	e	amoroso.	É	a	partir</p><p>desses	três	pressupostos,	que	retomaremos	adiante,	que	temos	de	considerar	o</p><p>problema	do	sofrimento.</p><p>Jesus	considerava	a	dificuldade	humana	tanto	para	entender	quanto	para</p><p>enfrentar	o	sofrimento.	Ao</p><p>dialogar	com	seus	seguidores,	que,	como	ele,</p><p>atendiam	a	um	cego	de	nascença	(	Jo	9.1-11),	não	deixou	de	responder	às</p><p>perguntas	dos	discípulos.	Sua	resposta	é	um	convite	à	reflexão:	“Nem	ele	nem</p><p>seus	pais	pecaram,	mas	isto	aconteceu	para	que	a	obra	de	Deus	se	manifestasse</p><p>na	vida	dele”	(	Jo	9.3).</p><p>Precisamos	entender	a	natureza	do	sofrimento</p><p>O	sofrimento	é	real,	atinja	ele	um	país,	uma	comunidade,	uma	família	ou	uma</p><p>pessoa.	Não	há	como	negá-lo.</p><p>Precisamos	também	ser	humildes	em	reconhecer	que	ninguém	apresenta	uma</p><p>resposta	absoluta	para	essa	pergunta.	O	livro	da	Bíblia	cujo	tema	é	o	sofrimento</p><p>de	uma	família	inocente	não	ousa	oferecer	uma	resposta	absoluta.	Os	amigos	da</p><p>personagem	principal	tinham	respostas,	que	traziam	mais	sofrimento	a	quem	já</p><p>sofria.	Entretanto,	quando	Deus	dá	a	palavra	final,	faz	perguntas	que	mostram	a</p><p>fragilidade	dos	argumentos	humanos.</p><p>Na	verdade,	a	palavra	final	de	Deus	não	é	um	conjunto	de	palavras,	mas	um</p><p>conjunto	de	gestos,	que	levou	Jó	a	ser	abraçado	por	Deus.	Esta	foi	a	resposta	que</p><p>transformou	sua	vida	e	tornou	irrelevantes	suas	indagações,	porque,	quando</p><p>Deus	age,	e	ele	age,	só	cabe	reconhecer	seu	amor.</p><p>Deus	permite	o	sofrimento	ao	conceder	liberdade	ao	ser	humano</p><p>À	luz	da	revelação	bíblica,	podemos	afirmar	que	o	sofrimento	é	uma	decorrência</p><p>da	liberdade	humana.	Segundo	lemos	na	Bíblia,	toda	a	obra	criada	de	Deus	era</p><p>boa,	até	que	o	pecado	levou	o	ser	humano	a	rejeitá-lo.	Tudo	o	que	veio	depois</p><p>resulta	diretamente	da	escolha	humana.	O	sofrimento	é	coisa	humana.</p><p>A	liberdade	humana	faz	com	que	os	culpados	sofram.	Até	aí	não	teríamos</p><p>nenhum	problema.	O	problema	é	que	a	liberdade	humana	faz	inocentes</p><p>sofrerem.	Um	motorista	que	usa	irresponsavelmente	sua	liberdade	pode	inutilizar</p><p>corpos	e	matar	vidas,	a	sua	e/ou	a	de	outros.	Um	país	que	usa	criminosamente</p><p>suas	armas	derrama	sangue	de	inimigos	e	de	amigos,	de	militares	e	de	civis,</p><p>podendo	ainda	deixar	elementos	que	matarão	e	mutilarão	durante	gerações.	Um</p><p>casal	que	usa	irresponsavelmente	sua	liberdade	põe	no	mundo	crianças	que	não</p><p>pretendem	amar,	e	elas	poderão	sofrer	para	o	resto	da	vida.	Uma	barreira	que	cai</p><p>sobre	casas	não	soterra	apenas	casas;	soterra	esperanças.	Um	incêndio	que</p><p>devasta	florestas	não	consome	apenas	propriedades;	põe	fim	a	vidas.</p><p>Por	mais	pesarosos	que	sejam,	sabemos	que	os	chamados	desastres	naturais	são</p><p>precisamente	isto:	naturais,	provocado	pela	natureza.	Uma	barreira	cai	porque</p><p>algum	princípio	foi	rompido	pelo	homem,	que	desmatou	ou	aterrou	ou</p><p>desaterrou.	Mesmo	quando	não	conhecemos	as	causas	dos	desastres	naturais,</p><p>elas	são	naturais.	Se	as	pessoas	erram,	precisam	saber	que	há	um	preço	no	erro.</p><p>Por	mais	angustiante	que	sejam,	sabemos	que	as	doenças	são	rompimentos	de</p><p>princípios	naturais.	Nossa	dificuldade	é	que	ainda	conhecemos	pouco,	muito</p><p>pouco,	acerca	desses	princípios.	Quando	as	ciências	médicas	conseguem</p><p>entender	o	funcionamento	de	uma	doença,	produzem	imediatamente	uma	terapia</p><p>que	a	evita	ou	que	elimine	suas	conseqüências.</p><p>Tem	havido	muito	progresso,	mas	os	desafios	continuam	imensos.	A	tarefa</p><p>humana	é	considerar	as	causas	desconhecidas	para	torná-las	conhecidas.	Se	as</p><p>pessoas	falham,	precisam	assumir	as	consequências.</p><p>Por	mais	difícil	que	seja,	sabemos	que	a	fome	é	uma	questão	social.	A	terra</p><p>produz	alimento	suficiente	para	todos.	O	problema	é	que	alguns,	pelo	poder	do</p><p>dinheiro	ou	pela	força	das	armas,	tomam	para	si	mais	do	que	precisam,</p><p>empanturrando-se	e	negando	o	mínimo	aos	outros.	O	que	Deus	tinha	de	fazer,</p><p>fez,	dotando	a	terra	com	condições	de	produzir	gêneros	para	todos.	Se	milhões</p><p>ficam	sem	comida,	a	culpa	não	é	de	Deus.</p><p>Não	cabem	respostas	fáceis,	como	a	da	tradição	religiosa	judaica,	que	atribuía	o</p><p>sofrimento	a	maldições	oriundas	de	erros	cometidos	no	passado	por	familiares.</p><p>O	legalismo	vigente	dizia	que	aquele	homem	era	o	culpado,	mas,	como	era</p><p>congênita	a	deficiência,	os	discípulos	foram	por	outro	caminho;	um	caminho</p><p>fácil	que	Jesus	sempre	evita	e	nos	convida	a	evitar.</p><p>Deus	detém	o	sofrimento</p><p>A	pergunta	“Por	que	Deus	permite	o	sofrimento?”	volta,	então,	em	outro</p><p>formato:	Por	que	Deus	não	intervém,	especialmente	quando	as	vítimas	são</p><p>inocentes?</p><p>A	primeira	resposta	é	que	Deus	intervém.	A	história	da	Bíblia	é	a	ação	de	Deus</p><p>na	história.	A	vida	de	quem	confia	nele	testemunha	a	intervenção	divina,	pessoal</p><p>ou	comunitariamente.	Lembremos	que	não	é	fácil	perceber	tal	intervenção.	Só</p><p>tomamos	conhecimento	do	que	ocorreu,	e	não	do	que	não	aconteceu.	A</p><p>ocorrência	de	um	acidente	fica	na	história,	mas	o	acidente	evitado	não	deixa</p><p>registro.</p><p>Deus	não	é	a	causa	do	sofrimento	no	mundo,	mas	trabalha	para	redimir	o	mundo</p><p>do	sofrimento.	Ele	intervém	de	dois	modos.	O	primeiro	modo	é	detendo-o.	Jesus</p><p>confrontou	o	sofrimento.</p><p>Ao	fazer-se	homem,	Deus	não	apenas	chorou	por	causa	do	sofrimento	humano,</p><p>mas	curou	milhares	de	pessoas,	fazendo	cessar	a	dor	e	a	fome	de	muitos.	Ele</p><p>interveio	na	vida	do	cego,	restituindo-lhe	a	visão.	Ainda	hoje	Jesus	cura,	física	e</p><p>emocionalmente.	O	milagre,	no	entanto,	deve	ser	visto	como	tal:	um	milagre,</p><p>uma	ação	de	Deus,	não	uma	manipulação	por	parte	do	ser	humano.</p><p>Não	podemos	marcar	datas	e	condutas	para	a	ação	divina.	O	limitado	não</p><p>conforma	o	ilimitado.	O	perfeito	embraça	o	imperfeito,	e	não	o	contrário.	Deus</p><p>intervém,	mas	o	faz	de	modo	livre	e	responsável.	Diferentemente	de	nós,	ele	não</p><p>usa	a	liberdade	para	o	mal,	mas	só	para	o	bem.</p><p>Em	sua	soberania,	Deus	pode	deter	o	sofrimento	de	forma	miraculosa,	e	através</p><p>de	pessoas	que	o	tenham	como	Senhor	de	sua	vida.	Os	cristãos	são	chamados	a</p><p>deter	o	sofrimento	no	mundo,	seja	lutando	contra	as	injustiças	estruturais	ou</p><p>circunstanciais,	seja	minorando	as	dores	dos	atingidos.	O	Espírito	Santo	consola</p><p>diretamente	o	que	sofre,	mas	usa	pessoas	que	se	deixam	usar	para	abençoar</p><p>outras,	com	um	abraço,	uma	palavra,	um	encontro,	uma	acolhida,	uma	lágrima,</p><p>um	sorriso.</p><p>Deus	pede	que	amemos	uns	aos	outros,	mas	não	nos	força	a	isso.	Podemos</p><p>obedecer	ou	desobedecer.	“Jesus	nos	convida	a	ser	agentes	de	compaixão	e</p><p>justiça”,	porque	nos	empenhar	na	causa	da	compaixão	e	da	misericórdia,	“não	é</p><p>apenas	uma	opção	para	os	seguidores	de	Cristo.	É	uma	expressão	do	seu	amor</p><p>por	Deus”.	Uma	visão	adequada	do	sofrimento	do	outro	nos	ajuda	a	satisfazer</p><p>suas	necessidades	e,	quando	o	fazemos,	permitimos	que	Cristo	viva	através	de</p><p>nós	(2Co	1.3,4).	Mais	uma	vez,	a	liberdade	nos	condiciona	ao	bem	ou	ao	mal.</p><p>O	segundo	modo	da	intervenção	de	Deus	é	transformar	o	sofrimento.	A</p><p>promessa	de	Jesus	ao	cego	foi	extraordinária.	Ele	deteve	o	sofrimento	daquele</p><p>homem	restabelecendo-lhe	a	visão,	e	com	isso	transformou	a	sua	vida,	dando-lhe</p><p>um	sentido	que	ia	além	da	visão.	É	isso	que	Jesus	faz:	pedimos	pão	e	ele	nos	dá</p><p>o	pão,	ele	mesmo,	que	alimenta	para	a	vida	toda;	pedimos	água	e	ele	nos	liga	à</p><p>Fonte	de	Água	Viva,	que	é	ele	mesmo.</p><p>A	transformação	independe	da	cessação	do	sofrimento.	O	apóstolo	Paulo	disse</p><p>que	todas	as	coisas	convergem	para	o	bem	daqueles	que	amam	a	Deus	(Rm</p><p>8.28).	Quando	pediu	que	Deus	encerrasse	seu	sofrimento,	em	área	que</p><p>desconhecemos,	aprendeu	que	a	graça	de	Deus	é	a	verdadeira	transformação</p><p>(2Co	12.7).</p><p>PARA	TRANSFORMAR	O	MAL</p><p>Para	aceitar	Deus	como	aquele	que	intervém,	detendo	e	transformando	o</p><p>sofrimento,	é	preciso	reconhecer	três	ideias	essenciais:	Deus	existe;	Deus	existe</p><p>e	foi	sábio	ao	criar	o	ser	humano	livre,	e	Deus	existe	e	é	amoroso	a	ponto	de</p><p>morrer	por	aqueles	a	quem	amou.	Sem	fé	em	Deus,	o	sofrimento	é	mal	a	ser</p><p>suportado.	Com	fé	em	Deus,	o	sofrimento	pode	ser	transformado.</p><p>Creiamos	que	Deus	existe</p><p>Se	Deus	não	existe,	não	há	garantia	de	que	o	bem	triunfará	sobre	o	mal.	Nesse</p><p>caso,	o	problema	do	sofrimento	continua	sem	resposta.</p><p>Sabemos	que	o	mal	existe	porque,	ao	nos	criar,	Deus	nos	dotou	de	consciência.</p><p>Não	cometamos	o	erro	de	usar	nossa	indignação	moral,	por	mais	justa	que	seja,</p><p>como	argumento	contra	a	existência	de	Deus.	Lembremos	que,	se	ele	não</p><p>existisse,	não	haveria	autoridade	para	definir	o	que	é	absolutamente	certo	e</p><p>errado.	Sem	Deus,	o	indivíduo	ou	a	sociedade	é	elevado	à	categoria	de</p><p>autoridade.	Nesse</p><p>caso,	tanto	o	racismo	e	um	reino	de	terror	como	a	igualdade	e</p><p>a	liberdade	poderiam	ser	considerados	valores	justos.	Se	Deus	não	definir	justiça</p><p>e	moralidade,	a	sociedade	está	correta	em	si	mesma.	Então,	tudo	é	relativo.</p><p>Recordemos	que	“Jesus	Cristo	interrompe	o	cruel	ciclo	do	relativismo	e	aponta	o</p><p>amor	e	a	misericórdia	como	valores	criados	por	Deus	para	alegrar	homens	e</p><p>mulheres.	Cristo	nos	livra	da	superficialidade	de	uma	vida	imediatista	e	nos</p><p>desafia	a	uma	vida	compromissada	com	a	justiça	e	com	a	verdade.	São</p><p>profundos	em	nós	os	fragmentos	de	uma	consciência	que	deseja	abraçar	os</p><p>valores	de	Deus	criados	para	a	nossa	felicidade”.</p><p>Se	quero	uma	resposta	que	ultrapasse	o	nível	conceitual	para	alcançar	o</p><p>existencial,	preciso	ir	além	da	pergunta	“porque	Deus	permite	o	sofrimento”	e</p><p>perguntar:	“Aceito	a	solução	de	Deus	para	o	problema	do	sofrimento?	Aceito	a</p><p>Cristo?”	O	que	eu	preciso	é	“aceitar	a	solução	de	Deus	para	o	sofrimento</p><p>depositando	minha	confiança	em	Jesus	Cristo	para	a	vida	eterna	e	permitir	que</p><p>ele	me	lance	ao	mundo	para	ministrar	seu	amor,	seu	perdão	e	sua	cura”.</p><p>Em	1930,	um	escritor	norte-americano	deixou	numa	revista	de	circulação</p><p>nacional	um	testemunho	pungente	sobre	a	falta	de	fé:</p><p>Quero	apresentar-lhes	uma	das	pessoas	mais	solitárias	e	infelizes	do	mundo.</p><p>Estou	falando	a	respeito	do	homem	que	não	acredita	em	Deus.	Posso</p><p>apresentarlhes	um	homem	assim	porque	eu	sou	um	deles,	e,	me	apresentando,</p><p>vocês	estarão	sendo	apresentados	ao	agnóstico,	ao	cético	de	sua	vizinhança,</p><p>porque	ele	está	em	toda	a	parte.	Você	vai	se	surpreender	com	o	fato	de	que	o</p><p>agnóstico	inveja	a	sua	fé	em	Deus,	a	sua	crença	nos	céus	e	na	vida	futura,	e	sua</p><p>abençoada	certeza	de	encontrar-se	com	seus	amados	numa	vida	em	que	não</p><p>existirão	tristeza	e	dor.	Ele	daria	tudo	para	possuir	uma	fé	assim	e	ser	confortado</p><p>por	ela.	Para	ele	só	existe	a	sepultura.	A	única	coisa	que	vê	é	a	desintegração	do</p><p>protoplasma	e	de	sua	vida	psíquica.	Nessa	visão	materialista,	porém,	não</p><p>encontro	êxtase	nem	felicidade.	O	ateu	pode	enfrentar	a	vida	com	um	sorriso	ou</p><p>com	uma	atitude	heróica.	Ele	pode	apresentar	uma	fachada	de	coragem,	mas	não</p><p>é	feliz.	Pode	opor-se	espantada	ou	reverentemente	diante	da	vastidão	e	majestade</p><p>do	universo,	sem	saber	a	origem	de	si	mesmo	e	nem	por	que	veio	a	este	mundo.</p><p>Ele	fica	consternado	diante	do	espaço	estupendo	e	do	tempo	infinito,	sente-se</p><p>humilhado	por	sua	pequenez	infinita.	É	conhecedor	de	sua	fragilidade,	fraqueza</p><p>e	brevidade.	Certamente	algumas	vezes	ele	suspira	por	um	cajado	em	que	se</p><p>apoiar.	Ele	também	carrega	uma	cruz.	Para	ele	este	mundo	é	uma	jangada</p><p>manhosa	à	deriva	nas	insondáveis	águas	da	eternidade,	sem	horizonte	a	vista.</p><p>Seu	coração	dói	por	causa	da	vida	preciosa	embarcada	nessa	jangada	—</p><p>vagando,	vagando,	vagando,	ninguém	sabe	para	onde.</p><p>Reconheçamos	que,	apesar	da	existência	do	mal,	Deus	é</p><p>claramente	justo	na	lógica	humana	e	na	experiência	revelada</p><p>Primeiramente,	ele	fez	perfeito	o	ser	humano,	inclusive	para	escolher	não	seguir</p><p>suas	instruções.	Como	decorrência,	para	que	o	mal	não	estivesse	em	vigor,	Deus</p><p>teria	de	intervir	a	todo	momento,	para	impedir,	por	exemplo,	que	a	chuva</p><p>causasse	danos,	que	um	veículo	dirigido	por	um	motorista	imprudente	causasse</p><p>mortes.	Com	isso	se	Deus,	tiraria	do	ser	humano	sua	responsabilidade,	que	é	a</p><p>outra	face	da	liberdade.</p><p>Há	uma	boa	notícia:	como	Deus	não	pode	ser	senão	justo,	ele	providenciou	um</p><p>modo	para	justificar	todos	os	atos	humanos:	por	meio	de	Jesus	Cristo,	seu	Filho,</p><p>morto	na	cruz,	e	precisamente	porque	foi	morto	na	cruz,	ele	tomou	sobre	si	todos</p><p>os	nossos	erros.	Por	ter	pecado	contra	Deus,	o	ser	humano	não	poderia	perdoar	a</p><p>si	mesmo.	A	partir	da	cruz,	quem	poderia	condenar	já	não	o	faz,	desde	que	haja</p><p>um	pedido	de	perdão.</p><p>Creiamos	que,	apesar	do	sofrimento,	Deus	é	amoroso</p><p>Deus	não	é	indiferente	ao	sofrimento.	Ele	intervém;	enviou	seu	Filho	e,	depois,	o</p><p>seu	Espírito.</p><p>Deus	intervém	nos	assuntos	humanos.	Mostrou	seu	poder	em	diferentes</p><p>situações	na	história.	No	entanto,	há	um	limite	para	essa	intervenção:	o	livre-</p><p>arbítrio	humano.	Ele	permite	que	o	ser	humano	o	use,	para	o	bem	e	para	o	mal.</p><p>Creiamos	num	Deus	que	não	é	uma	concepção	filosófica	que	vaga	pelo	espaço.</p><p>Mas,	antes:</p><p>...	um	ser	pessoal	que	se	tornou	homem	em	Jesus	de	Nazaré.	Ele	morreu	numa</p><p>cruz	para	providenciar	a	solução	final	para	o	sofrimento	e	a	morte.	Sua	solução	é</p><p>o	perdão	e	a	vida	eterna.	Cristo	ressuscitou	dos	mortos.	Depois	de	um	período	de</p><p>40	dias,	ele	apareceu	a	mais	de	500	pessoas.	Ele	ascendeu	para	o	seu	Pai	nos</p><p>céus.	Ele	prometeu	que	voltará	para	destruir	todo	o	mal,	o	sofrimento	e	a	morte.</p><p>Ele	transformará	o	mundo	caótico	e	injusto	num	mundo	organizado	e	justo.	Ele</p><p>enxugará	de	seus	olhos	toda	lágrima.	Não	haverá	mais	morte,	nem	tristeza,	nem</p><p>choro,	nem	dor,	pois	a	antiga	ordem	já	passou	(Ap	21.4).	Se	não	há	um	Deus</p><p>onisciente	e	todo-poderoso,	Deus	que	permanece	até	o	fim	da	história	humana,	a</p><p>justiça	não	sairá	finalmente	vencedora.	Os	erros	jamais	serão	corrigidos.	O	mal,</p><p>o	sofrimento	e	a	morte	triunfarão.</p><p>Creiamos	que	Deus	pode	transformar	nosso	sofrimento	em	bem	e</p><p>bênção</p><p>José	foi	traído	pelos	irmãos,	que	o	sequestraram	e	o	venderam	como	escravo.</p><p>Tendo	sobrevivido,	foi	acusado	de	traição	só	porque	escolheu	ser	íntegro.	Preso,</p><p>foi	enganado	por	um	companheiro.	Quando	parecia	com	a	vida	acabada,	a	justiça</p><p>foi	feita	e	ele	se	tornou	grande.	Refletindo	sobre	suas	desgraças,	José	concluiu:</p><p>Agora,	pois,	não	vos	entristeçais,	nem	vos	irriteis	contra	vós	mesmos	por	me</p><p>haverdes	vendido	para	aqui;	porque,	para	conservação	da	vida,	Deus	me	enviou</p><p>adiante	de	vós.	[...]	Deus	me	enviou	adiante	de	vós,	para	conservar	vossa</p><p>sucessão	na	terra	e	para	vos	preservar	a	vida	por	um	grande	livramento.	Assim,</p><p>não	fostes	vós	que	me	enviastes	para	cá,	e	sim	Deus	(Gn	45.5-8).</p><p>O	sofrimento	existe,	mas,	creiamos,	um	dia	cessará	completamente.	Enquanto</p><p>isso,	Deus	se	envolve	na	história,	seja	para	erradicá-lo,	por	meio	do	milagre,	seja</p><p>para	minorá-lo,	ao	nos	dotar	de	força	e	sabedoria.	Ao	nos	consolar,	Deus	prova</p><p>que	está	mesmo	conosco.	Ao	nos	ensinar,	Deus	nos	faz	ver,	por	meio	do</p><p>sofrimento,	que	precisamos	uns	dos	outros.</p><p>Somos	chamados	por	Cristo	a	minorar	os	sofrimentos	das	pessoas.	“Dai-lhe	vós</p><p>de	comer”	(Mt	14.16)	foi	a	instrução	de	Jesus	aos	discípulos	diante	de	uma</p><p>multidão	faminta.	Grande	parte	do	evangelho	é	gasta	com	a	narrativa	de	curas</p><p>feitas	por	Jesus,	pondo	fim	ao	sofrimento	de	muitas	pessoas.	A	própria	cruz	é</p><p>Deus	participando	do	sofrimento	humano.</p><p>Escolhamos	não	ser	amargos</p><p>Optemos	por	não	permitir	que	o	sofrimento	destrua	nossa	vida.	Segundo	a	mídia,</p><p>Jacqueline	Onassis	considerou	seriamente	a	possibilidade	de	suicídio	após	a</p><p>perda	trágica	do	marido,	John	Kennedy.</p><p>Há	suicídios	emocionais.	Pessoas	que	parecem	viver,	mas	nelas	não	há	mais</p><p>sonhos	nem	visões.	Algumas	pessoas	escolhem	viver	e	morrer	com	corações</p><p>amargos,	porque,	em	certo	sentido,	decidimos	o	que	fazer	com	o	sofrimento.</p><p>Se	escolhemos	a	amargura,	então	jamais	pararemos	de	nos	ferir	a	nós	mesmos.</p><p>Ao	assim	proceder,	jogamos	pela	janela	a	própria	felicidade,	porque	não</p><p>podemos	ser	felizes	e	amargos	ao	mesmo	tempo.</p><p>Diante	de	um	desastre	natural,	uma	vítima	pode	dizer:	“Perdemos	tudo	e	ficamos</p><p>tristes,	mas	continuamos	juntos	como	família	e	agora	vamos	nos	unir	e</p><p>reconstruir”.	Enquanto	outro	pode	lamentar:	“Minha	vida	se	foi.	Não	posso</p><p>imaginar	como	vou	continuar	vivendo.	Não	vejo	como	me	recuperar	dessa</p><p>tragédia”.</p><p>Como	escreveu	Rick	Warren,	“não	há	na	vida	correlação	absoluta	entre</p><p>experiências	e	felicidade”.	Nenhuma	mesmo.	Tenho	visto	pessoas	passarem	por</p><p>experiências	terríveis	e	serem	capazes	de	manter	a	felicidade,	com	atitudes</p><p>positivas,	simplesmente	porque	esta	é	a	escolha	delas.	Somos	felizes	quando</p><p>escolhemos	ser	felizes.</p><p>Confiemos	em	Cristo</p><p>Ao	submeter	tudo	a	Cristo,	o	apóstolo	Paulo	escreveu	que	aprendera	o	segredo</p><p>de	ser	feliz	em	qualquer	circunstância	(v.	Fp	4.11,13).	Se	você	quer	ser	feliz</p><p>independentemente	das	circunstâncias,	faça	o	seguinte:</p><p>Apóie-se	em	Cristo	para	receber	força	e	consolo</p><p>(Sl	112.6,7).</p><p>Ouça	a	Cristo	para	receber	orientação	e	direção	(	Jr	29.11).</p><p>Busque	em	Cristo	a	salvação	(Sl	46.2).</p><p>O	teólogo	contemporâneo	Peter	Kreeft,	afirma	que	o	sofrimento	é	uma	evidência</p><p>contra	Deus,	e	a	razão	não	confia	nele.	Nós,	porém,	devemos	dizer:	Jesus	é	a</p><p>evidência	a	favor	de	Deus,	e	a	razão	deve	confiar	nele.</p><p>É	por	isto	que	pregamos	Cristo:	queremos	que	as	pessoas	usem	sua	liberdade</p><p>para	escolher	o	bem.</p><p>PERGUNTAS	DE	RECAPITULAÇÃO</p><p>Por	que	temos	tanta	dificuldade	em	conciliar	o	sofrimento	do	ser	humano	e	a</p><p>bondade	de	Deus?</p><p>Por	que	podemos	falar	num	Deus	que	intervém?</p><p>Como	podemos	transformar	o	mal?</p><p>De	que	modo	Jesus	Cristo	é	a	evidência	a	favor	de	Deus?</p><p>¹	Navio	negreiro,	1869.↩</p><p>5</p><p>Como	acreditar	em	milagres,	se	a	ciência	não	os</p><p>confirma?</p><p>Quem	pensa	que	pode	haver	um	conflito	real	entre	ciência	e	religião</p><p>deve	ser	muito	inexperiente	em	ciência	ou	muito	ignorante	em</p><p>religião.</p><p>Phillip	Henry</p><p>Se	há	um	espetáculo	de	crescimento	no	mundo	ocidental	moderno,	é	o</p><p>espetáculo	do	desenvolvimento	científico	e	tecnológico.	Graças	a	novas	teorias	e</p><p>novas	técnicas,	as	sombras	do	conhecimento	vão	desaparecendo.	Já	conhecemos</p><p>a	natureza	do	solo	de	Marte	e	já	é	possível	clonar	mamíferos,	inclusive	no	Brasil.</p><p>Uma	das	dimensões	perversas	desse	espetáculo	é	a	tentativa	de	expulsar	a</p><p>transcendência.	Para	muitos	crentes	na	ciência,	a	fé	primitiva	é	inaceitável	como</p><p>via	de	acesso	à	vida	contemporânea,	uma	vez	que	esta	última	é	tida	como	algo</p><p>cientificamente	explicável	e	em	constante	evolução	tecnológica.</p><p>Nesse	contexto,	a	oração	pela	cura	de	alguém	é	considerada	um	gesto	inútil.	Um</p><p>pensador	materialista	escreveu:	“a	humanidade	está	perdendo	um	tempo	imenso</p><p>com	um	procedimento	[a	oração	intercessória]	que	simplesmente	não	funciona”.</p><p>Segundo	essa	visão,	a	fé	é	um	sentimento	primitivo	do	ser	humano	que	tende	a</p><p>desaparecer	com	o	desenvolvimento	científico.</p><p>Também	nessa	área	os	cristãos	parecem	acuados,	embora	sem	razão.	A	partir	dos</p><p>meios	de	comunicação,	vem	ganhando	popularidade	a	ideia	de	uma	ciência</p><p>onipotente	e	onisciente,	que	pode	tudo	e	sabe	tudo.	Embora	haja	muitos</p><p>cientistas	crentes,	o	fascínio	do	conhecimento	ilimitado	tem	seduzido	a	muitos.</p><p>No	plano	do	lugar	comum,	toda	verdade,	para	ser	aceita	como	tal,	precisa	passar</p><p>pelo	crivo	da	ciência,	marcada	por	um	método	próprio	de	experimentação	e</p><p>observação.	Assim,	um	milagre	só	pode	ser	aceito	como	milagre	se	for</p><p>cientificamente	validado.</p><p>EM	BUSCA	DA	PROVA	DO	MILAGRE</p><p>Embora	o	crente	não	precise	de	nenhuma	evidência	física	do	poder	e	do	efeito	da</p><p>oração,	a	ciência	tem	trilhado	um	longo	caminho	para	demonstrar	que	a	oração	é</p><p>real	e	funciona.</p><p>Motivados	pelo	interesse	científico	e	desafiados	a	inter-relacionar	criativamente</p><p>sua	fé	com	a	pesquisa,	alguns	cientistas	da	área	da	saúde	têm	buscado	mostrar	a</p><p>relação	entre	a	oração	intercessória	e	a	saúde.	Graças	a	esses	estudiosos,	não	há</p><p>mais	dúvida	de	que	a	religião	saudável	faz	bem	à	saúde.	Sim,	religião	saudável,</p><p>porque	infelizmente	há	expressões	religiosas	enfermas	que,	em	nome	da	fé,</p><p>proíbem	que	os	pacientes	recebam	tratamento	adequado.</p><p>Há	centenas	de	estudos	confirmando	o	valor	da	fé	para	a	melhoria	das	condições</p><p>médicas	de	pessoas	enfermas.	“A	fé	produz	um	estado	de	tranquilidade	tal	que</p><p>ajuda	a	diminuir	o	nervosismo	e	a	ansiedade	diante	das	dificuldades	do	dia	a</p><p>dia”.</p><p>Independentemente	da	crença	num	Deus	pessoal,	grande	parte	dos	médicos</p><p>admite	que	a	oração	intercessória,	ao	conectar	o	indivíduo	com	uma</p><p>comunidade,	favorece	a	dele.	Isso,	porém,	não	significa	que	aceitem	a</p><p>possibilidade	de	uma	intervenção	miraculosa	em	seus	pacientes.</p><p>No	entanto,	há	pesquisadores	investigando	o	assunto,	buscando	algum	efeito</p><p>sobrenatural	da	oração.	Um	dos	primeiros	estudos	acerca	do	poder	da	oração	foi</p><p>conduzido	na	unidade	coronariana	do	Hospital	Geral	de	San	Francisco,	na</p><p>Califórnia,	entre	1982	e	1983,	envolvendo	393	pacientes.	Sem	que	tivessem</p><p>conhecimento,	essas	pessoas	foram	divididas	em	dois	grupos:	um	receberia</p><p>orações	de	intercessores	cristãos	e	outro,	não.	Os	resultados	indicaram	que	as</p><p>condições	de	saúde	dos	pacientes	que	receberam	orações	intercessórias</p><p>melhoraram	mais	que	as	dos	outros.	A	pesquisa	foi	recebida	com	entusiasmo	e</p><p>ceticismo,	de	acordo	com	a	fé	nutrida	pelos	observadores.</p><p>Embora	diferentes	pesquisas	tenham	chegado	a	diferentes	conclusões,	a	revista</p><p>que	publicou	o	artigo	concluiu	que	tem	fracassado	a	ciência	que	nega	os	efeitos</p><p>da	religião	sobre	a	saúde.	Escrevendo	aos	profissionais	da	saúde,	um	médico</p><p>recomenda:	“as	crenças	religiosas	podem	exercer	poderosa	influência	sobre	a</p><p>saúde	de	nossos	pacientes,	e	nós	precisamos	saber	disso”.</p><p>O	problema,	no	entanto,	não	é	exatamente	esse.	Uma	coisa	é	demonstrar	que	a</p><p>oração	faz	bem;	outra	é	provar	que	ela	pode	produzir	a	cura.	O	valor	terapêutico</p><p>da	oração	está	relacionado	com	o	sentimento	de	pertencimento	a	um	grupo	–</p><p>reforçado	com	a	oração	intercessória	(“estão	orando	por	mim”)	–	e	com	a</p><p>autoestima,	reforçado	com	a	oração	por	si	mesmo	(“Eu	sou	amado	por	Deus”).</p><p>A	dimensão	miraculosa	da	oração,	entretanto,	está	fora	do	campo	da	prova</p><p>científica,	porque	o	milagre	não	pode	ser	observado	e	não	se	repete.	Milagre	que</p><p>se	repete	não	é	milagre.	Milagre	é	uma	ação	extraordinária	de	Deus,</p><p>imprevisível,	que	não	pode	ser	submetido	à	experimentação.	Deus	não	cabe</p><p>dentro	do	figurino	da	razão.	Ele	intervém,	seja	curando,	seja	mudando	uma</p><p>situação.	Sabemos	pela	fé.	Nunca	aparecerá	em	estatísticas.	Se	o	milagre</p><p>aparecer	numa	estatística,	não	será	mais	milagre.</p><p>O	problema	é	a	subordinação	de	todas	experiências	humanas	ao	crivo	da	razão.</p><p>Na	verdade,	estamos	intoxicados	de	naturalismo.	De	acordo	com	os	modelos</p><p>naturalistas,	o	mundo	consiste	de	átomos	organizados	em	constelações	mais	ou</p><p>menos	complexas.	A	vida	é,	então,	vista	como	uma	enorme	complexidade,	por</p><p>isso	os	seres	humanos	não	precisam	ser	dotados	de	espírito.</p><p>O	universo	segue	leis	exatas	que,	embora	não	possam	ser	rompidas,	podem</p><p>oscilar	em	função	de	mecanismos	conhecidos	ou	desconhecidos	até	voltarem	a</p><p>suas	posições	naturais,	o	que	gera	exceções	ao	funcionamento	das	leis	naturais</p><p>normais.	Neste	caso,	os	resultados	positivos	da	oração	intercessória	são</p><p>coincidências.	A	ideia	da	existência	de	um	Deus	pessoal	que	intervém	no	mundo</p><p>é	rejeitada.</p><p>Há	um	segundo	modelo	igualmente	inaceitável	para	os	cristãos	porque	também</p><p>recusa	a	ideia	de	um	Deus	pessoal.	Para	o	ideário	embebido	no	que	se	tem</p><p>chamado	de	pensamento	da	Nova	Era,	um	movimento	complexo	que	aceita	uma</p><p>espécie	de	espiritualidade	imanente,	o	efeito	da	intercessão	vem	das	energias</p><p>positivas	liberadas	pelos	intercessores,	como	se	fosse	uma	espécie	de	telepatia,</p><p>sem	nenhuma	interferência	de	Deus,	que	é	confundido	com	a	força	vital	de	cada</p><p>indivíduo.</p><p>Preferimos	pensar	que	o	mundo	é	uma	realidade	complexa,	regida	por	um</p><p>conjunto	definido	de	leis	previamente	fixadas.	Se	há	exceções,	elas	se	devem	a</p><p>fatores	desconhecidos	que	raramente	ocorrem.	Umas	são	parte	do	sistema,	mas</p><p>outras,	não.	Resultam	da	ação	de	Deus,	de	criar	e	alterar	a	partir	do	nada.	É	Deus</p><p>—	aquele	que,	no	princípio,	criou	os	céus	e	a	terra	—	em	ação.	Em	outras</p><p>palavras,	o	universo	se	organiza	complexamente,	e	a	ideia	da	intervenção	divina</p><p>é	parte	desta	complexidade.</p><p>Nem	sempre	quem	crê	entende	a	dinâmica	complexa	da	ação	de	Deus.	Nem</p><p>sempre	quem	não	crê	—	e	por	isto	não	crê	—	entende	que	a	ação	de	Deus	faz</p><p>parte	da	complexidade	do	universo.</p><p>ENTENDENDO	A	RELAÇÃO	ENTRE	CIÊNCIA	E	FÉ</p><p>Precisamos,	portanto,	entender	adequadamente	a	relação	entre	ciência	e	fé.</p><p>Precisamos	entender	que	a	dimensão	científica	não	esgota	a</p><p>realidade	humana</p><p>Há	um	valor	imenso	na	pesquisa	científica.	Nossa	vida	é	impensável	sem	ela.</p><p>Embora	haja	bolsões	de	excelência,	como	no	caso	da	genômica,	o	Brasil	ainda</p><p>tem	muito	que	caminhar	nesse	campo.	É	grande	nossa	dependência	na	maioria</p><p>dos	campos	do	conhecimento.</p><p>Além	de	valorizar	a	pesquisa	científica,	devemos	nos	apropriar	de	seus</p><p>resultados.	A	ciência	nos	tem	empurrado	para	um	mundo	tecnologicamente</p><p>maravilhoso.	A	vida,	por	exemplo,	ficou	mais</p><p>longa.	Nos	Estados	Unidos	e	no</p><p>Japão,	a	expectativa	de	vida	já	se	aproxima	dos	85	anos	de	idade.	A	tecnologia</p><p>da	informação	nos	permite	acessar	dados	instantaneamente,	trazendo	mais</p><p>facilidade	ao	nosso	dia	a	dia.</p><p>Apesar	desses	avanços,	no	entanto,	precisamos	colocar	a	ciência	no	lugar</p><p>devido.	Não	podemos	entronizar	a	razão	como	soberana.	No	caso,	por	exemplo,</p><p>da	melhoria	dos	índices	de	expectativa	de	vida,	não	podemos	esquecer	que	tal</p><p>progresso	beneficia	apenas	10%	da	população	mundial.	Na	realidade,	segundo</p><p>um	estudo	da	Universidade	de	Cambridge,	“90%	dos	recursos	para	a	saúde</p><p>disponíveis	no	planeta	são	destinados	a	10%	de	sua	população”.	É	por	causa</p><p>deste	desequilíbrio,	conhecido	como	“desequilíbrio	10/90”,	que,	entre	outros</p><p>fatores,	a	expectativa	de	vida	não	chegue	aos	26	anos	de	idade	em	Serra	Leoa.</p><p>Colocamos	a	ciência	no	lugar	devido	quando	denunciamos	sua	subserviência	ao</p><p>capital	e	quando	recusamos	um	de	seus	princípios	essenciais:	o	que	pode	ser</p><p>feito	deve	ser	feito.</p><p>Como	homens	e	mulheres	de	fé,	também	precisamos	nos	colocar	no	lugar	devido</p><p>e	o	fazemos	ao	reconhecer	que	ciência	e	fé	formam	os	trilhos	do	trem	da	vida,</p><p>que	não	podem	se	separar	nem	se	aproximar;	não	se	podem	encontrar,	sob	pena</p><p>de	a	vida	descarrilar.</p><p>Precisamos	aceitar	a	soberania	de	Deus,	que	mostra	a	limitação	do	desejo</p><p>humano.	Quando	a	ciência	se	ergue	contra	o	conhecimento	de	Deus,	precisamos</p><p>nos	erguer	contra	ela	(2Co	10.5),	pois	se	trata	de	uma	ciência	falsa	(1Tm	6.20).</p><p>Colocamos	também	a	ciência	no	lugar	devido	quando	afirmamos	que	nossas</p><p>experiências	não	podem	reduzir-se	ao	estudo	científico.	Nossas	melhores</p><p>sensações	podem	ser	descritas	cientificamente,	mas	não	assim	entendidas.</p><p>Podemos	descobrir	como	o	coração	bate	na	experiência	da	saudade	ou	do</p><p>encontro	afetivo,	mas	esses	registros	não	explicam	o	que	sentimos.</p><p>A	experiência	de	entrar	na	presença	de	Deus	por	meio	da	oração	ou	do	louvor</p><p>pode	ser	medida,	mas	nunca	entendida.	O	prazer	dessa	realidade	verdadeira	está</p><p>além	de	estudos	bioquímicos.	O	conhecimento	da	ciência	é	limitado.	Um</p><p>exemplo	é	interpretar	os	milagres	como	coincidências,	o	que	é	corroborado	pelos</p><p>céticos.	De	nossa	parte,	precisamos	entender	que	a	coincidência	é	insuficiente</p><p>para	explicar	todos	os	fatos	da	vida.</p><p>A	Bíblia	não	diz	que	pessoas	podem	provocar	milagres,	mas	que	há	um	Deus</p><p>verdadeiro	que	pode	fazê-lo.	O	problema	essencial	não	é	se	os	milagres	são</p><p>possíveis,	mas	se	Deus	existe.	Se	Deus	existe,	os	milagres	são	possíveis.</p><p>Talvez	seja	melhor	pensar	que	“coincidência	é	quando	Deus	opera	um	milagre	e</p><p>decide	permanecer	anônimo”	(autor	desconhecido).</p><p>Precisamos	entender	que	a	ciência	é	necessária</p><p>Precisamos	da	razão	científica	porque	ela	remove	as	barreiras	do	erro.	Ao</p><p>corrigir	as	falhas	de	nossa	percepção	dos	fatos,	ela	também	remove	muitas</p><p>barreiras	no	caminho	que	conduz	a	Deus.	No	entanto,	ela	não	leva	ninguém	a</p><p>crer.	Crer	é	uma	escolha	de	coragem.</p><p>Precisamos	da	razão	científica	porque	ela	evita	a	fé	cega	ao	analisar	a	lógica	e	a</p><p>evidência,	a	decepção	e	a	superstição.	É	perigoso	não	ter	cuidado	com	aquilo	em</p><p>que	cremos.	Nem	todos	os	milagres	são	milagres.	Alguns	podem	ser</p><p>manipulações	instigadas	por	interesses	ilegítimos.	Devemos,	por	isso,	ser</p><p>comedidos	e	cautelosos	ao	classificar	um	acontecimento	como	milagre.	A	falta</p><p>de	cuidado	tem	contribuído	para	lançar	no	ridículo	a	crença	em	milagres.	Só	há</p><p>milagre	quando	todas	as	causas	naturais	falham	para	explicar	um	acontecimento.</p><p>Assim,	“crer	em	milagres	não	exige	ignorância	ou	superstição;	antes,	requer</p><p>conhecimento	e	crença	na	ciência.	Os	milagres	são	exceções	à	regra;	não</p><p>podemos	reconhecer	a	exceção,	sem	conhecer	a	regra.	Portanto,	milagre	e</p><p>ciência	não	são	incompatíveis;	na	verdade,	caminham	juntos”.</p><p>Precisamos	da	razão	científica	porque	ela	fundamenta	a	fé.	Toda	vez	que	um	fato</p><p>não	pode	ser	explicado	cientificamente,	somos	lançados	ao	domínio	da	fé,	à</p><p>admissão	da	existência	do	sobrenatural.	Diz	a	Bíblia	que	Deus	criou	todo	o</p><p>universo	físico,	“no	princípio”.	O	Deus	da	Bíblia	é	lógico,	tanto	que	criou	um</p><p>mundo	ordenado	e	organizado.	Esse	mundo	deve	ser	estudado.</p><p>Ao	criar	o	homem,	Deus	lhe	deu	a	tarefa	de	governá-lo	(Gn	1.28).	O	ser	humano</p><p>precisa	entender	a	natureza	e	modificá-la,	sem	que	isto	se	torne	uma	licença	para</p><p>exauri-la	e	destruí-la.	O	mundo	ainda	pertence	ao	Senhor,	que	nos	encarrega	de</p><p>administrá-lo	enquanto	aqui	estamos.	E	parece	que	não	estamos	nos	saindo</p><p>bem...</p><p>A	prática	da	ciência,	portanto,	é	uma	decorrência	da	criação,	que	demanda</p><p>pesquisa	com	liberdade	e	responsabilidade.	Podemos	dizer	que	"o	mundo</p><p>moderno	parece	feliz	em	desfrutar	os	benefícios	da	revolução	científica,	que</p><p>surgiu	a	palavra	das	raízes	bíblicas,	mas	está	jogando	fora	suas	raízes	ao	rejeitar</p><p>os	padrões	de	conduta	e	verdade".</p><p>Recordemos	que	a	Bíblia	e	a	vida	estão	cheias	de	relatos	de</p><p>milagres</p><p>Do	início	ao	fim,	a	Bíblia	é	o	livro	dos	milagres.	Muitos	deles,	como	a	criação	e</p><p>a	ressurreição,	são	fundamentais	para	a	fé	cristã.	Deus	não	detalha</p><p>exaustivamente	os	recursos	físicos	usados	para	realizá-los,	mas	indica	que	sua</p><p>intervenção	sobrenatural	direta	esteve	presente	em	muitos	desses	eventos.</p><p>A	Bíblia	registra	inúmeras	atuações	miraculosas	de	Deus	tanto	para	atender</p><p>necessidades	individuais	quanto	comunitárias.	A	história	do	povo	de	Israel	pode</p><p>ser	colocada	na	resposta	de	Deus	a	Abraão,	prestes	a	sacrificar	o	próprio	filho.</p><p>Deus	providenciou	miraculosamente	um	cordeiro	para	o	sacrifício.	A	história</p><p>deste	povo	é	testemunha	dos	atos	poderosos	do	Criador.	Ele	o	retira</p><p>miraculosamente	da	escravidão	no	Egito,	o	leva	através	de	desertos,	montanhas,</p><p>rios	e	mares	até	a	terra	que	lhe	fora	reservada.</p><p>Há	muitos	registros	que	acompanham	a	vida	de	outros	líderes	e	profetas	de</p><p>Deus,	como	Elias,	por	meio	de	quem	o	Criador	fez	chover	ou	mandou	fogo	para</p><p>queimar	um	altar.</p><p>Jesus	nasceu	miraculosamente.	Sua	ressurreição	e	ascensão	resultaram	da</p><p>intervenção	miraculosa	do	Pai.	Durante	sua	vida,	Jesus	operou	muitos	milagres.</p><p>Nem	por	isto	todos	creram	neles.	Alguns	dos	seus	adversários	atribuíam	as	curas</p><p>ao	poder	do	Diabo	(Mt	9.34;	12.24).</p><p>Jesus	sabia	que	os	milagres,	isoladamente,	não	levam	à	fé,	razão	por	que</p><p>esperava	que	houvesse	arrependimento	para	a	fé	salvadora	(Mt	12.38,39;	16.4;</p><p>Lc	11.29).	Ainda	hoje	há	pessoas	de	coração	tão	duro	que,	mesmo	que	alguém</p><p>ressuscite,	não	crerão	(Lc	16.31).</p><p>As	mensagens	dos	apóstolos,	como	Pedro	e	Paulo,	foram	confirmadas	por</p><p>milagres.	Ao	longo	da	história	do	cristianismo,	os	milagres	têm	autenticado	a</p><p>mensagem	de	Jesus	Cristo.	Ainda	hoje	é	assim.	O	final	da	história	humana	será</p><p>marcado	por	fatos	miraculosos,	como	a	volta	de	Cristo	e	a	ressurreição	de	todos</p><p>os	mortos,	eu,	graças	a	Deus,	entre	eles.</p><p>Diante	dos	milagres	na	Bíblia,	precisamos	tomar	uma	posição.	Alguns	os</p><p>aceitam	como	intervenções	de	Deus.	Esta	é	a	nossa	posição.	Se	os	milagres</p><p>bíblicos	não	aconteceram,	precisamos	deixar	a	Bíblia.	Deixando	a	Bíblia,	temos</p><p>de	deixar	a	fé	em	Deus.</p><p>Há	uma	posição	intermediária,	segundo	a	qual	os	milagres	da	Bíblia</p><p>aconteceram,	mas	só	nela.	Hoje	não	mais	ocorrem.	Foram	necessários	em</p><p>determinado	período,	mas	já	não	o	são,	uma	vez	que	podemos	nos	socorrer	da</p><p>ciência.	Esta	posição	tem	um	nome:	cessacionismo.	Deus	cessou	de	fazer</p><p>milagres.	Seu	papel	hoje	é	confortar	e	orientar,	nunca	intervir	para	mudar	as</p><p>coisas.</p><p>O	problema	com	esta	posição	é:	a	ressurreição	final	dos	mortos	será	um	milagre?</p><p>Deus,	então,	abriria	uma	exceção	à	sua	cessação?	De	modo	algum.	O	apóstolo</p><p>Paulo	conecta	a	nossa	ressurreição	futura	com	a	ressurreição	de	Jesus	no</p><p>passado.</p><p>Ora,	se	está	sendo	pregado	que	Cristo	ressuscitou	dentre	os	mortos,	como	alguns</p><p>de	vocês	estão	dizendo	que	não	existe	ressurreição	dos	mortos?	Se	não	há</p><p>ressurreição	dos	mortos,	nem	Cristo	ressuscitou;	e,	se	Cristo	não	ressuscitou,	é</p><p>inútil	a	nossa	pregação,	como	também	é	inútil	a	fé	que	vocês	têm.	Mais	que	isso,</p><p>seremos	considerados	falsas	testemunhas	de	Deus,	pois	contra	ele</p><p>testemunhamos	que	ressuscitou	a	Cristo	dentre	os	mortos.	Mas	se	de	fato	os</p><p>mortos	não	ressuscitam,	ele	também</p><p>não	ressuscitou	a	Cristo.	Pois,	se	os	mortos</p><p>não	ressuscitam,	nem	mesmo	Cristo	ressuscitou.	E,	se	Cristo	não	ressuscitou,</p><p>inútil	é	a	fé	que	vocês	têm,	e	ainda	estão	em	seus	pecados.	Neste	caso,	também</p><p>os	que	dormiram	em	Cristo	estão	perdidos.	Se	é	somente	para	esta	vida	que</p><p>temos	esperança	em	Cristo,	somos,	de	todos	os	homens,	os	mais	dignos	de</p><p>compaixão.	Mas	de	fato	Cristo	ressuscitou	dentre	os	mortos,	sendo	ele	as</p><p>primícias	dentre	aqueles	que	dormiram	(1Co	15.12-20;	NVI).</p><p>Saibamos	que	há	milagres	verdadeiros,	embora	não	entrem	na</p><p>categoria</p><p>Nosso	dia	a	dia	está	repleto	de	milagres.	Pense	na	sua	conversão	a	Jesus	Cristo</p><p>como	Salvador	e	Senhor.	Você	seguia	por	um	caminho	cujo	fim	não	conhecia.	O</p><p>Espírito	Santo	tocou	em	seu	coração	e	você	se	rendeu.	Desde	então,	sabe	para</p><p>onde	vai.	O	presente	não	lhe	tira	a	paz.	Você	tem	certeza	do	futuro.	Como</p><p>denominar	o	que	ocorreu	em	sua	vida	senão	milagre?</p><p>Sua	vida	é	feita	de	desafios,	nas	áreas	emocional	e	material.	Há	momentos	em</p><p>que	parece	que	sua	vida	é	mesmo	um	vale	sombrio.	Você	ora	ao	Senhor	pedindo</p><p>orientação	ou	solução	para	o	seu	problema.	Alguém	ora	por	você.	Algo</p><p>acontece,	de	uma	vez	ou	aos	poucos.	O	problema	pode	desaparecer	ou	não,	mas</p><p>você	não	se	sente	mais	no	vale	da	sombra.	Como	denominar	essa	experiência</p><p>senão	milagre?</p><p>Os	convites	da	vida	são	muitos	e	ruins,	mas	o	convite	de	Deus	é	claro	e	bom:</p><p>busquem	a	santificação.	Você	segue	o	caminho	da	santidade,	tem	prazer	nela,</p><p>quer	crescer	em	santidade.	Embora	se	sinta	tentado,	permanece	firme.	Como</p><p>denominar	essa	perseverança	senão	milagre?</p><p>Você	se	envolve	no	ministério	da	igreja.	De	repente	se	vê	fazendo	coisas	para	a</p><p>qual	não	tinha	a	menor	inclinação.	Nunca	trabalhou	com	crianças,	mas	agora	é</p><p>um	feliz	professor	delas;	nunca	se	sentiu	preparado	para	aconselhar	ninguém,</p><p>mas	agora	é	usado	por	Deus	para	encorajar	pessoas;	sempre	desejou	uma	carreira</p><p>profissional	ou	acadêmica,	mas	se	viu	chamado	por	Deus	para	outro	tipo	de</p><p>carreira:	o	serviço	ministerial,	para	atender	e	ajudar	pessoas,	contribuir	para	a</p><p>salvação	delas.	Que	nome	dar	a	essa	capacitação	e	mudança	senão	milagre?</p><p>Por	isto,	como	escreveu	Einstein,	há	duas	maneiras	de	viver	a	vida.	Uma	é	achar</p><p>que	nada	é	milagre.	Outra	é	pensar	que	tudo	é	milagre.</p><p>Continuemos	a	orar	por	milagres	em	nossa	vida	e	na	dos	outros</p><p>Deus	responde	a	nossas	orações.	O	seu	jeito	de	responder	constitui	outro</p><p>milagre.	Ele	nem	sempre	diz	que	respondeu.	Muitas	vezes,	o	Senhor	deixa	que</p><p>tudo	pareça	tão	natural	que	até	esquecemos	que	o	ocorrido	foi	a	resposta	do	que</p><p>pedimos.</p><p>Deus	responde	a	nossas	orações	quando	pedimos	ajuda	a	um	médico,	a	um</p><p>conselheiro,	a	um	pastor,	a	um	advogado,	a	um	fisioterapeuta.	Eu	sei	que	o</p><p>cordeiro	que	apareceu	diante	de	Abraão,	evitando	o	sacrifício	do	seu	filho,	foi</p><p>uma	providência	de	Deus.	Só	não	sei	se	foi	milagre.	Gosto	de	pensar	que	o</p><p>cordeiro	estava	ali	desde	o	princípio,	mas	Abraão	não	tinha	olhos	para	ver.	Às</p><p>vezes,	as	coisas	são	tão	simples,	miraculosamente	simples,	esperando	apenas	que</p><p>as	vejamos.	Quando	pedimos	ajuda,	o	cordeiro	que	ali	estava	então	nos	aparece.</p><p>Deus	responde	a	nossas	orações	quando	nos	colocamos	em	suas	mãos	como</p><p>resposta	dele	aos	outros	e	a	nós	mesmos.	O	melhor	da	vida	é	saber	que	Deus	nos</p><p>usa.	Abençoamos	os	outros	e,	ao	mesmo	tempo,	nos	abençoamos.	Nossa</p><p>profissão	não	é	apenas	uma	maneira	de	subsistir;	mas	uma	forma	de	existir.</p><p>Quando	nos	colocamos	nas	mãos	de	Deus,	não	importa	o	seu	ofício,	ele	será</p><p>fonte	de	milagres	diários	para	os	outros	e	para	nós	mesmos.</p><p>Deus	responde	a	nossas	orações	quando	confiamos	em	Jesus	do	modo	como	a</p><p>Bíblia	nos	ensina.	Infelizmente,	muitas	pessoas	confiam	em	Jesus	com	a	errônea</p><p>ideia	de	que	ele	concederá	a	paz,	entendida	como	o	recebimento	de	coisas</p><p>agradáveis	e	a	solução	instantânea	de	todos	os	problemas.	O	que	a	Palavra	de</p><p>Deus	diz	é	que	experimentaremos	a	paz	em	meio	aos	problemas,	não	que	eles</p><p>serão	todos	eliminados	de	nossa	vida.</p><p>Estejamos	prontos	para	dialogar	(2Pe	3.14-17)</p><p>Em	relação	à	ciência,	nossa	atitude	não	pode	ser	de	aceitação	tácita	de	seus</p><p>princípios	e	de	suas	técnicas.	Ao	mesmo	tempo,	não	precisamos,	nem	devemos,</p><p>recusar	tudo	o	que	vem	dela,	mesmo	porque	não	conseguiremos,	dado	o	grau	de</p><p>desenvolvimento	intelectual	e	tecnológico	em	que	nos	encontramos.</p><p>A	ciência	não	constitui	ameaça	à	fé.	É	um	desafio,	um	desafio	bemvindo.	Uma</p><p>fé	que	não	se	sustenta	no	embate	não	merece	esse	nome.	Deus	não	tem	medo	da</p><p>ciência	que	desvenda	o	mundo,	pois	foi	ele	quem	o	criou	e	supervisiona.</p><p>Quanto	à	nossa	fé,	precisamos	conhecê-la	mais,	para	o	que	temos	de	estudar</p><p>mais	Bíblia	e	a	teologia.	O	estudo	associado	à	piedade	vão	nos	dar	a	razão	da</p><p>esperança	que	devemos	ter.	Assim	fortalecidos,	não	teremos	medo	de	enfrentar	o</p><p>diálogo,	nem	de	buscá-lo.	Quando	santificamos	a	Cristo	no	coração	(2Pe	3.15a),</p><p>a	mente	é	capacitada	para	usar	todos	seus	recursos	a	fim	de	aceitar	o	que	deve</p><p>ser	aceito,	rejeitar	o	que	deve	ser	rejeitado,	respeitando	os	que	pensam</p><p>diferentemente	(2Pe	3.16).	Não	importa	se	não	nos	respeitam,	porque	sofrer	por</p><p>praticar	a	justiça	faz	parte	de	nossa	missão	(2Pe	3.14).</p><p>Nosso	diálogo	deve	ser	realizado	com	oração	e	inteligência.	Eu,	por	exemplo,</p><p>sonho	com	uma	rede	de	pesquisadores	brasileiros,	nas	mais	diversas	áreas	das</p><p>ciências,	da	filosofia	e	da	teologia,	que	se	encontrem	para	orar,	fortalecer-se</p><p>mutuamente	e	compartilhar	o	resultado	de	seus	trabalhos.	O	isolamento	fortalece</p><p>os	que	querem	manter	Cristo	cativo.</p><p>PASSOS	PARA	UMA	FÉ	BÍBLICA</p><p>Para	os	que	creem,	as	coisas	podem	ter	ficado	mais	claras.	E	quanto	aos	que</p><p>ainda	não	crêem?	Estes	precisam	saber	que	a	Bíblia	não	apoia	a	fé	cega	e</p><p>superficial.	O	que	é	crer,	então?</p><p>A	partir	de	Isaías	6.10b	(Que	eles	não	vejam	com	os	olhos,	não	ouçam	com	os</p><p>ouvidos,	e	não	entendam	com	o	coração,	para	que	não	se	convertam	e	sejam</p><p>curados),	podemos	trazer	à	mente	os	passos	de	uma	fé	bíblica.</p><p>Crer	é	ver	com	os	olhos</p><p>Precisamos	perceber	nossa	necessidade	de	saúde,	família,	dinheiro	e	amigos,	e	a</p><p>possibilidade	de	enfrentarmos	a	depressão,	o	fracasso,	a	vergonha,	a	culpa	e	o</p><p>vazio.	Não	podemos	controlar	as	circunstâncias,	as	pessoas	e,	pior,	nem	a	nós</p><p>mesmos.	Somos	capazes	de	fazer	coisas	que	nos	envergonham	e	de	agir	como</p><p>não	queremos.</p><p>Crer	é	ouvir	com	os	ouvidos</p><p>Temos	de	sentir	que	há	um	Deus	amoroso,	sábio	e	poderoso.	Ele	não	apenas	nos</p><p>dá	tudo	o	que	precisamos;	ele	é	tudo	o	que	necessitamos.	Podemos	compreender</p><p>isso	claramente	ao	ouvir	o	que	a	Bíblia	diz	acerca	de	Deus.</p><p>Crer	é	entender	com	o	coração</p><p>Precisamos	entender	que	há	uma	evidência	que	confirma	que	a	Bíblia	vem	de</p><p>Deus,	é	verdadeira	e	confiável.	Não	se	trata	apenas	do	registro	humano	de</p><p>acontecimentos,	ideias	e	esperanças,	mas	ela	é	a	Palavra	da	verdade	absoluta.	A</p><p>ciência	nos	fornece	verdades	relativas,	alteráveis	pelo	avanço	do	conhecimento.</p><p>A	Bíblia	nos	dá	a	verdade	absoluta.	Ela	contém	tudo	o	que	precisamos	para	a</p><p>salvação.</p><p>Crer	é	decidir	por	uma	vida	com	Deus</p><p>Precisamos	nos	arrepender	de	uma	vida	sem	Deus	e	nos	comprometer</p><p>plenamente	com	ele.	Estejamos	prontos	para	explicar	a	razão	da	esperança	que</p><p>há	em	nós.	Para	tanto,	oremos,	leiamos	a	Bíblia,	estudemos.	Sem	medo.</p><p>Aqueles	que	ainda	não	creem,	tenham	a	coragem	de	crer.	Façam	uma	decisão</p><p>radical	por	Cristo.	Sem	medo.</p><p>PERGUNTAS	DE	RECAPITULAÇÃO</p><p>Como	podemos	criticar	uma	ciência	que	se	pretende	onipotente?</p><p>Há	alguma	contradição	entre	crer	e	entender?</p><p>Podemos,	como	cristãos,	esperar	por	milagres,	pedindo-os	a	Deus?</p><p>Como	podemos	dialogar	com	os	que	não	creem?</p><p>6</p><p>E	se	a	homossexualidade	for	genética?</p><p>Há	duas	falácias	a	serem	evitadas:	o	determinismo,	a	ideia	de	que</p><p>todas	as	características	de	uma	pessoa	são	conduzidas	pelo	seu</p><p>genoma,	e	o	reducionismo,	a	ideia	de	que,	agora	que	a	sequência</p><p>humana	está	completamente	decifrada,	nossa	compreensão	das</p><p>funções	e	interações	fornecerá	uma	descrição	causal	completa	da</p><p>variedade	humana.</p><p>Craig	Venter</p><p>No	final	dos	anos	1970,	estive	rapidamente	nos	Estados	Unidos.	Nunca</p><p>esquecerei	um	diálogo	que	travei	com	um	imigrante	brasileiro.	Preocupado	com</p><p>o	que	via	no	país	que	adotara,	ele	queria	saber	se	no	Brasil	as	igrejas	evangélicas</p><p>apoiavam	os	relacionamentos	homossexuais.	Eu	o	tranquilizei...</p><p>No	final	dos	anos	1990,	um	jovem	não-evangélico	me	procurou	na	igreja	de	que</p><p>participo	com	um	objetivo	específico.	Ele	começou	por	citar	Levítico	18.22,	para</p><p>então	perguntar:	“E	se	ficar	provado	que	a	homossexualidade	é	genética?”.</p><p>Minha	resposta	descartou	qualquer	tipo	de	determinismo	sobre	o	comportamento</p><p>humano,	inclusive	o	genético.</p><p>De	fato,	desde	1993	têm	sido	feitas	pesquisas	para	verificar	uma	eventual</p><p>causação	genética	para	o	comportamento	homossexual,	adotado	por	4%	a	5%	da</p><p>população	masculina	e	2%	a	4%	feminina.	A	discussão	do	tema,	que	se	tornou</p><p>mais	intensa	com	a	mudança	do	estilo	político	dos	grupos	homossexuais	e	pró-</p><p>homossexuais,	não	pode,	no	entanto,	ser	reduzida	à	questão	genética.	O</p><p>casamento	entre	pessoas	do	mesmo	sexo	está	autorizado	em	vários	países.	Há</p><p>igrejas	especializadas	em	abrigar	praticantes	professos	da	homossexualidade,</p><p>algumas	até	ordenam	ministros.</p><p>Diante	dessa	realidade,	precisamos	de	uma	visão	que	respeite	as	diferenças	entre</p><p>as	pessoas,	considere	as	descobertas	científicas	e	leve	a	sério	a	revelação	bíblica,</p><p>sob	o	risco	de	nos	deixar	levar	pelo	hedonismo	homoerótico	ou	pelo	ativismo</p><p>homofóbico.</p><p>Vejo	cristãos	em	posições	bem	antagônicas:	uns	achando	que	a	prática	da</p><p>homossexualidade	deve	ser	aceita	em	nome	da	graça	de	Deus,	que	alcança	a</p><p>todos,	independentemente	de	suas	opções	morais,	enquanto	outros	pensam	que	o</p><p>homossexualismo	é	o	pior	dos	pecados.</p><p>Trata-se	de	um	assunto	altamente	complexo,	sobre	o	qual	é	preciso	falar	a	partir</p><p>do	amor	cristão,	não	do	legalismo	que	se	acha	cristão,	sem	o	ser.	Interessam	os</p><p>que	sofrem,	sejam	pessoas	que	lutam	contra	suas	tendências	ou	convivem	com</p><p>suas	culpas,	sejam	as	que	sofrem	com	os	parentes	diante	da	mesma	dificuldade.</p><p>Ainda	que	partamos	do	amor	cristão,	temos	de	divisar	também	os	que	recusam	(e</p><p>até	ridicularizam)	os	princípios	cristãos	e	propagandeiam	o	comportamento</p><p>homossexual	como	altamente	desejável.	Para	essas	pessoas,	a	genética	é</p><p>responsável	pela	homossexualidade	ou	a	influencia,	Deus	as	fez	do	modo	certo</p><p>ou	a	Bíblia	está	errada	ao	tratar	o	tema.	Logo,	a	desaprovação	ao	estilo	de	vida</p><p>homossexual	é	infundada.	Para	alguns	integrantes	do	movimento	homossexual,</p><p>não	há	nada	de	errado.	“Ridículos	são	os	cristãos;	são	eles	que	precisam	de</p><p>ajuda”.</p><p>A	QUESTÃO	GENÉTICA</p><p>Integrantes	da	comunidade	homossexual	ao	redor	do	mundo	se	comprazem	em</p><p>afirmar	que	seu	estilo	de	vida	não	é	apenas	uma	opção,	mas	consequência</p><p>genética,	razão	por	que	suas	práticas	devem	ser	aceitas	integralmente.	Na	mesma</p><p>direção,	mas	em	sentido	contrário,	há	aqueles	que	acham	que,	se	a</p><p>homossexualidade	é	genética,	ela	pode	ser	geneticamente	modificada.</p><p>Os	cientistas	caminham	em	duas	direções.	No	primeiro	grupo	estão	aqueles	que</p><p>acham	extremamente	improvável	que	haja	um	“gene	gay”	determinante	de	algo</p><p>tão	complexo	como	a	orientação	sexual,	embora	admitam	que	os	genes	podem</p><p>influenciar	a	diferenciação	sexual	do	cérebro	e	sua	interação	com	o	mundo</p><p>externo.	Os	estudos	parecem	indicar	não	haver	uma	causa	genética	para	a</p><p>homossexualidade,	mas	uma	influência	genética	para	os	desejos	homossexuais.</p><p>A	maioria	dos	estudiosos,	no	entanto,	espera	que	os	cientistas	sejam	cuidadosos</p><p>e	não	aceitem	automaticamente	todos	os	resultados	que	oferecem	um	vínculo</p><p>genético	com	a	homossexualidade.</p><p>O	desenvolvimento	científico	acabou	produzindo	dois	equívocos,	a	que	Craig</p><p>Venter,	pesquisador-líder	dos	esforços	privados	(por	meio	do	consórcio	Celebra)</p><p>na	decodificação	do	genoma	humano,	chamou	de	falácias:	o	determinismo	e	o</p><p>reducionismo.	Ele	não	aceita	a	tese	de	que	o	genoma	é	responsável	por	todas	as</p><p>características	de	uma	pessoa,	como	prega	o	determinismo	biológico.</p><p>Venter	alerta	também	contra	o	reducionismo,	segundo	o	qual,	agora	que	toda	a</p><p>sequência	humana	é	completamente	conhecida,	chegará	o	tempo	em	que	“nossa</p><p>compreensão	das	funções	e	das	interações	dos	genes	fornecerá	uma	descrição</p><p>causal	completa	da	diversidade	humana”.</p><p>Nosso	comportamento,	portanto,	não	é	determinado	pelos	genes,	mas	por	fatores</p><p>ambientais	que	desempenham	um	papel	importante	na	formação	dos</p><p>pensamentos	e	das	ações.	Dois	dados,	a	título	de	exemplo,	são	suficientes	para</p><p>demolir	as	duas	falácias:	só	300	genes	do	genoma	humano	estão	ausentes	no</p><p>rato;	todos	os	seres	humanos	compartilham	99,9%	do	mesmo	DNA.</p><p>Busquemos	um	exemplo.	Devido	a	fatores	genéticos	e	ambientais,	o	alcoolismo</p><p>tende	a	arruinar	famílias.	Alguns	estudos	indicam	que	40	a	60%	da</p><p>vulnerabilidade	ao	alcoolismo	deriva	da	genética.	O	fato	de	haver	base	genética</p><p>para	o	alcoolismo	não	significa	necessariamente	que	uma	pessoa	está</p><p>predestinada	a	ser	alcoólatra.	Fatores	não-genéticos	(ambientais)	desempenham</p><p>importante	papel	no	desenvolvimento	do	alcoolismo.</p><p>Como	aprendemos	com	a	engenharia	genética:</p><p>O	“comportamento”	de	um	gene	é	o	resultado	de	uma	interação	complexa	com	o</p><p>todo	do	organismo	e	é	influenciado	por	condições	externas.	A	estabilidade	de	um</p><p>gene	é	influenciado	pela	condição	do	organismo.	Os	genes	são	entidades	bem</p><p>delineadas	como	se	cria	anteriormente.	Eles	podem	mudar	seu	funcionamento</p><p>em	resposta	às	condições	do	organismo,	pelo	que	um	mesmo	gene	pode	alcançar</p><p>as	diferentes	proteínas	sob	condições	diferente.	Diante	disto,	não	se	pode	esperar</p><p>que	seja	possível	“costurar”	os	traços	dos	organismos	de	uma	forma	previsível</p><p>pela	inserção	de	genes	“desejáveis”	nele.</p><p>Até	agora,	a	ciência	buscou	em	vão	uma	causa	física	para	a	homossexualidade.</p><p>(...)	Evidências	científicas	parecem	sugerir	que,	embora	nossos	hormônios</p><p>sexuais	sejam	responsáveis	(pelo	menos	em	parte)	pelo	comportamento	sexual	e</p><p>por	experimentarmos	impulsos	sexuais,	eles	não	determinam	necessariamente	o</p><p>tipo	de	comportamento	sexual	que	adotamos	nem	o	sexo	do	parceiro	que</p><p>escolhemos.</p><p>[Afinal,]	a	liberdade	humana	reside	precisamente	na	capacidade	de	escolher	um</p><p>destino	diante	de	todos	os	fatores	ambientais,	inclusive	a	natureza,	a	educação,	o</p><p>DNA,	o	status	econômico,	a	raça	e	a	cor	dos	olhos	de	alguém.</p><p>Mais	do	que	isto,	a	Bíblia	ensina	que	o	homem	é	mais	que	um	corpo	físico	cuja</p><p>constituição	é	determinada	pelas	sequências	do	DNA.	Somos	espírito.	Há	uma</p><p>parte	eterna	de	nós	que	existe	em	combinação	com	nosso	corpo	físico.</p><p>Todos	temos	propensões	genéticas	ou	biológicas	para	todos	os	tipos	de	pecados.</p><p>A	homossexualidade	é	uma	delas.	Deus,	no	entanto,	nos	deu	a	capacidade	de</p><p>fazer	as	escolhas	para	nossa	vida.	Romanos	6	ensina	que	aquela	pessoa	que	se</p><p>compromete	a	seguir	a	Cristo	de	todo	o	coração,	Deus	dá	uma	força	extra	para</p><p>evitar	o	pecado.	Tudo	é	uma	questão	de	escolha.</p><p>[Deve	ficar	evidente	que]	a	biologia	não	é	o	fator	determinante	quando	se</p><p>precisa	decidir	acerca	do	certo	e	do	errado,	do	que	agrada	a	Deus	ou	não.	A</p><p>biologia	é	uma	gestão	do	estado	em	que	vivemos,	como	já	exposto	na	Palavra	de</p><p>Deus.	Ademais,	Deus	é	o	projetista	original	e	criador	do	corpo,	da	mente	e	do</p><p>espírito	do	ser	humano.	Ele	não	promete	parar	nossos	desejos	maus,	mas</p><p>promete	poder	para	que	os	vençamos,	mas	somente	se	nos	apropriarmos	deste</p><p>poder	de	modo	correto.</p><p>UMA	TEOLOGIA	BÍBLICA</p><p>A	Bíblia	relata	claramente	dois	episódios	de	prática	homossexual.	Antes	de</p><p>mencioná-los,	precisamos	considerar	um	texto	bastante	utilizado	pelos</p><p>defensores	do	movimento	homossexual	como	favorável	à	prática.	Tratase	da</p><p>amizade	entre	Davi	e	Jônatas.</p><p>Segundo	a	narrativa	bíblica,	acabando	Davi	de	falar	com	Saul,	a	alma	de	Jônatas</p><p>ligou-se	com	a	alma	de	Davi;	e	Jônatas	o	amou	como	à	sua	própria	alma	(1Sm</p><p>18.1).	Quando	o	amigo	morre,	Davi	lhe	dedica	um	cântico	que	termina	de</p><p>maneira	estranha	aos	olhos	contemporâneos.	O	poeta	diz	que	o	amor	do	seu</p><p>amigo	era	superior	ao	amor	das	mulheres	(2Sm	1.26).	Embora	alguns	cheguem	a</p><p>imaginar	um	relacionamento	de	natureza	homossexual,	tal	visão	resulta	do</p><p>desejo	de	encontrar	autorização	bíblica	para	escolhas	que	a	Palavra	de	Deus	não</p><p>permite.</p><p>Davi	mostra	que	há	uma	diferença	entre	o	amor	conjugal	(entre	pessoas	de	sexos</p><p>diferentes)</p><p>e	o	amor	fraternal	(entre	pessoas	do	mesmo	sexo	ou	de	outros	sexos).</p><p>A	amizade	entre	Jônatas	e	Davi	não	era	movida	por	nenhum	tipo	de	interesse,</p><p>exatamente	como	devem	ser	as	amizades.	Davi	fala	não	do	amor	eros	mas</p><p>daquilo	que	o	apóstolo	Paulo	chamaria	de	amor	ágape.	A	amizade	por	Jônatas	é</p><p>um	modelo	para	nós.	O	egoísmo	tem	matado	a	amizade.	Por	isso,	muitos	somos</p><p>tão	solitários.</p><p>Quanto	aos	episódios	claros	de	homossexualismo,	o	primeiro	se	refere	às</p><p>cidades-gêmeas	Sodoma	e	Gomorra.	A	leitura	de	Gênesis	19	mostra	que	havia</p><p>naquelas	comunidades	pessoas	que	tinham	atração	pelo	mesmo	sexo.	O	segundo</p><p>texto	está	em	Juízes	19,	que	mostra	a	que	ponto	descera	o	nível	moral	do	povo</p><p>de	Israel.	Nada	há	que	possa	autorizar	esse	tipo	de	comportamento.</p><p>O	nome	dado	aos	protagonistas	da	ação,	nesse	caso,	é	bastante	sugestivo	de</p><p>como	a	Bíblia	encara	o	homossexualismo:	filhos	de	Belial	(um	nome	antigo	para</p><p>Satanás),	que,	impedidos	de	exercerem	seus	desejos,	são	“obrigados”	a	abusar	de</p><p>uma	moça,	até	matá-la.	É	deste	modo,	e	não	de	outro,	que	a	Bíblia	trata	tal</p><p>comportamento.</p><p>Esses	textos	não	são	prescritivos,	mas	narrativos.	Os	dois	textos	prescritivos</p><p>estão	em	Levítico	e	deixam	a	mesma	instrução:	“Não	se	deite	com	um	homem</p><p>como	quem	se	deita	com	uma	mulher;	é	repugnante”	(Lv	18.22).	Se	um	homem</p><p>se	deitar	com	outro	homem,	como	quem	se	deita	com	uma	mulher,	ambos</p><p>praticaram	um	ato	repugnante.	Terão	de	ser	executados,	pois	merecem	a	morte</p><p>(Lv	20.13).	A	leitura	integral	dos	capítulos	mostra	outras	advertências	contra</p><p>atividades	sexuais	abominadas.</p><p>O	Novo	Testamento	não	relata	nenhum	episódio,	mas	oferece	clara	orientação</p><p>sobre	o	tema.	Há	quatro	textos	reveladores.	O	primeiro	é	de	natureza	geral	e	os</p><p>demais	são	bem	específicos.</p><p>Citando	Gênesis	(v.	1.27	e	2.24),	Jesus	se	refere	à	natureza	do	casamento	como</p><p>uma	união	entre	um	homem	e	uma	mulher:	“Vocês	não	leram	que,	no	princípio,</p><p>o	Criador	‘os	fez	homem	e	mulher’	e	disse:	‘Por	essa	razão,	o	homem	deixará	pai</p><p>e	mãe	e	se	unirá	à	sua	mulher,	e	os	dois	se	tornarão	uma	só	carne’”	(Mt	19.5,</p><p>cf.	Mc	10.7).</p><p>Os	demais	textos	são	do	apóstolo	Paulo.	Comecemos	pelo	último	de	acordo	com</p><p>a	ordem	de	aparecimento	e	de	datação.	Escrevendo	a	Timóteo,	o	mestre	dos</p><p>gentios	situa	o	homossexualismo	no	capítulo	das	transgressões	contra	os</p><p>princípios	divinos:</p><p>Sabemos	que	a	Lei	é	boa,	se	alguém	a	usa	de	maneira	adequada.	Também</p><p>sabemos	que	ela	não	é	feita	para	os	justos,	mas	para	os	transgressores	e</p><p>insubordinados,	para	os	ímpios	e	pecadores,	para	os	profanos	e	irreverentes,	para</p><p>os	que	matam	pai	e	mãe,	para	os	homicidas,	para	os	que	praticam	imoralidade</p><p>sexual	e	os	homossexuais,	para	os	sequestradores,	para	os	mentirosos	e	os	que</p><p>juram	falsamente;	e	para	todo	aquele	que	se	opõe	à	sã	doutrina.	Esta	sã	doutrina</p><p>se	vê	no	glorioso	evangelho	que	me	foi	confiado,	o	evangelho	do	Deus	bendito</p><p>(1Tm	1.8-11).</p><p>Não	há	dúvida	de	que	o	autor	bíblico	situa	a	prática	homossexual	no	quadro	do</p><p>comportamento	não	desejado	por	Deus.	Escrevendo	aos	Romanos	–entre	os</p><p>quais,	pelo	menos	na	elite,	a	homossexualidade	ou	a	bissexualidade	tornara-se</p><p>padrão	nos	palácios	imperiais	—,	Paulo	lamenta	que	alguns	homens	e	mulheres,</p><p>dizendo-se	sábios,	tornaram-se	loucos	e	trocaram	a	glória	do	Deus	imortal	por</p><p>imagens	feitas	segundo	a	semelhança	do	homem	mortal,	bem	como	de	pássaros,</p><p>quadrúpedes	e	répteis.</p><p>Como	consequência	de	tais	atos,	Deus	os	entregara	à	impureza	sexual,	segundo</p><p>os	desejos	pecaminosos	do	seu	coração,	para	a	degradação	mútua	do	corpo.</p><p>Trocaram	a	verdade	de	Deus	pela	mentira,	e	adoraram	e	serviram	a	coisas	e	seres</p><p>criados,	em	lugar	do	Criador,	que	é	bendito	para	sempre.	(...)	Por	causa	disso</p><p>Deus	os	entregou	a	paixões	vergonhosas.	Até	suas	mulheres	trocaram	suas</p><p>relações	sexuais	naturais	por	outras,	contrárias	à	natureza.	Da	mesma	forma,	os</p><p>homens	também	abandonaram	as	relações	naturais	com	as	mulheres	e	se</p><p>inflamaram	de	paixão	uns	pelos	outros.	Começaram	a	cometer	atos	indecentes,</p><p>homens	com	homens,	e	receberam	em	si	mesmos	o	castigo	merecido	pela	sua</p><p>perversão	(v.	Rm	1.23-27).</p><p>Os	homossexuais	leem	o	texto	de	outro	modo.	Para	eles,	o	apóstolo	não	trata	da</p><p>ética	social,	mas	da	ira	de	Deus,	não	podendo	o	texto	ser	usado	para	outro	fim.</p><p>Argumentam	ainda	que	Paulo	condena	apenas	a	pedofilia,	por	representar	a</p><p>humilhação	de	uma	pessoa	por	outra.	Havendo	consenso	no	ato	sexual,	não	há</p><p>condenação.	Paulo	também	só	condena	a	prática	homossexual	por	parte	dos</p><p>heterossexuais.	Ele	não	contraria	a	orientação	sexual	de	uma	pessoa.</p><p>Diferentemente	dessa	interpretação,	no	entanto,	a	leitura	simples	ou	exegética	do</p><p>texto	deixa	claro	que	o	apóstolo	usa	a	expressão	“natural”	(“contrária	à</p><p>natureza”)	para	mostrar	que	a	heterossexualidade	é	natural	e	que	a</p><p>homossexualidade	é	contrária	à	natureza.	Obviamente	também	é	anacronismo</p><p>imaginar	Paulo	fazendo	distinção	entre	prática	e	orientação	sexual,	visão</p><p>bastante	recente	na	história	da	sexualidade.	Fique	claro	que,	se	a	conduta	sexual</p><p>provoca	a	ira	de	Deus,	ela	é	imoral,	logo	inaceitável.</p><p>Por	isso,	ele	se	alegra	com	aqueles	que,	um	dia	tendo	trilhado	este	caminho,</p><p>agora	estavam	vivendo	segunda	a	sã	doutrina	ou	ética	de	princípios	divinos.</p><p>Vocês	não	sabem	que	os	perversos	não	herdarão	o	Reino	de	Deus?	Não	se</p><p>deixem	enganar:	nem	imorais,	nem	idólatras,	nem	adúlteros,	nem	homossexuais</p><p>passivos	[efeminados	–	em	outras	versões]	ou	ativos	[sodomitas],	nem	ladrões,</p><p>nem	avarentos,	nem	alcoólatras,	nem	caluniadores,	nem	trapaceiros	herdarão	o</p><p>Reino	de	Deus.	Assim	foram	alguns	de	vocês.	Mas	vocês	foram	lavados,	foram</p><p>santificados,	foram	justificados	no	nome	do	Senhor	Jesus	Cristo	e	no	Espírito	de</p><p>nosso	Deus	(1Co	6.9-11	NVI).</p><p>A	discussão	atual,	se	o	homossexual	pode	se	tornar	heterossexual,	não	tinha</p><p>sentido	para	Paulo,	diante	do	poder	do	Evangelho;	poder	que	continua	vivo.	O</p><p>apóstolo	é	firme.	Ficarão	fora	do	Reino	de	Deus	os	que	escolherem	pecar	contra</p><p>o	próprio	corpo	e	os	corpos	dos	outros,	vivendo	como	adúlteros	ou</p><p>homossexuais.	Adúltero	é	todo	o	que	quer	que	a	satisfação	de	seus	desejos</p><p>jamais	acabe;	por	isso	se	presta	a	qualquer	tipo	de	papel	em	busca	da</p><p>continuidade	desta	satisfação.	Adúltero	é	aquele	que,	no	plano	do	desejo	e	da</p><p>prática,	busca	sexualmente	quem	não	é	seu	cônjuge;	como	deseja,	fará	tudo,</p><p>como	Davi	em	relação	a	Bate-Seba,	para	consumar	o	desejo.	Adúltero	é	todo</p><p>aquele	que	se	viciou	em	sexo,	seja	de	modo	virtual	ou	real,	independentemente</p><p>de	idade	ou	estado	civil.	Adúltero	é	quem	não	controla	seus	desejos	e	vive</p><p>guiado	por	eles.</p><p>Se	adúltero	é	um	termo	genérico	para	os	pecados	sexuais,	efeminados</p><p>(homossexuais	passivos)	e	sodomitas	(homossexuais	ativos)	são	termos</p><p>específicos.	A	questão	não	é	recente,	embora	eles	reivindiquem	cada	vez	mais	a</p><p>legitimidade	da	experiência	e	da	convivência	homossexual.	Dos	15	primeiros</p><p>imperadores	romanos,	apenas	um	não	era	homossexual.	Paulo,	portanto,	falava</p><p>de	um	problema	real,	oferecendo,	assim,	um	ensinamento	ainda	atual.</p><p>Desse	texto,	deriva-se	outra	valiosa	informação:	"Deus	pode	transformar	a	vida</p><p>de	uma	pessoa	envolvida	nesse	comportamento.	[...]	Paulo	conhecia	antigos</p><p>homossexuais	na	igreja	de	Corinto!	Portanto,	a	mensagem	de	que	o</p><p>homossexualismo	pode	ser	mudado	não	é	nova;	os	homossexuais	têm</p><p>experimentado	transformações	desde	que	a	Bíblia	foi	escrita."</p><p>Diante	desse	quadro	e	do	ensino	bíblico,	podemos	extrair	dois	conselhos:</p><p>O	primeiro	é	que	devemos	respeitar	os	homossexuais.	Devemos	dar-lhes	boas-</p><p>vindas	em	nossas	igrejas,	sem	discriminá-los.	O	respeito,	porém,	deve	ser	mútuo,</p><p>cabendo	a	eles	respeitar	também	a	comunidade	onde	estão	e	buscam	outros</p><p>valores.</p><p>O	segundo	é	que,	supondo	haver	no	homossexual	alguma	compulsão</p><p>incontrolável,	o	único	caminho	para	quem	deseja	integrar	o	Reino	de	Deus	é	a</p><p>abstinência.	O	convite	a	todos	é	para	a	plenitude	de	vida,	desfrutando	sua</p><p>sexualidade	segundo	os	padrões	de	Deus.	Esse	convite	deve	ser	feito,	seja	qual</p><p>for	a	sua	experiência	de	vida.	Ninguém	pode	ser	escravo	do	passado,	seja	o</p><p>abuso	sexual	de	que	foi	vítima,	seja	a	educação	equivocada	que	recebeu.	Se	você</p><p>é	pai	ou	mãe,</p><p>veja	como	está	educando	seu	filho,	se	nunca	ou	só	lhe	impõe</p><p>limites.	Reavalie	sua	presença,	como	pai	ou	como	mãe.	Se	você	observa</p><p>tendências	homossexuais	em	seu	filho,	converse	com	ele,	procure	ajudá-lo.	Se	o</p><p>caminho	que	seu	filho	escolher	estiver	fora	da	vontade	de	Deus,	ame-o	assim</p><p>mesmo.	Há	lugar	no	Reino	de	Deus	para	adúlteros	e	homossexuais	que	tenham</p><p>se	comprometido	a	mudar	de	vida.</p><p>Apesar	de	ser	o	que	somos,	não	estamos	condenados	a	manter	nossa	atual</p><p>situação,	pois	Deus	nos	transforma	em	outros	seres.	Não	é	magia,	mas	uma</p><p>operação	da	Trindade,	que	nos	sela	para	um	novo	tipo	de	vida.</p><p>A	transformação	é	o	resultado	da	ação	da	Trindade	sobre	nós.	Com	o	sangue,	o</p><p>Filho	nos	lava	de	todos	os	pecados.	Depois	de	lavados,	somos	declarados	pelo</p><p>Espírito	Santo	separados	(isto	é:	santificados)	para	Deus.	Lavados	e	santificados,</p><p>o	Pai	nos	coloca	seu	selo.</p><p>NOSSAS	ATITUDES</p><p>Diante	do	conhecimento	que	dispomos,	na	ciência	e	na	Bíblia,	e	diante	do	vigor</p><p>da	propaganda	homossexual,	que	fazer?</p><p>Fiquemos	todos	com	a	Bíblia</p><p>Não	deixemos	que	a	propaganda	pró-homossexual	faça	a	nossa	agenda.	Nosso</p><p>modo	de	pensar	deve	ser	bíblico.	A	Palavra	de	Deus	contém	princípios	eternos,</p><p>que	não	aprovam	a	prática	homossexual.	Mesmo	que	pareçamos	ridículos,</p><p>permaneçamos	com	a	revelação	divina.	A	razão	não	está	contra	ela.</p><p>Amemos	os	homossexuais</p><p>Deus	ama	muito	todos	os	seres	humanos,	incluindo	os	homossexuais.	Há	quem</p><p>diga	que	a	Bíblia	os	condena,	mas	não	é	verdade.	O	que	ela	afirma	é	o	amor	de</p><p>Deus,	como	lemos	em	Romanos	5.10:	“Se	quando	éramos	inimigos	de	Deus</p><p>fomos	reconciliados	com	ele	mediante	a	morte	de	seu	Filho,	quanto	mais	agora,</p><p>tendo	sido	reconciliados,	seremos	salvos	por	sua	vida!”.</p><p>Se	você	ouve	um	cristão	dizer	que	os	homossexuais	devem	ser	odiados,	temidos</p><p>ou	detestados,	você	está	diante	de	um	cristão	que	ainda	não	compreende	o	amor</p><p>e	o	perdão	que	Deus	lhes	têm	dado,	os	quais	deveriam	estar	refletidos	nos	seus</p><p>comportamentos.	Deus	condena	esta	atitude,	mas	continua	amando	a	pessoa,	tal</p><p>como	condena	todos	os	pecados,	não	apenas	o	da	homossexualidade.	Ele	nos</p><p>amou	a	ponto	de	levar	nossos	pecados	sobre	seus	ombros	e	fazer	o	que	não</p><p>poderíamos	fazer:	pagar	a	pena	e	ter	a	vida	eterna.</p><p>Estudemos	a	questão,	que	é	muito	complexa</p><p>No	plano	científico,	ainda	temos	muitas	perguntas	sem	respostas.	Não	há</p><p>contradição	entre	ciência	e	Bíblia.	Quanto	mais	pesquisamos,	mais	as	duas	se</p><p>aproximam.</p><p>Atitudes	específicas</p><p>Para	os	que,	porventura,	tenham	alguma	inclinação	pelo	mesmo	sexo,	a	Bíblia</p><p>nos	autoriza	as	seguintes	sugestões:</p><p>Fique	com	a	Bíblia.	Por	ser	a	Palavra	de	Deus,	você	vai	encontrar	conforto</p><p>para	todas	as	horas	e	todas	as	situações.</p><p>Ore	ao	Senhor.	Deus	o	ama,	não	importa	como	você	seja.</p><p>Busque	a	transformação.	Mire-se	nos	exemplos	de	Corinto	mencionados	pelo</p><p>apóstolo	Paulo.	Não	se	deixe	seduzir	pelos	discursos	de	que	você	não	precisa</p><p>mudar.	Nem	aceite	a	ideia	de	que	não	é	possível	a	mudança.</p><p>Atitudes	indiretas</p><p>Se	alguém	sofre	com	algum	parente	que	tem	inclinação	pelo	mesmo	sexo	ou	já</p><p>se	comporta	como	homossexual,	a	mesma	Bíblia	nos	ensina	o	que	fazer:</p><p>Fique	com	a	Bíblia.	Ela	deve	ser	o	seu	guia.</p><p>Ore	ao	Senhor.	Interceda	diariamente	por	seu	familiar,	para	que	Deus	lhe</p><p>preserve	a	saúde	e	os	relacionamentos.</p><p>Não	o	afaste.	Não	afaste	essa	pessoa	querida	do	seu	convívio.	Com	ele	por</p><p>perto,	sempre	haverá	uma	oportunidade	de	apoiar	e	aconselhar.</p><p>PERGUNTAS	DE	RECAPITULAÇÃO</p><p>Qual	o	risco	do	determinismo	biológico?</p><p>Como	podemos	dizer	que	a	Bíblia	não	está	ultrapassada	em	suas	orientações</p><p>acerca	da	homossexualidade?</p><p>Como	afirmar	a	verdade	bíblica	e,	ao	mesmo	tempo,	amar	os	homossexuais?</p><p>Qual	o	papel	da	igreja	na	questão	da	homossexualidade?</p><p>7</p><p>Por	uma	mente	bíblica</p><p>Fiz	uma	aliança	com	Deus:	que	ele	não	me	mande	visões,	nem</p><p>sonhos,	nem	mesmo	anjos.	Estou	satisfeito	com	o	dom	das</p><p>Escrituras	Sagradas,	que	me	dão	instrução	abundante	e	tudo	o	que</p><p>preciso	conhecer,	tanto	para	esta	vida	quanto	para	o	que	há	de	vir.</p><p>Martinho	Lutero</p><p>Existem	valores	absolutos	e	eles	são	definidos	pela	Bíblia.	Vejamos	alguns:</p><p>1.	Deus	é	o	Criador	Todo-poderoso	e	onisciente	do	universo	e	ainda	governa</p><p>sobre	o	mundo.</p><p>2.	O	mal	é	real,	mas	cessará,	porque	Satanás,	que	teve	decretada	a	derrota,	no</p><p>final	dos	tempos	será	humilhado,	razão	por	que	o	cristão	se	move	pela	esperança</p><p>("Nós,	porém,	segundo	a	sua	promessa	[de	Jesus],	aguardamos	novos	céus	e	uma</p><p>nova	terra,	nos	quais	habita	a	justiça;	2Pe	3.13).</p><p>3.	Cristo	viveu	uma	vida	sem	pecado,	o	que	lhe	dá	poder	para	salvar	e	nos</p><p>conduzir	a	uma	vida	fora	do	domínio	do	pecado.	Afinal,	“não	temos	um	sumo</p><p>sacerdote	que	não	possa	compadecer-se	das	nossas	fraquezas;	porém	um	que,</p><p>como	nós,	em	tudo	foi	tentado,	mas	sem	pecado.	Cheguemonos,	pois,</p><p>confiadamente	ao	trono	da	graça,	para	que	recebamos	misericórdia	e	achemos</p><p>graça,	a	fim	de	sermos	socorridos	no	momento	oportuno”	(Hb	4.15,16).</p><p>4.	A	salvação	é	um	dom	de	Deus	e	não	pode	ser	obtida	pelo	mérito,	como	está</p><p>escrito:	Pela	graça	sois	salvos,	por	meio	da	fé,	e	isto,	[porém]	não	vem	de	vós,</p><p>[porque]	é	dom	de	Deus	(Ef	2.8).</p><p>5.	O	cristão	tem	a	responsabilidade	de	compartilhar	sua	fé	em	Cristo	com	outras</p><p>pessoas.</p><p>6.	A	Bíblia	é	precisa	em	todos	os	seus	ensinos,	em	todos	os	campos,	da	teologia</p><p>à	moral,	já	que	é	divinamente	inspirada	e	proveitosa	para	ensinar,	para</p><p>repreender,	para	corrigir,	para	instruir	em	justiça;	para	que	o	homem	de	Deus</p><p>seja	perfeito,	e	perfeitamente	preparado	para	toda	boa	obra	(2Tm	3.16,17).</p><p>Existe	mente	guiada	pela	Palavra	de	Deus?	Harry	Blamires,	autor	inglês,</p><p>respondeu	negativamente.	Para	ele,	os	cristãos	sucumbem	diante	do	secularismo,</p><p>ao	invés	de	aplicarem	sua	fé	a	todas	as	áreas	da	vida.	Adotamos	os	valores	do</p><p>mundo,	buscamos	a	aprovação	do	mundo	e	perseguimos	os	símbolos	mundanos</p><p>de	status,	o	que	leva	a	igreja	a	perder	sua	essência	e	seu	poder.</p><p>Há	uma	ética	cristã,	uma	prática	cristã	e	uma	espiritualidade	cristã.	Como	um	ser</p><p>moral,	o	cristão	moderno	subscreve	um	código	diferente	do	código	não-cristão.</p><p>Como	membro	de	uma	igreja,	o	cristão	assume	compromissos	ignorados	pelos</p><p>não-cristãos.	Como	um	ser	espiritual,	o	cristão	esforça-se,	em	oração	e</p><p>meditação,	para	cultivar	uma	dimensão	de	vida	inexplorada	pelos	não-cristãos.</p><p>No	entanto,	como	um	ser	pensante,	o	cristão	moderno	tem	sucumbido	ao</p><p>secularismo.	Ele	aceita	a	religião	—	sua	moralidade,	seu	culto,	sua	cultura</p><p>espiritual	—	mas	rejeita	a	perspectiva	religiosa	da	vida,	a	perspectiva	que	põe</p><p>todas	as	questões	terrenas	dentro	do	contexto	do	eterno,	a	perspectiva	que</p><p>relaciona	todos	os	problemas	humanos	—	sociais,	políticos	e	culturais	—	aos</p><p>fundamentos	doutrinários	da	fé	cristã,	a	perspectiva	que	vê	todas	as	coisas	aqui</p><p>em	baixo	nos	termos	da	supremacia	divina	e	a	transitoriedade	da	vida	nos	termos</p><p>do	céu	e	do	inferno.</p><p>Blamires	pode	ter	exagerado,	mas	uma	pesquisa	recente	mostra	que	a	sua</p><p>preocupação	não	era	sem	propósito.	Consultados	2033	adultos,	a	pesquisa</p><p>confirmou	que	apenas	9%	dos	evangélicos	norte-americanos	pensam</p><p>biblicamente	na	tomada	de	decisões.	É	por	isso	que	tão	poucas	pessoas</p><p>demonstram	de	modo	coerente	o	amor,	a	obediência	e	as	prioridades	de	Jesus.</p><p>“A	razão	básica	pela	qual	as	pessoas	não	agem	como	Jesus	é	que	elas	não</p><p>pensam	como	Jesus”,	concluiu	o	pesquisador.</p><p>A	comparação	na	tabela	ao	lado	nos	ajuda	a	ver	como	o	cristianismo	e	o</p><p>secularismo	estão	em	clara	oposição.</p><p>PRECISAMOS	DE	UMA	MENTE	BÍBLICA</p><p>Por	causa	da	queda,	a	mente	(incluindo,	por	exemplo,	as	emoções,	a	vontade	e	a</p><p>sexualidade)	está	contaminada.	Por	isso,	cada	cristão,	para	merecer	essa</p><p>designação,	precisa	de	uma	mente	bíblica,	que	se	agarra	firmemente	aos</p><p>pressupostos	básicos	da	Bíblia	e	se	deixa	conduzir	por	suas	verdades.	Tem	uma</p><p>mente	bíblica	quem	é	moldado	pela	Bíblia,	a	partir	da	qual	se	olha	para	todas	as</p><p>coisas,	e	é	renovado	pelo	Espírito	Santo.</p><p>CRISTIANISMO</p><p>A	soberania	do	Deus	trino	e	uno	é	o	ponto	de	partida.	Deus	fala	através	da	Bíblia	(Gn	1.1;	Sl	103.19;	1Tm	6.15;	Rm	3.16,17).</p><p>Devemos	reconhecer	que	Deus	é	Deus.	Ele	é	o	único	Senhor	(Êx	20.4-6,	At	17.24).</p><p>A	Palavra	e	a	pessoa	de	Deus	são	a	Verdade	pela	qual	o	ser	humano	deve	viver	(Tt	1.2,3,	Jo	14.6).</p><p>O	mundo	e	o	universo	são	realidades	criadas	(Gn	1.1,	Dt	4.32).</p><p>Educação	é	a	aprendizagem	da	verdade	de	Deus	em	todos	os	campos.	Ela	não	ignora	a	ciência,	mas	a	avalia	à	luz	da	verdade	de	Deus.	O	conteúdo	da	verdade	cresce	com	a	pesquisa	e	o	estudo,	mas	a	verdade	é	objetiva	porque	é	dada	por	Deus	(	Jo	8.32).</p><p>A	vontade	do	ser	humano	deve	se	conformar	ao	propósito	de	Deus.	O	indivíduo	deve	ser	refeito	e	criado	pela	graça	de	Deus	(Rm	12.2).</p><p>O	problema	do	ser	humano	é	o	pecado	(Rm	3.23,	5.12).</p><p>A	família	é	a	instituição	básica	de	Deus	(Gn	2.24,	Ef	5.31—6.4).</p><p>Temos,	portanto,	a	tarefa	de	desenvolver	uma	mente	bíblica,	mesmo	(ou</p><p>especialmente)	numa	época	em	que	muitos	aspectos	da	vida	cultural	têm	sido</p><p>tomados	pela	perspectiva	não-cristã.	“O	desenvolvimento	de	uma	mente	cristã</p><p>não	implica	uma	jornada	ao	mundo	subjetivo	de	alguém,	mas	um	exercício	de</p><p>longo	prazo	para	apropriar	e	assimilar	a	inteireza	da	perspectiva	cristã	acerca	da</p><p>realidade,	o	que	requer	a	adoção	de	uma	perspectiva	baseada	na	Bíblia”.</p><p>Cada	um	de	nós	deve	saber	que,	ao	se	tornar	cristão,	tem	início	uma	batalha:	a</p><p>batalha	de	pensar	de	modo	cristão.	E	se	não	considerarmos	a	mente	um	campo</p><p>de	batalha,	não	começaremos	a	lutar.</p><p>Para	desenvolver	a	mente	cristã,	formada	pelas	verdades	do	cristianismo	bíblico</p><p>e	em	sintonia	com	as	realidades	do	mundo	contemporâneo,	precisamos	recusar</p><p>dois	extremos:	entusiasmarmo-nos	de	tal	modo	com	a	Palavra	a	ponto	de	fugir</p><p>para	o	seu	mundo	e	deixar	de	confrontar	o	mundo	com	ela,	ou	entusiasmarmo-</p><p>nos	de	tal	modo	com	o	mundo	que	nos	conformamos	com	ele	e	nos	esquecemos</p><p>de	colocá-lo	sob	o	juízo	da	Palavra.	Escapismo	e	conformismo,	portanto,	são</p><p>extremos	a	serem	evitados	pelo	cristão.</p><p>A	NATUREZA	DA	MENTE	BÍBLICA</p><p>O	que	a	Bíblia	ensina	sobre	a	vida?	Como	ela	deve	ser?	Como	devemos	nos</p><p>portar	em	busca	de	uma	vida	que	valha	a	pena?</p><p>1.	A	mente	bíblica	reconhece	que	Deus	é	a	realidade	suprema	da	vida	e	aceita</p><p>que	ele	se	dá	a	conhecer	por	meio	da	Palavra.	Ela	o	descreve	como	Criador,</p><p>Senhor,	Redentor,	Pai	e	Juiz.	A	mente	bíblica	se	recusa	a	oferecer	honra	a</p><p>qualquer	outra	realidade	ou	pessoa	que	desonre	a	Deus.	Por	isso,	a	mente	bíblica</p><p>teme	humildemente	a	Deus,	sabendo	que	esta	humildade	é	o	princípio	da</p><p>sabedoria.</p><p>2.	Por	causa	da	realidade	suprema	de	Deus,	a	mente	bíblica	parte	do	pressuposto</p><p>de	que	a	vida	humana	tem	sentido.	A	Bíblia	mostra	que	a	vida	sem	Deus	não	tem</p><p>sentido.	Se	a	vida	se	reduz	a	um	período	de	anos,	em	muitos	casos	cheio	de</p><p>sofrimento	e	injustiça,	ela	é	mesmo	desprovida	de	sentido.	No	entanto,	Deus</p><p>pode	torná-la	plena.</p><p>Deus	pode	converter	a	loucura	humana	em	sabedoria.	Sem	Deus	só	há	loucura	e</p><p>futilidade.	Esta	é	a	tragédia	do	vazio	espiritual	do	mundo	hoje	em	dia	e	é	por</p><p>isso	que	a	mente	cristã	rejeita	o	secularismo.	O	secularismo	nega	a	realidade	de</p><p>Deus	e,	portanto,	destrói	a	autêntica	humanidade.	[...]	O	ser	humano	sem	Deus	já</p><p>não	é	humano.</p><p>O	salmista	nos	lembra,	então,	que	o	temor	do	Senhor	é	o	princípio	da	sabedoria;</p><p>todos	os	que	cumprem	os	seus	preceitos	revelam	bom	senso.	Ele	será	louvado</p><p>para	sempre	(Sl	111.10)!</p><p>3.	A	mente	bíblica	sabe,	como	ensina	a	Bíblia,	que	a	dignidade	do	ser	humano</p><p>lhe	é	própria	por	ter	sido	criada	por	Deus,	mesmo	que	ela	tenha	sido	corrompida</p><p>pelo	pecado.	A	dignidade	nos	dá	esperança,	mas	sua	depravação	limita	nossas</p><p>expectativas.	Por	isso,	a	mente	bíblica	deixa	juntas	a	dignidade	que	vem	da</p><p>criação	e	a	depravação	que	vem	da	queda.	Paulo	descreve	nossa	situação	com	as</p><p>seguintes	palavras:</p><p>Sabemos	que	toda	a	natureza	criada	geme	até	agora,	como	em	dores	de	parto.	E</p><p>não	só	isso,	mas	nós	mesmos,	que	temos	os	primeiros	frutos	do	Espírito,</p><p>gememos	interiormente,	esperando	ansiosamente	nossa	adoção	como	filhos,	a</p><p>redenção	do	nosso	corpo.	(Rm	8.22,23).</p><p>Não	podemos	ser	otimistas,	achando	que	o	ser	humano	vai	tomar	a	história	nas</p><p>mãos	e	fazer	da	terra	o	melhor	dos	lugares.	Não	vai.	Entretanto,	não	podemos	ser</p><p>pessimistas,	achando	que	a	história	caminha	de	mal	a	pior.	A	história	tem	um</p><p>Senhor.	A	mente	bíblica	não	é	otimista,	nem	pessimista,	mas	realista.	Segundo	a</p><p>Bíblia,	o	ser	humano	pode	amar,	pensar,	criar	e	adorar,	mas	também	cobiçar,</p><p>guerrear,	odiar	e	matar.</p><p>Precisamos	de	uma	visão	bíblica	acerca	da	realidade	humana,	inclusive	no	que</p><p>diz	respeito	à	autoimagem.	Precisamos	saber	quem	somos.	Alguns	de	nós</p><p>tendemos	orgulhosamente	a	exagerar	nosso	valor,	enquanto	outros	ficam</p><p>paralisados	com	uma	espécie	de	complexo	de	inferioridade,	certos	de	que	não</p><p>existe	dignidade	alguma	no	ser	humano.</p><p>Temos	valor,	e	ele	cresce	à	medida	que	mais	adoramos	a	Deus,	ao	reconhecer</p><p>que	fomos	criados	à	imagem	dele.	Temos	valor	porque	essa	imagem	de	Deus	em</p><p>nós	foi	(pode	ser)	recuperada	pela	ação	da	graça	de	Deus	manifesta	em	Jesus,	a</p><p>nosso	favor.</p><p>É	por	isso,	como	nos	lembra	John	Stott,	que	Jesus	me	chama	tanto	à	negação</p><p>como	à	afirmação	de	mim	mesmo.	O	que	sou	se	deve	em	parte	à	criação	e	em</p><p>parte	à	queda,	mas	também	em	parte	à	criação	e	à	redenção.</p><p>4.	A	mente	bíblica	aceita	que	Jesus	Cristo	é	o	Senhor.	O	cristão	é	aquele	que</p><p>diante	de	Jesus	afirma-o	como	Senhor	e	Deus.	Quando	Jesus	apareceu	diante	dos</p><p>discípulos,	depois	de	ressuscitar,	Tomé	foi	confrontado	com	a	presença	dele	e</p><p>exclamou,	entre	assustado	e	radiante:	“Senhor	meu	e	Deus	meu!”.	Esta	confissão</p><p>ecoa	na	história,	como	também	o	comentário	de	Jesus:	“Porque	me	viu,	você</p><p>creu?	Felizes	os	que	não	viram	e	creram”	(	Jo	20.26-29;	NVI).</p><p>A	mente	bíblica	é	feliz	porque	crê	em	Jesus	mesmo	que	não	tenha	visto	o	Jesus</p><p>histórico.	Pela	fé,	a	mente	bíblica	afirma	que	ele	é	o	Senhor,	isto	é,	que	tem</p><p>absoluta	autoridade	e	domínio	sobre	todas	as	áreas	da	vida.	Confessar	Cristo</p><p>como	Senhor	é	dizer:	“Jesus,	tu	és	o	responsável	pela	minha	vida	e	desejo	que	a</p><p>dirijas”.</p><p>O	senhorio	de	Cristo	alcança	todas	as	áreas	da	vida	de	quem	tem	a	mente	bíblica,</p><p>inclusive	sobre	o	que	crê,	pensa	e	deseja.	Nenhum	de	nós	vive	apenas	para	si,	e</p><p>nenhum	de	nós	morre	apenas	para	si.	“Se	vivemos,	vivemos	para	o	Senhor;	e,	se</p><p>morremos,	morremos	para	o	Senhor.	Assim,	quer	vivamos,	quer	morramos,</p><p>pertencemos	ao	Senhor.	Por	esta	razão	Cristo	morreu	e	voltou	a	viver,	para	ser</p><p>Senhor	de	vivos	e	de	mortos”	(Rm	14.7-9).</p><p>"Como	seguidores	de	Jesus	Cristo,	eu	e	você	não	temos	o	direito	de	determinar</p><p>em	que	vamos	crer	ou	de	desenvolver	a	própria	filosofia	de	vida.</p><p>Porque	ele	é	o	Senhor,	Cristo	tem	autoridade	de	orientar	de	modo	exclusivo	a</p><p>mente	do	crente".</p><p>Afirmamos,	pela	fé,	que	Jesus	é	o	Senhor.	Se	o	afirmamos,	lutamos	para	que	este</p><p>senhorio	seja	efetivo.	Na	verdade,	“nenhum	de	nós	tem	a	completa	mente	de</p><p>Cristo.	Nós	nem	sempre	pensamos	como	cristãos.	Tenho	ideias	pelas	quais	tomo</p><p>decisões	e	faço	julgamento	que	não	são	coerentes	com	a	mente	de	Cristo.	Há</p><p>uma	longa	luta	para	conformar	meu	pensamento	ao	pensamento	de	Cristo,	para</p><p>amar	o	que	Cristo	ama	e	rejeitar	o	que	Cristo	rejeita,	para	afirmar	que	ele	afirma</p><p>e	recusar	o	que	ele	recusa.	[Preciso]	aprender	a	olhar	a	vida	do	jeito	que	Deus	vê,</p><p>porque	estou	convencido	de	que	ele	é	o	autor	e	a	fonte	da	verdade”.</p><p>Este	deve	ser	o	desafio	da	minha	vida.	Esta	deve	ser	a	meta	para	a	qual	avanço.</p><p>Esta	é	a	essência	do	discipulado	cristão.	A	mente	bíblica	é	uma	mente	discípula.</p><p>PASSOS	PARA	O	DESENVOLVIMENTO	DA	MENTE	BÍBLICA</p><p>Há	uma	expressão	no	Novo	Testamento	que	define	bem	a	decisão	de	buscar	a</p><p>mente	bíblica.	Ela	sai	da	boca	de	Jesus	e	da	pena	dos	apóstolos,	especialmente</p><p>de	Paulo.	Trata-se	da	magistral	expressão	“Tu,	porém”.</p><p>Diante	da	demora	de	uma	decisão,	Jesus	aconselhou	a	um	quase	discípulo,</p><p>escravo	do	medo	e	dos	relacionamentos	superficiais:	“Deixa	os	mortos	sepultar</p><p>os	seus	próprios	mortos;	tu,	porém,	vai	e	anuncia	o	reino	de	Deus”	(Lc	9.60).	Há</p><p>muitos	que	observam	Jesus,	mas	jamais	tomam	uma	decisão	de	segui-lo.</p><p>A	outro,	que	posava	de	crente,	ele	orientou:	“Tu,	porém,	quando	jejuares,	unge	a</p><p>tua	cabeça	e	lava	o	teu	rosto”	(Mt	6.17).	Há	muitos	cristãos	que	ainda	acham	que</p><p>são	cristãos	porque	merecem,	não	porque</p><p>fundamen-	tal	para	a</p><p>igreja:	a	apologética,	o	campo	da	teologia	que	se	presta	a	defender	intelectual	e</p><p>racionalmente	a	fé	cristã.</p><p>Este	volume	pretende	fornecer	respostas	às	seguintes	indagações,	entre	tantas</p><p>outras:</p><p>Por	que	propagar	um	cristianismo	cuja	história	está	cheia	de	violência?</p><p>Não	é	a	religião	uma	ilusão?</p><p>É	politicamente	correto	afirmar	que	só	Jesus	salva?</p><p>Como	crer	num	Deus	amoroso	que	permite	o	sofrimento?</p><p>Como	acreditar	em	milagres,	se	a	ciência	não	os	confirma?</p><p>E	se	a	homossexualidade	for	genética?</p><p>Escrito	de	forma	clara	e	concisa,	este	livro	apresenta	as	principais	acusações</p><p>lançadas	contra	a	fé	cristã	e	como	responder	a	essas	acusações	à	luz	da	razão	e</p><p>da	Revelação.</p><p>O	leitor	também	tem	à	disposição,	no	final	de	cada	capítulo,	uma	série	de</p><p>perguntas	que	podem	ser	usadas	como	forma	de	recapitular	o	conteúdo</p><p>aprendido.	Não	deixe	de	responder	a	cada	pergunta.	Além	disso,	há	uma	vasta</p><p>bibliografia	para	enriquecer	sua	biblioteca.</p><p>Aproveite	o	Curso	Vida	Nova	de	Teologia	Básica.	Este	volume	mostra	o	valor	de</p><p>estarmos	bem	preparados	para	responder	a	qualquer	um	que	pedir	a	razão	de</p><p>nossa	fé	(1Pe	3.15).	E	esse	é	um	dever	de	cada	cristão.	Não	se	trata	de	uma</p><p>atividade	restrita	a	profissionais	da	teologia.	E	para	cumprir	bem	esse	dever,</p><p>além	da	razão,	também	os	cristãos	têm	à	disposição	a	Palavra	inspirada	de	Deus,</p><p>que	é	“divinamente	inspirada	e	proveitosa	para	ensinar,	para	repreender,	para</p><p>corrigir,	para	instruir	em	justiça;	a	fim	de	que	o	homem	de	Deus	tenha</p><p>capacidade	e	pleno	preparo	para	realizar	toda	boa	obra”	(2Tm	3.16-17;	Almeida</p><p>Século	21).</p><p>Os	Editores</p><p>Abril	de	2006</p><p>Introdução</p><p>Aquele	que	obtiver	sucesso	ao	definir	o	conhecimento,	de	forma	que</p><p>apenas	suas	convicções	sejam	tidas	como	tal,	conseguirá	estabelecer</p><p>as	normas	políticas	e	dirigir	a	vida	humana.</p><p>Dallas	Willard</p><p>A	identidade	cristã	tem	sido	apreendida	como	politicamente	correta	e</p><p>intelectualmente	inaceitável.	Nossos	críticos	atestam,	por	exemplo,	que</p><p>desrespeitamos	as	demais	tradições	religiosas	ao	afirmar	que	só	Jesus	Cristo</p><p>salva.	Sustentam	ainda	que	nossa	fé	se	alimenta	da	ignorância	das	pessoas,	o	que</p><p>constitui	motivo	suficiente	para	que	os	indivíduos	de	bem	não	só	recusem	mas</p><p>combatam	o	cristianismo.</p><p>A	crescente	pressão	é	também	antiga.	Quando	o	filósofo	alemão	Friedrich</p><p>Nietzsche	(1844-1900),	com	base	nos	princípios	ensinados	por	Jesus	Cristo	no</p><p>chamado	sermão	da	montanha,	escreveu	que	o	cristianismo	é	uma	religião	para</p><p>escravos,	repetia	alguns	dos	argumentos	já	usados	pelo	médico	Celsus	no</p><p>advento	do	terceiro	século	da	Era	Cristã.¹</p><p>Os	cristãos,	portanto,	enfrentaram	desde	cedo	ataques	no	campo	in-	telectual.</p><p>Quando	o	apóstolo	Paulo	discursou	(sim,	ele	não	pregou,	mas	discursou)	para	os</p><p>atenienses	no	teatro	dos	debates	públicos	da	cidade,	defendeu	o	cristianismo</p><p>visando	a	desmontar	os	argumentos	contrários.	Para	tanto,	lançou	mão	da	poesia,</p><p>da	filosofia	e	da	retórica.	Ele	agia	coerentemente	com	suas	recomendações:</p><p>devemos	nos	empenhar	para	derrubar	os	argumentos	contrários	ao	conhecimento</p><p>de	Deus	(cf.	2Co	10.5).</p><p>Depois	do	apóstolo,	muitos	outros	empregaram	esse	tipo	de	apre-	sentação</p><p>defensiva,	que	acabou	por	ser	tecnicamente	conhecida	como	apologética.	Esta</p><p>palavra,	oriunda	do	substantivo	grego	“apologia”,	que	significa	“defesa”,</p><p>chegou-nos	pelo	adjetivo	latino	“apologeticum”.</p><p>A	apologética	consiste,	portanto,	na	área	da	teologia	que	se	preocupa	em</p><p>defender	intelectual	e	racionalmente	a	fé	cristã	histórica.	Trata-se	de	um	dever</p><p>cristão,	pois,	embora	a	defesa	não	seja	de	fato	necessária,	as	pessoas	a	quem</p><p>queremos	alcançar	com	a	graça	salvadora	de	Jesus	Cristo	precisam	dela.	Nesse</p><p>sentido,	então,	a	apologética	faz	parte	da	evangelização,	tarefa	que	nos	foi</p><p>confiada	por	Jesus	Cristo	(v.	Mt	28.19,20;	At	1.8).</p><p>A	apologética,	portanto,	não	é	para	profissionais	da	teologia,	mas	para	todos	os</p><p>cristãos	interessados	em	oferecer	a	razão	da	fé	que	vivem	(1Pe	3.15).	Ao	longo</p><p>de	sua	história,	os	cristãos	tiveram	de	travar	diferentes	embates	intelectuais.	Até</p><p>o	sexto	século,	os	escritos	apologéticos	defenderam	o	cristianismo	dos	ataques</p><p>acadêmicos	oriundos	do	judaísmo	e	do	paganismo.	Nesse	período,	os	grandes</p><p>apologistas	foram	Justino	Mártir,	Tertuliano	e	Agostinho.	A	partir	do	sétimo</p><p>século,	além	dos	filósofos	pagãos,	o	islamismo	representou	(e	ainda	apresenta)</p><p>uma	séria	ameaça.	Nesse	momento,	Tomás	de	Aquino	pensou	o	resumo	da	fé</p><p>cristã	(“Suma	Teológica”)	como	uma	catedral	apologética.</p><p>A	partir	do	Renascimento,	já	no	século	16,	o	maior	desafio	veio	da	visão</p><p>reducionista	racionalista,	que	acabou	se	tornando	hegemônica.	A	partir	dessa</p><p>cosmovisão	surgiram	o	naturalismo,	o	deísmo,	o	panteísmo,	o	materialismo,	o</p><p>agnosticismo	e	o	ateísmo.</p><p>Evidentemente	cada	época	apresenta	sua	objeção	principal.	Algumas	—	de</p><p>caráter	prático,	como	o	repto	de	Gandhi:	por	que	os	cristãos	não	vivem	o	que</p><p>ensinam?	—	são	irrespondíveis	e	logo	se	constituem	no	desafio	maior.	Outras,	de</p><p>caráter	especulativo,	devem	ser	respeitosamente	consideradas.</p><p>A	meu	ver,	os	dois	maiores	desafios	para	os	cristãos	no	século	21	vêm	de	duas</p><p>frentes:	da	filosofia	e	das	ciências	da	vida.	Na	primeira	fronteira,	o	ataque	é</p><p>alimentado	pelo	velho	relativismo	filosófico,	segundo	o	qual	a	pretensão	cristã	à</p><p>singularidade	(“Jesus	Cristo	como	o	único	caminho”)	é	intolerável.	Na	segunda</p><p>trincheira,	o	diálogo	precisa	ser	travado	com	a	genética,	com	suas	perguntas</p><p>sobre	a	natureza	da	vida.</p><p>O	primeiro	embate	é	velho,	embora	sério.	O	segundo,	além	de	sério,	é	novo,	e</p><p>temos	muito	que	aprender	ainda.	Aquele	se	dá	no	balanço	das	ideias,	com</p><p>objetivos	claros	dos	que	se	opõem	ao	cristianismo,	este	é	quase	um	pedido	de</p><p>socorro	dos	biocientistas:	que	faremos	com	o	que	estamos	descobrindo?	Aquele</p><p>é	uma	questão	de	fé:	crê	quem	quer,	este	é	uma	questão	de	sobrevivência	da</p><p>humanidade,	e	os	cristãos	não	podem	ficar	de	fora	se	querem	ter	um	futuro	na</p><p>agenda	do	século.</p><p>Meu	desejo	neste	livro	é	contribuir,	de	forma	bastante	clara,	para	que	cada	leitor</p><p>ou	leitora	desenvolva	as	próprias	conclusões.	Por	isso,	os	temas	apologéticos</p><p>serão	tratados	a	partir	de	questões,	algumas	das	quais	me	foram	efetivamente</p><p>colocadas	em	diferentes	contextos.</p><p>Veremos	a	seguir	alguns	conselhos	práticos,	que	nos	ajudarão	nesse	itinerário.</p><p>OS	DEZ	MANDAMENTOS	DO	APOLOGISTA	CRISTÃO</p><p>1.	Discuta	com	amor</p><p>O	amor	deve	estar	acima	da	verdade.	Nunca	desqualifique	moralmente	o	autor</p><p>de	uma	ideia	inaceitável.	Lembre-se	de	que	fortalecer	a	fé	cristã	é	sua	tarefa</p><p>primeira,	e	ela	advém	de	uma	chamada	para	servir	aos	necessitados	no	campo</p><p>intelectual.	Diga	a	verdade	com	amor	(Ef	4.15).	O	fruto	do	Espírito	também</p><p>deve	estar	presente	no	espírito	do	apologista.</p><p>2.	Seja	humilde</p><p>Purifique-se	de	todo	desejo	de	vitória	e	presunção	intelectual,	dei-	xando-os	de</p><p>lado.	Você	não	é	dono	da	verdade.	Embora	tenhamos	a	Verdade,	somos	seus</p><p>intérpretes,	não	seus	proprietários.	Somos	testemunhas	da	Verdade	(	Jo	18.37),</p><p>não	seus	formuladores.</p><p>3.	Amplie	seu	conhecimento	da	Bíblia,	de	modo	tornar	a	mente</p><p>cada	vez	mais	bíblica</p><p>Embora	a	razão	seja	indispensável,	ela	não	sobrepuja	a	revelação.	Para	estudar	a</p><p>Bíblia,	use	todos	os	recursos	de	que	dispuser,	como	comentários,	dicionários,</p><p>Bíblias	de	estudo,	ensaios	teológicos	etc.</p><p>4.	Cresça	no	aprendizado	da	reflexão	e	da	pesquisa	lógica	e</p><p>racional</p><p>Trata-se	de	uma	aventura	para	toda	a	vida.	Verifique	sempre	os	fatos	e	os</p><p>argumentos.	Pense	clara	e	corretamente.	Cuidado	ao	argumentar,	em	especial	ao</p><p>apelar	para	a	autoridade	de	terceiros	(“uma	prova	de	que	estamos	certos	é	que</p><p>fulano	disse	que...”)	ou	ao	tocar	na	sensibilidade	alheia	(“as	pessoas	inteligentes</p><p>concordam	que...”).	Nunca	deixe	de	refletir;	pensar	é	duvidar,	questionar,</p><p>pesquisar.</p><p>5.	Mantenha	a	autocrítica</p><p>Não	se	limite	a	criticar	o	que	ouve	ou	lê:	critique	o	que	você	pensa	e	diz.	O	crivo</p><p>é	a	Palavra	de	Deus,	não	a	razão	ou	a	tradição.</p><p>6.	Comece	do	princípio</p><p>Ao	estudar	um	assunto,	comece	por	questionar	o	fundamental.	Veja	como	o	autor</p><p>ou	a	ideologia	estudados	encaram	a	Bíblia,	a	pessoa	de	Jesus	Cristo,	por</p><p>foram	alcançados	pela	graça</p><p>imerecida;	por	isso,	ainda	fazem	questão	de	parecer	o	que	aparentam.</p><p>Quando	os	seguidores	mais	próximos	disputam	entre	si	a	importância	de	cada</p><p>um,	própria	do	humaníssimo	valor	da	competição,	Jesus	deu	seu	exemplo,	como</p><p>uma	atitude	a	ser	seguida.	Ele	respondeu	com	mais	uma	de	suas	perguntas</p><p>incontestáveis,	seguida	de	uma	declaração	sobre	si	mesmo,	que	deve	ser	o</p><p>compromisso	de	todo	discípulo:	“Qual	é	maior,	quem	está	à	mesa,	ou	quem</p><p>serve?	Porventura	não	é	quem	está	à	mesa?	Eu,	porém,	estou	entre	vós	como</p><p>quem	serve”	(Lc	22.27).</p><p>A	expressão	“tu,	porém”,	em	Jesus,	é	correlata	com	outra	expressão	de	nosso</p><p>Senhor.	Ele	diz	“tu,	porém”,	porque	dizia	“Eu,	porém”.	Nos	mais	variados</p><p>planos	da	vida,	Jesus	se	apresenta	contrário	à	prática	de	seu	tempo.	Na	mais</p><p>dramática	delas,	ele	afirma:	“Eu,	porém,	vos	digo:	‘Amai	aos	vossos	inimigos,	e</p><p>orai	pelos	que	vos	perseguem’”	(Mt	5.44).</p><p>Não	temos	a	autoridade	de	Jesus,	mas	temos	seu	exemplo.	Também	nos	mais</p><p>variados	planos	da	vida,	se	tivermos	uma	mente	bíblica,	teremos	ousadia	e</p><p>competência	para	afirmar	a	mesma	disposição.	Nesse	sentido,	o	cristão	é	aquele</p><p>que,	não	importam	os	convites	e	as	pressões,	diz,	cheio	de	temor	e	tremor:	“Eu,</p><p>porém”.</p><p>Se	os	valores	que	brilham	diante	de	nós	não	vêm	dos	céus,	só	resta	a	cada	cristão</p><p>reafirmar	sua	motivação	e	seu	credo:	“Eu,	porém”.</p><p>Passo	1	—	Entendamos	que	a	Bíblia	contém	valores</p><p>indispensáveis	para	nós</p><p>Começaremos	a	desenvolver	mente	bíblica	quando	estivermos	pessoalmente</p><p>convencidos	de	que	não	podemos	ser	felizes	sem	vivenciar	os	valores	eternos</p><p>apresentados	por	Deus	em	Palavra.</p><p>Para	chegar	ao	desejo,	essa	decisão	precisa	começar	na	razão.	Racionalmente,</p><p>precisamos	saber,	portanto,	que	a	Bíblia	contém	valores	eternos.	Para	isso,</p><p>precisamos	aceitar	que	a	Bíblia	é	divinamente	inspirada	e	proveitosa	para</p><p>ensinar,	para	repreender,	para	corrigir,	para	instruir	em	justiça;	para	que	o</p><p>homem	de	Deus	seja	perfeito,	e	perfeitamente	preparado	para	toda	boa	obra</p><p>(2Tm	3.16,17).</p><p>Se	aceitarmos	que	a	Bíblia	é	divinamente	inspirada,	relativizaremos	as</p><p>afirmações	que	a	relativizam.	Se	aceitarmos	que	a	Bíblia	é	proveitosa,	teremos</p><p>suas	palavras	como	aquelas,	e	não	outras,	pelas	quais	orientaremos	nossa	vida.</p><p>Se	aceitarmos	que	Deus,	pela	Bíblia,	nos	ensina,	corrige	e	instrui,	nos</p><p>deixaremos	ensinar,	corrigir	e	instruir	por	ela.</p><p>Em	outros	termos,	a	mente	bíblica	segue	a	orientação	sobrenatural,	entendendo	a</p><p>Bíblia	como	uma	revelação	vinda	de	Deus.	Enquanto	a	maioria	das	pessoas	crê</p><p>apenas	naquilo	que	pode	ver	e	tocar,	o	cristão	crê	na	existência	de	um	mundo</p><p>invisível,	que	está	além	dos	sentidos	naturais.</p><p>Para	viver	os	valores	eternos	de	Deus,	precisamos	aceitar	racionalmente	que	eles</p><p>estão	na	Bíblia.	Viveremos	os	valores,	se	a	mente	for	bíblica	a	ponto	de	aceitar</p><p>como	divina	a	fonte	do	seu	conteúdo.</p><p>A	mente	bíblica	aceita	a	autoridade	da	Palavra	de	Deus	sobre	sua	vida.	O	cristão</p><p>está	pronto	para	abraçar	aquilo	do	qual	está	convencido	pela	Bíblia.	A	crítica	que</p><p>Lutero	fez	a	Erasmo	define	bem	a	mente	bíblica:	“A	diferença	entre	você	e	eu	é</p><p>que	enquanto	você	se	assenta	sobre	a	Bíblia	para	julgá-la,	eu	me	assento	sob	a</p><p>Bíblia	e	deixo	que	ela	me	julgue”.</p><p>Quem	se	deixa	julgar	pela	Palavra	de	Deus	considera	cada	ser	humano	alguém</p><p>de	inestimável	valor,	uma	vez	que	Deus	o	criou	e	Cristo	morreu	por	ele.	O</p><p>cristão	sabe	que	todo	ser	humano	porta	a	imagem	de	Deus	pela	criação,	foi	o</p><p>alvo	do	amor	salvífico	de	Cristo	na	cruz	do	Calvário	e	é	alvo	do	ministério	de</p><p>atração	e	convencimento	exercido	pelo	Espírito	Santo.</p><p>Passo	2	—	Estudemos	a	Bíblia</p><p>Todos	desejamos	ter	a	mente	do	Senhor	Deus.	Todos	queremos	ser	instruídos	por</p><p>sua	sabedoria	(Rm	11.34).	Para	entender	a	mente	de	Deus,	precisamos	estudar	a</p><p>sua	Palavra.	Se	estudarmos	a	palavra	do	mundo,	conheceremos	a	mente	do</p><p>mundo.	Se	estudarmos	a	Palavra	de	Deus,	conheceremos	a	mente	do	seu	autor</p><p>(na	verdade,	entre	os	maduros	falamos	sabedoria,	não	porém	a	sabedoria	deste</p><p>mundo,	nem	dos	príncipes	deste	mundo,	que	estão	sendo	reduzidos	a	nada;	1Co</p><p>2.6).</p><p>Sabemos	que	a	palavra	de	Deus	é	viva	e	eficaz,	e	mais	cortante	que	qualquer</p><p>espada	de	dois	gumes,	e	penetra	até	a	divisão	de	alma	e	espírito,	e	de	juntas	e</p><p>medulas,	e	é	apta	para	discernir	os	pensamentos	e	intenções	do	coração	(Hb</p><p>4.12).	Como	essa	verdade	será	real	para	nós	se	não	nos	expusermos	a	ela?</p><p>Escrevendo	a	Timóteo,	o	apóstolo	Paulo	recomenda:</p><p>Tu,	porém,	permanece	naquilo	que	aprendeste,	e	de	que	foste	inteirado,	sabendo</p><p>de	quem	o	tens	aprendido	e	que	desde	a	infância	sabes	as	sagradas	letras,	que</p><p>podem	fazer	sábio	para	a	salvação,	pela	que	há	em	Cristo	Jesus	(2Tm	3.14,15).</p><p>Como	permaneceremos	naquilo	que	aprendemos,	se	não	o	aprendemos?	A	que</p><p>estamos	nos	expondo?	Comparemos.	Quanto	tempo	gastamos	lendo	um	bom</p><p>jornal?	Quanto	tempo	gastamos	lendo	um	bom	livro?	Quanto	tempo	gastamos</p><p>vendo	bons	programas	de	televisão?	Quanto	tempo	gastamos	vendo	um	bom</p><p>filme	no	cinema?	Falo	de	tempo	bem	gasto,	mas	o	comparo	com	o	tempo	que</p><p>gastamos	para	ler	o	melhor	dos	livros.</p><p>Tudo	o	que	é	bom	exige	disciplina	e	esforço.	Há	pessoas	que	por	falta	de</p><p>disciplina	e	esforço	não	leem	jornal,	não	mergulham	num	bom	livro,	não	veem</p><p>bons	programas	de	televisão,	não	assistem	a	bons	filmes	no	cinema.	Há	prazeres</p><p>que	vão	nos	esperar	a	vida	toda.	Ler	a	Bíblia	é	um	destes	prazeres.</p><p>Alguns	talvez	não	têm	lido	a	Bíblia	por	outras	razões,	como	as	dificuldades	que</p><p>ela	apresenta	por	sua	extensão	e	pela	linguagem.	Não	queiramos	lê-la	toda	de</p><p>uma	vez,	mas	aos	poucos.	Meçamos	nosso	ritmo.	É	bem	provável	que	a	maioria</p><p>conseguirá	lê-la	completamente	em	um	ano	e	meio.	Outras	precisarão	de	mais</p><p>tempo.	Outras	serão	mais	rápidas.</p><p>Quanto	à	linguagem,	devemos	procurar	aquela	versão	que	nos	dê	mais	prazer,</p><p>cuja	leitura	flua	mais	suavemente.	Devemos	lançar	mão	de	outros	recursos,</p><p>como	bons	livros	(estudos,	dicionários,	concordâncias,	comentários).	Há</p><p>inúmeras	páginas	na	internet	com	milhares	de	estudos,	mapas,	curiosidades,</p><p>comentários,	que	podemos	acessar	e	melhorar	a	leitura	da	Palavra	de	Deus.</p><p>Pode	ser	que	alguns	tenham	dificuldade	de	ler,	seja	a	Bíblia	seja	qualquer	outro</p><p>livro.	Hoje	ela	está	disponível	na	íntegra	em	CD,	por	exemplo.	Precisamos</p><p>ocupar	a	mente	com	materiais	(livros,	programas,	músicas)	produzidos	segundo</p><p>a	mente	bíblica.</p><p>A	igreja,	por	meio	das	oportunidades	que	cria	e	do	ambiente	que	proporciona,</p><p>deve	ser	vista	como	o	lugar	por	excelência	onde	devemos	estar,	se	queremos</p><p>pensar	biblicamente.	A	igreja	provê	recursos	coletivos,	como	as	classes	da</p><p>Escola	Dominical	e	outros	cursos	especiais,	que	devem	ser	frequentados.</p><p>Quando	participamos	da	igreja,	envolvemo-nos	com	pessoas	desejosas	de	ter	a</p><p>mesma	mente	bíblica	que	temos.	Então,	nos	ajudamos	mutuamente.	Para	aqueles</p><p>que	já	têm	uma	formação	superior,	matricular-se	num	seminário	teológico	é	uma</p><p>decisão	que	traz	muitos	benefícios	no	estudo	da	Bíblia.</p><p>Escrevendo	também	a	Timóteo,	o	apóstolo	Paulo	pede	que	ele	se	aplique	à</p><p>leitura	(1Tm	4.13).	Só	nos	aplicando	à	leitura	e	ao	estudo	da	Bíblia	podemos</p><p>pensar	biblicamente.	Só	quando	estudamos	a	Bíblia	podemos	tomar	decisões</p><p>biblicamente	orientadas	e	termos	a	mente	renovada.	Às	vezes,	lemos	o	conselho</p><p>de	Paulo	aos	romanos	para	nos	transformarmos	pela	renovação	da	mente,	a	fim</p><p>de	vivermos	segundo	a	vontade	de	Deus	(Rm	12.1-2),	oramos	“Senhor,	renova	a</p><p>nossa	mente”,	mas	como	o	Senhor	nos	renovará	a	mente	senão	quando	nos</p><p>dedicarmos	à	leitura	e	ao	estudo	da	sua	Palavra?	O	poeta	bíblico	pergunta:	Como</p><p>purificará	o	jovem	o	seu	caminho?	Sua	resposta	é	cristalina:	Observando-o	de</p><p>acordo	com	a	palavra	[de	Deus]	(Sl	119.9).</p><p>Se	queremos	desenvolver	uma	mente	bíblica,	sob	o	Senhorio	de	Cristo,</p><p>discernindo	o	mundo	em	que	vivemos,	precisamos	nos	expor	constantemente	à</p><p>Palavra	de	Deus.	Se	estivermos	expostos	à	Palavra	de	Deus,	não	sucumbiremos	à</p><p>palavra	dos	homens.</p><p>Todo	cristão	precisa	ajustar	seu	pensamento	e,	nesse	esforço,	a	leitura	bíblica,	a</p><p>atenção	à	pregação	do	Evangelho	e	a	comunhão	cristã	autêntica	são	recursos</p><p>indispensáveis.	“Se	uma	pessoa</p><p>se	afasta	da	influência	refrescante	da	Palavra	de</p><p>Deus	sobre	a	sua	mente,	essa	pessoa	aos	poucos	voltará	aos	seus	velhos	modos</p><p>de	pensar”.</p><p>A	verdade	precisa	ser	ouvida	repetidamente,	porque	o	erro	é	repetido	milhares	de</p><p>vezes,	até	parecer	verdade.	O	nosso	mundo	é	o	mundo	da	repetição,	e	tem	sido</p><p>pela	repetição	que	as	pessoas	mudam	de	opinião.</p><p>Durante	os	seus	primeiros	vinte	anos,	um	norte-americano	vê	um	milhão	de</p><p>anúncios	publicitários,	ou	uma	média	de	mil	anúncios	por	semana.</p><p>É	muito	difícil	não	comprar,	não	pensar	de	acordo	com	o	que	o	anúncio	tenta</p><p>“programar”	em	nossa	mente.</p><p>Passo	3	—	Compreendamos	a	mente	do	tempo	em	que	vivemos</p><p>Para	viver	neste	mundo	de	modo	digno,	seja	para	sobreviver	nele,	seja	para</p><p>transformá-lo,	precisamos	conhecê-lo.	Compreenderemos	o	mundo	observando-</p><p>o,	lendo	bons	livros,	prestando	atenção	aos	meios	de	comunicação	em	geral.</p><p>Se	não	discernirmos	a	mente	do	mundo,	ela	se	tornará	a	nossa,	quando	o	“tu,</p><p>porém”	bíblico	nos	pede	que	não	nos	conformemos	ao	mundo.	A	advertência</p><p>apostólica	é	clara:	“Tenham	cuidado	para	que	ninguém	os	escravize	a	filosofias</p><p>vãs	e	enganosas,	que	se	fundamentam	nas	tradições	humanas	e	nos	princípios</p><p>elementares	deste	mundo,	e	não	em	Cristo”	(Cl	2.8).</p><p>Uma	das	batalhas	do	cristão	é	pela	conquista	da	mente	das	pessoas.	Aquilo	que	a</p><p>Bíblia	chama	de	“conhecimento	de	Deus”	(contido	na	Bíblia)	é	o	padrão	pelo</p><p>qual	todos	os	pensamentos	devem	ser	julgados.	Qualquer	ideia	que	não	esteja	de</p><p>acordo	com	a	revelação	divina	é	vã	e	enganosa,	porque	está	de	acordo	com	os</p><p>princípios	deste	mundo,	e	não	segundo	Cristo.</p><p>A	mente	bíblica	não	se	conforma	a	este	mundo.	Um	cristão	não	pode	se</p><p>conformar,	não	pode	estar	satisfeito	com	o	mundo,	porque	a	mente	do	cristão</p><p>está	centrada	no	que	é	eterno,	e	não	temporal.</p><p>Conformar-se	é	aceitar	algo	sem	pensar.	A	mente	secular	possui	uma	proposta</p><p>para	todas	as	grandes	decisões	da	vida.	Precisamos	conhecê-la.	Só	assim</p><p>distinguiremos	entre	filosofias	vãs	e	a	sabedoria	sólida	de	Cristo.	A	mente</p><p>bíblica	coloca	sob	o	crivo	da	Bíblia	tudo	o	que	ouve,	vê	e	lê.	Muitos	cristãos,	no</p><p>entanto,	aceitam	o	que	ouvem,	veem	e	leem	sem	análise	crítica,	sem</p><p>questionamento	bíblico.</p><p>Precisamos,	portanto,	pensar	biblicamente	para	determinar	se	algo	é	certo	ou</p><p>errado,	tanto	no	plano	doutrinário	quanto	no	plano	existencial	e	moral.</p><p>Pensaremos	biblicamente	quando	escutarmos	a	Palavra	de	Deus	e	a	palavra	do</p><p>ser	humano.	Pensaremos	biblicamente	quando	estivermos	atentos	ao	que	diz	a</p><p>revelação	divina,	mas	atento	à	palavra	do	homem.	Ouvindo	a	Deus,	teremos	uma</p><p>visão	realista	e	teocêntrica	da	vida;	ouvindo	ao	mundo,	saberemos	ver	o	bem	e	o</p><p>mal	que	nele	há.	Como	aprendemos	com	John	Stott:</p><p>A	mente	cristã	não	se	ocupa	apenas	de	Deus,	mas	reconhece	e	se	envolve	na</p><p>realidade	humana.	[...]	A	mente	cristã	também	não	se	fixa	apenas	no	mundo	dos</p><p>homens,	nem	se	põe	a	interpretá-lo	e	mudá-lo	a	partir	da	visão	e	dos	recursos</p><p>meramente	humanos.	[A	mente	cristã]	não	é	nem	otimista	sem	fundamento,	nem</p><p>pessimista	sem	esperança.	A	mente	cristã	tem	de	escutar	a	Deus	e	ao	mundo	que</p><p>o	rodeia.</p><p>Escutar	o	mundo	implica	estudar	e	pensar.	A	mente	bíblica	não	tem	medo	de</p><p>estudar	e	pensar.	Quando	estudamos	e	pensamos,	glorificamos	nosso	Criador.</p><p>Ele	nos	fez	seres	racionais,	como	ele,	e	espera	que	usemos	a	mente	para	estudar</p><p>sua	revelação	e	o	mundo.	“Ao	estudar	o	universo	e	ler	as	Escrituras	estamos</p><p>pensando	os	pensamentos	de	Deus	como	ele	deseja.	Por	isto,	o	uso	correto	de</p><p>nossa	mente	glorifica	ao	nosso	Criador”.</p><p>Mais	ainda,	quando	estudamos	e	pensamos,	nosso	testemunho	evangelizador	se</p><p>fortalece.	Paulo	sabia	disso.	Ele	disse	aos	coríntios	que,	conhecendo	o	temor	do</p><p>Senhor,	ele	procurava	persuadir	os	homens	(2Co	5.11).	O	apóstolo	confiava	no</p><p>poder	do	Espírito	Santo,	“mas	nem	por	isso	deixou	de	pensar	e	argumentar”.</p><p>Na	verdade,	“o	anti-intelectualismo	é	negativo	e	destrutivo,	insulta	ao	nosso</p><p>Criador,	empobrece	nossa	vida	cristã,	debilita	nosso	testemunho,	enquanto	o	uso</p><p>adequado	da	mente	glorifica	a	Deus,	enriquece	e	fortalece	nosso	testemunho	no</p><p>mundo”.</p><p>Passo	4	—	Relacionemos	a	fé	à	vida</p><p>Não	há	dúvida	de	que	“a	fé	deve	estar	relacionada	à	vida.	A	mente	cristã	é</p><p>ineficaz	sem	o	caráter	cristão”.	Precisamos	não	apenas	aprender	as	perspectivas</p><p>bíblicas,	mas	relacioná-las	com	a	vida.	Só	assim	conseguiremos	tornar	o</p><p>Evangelho	relevante,	conectando-o	com	a	vida	real,	no	mundo	real.</p><p>Para	nos	ajudar	nesse	esforço,	há	vários	“tu,	porém”	que	podemos	mencionar:</p><p>Todo	aquele	que	luta,	exerce	domínio	próprio	em	todas	as	coisas;	ora,	eles	o</p><p>fazem	para	alcançar	uma	coroa	corruptível,	nós,	porém,	uma	incorruptível	(1Co</p><p>9.25).</p><p>Nós,	porém,	não	nos	gloriaremos	além	da	medida,	mas	conforme	o	padrão	da</p><p>medida	que	Deus	nos	designou	para	chegarmos	mesmo	até	vós	(2Co	10.13).</p><p>Vós,	porém,	irmãos,	não	vos	canseis	de	fazer	o	bem	(2Ts	3.13).</p><p>Tu,	porém,	sê	sóbrio	em	tudo,	sofre	as	aflições,	faze	a	obra	de	um	evangelista,</p><p>cumpre	o	teu	ministério	(2Tm	4.5).</p><p>Vós,	porém,	não	estais	na	carne,	mas	no	Espírito,	se	é	que	o	Espírito	de	Deus</p><p>habita	em	vós.	Mas,	se	alguém	não	tem	o	Espírito	de	Cristo,	esse	tal	não	é	dele</p><p>(Rm	8.9).</p><p>Não	vos	associeis	às	obras	infrutuosas	das	trevas,	antes,	porém,	condenai-as	(Ef</p><p>5.11).</p><p>É	bíblica	a	mente	que	pensa	todas	as	coisas	da	vida	presente	sob	a	perspectiva	da</p><p>vida	eterna.	Precisamos	olhar	o	mundo	e	a	nossa	vida	com	mente	bíblica.</p><p>PERGUNTAS	DE	RECAPITULAÇÃO</p><p>Em	que	consiste	a	mente	bíblica?</p><p>Por	que	podemos	falar	que	existem	valores	bíblicos	indispensáveis?</p><p>Que	passos	podemos	dar	para	alcançar	mente	bíblica?</p><p>Por	que	temos	dificuldade	em	relacionar	nossa	fé	com	a	vida?</p><p>8</p><p>Elogio	da	tolerância</p><p>Odiar	é	escolher	a	facilidade	simplista	e	redutora	do	desdém	como</p><p>fonte	de	satisfação.	É	cavar	um	fosso	onde	cairão	sufocados	o</p><p>agente	do	ódio	e	sua	vítima.	Odiar	é	atear	o	fogo	da	guerra	em	que</p><p>as	crianças	se	tornam	órfãs,	e	os	velhos,	loucos	de	dor	e	de	pena.</p><p>Em	religião,	o	ódio	esconde	a	face	de	Deus.	Em	política,	o	ódio</p><p>destrói	a	liberdade	dos	homens.	No	campo	das	ciências,	o	ódio	está</p><p>a	serviço	da	morte.	Em	literatura,	ele	deforma	a	verdade,</p><p>desnaturaliza	o	sentido	da	história	e	encobre	a	própria	beleza	sob</p><p>uma	grossa	camada	de	sangue	e	de	feiúra.	O	ódio	é	como	a	guerra:</p><p>uma	vez	começada,	é	tarde	demais.</p><p>Elie	Wiesel</p><p>Jesus	mudou	o	mundo.	Não	dá	para	imaginá-lo	sem	o	natal	de	Jesus.	Não	dá</p><p>para	imaginar	também	como	a	intolerância	ainda	persegue	o	mundo.</p><p>No	final	de	2003,	dois	jovens	viajavam	num	vagão	de	trem	em	São	Paulo.</p><p>Vestiam	roupas	tipo	punk.	Outros	jovens	se	aproximaram	deles	e	os	atiraram</p><p>para	fora	do	trem	em	movimento.	Um	teve	grave	traumatismo	craniano,	e	outro</p><p>perdeu	um	dos	braços.	Segundo	as	denúncias,	os	agressores	eram	skinheads,	que</p><p>não	podiam	tolerar	punks	em	seu	“território”.</p><p>Na	mesma	época,	em	nome	do	secularismo,	considerado	melhor	que	a	religião,	o</p><p>governo	francês	pretendia	proibir	que	alunas	e	professoras	muçulmanas	usassem</p><p>véus	nas	escolas	da	França.</p><p>Apesar	do	que	ensinou	Jesus,	que	foi	morto	pelas	mãos	e	pelos	pés	da</p><p>intolerância,	muitos	cristãos	no	passado	trafegaram	pela	mesma	via	da	morte.	Na</p><p>maior	parte	do	mundo	controlado	pela	fé	islâmica,	ser	cristão	é	crime	punível</p><p>com	a	pena	de	morte.</p><p>Na	maior	parte	do	mundo	cristão,	há	liberdade	de	expressão	para	todos,	mas	há</p><p>cristãos	e	organizações	cristãs	envolvidas	em	movimentos	de	ódio	contra	outras</p><p>pessoas,	porque	pensam	ser	diferentes.	No	interior	da	igreja,	há	pessoas	que	não</p><p>se	falam,	mas	falam	mal	da	outra,	porque	têm	interpretações	diferentes	da	Bíblia</p><p>ou	porque	têm	gostos	litúrgicos	diferentes.</p><p>Jesus	nasceu	para	nos	pôr	em	outra	via.	Leio,	então,	uma	das	histórias	do	Novo</p><p>Testamento	(Lc	9.46-55),	em	que	Jesus	nos	mostra	como	viver.</p><p>Começou	uma	discussão	entre	os	discípulos	acerca	de	qual	deles	seria	o	maior.</p><p>Jesus,	conhecendo	os	seus	pensamentos,	tomou	uma	criança	e	a	colocou	em	pé,	a</p><p>seu	lado.	Então	lhes	disse:</p><p>—	Quem	recebe	esta	criança	em	meu	nome,	está	me	recebendo;	e	quem	me</p><p>recebe,	está	recebendo	aquele	que	me	enviou.	Pois	aquele	que	entre	vocês	for	o</p><p>menor,</p><p>este	será	o	maior.</p><p>Disse	João:</p><p>—	Mestre,	vimos	um	homem	expulsando	demônios	em	teu	nome	e	procuramos</p><p>impedi-lo,	porque	ele	não	era	um	dos	nossos.</p><p>—	Não	o	impeçam	—	disse	Jesus	—	pois	quem	não	é	contra	vocês	é	a	favor	de</p><p>vocês.</p><p>Aproximando-se	o	tempo	em	que	seria	elevado	aos	céus,	Jesus	partiu</p><p>resolutamente	em	direção	a	Jerusalém.	E	enviou	mensageiros	à	sua	frente.	Indo</p><p>estes,	entraram	num	povoado	samaritano	para	lhe	fazer	os	preparativos;	mas	o</p><p>povo	dali	não	o	recebeu	porque	se	notava	que	ele	se	dirigia	para	Jerusalém.	Ao</p><p>verem	isso,	os	discípulos	Tiago	e	João	perguntaram:</p><p>—	Senhor,	queres	que	façamos	cair	fogo	do	céu	para	destruí-los?	Mas	Jesus,</p><p>voltando-se,	os	repreendeu,	dizendo:</p><p>—	Vocês	não	sabem	de	que	espécie	de	espírito	vocês	são,	pois	o	Filho	do</p><p>homem	não	veio	para	destruir	a	vida	dos	homens,	mas	para	salvá-la.</p><p>E	foram	para	outro	povoado.</p><p>Trata-se	de	uma	história	de	intolerância,	ou	melhor,	de	intolerâncias.	Os</p><p>discípulos	de	Jesus	tinham	dificuldades	em	conviver	com	o	sucesso,	imaginário</p><p>no	caso,	do	outro.	A	disputa	deles	está	relacionada	com	a	incapacidade	de</p><p>respeitar	e	admirar	o	outro	e	de	entender	que	cada	um	tem	um	lugar	no	Reino	de</p><p>Deus,	conforme	suas	habilidades	e	a	necessidade	do	Reino.</p><p>Os	samaritanos	odiavam	os	judeus	porque	estes	cultuavam	em	Jerusalém.	Eles</p><p>detestavam	o	sectarismo	judeu.	Por	essa	razão,	não	cooperaram,	como	mandava</p><p>a	hospitalidade,	com	os	discípulos	de	Jesus	que	recolhiam	donativos	para	a</p><p>viagem.	A	sua	intolerância	os	cegou	para	ver	o	Messias.</p><p>Os	judeus	odiavam	os	samaritanos	porque,	no	passado,	tinham	se	envolvido	em</p><p>casamentos	mistos	(com	não-judeus)	e	agora	não	podiam	ser	aceitos	na</p><p>comunidade	dos	filhos	de	Abraão.	Os	discípulos	se	tornaram	escravos	deste</p><p>mesmo	sentimento.	Sua	intolerância	os	levou	a	agir	contra	as	próprias</p><p>convicções	espirituais.	Eles	eram	crentes,	o	que	prova	que	mesmo	os	mais</p><p>crentes,	como	Pedro,	Tiago	e	João,	os	mais	íntimos	de	Jesus,	podem	se	tornar</p><p>intolerantes,	violentamente	intolerantes.</p><p>1.	Não	façamos	do	conhecimento	da	verdade	um	escudo	para	esconder	nosso</p><p>pecado	(v.	46,47).</p><p>Há	dois	episódios	nessa	história,	que	se	interligam,	porque	toda	a	intolerância	é</p><p>filha	do	vaidoso	desejo	de	ser	superior	aos	outros.	Jesus	era	combatido	por</p><p>fariseus	e	saduceus,	que	certos	de	suas	verdades,	como	maiores	e	melhores,</p><p>recusavam	quaisquer	outros.	Temerosos	que	suas	verdades	fossem	negadas,</p><p>negavam	a	Jesus	e	a	seus	seguidores	o	direito	à	liberdade	e,	por	fim,	o	direito	à</p><p>própria	vida.</p><p>A	intolerância	está	relacionada	com	a	presunção	da	verdade	e	com	a	vaidade.	Os</p><p>fariseus	e	saduceus	estavam	convictos	de	que	estavam	mais	certos	e	eram</p><p>melhores.	Quem	não	era	bom	como	eles,	devia	se	converter	ou	morrer.</p><p>Ao	longo	da	história	cristã,	muitos	cristãos	puderam	carregar	no	peito	a</p><p>tolerância,	enquanto	outros	deixaram	os	corpos	serem	manchados	pelo	sangue</p><p>dos	que	pensavam	ser	diferentes	deles.	Com	isso,	logo	nos	vem	a	mente	o	triste</p><p>episódio	da	inquisição	europeia,	ramificada	na	América	Latina.</p><p>Olhando	para	os	exemplos	tristes,	ocorre-me	pensar	que	o	intolerante	tem	algo</p><p>que	esconder.	Posso	recorrer	à	história	real	relatada	por	Philip	Yancey	no</p><p>admirável	Maravilhosa	graça.	Joe	Grandão	era	um	intolerante.	Embora	fosse	(ou</p><p>se	achasse)	cristão,	não	aceitava	a	igualdade	racial	e,	diferentemente	de	todo</p><p>ensino	bíblico,	se	envolveu	em	vários	episódios	de	intolerância	contra	os	negros.</p><p>Atrás	daquele	ódio	todo	estava	um	escudo	para	esconder	sua	patologia	sexual.</p><p>Mudou-se	para	a	África	do	Sul,	então	ainda	sob	o	apartheid,	onde	foi	preso	e</p><p>condenado	por	assédio	sexual	a	uma	atriz.</p><p>2.	Aprendamos	com	as	crianças	que	brincam	com	as	que	são	diferentes	delas,</p><p>porque	lhes	importam	viver	e	deixar	viver	(v.	48).</p><p>Por	que	Jesus	“apela”	para	as	crianças	para	ensinar	humildade	e	tolerância?</p><p>Porque	ele	sabe	que,	mesmo	nas	situações	mais	injustas	e	desiguais,	é	possível</p><p>ver	crianças	de	condições	socioeconômicas	diferentes,	de	povos	diferentes	e	de</p><p>religiões	diferentes	brincarem	naturalmente.	Crianças	não	têm	preconceitos...	até</p><p>serem	“doutrinadas”	pelos	adultos.</p><p>3.	Peçamos	a	Deus	a	capacidade	de	conviver	com	o	outro,	fora	e	dentro	de</p><p>nossas	igrejas,	mesmo	que	pensem	diferentemente	de	nós	(v.	49-54).</p><p>Os	discípulos	não	toleraram	a	intolerância	dos	samaritanos.	Por	isso	queriam	que</p><p>Deus	os	consumisse	pelo	fogo	(v.	54).	Eles	acham	que	podiam	curar	o</p><p>preconceito	com	maior	preconceito	e	violência.</p><p>Conviver	com	a	diferença	inclui	a	liberdade	religiosa.	Não	devemos	reprimir	ou</p><p>discriminar	nenhuma	minoria	religiosa,	seja	por	uma	questão	de	princípios	seja</p><p>por	uma	questão	de	inteligência:	quando	restringimos	a	liberdade	do	outro,</p><p>também	autorizamos	a	supressão	da	nossa.	Segundo	James	Leo	Garrett,	é	triste</p><p>que	“o	cristianismo	que	produz	grandes	perseguições	religiosas	tenha,	junto	com</p><p>o	judaísmo,	firmado	o	estímulo	essencial	para	a	liberdade	religiosa”.</p><p>Jesus	e	os	primeiros	cristãos	praticaram	o	princípio	da	liberdade	religiosa.	Eles</p><p>nunca	perseguiram	ninguém.	Antes,	Jesus	pediu	que	nem	reagissem	ao	serem</p><p>perseguidos	(Mt	5.10-12;	10.17-23;	23.29-36;	Mc	13.9-13).	Como	cristãos,	não</p><p>podemos	nos	esquecer	das	palavras	do	apóstolo	Pedro:	“Se	vocês	são	insultados</p><p>por	causa	do	nome	de	Cristo,	felizes	são	vocês,	pois	o	Espírito	da	glória,	o</p><p>Espírito	de	Deus,	repousa	sobre	vocês”	(1Pe	4.14).</p><p>Foi	só	a	partir	do	quarto	século	que	os	cristãos	passaram	a	apoiar	o	uso	do	poder</p><p>civil	para	forçar	a	uniformidade	religiosa.	A	liberdade	religiosa	é	consequência</p><p>da	fé	cristã.	Como	nos	lembra	Niels	H.	Soe,	“a	base	da	liberdade	religiosa	se</p><p>demonstra	pelo	simples	fato	de	que	Cristo	não	veio	com	esplendor	celeste	e</p><p>majestade	humana	para	subjugar	qualquer	possível	resistência	e	obrigar	a	todos	à</p><p>sujeição”.	Antes,	nasceu	do	modo	que	nasceu,	como	nos	recorda	a	história	do</p><p>seu	natal.</p><p>O	natural	em	nós	é	pedir	fogo	do	céu	contra	os	que	consideramos	adversários	de</p><p>Deus.	Acabamos	por	achar	que	quem	pensa	diferentemente	de	nós	é	contra	nós.</p><p>Por	isso,	brigamos	demais	entre	nós.	Pela	intolerância,	igrejas	locais	são</p><p>divididas,	seminários	são	feridos,	denominações	são	rachadas.	Pior	que	tudo</p><p>isso:	pessoas	são	feridas	de	morte.</p><p>Alguns	intolerantes	usam	o	exemplo	do	Espírito	Santo,	que	puniu	os	mentirosos</p><p>Ananias	e	Safira	por	uma	mentira	que	destruiria	a	comunidade	(At	5),	para</p><p>justificar	sua	violência.	Embora	queiram	ser	espadas	de	Deus,	o	Senhor	não</p><p>precisa	de	nós	para	isso.</p><p>O	espiritual	em	nós	é	saber	que	podemos	nos	tornar	adversários	de	Deus,	pelo</p><p>que	temos	de	pedir	a	Deus	que	nos	ajude	a	viver	segundo	a	vontade	dele.</p><p>Tolerar	não	é	aceitar	o	pecado.	O	apóstolo	Paulo	não	pode	ser	tachado	de</p><p>intolerante	por	recusar-se	a	tolerar	a	imoralidade	sexual	na	igreja	de	Corinto,</p><p>onde	havia	imoralidade	que	não	ocorria	nem	entre	os	pagãos.	Ele	recomenda	aos</p><p>cristãos	que	não	se	associem	[participar	do	seu	estilo	de	vida]	com	qualquer	que,</p><p>dizendo-se	irmão,	seja	imoral,	avarento,	idólatra,	caluniador,	alcoólatra	ou</p><p>ladrão:	“Com	tais	pessoas	vocês	nem	devem	comer”	(1Co	5.1,11,12).	Mesmo	no</p><p>caso	de	Alexandre,	o	latoeiro,	cuja	expulsão	Paulo	via	como	disciplina	para	o</p><p>arrependimento	(1Co	5.2,5,13).</p><p>4.	Lembremo-nos	de	que	espírito	somos	(v.	55).</p><p>Jesus	repreende	os	seus	seguidores,	lembrando-lhes	que	estão	se	esquecendo	de</p><p>que	espírito	são.	O	Novo	Testamento	ensina	que	somos	de	Cristo	(1Co	1.30).	E</p><p>quem	é	de	Cristo	é	tolerante.	Quando	somos	carnais,	nos	deixamos	levar	por</p><p>invejas	e	contendas,	vivendo,	assim,	segundo	os	homens,	não	segundo	o	Espírito</p><p>de	Deus	(1Co	3.3).	Não	sejamos	do	nosso	jeito,	mas	do	jeito	de	Cristo.</p><p>5.	Evitemos	controvérsias	inúteis	(v.	56).</p><p>O	relato	termina	de	maneira	aparentemente	displicente:	“E	foram	para	outro</p><p>povoado”.	Isto	é:	eles	deixaram	o	povoado	samaritano,	onde	não	foram	tolerados</p><p>e	contra	o	qual	desejaram	manifestar	sua	natural	intolerância.	Essa	informação</p><p>significa	que,	instruídos	por	Jesus,	tiveram	a	sabedoria	de	buscar	outros</p><p>povoados	onde	pudessem	desenvolver	seu	ministério.	Ali	seria	lugar	de	ódio</p><p>mútuo,	de	controvérsia	inútil,	de	perder	de	vista	o	essencial	por	causa</p><p>do</p><p>acidental.</p><p>Ao	fazê-lo,	aprenderam,	como	mais	tarde	Paulo	recomendaria,	a	evitar</p><p>controvérsias	tolas,	genealogias,	discussões	e	contendas	a	respeito	da	Lei,</p><p>porque	essas	coisas	são	inúteis	e	sem	valor	(Tt	3.9).	Coisas	inúteis	e	sem	valor</p><p>são	aquelas	que	precisam	de	um	vencedor,	ao	final	do	processo.	Perca,	se	este</p><p>for	o	preço	do	respeito	pelo	outro	e	da	paz.</p><p>Os	discípulos	aprenderam	a	tolerar.	Deixaram	os	samaritanos	ali,	naquela	hora.</p><p>Mais	tarde,	os	samaritanos	seriam	evangelizados	pelo	missionário	Felipe,	um</p><p>dos	sete	líderes	da	igreja	que	nascia	(8.5-13).</p><p>PERGUNTAS	DE	RECAPITULAÇÃO</p><p>Podem	os	cristãos	se	tornar	intolerantes?</p><p>A	verdade	deve	prevalecer	sobre	o	amor?</p><p>Existe	algum	limite	para	conviver	com	a	diferença?</p><p>Como	distinguir	uma	conversa	apologética	útil	de	uma	inútil?</p><p>Enriqueça	sua	biblioteca</p><p>RECOMENDAÇÃO	BIBLIOGRÁFICA	REFERENTE	À</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Além	dos	livros	que	tratam	especificamente	de	apologética,	sugiro	a	leitura	dos</p><p>seguintes	títulos,	alguns	encontrados	apenas	em	bibliotecas	teológicas:</p><p>AGOSTINHO.	Cidade	de	Deus.	Petrópolis:	Vozes;	São	Paulo:	Paulus.	Defesa	do</p><p>cristianismo	contra	o	pessimismo	decorrente	da	derrocada	do	Império	Romano.</p><p>Século	5.</p><p>Carta	a	Diogneto,	autor	desconhecido.	Petrópolis:	Vozes;	São	Paulo:	Paulus.</p><p>Apresentação	da	fé	cristã	como	a	alma	do	mundo.	Século	3.</p><p>CHARDIN,	Pierre	Teilhard	de.	O	fenômeno	humano.	Porto:	Tavares	Martins.</p><p>Um	esforço	para	conciliar	a	teoria	da	evolução	com	a	revelação	bíblica.	Meados</p><p>do	século	20.</p><p>DOSTOIEVSKY,	F.M.	Os	irmãos	Karamazov.	São	Paulo:	Abril	Cultural.</p><p>Romance	em	que	se	debatem	os	grandes	temas	da	vida	e	da	fé.	Século	19.</p><p>GEISLER,	Norman.	Enciclopédia	de	apologética.	São	Paulo:	Vida.	Centenas	de</p><p>verbetes	sobre	temas	e	autores.	Século	21.</p><p>LEWIS,	C.S.	Cristianismo	puro	e	simples.	São	Paulo:	ABU.	Breve	teologia</p><p>sistemática,	com	olhos	nas	objeções	ao	cristianismo.	Meados	do	século	20.</p><p>RICHARDSON,	Alan.	Apologética	cristã.	Rio	de	Janeiro:	JUERP.	Tratamento</p><p>amplo	dos	temas	da	apologética.	Meados	do	século	20.</p><p>SCHAEFFER,	Francis.	A	morte	da	razão.	São	Paulo:	Cultura	Cristã.	Final	do</p><p>século	20.</p><p>STOTT,	John.	Ouça	o	Espírito,	o	ouça	o	mundo.	São	Paulo:	ABU.	Um	convite</p><p>ao	diálogo	permanente	com	a	cultura	contemporânea.	Final	do	século	20.</p><p>YANCEY,	Philip.	Rumores	de	outro	mundo.	São	Paulo:	Vida.	Discussão	sobre	a</p><p>validade	da	fé,	numa	perspectiva	cristã.	Século	21.</p><p>OBRAS	GERAIS</p><p>Padres	apologistas.	São	Paulo:	Paulus,	1995	(Carta	a	Diogneto,	Aristides	de</p><p>Atenas,	Taciano,	Atenágoras	de	Atenas,	Teófilo	de	Antioquia	e	Hérmias).</p><p>AZEVEDO,	Israel	Belo	de.	O	olhar	da	incerteza.	São	Paulo:	Prazer	de	Ler,	2000.</p><p>CHAPMAN,	Colin.	O	cristianismo	no	banco	dos	réus.	São	Paulo:	Vida	Nova,</p><p>1978.</p><p>COLSON,	Charles	e	PEARCEY,	Nancy.	E	agora	como	viveremos?	Rio	de</p><p>Janeiro:	CPAD,	2000.</p><p>MORELAND,	J.P.	e	CRAIG,	William	Lane.	Filosofia	e	cosmovisão	cristã.	São</p><p>Paulo:	Vida	Nova,	2005.</p><p>STROBEL,	Lee.	Em	defesa	da	fé.	São	Paulo:	Vida,	2002.</p><p>OBRAS	ESPECÍFICAS</p><p>Capítulo	1</p><p>AZEVEDO,	Israel.	As	cruzadas	inacabadas:	introdução	à	história	do</p><p>cristianismo	na	América	Latina.	Rio	de	Janeiro:	Gêmeos,	1980.</p><p>BONHOEFFER,	Dietrich.	Resistência	e	submissão.	São	Leopoldo:	Sinodal,</p><p>2001.	BOOM,	Corrie	Ten.	O	refúgio	secreto.	Belo	Horizonte:	Betânia,	1998.</p><p>LARSEN,	Dale	&	Sandy.	Sete	mitos	sobre	o	cristianismo:	uma	resposta	racional</p><p>às	críticas	que	fazem	ao	cristianismo.	São	Paulo:	Vida,	2000.</p><p>LIBÂNIO,	João	Batista.	Formação	da	consciência	crítica.	Petrópolis,	Vozes,</p><p>1980.	LUTZER,	Erwin.	A	cruz	de	Hitler.	São	Paulo:	Vida,	2004.</p><p>Capítulo	2</p><p>ALVES,	Rubem.	O	enigma	da	religião.	São	Paulo:	Brasiliense,	2000.	CRAIG,</p><p>Willian	L.	Veracidade	da	fé	cristã.	São	Paulo:	Vida	Nova,	2004.	LUTZER,</p><p>Erwin.	10	mentiras	sobre	Deus.	São	Paulo:	Vida,	2003.</p><p>NICHOLI,	Jr,	Armand	M.	Deus	em	questão	—	C.S.	Lewis	e	Freud	debatem</p><p>Deus,	amor,	sexo	e	o	sentido	da	vida.	Viçosa:	Ultimato,	2004.</p><p>RUSSELL,	Bertrand.	Porque	não	sou	cristão.	Rio	de	Janeiro:	Exposição	do</p><p>Livro,	1965.</p><p>SCHAEFFER,	Francis.	O	Deus	que	se	revela.	São	Paulo:	Cultura	Cristã,	2002.</p><p>SPROUL,	R.	C.	Razão	para	crer.	São	Paulo:	Mundo	Cristão,	1997.	STROBEL,</p><p>Lee.	Em	defesa	da	fé.	São	Paulo:	Vida,	2001.</p><p>ZACHARIAS,	Ravi.	Pode	o	homem	viver	sem	Deus?	São	Paulo:	Mundo</p><p>Cristão,	2002.</p><p>Capítulo	3</p><p>FERNANDO,	Ajith.	A	supremacia	de	Cristo.	São	Paulo:	Shedd,	2002.</p><p>KENNEDY,	D.J.	Por	que	creio.	5ª	ed.	Rio	de	Janeiro:	JUERP,	1992.</p><p>MCDOWELL,	Josh.	Mais	que	um	carpinteiro.	4.	ed.	Belo	Horizonte:	Betânia,</p><p>1985.</p><p>STROBEL,	Lee.	Em	defesa	de	Cristo.	São	Paulo:	Vida,	2001.</p><p>ZACHARIAS,	Ravy.	Por	que	Jesus	é	diferente.	São	Paulo:	Mundo	Cristão,</p><p>2002.</p><p>Capítulo	4</p><p>CRABB,	Larry.	Sonhos	despedaçados.	São	Paulo:	Mundo	Cristão,	2004.</p><p>KREEFT,	Peter.	Buscar	sentido	no	sofrimento.	São	Paulo:	Loyola,	1986.</p><p>LEWIS,	C.S.	O	problema	do	sofrimento.	São	Paulo:	Mundo	Cristão,	1983.</p><p>STANLEY,	Charles	F.	Como	lidar	com	o	sofrimento.	Belo	Horizonte:	Betânia,</p><p>1995.</p><p>SCHAEFFER,	Francis.	O	Deus	que	intervém.	São	Paulo:	Cultura	Cristã,	2002.</p><p>YANCEY,	Philip.	Onde	está	Deus	quando	chega	a	dor?	São	Paulo:	Vida,	2005.</p><p>Capítulo	5</p><p>COUSINS,	Peter	James.	Ciência	e	fé:	novas	perspectivas.	São	Paulo:	ABU,</p><p>1997.</p><p>GEISLER,	Norman;	HOWE,	Thomas.	Manual	popular	de	dúvidas,	enigmas	e</p><p>“contradições”	da	Bíblia.	São	Paulo:	Mundo	Cristão,	1999.</p><p>Capítulo	6</p><p>BERGNER,	Mário.	Amor	restaurado;	esperança	e	cura	para	o	homossexual.	São</p><p>Paulo:	Sepal,	2000.</p><p>FUKUYAMA,	Francis.	Nosso	destino	pós-humano:	consequências	da	revolução</p><p>da	biotecnologia.	Rio	de	Janeiro:	Rocco,	2003.</p><p>MEILAENDERT,	Gilbert.	Bioética;	uma	perspectiva	cristã.	São	Paulo:	Vida</p><p>Nova,	2ª	edição	revisada,	2009.</p><p>WHITE,	John.	Eros	&	sexualidade.	São	Paulo:	ABU,	1994.</p><p>.	O	eros	redimido.	Niterói:	Textus,	2004;	São	Paulo:	Mundo	Cristão.</p><p>Os	dois	títulos	a	seguir	expõem	visões	contrárias	às	defendidas	neste	livro:</p><p>HELMINIAK,	Daniel.	O	que	a	Bíblia	realmente	diz	sobre	a	homossexualidade.</p><p>São	Paulo:	GLS,	1994.</p><p>SPENCER,	Colin.	Homossexualidade:	uma	história.	Rio	de	Janeiro:	Record,</p><p>1996.</p><p>Capitulo	7</p><p>HOUSTON,	James	M.	Mentoria	espiritual.	Niterói:	Textus,	2003;	São	Paulo:</p><p>Mundo	Cristão.</p><p>MACARTHUR,	John	(org.).	Pense	biblicamente.	São	Paulo:	Hagnos,	2005.</p><p>PETERSON,	Eugene.	Coma	este	livro.	Niterói:	Textus,	2004;	São	Paulo:	Mundo</p><p>Cristão.</p><p>STOTT,	John.	Crer	é	também	pensar.	São	Paulo:	ABU.</p><p>Capitulo	8</p><p>AZEVEDO,	Israel.	A	celebração	do	indivíduo.	São	Paulo:	Vida	Nova,	2004.</p><p>CARDOSO,	Clodoaldo	Meneguello.	Tolerância	e	seus	limites.	São	Paulo:</p><p>Unesp,	2003.</p><p>HUME,	David.	História	natural	da	religião.	São	Paulo:	Unesp,	2005.</p><p>JOHNSON,	Phillip	E.	Ciência,	intolerância	e	fé.	São	Paulo:	ABU,	2004.</p><p>UNESCO.	A	intolerância.	Rio	de	Janeiro:	Bertrand,	2000.</p><p>VOLTAIRE.	Tratado	sobre	a	tolerância.	São	Paulo:	Martins	Fontes,	1993.</p><p>FONTES	ELETRÔNICAS</p><p>Todos	os	endereços	foram	visitados	em	fevereiro	de	2004.</p><p>Capitulo	1</p><p>O	pensamento	de	Bernardo	de	Clairvaux	pode	ser	encontrado	em	CLAIRVAUX,</p><p>Bernard.	Military	Orders.	Disponível	em	<http://	www.the-</p><p>orb.net/encyclop/religion/monastic/bernard.html.</p><p>Sobre	Miguel	Servetus,	a	sociedade	que	leva	seu	nome	mantém	uma	página</p><p>interessante:	<http://www.servetus.org/servetusbiography.html.</p><p>A	crítica	ateística	pode	ser	conferida	em	CLINE,	Austin.	Christianity	and</p><p>violence.	Disponível	em	<http://atheism.about.com/library/FAQs/</p><p>christian/blfaq_viol_índex.htm.</p><p>A	história	de	Telêmaco	pode	ser	lida	em:	COLSON,	Chuck.	Radical	faith:</p><p>Answers	to	mess	we’re	in,	áudio	tape.	Disponível	em	<http://</p><p>www.last7years.org/HP1102.htm.</p><p>Para	saber	mais	sobre	a	Corrie	Ten	Boom,	visite:</p><p><http://www.corrietenboom.com.</p><p>Uma	síntese	biográfica	de	Martin	Luther	King	Jr.,	de/sobre	quem	há	pouco</p><p>material	em	português,	está	disponíbilizada	em	<http://</p><p>www.thekingcenter.org/mlk/bio.html.</p><p>Sobre	o	esforço	de	reconciliação	na	Europa,	veja	“The	reconciliation	walk”.</p><p>Disponível	em	<http://www.soon.org.uk/page15.htm.</p><p>Capítulo	2</p><p>A	famosa	frase	de	Marx	está	também	em	MARX,	Karl.	Introdução	à	crítica	da</p><p>filosofia	do	direito	de	Hegel.	Disponível	em	<http://www.marxists.org/</p><p>português/marx/1844/criticafilosofiadireito/00-introdução.htm.</p><p>A	também	famosa	frase	de	Sigmund	Freud	pode	ser	encontrada	em	suas	obras</p><p>completas	(publicadas	no	Brasil	pela	editora	Imago)	e	também	FREUD,</p><p>Sigmund.	Conferência	introdutória	XXXV.	Disponível	em	<</p><p>http://br.groups.yahoo.com/group/política/message/15265?source=1.</p><p>O	pensamento	de	Bertrand	Russel	pode	ser	encontrado	também	em	RUSSELL,</p><p>Bertrand.	Porque	não	sou	cristão.	Disponível	em	<http://</p><p>www.positiveatheism.org/hist/russell0.htm.	Acessado	em	10.10.2003.	Cf.	ainda:</p><p><http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/seminário/	russell/cartasrussell.htm.</p><p>Uma	resposta	a	Freud	é	dada	por	NICHOLI,	Jr.,	Armand.	When	worldviews</p><p>collide.	Disponível	em	<http://www.leaderu.com/real/ri/nicholi.html.</p><p>Soren	Kierkegaard	está	citado	em	LUCCA,	Newton	de.	Malogro	de	um	ateísmo</p><p>ou	1ª	tentativa	de	explicar	a	minha	conversão.	Disponível	em</p><p><http://vitocesar.no.sapo.pt/pclucca.htm.</p><p>As	visões	de	Freud	e	C.S.	Lewis	estão	citadas	em	livros	e	também	em	NEFF,</p><p>David.	Two	cultural	giants.	Christianity	today,	22.04.2002.	Disponível	em</p><p><http://www.christianitytoday.com/ct/2002/005/4.64.html.</p><p>Capítulo	3</p><p>Uma	boa	argumentação	sobre	a	singularidade	de	Jesus	está	em	ROOD,	Rick.	Is</p><p>Jesus	the	only	Savior?	Disponível	em	<http://www.northave.org/</p><p>MGManual/JesusOnly/Savior1.htm.</p><p>Parte	da	obra	clássica	de	Sartre	(“O	existencialismo	é	um	humanismo”)	está</p><p>resumida	em	<http://www.terravista.pt/ancora/2254/11ano/	unidade6.htm.</p><p>O	pensamento	de	E.M.	Cioran	é	apresentado	por	MITCHELMORE,	Stephen.	To</p><p>infinity	and	beyond.	Disponível	em	<http://</p><p>www.spikemagazine.com/1197cior.htm.</p><p>Capítulo	4</p><p>A	obra	de	Castro	Alves	está	transcrita	também	na	internet:</p><p><http://www.secrel.com.br/jpoesia/calves02.html.</p><p>O	equivocado	artigo	de	Saramago	pode	ser	lido	em	SARAMAGO,	José.	O	fator</p><p>Deus.	Disponível	em	<http://www.midiaindependente.org/pt/blue/</p><p>2001/09/7316.shtml.	Um	comentário	aparece	em	MAIA	E	CASTRO,	Alípio.	No</p><p>Diário	de	Saramago:	um	humanismo	latente.	Disponível	em</p><p><http://www.hottopos.com.br/rih1/saramago.htm.</p><p>Servi-me	muito	na	argumentação	deste	capítulo	do	artigo	KNECHTLE,	Cliff.</p><p>Give	me	an	answer	(That	satisfies	my	heart	and	my	mind).	Resumo	disponível</p><p>em	<http://www.davenevins.com/loveofgod/topics/more/	suffering.htm.</p><p>A	frase	“Se	escolhemos	a	amargura,	então	jamais	pararemos	de	nos	ferir”	é	de</p><p>Rick	Warren.	WARREN,	Rick.	How	do	you	recover	from	disaster?	Disponível</p><p>em	[<http://www.pastors.com/RWMT/?ID=127]</p><p>(http://www.pastors.com/RWMT/?ID=127)</p><p>Capítulo	5</p><p>A	afirmação	sobre	o	fator	inócuo	da	oração	intercessória	é	de	WILLIAMSON,</p><p>James	W.	Debunking	medical	prayer	studies	let	us	pray	that	people	stop	praying.</p><p>Disponível	em	<http://www.geocities.com/	inquisitive79/prayer.html.</p><p>Há	várias	fontes	sobre	as	descobertas	e	negações	científicas	do	efeito	da	oração.</p><p>Veja:	WILLIAMS,	Debra.	Scientific	research	of	prayer:	Can	the	power	of	prayer</p><p>be	proven?	Disponível	em	<http://www.plim.org/	PrayerDeb.htm</p><p>Acessado	em	12.2.2004;	MERCOLA,	Joseph.	The	power	of	prayer:	more</p><p>evidence.	Disponível	em	<http://www.mercola.com/2001/	jun/30/prayer.htm;</p><p>AVILES,	Jennifer	M.,	e	outros.	Intercessory	prayer	and	cardiovascular	disease</p><p>progression	in	acoronary	care	unit	population:	a	randomized	controlled	trial.</p><p>Disponível	em	<http://www.mayo.edu/	proceedings/2001/dec/7612a1.pdf;	‘No</p><p>health	benefit’	from	prayer.	http://news.bbc.co.uk/1/hi/health/3193902.stm;</p><p>KOENIG,	Harold.</p><p>Religion,	spirituality,	and	medicine:	how	are	they	related	and	what	does	it</p><p>mean?	Disponível	em	<http://www.mayo.edu/proceedings/2001/dec/	7612e.pdf;</p><p>HVIDT,	Niels	Christian.	Medical	miracles	and	theology.</p><p>http://www.hvidt.com/en/PostDoc.</p><p>Informações	sobre	expectativa	de	vida	estão	em	SROUGI,	Miguel.	A	medicina</p><p>pode	vencer	a	morte?	Folha	de	S.Paulo,	de	11.2.2004,	p.	A-3.	Disponível	em</p><p><http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opinião/fz1102200409.htm.</p><p>Parte	do	material	do	tópico	“Passos	Para	Uma	Fé	Bíblica”	veio	de	HVIDT,	Niels</p><p>Christian.	Medical	miracles	and	theology.	Disponível	em</p><p><http://www.ibri.org/Books/Newquist_Nat_Sci/natsci-prelims/natsci-index.htm.</p><p>Capítulo	6</p><p>Informações	sobre	a	relação	entre	genética	e	comportamento	homossexual</p><p>podem	ser	encontradas	em	Genetics	&	Human	Behaviour</p><p>Current	findings:	quantitative	genetics.	Disponível	em	<http://</p><p>www.nuffieldbioethics.org/publications/geneticsandhb/	rep0000001033.asp;</p><p>NEWMAN,	Dara.	The	genetics	of	homosexuality.	Disponível	em</p><p><http://serendip.brynmawr.edu/biology/b103/f97/	projects97/Newman.html;</p><p>MACNAIR,	Trisha.	Genetics	and	human	behaviour.	Disponível	em</p><p><http://www.bbc.co.uk/health/features/	genes_behaviour.shtml.	NAGHIBI,</p><p>Sahar.	The	possible	genetics	of	homossexuality.	Disponível	em</p><p><http://www.bol.ucla.edu/~snaghibi/	genetics.html;	HO,	Mae-Wan.	The	human</p><p>genome	map,	the	death	of	genetic	determinism	and	beyond;	ISIS	Report	14</p><p>Feb.	2001.	Disponível	em	http://www.i-sis.org.uk/HumangenTWN-pr.php;</p><p>Homosexuality:	genetics	or	environment?	Discerning	the	Times	Digest	and</p><p>NewsBytes.	Disponível	em</p><p><http://www.discerningtoday.org/members/Digest/2001digest/mar/</p><p>homosexuality_genetics_or_enviro.htm;	SUURKÜLA,	Jaan.	The	new</p><p>understanding	of	genes.	Disponível	em	<http://www.psrast.org/	newgen.htm.</p><p>A	argumentação	homossexual	pode	ser	vista	em	<http://	www.religion1.com/</p><p>The_Facts_on_Homosexuality_The_Anker_1565072588.html.</p><p>A	frase	“Até	agora,	a	ciência	buscou	em	vão	uma	causa	física	para	a</p><p>homossexualidade”	é	de	WHITE,	John.	Citado	por	SANTOLIN,	João	Luiz.	O</p><p>que	é	homossexualismo.	Diponivel	em	<http://www.moses.org.br/artigos/</p><p>mostra_artigo.asp?ID=30.</p><p>A	frase	“A	liberdade	humana	reside	precisamente	na	capacidade	de	se	escolher</p><p>um	destino	diante	de	todos	os	fatores	ambientais”	está	em	MILLER,	Paul	D.</p><p>Gay	rights	stand	or	fall	regardless	of	‘gay	genes’.	Disponível	em</p><p><http://www.ksg.harvard.edu/citizen/00apr17/mill0417.html.</p><p>As	críticas	a	biologização	da	vida	são	de	TERRY,	Tom.	Homossexuality:</p><p>genetics	&	the	Bible.	Cutting	Edge	Magazine.	Disponível	em	<http://</p><p>www.qrd.org/qrd/religion/judeochristian/</p><p>another.effort.at.explaining.the.bible.and.queers.</p><p>Capítulo	7</p><p>Um	resumo	do	pensamento	de	Harry	Blamires	é	cometido	por	GOWENS,</p><p>Michael	L.	Developing	a	christian	mind.	Disponível	em	<http://</p><p>www.sovgrace.net/christmd.htm.	É	de	Gowens	a	frase:	“Como	seguidores	de</p><p>Jesus	Cristo,	eu	e	você	não	temos	o	direito	de	determinar	o	que	iremos	crer	ou	de</p><p>desenvolver	nossa	própria	filosofia	de	vida”.</p><p>Informações	sobre	o	comportamento	dos	evangélicos	nos	Estados	Unidos	podem</p><p>ser	obtidas	em	www.barna.org.</p><p>O	quadro	comparativo	entre	cristianismo	e	secularismo	foi	desenvolvido	a	partir</p><p>de	HAYNES,	Bill.	Developing	a	Christian	Worldview.	Disponível	em</p><p><http://www.aclj.org/news/bibpers/020124_worldview.asp.</p><p>O	pensamento	de	Stott	pode	ser	encontrado	também	em	STOTT,	John.</p><p>Desarrollando	una	mente	cristiana.	Disponível	em	<http://</p><p>www.sigueme.com.ar/vida/temas/00005_la_mente_stott.htm.</p><p>A	frase	“O	desenvolvimento	de	uma	mente	cristã	não	implica	uma	jornada	ao</p><p>mundo	subjetivo	de	alguém”	é	de	MADANY,	Bassam	M.	The	Christian	mind.</p><p>Disponível	em	<http://www.safeplace.net/members/mer/	mer_a016.htm.</p><p>A	referência	a	nossa	mente	como	campo	de	batalha	é	de	CHAPMAN,	Tim.	The</p><p>discipline	of	a	christian	mind.	Disponível	em	<http://</p><p>www.geocities.com/the_theologian/content/pastoralia/discipline.html.	Cf.</p><p>SKINNER,	Douglas	B.	Thinking	Christianly.	Disponível	em	<http://</p><p>www.northwaychristian.org/Sermons/2004-01-04.htm.</p><p>A	frase	“Uma	mente	cristã	é	ineficaz	sem	um	caráter	cristão”	é	de	LEWIS,	C.S.</p><p>Citada	em	<http://www.palmettoanglican.blogspot.com/</p><p>2003_12_01_palmettoanglican_archive.html.</p><p>Capítulo	8</p><p>Para	este	capítulo,	usei	bastante	o	artigo	de	GARRETT,	JR.,	James	Leo.</p><p>Religious	freedom:	why	and	how	in	today’s	world.	Disponível	em	<http://</p><p>www.preciousheart.net/religious%20freedom/Advocates_3a.htm.</p><p>Cover Page</p><p>Apologética cristã</p><p>Apresentação</p><p>Introdução</p><p>1. Por que propagar um cristianismo cuja história está cheia de violência?</p><p>2. Não é a religião uma ilusão?</p><p>3. É politicamente correto afirmar que só Jesus salva?</p><p>4. Como crer em um Deus amoroso, que permite o sofrimento?</p><p>5. Como</p><p>acreditar em milagres, se a ciência não os confirma?</p><p>6. E se a homossexualidade for genética?</p><p>7. Por uma mente bíblica</p><p>8. Elogio da tolerância</p><p>Enriqueça sua biblioteca</p><p>exemplo.	Reúna	todos	os	dados.	Leia	tudo	o	que	for	possível	sobre	uma</p><p>determinada	questão,	criticando	os	argumentos	dos	autores,	mesmo	aqueles	com</p><p>os	quais	concorde.	Disponha-se	a	gastar	tempo.	Não	se	contente	com	uma	visão</p><p>superficial,	nem	caricatural	do	tema.	Procure	dominar	o	assunto.</p><p>7.	Ouça	sempre	o	outro	lado</p><p>Fundamente	seus	argumentos	a	partir	de	fontes	primárias.	Se	discordar	de	um</p><p>autor,	faça-o	a	partir	dos	escritos	dele,	e	não	da	opinião	de	terceiros.	A</p><p>honestidade	intelectual	não	pode	ser	infamada,	nem	por	uma	boa	causa.</p><p>8.	Firme-se	no	foco,	na	meta	da	apologética</p><p>Não	confunda	polêmica,	que	trata	de	questões	doutrinárias	entre	confissões</p><p>cristãs,	com	apologética,	um	método	de	evangelização	a	partir	da	defesa	racional</p><p>da	fé	cristã	bíblica.</p><p>9.	Contribua	para	pôr	a	razão	em	seu	devido	lugar</p><p>A	razão	é	essencial,	mas	não	tudo.	O	racionalismo	consiste	num	tipo	de</p><p>reducionismo	porque	reduz	a	vida	a	uma	só	dimensão.	Cuide	para	que	a	razão</p><p>não	seja	entronizada	no	altar.	Ela	é	apenas	um	instrumento	para	a	compreensão	e</p><p>também	deve	ser	um	instrumento	para	a	felicidade.</p><p>10.	Dependa	do	poder	do	Espírito	Santo</p><p>Não	alimente	a	pretensão	de	que	você	pode	convencer	as	pessoas	de	seu	pecado,</p><p>do	juízo	que	lhes	sobrevirá	e	da	necessidade	de	arrependimento.	Essa	tarefa	é	do</p><p>Espírito	Santo.	Você	é	apenas	um	instrumento.	Não	espere	resultados	como</p><p>frutos	de	sua	competência.</p><p>¹	Alguns	preferem	denominá-la	Era	Comum,	por	entenderem	tratar-se	de</p><p>expressão	mais	respeitosa	com	as	demais	religiões.↩</p><p>1</p><p>Por	que	propagar	um	cristianismo	cuja	história	está</p><p>cheia	de	violência?</p><p>Estou	convencido	de	que	o	amor	é	o	poder	mais	duradouro	do</p><p>mundo.	O	amor	não	é	uma	forma	de	idealismo	vazio,	mas	de</p><p>realismo	prático.	Longe	de	ser	conclusão	de	um	sonhador	utópico,	o</p><p>amor	é	uma	necessidade	absoluta	para	a	sobrevivência	de	nossa</p><p>civilização.	Voltar	ao	ódio	pelo	ódio	apenas	intensifica	a	existência</p><p>do	mal	no	universo.	Todos	precisamos	de	razão	e	religião	bastantes</p><p>para	quebrar	a	cadeia	do	ódio	e	do	mal,	e	isto	só	pode	se	dar	através</p><p>do	amor.</p><p>Martin	Luther	King,	Jr.</p><p>A	instrução	de	Jesus	Cristo	pouco	antes	de	partir	foi	e	é	clara:	“Os	onze</p><p>discípulos	foram	para	a	Galileia,	para	o	monte	que	Jesus	lhes	indicara.	Quando	o</p><p>viram,	o	adoraram;	mas	alguns	duvidaram.	Então,	Jesus	aproximou-se	deles	e</p><p>disse:	‘Foi-me	dada	toda	a	autoridade	nos	céus	e	na	terra.	Portanto,	vão	e	façam</p><p>discípulos	de	todas	as	nações,	batizando-os	em	nome	do	Pai	e	do	Filho	e	do</p><p>Espírito	Santo,	ensinando-os	a	obedecer	a	tudo	o	que	eu	lhes	ordenei.	E	eu</p><p>estarei	sempre	com	vocês,	até	o	fim	dos	tempos’”	(Mt	28.16-20;	NVI).</p><p>Uma	pergunta,	entretanto,	precisa	ser	feita:	Por	que	propagar	um	cristianismo</p><p>cuja	história	está	cheia	de	violência?</p><p>UMA	HISTÓRIA	CHEIA	DE	VIOLÊNCIA</p><p>Não	podemos	negar:	a	instrução	de	Jesus	tem	sido	cumprida,	às	vezes	até</p><p>imposta	com	violência	a	fim	de	convencer	e	converter.	Em	nome	de	Cristo,	tem</p><p>havido	guerras,	divisões,	saques,	assassinatos	e	torturas.</p><p>A	história	do	cristianismo	está	manchada	não	só	pelo	sangue	de	seus	mártires,</p><p>mas	também	pelo	sangue	dos	mártires	que	fez.	Vejamos	alguns	exemplos.</p><p>1.	Ano	324:	Constantino	instituiu	o	cristianismo	como	única	religião	oficial	do</p><p>Império	Romano.	Os	templos	a	deuses	pagãos	foram	destruídos	e	alguns	de	seus</p><p>sacerdotes	torturados	até	a	morte.	Para	dominar,	seus	sucessores	seguiram	o</p><p>mesmo	caminho	de	violência.</p><p>2.	Período	entre	os	séculos	11	e	16:	milhares	de	europeus	se	dirigiram	à	Palestina</p><p>com	a	intenção	de	liberar	os	chamados	lugares	santos	(a	partir	de	Jerusalém)	das</p><p>mãos	dos	muçulmanos.	Todas	as	cruzadas	foram	convocadas	a	partir	do	púlpito.</p><p>Cada	guerreiro,	considerado	um	soldado	da	igreja	católica,	pronunciava	um	voto</p><p>solene,	recebia	uma	cruz	das	mãos	do	papa	ou	de	um	de	seus	representantes	e</p><p>indulgências	e	privilégios	temporais	diversos.	O	clima	pode	ser	mais	bem</p><p>entendido	por	uma	frase	de	Bernardo	de	Clairvaux:	“O	cristão	se	gloria	na	morte</p><p>de	um	pagão	porque	Cristo	é	glorificado”.	Houve	saque,	destruição	de	templos,</p><p>tortura	e	mortes.</p><p>3.	Século	13:	para	suprimir	heresias,	a	igreja	católica	constituiu	a	inquisição,</p><p>com	poder	para	condenar	por	desvios	doutrinários	e	morais.	Ser	judeu	era	crime,</p><p>assim	como	ser	muçulmano.	Mais	tarde,	ser	protestante	também	passou	a</p><p>constituir	crime,	como	praticar	bruxaria	e	pensar	diferentemente.	Os	julgamentos</p><p>eram	secretos,	prática	comum	nos	tribunais	de	então.	Os	hereges	eram	caçados	e</p><p>interrogados.	O	inquisidor	usava	quatro	métodos	para	obter	a	confissão:	ameaçar</p><p>com	a	morte	na	fogueira;	com	uma	prisão	mais	rigorosa,	que	incluía	corte	da</p><p>alimentação;	enviar	pessoas	treinadas	que	tentariam	obter	a	confissão	por	meio</p><p>da	persuasão,	e	torturar.	Condenados,	os	hereges	eram	encaminhados	ao	poder</p><p>civil,	que	fazia	cumprir	a	punição,	entre	as	quais	vigoravam	o	confisco	dos	bens</p><p>e	a	morte	na	fogueira.</p><p>4.	Miguel	Servetus	(1511-1553):	o	médico	e	teólogo	que	esposava	ideias</p><p>equivocadas	sobre	a	Trindade	e	outros	temas	foi	condenado	pela	inquisição</p><p>francesa.	Ao	fugir	para	a	Suíça,	onde	João	Calvino	dominava	o	cenário	religioso</p><p>e	político,	foi	preso	e	queimado	vivo	numa	fogueira.</p><p>5.	Camponeses	da	Alemanha:	interessaram-se	pelo	pensamento	de	Lutero	e</p><p>chegaram	a	crer	que	ele	se	solidarizaria	com	sua	luta	contra	a	abolição	imediata</p><p>da	ordem	feudal	e	dos	castigos	arbitrários.	Reivindicavam	direito	à	caça	e	ao</p><p>pagamento,	em	dinheiro,	pelos	serviços	prestados.	Enquanto	o	movimento	estava</p><p>dirigido	contra	o	clero	católico,	Lutero	o	apoiou,	mas	quando	a	ameaça	recaiu</p><p>sobre	os	senhores	feudais,	alguns	já	seguidores	de	Lutero,	o	reformador	sugeriu</p><p>(1525)	um	acordo,	rejeitado	pelos	camponeses.	Lutero	concordou	com	a</p><p>“guerra”	e	cem	mil	deles	morreram.</p><p>6.	Paris:	os	católicos	massacraram	os	huguenotes	(denominação	dos	protestantes</p><p>naquele	país),	no	dia	de	São	Bartolomeu	(1572).	Surpreendidos	em	ruas	e	casas,</p><p>o	número	de	mortos	pode	ter	alcançado	60	mil.	O	almirante	protestante	Gaspar</p><p>de	Coligny	exercia	grande	influência	sobre	o	rei	Carlos	IX.	Sua	mãe	Catherine</p><p>de	Médicis,	ajudada	pelo	Duque	de	Guise,	comandou	uma	revolta	popular,	cujo</p><p>objetivo	era	matar	os	líderes	huguenotes.</p><p>7.	Século	20:	ocorre,	ainda	na	Europa,	o	holocausto	judeu,	comandado	por	Adolf</p><p>Hitler,	que	na	Alemanha	contou	com	a	conivência	de	católicos	e	protestantes.	As</p><p>igrejas	cristãs	não	levantaram	a	voz	contra	o	genocídio.	Na	Espanha,	a	igreja</p><p>católica	apoiou	o	ditador	Franco	e,	em	Portugal,	a	ditadura	salazarista.	Nos	dois</p><p>países,	as	igrejas	católicas	se	beneficiaram	muito	da	aliança	com	o	governo,</p><p>enquanto	suprimiam	a	liberdade	pela	força.</p><p>8.	América	Latina:	com	a	participação	do	clero	católico,	a	população	indígena</p><p>foi	dizimada	(isto	é,	sobrou	o	dízimo	do	que	antecedia	a	chegada	dos</p><p>exploradores).	A	redução	indígena	fazia	parte	do	projeto	colonizador,	de	que	o</p><p>cristianismo	católico	era	parte	integrante.</p><p>9.	Tráfico	de	escravos	negros	para	as	Américas:	foi	comandado	pela	Inglaterra,</p><p>um	dos	maiores	traficantes,	a	qual	colocava	o	nome	de	Jesus	em	seus	navios.	Na</p><p>América	do	Norte,	os	fazendeiros	protestantes	possuíam	escravos.	Os	pastores</p><p>que	defendiam	a	abolição	eram	punidos.	Na	América	Central	e	do	Sul,	poucas</p><p>vozes	se	levantaram	para	defender	os	negros,	que	chegavam	aos	milhares</p><p>anualmente.	As	fazendas	católicas	também	mantinham	escravos,	como	os</p><p>imigrantes	protestantes	norte-americanos.</p><p>10.	Brasil	recente:	enquanto	os	governos	militares	torturavam	presos	políticos,</p><p>pastores	evangélicos	frequentavam	palácios,	abstendo-se	de	críticas	e	de</p><p>resistência	à	tortura	contra	dissidentes.</p><p>Isso	mostra	a	que	ponto	os	adversários	do	cristianismo	podem	chegar	e	que	a	fé</p><p>cristã	é	compatível	com	a	violência	ou	até	sua	promotora.	Um	ateu	e	crítico	do</p><p>cristianismo	escreveu:	“É	irônico	que	a	religião	que	tão	amplamente	proclama</p><p>como	fundamento	o	Amor	Absoluto	tenha,	ao	longo	da	história,	produzido	tanto</p><p>ódio	e	tanta	violência”.	Segundo	essa	visão,	o	cristianismo	falhou	em	inspirar</p><p>melhoria	de	conduta	entre	as	pessoas	ao	estimular	o	que	há	de	pior	no</p><p>comportamento	humano.</p><p>Se	tomarmos	esses	exemplos,	notaremos,</p><p>sem	dificuldade,	que	decorreram	de</p><p>fatores	estranhos	à	fé	cristã.	Alguns	surgiram	como	fruto	da	subserviência	da</p><p>igreja	ao	Estado,	seja	por	uma	eficiente	política	de	dominação,	seja	pelos</p><p>benefícios	econômicos	e	políticos	que	esse	tipo	de	aliança	permite	e	que	levou	o</p><p>cristianismo	a	deixar	o	papel	de	perseguidor	para	tornar-se	perseguido,	como</p><p>ocorreu	no	tempo	do	imperador	Constantino	(século	4).</p><p>Outro	fator	nasce	de	uma	deformação	fundamentalista,	presente	ao	tempo	de</p><p>Jesus	em	seus	principais	opositores,	os	fariseus.	A	verdade	deve	ser	pregada,	não</p><p>imposta.	Nem	ela	nem	a	fé	são	maiores	que	o	amor.	O	fundamentalista,	no</p><p>entanto,	assume	o	lugar	de	Deus	na	defesa	da	verdade,	geralmente	da	sua</p><p>verdade,	com	consequências	trágicas,	como	o	foi	a	inquisição,	por	exemplo.</p><p>Não	podemos	esquecer	que	os	cristãos	também	têm	demonstrado,	ao	longo	da</p><p>história,	uma	tendência	a	se	alinhar	aos	detentores	do	poder,	independentemente</p><p>do	que	forem,	numa	equivocada	interpretação	do	mandamento	bíblico	de	que</p><p>devemos	honrar	as	autoridades.	Como	já	se	disse,	a	síndrome	de	Romanos	13</p><p>tem	vitimado	os	cristãos,	que	se	esquecem	de	ler	Apocalipse	13,	onde	as</p><p>autoridades	são	chamadas	de	bestas.</p><p>O	QUE	OS	CRÍTICOS	NÃO	PODEM	ESQUECER</p><p>Está	na	moda	bater	no	cristianismo,	inclusive	no	que	ele	tem	de	mais	precioso,</p><p>que	é	a	ideia	e	a	prática	da	redenção.	O	ser	humano	abomina	o	fato	de	ser</p><p>pecador	e	de	que	precisa	se	arrepender.	Quando	o	cristianismo	lembra	essa</p><p>profunda	verdade,	é	criticado	como	politicamente	incorreto,	como	tendo	uma</p><p>moralidade	para	perdedores.</p><p>1.	Honestidade	intelectual</p><p>Um	crítico,	no	entanto,	deve	ter	compromisso	com	a	verdade.	Só	há	diálogo</p><p>quando	existe	honestidade	intelectual.	Que	honestidade	há	nesta	frase?	“Não	se</p><p>pode	ignorar	que	o	cristianismo	oferece	uma	conveniente	ordem	divina	para</p><p>ações	odiosas	e	violentas	contra	um	amplo	círculo	de	pessoas”.	Onde	se</p><p>encontra,	no	Novo	Testamento,	uma	instrução	dessa	natureza?	Onde	no	Novo</p><p>Testamento	há	uma	prática	desse	tipo?	Pelo	contrário,	o	mandamento	de	Jesus	é</p><p>amar	ao	próximo	como	a	si	mesmo,	inclusive	ao	inimigo	(Mt	5.44),	mesmo	que</p><p>ele	aja	de	modo	violento	(Mt	5.39).	A	instrução	apostólica	é	que	não	se	deve</p><p>apenas	amar	de	palavras,	mas	com	ações	efetivas	(1Jo	3.18).</p><p>2.	Atenção	ao	anacronismo</p><p>O	presente	sempre	julga	o	passado;	é	inevitável.	No	entanto,	não	pode	fazê-lo</p><p>apenas	com	as	luzes	do	presente.	Aos	olhos	de	hoje,	o	apóstolo	Paulo	nada	fez</p><p>para	combater	a	escravidão.	No	entanto,	ele	recomenda	a	um	senhor	de	escravos</p><p>que	receba	um	servo	fugitivo	como	se	fosse	um	irmão,	como	um	igual.	O</p><p>apóstolo	considerava	aquele	escravo	como	seu	coração	(Fm	1.12).	O	convite	à</p><p>igualdade	é	uma	negação	do	sistema	escravagista,	baseado	na	desigualdade</p><p>natural.</p><p>Os	cristãos,	por	exemplo,	tinham	escravos	quando	todos	os	tinham.	Não	se	pode</p><p>esquecer	que	a	luta	contra	a	escravidão	tem	material	de	sobra	no	Novo</p><p>Testamento,	a	partir	da	afirmação	de	que	em	Cristo	não	há	distinção	entre	livres</p><p>e	escravos	(Gl	3.28).</p><p>3.	A	natureza	humana</p><p>Os	erros	dos	cristãos,	individual	e	institucionalmente,	são	mais	uma</p><p>demonstração	da	verdade	bíblica	segundo	a	qual	no	homem	não	habita	bem</p><p>algum	(Rm	7.18).	Todos,	cristãos	e	não-cristãos,	são	pecadores,	que	continuam</p><p>pecando	porque	esta	é	a	sua	natureza.	A	violência	está	inscrita	na	psique</p><p>humana.	Muito	antes	de	Freud,	esta	condição	humana	já	está	registrada	na</p><p>Bíblia.	Por	isso,	os	cristãos,	são	convidados	a	não	dar	lugar	a	inimizades,</p><p>contendas,	ciúme,	iras,	facções,	dissensões	e	partidos	(Gl	5.20).	Antes,	são</p><p>estimulados	a	atitudes	de	amor,	paz,	longanimidade,	benignidade,	bondade,</p><p>mansidão	e	domínio	próprio	(Gl	5.22,23).</p><p>4.	A	validade	da	mensagem</p><p>Os	críticos	do	cristianismo,	ainda	que	de	posse	de	informações	corretas,</p><p>equivocam-se	em	ignorar	o	valor	intrínseco	da	mensagem	cristã.	Não	se	pode</p><p>negar	a	mensagem	por	causa	da	falha	de	suas	testemunhas.</p><p>O	próprio	Jesus	é	uma	demonstração	essencial	do	amor	de	Deus,	porque	morreu,</p><p>em	nosso	lugar,	vítima	da	violência,	para	que	ela	fosse	eliminada.	A	pregação	de</p><p>Jesus	é	essencialmente	contrária	a	qualquer	tipo	de	violência.	A	vida	de	Jesus	é</p><p>uma	prova	do	que	o	amor	é	capaz.	Ele	mesmo	perdoou	seus	algozes.</p><p>5.	O	joio	do	trigo</p><p>Os	críticos	do	cristianismo	não	podem	esquecer	que	nem	toda	a	violência	dita</p><p>religiosa	é	de	fato	violência	religiosa.	Quem	em	sã	consciência	pode	dizer	que	o</p><p>conflito	entre	católicos	e	protestantes	na	Irlanda	é	religioso?	Lamento	essa</p><p>violência	política	que	uma	cultura	religiosa	não	consegue	conter.	Por	culpa	dos</p><p>cristãos,	a	religião	tem	sido	manipulada	para	legitimar	interesses	ideológicos	e</p><p>econômicos.	As	guerras	são	travadas	por	questões	financeiras,	mas	acabam</p><p>sendo	chamadas	de	“guerras	de	religião”.</p><p>6.	Os	mártires	contra	a	violência</p><p>Há	uma	galeria	de	cristãos	que	entregaram	literalmente	suas	vidas	pela	paz.</p><p>Agiram	assim	por	causa	de	sua	fé.	Vejamos	alguns	destes	cristãos	defensores	da</p><p>paz.</p><p>Telêmaco	(século	5).	O	monge	Telêmaco	chegou	a	Roma	e	deparou	com	o</p><p>espetáculo	dos	gladiadores,	em	que	homens	se	enfrentavam	até	a	morte	para	a</p><p>glória	do	imperador.	Por	discordar,	entrou	na	arena	e,	gritando,	protestou:	“Em</p><p>nome	de	Cristo,	parem”.	Um	gladiador	se	aproximou	dele	e	feriu-o	no</p><p>estômago.	Fez-se	silêncio	no	anfiteatro.	Um	homem	ficou	em	pé	e	saiu.	Em</p><p>poucos	minutos,	o	coliseu	estava	vazio.	Foi	a	última	disputa	de	gladiadores	da</p><p>história	de	Roma.</p><p>Bartolomé	de	las	Casas	(1484-1566).	Entre	os	padres	espanhóis	enviados	à</p><p>América	Central	estava	Bartolomé	de	las	Casas,	que	viu	a	destruição</p><p>perpetrada	por	seus	conterrâneos,	que	segundo	ele,	matavam,	incendiavam	e</p><p>queimavam	índios.	Sua	ação	provocou	mudanças	no	projeto	colonial	e	serviu	de</p><p>exemplo	para	os	que,	depois	dele,	se	interessaram	pela	justiça.</p><p>William	Wilberforce	(1759-1833).	Político	inglês	que,	ao	converterse	ao</p><p>cristianismo	evangélico,	interessou-se	pela	reforma	social,	tornando-se	líder	do</p><p>movimento	contra	o	tráfico	de	escravos	africanos.	Pouco	depois	de	sua	morte,	o</p><p>parlamento	aboliu	a	escravidão	nas	colônias	inglesas.</p><p>Martin	Niemöller	(1892-1984).	Pastor	batista	e	um	dos	primeiros	a	levantar	a</p><p>voz	contra	Hitler.	O	Führer	se	irritou	com	a	popularidade	dos	sermões	de</p><p>Niemöller	e	mandou	prendê-lo.	Libertado	em	1945,	criticou	severamente	a</p><p>igreja	evangélica	alemã	por	sua	omissão.	É	dele	o	seguinte	texto:	“Primeiro,</p><p>eles	investiram	contra	os	comunistas,	mas	eu	não	era	comunista	e	me	calei.</p><p>Depois,	investiram	contra	os	socialistas	e	os	sindicalistas,	mas	eu	não	era</p><p>nenhum	deles,	e	me	calei.	Depois,	eles	investiram	contra	os	judeus,	mas	eu	não</p><p>era	judeu	e	me	calei.	Quando	investiram	contra	mim,	não	havia	ninguém	para</p><p>me	defender”.</p><p>Família	Ten	Boom.	Durante	a	Segunda	Guerra	Mundial,	a	casa	dos	Ten	Boom</p><p>transformou-se	em	refúgio	para	os	que	fugiam	do	nazismo.	Eles	(o	pai,	Casper,	e</p><p>as	filhas	Corrie,	autora	de	O	refúgio	secreto,	e	Betsie)	arriscaram	a	vida,</p><p>resistindo	pacificamente	em	decorrência	de	sua	fé.	Eles	esconderam	judeus,</p><p>estudantes	que	se	recusavam	a	cooperar	com	o	nazismo	e	membros	da</p><p>resistência	holandesa.	Cerca	de	800	judeus	escaparam	da	morte	graças	aos	Ten</p><p>Boom.	Quatro	membros	da	família	morreram	na	prisão.	Corrie	sobreviveu.</p><p>Martin	Luther	King	Jr.	(1929-1968).	Nos	Estados	Unidos,	o	preconceito	racial</p><p>estava	de	tal	modo	arraigado	que	muitas	pessoas	morreram	por	defenderem	a</p><p>igualdade	de	direitos	para	todos.	Entre	eles,	estava	o	pastor	batista	Martin</p><p>Luther	King	Jr.	Seus	discursos	e	suas	ações	contra	a	violência	formaram	a</p><p>consciência	de	uma	geração.	Acabou	assassinado,	mas	o	país	já	mudara,	e</p><p>mudaria	ainda	mais.	Sua	família	é	uma	demonstração	dos	princípios	pacifistas</p><p>do	cristianismo.	Sua	mãe,	Alberta,	foi	assassinada,	também	a	tiros,	enquanto</p><p>tocava	órgão	em	sua	igreja	(em	Atlanta).	O	marido,	Martin	Luther	King,	disse</p><p>no	funeral:	“Eu	não	posso	odiar	uma	pessoa”.	O	filho,	quando	recebeu	o</p><p>Prêmio	Nobel	da	Paz,	anotou:	“Eu	me	recuso	a	aceitar	a	cínica	ideia	de	que</p><p>nação	após	nação	precisam	desencadear	uma	corrida	militarista	até	o	inferno</p><p>de	uma	destruição	termonuclear.	Eu	creio	que	a	verdade</p><p>desarmada	e	o	amor</p><p>incondicional	terão	a	palavra	final.	E	isto	porque	o	direito	temporariamente</p><p>derrotado	é	mais	forte	que	o	mal	triunfante”.</p><p>O	QUE	OS	CRISTÃOS	PRECISAM	FAZER</p><p>É	um	erro	fazer	de	conta	que	nada	aconteceu,	porque	muitos	fatos	da	história</p><p>contradizem	o	ensino	e	a	prática	de	Jesus.</p><p>1.	Desenvolvamos	nossa	consciência	crítica</p><p>Não	precisamos	negar	a	história.	Precisamos,	sim,	de	uma	consciência	crítica</p><p>que	nos	ajude	a	ver	os	erros	dos	outros	e	os	nossos,	do	passado	e	de	hoje.</p><p>É	incômodo	tomar	conhecimento	de	nossas	mazelas,	mas	é	necessário.</p><p>Precisamos	conhecer	nossa	história,	com	suas	realizações	positivas	e	seus</p><p>equívocos.	O	triunfalismo	não	nos	ajuda	em	nossa	reflexão.	Nosso	modelo</p><p>historiográfico	deve	ser	o	Antigo	Testamento:	quando	Abraão,	Moisés	e	Davi</p><p>pecaram,	seus	erros	foram	publicados.	Nada	foi	escondido.</p><p>2.	Peçamos	perdão</p><p>Precisamos	pedir	perdão	pelos	erros	do	passado,	seja	o	silêncio	majoritário	na</p><p>Alemanha,	seja	o	silêncio	conivente	na	ditadura	brasileira	dos	anos	60.	Um	bom</p><p>exemplo	foi	o	gesto	de	alguns	cristãos	por	ocasião	dos	900	anos	da	primeira</p><p>cruzada	(996),	quando	um	grupo	de	cristãos	europeus	fez	uma	manifestação,	em</p><p>que	pediram	perdão	por	aqueles	que,	em	nome	de	Cristo,	saquearam	e	mataram,</p><p>agindo,	assim,	contrariamente	aos	propósitos	de	Cristo.</p><p>O	pedido	de	perdão	foi	feito	nos	seguintes	termos:	“Desejamos	retomar	os</p><p>passos	dos	cruzados	para	pedir	desculpas	por	seus	atos	e	para	demonstrar	o</p><p>verdadeiro	significado	da	cruz.	Lamentamos	profundamente	as	atrocidades</p><p>cometidas	em	nome	de	Cristo	por	nossos	antecessores.	Renunciamos	à	ganância,</p><p>ao	ódio	e	ao	medo	e	condenamos	toda	violência	em	nome	de	Jesus	Cristo.	Eles</p><p>estavam	motivados	pelo	ódio	e	pelo	preconceito,	mas	nós	oferecemos	o	amor	e	a</p><p>fraternidade.	Jesus,	o	Messias,	veio	para	dar	vida.	Perdoem	por	permitir	que	seu</p><p>nome	fosse	associado	com	a	morte”.</p><p>No	Brasil	dos	anos	1960,	os	batistas	se	feriram	e	se	dividiram	por	causa	da</p><p>doutrina	do	Espírito	Santo,	permanecendo	uns	na	Convenção	Batista	Brasileira	e</p><p>fundando	outros	a	Convenção	Batista	Nacional.	Os	lados	em	questão	se</p><p>ofenderam,	pecando.	Quarenta	anos	depois,	os	batistas	“nacionais”	escreveram</p><p>uma	carta	pedindo	perdão.	Os	batistas	“brasileiros”	não	tiveram	a	mesma</p><p>disposição.</p><p>3.	Vigiemos	para	não	cair</p><p>Precisamos	cuidar	para	não	cometer	os	erros	que	hoje,	à	distância,	condenamos.</p><p>Se	formos	humildes,	reconheceremos	que	a	violência	pode	nos	acompanhar.</p><p>Tendemos	a	confundir	defesa	de	princípios	com	ataques	pessoais.</p><p>Conhecer	os	esforços	daqueles	que	lutaram	contra	a	violência	nos	ajuda	a	olhar</p><p>para	nós	mesmos,	para	que	jamais	esqueçamos	a	regra	de	Jesus,	que	consiste</p><p>sempre	em	caminhar	a	segunda	milha.</p><p>Cuidemos	para	não	praticar	a	violência	no	plano	eclesiástico.	Devemos	defender</p><p>ideias	e	podemos	eleger	métodos,	mas	não	podemos	impor	ideias,	nem</p><p>ridicularizar	os	métodos	alheios.</p><p>Sejamos	mais	pacíficos	em	casa	e	na	igreja.	Se	todos	tivermos	a	certeza	de	que</p><p>Deus	fará,	não	teremos	o	desejo	de	“facilitar-lhe”	as	coisas.</p><p>4.	Continuemos	pregando</p><p>Devemos	continuar	pregando,	porque	o	Evangelho	é	o	poder	de	Deus	para	todo</p><p>aquele	que	crê	(Rm	1.16).	Não	há	motivo	para	nos	envergonhar.	Daquilo	que	nos</p><p>envergonhamos,	pedimos	perdão.	O	mundo	precisa	de	Cristo	para	alcançar	a</p><p>paz.</p><p>Devemos	pedir	ao	Espírito	Santo	que	nos	ajude	a	desenvolver	a	paz	e	a</p><p>mansidão	como	dimensões	necessárias,	embora	difíceis,	da	verdadeira	vida</p><p>cristã.</p><p>Olhemos	para	nós	mesmos,	mas	fixemo-nos	em	Jesus,	sempre	suave,	gracioso,</p><p>nas	palavras	e	nas	ações.	São	os	mansos	que	herdarão	a	terra	(Mt	5.5).</p><p>PERGUNTAS	DE	RECAPITULAÇÃO</p><p>Os	que	recusam	a	fé	cristã	por	causa	da	história	do	cristianismo	têm	razão,</p><p>embora	não	em	todos	os	pontos.	Em	que	pontos	esses	críticos	estão	certos?</p><p>Que	críticas	se	podem	fazer	aos	críticos	da	fé	cristã?</p><p>Como	podemos	desenvolver	melhor	nossa	consciência	a	fim	de	tornála</p><p>autocrítica	e	crítica?</p><p>Podemos	pedir	perdão	por	erros	de	nossos	antepassados?</p><p>2</p><p>Não	é	a	religião	uma	ilusão?</p><p>Para	a	razão	ser	um	guia	confiável,	tem	de	basear-se	em	algo	mais</p><p>essencial	que	a	lógica	e	oferecer	uma	base	sólida	para	chegar	à</p><p>verdadeira	conclusão	sobre	os	fins.	A	razão	instrumental	não	basta.</p><p>É	por	isso	que	o	temor	do	Senhor	não	é	o	princípio	da	superstição,</p><p>e,	sim,	o	princípio	da	sabedoria.</p><p>Phillip	E.	Johnson</p><p>Pesa	contra	a	religião	uma	pecha	antiga:	o	sentimento	religioso	é	para	pessoas</p><p>intelectualmente	preguiçosas	e	psicologicamente	frágeis.	Em	especial	a	partir	do</p><p>filósofo	alemão	Ludwig	Feuerbach	(1804-1872),	a	crença	em	Deus,	mesmo	num</p><p>Deus	pessoal	como	o	da	Bíblia,	tem	sido	vista	por	agnósticos	e	ateus	como	o</p><p>resultado	da	projeção	da	própria	consciência	humana.	Assim,	por	exemplo,	a</p><p>santidade	de	Deus	é	a	projeção	do	desejo	humano	de	não	pecar,	e	a	presença	de</p><p>Deus,	do	sentimento	humano	de	solidão	e	separação.</p><p>Karl	Marx	(1818-1883),	que	retomou	o	pensamento	de	Feuerbach,	propôs	abolir</p><p>a	religião,	com	a	felicidade	que	Marx	considerava	ilusória,	para	que	houvesse</p><p>felicidade	verdadeira.	O	marxismo	vê	a	religião	como	a	ilusão	que	cria	razões	e</p><p>desculpas	para	manter	o	statu	quo.	A	religião,	escreveu	Marx,	“é	o	soluço	da</p><p>criatura	oprimida,	o	coração	de	um	mundo	sem	coração,	o	espírito	de	uma</p><p>situação	carente	de	espírito.	É	o	ópio	do	povo”.</p><p>O	psicanalista	Sigmund	Freud	(1856-1939)	insistiu	que	a	“religião	é	uma	ilusão</p><p>e	sua	força	deriva-se	do	fato	de	que	se	ajusta	a	nossos	desejos	instintivos”.	Freud</p><p>oferece	uma	explicação	naturalista	para	a	religião,	nascida,	para	ele,	da</p><p>necessidade	humana	de	proteção	diante	da	natureza	indomável	e	da	necessidade</p><p>humana	da	figura	de	um	pai	perdido	e	de	se	reconciliar	com	as	privações	da	vida</p><p>cotidiana.	Toda	a	religião,	inclusive	e	principalmente	a	monoteística	(presente	no</p><p>judaísmo,	no	cristianismo	e	no	islamismo),	é	uma	ilusão,	ensinou	o	pai	da</p><p>psicanálise.</p><p>Escrevendo	no	contexto	ocidental,	esses	filósofos	se	referiam	às	religiões	em</p><p>geral	e	ao	cristianismo	em	particular.	Bertrand	Russel	(1872-1970)	explicou	que</p><p>cristão	é	aquele	que	acredita	em	Deus,	aceita	a	ideia	da	imortalidade	e	reconhece</p><p>como	verdadeiros	os	ensinos	de	Jesus	Cristo.	Disse	o	pensador	inglês:	“Não</p><p>acredito	em	Deus	e	na	imortalidade”	e	“não	acho	que	Cristo	foi	o	melhor	e	o</p><p>mais	sábio	dos	homens,	embora	eu	lhe	conceda	um	grau	muito	elevado	de</p><p>bondade	moral”.</p><p>Esta	“bondade	moral”	de	Jesus	Cristo	é	apresentada	com	todas	as	letras	na	Bíblia</p><p>Sagrada.	Escrevendo	no	final	do	primeiro	século,	um	epistológrafo	bíblico</p><p>escreveu:</p><p>Nisto	se	manifestou	o	amor	de	Deus	para	conosco:	em	que	Deus	enviou	o	seu</p><p>Filho	Unigênito	ao	mundo,	para	que	por	meio	dele	vivamos.	Nisto	está	o	amor:</p><p>não	em	que	nós	tenhamos	amado	a	Deus,	mas	em	que	ele	nos	amou	a	nós	e</p><p>enviou	seu	Filho	como	propiciação	pelos	nossos	pecados.	Amados,	se	Deus</p><p>assim	nos	amou,	nós	também	devemos	amar	uns	aos	outros.</p><p>Ninguém	jamais	viu	a	Deus;	se	nos	amarmos	uns	aos	outros,	Deus	permanece</p><p>em	nós,	e	o	seu	amor	em	nós	é	aperfeiçoado.	Nisto	conhecemos	que</p><p>permanecemos	nele,	e	ele	em	nós:	por	ele	nos	ter	dado	do	seu	Espírito.</p><p>E	nós	temos	visto	e	testificamos	que	o	Pai	enviou	seu	Filho	como	o	Salvador	do</p><p>mundo.	Qualquer	que	confessar	que	Jesus	é	o	Filho	de	Deus,	Deus	permanece</p><p>nele,	e	ele	em	Deus.	Assim	conhecemos	o	amor	que	Deus	tem	por	nós	e</p><p>confiamos	nesse	amor.	Deus	é	amor.	Todo	aquele	que	permanece	no	amor</p><p>permanece	em	Deus,	e	Deus	nele.	Nisto	é	aperfeiçoado	em	nós	o	amor,	para	que</p><p>no	dia	do	juízo	tenhamos	confiança,	porque,	qual	ele	é,	somos	também	nós	neste</p><p>mundo.</p><p>No	amor	não	há	medo;	antes,	o	perfeito	amor	lança	fora	o	medo,	porque	o	medo</p><p>envolve	castigo,	e	quem	tem	medo	não	está	aperfeiçoado	no	amor.	Nós	amamos</p><p>porque	ele	nos	amou	primeiro	(1Jo	4.9-19).</p><p>O	que	aprendemos	com	João,	se	aceitarmos	suas	palavras?</p><p>Precisamos	ir	além,	para	ver	a	Deus.	Aprendemos	nesse	trecho	da	carta	de	João</p><p>que,	diferentemente	do	que	ensinam	alguns	pensadores	e	seus	seguidores,	Deus</p><p>existe	e	se	relaciona	com	aqueles	que	o	amam.	Crer	na	inexistência	de	Deus	é</p><p>uma	escolha.	Crer	que	Deus	existe	é	outra	escolha.	E	os	cristãos</p><p>entendem	ser</p><p>essa	uma	opção	muito	melhor.</p><p>Sabemos	que	Deus	não	pode	ser	visto	com	os	olhos	naturais,	impossibilidade</p><p>que	não	nos	incomoda,	porque	nós	o	sentimos,	experienciamos,	como	se	o</p><p>víssemos	com	os	próprios	olhos.	Sabemos	que	a	existência	de	Deus	não	pode	ser</p><p>aprovada	cientificamente,	mas	pode	ser	provada	vivencialmente.</p><p>Segundo	um	filósofo	ateu,	“todas	as	religiões	se	baseiam,	pelo	menos	em	parte,</p><p>na	crença	em	coisas	de	cuja	existência	não	há	provas,	e	que	se	deve	substituir	a</p><p>crença	nessas	coisas	pela	fidelidade	aos	fatos	reais”.	Ao	contrário,	crer	apenas	no</p><p>que	se	vê	não	é	uma	atitude	absolutamente	racional,	porque	sabemos	que	em</p><p>muitos	sentidos	é	impossível	crer	apenas	no	que	se	vê	ou	aceitar	apenas	o	que	se</p><p>aceita	tradicionalmente.	Devemos	fixar	os	olhos	não	naquilo	que	se	vê	mas	no</p><p>que	não	se	vê,	pois	o	que	se	vê	é	transitório,	mas	o	que	não	se	vê	é	eterno	(2Co</p><p>4.18).	Todas	as	grandes	descobertas	científicas	são	grandes	saltos	no	escuro	do</p><p>desconhecido.</p><p>Afirmar	que	Deus	é	uma	ilusão	é	pretender	dominar	a	verdade,	por	si	só	uma</p><p>ilusão.	Insistir	que	Deus	é	uma	projeção	da	fraqueza	humana	é	colocar-se	em</p><p>posição	de	superioridade	emocional	próxima	da	patologia.	Se	a	ideia	de	Deus	é</p><p>uma	ilusão,	trata-se	de	uma	ilusão	poderosa,	porque	esta	“ilusão”	tem	mudado</p><p>concretamente	a	vida	de	muitas	pessoas.</p><p>Conta-se	que	um	pregador	do	cristianismo	lançou	um	desafio	a	um	pregador	do</p><p>ateísmo.	O	cristão	pediu	ao	ateu	que	trouxesse	cem	pessoas	que	tivessem	tido	a</p><p>vida	transformada	para	melhor	por	crerem	que	Deus	não	existe.	Ele	faria	o</p><p>mesmo	com	aqueles	que	tivessem	sido	resgatados	da	morte	depois	de</p><p>confessarem	a	Jesus	Cristo	como	Salvador	e	Senhor.	O	ateu	não	conseguiu</p><p>reunir	nenhuma	pessoa.	O	cristão	não	teve	nenhuma	dificuldade,	porque</p><p>conhecia	centenas	de	pessoas	cujas	vidas	foram	mudadas	para	melhor.</p><p>Não	acreditar	em	Deus	é	optar	por	viver	sem	propósito.	A	propósito,	há	sentido	e</p><p>propósito	para	a	vida?	Um	ateu,	como	Freud,	explica:	“Não,	de	jeito	nenhum.	A</p><p>partir	de	nosso	ponto	de	vista	científico,	não	podemos	responder	à	questão	se	a</p><p>vida	tem	ou	não	tem	sentido”.	Que	sentido	tem	uma	vida	sem	sentido?	É	mais</p><p>sábio	aceitar,	como	C.S.	Lewis,	um	cristão,	que	o	sentido	e	o	propósito	da	vida</p><p>são	encontrados	quando	compreendemos	nos	termos	do	Criador	que	nos	fez	por</p><p>que	estamos	aqui.	O	propósito	primeiro	de	nossa	vida	é	estabelecer	um</p><p>relacionamento	com	o	Criador.</p><p>Crer	em	Deus	desperta-nos	o	desejo	de	viver.	O	filósofo	dinamarquês	Sören	A.</p><p>Kierkegaard	(1813-1855)	disse-o	muito	bem:	“Negar	Deus	não	é	fazer	mal;	é</p><p>destruir-se”.	Crer	em	Deus	é	escolher	cultivar	um	relacionamento	com	um	ser</p><p>que	nunca	decepciona,	mas,	antes,	aquece	a	vida.</p><p>Para	crermos	em	Deus,	precisamos	nos	abrir	para	o	amor...	para	o	amor	de	Deus.</p><p>Crer	em	Deus	é	uma	questão	de	amor	pelo	fato	de	que	só	podemos	amar	porque</p><p>Deus	nos	amou	primeiro	(v.	12).	É	o	seu	amor	que	nos	possibilita	o	desejo	de</p><p>amar.</p><p>Para	crer	em	Deus,	precisamos	nos	abrir	para	o	que	está	além	do	sentido	da</p><p>razão.	Não	precisamos	negá-la	para	experimentar	o	amor	de	Deus.	É	como	se</p><p>fosse	uma	aposta:	se	não	cremos	em	Deus,	perdemos	a	possibilidade	de</p><p>conhecer.	Se	cremos,	damo-nos	a	oportunidade	de	conhecer.</p><p>Para	crer	em	Deus,	precisamos	exercitar	a	liberdade,	que	pode	ser	não	crer,	mas</p><p>também	crer.	Escolhamos	crer.</p><p>Precisamos	ir	além,	para	ter	um	relacionamento	saudável	com	Deus.</p><p>Aprendemos	naquele	trecho	da	carta	de	João	que,	diferentemente	do	que</p><p>ensinam	alguns	pensadores	e	seus	seguidores,	o	amor	de	Deus	para	conosco	nos</p><p>lança	numa	vida	nova,	que	se	realiza	no	presente	e	alcança	o	futuro.	A	Bíblia</p><p>chama	a	esta	vida	de	eternidade.	Para	nos	lançar	nessa	vida	eterna,	que	é	vida</p><p>com	qualidade	aqui	e	vida	com	esperança	além,	Deus	amorosamente	enviou	seu</p><p>Filho	à	terra	para	salvar	o	mundo	(v.	14)	do	poder	da	morte.</p><p>Conhecedor	dos	limites	próprios	da	vida	presente,	outro	autor	bíblico,	o	apóstolo</p><p>Paulo,	lembra	que	é	necessário	revestir	o	corruptível	de	incorruptibilidade,	e	o</p><p>que	é	mortal,	de	imortalidade.	Só	depois	da	concretização	disso	se	cumprirá	a</p><p>palavra	que	está	escrita:	“Tragada	foi	a	morte	pela	vitória.	Onde	está,	ó	morte,	a</p><p>tua	vitória?	Onde	está,	ó	morte,	o	teu	aguilhão?”	(1Co	15.53-55).	Essa	vitória	se</p><p>dá	por	meio	da	graça	de	Deus,	que	nos	foi	dada	em	Cristo	Jesus,	que	tornou</p><p>inoperante	a	morte	e,	por	meio	do	evangelho,	trouxe	à	luz	a	vida	e	a	imortalidade</p><p>(2Tm	1.9,10).</p><p>A	salvação,	biblicamente	entendida,	é	a	vitória	sobre	o	poder	da	morte,	mas</p><p>vitória	concedida	por	Jesus	Cristo.	Ela	é	também	a	restauração	de	um</p><p>relacionamento	pessoal	do	ser	humano	com	Deus,	por	meio	de	Jesus	Cristo.	A</p><p>salvação	é	uma	iniciativa	unilateral	de	Deus,	a	qual	se	completa	com	a	resposta</p><p>humana.	Na	verdade,	Deus	espera	que	aqueles	que	tiveram	conhecimento	de	sua</p><p>oferta	confessem	(isto	é:	aceitem)	que	Jesus	Cristo	é	o	Filho	dele	(v.	15).	Essa</p><p>confissão	completa	o	processo	da	salvação,	ao	restabelecer	o	relacionamento</p><p>pessoal	do	homem	com	Deus,	relacionamento	um	dia	existente	e	que	foi</p><p>quebrado	quando	o	homem	abandonou	voluntariamente	o	convívio	com	Deus.</p><p>Ao	longo	da	passagem	da	carta	de	João	transcrita	há	um	pensamento	recorrente:</p><p>se	amarmos	uns	aos	outros,	Deus	permanece	em	nós	(v.	12)	e	todo	aquele	que</p><p>permanece	no	amor	permanece	em	Deus,	e	Deus	nele	(v.	16);</p><p>permanecemos	nele,	e	ele	em	nós,	porque	ele	nos	deu	do	seu	Espírito	(v.	13);</p><p>se	alguém	confessa	publicamente	que	Jesus	é	o	Filho	de	Deus,	Deus	permanece</p><p>nele,	e	ele	em	Deus	(v.	15).</p><p>Os	seres	humanos	sempre	se	relacionam	com	Deus.	Os	descrentes	com	uma	dura</p><p>recusa	preliminar,	sem	nenhuma	abertura	para	a	manifestação	divina.	Por	parte</p><p>do	ser	humano,	esse	relacionamento	será	sempre	patológico,	porque	será	o</p><p>emissor	desejando	ansiosa	mas	inutilmente	resposta	do	receptor.</p><p>Os	crentes	podem	se	relacionar	com	Deus	de	modo	saudável,	mas	também	de</p><p>modo	patológico.</p><p>Por	razões	estranhas	à	fé,	a	crença	em	Deus	pode	ser	filha	do	medo	para	alguns,</p><p>mas	não	o	é	para	todos,	e	não	o	é	especialmente	para	aqueles	que	têm</p><p>compreendido	que	Deus	é	amor	e	que	o	perfeito	amor	dele	para	conosco,	e	nosso</p><p>para	com	ele,	lança	fora	qualquer	manifestação	de	medo.	João	nos	mostra	que</p><p>esse	relacionamento	entre	os	seres	humanos	e	Deus	se	faz	por	meio	do	amor	(v.</p><p>16),	amor	para	com	o	Senhor,	amor	a	si	mesmo	e	amor	ao	próximo.	Esse	amor</p><p>permite	relacionamentos	saudáveis,	em	que	não	há	medo.	Por	amarem	a	Deus,	as</p><p>pessoas	se	relacionam	com	ele	sem	nenhum	medo,	exercitando	a	plenitude	da</p><p>liberdade	com	que	foram	criadas.	Por	amar	a	si	mesmas,	as	pessoas	buscam	dar</p><p>glória	(reconhecimento)	ao	Deus	que	as	criou	e	salvou,	e	percebem	que	sua	vida</p><p>tem	propósito.	Por	amar	ao	próximo,	elas	buscam	promover	o	bem-estar	do</p><p>outro.</p><p>Quando	o	ser	humano	quer	se	relacionar	saudavelmente	com	seu	Senhor,	deseja</p><p>relacionar-se	com	outras	pessoas,	a	quem	busca	amar.	O	desejo	de	amar	a	Deus	e</p><p>ao	próximo	só	é	possível	porque	o	cristão	é	aquele	que	tem	o	Espírito	de	Deus.</p><p>Sem	o	Espírito	conseguimos,	no	máximo,	amar	a	nós	mesmos.	Retomemos</p><p>1João:</p><p>se	amarmos	uns	aos	outros,	Deus	permanece	em	nós	(v.	12)	e	todo	aquele	que</p><p>permanece	no	amor	permanece	em	Deus,	e	Deus	nele	(v.	16);</p><p>permanecemos	nele,	e	ele	em	nós,	porque	ele	nos	deu	do	seu	Espírito	(v.	13);</p><p>se	alguém	confessa	publicamente	que	Jesus	é	o	Filho	de	Deus,	Deus	permanece</p><p>nele,	e	ele	em	Deus	(v.	15).</p><p>Se	queremos	saber	se	Deus	está	conosco,	avaliemos	como	estamos	com	o</p><p>próximo.	Se	queremos	saber	se	Deus	habita	em	nosso	coração	(que	é	mais	que</p><p>estar	conosco),	confessemos	que	Jesus	é	o	Filho	de	Deus.</p><p>Precisamos	ir	além,	para	viver.	Aprendemos	nessa	passagem	da	carta	de	João</p><p>que,	diferentemente	do	que	ensinam	alguns	pensadores	e	seus	seguidores,	Jesus</p><p>não	demonstrou	apenas	bondade	moral,	que	nos	deve	servir	de	estímulo,	mas</p><p>morreu	em	nosso	lugar.</p><p>Essa	frase	provoca	arrepios	nos	agnósticos	e	ateus.	Bertrand	Russell,	um	deles,</p><p>escreveu:	“Quando	vemos	na	igreja	pessoas	menosprezando-se	e	dizendo-se</p><p>miseráveis	pecadores	e	tudo	o	mais,	parece-nos	desprezível	e	indigno	de</p><p>criaturas	humanas	que	se	respeitem”.	A	ideia</p><p>religiosa	“é	uma	concepção</p><p>inteiramente	indigna	de	homens	livres”.</p><p>Tais	ideias	são	tidas	como	invenções	dos	sistemas	religiosos	para	manter	os</p><p>crentes	sob	controle.	O	ser	humano	é	bom	e	precisa	apenas	ser	educado.	As</p><p>pessoas	têm	condições	de	andar	com	os	próprios	pés	e	olhar	o	mundo</p><p>corretamente,	para	“conquistar	o	mundo	por	meio	da	inteligência”.	O	que	o</p><p>mundo	precisa	é	“de	conhecimento,	bondade	e	coragem”,	não	“de	nenhum</p><p>anseio	saudoso	pelo	passado,	nem	do	encarceramento	das	inteligências	livres	por</p><p>meio	de	palavras	proferidas	há	muito	tempo	por	homens	ignorantes”.	Pelo</p><p>contrário,	“necessita	de	esperança	para	o	futuro,	e	não	passar	o	tempo	todo</p><p>voltado	para	trás,	para	um	passado	morto,	que,	assim	o	confiamos,	será</p><p>ultrapassado	de	muito	pelo	futuro	que	a	nossa	inteligência	pode	criar”.</p><p>O	homem	é	bom	e	precisa	ser	educado,	apregoam	alguns	racionalistas.	Nós</p><p>dizemos	que	o	homem	precisa	ser	redimido,	porque	é	pecador,	um	miserável</p><p>pecador	até	ser	resgatado	por	Jesus	Cristo.	O	“homem	bom”,	que	precisa	ser</p><p>educado,	tem	produzido	uma	distribuição	de	renda	monstruosamente	injusta,</p><p>especialmente	nos	países	pobres.	O	“homem	bom”,	que	precisa	ser	educado,	tem</p><p>patrocinado	tantas	guerras	quantas	são	suas	luzes	científicas	e	tecnológicas.</p><p>Quanto	mais	inteligência	tem	o	homem,	mais	guerra	ele	faz.	Quanto	mais</p><p>conhecimento	ele	amealha,	mais	ódio	sente.	Eis	o	que	temos	visto,	enquanto</p><p>aquele	que	veio	para	pregar	o	amor,	viver	o	amor,	morrer	pelo	amor,	é</p><p>considerado	“ignorante”.</p><p>Olhar	para	o	passado	traz	saudade,	mas,	quando	esse	passado	se	chama	Jesus</p><p>Cristo	de	Nazaré,	cuja	vida	e	cujo	ensino	se	integram,	olhar	para	o	passado	traz</p><p>felicidade.	Sua	vida	autoriza	seu	ensino.	Seu	ensino	autoriza	sua	vida.	Seus</p><p>contemporâneos,	mesmo	os	que	não	criam	nele,	reconheciam	que	falava	com</p><p>autoridade	(Mt	7.29).	Ele	foi	enviado	até	nós	pelo	Pai	para	que	pudéssemos</p><p>viver	por	meio	dele	(v.	9)	Não	podemos	amar,	nem	mesmo	a	Deus,	se	não	somos</p><p>redimidos	por	Jesus,	enviado	para	morrer	em	nosso	lugar	(v.	10).</p><p>É	pela	vida	de	Jesus	que	podemos	viver,	porque	estávamos	mortos	em	nossos</p><p>pecados.	É	por	seus	ensinos	que	ele	nos	mostra	como	viver.	É	por	sua	presença</p><p>que	ele	nos	fortalece	para	viver.	Cristão	é	aquele	que	aceita	como	verdadeiros</p><p>todos	os	ensinos	de	Jesus,	porque	verdadeira	foi	sua	vida.	Para	que	tenhamos</p><p>vida	com	qualidade,	precisamos	ser	inteligentes	a	ponto	de	confessar	que	Jesus</p><p>Cristo	é	o	Salvador.	A	inteligência	não	salva	por	se	tratar	de	uma	faculdade</p><p>insuficiente.	A	confissão	nos	salva.	A	verdade	bíblica	não	pode	ser	esquecida:	Se</p><p>alguém	confessa	publicamente	que	Jesus	é	o	Filho	de	Deus,	Deus	permanece</p><p>nele,	e	ele	em	Deus	(1Tm	6.15).</p><p>UMA	ILUSÃO	A	SER	EVITADA</p><p>O	amor	humano,	a	Deus,	a	si	mesmo	e	ao	próximo,	é	um	amor-resposta,	porque</p><p>foi	Deus	quem	tomou	a	iniciativa	de	viver	a	plenitude	do	amor	(v.	19),	ao	se</p><p>tornar	completamente	humano.	É	por	isso	que	alguns	racionalistas	se	esforçam</p><p>tanto	para	negar	que	Jesus	existiu.	Se	ele	existiu,	Deus	existe.	É	também	por	isso</p><p>que	alguns	racionalistas	admitem	que	Jesus	existiu,	mas	não	admitem	o	que	ele</p><p>fez,	como	se	tudo	fosse	uma	invenção	—	engenhosíssima	invenção,</p><p>precisaríamos	conceber	—	de	seus	discípulos.	Se	Ele	fez	o	que	fez,	Deus	existe,</p><p>logo	não	é	uma	ilusão.	Nesse	Jesus,	o	poder	de	Deus	operava	de	tal	modo	que</p><p>quem	o	via	ao	Pai	via	(	Jo	14.9).</p><p>É	ainda	por	isso	que	alguns	racionalistas	admitem	que	Jesus	existiu,	fez	algumas</p><p>coisas	que	o	Evangelho	relata,	mas	não	aceitam	que	ele	ensinou	o	que	o	Novo</p><p>Testamento	assevera.	Para	esses	descrentes,	as	palavras	de	Jesus	ali	registradas</p><p>são	criações	de	uma	comunidade	de	crentes.	Crer	nisso	é	conceber</p><p>insensatamente	que	os	primeiros	cristãos	se	fecharam	em	lugares	secretos	para,</p><p>num	curto	espaço	de	tempo,	criar	milagres	e	sermões,	imaginar	uma	vergonhosa</p><p>morte	de	cruz,	uma	improvável	ressurreição	e	uma	absurda	ascensão...</p><p>Para	resolver	seus	problemas,	os	contemporâneos	de	Jesus	o	mataram.	Os</p><p>racionalistas	acham	mais	fácil	matar	Jesus:	os	de	outrora,	fisicamente;	os	de</p><p>todos	os	tempos,	simbolicamente.	É	típico	do	ser	humano	eliminar	o	que	não</p><p>pode	controlar	ou	explicar.</p><p>Se	ele	existiu,	fez	o	que	fez	e	disse	o	que	disse,	como	o	registra	o	Novo</p><p>Testamento,	e	se	o	aceitamos	como	aplicável	a	nossa	vida,	esta	pode	ser	mudada.</p><p>É	uma	ilusão	crer	que	Deus	não	existe.</p><p>É	uma	miséria	crer	que	a	vida	não	tem	sentido.</p><p>É	uma	teimosia	crer	que	Jesus	Cristo	não	existiu.	Se	ele	existiu,	Deus	existe	e	a</p><p>vida	tem	sentido.</p><p>É	uma	idolatria	deificar	a	razão,	esta	companheira	necessária,	mas	insuficiente,</p><p>para	fazer	alguém	feliz.</p><p>C.S.	Lewis,	um	dos	grandes	escritores	do	século	20,	foi	ateu	durante	grande</p><p>parte	de	sua	vida.	Ao	longo	desse	tempo,	tinha	uma	visão	pessimista	da	vida.</p><p>Após	sua	conversão,	tudo	mudou.	Ele	escreveu	que	a	alegria	passou	a	ser	a</p><p>matéria	principal	de	sua	vida.	Seus	amigos	descrevem-no	como	alguém	animado</p><p>e	expansivo.	Lewis	encontrou	felicidade	ao	manter	um	relacionamento	saudável</p><p>com	o	Criador.	Para	ele,	“Deus	não	pode	nos	dar	felicidade	fora	dele,	porque	tal</p><p>coisa	simplesmente	não	existe”.</p><p>PERGUNTAS	DE	RECAPITULAÇÃO</p><p>A	religião	cristã	pode	se	tornar	ilusão,	como	advertem	alguns	adversários	do</p><p>cristianismo?</p><p>Que	evidências	podemos	apresentar	sobre	o	amor	pessoal	de	Deus	para	conosco?</p><p>O	que	explica	o	fato	de	que,	quanto	mais	desenvolvido	tecnologicamente	é	o	ser</p><p>humano,	mais	presentes	estão	suas	velhas	práticas?</p><p>Há	felicidade	fora	de	um	relacionamento	saudável	com	Deus?</p><p>3</p><p>É	politicamente	correto	afirmar	que	só	Jesus	salva?</p><p>Enquanto	o	relativismo	cultural	nos	lembre	meramente	da</p><p>inexistência	de	uma	espécie	de	padrão	universal,	de	um	paradigma</p><p>absoluto	que	nos	permita	emitir	julgamentos	conclusivos	acerca	das</p><p>inúmeras	culturas	existentes,	ele,	valendo-se	do	ceticismo</p><p>inteligente,	desempenha	um	papel	saudável	e	contribui	para	a</p><p>autocompreensão	da	humanidade.	Quando,	todavia,	cristalizando-se</p><p>num	tabu	que	proscreve	o	exame	sistemático	de	causas	e	efeitos</p><p>específicos,	dita	que	toda	análise	comparativa	é	“etnocêntrica”</p><p>interessada,	mal-intencionada	etc.,	então	degenera	em	nova	forma</p><p>de	obscurantismo.</p><p>Nelson	Ascher</p><p>Disse	Tomé:	—	Senhor,	não	sabemos	para	onde	vais;	como	então	podemos	saber</p><p>o	caminho?	Respondeu	Jesus:	—	Eu	sou	o	caminho,	a	verdade	e	a	vida.</p><p>Ninguém	vem	ao	Pai,	a	não	ser	por	mim.	(	Jo	14.5-6).</p><p>A	pergunta	do	discípulo	Tomé	suscitou	de	Jesus	uma	resposta	categórica.	Tomé,</p><p>reconhecendo	sua	finitude,	lamenta	a	falta	de	sentido	de	sua	vida	se	Jesus	não</p><p>indicar	a	direção.	O	Mestre	fez	a	mais	perfeita	síntese	de	si	mesmo,</p><p>apresentando-se	como	o	Caminho,	a	Verdade	e	a	Vida.	Falando	aos	judeus	de</p><p>seu	tempo,	Pedro	reafirmou	essa	certeza	ao	dizer	que	“em	nenhum	outro	há</p><p>salvação,	porque	debaixo	do	céu	nenhum	outro	nome	há,	dado	entre	os	homens,</p><p>em	que	devamos	ser	salvos”	(At	4.12).	Decorridos	tantos	séculos,	podemos</p><p>ainda,	os	cristãos,	tomar	Jesus	como	Único?</p><p>Tem	sido	uma	espécie	de	escândalo	a	afirmação	de	que	Jesus	Cristo	é	o	único</p><p>salvador,	o	único	caminho	que	leva	a	Deus.	Esse	tipo	de	confissão	logo	resulta</p><p>em	acusações	de	arrogância	e	intolerância.</p><p>Segundo	algumas	pessoas,	os	cristãos	não	podem	ter	a	pretensão	de	dizer	que</p><p>Jesus	Cristo	é	o	Cristo	Salvador	de	todas	as	nações.	O	cristianismo,	então,	é</p><p>absoluto	para	os	cristãos	como	as	demais	religiões	o	são	para	seus	seguidores.</p><p>A	síntese	é	de	Ernst	Troeltsch.	Na	perspectiva	dessas	pessoas,	Jesus	Cristo</p><p>cometeu	um	engano	ao	apresentar-se	como	o	Caminho,	a	Verdade	e	a	Vida.</p><p>Ensinam	esses	pensadores	que	Jesus	até	o	poderia	ser,	mas	somente	para	a</p><p>cultura	judaica,	que,	aliás,	o	rejeitou.</p><p>UM	CONVITE	AO	RESPEITO	À	DIVERSIDADE</p><p>Segundo	uma	certa	visão,	todas	as	religiões	salvam,	como	caminhos	igualmente</p><p>válidos	para	levar	pessoas	à	felicidade	(segundo	o	entendimento	secular)	ou	à</p><p>salvação	(de	acordo	com	a	compreensão	cristã).	Qualquer	religião	que	se</p><p>pretende	com	valor	universal	é	etnocêntrica,	isto	é,	olha	tudo	e	todos	a	partir	de</p><p>si	mesma.	As	religiões	em	geral	se	consideram	universais,	mas	seu	valor	não</p><p>deve	extrapolar	seu	mundo	cultural,	ensinam</p><p>algumas	pessoas,	tributárias</p><p>daquilo	que	se	convencionou	chamar	de	“discurso	politicamente	correto”.</p><p>Essa	expressão,	surgida	em	meados	dos	anos	1970,	nasceu	como	esforço</p><p>legítimo	de	não	discriminar	pessoas	por	critérios	raciais,	genéricos	ou	físicos.</p><p>Embora	tenha	perdido	força	nos	anos	1990,	seus	imperativos	são	bastante</p><p>válidos.	Houve	exageros,	que	acabaram	minando	a	força	do	ideal.	Um	exemplo</p><p>tem	sido	o	fato	de	considerar	aceitáveis	todas	as	manifestações	culturais,</p><p>conforme	preconiza	o	multiculturalismo,	mesmo	que	violentas	e	atentatórias	à</p><p>dignidade	humana.</p><p>Quando	uma	mulher,	e	apenas	a	mulher,	é	condenada	à	morte	por	um	tribunal</p><p>tribal	porque	teve	um	filho	fora	do	casamento,	é	impossível	respeitar	tal	decisão</p><p>como	aceitável.	Assim	também	quando	bebês	do	sexo	feminino	são	mutilados</p><p>para	que	não	sintam	prazer	sexual	quando	adultos,	ou	quando	a	mulher	é</p><p>obrigada	a	calçar	sapatos	de	tamanho	menor	a	ponto	de	atrofiar-lhe	os	pés.</p><p>Como	encarar	tais	práticas	com	naturalidade	e	respeito?</p><p>Na	Índia	do	século	18,	William	Carey,	que	respeitava	grandemente	a	cultura</p><p>hindu,	a	ponto	de	aprender	a	língua	e	publicar	livros,	ao	deparar	com	a	prática	do</p><p>sati	—	a	viúva	devia	ser	ritualmente	imolada	na	pira	funerária	do	marido	como</p><p>forma	de	provar	seu	amor	conjugal	e	fidelidade	—	não	descansou	enquanto	não</p><p>viu	as	mulheres	livres	desse	sacrifício.</p><p>Exageros	à	parte,	o	ideal	da	não-discriminação	deve	ser	buscado	por	todos	nós.</p><p>Temos	todos	esse	débito	para	com	a	proposta	do	“politicamente	correto”.</p><p>Devemos	escolher	cuidadosamente	as	palavras,	evitando	termos	como</p><p>“denegrir”	ou	“judiar”,	por	exemplo,	por	depreciarem	os	negros	e	os	judeus.</p><p>Outra	coisa	bem	diferente,	no	entanto,	é	negar,	em	nome	do	valor	de	indivíduos</p><p>e	nações,	a	afirmação	de	Jesus	de	ser	o	Caminho,	a	Verdade	e	a	Vida,	pois	é</p><p>precisamente	o	que	propõem	o	pluralismo,	o	relativismo	e	o	niilismo.</p><p>Jesus	diz	que	é	o	Caminho,	mas	o	pluralismo	diz	que	ele	é	um	dos</p><p>caminhos</p><p>Se	Jesus	é	o	Caminho,	ninguém	pode	ir	ao	Pai	senão	por	Jesus.	Se	o	pluralismo	é</p><p>a	melhor	opção,	há	muitos	caminhos,	e	Jesus	é	um	deles.	O	pluralismo	religioso</p><p>ensina	que	todas	as	religiões	são	caminhos	igualmente	válidos	em	direção	a</p><p>Deus.	O	pressuposto	é	que,	sendo	superficiais	as	diferenças	entre	as	religiões,</p><p>elas	podem	levar	ao	mesmo	objetivo.</p><p>Os	pluralistas	buscam	formas	de	respeitar	a	singularidade	das	religiões,	a	partir</p><p>da	convicção	de	que	a	tolerância	e	o	respeito	mútuos	são	insuficientes	e	que	é</p><p>preciso	afirmar	o	valor	de	cada	religião	dentro	de	um	amplo	contexto</p><p>teocêntrico.	Tributário	do	pluralismo,	o	inclusivismo	cristão	entende	que,</p><p>embora	Jesus	seja	o	Salvador	exclusivo,	muitos	são	incluídos	em	sua	salvação,</p><p>mesmo	que	não	o	tenham	confessado	e	que	nunca	tenham	ouvido	falar	dele.</p><p>Segundo	a	síntese	do	teólogo	alemão	Ernst	Troeltsch	(1865-1923),	os</p><p>inclusivistas	creem	que	Deus	aceita	uma	fé	“implícita”	em	lugar	de	uma	fé</p><p>explícita	(conscientemente	confessada)	em	Jesus	Cristo.	Essa	fé	“implícita”	pode</p><p>ser	uma	espécie	de	resposta	humana	à	revelação	geral	de	Deus	por	meio	da</p><p>criação	ou	da	consciência	ou	da	verdade	presente	nas	demais	religiões.	O</p><p>pluralismo	religioso	exige	que	se	abandone	a	fé	na	singularidade	de	Cristo,	ao</p><p>ver	as	outras	religiões	como	o	modo	“usual”	de	salvação,	enquanto	o</p><p>cristianismo	é	o	modo	“muito	especial	e	extraordinário	da	salvação”.</p><p>Prefiro	ficar	com	Jesus,	que	se	apresentou	enfaticamente	como	o	único</p><p>Caminho.	Se	todas	as	religiões	são	verdadeiras,	não	é	verdadeira	a	afirmação</p><p>feita	por	Jesus	de	que	era	Deus,	nem	seu	ensino	sobre	sua	morte	expiatória,	nem</p><p>sua	ressurreição.	Logo	“é	impossível	crer	que	todas	as	religiões	são	verdadeiras,</p><p>sem	uma	mudança	radical	no	conceito	de”verdade".</p><p>Não	podemos	esquecer	que	os	ensinos	das	principais	religiões	acerca	de	Deus</p><p>são	contraditórios	entre	si.	Os	hindus	são	panteístas	ou	politeístas.	Os	budistas</p><p>são	ateus	ou	panteístas.	Os	muçulmanos	são	teístas	e	unitarianos.	Os	cristãos	são</p><p>teístas	e	trinitarianos.	Esses	ensinos,	tão	diferentes,	não	podem	ser	todos</p><p>verdadeiros.</p><p>De	igual	modo,	os	ensinos	das	principais	religiões	sobre	a	natureza	do	homem	e</p><p>da	salvação	se	contradizem.	Os	hindus	veem	o	ser	humano	como	essencialmente</p><p>divino,	embora	preso	a	este	mundo	devido	à	ignorância	e	a	um	carma	ruim;	o</p><p>livramento	vem	da	mudança	de	nossas	crianças	sobre	a	realidade	e	sobre	nossa</p><p>verdadeira	identidade.	Os	budistas	o	vêem	como	um	ser	cativo	deste	mundo	de</p><p>sofrimento	e	com	desejos	egoístas;	a	libertação	vem	pela	extinção	do	desejo.	Os</p><p>muçulmanos	creem	que	o	ser	humano	é	fraco	mas	não	pecador	por	natureza.	Ele</p><p>está	sob	o	juízo	de	Deus	por	causa	da	desobediência	a	suas	leis;	a	salvação	vem</p><p>por	meio	da	obediência	às	leis	de	Deus.</p><p>Já	os	cristãos	crêem	que	a	pessoa	está	separada	de	Deus	e	sob	juízo	divino</p><p>devido	à	rebelião	contra	o	Senhor.	A	salvação,	porém,	só	vem	pela	confiança</p><p>naquilo	que	graciosamente	Deus	fez	ao	providenciar	Jesus	como	sacrifício</p><p>expiatório	por	nosso	pecado	e	enviar	seu	Espírito	para	nos	mudar.	Os	cristãos</p><p>creem	nas	palavras	de	Jesus	de	que	ele,	o	Cristo,	é	o	Caminho,	o	que	não	nos</p><p>autoriza	a	manter	uma	postura	arrogante,	nem	olhar	as	demais	crenças	com</p><p>desprezo	ou	desdém.	Nossa	crença,	porém,	não	nos	deve	levar	ao	sectarismo,</p><p>que	significa	fechar-se	a	outras	visões.	Podemos	aprender	com	diferentes</p><p>maneiras	de	crer	distintas.</p><p>Penso	que	a	experiência	de	Paulo	nos	ajuda	em	nossa	prática.	Antes	de	sua</p><p>conversão	a	Cristo,	o	apóstolo	perseguia	os	cristãos.	Depois	daquela	experiência</p><p>numinosa	e	luminosa,	tornou-se	um	seguidor	do	Caminho.	Ele	não	deixou	de	ser</p><p>judeu.	Nunca	perseguiu	os	adversários	do	cristianismo.	Havia	convicção	em</p><p>Paulo,	mas	não	arrogância.	Seguia	um	caminho,	não	uma	seita.	Estava	sempre</p><p>aberto	ao	novo,	sem	esquecer	o	Fundamento.</p><p>Jesus	diz	que	é	a	Verdade,	mas	o	relativismo	diz	que	ele	é	uma	das</p><p>verdades</p><p>Ao	apresentar-se	como	a	Verdade,	Jesus	quer	dizer	que	quem	o	vê	também	vê	o</p><p>Pai,	graças	à	Encarnação,	explicitada	pelo	quarto	evangelista:</p><p>No	princípio	era	o	Verbo	que	é	a	Palavra.	Ele	estava	com	Deus,	e	era	Deus.	Ele</p><p>estava	com	Deus	no	princípio	(	Jo	1.1-2;	NVI).</p><p>Jesus	estava	com	o	Pai	no	princípio,	antes	da	história	humana;	esteve	com	o	Pai</p><p>durante	a	história	humana	e	estará	com	o	Pai	após	a	história	humana.	Ele	e	o	Pai</p><p>formam	uma	unidade.	Se	queremos	ver	Deus,	olhemos	para	Jesus.	Cristo	é	a</p><p>Verdade.</p><p>O	relativismo,	no	entanto,	diz	que	há	muitas	verdades.	Segundo	essa	concepção,</p><p>cada	pessoa	é	livre	para	crer	no	que	quiser,	porque	não	existe	uma	verdade</p><p>absoluta.	O	que	alguém	crê	na	verdade	não	é	importante,	nem	certo,	nem	errado.</p><p>É	uma	escolha	como	qualquer	outra.</p><p>Um	dos	subprodutos	do	relativismo	é	o	sincretismo,	segundo	o	qual	todas	as</p><p>religiões	têm	alguma	medida	de	verdade.	Assim,	bem	farão	os	que	reunirem	o</p><p>que	há	de	melhor	em	cada	uma	delas	e	o	aplicarem	em	sua	vida.	Se	existe	uma</p><p>verdade,	é	esta:	nenhuma	religião	tem	a	verdade.</p><p>Outro	subproduto	do	relativismo	é	o	multiculturalismo.	Partindo	do	princípio	de</p><p>que	todos	os	sistemas	éticos	e	religiosos	são	bons	ou	ruins,	seus	adeptos	afirmam</p><p>que	não	podemos	julgar	as	pessoas	fora	do	próprio	sistema	de	valores.	Com	isso,</p><p>o	multiculturalismo	tem	feito	muitas	vítimas.	Felizmente	ele	tem	sido</p><p>relativizado.	Num	primeiro	momento,	por	exemplo,	o	destino	de	Amina	Lawal,</p><p>adúltera	nigeriana,	foi	deixada	com	seu	povo,	para	que	fosse	julgada	segundo</p><p>seus	valores,	considerados	tão	legítimos	como	quaisquer	outros.	Quando	o</p><p>mundo	percebeu	que	aquela	cultura	estava	impregnada	de	injustiça	e	morte,	o</p><p>clamor	levou	o	governo	nigeriano	a	suspender	(em	2003)	a	execução	daquela</p><p>mãe.</p><p>Durante	um	tempo	fui	colega	do	já	missionário	entre	os	índios	Gunther	Carlos</p><p>Krieger.	Numa	de	nossas	conversas,	perguntei-lhe	se	não	era	melhor	que	os</p><p>cristãos	deixassem	os	índios	brasileiros	quietos	em	suas	aldeias.	Ele	me	ensinou</p><p>que	o	cristianismo,	corretamente	apresentado	e	vivido,	é	uma	oportunidade	de</p><p>liberdade	para	os	índios,	uma	vez	que	todo	o	sistema	religioso	indígena	é</p><p>baseado	no	medo.	Todos	os	seus	rituais	derivam	da	necessidade	de	aplacar	os</p><p>espíritos</p><p>que	povoam	a	floresta.</p><p>Não	precisamos	envergonhar-nos	do	fato	de	o	cristianismo	ter	surgido	numa</p><p>cultura,	mas	precisamos	afirmar	que	ele	não	se	esgota	numa	cultura.	Ele	é</p><p>supracultural	no	sentido	de	que	seus	princípios	aplicam-se	a	todas	as	culturas.</p><p>A	Bíblia	afirma	categoricamente	que	a	fé	explícita	em	Jesus	Cristo	é	essencial</p><p>para	a	salvação.	O	tempo	é	chegado,	dizia	Jesus.	O	Reino	de	Deus	está	próximo.</p><p>Arrependam-se	e	creiam	nas	boas	novas!	(Mc	1.15).	Cristo	pediu	que	as	pessoas</p><p>cressem	nele	(	Jo	5.46).	Ele	aconselhou:	Não	se	perturbe	o	coração	de	vocês.</p><p>Creiam	em	Deus;	creiam	também	em	mim.	Na	casa	de	meu	Pai	há	muitos</p><p>aposentos;	se	não	fosse	assim,	eu	lhes	teria	dito.	Vou	preparar-lhes	lugar	(	Jo</p><p>14.1-2).</p><p>As	Escrituras	também	afirmam	que	a	fé	vem	pelo	ouvir	o	Evangelho,	restando	a</p><p>pergunta:	como	crerão	algumas	pessoas,	se	não	tiverem	oportunidade	de	ouvir</p><p>falar	de	Jesus?	A	própria	Bíblia	nos	ajuda	a	perceber	que	Deus	julgará	sem	lei	os</p><p>que	sem	lei	pecaram	(Rm	2.12).	Em	outras	palavras,	aqueles	que	não	tiveram	a</p><p>oportunidade	de	conhecer	a	Cristo	serão	julgados	à	luz	da	compreensão	que</p><p>tiveram	da	Verdade.	Eles	serão	salvos	no	final	dos	tempos,	embora	não	usufruam</p><p>no	presente	o	poder	remidor	da	cruz	sobre	suas	vidas.</p><p>Nossa	certeza	diante	da	Verdade,	que	é	Cristo,	não	nos	autoriza	a	ser</p><p>intolerantes.	Esta	percepção	da	Verdade	nos	deve	levar	a	tomar	as	normas	do</p><p>Antigo	ou	do	Novo	Testamento	ou	da	igreja	de	um	certo	tempo	e	lugar	e</p><p>universalizá-las	como	absolutas.	Esta	obsessão	por	normas	nos	tem	feito</p><p>intolerantes,	tanto	em	relação	aos	que	não	confessam	a	fé	em	Cristo	como	aos</p><p>domésticos	da	fé.	Aliás,	seremos	tolerantes	em	relação	às	demais	religiões	se	não</p><p>conseguimos	ser	tolerantes	uns	com	os	outros	dentro	das	próprias	confissões	e</p><p>comunidades?</p><p>Ser	tolerante	não	é	negar	que	haja	diferenças	entre	as	pessoas	e	as	culturas,	mas,</p><p>partindo	delas,	mostrar	um	profundo	respeito	por	pessoas	e	culturas,</p><p>independentemente	de	crenças,	atitudes	e	hábitos.	Estes	devem	ser	respeitados	e</p><p>valorizados,	ainda	que	haja	discordâncias.</p><p>Jesus	diz	que	é	a	Vida,	mas	o	niilismo	diz	que	ninguém	pode	dizer</p><p>que	é	a	vida	porque	não	há	nenhum	sentido	na	existência	humana</p><p>O	texto	do	evangelista	João	soa	cristalino:</p><p>No	princípio	era	aquele	que	é	a	Palavra.	Ele	estava	com	Deus,	e	era	Deus.	Ele</p><p>estava	com	Deus	no	princípio.	Todas	as	coisas	foram	feitas	por	intermédio	dele;</p><p>sem	ele,	nada	do	que	existe	teria	sido	feito.	Nele	estava	a	vida,	e	esta	era	a	luz</p><p>dos	homens.	(	Jo	1.1-4;	NVI).</p><p>A	vida	tem	sentido,	e	é	Jesus	Cristo.	Ele	mesmo	disse:	“Eu	sou	o	pão	da	vida.</p><p>Aquele	que	vem	a	mim	nunca	terá	fome;	aquele	que	crê	em	mim	nunca	terá</p><p>sede”	(	Jo	6.35).	“Quem	crer	em	mim,	como	diz	a	Escritura,	do	seu	interior</p><p>fluirão	rios	de	água	viva”	(	Jo	7.38).</p><p>Quando	Jesus	se	apresenta	como	a	Vida,	ele	se	refere	à	vida	eterna,	adjetivo	este</p><p>que	está	relacionado	com	duração	(toda	a	eternidade)	e	com	qualidade	(vida</p><p>transbordante,	segundo	Jo	10.10).</p><p>No	entanto,	muitos	têm	preferido	viver	uma	vida	sem	propósito,	certos	de	que</p><p>nela	não	pode	haver	propósito.	Mentor	de	uma	geração,	Jean-Paul	Sartre	(1905-</p><p>1980)	escreveu:</p><p>...	tudo	é	permitido	se	Deus	não	existe;	fica	o	homem,	por	conseguinte,</p><p>abandonado,	já	não	encontra	em	si,	nem	fora	de	si,	uma	possibilidade	a	que	se</p><p>apegue.	[...]	Assim,	não	temos	nem	atrás	de	nós,	nem	diante	de	nós,	o	domínio</p><p>luminoso	dos	valores,	justificações	ou	desculpas.	É	o	que	traduzirei	dizendo	que</p><p>o	homem	está	condenado	a	ser	livre,	[...]	está	condenado	a	cada	instante	a</p><p>inventar	o	homem.</p><p>Outro	pensador,	Emil	Cioran	(1911-1995),	radicaliza,	para	dizer:	“O	homem</p><p>idealmente	lúcido,	logo	idealmente	normal,	não	tem	nenhum	recurso	além	do</p><p>nada	que	está	nele”.</p><p>Niilismo	é	pessimismo	mórbido,	enquanto	Jesus	nos	oferece	uma	esperança</p><p>viva.	Niilismo	é	a	afirmação	da	irrelevância	da	experiência	humana,	enquanto</p><p>Jesus	nos	oferece	um	transbordamento	existencial.</p><p>QUE	FAZER	DIANTE	DA	SINGULARIDADE	DE	JESUS?</p><p>Enquanto	preparava	este	livro,	recebi	uma	mensagem	eletrônica	de	uma	jovem</p><p>universitária.	Ela	escutara	uma	mensagem	minha	em	que	mostrava	a	validade	da</p><p>experiência	religiosa	e	conclamava	os	cristãos	a	não	se	envergonharem	de	sua	fé.</p><p>Meu	avô	me	falou	que	comentou	com	você	sobre	o	que	aconteceu	na	minha	aula</p><p>na	faculdade.	Resolvi	escrever	porque	acho	que	me	expresso	melhor	[...].	Foi	na</p><p>segunda-feira	passada,	na	primeira	aula	de	Geoquímica	Marinha	do	semestre.	O</p><p>professor	começou	explicando	a	origem	do	universo,	Via	Láctea,	planetas,	etc.</p><p>Até	aí	tudo	bem,	porque	ele	explicou	algumas	teorias,	a	composição	das	coisas...</p><p>Mas	chegou	um	momento	em	que	ele	desligou	o	retroprojetor	e	começou	a	falar</p><p>sobre	ciência	x	religião.	(Acho	que	ele	quis	dar	a	opinião	dele	antes	de	explicar</p><p>as	teorias	conflitantes.)	Disse	que	não	se	podem	misturar	as	duas	coisas,	que</p><p>acreditar	na	Bíblia	é	negar	anos	de	ciência,	e	quem	o	faz	é	ignorante,</p><p>manipulado,	etc.	Ele	chegou	até	a	dizer	que	fica	com	raiva	quando	vê	escrito	nas</p><p>ruas	que	Jesus	é	isso	ou	aquilo.	Atacou	pastores	e	igrejas,	que	manipulam,	usam</p><p>a	Bíblia	para	seus	interesses,	tiram	dinheiro	das	pessoas	(essas	coisas	que	muitos</p><p>dizem,	e	outros	realmente	fazem).	Questionou	a	veracidade	da	Bíblia,	a</p><p>honestidade	das	pessoas	que	a	escreveram	(“quem	escreveu	a	Bíblia?”,	ele</p><p>perguntou).</p><p>À	medida	que	ele	falava,	fui	me	irritando	cada	vez	mais.	Sentia-me	agoniada...</p><p>Eu	tinha	de	falar	alguma	coisa,	mas	sou	muito	tímida,	não	gosto	(mesmo)	de</p><p>falar	em	público,	com	todos	me	olhando...	mas,	quando	ele	perguntou	se</p><p>estávamos	entendendo,	eu	aproveitei	e	disse	que	não	concordava	com	ele;	então</p><p>um	colega,	que	também	é	crente,	aproveitou	e	disse	também	o	que	achava.	E</p><p>então	falei	tudo	o	que	pensava,	que	o	muito	estudar	não	nos	afasta	da	Bíblia;	ao</p><p>contrário,	nos	aproxima	dela	porque	começamos	a	ver	que	as	coisas	fazem</p><p>sentido,	se	encaixam,	a	notar	que	as	profecias	da	Bíblia	se	cumprem</p><p>criteriosamente,	respaldando	as	demais	que	não	se	cumpriram	ainda.	Disse	que	é</p><p>possível	compatibilizar	a	ciência	e	a	religião,	que	a	ciência	comprova	muitas</p><p>coisas	da	Bíblia.</p><p>E	então	o	professor	perguntou	por	que	eu	acreditava	na	Bíblia,	e	eu	respondi:</p><p>“Principalmente	pela	fé,	mas	também	pelas	coisas	que	acontecem,	pelas</p><p>profecias	que	se	cumprem.	No	Antigo	Testamento,	por	exemplo,	está	escrito	que</p><p>o	Estado	Judeu	ia	ser	disperso	mas	que	posteriormente	retornaria	a	sua	terra</p><p>prometida,	o	que	ocorreu	em	1948,	e	que	os	judeus	retornariam	de	todos	os</p><p>países	para	Israel,	e	isso	está	acontecendo	hoje”.</p><p>O	professor	não	discordou	de	nada	e	até	confirmou	que	os	judeus	estão</p><p>realmente	voltando.</p><p>Uma	amiga	minha	disse	que	os	judeus	cumprem	as	profecias	da	Bíblia	porque	as</p><p>conhecem.	Respondi	que	apenas	5%	dos	judeus,	os	chamados	ortodoxos,</p><p>conhecem	os	escritos	bíblicos,	a	maioria	deles	são	esotéricos	ou	ateus	e,	sem</p><p>saber,	cumprem	os	propósitos	de	Deus.</p><p>Mas	aí	ele	falou	que	eu	não	podia	afirmar	que	só	existe	uma	Verdade	e	que	ela	se</p><p>aplica	a	todos.	Perguntou	se	eu	já	tinha	lido	o	Alcorão	e	a	Torá.	Respondi	que</p><p>não,	mas	a	Torá	estava	incluída	na	Bíblia.	Então	ele	disse	que	eu	deveria	ler	o</p><p>Alcorão	e	“descobrir	outras	verdades”,	disse	que	cada	um	tem	a	sua	verdade,	que</p><p>Deus	é	o	mesmo,	e	a	maneira	como	cada	um	quer	chegar	a	Ele	não	importa...</p><p>(Ele	disse	que	já	leu	a	Bíblia,	a	Torá	e	o	Alcorão.)</p><p>Eu	disse	que	acreditava	existir	apenas	uma	verdade:	Jesus.	Mas	como	já	havia</p><p>passado	muito	tempo	da	aula,	ele	não	quis	prolongar	e	eu	não	insisti.	Ele	disse</p><p>que	vamos	voltar	a	“filosofar”	quando	falarmos	sobre	a	origem	da	vida.</p><p>Gostei	do	que	aconteceu.	Foi	uma	experiência	boa	e	diferente.	E,	além	disso,	foi</p><p>uma	oportunidade	para	voltar	a	falar	com	uma	amiga	sobre	Jesus	e	o	plano	da</p><p>salvação	durante	o	intervalo,	embora	ela	continue	resistindo,	achando	que	isso</p><p>não	serve	pra	ela...</p><p>A	experiência	dessa	jovem	nos	estimula	a	proclamar	a	singularidade	de	Jesus.	Se</p><p>cremos	que	“não	há	salvação	em	nenhum	outro	[se	não	Jesus],	pois	debaixo	do</p><p>céu	não	há	nenhum	outro	nome	dado	aos	homens	pelo	qual	devamos	ser	salvos”</p><p>(At	4.12),	proclamemos	Jesus</p>

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