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<p>QUESTOES Cadeira de Direito Romano</p><p>Período Diurno</p><p>Parte I – Duas questões dissertativas, valendo 2,5 pontos:</p><p>1) Em que consiste e qual a importância prática das limitações ao direito</p><p>de propriedade? Cite e explique duas limitações da propriedade no</p><p>interesse público e duas limitações no interesse particular (direitos de</p><p>vizinhança).</p><p>Para o Direito Romano, lembra Thomas Marky que a propriedade (que advém</p><p>de dominium, proprietas) é “um poder jurídico absoluto e exclusivo sobre uma</p><p>coisa corpórea” (MARKY, 2007, p. 65). É um conceito, recorda o mestre, que</p><p>vem da jurisprudência clássica, sendo considerada uma “relação direta e</p><p>imediata entre a pessoa, titular do direito, e a coisa”.</p><p>O Direito de propriedade era a capacidade dada a alguém de</p><p>exercer um poder absoluto sobre uma coisa. Era o Direito de usar,</p><p>fruir e dispor sobre a coisa ("ius utendi, fruendiet abuteri rem suam").</p><p>Era um poder absoluto que impõe "erga omnes" seu respeito. Tinha</p><p>como característica a elasticidade da propriedade . A propriedade também</p><p>era um poder exclusivo, isto é, sobre uma coisa só poderia existir um Direito</p><p>de propriedade.</p><p>Limitações ao Direito de propriedade eram as restrições impostas</p><p>por lei a um Direito que, em tese, seria absoluto . No Direito Romano</p><p>arcaico não havia limitações à propriedade. Já no período clássico,</p><p>o desenvolvimento social fez com que esse Direito fosse</p><p>gradativamente limitado, sempre que surgisse um interesse social</p><p>maior.</p><p>Limitações de interesse público:</p><p>- o proprietário de um terreno ribeirinho deve tolerar o uso público da</p><p>margem</p><p>Distância Legal - Os proprietários rurais precisavam manter uma distância</p><p>de no mínimo cinco pés ("limines") de seu vizinho para garantir a</p><p>circulação. Também havia a limitação de altura dos imóveis em 70 pés</p><p>(época de Augusto) , ou o equivalente a cinco andares; isso garantia melhor</p><p>iluminação, ventilação e segurança nas grandes cidades.</p><p>Limitaçoes de interesse privado:</p><p>c. O fluxo normal das águas pluviais deve ser suportado também</p><p>) regime das águas</p><p>Referia-se à utilização das águas dos rio e mananciais. Os textos</p><p>romanos determinavam que "as águas deveriam correr naturalmente"</p><p>("natur aliter"). Os proprietários não podiam fazer obras que</p><p>aumentasse o u diminuíssem o volume de água para seus vizinhos.</p><p>Os problemas advindos de questões desse tipo geraram os "atos</p><p>emulativos", que eram terminantemente proibidos.</p><p>O vizinho deve suportar a inclina ção dos ramos numa altura superior a</p><p>15 pés, podendo, entretanto, cortá-los até essa altura.</p><p>No direito Justianeu entendia que, por exigências agrícolas, o</p><p>proprietário de um imóvel que em seu vizinho tivesse uma árvore</p><p>limítr fe teria que tolerar os ramos acima de 15 pés; da mesma</p><p>maneira, teria que aceitar que seu vizinho, proprietário da árvore,</p><p>colhesse os frutos caídos, dia sim dia não.</p><p>2) Elabore uma pequena dissertação (máximo duas páginas), cujo tema é:</p><p>“Classificação das Res no Direito Romano – A distinção entre as res mancipi e</p><p>as res nec mancipi”.</p><p>Rés é tudo aquilo que contribui para a satisfação das necessidades humanas</p><p>nas inter -relações sociais.</p><p>A distinção foi fundamental importância entre os romanos, praticamente a única</p><p>distinção que eles faziam. Considerando que não existe mais essa distinção no</p><p>direito contemporâneo, fica difícil atribuir-lhes uma definição mais precisa.</p><p>Citando Gaio, as ‘res mancipi’ são aquelas que se transferem pelo processo de</p><p>mancipação, que era o modo solene de transmitir a propriedade de algo; já as</p><p>‘res nec mancipi’ eram transferidas sem qualquer formalismo, pela simples</p><p>entrega (traditio) da coisa. Exemplos de ‘res mancipi’: as terras itálicas, as</p><p>casas, os escravos, os animais de carga e tração; exemplos de ‘res nec</p><p>mancipi’: dinheiro, móveis, jóias, animais de pequeno porte, aves domésticas.</p><p>Esta classificação vai se descaracterizando e perdendo sua importância com</p><p>a expansão das conquistas militares, até ser abolida de vez, na época de</p><p>Justiniano.</p><p>Res mancipi</p><p>Res mancipi são aquelas coisas sob o poder da potestade do</p><p>paterfamilias compreendem as socialmente mais importantes. Elas tinham</p><p>elevada significação econômica e eram adquiridos pelos antigos modos do</p><p>ius civile: mancipatio e a in iure cessio.</p><p>Res nec mancipi</p><p>Pode ser constituído co mo todas as outras coisa s de menor</p><p>importância econômica. Para a alienação de uma coisa não mancipe</p><p>bastava a traditio, diferentemente de uma coisa mâncipe que necessitava</p><p>que o ato se for mulas se por meio da mancipatio ou da in iure cess io.</p><p>A divisão entre estas duas categorias era simples e prática,</p><p>sendo mancipis as propriedades e construções em solo itálico, as</p><p>servidões dos prédios rústicos, os escravos os animais domáveis pelo</p><p>pescoço e pelo dorso que, segundo a escola seguida por Gaio,</p><p>seriam mancipi desde o nascimento, havendo ainda defesa por parte de</p><p>Nerva e Proculus que afirmavam que este animais apenas passavam a</p><p>condição de mancipi após domados, ou, se em razão de grande fereza</p><p>não fosse possível domá-los, caso em que serão mancipi logo que</p><p>atingirem a idade da doma. São nec mancipi as servidões dos prédios</p><p>urbanos, os prédios estipendiários e tributários, e os animais bravios e</p><p>selvagens não domáveis ou de que era desconhecida a existência quanto</p><p>feita esta lista (CORREIA; SCIASCIA, [s.n.t], p. 76-77).</p><p>Os bens de maior importância[4] para o Direito Arcaico foram</p><p>denominados mancipi e sua administração foi confiada</p><p>ao Paterfamilias ficando estes bens sob sua responsabilidade espiritual e</p><p>material.</p><p>A transmissão da propriedade de res mancipi exigia forma solene que se</p><p>dava de acordo com uma antiga liturgia de caráter sagrado e podia</p><p>ocorrer de duas formas, sendo a mais clássica</p><p>denominada mancipatio[5] onde predominava o elemento particular, e</p><p>como alternativa em casos mais complexos havia a Jure in cessio[6] em</p><p>que se era necessário a participação da auctoritas representada pelo</p><p>pretor que mediava a celebração do ato. Necessitavam de maiores</p><p>formalidades para serem transferidas e eram consideradas como sendo</p><p>valor básico da época.</p><p>https://ambitojuridico.com.br/edicoes/revista-134/breves-reflexoes-sobre-a-propriedade-privada-romana/#_ftn4</p><p>https://ambitojuridico.com.br/edicoes/revista-134/breves-reflexoes-sobre-a-propriedade-privada-romana/#_ftn5</p><p>https://ambitojuridico.com.br/edicoes/revista-134/breves-reflexoes-sobre-a-propriedade-privada-romana/#_ftn6</p>

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