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<p>BIOÉTICA</p><p>A Faculdade Multivix está presente de norte a sul do</p><p>Estado do Espírito Santo, com unidades presenciais</p><p>em Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo,</p><p>Nova Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória,</p><p>e com a Educação a Distância presente</p><p>em todo estado do Espírito Santo, e com</p><p>polos distribuídos por todo o país.</p><p>Desde 1999 atua no mercado capixaba,</p><p>destacando-se pela oferta de cursos de</p><p>graduação, técnico, pós-graduação e</p><p>extensão, com qualidade nas quatro</p><p>áreas do conhecimento: Agrárias, Exatas,</p><p>Humanas e Saúde, sempre primando</p><p>pela qualidade de seu ensino e pela</p><p>formação de profissionais com consciência</p><p>cidadã para o mercado de trabalho.</p><p>Atualmente, a Multivix está entre o seleto grupo de</p><p>Instituições de Ensino Superior que</p><p>possuem conceito de excelência junto ao</p><p>Ministério da Educação (MEC). Das 2109</p><p>instituições avaliadas no Brasil, apenas</p><p>15% conquistaram notas 4 e 5, que são</p><p>consideradas conceitos de excelência em</p><p>ensino. Estes resultados acadêmicos</p><p>colocam todas as unidades da Multivix</p><p>entre as melhores do Estado do Espírito</p><p>Santo e entre as 50 melhores do país.</p><p>MISSÃO</p><p>Formar profissionais com consciência cidadã para o</p><p>mercado de trabalho, com elevado padrão de quali-</p><p>dade, sempre mantendo a credibilidade, segurança</p><p>e modernidade, visando à satisfação dos clientes e</p><p>colaboradores.</p><p>VISÃO</p><p>Ser uma Instituição de Ensino Superior reconhecida</p><p>nacionalmente como referência em qualidade</p><p>educacional.</p><p>R E I TO R</p><p>GRUPO</p><p>MULTIVIX</p><p>R E I</p><p>2</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>3</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>BIBLIOTECA MULTIVIX (Dados de publicação na fonte)</p><p>Marcela Santos Procópio</p><p>Bioética / PROCÓPIO, M. S. - Multivix, 2020</p><p>Catalogação: Biblioteca Central Multivix</p><p>2020 • Proibida a reprodução total ou parcial. Os infratores serão processados na forma da lei.</p><p>4</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>LISTA DE FIGURAS</p><p>UNIDADE 1</p><p>Relação entre ética, moral e deontologia 12</p><p>Obra dos principais idealizadores da teoria “principialista”</p><p>da Bioética: Tom Beanchamp e James Childress 13</p><p>Van Rensselaer Potter 16</p><p>Código de ética do embriologista 17</p><p>Direito à saúde 18</p><p>Crescimento da população brasileira até o ano de 2010 20</p><p>Esquema da bioética principialista 25</p><p>UNIDADE 2</p><p>Assento dos réus durante o julgamento de Nuremberg 29</p><p>Pesquisa científica 33</p><p>Busto de Aristóteles 39</p><p>British Cruelty Animal Act 40</p><p>Peter Singer 41</p><p>UNIDADE 3</p><p>Colheita de trigo� 52</p><p>Protocolo de Cartagena em biossegurança 53</p><p>Fecundação de óvulo por espermatozoide 57</p><p>Representação�da�tecnologia�de�fertilização in vitro 59</p><p>Injeção intracitoplasmática de espermatozoides 60</p><p>Embrião humano de 10mm na quinta semana de gestação 61</p><p>5</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>UNIDADE 4</p><p>Ovelha Dolly empalhada no Royal Museum of Scotland, em</p><p>Edimburgo, Escócia. 67</p><p>Diagrama demonstrando o procedimento de clonagem</p><p>reprodutiva e terapêutica 70</p><p>Células-tronco embrionárias de camundongo 76</p><p>Esquema básico das primeiras etapas da maturação do ovócito</p><p>humano, a fertilização e a nidação 77</p><p>Embrião de 8 células 79</p><p>Embrião humano masculino, de sete semanas de idade ou nove</p><p>semanas de idade gestacional 80</p><p>Terapia de células-tronco para esclerose múltipla 82</p><p>UNIDADE 5</p><p>Identificação humana 87</p><p>Reação em cadeia da polimerase (PCR) 89</p><p>Resultado da PCR após ser realizada uma eletroforese em gel</p><p>de agarose 90</p><p>Enchente 91</p><p>Tubos de PCR 92</p><p>Identificação de pessoas 94</p><p>Escala de comparação de tamanho de nanomateriais 98</p><p>Nanotubos de carbono 102</p><p>Lipossomo obtido por nanotecnologia para revestimento de</p><p>medicamentos 104</p><p>UNIDADE 6</p><p>Aborto realizado por aspiração a vácuo com equipamento elétrico 111</p><p>Feto humano de três meses 113</p><p>Protestos contra a permissão do aborto em caso de fetos anencéfalos 115</p><p>Reconstituição do primeiro transplante de coração humano,</p><p>realizado em 1967 123</p><p>6</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>1UNIDADE</p><p>2UNIDADE</p><p>3UNIDADE</p><p>4UNIDADE</p><p>5UNIDADE</p><p>SUMÁRIO</p><p>1 BIOÉTICA: CONCEITOS, PERSPECTIVAS HISTÓRICAS, DESAFIOS E</p><p>RESPONSABILIDADES 10</p><p>1.1 O QUE É BIOÉTICA? 10</p><p>1.2 DESAFIOS E RESPONSABILIDADES 17</p><p>2 BIOÉTICA E PESQUISA 28</p><p>2.1 BIOÉTICA E PESQUISA COM SERES HUMANOS 28</p><p>2.2 ASPECTOS CONCEITUAIS SOBRE OS TIPOS DE PESQUISA EM</p><p>SERES HUMANOS 32</p><p>2.3 ASPECTOS JURÍDICOS NACIONAIS E INTERNACIONAIS EM</p><p>RELAÇÃO ÀS PESQUISAS COM SERES HUMANOS 36</p><p>2.4 BIOÉTICA E PESQUISA COM ANIMAIS 39</p><p>3 BIOÉTICA: ORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS E A</p><p>REPRODUÇÃO HUMANA ASSISTIDA 47</p><p>INTRODUÇÃO 47</p><p>3.1�ORGANISMOS�GENETICAMENTE�MODIFICADOS�(OGMS) 48</p><p>3.2 REPRODUÇÃO HUMANA ASSISTIDA 56</p><p>4 BIOÉTICA: CLONAGEM, CÉLULA-TRONCO 66</p><p>4.1 INTRODUÇÃO 66</p><p>4.2 CLONAGEM GERMINATIVA E TERAPÊUTICA 66</p><p>4.3�CÉLULAS-TRONCO 75</p><p>5 BIOÉTICA: GENÉTICA E NANOTECNOLOGIA 86</p><p>5.1 INTRODUÇÃO 86</p><p>5.2 A GENÉTICA NA IDENTIFICAÇÃO HUMANA 86</p><p>5.3 NANOTECNOLOGIA 97</p><p>7</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>6UNIDADE 6 BIOÉTICA NA MEDICINA: ABORTO E TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS 108</p><p>6.1 INTRODUÇÃO 108</p><p>6.2 ABORTO 108</p><p>6.3 TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS 118</p><p>8</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ATENÇÃO</p><p>PARA SABER</p><p>SAIBA MAIS</p><p>ONDE PESQUISAR</p><p>DICAS</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>GLOSSÁRIO</p><p>ATIVIDADES DE</p><p>APRENDIZAGEM</p><p>CURIOSIDADES</p><p>QUESTÕES</p><p>ÁUDIOSMÍDIAS</p><p>INTEGRADAS</p><p>ANOTAÇÕES</p><p>EXEMPLOS</p><p>CITAÇÕES</p><p>DOWNLOADS</p><p>ICONOGRAFIA</p><p>UNIDADE 1</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao final desta</p><p>unidade,</p><p>esperamos que</p><p>você possa:</p><p>9</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>> de ampliar seus</p><p>conhecimentos</p><p>sobre os contextos</p><p>históricos em</p><p>destaque; e</p><p>> de localizar os</p><p>movimentos sociais</p><p>abordados como</p><p>fruto de cada</p><p>contexto histórico.</p><p>10</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>1 BIOÉTICA: CONCEITOS,</p><p>PERSPECTIVAS HISTÓRICAS,</p><p>DESAFIOS E RESPONSABILIDADES</p><p>A disciplina de bioética tem como principal objetivo introduzir o pensamento</p><p>ético aplicável as diversas profissões da área da saúde.</p><p>Por se tratar de um tema multidisciplinar, envolvendo a biologia, saúde, di-</p><p>reito e filosofia, primeiro temos que entender conceitos básicos sobre ética e</p><p>moral. Depois de entendido esses conceitos um breve contexto histórico para</p><p>explicar como o pensamento ético se desenvolveu na sociedade mundial.</p><p>Também daremos início aos estudos dos princípios da bioética. Será aborda-</p><p>do, principalmente a teoria principialista de Beuachamp e Childress publi-</p><p>cada em 1979. Nesta unidade será abordado os desafios e responsabilidades</p><p>que é trabalhar com ciência e vida, uma vez que a bioética também se aplica</p><p>a estudos clínicos, ambientais e animais.</p><p>Por fim será abordado como essa teoria foi aceita pela sociedade brasileira e</p><p>como ela se aplica ao Sistema Único de Saúde (SUS).</p><p>1.1 O QUE É BIOÉTICA?</p><p>A origem da palavra ética vem do grego “éthos”, que significa o modo de ser,</p><p>o caráter. Já os romanos traduziram o “éthos” para o latim como “mos” (ou no</p><p>plural mores) que quer dizer costume dando origem a palavra moral.</p><p>No cotidiano não há distinção entre ética e moral, as palavras são usadas</p><p>como sinônimos. Porém os cientistas e filósofos fazem a distinção entre elas.</p><p>Ética é tido como o estudo do comportamento moral, ou seja, tenta explicar</p><p>justificar e até criticar a moral de uma sociedade. O conceito de moral é de-</p><p>finido como um conjunto de normas, conceitos, costumes e valores de uma</p><p>determinada sociedade. Agora que entendemos um pouco dos conceitos po-</p><p>organismo humano. Podem</p><p>ser efeitos imediatos, como o de pro-</p><p>teínas tóxicas produzidas pelo OGM</p><p>ou efeitos pleiotrópicos das proteínas</p><p>transgênicas no metabolismo da planta</p><p>ou, ainda, riscos mediados pela acumu-</p><p>lação de herbicidas e seus metabólitos</p><p>nas variedades e espécies resistentes a</p><p>herbicida (COSTA, MARIN, 2011).</p><p>Em relação aos riscos ecológicos, são</p><p>aqueles que podem alterar as relações</p><p>ambientais e evolutivas naturais. Dentre</p><p>eles, tem-se a redução da diversidade das culturas de plantas, já que os OGMs</p><p>derivam de um grupo limitado de variedades parentais. Outro risco possível</p><p>é a transferência não controlada de vantagens evolutivas (como resistência</p><p>a pragas e doenças) para espécies selvagens. Isto pode ocorrer em razão de</p><p>polinização cruzada com plantas selvagens, o que pode ocasionar o declínio</p><p>da biodiversidade natural. Há ainda o risco de efeitos adversos na biodiversi-</p><p>dade em função da produção de possíveis toxinas pelo OGM, que pode afetar</p><p>espécies de insetos e a microbiota do solo, alterando a cadeia trófica. Outro</p><p>risco ecológico importante é o desenvolvimento de resistência por insetos e</p><p>bactérias às toxinas produzidas pelo OGM, em razão da pressão seletiva, o que</p><p>pode alterar o processo evolutivo natural (COSTA, MARIN, 2011).</p><p>Os riscos agrotecnológicos estão relacionados a alterações e possíveis adversi-</p><p>dades no processo produtivo utilizando OGMs. Um destes riscos é a mudança</p><p>imprevisível em propriedades e características não alvo em OGMs, devido aos</p><p>efeitos pleiotrópicos de um gene. Outro risco é a perda ou diminuição da efi-</p><p>ciência do transgênico resistente a pragas em razão do cultivo extensivo das</p><p>variedades OGMs por muitos anos (COSTA, MARIN, 2011).</p><p>Pleiotropia</p><p>Pleiotropia é o conjunto</p><p>de múltiplos efeitos de um</p><p>gene, quando um único</p><p>gene controla diversas</p><p>características do fenótipo.</p><p>52</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>COLHEITA DE TRIGO</p><p>Fonte: Wikipedia (2021).</p><p>#PraCegoVer:</p><p>Imagem de uma colheitadeira acompanhada por um trator e um reboque colhendo trigo.</p><p>Portanto, a utilização de OGMs e seu consumo trazem diversos dilemas éti-</p><p>cos, devido aos riscos da manipulação genética e da seleção artificial de varie-</p><p>dades mais vantajosas aos interesses humanos.</p><p>O cultivo de OGMs suscita discussões científicas, éticas, econômicas e políti-</p><p>cas. Por um lado, ativistas e alguns cientistas afirmam que os conhecimentos</p><p>científicos sobre os impactos do uso de plantas transgênicas em larga esca-</p><p>la para o cultivo comercial são ainda insuficientes (COSTA, MARIN, 2011). Por</p><p>outro lado, grandes empresas do ramo agropecuário têm produzido diver-</p><p>sas variedades de plantas geneticamente modificadas, cada vez mais utiliza-</p><p>das no consumo humano e animal. Estas empresas afirmam que os OGMs</p><p>trazem vantagens ao produtor e/ ou consumidor, tais como menor custo de</p><p>produção, menor preço, maior valor nutricional e durabilidade do produto.</p><p>Além disso, para serem disponibilizados à sociedade, estes OGMs são rigoro-</p><p>samente avaliados quanto a sua biossegurança e potenciais riscos (OMETTO,</p><p>TOLEDO, 2004).</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Colheita</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Trigo</p><p>53</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>3.1.3 ASPECTOS JURÍDICOS NACIONAIS E</p><p>INTERNACIONAIS EM RELAÇÃO AOS OGMS</p><p>As crescentes produções de organismos geneticamente modificados em todo</p><p>o mundo, bem como seu comércio internacional, têm gerado importantes dis-</p><p>cussões acerca da regulamentação mundial de sua produção e consumo. Den-</p><p>tre as diretrizes internacionais, cabe destacar o Protocolo de Cartagena sobre</p><p>biossegurança, de 2003, o qual apresenta dispositivos restritivos sobre o co-</p><p>mércio internacional de transgênicos. Dentre eles, a obrigação de procedimen-</p><p>tos específicos para a identificação, embalagem e transporte de transgênicos</p><p>e a exigência de que os países que exportarem organismos vivos modificados,</p><p>para introduzi-los no meio ambiente, deverão informar à parte compradora,</p><p>para que a primeira entrega inclua informações suficientes para que o com-</p><p>prador possa tomar as decisões adequadas. O protocolo ainda faz referência</p><p>ao princípio da precaução, considerando-o norteador para a transferência de</p><p>OGMs em situações de risco, sendo necessário aplicá-lo quando houver incer-</p><p>teza científica quanto aos danos ao meio ambiente (COSTA, MARIN, 2011).</p><p>PROTOCOLO DE CARTAGENA EM BIOSSEGURANÇA</p><p>Fonte: Convention on Biological Diversity (2000).</p><p>#PraCegoVer:</p><p>Imagem da capa de um livro, com o título à direita, em inglês: Protocolo de Cartagena em</p><p>Biossegurança da Convenção em Diversidade Biológica – textos e anexos.</p><p>54</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>No Brasil, o marco inicial da regulamentação dos organismos geneticamente</p><p>modificados foi estabelecido pela Constituição Federal de 1988, em seu artigo</p><p>225 (SILVA, 2010).</p><p>Segundo o artigo 225, da Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988),</p><p>Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de</p><p>uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao</p><p>poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as</p><p>presentes e futuras gerações.</p><p>§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao poder público:</p><p>[...]</p><p>II – preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País</p><p>e�fiscalizar� as� entidades�dedicadas�à�pesquisa�e�manipulação�de�material�</p><p>genético;</p><p>[...]</p><p>V – controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas,</p><p>métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida</p><p>e o meio ambiente.</p><p>O tema é, ainda, regulado pela Lei de Biossegurança nº. 11.105/ 2005, que dis-</p><p>põe sobre o tratamento acerca de organismos geneticamente modificados</p><p>e derivados, estimula o avanço científico na área de biossegurança, biotec-</p><p>nologia, proteção à vida e à saúde humana, ambiental e vegetal. Além disso,</p><p>esta lei cria dois importantes órgãos: o Conselho Nacional de Biossegurança,</p><p>órgão de assessoramento superior do Presidente da República para formu-</p><p>lação e implementação da Política Nacional de Biossegurança, e a Comissão</p><p>Técnica Nacional de Biossegurança, que é uma instância colegiada multidis-</p><p>ciplinar que presta apoio técnico ao governo federal (BRASIL, 2005).</p><p>O Conselho Nacional de Biossegurança reúne-se</p><p>sempre que convocado pelo Ministro de Estado</p><p>Chefe da Casa Civil da Presidência da República ou</p><p>mediante provocação da maioria de seus membros,</p><p>sendo composto pelos seguintes membros:</p><p>I. Ministro de Estado Chefe da Casa Civil da Presi-</p><p>dência da República, que o presidirá;</p><p>II. Ministro de Estado da Ciência e Tecnologia;</p><p>III. Ministro de Estado do Desenvolvimento Agrário;</p><p>55</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>IV. Ministro de Estado da Agricultura, Pecuária e</p><p>Abastecimento;</p><p>V. Ministro de Estado da Agricultura, Pecuária e</p><p>Abastecimento;</p><p>VI. Ministro de Estado da Justiça;</p><p>VII. Ministro de Estado da Saúde;</p><p>VIII. Ministro de Estado do Meio Ambiente;</p><p>IX. Ministro de Estado do Desenvolvimento, Indús-</p><p>tria e Comércio Exterior;</p><p>X. Ministro de Estado das Relações Exteriores;</p><p>XI. Ministro de Estado da Defesa;</p><p>XII. Secretário Especial de Aquicultura e Pesca da</p><p>Presidência da República.</p><p>Segundo o artigo 1° da Lei de Biossegurança (BRASIL, 2005),</p><p>Esta� Lei� estabelece� normas� de� segurança� e� mecanismos� de� fiscalização�</p><p>sobre a construção, o cultivo, a produção, a manipulação, o transporte, a</p><p>transferência, a importação, a exportação, o armazenamento, a pesquisa, a</p><p>comercialização, o consumo, a liberação no meio ambiente e o descarte de</p><p>organismos� geneticamente�modificados� –� OGMs� e� seus� derivados,� tendo�</p><p>como�diretrizes�o�estímulo�ao�avanço�científico�na�área�de�biossegurança�</p><p>e biotecnologia, a proteção</p><p>à vida e à saúde humana, animal e vegetal, e a</p><p>observância do princípio da precaução para a proteção do meio ambiente.</p><p>Ainda conforme a Lei de Biossegurança, em seu artigo 2, parágrafo 3º, todos</p><p>os interessados em realizar atividade envolvendo OGMs deverão requerer au-</p><p>torização à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio, que se</p><p>manifestará no prazo fixado em regulamento. A CTNBio, integrante do Minis-</p><p>tério da Ciência e Tecnologia, é instância colegiada multidisciplinar de caráter</p><p>consultivo e deliberativo para prestar apoio técnico e de assessoramento ao</p><p>Governo Federal na formulação, atualização e implementação da Política Na-</p><p>cional de Biossegurança de OGMs e seus derivados, bem como no estabeleci-</p><p>mento de normas técnicas sobre o tema. Ela é composta de membros titula-</p><p>res e suplentes, designados pelo Ministro de Estado da Ciência e Tecnologia,</p><p>sendo constituída por 27 cidadãos brasileiros de reconhecida competência</p><p>técnica, de notória atuação e saber científico (BRASIL, 2005).</p><p>Esta lei também exige que toda instituição que utilizar técnicas e métodos de</p><p>engenharia genética ou realizar pesquisas com OGM e seus derivados deverá</p><p>criar uma comissão interna de biossegurança (CIBio), além de indicar um técni-</p><p>56</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>co principal responsável para cada projeto específico. A lei ainda tipifica crimes</p><p>e penas envolvendo infrações e delitos em biossegurança (BRASIL, 2005).</p><p>Acesse a Lei de Biossegurança (Lei federal nº.11.105/</p><p>2005) para conhecer as normas de segurança e</p><p>mecanismos de fiscalização de atividades que</p><p>envolvam organismos geneticamente modificados</p><p>– OGM e seus derivados (BRASIL, 2005).</p><p>3.2 REPRODUÇÃO HUMANA ASSISTIDA</p><p>O avanço dos estudos em reprodução e o advento de biotecnologias aplicadas</p><p>a esta área propiciou o surgimento de diferentes técnicas de reprodução hu-</p><p>mana assistida, permitindo maiores sucessos no tratamento da infertilidade.</p><p>Por outro lado, as tecnologias inovadoras também trazem diversos dilemas</p><p>éticos que envolvem tanto a doação de gametas, as possíveis manipulações</p><p>genéticas e a seleção de embriões quanto às relações jurídicas entre o doador</p><p>e o(a) filho(a). Por isso, mecanismos regulatórios são fundamentais para nor-</p><p>matizar a utilização das técnicas de reprodução humana assistida.</p><p>3.2.1 ENTENDA O QUE É REPRODUÇÃO</p><p>HUMANA ASSISTIDA</p><p>A infertilidade é caracterizada como ausência de gravidez clínica após um</p><p>período de um ano ou mais de relações sexuais regulares e desprotegidas,</p><p>sendo que tanto fatores femininos como masculinos podem estar relaciona-</p><p>dos a ela. Para as mulheres, alguns fatores são a idade acima de 35 anos, diag-</p><p>nóstico prévio ou alta probabilidade de disfunção ovulatória (irregularidade</p><p>menstrual/ amenorreia), doença uterina, tubária, peritoneal e/ ou endome-</p><p>triose. Já para os homens, os principais fatores são relacionados a alterações</p><p>seminais (YAMAKAMI et al., 2017). Estima-se que cerca de 5 a 10% dos casais</p><p>apresentam o quadro de infertilidade e metade das células formadas pela</p><p>união do espermatozoide com o oócito perde-se e 15% evolui para aborto até</p><p>a 22a semana de gestação (COHEN; OLIVEIRA, 2020).</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11105.htm#:~:text=1%C2%BA%20Esta%20Lei%20estabelece%20normas,o%20descarte%20de%20organismos%20geneticamente</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11105.htm#:~:text=1%C2%BA%20Esta%20Lei%20estabelece%20normas,o%20descarte%20de%20organismos%20geneticamente</p><p>57</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>FECUNDAÇÃO DE ÓVULO POR ESPERMATOZOIDE</p><p>Fonte: Wikipedia (2021).</p><p>#PraCegoVer:</p><p>Imagem de um óvulo sendo fecundado por um espermatozoide. O fundo é preto e os</p><p>gametas têm coloração branca.</p><p>Com o avanço da medicina, diversas técnicas surgiram para permitir a repro-</p><p>dução humana em caso de dificuldade de conceber um filho de forma na-</p><p>tural. Reprodução assistida é toda aquela em que ocorre alguma interferên-</p><p>cia médica no processo reprodutivo com o objetivo de que ocorra a gravidez</p><p>(COHEN; OLIVEIRA, 2020). Essas técnicas podem ser classificadas de baixa ou</p><p>alta complexidade. Os tratamentos de infertilidade de baixa complexidade</p><p>são aqueles nos quais a fecundação ocorre no aparelho reprodutivo feminino,</p><p>sem a necessidade de manipulação em laboratório do embrião e englobam, a</p><p>relação sexual programada e a inseminação intrauterina (IIU). A relação sexual</p><p>programada consiste na determinação, por ecografias, do melhor período do</p><p>ciclo menstrual para o casal ter relações sexuais. Este método pode ser feito</p><p>tanto no ciclo menstrual natural, quanto auxiliado por medicamentos. Neste</p><p>segundo caso, a indução da ovulação ocorre por meio de medicamentos (via</p><p>oral ou injetável), seguido de acompanhamento ultrassonográfico e orienta-</p><p>ção do período em que o casal tem maior probabilidade de gestação. Já a IIU</p><p>é o tratamento inicial para casais com subfertilidade, após um ano de tenta-</p><p>tiva sem gravidez. Seu objetivo é fazer com que os espermatozoides móveis</p><p>possam ser concentrados em um pequeno volume e depositados diretamen-</p><p>te no útero no momento da ovulação. O tratamento inicia-se com a indução</p><p>da ovulação por medicamentos, seguido do preparo do sêmen para melhorar</p><p>sua motilidade e capacidade de fertilização. Em seguida, o médico realiza a</p><p>inseminação e é feito o suporte da fase lútea pelo uso de progesterona (YA-</p><p>MAKAMI et al., 2017).</p><p>58</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Nos casos de maior dificuldade de con-</p><p>cepção, são utilizadas as técnicas de re-</p><p>produção assistida de alta complexida-</p><p>de. Uma destas técnicas é a Fertilização</p><p>in vitro (FIV), que consiste na estimula-</p><p>ção ovariana por medicamentos para</p><p>aumentar o número de oócitos maduros</p><p>recrutados em um ciclo, seguida da cap-</p><p>tação destes oócitos e obtenção dos es-</p><p>permatozoides. Cerca de 3 a 4 horas após</p><p>a captação, os oócitos são fertilizados pe-</p><p>los espermatozoides no laboratório pelo</p><p>método convencional (FIV clássica) ou</p><p>pela injeção intracitoplasmática de es-</p><p>permatozoides (ICSI). Na ICSI, o esperma-</p><p>tozoide é diretamente injetado dentro do</p><p>oócito, enquanto na FIV clássica o oócito e espermatozoides são colocados em</p><p>uma placa de Petri para fertilizarem sozinhos. Após a fertilização, os embriões</p><p>são congelados ou transferidos para o útero da mãe (YAMAKAMI et al., 2017).</p><p>Curiosidade</p><p>A reprodução humana</p><p>assistida teve início na</p><p>Inglaterra, em 1978, com o</p><p>nascimento de Louise Brown.</p><p>No Brasil, o primeiro bebê</p><p>assim gerado nasceu em</p><p>1984.</p><p>https://www.cegonha.med.br/tratamentos-reproducao-humana-infertilidade/micromanipulacao/</p><p>https://www.cegonha.med.br/tratamentos-reproducao-humana-infertilidade/fertilizacao-in-vitro/</p><p>59</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>REPRESENTAÇÃO�DA�TECNOLOGIA�DE�FERTILIZAÇÃO IN�VITRO</p><p>Fonte: Wikipedia (2021).</p><p>#PraCegoVer: Imagem de desenho do corpo de uma mulher à esquerda, evidenciando seu</p><p>sistema reprodutivo. Há um conjunto de setas em ciclo. A primeira sai do corpo da mulher</p><p>para a direita, indicando a retirada do oócito para uma placa de Petri. Outra seta sai da</p><p>placa de Petri, indicando o procedimento de fertilização in vitro por ICSI. Em seguida, uma</p><p>seta indica a transferência do embrião de volta ao útero da mulher, à esquerda, finalizando</p><p>o ciclo.</p><p>3.2.2 OS DILEMAS ÉTICOS QUE ENVOLVEM A</p><p>REPRODUÇÃO HUMANA ASSISTIDA</p><p>Com o avanço da medicina, diversas técnicas surgiram para buscar o trata-</p><p>mento para a infertilidade: fertilização in vitro, doação de gametas, útero de</p><p>aluguel, entre outras. Além das questões envolvendo possíveis manipulações</p><p>genéticas ou seleção de embriões, estes tratamentos abrem novas possibili-</p><p>dades, como a de casais homoafetivos terem filhos e a utilização de embriões</p><p>congelados e descartados em pesquisa científica. Por isso, alguns conflitos</p><p>começaram a surgir e a questionar a licitude moral e ética dos procedimen-</p><p>tos realizados.</p><p>60</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>INJEÇÃO INTRACITOPLASMÁTICA DE ESPERMATOZOIDES</p><p>Fonte: Wikipedia (2020).</p><p>#PraCegoVer: Imagem de uma agulha com espermatozoides sendo injetados diretamente</p><p>no óvulo.</p><p>Segundo Cohen e Oliveira (2020, p. 264),</p><p>Diante desse contexto, vários questionamentos surgem: o que fazer com os</p><p>embriões excedentes? É possível manipular geneticamente um embrião</p><p>para torná-lo “melhor”? Se os embriões são apenas um aglomerado de</p><p>células, é possível utilizá-los em pesquisas? Se não são, então eu os trato</p><p>como “seres humanos em potencial”? Se eu perdi um ente querido, posso</p><p>tentar trazê-lo de volta, por meio de clonagem? Se eu “emprestar” meu</p><p>útero, posso reivindicar a maternidade do bebê? Qual a idade limite para</p><p>se gerar um bebê? Posso usar o sêmen do meu companheiro falecido para</p><p>fertilização? A quem pertence os embriões congelados? Se se constata</p><p>em biópsia de embrião algum problema genético, mas compatível com a</p><p>vida, como a síndrome de Down, esse embrião pode ser descartado? Posso</p><p>selecionar o sexo do embrião?</p><p>Portanto, são diversos os questionamentos surgidos com a reprodução huma-</p><p>na assistida. Estes dilemas envolvem diversos setores da sociedade, dentre eles</p><p>a medicina, o direito e a religião. O status moral do embrião é uma das questões</p><p>primordiais relacionada à reprodução humana assistida. O momento exato em</p><p>que a vida se inicia é controverso, por isso, ainda não há consenso se o embrião</p><p>é uma vida humana e deve ser tratada como tal ou não. Este dilema esbar-</p><p>ra em questões religiosas e culturais, que são variáveis conforme a sociedade.</p><p>Para católicos e hinduístas, por exemplo, vida é a união do gameta masculino</p><p>com o feminino; enquanto o judaísmo percebe a vida quando o embrião co-</p><p>meça a adquirir formato humano; e o islamismo vê o início da vida quando “Alá”</p><p>sopra no embrião. Já para a ciência, há cerca de cinco correntes que definem a</p><p>vida e o seu início: genética, embriológica, neurológica, ecológica e metabólica.</p><p>Questões como o descarte de embriões com problemas genéticos ou a utiliza-</p><p>ção de embriões em pesquisa científica estão relacionadas ao entendimento</p><p>sobre o início da vida (COHEN; OLIVEIRA, 2020; SCHLINK, 2014).</p><p>61</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>EMBRIÃO HUMANO DE 10MM NA QUINTA SEMANA DE GESTAÇÃO</p><p>Fonte: Wikipedia (2021).</p><p>#PraCegoVer: No centro da imagem há um embrião humano de 10mm. É possível observar</p><p>a coluna vertebral do embrião e sua cabeça. O fundo da imagem é avermelhado e o</p><p>embrião tem uma coloração esbranquiçada.</p><p>Outra área bastante complexa em bioética é a doação de gametas, tanto</p><p>para heterossexuais quanto em uniões homoafetivas. Casais homossexuais</p><p>femininos podem gerar filhos pela doação de sêmen, enquanto os mascu-</p><p>linos podem fazê-lo pela doação de oócitos e útero de aluguel. Este tipo de</p><p>procedimento suscita diversos questionamentos bioéticos e morais. Em re-</p><p>lação às doações de gametas, questiona-se a possibilidade de compensação</p><p>financeira, o anonimato do doador e,</p><p>ainda, o processo de seleção do doador</p><p>genético: se é desconhecido (bancos</p><p>de gametas) ou algum membro da fa-</p><p>mília ou amigo. Questionamentos re-</p><p>levantes também envolvem a escolha</p><p>da doadora de útero e se deve ocorrer</p><p>compensação financeira pela cessão</p><p>temporária do útero. Nos casos de doa-</p><p>ção de gametas, questiona-se também</p><p>os possíveis vínculos advindos da rela-</p><p>ção entre o doador e o filho (COHEN;</p><p>OLIVEIRA, 2020).</p><p>Curiosidade</p><p>Existem diversos casos</p><p>de mães e parentes que</p><p>cedem seu útero para casais</p><p>homoafetivos. Veja aqui um</p><p>exemplo.</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Humano</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Mm</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Gesta%C3%A7%C3%A3o</p><p>https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/04/04/barriga-de-aluguel-a-mulher-de-61-anos-que-engravidou-para-que-filho-gay-pudesse-ser-pai.ghtml</p><p>62</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>3.2.3 ASPECTOS JURÍDICOS NACIONAIS</p><p>E INTERNACIONAIS QUE REGULAM A</p><p>REPRODUÇÃO HUMANA ASSISTIDA</p><p>Diante da falta de um consenso em relação aos problemas bioéticos que sur-</p><p>giram com a prática da reprodução assistida, foram criadas normas para guiar</p><p>os procedimentos envolvendo reprodução humana assistida por meio de leis</p><p>ou guias de referência. Tal regulamentação é importante para determinar os</p><p>tratamentos aprovados, assegurar a segurança dos pacientes e demais pesso-</p><p>as envolvidas com o tratamento, impondo limites quanto ao avanço científico.</p><p>Nesse contexto, a Austrália foi o primeiro país a propor uma legislação para</p><p>regular os procedimentos de reprodução humana assistida, em 1984. A par-</p><p>tir de 1990, inúmeras sociedades médicas e países estabeleceram diretrizes</p><p>éticas e normas, para as tecnologias reprodutivas. Em 2019, a International</p><p>Federation of Fertility Societies fez uma pesquisa sobre presença ou ausên-</p><p>cia de legislação específica para reprodução assistida envolvendo 89 países.</p><p>Dentre eles, 77 (87%) responderam que a prática de reprodução assistida era</p><p>regulada por legislação e/ ou guias de referência, 57 (64%) responderam haver</p><p>legislação em seu país que regule tecnologias de reprodução assistida e 29</p><p>(33%) responderam não existir legislação sobre o tema em seu país.</p><p>A International Federation of Fertility Societies</p><p>(IFFS) é uma federação de nações-membro que têm</p><p>interesse nos aspectos clínicos e de pesquisa em</p><p>reprodução e fertilidade. O IFFS é uma organização</p><p>não� governamental� (ONG),� com� relações� oficiais�</p><p>com a Organização Mundial da Saúde (OMS).</p><p>No Brasil, apesar da amplitude do uso de técnicas de reprodução assistida,</p><p>não há legislação própria a respeito da matéria, apenas algumas menções</p><p>em legislações esparsas. As práticas relacionadas às novas tecnologias repro-</p><p>dutivas no país têm se pautado pelas resoluções normativas produzidas pelo</p><p>Conselho Federal de Medicina (CFM) e dirigidas prioritariamente aos médicos</p><p>(VASCONCELOS, 2014).</p><p>63</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>A Lei de Biossegurança nº. 11.105/2005 regulamenta um importante aspecto</p><p>acerca da possibilidade de utilização de células tronco embrionárias em pes-</p><p>quisa científica e terapia. Segundo o artigo 5° da lei nº 11.105/2005,</p><p>É�permitida,�para�fins�de�pesquisa�e� terapia,�a�utilização�de�células-tronco�</p><p>embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in</p><p>vitro e não utilizados no respectivo procedimento, atendidas as seguintes</p><p>condições:</p><p>I – sejam embriões inviáveis; ou</p><p>II – sejam embriões congelados há 3 (três) anos ou mais, na data da publicação</p><p>desta Lei, ou que, já congelados na data da publicação desta Lei, depois de</p><p>completarem 3 (três) anos, contados a partir da data de congelamento.</p><p>§ 1º Em qualquer caso, é necessário o consentimento dos genitores.</p><p>§ 2º Instituições de pesquisa e serviços de saúde que realizem pesquisa ou</p><p>terapia com células-tronco embrionárias humanas deverão submeter seus</p><p>projetos à apreciação e aprovação dos respectivos comitês de ética em</p><p>pesquisa. (BRASIL, 2005)</p><p>Com a pretensão de sanar as lacunas</p><p>jurídicas, o Conselho Federal de Medi-</p><p>cina (CFM) criou a regulamentação nº</p><p>2.168/2017, que define as normas éticas</p><p>para a utilização das técnicas de repro-</p><p>dução assistida, como dispositivo deon-</p><p>tológico a ser seguido pelos médicos,</p><p>sempre em defesa do aperfeiçoamento</p><p>das práticas e da observância aos prin-</p><p>cípios éticos e bioéticos que ajudam a</p><p>trazer maior segurança e eficácia a tra-</p><p>tamentos e procedimentos médicos. O</p><p>CFM, por meio desta resolução, conside-</p><p>ra que o avanço do conhecimento cien-</p><p>tífico permitiu o encontro de soluções para os problemas</p><p>relativos à reprodu-</p><p>ção humana (VASCONCELOS, 2014).</p><p>Nesta resolução, tornou-se obrigatório o consentimento informado, em for-</p><p>mulário especial, com a concordância por escrito de todos os pacientes sub-</p><p>metidos às técnicas de reprodução assistida. Todos os aspectos médicos de-</p><p>vem ser detalhadamente expostos, bem como informações sobre dados de</p><p>caráter biológico, jurídico, ético e econômico. A resolução também proíbe a</p><p>seleção de características biológicas do filho (como o sexo), exceto quando</p><p>Saiba Mais</p><p>Para entender melhor a</p><p>importância científica das</p><p>pesquisas com células tronco</p><p>embrionárias, acesse o link,</p><p>clicando aqui.</p><p>https://jornal.usp.br/radio-usp/radioagencia-usp/a-importancia-das-pesquisas-com-celulas-tronco/#:~:text=Por%20ter%20a%20capacidade%20de,fruto%20de%20fertiliza%C3%A7%C3%B5es%20in%20vitro</p><p>64</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>se trate de doenças. Outra importante regulamentação desta norma é o nú-</p><p>mero máximo de embriões a serem transferidos para a receptora. Mulheres</p><p>com até 35 anos podem receber até dois embriões; entre 36 e 39 anos, até três</p><p>embriões; mais de 40 anos, até quatro embriões.</p><p>A referida norma ainda reafirma o papel auxiliar e facilitador das técnicas de</p><p>reprodução humana assistida, cuja utilização é considerada legítima, já que se</p><p>apresenta como ferramenta de efetiva probabilidade de êxito (VASCONCELOS,</p><p>2014). Neste sentido, a resolução permite a utilização da reprodução assistida</p><p>para a generalidade das pessoas em sociedade: heterossexuais, homoafetivos</p><p>e transgêneros. É vedada a finalidade lucrativa ou comercial da doação de ga-</p><p>metas e embriões, que deve ser feita de forma anônima. Para a cessão tempo-</p><p>rária de útero (útero de aluguel), a norma ainda prevê que as cedentes devem</p><p>pertencer à família de um dos parceiros, sendo vedado o caráter lucrativo ou</p><p>comercial. Outra importante regulamentação desta norma é a possibilidade de</p><p>reprodução assistida post-mortem (após a morte), desde que haja prévia auto-</p><p>rização do(a) falecido(a) para uso do material biológico criopreservado.</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Esta unidade apresentou uma reflexão sobre os aspectos bioéticos envolven-</p><p>do a manipulação genética para a criação de organismos geneticamente</p><p>modificados (OGMs) e a reprodução humana assistida. Observamos que os</p><p>avanços tecnológicos na área biomédica permitiram o surgimento de tec-</p><p>nologias inovadoras que podem trazer tanto benefícios quanto riscos para a</p><p>saúde e segurança.</p><p>É importante frisar que negar os avanços científicos e tecnológicos não os tor-</p><p>na inexistentes. O desafio é saber utilizá-los em benefício da saúde e desen-</p><p>volvimento humanos e dos demais seres vivos. A discussão do tema à luz da</p><p>bioética nos remete a muitos dilemas que ainda devem ser enfrentados pela</p><p>sociedade. Tendo em vista os aspectos aqui abordados, constata-se que a dis-</p><p>cussão acerca dos aspectos éticos e legais envolvendo engenharia genética,</p><p>OGMs e reprodução humana assistida está em processo de desenvolvimento.</p><p>UNIDADE 4</p><p>65</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao�final�desta�</p><p>unidade,</p><p>esperamos que</p><p>possa:</p><p>> Elucidar os</p><p>aspectos éticos</p><p>e jurídicos que</p><p>envolvem as</p><p>pesquisas e</p><p>a aplicação</p><p>terapêutica da</p><p>clonagem.</p><p>> Compreender</p><p>os aspectos</p><p>éticos e jurídicos</p><p>da realização</p><p>de pesquisas</p><p>envolvendo a</p><p>utilização dos</p><p>diferentes tipos de</p><p>células-tronco.</p><p>66</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>4 BIOÉTICA: CLONAGEM, CÉLULA-</p><p>TRONCO</p><p>4.1 INTRODUÇÃO</p><p>Esta unidade traz uma abordagem elucidativa sobre clonagem germinati-</p><p>va e terapêutica e células-tronco, destacando aspectos relevantes no âmbito</p><p>desses dois temas.</p><p>A primeira parte desta unidade versa sobre os conceitos e técnicas empregadas</p><p>para a realização da clonagem, tanto com objetivo reprodutivo quanto terapêu-</p><p>tico. Também abordaremos os aspectos bioéticos inerentes ao processo de clo-</p><p>nagem em animais e em humanos, salientando os riscos e benefícios potenciais</p><p>das técnicas para a saúde, bem como as questões morais e éticas que devem</p><p>ser avaliadas. Para complementar, veremos as principais normas jurídicas nacio-</p><p>nais e internacionais que regulamentam os diferentes tipos de clonagem.</p><p>Na segunda parte desta unidade, veremos os principais tipos de células-tron-</p><p>co – embrionárias e adultas, assim como suas potenciais aplicações em te-</p><p>rapias e medicina. Abordaremos os diversos dilemas bioéticos e polêmicas</p><p>envolvendo as pesquisas com células-tronco embrionárias, como o conceito</p><p>de vida e o status jurídico do embrião. Diante dos conflitos éticos, ainda vere-</p><p>mos as principais legislações mundiais e nacionais acerca das permissões e</p><p>regulação do uso de embriões em pesquisa.</p><p>4.2 CLONAGEM GERMINATIVA E TERAPÊUTICA</p><p>Os avanços tecnológicos em biotecnologia propiciaram o surgimento de téc-</p><p>nicas inovadoras como a clonagem, que é um mecanismo para produzir indi-</p><p>víduos geneticamente idênticos ao progenitor.</p><p>Esta técnica pode ser utilizada com a finalidade reprodutiva, para gerar uma</p><p>prole idêntica ao doador, como é o caso da ovelha Dolly, primeiro mamífero</p><p>clonado do mundo ou, ainda, a técnica pode ter finalidade terapêutica, em</p><p>que as células-tronco do “embrião” gerado por clonagem podem ser utiliza-</p><p>das para a geração de tecidos e órgãos em laboratório.</p><p>67</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Em todos os casos, surgem dilemas éticos inerentes ao processo de clona-</p><p>gem, como: o que fazer com os clones que apresentarem defeitos? Quem</p><p>são os pais do indivíduo clonado? Como selecionar quem será clonado? Estas</p><p>e outras questões pertinentes levantam debates. Por isso, diversas normas</p><p>foram criadas, tanto em âmbito internacional quanto nacionalmente, para re-</p><p>gulamentar o tema.</p><p>OVELHA DOLLY EMPALHADA NO ROYAL MUSEUM OF SCOTLAND, EM EDIMBURGO,</p><p>ESCÓCIA.</p><p>Fonte: Wikipedia (2021).</p><p>#PraCegoVer: Na imagem, há uma ovelha branca empalhada em uma redoma de vidro.</p><p>4.2.1 O QUE É CLONAGEM?</p><p>Clonagem é um mecanismo por meio do qual são produzidos seres genetica-</p><p>mente idênticos a seus progenitores, sendo um processo comum de propaga-</p><p>ção de espécie em plantas e bactérias (reprodução assexuada). Portanto, um</p><p>clone é um indivíduo que se origina de um organismo, idêntico a ele. Em huma-</p><p>nos, o único caso de clones naturais são os gêmeos idênticos (univitelinos), que</p><p>se originam do mesmo zigoto e, por isso, têm o mesmo genótipo (ZATZ, 2004).</p><p>68</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>No século XX, com o advento de tecnologias inovadoras em biomedicina, tor-</p><p>nou-se possível, em laboratório, clonar um mamífero, a ovelha Dolly, a partir</p><p>de células somáticas diferenciadas, o que abriu um caminho para a possibili-</p><p>dade de clonagem em humanos, já que a técnica permitiu a reprogramação</p><p>de uma célula já diferenciada.</p><p>A clonagem em laboratório pode ser feita, basicamente, de duas formas: se-</p><p>parando-se as células de um embrião em seu estágio inicial de multiplicação</p><p>celular ou pela substituição do núcleo de um óvulo por outro proveniente de</p><p>uma célula de um indivíduo já existente. O primeiro processo é semelhante</p><p>àquele que ocorre naturalmente em gêmeos univitelinos, que têm origem</p><p>em um mesmo zigoto (SCHLINK, 2014).</p><p>A segunda forma de clonagem é deno-</p><p>minada clonagem reprodutiva e, nesta</p><p>técnica, é feita a transferência do núcleo</p><p>de uma célula somática de um indivíduo</p><p>para um óvulo enucleado (seu núcleo é</p><p>previamente retirado). Em seguida, esta</p><p>célula começa a se comportar como um</p><p>óvulo recém-fecundado por um esper-</p><p>matozoide, sendo transferido para um</p><p>útero para se desenvolver. Temos, então,</p><p>um indivíduo com o mesmo genótipo</p><p>e as mesmas características físicas do</p><p>doador da célula somática. É como um</p><p>gêmeo idêntico nascido</p><p>posteriormen-</p><p>te. Esta é a técnica que foi utilizada para</p><p>clonar a ovelha Dolly, em 1996 (SCHLINK,</p><p>2014; ZATZ, 2004).</p><p>No entanto, esta técnica é extremamente complexa e apresenta baixas ta-</p><p>xas de sucesso. A Dolly só nasceu depois de 276 tentativas que fracassaram.</p><p>Posteriormente, outras tentativas de clonagem usando diferentes mamíferos,</p><p>como camundongos, porcos e bezerros também demonstraram baixas taxas</p><p>de sucesso. Além disso, observou-se que os poucos animais clonados apre-</p><p>sentavam diversos tipos de anormalidades e defeitos de saúde, como proble-</p><p>mas cardíacos e imunológicos (ZATZ, 2004).</p><p>Para saber</p><p>Com exceção das</p><p>células sexuais (oócito</p><p>e espermatozoide), que</p><p>apresentam 23 cromossomos,</p><p>a espécie humana</p><p>compreende 23 pares de</p><p>cromossomos (46 no total)</p><p>em cada uma de suas</p><p>células. Estas células, com 46</p><p>cromossomos, são chamadas</p><p>células somáticas.</p><p>69</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>O primeiro clone brasileiro gerado a partir de células</p><p>de um animal adulto foi a Penta, uma bezerra</p><p>produzida por pesquisadores da Unesp, em 2002.</p><p>Penta morreu com pouco mais de um mês de idade.</p><p>Por outro lado, uma importante aplicação da clonagem em medicina é a cha-</p><p>mada clonagem terapêutica. Nesta técnica, o óvulo enucleado recebe o nú-</p><p>cleo de uma célula somática de um indivíduo e é estimulado em laboratório</p><p>para formar um “embrião”. Neste caso, o embrião não é implantado em um</p><p>útero com objetivo reprodutivo, mas cultivado em laboratório para dar ori-</p><p>gem a células-tronco embrionárias que poderão ser usadas em terapias.</p><p>Estas células indiferenciadas podem fabricar diferentes tecidos e órgãos, que po-</p><p>dem ser usados em transplantes e terapias, com a vantagem de evitar rejeição,</p><p>já que o doador do núcleo da célula é a própria pessoa. Um exemplo seria substi-</p><p>tuir o tecido cardíaco de uma pessoa que sofreu infarto, com o tecido produzido</p><p>em laboratório a partir de células somáticas da própria pessoa (ZATZ, 2004).</p><p>70</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>DIAGRAMA DEMONSTRANDO O PROCEDIMENTO DE CLONAGEM REPRODUTIVA E</p><p>TERAPÊUTICA</p><p>Fonte: Wikimedia Commons (2021).</p><p>#PraCegoVer: Na imagem, há um diagrama com setas mostrando o processo de clonagem.</p><p>À esquerda, são observadas duas células: a doadora e o óvulo. Setas para a direita indicam</p><p>a remoção do núcleo das duas células. A seta seguinte indica uma célula, demonstrando</p><p>que o núcleo da célula doadora foi introduzido no óvulo. Outra seta para a direita aponta</p><p>para um aglomerado de células, com a inscrição clone. Abaixo deste diagrama, observa-se</p><p>a indicação dos dois tipos de clonagem: a reprodutiva, com uma seta para a direita saindo</p><p>do aglomerado de células e indicando o termo barriga de aluguel; e terapêutica, com</p><p>uma seta para a direita saindo do aglomerado de células e indicando um conjunto destas</p><p>células separadas umas das outras. A seta seguinte indica o termo cultura celular.</p><p>71</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>4.2.2 DILEMAS ÉTICOS QUE ENVOLVEM OS</p><p>DIFERENTES TIPOS DE CLONAGEM</p><p>A clonagem é uma técnica inovadora em biotecnologia que, inerentemente,</p><p>traz diversos dilemas éticos e morais que devem ser analisados. Conforme</p><p>apresentado anteriormente, a clonagem pode ter diferentes objetivos: repro-</p><p>dutivo ou terapêutico e cada um deles deve ser discutido separadamente à</p><p>luz da bioética (SILVA, 2010).</p><p>Quanto à clonagem reprodutiva, é possível observar que, além de ser pouco</p><p>eficiente, com baixas taxas de sucesso, também traz inúmeras anomalias e</p><p>defeitos aos animais clonados. Por outro lado, experiências com clonagem</p><p>têm ensinado muito acerca do funcionamento celular, sendo de grande be-</p><p>nefício para a geração de conhecimento científico (ZATZ, 2004).</p><p>Já a clonagem terapêutica, mostra-se</p><p>com importante potencial para o trata-</p><p>mento de doenças e transplantes de ór-</p><p>gãos ou tecidos defeituosos. Esta clona-</p><p>gem pode ser equiparada a uma cultura</p><p>de células, sem fins reprodutivos. Neste</p><p>caso, o embrião não é implantado no úte-</p><p>ro e não há geração de um novo indivíduo,</p><p>apenas de células. Além disso, o potencial</p><p>de utilização dos tecidos para tratar inú-</p><p>meras doenças e melhorar a qualidade</p><p>de vida das pessoas torna a discussão éti-</p><p>ca mais favorável à técnica (ZATZ, 2004).</p><p>Entretanto, mesmo a utilização da clona-</p><p>gem terapêutica traz questionamentos</p><p>éticos. Discute-se a validade da geração</p><p>de um novo ser para salvar outros, dian-</p><p>te da utilização da clonagem para gerar</p><p>um embrião que doará o tecido para o</p><p>tratamento de pessoas já nascidas. Se-</p><p>ria válido sacrificar uma vida para salvar outra? Neste caso, parece haver um</p><p>reconhecimento de que existe uma dignidade crescente com o desenvolvi-</p><p>mento da pessoa, sendo que um ser humano adulto tem sua dignidade ple-</p><p>Saiba mais</p><p>Diversos animais foram</p><p>clonados no mundo e a maior</p><p>parte deles desenvolveu</p><p>anomalias e defeitos de</p><p>saúde. A ovelha Dolly sofria</p><p>de uma doença pulmonar</p><p>progressiva e foi abatida</p><p>em fevereiro de 2003, aos</p><p>6 anos e meio. Além disso,</p><p>foram observados defeitos</p><p>cardíacos em porcos</p><p>clonados, placentas anormais</p><p>em ovelhas e gado, além de</p><p>problemas imunológicos em</p><p>carneiros.</p><p>72</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>na em relação a um embrião clonado em laboratório que nem mesmo será</p><p>implantado para nascer (SCHLINK, 2014).</p><p>Ademais, a simples possibilidade de clonar humanos suscita discussões éti-</p><p>cas envolvendo aspectos morais, religiosos e sociais. Questiona-se diversos fa-</p><p>tores advindos da técnica, como: quem será o pai ou a mãe do clone? Quem</p><p>deve ser clonado? Quais os critérios? O que fazer com os clones que nascerem</p><p>defeituosos? (ZATZ, 2004)</p><p>Em 2018, na China, foram clonados os primeiros</p><p>primatas do mundo pela técnica de substituição do</p><p>núcleo de um óvulo por outro proveniente de uma</p><p>célula de um indivíduo já existente. Os macacos</p><p>clonados, Zhong Zhong e Hua Hua, tornam a</p><p>possibilidade da clonagem de humanos mais</p><p>próxima da realidade. Saiba mais, clicando aqui.</p><p>Segundo Cohen e Oliveira (2020, p. 342 - 343),</p><p>Percebemos que a Bioética surgiu da necessidade de compreender e</p><p>repensar�os�“sintomas”�da�sociedade�moderna.�A�reflexão�bioética�surgiu�por�</p><p>meio da percepção das mudanças das relações psicossociais ocasionadas</p><p>pelos�grandes�avanços�científicos�e�tecnológicos,�fazendo�renascer�o�conflito�</p><p>entre ciências biológicas e as ciências humanas. Isso pode ser observado,</p><p>atualmente,� quando� se� relaciona� a� Bioética� à� reflexão� sobre� temas� como�</p><p>eutanásia, aborto, reprodução assistida, clonagem e terapias gênicas.</p><p>Tais� temas� provocam� conflitos� em� valores� preestabelecidos� socialmente,�</p><p>com�mudanças�bruscas,�como�nas�definições�de�vida,�saúde�e�morte.�Tais�</p><p>valores, por serem novos, necessitam da criação de parâmetros para serem</p><p>incorporados à vida social e em uma elaboração individual.</p><p>Portanto, a clonagem é uma técnica que traz diversos riscos e polêmicas, es-</p><p>pecialmente conflituosos, além de importantes definições sociais, como os</p><p>conceitos de vida e morte. Por isso, é necessária uma ampla avaliação com</p><p>diferentes setores da sociedade e comunidade científica para a definição dos</p><p>parâmetros ética e moralmente aceitáveis em clonagem, tanto reprodutiva</p><p>quanto terapêutica.</p><p>https://super.abril.com.br/comportamento/nascem-os-primeiros-macacos-clonados/</p><p>73</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>1 Ovelha</p><p>Dolly (1996), Escócia.</p><p>2 Camundongo</p><p>Cumulina (1997), Estados Unidos.</p><p>3 Gado</p><p>Noto e Kaga (1998), Japão.</p><p>4 Cabra</p><p>Mira (1998), Estados Unidos.</p><p>5 Gato</p><p>Copy cat (2001), Estados Unidos.</p><p>6 Cavalo</p><p>Prometea (2003), Itália.</p><p>4.2.3 ASPECTOS JURÍDICOS NACIONAIS</p><p>E INTERNACIONAIS EM RELAÇÃO AOS</p><p>DIFERENTES TIPOS DE CLONAGEM</p><p>Ainda</p><p>de acordo com Cohen e Oliveira (2020, p. 83),</p><p>O Direito, como a ciência que deve regulamentar a vida em sociedade</p><p>por� meio� de� normas,� é� chamado� a� buscar� soluções� para� novos� desafios�</p><p>apresentados pelo avanço da tecnologia aplicada à vida humana e a todos</p><p>os seres da natureza. Tornaram-se bastante conhecidos temas como células-</p><p>74</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>tronco embrionárias, técnicas de reprodução assistida, clonagem reprodutiva</p><p>ou terapêutica, aconselhamento genético, bancos de material biológico</p><p>humano, de DNA e cordão umbilical, genoma humano, terminalidade da</p><p>vida e melhoramento da pessoa, para citar os mais comuns. Entretanto, o</p><p>Direito não conseguirá apresentar respostas satisfatórias se não recorrer à</p><p>interdisciplinaridade, em que a Bioética tem um papel fundamental. Somente</p><p>um�diálogo�entre�os�vários�profissionais�facilitará�a�busca�por�parâmetros.</p><p>Em face dos dilemas éticos envolvendo a clonagem, as regras e normas jurídi-</p><p>cas são importantes para regulamentar as técnicas permitidas e o controle de</p><p>riscos. Para tanto, a bioética é fundamental como ciência de reflexão, a fim de</p><p>analisar todos os aspectos técnicos, morais e sociais advindos da clonagem.</p><p>Com o surgimento de biotecnologias inovadoras e a clonagem bem-sucedida</p><p>da ovelha Dolly, a comunidade científica internacional voltou-se para a análi-</p><p>se dos riscos e polêmicas envolvendo a possibilidade da clonagem humana à</p><p>luz da bioética.</p><p>Neste momento, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ci-</p><p>ência e a Cultura (Unesco) adotou a Declaração Universal sobre o Genoma</p><p>Humano e os Direitos Humanos, em 1997. É um texto abrangente, que trata</p><p>de questões polêmicas, tanto de Bioética quanto para uma abordagem de</p><p>Direitos Humanos, tais como: manipulação do genoma humano, clonagem</p><p>humana e transgênicos, assim como aponta princípios e valores intangíveis.</p><p>Outro importante regramento é a Declaração Internacional sobre os Dados</p><p>Genéticos Humanos, da Unesco, de 2004. Esta norma visa garantir o respei-</p><p>to da dignidade humana e a proteção dos Direitos Humanos e das liberda-</p><p>des fundamentais em matéria de recolha, tratamento, utilização e conserva-</p><p>ção de dados genéticos humanos, em conformidade com os imperativos de</p><p>igualdade, justiça e solidariedade (COHEN, OLIVEIRA, 2020).</p><p>Genoma é toda a informação genética hereditária</p><p>de um ser vivo, codificada em DNA ou RNA. Em</p><p>seres humanos, corresponde aos 22 pares de</p><p>cromossomos autossomos e aos 02 cromossomos</p><p>sexuais (X e Y), presentes no núcleo de todas nossas</p><p>células somáticas.</p><p>75</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>No Brasil, a Lei de Biossegurança, lei nº 11.105/2005, normatiza alguns aspec-</p><p>tos envolvidos no procedimento de clonagem e, em seu artigo 6°, proíbe a</p><p>clonagem e manipulação genética em célula germinativa, zigoto ou embrião</p><p>humano. Esta lei ainda tipifica o crime de realizar clonagem humana, com a</p><p>pena de reclusão de dois a cinco anos e multa (SCHLINK, 2014).</p><p>Há ainda a instrução normativa nº 08/97 do CTNBio (Comissão Técnica Nacio-</p><p>nal de Biossegurança, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Co-</p><p>municações), que dispõe sobre a manipulação genética e clonagem em seres</p><p>humanos. A norma também veda taxativamente a manipulação genética de</p><p>células germinativas ou células totipotentes, bem como experimentos envol-</p><p>vendo qualquer técnica de clonagem em humanos (BRASIL, 1997).</p><p>4.3�CÉLULAS-TRONCO</p><p>Células-tronco são células indiferenciadas que têm o potencial de especializar-</p><p>-se em diversas células de diferentes tecidos. Podem ser embrionárias, aque-</p><p>las presentes no embrião ao longo do desenvolvimento, ou adultas, aquelas</p><p>que existem nos tecidos para garantir sua renovação celular. Em razão de sua</p><p>indiferenciação, estas células apresentam um enorme potencial em medici-</p><p>na para ser utilizadas em terapias de regeneração tecidual de órgãos danifi-</p><p>cados ou transplantes. Entretanto, diversos dilemas éticos são enfrentados</p><p>na utilização de células-tronco em pesquisa, especialmente as embrionárias.</p><p>Estes dilemas envolvem questões éticas, filosóficas, científicas e religiosas de</p><p>alta complexidade, como o momento de surgimento da vida e a dignidade e</p><p>proteção do embrião. Para regular estes aspectos éticos e morais, diversos paí-</p><p>ses criaram normas acerca do tema. No Brasil, a Lei de Biossegurança permite</p><p>a pesquisa com células-tronco embrionárias, desde que sejam obtidas de em-</p><p>briões inviáveis ou descartados, sempre com o consentimento dos genitores.</p><p>76</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>CÉLULAS-TRONCO�EMBRIONÁRIAS�DE�CAMUNDONGO</p><p>Fonte: Wikimedia Commons (2021).</p><p>#PraCegoVer: A imagem é uma micrografia de células-tronco embrionárias de camundongo.</p><p>As células-tronco são arredondadas e estão marcadas em verde, com fundo cinza.</p><p>4.3.1�ENTENDA�O�QUE�SÃO�AS�CÉLULAS-</p><p>TRONCO E AS SUAS APLICAÇÕES</p><p>As células-tronco são células indiferenciadas que ainda não possuem uma</p><p>especialização e têm o potencial de diferenciar-se em diversas outras célu-</p><p>las do organismo. Existem três tipos principais de células-tronco: totipotentes,</p><p>pluripotentes e multipotentes.</p><p>• As totipotentes são as células presentes no embrião logo após a fecundação</p><p>até a fase de oito células. Nesta fase, cada uma dessas células é capaz de se</p><p>desenvolver em um ser humano completo;</p><p>• As células pluripotentes também são embrionárias, mas em uma etapa</p><p>posterior do desenvolvimento, consistindo das células que compõem a massa</p><p>celular interna do blastocisto. Por serem diferenciadas das totipotentes,</p><p>as pluripotentes são menos versáteis, apresentando menor potencial de</p><p>diferenciação;</p><p>77</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>• Já as células multipotentes, são aquelas presentes no indivíduo adulto,</p><p>sendo responsáveis pela renovação celular dos tecidos e encontradas em</p><p>todos os tecidos, principalmente naqueles com maior renovação, como a</p><p>medula óssea. Estas células podem se dividir para autorrenovar e manter as</p><p>nossas células ao longo da vida, como podem se diferenciar e formar células</p><p>específicas daquele tecido. As células multipotentes apresentam menor</p><p>capacidade de diferenciação que as demais.</p><p>ESQUEMA BÁSICO DAS PRIMEIRAS ETAPAS DA MATURAÇÃO DO OVÓCITO HUMANO, A</p><p>FERTILIZAÇÃO E A NIDAÇÃO.</p><p>Fonte: Wikipedia (2021).</p><p>#PraCegoVer: Na imagem, há um desenho de parte do sistema reprodutor feminino:</p><p>um ovário, tuba uterina e útero. O esquema mostra as etapas iniciais da fertilização e</p><p>implantação do embrião. Saindo do ovário, há um ovócito e, abaixo dele está escrito</p><p>ovulação. Na tuba uterina, há desenhos de espermatozóides e um deles se encontra</p><p>dentro do ovócito. Mais à direita, fora da tuba uterina está escrito 1° dia e na tuba uterina</p><p>está escrito primeira clivagem. Em seguida, à direita, está escrito 2°, 3° e 4° dias e indicados</p><p>os estágios de 2, 4 e 8 células, com o desenho do respectivo embrião. Já no útero, está</p><p>escrito 4° dia, com o desenho do zigoto com inúmeros células dentro, onde está escrito</p><p>mórula. Mais abaixo, no útero, há o escrito 5° dia e o desenho do embrião em blastocisto.</p><p>Abaixo, há as indicações de 6° a 9° dias e a implantação do zigoto na parede do útero. O</p><p>zigoto é uma esfera que faz contato com o útero.</p><p>78</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>Devido a sua capacidade diferenciativa, os diferentes tipos de células-tronco</p><p>apresentam enorme potencial para uso em terapias e tratamento de doen-</p><p>ças. O advento de tecnologias em ciências biomédicas permitiu o entendi-</p><p>mento do processo de diferenciação celular e a possibilidade de manipulação</p><p>de células-tronco em laboratório para estimular a sua diferenciação em célu-</p><p>las específicas de interesse. As</p><p>pesquisas com células-tronco visam encontrar</p><p>maneiras de tratar ou reverter algumas doenças e desenvolver terapias que</p><p>retardem processos degenerativos.</p><p>As células-tronco de indivíduos adultos podem ser utilizadas em técnicas de</p><p>autotransplante, em que as células indiferenciadas retiradas do próprio indi-</p><p>víduo podem ser utilizadas para reconstituir seus órgãos danificados e assim</p><p>evitar rejeições.</p><p>Pesquisas recentes mostraram que células-tronco retiradas da medula de in-</p><p>divíduos com problemas cardíacos foram capazes de reconstituir o músculo</p><p>do seu coração, o que abre perspectivas de tratamento para pessoas com</p><p>problemas cardíacos. Há ainda a possibilidade do uso de células-tronco do</p><p>cordão umbilical e da placenta, que são ricos neste tipo celular. Pesquisas re-</p><p>centes demonstraram que o sangue do cordão umbilical é o melhor material</p><p>para substituir a medula em casos de leucemia (ZATZ, 2004).</p><p>Já as células-tronco embrionárias, por apresentarem maior indiferenciação,</p><p>têm inúmeros potenciais terapêuticos. As células totipotentes e multipoten-</p><p>tes podem ser estimuladas em laboratório a diferenciarem-se em tecidos e</p><p>órgãos para transplante. Além disso, estas células têm um importante poten-</p><p>cial de utilização na regeneração de tecidos e órgãos danificados.</p><p>Por outro lado, alguns riscos na terapêutica com células-tronco ainda devem</p><p>ser estudados e avaliados. Um deles, é a possibilidade de geração de tumores,</p><p>já que estas células têm um grande potencial de autorrenovação, sendo alvos</p><p>susceptíveis de carcinogênese. Outro risco advindo do uso de células-tronco</p><p>são as alterações cromossômicas, tanto em células-tronco adultas quanto nas</p><p>embrionárias (BARBOSA et al., 2003).</p><p>79</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>EMBRIÃO DE 8 CÉLULAS</p><p>Fonte: Wikipedia (2021).</p><p>#PraCegoVer: Na imagem, há uma micrografia de um embrião com oito células. O embrião</p><p>é uma esfera com várias esferas menores dentro. O embrião aparece em imagem negativa,</p><p>sem coloração e o fundo da imagem é cinza.</p><p>4.3.2 OS DILEMAS ÉTICOS QUE ENVOLVEM A</p><p>UTILIZAÇÃO�DAS�CÉLULAS-TRONCO</p><p>Apesar das inúmeras aplicações potenciais e benefícios advindos da utilização</p><p>de células-tronco, tanto adultas quanto embrionárias, diversos dilemas éticos en-</p><p>volvem a técnica. Neste sentido, não apenas aspectos técnicos e científicos são</p><p>questionados, mas também valores e crenças, o que potencializa o grau de di-</p><p>vergências, não apenas no âmbito acadêmico, mas na sociedade como um todo.</p><p>Quando se questiona o uso de células-tronco embrionárias, o principal dile-</p><p>ma ético envolve o conceito de vida humana.</p><p>Para a bioética, o respeito à vida humana é fundamental. Mas o que é vida</p><p>humana? Em que momento ela se inicia? Este conceito é variável conforme</p><p>aspectos científicos, religiosos, sociais e culturais. É possível considerar que a</p><p>vida se inicia no momento da fecundação, sendo o primeiro estágio do de-</p><p>senvolvimento humano. Neste caso, o embrião, mesmo o de oito células, já</p><p>seria considerado vida humana, com todos os seus direitos e garantias de</p><p>dignidade e proteção. Por outro lado, diferentes religiões consideram que a</p><p>vida só se inicia posteriormente no desenvolvimento embrionário, quando,</p><p>por exemplo, o embrião adquire formato humano. Neste segundo caso, a uti-</p><p>lização de embriões ainda no estágio inicial do desenvolvimento embrionário</p><p>seria menos condenável do ponto de vista moral.</p><p>80</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>EMBRIÃO HUMANO MASCULINO, DE SETE SEMANAS DE IDADE OU NOVE SEMANAS DE</p><p>IDADE GESTACIONAL.</p><p>Fonte: Wikipedia (2021).</p><p>#PraCegoVer: Na imagem, há um embrião humano de sete semanas de idade. Ele tem</p><p>coloração amarelada e está de lado, com o cordão umbilical à mostra e apresenta os</p><p>quatro membros: dois braços, duas pernas e, na cabeça, é possível ver um olho, uma</p><p>orelha, o nariz e a boca. Ao lado da imagem há uma régua, indicando que o</p><p>embrião tem cerca de 1,5cm.</p><p>Um argumento relevante na avaliação bioética da aceitação das pesquisas</p><p>com células-tronco embrionárias diz respeito ao valor dado a uma vida em</p><p>potencial, em detrimento de utilizá-la para salvar diversas vidas já existentes.</p><p>Neste aspecto, segundo Zatz (2004, p. 9):</p><p>Sabemos que 90% dos embriões gerados em clínicas de fertilização e que são</p><p>inseridos em um útero, nas melhores condições, não geram vida. Além disso,</p><p>um trabalho recente (Mitalipova et al., 2003) mostrou que células obtidas de</p><p>embriões de má qualidade, que não teriam potencial para gerar uma vida,</p><p>mantêm a capacidade de gerar linhagens de células-tronco embrionárias e,</p><p>portanto, de gerar tecidos. Em resumo, é justo deixar morrer uma criança ou</p><p>um jovem afetado por uma doença neuromuscular letal para preservar um</p><p>embrião cujo destino é o lixo? Um embrião que, mesmo que fosse implantado</p><p>em um útero, teria um potencial baixíssimo de gerar um indivíduo? Ao</p><p>usar células-tronco embrionárias para regenerar tecidos em uma pessoa</p><p>condenada por uma doença letal, não estamos, na realidade, criando vida?</p><p>Isso não é comparável ao que se faz hoje em transplante quando se retiram</p><p>os órgãos de uma pessoa com morte cerebral (mas que poderia permanecer</p><p>em vida vegetativa).</p><p>81</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Portanto, há que se ponderar os enormes potenciais terapêuticos advindos</p><p>do uso de células-tronco embrionárias frente aos aspectos éticos envolvidos</p><p>no descarte de embriões humanos. Para isso, faz-se necessária uma reavalia-</p><p>ção ética na sociedade, a fim de garantir que pessoas com problemas de saú-</p><p>de não sejam privadas de potenciais tratamentos, ao mesmo tempo em que</p><p>as técnicas de manipulação de embriões sejam altamente reguladas, levando</p><p>em consideração aspectos éticos e morais.</p><p>No Brasil, existe a Rede Nacional de Terapia</p><p>Celular (RNTC), formada por oito Centros de</p><p>Tecnologia Celular, em 52 laboratórios. A RNTC</p><p>tem como objetivo aumentar a integração entre</p><p>os pesquisadores do Brasil que trabalham com</p><p>células-tronco, propiciando a troca de informações</p><p>e tecnologias. Saiba mais, clicando aqui.</p><p>Quando se trata de usar células-tronco de indivíduo adulto, os aspectos éticos</p><p>e morais parecem menos questionáveis, já que constituem células de um or-</p><p>ganismo e não um embrião com potencial de gerar uma nova vida. Por outro</p><p>lado, a técnica envolve riscos inerentes para o organismo, como o desenvolvi-</p><p>mento de tumores, que também devem ser analisados quando da aceitação</p><p>e da definição de limites para seu uso em humanos (FRANÇA et al., 2017).</p><p>4.3.3 ASPECTOS JURÍDICOS NACIONAIS</p><p>E INTERNACIONAIS QUE REGULAM AS</p><p>ATIVIDADES�COM�CÉLULAS-TRONCO</p><p>Apesar das inúmeras aplicações potenciais das células-tronco em terapias</p><p>e dos dilemas éticos envolvendo sua utilização, ainda não existem normas</p><p>internacionais que regulem, a nível mundial, a realização de pesquisas com</p><p>células-tronco. Por isso, muitos países têm criado normas próprias para regu-</p><p>lamentar o tema (BARBOSA et al., 2013).</p><p>O Reino Unido foi o primeiro país a autorizar, em lei, a pesquisa com célu-</p><p>las-tronco embrionárias, em 2001, após extenso debate bioético envolvendo</p><p>https://www.google.com/url?q=http://www.rntc.org.br/a-rntc.html&sa=D&source=editors&ust=1615400723583000&usg=AOvVaw2bkkN5D2jkQsu7F6ISu7P5</p><p>82</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>toda a sociedade. Outros países, além de permitir a pesquisa com os embri-</p><p>ões excedentes de clínicas de reprodução assistida, também autorizam a pró-</p><p>pria produção de embriões em laboratório para fins exclusivos de investiga-</p><p>ção científica, como é o caso de Austrália, Japão, África do Sul, Cingapura,</p><p>China e Suécia. Nos Estados Unidos, a situação normativa é mais complexa.</p><p>Lá, a pesquisa com células-tronco embrionárias é autorizada nacionalmente,</p><p>desde que não seja subvencionada</p><p>com recursos federais. Por isso, alguns Es-</p><p>tados como Califórnia, Illinois e Maryland editaram leis locais que autorizam</p><p>o financiamento estadual para estas pesquisas. Outro país com regulamen-</p><p>tação singular é a Alemanha, que possui uma lei, de 2002, que proíbe o uso</p><p>de embriões alemães em pesquisas, permitindo apenas o uso de linhagens</p><p>de células-tronco embrionárias já importadas, produzidas em outros países.</p><p>Logo, a Alemanha proíbe o uso de embriões de origem alemã, mas permite o</p><p>uso de linhagens celulares já importadas de outros países. O contexto do na-</p><p>zismo e as possibilidades de pesquisas envolvendo seres humanos dificultam</p><p>o debate democrático no país, por isso a proibição do uso de material biológi-</p><p>co alemão em laboratório (DINIZ; AVELINO, 2009).</p><p>TERAPIA�DE�CÉLULAS-TRONCO�PARA�ESCLEROSE�MÚLTIPLA</p><p>Fonte: Plataforma Deduca (2021).</p><p>#PraCegoVer: Na imagem, há um profissional da saúde aplicando uma injeção no braço de</p><p>um paciente.</p><p>83</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>No Brasil, a reprodução humana assistida é regulamentada pela Resolução</p><p>nº 2.168/2017, do CFM, que estabelece que os embriões não implantados no</p><p>útero devem ser criopreservados. A norma ainda prevê que os embriões crio-</p><p>preservados, há três anos ou mais, poderão ser descartados se esta for a von-</p><p>tade expressa dos pacientes, assim como os embriões abandonados por três</p><p>anos ou mais poderão ser descartados, sendo considerado, neste caso, em-</p><p>brião abandonado aquele que os responsáveis descumpriram o contrato pré-</p><p>-estabelecido e não foram localizados pela clínica (COHEN, OLIVEIRA, 2020).</p><p>Outro importante regramento nacional é a Lei Federal nº 11.105/2005 (Lei de</p><p>Biossegurança), que permite a utilização de células-tronco embrionárias des-</p><p>cartadas para fins de pesquisa e terapia (COHEN, OLIVEIRA, 2020).</p><p>Segundo o artigo 5° da Lei de Biossegurança:</p><p>Art.�5º�É�permitida,�para�fins�de�pesquisa�e�terapia,�a�utilização�de�células-</p><p>tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por</p><p>fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento, atendidas</p><p>as seguintes condições:</p><p>I – sejam embriões inviáveis; ou</p><p>II – sejam embriões congelados há 3 (três) anos ou mais, na data da publicação</p><p>desta Lei, ou que, já congelados na data da publicação desta Lei, depois de</p><p>completarem 3 (três) anos, contados a partir da data de congelamento.</p><p>§ 1º Em qualquer caso, é necessário o consentimento dos genitores.</p><p>(BRASIL, 2005)</p><p>Apesar da expressa permissão em lei da utilização de células-tronco embrio-</p><p>nárias em pesquisa, a questão suscita polêmicas. Tal controvérsia levou a uma</p><p>Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) das pesquisas com células-tron-</p><p>co no Supremo Tribunal Federal (STF). A ADIN justificava-se com base no di-</p><p>reito à vida do embrião, já que, mesmo após três anos de congelamento, o</p><p>embrião ainda poderia ser implantado e dar origem a uma vida. A votação no</p><p>STF ocorreu em 2008 e concluiu, por seis votos a cinco, sobre a constitucio-</p><p>nalidade das pesquisas com células-tronco, permitindo que os estudos con-</p><p>tinuassem. Ainda assim, as normas brasileiras sobre o tema são escassas e,</p><p>portanto, ainda são necessárias regulamentações mais específicas acerca das</p><p>técnicas e metodologias utilizadas em pesquisa e terapias com células-tronco</p><p>(BARBOSA et al., 2013).</p><p>84</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>O Supremo Tribunal Federal (STF) é o órgão</p><p>superior do Poder Judiciário e tem a importante</p><p>função de guarda da Constituição Federal, ao julgar</p><p>questões de constitucionalidade. A Ação Direta de</p><p>Inconstitucionalidade (ADIN) é proposta ao STF</p><p>para questionar a inconstitucionalidade de lei, ato</p><p>normativo federal ou estadual.</p><p>CONCLUSÃO</p><p>A bioética é um estudo interdisciplinar que envolve ciências biológicas, saúde,</p><p>filosofia e direito na investigação das condições para uma administração res-</p><p>ponsável da vida humana, animal e do meio ambiente.</p><p>Neste contexto, o surgimento de tecnologias inovadoras em biomedicina</p><p>trouxe dilemas éticos e morais concernentes aos possíveis impactos, tanto na</p><p>saúde humana quanto nos dogmas sociais e religiosos.</p><p>Esta unidade apresentou uma reflexão sobre os aspectos bioéticos que envol-</p><p>vem a clonagem e o uso de células-tronco.</p><p>Observamos que a clonagem pode ter finalidade reprodutiva ou terapêutica</p><p>e que, em todos os casos, surgem dilemas éticos envolvendo a manipulação</p><p>genética em laboratório e os riscos inerentes ao procedimento.</p><p>Também abordamos os conceitos e aplicações terapêuticas do uso de célu-</p><p>las-tronco em medicina e as questões morais e éticas relativas ao descarte e</p><p>utilização de embriões humanos em pesquisa.</p><p>Por fim, ainda analisamos as principais normas internacionais e nacionais que</p><p>regulamentam tanto a clonagem quanto as pesquisas com células-tronco e</p><p>destacamos que os dilemas bioéticos em clonagem e pesquisas com células-</p><p>-tronco ainda estão sob intenso debate social, em função das implicações éti-</p><p>cas, filosóficas, científicas e religiosas de alta complexidade.</p><p>UNIDADE 5</p><p>85</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao�final�desta�</p><p>unidade,</p><p>esperamos que</p><p>você possa:</p><p>> Analisar os</p><p>aspectos éticos</p><p>e jurídicos que</p><p>envolvem a</p><p>identificação de</p><p>pessoas utilizando</p><p>ferramentas</p><p>genéticas.</p><p>> Compreender</p><p>os aspectos</p><p>éticos e jurídicos</p><p>que envolvem</p><p>a realização de</p><p>pesquisas e a</p><p>comercialização</p><p>de produtos</p><p>nanotecnológicos.</p><p>86</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>5 BIOÉTICA: GENÉTICA E</p><p>NANOTECNOLOGIA</p><p>5.1 INTRODUÇÃO</p><p>Esta unidade aborda a bioética em genética e nanotecnologia, destacando</p><p>aspectos relevantes no âmbito desses dois temas.</p><p>A primeira parte desta unidade versa sobre a genética na identificação hu-</p><p>mana, trazendo para a discussão as principais técnicas biotecnológicas em</p><p>identificação de pessoas e suas aplicações em diversas áreas, especialmente</p><p>em análises forenses. Ressaltamos a importância da biologia molecular para a</p><p>análise de paternidade, a identificação de autoria de crimes e o reconhecimen-</p><p>to de vítimas de grandes desastres. Também abordaremos os dilemas éticos</p><p>enfrentados na análise de DNA para identificação de pessoas, especialmente</p><p>tratando dos bancos de dados de perfis genéticos para fins criminais. No Brasil,</p><p>a lei nº 12.654/2012 e o decreto nº 7.950/2013 preveem a coleta de material gené-</p><p>tico como forma de identificação criminal, bem como a criação de um banco</p><p>nacional de perfis genéticos para subsidiar a apuração de crimes.</p><p>Na segunda parte, estudaremos o que é nanotecnologia e suas inúmeras</p><p>aplicações em biomedicina, especialmente com a produção de nanomate-</p><p>riais para diagnósticos, tratamentos e medicamentos. Abordaremos os princi-</p><p>pais questionamentos éticos envolvendo o uso de nanotecnologia, particular-</p><p>mente seus riscos e aspectos morais, filosóficos e socioeconômicos. Também</p><p>veremos as principais normas internacionais e nacionais que regulamentam</p><p>o tema, especialmente as normas ISO 229 e o Sistema Nacional de Laborató-</p><p>rios em Nanotecnologia.</p><p>5.2 A GENÉTICA NA IDENTIFICAÇÃO HUMANA</p><p>Cada ser humano apresenta um perfil genético único, que o distingue dos</p><p>demais. Com o avanço das tecnologias em genética e biologia molecular, tor-</p><p>nou-se possível, com amostras simples, como saliva, pele e sêmen, identificar</p><p>cada indivíduo utilizando técnicas laboratoriais, como a PCR (reação em ca-</p><p>87</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>deia da polimerase). Por isso, essas técnicas têm sido amplamente utilizadas</p><p>para identificação de pessoas, em exames de paternidade e reconhecimento</p><p>de vítimas de desastres.</p><p>IDENTIFICAÇÃO HUMANA</p><p>Fonte: Plataforma Deduca (2021).</p><p>#PraCegoVer: Imagem de uma impressão digital, representando</p><p>a identificação humana.</p><p>Outra importante aplicação é nas análises forenses, como para a identificação</p><p>de material genético encontrado em cenas de crimes ou para excluir possíveis</p><p>suspeitos. Entretanto, a utilização dessas técnicas traz dilemas éticos e legais</p><p>que envolvem a privacidade dos dados e proteção a direitos fundamentais.</p><p>Além da possibilidade de erros ou falhas durante os testes, um importante</p><p>questionamento se relaciona à possibilidade da criação de bancos de dados</p><p>de perfis genéticos para fins criminais.</p><p>No Brasil, a Lei nº 12.654/2012, prevê a coleta de perfil genético como forma de</p><p>identificação criminal e o decreto nº 7.950 institui o Banco Nacional de Perfis</p><p>Genéticos e a Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos.</p><p>5.2.1 ANÁLISES FORENSES E IDENTIFICAÇÃO</p><p>DE PESSOAS</p><p>As análises forenses compreendem um conjunto de avaliações de respaldo</p><p>técnico e científico realizadas por um especialista para posterior uso em juízo.</p><p>Como exemplo, podemos citar as análises de cena de crime, como impres-</p><p>88</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>sões digitais e amostras de DNA ou vestígios online de crimes cibernéticos.</p><p>Neste sentido, o avanço nas técnicas de biologia molecular e genética trouxe</p><p>inúmeros benefícios para as análises forenses.</p><p>Cada ser humano apresenta um perfil genético único, o que permite identifi-</p><p>cá-lo com alta precisão. Isso acontece porque, no genoma, há polimorfismos</p><p>de DNA, que são variações nas sequências dos nucleotídeos entre indivíduos,</p><p>que correspondem a mudanças neutras ou silenciosas.</p><p>Um desses polimorfismos é o STR (short tandem repeat), que é uma repe-</p><p>tição de uma pequena sequência de DNA, variável de pessoa para pessoa.</p><p>Blocos desse tipo de repetição são denominados microssatélites, os quais, por</p><p>apresentarem uma enorme variabilidade entre os indivíduos da espécie hu-</p><p>mana, são usados em genética forense, determinação de paternidade e iden-</p><p>tificação individual (BORGES-OSORIO; ROBINSON, 2013).</p><p>O DNA (ácido desoxirribonucleico) é o material</p><p>genético encontrado no núcleo das células</p><p>eucarióticas e é o responsável por conferir</p><p>as características únicas de cada indivíduo,</p><p>sendo transferido hereditariamente pelos pais.</p><p>Na fecundação, os gametas do pai e da mãe</p><p>apresentam metade do material genético que</p><p>irá se juntar e formar o novo indivíduo. A base</p><p>dos testes de paternidade consiste no fato de</p><p>que a criança recebe de cada um dos genitores</p><p>uma sequência da DNA específica. Portanto, a</p><p>determinação da paternidade é realizada com base</p><p>no fato de a sequência de DNA específica ser ou</p><p>não compartilhada entre a criança e o suposto pai.</p><p>O principal método utilizado para a avaliação dos microssatélites e identifica-</p><p>ção individual é a PCR (reação em cadeia da polimerase). Esta técnica consis-</p><p>te em coletar amostras de DNA, que são amplificadas exponencialmente em</p><p>uma série de ciclos de alterações de temperatura.</p><p>89</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Inicialmente, as amostras de DNA de fita dupla sofrem uma separação física</p><p>em altas temperaturas. Na etapa seguinte, são inseridos primers (sequências</p><p>iniciadoras complementares à região do DNA de interesse), que se ligam às</p><p>sequências complementares de fitas simples de DNA. Em seguida, a fita de</p><p>DNA complementar é alongada enzimaticamente. O processo repete-se vá-</p><p>rias vezes, produzindo uma grande quantidade de fragmentos de DNA da</p><p>região de interesse (COHEN; OLIVEIRA, 2020).</p><p>REAÇÃO�EM�CADEIA�DA�POLIMERASE�(PCR)</p><p>Fonte: WikiCommons (2021).</p><p>#PraCegoVer: Na imagem, há uma representação da reação em cadeia da polimerase</p><p>(PCR). À esquerda, está a fita dupla de DNA original a ser replicado e, ao lado dele, há</p><p>nucleotídeos e primers de DNA. Na primeira etapa, de desnaturação, a dupla fita é</p><p>separada. Na seguinte, de anelamento, o primer de DNA liga-se ao DNA original, em cada</p><p>uma das fitas separadas. Na etapa seguinte, de alongamento, os nucleotídeos ligam-se ao</p><p>primer, alongando o DNA. A imagem indica que o processo de repete várias vezes.</p><p>Após a PCR, os fragmentos de DNA obtidos são avaliados por eletroforese.</p><p>Esta técnica consiste em separar os fragmentos de DNA pelo tamanho. Para</p><p>isso, os fragmentos são inseridos em um gel de agarose, no qual é aplicada</p><p>uma corrente elétrica, que induz as moléculas a moverem-se pela matriz de</p><p>agarose. As moléculas menores se movimentam mais rápido que as maiores,</p><p>o que permite a separação por tamanho do fragmento de DNA. Em seguida,</p><p>é feita a comparação do tamanho dos fragmentos de DNA do controle com</p><p>os da amostra em análise (COHEN; OLIVEIRA, 2020).</p><p>90</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>RESULTADO DA PCR APÓS SER REALIZADA UMA ELETROFORESE EM GEL DE AGAROSE</p><p>Fonte: Matos e Conceição (2013).</p><p>#PraCegoVer: Na imagem, há um gel de agarose sendo analisado e no qual estão os</p><p>fragmentos de DNA que podem então ser visualizados.</p><p>Para as análises forenses, diferentes amostras podem ser utilizadas na iden-</p><p>tificação genética: sangue, cabelo, saliva, sêmen, urina, pele, polpa dentária,</p><p>dentre outras. Isso é importante, porque permite, com facilidade, a coleta</p><p>das amostras, mesmo em pequenas quantidades, para a análise em gené-</p><p>tica forense. Dentre as diversas aplicações das técnicas de biologia molecu-</p><p>lar, ressalta-se a análise de paternidade, a identificação de autoria de crimes</p><p>e a possibilidade de inocentar suspeitos, por meio da comparação dos per-</p><p>fis genéticos obtidos nas cenas do crimes com o dos suspeitos (SANTANA;</p><p>ABDALLA-FILHO, 2012).</p><p>Outra valiosa aplicação da genética forense é a identificação de pessoas víti-</p><p>mas de desastres, como enchentes e terremotos. Neste caso, devido ao alto</p><p>grau de decomposição ou destruição, o reconhecimento físico da vítima</p><p>pode ser comprometido e a identificação genética torna-se uma importante</p><p>ferramenta. Entretanto, amostras biológicas coletadas após a morte podem</p><p>apresentar limitações para a análise do DNA, uma vez que ele pode estar al-</p><p>tamente degradado, em função do tempo decorrido após a morte e às con-</p><p>dições ambientais a que o cadáver estiver exposto (COHEN; OLIVEIRA, 2020).</p><p>91</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ENCHENTE</p><p>Fonte: Plataforma Deduca (2021).</p><p>#PraCegoVer: Imagem de casa submersa em água, representando a enchente.</p><p>O avanço na biologia molecular, especialmente no âmbito forense, permitiu o</p><p>surgimento de bancos de perfis genéticos criminais. Esses bancos são bases</p><p>de dados que armazenam informações genéticas indivíduo-específicas, para</p><p>fins de identificação civil e investigação criminal. Podem servir para a iden-</p><p>tificação de autoria de crimes, por meio da comparação do perfil genético</p><p>encontrado na cena do crime com o banco de dados armazenado (SANTANA;</p><p>ABDALLA-FILHO, 2012).</p><p>5.2.2 DILEMAS ÉTICOS QUE ENVOLVEM A</p><p>UTILIZAÇÃO DO DNA PARA A IDENTIFICAÇÃO</p><p>DE PESSOAS</p><p>O exame de DNA para fins de identificação pessoal pode ser considerado um</p><p>dos maiores avanços do século na área forense. Entretanto, as técnicas susci-</p><p>tam questionamentos éticos e legais que envolvem privacidade dos dados e</p><p>proteção a direitos fundamentais.</p><p>Os exames de paternidade enfrentam dilemas bioéticos de variadas formas.</p><p>Por um lado, questiona-se a possível submissão ao exame compulsoriamen-</p><p>te, já que transgride a liberdade individual e a dignidade da pessoa humana.</p><p>92</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>Por outro lado, têm-se o direito do filho de conhecer seu pai, além de toda a</p><p>assistência, guarda, criação e cuidado advindas da paternidade (LOCH, 2014).</p><p>TUBOS DE PCR</p><p>Fonte: Biomedicina Padrão (2020).</p><p>#PraCegoVer: Na imagem, há uma mão com luva segurando oito tubos transparentes de</p><p>PCR, preenchidos com um líquido</p><p>também transparente.</p><p>Outro relevante aspecto bioético envol-</p><p>vendo exames de DNA é a possibilida-</p><p>de de erros. Embora sejam raras, falhas</p><p>podem ocorrer nas análises, o que gera</p><p>insegurança jurídica. Erros na coleta ou</p><p>armazenamento das amostras, equipa-</p><p>mentos sem a calibração adequada ou,</p><p>ainda, falhas na preparação das solu-</p><p>ções e durante o teste, podem levar a re-</p><p>sultados errôneos e, consequentemen-</p><p>te, a julgamentos incorretos. Para evitar</p><p>este tipo de erro, é fundamental que os</p><p>peritos e profissionais que realizam as</p><p>técnicas tenham formação acadêmica</p><p>adequada, além de conhecimento e ex-</p><p>periência na área de atuação. Para acei-</p><p>tação do trabalho pericial, deve-se con-</p><p>Curiosidade</p><p>Apesar de raros, acontecem</p><p>erros em exames de DNA.</p><p>Veja este exemplo, no qual</p><p>um laboratório teve que</p><p>indenizar um homem</p><p>por exame incorreto de</p><p>paternidade, clicando aqui.</p><p>https://www.tjdft.jus.br/institucional/imprensa/noticias/2013/junho/laboratorio-tera-que-indenizar-devido-a-erro-em-exame-de-dna</p><p>93</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>siderar a validade do teste realizado, bem como sua reprodutibilidade, sendo</p><p>possível a realização de perícias de contraprova para garantir a confiabilidade</p><p>dos testes genéticos.</p><p>A criação de um banco de dados de perfis genéticos para fins criminais envol-</p><p>ve dilemas éticos de variadas esferas. Um importante aspecto é a segurança</p><p>dos dados e seu tempo de permanência no banco. Como definir quem terá</p><p>sua amostra genética coletada? Seriam apenas criminosos e suspeitos ou</p><p>toda a população adulta? Estando o sujeito obrigado a realizar o exame, ques-</p><p>tiona-se a autonomia e dignidade individual, já que a ele não cabe a escolha</p><p>de não o realizar. Do ponto de vista de equidade, todas as pessoas devem ser</p><p>tratadas com igualdade de direitos, de dignidade e de forma justa. Por isso,</p><p>quando há obrigatoriedade de fornecer amostra genética para inclusão em</p><p>um banco de dados de DNA criminal, imposta a um único grupo de indivídu-</p><p>os, ela pode configurar, uma situação de discriminação, em que a equidade</p><p>de tratamento é desrespeitada (SANTANA; ABDALLA-FILHO, 2012).</p><p>Outro aspecto relevante relacionado ao surgimento de bancos de dados ge-</p><p>néticos refere-se à privacidade dos dados e proteção contra possíveis trans-</p><p>gressões de direitos e liberdades fundamentais. Quem teria acesso a estes</p><p>dados e como eles seriam utilizados na prática? E quanto aos riscos desse</p><p>material biológico ser utilizado para finalidade diferente da original?</p><p>Atualmente, a obtenção de dados pessoais, como documentos de identifica-</p><p>ção ou históricos de compra, é ação corriqueira, mas que pode gerar ameaças</p><p>à privacidade individual. Ameaças que são ainda mais relevantes quando se</p><p>trata de dados sensíveis, como posicionamento político, histórico clínico ou</p><p>orientação sexual. Em se tratando de um biobanco, com amostras biológi-</p><p>cas, esse risco é ainda mais elevado. Neste caso, é fundamental a garantia do</p><p>controle de acesso às informações íntimas dos indivíduos, sendo resguarda-</p><p>do o direito a não interferência nas diversas esferas da intimidade (SANTANA;</p><p>ABDALLA-FILHO, 2012).</p><p>94</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>IDENTIFICAÇÃO DE PESSOAS</p><p>Fonte: Plataforma Deduca (2021).</p><p>#PraCegoVer: Na imagem, há uma fila de pessoas com roupas escuras em que só aparece</p><p>parte de suas silhuetas, não sendo possível identificá-las individualmente.</p><p>5.2.3 ASPECTOS JURÍDICOS NACIONAIS</p><p>Os testes genéticos e a criação de bancos de dados de perfis genéticos susci-</p><p>taram a criação de leis e normas específicas para regulamentar os aspectos</p><p>jurídicos e éticos dos procedimentos. A Declaração Universal sobre Bioética</p><p>e Direitos Humanos, da UNESCO, busca promover a integração dos valores</p><p>éticos às questões sociais. Os princípios presentes nesta norma estão intima-</p><p>mente relacionados à problemática da criação de bases de dados de perfis</p><p>genéticos para fins criminais, como autonomia individual, confidencialidade,</p><p>igualdade e justiça (SANTANA; ABDALLA-FILHO, 2012).</p><p>95</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>A Organização das Nações Unidas para a Educação,</p><p>a Ciência e a Cultura (UNESCO) é uma agência</p><p>especializada das Nações Unidas (ONU) com o objetivo</p><p>de contribuir para a paz e segurança no mundo,</p><p>mediante a educação, ciências naturais, ciências</p><p>sociais/ humanas e comunicações/ informação.</p><p>No Brasil, há apenas uma lei que regulamenta o Banco de Perfis Genéticos</p><p>Criminal Brasileiro, a Lei nº 12.654/2012, que prevê a coleta de perfil genético</p><p>como forma de identificação criminal.</p><p>Segundo esta lei:</p><p>Art. 9°-A. Os condenados por crime praticado, dolosamente, com violência</p><p>de natureza grave contra pessoa ou por qualquer dos crimes previstos no art.</p><p>1º da Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, serão submetidos, obrigatoriamente,</p><p>à� identificação� do� perfil� genético,� mediante� extração� de� DNA� -� ácido�</p><p>desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor.</p><p>Portanto, fica estabelecida a coleta compulsória de DNA para todos os conde-</p><p>nados por crimes dolosos de natureza grave. A lei ainda estabelece o armazena-</p><p>mento do perfil genético em bancos de dados, gerenciado por unidade oficial</p><p>de perícia criminal. A norma ainda prevê que os dados constantes de bancos de</p><p>perfis genéticos têm caráter sigiloso, respondendo civil, penal e administrativa-</p><p>mente quem permitir sua utilização para fins diversos do previsto em lei.</p><p>No entanto, ela não aborda temas relevantes relacionados ao banco de dados</p><p>de DNA, por exemplo: não há dispositivos que padronizem a coleta e análise</p><p>das amostras apenas em laboratórios oficiais e a necessidade de um sistema</p><p>de controle do funcionamento do banco, com transparência, como a criação</p><p>de conselho fiscalizador. Outro relevante aspecto não tratado na lei é como</p><p>serão armazenadas as amostras biológicas e a possibilidade de sua destrui-</p><p>ção após algum período (SANTANA; ABDALLA-FILHO, 2012).</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Na%C3%A7%C3%B5es_Unidas</p><p>96</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>Em 2013, publicou-se o decreto nº 7.950, a fim de regulamentar a lei nº</p><p>12.654/2012. Esse decreto instituiu o Banco Nacional de Perfis Genéticos e a</p><p>Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos, sendo que o banco tem como</p><p>objetivo a coleta e armazenamento de perfis genéticos para subsidiar a apura-</p><p>ção de crimes, enquanto a rede integrada, visa o compartilhamento de perfis</p><p>genéticos constantes nos bancos da União, dos Estados e do Distrito Federal.</p><p>O decreto ainda prevê que a rede integrada deve contar com um comitê ges-</p><p>tor, com a finalidade de promover a coordenação e a integração dos dados</p><p>nos âmbitos da União, Estados e Distrito Federal, sendo de competência do</p><p>comitê promover a padronização das técnicas de coleta e a análise do mate-</p><p>rial genético; a definição das medidas e padrões que assegurem o respeito</p><p>aos direitos e às garantias individuais nos procedimentos de análise genética,</p><p>além da definição das medidas de segurança para garantir a confiabilidade e</p><p>o sigilo dos dados.</p><p>O comitê gestor da rede integrada de bancos de</p><p>perfis genéticos é composto por representantes</p><p>titulares e suplentes, indicados da seguinte forma:</p><p>• cinco representantes do Ministério da Justiça e</p><p>Segurança Pública;</p><p>• um representante do Ministério da Mulher, da</p><p>Família e dos Direitos Humanos;</p><p>• cinco representantes dos Estados ou do Distrito</p><p>Federal, sendo um representante de cada região</p><p>geográfica.</p><p>As deliberações do comitê gestor são adotadas por</p><p>maioria absoluta e o mandato dos membros é de</p><p>dois anos, permitida uma única recondução.</p><p>97</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Portanto, o governo brasileiro sinaliza uma preocupação em</p><p>demos trabalhar com a bioética propriamente dita.</p><p>11</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>Para quem tem interesse em entender melhor</p><p>os conceitos filosóficos e suas aplicações no</p><p>cotidiano, de uma forma lúdica e de fácil leitura, o</p><p>livro “O mundo de Sofia”, é um romance que exala</p><p>conteúdo de uma forma simples e suave. Publicado</p><p>pela primeira vez em 1991 pelo escritor, professor</p><p>e filósofo Jostein Gaarder. Traduzido em diversas</p><p>línguas, atualmente, no Brasil é publicado pela</p><p>editora Companhia das letas.</p><p>1.1.1 CONCEITO DE BIOÉTICA</p><p>A bioética  é uma área de estudo que envolve a ciência humana usando o</p><p>princípio da ética e as ciências biológicas. Fundamentando os princípios éti-</p><p>cos que regem a vida quando essa pode ser colocada em risco pela medici-</p><p>na ou pelas ciências. A palavra bioética é uma junção dos radicais “bio”, de</p><p>origem grega “bios” que significa vida e “éthos”, que diz respeito à conduta</p><p>moral como já mencionado anteriormente.</p><p>O estabelecimento de uma profissão em seu significado pleno está extrema-</p><p>mente associado à existência de um código de ética profissional: os códigos</p><p>deontológicos. Cada profissão tem sua conduta regida pelos conselhos fede-</p><p>rais (CFM - Conselho federal de Medicina; CFR – Conselho federal de farmácia)</p><p>e regionais (CREF- Conselho regional de Educação física; CREFITO - Conselho</p><p>Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional), como pode ser observado no</p><p>esquema abaixo.</p><p>12</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>RELAÇÃO ENTRE ÉTICA, MORAL E DEONTOLOGIA</p><p>Deontologia</p><p>Aplicação às profissões</p><p>Moral</p><p>Aplicação ao comportamento</p><p>humano e social</p><p>Ética</p><p>Princípios gerais</p><p>Fonte:�Mattar�(2010,�p.�241).</p><p>#PraCegoVer</p><p>Esquema que mostra a hierarquia e sobreposições dos conceitos de deontologia,</p><p>legislação que se aplica nas diferentes profissões seguido da moral que está vinculado ao</p><p>comportamento social e a ética um termo mais abrangente e teórico.</p><p>1.1.2 FUNDAMENTAÇÃO DA ÉTICA E BIOÉTICA</p><p>A Bioética nasce em um ambiente científico, como uma necessidade sentida</p><p>pelos próprios profissionais da saúde, em seu sentido mais amplo, de prote-</p><p>ger a vida humana e seu ambiente.</p><p>Uma segunda característica é o seu caráter interdisciplinar, pois abrange pro-</p><p>fissionais da área médica, teólogos, sociólogos, juristas, psicólogos, filósofos,</p><p>dentre outros.</p><p>Por fim, mas sem esgotar suas características, é um ramo do conhecimento</p><p>humano que se apoia mais na razão e no bom juízo moral de seus investi-</p><p>gadores do que em alguma corrente filosófica ou autoridade religiosa. Daí</p><p>serem seus princípios de caráter autônomo e universal.</p><p>13</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>Um dos modelos de análise bioética mais divulgados é certamente o “princi-</p><p>palista” (que será abordado mais profundamente ao longo do texto), apresen-</p><p>tado por Tom Beanchamp e James Childress, em Principles of Biomedical</p><p>Ethics (BEAUCHAMP; CHILDRESS, 2002). Os autores propõem a existência de</p><p>quatro princípios como norteadores da ação que se quer boa. São eles: o da</p><p>beneficência, o da não-maleficência, o</p><p>da justiça e o da autonomia. Estes princí-</p><p>pios encontram as suas raízes na história</p><p>da filosofia ou na tradição da ética médi-</p><p>ca, a partir do que ganham a sua justifi-</p><p>cação como princípios. Eles não obede-</p><p>cem a qualquer disposição hierárquica e</p><p>são válidos prima facie. Em caso de con-</p><p>flito entre si, a situação em causa e as</p><p>suas circunstâncias definirão o que indi-</p><p>carão o que deve ganhar precedência. O</p><p>princípio da autonomia parece, então,</p><p>receber a preferência dos autores.</p><p>OBRA DOS PRINCIPAIS IDEALIZADORES DA TEORIA “PRINCIPIALISTA” DA BIOÉTICA: TOM</p><p>BEANCHAMP E JAMES CHILDRESS</p><p>Fonte: Journal of Medical Ethics (2013).</p><p>#PraCegoVer</p><p>Fotografia da sétima edição do livro Princípios da Ética Biomédica.</p><p>Prima Facie</p><p>Que se pode constatar de</p><p>imediato, sem ser necessário</p><p>examinar melhor; claro,</p><p>evidente, óbvio.</p><p>14</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>Outros modelos de reflexão e análise atualmente aplicados em Bioética são: o</p><p>modelo casuístico, o modelo do cuidado, o modelo contemporâneo do direito</p><p>natural e o modelo contratualista.</p><p>O modelo casuístico</p><p>Apresentado por Albert Jonsen e Stephen Toulmin em The abuse</p><p>of casuistry, preconiza uma análise de caso a caso. Cada caso deve</p><p>ser examinado nas suas características individuais, estabelecendo-se</p><p>comparações e analogias com outros casos.</p><p>O modelo do cuidado</p><p>Apresentado por Carol Gilligan em In a different voice, partindo do</p><p>estudo da psicologia evolutiva, é mais de natureza psicológica do que</p><p>filosófica. O cuidado é mais personalizado e atende aos valores dos</p><p>indivíduos envolvidos.</p><p>O modelo contemporâneo do direito natural</p><p>Apresentado por John Finnis em Natural law and natural</p><p>rights, estabelece a existência de alguns bens fundamentais. O</p><p>conhecimento, a vida estética, a vida lúdica, a racionalidade, a</p><p>religiosidade e a amizade não supõem qualquer organização</p><p>hierárquica entre si. Moral será toda a ação que contribui para o</p><p>desenvolvimento destes valores.</p><p>O modelo contratualista</p><p>Apresentado por Robert Veatch em A theory of medical ethics, parte</p><p>da denúncia das várias insuficiências de fundo que a ética hipocrática</p><p>condena. É baseado em um triplo contrato: entre médico e pacientes,</p><p>entre médicos e a sociedade e um contrato mais amplo acerca dos</p><p>princípios orientadores da relação médico-paciente. Para regular</p><p>estas relações deve-se obedecer a algumas regras fundamentais: o</p><p>da beneficência, o da proibição de matar, o de dizer a verdade e o de</p><p>manter as promessas.</p><p>15</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>1.1.3 EVOLUÇÃO DO CONCEITO E CONTEXTO</p><p>HISTÓRICO</p><p>Em meados do século XX diante de um colapso ecológico global, quando fo-</p><p>ram identificadas as primeiras consequências das mudanças climáticas, do</p><p>aumento exponencial da população após a Segunda Guerra Mundial, da ex-</p><p>ploração demasiada de recursos naturais não renováveis e da evolução de</p><p>novas tecnologias, principalmente atômicas, químicas e biológicas, que con-</p><p>feriram ao ser humano o poder inédito de destruir o próprio planeta. Foi neste</p><p>contexto que o termo bioética foi mencionado pela primeira vez (HECK, 2005).</p><p>A história da Bioética teve início em 1971,</p><p>quando Van Rensselaer Potter, bioquí-</p><p>mico e professor de oncologia da Escola</p><p>Médica da Universidade de Wisconsin,</p><p>publicou o livro Bioethics: Bridge to The</p><p>Future, que apenas mais tarde seria re-</p><p>conhecido como a principal obra da bio-</p><p>ética, um campo de atuação científica,</p><p>normativa e institucional estabelecido</p><p>nos Estados Unidos da América do Nor-</p><p>te (EUA). A consolidação deste campo</p><p>da ética aplicada ocorreu, sobretudo,</p><p>após a publicação do Belmont Report</p><p>(1978), documento que sintetizou orien-</p><p>tações éticas para a realização de pes-</p><p>quisas biomédicas e comportamentais</p><p>envolvendo seres humanos naquele país. A repercussão pública sobre abusos</p><p>em investigações científicas envolvendo grupos de minorias é considerada</p><p>fator importante para o estabelecimento da bioética como um campo de dis-</p><p>cussão pública sobre conflitos éticos envolvendo as ciências biomédicas e as</p><p>práticas clínicas A publicação da Encyclopedia of Bioethics, em 1978, e do livro</p><p>Principles of Biomedical Ethics, em 1979, consolidaram no âmbito acadêmi-</p><p>co a identidade biomédica que até hoje caracteriza a bioética naquele país</p><p>(DALL’AGNOL, 2005; HECK, 2005).</p><p>Mídias Integradas</p><p>Tem interesse em aprender</p><p>mais sobre o relatório</p><p>Belmont e a ética em</p><p>pesquisa com seres</p><p>humanos? Para maiores</p><p>informações, leia a matéria</p><p>“O Relatório Belmont e a</p><p>ética em pesquisa com seres</p><p>humanos”, clicando aqui.</p><p>https://www.labbioetica.com.br/post/coluna-o-relat%C3%B3rio-belmont-e-a-%C3%A9tica-em-pesquisa-com-seres-humanos</p><p>garantir os di-</p><p>reitos e as liberdades dos indivíduos, cujo material genético tenha sido arma-</p><p>zenado no banco. Para isso, é fundamental que os dados sejam obtidos com</p><p>confiabilidade e tenham seu sigilo resguardado. O decreto também prevê a</p><p>exclusão do perfil genético do indivíduo no banco de dados após decorrido o</p><p>prazo de prescrição do crime cometido pelo indivíduo, o que é relevante, pois,</p><p>juntamente com a prescrição do crime, encerra-se o prazo para armazena-</p><p>mento do perfil genético (SANTANA; ABDALLA-FILHO, 2012).</p><p>5.3 NANOTECNOLOGIA</p><p>O advento de tecnologias inovadoras na física, química e biologia permitiram</p><p>o surgimento da nanotecnologia, que estuda átomos e moléculas, estruturas</p><p>de tamanho nanométrico (um bilionésimo do metro). Esta ciência apresenta</p><p>inúmeras aplicações em variadas áreas, como engenharia, física, computa-</p><p>ção, biologia e medicina. Na saúde, as aplicações envolvem, principalmente,</p><p>a produção e a disponibilidade de fármacos, equipamentos de análise e diag-</p><p>nóstico, materiais e utensílios médicos.</p><p>Apesar dos inúmeros potenciais tratamentos médicos, a nanotecnologia tam-</p><p>bém envolve dilemas éticos, especialmente relacionados a aspectos filosófi-</p><p>cos e religiosos de manipulação dos corpos humanos, bem como questões</p><p>de desigualdade de acesso a tecnologias e interesses econômico-financeiros.</p><p>Para regulamentar o tema, existem normas internacionais, como as ISO 229</p><p>e nacionais, como a portaria nº 245/2012 do MCTI (BRASIL, [2019]), que cria o</p><p>Sistema Nacional de Laboratórios em Nanotecnologias (SisNANO).</p><p>98</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>ESCALA DE COMPARAÇÃO DE TAMANHO DE NANOMATERIAIS</p><p>Fonte: WikiCommons (2021).</p><p>#PraCegoVer: Na imagem, à esquerda há uma escala de comparação de tamanho em</p><p>nanômetros (nm). De baixo para cima o tamanho reduz na escala, iniciando com uma</p><p>bola de baseball, seguida por uma formiga, depois um fio de cabelo, hemácias, bactéria,</p><p>vírus, DNA, hemoglobina, molécula de glicose, átomo de ouro e molécula de água. À</p><p>direita, no tamanho de 1 a 100nm, estão representados os nanomateriais: lipossomo,</p><p>fullereno, dendrimer, nanotubo de carbono e grapheno.</p><p>99</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>5.3.1 ENTENDA O QUE É A NANOTECNOLOGIA</p><p>E SUAS APLICAÇÕES NA SAÚDE</p><p>A nanotecnologia é a ciência que estuda as estruturas em escala atômica e</p><p>molecular, lidando com estruturas em torno de 1 a 100 nanômetros. Neste sen-</p><p>tido, o nanômetro corresponde a um bilionésimo do metro (0,000000001m).</p><p>Portanto, esta ciência lida com estruturas extremamente pequenas, abrindo</p><p>a possibilidade de manipular átomos e moléculas para, assim, construir novos</p><p>materiais de interesse.</p><p>A nanotecnologia apresenta inúmeras aplicações em diferentes áreas do co-</p><p>nhecimento: física, química, computação, engenharia, biologia e medicina.</p><p>Com isso, a utilização de nanomateriais para diagnóstico e tratamento têm</p><p>sido importantes aliados para a medicina atual.</p><p>Uma das aplicações da nanotecnologia em medicina é a utilização de técnicas</p><p>de diagnóstico baseadas em nanopartículas, apresentando alta sensibilidade,</p><p>importantes para o diagnóstico de diferentes tipos de câncer em estágio inicial,</p><p>sendo que o diagnóstico precoce reduz os tratamentos necessários e aumenta</p><p>as chances de cura total do paciente. Há, ainda, uma possível aplicação futu-</p><p>ra da nanotecnologia, que é a criação de monitores pessoais ultrassensíveis</p><p>de saúde, que são dispositivos implantáveis nos organismos e que monitoram,</p><p>continuamente, níveis sanguíneos de determinados indicadores, ajustando, de</p><p>forma automática, a liberação de drogas em quantidades apropriadas, o que</p><p>seria relevante para diabéticos, por exemplo (BERGMANN, 2008).</p><p>Nanomateriais ainda podem ser usados como revestimento para o envio de</p><p>medicamentos de forma mais eficiente e seletiva. Este é o caso de uma for-</p><p>mulação lipossomal de doxorrubicina, um fármaco nanoencapsulado que</p><p>apresentou menor cardiotoxicidade em comparação com a doxorrubicina li-</p><p>vre para o tratamento de câncer nos ovários.</p><p>Os nanomateriais também são usados para aumentar a especificidade de</p><p>medicamentos. O fármaco nanoencapsulado é estabilizado e protegido, sen-</p><p>do liberado apenas no órgão-alvo, evitando efeitos secundários em outros</p><p>órgãos. Medicamentos nanoestruturados ativados por laser também têm</p><p>sido testados para o tratamento de câncer de pele, com resultados positi-</p><p>vos. Graças a esse transporte seletivo, um medicamento com nanotecnologia,</p><p>em geral, requer doses menores e provoca menos efeitos colaterais, quando</p><p>100</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>comparado a um medicamento convencional (CANCINO; MARANGONI; SU-</p><p>COLOTTO, 2014; HERMES; BASTOS, 2014).</p><p>A nanotecnologia foi importante durante a</p><p>pandemia de COVID-19. Algumas das vacinas</p><p>produzidas utilizaram RNA mensageiro do vírus</p><p>para induzir a resposta imune. Para proteger este</p><p>material genético de ser degradado e permitir</p><p>que ele pudesse entrar nas células, o RNA foi</p><p>encapsulado em uma membrana lipídica,</p><p>utilizando-se nanotecnologia. Para ler o artigo que</p><p>descreve essa técnica, clique aqui.</p><p>Outra importante aplicação da nanotecnologia em saúde é em equipamentos</p><p>e utensílios médicos. A nanotecnologia permite a potencialização do efeito an-</p><p>timicrobiano da prata, sendo que as nanopartículas de prata podem ser incor-</p><p>poradas em produtos médicos, pomadas ou instrumentos cirúrgicos, tornan-</p><p>do-os livres de bactérias. A nanotecnologia também pode auxiliar a engenharia</p><p>de tecidos na criação de órgãos artificiais para transplantes. Neste contexto, os</p><p>nanomateriais podem ser usados como superfícies para orientar o crescimento</p><p>e ordenação de células e tecidos em laboratório. Ademais, nanocompósitos de</p><p>liga de titânio podem ser usados para aumentar a durabilidade e biocompati-</p><p>bilidade de instrumentos cirúrgicos e próteses (BERGMANN, 2008).</p><p>5.3.2 OS DILEMAS ÉTICOS QUE ENVOLVEM A</p><p>UTILIZAÇÃO DA NANOTECNOLOGIA</p><p>Apesar das diversas aplicações biomédicas da nanotecnologia, ela enfrenta</p><p>variados dilemas éticos, especialmente quando analisada frente a um meio</p><p>cultural plural. Por isso, a bioética busca compreender como os avanços bio-</p><p>tecnológicos estão inseridos na sociedade, especialmente nas relações de</p><p>produção e consumo, a distribuição de riqueza e de riscos, e como influen-</p><p>ciam as concepções de saúde e doença para o ser humano (SILVA, 2010).</p><p>https://www.nature.com/articles/s41565-020-00820-0</p><p>101</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Neste sentido, conforme Pyrrho e Schramm (2019, p. 589),</p><p>A percepção de que as representações de saúde, corpo e biotecnologias</p><p>são determinadas por contexto social dinâmico e complexo une a bioética</p><p>e a saúde coletiva. As anunciadas mudanças e libertações das estruturas da</p><p>sociedade capitalista industrial não eliminaram a distinção de oportunidades</p><p>e acesso dependentes de classe, gênero, etnia e outros determinantes sociais</p><p>da saúde. Por isso, a prática biomédica é colocada sob análise, envolvendo</p><p>questões como o acesso a estas novas tecnologias de saúde, o respeito às</p><p>culturas,� o� poder� do� discurso� biomédico,� a� relação� entre� profissional� de�</p><p>saúde e usuário, os interesses econômicos envolvidos no desenvolvimento</p><p>de novos dispositivos, entre outras.</p><p>Portanto, um importante questionamento ético em nanotecnologia se dá</p><p>em relação aos aspectos econômico-sociais. Em se tratando de um contex-</p><p>to capitalista e desigual, a distinção de acesso a novas tecnologias de saúde,</p><p>bem como os interesses econômicos envolvidos na produção de novos nano-</p><p>materiais por grandes indústrias do setor biomédico devem ser avaliados à</p><p>luz da bioética.</p><p>Atualmente, indicadores epidemiológicos já retratam a desigualdade de</p><p>acesso a tratamentos e diagnósticos médicos, especialmente</p><p>para as classes</p><p>mais pobres. Portanto, questiona-se quais seriam os critérios para determi-</p><p>nar o acesso às terapias, diagnósticos e dispositivos contendo nanomateriais.</p><p>Toda a população teria acesso a esses tratamentos ou apenas quem possui</p><p>poder econômico para pagar? (PYRRHO; SCHRAMM, 2019).</p><p>102</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>NANOTUBOS DE CARBONO</p><p>Fonte: WikiCommons (2021).</p><p>#PraCegoVer: Na imagem, há uma representação de uma esfera formada por nanotubos de</p><p>carbono.</p><p>Além das questões econômicas, um relevante dilema ético em nanotecnolo-</p><p>gia envolve aspectos mais filosóficos e religiosos: quais os impactos biológicos</p><p>e morais das transformações e mudanças geradas nos corpos humanos para</p><p>que evoluam e aumentem seu desempenho utilizando nanotecnologia?</p><p>A possibilidade de rearranjar átomos em uma escala diminuta e poder ma-</p><p>nipular as moléculas permitiria interferir na evolução humana, proporcionan-</p><p>do corpos e mentes perfeitos, o que traz questionamentos éticos relevantes</p><p>quanto à possibilidade de impor limites ao uso e produção destas tecnologias</p><p>(PYRRHO; SCHRAMM, 2019).</p><p>103</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Uma questão ética de importante na discussão para a nanotecnologia en-</p><p>volve os seus possíveis efeitos adversos e impactos para a saúde no médio</p><p>e longo prazos. Neste sentido, destacam-se os riscos de toxicidade, além da</p><p>imprevisibilidade e incerteza dos conhecimentos atuais acerca dos possíveis</p><p>efeitos colaterais dos nanomateriais nos sistemas biológicos e genéticos. Por</p><p>isso, é importante assegurar o princípio da precaução, que é a garantia contra</p><p>os riscos potenciais ainda não identificados advindos do uso de uma nova</p><p>tecnologia. Assim, são necessários mais estudos para definir as concentrações</p><p>seguras de nanomateriais, estabelecer normas para sua utilização e regras de</p><p>eliminação de seus resíduos de forma segura (HERMES; BASTOS, 2014).</p><p>As pesquisas com nanotecnologia só foram possíveis</p><p>com a criação de microscópios que permitiram</p><p>a visualização destas moléculas nanométricas. O</p><p>microscópio de corrente por tunelamento é um</p><p>instrumento para observação no nível atômico,</p><p>desenvolvido em 1981, por Gerd Binnig e Heinrich</p><p>Rohrer, do IBM Zurich Research Laboratory, pelo qual</p><p>eles receberam o prêmio Nobel em física, em 1986.</p><p>5.3.3 ASPECTOS JURÍDICOS NACIONAIS</p><p>E INTERNACIONAIS QUE REGULAM AS</p><p>ATIVIDADES DE PESQUISA E COMERCIAIS</p><p>ACERCA DOS NANOPRODUTOS</p><p>Com o crescente aumento de pesquisas em nanotecnologia, a regulação por</p><p>meio de normas e leis é uma forma de controle de riscos e definição de me-</p><p>todologias e técnicas adequadas a serem utilizadas. Essas normas são par-</p><p>ticularmente relevantes para definir regras de desenvolvimento de novos</p><p>nanomateriais, mitigando riscos. Atualmente, já existem diversos produtos</p><p>disponíveis no mercado, desde roupas a medicamentos, que apresentam na-</p><p>nomateriais em sua composição.</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Gerd_Binnig</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Heinrich_Rohrer</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Heinrich_Rohrer</p><p>https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=IBM_Zurich_Research_Laboratory&action=edit&redlink=1</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Pr%C3%AAmio_Nobel_da_F%C3%ADsica</p><p>104</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>LIPOSSOMO OBTIDO POR NANOTECNOLOGIA PARA REVESTIMENTO DE MEDICAMENTOS</p><p>Fonte: WikiCommons (2021).</p><p>#PraCegoVer: Na imagem, há uma representação de um lipossomo. É uma esfera, que</p><p>contém internamente uma estrutura em formato de cristal, que é o medicamento.</p><p>No cenário mundial, em 2005, aconteceu a primeira reunião internacional</p><p>sobre Normatização das Nanotecnologias, organizada pela British Standards</p><p>Institution (BSI), órgão de normatização britânico, da qual participaram dele-</p><p>gações de 22 países.</p><p>Posteriormente, a organização internacional de padronizações, ISO (Organi-</p><p>zation for Standardization) implantou algumas certificações e guias de padro-</p><p>nização voltados à comunidade industrial em nanotecnologia. A ISO atribuiu</p><p>ao Comitê Técnico nº 229 a responsabilidade de preparar, analisar e publicar</p><p>normas relativas à nanotecnologia como sua definição.</p><p>A ISO/TS 12901:2012 foi criada para o gerenciamento de riscos aplicados à enge-</p><p>nharia de nanomateriais; a ISO/TR 11360:2010 aborda metodologias de classifi-</p><p>105</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>cação e categorização de nanomateriais e a ISO/TS 16195:2013 consiste em um</p><p>guia com orientações para o desenvolvimento de ensaios de nanomateriais</p><p>(CANCINO; MARANGONI; SUCOLOTTO, 2014; FERREIRA; SANT’ANNA, 2015).</p><p>Existem, ainda, normas específicas nos diversos países do mundo. Na União</p><p>Europeia, há a normativa CEN/TC 352 do European Committee for Standardi-</p><p>zation, de 2005, que estabelece padrões no campo de nanotecnologia, como</p><p>classificações, terminologias, metodologias e especificações. Nos Estados</p><p>Unidos, o principal órgão regulador é o American National Standards Institu-</p><p>te, com o ANSI-Nanotechnology Standards Panel (ANSI-NSP), um corpo coor-</p><p>denador que cria padrões na área de nanotecnologia, incluindo nomenclatu-</p><p>ra, saúde, segurança e meio ambiente.</p><p>O desenvolvimento de nanomateriais</p><p>aplicados à medicina, no Brasil, ainda se</p><p>concentra, em maior parte, nas univer-</p><p>sidades e grandes centros de pesquisa.</p><p>Por isso, em 2009, foi criado um grupo</p><p>de trabalho sobre o Marco Regulatório</p><p>no Fórum de Competitividade de Na-</p><p>notecnologia, por iniciativa do Ministério</p><p>da Indústria, Comércio Exterior e Servi-</p><p>ços. Participaram do fórum, representan-</p><p>tes do setor privado, da academia e do</p><p>governo. Entretanto, ainda não há nenhuma lei nacional específica sobre nano-</p><p>produtos, sendo que a única regulamentação vigente até o presente momento</p><p>no país é a Portaria nº 245/2012, que foi alterada pela Portaria n° 2.376/2019,</p><p>do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Essa portaria instituiu</p><p>o Sistema Nacional de Laboratórios em Nanotecnologia (SisNANO) como um</p><p>dos elementos do Programa Nacional de Nanotecnologia. O SisNANO é forma-</p><p>do por um conjunto de laboratórios direcionados à pesquisa em nanociências</p><p>(FERREIRA; SANT’ANNA, 2015).</p><p>Saiba mais</p><p>Para conhecer melhor o</p><p>SisNANO, clique aqui.</p><p>https://antigo.mctic.gov.br/mctic/export/sites/institucional/tecnologia/incentivo_desenvolvimento/sisnano/arquivo-sisnano/PDF-4-Portaria-MCTIC-2376-Sisnano-Atualizado.pdf</p><p>https://antigo.mctic.gov.br/mctic/opencms/tecnologia/incentivo_desenvolvimento/sisnano/sisnano.html#:~:text=O%20Sistema%20Nacional%20de%20Laborat%C3%B3rios,a%20institui%C3%A7%C3%B5es%20p%C3%BAblicas%20e%20privadas%2C</p><p>106</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Esta unidade apresentou uma reflexão sobre os aspectos bioéticos relativos à</p><p>genética na identificação humana e à nanotecnologia. Além disso, observa-</p><p>mos que a análise dos aspectos éticos e morais é necessária frente aos confli-</p><p>tos impostos pelo desenvolvimento tecnológico.</p><p>Notamos que a genética e a biologia molecular fornecem importantes ferra-</p><p>mentas que podem ser usadas na identificação humana, especialmente para</p><p>fins de investigação criminal. Neste contexto, a criação de bancos de dados de</p><p>perfis genéticos criminais suscita diversos questionamentos éticos que envol-</p><p>vem aspectos jurídicos, sociais e filosóficos.</p><p>Também analisamos a lei nacional nº 12.654/2012, que prevê a coleta de perfil</p><p>genético como forma de identificação criminal e o decreto nº 7.950/2013, que</p><p>institui o Banco Nacional de Perfis Genéticos.</p><p>Por fim, abordamos a importância dos estudos em nanotecnologia e as diver-</p><p>sas aplicações destas técnicas, especialmente em biomedicina. Ainda obser-</p><p>vamos que a nanotecnologia implica riscos e enfrenta dilemas éticos relacio-</p><p>nados a aspectos</p><p>de ordem econômica e social. Além disso, vimos que tanto</p><p>no Brasil quanto no mundo, as normas sobre nanotecnologia estão ainda in-</p><p>cipientes, sendo necessários esforços de normatização para assegurar maior</p><p>padronização, saúde e segurança das técnicas.</p><p>UNIDADE 6</p><p>107</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao�final�desta�</p><p>unidade,</p><p>esperamos que</p><p>você possa:</p><p>> Entender os</p><p>aspectos éticos</p><p>e jurídicos que</p><p>envolvem o aborto.</p><p>> Compreender</p><p>os aspectos</p><p>éticos e jurídicos</p><p>relacionados à</p><p>doação de órgãos</p><p>para transplante no</p><p>Brasil.</p><p>108</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>6 BIOÉTICA NA MEDICINA:</p><p>ABORTO E TRANSPLANTE DE</p><p>ÓRGÃOS</p><p>6.1 INTRODUÇÃO</p><p>Esta unidade traz uma abordagem bioética acerca do aborto e do transplante</p><p>de órgãos.</p><p>A primeira parte da disciplina versa sobre o aborto e nela veremos as principais</p><p>técnicas utilizadas para uma realização segura, conforme padrões da OMS.</p><p>Também analisaremos os dilemas bioéticos envolvidos na prática do aborto,</p><p>que envolvem questões morais, religiosas e culturais; os principais argumen-</p><p>tos para sua criminalização, relacionada a aspectos religiosos, considerando</p><p>a sacralidade da vida. Por outro lado, observaremos que o aborto clandestino</p><p>configura um problema de saúde pública, que leva, principalmente, a parcela</p><p>mais pobre das mulheres a sofrer com sequelas e possível morte. Além disso,</p><p>veremos as principais normas que regulamentam o aborto no mundo.</p><p>Na segunda parte desta unidade, veremos os aspectos bioéticos do trans-</p><p>plante de órgão, os procedimentos para transplante no Brasil, realizado de</p><p>forma gratuita pelo SUS, além das polêmicas bioéticas envolvendo a doação</p><p>de órgãos, que se relacionam principalmente a aspectos filosóficos e religio-</p><p>sos, como a definição de morte e a inviabilidade do corpo humano. Ao apre-</p><p>sentar esses temas, ainda mostraremos que os índices altos de negativa de</p><p>doação de órgãos pela família do potencial doador levam a maiores mortali-</p><p>dades na fila de espera pela doação e, por fim, apresentaremos as principais</p><p>leis nacionais que regulamentam o procedimento.</p><p>6.2 ABORTO</p><p>O aborto é a interrupção da gestação antes que o feto seja viável, isto é, que</p><p>consiga sobreviver fora do útero. Ele pode ser espontâneo, de causas naturais,</p><p>voluntário ou induzido, sendo que este último pode ser realizado tanto cirur-</p><p>gicamente quanto por meio de fármacos que induzem o fim da gestação.</p><p>109</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Apesar de serem técnicas com poucas complicações, quando realizadas em</p><p>ambiente adequado e por profissionais qualificados, o aborto ainda suscita</p><p>diversos questionamentos éticos. Neste contexto, as principais polêmicas da</p><p>prática do aborto envolvem, por um lado, aspectos morais e religiosos da sa-</p><p>cralidade da vida, mesmo intrauterina; e, por outro lado, os direitos sexuais e</p><p>reprodutivos femininos e a liberdade individual. Outro relevante aspecto ético</p><p>do aborto diz respeito aos dados epide-</p><p>miológicos que demonstram que a prá-</p><p>tica clandestina consiste em um proble-</p><p>ma de saúde pública, já que leva a altos</p><p>índices de morbimortalidade materna,</p><p>especialmente quando considerada a</p><p>população mais vulnerável e pobre, que</p><p>não tem acesso a clínicas especializa-</p><p>das. Neste sentido, os países desenvol-</p><p>vidos têm legislações mais permissivas</p><p>quanto à prática do aborto, que levam</p><p>a menores índices de morbimortalidade</p><p>materna nestes países, em comparação</p><p>com os países em desenvolvimento, que</p><p>apresentam legislações mais restritivas.</p><p>6.2.1 ASPECTOS BIOLÓGICOS DO ABORTO</p><p>O aborto consiste na interrupção da gravidez antes que o feto consiga sobre-</p><p>viver sozinho fora do útero. Pode ser involuntário, o chamado aborto espontâ-</p><p>neo ou induzido. O aborto natural é a adversidade gestacional mais comum,</p><p>especialmente no primeiro trimestre da gravidez, sendo definido como a</p><p>interrupção involuntária da gravidez até 20-22 semanas gestacionais. Geral-</p><p>mente, ocorre devido a problemas genéticos, alterações cromossômicas ou</p><p>hormonais, mas, na maioria das pacientes, tem causa multifatorial, o que tor-</p><p>na a sua investigação mais complexa. De todas as gestações diagnosticadas,</p><p>15 a 20% terminam em aborto espontâneo, a maioria dentro das primeiras 13</p><p>semanas de gestação (OLIVEIRA et al., 2020).</p><p>Atenção</p><p>No Brasil, o aborto é crime,</p><p>exceto quando envolve</p><p>risco para a vida da mãe,</p><p>decorrente de violência</p><p>sexual ou se o feto for</p><p>anencéfalo.</p><p>110</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>Embrião é o produto da concepção do momento</p><p>da fecundação até oito semanas de vida</p><p>embrionária. Feto é o bebê em formação a partir da</p><p>nona semana até o fim da gestação.</p><p>O aborto induzido pode ser realizado de forma cirúrgica ou por meio do con-</p><p>sumo de medicamentos abortivos. Na técnica cirúrgica, utiliza-se a aspiração</p><p>a vácuo, dilatação e curetagem, dilatação e evacuação. A aspiração a vácuo</p><p>pode ser feita pela técnica manual ou elétrica. Em ambos os casos, a técnica</p><p>consiste na evacuação do conteúdo uterino por meio de uma cânula plástica</p><p>ou de metal, acoplada a uma fonte de vácuo. Na versão elétrica, é utilizada</p><p>uma bomba de vácuo de fonte elétrica, enquanto na versão manual, o vácuo</p><p>é gerado utilizando um aspirador plástico sustentado e ativado com a mão.</p><p>Dependendo da idade gestacional, o abortamento por aspiração a vácuo leva</p><p>de 3 e 10 minutos e pode ser feito de maneira ambulatorial, utilizando apenas</p><p>analgésicos ou anestesia local. Esta técnica é considerada segura, sendo raras</p><p>as complicações advindas do procedimento (OMS, 2013).</p><p>Na técnica de dilatação e curetagem, o</p><p>colo uterino é dilatado com dilatadores</p><p>mecânicos ou agentes farmacológicos,</p><p>seguido do uso de curetas afiadas de</p><p>metal para raspar as paredes do útero.</p><p>Este procedimento é menos seguro e</p><p>mais dolorido que a aspiração a vácuo,</p><p>enquanto a dilatação com evacuação</p><p>é a técnica mais utilizada em gestação</p><p>mais avançada, depois das 12 ou 14 se-</p><p>manas de gravidez. Inicia-se com a di-</p><p>latação do colo uterino, seguida da eva-</p><p>cuação do útero mediante aspiração</p><p>elétrica a vácuo, com uma cânula e te-</p><p>náculos longos (OMS, 2013).</p><p>Glossário</p><p>Tenáculos são instrumentos</p><p>médicos em forma de</p><p>agulha, encurvados em uma</p><p>de suas extremidades e</p><p>usados para puxar os vasos</p><p>que se queria ligar.</p><p>111</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ABORTO REALIZADO POR ASPIRAÇÃO A VÁCUO COM EQUIPAMENTO ELÉTRICO</p><p>1</p><p>2</p><p>3</p><p>4</p><p>5</p><p>6</p><p>Fonte: Wikipedia (2020).</p><p>#PraCegoVer: Na imagem, há um esquema representando o sistema reprodutor feminino</p><p>durante a realização de um aborto por aspiração a vácuo com equipamento elétrico em</p><p>gestação de oito semanas. É possível observar a mão do médico inserindo a cânula no</p><p>útero da mulher.</p><p>O método farmacológico de abortamento envolve o uso de medicamentos que</p><p>induzem o aborto, sendo um método seguro e eficaz quando realizado com</p><p>supervisão médica. Os medicamentos mais utilizados são antiprogestogênio,</p><p>mifepristone, que se unem aos receptores de progesterona e inibem a ação da</p><p>progesterona e, assim, interferem na continuação da gravidez (OMS, 2013).</p><p>O aborto induzido é um procedimento seguro quando realizado por pessoal</p><p>treinado e em condições médicas adequadas. Entretanto, quando realizado</p><p>de maneira clandestina, expõe a mulher a riscos e complicações que podem</p><p>levar à morte. Tais riscos variam de acordo com as circunstâncias nas quais o</p><p>aborto é realizado, sendo bem menores quando feitos em locais adequados</p><p>e com assistência médica. As principais complicações do aborto clandestino</p><p>são perfurações do útero, retenção de restos de placenta, infecções e septice-</p><p>112</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada</p><p>no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>mia. Além disso, a mulher pode ter sequelas ginecológicas que levam à difi-</p><p>culdade em gestações futuras ou até esterilidade (HARDY; ALVES, 1992).</p><p>Por isso, o abortamento é considerado</p><p>um grave problema de saúde pública.</p><p>Segundo a Organização Mundial da</p><p>Saúde (OMS), 45% de todos os abortos</p><p>realizados no mundo são em condição</p><p>de insegurança, especialmente quando</p><p>se considera países em desenvolvimen-</p><p>to. Ainda, entre 4,7% e 13,2% de todas as</p><p>mortes maternas podem ser atribuídas</p><p>ao aborto inseguro. No Brasil, a estimati-</p><p>va é que ocorram, anualmente, mais de</p><p>um milhão de abortamentos induzidos</p><p>– uma das principais causas de morte</p><p>materna no país (OMS, 2013).</p><p>6.2.2 DILEMAS ÉTICOS QUE ENVOLVEM O</p><p>ABORTO DE EMBRIÕES</p><p>A técnica do aborto envolve questionamentos éticos de diferentes searas. O</p><p>aborto articula diversas posições morais, religiosas e ideológicas, além de con-</p><p>flitos legais, que se desdobram em perspectivas culturais e sociais diferencia-</p><p>das. Para entender os conflitos éticos do aborto, é necessário compreendê-lo</p><p>em sua abrangência, considerando tanto os aspectos epidemiológicos e bio-</p><p>lógicos, quanto sociais e culturais (SILVA, 2010).</p><p>Quantos aos aspectos morais e religiosos, a principal justificativa para a proi-</p><p>bição do aborto por lei baseia-se no princípio da sacralidade da vida, na qual o</p><p>início da existência humana se daria a partir da concepção. Para esta corrente,</p><p>o aborto consistiria em uma forma de tirar uma vida, sendo a ela, privados os</p><p>direitos fundamentais de vida e dignidade. Por outro lado, os dados epide-</p><p>miológicos e de saúde indicam que o aborto clandestino e inseguro, realizado</p><p>em condições precárias, é uma das maiores causas de morbimortalidade ma-</p><p>terna. Neste sentido, garantir um abortamento seguro, além de configurar</p><p>uma ação de saúde pública, promoveria a defesa dos direitos humanos e a</p><p>vida da mãe (SANTOS et al., 2013).</p><p>Curiosidade</p><p>A Organização Mundial da</p><p>Saúde criou uma orientação</p><p>técnica sobre abortamento</p><p>seguro para os sistemas de</p><p>saúde. Veja mais, clicando aqui.</p><p>https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/70914/9789248548437_por.pdf;jsessionid=B54D46DCD797E2F68EAB313053A55538?sequence=7</p><p>113</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Um dos questionamentos éticos do aborto envolve os direitos das mulheres.</p><p>Historicamente, elas ocupam uma posição reservada à procriação e ao cuida-</p><p>do, sendo que as decisões no que se refere às normas sexuais e reprodutivas</p><p>estão nas mãos de homens. Por isso, as leis e políticas tendem a estabelecer</p><p>mais restrições à liberdade sexual e reprodutiva feminina, justificadas como</p><p>necessárias para o desenvolvimento saudável da população. Entretanto, do</p><p>ponto de vista dos direitos sexuais e reprodutivos femininos, o direito à esco-</p><p>lha pela interrupção da gravidez baseia-se no livre-arbítrio, na dignidade e na</p><p>liberdade (ANJOS et al., 2013).</p><p>FETO HUMANO DE TRÊS MESES</p><p>Fonte: Wikipedia (2020).</p><p>#PraCegoVer: Na imagem, há um feto humano de três meses, com a placenta. No feto é</p><p>possível observar a cabeça, os braços e as pernas. O feto é de coloração branca e o fundo é azul.</p><p>Outro dilema ético do aborto envolve o questionamento acerca da possibili-</p><p>dade de uso de diversos métodos contraceptivos disponíveis no mercado para</p><p>evitar a gravidez, que evitariam a necessidade do abortamento. Na contem-</p><p>poraneidade, o uso de métodos de anticoncepção é amplo e existem variados</p><p>tipos, como o anticoncepcional oral, DIU, camisinha, entre outros. Entretanto,</p><p>dados epidemiológicos indicam que o aborto ainda é utilizado como forma</p><p>de planejamento familiar, especialmente para mulheres em situação de po-</p><p>breza. Esses dados também mostram que a assistência ao planejamento fa-</p><p>miliar não funciona adequadamente no Brasil, o que justifica os índices ainda</p><p>elevados de aborto no país. Neste sentido, a assistência de saúde pública para</p><p>114</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>o planejamento familiar de qualidade é fundamental para prevenir a gravidez</p><p>indesejada e reduzir as práticas de aborto inseguro e, por conseguinte a mor-</p><p>talidade materna (SANTOS et al., 2013).</p><p>Apesar da disponibilidade de métodos contraceptivos, observa-se que quan-</p><p>tidade de mulheres que fizeram aborto é alta no Brasil e essa proporção au-</p><p>menta com a idade. Esse índice consiste em 6% para mulheres com idades</p><p>entre 18 e 19 anos e 22% entre mulheres de 35 a 39 anos, o que evidencia como</p><p>o aborto é prática comum na vida reprodutiva das mulheres. Nesse sentido, a</p><p>estimativa é que ocorram, anualmente, mais de um milhão de abortamentos</p><p>induzidos no Brasil (SANTOS et al., 2013).</p><p>Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil, os</p><p>procedimentos inseguros de interrupção voluntária</p><p>da gravidez levam à hospitalização de mais de 250</p><p>mil mulheres por ano, cerca de 15 mil complicações</p><p>e 5 mil internações de muita gravidade. O aborto</p><p>inseguro causou a morte de 203 mulheres em 2016,</p><p>o que representa uma morte a cada dois dias. Nos</p><p>últimos 10 anos, foram duas mil mortes maternas</p><p>por esse motivo. Veja mais, clicando aqui.</p><p>Esses dados revelam ainda outro importante aspecto ético do aborto, que é a</p><p>desigualdade de acesso aos procedimentos de abortamento com maior segu-</p><p>rança. Neste sentido, o ato de abortar de forma insegura pode ser considerado</p><p>uma injustiça social. As mulheres que apresentam condição social e econômica</p><p>mais alta conseguem realizar o procedimento com profissionais mais prepara-</p><p>dos, o que leva a menores riscos e complicações. Por outro lado, na maioria das</p><p>vezes, as mulheres em situação de pobreza recorrem ao aborto clandestino,</p><p>realizando o procedimento em condições inseguras, o que gera uma elevada</p><p>taxa de complicações pós-aborto e alto índice de internações hospitalares ou</p><p>até mesmo a morte. Estes efeitos danosos da clandestinidade e da criminali-</p><p>zação do aborto atingem principalmente mulheres mais vulneráveis, pobres e</p><p>negras, com baixa escolaridade e menor acesso à informação. Por isso, o abor-</p><p>to clandestino é considerado um problema de saúde pública no Brasil, sendo</p><p>uma importante causa de mortalidade materna no país (ANJOS et al., 2013).</p><p>http://www.cofen.gov.br/uma-mulher-morre-a-cada-2-dias-por-causa-do-aborto-inseguro-diz-ministerio-da-saude_64714.html</p><p>115</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Outro dilema ético do aborto se relaciona à possibilidade de realizá-los nos</p><p>casos em que o feto apresenta anomalias incompatíveis com a vida, quan-</p><p>do há grave risco para a saúde da mãe ou em caso de violência sexual. Em</p><p>qualquer um destes casos, enfrenta-se o dilema moral e religioso de inter-</p><p>rupção de uma vida, além da tese de que este tipo de permissão pode criar</p><p>precedentes para o aborto em outras situações, como demência e má forma-</p><p>ção congênita, casos em que há compatibilidade com a vida. Por outro lado,</p><p>existe o respeito à autonomia da mulher e seu direito de tomar suas próprias</p><p>decisões (BELARMINO; GONZALEZ; PILUSK, 2017).</p><p>PROTESTOS CONTRA A PERMISSÃO DO ABORTO EM CASO DE FETOS ANENCÉFALOS</p><p>Fonte: Wikipedia (2020).</p><p>#PraCegoVer: Imagem de várias pessoas em pé protestando em frente ao STF com faixas</p><p>com os dizeres: Anencefalia e artigo 5° da Declaração dos Direitos Humanos – Ninguém</p><p>será submetido à tortura nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.</p><p>116</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>6.2.3 ASPECTOS JURÍDICOS NACIONAIS E</p><p>INTERNACIONAIS EM RELAÇÃO À PRÁTICA DO</p><p>ABORTO</p><p>As legislações do mundo são variáveis quanto à autorização da realização do</p><p>aborto e quais casos são permitidos. A OMS reconhece a importância da prá-</p><p>tica de abortamento seguro como garantia social para as mulheres e método</p><p>de saúde pública para reduzir a morbimortalidade materna.</p><p>Segundo a OMS,</p><p>as restrições legais à prática de aborto não ajudam a diminuir</p><p>o número de abortamentos e, inversamente, as leis que permitem o acesso</p><p>ao abortamento seguro não aumentam a taxa ou o número de abortamen-</p><p>tos. O principal efeito observado é permitir procedimentos legais e seguros,</p><p>que levam a uma redução da morbimortalidade materna. Neste contexto,</p><p>nos lugares onde as leis e as políticas permitem amplo acesso ao aborto, a in-</p><p>cidência e as complicações de um abortamento inseguro se reduzem. Ainda,</p><p>observa-se uma discrepância de legislação e acesso ao aborto seguro quan-</p><p>do se leva em consideração a economia do país. Apenas em 16% dos países</p><p>em desenvolvimento o aborto é permitido por razões sociais ou econômicas,</p><p>em comparação com 80% dos países desenvolvidos. Por isso, a proporção de</p><p>mortalidade materna devido a um abortamento inseguro costuma ser mais</p><p>alta nos países com restrições importantes e mais baixa nos países onde as</p><p>mulheres têm livre acesso a serviços seguros de abortamento.</p><p>À exceção de Malta, na União Europeia, todos os países permitem a interrup-</p><p>ção da gravidez em diferentes circunstâncias. Alguns, principalmente de tra-</p><p>dição religiosa, como a Irlanda, permitem o aborto apenas em caso de risco</p><p>para a vida da mãe. Entretanto, na maior parte dos países europeus, o aborto</p><p>é permitido por escolha da mulher nas primeiras semanas de gravidez. Na</p><p>Alemanha, como na maioria dos países, o limite é de 12 semanas, sendo ne-</p><p>cessário passar por um aconselhamento profissional antes de abortar.</p><p>117</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Recentemente, em 2020, a Argentina aprovou</p><p>legislação permitindo o aborto por interesse da</p><p>mulher e toda gestante passou a ter acesso ao</p><p>procedimento no sistema de saúde, de forma</p><p>gratuita e segura, até a 14ª semana de gestação.</p><p>Veja mais, clicando aqui.</p><p>No Brasil, o aborto voluntário é considerado crime, sendo tipificado no código penal.</p><p>Segundo os artigos 124, 125 e 126 do Código Penal brasileiro (BRASIL, 2017),</p><p>Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lhe provoque:</p><p>Pena - detenção, de um a três anos.</p><p>Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante:</p><p>Pena - reclusão, de três a dez anos.</p><p>Art.�126�-�Provocar�aborto�com�o�consentimento�da�gestante:  �</p><p>Pena - reclusão, de um a quatro anos.</p><p>Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é</p><p>maior de quatorze anos, ou é alienada ou débil mental, ou se o consentimento</p><p>é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência.</p><p>Para o Código Penal (BRASIL, 2017), ape-</p><p>nas não se pune o aborto praticado por</p><p>médico quando não há outro meio de</p><p>salvar a vida da gestante ou se a gravi-</p><p>dez resultar de estupro. Sendo, neste úl-</p><p>timo caso, necessário o consentimento</p><p>da gestante ou, quando incapaz, de seu</p><p>representante legal. Embora não esteja</p><p>expressa no regulamento legal, há ain-</p><p>da uma terceira situação que autoriza o</p><p>aborto. Este caso deriva de um enten-</p><p>dimento do Supremo Tribunal Federal</p><p>que permite a interrupção terapêutica</p><p>da gestação quando o feto for anencé-</p><p>falo, já que é uma condição incompatí-</p><p>vel com a vida. Logo, apenas nestas três situações a gestante pode realizar o</p><p>aborto legal, com amparo do governo, gratuitamente pelo SUS.</p><p>Saiba mais</p><p>O Código Penal brasileiro</p><p>vigente atualmente, é o</p><p>decreto lei 2.848, de 1940,</p><p>criado pelo presidente Getúlio</p><p>Vargas durante o período do</p><p>Estado Novo (BRASIL, 2017).</p><p>https://www.bbc.com/portuguese/geral-55476576</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Presidente_do_Brasil</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Get%C3%BAlio_Vargas</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Get%C3%BAlio_Vargas</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_Novo_(Brasil)</p><p>118</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>6.3 TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS</p><p>O transplante de órgãos consiste no procedimento de retirada de um órgão</p><p>com defeito e sua troca por outro sadio doado por um paciente em morte</p><p>encefálica. O procedimento permite que pessoas com doenças graves e gran-</p><p>des chances de morte tenham sobrevida considerável e possam ter qualida-</p><p>de de vida, voltando a seus afazeres normais. Os diversos avanços em tecnolo-</p><p>gias médicas tornaram a técnica de transplante de órgãos um procedimento</p><p>comum na prática de sistemas de Saúde e, no Brasil, o transplante é feito</p><p>gratuitamente no âmbito do SUS. O processo inicia-se com a aceitação da</p><p>família do possível doador em doar os órgãos. Em seguida, o receptor com-</p><p>patível passa pelo procedimento cirúrgico em centros de saúde especializa-</p><p>dos. A doação segue uma fila única em</p><p>todo o país, que considera critérios de</p><p>gravidade e compatibilidade. Apesar de</p><p>ser um procedimento muito importan-</p><p>te na prática médica e propiciar inúme-</p><p>ros benefícios ao paciente em estado</p><p>grave, o transplante ainda envolve vá-</p><p>rios dilemas éticos. Estas polêmicas se</p><p>relacionam, principalmente, a questões</p><p>religiosas e filosóficas, além da falta de</p><p>conhecimento acerca do procedimen-</p><p>to. As principais normas que regulam</p><p>o transplante e a doação de órgãos no</p><p>Brasil são as leis 9.434/1997 e 10.211/2001</p><p>(BRASIL, 1997; 2001).</p><p>6.3.1 A DOAÇÃO DE ÓRGÃO NO BRASIL</p><p>O transplante de órgãos é um procedimento cirúrgico que consiste na remo-</p><p>ção de um órgão ou tecido danificado (coração, pulmão, rim, medula óssea) e</p><p>sua substituição por outro normal de um doador vivo ou morto. A maior parte</p><p>das doações é feita por um doador com morte encefálica, mas para alguns</p><p>órgãos é possível fazer a doação em vida, pois o doador consegue viver sem</p><p>eles. Como é o caso da doação de um rim, um pedaço do fígado, uma parte</p><p>do pulmão e da medula óssea.</p><p>Saiba mais</p><p>Para compreender melhor a</p><p>importância da doação</p><p>de órgãos, leia o texto,</p><p>clicando aqui.</p><p>http://www.blog.saude.gov.br/index.php/promocao-da-saude/51292-transplantes-esperanca-para-muitas-pessoas-no-brasil#:~:text=O%20tempo%20m%C3%A1ximo%20que%20um,p%C3%A2ncreas%20podem%20esperar%2012%20horas</p><p>119</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>A doação de órgãos e o transplante são importantes garantias de saúde pú-</p><p>blica, pois o procedimento viabiliza que um paciente em estado grave e risco</p><p>de morte iminente possa retornar a suas atividades normais, com reinserção</p><p>ao mercado de trabalho e considerável sobrevida pós-transplante. Portanto,</p><p>o transplante de órgãos é uma garantia de direitos sociais, como o direito à</p><p>saúde (VICTORINO; VENTURA, 2016).</p><p>No Brasil, o transplante de órgãos é realizado pelo Sistema Único de Saúde</p><p>(SUS), gratuitamente, sendo um procedimento comum nos serviços de saú-</p><p>de. Para que a doação aconteça, deve ser atestada a morte encefálica do doa-</p><p>dor. Em seguida, a família é responsável pela decisão final de doar os órgãos.</p><p>No caso de doação em vida, o doador deve ser maior de idade e capaz juri-</p><p>dicamente, sendo possível doar para familiares. No caso de doador vivo não</p><p>aparentado, é necessária autorização judicial. Após o aceite da família para</p><p>a doação, a Central de Transplantes do Estado é comunicada e, por meio do</p><p>registro em lista de espera, seleciona os receptores compatíveis. No Brasil, há</p><p>uma lista única de receptores, com vários cadastros separados por órgãos e</p><p>critérios de compatibilidade. A ordem da lista é seguida com total rigor e con-</p><p>trolada pela Secretaria de Saúde. Além disso, a doação é confidencial, não</p><p>sendo possível à família do doador nem ao receptor conhecer a identidade</p><p>um do outro. O Brasil ainda conta com o Sistema Nacional de Transplante,</p><p>que controla as centrais de transplante estaduais e organiza as atividades de</p><p>transplante no país.</p><p>A posição na lista única de receptores é definida por critérios como tempo</p><p>de espera, urgência do procedimento e gravidade do caso. A lista também</p><p>leva em consideração os critérios de compatibilidade entre doador e receptor,</p><p>que vão desde o tamanho do órgão a tipo sanguíneo e compatibilidade</p><p>imu-</p><p>nológica. Para isso, são feitos diversos exames laboratoriais tanto no receptor</p><p>quanto no doador.</p><p>Um importante fator para o sucesso do transplante de órgãos é o menor tem-</p><p>po de isquemia (tempo sem circulação sanguínea) ao qual o órgão é subme-</p><p>tido. Por isso, é necessária uma organização logística adequada para facilitar</p><p>o transporte do órgão, realizado pelo Sistema Nacional de Transplantes. No</p><p>Brasil, as listas de espera são organizadas pelas Centrais Estaduais de Trans-</p><p>plante em cada uma das 27 unidades da federação. Quando um doador é</p><p>identificado, os dados são cruzados na fila única de pacientes aguardando</p><p>por órgãos, a fim de localizar o melhor candidato, levando em consideração o</p><p>120</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>local de origem do doador e o tempo de deslocamento do órgão, sempre res-</p><p>peitando a ordem da fila. Caso não haja um receptor no local de origem do</p><p>doador, o deslocamento deve ser realizado para outro Estado. Para tanto, o</p><p>Ministério da Saúde, em conjunto com a</p><p>Aeronáutica, a Infraero e empresas aé-</p><p>reas, firmaram um acordo de parceria</p><p>para a mobilização e transporte de ór-</p><p>gãos para transplante.</p><p>Após o transplante, os pacientes preci-</p><p>sam manter o acompanhamento médi-</p><p>co e fazer uso de medicamentos especí-</p><p>ficos imunossupressores, para bloquear</p><p>o sistema imune e evitar a rejeição do</p><p>órgão. Tanto o atendimento médico,</p><p>quanto os medicamentos são também</p><p>fornecidos gratuitamente pelo SUS.</p><p>Segundo o Ministério da Saúde, um dos</p><p>principais fatores que reduz a doação de</p><p>órgãos é a baixa taxa de autorização da família dos possíveis doadores: apenas</p><p>cerca de metade das famílias aceita doar os órgãos do parente falecido. Assim,</p><p>verifica-se que o número de órgãos disponíveis para transplante não corres-</p><p>ponde ao número de pessoas aguardando na lista de espera, o que resulta em</p><p>um elevado número de mortes ainda na fila. Por isso, o ministério orienta que</p><p>as pessoas avisem suas famílias em vida sobre o desejo de serem doadoras, a</p><p>fim de aumentar a adesão na doação de órgãos (VICTORINO; VENTURA, 2016).</p><p>Segundo a Associação Brasileira de Transplante de</p><p>Órgãos, em 2019, 39.469 pessoas ingressaram na</p><p>lista de espera por algum órgão, sendo que 2.484</p><p>delas morreram aguardando a doação. Veja mais</p><p>informações, clicando aqui.</p><p>Curiosidade</p><p>O tempo de isquemia varia</p><p>entre os órgãos, sendo de 4</p><p>horas para o coração, 4 a 6</p><p>horas para o pulmão, 12 horas</p><p>para o fígado e 48 horas para o</p><p>rim. Veja mais, clicando aqui.</p><p>http://www.abto.org.br/abtov03/Upload/file/RBT/2019/RBT-2019-leitura.pdf</p><p>http://cidadao.saude.al.gov.br/central-de-transplantes/</p><p>121</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>6.3.2 OS DILEMAS BIOÉTICOS QUE ENVOLVEM</p><p>A DOAÇÃO DE ÓRGÃOS</p><p>Em função das inovações tecnológicas e avanços biomédicos, o transplante</p><p>tornou-se prática comum nos serviços de saúde. Apesar de ser um importan-</p><p>te procedimento médico, com aumento da sobrevida e melhoria da qualida-</p><p>de de vida de pacientes com doenças graves, o transplante ainda enfrenta</p><p>dilemas bioéticos, especialmente relacionados à doação e caracterização de</p><p>morte encefálica.</p><p>Por lidar com a vida e a morte humana, o processo de doação de órgãos susci-</p><p>ta questionamentos filosóficos e religiosos. Classicamente, a morte é conside-</p><p>rada pelo critério cardiorrespiratório, que consiste na cessação irreversível da</p><p>respiração e circulação. No entanto, os avanços em medicina levaram a uma</p><p>mudança na classificação de morte, que passou a considerar o critério neu-</p><p>rológico, que consiste na morte encefálica, que expressa a perda irreversível</p><p>das funções vitais do sistema nervoso central. Portanto, houve uma evolução</p><p>histórica do conceito de morte. Entretanto, apesar disso, ambos critérios coe-</p><p>xistem, sendo o critério neurológico utilizado em ambiente intra-hospitalar e</p><p>o cardiorrespiratório em outras circunstâncias (COHEN; OLIVEIRA, 2020).</p><p>O fato de o critério neurológico ainda suscitar questionamentos religiosos e</p><p>filosóficos dificulta a doação. Muitas famílias ainda têm receio de aceitar a</p><p>doação porque mesmo quando as funções cerebrais param de funcionar, se</p><p>a pessoa estiver conectada a aparelhos, o coração continua batendo, o que</p><p>pode levar a uma falsa impressão de que a pessoa está em coma. Entretanto,</p><p>o desenvolvimento das técnicas de transplantes de órgãos e tecidos signifi-</p><p>cou um avanço fundamental na prática médica no século XX, possibilitado,</p><p>principalmente, pela aceitação ética e científica do diagnóstico de morte en-</p><p>cefálica (COHEN; OLIVEIRA, 2020; VICTORINO; VENTURA, 2016).</p><p>Outro questionamento ético da doação de órgão envolve a natureza gratuita</p><p>ou onerosa do transplante. O pagamento pela doação é condenado pela</p><p>maioria das sociedades nacionais e internacionais de transplante de órgãos.</p><p>Isso porque uma sociedade desigual favorece o comércio de órgãos, especial-</p><p>mente de pessoas pobres. No Brasil, o procedimento é gratuito e o doador</p><p>não recebe nada pela doação, que segue uma fila única. Entretanto, em al-</p><p>guns países de extrema pobreza, como Bangladesh, o tráfico ilegal de órgão,</p><p>especialmente rins, ainda acontece.</p><p>Curiosidade</p><p>Veja mais informações sobre</p><p>o comércio ilegal de rins em</p><p>Bangladesh, clicando aqui.</p><p>http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/10/miseria-faz-prosperar-trafico-de-rins-em-bangladesh.html</p><p>122</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>6.3.2 OS DILEMAS BIOÉTICOS QUE ENVOLVEM</p><p>A DOAÇÃO DE ÓRGÃOS</p><p>Em função das inovações tecnológicas e avanços biomédicos, o transplante</p><p>tornou-se prática comum nos serviços de saúde. Apesar de ser um importan-</p><p>te procedimento médico, com aumento da sobrevida e melhoria da qualida-</p><p>de de vida de pacientes com doenças graves, o transplante ainda enfrenta</p><p>dilemas bioéticos, especialmente relacionados à doação e caracterização de</p><p>morte encefálica.</p><p>Por lidar com a vida e a morte humana, o processo de doação de órgãos susci-</p><p>ta questionamentos filosóficos e religiosos. Classicamente, a morte é conside-</p><p>rada pelo critério cardiorrespiratório, que consiste na cessação irreversível da</p><p>respiração e circulação. No entanto, os avanços em medicina levaram a uma</p><p>mudança na classificação de morte, que passou a considerar o critério neu-</p><p>rológico, que consiste na morte encefálica, que expressa a perda irreversível</p><p>das funções vitais do sistema nervoso central. Portanto, houve uma evolução</p><p>histórica do conceito de morte. Entretanto, apesar disso, ambos critérios coe-</p><p>xistem, sendo o critério neurológico utilizado em ambiente intra-hospitalar e</p><p>o cardiorrespiratório em outras circunstâncias (COHEN; OLIVEIRA, 2020).</p><p>O fato de o critério neurológico ainda suscitar questionamentos religiosos e</p><p>filosóficos dificulta a doação. Muitas famílias ainda têm receio de aceitar a</p><p>doação porque mesmo quando as funções cerebrais param de funcionar, se</p><p>a pessoa estiver conectada a aparelhos, o coração continua batendo, o que</p><p>pode levar a uma falsa impressão de que a pessoa está em coma. Entretanto,</p><p>o desenvolvimento das técnicas de transplantes de órgãos e tecidos signifi-</p><p>cou um avanço fundamental na prática médica no século XX, possibilitado,</p><p>principalmente, pela aceitação ética e científica do diagnóstico de morte en-</p><p>cefálica (COHEN; OLIVEIRA, 2020; VICTORINO; VENTURA, 2016).</p><p>Outro questionamento ético da doação de órgão envolve a natureza gratuita</p><p>ou onerosa do transplante. O pagamento pela doação é condenado pela</p><p>maioria das sociedades nacionais e internacionais de transplante de órgãos.</p><p>Isso porque uma sociedade desigual favorece o comércio de órgãos, especial-</p><p>mente de pessoas pobres. No Brasil, o procedimento é gratuito e o doador</p><p>não recebe nada pela doação, que segue uma fila única. Entretanto, em al-</p><p>guns países de extrema pobreza, como Bangladesh, o tráfico ilegal de órgão,</p><p>especialmente rins, ainda acontece.</p><p>Curiosidade</p><p>Veja mais informações sobre</p><p>o comércio ilegal de rins em</p><p>Bangladesh, clicando aqui.</p><p>Um aspecto relevante do transplante</p><p>de órgãos diz respeito à liberdade de</p><p>decisão quanto à doação. No Brasil, a</p><p>decisão cabe à família da pessoa em</p><p>que foi constatada a morte encefálica.</p><p>Entretanto, muito se questiona acerca</p><p>da possibilidade de tornar todos os in-</p><p>divíduos doadores de órgãos. Por um</p><p>lado, não seria necessário o consenti-</p><p>mento de cada doador e o número de</p><p>doadores seria maior, mas, por outro</p><p>lado, esbarra-se em direitos fundamen-</p><p>tais como a liberdade individual. Neste</p><p>contexto, nos países onde a pena de morte é permitida, há também um ques-</p><p>tionamento sobre a doação compulsória de presos que foram condenados à</p><p>morte. Este tipo de doação enfrenta aspectos éticos e morais, especialmente</p><p>relacionados à dignidade da pessoa humana e direitos humanos.</p><p>A doação de órgãos também envolve muitas dúvidas, tabus e mitos, princi-</p><p>palmente pela falta de conhecimento e esclarecimento da população acer-</p><p>ca do procedimento. Por isso, os altos índices de recusa em doar os órgãos</p><p>vistos no Brasil. As principais dúvidas e questionamentos que dificultam o</p><p>consentimento das famílias envolvem o diagnóstico de morte encefálica e a</p><p>aparência e desfiguração do corpo. Aspectos éticos também podem influen-</p><p>ciar no consentimento, como as crenças e valores, bem como o acolhimento</p><p>e disponibilidade dos profissionais de saúde no momento da entrevista. Por</p><p>isso, ressalta-se a importância da capacitação desses profissionais para abor-</p><p>dagem e esclarecimento das famílias, a fim de garantir maior aceitação na</p><p>doação de órgãos (PESSALACIA; CORTES; OTTONI, 2011).</p><p>Nesse sentido, algumas religiões e crenças limitam a possibilidade de adesão</p><p>à doação, principalmente quando avaliam a morte relacionada à parada do</p><p>coração e apresentam rituais sagrados ligados ao corpo falecido. Em algumas</p><p>tradições budistas, por exemplo, a morte é definida por critérios diferentes</p><p>daqueles da medicina ocidental. Por isso, enquanto muitas pessoas esperam</p><p>por longos períodos por um órgão para salvar suas vidas, milhares morrem</p><p>todo ano de acidentes e seus órgãos sadios poderiam ser implantados na-</p><p>queles que esperam pelo transplante. No entanto, cerca de metade das famí-</p><p>lias de potenciais doadores recusam o procedimento (FERRAZZO et al., 2011).</p><p>http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/10/miseria-faz-prosperar-trafico-de-rins-em-bangladesh.html</p><p>123</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>O Ministério da Saúde cria campanhas para</p><p>conscientização acerca da doação de órgãos e uma</p><p>delas é o setembro verde. Veja mais informações,</p><p>clicando aqui.</p><p>6.3.3 ASPECTOS JURÍDICOS QUE REGULAM AS</p><p>DOAÇÕES DE ÓRGÃOS NO BRASIL</p><p>O processo de doação de órgãos e transplante está sujeito a diversos ques-</p><p>tionamentos e dilemas bioéticos, que se refletem nas legislações. No Brasil,</p><p>as principais normas que regulamentam o procedimento são a Lei 9.434, de</p><p>1997, que dispõe sobre a doação de órgãos, tecidos e partes no país e a Lei</p><p>10.211/2001, que altera dispositivos da Lei 9.434 (BRASIL, 1997; 2001).</p><p>RECONSTITUIÇÃO DO PRIMEIRO TRANSPLANTE DE CORAÇÃO HUMANO, REALIZADO EM</p><p>1967</p><p>Fonte: Wikipedia (2020).</p><p>#PraCegoVer: Na imagem, é possível observar vários profissionais de saúde paramentados e</p><p>em pé em uma sala de cirurgia. Em uma das mesas há diversos instrumentos cirúrgicos e,</p><p>no primeiro plano da imagem, pode-se observar 4 toalhas cirúrgicas sujas de sangue.</p><p>https://portalarquivos.saude.gov.br/campanhas/doeorgaos/</p><p>124</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>A Lei n. 9.434/97 regulamenta a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo</p><p>humano para fins de transplante e tratamento. Segundo esta norma, o trans-</p><p>plante é gratuito no país, sendo realizado somente em estabelecimentos de</p><p>saúde, público ou privado, e por equipes médico-cirúrgicas de remoção e</p><p>transplante previamente autorizadas pelo órgão de gestão nacional do SUS.</p><p>A norma ainda dispõe que a retirada dos tecidos e órgãos destinados a trans-</p><p>plante deverá ser precedida de diagnóstico de morte encefálica constatada e</p><p>registrada por dois médicos, com a utilização de critérios clínicos e tecnológi-</p><p>cos definidos pelo Conselho Federal de Medicina (COHEN; OLIVEIRA, 2020).</p><p>A Lei n. 9.434/97 também tipifica os crimes relacionados ao transplante, como</p><p>a remoção de órgãos e tecidos de pessoa ou cadáver em desacordo com a lei,</p><p>com pena de reclusão de dois a seis anos e multa. Se o crime for cometido</p><p>mediante pagamento ou recompensa, a pena passa para reclusão de três a</p><p>oito anos, além de multa. Caso o crime seja realizado em pessoa viva, a pena é</p><p>mais gravosa, podendo chegar à reclusão de 20 anos. O crime de comprar ou</p><p>vender órgãos e tecidos gera uma pena de reclusão de três a oito anos e mul-</p><p>ta (COHEN; OLIVEIRA, 2020).</p><p>A Lei n. 10.211 alterou dispositivos da Lei</p><p>n. 9.434, revogando o art. 2º, o qual tra-</p><p>tava da manifestação relativa à retirada</p><p>após a morte de tecidos, órgãos e par-</p><p>tes, vontade constante na Carteira de</p><p>Identidade Civil e da Carteira Nacional</p><p>de Habilitação. Com a alteração, a deci-</p><p>são de doação dos órgãos deixou de ser</p><p>vinculada à vontade constante no docu-</p><p>mento de identificação e passou a ser</p><p>necessário o consentimento da família</p><p>após o diagnóstico de morte encefáli-</p><p>ca. Neste sentido, a lei 10.211 prevê que a</p><p>retirada de órgãos para transplante de-</p><p>pende de autorização do cônjuge ou pa-</p><p>rente maior de idade, obedecida a linha</p><p>sucessória até o segundo grau, firmada</p><p>em documento subscrito por duas tes-</p><p>temunhas presentes na verificação da</p><p>Saiba mais</p><p>A Associação Brasileira de</p><p>Transplantes de Órgãos</p><p>(ABTO) é uma sociedade</p><p>médica, civil e sem fim</p><p>lucrativo, que tem por</p><p>finalidade estimular o</p><p>desenvolvimento de todas</p><p>as atividades relacionadas</p><p>à doação e transplante de</p><p>órgãos no Brasil. Saiba mais,</p><p>clicando aqui.</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Medicina</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Doa%C3%A7%C3%A3o_de_%C3%B3rg%C3%A3os</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Transplante_de_%C3%B3rg%C3%A3os</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Transplante_de_%C3%B3rg%C3%A3os</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil</p><p>https://site.abto.org.br/</p><p>125</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>morte. A norma também dispõe que o transplante só pode ser realizado com</p><p>consentimento expresso do receptor inscrito em lista única de espera, após</p><p>aconselhamento sobre os riscos do procedimento (COHEN; OLIVEIRA, 2020).</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Esta unidade apresentou uma análise bioética em medicina, abordando o</p><p>aborto e o transplante de órgãos. Observamos que o aborto é a interrupção</p><p>da gestação antes que o feto seja viável, que o induzido pode ser realizado por</p><p>técnicas cirúrgicas ou medicamentosas e analisamos os questionamentos</p><p>éticos acerca do tema, que envolvem aspectos morais, religiosos, ideológicos</p><p>e culturais. Nesse contexto, vimos que as mulheres vulneráveis, que apresen-</p><p>tam situação econômica de maior pobreza, tendem a realizar o procedimen-</p><p>to de forma clandestina, apresentando maior morbimortalidade. Também</p><p>abordamos que o aborto é crime no Brasil, exceto se a gravidez resultar de</p><p>estupro, se colocar em risco a vida da mãe ou se o feto for anencéfalo.</p><p>Também analisamos os principais aspectos da doação de órgãos e do proce-</p><p>dimento de transplante no Brasil, realizado gratuitamente pelo SUS e que a</p><p>seleção do receptor segue fila única em todo o país, considerando critérios de</p><p>gravidade e compatibilidade. Ainda abordamos os dilemas éticos em doação</p><p>de órgãos, que envolvem, principalmente, questões religiosas acerca da mor-</p><p>te e a falta de conhecimento da população em geral sobre o procedimento.</p><p>Vimos que as principais normas no país que regulamentam a doação de ór-</p><p>gãos são a Lei 9.434 e a Lei 10.211/2001.</p><p>126</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de</p><p>22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALAGOAS. Transplantes de órgãos. Portal do Cidadão. Secretaria de Estado da Saúde do Estado</p><p>de Alagoas. Disponível em: http://cidadao.saude.al.gov.br/central-de-transplantes/. Acesso em: 04</p><p>jan. 2020.</p><p>ANJOS, K. F.; et al. Aborto e saúde pública no Brasil: reflexões sob a perspectiva dos direitos hu-</p><p>manos. Saúde em Debate 37(98): 504-515, 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/sdeb/</p><p>v37n98/a14v37n98.pdf. Acesso em: 04 jan. 2021.</p><p>BARBOSA, A. S.; et al. 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As marcas dessa</p><p>origem operam tanto como pontos de</p><p>ruptura quanto de consolidação de dis-</p><p>cursos e prática.</p><p>Além do contexto político e de seu as-</p><p>pecto multidisciplinar, outra caracterís-</p><p>tica que marca o início da bioética no</p><p>Brasil é a capacidade de produzir novos</p><p>pensamentos e agregar múltiplos sujei-</p><p>tos (Corrêa A.P.R; Garrafa V, 2005).</p><p>Em 1995 foi criada a Sociedade Brasileira</p><p>de Bioética, bem como cursos de pós-</p><p>-graduação. Essa criação e essa implan-</p><p>Mídias Integradas</p><p>Para manter-se atualizado</p><p>sobre o código de ética</p><p>brasileiro acesse o site da</p><p>Sociedade Brasileira de</p><p>Bioética, clicando aqui.</p><p>http://www.sbbioetica.org.br/</p><p>17</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>tação foram os fatores determinantes para agregar a esse campo de estudos</p><p>profissionais, diferentes áreas do conhecimento.</p><p>1.2 DESAFIOS E RESPONSABILIDADES</p><p>A disciplina de bioética trata de temas específicos como nascer/não nascer</p><p>(aborto), morrer/não morrer (eutanásia), saúde/doença (ética biomédica),</p><p>bem-estar/mal-estar (ética biopsicológicas) e se ocupa de novos campos de</p><p>atuação do conhecimento, como clonagem (ética genética), irresponsabilida-</p><p>de perante os pósteros (ética de gerações), depredação da natureza extra-</p><p>-humana circundante e agressões ao equilíbrio sistêmico das espécies (ecoé-</p><p>tica). Dentre as diversas práticas da bioética destacam-se atividades</p><p>terapêuticas em todo e qualquer exercício das relações profissionais de médi-</p><p>cos, enfermeiros, dentistas, psicólogos, nutricionistas, biólogos, fisioterapeu-</p><p>tas farmacêuticos, biomédicos terapeutas ocupacionais e demais técnicos</p><p>especializados em saúde e doença, bem como os usuários das novas técnicas</p><p>biomédicas e farmacológicas tornam-se subordinados ao discurso. Podemos</p><p>citar como exemplo, o recente código de ética dos profissionais embriologis-</p><p>tas, com a primeira edição publicada em 2018.</p><p>CÓDIGO DE ÉTICA DO EMBRIOLOGISTA</p><p>Fonte: Pronúcleo (2020).</p><p>#PraCegoVer</p><p>Imagem ilustrativa da capa do Código de Ética e Conduta da Associação Brasileira de</p><p>Embriologistas.</p><p>Mídias Integradas</p><p>Para melhor contextualização</p><p>da história e desenvolvimento</p><p>do SUS no Brasil assista o</p><p>vídeo no link a seguir.</p><p>O SUS do Brasil - um projeto para a</p><p>saúde</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=Cb-cslNmGnE</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=Cb-cslNmGnE</p><p>18</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>O Brasil dispõe de um sistema público</p><p>de saúde, o Sistema Único de Saúde</p><p>(SUS), que foi implementado com a lei n.</p><p>8.080, de 19 de setembro de 1990 homo-</p><p>logada pelo então presidente Fernando</p><p>Collor de Melo. Um dos grandes desa-</p><p>fios para a saúde, desde então, é aplicar</p><p>a bioética na sua forma de contemplar</p><p>toda a população brasileira. Para enten-</p><p>der melhor como a bioética, seu contex-</p><p>to, aplicabilidade, desafios e responsa-</p><p>bilidades também temos que entender</p><p>como as diretrizes do SUS funciona. Este</p><p>será abordado mais profundamente no</p><p>decorrer do texto.</p><p>DIREITO À SAÚDE</p><p>Fonte: Pikist (2020).</p><p>#PraCegoVer:</p><p>Imagem ilustrativa do martelo do juiz, também chamado de malhete, representando o</p><p>direito à saúde.</p><p>tação foram os fatores determinantes para agregar a esse campo de estudos</p><p>profissionais, diferentes áreas do conhecimento.</p><p>1.2 DESAFIOS E RESPONSABILIDADES</p><p>A disciplina de bioética trata de temas específicos como nascer/não nascer</p><p>(aborto), morrer/não morrer (eutanásia), saúde/doença (ética biomédica),</p><p>bem-estar/mal-estar (ética biopsicológicas) e se ocupa de novos campos de</p><p>atuação do conhecimento, como clonagem (ética genética), irresponsabilida-</p><p>de perante os pósteros (ética de gerações), depredação da natureza extra-</p><p>-humana circundante e agressões ao equilíbrio sistêmico das espécies (ecoé-</p><p>tica). Dentre as diversas práticas da bioética destacam-se atividades</p><p>terapêuticas em todo e qualquer exercício das relações profissionais de médi-</p><p>cos, enfermeiros, dentistas, psicólogos, nutricionistas, biólogos, fisioterapeu-</p><p>tas farmacêuticos, biomédicos terapeutas ocupacionais e demais técnicos</p><p>especializados em saúde e doença, bem como os usuários das novas técnicas</p><p>biomédicas e farmacológicas tornam-se subordinados ao discurso. Podemos</p><p>citar como exemplo, o recente código de ética dos profissionais embriologis-</p><p>tas, com a primeira edição publicada em 2018.</p><p>CÓDIGO DE ÉTICA DO EMBRIOLOGISTA</p><p>Fonte: Pronúcleo (2020).</p><p>#PraCegoVer</p><p>Imagem ilustrativa da capa do Código de Ética e Conduta da Associação Brasileira de</p><p>Embriologistas.</p><p>Mídias Integradas</p><p>Para melhor contextualização</p><p>da história e desenvolvimento</p><p>do SUS no Brasil assista o</p><p>vídeo no link a seguir.</p><p>O SUS do Brasil - um projeto para a</p><p>saúde</p><p>http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%208.080-1990?OpenDocument</p><p>http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%208.080-1990?OpenDocument</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=Cb-cslNmGnE</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=Cb-cslNmGnE</p><p>19</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>1.2.1 DESAFIOS DA BIOÉTICA</p><p>Desde a Grécia Antiga, segunda metade do século XX até o presente, a bioé-</p><p>tica interage com múltiplos fatores circunstanciais na medicina. Por um lado,</p><p>os desafios à vida no micro e macrouniverso em escala planetária e, por outro,</p><p>o desenvolvimento tecnológico desenfreado levantam uma série de pergun-</p><p>tas acerca da capacidade humana de sentir, julgar e agir adequadamente em</p><p>relação a um patrimônio que vem dos primórdios da vida sobre o planeta. A</p><p>abordagem da bioética vai além de uma ética médica e herda boa parte das</p><p>tarefas da filosofia ocidental no afã de monitorar a conduta humana.</p><p>A medida, porém, que o espectro temático se distende para fora da medicina,</p><p>a bioética corre o risco de perder contorno, mascarar realidades e desenten-</p><p>der seus agentes, razão pela qual importa explicitar seu caráter interdiscipli-</p><p>nar, sua demanda científica e seu desafio filosófico mais instigante.</p><p>Dentre os muitos desafios que, de fato, o mundo contemporâneo nos apre-</p><p>senta, será considerado especialmente três: um primeiro, provocado pela</p><p>mesma estrutura da ciência moderna e que exige uma ética da ciência; um</p><p>segundo, consequência do anterior, provocado pelo impacto da ciência e da</p><p>técnica na ação dos homens e que exige uma ética da solidariedade univer-</p><p>sal; e um terceiro, provocado pelo fenômeno da globalização e que exige uma</p><p>resposta ético-política capaz de responsabilizar-se pelas consequências de</p><p>nossas ações a nível planetário (HECK, 2005).</p><p>O Brasil é uma país de dimensões continentais e a estrutura socioeconômi-</p><p>ca é bem variante. De acordo com dados do IBGE 2020 (Instituto Brasileiro</p><p>de Geografia e Estatística), atualmente</p><p>a população brasileira conta com mais</p><p>de 212 milhões de habitantes.</p><p>O boom populacional brasileiro teve</p><p>seu marco nas décadas de 1950 e 1960.</p><p>Com a crescente demanda populacio-</p><p>nal frente a serviços de saúde e higiene</p><p>sanitária, vem o grande desafio. Ofertar</p><p>saúde, educação e dignidade a todos.</p><p>Mídias Integradas</p><p>Para mais informações</p><p>sociodemográficas,</p><p>acesse o</p><p>link do site do IBGE.</p><p>https://www.ibge.gov.br/</p><p>20</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>CRESCIMENTO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA ATÉ O ANO DE 2010</p><p>Fonte: IBGE (2010).</p><p>#PraCegoVer</p><p>Gráfico referente a quantidade de habitantes x ano, demonstrando o crescimento</p><p>populacional do Brasil até o ano de 2010.</p><p>1.2.2 RESPONSABILIDADES DA BIOÉTICA</p><p>Responsabilidade é um conceito moderno. Responsabilizar-se por algo sig-</p><p>nifica, originariamente, responder em juízo por seus atos, defendendo e/ou</p><p>justificando comportamentos oficialmente questionados. Cada um é respon-</p><p>sável por suas ações a serem legitimadas perante instância superior, a quem</p><p>cabe pronunciar-se favorável ou desfavoravelmente. O conceito de responsa-</p><p>bilidade, usual na tradição, está familiarizado com ilicitude, culpa e reparação.</p><p>Quem é chamado à responsabilidade transgrediu uma ordem estabelecida</p><p>por leis, normas ou valores, é forçado a encontrar explicações para sua con-</p><p>duta e submete-se a decisões superiores (MARTINS-COSTA; LUDWIG, 2009).</p><p>As responsabilidades bioéticas no Brasil estão intrinsicamente associadas aos</p><p>princípios e diretrizes que regem o SUS. Podemos dizer isso, pois ambas fo-</p><p>ram estruturadas e implementadas no país da década de 1990.</p><p>O Sistema Único de Saúde (SUS), também chamada de “Lei Orgânica da Saú-</p><p>de”, é a tradução prática do princípio constitucional da saúde como direito de</p><p>todos e dever do Estado e estabelece, no seu artigo 7o, que “as ações e servi-</p><p>ços públicos de saúde e os serviços privados contratados ou conveniados que</p><p>21</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>integram o Sistema Único de Saúde (SUS) são desenvolvidos de acordo com</p><p>as diretrizes previstas no art. 198 da Constituição Federal, (Brasil. Lei n. 8080),</p><p>obedecendo ainda aos seguintes princípios:</p><p>Princípio 1</p><p>Universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de</p><p>assistência;</p><p>Princípio 2</p><p>Integralidade de assistência, entendida como conjunto articulado e</p><p>contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e</p><p>coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade</p><p>do sistema;</p><p>Princípio 3</p><p>Preservação da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade</p><p>física e moral;</p><p>Princípio 4</p><p>Igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de</p><p>qualquer espécie;</p><p>Princípio 5</p><p>Direito à informação, às pessoas assistidas, sobre sua saúde;</p><p>Princípio 6</p><p>Divulgação de informações quanto ao potencial dos serviços de saúde</p><p>e a sua utilização pelo usuário;</p><p>22</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>Princípio 7</p><p>Utilização da epidemiologia para o estabelecimento de prioridades, a</p><p>alocação de recursos e a orientação programática;</p><p>Princípio 8</p><p>Participação da comunidade;</p><p>Princípio 9</p><p>Descentralização político-administrativa, com direção única em cada</p><p>esfera de governo: a) ênfase na descentralização dos serviços para os</p><p>municípios; b) regionalização e hierarquização da rede de serviços de</p><p>saúde;</p><p>Princípio 10</p><p>Integração em nível executivo das ações de saúde, meio ambiente e</p><p>saneamento básico;</p><p>Princípio 11</p><p>Conjugação dos recursos financeiros, tecnológicos, materiais e</p><p>humanos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios</p><p>na prestação de serviços de assistência à saúde da população;</p><p>Princípio 12</p><p>Capacidade de resolução dos serviços em todos os níveis de</p><p>assistência; e</p><p>23</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>Princípio 13</p><p>Organização dos serviços públicos de modo a evitar duplicidade de</p><p>meios para fins idênticos.</p><p>1.2.3 PRINCÍPIOS BÁSICOS DA BIOÉTICA</p><p>O modelo de análise bioética comumente utilizado e de grande aplicação na</p><p>prática clínica na maioria dos países é o “principialista”, introduzido por</p><p>Beauchamp e Childress, em 1989.</p><p>Os�princípios,� as� regras� e� os� direitos� precisam� ser,� além�de� especificados,�</p><p>ponderados. Os princípios (e coisas do gênero) nos orientam para certas</p><p>formas�de�comportamento;�porém,�por�si�mesmos,�eles�não�resolvem�conflitos�</p><p>de� princípios.� Enquanto� a� especificação� promove� um� desenvolvimento�</p><p>substantivo�da�significação�e�do�escopo�de�normas,�a�ponderação�consiste�</p><p>na deliberação e na formulação de juízos acerca dos pesos relativos das</p><p>normas. (BEAUCHAMP; CHILDRESS, 2002, p. 299).</p><p>O princípio da autonomia</p><p>Requer que os indivíduos capacitados de deliberarem sobre suas</p><p>escolhas pessoais, devam ser tratados com respeito pela sua</p><p>capacidade de decisão. Esses têm o direito de decidir sobre as</p><p>questões relacionadas ao seu corpo e à sua vida. Quaisquer atos</p><p>médicos devem ser autorizados pelo paciente;</p><p>O princípio da beneficência</p><p>Diz respeito à obrigação ética de maximizar o benefício e minimizar</p><p>o prejuízo. O profissional deve ter a maior convicção e informação</p><p>técnicas possíveis que assegurem ser o ato benéfico ao paciente (ação</p><p>que faz o bem);</p><p>Exemplo</p><p>Em um paciente com</p><p>risco iminente de vida,</p><p>justifica-se a aplicação de</p><p>medidas salvadoras (diálise,</p><p>amputação, histerectomia,</p><p>ventilação assistida,</p><p>transplantes etc.) mesmo que</p><p>tragam consigo algum grau</p><p>de sofrimento, prevalecendo</p><p>assim o princípio da</p><p>beneficência sobre o da não-</p><p>maleficência. O primeiro</p><p>objetivo neste momento é a</p><p>preservação da vida.</p><p>24</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>Princípio 13</p><p>Organização dos serviços públicos de modo a evitar duplicidade de</p><p>meios para fins idênticos.</p><p>1.2.3 PRINCÍPIOS BÁSICOS DA BIOÉTICA</p><p>O modelo de análise bioética comumente utilizado e de grande aplicação na</p><p>prática clínica na maioria dos países é o “principialista”, introduzido por</p><p>Beauchamp e Childress, em 1989.</p><p>Os�princípios,� as� regras� e� os� direitos� precisam� ser,� além�de� especificados,�</p><p>ponderados. Os princípios (e coisas do gênero) nos orientam para certas</p><p>formas�de�comportamento;�porém,�por�si�mesmos,�eles�não�resolvem�conflitos�</p><p>de� princípios.� Enquanto� a� especificação� promove� um� desenvolvimento�</p><p>substantivo�da�significação�e�do�escopo�de�normas,�a�ponderação�consiste�</p><p>na deliberação e na formulação de juízos acerca dos pesos relativos das</p><p>normas. (BEAUCHAMP; CHILDRESS, 2002, p. 299).</p><p>O princípio da autonomia</p><p>Requer que os indivíduos capacitados de deliberarem sobre suas</p><p>escolhas pessoais, devam ser tratados com respeito pela sua</p><p>capacidade de decisão. Esses têm o direito de decidir sobre as</p><p>questões relacionadas ao seu corpo e à sua vida. Quaisquer atos</p><p>médicos devem ser autorizados pelo paciente;</p><p>O princípio da beneficência</p><p>Diz respeito à obrigação ética de maximizar o benefício e minimizar</p><p>o prejuízo. O profissional deve ter a maior convicção e informação</p><p>técnicas possíveis que assegurem ser o ato benéfico ao paciente (ação</p><p>que faz o bem);</p><p>Exemplo</p><p>Em um paciente com</p><p>risco iminente de vida,</p><p>justifica-se a aplicação de</p><p>medidas salvadoras (diálise,</p><p>amputação, histerectomia,</p><p>ventilação assistida,</p><p>transplantes etc.) mesmo que</p><p>tragam consigo algum grau</p><p>de sofrimento, prevalecendo</p><p>assim o princípio da</p><p>beneficência sobre o da não-</p><p>maleficência. O primeiro</p><p>objetivo neste momento é a</p><p>preservação da vida.</p><p>O princípio da não-maleficência</p><p>Esse, estabelece que a ação do médico sempre deve causar o menor</p><p>prejuízo ou agravos à saúde do paciente (ação que não faz o mal).</p><p>A finalidade é reduzir os efeitos adversos ou indesejáveis das ações</p><p>diagnósticas e terapêuticas no ser humano;</p><p>O princípio da justiça</p><p>Estabelece como condição fundamental a equidade, ou seja,</p><p>obrigação ética de tratar cada indivíduo conforme o que é</p><p>moralmente correto e adequado, de dar a cada um o que lhe é devido.</p><p>Os profissionais da saúde devem atuar com imparcialidade, evitando</p><p>ao máximo que aspectos sociais, culturais, religiosos, financeiros ou</p><p>outros</p><p>interfiram na relação profissional-paciente. Os recursos devem</p><p>ser equilibradamente distribuídos, com o objetivo de alcançar, com</p><p>melhor eficácia, o maior número de pessoas assistidas.</p><p>Em relação à criança ou indivíduos men-</p><p>talmente incapazes, o princípio da auto-</p><p>nomia deve ser exercido pela família ou</p><p>responsável legal. Entretanto, estes não</p><p>têm o direito de forçá-las a receber tra-</p><p>tamentos e/ou intervenções nocivos ou</p><p>desproporcionalmente penosos, às ve-</p><p>zes, por motivos religiosos. Consequen-</p><p>temente, os profissionais devem intervir</p><p>ou negar-se a adotar condutas especí-</p><p>ficas quando as decisões dos pais ou</p><p>responsáveis legais forem contrárias aos</p><p>melhores interesses da criança.</p><p>Os princípios bioéticos estabelecem pa-</p><p>drões que orientam, guiam e avaliam</p><p>condutas, enquanto não são sobrepos-</p><p>tos pela alegação de fatos ou argumen-</p><p>tos dos quais, novamente, resulta prima</p><p>facie um bem maior, mais útil, mais jus-</p><p>25</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>to, e assim por diante. Assegurada a universalidade de seu objeto, a bioética</p><p>não pode furtar-se ao confronto com a diversidade cultural que mundo afora</p><p>determina condutas, sustenta razões, plasma indivíduos e agrega multidões</p><p>(CORRÊA; GARRAFA, 2005).</p><p>ESQUEMA DA BIOÉTICA PRINCIPIALISTA</p><p>PrincipialismoBeneficência Não-maleficência</p><p>Autonomia</p><p>Justiça</p><p>Fonte: Elaborada pelo autor (2020).</p><p>#PraCegoVer:</p><p>Esquema circular demonstrando que a ética principialista funciona em ciclo e não em</p><p>uma hierarquia.</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Uma vez consolidada como ciência, com objeto e métodos não mais restritos</p><p>ao universo da medicina, a bioética fica em condição de hospedar múltiplas</p><p>disciplinas com conteúdo acadêmicos diversos para interagir, na teoria e na</p><p>prática, com as diferentes áreas do conhecimento sem abdicar da identidade,</p><p>refazer objetivos e/ou descartar métodos. Dada sua destinação interdisciplinar,</p><p>a ciência da bioética tem a tarefa de aplicar a pluralidade de seus princípios e</p><p>suas regras às várias frentes de geração, elaboração e administração do saber.</p><p>O progresso intelectual avança com mais rapidez do que o processo moral (éti-</p><p>co). Porém, hoje em dia a bioética ampliou a sua abrangência, gerando inte-</p><p>26</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>resses instituições privadas e públicas. Em razão disto, ganha uma aceitação</p><p>em escala global, em parte como uma tentativa de apresentar sinais de como</p><p>lidar com os novos problemas éticos que o mundo técnico-científico levanta</p><p>ao interferir vida de todos. É possível perceber, com criações de Comissões Na-</p><p>cionais de Bioética, centros de estudos, publicações na área e os congressos</p><p>realizados ou projetados são uma evidência desta amplitude. Observa-se que a</p><p>bioética tem como principais objetivos o respeito e a conservação da dignidade</p><p>da pessoa humana. Ela compreende o estudo das dimensões morais das ciên-</p><p>cias da vida, utilizando diversas metodologias éticas em contexto mais amplo.</p><p>No Brasil, apesar de ser mais recente do que nos Estados Unidos, por exem-</p><p>plo, já possuímos inúmeras iniciativas e estudos sobre este tema. Prova dis-</p><p>so, são os próprios estudos que vão de encontro aos problemas do mundo</p><p>contemporâneo, ou seja, da ciência e da vida, do pedagógico ao jurídico, do</p><p>biológico ao social. Com isso, surge sob vários paradigmas, que tratam das</p><p>questões primordiais ligadas ao início da vida, do desenvolvimento da pessoa,</p><p>como por exemplo, aborto, eutanásia, doação de órgãos, bem como temas</p><p>relacionados com a engenharia genética, ecologia, saúde etc.</p><p>UNIDADE 2</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao final desta</p><p>unidade,</p><p>esperamos que</p><p>seja capaz:</p><p>27</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>> Compreender os</p><p>aspectos éticos e</p><p>jurídicos relativos</p><p>à realização</p><p>de pesquisas</p><p>envolvendo seres</p><p>humanos.</p><p>> Compreender</p><p>os aspectos</p><p>éticos e jurídicos</p><p>que envolvem</p><p>a realização</p><p>de pesquisas</p><p>envolvendo a</p><p>experimentação</p><p>animal.</p><p>28</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>2 BIOÉTICA E PESQUISA</p><p>Olá, pessoal! Bem-vindos a mais uma importante unidade de estudos da dis-</p><p>ciplina de Bioética!</p><p>A partir de agora nossos olhares serão voltados para a bioética e para a pes-</p><p>quisa, buscando compreender os embasamentos éticos e jurídicos que en-</p><p>volvem este importante e amplo campo de estudos.</p><p>Vamos aprofundar nossos conhecimentos acerca das realizações de pesqui-</p><p>sas que ocorrem tanto em seres humanos, quanto em animais, compreender</p><p>quais são os limites para esses experimentos e de que forma eles ocorrem.</p><p>Fiquem atentos para descobrir ainda mais sobre esses importantes assuntos</p><p>que podem ser tema de grandes debates para a atualidade!</p><p>Bons estudos!</p><p>2.1 BIOÉTICA E PESQUISA COM SERES HUMANOS</p><p>2.1.1 CONTEXTO HISTÓRICO E ABORDAGEM</p><p>DOS DOCUMENTOS BÁSICOS DE ÉTICA</p><p>EM PESQUISA: CÓDIGO DE NUREMBERG,</p><p>DECLARAÇÃO DE HELSINQUE E RELATÓRIO</p><p>BELMONT</p><p>A bioética, como temática de estudo e ciência qualitativa na área da filosofia,</p><p>direito e saúde, tem o seu início no Brasil durante a década de 1990. Isso se</p><p>decorreu no contexto da redemocratização do país, em que se observou o</p><p>aumento do debate sobre direitos individuais, sociais, e também as questões</p><p>de ética em saúde pública.</p><p>Ao falar de ética na medicina ou em pesquisa com seres humanos temos</p><p>que recuperar alguns fatos que marcaram a história e deram início à regula-</p><p>mentação da experimentação com humanos. Dentre os documentos básicos</p><p>sobre a ética podemos citar o Código de Nuremberg, a Declaração de Helsin-</p><p>que e o Relatório Belmont, que iremos explorar adiante.</p><p>29</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>O Tribunal de Nuremberg, em 9 de dezembro de 1946, julgou vinte e três pes-</p><p>soas, vinte das quais, médicos que foram considerados criminosos de guerra,</p><p>pelos experimentos realizados em seres humanos, durante a Segunda Guer-</p><p>ra Mundial. Em 19 de agosto de 1947, as sentenças foram divulgadas, e sete</p><p>pessoas foram acusadas e condenados à morte. Com a sentença, também foi</p><p>publicado um documento que ficou conhecido como Código de Nuremberg.</p><p>Esse documento tornou-se um marco na história da humanidade que, pela</p><p>primeira vez, estabeleceu-se um conjunto de recomendações internacionais</p><p>sobre os aspectos éticos envolvidos na pesquisa em seres humanos.</p><p>ASSENTO DOS RÉUS DURANTE O JULGAMENTO DE NUREMBERG</p><p>Fonte: Wikicommons (2020).</p><p>#PraCegoVer:</p><p>Fotografia colorida de uma vista superior do banco de réus do tribunal de Nuremberg.</p><p>O documento estabelece que um indivíduo dotado de plena capacidade de</p><p>tomada de decisões precisa ter os seus desejos respeitados. O pesquisador,</p><p>por sua vez, deve proteger os interesses do seu paciente.</p><p>Além disso, o Código de Nuremberg (SHUSTER, 1997), aborda outros princí-</p><p>pios, que podem ser observados abaixo:</p><p>30</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>1. O consentimento voluntário do ser humano é absolutamente</p><p>essencial.</p><p>2. O experimento deve ser tal que produza resultados vantajosos para</p><p>a sociedade, que não possam ser buscados por outros métodos</p><p>de estudo, mas não podem ser feitos de maneira casuística ou</p><p>desnecessariamente.</p><p>3. O experimento deve ser baseado em resultados de experimentação</p><p>com animais e no conhecimento da evolução da doença ou outros</p><p>problemas em estudo; dessa maneira, os resultados já conhecidos</p><p>justificam a condição do experimento.</p><p>4. O experimento deve ser conduzido de maneira a evitar todo</p><p>sofrimento e danos desnecessários, quer físicos, quer mentais.</p><p>5. Não deve ser conduzido nenhum experimento quando existirem</p><p>razões para acreditar que possa ocorrer morte ou invalidez</p><p>permanente; exceto, talvez, quando o próprio médico pesquisador</p><p>se submeter ao experimento.</p><p>6.</p><p>O grau de risco aceitável deve ser limitado pela importância do</p><p>problema que o pesquisador se propõe resolver.</p><p>7. Devem ser tomados cuidados especiais para proteger o</p><p>participante do experimento de qualquer possibilidade de dano,</p><p>invalidez ou morte, mesmo que remota.</p><p>8. O experimento deve ser conduzido apenas por pessoas</p><p>cientificamente qualificadas.</p><p>9. O participante do experimento deve ter a liberdade de retirar-se no</p><p>decorrer do experimento.</p><p>10. O pesquisador deve estar preparado para suspender os</p><p>procedimentos experimentais em qualquer estágio, se ele tiver</p><p>motivos razoáveis para acreditar que a continuação do experimento</p><p>provavelmente causará danos, invalidez ou morte para os</p><p>participantes.</p><p>Infelizmente o Código de Nuremberg não obteve tanto sucesso quanto espe-</p><p>rado. A mídia não deu a devida atenção ao assunto e os médicos e cientistas</p><p>acharam que este código somente se aplicava aos condenados pelos crimes</p><p>que ocorreram durante a Segunda Guerra Mundial. Então até a década de</p><p>1970, os aspectos éticos em torno da pesquisa clínica com seres humanos ain-</p><p>da eram muito negligenciados (DINIZ; CORRÊA, 2001).</p><p>31</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>[...] o julgamento dos médicos nazistas em Nuremberg recebeu pouca</p><p>cobertura da imprensa e, antes da década de 70, o próprio código raramente</p><p>era citado ou discutido nas revistas médicas. Pesquisadores e clínicos</p><p>americanos aparentemente consideravam Nuremberg irrelevante para seu</p><p>próprio trabalho [...] (ROTHMAN, 1991, p. 62).</p><p>Em 1964, a Associação Médica Mundial (AMM), um órgão regulador das as-</p><p>sociações médicas internacionais, publicou a Declaração de Helsinque, um</p><p>documento que não possui poderes legais ou normativos, mas que, pelo con-</p><p>senso conquistado, é uma referência ética importante para a regulamenta-</p><p>ção de pesquisas médicas envolvendo seres humanos (DINIZ, 2005).</p><p>A declaração de Helsinque traz em seu conteúdo alguns princípios a serem</p><p>considerados ao conduzir uma pesquisa com seres humanos. Tendo 12 princí-</p><p>pios, em resumo, o documento preza em primeiro lugar que a pesquisa bio-</p><p>médica deve seguir uma hierarquia de ensaios, in vitro, in vivo e depois trans-</p><p>lacionar para humanos. Somente profissionais cientificamente treinados</p><p>devem conduzir pesquisas com humanos. Em qualquer pesquisa com seres</p><p>humanos, cada participante em potencial deve ser adequadamente informa-</p><p>do sobre os objetivos, métodos, benefícios previstos e potenciais perigos e</p><p>incômodos que o experimento possa acarretar. Deve ser informado de que é</p><p>livre para retirar seu consentimento em participar, a qualquer momento</p><p>(AMM,1964).</p><p>Como abordado anteriormente, o Rela-</p><p>tório Belmont foi essencial para o desen-</p><p>volvimento da bioética mundial (LEONE;</p><p>PRIVITERA; CUNHA, 2001). Publicado por</p><p>Van Potter em 1978, esse relatório tinha</p><p>como objetivo analisar princípios ético</p><p>básicos que possam nortear pesquisas</p><p>com seres humanos e desenvolver pro-</p><p>tocolos técnicos, garantindo que a pes-</p><p>quisa seja administrada e aplicada diante</p><p>tais princípios. Dentre os princípios cita-</p><p>dos no relatório devemos citar os quatro</p><p>mais importantes: Respeito à autonomia,</p><p>beneficência, justiça e não maleficência</p><p>(BEAUCHAMP; CHILDRESS, 2002).</p><p>Saiba Mais</p><p>Para acessar a Declaração de</p><p>Helsinque na íntegra e ver as</p><p>suas modificações, desde a</p><p>primeira publicação, acesse o</p><p>link aqui.</p><p>https://www.ifgoiano.edu.br/home/images/Documentos/Pesquisa/CEP/DECLARAO-DE-HELSINQUE.pdf</p><p>32</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>O princípio da autonomia</p><p>O indivíduo, desde que com plena capacidade e consciência, possui o</p><p>direito de decidir sobre as questões relacionadas ao seu corpo e à sua</p><p>vida. Quaisquer atos médicos devem ser autorizados pelo paciente, ou</p><p>em alguns casos pelo responsável legal.</p><p>O princípio da beneficência</p><p>Diz respeito à obrigação ética de prevalecer o benefício em detrimento</p><p>ao prejuízo. Dessa forma, o pesquisador ou médico necessita sempre</p><p>prezar pela preservação da saúde do paciente.</p><p>O princípio da não-maleficência</p><p>Tem por objetivo reduzir ao máximo os danos causados à saúde e a</p><p>moral dos indivíduos.</p><p>O princípio da justiça</p><p>Tem por finalidade garantir a equidade. A obrigação ética de tratar</p><p>cada indivíduo com o que é moralmente adequado, oferecer o que é</p><p>necessário dentro da individualidade do paciente. O profissional da</p><p>saúde deve atuar de forma imparcial.</p><p>2.2 ASPECTOS CONCEITUAIS SOBRE OS TIPOS DE</p><p>PESQUISA EM SERES HUMANOS</p><p>A pesquisa científica pode ser definida como uma classe de atividades cujo</p><p>objetivo é desenvolver ou contribuir para o conhecimento generalizável. O</p><p>conhecimento generalizável consiste em teorias, relações ou princípios ou no</p><p>acúmulo de informações sobre as quais estão baseados, que possam ser cor-</p><p>roborados por métodos científicos aceitos de observação e inferência (Reso-</p><p>lução 196/96 item II).</p><p>33</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>PESQUISA CIENTÍFICA</p><p>Fonte: Plataforma Deduca (2021).</p><p>#PraCegoVer: Imagem de um homem com jaleco branco, representando um cientista,</p><p>manuseando equipamentos de laboratório, caracterizando a pesquisa científica.</p><p>Podemos citar três que são muito frequentes na área da saúde: pesquisas</p><p>epidemiológicas, pesquisas de comportamento, atitudes e crenças e os testes</p><p>de novos remédios e procedimentos.</p><p>Pesquisas Epidemiológicas</p><p>São estudos que têm como objetivo a produção do conhecimento</p><p>sobre as características dos agravos de saúde na população.</p><p>Geralmente utilizam dados secundários, tais como documentos,</p><p>declarações de óbito, fichas produzidas pelos próprios serviços de</p><p>saúde, prontuários médicos, ou até mesmo artigos publicados em</p><p>revistas científicas.</p><p>34</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>Pesquisa sobre comportamento, atitudes e crenças</p><p>Buscam entender a maneira como as pessoas vivem, como agem</p><p>e o que pensam sobre determinada temática, que seria o objeto do</p><p>estudo. O contato entre a equipe de pesquisa e os participantes ocorre</p><p>por meio de entrevistas, grupos de discussão ou questionários.</p><p>Testes de novos remédios e procedimentos</p><p>Esses estudos são pagos frequentemente pelos laboratórios</p><p>farmacêuticos, que possuem como objetivo a testagem de novos</p><p>medicamentos. Nessas pesquisas, a equipe de profissionais</p><p>possui contato com os participantes que, geralmente, passam por</p><p>procedimentos médicos e laboratoriais, antes e após a utilização do</p><p>novo medicamento, para avaliar o efeito da substância.</p><p>A epidemiologia contribui com o desenvolvimento de diferentes metodolo-</p><p>gias de pesquisa, com a finalidade de responder a perguntas clínicas. O co-</p><p>nhecimento adequado desses delineamentos de pesquisa é fundamental</p><p>no planejamento de uma pesquisa, e também na leitura e na interpretação</p><p>dos estudos, para as quais recomendamos revisões recentes sobre o assunto</p><p>(BUEHLER; et al., 2009)</p><p>De acordo com Nedel e Silveira, 2009, podemos classificar os estudos epide-</p><p>miológicos das seguintes formas:</p><p>Ensaio clínico randomizado (ECR)</p><p>Estudo intervencionista e prospectivo. Os participantes devem ter a</p><p>mesma oportunidade de receber, ou não, a intervenção proposta e</p><p>esses grupos devem ser os mais parecidos possíveis, de forma que a</p><p>única diferença entre eles seja a intervenção em si, podendo-se, assim,</p><p>avaliar o impacto na ocorrência do desfecho em um grupo sobre o</p><p>outro. É o padrão de excelência em estudos que pretendem avaliar o</p><p>efeito de uma intervenção no curso de uma situação clínica.</p><p>35</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Ensaio clínico não randomizado (quase experimental)</p><p>Neste tipo de estudo há um grupo intervenção e um grupo controle,</p><p>mas a designação dos participantes para cada grupo não se dá de</p><p>forma aleatória,</p><p>como no ECR, mas conveniência do pesquisador.</p><p>Estudos de prevalência (transversais)</p><p>As mensurações dos fatores de risco e dos desfechos analisados</p><p>ocorrem em um mesmo momento, concomitantemente, não</p><p>podendo inferir no que veio primeiro (exposição ou desfecho).</p><p>Caso-controle</p><p>Observacional, longitudinal e retrospectivo. Seleciona-se uma</p><p>população com determinado desfecho de interesse (casos) e</p><p>outra, semelhante ao primeiro grupo, sem o desfecho de interesse</p><p>(controles). Comparando-se os dois grupos, avaliam-se os fatores que</p><p>poderiam estar relacionados à ocorrência do desfecho pesquisado.</p><p>Estudos de coorte</p><p>Observacional longitudinal, prospectivo ou retrospectivo. Selecionam-</p><p>se populações exposta e não exposta a determinado fator, fazendo seu</p><p>acompanhamento por um determinado período de tempo, ao final do</p><p>qual deve ser analisado o efeito do fator de exposição no aparecimento</p><p>do desfecho.</p><p>Revisão sistemática com metanálise</p><p>O objeto de análise deixa de ser os pacientes e passa a ser as pesquisas</p><p>já realizadas anteriormente sobre determinado objeto de pesquisa.</p><p>Os trabalhos originais publicados na literatura são revisados e</p><p>selecionados de maneira sistemática, e os resultados deles podem</p><p>ser sumarizados sob um único parâmetro de magnitude de efeito (a</p><p>metanálise).</p><p>36</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>2.3 ASPECTOS JURÍDICOS NACIONAIS E</p><p>INTERNACIONAIS EM RELAÇÃO ÀS PESQUISAS</p><p>COM SERES HUMANOS</p><p>Um dos vários modelos utilizados em Bioética é o modelo principialista. Este</p><p>serve de fundamentação à vários documentos internacionais e, no Brasil, à</p><p>Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que regulamenta a</p><p>pesquisa em seres humanos no país.</p><p>Essa é a resolução que dá as diretrizes e normas reguladoras para pesquisa</p><p>com seres humanos no Brasil. Ela foi elaborada por um grupo de pessoas</p><p>com diferentes profissões, inclusive com representantes de usuários. É neste</p><p>documento que está descrito o funcio-</p><p>namento da Comissão Nacional de Ética</p><p>em Pesquisa (CONEP), dos Comitês de</p><p>Ética em Pesquisa (CEP) e os princípios</p><p>que devem ser respeitados em todas as</p><p>pesquisas que envolvem seres humanos</p><p>(BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho</p><p>Nacional de Saúde. Resolução n. 196, de</p><p>10 out. 1996).</p><p>Além da Resolução 196/96, o Conselho</p><p>Nacional de Saúde aprovou as seguintes</p><p>resoluções complementares:</p><p>Resolução CNS n. 240, de 5 de junho de 1997</p><p>Considerando�a�necessidade�de�definição�do�termo�“usuários”�</p><p>para efeito de participação nos comitês de ética em pesquisa das</p><p>instituições.</p><p>Resolução CNS n. 251, de 7 de agosto de 1997</p><p>Aprova normas de pesquisa envolvendo seres humanos para a área</p><p>temática de pesquisa com novos fármacos, medicamentos, vacinas e</p><p>testes diagnóstico.</p><p>Saiba Mais</p><p>Quer ter acesso integral à</p><p>resolução nº. 196/96? Acesse</p><p>aqui o link.</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/1996/res0196_10_10_1996.html</p><p>37</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Resolução CNS n. 292, de 8 de julho de 1999</p><p>Pesquisas coordenadas do exterior ou com participação estrangeira</p><p>e pesquisas que envolvam remessa de material biológico para o</p><p>exterior.</p><p>Resolução n. 301, de 16 de março de 2000</p><p>Contempla o posicionamento do CNS e CONEP contrário a</p><p>modificações�da�Declaração�de�Helsinque.</p><p>Resolução CNS n. 303, de 6 de junho de 2000</p><p>Reprodução humana.</p><p>Resolução CNS n. 304, de 9 de agosto de 2000</p><p>Populações indígenas. Resolução CNS n. 340, de 8 de julho de 2004</p><p>– Diretrizes para a Análise Ética e Tramitação do Projetos de Pesquisa</p><p>da Área Temática Especial de Genética humana.</p><p>Resolução CNS n. 346, de 13 de janeiro de 2005</p><p>tramitação de projetos de pesquisa multicêntricos no sistema</p><p>Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs) e (CONEP).</p><p>Resolução CNS n. 347, de 13 de janeiro de 2005</p><p>Aprova as diretrizes para análise ética de projetos de pesquisa</p><p>que envolva armazenamento de materiais ou uso de materiais</p><p>armazenados em pesquisas anteriores.</p><p>38</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>Resolução CNS n. 370, de 8 de março de 2007</p><p>O registro e credenciamento ou renovação de registro e</p><p>credenciamento do CEP.</p><p>Resolução CNS n.404, de 1 de agosto de 2008</p><p>Declaração de Helsinque.</p><p>Resolução CNS n.421, de 18 de junho de 2009</p><p>Reestrutura a composição da Comissão Nacional de Ética em</p><p>Pesquisa – CONEP.</p><p>Por mais de uma década a resolução196/96 do Conselho Nacional de Saúde</p><p>(CSN) foi o Norte para a bioética na saúde e condução de ensaios clínicos no</p><p>Brasil. Porém em 12 de setembro de 2011, por meio de coletas de sugestões via</p><p>eletrônica e correios a resolução sofreu modificações. As sugestões em ques-</p><p>tão foram submetidas a uma análise técnica no Encontro Nacional dos Comitês</p><p>de Ética em pesquisa (ENCEP), que posteriormente enviaram suas considera-</p><p>ções ao CSN. O Conselho Nacional de Saúde, em reunião em plenário, decidiu</p><p>pela revogação das resoluções 196/96, 303/2000 e 404/2008. Isso ocorreu no</p><p>dia 12 de setembro de 2012. Todas as resoluções revogadas foram substituídas</p><p>pela nova resolução n.466, que entrou em vigor a partir de 13 de junho de 2013.</p><p>O recente documento tem um caráter mais ético pois leva em consideração</p><p>os princípios básicos da bioética como o respeito a autonomia, justiça, benefi-</p><p>cência e não maleficência. Com isso deu-se a entender e a garantir os deveres</p><p>que a comunidade científica tem para com a sociedade e com os participan-</p><p>tes de pesquisa.</p><p>Saiba Mais</p><p>Quer ter acesso a integral à</p><p>resolução n. 466/12 e explorar</p><p>mais o seu conteúdo? Acesse</p><p>o link aqui.</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/2013/res0466_12_12_2012.html</p><p>39</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>2.4 BIOÉTICA E PESQUISA COM ANIMAIS</p><p>2.4.1 CONTEXTO HISTÓRICO</p><p>Investigações na área da saúde tem embasamento teórico nos pensamen-</p><p>tos de Hipócrates (450 a.C.), Aristóteles (384-322 a.C.) e Galeno (201-131 a.C.)</p><p>precursores da análise entre órgão de humanos e animais. Talvez a primeira</p><p>pesquisa científica foi desenvolvida por William Harvey publicada em 1638</p><p>que diz respeito a circulação sanguínea em mais de 80 espécies (RAYMUN-</p><p>DO; GOLDIM, 2006).</p><p>BUSTO DE ARISTÓTELES</p><p>Fonte: Wikicommons (2020).</p><p>#PraCegoVer: Cópia romana do busto de Aristóteles esculpido por Líspio, artista grego do</p><p>século IV a.C.</p><p>A utilização de modelos animais na ciência possibilitou muitos avanços na</p><p>área biomédica. Por muitos anos pouco se questionou sobre a ética em ex-</p><p>perimentação animal, que até então eram usados de forma indiscriminada.</p><p>No século XIX surgiram os primeiros movimentos organizados em favor dos</p><p>direitos dos animais. A Inglaterra foi pioneira em regulamentar o uso de ani-</p><p>mais em pesquisas científicas (RAYMUNDO; GOLDIM, 2006). O conhecido</p><p>British Cruelty Animal Act, que ocorreu em 1876, resultou em uma emenda</p><p>complementar na Lei relacionada a crueldade aos animais, incluindo o capí-</p><p>tulo 77, que regulamentava os aspectos éticos a serem considerado na utili-</p><p>40</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>zação de animais para a experimentação médica, fisiológica ou científica. O</p><p>trecho da lei britânica pode ser observado na figura a seguir:</p><p>BRITISH CRUELTY ANIMAL ACT</p><p>Fonte: UK Public General Acts (1876).</p><p>#PraCegoVer: Imagem do capítulo 77 da lei sobre crueldade aos animais que</p><p>regulamentava os aspectos éticos a serem considerado na utilização de animais para a</p><p>experimentação médica, fisiológica ou científica.</p><p>O princípio dos 3Rs (do inglês: Replacement, Reduction and Refinement),</p><p>criado por Russell and Burch em 1959 tem como premissa uma pesquisa hu-</p><p>manitária para os animais. Com o passar dos anos, estes princípios foram in-</p><p>corporados em algumas leis que regulamentam a utilização de animais para</p><p>pesquisa científica.</p><p>Os princípios dos 3Rs são a substituição, redução e refina-</p><p>mento, e as suas definições podem ser observadas a seguir.</p><p>1 Replacement</p><p>Pode ser traduzido como substituição. Propor uma alternativa a</p><p>experimentação animal, ou seja, se houver possibilidade substituir o</p><p>uso de animais por outra ferramenta.</p><p>41</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>2 Reduction</p><p>sendo traduzido como redução. O pesquisador deve utilizar um</p><p>método que reduza o número de animais usados em experimentos ou</p><p>pesquisas, permitindo, porém, que permita os pesquisadores obter um</p><p>nível comparável de informações de um número menor de animais.</p><p>3 Refinement</p><p>com tradução literal para refinamento. Métodos para minimizar a</p><p>dor, tortura, sofrimento ou danos duradouros que um animal pode</p><p>sofrer. O refinamento se aplica a todos os aspectos do uso de animais,</p><p>incluindo alojamento e criação para procedimentos científicos.</p><p>Exemplos perfeitos incluem o uso de anestésicos e analgésicos</p><p>adequados para evitar o estresse.</p><p>A discussão sobre o uso de animais em experimentação volta em 1975 quando</p><p>Peter Singer publica o livro Animal Libertation. O autor cita que a justificativa</p><p>dos que utilizam animais em pesquisa e dos que aceitam essa prática consis-</p><p>te que os resultados provenientes de um estudo podem auxiliar no avanço e</p><p>entendimento das questões humanas.</p><p>PETER SINGER</p><p>Fonte: Wikicommons (2020).</p><p>#PraCegoVer: Fotografia do filósofo e autor da obra Animal Libertation.</p><p>42</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>2.4.2 ASPECTOS JURÍDICOS NACIONAIS</p><p>No Brasil não havia legislação específica que tratasse da experimentação com</p><p>animal. A primeira norma brasileira sobre animais foi o Decreto n. 16.590, de</p><p>1924, baseado nas normas de países europeus.</p><p>A primeira lei brasileira a tratar de experimentação animal, Lei n. 6.638 foi pu-</p><p>blicada em 1979 e estabeleceu normas para a prática de ensino e científica da</p><p>dissecação de animal vivo. Biotérios e centros de experiências deveriam ser re-</p><p>gistrados. No entanto, apesar de previsão de regulamentação em 90 dias pelo</p><p>Poder Executivo, que não ocorreu, o que resultou na não efetividade da norma.</p><p>A Constituição Federal da República Federativa do Brasil 1988 tem seu</p><p>fundamento na dignidade da pessoa humana, trazendo como direito difuso</p><p>o meio ambiente ecologicamente equilibrado. Especificamente o artigo 225,</p><p>§1º, V I I dispõe que todos t êm direito ao meio ambiente ecologicamente</p><p>equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de</p><p>vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e</p><p>preservá-lo para as presentes e futuras gerações. E para assegurar a efetivi-</p><p>dade desse direito incumbe ao Poder Público, proteger a fauna e a flora, ve-</p><p>dadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológi-</p><p>ca, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade.</p><p>Para entender melhor como os cientistas aplicam</p><p>a ética na experimentação animal, assista ao vídeo,</p><p>clicando aqui.</p><p>Somente após 10 anos da promulgação da constituição de 88 foi publicada</p><p>a Lei de Crime Ambiental (Lei n. 9.605/98) que trouxe como causa de agrava-</p><p>mento de pena se o crime for praticado com emprego de métodos cruéis para</p><p>abate ou captura de animais. Criminalizando por meio dos artigos 31 e 32 as</p><p>condutas: introduzir espécimes no País sem parecer técnico e licença; praticar</p><p>abuso, maus tratos, experiência dolorosa ou cruel em animais vivos, ainda que</p><p>para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.</p><p>https://youtu.be/X8chBWysKFw?t=149</p><p>43</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>O marco regulatório da experimentação</p><p>animal no Brasil aconteceu com a pu-</p><p>blicação da lei Arouca (n. 11.794/2008),</p><p>que regulamentou o inciso VII do §1º do</p><p>Art. 225 da Constituição Federal. Essa</p><p>lei estabeleceu os procedimentos para</p><p>uso científico de animais em atividade</p><p>de ensino e pesquisa. Além disso, criou</p><p>o Conselho Nacional de Controle de Ex-</p><p>perimentação Animal (CONCEA) e as</p><p>Comissões de Ética no Uso de Animais</p><p>(CEUAs). Os direitos e deveres das Co-</p><p>missões de Ética em animais está deter-</p><p>minado no artigo 5º da lei Arouca, con-</p><p>forme descrito a seguir.</p><p>I</p><p>Formular e zelar pelo cumprimento das normas relativas à utilização</p><p>humanitária de animais com finalidade de ensino e pesquisa</p><p>científica;</p><p>II</p><p>Credenciar instituições para criação ou utilização de animais em</p><p>ensino e pesquisa científica;</p><p>III</p><p>Monitorar e avaliar a introdução de técnicas alternativas que</p><p>substituam a utilização de animais em ensino e pesquisa;</p><p>Saiba Mais</p><p>Quer saber mais sobre a lei n.</p><p>9.605/98? Basta acessar o link</p><p>disponível aqui.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm</p><p>44</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>IV</p><p>Estabelecer e rever, periodicamente, as normas para uso e cuidados</p><p>com animais para ensino e pesquisa, em consonância com as</p><p>convenções internacionais das quais o Brasil seja signatário;</p><p>V</p><p>Estabelecer e rever, periodicamente, normas técnicas para instalação</p><p>e funcionamento de centros de criação, de biotérios e de laboratórios</p><p>de experimentação animal, bem como sobre as condições de trabalho</p><p>em tais instalações;</p><p>VI</p><p>Estabelecer e rever, periodicamente, normas para credenciamento de</p><p>instituições que criem ou utilizem animais para ensino e pesquisa;</p><p>VII</p><p>Manter cadastro atualizado dos procedimentos de ensino e pesquisa</p><p>realizados ou em andamento no País, assim como dos pesquisadores,</p><p>a partir de informações remetidas pelas Comissões de Ética no Uso de</p><p>Animais (CEUAs), de que trata o art. 8o desta Lei;</p><p>VIII</p><p>Apreciar e decidir recursos interpostos contra decisões das CEUAs;</p><p>IX</p><p>Elaborar e submeter ao Ministro de Estado da Ciência e Tecnologia,</p><p>para aprovação, o seu regimento interno;</p><p>45</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>X</p><p>Assessorar o Poder Executivo a respeito das atividades de ensino e</p><p>pesquisa tratadas nesta Lei.</p><p>CONCLUSÃO</p><p>A partir da leitura proposta e levando em consideração todo o conteúdo dis-</p><p>cutido, pode-se concluir que o respeito à vida e o respeito às pessoas devem</p><p>prevalecer em todas as esferas, e as pesquisas científicas envolvendo seres</p><p>humanos devem basear-se na justiça. Isso também é benéfico porque é in-</p><p>justo permitir que certas categorias de pessoas (minorias étnicas, prisioneiros,</p><p>pacientes, etc.) aceitem pesquisas simplesmente por causa de sua vulnerabi-</p><p>lidade, fácil acesso ou porque são mais fáceis de manipular. O uso racional de</p><p>seres humanos para pesquisas científicas baseia-se na avaliação cuidadosa</p><p>da relação risco / benefício, que está intimamente relacionada a cada princí-</p><p>pio estudado.</p><p>Os benefícios do uso de animais em pesquisas são inegáveis. Porém, para</p><p>solucionar os problemas relacionados à condução dessas pesquisas, é eficaz</p><p>adotar e seguir os princípios éticos e, por fim, refletir sobre a validade dos re-</p><p>sultados. Combinar os três princípios “R” no estágio de planejamento da pes-</p><p>quisa animal pode disseminar melhor os padrões comportamentais dos ex-</p><p>perimentos com animais na comunidade científica e para toda a sociedade.</p><p>Cada país é responsável por regulamentar as leis que orientam o uso de ani-</p><p>mais em pesquisas, contanto que estejam em consonância com os padrões</p><p>científicos internacionais. No Brasil, a regulamentação final nessa área ainda</p><p>em fase de elaboração, o que dificulta a padronização de procedimentos e,</p><p>principalmente, retarda o cumprimento das normas (e legislações) éticas na</p><p>pesquisa animal.</p><p>UNIDADE 3</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao final desta</p><p>unidade,</p><p>esperamos que</p><p>seja capaz:</p><p>46</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>></p><p>Elucidar os aspectos</p><p>éticos e jurídicos que</p><p>envolvem as pesquisas</p><p>e a comercialização</p><p>de organismos</p><p>geneticamente</p><p>modificados.</p><p>> Compreender os</p><p>aspectos éticos e</p><p>jurídicos que envolvem a</p><p>realização de pesquisas</p><p>envolvendo a utilização</p><p>de embriões humanos</p><p>e os procedimentos de</p><p>reprodução assistida.</p><p>47</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>3 BIOÉTICA: ORGANISMOS</p><p>GENETICAMENTE MODIFICADOS</p><p>E A REPRODUÇÃO HUMANA</p><p>ASSISTIDA</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Esta unidade traz uma abordagem integrada da bioética, destacando os te-</p><p>mas de organismos geneticamente modificados (OGMs) e a reprodução hu-</p><p>mana assistida. Serão apresentados os conceitos de OGMs, sua aplicação na</p><p>indústria e sociedade, bem como os dilemas éticos envolvendo os riscos de</p><p>manipulação e consumo de organismos geneticamente modificados. Para</p><p>melhor caracterizar os aspectos bioéticos envolvendo OGMs, veremos ainda a</p><p>principal legislação internacional e nacional que regula sua produção, comér-</p><p>cio e consumo.</p><p>Essa parte da disciplina também versa sobre a reprodução humana assistida</p><p>e serão apresentadas as principais técnicas amplamente utilizadas na área,</p><p>bem como os dilemas éticos que envolvem a manipulação de gametas e em-</p><p>briões, além das possibilidades que se abrem com as tecnologias inovadoras:</p><p>doação de gametas, cessão temporária de útero e seleção de embriões. Dian-</p><p>te disso, a legislação sobre o tema é fundamental para normatizar e garan-</p><p>tir procedimentos éticos e seguros. No entanto, veremos que ainda existem</p><p>poucas normas internacionais e nacionais sobre o assunto, sendo que vários</p><p>países atuam sem qualquer tipo de regulação.</p><p>Desse modo, esta unidade tem a intenção de proporcionar reflexões sobre os</p><p>aspectos bioéticos envolvendo OGMs e reprodução humana assistida. Espe-</p><p>ramos que seja possível compreender que os avanços tecnológicos trazem</p><p>conflitos éticos que devem ser amplamente discutidos e regulados, a fim de</p><p>garantir a segurança da sociedade e do meio-ambiente.</p><p>48</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>3.1 ORGANISMOS GENETICAMENTE</p><p>MODIFICADOS�(OGMS)</p><p>O advento de avanços tecnológicos em biomedicina nos séculos XX e XXI pro-</p><p>piciaram a manipulação genética e o surgimento de organismos genetica-</p><p>mente modificados, que constituem um importante campo de discussão em</p><p>bioética. Como será apresentado ao longo desta unidade, o uso da engenha-</p><p>ria genética permite a alteração do material genético em laboratório para que</p><p>organismos apresentem características de interesse, seja agronômico ou in-</p><p>dustrial. Tal manipulação genética traz riscos inerentes e, consequentemente,</p><p>dilemas bioéticos envolvendo as vantagens e desvantagens da produção e</p><p>consumo deste tipo de organismo. Por isso, diversas normas internacionais e</p><p>nacionais têm sido aprovadas, a fim de regulamentar a produção, o comércio</p><p>e o consumo de OGMs no mundo.</p><p>3.1.1 O QUE SÃO ORGANISMOS</p><p>GENETICAMENTE MODIFICADOS</p><p>Organismos geneticamente modificados (OGMs) são seres vivos, cujo mate-</p><p>rial genético (DNA ou RNA) tenha sido modificado por qualquer técnica de</p><p>engenharia genética. Os OGMs podem ser obtidos por meio da transgênese</p><p>ou transgenia, que é a manipulação genética em que uma sequência de DNA</p><p>(total ou parcial) de um organismo exógeno transferida para outro organismo</p><p>de espécie distinta do primeiro. São, portanto, variedades que tiveram seu</p><p>genoma alterado, permitindo que o organismo transgênico expresse uma ca-</p><p>racterística relevante desejada, uma vez que determinará a produção de uma</p><p>proteína nova de interesse.</p><p>Exógeno significa aquilo que é externo ao</p><p>organismo, ou seja, que se originou externamente</p><p>ao organismo. É oposto a endógeno, que significa o</p><p>que é interno ao organismo, produzido por ele.</p><p>49</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>Organismos geneticamente modificados não são</p><p>sinônimos de transgênicos. A transgenia é uma das</p><p>técnicas de produção de OGMs, mas existem outras</p><p>técnicas, como a cisgenia, em que a transferência de</p><p>DNA ocorre entre organismos da mesma espécie.</p><p>Essa nova proteína pode conferir vantagens ao ser vivo manipulado geneti-</p><p>camente, como a expressão de características de relevante valor agronômico</p><p>ou industrial. É o caso da soja Roundup Ready, um tipo de semente de soja</p><p>que foi desenvolvida pela Monsanto na década de 1980, resistente a herbici-</p><p>das e à base de glifosato. No Brasil, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agrope-</p><p>cuária, Embrapa, destaca-se como importante local de pesquisa e produção</p><p>de OGMs na agricultura. Um exemplo é o feijão Embrapa 5.1, geneticamente</p><p>modificado para resistência ao mosaico dourado, doença que causa amarele-</p><p>cimento das folhas, nanismo e severa deformação das vagens e grãos (FARIA,</p><p>ARAGÃO, 2013; LIMA, SILVA FILHO, OLIVEIRA, 2018).</p><p>Outra aplicação relevante da transgenia é a geração de micro-organismos</p><p>geneticamente modificados para a produção de proteínas humanas de inte-</p><p>resse na indústria farmacêutica. É o caso da insulina humana recombinante,</p><p>que hoje é produzida por OGMs. Previamente ao surgimento desta tecnolo-</p><p>gia, a indústria farmacêutica utilizava pâncreas de suínos para obter a insu-</p><p>lina que era utilizada em humanos, o que levava a menor especificidade da</p><p>enzima utilizada, além de ser necessária uma quantidade enorme de órgãos</p><p>do animal para a extração da proteína. Atualmente, com o advento da en-</p><p>genharia genética, a indústria farmacêutica utiliza a bactéria Escherichia coli</p><p>geneticamente modificada com a inserção do gene da insulina humana, o</p><p>que permite a produção, em escala industrial, de insulina específica humana.</p><p>Assim, tem-se um produto mais barato e de maior eficácia.</p><p>Portanto, os OGMs são amplamente difundidos na sociedade atual, sendo</p><p>importantes mecanismos biotecnológicos para melhorar a produtividade</p><p>agrícola e industrial. Os OGMs têm permitido o desenvolvimento de plantas</p><p>resistentes a doenças e pragas, com o potencial de tornar a agricultura menos</p><p>dependente de agrotóxicos, além de permitirem a produção de proteínas de</p><p>interesse humano em escala industrial.</p><p>50</p><p>Bioética</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Soja</p><p>Roundup Ready, da Monsanto = tolerante a herbicida.</p><p>Feijão</p><p>Embrapa 5.1, da Embrapa = resistente ao vírus do mosaico dourado do</p><p>feijoeiro.</p><p>Algodão</p><p>Twinlink, da Bayer = resistente a insetos e tolerante a herbicida.</p><p>Milho</p><p>MON89034xMON88017, da Monsanto = resistente a insetos e tolerante</p><p>a herbicida.</p><p>3.1.2 DILEMAS ÉTICOS QUE ENVOLVEM OS</p><p>OGMS</p><p>Desde o começo de sua comercialização, em 1996, a área global de planta-</p><p>ções transgênicas aumentou mais de cinquenta vezes, passando de 1,7 mi-</p><p>lhão de hectares cultivados em seis países para 90 milhões de hectares em</p><p>21 países em 2005 (JAMES, 2005). Além disso, são utilizados OGMs em vários</p><p>outros setores da economia, como na indústria farmacêutica e na produção</p><p>de animais geneticamente modificados em pesquisa científica. Por isso, são</p><p>levantadas diversas questões a respeito da segurança e dos possíveis riscos da</p><p>manipulação, ingestão e liberação de OGMs na natureza.</p><p>A manipulação do genoma de organismos permite o melhoramento na pro-</p><p>dução agroindustrial, a partir da inserção de proteínas de interesse humano.</p><p>Entretanto, além das novas características, os OGMs adquirem um conjunto</p><p>de novas qualidades, advindas tanto da regulação gênica, quanto dos possí-</p><p>51</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Bioética</p><p>veis efeitos secundários da inserção de um gene exógeno no genoma de ou-</p><p>tra espécie. Dessa forma, segundo Costa e Marin (2011), os riscos do consumo</p><p>e produção de OGMs podem ser classificados em três: alimentar, ecológico e</p><p>agrotecnológico.</p><p>O risco alimentar compreende os pos-</p><p>síveis efeitos adversos da ingestão de</p><p>OGMs no</p>

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