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<p>RESUMO DA UNIDADE A presente unidade, "Humanização da Assistência em Saúde", tem como base os Princípios e Diretrizes da Política Nacional de Humanização e seu Desenvolvimento nos Serviços e nas Práticas de Atenção à Saúde em Diversas Esferas. Busca-se apresentar, no primeiro capítulo, a Definição do Conceito de Humanização e o Processo de Construção deste Modo de Cuidar, Gerir e Trabalhar na Area. Para compreender o sentido desta política - que também é uma postura diante do trabalho em saúde é preciso recorrer a outros Conceitos Fundamentais, por exemplo, o Princípio da Transversalidade e o Paradigma Ético-Estético-Politico O segundo capítulo tem como temática central a Política Nacional de Humanização (PNH) e algumas de suas Principais Diretrizes, tais como: Acolhimento, Ambiência, Gestão Participativa, e Valorização do Trabalhador. terceiro e último capítulo pretende destacar outros Princípios da PNH: Protagonismo, Autonomia e Corresponsabilidade; e a forma como estes Conceitos são Desenvolvidos nas Práticas do Trabalho em Saúde. Por fim, busca-se compreender os desafios Inerentes à Relação entre Psicologia e Humanização e a importância da Reflexão Constante em torno deste Novo Modo de Fazer e Pensar o Campo. Palavras-chave: Humanização, Cuidado, Acolhimento, Protagonismo e Saúde.</p><p>ÍNDICE CAPÍTULO 1 - HUMANIZAÇÃO: UM OLHAR ÉTICO - ESTÉTICO - POLÍTICO 1.1. que é Humanização em Saúde? 1.2. Cuidado Humanizado 1.3. O Princípio da Transversalidade 1.4. A Indissociabilidade entre Atenção e Gestão 1.5. Paradigma CAPÍTULO 2- POLÍTICA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO (PNH) 2.1. Método Paideia 2.2. Acolhimento 2.3. Ambiência 2.4. Gestão Participativa e Cogestão 2.5. Valorização do Trabalhador 2.5.1. Saúde do Trabalhador da Saúde: alguns Apontamentos CAPÍTULO 3- PROTAGONISMO E PRODUÇÃO DE SAÚDE 3.1. Protagonismo e Corresponsabilidade 3.2. Psicologia e Humanização 3.3. Saúde da Mulher 3.4. Humanização Hospitalar 3.5. Práticas Humanizadas CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS</p><p>APRESENTAÇÃO DO MÓDULO A Humanização da Saúde é uma temática que envolve o compromisso dos profissionais com as pessoas, a partir de uma relação de cuidado, acolhimento e empatia. Essa atitude humana diante do outro é considerada uma Postura que transforma e potencializa as relações dentro de um serviço de saúde. É a partir da Política Nacional de Humanização (PNH), criada em 2003, que este novo modo de fazer saúde passa a ser reconhecido. Esse novo olhar para a saúde pressupõe que, em primeiro lugar, o usuário é um sujeito que necessita ser cuidado integralmente, respeitado em sua singularidade e reconhecido como parte ativa do processo de produção e promoção da saúde. A Humanização é descrita, no campo da saúde, como uma aposta É uma aposta ética porque envolve a atitude de usuários, gestores e profissionais de saúde comprometidos e corresponsáveis. É estética porque se refere ao processo de produção da saúde e de subjetividades autônomas e protagonistas. E é política porque está associada à organização social e institucional das práticas de atenção e gestão na rede do SUS. (PenseSuS/FIOCRUZ) Nesse sentido, é importante ressaltar que a PNH é "uma Política Pública no SUS voltada para ativação de dispositivos que favoreçam Ações de Humanização no âmbito da atenção e da Gestão da Saúde no Brasil" (Rede Humaniza SUS). De acordo com esta definição, entende-se que é uma política que não se restringe somente os trabalhadores, mas deve orientar todos aqueles que participam do processo de trabalho e da tomada de decisões. Assim, trabalhadores e gestores se alinham aos princípios e diretrizes da PNH para a construção de um trabalho coletivo que seja eficiente e eficaz; que compreenda a vida em sua complexidade e respeite a todos sem qualquer tipo de discriminação. CAMPOS (2005) traz uma importante reflexão acerca da humanização através da problematização do conceito e de uma análise do contexto</p><p>contemporâneo baseado na lógica a produtividade, do desenvolvimento econômico que pouco se atenta às questões humanas e sociais, o que contribui para o esquecimento das pessoas. Segundo o autor: A ordenação do espaço urbano há muito deixou de lado a preocupação com o bem-estar das pessoas. Em saúde é comum à redução de pessoas a objetos a serem manipulados pela clínica ou pela saúde pública. O humano diz respeito ao Sujeito e à centralidade da vida humana. (CAMPOS, 2005, p. 399). Essa é uma questão de grande relevância no campo da Psicologia, que trabalha diretamente com os conteúdos subjetivos e os desdobramentos das condições de vida, dificuldades e sofrimentos relacionados a uma sociedade desigual e excludente. Humanizar a saúde pode parecer uma obviedade, mas é um processo complexo que exige uma abertura das pessoas enquanto agentes da mudança. É uma postura ética que implica na forma como as relações são tecidas no cotidiano do trabalho; é uma transformação na forma de entender a saúde, o funcionamento das instituições e as práticas de trabalho e gestão. Não é uma ação isolada, mas um conjunto de princípios que visam reconhecer a autonomia, o valor e a importância que tem cada neste processo.</p><p>CAPÍTULO 1 - HUMANIZAÇÃO: UM OLHAR ÉTICO - ESTÉTICO - POLÍTICO</p><p>CAPÍTULO 1 - HUMANIZAÇÃO: UM OLHAR "Tornar-se humano pode se transformar em um ideal, e sufocar-se de acréscimos... Ser humano não deveria ser um ideal para o homem que é fatalmente humano, ser humano tem que ser o modo como eu, coisa viva, obedecendo por liberdade ao caminho do que é vivo, sou humana". (Clarice Lispector) 1.1. o que é Humanização em Saúde? A Humanização da Assistência em Saúde é uma temática que abarca desde os conceitos que embasam teoricamente seus princípios e diretrizes até sua aplicabilidade nos serviços orientados pela Política Nacional de Humanização (PNH), através, por exemplo, da Transversalidade e Indissociabilidade entre Atenção e Gestão. A discussão em torno do tema tem suas bases teóricas e metodológicas no cuidado humanizado que orienta os caminhos possíveis para a construção de um trabalho responsável com a vida do outro; e no Paradigma baseado na Filosofia da Diferença e nas formas de produzir uma vida potente, saudável e criativa. Nesse sentido, é importante compreender quais são as mudanças necessárias no enfrentamento do Modelo Hegemônico de Fazer/Pensar a Saúde e quais os desafios a ser superado o processo de implantação deste novo modo de atenção. Assim, compreende-se o sentido da Humanização além de uma politica por representar um conjunto de posturas e ações que visam à desconstrução de um modelo cristalizado pautado em práticas despontecializadoras. Humanizar a saúde transcende as técnicas e procedimentos, pois consiste no ato de sensibilizar o trabalho que é coletivo, nunca isolado, compartilhar os saberes e, principalmente, colocar-se em relação com o outro - reconhecendo suas potencialidades e estimulando sua autonomia.</p><p>Imagem 1. Humanização humanização atenção hospita in enfermagem humanization nacional humanizasus sobre saude health Fonte: Rede Humaniza SUS, 2015 Entende-se por Humanização a valorização dos usuários, trabalhadores e gestores que participam dos processos de produção de saúde. Valorizar os sujeitos é priorizar e estimular a sua autonomia, ampliar sua capacidade de transformação e compartilhar a responsabilidade através da criação de vínculos, da participação coletiva dos modos de fazer e pensar a saúde. Produzindo mudanças nos modos de gerir e cuidar, a PNH estimula a comunicação entre gestores, trabalhadores e usuários para construir processos coletivos de trabalho. A Humanização é um caminho para a desconstrução de práticas desumanizadoras que não contribuem para a autonomia e o protagonismo dos trabalhadores de saúde e dos usuários no cuidado de si. (MINISTÉRIO DA SAÚDE Nesse sentido, Humanização é muito além de um conceito dentro de qualquer arcabouço é, antes de tudo, postura, olhar, forma de fazer e cuidar. É um movimento de repensar práticas cristalizadas no cotidiano dos serviços, que muitas vezes atrapalham o desenvolvimento de um trabalho crítico e potencializado. BENEVIDES e PASSOS (2005, p.390-391) ressaltam a importância de redefinir o conceito de humanização com base na realidade concreta, a partir de uma crítica à idealização do humano. Nesse sentido, entende-se que as 1 Fonte: Site do Ministério da Saúde.</p><p>definições pautadas exclusivamente em dados estatísticos enquadram e limitam a diversidade subjetiva da experiência humana. A ideia de normalidade que essa padronização gera descarta a possibilidade de entender a humanização em toda a complexidade de suas práticas. Segundo os autores: O humano não pode ser baseado ali onde se define a maior incidência dos casos ou onde a curva normal atinge sua cúspide: o homem normal ou o homem-figura-ideal, metro-padrão que não coincide com nenhuma existência concreta (...). Investir na produção de outras formas de interação entre os sujeitos que constituem os sistemas de saúde, deles usufruem e neles se transformam, acolhendo tais atores e fomentando seu protagonismo. Pensar em humanização é escolher atuar através da sensibilidade, do respeito ao direito do outro, da responsabilidade de fazer parte de um coletivo, e não trabalhar isoladamente. De acordo com a Política Nacional de Humanização, este método consiste na "Inclusão das diferenças nos processos de gestão e de cuidado para estimular a produção de novos modos de cuidar e novas formas de organizar o trabalho". (BRASIL, 2013, p.4). SAIBA MAIS! Conheça o Acervo Digital de Humanização disponível na Rede Humaniza SUS. Acesse: http://redehumanizasus.net/acervo-digital-de-humanizacao/ Todas as atitudes que fazem parte da política de humanização possibilitam um conjunto de olhares e ações voltados para a produção de saúde, a começar pelo próprio serviço. Muitas vezes o trabalho torna-se desorganizado, desumanizado, insensível e já não produz saúde em seu espaço de criação. Essa insatisfação passa a atingir todas as esferas do serviço, que vai do usuário à equipe e pode culminar em processos totalmente fragmentados, sem vida, estagnados. Todos os envolvidos se</p><p>despotencializam, pois a prática se transforma em uma operação mecânica, cheia de vícios e limitações. Dessa forma, a PNH é uma política que visa à inclusão e através de seus princípios e diretrizes busca produzir novas formas de singularidades, assim como ampliar as redes de comunicação, suavizando as fronteiras dos saberes e das forças de poder que incidem sobre o trabalho no campo da saúde. A partir desta premissa, compreende-se que: As diretrizes dos processos de formação da PNH se assentam no princípio de que a formação é inseparável dos processos de mudanças, ou seja, que formar é, necessariamente, intervir, e intervir são experimentar em ato as mudanças nas práticas de gestão e de cuidado, na direção da afirmação do SUS como política inclusiva, equitativa, democrática, solidária e capaz de promover e qualificar a vida do povo brasileiro. (BRASIL, 2010, p.8). A Humanização, portanto, vai de encontro com o enfrentamento às diversas formas de desigualdade que assolam a sociedade brasileira e, por esta razão, sua relevância está muito além da institucionalização de uma política. É uma construção coletiva que transpassa as relações cotidianas em quaisquer serviços, práticas ou ações que atravessam os sujeitos por meio de uma experiência subjetiva, social, ativa e produtora de afetos. Humanizar é valorizar tudo o que o outro traz: história, conhecimentos, vivências, anseios, dúvidas. É reconhecer a capacidade, a potência, mas também as limitações, os erros e medos e acolhê-los, num movimento de reciprocidade e respeito às diferenças. DICA DE VÍDEO/ CORDEL Recomendamos o vídeo: "CORDEL Humaniza SUS", uma reflexão em forma de música - sobre o a importância da construção coletiva do SUS. Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=QE8LGFcgshU</p><p>1.2. CUIDADO HUMANIZADO Imagem 2. Cuidado humanizado Fonte: Tribuna do Ceará, 2018 conceito de Cuidado pode ser compreendido aqui a partir de uma perspectiva reflexiva, que constrói valores que orientam positivamente a vida e, principalmente, produção de sentido na relação terapêutica que vai além dos diagnósticos e que se forma na presença das partes envolvidas. Assim, o cuidado não é construído somente por técnicas e conceitos, mas sim na sabedoria prática que busca promover e estimular o cuidado de si a partir de um sentido existencial. (AYRES, 2004). O Cuidado não deve ser pensado a partir de uma relação vertical, na qual o usuário deposita sua "cura" no profissional que, por sua vez, fica responsável pelo processo de restabelecimento da saúde. Ao contrário, o cuidado que humaniza também abre possibilidades para o compartilhamento deste processo de resgate da saúde e do bem estar. A relação equipe-usuário deve ser construída de forma a garantir a autonomia e a responsabilidade de cada um. Dessa forma, o paciente entende que também é um agente de seu próprio cuidado e, por isso, está ativo nesse processo. Humanizar a forma de cuidar, de gerir e trabalhar na saúde é um ato de respeito ao outro, de reconhecer que cada um tem seu espaço e sua importância. O profissional deixa de ser um "oráculo" para se tornar um aprendiz, um facilitador do processo. Isso não significa deixar seu saber de lado ou inferiorizar o aparato científico, ao contrário, é preciso que este saber - antes considerado a verdade absoluta - esteja aberto ao novo, ao imprevisível</p><p>e ao conhecimento do usuário, que não deve ser descartado. De acordo com MOTA et. tal. (2006, p.324) a humanização pode ser compreendida como: (...) estratégia de interferência no processo de produção de saúde, levando em conta que sujeito social, quando mobilizados, é capaz de modificar realidades, transformando-se a si próprio neste mesmo processo. É uma rede de construção permanente de laços de cidadania, de um modo de olhar cada sujeito em sua especificidade, sua história de vida, mas também de olhá- lo como sujeito de um coletivo, sujeito da história de muitas vidas. Imagem 3. Componentes fenomenológicos essenciais da vulnerabilidade em saúde Cuidado Pessoa humana Co-presença Vulnerabilidade Fonte: CESTARI et al., 2017. Nesse sentido, humanizar o cuidado em saúde é ocupar uma posição ativa na transformação e reinvenção de vidas na medida em que cuidar pressupõe também criar formas diversas de olhar para si tanto o usuário quanto o profissional ambos são atores nessa construção de sentido acerca dos modos de viver e entender toda a complexidade presente no processo de produção de saúde. Dentro desta perspectiva, entende-se que: Os processos de produção de saúde se fazem numa rede de relações que, permeadas como são por assimetrias de saber e de poder e por lógicas de fragmentação entre requerem atenção inclusiva para a multiplicidade de condicionantes da saúde que não cabem</p><p>mais na redução do binômio queixa-conduta. (BRASIL, 2010). Desconstruir esse binômio da queixa-conduta é um dos grandes desafios no campo da saúde, uma vez que não é somente o serviço que se transforma, mas também os sujeitos atuantes que fazem parte desta mudança: usuários, trabalhadores, gestores. É preciso compreender que a humanização do cuidado não é constituída por práticas e ações isoladas, baseadas na obrigatoriedade, mas sim, parte de uma transformação em todos os níveis dos serviços de saúde e em cada parte do processo de trabalho. FIQUE LIGADO! Assista ao Vídeo do Canal Humaniza SUS Sobre Práticas de Humanização. "Nove experiências bem sucedidas e inovadoras de humanização no SUS foram reconhecidas pelo Ministério da Saúde por meio do Prêmio #HumanizaSUS. E para mostrar esses casos de sucesso, cinco cineastas foram convidados para viajar pelo Brasil e contar essas histórias". Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=CygobClwKIU Dessa forma, a humanização está além de uma ação específica, pois representa uma desconstrução dos modelos tradicionais de cuidado e tratamento para a reconstrução de um olhar que atenda às complexidades da vida em sociedade. Diante disso, PASCHE & PASSOS (2008, p. 94) faz uma reflexão muito relevante quanto à humanização no Sistema Único de Saúde e expressam: Eis a aposta: reconhecimento da diferença; diferença que fortalece, mas não uma diferença que não difere. Uma diferença que combina, sendo ao mesmo tempo a norma e o desvio dela. Hibridismo, maca contemporânea que reconhece a complexidade dos fenômenos sociais e, portanto, a deficiência e insuficiência de modelos lineares de pensamento, reflexão e intervenção.</p><p>Para a Política Nacional de Humanização: "Humanizar é construir relações que afirmem os valores que orientam nossa política pública de saúde", e, sobretudo, reconhecer o outro como agente produtor de saúde e corresponsável por seus processos de vida. 1.3 o PRINCÍPIO DA TRANSVERSALIDADE A Transversalidade é um princípio da Política de Humanização que remete ao cruzamento dos diferentes modos de saber/fazer saúde a partir de uma relação transversal que visa cruzar as especialidades numa tentativa de quebrar os modelos hegemônicos baseados no serviço fragmentado em que a figura de um profissional pode ser entendida como mais ou menos importante. Dessa forma, a PNH sustenta que: Transversalizar é reconhecer que as diferentes especialidades e práticas de saúde podem conversar com a experiência daquele que é assistido. Juntos, esses saberes podem produzir saúde de forma mais corresponsável. (BRASIL, 2013). Compartilhar os saberes e os modos de fazer é também abrir espaço para o diálogo, para a troca de conhecimentos e, principalmente, romper com as barreiras do tecnicismo das práticas que, muitas vezes, são impostas às pessoas em forma de tratamentos que pouco auxiliam no exercício da autonomia. Sendo assim, é importante ressaltar que o saber trazido pelo usuário é parte fundamental desse mosaico construído coletivamente em torno do processo de saúde-doença. Nas palavras de Boaventura de Sousa Santos: "A complexidade do mundo da vida faz com que o que, de modo relevante, se sabe dele seja sempre uma constelação de saberes. Todo conhecimento é interconhecimento, ecologia de saberes". A partir dessa ideia entende-se que a Transversalidade orienta o trabalho humanizado e fornece recursos para a construção de saberes que contemplem a diversidade e a pluralidade de todos os sujeitos implicados neste processo. É essa constelação, portanto, que constrói o conhecimento através de uma multiplicidade que possibilita a troca no processo coletivo de</p><p>aprendizagem, no compartilhamento de ideias, pensamentos e ações em saúde. Veja abaixo a ilustração sobre temas transversais e as conexões existentes e possíveis entre eles: Imagem 4: Temas Transversais Ética Equidade, solidariedade e cooperação Educação e Trabalho Pluraridade formação Cultural pessoal Temas Transversais Meio Ambiente Saúde - métodos de Diretito de manejo e todos conservação Orientação Sexual Fonte: E-sanar, 2017 1.4. A INDISSOCIABILIDADE ENTRE ATENÇÃO E GESTÃO princípio da Indissociabilidade entre Atenção e Gestão está fundamentado nas ações que visam superar a fragmentação do trabalho no campo da saúde e, principalmente, aproximar os setores que participam de todos os processos do cuidado. A humanização passa também pelo trabalhador e pela gestão, pois sem a integração destes, o trabalho continua</p><p>fragmentado. É preciso que atenção e gestão estejam sintonizadas e compartilhem sua atuação de forma horizontal. De acordo com a PNH: No processo de trabalho os trabalhadores 'usam de si', ou seja, utilizam suas potencialidades de acordo com o que lhes é exigido. A cada situação que se coloca, o trabalhador elabora estratégias que revelam a inteligência que é próprio de todo trabalho humano. Portanto, o trabalhador também é gestor e produtor de saberes e novidades. (BRASIL, 2004, p.7). Dentro desta perspectiva colaborativa e transversal, atenção e gestão são igualmente importantes para um trabalho humanizado, assim como a participação do usuário e seu conhecimento dos outros processos inerentes ao serviço. Assim, o Ministério da Saúde esclarece que "As decisões da gestão interferem diretamente na atenção à saúde. Por isso, trabalhadores e usuários devem buscar conhecer como funciona a gestão dos serviços e da rede de saúde, assim como participar ativamente do processo". (BRASIL, 2013/2019). CAMPOS (2000, p.1) faz uma análise da gestão como instância, lugar e tempo a partir de uma crítica ao modelo hegemônico que legitima a centralização dos modos de gerir. Em suas palavras: "A gestão clássica sempre trabalhou a dimensão do gerir. O gerir como ação sobre as ações dos outros. Assim sendo, fortemente amarrado exercício do poder a gestão tem sido a disciplina do controle, por excelência". FIQUE ATENTO! "O cuidado e a assistência em saúde não se restringem às responsabilidades da equipe de saúde. O usuário e sua rede sócio familiar devem também se corresponsabilizar pelo cuidado de si nos tratamentos, assumindo posição protagonista com relação a sua saúde e a daqueles que lhes são caros". Fonte: BRASIL (2013, p. 6) Nesse sentido, é importante que o trabalho da gestão não seja separado e distante dos trabalhadores e/ou usuários, a fim de romper com a visão</p><p>centralizadora, na qual gestor, trabalhador e usuário não dialogam entre si. Assim, a articulação entre atenção e gestão é necessária para que todos os atores sociais se reconheçam no processo e entendam que também é parte dessa construção. Exemplo disso são as reclamações constantes de que o 'SUS não funciona', o que forma um pensamento coletivo de que os serviços são insuficientes e precários. O Sistema de Saúde Brasileiro é um avanço social, fruto de um processo marcado por mobilização e engajamento daqueles que dele participaram. Faz parte de um longo processo e, por esta razão, ainda está em construção, no sentido de transformar-se cotidianamente pelo contexto no qual está inserido ou pelas pessoas que utilizam o serviço e trabalham no sistema. 1.5. PARADIGMA Pensar as práticas e os serviços de saúde a partir de novos modos de produção e criação da vida faz parte da construção de olhares e posturas críticas aos modelos dominantes de compreender a ciência e o conhecimento. Dessa forma, a Política de Humanização propõe a reconstrução de saberes diversos que dialogam entre si e possibilitem o trabalho em torno de um novo paradigma. De acordo com GUATTARI (1990 apud MUYLAERT, 2012, "O Paradigma Ético-estético-politico coloca-se a serviço das problematizações que os modos de subjetivação instauram na atualidade, nos agenciamentos clínicos inclusive". IMPORTANTE! "Trabalhar é gerir. É gerir junto com os outros". (Cartilha PNH, 2004) A partir deste paradigma pretende-se compreender a complexidade das relações tecidas através dos múltiplos encontros, assim como buscar enxergar o sujeito e suas potencialidades. Assim, ao humanizar as relações no serviço de saúde seja qual for é possível criar novas formas de relacionar-se com o campo gerador de afetos. Nesse sentido, o diálogo não se dá somente entre os</p><p>sujeitos envolvidos, mas também entre estes e os espaços através de novas configurações, novos olhares e recriam o sentido daquele campo social. Com relação a esse paradigma, é possível afirmar: Podemos então, nos deslocar de um paradigma numérico de eficiência, para colocar-se à disposição dos encontros convidativos em devir; desfocar as problemáticas do indivíduo, para a construção de problematizações, coletivas, atentos aos movimentos das singularidades que o compõem instituindo, ao mesmo tempo, suas questões e projetos de ação (...). (MUYLAERT, 2012, p.123). É a responsabilidade ética e política que atravessa o trabalho clínico que deve sustentar-se pelo amor à alteridade, pelo devir e a incerteza criadora que se contrapõe a uma "Clínica da agonia do homem moderno", segundo ROLNIK (1995, p.60). Dessa forma, afirma a autora: "Não há defesa eficaz da vida sem esta mudança em nosso modo de subjetivação, sem esta ruptura com a modernidade sem esta abertura para o estranho- em nós". Imagem 5. Félix Guattari (1930-1992) Fonte: Clinicand, 2019 Fundamentado a partir do pensamento de GUATTARI (1992), o paradigma ético-estético-politico é um posicionamento ativo e criativo diante dos modos de subjetivação que se constituem através do campo das afetações. Estético, pois seus processos de criação atuam como fonte existencial, como "máquina autopoiética", ou seja, como produção de si e não reprodução de formas pré-estabelecidas. Nas palavras do autor: Assim o paradigma estético processual trabalha com os paradigmas científicos e éticos e é por eles trabalhado.</p><p>Ele se instaura transversalmente à tecnociência. (...) O novo paradigma tem implicações ético-políticas porque quem fala em criação, fala em responsabilidade da instância criadora em relação à coisa criada (...) em bifurcação para além de esquemas pré-estabelecidos. GUATTARI (1992, p. 137). De acordo com MUYLAERT (2012, p.128-129), a ética está relacionada com "A vida para qual dizemos sim" e faz parte das "Possibilidades de formas de existencialização que ela pode tomar em seu processo de expansão". A estética diz respeito à existência enquanto possibilidade de criação e recriação, pois: "É a estética que investe o corpo de potência para o acolhimento da alteridade". A política é entendida aqui como "As forças que atuam num campo de subjetivação" e estão diretamente relacionadas com as "Políticas de viver". (Ibidem, p.130). INDICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA Para saber mais sobre o Paradigma e outros conceitos da Filosofia da Diferença, indicamos a seguinte leitura: Caosmose, de Félix Guattari Bons estudos! Para VERDI; FINKLER e MATIAS (2015) as dimensões éticas, estéticas e políticas referem-se, respectivamente, à escuta e transformação como possibilidade de abertura a outros modos de ser; à invenção dos modos de fazer e produção de subjetividades e realidades através dos fluxos criativos; e, por fim, pela luta das forças que atuam no campo social e subjetivo as relações de poder, muitas vezes desumanizantes e as intervenções possíveis construídas pelas problematizações das práticas cotidianas. A existência é compreendida, portanto, não como sujeito, mas como obra de arte, o que faz emergin um pensamento - artista. (DELEUZE, 1992). FERNANDES (2017, p. 18) analisa o pensamento Deleuziano e ressalta o Conceito de Devir como sinônimo dos seguintes termos: linha de fuga e</p><p>desterritorialização. Para ele, tais termos são "Pensados em contraposição à à reprodução, à identificação ou à semelhança. Eles não desejam uma forma, mas, sim são escapes de uma forma dominante". O Conceito de Devir, proposto em Deleuze, sugere uma fuga ativa, isto é, um posicionamento ético, estético e político, um ato revolucionário. Dessa forma, é possível compreender que: Aos que dizem que fugir não é corajoso, responde-se: (...) Só se pode escolher entre dois polos: a contrafuga paranoica que todos os investimentos conformistas, reacionários e fascistizantes e a fuga esquizofrênica convertível em investimento revolucionário. (DELEUZE; GUATTARI, 2011, p. 453 apud FERNANDES, 2017, p.19). Em suma, para compreender a humanização é preciso estar atento à importância de desconstruir o pensamento cristalizado em torno da produção das subjetividades do encontro com o outro. No dia a dia das práticas de trabalho no campo da saúde, muitos desafios ainda estão colocados a todos os atores que participam desse tecido social de relações diversas e singulares. É importante colocar-se como numa postura ativa e criativa, que permanece nos lugares e contribui para seu florescer. Conforme DELEUZE & GUATTARI (1997 pp. 43-45): "O Nômade se distribui num espaço liso, ele ocupa, habita, mantém esse espaço, e aí reside seu princípio territorial. nômade cria o deserto tanto quanto é criado por ele". SAIBA MAIS! Se você quiser saber mais sobre a Filosofia da Diferença, indicamos uma fala de Luis Fuganti, filósofo, pensador nômade da filosofia da diferença e clínico. Nesta palestra ele desenvolve a ideia da criação de si como obra de arte. Vale a pena conferir!</p><p>A Transversalidade, o Cuidado Humanizado, o Olhar Crítico e Ético são possibilidades construídas a partir do trabalho coletivo. Não há receita pronta, tampouco manual de instruções, pois é no percurso que a vida se constrói. É através do diálogo, portanto, que é construído o processo de humanização da saúde, em níveis macro e micropolítico, cujas práticas, saberes e ações atravessam as relações humanas e propiciam os encontros. Para um trabalho humanizado é fundamental a reflexão constante dos modos de pensar/fazer saúde a fim de compreender as dimensões múltiplas da existência humana. É preciso se reinventar enquanto sujeito artista e repensar cotidianamente as formas de ser/estar na vida e nos espaços socialmente compartilhados. Para concluir, algumas questões destacadas abaixo podem ser problematizadas no dia-a-dia do trabalho na área da saúde, sobretudo com relação à atuação do (a) psicólogo (a), a fim de repensar as práticas e produzir possibilidades e caminhos novos, potencializadores de vidas saudáveis. Quais os que habitam em suas práticas? Como fazer das práticas cotidianas uma obra de arte? Quais são as brechas possíveis para a construção do novo? Como construir uma vida criativa e inventiva? Quais encontros atravessam meu dia a dia, meu trabalho e minha vida pessoal? Imagem 6. Deleuze</p><p>"Um pouco de possível senão eu sufoco." Deleuze Fonte: Psicouniverso, 2018 RECAPITULANDO - CAPÍTULO 1 Questões de concursos Questão 1 Ano: 2019 Banca: CEPUERJ Órgão: UERJ Prova: CEPUERJ - 2019 - UERJ Técnico em Enfermagem De acordo com o caderno Humaniza SUS, volume 3 (2011), a central de acolhimento em um pronto-socorro destina-se a: A) Oferecer informações, além de disponibilizar equipamentos, como cadeiras de rodas e macas. B) Direcionar o atendimento, conforme a ordem de chegada, além de restringir o acesso ao médico. C) Organizar o fluxo através de uma avaliação primária, além de acolher os usuários e familiares nas demandas por informações. D) Realizar de imediato a classificação de risco com as cores vermelho, amarelo, verde e azul, além de direcionar para a sala vermelha. Questão 2 Ano: 2016 Banca: UFU-MG Órgão: UFU-MG Prova: UFU-MG - 2016 UFU- MG - Técnico em Enfermagem Por dispositivo, entende-se a atualização das diretrizes de uma política em arranjos de processos de trabalho. Assinale a alternativa que apresenta dispositivo desenvolvido pela Política Nacional de Humanização. A) Visita Aberta e Direito à Acompanhante.</p><p>B) Ordem de chegada do usuário ao serviço de saúde como critério para priorização do atendimento. C)Trabalho em equipe uniprofissional com coordenação de ações centralizadas no gestor municipal de saúde. D) Fluxos de referência para especialidades médicas, com ênfase em medidas curativas e prescritivas. Questão 3 Ano: 2010 Banca: CEPUERJ Órgão: UERJ Prova: CEPUERJ 2010 UERJ Técnico de Enfermagem Um paciente está internado em um hospital e seus familiares sofrem por não conseguirem obter informações sobre seu diagnóstico e tratamento, considerando a Política Nacional de Humanização (PNH), a diretriz específica para o nível de atenção hospitalar mais adequada com o fato acima exposto, é: A) Definir protocolos clínicos, garantindo intervenções necessárias e promovendo acesso à estrutura hospitalar. B) Ampliar o diálogo entre os profissionais, ou seja, entre a enfermagem e a administração, promovendo a gestão participativa. C) Propor mecanismos de escuta para a população, visando ao encaminhamento do paciente e sua família para outras unidades hospitalares. D) Criar equipe multiprofissional de atenção à saúde, para seguimento dos pacientes internados, com horário pactuado para atendimento à família e/ou à sua rede social. Questão 4 Ano: 2018 Banca: Prefeitura de Fortaleza CE Órgão: Prefeitura de Fortaleza CE O Cuidado Humanizado deve estar presente em todos os momentos da vida. Em 2000, foi proposta a construção do Programa Nacional de Humanização Hospitalar com o objetivo de, exceto: A) Melhorar a qualidade e a eficácia da atenção dispensada aos usuários dos hospitais públicos no Brasil. B) Conceber e implantar novas iniciativas de humanização nos hospitais, que venham beneficiar os usuários e os profissionais de C) Implantar iniciativas de humanização nos hospitais, que venham beneficiar os usuários e controlar as ações assistenciais dos profissionais de saúde. D) Capacitar os profissionais dos hospitais para um novo conceito de assistência à saúde, que valorize a vida humana e a cidadania.</p><p>Questão 5 Ano: 2014 Banca: FUNDEP (Gestão de Concursos) Órgão: HRTN MG Prova: FUNDEP (Gestão de Concursos) 2014 HRTN - MG - Enfermeiro Entre os itens abaixo, assinale o que não é considerado pelo Manual Humaniza SUS como marca específica e prioritária na implantação do Programa Nacional de Humanização dentro dos serviços: A) Reduzir filas tempo de espera com ampliação do acesso e atendimento acolhedor e resolutivo, baseado em critério de risco. B) Garantir que todos os usuários do SUS saibam quem são os profissionais que cuidam de sua saúde, e os serviços de saúde se responsabilizará por suas referências territoriais. C) Garantir informação ao usuário, o acompanhamento de pessoas e sua rede social de livre escolha e os direitos de código dos usuários SUS. D) Garantir uma gestão competente, com um grupo fechado em que serão definidos critérios com requisitos mínimos de especialização para cada cargo. E) Nenhuma das alternativas. QUESTÃO DISSERTATIVA (ADAPTADA) Ano: 2017 Banca: CONSULPLAN Órgão: TRF REGIÃO Prova: CONSULPLAN 2017 TRF - REGIÃO Analista Judiciário Enfermagem Em 2003, o Ministério da Saúde criou a Política Nacional de Humanização com o objetivo de efetivar os princípios do Sistema Único de Saúde. Sobre essa política, aponte seus principais objetivos. TREINO INÉDITO De acordo com Paradigma a Saúde deve ser Compreendida como: A) Uma rede de complexidade das relações tecidas através dos múltiplos encontros, assim como buscar enxergar o sujeito e suas potencialidades. B) Um fator biológico e orgânico. C) A base de um sistema centralizado e excludente. D) Apenas fruto de ações isoladas, que não consideram as coletividades. E) Todas as afirmativas estão corretas.</p><p>NA MÍDIA ALIAR HUMANIZAÇÃO E TECNOLOGIA É DESAFIO PARA MERCADO DE SAÚDE Enquanto caminha para a modernização de suas atividades, setor aposta no humano como novo padrão de assistência médica. "Ao que tudo indica, a contradição tem sido marca constante do setor de saúde brasileiro. De um lado, a recente integração da telemedicina às rotinas médicas, bem como as novas terapias, aponta para o uso crescente da tecnologia dentro do segmento. Em outra direção, estruturas precárias, filas enormes e uma gestão distante do paciente refletem um cenário que clama por mais acolhimento". Fonte: Terra Data: 19 mar. 2019 Disponível em: https://www.terra.com.br/noticias/dino/aliar-humanizacao-e- tecnologia-e-desafio-para-o-mercado-de- aude,47b4f5f2e0ad0a2c7635c3e31400f7f90cggfkw5.htm NA PRÁTICA O atendimento a pacientes com algum tipo de sofrimento psíquico traz uma demanda que exige do profissional, especificamente do (a) psicólogo (a) uma Postura Ética-estética-politica que abrange desde o processo de acolhimento até o desenvolvimento do tratamento específico. Em casos de depressão, por exemplo, algumas intervenções podem ser pensadas de acordo com a singularidade de cada usuário. Entre elas, destaca-se a importância do trabalho multiprofissional entre a equipe da Saúde da Família e a equipe de Saúde Mental para que juntas elaborem uma proposta que pode ser contextualizada dentro do território em que o usuário está inserido. Um exemplo disso é trazê-lo para o convívio social e despertar seu interesse em alguma atividade. É possível, por exemplo, valorizar seus saberes e propor uma oficina que o estimule a ter uma rotina e, principalmente, valorize sua capacidade criativa. Com essa nova perspectiva, o usuário pode melhorar sua condição de vida, reduzir suas queixas e, em alguns casos, diminuir as repetidas visitas à</p><p>unidade básica de saúde. Em geral, conclui-se que o sujeito com sintomas depressivos pode se beneficiar muito da convivência com outras pessoas, além de sentir-se vivo e incluído em sua comunidade, o que contribui para o sentimento de pertencimento e para o fortalecimento de vínculos. DICA DE DOCUMENTÁRIO Recomendamos um documentário sobre o Protagonismo na Saúde Mental. Acesse: DICA DE VÍDEO - ENTREVISTA Entrevista com Félix Guattari, filósofo e um dos pensadores da Esquizoanálise. Acesse: FIQUE LIGADO! Recomendamos a palestra: SUS e a humanização da saúde, por Júlia Rocha Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=GE2v0GmESdg</p><p>CAPÍTULO 2 - DIRETRIZES DA POLÍTICA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO</p><p>CAPÍTULO 2- DIRETRIZES DA POLÍTICA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO "Reinventamos maneiras alegres de viver e modos afirmativos de pensar, expressões imediatas de autonomia e liberdade, sem precisar sair do lugar ou imaginar um não lugar, utopos". (Luis Fuganti) 2.1 Método Paideja em Saúde trabalho humanizado requer um enfrentamento cotidiano das práticas dessubjetivantes e alienantes que afastam os atores envolvidos no processo do cuidado. A partir de uma visão humanizada, trabalhador, usuário e gestor se colocam em relação uns com os outros, numa tentativa de aproximação e integração de seus saberes. Compartilhar é também compreender que o outro possui um conhecimento que também importa e deve fazer parte da construção coletiva que permeia todas as práticas em saúde. Nesta perspectiva, a humanização é muito mais do que uma política do Sistema Único de Saúde. Faz parte de um conjunto de ações e práticas para promover saúde da forma mais justa possível, através de um movimento constante de incentivo à autonomia e coletividade. trabalho humanizado não deve ser fragmentado, nem partir de sujeitos isolados e fechados em suas especialidades, ao contrário, humanizar pressupõe integrar e transversalizar as experiências para que todos os participantes sejam parte ativa nas relações de cuidado. FIQUE LIGADO! Recomendamos o vídeo "Trabalho em Saúde", do programa Espa SUS (Canal TVT). Confira: "É no cotidiano acelerado das unidades básicas, ambulatórios e hospitais, que profissionais de diversas áreas, envolvidas no cuidado à saúde, podem identificar problemas e criar soluções para que, através do SUS, qualquer um e todos, tenham direito à saúde". Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=KfTP99HfVJA</p><p>De acordo com o Ministério da Saúde, o Método Paideia é uma forma de trabalho que reconhece a diversidade dos saberes, os afetos e os poderes que permeiam o campo da saúde, com o objetivo de reduzir os efeitos das desigualdades e diferenças nas relações de poder que atravessam as práticas cotidianas, os modos de fazer e gerir o cuidado. Nesta concepção, todos participam das decisões que devem ser compartilhadas e não construídas por um ou outro setor isoladamente. método, além de valorizar as questões subjetivas, as tensões e resistências que atravessam o campo, parte do enfrentamento às relações de trabalho de inclinação taylorista, que consiste na divisão e fragmentação dos processos de trabalho, no treinamento, na padronização e no controle dos trabalhadores. CARACTERÍSTICAS GERAIS DO MÉTODO PAIDEIA (BRASIL, 2016): - Trabalha-se para o outro, para si mesmo e para a instituição. - Todos devem pensar as questões do trabalho gestores, trabalhadores e usuários. - O trabalho como produção de uma obra: o Neoartesanato. - O reconhecimento dos poderes, saberes e afetos que estão em jogo nas relações de trabalho. - A valorização da singularidade e da autonomia. Para FIGUEIREDO e CAMPOS (2014) o Método Paideia tem como objetivo interferir não só na instituição, mas também na consolidação de uma gestão democrática e na capacidade dos sujeitos de decidir, agir e transformar a realidade que os cerca. Dessa forma, espera-se que todos os atores deste</p><p>processo participem ativamente desta construção coletiva. Assim, afirmam os autores: A consolidação de políticas para garantia de cidadania exige outro modelo de educação, que estimule a construção da consciência crítica, da curiosidade criativa e indagadora de um sujeito que reconheça a realidade como mutável e busque transformá-la. (Ibidem, p.932). A ideia de transformação passa, primeiramente, por uma mudança nas formas de pensar e compreender a importância do fazer junto, da construção coletiva, do cuidado humanizado. Para realizar tais mudanças é imprescindível uma postura reflexiva que reveja o modelo de trabalho e, sempre que possível, modifique aquilo que já não cabe mais naquele espaço e/ou que não faça mais sentido para aquelas pessoas. Nesta perspectiva, o trabalho é feito por pessoas e para pessoas, de forma a priorizar a potência que os encontros produzem: afetos, vínculos, criação, resistência, e também resignificar as tensões, as queixas, e as relações arbitrárias de poder. Assim, é possível afirmar que: "O trabalho em saúde se dá essencialmente por meio da relação entre as pessoas. Portanto, a visão de mundo, os valores, a postura ético-política e os afetos do profissional comparecem em suas intervenções". (CAMPOS e FIGUEIREDO, 2014, p. 932). 2.2 Acolhimento De acordo com o dicionário Michaelis, a palavra Acolher significa: 1. Admitir (alguém) em seu convívio; 2. Dar crédito a; dar ouvido a; levar em consideração. Uma das principais discussões em torno do tema consiste na importância de diferenciar acolhimento de triagem. O primeiro termo está relacionado às práticas humanizadas que contribuem para a produção e promoção da saúde dos sujeitos, levando em conta sua demanda e contribuindo para um cuidado mais humano e atento às necessidades do usuário. O segundo termo pode ser entendido como um atendimento inicial, não necessariamente preocupado em desenvolver uma relação de cuidado e convívio. Segundo o Portal do Ministério da Saúde:</p><p>Acolher é reconhecer o que o outro traz como legítima e singular necessidade de saúde. O acolhimento deve comparecer e sustentar a relação entre equipes/serviços e usuários/populações. Como valor das práticas de saúde, o acolhimento é construído de forma coletiva, a partir da análise dos processos de trabalho e tem como objetivo a construção de relações de confiança, compromisso e vínculo entre as equipes/serviços, trabalhador/equipes e usuário com sua rede sócio Diante dessa definição, entende-se que o Acolhimento desmistifica a ideia de atendimento prescritivo e/ou baseado na fragmentação do trabalho, pois sua prática multiprofissional objetiva a valorização dos diversos saberes que formam o campo. Assim, é importante ressaltar que não há local e nem profissional específico para realizar o Acolhimento. trabalho é coletivo, e deve ser pensado e repensado constantemente por todos os envolvidos, pois: A proposta do Acolhimento tem como principal foco atender as necessidades do usuário dos serviços de saúde, privilegiando a organização das ofertas dos serviços a partir das demandas de saúde apresentadas. E, a partir das pessoas que procuram os serviços, vivenciar o cuidado em uma disposição singular, em que profissional e usuário se encontram no cuidado para construir a inclusão, um cuidado compartilhado e indo além, abrindo espaços inclusive para partilhar sobre a organização do próprio serviço. (BRASIL, 2016, p. 8). IMPORTANTE! "Acolhimento é uma diretriz da Política Nacional de Humanização (PNH), que não tem local nem hora certa para acontecer, nem um profissional específico para fazê-lo: faz parte de todos os encontros do serviço de saúde". (Biblioteca Virtual em Saúde Ministério da Saúde, 2008) 2 Fonte: Portal do Ministério da Saúde. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/167acolhimento.html</p><p>É de suma importância entender que o Acolhimento em saúde pressupõe mudanças não somente na organização do trabalho, mas, sobretudo, nas pessoas. São elas que estão cotidianamente construindo estratégias e formas de intervir na realidade, sejam trabalhadores, gestores ou usuários. Todos é parte fundamental na criação de possibilidades de ação no campo da saúde, e junta, podem contribuir para um trabalho mais justo e humano. Acolhimento é, portanto, um ato de inclusão, no sentido de "estar com" e "estar perto", construído através de uma postura ética - estética - política. Ética por ter o compromisso com o outro; estética, pois produz, cria, inventa estratégias e formas de cuidar, gerir e fazer saúde; e, por fim, política que é a base para o trabalho coletivo e o engajamento com a potencialização da vida (BRASIL, 2010). "O acolhimento está presente em todas as relações e os encontros que fazemos na vida, mesmo quando pouco cuidamos dele". (Cartilha PNH). Imagem 7. Diagrama Saúde Todo Dia Produtos do encontro entre trabalhador e usuário na saúde Acolher necessidades Compreender, significar Corresponsabilizar-se Intervir com vinculo Produzir autonomia Fonte: Aracaju, 2003/ Rede Humaniza SUS Refletir o Acolhimento é também entender o coletivo como plano de produção de vida, o cotidiano como invenção de modos diversos de viver, e</p><p>reconhecer que a forma como os sujeitos se produzem está relacionada com os diversos modos de ser/estar na vida (BRASIL, 2010). Dessa forma, é preciso desenvolver uma postura crítica de enfrentamento aos modos de trabalho alienantes, principalmente aqueles que reduzem o acolhimento a uma simples recepção desprovida de cuidado. Portanto, é fundamental que o ato de Acolher seja parte de um conjunto de práticas humanizadas e responsáveis, que respeitem a vida do outro e contribuam para a sua autonomia. Todos os princípios que regem a Política de Humanização visam ao desenvolvimento de um trabalho crítico, criativo, inventivo, que estimule o encontro entre as pessoas e não a dependência. usuário deixa de ser mero receptor de laudos e receitas médicas para ser protagonista em seu processo de recuperação. Acolhimento como uma prática integrada à Política de Humanização pressupõe alguns posicionamentos que orientam o cotidiano do serviço e as relações interpessoais construídas no trabalho da área da saúde. De acordo com BRASIL (2016), é possível destacar alguns elementos importantes que auxiliam na assistência em saúde e possibilitam um acolhimento humanizado, tais como demonstrado no quadro abaixo: 1. Protagonismo; 2. Valorização da rede social que permeia profissional e usuário; 3. Cuidado; 4. Problematização dos processos de trabalho; 5. Construção de projetos individuais e coletivos; 6. Horizontalização da atenção em saúde; 7. Democratização dos espaços de debate e decisões; 8. Escuta; 9. Trocas; 10. Coletividade; 11. Diferenciação entre acolhimento e triagem; 12. Mudanças na forma de gestão; 13. Compromisso com o outro. (BRASIL, 2016)</p><p>Imagem 8. Acolhimento Passo a passo sobre acolhimento acolhimento é um processo que implica em responsabilização do trabalhador/equipe pelo usuário, desde a chegada até saída, ouvindo sua queixa, considerando suas preocupações e angústias, fazendo uso de uma escuta qualificada que possibilite analisar a Fonte: CONASEMS, 2017 2.3 Ambiência Ambiência é uma das diretrizes da Política Nacional de Humanização (PNH) e está relacionada ao tratamento do espaço físico entendido como "Espaço social, profissional e de relações interpessoais que deve proporcionar atenção acolhedora, resolutiva e humana" (BRASIL, 2010, p.5). É a criação de espaços saudáveis e humanizados que contribuem para a realização dos encontros e do cruzamento dos diversos saberes que ocupam o território. De acordo com a PNH: (...) é importante que, ao criar essas ambiências, se conheçam e, respeitem os valores culturais referentes à privacidade, autonomia e vida coletiva da comunidade em que está se atuando. Devem-se construir ambiências acolhedoras e harmônicas que contribuam para a promoção do bem-estar, desfazendo-se o mito desses espaços que abrigam serviços de saúde frios e hostis. (Ibidem, p.12). A constituição dessa diretriz se dá por três grandes eixos: a relação do espaço com a Confortabilidade, Privacidade e Individualidade dos sujeitos; o espaço que possibilita a produção de subjetividades; e, por último, o espaço</p><p>como ferramenta que facilita o trabalho. Todas essas características são baseadas em diversos elementos que auxiliam nessa construção: morfologia, luz, cheiro, tratamento das áreas externas, privacidade, etc. (BVS, 2009). Dessa forma, a ambiência não se limita a um espaço somente, mas às formas como o ambiente é preparado para também atuar como um dos pilares da humanização das práticas em saúde, assim, entende-se que: O modo de produção coletiva dos espaços se relaciona ao método da inclusão adotado pela PNH como um dispositivo de transformação, que propicie a criação de espaços coletivos (oficinas, rodas) para discussão e decisão sobre as intervenções no espaço físico dos serviços de saúde. (BVS, 2009). A construção de novas ambiências possibilita uma abertura à reflexão do próprio trabalho que habita o espaço e oferece novas formas de olhar, pensar e agir diante das práticas desenvolvidas. É importante salientar que ambiência não se limita ao espaço físico somente, mas relacionam-se com todo o sentido produzido neste lugar dotado de multiplicidades, sentimentos, memória, potência, angústias, queixas, pertencimento. Segundo SANTOS (2006, p.38) o conceito de espaço transcende a materialidade territorial, uma vez que: "A configuração territorial não é o espaço, já que sua realidade vem de sua materialidade, enquanto o espaço reúne a materialidade e a vida que a anima. A configuração territorial, ou configuração geográfica, tem, pois uma existência material própria, mas sua existência social, isto é, sua existência real, somente lhe é dada pelo fato das relações sociais". IMPORTANTE! "Sabemos que não há saber neutro, mas que todo saber é político (...). O conhecimento é produtor de realidade e não está em um sujeito que aprende e um mundo a ser descoberto. Não. O conhecimento produz sujeitos e mundos". (BRASIL, 2004, p. 11)</p><p>Portanto, a ambiência reúne todos os aspectos vivos que o espaço compõe, produz, transforma. Ela atravessa as pessoas, pois é parte também do cuidado e das relações, e por isso deve viabilizar a construção de um trabalho humanizado, reflexivo e criativo que seja desenvolvido em um lugar agradável, prazeroso e que contribua para a promoção da saúde e o bem-estar das pessoas. De acordo com a BVS (2009): "A produção do projeto arquitetônico para as mudanças nos espaços deve ser pautada na discussão coletiva e problematização do processo de trabalho". Imagem 9. Projeto "Amigos do coração" Espaço da criança - Hospital das Clínicas - UFU Fonte: Rede Humaniza SUS, 2015 2.4 Gestão Participativa e Cogestão A Cogestão é uma diretriz da Política Nacional de Humanização que tem como foco principal a construção de relações mais democráticas, que visam à administração coletiva e a gestão compartilhada na área da saúde (BRASIL, 2010c). Nesse sentido, essa é uma nova forma de gerir que busca romper com os modelos tradicionais de hierarquia e centralização. Segundo o Ministério da Saúde: "Cogestão expressa tanto a inclusão de novos sujeitos nos processos de análise e decisão quanto a ampliação das tarefas da gestão que se transforma também em espaço de realização de análise dos contextos".</p><p>A ruptura com os modelos de gestão centralizadores possibilita outra visão dos processos de administração dos serviços de saúde, que passam a ser amparados no trabalho em equipe, na tomada coletiva de decisões e no poder compartilhado. Assim, entende-se por gestão participativa: "Uma gestão mais compartilhada, portanto mais democrática, nos serviços de saúde, no cotidiano das práticas de saúde, que envolvem as relações, os encontros entre usuários, sua família e rede social com trabalhadores e equipes de saúde, necessita alterações nos modos de organização do trabalho em saúde". (BRASIL, 2010, p.9). Nesse sentido, a Cogestão é definida como "Um modo de administrar que inclui o pensar e o fazer coletivo, para que não haja excessos dos diferentes corporativismos e também como uma forma de controlar o Estado e o Governo" (BRASIL, 2009, p. 8). Para a efetivação dessa diretriz são necessários espaços como os colegiados, compostos por gestores, trabalhadores e usuários para o debate e a construção de caminhos e decisões que estejam de acordo com todos aqueles que participam do processo. Ministério da Saúde aponta algumas estratégias e modos de operar essa diretriz 3. A organização e experimentação de rodas é uma importante orientação da cogestão. Rodas para colocar as diferenças em contato de modo a produzir movimentos de desestabilização que favoreçam mudanças nas práticas de gestão e de atenção. A PNH destaca dois grupos de dispositivos de cogestão: aqueles que dizem respeito à organização de um espaço coletivo de gestão que permita o acordo entre necessidades e interesses de usuários, trabalhadores e gestores; e aqueles que se referem aos mecanismos que garantem a participação ativa de usuários e familiares no cotidiano das unidades de saúde. (Portal do Ministério da Saúde). Para viabilizar a democratização da gestão nos serviços de saúde são necessários alguns arranjos e dispositivos que organizam o espaço coletivo, tais como: colegiados gestores, mesas de negociação, contratos internos de 3 Portal do Ministério da Saúde. Disponível em: http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/projeto- lean-nas-emergencias/693-acoes-e-programas/40038-humanizasus</p><p>gestão, Câmara Técnica de Humanização (CTH), Grupo de Trabalho de Humanização (GTH), gerência de porta aberta, entre outros. Há ainda outros mecanismos que garantem uma maior participação da rede sóciofamiliar nos serviços. Entre eles se destacam: a visita aberta e o direito a acompanhante equipe de referência com horários abertos, ouvidoria descentralizada, família participante, grupo de pais, etc. Esses dispositivos contribuem para a manutenção dos laços afetivos, principalmente no caso de usuários hospitalizados. É uma forma de trazer a rede social do sujeito para dentro das unidades de saúde, a fim de propiciar uma comunicação que fomente a o compartilhamento e a responsabilização do tratamento. DICA DE VÍDEO Você pode conferir o vídeo Gestão Participativa no SUS, do canal Conexão SUS, através do link abaixo. Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=469 2.5 Valorização do Trabalhador De acordo com a Política Nacional de Humanização, o trabalhador atua como uma "porta de entrada" dos serviços na área da saúde. Dessa forma, busca-se estimular o protagonismo e o empoderamento daqueles que tanto trabalham pela saúde no Brasil, pela manutenção da vida, bem estar e legitimação dos direitos dos cidadãos. Para tanto, é necessário que haja uma superação de modelos fragmentados de trabalho para a criação de novas configurações baseadas no trabalho coletivo, no espaço para o diálogo, no acolhimento das necessidades e limitações do trabalhador. De acordo com MERHY & FRANCO (2009): A produção na saúde realiza-se, sobretudo, por meio do trabalho 'vivo em ato', isto é, o trabalho humano no exato momento em que é executado e que determina a produção do cuidado. (...). trabalhador de saúde é sempre coletivo: o 'trabalho em é sempre realizado por um trabalhador coletivo. Não há trabalhador de saúde</p><p>que dê conta sozinha do mundo das necessidades de saúde. (MERHY & FRANCO, 2009, p. 282-283). Para SANTOS-FILHO (2007), muitos são os problemas que rodeiam o cotidiano do trabalhador da saúde que impedem e/ou dificultam a superação dos modelos tradicionais, principalmente no que se refere à falta de conhecimento e pouca governabilidade na tomada de decisões. Para o autor, a Política Nacional de Humanização (PNH) contribui para a reorganização dos processos de trabalho em dois eixos: o primeiro, referente à atenção, é marcado pela transformação nas formas de produzir e prestar serviços à população; o segundo - eixo da gestão- é constituído pelas relações sociais tecidas entre trabalhadores e gestores. Imagem 10. Unidade Pan-americana (1940) - Mural de Diego Rivera Fonte: ABRASCO, 2019 Assim, percebe-se que, ao mesmo tempo em que as novas propostas de trabalho trazem mudanças e melhorias no sistema, o trabalhador sente as exigências, porém, muitas vezes, pode não receber um apoio adequado para tais ações. O Ministério da Saúde aponta como ferramenta importante para a consolidação da diretriz que valoriza o Trabalhador da Saúde o Programa de Formação em Saúde e Trabalho e a Comunidade Ampliada de Pesquisa, que podem gerar: Possibilidades que tornam possível o diálogo, intervenção e análise do que gera sofrimento e adoecimento, do que</p><p>fortalece o grupo de trabalhadores e do que propicia os acordos de como agir no serviço de saúde. É importante também assegurar a participação dos trabalhadores nos espaços coletivos de gestão. (Humaniza SUS. Ministério da Saúde). CAMPOS (2010) aponta para uma relação entre a cogestão e o neoartesanato e traz uma discussão acerca da necessidade de uma reconstrução crítica no plano político, sociabilidade, gestão e até mesmo da epistemologia. O autor também enfatiza a necessidade em superar o mal estar histórico entre gestão e clínica, pois o distanciamento entre essas instâncias prejudica toda e qualquer tentativa de interação para a construção de um trabalho compartilhado. Em suas palavras: "A prática em saúde assemelha-se, portanto, mesmo quando realizada em equipe ou em rede, ao trabalho artesanal, um neoartesanato ainda a ser desenvolvido em sua plenitude". (Ibidem, p.762) FIQUE LIGADO Na pagina da Plataforma Renast você pode conferir um vídeo sobre Saúde Mental e Trabalho, além de indicações bibliográficas e outros conteúdos. 2.5.1. Saúde do Trabalhador da Saúde: alguns Apontamentos A Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST) foi criada em 2002, por meio da Portaria n° 1.679/GM, com objetivo de estimular e propagar ações de saúde do trabalhador, vinculadas às demais redes do Sistema Único de Saúde (SUS). Com a definição da Política Nacional de Saúde do Trabalhador em 2005, a Renast passou a ser a principal estratégia da organização da ST no SUS, sob a responsabilidade da então Área Técnica de Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, hoje</p><p>Coordenação Geral da Saúde do Trabalhador (CGSAT) 4 A Plataforma RENAST também oferece um panorama da saúde dos trabalhadores da saúde e afirma que: A abrangência e o objeto da Política Nacional de Promoção da Saúde do Trabalhador do SUS vinculam-se às áreas de Saúde do Trabalhador e da Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, estabelecendo uma articulação estratégica para o desenvolvimento do SUS e o compromisso dos gestores, trabalhadores e empregadores com a qualidade do trabalho e com a valorização dos trabalhadores. Falar na qualidade de vida do trabalhador é também atentar-se para a própria saúde daqueles que promovem a saúde e investigar os indicadores que contribuem para essa situação, tais como: carga horária, falta de amparo/respaldo, ausência de autonomia, centralização dos serviços, dificuldade de reinventar o trabalho, etc. Esses fatores devem parte do debate coletivo que visa à produção de um sentido maior no cotidiano do trabalho, a fim de proporcionar encontros mais potentes e maiores níveis de satisfação do trabalhador. A partir dessa estratégia que visa o bem estar e a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras, é válido ressaltar a importância do trabalho no campo da saúde, que muitas vezes gera o adoecimento do próprio trabalhador. Imagem 11. Saúde do trabalhador SAÚDE X TRABALHO Fonte: ASSUFBA, 2018 4 Fonte: FIOCRUZ. Disponível em: integral-saude-trabalhador-renast</p><p>Nesse sentido, o processo de humanização e todas as suas diretrizes apontam para uma nova forma de olhar e construir as práticas na área, a fim de evitar que o trabalho gere problemas e diminua a potência dos sujeitos. Diante desta perspectiva, o Portal do Ministério da Saúde afirma: "É importante dar visibilidade à experiência dos trabalhadores e incluí-los na tomada de decisão, apostando na sua capacidade de analisar, definir e qualificar os processos de trabalho". O trabalho em saúde precisa ser inventivo, criativo e potencializador de novas formas de ser/agir no mundo. Essa não é uma tarefa fácil, pois, de certa forma, obriga a saída da zona de conforto e o enfrentamento das ações e posturas já cristalizadas no sistema. Entretanto o trabalhador não deve estar sozinho nessa desconstrução, que é coletiva e envolve todos os participantes do processo de trabalho. Dessa forma, compreende-se que: Nos processos de trabalho, os trabalhadores "usam de si" por si. A cada situação que se coloca, o trabalhador elabora estratégias que revelam a inteligência que é próprio de todo trabalho humano. Portanto, o trabalhador também é gestor e produtor de saberes e novidades. (BRASIL, 2008, p. 7). SAIBA MAIS! Para saber mais sobre o tema da Saúde do Trabalhador acesse o site da Biblioteca Virtual em Saúde. Acesse: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/trabalhador/pub destaques.php Ainda de acordo com a Política Nacional de Humanização (BRASIL, 2008, p.8): "Promover saúde nos locais de trabalho é aprimorar a capacidade de compreender e analisar o trabalho de forma a fazer circular a palavra, criando espaços para debates coletivos". Nesse sentido, é importante salientar que os espaços de trabalho na área da saúde ou em qualquer outra área devem propiciar a promoção de saúde e atuar na melhoria das condições de vida daqueles que trabalham. O trabalho também deve gerar bem-estar e não o</p><p>contrário; a saúde precisa ser debatida e priorizada mesmo fora dos ambientes "formais" de cuidado. INDICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA Sobre o tema da Saúde no Trabalho, recomendamos a leitura: "Panorama da Saúde dos Trabalhadores da Saúde" - Jorge Mesquita Huet Machado e Ada Ávila Assunção (organizadores). Ano: 2012 Boa leitura!</p><p>CAPÍTULO 2 - RECAPITULANDO Questões de Concursos Questão 1 Ano: 2019 Banca: IADES Órgão: AL-GO Prova: IADES 2019 AL-GO Técnico em Enfermagem do Trabalho Lançada em 2003, a Política Nacional de Humanização (PNH) busca por em prática os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) no cotidiano dos serviços de saúde, produzindo mudanças nos modos de gerir e cuidar. A PNH estimula a comunicação entre gestores, trabalhadores e usuários para construir processos coletivos de enfrentamento de relações de: A) Responsabilização, humanização e autonomia. B) Inovação, tecnologia e ciência. C) Articulação, descentralização e corresponsabilidade. D) Poder, trabalho e afeto. E) Cultura, construção social e cuidado. Questão 2 Ano: 2018 Banca: Prefeitura de Fortaleza CE Órgão: Prefeitura de Fortaleza CE cuidado humanizado deve estar presente em todos os momentos da vida. Em 2000, foi proposta a construção do Programa Nacional de Humanização Hospitalar com o objetivo de, exceto: A) Melhorar a qualidade e a eficácia da atenção dispensada aos usuários dos hospitais públicos no B) Conceber e implantar novas iniciativas de humanização nos hospitais, que venham beneficiar os usuários e os profissionais de saúde. C) Implantar iniciativas de humanização nos hospitais, que venham beneficiar os usuários e controlar as ações assistenciais dos profissionais de saúde. D) Capacitar os profissionais dos hospitais para um novo conceito de assistência à saúde, que valorize a vida humana e a cidadania. Questão 3 Ano: 2018 Banca: FUMARC Órgão: COPASA Prova: FUMARC 2018 COPASA Analista de Saneamento Enfermeiro Trabalho conceito adotado atualmente na Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão no SUS, a PNH, define que "Ambiência na Saúde se refere ao tratamento dado ao espaço físico entendido como espaço social, profissional e de relações interpessoais que deve proporcionar atenção</p><p>acolhedora, resolutiva e humana" (BRASIL, 2006). Considerando esse contexto, assinale a afirmativa verdadeira: A) A Ambiência é a "Diretriz Espacial" para as demais diretrizes da PNH, apontando-se um único desafio que é o organizar "o que fazer". B) A diretriz da Ambiência propõe uma ampliação do olhar sobre a produção do espaço físico na saúde. C) A diretriz da Ambiência possibilita afirmar que poucos fatores atuam na composição de territórios de encontros no SUS. D) Ao adotar a diretriz da Ambiência para a produção dos espaços na saúde, atinge-se um retrocesso qualitativo no debate da humanização dos serviços. E) Nenhuma das alternativas. Questão 4 Ano: 2018 Banca: FUMARC Órgão: COPASA Prova: FUMARC 2018 COPASA - Analista de Saneamento Enfermeiro Trabalho Nas Unidades Básicas de Saúde, o Acolhimento, além de entendido enquanto processo que permeia toda a abordagem do usuário/comunidade, também é um espaço onde se realiza a primeira escuta e onde a necessidade do usuário é identificada (BRASIL, 2017). Sobre a PNH e sua aplicabilidade nos diferentes espaços, as afirmativas abaixo são verdadeiras, exceto: A) A Humanização como uma política transversal supõe, necessariamente, a transposição das fronteiras, muitas vezes rígidas, dos diferentes saberes/poderes que se ocupam da produção da saúde. B) Humanizar é um processo ativo e sistemático de inclusão. C) Na diretriz da Ambiência, para efeitos didáticos de implementação, destaca- se entre os eixos principais o espaço como ferramenta facilitadora do processo de trabalho. D) Para a construção de uma política de qualificação do SUS, a humanização pode ser entendida como um programa a mais a ser aplicado aos diversos serviços de saúde. E) Nenhuma das alternativas. Questão 5 Ano: 2010 Banca: CEPUERJ Órgão: UERJ Prova: CEPUERJ 2010 UERJ - Técnico de Enfermagem Uma das diretrizes de maior relevância política, ética e estética da Política Nacional de Humanização (PNH) do SUS é Acolhimento. A opção que melhor define o entendimento da PNH para o Acolhimento nas Práticas de Produção de Saúde, é a: A) Ação pontual e isolada, com os processos de produção de vínculo e responsabilização. B) Recepção administrativa e ambiente confortável, ou seja, um significado de dimensão espacial.</p><p>C) Ação de aproximação, um "estar com" e um "estar perto de", ou seja, uma atitude de inclusão. D) Ação de triagem administrativa e repasse de encaminhamentos para serviços especializados. E) Nenhuma das alternativas. QUESTÃO DISSERTATIVA (ADAPTADA) Ano: 2018 Banca: CESGRANRIO Órgão: Transpetro Prova: CESGRANRIO - 2018 - Transpetro - Enfermeiro do Trabalho Júnior Uma das diretrizes da PNH é a Ambiência. Explique os principais objetivos dessa diretriz. TREINO INÉDITO Sobre a Indissociabilidade entre Atenção e Gestão assinale a alternativa correta. A) A Gestão não interfere no cotidiano das práticas em saúde. B) Os campos da Gestão e da Atenção não conversam entre si e cada um faz seu trabalho de forma C) Cabe à Gestão direcionar todas as decisões a serem tomadas nos serviços. D) Gestão e Atenção não se separaram, mas a primeira se sobrepõe à segunda. E) As decisões da Gestão interferem diretamente na atenção à saúde. NA MÍDIA NO PARTO HUMANIZADO, o PROTAGONISMO É DA MULHER MAS ACESSO ESBARRA EM PROBLEMAS DE GESTÃO. "O Parto Humanizado tem sido cada vez mais debatido, porém o tema ainda causa dúvidas e preconceito em muita gente e, na prática, ainda está distante de ser uma opção para a maioria das mulheres, as escolhas ainda são entre o parto normal e a cesariana. De acordo com dados do Ministério da Saúde, 55% dos partos realizados no Brasil são cesarianas. Na rede privada, o procedimento representa 84,6% dos partos e, na rede pública, 40%. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o índice não ultrapasse 15%, fazendo com que o Brasil seja recordista desse tipo de parto no mundo".</p><p>Fonte: O Estado de São Paulo Data: 21/03/2017 Disponível em: https://emais.estadao.com.br/noticias/bem-estar,no-parto- de-gestao,70001708419 NA PRÁTICA papel do (a) psicólogo (a) é muito importante no acolhimento a pacientes hospitalizados. Em casos de hospitalização frequentes, em que o paciente solicita o atendimento da psicologia, não é a ausência de palavra do psicólogo, e sim sua capacidade de permitir as palavras do paciente como sendo tudo que pode ser feito em alguns momentos difíceis, pois certas horas não admitem palavras. Muitas vezes, o paciente se encontra em estado de profunda angústia, desorientado e, dependendo da gravidade do caso, desiludido. Assim, o cuidado humanizado e a ambiência hospitalar podem contribuir de forma decisiva em seu tratamento, proporcionando um alívio no sofrimento através de um amparo cuidadoso e comprometido com a melhoria da qualidade de vida daquele paciente. É importante, neste caso, fortalecer o vínculo, trabalhar o acolhimento e a escuta ativa, e valorizar a demanda do atendimento feita pelo próprio paciente. SAIBA MAIS! Na rede Humaniza SUS você pode ler e compartilhar experiências criativas que fazem a diferença no dia-a-dia do trabalho. Confirma o relato "Roda de Conversa no Refeitório do Hospital". Acesse:http://redehumanizasus.net/64344-roda-de-conversa-no- refeitorio-do-hospital/</p><p>CAPÍTULO 3 - PROTAGONISMO E PRODUÇÃO DE SAÚDE</p><p>CAPÍTULO 3 - PROTAGONISMO E PRODUÇÃO DE SAÚDE "Só existe saber na invenção, na reinvenção, na busca inquieta, impaciente, permanente, que os homens fazem no mundo, com mundo e com os outros". (Paulo Freire) 3.1 Protagonismo, Autonomia e Corresponsabilidade O processo de humanização tem como objetivo produzir uma nova forma de interação entre os sujeitos que compõe os serviços de saúde. Além de estimular a coletividade e a interdisciplinaridade, fomenta o protagonismo de todos os envolvidos no trabalho: usuários, trabalhadores e gestores. De acordo com a Política Nacional de Humanização (PNH) existem duas versões deste processo: a Versão Social, marcada pela inclusão dos coletivos e pela luta dos movimentos sociais; e a Versão Subjetiva, pautada nas relações através de sensibilidade, percepção e afetos (BRASIL, 2012). Segundo a Carta dos direitos dos usuários da saúde, aprovada em 2009 e publicada na Portaria 1.820, de 13 de agosto de 2009: Art. 5. Toda pessoa é responsável para que seu tratamento e sua recuperação sejam adequados e sem interrupção. Art. 6. Toda pessoa tem direito à informação sobre os serviços de saúde e as diversas formas de participação da comunidade. Art. 7. Toda pessoa tem direito a participar dos conselhos e das conferências de saúde e de exigir que os gestores federal, estaduais e municipais cumpram os princípios desta carta. cuidado humanizado deve estar em consonância com a proposta de trazer aos serviços de saúde uma sensibilidade e um engajamento que permitem o desenvolvimento do protagonismo e da autonomia dos usuários e também dos trabalhadores. Dessa forma, o termo "paciente" por apresentar uma determinada carga de passividade é substituído pela palavra usuário, que pressupõe a utilização do serviço e sugere uma maior atividade aquele que</p><p>procura e usufrui, mas também participa e constrói o campo da saúde. Essa mudança na forma de nomear já apresenta uma ruptura com o modelo tradicional no qual o sujeito é colocado numa posição doente, passivo e submisso às decisões impostas pelo saber médico. Todos são responsáveis pelo processo de trabalho e pela recuperação da saúde, uma vez que: A atividade de trabalho é sempre marcada pela relação dramática entre autonomia e heteronomia. Trabalhamos sempre em meio a negociações, escolhas e arbitragens, nem sempre conscientes, que consideram o tipo de inserção de cada um e de todos que compartilham aquele meio de trabalho, mas, também, as políticas de saúde, os valores e as práticas de saúde instituída, as relações de forças e de poderes presentes em cada situação de trabalho. Enfim, todos nós somos corresponsáveis pela gestão das situações de trabalho e temos o potencial de ajudar a transformá-las ou mantê-las como estão. (SANTOS FILHO et al., 2009, p. 610). Uma das formas de compreender o protagonismo e seu desenvolvimento nas práticas cotidianas está na atitude de transformar o que outrora foi instituído e promover rupturas com a lógica alienante que retirava do usuário, por exemplo, o direito de também fazer parte da organização do serviço. protagonismo está diretamente relacionado ao empoderamento dos sujeitos, que consiste na importância de uma participação ativa e na responsabilidade de construir espaços democráticos que viabilizem as ações coletivas. Imagem 12. Protagonismo no SUS SUS SISTEMA DE SAÚDE Fonte: PENA, 2010 - Rede Humaniza SUS</p><p>É preciso uma articulação comprometida com o reconhecimento dos direitos de todos, independentemente do papel ou cargo de ocupação para que, gradativamente, sejam rompidas as práticas centralizadoras e excludentes que diminuem a potência do fazer coletivo. Dessa forma, as práticas se abrem para propostas que estejam alinhadas aos princípios da Política de Humanização e vinculadas aos interesses da coletividade. Para realizar tal tarefa, existem algumas propostas de ações e intervenções possíveis, tais como: As rodas de conversa, o incentivo às redes e movimentos sociais e a gestão dos conflitos gerados pela inclusão das diferenças são ferramentas experimentadas nos serviços de saúde a partir das orientações da PNH que já apresentam resultados positivos. Incluir os trabalhadores na gestão é fundamental para que eles, no dia a dia, reinventem seus processos de trabalho e sejam agentes ativos das mudanças no serviço de saúde. Incluir usuários e suas redes sóciofamiliares nos processos de cuidado é um poderoso recurso para a ampliação da corresponsabilização no cuidado de si. (Ministério da Saúde - Humaniza SUS). Para que o princípio do protagonismo e da corresponsabilidade não fique apenas no papel, é preciso uma forte mobilização de todos os setores envolvidos para fortalecer a participação social através dos vínculos criados entre usuários, equipe e gestão. De acordo com esta perspectiva, "Os usuários não são só pacientes, os trabalhadores não só cumprem ordens: as mudanças acontecem com o reconhecimento do papel de cada um", conforme consta no Portal do Ministério da Saúde. FIQUE ATENTO! "Tomar a saúde como valor de uso é ter como padrão na atenção o vínculo com os usuários, é garantir os direitos dos usuários e seus familiares, é estimular a que eles se coloquem como atores do sistema de saúde." (BRASIL, 2012)</p>