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<p>1</p><p>UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA</p><p>CURSO – LETRAS PORTUGUES & INGLÊS</p><p>POLO REALENGO - RJ</p><p>TRABALHO AVA 2</p><p>DA DISCIPLINA</p><p>LITERATURA BRASILEIRA E</p><p>CONTEMPORANEIDADE</p><p>Aluna: Sarah Rodrigues de Melo</p><p>Matrícula: 1220202914</p><p>Rio de Janeiro - RJ</p><p>2024</p><p>2</p><p>Conceição Evaristo e a literatura contemporânea brasileira como</p><p>missão</p><p>A escritora mineira, Conceição Evaristo, preta e de origem periférica</p><p>tardiamente é reconhecida, pela comunidade profissional, como um cânone literário</p><p>brasileiro. A autora apresenta, através de suas obras, o quanto que a formação da</p><p>nação brasileira desde o tempo colonial até os dias atuais é estabelecida através da</p><p>violência, do autoritarismo e por relações hierárquicas perversas para o</p><p>desenvolvimento do indivíduo, especialmente para aquele que se situa na classe</p><p>marginalizada da sociedade.</p><p>Obras como Ponciá Vicêncio (2003) e Becos da memória (2006), Histórias</p><p>de leves enganos e parecenças (2016) mostram como a autora, por meio de suas</p><p>experiencias, faz crítica sócio-histórica com produções de personagens socialmente</p><p>marginalizados e relações hierárquicas extremamente deletérias, heranças da</p><p>escravidão reproduzidas até hoje.</p><p>O romance Ponciá Vicêncio, por exemplo, narra a história de uma mulher</p><p>negra que deixa o espaço familiar no interior para tentar ter uma vida melhor na cidade</p><p>grande, porém acaba por descobrir que em uma sociedade totalmente etnocêntrica e</p><p>preconceituosa seu sonho é apenas uma ilusão. Os personagens de suas obras,</p><p>portanto, evidenciam a violência, o abandono e a perda da identidade pessoal dos</p><p>negros no Brasil.</p><p>Visto isso, através de suas produções de cunho memorialístico, que dizer, o</p><p>qual a centralidade e a matéria prima para a autora é a memória, uma vez que “é no</p><p>encalço de suas sombras, ou seus vestígios, que sua escrita se erige.” (DIAS, 2020,</p><p>p.81), é que a autora expressa e defende sua literalidade. Ela acredita que a memória</p><p>deixa lacunas que podem ser preenchidas pela invenção.</p><p>Desta maneira, através de sua vivência, a autora conquista a literatura</p><p>contemporânea, com autenticidade, formas estéticas consagradas e memórias. E</p><p>3</p><p>ainda convida e sensibiliza os leitores a abraçar novas formas de produção textual,</p><p>produções advindas das favelas, produções não elitizadas. Segundo o autor Antônio</p><p>Candido, “[...] a literatura aparece claramente como manifestação universal de todos</p><p>os homens em todos os tempos” (CANDIDO, 1995, p. 174). Portanto, Conceição</p><p>Evaristo auxilia a literatura contemporânea na missão de reconhecer e impulsionar</p><p>literaturas oriundas da periferia que rompem hegemonias, denunciam as violências</p><p>etnocêntricas e dão espaço para vozes ricas em criatividade literária.</p><p>Referências</p><p>CANDIDO, Antonio. O direito à literatura. In: Vários escritos. São Paulo: Duas</p><p>cidades; Ouro sobre azul, 1995</p><p>DIAS, Silvana Moreli Vicente. Literatura brasileira e contemporaneidade [livro</p><p>eletrônico]. Rio de Janeiro: UVA, 2020.</p><p>EVARISTO, C. Ponciá Vicêncio. 2. ed. Belo Horizonte: Mazza, 2005.</p><p>.</p>