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<p>UNILASALLE</p><p>Professor Marcos Figueiredo Página 1</p><p>UNIDADE I - GESTÃO DE ESTOQUES</p><p>O papel dos estoques na empresa</p><p>Os estoques têm a função de funcionar como reguladores do fluxo de negócios. A</p><p>analogia com a caixa-d’água de nossas residências é muito adequada para explicar isso.</p><p>Quando a velocidade de entrada dos itens é maior que a de saída, ou quando o número</p><p>de unidades recebidas é maior do que o número de unidades expedidas, o nível de</p><p>estoque aumenta. Se, ao contrário, mais itens saem, são demandados ou consumidos do</p><p>que entram, o estoque diminui. E se a quantidade recebida é igual a que é despachada, o</p><p>estoque mantém-se constante. Conseguir essa igualdade é o grande objetivo e desafio da</p><p>filosofia just-in-time aplicada à gestão de estoques, em que os estoques podem ser</p><p>nulos.</p><p>Exercício – A empresa Alfa consome o item BJ3 a uma velocidade de 450 unidades por</p><p>dia. O BJ3 é comprado de terceiros e usado na montagem do produto final da empresa.</p><p>Sabendo-se que, em uma semana útil de cinco dias, a alfa recebeu dois lotes de 2.500</p><p>unidades do item, qual foi a variação do estoque do BJ3 nessa semana?</p><p>Tipos de demanda</p><p>As demandas podem ser classificados em demanda dependente ou independente:</p><p>- Demanda independente – são itens que dependem, em sua maioria, dos pedidos de</p><p>clientes externos, como, por exemplo, produtos acabados em geral.</p><p>- Demanda dependente – é aquela de um item cuja quantidade a ser utilizada depende</p><p>da demanda de um item de demanda independente. Ex: pneus em uma montadora é</p><p>dependente do número de veículos demandados pelo público (5 pneus por carro).</p><p>E</p><p>ENTRADA</p><p>SAÍDA</p><p>UNILASALLE</p><p>Professor Marcos Figueiredo Página 2</p><p>Tipos de estoques</p><p>- Matérias-primas – são todos os materiais armazenados que a empresa compra no</p><p>processo produtivo;</p><p>- Produtos em processo (WIP – work in process) – correspondem a todos os itens que</p><p>já entraram no processo produtivo, mas que ainda não são produtos acabados;</p><p>- Produtos acabados – são todos os itens que já estão prontos para serem entregues</p><p>aos consumidores finais;</p><p>- Em trânsito – correspondem a todos os itens que já foram despachados e que ainda</p><p>não chegaram a seu destino final;</p><p>- Em consignação – são os materiais que continuam sendo propriedade do fornecedor</p><p>até que sejam vendidos. Em caso contrário, são devolvidos sem ônus.</p><p>Classificação de materiais estocados</p><p>- Diretos – são os que se agregam ao produto final (matérias-primas). Ex.: a borracha</p><p>do pneu;</p><p>- Indiretos – são utilizados no processo de fabricação, mas não se agregam ao produto</p><p>final. Ex.: a estopa usada para limpar um molde que vai fazer um pneu.</p><p>Demanda x Consumo</p><p> Se a demanda é atendida plenamente – consumo igual à demanda.</p><p> Se a demanda não é atendida plenamente – demanda reprimida.</p><p> Backlog: cliente concorda em receber em data futura o que solicitara hoje</p><p>- Pode levar a estoque baixo, com giro alto e baixa cobertura</p><p> Demanda perdida: cliente não aceita receber posteriormente aquilo que necessita</p><p>A importância dos estoques</p><p>Segundo Ronald H. Ballou (1978-guru da logística):</p><p>- Melhorar o serviço ao cliente – tornando o material disponível para as vendas a (dá</p><p>suporte a área de marketing);</p><p>- Economia de escala – os custos são tipicamente melhores quando o produto é</p><p>fabricado continuamente em quantidades constantes;</p><p>- Proteção contra mudanças de preços em épocas de inflação alta;</p><p>- Proteção contra incertezas na demanda e no tempo de entrega;</p><p>- Proteção contra contingências – greves, incêndios, inundações, instabilidades políticas</p><p>UNILASALLE</p><p>Professor Marcos Figueiredo Página 3</p><p>UNIDADE II - PREVISÃO PARA OS ESTOQUES</p><p>Toda teoria dos estoques está pautada na previsão de consumo do material. Algumas</p><p>características básicas dessa previsão são:</p><p> É o ponto de partida de todo planejamento empresarial;</p><p> Não é uma meta de vendas; e</p><p> Sua previsão deve ser compatível com o custo de obtê-la.</p><p>Os seguintes fatores podem alterar o comportamento do consumo:</p><p> Influências políticas;</p><p> Influências conjunturais;</p><p> Influências sazonais;</p><p> Alterações no comportamento dos clientes;</p><p> Inovações técnicas;</p><p> Tipos retirados da linha de produção;</p><p> Alteração da produção; e</p><p> Preços competitivos dos concorrentes.</p><p>Ballou (1993), coloca que uma das melhores maneiras de classificar estoques é segundo</p><p>a natureza de sua demanda:</p><p>1. Demanda permanente</p><p>Produtos com ciclo de vida muito longo ou demanda constante, logo seus</p><p>estoques requerem ressuprimento contínuo ou periódico (Ex: creme dental, sal)</p><p>Neste caso o controle de estoque orienta-se para:</p><p>a) previsão de demanda para cada item do inventário</p><p>b) a determinação de quando o ressuprimento deve ser efetuado</p><p>c) definição do tamanho do lote de ressuprimento</p><p>2. Demanda sazonal</p><p>Produtos com ciclo de vida curto. Requerem previsão da quantidade a ser</p><p>vendida e da época do pico (Ex: ovos de páscoa). Neste caso, o estoque acompanha a</p><p>previsão, sujeito aos erros da própria previsão.</p><p>UNILASALLE</p><p>Professor Marcos Figueiredo Página 4</p><p>3. Demanda irregular</p><p>Produtos cujo mercado sofre influências de caráter econômico, externas à</p><p>empresa (Ex: automóveis grandes ou pequenos face ao preço dos combustíveis).</p><p>O controle de estoques fica dependente da previsão de vendas</p><p>4. Demanda em declínio</p><p>Produtos, cuja demanda gradualmente acaba e entra novo produto em seu</p><p>lugar (Ex: discos, cd). A política de estocagem para estes produtos deve prever a</p><p>demanda para todos os períodos até o final das vendas</p><p>5.Demanda derivada</p><p>Produtos em que sua demanda é conhecida se a demanda de produtos</p><p>acabados puder ser determinada (Ex: pneus de automóveis).</p><p>Técnicas de previsão do consumo - Podem ser classificadas em três grupos:</p><p>a) Projeção – são aquelas que admitem que o futuro será repetido no passado,</p><p>ou que o consumo evoluirá da mesma forma que no passado. É de natureza</p><p>essencialmente quantitativa. Geralmente aplicada a previsão de consumo de curto prazo.</p><p>b) Explicação – procura a explicação, a causa, para o consumo ter se</p><p>comportado daquela forma no passado, para poder explicar às variáveis cuja evolução é</p><p>conhecida ou previsível. São basicamente aplicações de técnicas de regressão e</p><p>correlação. Geralmente aplicada a previsão de consumo de médio prazo.</p><p>v</p><p>en</p><p>d</p><p>as</p><p>tempo</p><p>la</p><p>n</p><p>ça</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>cr</p><p>es</p><p>ci</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>m</p><p>at</p><p>u</p><p>ri</p><p>d</p><p>ad</p><p>e</p><p>d</p><p>ec</p><p>lí</p><p>n</p><p>io</p><p>CICLO DE VIDA DO PRODUTO</p><p>UNILASALLE</p><p>Professor Marcos Figueiredo Página 5</p><p>c) Predileção – utiliza-se da experiência e do conhecimento dos funcionários</p><p>do setor para estabelecer a evolução do consumo futuro.</p><p>Obs.: Sempre tente fazer previsões usando o nível máximo de agregação de dados (ou</p><p>tudo), pois tendem a ser mais acertadas. Principalmente para as decisões de longo</p><p>prazo, pois os erros de previsão para mais de um item são compensados pelos erros de</p><p>previsão para menos de outros itens.</p><p>Técnicas quantitativas para calcular a previsão de consumo</p><p>Método do último período</p><p>Modelo mais simples e sem base matemática, consiste em utilizar como previsão</p><p>para o período seguinte o valor ocorrido no período anterior.</p><p>Método da média móvel</p><p>A previsão para o próximo período é obtida calculando-se a média dos valores</p><p>de consumo nos n períodos anteriores.</p><p>Método da média móvel ponderada</p><p>Variação do método anterior, com atribuição de pesos aos períodos.</p><p>Exercício: O consumo de quatro anos de uma peça com seus respectivos pesos foi de:</p><p>ANO PESO QUANTIDADE</p><p>2011 50% 72</p><p>2012 25% 60</p><p>2013 20% 63</p><p>2014 5% 66</p><p>Determine o consumo previsto para 2015, considerando os últimos três anos, pelo:</p><p>a) Método do último período</p><p>b) Método da média móvel</p><p>c) Método da média móvel ponderada</p><p>UNILASALLE</p><p>Professor Marcos Figueiredo</p><p>Página 6</p><p>Método da média com ponderação exponencial ( ou com suavização exponencial)</p><p>Além de dar maior valor aos dados mais recentes, apresenta menor manuseio de</p><p>informações passadas.</p><p>Próxima previsão = previsão ant. + constante de amortecimento () x erro de</p><p>previsão</p><p>Obs: O valor de  pode ser conseguido utilizando-se sofisticadas técnicas matemáticas e</p><p>estatísticas ou, mais comumente, de forma empírica. Normalmente fica entre 0,1 e 0,3.</p><p>Próxima previsão = previsão ant. + (consumo real – previsão ant.)</p><p>Exemplo: O nível de consumo de um item mantém uma oscilação média. A empresa</p><p>utiliza o cálculo de média ponderada exponencial. Em 2003, a previsão de consumo</p><p>para 2004 era de 230 unidades, tendo o ajustamento um coeficiente de 0,10. Em 2004 o</p><p>consumo foi de 210. Qual a previsão de consumo para 2005?</p><p>Métodos dos mínimos quadrados</p><p>Usado para determinar a melhor linha de ajuste que passa mais perto de todos os</p><p>dados coletados. Para isso as vendas ou consumos são distribuídos de acordo com uma</p><p>curva de distribuição normal para estabelecer a equação de reta que passa mais perto</p><p>desses pontos.</p><p>Equações de curva normal:</p><p>∑y = n.a + b.∑x</p><p>∑x.y = a.∑x + b.∑x²</p><p>Equação da reta:</p><p>Y = a + b.x</p><p>Exemplo: Determinada empresa quer calcular qual seria a previsão de vendas de seu</p><p>produto W para o ano de 2005. As vendas dos 5 anos anteriores foram:</p><p>2000 – 108 2001 – 119 2002 – 110</p><p>2003 – 122 2004 – 130</p><p>Qual a previsão utilizando o método dos mínimos quadrados?</p><p>UNILASALLE</p><p>Professor Marcos Figueiredo Página 7</p><p>Exercícios</p><p>1) Uma loja tem a seguinte tabulação de vendas:</p><p>1999 – 87un. – p.5%</p><p>2000 – 90 un. – p.10%</p><p>2001 – 100 un. – p.10%</p><p>2002 – 110 un. – p.15%</p><p>2003 – 115 un. – p.20%</p><p>2004 – 120 un. – p.40%</p><p>Estabeleça uma previsão para 2005:</p><p>a) Pelo método do último período;</p><p>b) Pelo método da média móvel, para n=4; e</p><p>c) Pelo método da média móvel ponderada n=4.</p><p>2) Um item teve um consumo, em 2004, de 200 un., com um ajustamento médio de</p><p>tendência de 0,30 e tinha sido previsto um consumo de 220 un. Qual seria a previsão</p><p>de consumo para 2005?</p><p>3) Um consumo de um produto nos últimos 8 meses foi, respectivamente, 500 (mês 1),</p><p>580, 520, 630, 510, 590, 570, 560. Calcule, pelo método dos mínimos quadrados, o</p><p>consumo previsto para o próximo mês.</p><p>4) Um item teve um consumo em 2001 de 200 un. Tinha sido previsto um consumo de</p><p>100 un. Se a previsão para 2002 é de 120 un., qual o valor do coeficiente de</p><p>ajustamento (ou suavização)?</p><p>5) Utilizando os dados do problema 1, calcule a previsão para 2006 pelo método da</p><p>média móvel, considerando os últimos três anos (n=3).</p>

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