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<p>Poder Judiciário da União</p><p>TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS</p><p>TERRITÓRIOS</p><p>Órgão 7ª Turma Cível</p><p>Processo N. APELAÇÃO CÍVEL 0705320-29.2021.8.07.0019</p><p>APELANTE(S) JEAN MARY ALMEIDA SOARES e ALEX MARQUES DE SOUSA</p><p>APELADO(S) SHIRLEY FREIRE DE OLIVEIRA,ALEX MARQUES DE SOUSA e JEAN</p><p>MARY ALMEIDA SOARES</p><p>Relatora Desembargadora SANDRA REVES</p><p>Acórdão Nº 1867499</p><p>EMENTA</p><p>APELAÇÃO. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE COBRANÇA. CONTRATO DE</p><p>LOCAÇÃO. DEVOLUÇÃO DO IMÓVEL NO ESTADO DE CONSERVAÇÃO EM QUE O</p><p>RECEBEU. DEVER DO LOCATÁRIO. ART. 23, III, DA LEI DE LOCAÇÕES.</p><p>DESCUMPRIMENTO. NÃO COMPROVADO. TERMO DE VISTORIA FINAL UNILATERAL.</p><p>AUSÊNCIA DE PRÉVIA CIÊNCIA DOS LOCATÁRIOS. RESTITUIÇÃO DOS VALORES</p><p>DESPENDIDOS COM O REPARO DO BEM. NÃO CABIMENTO. COBRANÇA DE</p><p>HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS CONTRATUAIS. 20% (VINTE POR CENTO) SOBRE O</p><p>DÉBITO. IMPOSSIBILIDADE. ATUAÇÃO JUDICIAL. COMPETÊNCIA DO JUIZ DA CAUSA</p><p>PARA FIXAÇÃO DA VERBA HONORÁRIA. ART. 85 DO CPC. APELAÇÃO DO AUTOR</p><p>CONHECIDA E DESPROVIDA. APELAÇÃO DO RÉU CONHECIDA E PROVIDA.</p><p>1. Trata-se de apelações interpostas contra sentença que, em ação de cobrança, julgou parcialmente</p><p>procedente a pretensão do autor/locador para condenar, solidariamente, os réus/locatários ao</p><p>pagamento do aluguel relativo ao mês de novembro de 2019, de forma integral, acrescido de multa</p><p>contratual; dos débitos relativos às contas de água e luz em aberto, até o dia 3/1/2020; e dos honorários</p><p>contratuais, no patamar de 20% (vinte por cento) sobre o valor do débito reconhecido. O pedido</p><p>reconvencional foi julgado improcedente.</p><p>2. A Lei de Locações Urbanas (Lei n. 8.245/1991) estabelece, em seu art. 23, as obrigações do</p><p>locatário perante o locador, dentre quais, a de “restituir o imóvel, finda a locação, no estado em que o</p><p>(inciso III), bem como a de recebeu, salvo as deteriorações decorrentes do seu uso normal;” “realizar</p><p>a imediata reparação dos danos verificados no imóvel, ou nas suas instalações, provocadas por si,</p><p>(inciso V).seus dependentes, familiares, visitantes ou prepostos;”</p><p>3. O termo de vistoria de saída do imóvel deve ser realizado de modo conjunto pelas partes envolvidas</p><p>na locação, ou mediante prévia notificação, sob pena de não servir ao propósito de comprovar que o</p><p>locatário descumpriu seu dever de conservação do bem (art. 23, III, da Lei de Locações). Nesse</p><p>sentido, inclusive, é o entendimento deste e. TJDFT, : “in verbis 2.1. (...) os termos de vistoria devem</p><p>ser realizados de forma conjunta. Sendo o laudo produzido unilateralmente pelo locador, este não tem</p><p>o condão de comprovar a divergência entre a condição atual e a anterior, ou seja, a deterioração</p><p>decorrente do uso pelo locatário. 2.2. Não há, também, comprovação do envio de notificação prévia</p><p>da realização da vistoria, que permitisse a participação da ré na elaboração do documento.”.</p><p>(Acórdão 1783966, 07187550920218070007, Relator: JOÃO EGMONT, 2ª Turma Cível, data de</p><p>julgamento: 8/11/2023, publicado no DJE: 23/11/2023. Pág.: Sem Página Cadastrada.)</p><p>4. O laudo de vistoria final foi elaborado de maneira unilateral pelo locador/apelante, sem a presença</p><p>ou ciência dos locatários (ausência de subscrição no referido termo e de comunicação sobre o dia de</p><p>os locatários foramrealização da inspeção). Ademais, não há comprovação nos autos de que</p><p>posteriormente notificados sobre o resultado da vistoria final, tampouco sobre a necessidade de reparo</p><p>dos itens elencados pelo autor no respectivo laudo. Nota-se, ainda, a ausência de demonstração de que</p><p>as citadas deteriorações decorreram de ato exclusivo dos réus/apelados, em razão do uso anormal do</p><p>bem.</p><p>Dispõe o art. 22 do Estatuto da OAB que 5. “a prestação de serviço profissional assegura aos inscritos</p><p>na OAB o direito aos honorários convencionados, aos fixados por arbitramento judicial e aos de</p><p>. O Código Civil, por sua vez, prevê nos arts. 389, 395 e 404 a possibilidade de cobrançasucumbência”</p><p>dos honorários advocatícios como consequência da mora ou do inadimplemento do devedor. No</p><p>entanto, tal cobrança diz respeito apenas à atuação extrajudicial do advogado, já que a atividade</p><p>exercida em juízo pelo patrono da parte vencedora já é remunerada pelos honorários de sucumbência,</p><p>arbitrados pelo Juízo da causa (art. 85 do CPC). Precedentes do e. TJDFT.</p><p>6. Depreende-se da exegese da cláusula segunda, parágrafo segundo, do contrato de locação, a previsão</p><p>de cobrança de honorários advocatícios tanto por atuação administrativa como por atuação judicial, nos</p><p>casos de inadimplemento das obrigações contratuais. Ocorre que não se verifica dos autos indícios de</p><p>atuação do advogado do autor/locador na esfera administrativa. A atividade advocatícia está limitada</p><p>ao âmbito judicial, de modo que não se trata de honorários contratuais, mas, sim, de honorários</p><p>judiciais fixados previamente pela parte credora, em seu patamar máximo.</p><p>7. Destaque-se que a relação contratual/obrigacional existente entre o autor (ora apelado) e seu patrono,</p><p>especificamente no que tange aos honorários advocatícios, não abrange a parte ré/apelante. A escolha</p><p>do advogado é ato privativo de quem o contrata, com base em critérios variados, consistindo, portanto,</p><p>em avaliação pessoal que não pode ser transferida a terceiro a título de ressarcimento.</p><p>8. Desse modo, considerando que a atuação do advogado do locador (autor) se restringiu ao âmbito</p><p>judicial, e que compete privativamente ao Poder Judiciário a fixação da citada verba honorária, na</p><p>forma estabelecida pelo art. 85 do CPC, não se afigura escorreita a r. sentença que condenou os</p><p>locatários (réus) ao pagamento de honorários contratuais no percentual de 20% (vinte por cento) sobre</p><p>o valor do débito reconhecido. Assim, merece reforma a sentença apelada nesse ponto, a fim de afastar</p><p>referida condenação.</p><p>9. Recurso do autor conhecido e desprovido. Recurso do réu conhecido e provido. Ônus de</p><p>sucumbência redistribuídos.</p><p>ACÓRDÃO</p><p>Acordam os Senhores Desembargadores do(a) 7ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito</p><p>Federal e dos Territórios, SANDRA REVES - Relatora, MAURICIO SILVA MIRANDA - 1º Vogal e</p><p>FABRÍCIO FONTOURA BEZERRA - 2º Vogal, sob a Presidência da Senhora Desembargadora</p><p>SANDRA REVES, em proferir a seguinte decisão: CONHECIDOS. RECURSO DO AUTOR</p><p>DESPROVIDO. RECURSO DO RÉU PROVIDO. UNÂNIME. , de acordo com a ata do julgamento e</p><p>notas taquigráficas.</p><p>Brasília (DF), 03 de Junho de 2024</p><p>Desembargadora SANDRA REVES</p><p>Presidente e Relatora</p><p>RELATÓRIO</p><p>Jean Mary Almeida Soares e Alex Marques de Sousa Trata-se de apelações interpostas por contra</p><p>0705320-29.2021.8.07.0019 Vara Cívelsentença (ID 58175313 do processo n. ) proferida pelo Juízo da</p><p>do Recanto das Emas Jean Mary Almeida Soaresque, nos autos da ação de conhecimento ajuizada por</p><p>contra Alex Marques de Sousa e Shirley Freire de Oliveira, julgou parcialmente procedente a pretensão</p><p>autoral para condenar, solidariamente, os réus ao pagamento: (i) do aluguel relativo ao mês de</p><p>novembro de 2019, de forma integral, acrescido de multa contratual, (ii) dos débitos relativos às contas</p><p>de água e luz em aberto, até o dia 3/1/2020, e (iii) dos honorários contratuais, no patamar de 20%</p><p>(vinte por cento) sobre o valor do débito reconhecido. O pedido reconvencional foi julgado</p><p>improcedente.</p><p>Em razão da sucumbência recíproca, mas, não, equivalente, na ação principal, as partes foram</p><p>condenadas ao pagamento das despesas processuais e dos honorários advocatícios (art. 85, § 2º, do</p><p>CPC), esses fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação, na proporção de 1/3 (um</p><p>terço) para o autor, e 2/3 (dois terços) para os réus. Já em relação à reconvenção, diante da sua</p><p>sucumbência integral, o reconvinte foi condenado a arcar com as despesas processuais e os honorários</p><p>advocatícios, esses arbitrados em 10% (dez por cento) sobre o valor atribuído à reconvenção. Suspensa</p><p>a exigibilidade do pagamento em relação ao réu/reconvinte, contudo, haja vista a concessão da</p><p>gratuidade de justiça (art. 98, § 3º, do CPC).</p><p>Em suas razões recursais (ID 58175316), o autor/apelante narra que as partes celebraram</p><p>contrato de</p><p>locação de imóvel residencial/comercial, tendo sido realizada vistoria de entrada, na qual se verificou</p><p>as condições do bem, em todos os cômodos, e dos seus respectivos itens.</p><p>Alega que “quando da devolução das chaves, houve recusa dos locatários a acompanhar a vistoria de</p><p>saída que ao ser realizada, constatou-se as pendências aqui reclamadas no feito, tais quais: a pintura,</p><p>a troca do kit do vaso sanitário, a reposição das lâmpadas de led, bem como a troca do chuveiro,</p><p>reparos esses para que o imóvel tornasse habitável, no estado em que foi entregue no início da</p><p>.locação”</p><p>Sustenta ser dever do locatário reparar o bem antes da sua devolução, restituindo o imóvel no estado de</p><p>conservação em que o recebeu, nos termos do art. 23, II, III e V, da Lei n. 8.245/91. Aponta que tal</p><p>obrigação está estabelecida no contrato firmado entre as partes (Cláusulas Primeira e Quinta). Ainda,</p><p>cita precedentes que entende amparar sua tese.</p><p>Defende que cumpriu integralmente suas obrigações de locador, na forma do art. 22 da Lei de</p><p>Locações, ao passo que os locatários (ora apelados) não observaram seus deveres legais, de modo que</p><p>o apelante teve que arcar com as despesas relativas aos serviços de reparo do imóvel.</p><p>Destaca que o termo de entrega das chaves acostado aos autos menciona a necessidade de</p><p>comparecimento dos locatários para realização da vistoria de saída do imóvel, de modo que a ausência</p><p>destes implica concordância com o laudo final elaborado pelo locador.</p><p>Afirma, ademais, que documentação acostada aos autos é lícita e apta a comprovar os danos relatados,</p><p>demonstrando o valor necessário para a restituição do imóvel ao .statu quo</p><p>Requer, portanto, o conhecimento e provimento do recurso para reformar parcialmente a sentença</p><p>apelada, a fim de julgar procedente o pedido de condenação dos réus ao pagamento dos valores</p><p>despendidos para reforma do imóvel, no montante total de R$1.340,31 (mil trezentos e quarenta reais e</p><p>trinta e um centavos).</p><p>Preparo recolhido (ID 58175318).</p><p>Por sua vez, em suas razões recursais (ID 58175322), sustenta o réu/apelante que a cobrança de</p><p>honorários advocatícios no patamar de 20% (vinte por cento), fixada no parágrafo segundo da cláusula</p><p>segunda do contrato de locação, é abusiva, pois fere os princípios da probidade e da boa-fé objetiva.</p><p>Alega que os honorários advocatícios contratuais são de responsabilidade de quem contratou o</p><p>causídico (no caso, o credor), de modo que não deve prosperar a condenação do devedor ao seu</p><p>pagamento.</p><p>Sublinha que “a condenação ao pagamento concomitante dos honorários advocatícios convencionais</p><p>e honorários de sucumbência não é viável e pode acarretar bis in idem”.</p><p>Colaciona precedentes jurisprudenciais deste e. TJDFT que entende amparar sua tese.</p><p>Pugna, ao final, pelo conhecimento e provimento da apelação, para que, reformando-se a r. sentença,</p><p>seja julgado improcedente a condenação do apelante ao pagamento dos honorários contratuais, no</p><p>patamar de 20% (vinte por cento) sobre o valor do débito reconhecido na ação.</p><p>Ausente preparo, por ser o recorrente beneficiário da gratuidade de justiça na origem.</p><p>Contrarrazões apresentadas aos IDs 58175326 e 58175327, pugnando pelo desprovimento dos recursos</p><p>interpostos.</p><p>É o relatório.</p><p>VOTOS</p><p>A Senhora Desembargadora SANDRA REVES - Relatora</p><p>Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.</p><p>A fim de melhor elucidar a matéria objeto do presente recurso, cumpre mencionar que se cuida, na</p><p>origem, de ação de conhecimento ajuizada por Jean Mary Almeida Soares (locador), representado por</p><p>contra Alex Marques de Sousa e Shirley Freire de Oliveira (locatários)JR Barbosa da Silva ME, ,</p><p>objetivando a condenação dos réus ao valor total de R$5.066,97 (cinco mil e sessenta e seis reais e</p><p>noventa e sete centavos), referente aos seguintes débitos: (i) aluguel do mês de novembro de 2019; (ii)</p><p>contas de energia elétrica e de água em aberto, a partir de janeiro de 2020; (iii) reparos necessários no</p><p>móvel (pintura, troca do kit do vaso sanitário, reposição das lâmpadas de led, e troca do chuveiro); e</p><p>(iv) honorários contratuais.</p><p>A respeito do iter procedimental e dos fundamentos fáticos e jurídicos delineados pelas partes,</p><p>pertinente transcrever relatório constante da sentença apelada, :in verbis</p><p>Procedimento</p><p>1. Trata-se de ação de conhecimento, sob o procedimento comum, ajuizada por Jean</p><p>Mary Almeida Soares (“Autor”) em desfavor de Alex Marques de Sousa (“Primeiro</p><p>Réu”) e Shirley Freire de Oliveira (“Segunda Ré”), partes qualificadas nos autos em</p><p>epígrafe.</p><p>Petição Inicial</p><p>2. Na peça exordial, o autor afirma, em síntese, que: (i) firmou contrato de locação com</p><p>os réus, com vigência de 20.2.2018 a 19.2.2019, pelo valor mensal de R$ 700,00; (ii) o</p><p>imóvel não foi entregue nas mesmas condições iniciais, sendo necessária nova pintura,</p><p>além da troca do kit do vaso sanitário, das lâmpadas de led e do chuveiro; (iii) não</p><p>foram realizados os pagamentos relativos ao aluguel de novembro/2019, ao consumo de</p><p>energia de novembro/2019 a de janeiro/2020, ao consumo de água de janeiro/2020, ao</p><p>valor gasto com os reparos do imóvel, bem como aos honorários contratuais devidos.</p><p>3. Tece arrazoado e, ao final, aduz o seguinte pedido:</p><p>b) A procedência do pedido, com a condenação dos Requeridos ao pagamento da quantia</p><p>devida, no valor de R$ 5.472,48 (cinco mil quatrocentos e setenta e dois reais e quarenta</p><p>e oito centavos), devidamente atualizado;</p><p>4. Deu-se à causa o valor de R$ 5.472,48.</p><p>5. Colaciona documentos e procuração outorgada em nome do patrono que assina</p><p>eletronicamente a exordial.</p><p>Custas Iniciais</p><p>6. As custas iniciais foram recolhidas.</p><p>Contestação e Reconvenção de Alex Marques de Sousa</p><p>7. O primeiro réu foi citado e juntou contestação/reconvenção, por intermédio da</p><p>Defensoria Pública.</p><p>8. Em sua peça defensiva, alega que: (i) desocupou o imóvel antes do dia 20.11.2019,</p><p>devendo o aluguel ser cobrado de maneira proporcional; (ii) é vedada a cobrança de</p><p>juros compostos; (iii) é incabível o pagamento das contas de luz posteriores à</p><p>desocupação; (iv) não foi juntada aos autos a fatura de água de comprova o débito; (v) a</p><p>nota fiscal apresentada não especifica claramente os serviços prestados; (vi) o termo de</p><p>vistoria do imóvel não foi colacionado; (vii) não restou demonstrada a necessidade de</p><p>troca dos itens indicados; (viii) a cobrança de honorários advocatícios no valor fixado</p><p>em contrato é abusiva.</p><p>9. Alfim, requer a concessão do benefício da gratuidade da justiça e a parcial</p><p>procedência dos pedidos veiculados na inicial, nos seguintes termos:</p><p>3. No mérito da pretensão autoral, o acolhimento parcial dos pedidos para condenar o</p><p>requerido tão somente ao pagamento (i) do aluguel proporcional do mês de novembro;</p><p>(ii) da conta de luz vencida em 18/11/2019, afastando-se a pretensão no que toca à</p><p>cobrança dos valores referentes à fatura de água, reparos do imóvel e mão de obra, nos</p><p>termos da fundamentação aqui exposta;</p><p>10. Em reconvenção, aduz os seguintes pedidos:</p><p>4. Em sede de reconvenção, a procedência do pedido para declarar a abusividade e</p><p>nulidade da CLÁUSULA SEGUNDA e seu PARÁGRAFO SEGUNDO, de forma a vedar a</p><p>cobrança de honorários advocatícios por parte do autor e de juros compostos, na forma</p><p>em que apresentada a planilha de ID 98197988, determinando-se a aplicação dos arts.</p><p>591 e 406, ambos do Código Civil, de modo a limitar a taxa de juros a 1% am, de forma</p><p>simples;</p><p>11. Deu-se à reconvenção o valor de R$ 2.960,93.</p><p>12. Colaciona documentos.</p><p>Gratuidade da Justiça</p><p>13. O benefício da gratuidade da justiça foi deferido ao primeiro réu.</p><p>Revelia de Shirley Freire de Oliveira</p><p>14. A segunda ré, embora citada, quedou-se inerte, sendo decretada a sua revelia.</p><p>15. As alegações de fato aduzidas pela autora, todavia, não se presumem verdadeiras,</p><p>porquanto apresentada contestação pelo primeiro réu (art. 345, inciso I, do Código de</p><p>Processo Civil).</p><p>Réplica e Contestação à Reconvenção</p><p>16. O autor manifestou-se em réplica, acompanhada de documentos; rechaçou as teses</p><p>jurídicas defensivas</p><p>e repisou os argumentos declinados na petição inicial. Apresentou,</p><p>ainda, contestação à reconvenção.</p><p>Manifestação do Primeiro Réu</p><p>17. O primeiro réu deixou de apresentar réplica. Impugnou a admissibilidade dos</p><p>documentos anexados à réplica do autor e requereu o seu desentranhamento.</p><p>18. Em seguida, os autos vieram conclusos.</p><p>Conclusos os autos, o i. Juízo a quo sentenciou o feito (ID 58175313), julgando parcialmente</p><p>procedente a pretensão contida na inicial, e improcedente, o pedido reconvencional, conforme</p><p>dispositivo abaixo transcrito:</p><p>(...)</p><p>Principal e Reconvenção</p><p>52. Ante o exposto, julgo parcialmente procedentes os pedidos formulados na ação</p><p>principal para condenar os réus, solidariamente, ao pagamento:</p><p>a) do aluguel relativo ao mês de novembro de 2019, este de forma integral, acrescido de</p><p>multa contratual, além de correção monetária pelo INPC, desde o ajuizamento da ação,</p><p>e juros de mora de 2% ao mês, a contar do vencimento de cada parcela;</p><p>b) dos débitos relativos às contas de água e luz em aberto até o dia 3.1.2020, acrescidos</p><p>de correção monetária pelo INPC, a contar da data do ajuizamento da ação, e de juros</p><p>moratórios de 1% (um por cento) ao mês, desde a citação, e</p><p>c) dos honorários contratuais, no patamar de 20% sobre o valor do débito reconhecido</p><p>nesta ação, sobre os quais incidirão correção monetária pelo INPC, a contar da data do</p><p>ajuizamento da ação, e juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, desde a citação.</p><p>53. Quanto à reconvenção, julgo improcedentes os pedidos.</p><p>54. Resolvo o mérito, nos termos do art. 487, inciso I, do Código de Processo Civil.</p><p>Despesas Processuais – Ação Principal</p><p>55. Em face da sucumbência recíproca, mas não equivalente, ficam rateadas entre as</p><p>partes as despesas processuais relativas à ação principal, na proporção de 1/3 (um</p><p>terço) para o autor e 2/3 (dois terços) para os réus[4].</p><p>Honorários Advocatícios – Ação Principal</p><p>56. Os honorários advocatícios devem ser fixados de acordo com o grau de zelo do</p><p>profissional, o lugar de prestação do serviço, a natureza e a importância da causa, o</p><p>trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço.</p><p>57. Em conformidade com as balizas acima, arcarão as partes com o pagamento de</p><p>honorários advocatícios – fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação</p><p>–, na mesma proporção de 1/3 (um terço) a cargo do autor e 2/3 (dois terços) a cargo do</p><p>réu, com espeque no arts. 85, § 2º, e 86 do Código de Processo Civil[5].</p><p>Despesas Processuais – Reconvenção</p><p>58. Em face da sucumbência, arcará o reconvinte com o pagamento das despesas</p><p>processuais relativas à reconvenção.</p><p>Honorários Advocatícios – Reconvenção</p><p>59. Os honorários advocatícios devem ser fixados de acordo com o grau de zelo do</p><p>profissional, o lugar de prestação do serviço, a natureza e a importância da causa, o</p><p>trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço.</p><p>60. Em conformidade com as balizas acima, arcará o réu com o pagamento de</p><p>honorários advocatícios – fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor atribuído à</p><p>reconvenção, com espeque no arts. 85, § 2º, do Código de Processo Civil[6].</p><p>Gratuidade da Justiça</p><p>61. Em observância ao art. 98, § 3º, do Código de Processo Civil[7], suspendo a</p><p>exigibilidade das despesas processuais e dos honorários advocatícios devidos pelo</p><p>primeiro réu, haja vista a gratuidade da justiça anteriormente concedida.</p><p>Disposições Finais</p><p>62. Após o trânsito em julgado, pagas as custas processuais e não havendo outros</p><p>requerimentos, remetam-se os autos ao arquivo, observados os arts. 100 e 101 do</p><p>Provimento Geral da Corregedoria[8].</p><p>63. Publique-se. Intimem-se. Sentença registrada eletronicamente.</p><p>Inconformada, a parte autora interpôs o presente recurso de apelação, requerendo a parcial reforma do</p><p>, a fim de que o pleito de condenação dos réus ao pagamento dos valores despendidos com adecisum</p><p>reforma do imóvel também seja julgado procedente.</p><p>Por sua vez, o réu requereu o conhecimento e provimento do seu recurso de apelação para que seja</p><p>afastada sua condenação ao pagamento dos honorários advocatícios contratuais.</p><p>Em razão da prejudicialidade verificada, passa-se à análise, em primeiro lugar, do recurso interposto</p><p>pela parte autora.</p><p>Do recurso do autor Jean Mary Almeida Soares</p><p>De início, cumpre assinalar que a relação jurídica de direito material existente entre as partes, por</p><p>dizer respeito a contrato de locação de imóvel residencial entre locadora (ré/apelante) e locatários</p><p>(autores/apelados), não se submete ao regramento do Código de Defesa do Consumidor, mas, sim, do</p><p>Código Civil.</p><p>Conforme relatado, narrou o autor, em suas razões recursais, que as partes celebraram contrato de</p><p>locação de imóvel residencial/comercial, tendo sido realizada vistoria de entrada, na qual se verificou</p><p>as condições do bem, em todos os cômodos, e dos seus respectivos itens.</p><p>Alegou que “quando da devolução das chaves, houve recusa dos locatários a acompanhar a vistoria</p><p>de saída que ao ser realizada, constatou-se as pendências aqui reclamadas no feito, tais quais: a</p><p>pintura, a troca do kit do vaso sanitário, a reposição das lâmpadas de led, bem como a troca do</p><p>chuveiro, reparos esses para que o imóvel tornasse habitável, no estado em que foi entregue no início</p><p>.da locação”</p><p>Sustentou ser dever do locatário reparar o bem antes da sua devolução, restituindo o imóvel no estado</p><p>de conservação em que o recebeu, nos termos do art. 23, II, III e V, da Lei n. 8.245/91. Apontou que</p><p>tal obrigação está estabelecida no contrato firmado entre as partes (Cláusulas Primeira e Quinta).</p><p>Ainda, citou precedentes que entende amparar sua tese.</p><p>Defendeu que cumpriu integralmente suas obrigações de locador, na forma do art. 22 da Lei de</p><p>Locações, ao passo que os locatários (ora apelados) não observaram seus deveres legais, de modo que</p><p>o apelante teve que arcar com as despesas relativas aos serviços de reparo do imóvel.</p><p>Destacou que o termo de entrega das chaves acostado aos autos menciona a necessidade de</p><p>comparecimento dos locatários para realização da vistoria de saída do imóvel, de modo que a ausência</p><p>destes implica concordância com o laudo final elaborado pelo locador.</p><p>Afirmou, ademais, que documentação acostada aos autos é lícita e apta a comprovar os danos</p><p>relatados, demonstrando o valor necessário para a restituição do imóvel ao .status quo</p><p>Requereu, ao final, o conhecimento e provimento do recurso para reformar parcialmente a sentença</p><p>apelada, a fim de julgar procedente o pedido de condenação dos réus ao pagamento dos valores</p><p>despendidos para reforma do imóvel, no montante total de R$1.340,31 (mil trezentos e quarenta reais</p><p>e trinta e um centavos).</p><p>Consoante se observa da detida análise dos elementos coligidos aos autos e do direito aplicável à</p><p>espécie, não assiste razão ao recorrente.</p><p>Conforme se extrai do art. 186 do CC, são pressupostos da responsabilidade civil o ato ilícito, o[1]</p><p>dano e o nexo de causalidade entre ambos.</p><p>Dessa forma, para caracterização da responsabilidade civil subjetiva do suposto ofensor, mostra-se</p><p>necessária a constatação da conduta antijurídica causadora do malefício, do nexo de causalidade e do</p><p>dano decorrente da ação ou omissão, capaz de produzir prejuízo de ordem material ou ofensa a</p><p>atributo da personalidade da pessoa humana.</p><p>No caso em apreço, é incontroverso que as partes firmaram, na data de 19/2/2018, contrato de locação</p><p>residencial tendo por objeto o imóvel situado na QD 103, Conj 20, Lote 1, Casa 1, Recanto das</p><p>Emas/DF, com prazo de vigência de 12 (doze) meses (início em 20/2/2018 e término em 19/2/2019) e</p><p>mediante pagamento do valor mensal de R$700,00 (setecentos reais), a título de aluguel (vide ID</p><p>58175167).</p><p>Ao regular a referida modalidade contratual, a Lei de Locações Urbanas (Lei n. 8.245/1991)</p><p>estabelece, em seu art. 23, as obrigações do locatário perante o locador, dentre quais, a de “restituir o</p><p>imóvel, finda a locação, no estado em que o recebeu, salvo as deteriorações decorrentes do seu uso</p><p>(inciso III), bem como a de normal;” “realizar</p><p>a imediata reparação dos danos verificados no</p><p>imóvel, ou nas suas instalações, provocadas por si, seus dependentes, familiares, visitantes ou</p><p>(inciso V).prepostos;”</p><p>Na hipótese, narrou o autor/locador, em sua exordial, que, ao entregarem as chaves do imóvel, os</p><p>réus/locatários deixaram pendentes obrigações referentes aos reparos do imóvel necessários para</p><p>manutenção do estado de conservação do bem, a saber: pintura, troca do kit do vaso sanitário,</p><p>reposição das lâmpadas de led, e troca do chuveiro.</p><p>Segundo alegou o demandante, o valor a ser ressarcido pelos demandados consiste na quantia de</p><p>R$734,75 (setecentos e trinta e quatro reais e setenta e cinco centavos), relativa à compra dos</p><p>materiais, e no importe de R$605,56 (seiscentos e cinco reais e cinquenta e seis centavos), referente à</p><p>mão de obra contratada para realização dos reparos.</p><p>A fim de comprovar suas alegações, o requerente acostou aos autos: (a) termo de vistoria de entrada</p><p>no imóvel, datado de 19/2/2018 (ID 58175297); (ii) recibo de vistoria de saída e devolução de chaves,</p><p>datado de 3/1/2020 (ID 58175299); (iii) laudo de vistoria de saída, datado de 5/1/2020 (ID 58175298);</p><p>(iv) recibo de serviço (ID 58175174); e (v) orçamento dos materiais necessários para o reparo (ID</p><p>58175175).</p><p>Sucede que, conforme se depreende dos autos, o demandante/apelante não se desincumbiu do ônus</p><p>probatório que lhe cabia (art. 373, I, do CPC) de demonstrar que os demandados/apelados deixaram</p><p>de entregar o imóvel locado no mesmo estado de conservação em que se encontrava no início da</p><p>locação, o que ensejaria seu dever de restituir os valores despendidos para reparo do bem.</p><p>De início, cumpre destacar o entendimento deste e. Tribunal de Justiça no sentido de que os termos de</p><p>vistoria devem ser realizados, de forma conjunta, pelas partes envolvidas na locação, ou, pelo menos,</p><p>mediante prévia notificação, sob pena de não servir ao propósito de comprovar a existência de</p><p>deterioração decorrente do uso anormal do imóvel, isto é, que o locatário descumpriu seu dever de</p><p>conservação do bem (art. 23, III, da Lei de Locações).</p><p>Nesse sentido, confira-se os seguintes precedentes, :in verbis</p><p>APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RESPONSABILIDADE</p><p>CIVIL CONTRATUAL. AÇÃO DE COBRANÇA CUMULADA COM INDENIZAÇÃO</p><p>POR DANO MATERIAL. CONTRATO DE LOCAÇÃO. DEVOLUÇÃO DE IMÓVEL.</p><p>DANOS. VISTORIA DE SAÍDA. UNILATERALIDADE. ÔNUS DA PROVA. NÃO</p><p>DESINCUMBÊNCIA. DANOS MATERIAIS NÃO COMPROVADOS. RECURSO</p><p>CONHECIDO E NÃO PROVIDO. SENTENÇA MANTIDA. HONORÁRIOS</p><p>MAJORADOS. 1. Trata-se de apelação interposta contra sentença que, em ação de</p><p>cobrança cumulada com pedido de indenização por danos materiais, julgou a pretensão</p><p>improcedente. Desse modo, o propósito recursal consiste em definir a responsabilidade</p><p>pela reparação de danos causados a imóvel objeto de contrato de locação. 2. Embora,</p><p>por força do artigo 23, III da Lei n. 8.245/1991 (Lei de Locações), o locatário tenha o</p><p>dever de "restituir o imóvel, finda a locação, no estado em que o recebeu, salvo as</p><p>deteriorações decorrentes do seu uso normal", a comprovação de eventuais danos</p><p>resultantes da avença não pode se dar através de vistoria unilateral, muito menos por</p><p>documento informal elaborado na ausência da locatária, que o impugnou após recebe-lo.</p><p>3. É inviável comprovar danos materiais a imóvel, alegadamente causados por locatária,</p><p>por meio de laudo informal e fotografias, pois, nos termos do contrato de locação, o</p><p>término da relação contratual se daria após vistoria aprovada do estado do imóvel, com</p><p>a assinatura do distrato e entrega das chaves pela locatária. 4. No caso, o apelante não</p><p>se desincumbiu do ônus da prova incidente em sua esfera jurídica, e deve arcar com o</p><p>risco da ausência da prova, que, no caso, seria a vistoria adequadamente realizada e</p><p>aprovada por locador e locatário, ou, ao menos na presença de ambos ou, mesmo que</p><p>ausente a locatária, presente prova de sua notificação sobre a lavratura do ato. Arca,</p><p>igualmente, com a ausência de viabilidade da prova pericial, único meio de se contrapor</p><p>as versões colidentes sobre os fatos controvertidos, diante da venda do imóvel durante o</p><p>trâmite do processo. 5. Não havendo provas da existência de danos materiais decorrentes</p><p>da relação locatícia, a sentença de improcedência revela-se adequada. 6. Recurso</p><p>conhecido e não provido. Sentença mantida. Honorários majorados para 11% sobre o</p><p>valor atualizado da condenação. (Acórdão 1791931, 07429807720228070001, Relator:</p><p>ARQUIBALDO CARNEIRO PORTELA, 6ª Turma Cível, data de julgamento:</p><p>22/11/2023, publicado no DJE: 22/1/2024. Pág.: Sem Página Cadastrada.)</p><p>CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA.</p><p>CONTRATO DE LOCAÇÃO RESIDENCIAL. DANOS MATERIAIS. LAUDO DE</p><p>VISTORIA INICIAL E FINAL. DETERIORIZAÇÃO DO IMÓVEL DURANTE A</p><p>LOCAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. SENTENÇA MANTIDA. 1. O Código Civil, em seu</p><p>artigo 569, inciso II, e a Lei nº 8.245/1991, em seu artigo 23, incisos I e VIII, determinam</p><p>que são obrigações do locatário pagar pontualmente o aluguel e os encargos da locação,</p><p>exigíveis legal ou contratualmente, no prazo estipulado; assim como pagar as despesas</p><p>de telefone, luz, gás, água e esgoto. 2. É lícita a cláusula contratual que obriga o</p><p>locatário a devolver o imóvel, ao fim do contrato, nas mesmas condições em que o</p><p>recebeu, responsabilizando-se por todas as depreciações (Art. 186, 187 e 927 do CC). 3.</p><p>Caberia ao locador, de acordo com o artigo 373, I, do Código de Processo Civil,</p><p>comprovar a alegada deterioração do imóvel, durante o tempo de locação, ônus do qual</p><p>não se desincumbiu. 4. Recurso de apelação conhecido e não provido. Honorários</p><p>majorados. (Acórdão 1822542, 07139263220238070001, Relator: CARMEN</p><p>BITTENCOURT, 8ª Turma Cível, data de julgamento: 27/2/2024, publicado no DJE:</p><p>20/3/2024. Pág.: Sem Página Cadastrada.)</p><p>CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. PRIORIDADE DE TRAMITAÇÃO. APELAÇÃO. AÇÃO</p><p>DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO DE</p><p>IMÓVEL. RESSARCIMENTO DE AVARIAS DURANTE O PERIODO DE LOCAÇÃO.</p><p>LAUDO DE VISTORIA. UNILATERAL. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO PRÉVIA.</p><p>DETERIORAÇÃO NORMAL. USO DO IMÓVEL. MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS</p><p>ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA DE ACORDO COM O ART. 85, §11, DO CPC.</p><p>APELO IMPROVIDO. Sinopse fática: Versa a controvérsia sobre a condição do imóvel</p><p>quando findo o contrato de locação, bem como a consequente responsabilidade pela</p><p>reparação dos danos alegados no imóvel à locadora e fiador. 1. Apelação interposta</p><p>contra sentença proferida em ação de indenização por danos materiais decorrentes de</p><p>contrato de aluguel de imóvel residencial que julgou improcedentes os pedidos iniciais.</p><p>1.1. Pretensão do autor de reforma da sentença. Afirma que o laudo de vistoria não foi</p><p>feito de forma unilateral, mas por empresa terceirizada e independente da imobiliária ou</p><p>do proprietário. Sustenta que as pendências de vistoria se referem a reparos necessários</p><p>para que o imóvel retorne às condições em que se encontrava ao início da locação. 2. Em</p><p>análise às cláusulas contratuais pactuadas, observa-se a obrigação da locatária em</p><p>devolver o imóvel locado nas mesmas condições previstas no Termo de Vistoria inicial.</p><p>2.1. No entanto, os termos de vistoria devem ser realizados de forma conjunta. Sendo o</p><p>laudo produzido unilateralmente pelo locador, este não tem o condão de comprovar a</p><p>divergência entre a condição atual e a anterior, ou seja, a deterioração decorrente do</p><p>uso pelo locatário. 2.2. Não há, também, comprovação do envio de notificação prévia da</p><p>realização da vistoria, que permitisse a participação da ré na elaboração do documento.</p><p>3. Precedente: "(...) 1. Mesmo constando nos autos o Laudo de Vistoria Inicial assinado</p><p>pelas partes que o imóvel foi entregue em perfeito estado e, ainda, havendo previsão</p><p>legal e contratual de que é dever do locatário devolver o imóvel locado nas mesmas</p><p>condições descritas no referido Laudo, nos termos do artigo 23, inciso III, da Lei do</p><p>Inquilinato, cabe ao locador demonstrar que o imóvel alugado não foi devolvido no</p><p>estado em que foi entregue ao locatário e que eventuais</p><p>deteriorações não decorreram de</p><p>seu uso normal. 2. O Laudo de Vistoria Final confeccionado unilateralmente pela</p><p>locadora não possui idoneidade em demonstrar os reparos a serem feitos no imóvel</p><p>locado, tampouco responsabilizar o locatário por eventuais danos causados,</p><p>principalmente se não há prova de que o mesmo foi notificado para o ato. 3. Não se</p><p>desincumbindo a autora o ônus da prova em demonstrar o fato constitutivo de seu</p><p>direito, por força da aplicação do art. 333, I do CPC, não há como acolher a sua</p><p>pretensão. 4. Recurso conhecido e desprovido. Sentença mantida".</p><p>(20120111438042APC, Relator: Gislene Pinheiro, 2ª Turma Cível, DJE: 11/5/2015). 4.</p><p>Repare-se que o próprio apelante ressalta que "ainda que exista pendência listada pelo</p><p>vistoriador no laudo de saída, ela apenas será inserida no orçamento caso seja</p><p>necessário seu reparo para deixar o imóvel no estado em que ele se encontrava no início</p><p>da locação", ou seja, não há delimitação do pedido quanto às alegadas avarias que</p><p>pretende cobrar. 4.1. Do laudo de vistoria confeccionado, vê-se que a parte lista diversos</p><p>itens que decorrem da deterioração normal do imóvel com o decurso do tempo, tais como</p><p>maçanetas com folga, pintura antiga, manchas, parafusos e afins. 5. Majoração dos</p><p>honorários advocatícios de sucumbência, de acordo com o art. 85, §11, do CPC, de 10%</p><p>para 12% sobre o valor atualizado da causa (R$ 24.364,00). 6. Apelação improvida.</p><p>(Acórdão 1783966, 07187550920218070007, Relator: JOÃO EGMONT, 2ª Turma Cível,</p><p>data de julgamento: 8/11/2023, publicado no DJE: 23/11/2023. Pág.: Sem Página</p><p>Cadastrada.)</p><p>APELAÇÃO CÍVEL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE COBRANÇA. CONTRATO DE</p><p>LOCAÇÃO. DÉBITOS DE ENERGIA ELÉTRICA E ÁGUA. FATURAS EM NOME DO</p><p>LOCATÁRIO. AUSÊNCIA DE PROVA DO PAGAMENTO PELO LOCADOR.</p><p>RESSARCIMENTO. INCABÍVEL. PRETENSÃO DE RESSARCIMENTO POR DANOS</p><p>MATERIAIS DEDUZIDA PELO LOCADOR. LAUDO DE VISTORIA REALIZADO</p><p>UNILATERALMENTE. ÚNICO ELEMENTO DE PROVA. DOCUMENTO</p><p>IMPUGNADO. ÔNUS PROBATÓRIO. ART. 373, INCISO I, CPC. CONDENAÇÃO A</p><p>REPARAÇÃO DOS DANOS MATERIAIS INDEVIDA. APELAÇÃO CONHECIDA E</p><p>PROVIDA. 1. No caso em exame, os documentos trazidos aos autos comprovam que as</p><p>faturas de água e energia elétrica estão em nome do locatário e o locador não realizou o</p><p>pagamento para se sub-rogar no crédito. Portanto, a cobrança mostrou-se indevida.2. O</p><p>dever legal atribuído ao locatário de "restituir o imóvel, finda a locação, no estado em</p><p>que o recebeu" (art. 23, inc. III, da Lei 8.245/1991) não isenta o locador do ônus de</p><p>provar os fatos constitutivos de sua pretensão, para fim de ressarcimento pelos eventuais</p><p>prejuízos alegados, nos termos do art. 373, inc. I, do CPC. 3. O laudo de vistoria final,</p><p>produzido de modo unilateral pelo locador e impugnado pelo locatário, não constitui</p><p>prova idônea suficiente para comprovar o fato constitutivo do direito alegado, ou seja, o</p><p>dever de reparação pelas avarias 4. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. (Acórdão</p><p>1721023, 07041289420218070008, Relator: LUÍS GUSTAVO B. DE OLIVEIRA, 3ª</p><p>Turma Cível, data de julgamento: 22/6/2023, publicado no DJE: 5/7/2023. Pág.: Sem</p><p>Página Cadastrada.)</p><p>APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO CIVIL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO</p><p>INDENIZATÓRIA. LOCAÇÃO. IMÓVEL. DANOS MATERIAIS. VISTORIA DE SAÍDA.</p><p>UNILATERAL. MARCAS EM PAREDES E PORTAS. DANOS DECORRENTES DO</p><p>USO. DANO PRESUMIDO. CONFIGURADO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.</p><p>SENTENÇA REFORMADA. 1. É de responsabilidade do locatário entregar o imóvel nas</p><p>mesmas condições em que recebera nos termos do artigo 23, III da Lei nº 8.245/91. 2. A</p><p>fim de constituir prova idônea quanto aos danos em imóvel locado, parte da</p><p>jurisprudência vem reafirmando a relevância da observância de procedimento similar em</p><p>ambas as vistorias, a serem realizadas ou validadas de forma não unilateral. No caso da</p><p>vistoria de saída, necessária a notificação prévia e com antecedência razoável da data da</p><p>vistoria, de modo a permitir a efetiva participação do locador. (...) (Acórdão 1712324,</p><p>07312463220228070001, Relator: ROMULO DE ARAUJO MENDES, 1ª Turma Cível,</p><p>data de julgamento: 7/6/2023, publicado no DJE: 20/6/2023. Pág.: Sem Página</p><p>Cadastrada.)</p><p>DIREITO CIVIL. CONTRATO DE LOCAÇÃO. REPARAÇÃO DE DANOS. AUSÊNCIA</p><p>DE VISTORIA FINAL VÁLIDA. ÔNUS DA PROVA. NÃO COMPROVAÇÃO. I - Nos</p><p>termos do art. 23, III, da Lei de 8.245/1991, o locatário é obrigado a devolver o imóvel</p><p>ao locador nas mesmas condições em que o recebeu. II - A autora não se desincumbiu do</p><p>ônus da prova, quanto a ocorrência de danos no imóvel durante a locação, já que a</p><p>vistoria final foi elaborada de forma unilateral, não constando a assinatura da locatária.</p><p>III - Negou-se provimento ao recurso. (Acórdão 1265542, 07298153620178070001,</p><p>Relator: JOSÉ DIVINO, 6ª Turma Cível, data de julgamento: 15/7/2020, publicado no</p><p>DJE: 30/7/2020. Pág.: Sem Página Cadastrada.)</p><p>No caso em apreço, verifica-se que o laudo de vistoria inicial, que atesta o estado de plena</p><p>conservação do bem, foi assinado tanto pelo locador como pelos locatários, na data de 19/2/2018 (cf.</p><p>ID 58175297). O laudo de vistoria final, por sua vez, foi elaborado no dia 5/1/2020, indicando a</p><p>existência de deteriorações e a necessidade de reparos em relação à pintura das paredes, troca do kit</p><p>do vaso sanitário, reposição das lâmpadas de led, e troca do chuveiro. No entanto, ao contrário do</p><p>alegado pelo apelante, esse último não foi subscrito pelos locatários/apelados.</p><p>Conforme se observa, além de não constar a assinatura dos locatários no referido laudo de vistoria de</p><p>saída, inexiste prova nos autos de que os réus foram previamente cientificados a respeito da data em</p><p>que seria realizada a vistoria. Registre-se, nesse ponto, que a assinatura dos locatários no termo de</p><p>entrega das chaves (datado de 5/1/2020) não é suficiente para comprovar sua comunicação acerca da</p><p>vistoria final, porquanto não consta no referido documento a data e o horário exatos em que se</p><p>realizaria a referida fiscalização.</p><p>Além disso, não há nos autos outros elementos de prova que demonstrem terem sido os locatários</p><p>posteriormente notificados sobre o resultado da vistoria final, bem como sobre a necessidade de</p><p>reparo dos itens elencados pelo autor no respectivo laudo.</p><p>Constata-se, portanto, que o laudo de vistoria final foi elaborado de modo unilateral pelo locador, sem</p><p>a presença ou ciência dos locatários.</p><p>Ademais, consoante bem destacado pelo i. magistrado sentenciante, o autor/apelante quedou-se inerte</p><p>em demonstrar que as citadas deteriorações teriam decorrido de ato exclusivo dos réus/apelados, em</p><p>razão do uso anormal do bem, o que caracterizaria a violação ao dever estampado no art. 23, III, da</p><p>Lei de Locações.</p><p>Nesse sentido, pertinente transcrever a fundamentação exarada na sentença, :in verbis</p><p>(...)</p><p>44. Quanto ao pedido de ressarcimento dos custos relativos aos reparos decorrentes do</p><p>uso do imóvel pelos réus, convém sublinhar, desde logo, que, na ausência de laudo de</p><p>vistoria final assinado pelos locatários, não há como cotejar a situação do bem no</p><p>momento da devolução ao locador com o seu estado inicial.</p><p>45. Confira-se, a propósito, o seguinte julgado:</p><p>(...)</p><p>46. Na hipótese, o Laudo de Vistoria de Saída (Id. 139771102) apresentado pelo autor foi</p><p>produzido unilateralmente, de modo que, como visto, é insuficiente à comprovação da</p><p>necessidade dos reparos alegados.</p><p>47. Veja-se que apenas o Laudo de Vistoria de Entrada (Id. 139771100) foi assinado</p><p>pelos réus, tendo o autor ajuizado a presente ação mais de um ano após a retomada da</p><p>posse do bem, o que inviabiliza completamente a constatação de eventuais avarias de</p><p>responsabilidade dos locatários.</p><p>48. As provas documentais produzidas pelo autor, de igual forma e pelas mesmas razões,</p><p>não se prestam a comprovar os danos ou a demonstrar o montante necessário para a</p><p>restituição do imóvel ao statu quo ante.</p><p>49. O recibo emitido pela imobiliária (Id. 98197981) foi confeccionado mais de um mês</p><p>após a devolução do imóvel, e não descreve os serviços prestados. O orçamento/pedido</p><p>colacionado ao Id. 98197982 sequer foi datado, o que enseja fundadas</p><p>dúvidas acerca da</p><p>existência/responsabilidade dos réus pelos danos relatados a inicial.</p><p>50. Ausentes provas idôneas acerca dos fatos constitutivos do direito o autor, inviável o</p><p>acolhimento do pleito autoral neste ponto.</p><p>(...)</p><p>Com efeito, ausentes elementos de prova no sentido de que os locatários participaram da vistoria final,</p><p>ou que foram previamente cientificados do dia de sua realização, bem como de que foram</p><p>posteriormente notificados das deteriorações encontradas e dos reparos necessários, não há como</p><p>imputar aos réus/apelados a responsabilidade pelo pagamento dos valores despendidos para reforma</p><p>do imóvel, porquanto não demonstrado o descumprimento do dever de entrega do bem no estado de</p><p>conservação em que o recebera.</p><p>Assim, haja vista que o autor não se desincumbiu do ônus que lhe cabia de comprovar o fato</p><p>constitutivo do seu direito, nos termos do art. 373, I, do CPC, não merece acolhida sua pretensão</p><p>recursal.</p><p>Do recurso do réu Alex Marques de Sousa</p><p>Em suas razões recursais, aduz o apelante que a cobrança de honorários advocatícios no patamar de</p><p>20% (vinte por cento) sobre o valor do débito, fixada no parágrafo segundo da cláusula segunda do</p><p>contrato de locação, é abusiva, pois fere os princípios da probidade e da boa-fé objetiva.</p><p>Alega que os honorários advocatícios contratuais são de responsabilidade de quem contratou o</p><p>causídico (no caso, o credor), de modo que não deve prosperar a condenação do devedor ao seu</p><p>pagamento. Sublinha, ademais, que “a condenação ao pagamento concomitante dos honorários</p><p>advocatícios convencionais e honorários de sucumbência não é viável e pode acarretar bis in idem”.</p><p>Do exame dos autos, assiste razão ao recorrente.</p><p>A natureza jurídica dos honorários advocatícios contratuais e sucumbenciais é distinta. Os honorários</p><p>advocatícios sucumbenciais, impostos à parte vencida por imperativo legal (art. 85 e art. 827, §§ 1º e</p><p>2º, ambos do CPC ), não se confundem com os honorários advocatícios contratuais/convencionais,[2]</p><p>pactuados livremente entre o causídico e seu cliente.</p><p>Nessa linha, distinguindo os institutos, dispõe o art. 22 do Estatuto da OAB que “a prestação de</p><p>serviço profissional assegura aos inscritos na OAB o direito aos honorários convencionados, aos</p><p>fixados por arbitramento judicial e aos de sucumbência”.</p><p>O Código Civil, por sua vez, prevê nos artigos 389, 395 e 404 a possibilidade de cobrança dos[3]</p><p>honorários advocatícios como consequência da mora ou do inadimplemento do devedor.</p><p>Acerca do tema, o entendimento que prevalece é o de que os honorários contratuais ou convencionais,</p><p>por decorrerem de ajuste entre a parte contratante e seu patrono, em circunstâncias particulares e sem</p><p>participação da parte contrária, não podem ser imputados a esta, porquanto não se enquadram como</p><p>danos materiais passíveis de indenização.</p><p>Segundo o posicionamento jurisprudencial deste e. TJDFT, as disposições dos arts. 389, 395 e 404 do</p><p>CC referem-se apenas à eventual atividade exercida pelo advogado em momento anterior ao</p><p>ajuizamento da ação (fase extrajudicial) . Isso porque a atividade exercida em juízo pelo patrono da[4]</p><p>parte vencedora (ou, no caso, credora) já é remunerada pelos honorários de sucumbência, fixados pelo</p><p>Juízo na forma do que prevê o art. 85 do CPC.</p><p>Nesse sentido, colhe-se julgados deste e. Tribunal de Justiça, a respeito do tema, :in verbis</p><p>CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. TÍTULO</p><p>EXTRAJUDICIAL. CONTRATO DE LOCAÇÃO. BENS MÓVEIS. ALUGUEIS</p><p>DEVIDOS. RESCISÃO. AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO FORMAL. CONJUNTURA</p><p>INDUVIDOSA. HONORÁRIOS CONTRATUAIS. ARTS. 389, 395 E 404, CÓDIGO</p><p>CIVIL. ATUAÇÃO EXTRAJUDICIAL. NÃO COMPROVADA. DECOTE DO VALOR</p><p>EXEQUENDO. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. INOCORRÊNCIA. 1. Trata-se de apelação</p><p>interposta em face de sentença que, em embargos à execução, julgou procedentes os</p><p>pedidos para reconhecer o excesso e determinar o decote do valor dos alugueis vencidos</p><p>nos meses de dezembro/2015 a maio/2016, bem como do valor de cobrado a título de</p><p>honorários contratuais. 2. Esclarecida a questão fática e demonstrada a ocorrência da</p><p>rescisão contratual (embora sem o cumprimento da exigência de comunicação escrita</p><p>estabelecida para tanto, mas com a adoção de conduta prevista em contrato como</p><p>equivalente ao término), acertado o decote dos alugueis vencidos a partir de tal</p><p>momento. 3. Conforme disposição do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (Lei n.</p><p>8.906/94), a remuneração do advogado é composta pelos honorários contratuais, ou</p><p>convencionais, pactuados entre o causídico e o seu cliente a partir de livre estipulação,</p><p>bem como pelos honorários de sucumbência, estes fixados com base no artigo 85 do CPC</p><p>ou no artigo 827, §§1º e 2º, em se tratando de execução. 4. No tocante aos honorários</p><p>advocatícios contratuais ou convencionais, são devidos pela parte contratante, não</p><p>cabendo falar em repasse de tal ônus à parte sucumbente, não participante do ajuste</p><p>particular. Prevalece o entendimento de que os honorários decorrentes de contratos</p><p>firmados pela parte contrária e o seu procurador, em circunstâncias particulares e sem</p><p>participação do devedor, não se enquadram na categoria de danos materiais passíveis de</p><p>indenização. 5. O disposto nos artigos 389, 395 e 404, do Código Civil, refere-se aos</p><p>honorários advocatícios devidos por eventual atividade exercida pelo advogado</p><p>contratado pelo credor para efetuar cobrança na fase extrajudicial, em momento</p><p>anterior ao ajuizamento da causa. 6. Apesar de permitida a cobrança de honorários</p><p>previstos em cláusula contratual, é necessária a comprovação da efetiva atuação do</p><p>advogado em fase anterior ao ajuizamento da ação, fato não demonstrado nos autos. 7.</p><p>Não há litigância de má-fé imputável à parte que se limita a buscar o reconhecimento do</p><p>seu direito, sem cometer qualquer ilícito processual. 8. Recurso conhecido e desprovido.</p><p>(Acórdão 1141131, 20170110441235APC, Relator: SANDOVAL OLIVEIRA, 2ª</p><p>TURMA CÍVEL, data de julgamento: 28/11/2018, publicado no DJE: 5/12/2018. Pág.:</p><p>254/262)</p><p>AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO. TÍTULO EXTRAJUDICIAL. CONTRATO</p><p>DE CONFISSÃO E PARCELAMENTO DE DÍVIDA. HONORÁRIOS CONTRATUAIS,</p><p>CONVENCIONAIS OU CONVECIONADOS. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA.</p><p>HONORÁRIOS EXTRAJUDICIAIS PREVISTOS NO CÓDIGO CIVIL (ARTIGOS 389,</p><p>395 E 404 DO CÓDIGO CIVIL). EFETIVA ATUAÇÃO EM FASE EXTRAJUDICIAL.</p><p>NÃO COMPROVAÇÃO. COBRANÇA INDEVIDA. ENUNCIADO 161 DO CONSELHO</p><p>DE JUSTIÇA FEDERAL (CJF) 1. Agravo de instrumento interposto contra r. decisão</p><p>que, em execução de título extrajudicial (contrato de confissão e parcelamento de dívida)</p><p>determinou a retificação do valor em execução para extirpar a cobrança dos honorários</p><p>advocatícios previstos no acordo, no percentual de 20% (vinte por cento) sobre o valor</p><p>da cobrança. 2. Se os honorários advocatícios decorrentes de atividade em juízo são</p><p>fixados de acordo com o artigo 85 ou com base no artigo 827, ambos do CPC, e não</p><p>sendo possível cobrar do devedor o que se despendeu na contratação de advogado para</p><p>ajuizar a ação de conhecimento ou de execução (ante a impossibilidade de vincular o</p><p>devedor ao ajuste feito entre o credor e seu advogado), forçoso concluir que as</p><p>disposições dos artigos 389, 395 e 404, do Código Civil, referem-se a honorários</p><p>advocatícios devidos ao credor por eventual atividade exercida por advogado por este</p><p>contratado para efetuar a cobrança na fase extrajudicial, antes do ajuizamento da causa.</p><p>Precedentes do STJ. 3. Tendo os honorários advocatícios previstos no Código Civil</p><p>natureza reparatória, necessária a efetiva atividade de advogado na fase extrajudicial,</p><p>conforme dispõe o enunciado 161 do Conselho da Justiça Federal, que assim dispõe: "Os</p><p>honorários advocatícios previstos nos arts. 389 e 404 do Código Civil apenas têm</p><p>cabimento quando ocorre a efetiva atuação profissional do advogado". E, no caso dos</p><p>(Acórdãoautos, essa atuação não restou comprovada. Recurso conhecido e desprovido.</p><p>1116727, 07044565320188070000, Relator: CESAR LOYOLA, 2ª Turma Cível, data de</p><p>julgamento: 8/8/2018, publicado no DJE: 22/8/2018. Pág.: Sem Página Cadastrada.)</p><p>Na espécie, observa-se do contrato de locação celebrado entre as partes ( a cláusulaID 58175167) que</p><p>que ampararia a denominada cobrança de honorários advocatícios contratuais está assim redigida,</p><p>confira-se:</p><p>CLÁUSULA SEGUNDA – o valor mensal do aluguel, livremente pactuado será de</p><p>R$700,00 (Setecentos Reais) a ser pago pelo LOCATÁRIO (a), até o dia do vencimento.</p><p>Os alugueis deverão ser pagos mediante boleto bancário a ser retirado na sede da</p><p>imobiliária. A falta de pagamento do aluguel mensal e dos encargos previstos, dentro da</p><p>data fixada, acarretará a aplicação de multa moratória equivalente a 10% (dez por</p><p>cento) e juros de 2% ao mês sobre o valor do débito devidamente atualizado desde a data</p><p>do vencimento.</p><p>(...)</p><p>Parágrafo Segundo – Decorrido o prazo de 10 (dez) dias do vencimento, será o débito</p><p>AUTOMATICAMENTE e sem aviso prévio, encaminhado ao Departamento Jurídico da</p><p>Administradora para cobrança amigável e/ou judicial. Fica desde já estabelecido, que no</p><p>caso de cobrança amigável, serão devidos honorários de 10% (dez por cento) sobre o</p><p>montante devido, contudo, se necessário o procedimento judicial, os honorários serão de</p><p>20% (vinte por cento) sobre o valor do débito e/ou de 10% (dez por cento) sobre o valor</p><p>da causa, no caso de ação de despejo e/ou cobrança, suportando ainda o</p><p>LOCATÁRIO(a), o pagamento das custas processuais.</p><p>Ao se debruçar sobre a aludida cláusula, o d. Juízo a quo entendeu inexistir abusividade sobre a</p><p>cobrança dos honorários contratuais, nos moldes estabelecidos no contrato, sob os seguintes</p><p>fundamentos, :ad litteris</p><p>(...)</p><p>37. Verifica-se, outrossim, previsão de acréscimo, em caso de atraso no pagamento, de</p><p>multa no patamar de 10%, juros de 2% ao mês e correção monetária (Cláusula</p><p>Segunda), além do pagamento de honorários advocatícios de 20% sobre o valor do</p><p>débito em caso de demanda judicial (Cláusula Segunda, Parágrafo Segundo).</p><p>38. Tais índices, todavia, não podem ser considerados abusivos, como pretende o</p><p>primeiro réu.</p><p>(...)</p><p>39. Neste ponto, destacam-se recentes precedentes favoráveis à aplicação destas</p><p>convenções contratuais, in verbis:</p><p>APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE DESPEJO C/C COBRANÇA DE ALUGÉIS.</p><p>PRELIMINAR. DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL.</p><p>INADIMPLEMENTO DO LOCATÁRIO. COMPROVAÇÃO. VALOR DO ALUGUEL.</p><p>DESCONTO PONTUALIDADE. IPTU. PAGAMENTO PROPORCIONAL. MULTA</p><p>COMPENSATÓRIA. INCIDÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCVIOS CONTRATUAIS.</p><p>PREVISÃO CONTRATUAL. VERBAS DEVIDAS. SENTENÇA MANTIDA. 1. O Autor</p><p>apresentou prova do fato constitutivo do direito dele, qual seja, a existência de ajuste</p><p>entre as partes que cria para o Réu a obrigação de pagar aluguéis com desconto de</p><p>pontualidade, IPTU proporcional ao ano, além de cláusula penal compensatória</p><p>proporcional ao tempo de vigência do contrato. 2. O pagamento dos honorários</p><p>advocatícios contratuais de 20% (vinte por cento) sobre o montante devido foi previsto</p><p>no Contato de Locação Comercial. 3. Trata-se de cláusula livremente firmada pelas</p><p>partes, cujo percentual está dentro da média estipulada para esse tipo de avença, não se</p><p>verificando a ocorrência de qualquer abusividade que enseje a atuação judicial</p><p>pleiteada. 4. Apelação conhecida em parte e, nessa extensão, não provida. (Acórdão</p><p>1785377, 07299281420228070001, Relator: Robson Teixeira de Freitas, 8ª Turma Cível,</p><p>data de julgamento: 14/11/2023, publicado no DJE: 1/12/2023. Pág.: Sem Página</p><p>Cadastrada.)</p><p>(...)</p><p>Consoante se depreende da leitura da referida cláusula, a previsão contratual de pagamento de</p><p>honorários contratuais ocorre tanto por atuação administrativa como por atuação judicial, hipóteses</p><p>em que se impõe ao locatário devedor a cobrança de honorários advocatícios no percentual,</p><p>respectivamente, de 10% (dez por cento) ou de 20% (vinte por cento) sobre o valor do débito.</p><p>No caso, não se verifica dos autos indícios de atuação de advogado na esfera administrativa. Em rigor,</p><p>isso sequer é alegado na fase de conhecimento, tampouco debatido na r. sentença.</p><p>Logo, considerando que a atividade advocatícia está limitada ao âmbito judicial, passa-se à análise da</p><p>validade da cláusula segunda, parágrafo segundo, do contrato de locação, no tocante à cobrança de</p><p>honorários contratuais na ordem de 20% (vinte por cento) sobre o valor da dívida.</p><p>Conforme demonstrado, em caso de ajuizamento de ação judicial (no caso, ação de cobrança), os</p><p>honorários advocatícios são regidos pelo art. 85 do CPC, a serem estabelecidos pelo juízo da causa,</p><p>mediante aferição dos parâmetros fixados na norma em comento.</p><p>Com efeito, com a devida vênia ao entendimento exarado pelo i. magistrado sentenciante, verifica-se</p><p>que não se trata, na espécie, de honorários contratuais, mas, sim, de honorários judiciais fixados</p><p>previamente pela parte credora, em seu patamar máximo.</p><p>Ressalte-se, nesse ponto, que a relação contratual/obrigacional existente entre o autor (ora apelado) e</p><p>seu patrono, especificamente no que tange aos honorários advocatícios, não abrange a parte</p><p>ré/apelante. Como sabido, a escolha do advogado é ato privativo de quem o contrata, com base em</p><p>critérios variados. Desse modo, consiste em avaliação pessoal que não pode ser transferida a terceiro a</p><p>título de ressarcimento.</p><p>Comungando dessa concepção, colacionam-se os seguintes arestos desta Corte de Justiça, :ad litteris</p><p>PROCESSO CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE</p><p>SERVIÇOS ODONTOLÓGICOS. INADIMPLÊNCIA DO CONTRATANTE. EXCESSO</p><p>NA EXECUÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS CONTRATUAIS.</p><p>IMPOSSIBILIDADE DE IMPUTAÇÃO A TERCEIROS. RECURSO DESPROVIDO. I. A</p><p>controvérsia giza em torno da possibilidade (ou não) da condenação da parte executada</p><p>ao pagamento de honorários convencionais, conforme cláusula prevista em contrato de</p><p>prestação de serviços odontológicos entabulado entre as partes. II. Os honorários</p><p>advocatícios contratuais/convencionais constituem remuneração paga pelo serviço</p><p>prestado, a qual é pactuada livremente entre o advogado e o seu cliente, sendo abusiva a</p><p>imputação das despesas dessa relação contratual a terceiros. III. No caso em concreto, o</p><p>contrato de prestação de serviços odontológicos celebrado entre as partes traz cláusula</p><p>que prevê o acréscimo de 10% de honorários advocatícios, se necessária a cobrança</p><p>pelo contratado dos débitos resultantes da inadimplência do contratante pela via</p><p>judicial. IV. Por conseguinte, a cobrança concomitante do pagamento dos honorários</p><p>advocatícios convencionais e sucumbenciais configuraria inaceitável bis in idem, uma</p><p>vez que seriam aplicadas duas sanções sobre a mesma base fática. Impositiva, pois, a</p><p>exclusão daquela rubrica, como determinado na sentença. V. Apelação desprovida.</p><p>(Acórdão 1798935, 07023367120228070008, Relator: FERNANDO ANTONIO</p><p>TAVERNARD LIMA, 2ª Turma Cível, data de julgamento: 6/12/2023, publicado no PJe:</p><p>8/1/2024. Pág.: Sem Página Cadastrada.)</p><p>APELAÇÃO CÍVEL. CIVIL. CIVIL. PROCESSO CIVIL. AÇÃO DE COBRANÇA. TAXAS</p><p>CONDOMINIAIS. HONORÁRIOS CONVENCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. SENTENÇA</p><p>MANTIDA. 1. A Corte Especial do colendo STJ já se pronunciou no sentido de ser</p><p>incabível a condenação da parte sucumbente aos honorários contratuais despendidos</p><p>pela vencedora. Precedentes. 2. O contrato de prestação serviços advocatícios firmado</p><p>entre advogado e seu cliente, e ensejador da verba honorária convencional, não é capaz</p><p>de impor obrigações para terceiros, já que estabelece obrigações vinculadas</p><p>exclusivamente para os contratantes. 3. A responsabilidade prevista no § 1º do art. 1.336</p><p>do CC/02 para a hipótese de inadimplemento de contribuição condominial, sujeita o</p><p>condômino somente aos juros moratórios convencionados ou, não havendo esta previsão,</p><p>em um por cento ao mês e multa de até dois por cento sobre o débito. 4. Recurso</p><p>(Acórdão 1777704, 07136639720238070001, Relator:conhecido e não provido.</p><p>MAURICIO SILVA MIRANDA, 7ª Turma Cível, data de julgamento: 25/10/2023,</p><p>publicado no DJE: 13/11/2023. Pág.: Sem Página Cadastrada.)</p><p>DIREITO CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. HONORÁRIOS</p><p>ADVOCATÍCIOS CONTRATUAIS. SENTENÇA MANTIDA. 1. No caso concreto, o</p><p>contrato</p><p>de locação previu que, em caso de atraso no pagamento e procedimento judicial</p><p>para cobrança de alugueres inadimplidos, serão devidos honorários advocatícios no</p><p>percentual de 20% sobre o valor atualizado do débito. 2. Os honorários advocatícios</p><p>contratuais, porque decorrentes de avença estritamente particular, não podem ser</p><p>ressarcidos pela parte sucumbente, que não participou do ajuste. (Acórdão</p><p>1220776,00219783920158070001, Relator: João Egmont, 2ª Turma Cível, data de</p><p>julgamento: 4.12.2019, publicado no DJe: 16.12.2019). 3. A fixação de honorários é ato</p><p>privativo do juiz, a quem cabe analisar as circunstâncias do caso concreto e fixar o valor</p><p>adequado para remunerar o trabalho desenvolvido pelo advogado da parte que se</p><p>sagrou vitoriosa na lide, segundo os critérios dispostos no artigo 85, § 2°, do Código de</p><p>(Acórdão 1733913,Processo Civil. 4. Apelação conhecida e não provida. Unânime.</p><p>07414683020208070001, Relator: FÁTIMA RAFAEL, 3ª Turma Cível, data de</p><p>julgamento: 20/7/2023, publicado no DJE: 3/8/2023. Pág.: Sem Página Cadastrada.)</p><p>Processual civil. Civil. locação. REDUÇÃO TEMPORÁRIA. MERA LIBERALIDADE.</p><p>VEDAÇÃO AO COMPORTAMENTO CONTRADITÓRIO. PANDEMIA. EVENTO</p><p>EXTRAORDINÁRIO E IMPREVISÍVEL. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. CAUSA</p><p>ABSTRATA. TÉRMINO DA LOCAÇÃO. ENTREGA DAS CHAVES. IMISSÃO NO</p><p>IMÓVEL. MULTA MORATÓRIA. MULTA PENAL COMPENSATÓRIA. CUMULAÇÃO.</p><p>POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS CONTRATUAIS. EXIGÊNCIA DE</p><p>EFETIVO TRABALHO EXTRAJUDICIAL. 1. O locador que por mera liberalidade</p><p>concede redução temporária de aluguel e ressalva que após aquele determinado período</p><p>serão rediscutidas as condições contratuais futuras, não pode cobrar, retroativamente, a</p><p>diferença do período em que houve a concessão do desconto, sob pena de violar a boa-fé</p><p>objetiva, a vedação do comportamento contraditório, a lealdade e a legítima expectativa.</p><p>2. A notoriedade da questão atinente à saúde pública não se converte automaticamente</p><p>como causa abstrata de eventuais prejuízos econômicos para a saúde financeira de cada</p><p>empresa, tampouco autoriza analisar todas as empresas da mesma forma. 3. Embora seja</p><p>possível interpretar o contexto de pandemia como evento extraordinário e imprevisível, é</p><p>necessário que haja provas que indique o indevido desbalanceamento contratual a</p><p>ensejar a necessidade de revisão. 4. O término da locação não se dá pela simples</p><p>desocupação do bem, mas sim com a entrega efetiva das chaves ou a imissão na posse do</p><p>imóvel. 5. É devida a cobrança de multa moratória, cumulada com multa penal</p><p>compensatória, em virtude da rescisão de contrato locatício. 6. A cobrança de</p><p>honorários advocatícios contratuais requer efetiva atuação extrajudicial, sob pena de</p><p>(Acórdão 1641308,desequilíbrio contratual. 7. Deu-se parcial provimento ao recurso.</p><p>07369835020218070001, Relator: FABRÍCIO FONTOURA BEZERRA, 7ª Turma Cível,</p><p>data de julgamento: 16/11/2022, publicado no DJE: 7/12/2022. Pág.: Sem Página</p><p>Cadastrada.)</p><p>DIREITO CIVIL. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EMPRÉSTIMO A</p><p>PARTICIPANTE. INADIMPLEMENTO. DESCONTO DO SALDO DEVEDOR DO</p><p>MONTANTE A SER RESTITUÍDO EM RAZÃO DO DESLIGAMENTO DO PLANO DE</p><p>PREVIDÊNCIA. INCLUSÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS CONVENCIONAIS</p><p>PREVISTOS PARA A HIPÓTESE DE AJUIZAMENTO DE DEMANDA JUDICIAL.</p><p>DESCABIMENTO. SENTENÇA MANTIDA. I. Cláusula contratual que prevê honorários</p><p>advocatícios para a hipótese de cobrança judicial do empréstimo concedido pela</p><p>entidade de previdência complementar não autoriza a sua inclusão no saldo devedor</p><p>descontado das contribuições restituídas ao participante que se desliga do plano de</p><p>previdência complementar. II. Os artigos 389, 395 e 404 do Código Civil não autorizam</p><p>a interpretação de que, aos honorários advocatícios de sucumbência, podem ser</p><p>agregados honorários advocatícios convencionados para a hipótese de ajuizamento de</p><p>(Acórdão 1430026,ação judicial. III. Apelação conhecida e desprovida.</p><p>07067429320218070001, Relator: JAMES EDUARDO OLIVEIRA, 4ª Turma Cível, data</p><p>de julgamento: 9/6/2022, publicado no DJE: 23/6/2022. Pág.: Sem Página Cadastrada.)</p><p>Considerando que, no caso em análise, a atuação do advogado do locador (autor) cingiu-se ao âmbito</p><p>judicial, e que compete privativamente ao Poder Judiciário a fixação da citada verba honorária, na</p><p>forma estabelecida pelo art. 85, § 2º, do CPC, não se afigura escorreita a r. sentença, no ponto em que</p><p>condenou os locatários (réus) ao pagamento de honorários contratuais no percentual de 20% (vinte por</p><p>cento) sobre o valor do débito reconhecido. Assim, merece acolhida a pretensão recursal do réu nesse</p><p>ponto.</p><p>Com essas considerações, conheço do recurso do autor e nego-lhe provimento.</p><p>Por outro lado, conheço do recurso do réu e dou-lhe provimento para reformar parcialmente a</p><p>sentença apelada e julgar improcedente o pedido autoral de condenação dos réus ao pagamento dos</p><p>honorários contratuais, no patamar de 20% (vinte por cento) sobre o valor do débito reconhecido na</p><p>ação.</p><p>Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, em atenção aos parâmetros do art. 85, § 2º, do CPC,</p><p>especialmente no tocante ao grau de zelo profissional e ao trabalho despendido em grau recursal,</p><p>majoro em 1% (um por cento) os honorários advocatícios fixados em relação ao autor, totalizando</p><p>11% (onze por cento) sobre o valor da condenação.</p><p>Diante da sucumbência recíproca e equivalente das partes, redistribuo os ônus da sucumbência na</p><p>ação principal, a fim de sejam rateados proporcionalmente entre as partes, na ordem de 50%</p><p>(cinquenta por cento) para cada.</p><p>É como voto.</p><p>[1] Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e</p><p>causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.</p><p>Art. 827. Ao despachar a inicial, o juiz fixará, de plano, os honorários advocatícios de dez por[2]</p><p>cento, a serem pagos pelo executado.</p><p>§ 1º No caso de integral pagamento no prazo de 3 (três) dias, o valor dos honorários advocatícios será</p><p>reduzido pela metade.</p><p>§ 2º O valor dos honorários poderá ser elevado até vinte por cento, quando rejeitados os embargos à</p><p>execução, podendo a majoração, caso não opostos os embargos, ocorrer ao final do procedimento</p><p>executivo, levando-se em conta o trabalho realizado pelo advogado do exequente.</p><p>Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e[3]</p><p>atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado.</p><p>Art. 395. Responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora der causa, mais juros, atualização dos</p><p>valores monetários segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado.</p><p>Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização</p><p>monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários</p><p>de advogado, sem prejuízo da pena convencional.</p><p>Os honorários contratuais fundados nas regras civilistas (arts. 389, 395 e 404) exigem a[4]</p><p>demonstração do trabalho extrajudicial desenvolvido pelo advogado, diante de sua natureza</p><p>reparatória. (Acórdão 1155683, 20160710035768APC, Relator: MARIO-ZAM BELMIRO, 8ª</p><p>TURMA CÍVEL, data de julgamento: 21/2/2019, publicado no DJE: 7/3/2019, p. 587/590).</p><p>O Senhor Desembargador MAURICIO SILVA MIRANDA - 1º Vogal</p><p>Com o relator</p><p>O Senhor Desembargador FABRÍCIO FONTOURA BEZERRA - 2º Vogal</p><p>Com o relator</p><p>DECISÃO</p><p>CONHECIDOS. RECURSO DO AUTOR DESPROVIDO. RECURSO DO RÉU PROVIDO.</p><p>UNÂNIME.</p>

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