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APELAÇÃO CÍVEL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. OUTORGA DE ESCRITURA PÚBLICA. QUITAÇÃO INTEGRAL DO PREÇO.
PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA. PERÍCIA. Tratando-se de questão preponderantemente de direito, juntado aos autos o contrato celebrado entre as partes, resulta desnecessária a produção de outras provas, sendo viável o julgamento antecipado da lide. Preliminar rejeitada.
OUTORGA DE ESCRITURA PÚBLICA. CLÁUSULA DE RECOMPRA DO IMÓVEL. A cláusula contratual que prevê a outorga de escritura pública de compra e venda ao cessionário deve ser cumprida pelo cedentes, mormente diante do adimplemento integral do valor estipulado pelo imóvel, sendo inaplicável a cláusula de recompra em face do flagrante inadimplemento do promitente-vendedor.
DANO MORAL. O descumprimento de obrigação contratual, por si só, não gera o direito à indenização por danos morais. No caso, porém, o atraso injustificado e substancial na outorga de escritura pública autoriza a indenização pelos danos morais experimentados pelo promitente-comprador.
VALOR INDENIZATÓRIO. REDUÇÃO. O quantum indenizatório, atendido o princípio da razoabilidade, deve ser fixado considerando as circunstâncias do caso, o bem jurídico lesado, a situação pessoal do autor, inclusive seu conceito, o potencial econômico do lesante, a ideia de atenuação dos prejuízos do demandante e o sancionamento do réu a fim de que não volte a praticar atos lesivos semelhantes contra outrem.
JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. Tratando-se de responsabilidade contratual os juros moratórios incidem desde a citação.
MULTA (ASTREINTE). MANUTENÇÃO DO VALOR. Tratando-se de obrigação de fazer e de não fazer, resulta viável juridicamente a imposição de multa em decisão interlocutória ou sentença (art. 537, CPC/15). No caso, a multa restou fixada em valor adequado, suficiente e compatível com a obrigação. Contudo, possível sua limitação para que cumpra a finalidade a que se destina sem ensejar enriquecimento sem causa do credor da obrigação.
PRELIMINAR REJEITADA.
APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDA.
 
	Apelação Cível
 
	Décima Nona Câmara Cível
	Nº 70073772709 (Nº CNJ: 0141385-33.2017.8.21.7000)
 
	Comarca de Santa Cruz do Sul
	VJS EMPREENDIMENTOS E NEGOCIOS IMOBILIARIOS LTDA
 
	APELANTE
	GILNEI IZAIR RODRIGUES GARCIA
 
	APELADO
 
ACÓRDÃO
 
Vistos, relatados e discutidos os autos.
Acordam os Desembargadores integrantes da Décima Nona Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado, à unanimidade, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em dar parcial provimento à apelação.
Custas na forma da lei.
Participaram do julgamento, além do signatário, os eminentes Senhores Des. Voltaire de Lima Moraes (Presidente) e Des.ª Mylene Maria Michel.
Porto Alegre, 23 de novembro de 2017.
DES. MARCO ANTONIO ANGELO,
Relator.
 
RELATÓRIO
Des. Marco Antonio Angelo (RELATOR)
Trata-se de apelação interposta por VJS EMPREENDIMENTOS E NEGOCIOS IMOBILIARIOS LTDA contra a sentença proferida na ação de obrigação de fazer cumulada com indenização por danos morais ajuizada por GILNEI IZAIR RODRIGUES GARCIA, com o seguinte dispositivo (fl. 123v):
Ao exposto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE a pretensão deduzida por Gilnei Izair Rodrigues Garcia contra VJS Empreendimentos e Negócios Imobiliários Ltda., para condenar a requerida à obrigação de fazer de outorgar a escritura definitiva de compra e venda do imóvel “apartamento residencial n.º 304 e box de estacionamento n.º 14”, do Edifício Visão Imóveis, matriculado sob o n.º 64.505 do Cartório de Registro de Imóveis local para o autor, nos prazos abaixo fixados.
Para assegurar o resultado prático equivalente ao adimplemento, com fulcro no artigo 497 do CPC, determino à requerida promover, se ainda não o fez:
 
a) a transferência do imóvel para seu nome, mediante o registro da escritura pública acostada nas fls. 39/40;
 
b) a individualização do terreno sobre o qual está construído o empreendimento, inclusive com a averbação da construção já concluída e individualização das unidades autônomas do empreendimento, no prazo de 90 (noventa) dias a contar do trânsito em julgado desta decisão;
 
 c) quaisquer diligências necessárias e imprescindíveis à adequada regularização do condomínio e consequente outorga do título de propriedade do bem ao autor;
 
Outrossim, CONDENO a requerida a pagar ao requerente o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais) a título de indenização por danos morais, sobre o qual incidirá juros de mora no patamar de 1% ao mês, desde a citação, e correção monetária pela variação do IGPM, a contar desta sentença.
O descumprimento de quaisquer das obrigações estabelecidas implicará o pagamento de multa diária no valor de R$ 100,00.
 
Por entender que o decaimento da autora foi mínimo, condeno a requerida a pagar a integralidade das custas e honorários advocatícios aos procuradores do autor, estes fixados em 10% sobre o valor atualizado da causa, nos termos do disposto no artigo 85, § 2º, CPC, considerando especialmente a natureza da causa e o trabalho desenvolvido.
 
A sentença foi objeto de embargos de declaração, os quais foram parcialmente acolhidos, consoante dispositivo que transcrevo (fl. 197):
Em face do exposto, ACOLHO PARCIALMENTE os embargos de declaração das fls.191/195, para o fim de rever o entendimento exposto na sentença das fls. 185/187, cujo dispositivo passa a vigorar com a seguinte redação, agregando-se as razões dos presentes embargos de declaração como fundamentos daquela decisão:
 
Ao exposto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE a pretensão deduzida por Gilnei Izair Rodrigues Garcia contra VJS Empreendimentos e Negócios Imobiliários Ltda., para condenar a requerida à obrigação de fazer de outorgar a escritura definitiva de compra e venda do imóvel ¿apartamento residencial n.º 304 e box de estacionamento n.º 14¿, do Edifício Visão Imóveis, matriculado sob o n.º 64.505 do Cartório de Registro de Imóveis local para o autor, nos prazos abaixo fixados.
 
Para assegurar o resultado prático equivalente ao adimplemento, com fulcro no artigo 497 do CPC, determino à requerida promover, se ainda não o fez:
 
a) a transferência do apartamento n.º 304 e box garagem n.º 14, construídos no terreno matriculado sob o n.º 64.505, mediante obtenção e registro da escritura pública correspondente;
 
b) a individualização do terreno sobre o qual está construído o empreendimento, inclusive com a averbação da construção já concluída e individualização das unidades autônomas do empreendimento, no prazo de 90 (noventa) dias a contar do trânsito em julgado desta decisão;
 
c) quaisquer diligências necessárias e imprescindíveis à adequada regularização do condomínio e consequente outorga do título de propriedade do bem ao autor;
 
Outrossim, CONDENO a requerida a pagar ao requerente o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais) a título de indenização por danos morais, sobre o qual incidirá juros de mora no patamar de 1% ao mês, desde a citação, e correção monetária pela variação do IGPM, a contar desta sentença.
 
O descumprimento de quaisquer das obrigações estabelecidas implicará o pagamento de multa diária no valor de R$ 100,00.
 
Por entender que o decaimento da autora foi mínimo, condeno a requerida a pagar a integralidade das custas e honorários advocatícios aos procuradores do autor, estes fixados em 10% sobre o valor atualizado da causa (este deverá sofrer a correção monetária, pelo IGP-M, desde o ajuizamento da ação, mais juros de mora, em 1% ao mês, a contar do trânsito em julgado da presente decisão), nos termos do disposto no artigo 85, § 2º, CPC, considerando especialmente a natureza da causa e o trabalho desenvolvido.
 
6. Por fim, considerando que o feito esteve em carga com o procurador da parte autora durante o período de prazo comum às partes, conforme comprova a certidão da fl. 190, defiro o pedido formulado pela requerida à fl. 189, e determino a reabertura do prazo para sua manifestação quanto à NE n.º 429/2016 (fl. 188).
 
Intimem-se.
Diligências legais.
 
A parte-ré, declinando suas razões, requer o seguinte:
- o acolhimento da preliminarde cerceamento de defesa;
- seja autorizado o exercício da cláusula de recompra do imóvel litigioso;
- a fixação do prazo de 12 (doze) meses para o cumprimento da obrigação de outorga da escritura pública;
- o afastamento da condenação ao pagamento de indenização por dano moral ou, então, a redução do valor para patamar razoável;
- o afastamento da multa diária fixada para o caso de descumprimento do preceito ou então sua limitação à trinta (30) dias-multa.
Foram oferecidas contrarrazões (fls. 212-220).
Cumprido o disposto nos artigos 931, 934 e 935 do CPC/2015.
É o relatório.
VOTOS
Des. Marco Antonio Angelo (RELATOR)
CERCEAMENTO DE DEFESA. PERÍCIA
O Juiz é o destinatário da prova, incumbindo a ele, mediante a análise do quadro probatório existente nos autos, avaliar quais as provas são necessárias à instrução do processo e indeferir as diligências inúteis ou meramente protelatórias (art. 370 do CPC/2015).
A prova pericial deve ser indeferida quando desnecessária (art. 464, §1º, do CPC/2015).
A perícia é o meio de prova destinado a suprir ausência de conhecimento técnico específico para apuração do litígio, afastando dúvidas acerca de questões que o magistrado e as partes não dominam suficientemente.
Na hipótese dos autos, a solução da lide passa pela simples análise do contrato e das teses apresentadas pelas partes, aplicando-se o entendimento atinente à espécie.
O contrato objeto da presente obrigação de fazer foi devidamente colacionado aos autos.
Ademais, no caso, o valor da recompra está claramente informado no contrato celebrado entre as partes, ou seja, em quantia equivalente a CUBs acrescida de multa de 20% (vinte por cento), resultando desnecessária perícia para avaliação do imóvel.
Aliás, quando determinada a especificação de provas a ré não requereu prova pericial, limitando-se a solicitar prova testemunhal.
Acrescente-se que a perícia de avaliação foi determinada com o único objetivo de viabilizar uma composição, sendo que, posteriormente, o autor manifestou expressamente o seu desinteresse na composição amigável.
REJEITO, pois, a preliminar de cerceamento de defesa.
 
OUTORGA DE ESCRITURA PÚBLICA. CLÁUSULA DE RECOMPRA.
Tratando-se de promessa de compra e venda de imóvel, o pagamento integral do preço avençado entre as partes contratantes implica procedência da pretensão do promitente-comprador no sentido de compelir o vendedor a outorgar a escritura pública de compra e venda do bem objeto do contrato.
Neste sentido, transcrevo:
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ORDINÁRIA. OUTORGA ESCRITURA PÚBLICA. DEMORA. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO. MULTA CONTRATUAL. 1. O fato de o imóvel registrado sob nº 21.950 estar em nome da instituição financeira não tem o condão de isentar a segunda demandada de sua responsabilidade, porquanto assumiu compromisso perante os autores, mediante promessa de compra e venda, enquanto titular dos direitos e ações do respectivo bem imóvel. Impossibilidade jurídica do pedido rejeitada. 2. Inexiste impedimento legal à pretensão dos compradores, no sentido de compelir o vendedor e proprietário do bem imóvel em outorgar a escritura pública de compra e venda relativa ao imóvel descrito no contrato apresentado nos autos, após o incontestado pagamento integral do preço avençado. 3. Gize-se que a norma, advinda dos deveres anexos ao objeto principal do pacto (boa-fé objetiva), propicia segurança jurídica e equilíbrio nas relações contratuais, de modo que uma das partes só pode exigir o cumprimento por parte da outra quando estiver em dia com a sua prestação obrigacional. 4. A incidência de multa tem pertinência quando demonstrado prejuízo a qualquer uma das partes, o que se observa no caso em comento. Relevante o reclamo e havendo previsão contratual ao caso de descumprimento é de se manter a decisão, na medida em que a inércia da parte demandada impediu o registro imobiliário da compra e venda ajustada entre os litigantes. Multa contratual devida. NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO DE APELAÇÃO. (Apelação Cível Nº 70053378915, Décima Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Eduardo João Lima Costa, Julgado em 08/10/2013).
 
PROMESSA DE COMPRA E VENDA. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO COMINATÓRIA. OUTORGA DA ESCRITURA PÚBLICA. PAGAMENTO INTEGRAL DO PREÇO. Afastada a alegação de impossibilidade jurídica do pedido. Considerando que a autora comprovou o pagamento integral do preço, é responsabilidade dos demandados a outorga da escritura pública definitiva, razão pela qual a manutenção da sentença é medida que se impõe. Apelações desprovidas. (Apelação Cível Nº 70057391898, Décima Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Voltaire de Lima Moraes, Julgado em 03/12/2013).
APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO COMINATÓRIA. PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA E ATIVA. REJEIÇÃO. DEMANDADO PROPRIETÁRIO REGISTRAL DO IMÓVEL. ACIONANTES PROMISSÁRIOS COMPRADORES. A condição de proprietário do imóvel basta ao reconhecimento da identidade e pertinência subjetiva do réu com o objeto da lide, não tendo qualquer relevância o fato de não ter participado do negócio jurídico que embasa a pretensão inicial. Legitimidade também dos demandantes, promissários compradores do bem. OUTORGA DA ESCRITURA PÚBLICA. FINANCIAMENTO QUITADO. ADQUIRENTE DE BOA-FÉ. TERCEIRO NA RELAÇÃO JURÍDICA ESTABELECIDA ENTRE A CONSTRUTORA E O AGENTE FINANCEIRO. É assente na jurisprudência o entendimento no sentido de que, tendo honrado com a totalidade de suas obrigações, quitando todo o financiamento, o promitente comprador, adquirente de boa-fé, fica excluído dos ônus decorrentes da inércia da construtora, mostrando-se possível a outorga compulsória da escritura pública. REJEITARAM A PRELIMINAR E NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO. UNÂNIME. (Apelação Cível Nº 70053495297, Décima Oitava Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Pedro Celso Dal Pra, Julgado em 28/03/2013).
 
APELAÇÃO CÍVEL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA. OBRIGAÇÃO DE FAZER. NEGATIVA DE OUTORGA DE ESCRITURA PÚBLICA. QUITAÇÃO DO PREÇO DO IMÓVEL. MANTIDA DECISÃO QUE GARANTE AOS AUTORES A OUTORGA DE ESCRITURA, OBSERVADO COMPROMETIMENTO DO BANCO NESSE SENTIDO EM CONTRATO ANTERIOR E, AINDA, VISANDO AFASTAR PREJUÍZO AO COMPRADOR. RECURSO DESPROVIDO. (Apelação Cível Nº 70047002829, Décima Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Luiz Renato Alves da Silva, Julgado em 14/03/2013).
 
APELAÇÃO CIVEL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. OUTORGA DE ESCRITURA PÚBLICA. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA MANTIDA. Tratam os autos de ação de obrigação de fazer, em que os autores alegam que adquiriram o imóvel descrito na inicial, através de Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Direitos Aquisitivos, firmado com a empresa Tradel Incorporação e Construção Ltda., atual denominação de Building, que, por sua vez, havia firmado Compromisso de Compra e Venda do referido imóvel, com a empresa Albany Incorporações e Construções, atual denominação de Century Incorporações e Construções, o que, segundo os requerentes, mesmo após o pagamento integral do preço ajustado, a promitente vendedora recusou-se a outorgar a escritura do imóvel em apreço. Com efeito, restou comprovado nos autos o pagamento do preço entabulado entre as partes, pelo que a manutenção da sentença que julgou procedente o pedido veiculado na exordial, é medida que se impõe. APELAÇÃO DESPROVIDA. UNÂNIME. (Apelação Cível Nº 70027462548, Décima Oitava Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Elaine Maria Canto da Fonseca, Julgado em 29/11/2012).
 
APELAÇÃO CÍVEL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA. AÇÃO COMINATÓRIA DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. CONTRATO DE CESSÃO DE DIREITOS E AÇÕES SOBRE IMÓVEL. OUTORGA DE ESCRITURA PÚBLICA. PROPRIETÁRIO REGISTRAL QUE NÃO FEZ PARTE DA RELAÇÃO JURÍDICA COM A AUTORA, MAS AUTORIZOU SUA CREDORA A NEGOCIAR O IMÓVEL. Tendo a promitente compradora (cessionária) honrado integralmente o preço da unidade habitacional que adquiriu, faz jus à escrituração do imóvel, livre e desembaraçado, em seu nome, não podendo o Banco réu negar-se a outorgá-la, jáque permitiu à sua credora negociar os lotes com terceiros de boa-fé. Ainda que o imóvel não esteja gravado com hipoteca, o fato é que o mesmo está servindo de garantia ao pagamento de crédito em favor do Banco pela Incorporadora, o que permite a aplicação, por analogia, da Súmula 308 do STJ. Evidente que a Incorporadora descumpriu com os contratos, dando ensejo a esta ação, razão pela qual deve responder pela multa de 10%, nos termos da cláusula penal avençada. Logo, apenas o recurso da autora procede, e isso mesmo, apenas em parte. APELO DOS RÉUS DESPROVIDOS E DA AUTORA PARCIALMENTE PROVIDO. (Apelação Cível Nº 70049488539, Décima Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Eugênio Facchini Neto, Julgado em 25/09/2012).
 
No caso concreto, restou incontroverso contrato preliminar e o pagamento integral do preço estipulado no instrumento contratual.
 A promitente-vendedora ré postula a aplicabilidade da cláusula de recompra prevista no contrato firmado entre as partes (cláusula sexta – fl. 26).
A alegação de pretensão de recompra, porém, não é séria.
Ora, a presente ação foi ajuizada pelo promitente-comprador dois anos após transcorrido o prazo de outorga da escritura ou recompra do imóvel sem que, durante todo este período, a promitente-vendedora tivesse outorgado escritura ou exercido o direito de recomprar o imóvel.
Aliás, na contestação, a ré confessou que “não dispõe, no momento, de numerário suficiente” para a recompra, requerendo o prazo de “01 (um) ano” para efetuar o pagamento, o que não possui qualquer razoabilidade.
Se fosse séria a alegação de recompra e havendo resistência por parte do autor, a demandada deveria ter ajuizado a competente ação tão-logo encerrado o prazo contratual de 36 meses ou, na melhor das hipóteses, depositado judicialmente nestes autos o valor expressamente indicado no contrato juntamente com a contestação.
No entanto, permaneceu inerte, requerendo prazo de um ano para realizar o pagamento por “ausência de numerário suficiente”.
Assim, resta à ré apenas cumprir sua obrigação da outorga de escritura pública dos bens adquiridos.
A propósito, transcrevo trecho da judiciosa sentença prolatada pela Juíza de Direito, Dra. Letícia Bernardes da Silva (fl. 186):
Com efeito, verifico restar evidenciada a obrigação do réu em resolver a situação que ele próprio criou, tendo já há vários anos o autor desembolsado o preço pedido pelo imóvel, sem que até a presente data tenha o reconhecimento da propriedade no álbum imobiliário.
 
Se nesse período não foi possível a alegada “recompra” do bem, pois não houve acerto quanto ao valor pretendido pelo bem, tal questão não pode obstaculizar a resolução da outorga da escritura ao requerente, problema este que entendo caiba exclusivamente ao réu resolver. O autor não pode ser onerado mais tempo com o descumprimento contratual.
 
Nesse sentido, a própria matrícula do bem negociado entre as partes (n.º 64.505) demonstra que ele permanece registrado em nome de SUHMA ENGENHARIA – CONSTRUÇÕES LTDA. (fl. 82), originariamente quem efetuou a venda do imóvel à requerida (fls. 35/39).
 
Assim, considerando o pagamento integral do preço (questão que não foi controvertida nos autos) constante no contrato ajustado entre as partes (fls. 25/26), a demandado fica obrigada a realizar as diligências necessárias para a obtenção da escritura pública de compra e venda em favor do autor, nos termos da cláusula sexta do contrato.
 
Quanto ao pedido de dilação de prazo para cumprimento da obrigação, a pretensão não enseja acolhimento.
 O prazo de 90 (noventa) dias, a contar do trânsito em julgado da sentença, é razoável e suficiente para a realização do ato registral.
Ademais, trata-se de obrigação que deveria ter sido cumprida pela apelante há muitos anos.
Destarte, não há falar em concessão do prazo de 12 (doze) meses para outorga da escritura.
 
DANO MORAL.
O atraso na outorga de escritura pública do imóvel, por si só, não gera o direito à indenização por danos morais.
Com efeito, sabe-se que o simples inadimplemento contratual, inclusive, o descumprimento de cláusula que prevê prazo para outorga de escritura pública de compra e venda, poderá gerar direito à indenização por perdas e danos, mas, em regra, não acarreta indenização por danos morais, salvo situação excepcional devidamente comprovada nos autos.
Na hipótese dos autos, contudo, flagrante o atraso injustificado e substancial na outorga da escritura pública, que deveria ter sido produzida em favor do autor ainda no ano de 2010, isso é, há mais de sete anos.
Até esta data, não há demonstração nos autos do cumprimento da obrigação pela promitente-vendedora.
O consumidor quitou integralmente o valor do imóvel, cumprindo suas obrigações contratuais.
A ré é descumpridora contumaz de suas obrigações, tanto que assinou Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público, obrigando-se a não mais comercializar lotes irregulares na comarca de Santa Cruz do Sul.
A ré reconhece que o prédio construído encontra-se em lote de propriedade registral de terceiros (fl. 57), situação que aliada à significativa demora em regularizar a situação do terreno e outorgar a escritura ao adquirente gera sentimento de medo e insegurança que ultrapassa o limite do tolerável. 
O caso não envolve mero desajuste contratual, mas inadimplemento confesso da ré em relação à obrigação que, uma vez não cumprida, retira segurança jurídica do negócio celebrado entre as partes além de implicar restrição aos direitos de plena fruição do imóvel pelo promitente-comprador.
Enfim, não se trata de mero dissabor ou aborrecimento decorrentes do descumprimento contratual, mas de fatos suficientes para demonstrar a humilhação, sofrimento e sério constrangimento do promitente-comprador, interferindo no seu comportamento psicológico, constituindo-se, por isso, dano moral indenizável.
 
VALOR DA INDENIZAÇÃO.
O quantum indenizatório deve ser fixado considerando as circunstâncias do caso, o bem jurídico lesado, a situação pessoal do autor, inclusive seu conceito, o potencial econômico do lesante, a idéia de atenuação dos prejuízos do demandante e o sancionamento do réu a fim de que não volte a praticar atos lesivos semelhantes contra outrem.
Acrescente-se que o valor da indenização deve atender o princípio da razoabilidade, não podendo o dano implicar enriquecimento sem causa.
No caso concreto, restou configurado o dano moral pela demora injustificável na outorga da escritura pública do imóvel vendido pela ré. O autor qualificou-se como desempregado e teve o benefício da gratuidade judiciária deferido. O potencial econômico da parte-demandada não restou bem esclarecido, sequer juntado o contrato social, porém, é construtora do ramo imobiliário que atua em diversos empreendimentos. A conduta adotada pela ré é grave e parece ter se repetido em outras situações, conforme indicado também na petição inicial (fl. 14).
Enfim, observadas as peculiaridades supramencionadas e os parâmetros estabelecidos pela 19ª Câmara Cível para ações semelhantes, o valor indenizatório deve ser reduzido para R$ 8.000,00 (oito mil reais), o que enseja provimento da apelação no ponto.
 
JUROS DE MORA. TERMO INICIAL.
Os juros de mora incidem desde a citação, em casos de responsabilidade contratual – fundada na regra geral do art. 405 do Código Civil e do art. 219 do CPC/1973 – atual art. 240 do CPC/2015 –, e, desde a data do evento danoso, em casos de responsabilidade extracontratual – fundada nos arts. 159 e 962 do Código Civil e na Súmula n. 54 do STJ.
Nesse sentido , transcrevo jurisprudência do Egrégio STJ:
PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. BANCÁRIO. RESPONSABILIDADE CIVIL CONTRATUAL. DANO MORAL. JUROS DE MORA CONTADOS DA CITAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. FIXAÇÃO DEFINITIVA. DATA DO ARBITRAMENTO. AGRAVO REGIMENTAL PARCIALMENTE PROVIDO.
1. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental em face do nítido caráter infringente das razões recursais. Aplicação dos princípios da fungibilidade e da economiaprocessual.
2. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça é de que os juros moratórios são contados da data da respectiva citação nas hipóteses de responsabilidade contratual, como no caso dos autos.
3. Nas indenizações por dano moral, o termo inicial para a incidência da correção monetária é a data da prolação da decisão em que foi arbitrado definitivamente o valor da indenização.
4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento, apenas para determinar a incidência da correção monetária a partir da data do arbitramento.
(EDcl no REsp 1062990/PR, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 27/08/2013, DJe 20/09/2013)
 
Segue precedentes desta Câmara:
DIREITO PRIVADO NÃO ESPECIFICADO. TELEFONIA FIXA. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO C/C REPARAÇÃO POR DANO MORAL. SERVIÇOS NÃO CONTRATADOS. (...). Juros moratórios que se contam da citação. Inaplicabilidade da Súmula 54 do STJ por se tratar de responsabilidade contratual. (...).PREFACIAL DE PRESCRIÇÃO TRIENAL ACOLHIDA. APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDA. (Apelação Cível Nº 70061182697, Décima Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Mylene Maria Michel, Julgado em 23/04/2015)
 
APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO PRIVADO NÃO ESPECIFICADO. SERVIÇOS DE TELEFONIA NÃO CONTRATADOS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. DANO MORAL CONFIGURADO. DANO MORAL: (...).JUROS DE MORA: Contados a partir da citação, por se tratar de relação contratual. (...). DERAM PROVIMENTO AO RECURSO DE APELAÇÃO. (Apelação Cível Nº 70064257801, Décima Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Eduardo João Lima Costa, Julgado em 23/04/2015).
 
No caso, há relação contratual entre as partes – promessa de compra e venda - motivo pelo qual os juros de mora incidem a partir da citação.
 
MULTA COMINATÓRIA.
Tratando-se de obrigação de fazer e de não fazer, resulta viável juridicamente a imposição de multa, podendo o juiz utilizar-se desta faculdade.
Nos termos do caput do art. 537 do CPC/15:
Art. 537.  A multa independe de requerimento da parte e poderá ser aplicada na fase de conhecimento, em tutela provisória ou na sentença, ou na fase de execução, desde que seja suficiente e compatível com a obrigação e que se determine prazo razoável para cumprimento do preceito.
 
Na lição de Teresa Arrura Alvim Wambier[1]:
O caput esclarece que a multa independe de requerimento da parte e poderá ser concedida em qualquer fase do processo (seja por meio de decisão provisória ou definitiva) e deve ser fixada em consonância com a proporcionalidade, daí a expressão “desde que seja suficiente e compatível com a obrigação e que se determine prazo razoável para cumprimento do preceito”.
 
 
A decisão que determina a outorga de escritura pública impõe uma obrigação de fazer, razão pela qual admite, para a hipótese de descumprimento do preceito, a aplicação de multa na forma do art. 537 do CPC/15.
Jurisprudência aplicável:
APELAÇÃO CÍVEL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. OUTORGA DE ESCRITURA PÚBLICA DE COMPRA E VENDA. PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. DEVER DE OUTORGA DE ESCRITURA PÚBLICA DE COMPRA E VENDA. FIXAÇÃO DE ASTREINTES PARA CASO DE DESCUMPRIMENTO. Comprovado o pagamento da totalidade do preço ajustado em promessa de compra e venda de imóvel por parte do comprador, cumpre ao vendedor adimplir sua parte no ajuste, outorgando a respectiva escritura pública de compra e venda (Art. 1.418 do Código Civil). Interpretando cláusula contratual, leia-se e considere-se o reconhecimento por escrito do promitente vendedor, em contra-notificação, por atraso no cumprimento de prazo previsto na cláusula 2.4 do contrato, afirmando a impossibilidade de cumprimento da obrigação dentro do prazo fixado. No caso, incontroverso o pagamento do preço e o atraso pelo compromitente em outorgar a escritura definitiva de compra e venda. Para efetividade da medida, fixada multa diária para caso de descumprimento (Art. 536 do CPC/15). Sucumbência redistribuída, diante da alteração do julgado. RECURSO PROVIDO. UNÂNIME. (Apelação Cível Nº 70074779695, Décima Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Liege Puricelli Pires, Julgado em 26/09/2017).
 
PROMESSA DE COMPRA E VENDA. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. OUTORGA DE ESCRITURA PÚBLICA. ATRASO DECORRENTE DE CULPA EXCLUSIVA DA PROMITENTE-VENDEDORA. ASTREINTES. MANUTENÇÃO. Considerando que a prova produzida nos presentes autos comprova que o atraso na outorga da escritura pública não decorreu da inércia do poder público, mas, sim, de culpa exclusiva da promitente-vendedora, que promoveu a ampliação do projeto inicialmente apresentado, impõe-se a manutenção das astreintes, inclusive quanto ao seu valor, que não se mostra elevado, diante das circunstâncias do caso concreto. Agravo retido e apelação desprovidas. (Apelação Cível Nº 70071517296, Décima Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Voltaire de Lima Moraes, Julgado em 16/02/2017).
 
APELAÇÃO CÍVEL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. OUTORGA DE ESCRITURA PÚBLICA. ASTREINTES. Uma vez vendido o imóvel à parte autora, é dever do réu outorgar a escritura pública, não lhe socorrendo a alegação de irregularidade no registro, porquanto o contrato foi firmado há muitos anos, período em que deveria ter promovido a regularização. Outrossim, em processo executivo, a ora autora foi compelida ao pagamento do preço, mesmo havendo a irregularidade que agora o réu utiliza como defesa. A fixação das astreintes objetiva compelir o devedor ao atendimento voluntário da obrigação, devendo ser adequadamente estabelecida, a fim de que ela não se transforme em vantagem em detrimento ao cumprimento da decisão. Sentença mantida. APELO DESPROVIDO. UNÂNIME. (Apelação Cível Nº 70045513066, Décima Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Elaine Maria Canto da Fonseca, Julgado em 19/11/2015).
 
No caso, considerando o litígio entre as partes e o conteúdo das teses apresentadas, viável a imposição de multa diária como forma de compelir a parte-ré ao cumprimento da obrigação de fazer prevista em contrato.
 
VALOR DA MULTA COMINATÓRIA E LIMITAÇÃO.
Segundo o inciso I do § 1º do art. 567 do CPC/15 “o juiz poderá, de ofício ou a requerimento, modificar o valor ou a periodicidade da multa vincenda, caso verifique que: se tornou insuficiente ou excessiva”.
O valor da multa não pode acarretar o enriquecimento sem causa da parte a quem favorece, devendo ser observados os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, considerando-se as circunstâncias do caso, inclusive o valor da obrigação principal
O excessivo valor da multa implica desvirtuamento da astreinte, tendo em vista que torna a quantia mais desejada do que a pretensão deduzida pela parte na petição inicial.
Na hipótese em apreço, a multa diária para o caso de descumprimento da ordem judicial restou fixada na sentença em R$ 100,00 (cem reais).
O valor da multa é compatível com a natureza da obrigação.
Diante disso, o valor deve ser mantido, porquanto adequado e harmônico com a determinação de cumprimento de obrigação de fazer.
Entretanto, tratando-se de obrigação de fazer e não fazer, possível estipular um limite ou teto por ocasião da fixação da multa cominatória.
Nesse sentido, transcrevo julgados desta 19ª Câmara Cível:
APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO PRIVADO NÃO ESPECIFICADO. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TELEFONIA. SERVIÇOS NÃO SOLICITADOS. PRESCRIÇÃO. [...] MULTA DIÁRIA EM CASO DE DESCUMPRIMENTO. MANUTENÇÃO DO VALOR. Em se tratando de obrigação de fazer, cabível a fixação de multa diária por seu descumprimento. No caso concreto, o valor das astreintes fixado pelo juízo de origem afigura-se suficiente e compatível com a obrigação, ensejando sua manutenção. LIMITAÇÃO OU TETO. É viável a estipulação de um limite para a multa cominatória fixada. [...] APELAÇÃO PARCIALMENTE CONHECIDA E, NESTA PARTE, PARCIALMENTE PROVIDA. RECURSO ADESIVO PREJUDICADO. (Apelação Cível Nº 70069159622, Décima Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Marco Antonio Angelo, Julgado em 02/06/2016).
 
AGRAVO DE INSTRUMENTO.AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM PERDAS E DANOS. TUTELA ANTECIPADA. REPARO EM IMÓVEL. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. MANUTENÇÃO: [...] ASTREINTES: A multa diária considerada para caso de descumprimento da obrigação de fazer é de ser mantida, porquanto atende, no caso concreto, ao propósito coercitivo da medida, notadamente quando considerado o poder econômico da parte agravante e a situação econômico-financeira do agravado. Todavia, a hipótese em liça recomenda a limitação do valor total das astreintes na importância de R$ 30.000,00, montante esse que se mostra adequado à finalidade do instituto, sem importar substancial enriquecimento da parte contrária. Inteligência do art. 461, §6°, do CPC. [...] DERAM PARCIAL PROVIMENTO AO AGRAVO DE INSTRUMENTO. (Agravo de Instrumento Nº 70063964258, Décima Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Eduardo João Lima Costa, Julgado em 13/08/2015).
 
AGRAVO DE INSTRUMENTO. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. [...]. É possível a fixação de multa diária cominatória, em caso de descumprimento de ordem judicial, nos termos do art. 461, §5º, do CPC e art. 84, § 4º, da Lei n. 8.078/90. Contudo, no caso dos autos, impõe-se a sua limitação em 30 dias, bem como a redução do quantum fixado, para R$ 200,00(...) por dia de atraso. [...] AGRAVO DE INSTRUMENTO PARCIALMENTE PROVIDO. UNÂNIME. (Agravo de Instrumento Nº 70052133717, Décima Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Elaine Maria Canto da Fonseca, Julgado em 29/04/2014).
 
No caso, considerando as peculiaridades da lide, a multa para o caso de atraso na outorga da escritura deve ser limitada a 90 (noventa) dias para que cumpra a finalidade a que se destina sem ensejar enriquecimento sem causa do credor da obrigação.
 
EM FACE DO EXPOSTO, voto em rejeitar a preliminar e, no mérito, em dar parcial provimento à apelação para reduzir o valor da indenização a título de danos morais, fixando-a em R$ 8.000,00 (oito mil reais) e para limitar a incidência da astreinte ao período de 90 (noventa) dias-multa, mantida a sucumbência em face da alteração mínima no julgado.
 
 
Des. Voltaire de Lima Moraes (PRESIDENTE) - De acordo com o(a) Relator(a).
Des.ª Mylene Maria Michel - De acordo com o(a) Relator(a).
 
DES. VOLTAIRE DE LIMA MORAES - Presidente - Apelação Cível nº 70073772709, Comarca de Santa Cruz do Sul: "REJEITARAM A PRELIMINAR E, NO MÉRITO, DERAM PARCIAL PROVIMENTO À APELAÇÃO. UNÂNIME."
 
 
Julgador(a) de 1º Grau: LETICIA BERNARDES DA SILVA
[1] WAMBIER, Teresa Arruda Alvim (coord). Primeiros Comentários ao Novo Código de Processo Civil: artigo por artigo. 2. ed. rev. e atual. e ampl. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016. p. 983.
Última atualização: quinta, 22 Mar 2018, 14:36
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