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<p>TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ</p><p>15ª CÂMARA CÍVEL</p><p>Autos nº. 0024303-57.2023.8.16.0000</p><p>Agravo de Instrumento n° 0024303-57.2023.8.16.0000 AI</p><p>Vara Cível da Lapa</p><p>Agravante(s): Banco do Brasil S/A</p><p>Agravado(s): AMBROSIO SCHINDA DA SILVA e Arlete Czikailo da Silva</p><p>Relator: Desembargador Jucimar Novochadlo</p><p>AGRAVO DE INSTRUMENTO. LIQUIDAÇÃO INDIVIDUAL DE</p><p>SENTENÇA COLETIVA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA Nº 0008465-</p><p>28.1994.4.01.3400 DA 3ª VARA FEDERAL DE BRASÍLIA. PEDIDO DE</p><p>SOBRESTAMENTO. DESCABIMENTO. TEMA 1169 DO STJ. FEITO</p><p>QUE JÁ SE TRATA DE LIQUIDAÇÃO PROVISÓRIA E NÃO DE</p><p>CUMPRIMENTO. HIPÓTESE QUE NÃO SE SUBSUME AO</p><p>PARADIGMA. DECISÃO AGRAVADA MANTIDA.</p><p>Tratando-se o feito originário de liquidação individual de sentença</p><p>proferida em Ação Civil Pública, descabido o sobrestamento da</p><p>demanda em razão do Tema n°1.169 do Eg. STJ.</p><p>Agravo de instrumento não provido.</p><p>Vistos, relatados e discutidos estes autos de Agravo de Instrumento</p><p>nº 0024303-57.2023.8.16.0000, de Lapa– Vara Cível, em que figura como Agravante</p><p>Banco do Brasil S/A. e Agravado Ambrosio Schinda da Silva e outro.</p><p>Banco do Brasil S/A. 1. Trata-se de agravo de instrumento interposto por</p><p>, em face de decisão proferida nos autos de “liquidação individual de sentença coletiva” a qual</p><p>indeferiu a suspensão do feito por se tratar de liquidação de sentença e determinou a</p><p>manifestação da parte requerida sobre o laudo pericial (mov. 120.1).</p><p>Nas razões do recurso, sustenta o recorrente, em síntese: a) cabimento do</p><p>agravo de instrumento; b) concessão do efeito suspensivo ao recurso, ao fundamento de que</p><p>presentes os requisitos legais; c) necessidade de suspensão do feito principal até o julgamento</p><p>dos REsp 1978629/RJ e REsp 1985037/RJ que tratam sobre a necessidade de prévia</p><p>liquidação do julgado coletivo; d) que a liquidação individual ou coletiva da sentença da Ação</p><p>Civil Pública n.º 94.0008514-1 deverá ser realizada nos termos do artigo 509, inciso II, do</p><p>Código de Processo Civil, pois não ostenta eficácia executiva, não sendo aplicável o disposto</p><p>no artigo 509, § 2º, do CPC, uma vez que a apuração do valor não depende apenas de cálculo</p><p>aritmético; e) que em se tratando de liquidação e cumprimento da sentença proferida em ação</p><p>coletiva, os mutuários deverão comprovar que são titulares do direito alegado, bem como</p><p>demonstrar quais os valores devidos pelo Banco.</p><p>O recurso teve o seu processamento determinado pelo despacho de mov.</p><p>11.</p><p>O MM. Juiz da causa prestou informações (mov. 16.1).</p><p>O agravado não apresentou resposta.</p><p>É o relatório.</p><p>Sobrestamento</p><p>Pretende o agravante a reforma da decisão que indeferiu o sobrestamento</p><p>do feito.</p><p>Sem razão.</p><p>O Superior Tribunal de Justiça, pelo rito dos recursos repetitivos, afetou</p><p>para julgamento o Tema 1169, o qual dispõe sobre a liquidação prévia como requisito para o</p><p>cumprimento de sentença oriundo de decisão condenatória genérica proferida em ação</p><p>coletiva. Confira-se:</p><p>“Tema 1169 - Definir se a liquidação prévia do julgado é requisito</p><p>indispensável para o ajuizamento de ação objetivando o cumprimento de</p><p>sentença condenatória genérica proferida em demanda coletiva, de modo</p><p>que sua ausência acarreta a extinção da ação executiva, ou se o exame</p><p>quanto ao prosseguimento da ação executiva deve ser feito pelo</p><p>Magistrado com base no cotejo dos elementos concretos trazidos aos</p><p>autos.”</p><p>No caso, examinado os autos originários, constata-se que os autores</p><p>/agravados não ingressaram com o cumprimento da sentença. Conforme se observa da</p><p>petição inicial, a parte autora protocolizou “ , de modoliquidação individual de sentença coletiva”</p><p>a garantir o contraditório à parte ré, restando observado o requisito precedente ao</p><p>cumprimento do julgado.</p><p>Veja-se ainda, que os requerentes acostaram à petição inicial a cédula</p><p>rural firmada com o agente financeiro (mov. 1.4) e ao mov. 93 acostaram os extratos</p><p>bancários, fato que culminou com a realização de prova pericial para apurar o valor devido</p><p>pelo banco (mov. 110).</p><p>Não obstante, verifica-se que o agente financeiro, devidamente citado, não</p><p>se opôs ao procedimento instaurado de liquidação de sentença, vindo somente após a</p><p>apresentação do laudo pericial requerer o sobrestamento do feito em razão da necessidade de</p><p>instauração de prévia liquidação (mov. 115.1).</p><p>Nesse contexto, tratando-se, desde o início, de liquidação provisória de</p><p>sentença, o caso em exame se diferencia da hipótese retratada no Tema 1169, razão pela qual</p><p>não há que se determinar o sobrestamento da demanda.</p><p>Nesse sentido:</p><p>“APELAÇÃO CÍVEL, NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS.</p><p>LIQUIDAÇÃO INDIVIDUAL PROVISÓRIA DE SENTENÇA PROFERIDA</p><p>EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA. CASO CONCRETO. 1. Em se tratando o</p><p>feito originário de liquidação provisória de sentença proferida em</p><p>Ação Civil Pública, não há falar em suspensão da demanda em razão</p><p>. Arguição contrarrecursal não acatada. 2.do Tema n°1.169 do Eg. STJ</p><p>No caso específico dos autos, os elementos que compõem o feito são</p><p>suficientes para demonstrar que a quitação da cédula rural pignoratícia</p><p>controvertida se deu em dezembro de 1989, não estando, por</p><p>conseguinte, abarcada pela determinação judicial proferida nos autos da</p><p>Ação Civil Pública n° 0008465-28.1994.4.01.3400. RECURSO</p><p>DESPROVIDO. (Apelação Cível, Nº 50476953120228210001, Vigésima</p><p>Quinta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Léo Romi Pilau</p><p>Júnior, Julgado em: 28-03-2023) (Grifei)”</p><p>“AGRAVO DE INSTRUMENTO. DE SENTENÇA. AÇÃOLIQUIDAÇÃO</p><p>COLETIVA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. CÉDULA DE CRÉDITO RURAL.</p><p>SUSPENSÃO DO FEITO. DESNECESSIDADE. – O TEMA REPETITIVO</p><p>Nº 1.169 EM DISCUSSÃO NO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA</p><p>NÃO AFETA A PRESENTE DEMANDA, TENDO EM VISTA QUE O</p><p>JULGAMENTO DA MATÉRIA SE DESTINA A DEFINIR SE A</p><p>LIQUIDAÇÃO PRÉVIA DO JULGADO É REQUISITO INDISPENSÁVEL</p><p>PARA A PROPOSITURA DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA DA</p><p>DERAM PROVIMENTO AO AGRAVO DEAÇÃO COLETIVA.</p><p>INSTRUMENTO. UNÂNIME. (Agravo de Instrumento, Nº</p><p>52549570320228217000, Vigésima Quinta Câmara Cível, Tribunal de</p><p>Justiça do RS, Relator: Helena Marta Suarez Maciel, Julgado em: 28-02-</p><p>2023) (Grifei)”</p><p>“AGRAVO DE INSTRUMENTO. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS.</p><p>CUMPRIMENTO PROVISÓRIO DE SENTENÇA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA.</p><p>TEMA. 1169 DO STJ. NO ENTENDIMENTO PREDOMINANTE NESTA</p><p>CÂMARA JULGADORA, NO QUE TANGE À SUSPENSÃO DOS</p><p>PROCESSOS QUE VERSEM SOBRE A QUESTÃO EM EXAME, NÃO</p><p>AGRAVO DEHÁ QUE FALAR EM SOBRESTAMENTO DO FEITO.</p><p>INSTRUMENTO PROVIDO. (Agravo de Instrumento, Nº</p><p>50152516020238217000, Décima Segunda Câmara Cível, Tribunal de</p><p>Justiça do RS, Relator: Luis Gustavo Pedroso Lacerda, Julgado em: 31-</p><p>01-2023) (Grifei)”</p><p>Ante tais considerações, descabe a suspensão da presente demanda,</p><p>devendo ser mantida a decisão agravada.</p><p>3. Ante o exposto, nega-se provimento ao recurso, nos termos da</p><p>fundamentação.</p><p>Ante o exposto, acordam os Desembargadores da 15ª Câmara Cível do</p><p>TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ, por unanimidade de votos, em julgar CONHECIDO O</p><p>RECURSO DE PARTE E NÃO-PROVIDO o recurso de Banco do Brasil S/A.</p><p>O julgamento foi presidido pelo (a) Desembargador Luiz Carlos</p><p>Gabardo, sem voto, e dele participaram Desembargador Jucimar Novochadlo (relator), Desembargador</p><p>Luiz Cezar Nicolau e Desembargador Hayton Lee Swain Filho.</p><p>07 de julho de 2023</p><p>Desembargador Jucimar Novochadlo</p><p>Juiz (a) relator (a)</p>

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