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<p>Conteudista: Prof. Dr. Rodrigo Vitorino Assumpção</p><p>Revisão Textual: Daiane Barreto Calaça de Azevedo Gomes</p><p>Objetivo da Unidade:</p><p>Apresentar mais uma vertente possibilidades de leituras sobre a</p><p>Arquitetura, mas desta vez trabalhando com a fenomenologia.</p><p>˨ Material Teórico</p><p>˨ Material Complementar</p><p>˨ Referências</p><p>Fenomenologia e Arquitetura</p><p>Introdução</p><p>Kate Nesbitt organiza uma coletânea de textos sobre a pós-modernidade. Na obra Uma nova</p><p>agenda para Arquitetura: antologia teórica 1965-1995, a autora apresenta diversos aspectos</p><p>da pós-modernidade. Em cada capítulo do livro, ela descreve os paradigmas teóricos de�nidos</p><p>no período e com isso acaba elaborando um recorte teórico nos principais movimentos.</p><p>1 / 3</p><p>˨ Material Teórico</p><p>- NESBITT, 2013, p. 31</p><p>“Um aspecto dessa interdisciplinaridade é o papel central dessa teoria da</p><p>arquitetura do método �losó�co conhecido como fenomenologia. A existência</p><p>desse fundamento �losó�co na base das atitudes pós-modernas com relação ao</p><p>sítio, ao lugar, à paisagem e à edi�cação (especialmente a tectônica) passa</p><p>muitas vezes desapercebida, não suscitando investigação. A teoria arquitetônica</p><p>recente aproximou-se da re�exão �losó�ca ao problematizar a interação do</p><p>corpo humano com seu ambiente. Sensações visuais, táteis, olfativas e auditivas</p><p>constituem a parte visceral da apreensão da arquitetura, um veículo que se</p><p>distingue por sua presença tridimensional.”</p><p>Alguns deles já foram citados em unidades anteriores, como, por exemplo, o</p><p>desconstrutivismo. Entretanto, neste momento, vamos nos ater a um dos paradigmas mais</p><p>complexos: a fenomenologia e, por consequência, a estética do sublime.</p><p>Contudo, mesmo nessa tradição �losó�ca, fundada por Edmund Husserl, há várias vertentes</p><p>de abordagens. Abordaremos apenas três delas: a fenomenologia de Maurice Merleau-Ponty, a</p><p>de Martin Heidegger e a de Gaston Bachelard.</p><p>Fenomenologia da Percepção – de Maurice Merleau-</p><p>Ponty</p><p>Essa é uma das obras mais importantes sobre fenomenologia. O autor, logo no início da obra,</p><p>explica que a fenomenologia é o estudo das essências e uma �loso�a que repõe as essências</p><p>nas existências. Para Merleau-Ponty, trata-se de uma �loso�a em que o mundo já está</p><p>presente de forma alienável, antes mesmo da re�exão. Diante disso, a fenomenologia se</p><p>esforça para reencontrar o contato ingênuo com o mundo e compreende o homem e o mundo</p><p>pela sua facticidade (MERLEAU-PONTY, 2006, p. 01).</p><p>Merleau-Ponty a�rma que a fenomenologia é um relato do espaço, do tempo e do mundo</p><p>vividos, trazendo um caráter subjetivo, seja no presente, seja no passado. Portanto, existe uma</p><p>experiência no Espaço e é a partir disso que nós passamos a compreender o mundo não</p><p>apenas no caráter objetivo, mas também no subjetivo. De acordo com suas ideias,</p><p>- MERLEAU-PONTY, 2006, p. 18</p><p>“A aquisição mais importante da fenomenologia foi sem dúvida ter unido o</p><p>extremo subjetivismo ao extremo objetivismo em sua noção do mundo dou da</p><p>racionalidade. A racionalidade é extremamente proporcional às experiencias nas</p><p>quais ela se revela.”</p><p>Para o autor, o mundo fenomenológico não é um ser puro, mas toma sentido quando há uma</p><p>intersecção entre as experiencias do indivíduo com as experiencias do outro, havendo,</p><p>portanto, uma relação de subjetividade e intersubjetividade. A percepção relaciona-se</p><p>diretamente da relação do corpo com o espaço. Nesse sentido, o autor de�ne dois tipos de</p><p>espaços distintos: o espaço espacializado e espaço espacializante.</p><p>No espaço espacializado, o corpo e os objetos aparecem como multiplicidade irredutível, isto é,</p><p>o espaço físico, com regiões diferentes e quali�cadas como alta ou baixa, direita ou esquerda.</p><p>É um dado pré-constituído, o espaço concreto à espera da experiência humana. O espaço</p><p>espacializante já é a experiência humana naquele espaço múltiplo e irredutível.</p><p>Ambos carregam, na sua essência, uma geometria, contudo, no espaço espacializado, a</p><p>geometria é apresentada pela forma e pela materialidade do objeto em relação a si próprio e</p><p>aos outros objetos do contexto, enquanto o espaço espacializante é a ação do corpo humano,</p><p>que percebe o espaço por meio de uma geometria sensível.</p><p>O espaço sempre precede a si próprio, portanto é um dado já constituído. Sendo assim, não se</p><p>questiona uma existência espacial, a posição única do corpo em relação ao espaço (não se</p><p>pode estar em dois lugares ao mesmo tempo), ou a coexistência e a experiência da direção</p><p>espacial no mundo. Porém, Merleau-Ponty (2006, p.339) a�rma que a experiência perceptiva</p><p>pressupõe um encontro entre o ser e o espaço, tornando “ser situado”, portanto</p><p>espacializante. (ASSUMPÇÃO, 2017, p.122). Há muito mais coisas para explorar nessa linha</p><p>�losó�ca, mas por enquanto encerramos nossa explicação aqui.</p><p>Construir, Habitar e Pensar – Martin Heidegger</p><p>Um dos autores mais importantes da fenomenologia é Martin Heidegger. Seus trabalhos</p><p>re�etem uma preocupação com a incapacidade do homem de re�etir sobre o SER e sobre a</p><p>sua existência (NESBITT, 2013, p.32). Na obra Construir, habitar e pensar, o autor aproxima</p><p>etimologicamente as palavras “construir”, “habitar” e “ser” a partir da palavra alemã bauen.</p><p>A palavra baun, pode ser traduzira para “construir”, mas também para “permanecer” e</p><p>“morar”. Mas, para o �lósofo, a palavra bauen tem uma amplitude que alcança o vigor</p><p>essencial do habitar.</p><p>Nesse contexto, apreendemos a ideia de que “eu sou o que eu habito e o que habita em mim”.</p><p>Portanto, a construção, para o �lósofo, não se refere apenas à construção física do habitar,</p><p>mas também à construção do ser, da própria alma.</p><p>A Poética do Espaço – Gaston Bachelard</p><p>Bachelard não foi um arquiteto, mas um �lósofo que discutiu o espaço vivenciado a partir da</p><p>fenomenologia da imaginação. Para ele, as imagens princips carregam valores poéticos,</p><p>entendendo a poética como poiésis, uma construção subjetiva da alma por meio das</p><p>experiencias humanas. Nessa obra, o �lósofo apresenta as imagens primeiras da casa, do</p><p>universo, do ninho, da concha, ou seja, os arquétipos desses espaços.</p><p>O autor retrata a casa não apenas como um espaço físico, real e concreto, ou seja, objetivo,</p><p>mas como uma casa onírica, uma casa sonhada, imaginada. A casa onírica possui incontáveis</p><p>- HEIDEGGER, 2000, p. 127</p><p>“Bauen, buan, bhu, beo é, na verdade, a mesma palavra alemã "bin", eu sou nas</p><p>conjugações ich bin, du bist, eu sou, tu és, nas formas imperativas bis, sei, sê, sede.</p><p>O que diz então: eu sou? A antiga palavra bauen (construir) a que pertence "bin",</p><p>"sou", responde: "ich bin", "du bist" (eu sou, tu és) signi�ca: eu habito, tu</p><p>habitas. A maneira como tu és e eu sou, o modo segundo o qual somos homens</p><p>sobre essa terra é o Buan, o habitar.”</p><p>imagens: a de proteção, solidão, do cosmos, do nosso lugar no mundo. É na casa em que o</p><p>homem constrói suas concepções do mundo, insere seus desejos, anseios e angústias. É na</p><p>casa que o homem se reconhece enquanto ser.</p><p>No entanto, para Bachelard, essa casa também é polarizada entre o sótão e o porão: no sótão o</p><p>homem vislumbra seu futuro; no porão guarda suas angústias, seus medos e até mesmo suas</p><p>memórias. No espaço da casa onírica, estão os fósseis das nossas memórias e das longas</p><p>permanências, por exemplo.</p><p>Juhani Pallasmaa – Filósofo, Arquiteto e Poeta</p><p>Um dos grandes defensores da fenomenologia aplicada à Arquitetura é Juhani Pallasmaa. Ele</p><p>a�rma que a Arquitetura rea�rma a experiência existencial. Nós nos reconhecemos nela por</p><p>meio dos espaços construídos pelo homem. Essa experiência cria um reforço de identidade</p><p>pessoal, ou seja, à medida que vivenciamos o espaço, reconhecemo-nos nele, tornando-o</p><p>parte da nossa própria vida. Em suas palavras,</p><p>“A Arquitetura é (...) uma extensão da natureza antropogênica, fornecendo bases</p><p>para a percepção e o horizonte da experimentação e compreensão do mundo. Ela</p><p>não é artefato isolado e independente; ela direciona nossa atenção e experiência</p><p>existencial para horizontes mais amplos. Toda experiência comovente com a</p><p>Arquitetura é multissensorial;</p>
<p>as características de espaço, matéria e escala são</p><p>medidas igualmente por olhos, ouvidos, nariz, pele, língua, esqueleto e</p><p>músculos. A Arquitetura reforça a experiência existencial, nossa sensação de</p><p>pertencer ao mundo, e essa é essencialmente uma experiência de reforço da</p><p>identidade pessoal. Em vez da mera visão, ou os cinco sentidos clássicos, a</p><p>Arquitetura envolve diversas esferas da experiência sensorial que interagem e</p><p>fundem entre si.”</p><p>Pallasmaa, aproxima-se tanto de Bachelard quanto de Heidegger quando coloca que “nosso</p><p>domicilio é o refúgio do nosso corpo, nossa memória e identidade.” (2011, p.61). Ao a�rmar</p><p>isso, o �losofo evoca a casa onírica de Bachelard, ao mesmo tempo que coloca a existência do</p><p>ser na construção do próprio refúgio.</p><p>O autor ainda faz uma crítica à cidade e à Arquitetura contemporânea, quando a�rma que a</p><p>falta de humanismo pode ser entendida como resultado da negligência com o corpo e com os</p><p>sentidos, além de um desequilíbrio no sistema sensorial. Nesse contexto, a solidão e o</p><p>isolamento no mundo tecnológico contemporâneo estão relacionados com a patologia dos</p><p>sentidos.</p><p>Mas como esses conceitos se aplicam à Arquitetura? Vamos ver o exemplo do Museu Judaico,</p><p>em Berlim.</p><p>Museu Judaico – Berlim – Daniel Libeskind</p><p>Esse é um dos Museus mais paradigmáticos da Europa. Nele, o que está exposto são as</p><p>angústias e as dores da guerra. Todos sabemos da tentativa da destruição da cultura judaica,</p><p>do Holocausto. Libeskind, que também possui origem judaica, está, de alguma forma, inserido</p><p>nesse contexto trágico da guerra. Cada espaço do museu é pensado para gerar sensações</p><p>angustiantes aos visitantes.</p><p>Isso impacta muito mais do que uma foto de pessoas mortas. Vivenciar a morte e a</p><p>experiência dos horrores da guerra é experimentar a subjetividade do outro. Lembrando</p><p>Merleau-Ponty, o mundo fenomenológico não é o ser puro, mas o sentido que transparece da</p><p>intersecção das minhas experiências com as experiências do outro.</p><p>O arquiteto começa seu projeto, destruindo o maior símbolo da cultura judaica: a Estrela de</p><p>Davi. Depois começa a reconstruí-la, como se juntassem cacos, o que remete a uma</p><p>- PALLASMAA, 2011, p. 39</p><p>resistência cultural. É nesse contexto que surge a forma do museu. A destruição da estrela</p><p>representa a destruição de um povo, de uma cultura inteira, que se reorganiza e se refaz por</p><p>meio de linhas que ziguezagueiam, representando a violência e a ruptura do povo judeu.</p><p>Figura 1 – Croqui representativo</p><p>Fonte: Reprodução</p><p>O acesso ao museu ocorre pelo edifício de patrimônio histórico, descendo até o subsolo. Isso</p><p>também é simbólico: é no subsolo que se enterram os corpos. É claramente uma referência ao</p><p>sepultamento e à morte de judeus. Uma escadaria desce até o subsolo por meio de um poço já</p><p>existente no patrimônio, mas sem nenhuma justi�cativa formal (ASSUMPÇÃO, 2017).</p><p>A visitação inicia-se por três eixos, que se cruzam, remetendo à história alemã e judia. Na</p><p>intersecção desses três caminhos, não é possível enxergar a totalidade. Cada percurso tem um</p><p>signi�cado: Continuidade, Holocausto (Morte) e Exílio. Há uma certa a�ição nesses</p><p>caminhos, muito em função da iluminação, da inclinação e da altura da cobertura e dos pisos</p><p>(ASSUMPÇÃO, 2017).</p><p>Figura 2 – Programa de Necessidades</p><p>Fonte: Reprodução</p><p>Em uma de suas entrevistas, com uma forte carga ideológica, o arquiteto coloca que não há</p><p>espaços livres. A�rma ser dos que pensam no espaço como imbuído de algum sentido. Do</p><p>contrário, o ser humano não necessitaria da Arquitetura, pois a Engenharia já seria o</p><p>su�ciente.</p><p>O Primeiro eixo é o da Continuidade e representa a presença judia na Alemanha. É um grande</p><p>percurso, que �naliza em uma escada modesta, ligando o subsolo ao terceiro piso. Esse eixo</p><p>valoriza o caminhar e a possibilidade de chegar até a luz. Por um corredor estreito, temos a</p><p>sensação de aperto, que predominantemente apresenta um contraste de luz e sombra</p><p>(ASSUMPÇÃO, 2017).</p><p>Figura 3 – Eixo da Continuidade</p><p>Fonte: Reprodução</p><p>O segundo eixo é o do Holocausto e da Morte. Ele �naliza com a torre do Holocausto. A luz</p><p>branda e pontiaguda representa a própria simbologia da morte, como uma luz no �m do túnel.</p><p>Esse volume externo é paralelo à torre de entrada (interior do edifício barroco). Criam-se os</p><p>voids - Vazios, espaços com círculos de ferro como rostos estilizados.</p><p>À medida que se caminha sobre esses elementos, temos a sensação de um quebrar de ossos.</p><p>Se andarmos mais rapidamente, o atrito, aliado a um eco, dá a sensação de ouvir gemidos ou</p><p>gritos de dor e agonia (ASSUMPÇÃO, 2017).</p><p>Figura 4 – Exposição Void</p><p>Fonte: Reprodução</p><p>Por �m, o terceiro eixo é do Exílio e representa a saída dos judeus da Alemanha. É uma área</p><p>externa para um jardim onde não há saída, circundado por fossos. Um espaço que cria um</p><p>labirinto, com piso e pilares inclinados, trazendo a sensação de instabilidade. Signi�ca que o</p><p>exílio também é uma prisão (ASSUMPÇÃO, 2017).</p><p>Figura 5 – Jardim do Exílio</p><p>Fonte: vidademochila.org</p><p>O museu de Berlim tem questões fenomenológicas importantes. Primeiramente, é a partir da</p><p>experiencia do outro que entendemos e vivenciamos a subjetividade da guerra e da morte.</p><p>Temos ainda o espaço especializado real e concreto dos museus, complementando o espaço</p><p>espacializante, imaginado, vivenciado e experimentado a partir das angústias da guerra.</p><p>Vale ainda ressaltar que nos tornamos seres situados nesse contexto histórico. Em tal espaço,</p><p>o povo judaico que morreu na guerra se faz presente na ausência. Presenti�camos também</p><p>nossas memórias ao mesmo tempo que nos colocamos na posição do outro. Somente a</p><p>fenomenologia poderia explicar esse museu.</p><p>Parc La Villette</p><p>O Parc la Villette está localizado ao nordeste de Paris, delimitado pelo Boulevard Peripherique</p><p>(antiga delimitação medieval) e pelo Canal Gambetta. Essa área é um antigo bairro industrial</p><p>de classe média operária, que é cortado pelo Canal l’Ourcq, dividindo sua área em duas partes.</p><p>Muito próximo também há a Via Férrea, cercada por Hotéis, áreas residenciais e comerciais.</p><p>Figura 6 – Localização do Parc la Villette</p><p>Fonte: Reprodução</p><p>No século XVIII, a região era uma passagem obrigatória para o tráfego de mercadorias cujo</p><p>destino �nal eram as estradas para os Flandres e para a Alemanha. No século XIX, foram</p><p>elaborados projetos de canalização do rio Ourcq, para a construção de um grande reservatório</p><p>de água em Paris e para a abertura de outros dois canais: Saint Denis e o de Saint Martin.</p><p>Essa área se tornou um grande centro de comércio e indústria. No Plano Haussmann, o então</p><p>prefeito parisiense baseou-se nas teorias miasmáticas de Pierre Patte e destinou o local para o</p><p>Grande Matadouro Municipal e para o Mercado de Gado. Contudo, no século XX, essa área</p><p>passou por um período de abando e, em 1974, as atividades desenvolvidas foram encerradas</p><p>totalmente.</p><p>Figura 7 – Como o Parc la Villette in�uenciou a maneira</p><p>como projetamos nossos parques no século XXI</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>Uma área abandonada é o primeiro sinal de degradação urbana. Então, a partir desse</p><p>momento, começam a pensar em um novo uso para o espaço. Em 1979 foi criado o</p><p>Établissement Público du Parc de la Villette (Órgão Público para o Parc de la Villette) e atribuída a</p><p>tarefa de reordenamento do espaço de acordo com as diretrizes estipuladas: criar um parque</p><p>da cidade aberto a todos. Isso seria articulado a um museu nacional de ciência e tecnologia e a</p><p>uma sala de concertos. A criação do parque fazia parte da política do governo de François</p><p>Miterrand.</p><p>Foi aberto um concurso público, que recebeu mais de 400 propostas para a nova ocupação da</p><p>área. De acordo com as premissas desse concurso, os arquitetos deveriam pensar:</p><p>um novo tipo de parque para o novo milênio;</p><p>uma proposta vinculada a edifícios públicos com extensa área verde que servisse</p><p>para toda a metrópole;</p><p>as características de um parque cultural polivalente;</p><p>um parque cultural urbano ao ar livre;</p><p>a articulação de um centro</p>
<p>de ciências e tecnologias e uma sala de concertos.</p><p>Figura 8 – Concurso Parc de la Villette, Paris 1982</p><p>Fonte: Reprodução</p><p>O projeto vencedor foi o de Bernard Tschumi. Em uma área de 55 ha, o parque une arquitetura</p><p>e natureza. A área verde foi projetada para ligar os dois polos culturais básicos no</p><p>complexo: a Cité des Sciences et de l'industrie (Cidade da Ciência e Indústria) e a Cité de la</p><p>Musique (Cidade da Música). Há também a criação de um sistema de passagens para ligar os</p><p>dois polos do parque:</p><p>Seguindo esses dois caminhos retilíneos, encontramos um caminho, três quilômetros de</p><p>comprimento, que serpenteia através do parque e nos permite caminhar no la Villette e</p><p>descobrir uma série de marcos e dez jardins temáticos, criado com elementos construídos e</p><p>com elementos naturais: o jardim de espelhos, o jardim dos ventos e das dunas, o jardim de</p><p>bambu, o jardim do dragão, entre outros.</p><p>A Galerie de la Villette: caracterizada pelo seu telhado ondulado, percorre todo o</p><p>comprimento do parque e cria uma ligação entre os dois polos culturais</p><p>mencionados;</p><p>A Galerie de l'Ourcq: perpendicular a Galerie de la Villette, corre paralelamente ao</p><p>canal de mesmo nome, que corta o próprio parque, exatamente como tem feito</p><p>desde que foi construído, no século passado.</p><p>Figura 9 – La Villette</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>Todo o parque é pontilhado com pequenas construções vermelhas em uma diversidade de</p><p>formatos, conhecidos como os folies, uma versão contemporânea de pontos nodais, que são</p><p>claramente o projeto arquitetônico mais original e visível do projeto. Temos ainda outros dois</p><p>espaços verdes extensos: o Prairie du Cercle e a Pradaria du Triângulo, que compreendem dois</p><p>espaços abertos onde os visitantes podem relaxar.</p><p>Figura 10 – Paisagismo: Parc de la Villette</p><p>Fonte: Reprodução</p><p>Podemos dizer, portanto, que o parque todo é pensado a partir de camadas, na quais temos</p><p>pontos, linhas e superfícies, estabelecendo relações hierárquicas de atividades e usos</p><p>distintos.</p><p>Figura 11 – Clássicos da Arquitetura: Parc de la Villette</p><p>Fonte: Reprodução</p><p>Se pensarmos a diferença entre o projeto urbano da modernidade e da pós-modernidade,</p><p>como é o caso do Parc de la Villet, a�rmamos que este último pensa no território como algo</p><p>necessariamente fragmentado. David Harvey a�rma isso quando coloca:</p><p>- HARVEY, 2004, p. 69</p><p>“No campo da Arquitetura e no projeto urbano, considero o pós-modernismo no</p><p>sentido amplo como uma ruptura com a ideia modernista de planejamento e o</p><p>desenvolvimento devem concentrar-se em planos urbanos de larga escala, de</p><p>alcance metropolitano, tecnologicamente racionais e e�cientes sustentada por</p><p>uma Arquitetura absolutamente desposada (...). O pós-modernismo cultiva, em</p><p>vez disso, um conceito de tecido urbano como algo necessariamente</p><p>fragmentado, um “palimpsesto” de formas passadas superpostas umas às</p><p>outras e uma “colagem” de usos correntes, muitos dos quais podem ser</p><p>efêmeros. Como é impossível comandar a metrópole exceto aos pedaços, o</p><p>projeto urbano (...) deseja somente ser sensível às tradições vernáculas, às</p><p>histórias locais, aos desejos, necessidades e fantasias particulares, gerando</p><p>formas arquitetônicas especializadas, e altamente sob medida, que podem variar</p><p>dos espaços íntimos e personalizados  ao esplendor do espetáculo, passando pela</p><p>monumentalidade tradicional. Tudo isso pode �orescer pelo recurso a um</p><p>notável ecletismo de estilos arquitetônicos”</p><p>Por �m, é importante salientar o que é um parque com grandes possibilidades de usos, em</p><p>horários distintos. Há atividades desenvolvidas para as crianças e para os adultos. Os folies</p><p>que organizam o espaço se diversi�cam pela forma (não há mais a tipologia), pelos usos</p><p>distintos e pelas sensações distintas de cada espaço (em especial, as concepções dos jardins).</p><p>A memória do lugar se faz importante, na medida em que estabelece com os edifícios</p><p>anteriormente existentes um novo uso, ou com a valorização da Galerie de l'Ourcq (acesso do</p><p>parque preservado desde o início das atividades industriais). Por ser pensado de forma</p><p>fragmentada, o parque possibilita o pensamento de um desenho urbano que relaciona o</p><p>centro com a periferia, fazendo parte de um plano maior para a valorização leste da cidade de</p><p>Paris.</p><p>Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta</p><p>Unidade:</p><p>Sites</p><p>Vitruvius</p><p>Clique no botão para conferir o conteúdo.</p><p>ACESSE</p><p>Urbanista às Avessas</p><p>Clique no botão para conferir o conteúdo.</p><p>ACESSE</p><p>2 / 3</p><p>˨ Material Complementar</p><p>http://www.vitruvius.com.br/</p><p>https://urbanistaasavessas.home.blog/</p><p>Vídeos</p><p>Entrevista com Daniel Libeskind</p><p>Entrevista com Juahnni Pallasmaa</p><p>Camarote.21: conheça Daniel Libeskind, o mestre da arquitetura</p><p>Juhani Pallasmaa Interview: Art and Architecture</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=oblHT2vJJlk</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=5f6KowAYxPQ</p><p>ASSUMPÇÃO, R. V. Canto, vazio e memória: ontologia e território. 2017. Tese (Doutorado em</p><p>Urbanismo) – Programa de pós-graduação em Urbanismo, Pontifícia Universidade Católica de</p><p>Campinas, Campinas, SP, 2017.</p><p>BACHELARD, G. A poética do espaço. São Paulo: Martins Fontes, 2008.</p><p>HEIDEGGER, M. Bauen Wohnen Denken. In: Gesamtausgabe. I. Abteilung: Verö�entlichte</p><p>Schriften 1910-1976. Band 7. Vorträge und Aufsätze. Frankfurt am Main: Vittorio</p><p>Klostermann, 2000. p.146-165.</p><p>Merleau-Ponty, M. Fenomenologia da percepção. São Paulo: Martins Fontes, 2006.</p><p>NESBITT, K. (org.). Uma nova agenda para a arquitetura. São Paulo: Cosac Naify, 2013.</p><p>PALLASMAA, J. Os olhos da pele: a arquitetura e os sentidos. Porto Alegre: Bookman, 2011.</p><p>3 / 3</p><p>˨ Referências</p>

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