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<p>Ano6o</p><p>E</p><p>nsi</p><p>no</p><p>Fu</p><p>nd</p><p>am</p><p>en</p><p>tal</p><p>Léc</p><p>io</p><p>Cord</p><p>eir</p><p>o</p><p>Gram</p><p>átic</p><p>a</p><p>SSE_Gramatica_6A_001a002.indd 1 24/05/21 16:55</p><p>ISBN Aluno: 978-65-5638-386-6</p><p>ISBN Professor: 978-65-5638-379-8</p><p>Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e</p><p>Lei no 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.</p><p>Impresso no Brasil</p><p>Gramática</p><p>6o ano do Ensino Fundamental</p><p>Lécio Cordeiro</p><p>Editor:</p><p>Lécio Cordeiro</p><p>Revisão de texto:</p><p>Consultexto</p><p>Revisão técnica:</p><p>Marcelo Bernardo</p><p>Projeto gráfico, editoração</p><p>eletrônica e ilustrações:</p><p>Box Design Editorial</p><p>Capa</p><p>Gabriella Correia/Nathália Sacchelli/</p><p>Sophia Karla</p><p>Fotos: Mariakray - stock.adobe.com</p><p>Direção de Arte</p><p>Hilka Fabielly</p><p>Multi Marcas Editoriais Ltda.</p><p>Rua Neto Campelo Jr, 37 – Mustardinha</p><p>Recife – PE – CEP: 50760-330</p><p>CNPJ: 00.726.498 / 0001-74</p><p>I. Est.: 021 538-37 | I. Munic.: 252.009-5</p><p>Fizeram-se todos os esforços para localizar os detentores dos</p><p>direitos dos textos contidos neste livro. A Multi Marcas Editoriais</p><p>Ltda. pede desculpas se houve alguma omissão e, em edições</p><p>futuras, terá prazer em incluir quaisquer créditos faltantes.</p><p>Para fins didáticos, os textos contidos neste livro receberam,</p><p>sempre que oportuno e sem prejudicar seu sentido original,</p><p>uma nova pontuação.</p><p>SSE_Gramatica_6A_001a002.indd 2 31/05/21 11:54</p><p>A p r e s e n t a ç ã o</p><p>É muito comum ouvirmos comentários de que a nossa língua é muito difícil. Você</p><p>já ouviu alguém dizer isso? Normalmente essa opinião é seguida de comparações com</p><p>outras línguas. Quem pensa que o português é uma língua difícil comumente acredita</p><p>que o inglês, por exemplo, é uma língua fácil, que o alemão é feio, que o chinês é extre-</p><p>mamente confuso. Mas será mesmo? As pesquisas mostram que esses posicionamentos</p><p>sobre as línguas são equivocados.</p><p>Na maioria das vezes, essas opiniões negativas surgem da confusão que se faz entre</p><p>o que é a língua e o que é a gramática. Por uma série de motivos, é comum as pessoas</p><p>entenderem que ambas são a mesma coisa, mas, na verdade, não são. A gramática é</p><p>apenas um dos componentes da língua. Apesar disso, na nossa sociedade ela é muito</p><p>valorizada. Por isso, existem hoje nas livrarias inúmeros livros de gramática. Mas você</p><p>já percebeu que todos eles abordam o assunto sempre da mesma forma? Regras e mais</p><p>regras para se decorar, frases sem sentido e sem contexto adequado para ilustrar o es-</p><p>tudo, construções linguísticas que nunca usaremos na vida, nenhuma relação entre a</p><p>gramática e os outros componentes curriculares.</p><p>Foi pensando nisso que tivemos a ideia de escrever uma gramática diferente. Nosso</p><p>objetivo foi preparar um livro que realmente ensinasse o conteúdo gramatical como ele</p><p>é: interessante, vivo, real, repleto de possibilidades! Esperamos que você goste e que</p><p>passe a ver a gramática de forma diferente.</p><p>Bom estudo!</p><p>Lécio Cordeiro</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 3 25/08/20 16:54</p><p>S u m á r i o</p><p>Capítulo 1</p><p>Linguagem, língua e sociedade ------- 06</p><p>1. A comunicação ----------------------------- 06</p><p>2. A capacidade de simbolizar ------------- 09</p><p>3. A linguagem -------------------------------- 11</p><p>4. O que são a língua e a gramática? ---- 12</p><p>5. Língua falada e língua escrita ----------- 15</p><p>6. A língua e suas mudanças --------------- 15</p><p>7. O preconceito linguístico ---------------- 20</p><p>Atividades ----------------------------------- 22</p><p>Desafio --------------------------------------- 25</p><p>Questões de escrita ----------------------- 27</p><p>Fonema e letra ----------------------------- 27</p><p>Classificação dos fonemas--------------- 28</p><p>O alfabeto ----------------------------------- 28</p><p>Capítulo 2</p><p>Ato de fala, frase e contexto ----------- 31</p><p>1. Ato de fala ----------------------------------- 31</p><p>2. Frase e contexto --------------------------- 32</p><p>3. Classificação tradicional das frases --- 34</p><p>4. Interjeição ----------------------------------- 35</p><p>5. Condição discursiva ----------------------- 36</p><p>Atividades ----------------------------------- 37</p><p>Desafio --------------------------------------- 41</p><p>Questões de escrita ----------------------- 42</p><p>Estudo da sílaba --------------------------- 42</p><p>Capítulo 3</p><p>Estudo dos textos ------------------------ 44</p><p>1. O que é um texto? ------------------------ 44</p><p>2. Sequências e gêneros textuais --------- 47</p><p>Atividades ----------------------------------- 50</p><p>Desafio --------------------------------------- 56</p><p>Questões de escrita ----------------------- 58</p><p>Encontros de vogais e semivogais ----- 58</p><p>Desencontros de vogais: hiato --------- 59</p><p>Capítulo 4</p><p>Conotação e denotação ----------------- 60</p><p>1. Conotação e denotação------------------ 60</p><p>2. Linguagem figurada ----------------------- 62</p><p>Atividades ----------------------------------- 69</p><p>Desafio --------------------------------------- 71</p><p>Questões de escrita ----------------------- 73</p><p>Dígrafo --------------------------------------- 73</p><p>Encontro consonantal -------------------- 74</p><p>Divisão silábica ----------------------------- 75</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 4 24/08/20 16:33</p><p>Capítulo 5</p><p>Substantivo e adjetivo -------------------- 77</p><p>1. Substantivo ------------------------------------77</p><p>2. Adjetivos ----------------------------------------84</p><p>Atividades --------------------------------------90</p><p>Desafio ------------------------------------------96</p><p>Questões de escrita --------------------------99</p><p>Acentuação dos monossílabos tônicos --99</p><p>Acentuação das proparoxítonas ----------99</p><p>Capítulo 6</p><p>Artigo, numeral e pronome -------------- 101</p><p>1. Artigo --------------------------------------------101</p><p>2. Numeral ----------------------------------------103</p><p>3. Pronome ----------------------------------------108</p><p>Atividades --------------------------------------113</p><p>Desafio ------------------------------------------117</p><p>Questões de escrita --------------------------120</p><p>Acentuação das palavras oxítonas -------120</p><p>Acentuação das palavras paroxítonas ---120</p><p>Capítulo 7</p><p>Verbo ----------------------------------------- 122</p><p>1. O que é um verbo? ---------------------------122</p><p>2. Modos verbais --------------------------------125</p><p>3. Formas nominais dos verbos --------------125</p><p>4. Tempos verbais -------------------------------126</p><p>Atividades --------------------------------------129</p><p>Desafio ------------------------------------------133</p><p>Questões de escrita --------------------------134</p><p>Casos mais específicos de acentuação --134</p><p>Capítulo 8</p><p>Estudo das orações ------------------------ 136</p><p>1. A oração e o período ------------------------136</p><p>2. O período composto por coordenação -138</p><p>Atividades --------------------------------------140</p><p>Desafio ------------------------------------------143</p><p>Questões de escrita --------------------------144</p><p>Ortografia --------------------------------------144</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 5 24/08/20 16:33</p><p>Pintura rupestre encontrada em um dos sítios arqueológicos do Parque Nacional da Serra</p><p>da Capivara, no Piauí, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade.</p><p>L i n g u a g e m , l í n g u a</p><p>e s o c i e d a d e</p><p>C A P Í T U L O 1</p><p>1. A comunicação</p><p>A pintura acima forma o que muitos historiadores e arqueólogos definem como pictografia — do</p><p>latim pictor (pintura) + grafia (escrita). Ou seja, para eles é um tipo de escrita na qual se utilizam</p><p>desenhos. As imagens trazem certo padrão, o que sugere a possibilidade de uma escrita. Entretanto,</p><p>é difícil “ler” essa “escrita”, porque os significados exatos dos desenhos se perderam junto às comu-</p><p>nidades que os criaram.</p><p>Para compreendermos essa “escrita”, precisaríamos fazer relações entre vários elementos, como</p><p>ideias, palavras, situações, imagens, etc. A construção do sentido é muito rápida e começa antes</p><p>mesmo de lermos a pintura. Isso porque, quando a vemos, nossa mente já começa a processar in-</p><p>formações. Uma delas, certamente a primeira, é a “certeza” de que o ser humano que a produziu</p><p>queria comunicar algo. Se não, por que pintá-la?</p><p>Agora, analise com atenção a figura a seguir.</p><p>Imagem 1</p><p>EV</p><p>EL</p><p>YN</p><p>C</p><p>AL</p><p>IM</p><p>AM</p><p>S</p><p>AM</p><p>PA</p><p>IO</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tt</p><p>er</p><p>st</p><p>oc</p><p>k.</p><p>co</p><p>m</p><p>6</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 6 24/08/20 16:33</p><p>Que interpretação podemos</p><p>O mundo é assim...</p><p>b. Devemos nos conformar com as in-</p><p>justiças.</p><p>c. Devemos nos conformar com o</p><p>mundo!</p><p>d. Devemos lutar contra as injustiças.</p><p>e. O mundo tem muitas injustiças!</p><p>3. Sobre as falas dos personagens, é incorre-</p><p>to afirmar que:</p><p>a. As palavras claro e óbvio podem ser</p><p>entendidas como frases.</p><p>b. No primeiro quadrinho, a fala da</p><p>menina é uma frase interrogativa.</p><p>c. Todas as falas do menino expres-</p><p>sam emoções.</p><p>d. As reticências indicam que a meni-</p><p>na interrompeu sua fala.</p><p>e. No último quadrinho, temos duas</p><p>frases declarativas.</p><p>4. Sobre a fala da menina no último quadri-</p><p>nho, é correto afirmar que, para ela:</p><p>a. Os problemas do mundo não têm</p><p>solução.</p><p>b. As injustiças são fruto de ações go-</p><p>vernamentais.</p><p>c. O mundo pode ser melhorado.</p><p>d. A vida na Terra está em perigo.</p><p>e. Precisamos aceitar que os proble-</p><p>mas do mundo são indiscutíveis.</p><p>41</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 41 24/08/20 16:33</p><p>Estudo da sílaba</p><p>1. Em uma palavra como pai, constituída de uma única sílaba, temos apenas uma vogal, indicada</p><p>pela letra a. Do mesmo modo, a palavra seu possui somente uma vogal, representada pela</p><p>letra e. Nos dois casos, os fonemas vocálicos /i/ e /u/ são considerados semivogais, pois são</p><p>pronunciados de maneira mais fraca. Leia as palavras a seguir e identifique em quais delas</p><p>ocorrem os fonemas vocálicos /i/ e /u/ na condição de semivogais.</p><p>Q u e s t õ e s d e e s c r i t a</p><p>2. Volte às palavras da questão anterior e pronuncie cada uma delas pausadamente. Perceba</p><p>que, ao realizar essa atividade, sua boca executa movimentos bastante precisos. Cada movi-</p><p>mento corresponde a uma sílaba. A sílaba é um fonema ou grupo de fonemas que produzimos</p><p>em um só impulso de voz. Agora, reflita: quantas vogais pode haver em uma sílaba?</p><p>Em uma mesma sílaba, só pode haver uma vogal.</p><p>3. Quanto ao número de sílabas, as palavras são classificadas como monossílabas, dissílabas,</p><p>trissílabas e polissílabas. Reflita: quantas sílabas as palavras possuem em cada categoria?</p><p>Exemplifique.</p><p>As palavras monossílabas possuem uma sílaba, como pé; as dissílabas possuem duas, como</p><p>sofá; as trissílabas possuem três, como caneta; as polissílabas possuem quatro ou mais síla-</p><p>bas, como releitura, intensidade e desentendimento.</p><p>4. As palavras monossílabas podem ser átonas ou tônicas, conforme sejam dependentes de ou-</p><p>tras ou não, respectivamente. Já nas palavras com mais de uma sílaba, há sempre uma sílaba</p><p>pronunciada com mais intensidade que as demais: a sílaba tônica. Quanto à posição da sílaba</p><p>tônica, as palavras se classificam como:</p><p>•	 Oxítonas – quando a sílaba tônica é a última.</p><p>•	 Paroxítonas – quando a sílaba tônica é a penúltima.</p><p>•	 Proparoxítonas – quando a sílaba tônica é a antepenúltima.</p><p>réu juiz foi comprei país</p><p>ciúme peixe ouro Lua saúde</p><p>quase rua treino roupa rainha</p><p>42</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 42 24/08/20 16:33</p><p>Exemplifique cada uma dessas categorias.</p><p>Resposta pessoal. Sugestão: oxítonas – Amapá, enxugar, armazém; paroxítonas – ronco, cama,</p><p>garrafa; proparoxítona – página, atlético, hábitat.</p><p>5. Leia em voz alta as palavras a seguir e identifique a sílaba tônica de cada uma delas. Dica: para</p><p>encontrar a sílaba tônica de forma rápida, fale a palavra como se a fosse vender: a vogal da</p><p>sílaba tônica se prolonga. É engraçado, mas funciona!</p><p>biosfera comunidade máquina espaço parasitismo</p><p>planejamento inquilinismo fotográfico órbita planeta</p><p>combinação cidade ambientalista humano ecológico</p><p>A sílaba tônica de uma palavra polissílaba deve estar, necessariamente, na última, penúlti-</p><p>ma ou antepenúltima posição. Algumas palavras, porém, possuem uma sílaba subtônica</p><p>(pronunciada de forma um pouco mais fraca que a tônica). As sílabas que não são tônicas</p><p>nem subtônicas são chamadas de átonas (pronúncia fraca). Observe.</p><p>A P R E N D A M A I S</p><p>ca fe zi nho</p><p>Sílabas átonas</p><p>Sílaba subtônica Sílaba tônica</p><p>ra pi da men te</p><p>Sílabas átonas</p><p>Sílaba subtônica Sílaba tônica</p><p>A sílaba subtônica é a sílaba tônica da palavra primitiva. Veja.</p><p>Palavra primitiva Palavra derivada</p><p>café cafezinho</p><p>rápido rapidamente</p><p>43</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 43 24/08/20 16:33</p><p>E s t u d o d o s t e x t o s</p><p>C A P Í T U L O 3</p><p>1. O que é um texto?</p><p>Leia.</p><p>Para entender o cartum acima, precisamos fazer diversas operações mentais. Uma dessas opera-</p><p>ções consiste na identificação dos três elementos não verbais mais importantes para a construção</p><p>do sentido: os dois personagens e a flecha.</p><p>44</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 44 24/08/20 16:33</p><p>O que cada um deles representa no nosso imaginário? Quem teria disparado a flecha?</p><p>O cérebro representa a razão, o coração representa a emoção, a flecha representa a paixão.</p><p>O deus conhecido como Cupido teria disparado a flecha.</p><p>R E F L I T A</p><p>Como vimos, a linguagem é um traço fundamental dos seres humanos, embora não seja uma</p><p>característica exclusiva nossa, pois os animais em geral também são capazes de se comunicar entre</p><p>si. No entanto, somente os seres humanos conseguem interagir de maneira tão complexa. Por exem-</p><p>plo, quando conversamos somos capazes de situar o conteúdo das nossas falas tanto no passado</p><p>quanto no futuro. Podemos até inventar esse conteúdo e representar ideias por meio de imagens,</p><p>como no cartum que você leu.</p><p>Então, de acordo com o que estudamos até agora, dizemos que a nossa linguagem é essencial-</p><p>mente interativa. Ao proferirmos a mais simples palavra para alguém, temos alguma intenção: pe-</p><p>dir, ordenar, agradecer, chamar a atenção, lembrar, ensinar, orientar, etc., e a pessoa a quem nos</p><p>dirigimos procura captar essa intenção. Na prática, é bastante simples: quando falamos ou escreve-</p><p>mos, queremos ser compreendidos, e o nosso interlocutor quer nos compreender. Por isso, dizemos</p><p>que o sucesso de uma comunicação depende das pessoas envolvidas, que cooperam umas com as</p><p>outras para produzir sentido. Toda interação se dá por meio de textos.</p><p>Para compreender o cartum, fazemos uma leitura das imagens (linguagem não verbal) e dos</p><p>enunciados (linguagem verbal). A compreensão se dá mais ou menos como um somatório dessas</p><p>linguagens e seus significados.</p><p>Na nossa cultura, a razão e a emoção constantemente são representadas pelo cérebro e pelo</p><p>coração, respectivamente. De acordo com esse entendimento, o cérebro e o coração são os órgãos</p><p>nos quais a razão e a emoção acontecem. A flecha, por sua vez, representa a paixão, sendo atirada</p><p>nas pessoas pelo deus chamado Cupido. No imaginário coletivo, a pessoa apaixonada fica distraída,</p><p>despreocupada, feliz. Daí o desespero do cérebro (razão) expresso no balão de medo:</p><p>Chamamos de texto a atividade interacional comunicativa que acontece em uma situa-</p><p>ção específica.</p><p>Cara, reage! Que sorriso estranho é esse? Fala comigo!</p><p>45</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 45 24/08/20 16:33</p><p>•	 Grito – Linha espalhada, cheia de pontas, semelhante</p><p>ao desenho de uma explosão.</p><p>•	 Expressão de medo – Linha tremida, irregular.</p><p>•	 Fala eletrônica – Linha simples com ponta direcional</p><p>em forma de raio. É usada para representar vozes repro-</p><p>duzidas em aparelhos eletrônicos.</p><p>•	 Frio ou derretimento, moleza – Linha escorrida. Tam-</p><p>bém é usada para expressar frieza do personagem ao</p><p>falar.</p><p>•	 Sussurro ou cochicho – Linha tracejada.</p><p>•	 Fala comum – Uma linha simples, oval ou retangular.</p><p>•	 Pensamento ou sonho – Linha curva, semelhante a</p><p>uma nuvem.</p><p>Nas tirinhas, nas histórias em quadrinhos, nas charges, entre outras, a fala dos personagens nor-</p><p>malmente é indicada em balões. Além do conteúdo verbal, o próprio balão atua como símbolo não</p><p>verbal, indicando as circunstâncias que envolvem a fala dos personagens. Observe:</p><p>46</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 46 24/08/20 16:33</p><p>Apesar de esses balões serem bastante utilizados, há ainda outras formas de marcar falas e cir-</p><p>cunstâncias enunciativas, como o uso de cores diferenciadas, negrito, itálico, onomatopeias, letras</p><p>maiúsculas, falas duplas e tamanho de fonte diverso. Na tirinha a seguir, foram utilizados alguns</p><p>desses recursos.</p><p>QUINO. Toda Mafalda: da</p><p>primeira à última tira. São Paulo: Martins Fontes, 2003, p. 15.</p><p>Em outros textos que utilizam apenas a linguagem verbal, organizamos as ideias em blocos,</p><p>os parágrafos. Os parágrafos são indicados com um recuo de margem do seu primeiro enuncia-</p><p>do, que se inicia com letra maiúscula.</p><p>Para compor um parágrafo, é necessário escrever várias frases?</p><p>Não é necessário compor o parágrafo com várias frases. Às vezes, apenas uma frase, ou</p><p>mesmo uma palavra, pode formar um parágrafo.</p><p>R E F L I T A</p><p>2. Sequências e gêneros textuais</p><p>Não é necessário nos aprofundarmos no estudo dos textos para percebermos que há uma multi-</p><p>plicidade deles em nossa vida diária. Eles estão por toda parte, transmitindo informações, influen-</p><p>ciando nosso comportamento, repassando histórias, etc.</p><p>Com um pouco mais de atenção, vemos que agrupamos vários textos em torno de um nome,</p><p>digamos, comum. Para entender isso, basta você pensar na palavra fábula. O que ela lhe sugere de</p><p>imediato? Provavelmente você pensou em um texto cujos personagens são animais que agem como</p><p>seres humanos (como vimos no primeiro capítulo). Mas não só isso: certamente você já sabe que</p><p>todas as fábulas sempre são produzidas com o objetivo de nos passar uma lição moral. Essas duas</p><p>características (personagens animais e lição moral) são comuns a todas as fábulas. Veja um exemplo</p><p>de fábula.</p><p>47</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 47 24/08/20 16:33</p><p>Ao ler esse texto, você percebeu que ele apresenta aquelas duas características de que falamos</p><p>ainda há pouco? Além delas, podemos observar outras: o ambiente e o tempo não têm importância</p><p>para a história, os diálogos são curtos, etc. Essas características nos permitem afirmar, portanto, que</p><p>esse texto é uma fábula.</p><p>Assim, qualquer texto que tenha esses detalhes e a função de repassar um ensinamento pode</p><p>ser identificado como fábula. Da mesma forma, se alguma dessas características for mudada, essa</p><p>identificação também mudará. Por exemplo: se os personagens forem seres humanos, não animais</p><p>irracionais, teremos uma parábola; e, se os personagens forem objetos, teremos um apólogo.</p><p>Podemos dizer, resumindo, que as fábulas, as parábolas e os apólogos possuem, basicamente,</p><p>características estruturais muito parecidas, mas não são a mesma coisa. Eles exemplificam o que</p><p>chamamos de gêneros textuais.</p><p>Entre as características que esses gêneros possuem, a principal é, sem dúvida, que são sempre tex-</p><p>tos narrativos, isto é, contam histórias de personagens que desempenham ações que são transmitidas</p><p>por meio da voz de um narrador. Da mesma forma que fábulas, parábolas e apólogos, muitos outros</p><p>gêneros são também narrativos: contos, novelas, romances, piadas, etc. Dessa forma, podemos dizer</p><p>que a narração está presente em vários gêneros textuais, marcando a sua estrutura. A narração faz</p><p>parte do conceito que chamamos de sequência textual. Podemos esquematizar o que vimos até ago-</p><p>ra de forma simples.</p><p>Um orgulhoso mosquito resolveu mostrar a todos</p><p>como era valente. Voou até o leão e disse:</p><p>— Você pensa que tem mais força do que eu? Pois</p><p>saiba que não é bem assim! Você só sabe arranhar e</p><p>roer com garras e dentes, grande coisa! Eu sou muito</p><p>mais forte que você, e eu o desafio!</p><p>E, zumbindo, começou a picar o leão nas partes</p><p>mais lisas de seu focinho.</p><p>O leão se debateu, tentando, em vão, acertar o mos-</p><p>quito. Porém, em seu esforço, ele só conseguiu se arra-</p><p>nhar todo e cair cansado e vencido pelo ágil e pequenino</p><p>inimigo.</p><p>Triunfante e zumbindo de felicidade, o mosquito</p><p>partiu. Mas, embevecido pelo seu orgulho, nem perce-</p><p>beu que seguia direto para uma teia de aranha!</p><p>Enrolado na teia, sem conseguir mais voar, ele viu a</p><p>aranha se aproximando para comê-lo e pensou, revol-</p><p>tado: “Como isso pôde acontecer comigo?! Venci o po-</p><p>deroso leão para virar jantar de uma maldita aranha!”.</p><p>Moral: Muitas vezes o menor dos nossos inimigos</p><p>deve ser o mais temível.</p><p>TOLSTÓI, Liev. Fábulas. Tradução e adaptação de Tatiana Mariz e Ana Sofia Mariz. São</p><p>Paulo: Companhia das Letrinhas, 2009. p. 19–20.</p><p>O mosquito e o leão</p><p>48</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 48 24/08/20 16:33</p><p>O mosquito e o leãoTextos</p><p>Sequência</p><p>O velho e o menino</p><p>Narrativa</p><p>A agulha e a linha</p><p>FábulaGêneros textuais Parábola Apólogo</p><p>•	 Injuntiva – É a sequência textual que permeia gêneros em que incitamos à ação.</p><p>Neles o emissor procura agir sobre o receptor fazendo com que ele adote deter-</p><p>minados comportamentos, como ocorre frequentemente nas receitas culinárias,</p><p>nos manuais do usuário, etc.</p><p>•	 Descritiva	– Registra características de pessoas, lugares, objetos. Os anúncios de ven-</p><p>da de imóveis nos jornais, por exemplo, são textos em que as sequências descritivas</p><p>prevalecem.</p><p>•	 Narrativa – É o relato de fatos feito por um narrador, o desenrolar de uma trama,</p><p>de ações. Esse relato envolve personagens normalmente localizados no tempo e no</p><p>espaço.</p><p>•	 Expositiva – É a explanação de informações. Essa sequência permeia textos cuja</p><p>função principal é informar, como a notícia de jornal.</p><p>•	 Argumentativa – Predomina em textos cujo objetivo maior é a defesa de pontos de</p><p>vista. Essa defesa é feita por meio de ideias e argumentos e visa convencer ou per-</p><p>suadir o interlocutor.</p><p>•	 Dialogal – Corresponde às sequências que constituem os diálogos.</p><p>Segundo alguns teóricos, existem, basicamente, seis sequências textuais: injuntiva (prescritiva),</p><p>descritiva, narrativa, expositiva, argumentativa e dialogal. De maneira simples, poderíamos defini-</p><p>-las deste modo:</p><p>Apesar de apresentarmos as seis sequências textuais separadamente, elas podem aparecer</p><p>juntas em um mesmo texto. Entretanto, uma delas prevalece sobre as demais, indicando a natu-</p><p>reza do gênero.</p><p>49</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 49 25/08/20 16:42</p><p>1. Imagine que os itens A e B a seguir foram escritos por diferentes historiadores para fazer parte</p><p>de um guia turístico sobre o Parque Nacional Serra da Capivara.</p><p>A t i v i d a d e s</p><p>A.</p><p>O Parque Nacional Serra da Capivara foi criado em 1979, fronteira entre duas forma-</p><p>ções geológicas, com serras, vales e planície, o parque abriga fauna e flora específicas</p><p>da Caatinga com presença de tatus-verdadeiros, tatus-bola, tamanduás, jacus, cotias,</p><p>veados-catingueiros, porcos-do-mato, macacos-prego e até onças, lagartos e serpentes</p><p>e foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. Em qualquer época</p><p>do ano é possível visitar. A Sede da administração do Parque fica na cidade de São</p><p>Raimundo Nonato/PI no período das chuvas pode-se apreciar a floração das plantas</p><p>da Caatinga a região abriga 173 sítios arqueológicos abertos à visitação. O Parque fica</p><p>localizado no semiárido nordestino.</p><p>B.</p><p>Durante milênios, as paredes dos sítios do Parque Nacional Serra da Capivara foram</p><p>pintadas e gravadas por grupos humanos com diferentes características culturais que</p><p>se refletem nas escolhas gráficas que aparecem nos sítios. O visitante pode hoje obser-</p><p>var um produto gráfico final que foi realizado gradativamente e que pela sua narrativi-</p><p>dade evoca fatos da vida cotidiana e cerimonial da vida em épocas pré-históricas.</p><p>Pinturas rupestres produzidas em caverna locali-</p><p>zada no Parque Nacional Serra da Capivara.</p><p>EV</p><p>EL</p><p>YN</p><p>C</p><p>AL</p><p>IM</p><p>AM</p><p>S</p><p>AM</p><p>PA</p><p>IO</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tt</p><p>er</p><p>st</p><p>oc</p><p>k.</p><p>co</p><p>m</p><p>50</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 50 24/08/20 16:33</p><p>a. Tendo em vista o que estudamos, podemos afirmar que os itens A e B são textos? Justifique</p><p>sua resposta.</p><p>Sim. O item A é composto de frases mal formuladas e mal conectadas, mas isso não impede a</p><p>construção do sentido por parte do leitor. O item B também é um texto, pois apresenta unida-</p><p>de temática e estrutural bem formulada.</p><p>b. Na sua opinião, os dois itens poderiam fazer parte do guia turístico do Parque? Explique.</p><p>Resposta pessoal. Espera-se que o aluno entenda que, devido aos problemas apresentados</p><p>pelo item A, não seria adequado utilizá-lo no guia.</p><p>2. Com base na análise feita dos itens A e B da questão anterior, avalie as afirmações seguintes,</p><p>assinalando C (certo) ou E (errado).</p><p>a. E Podemos concluir</p><p>que texto é a sucessão ou combinação de frases.</p><p>b. E Texto é a sucessão de frases com sentido.</p><p>c. E Podemos entender a noção de texto como a unidade linguística superior à frase.</p><p>d. C Texto é uma atividade verbal em que há necessariamente produção de sentido.</p><p>e. C O item A constitui um texto, apesar de não apresentar unidade estrutural e temática</p><p>bem organizada.</p><p>f. C O item A, embora apresente raros elementos conectivos entre as ideias veiculadas,</p><p>apresenta-se como um todo significativo.</p><p>g. E O item B constitui texto, uma vez que apresenta várias frases.</p><p>h. C No item B, há o predomínio da linguagem formal.</p><p>Texto 1</p><p>Brownie do Luiz</p><p>Ingredientes</p><p>6 ovos</p><p>½ kg de açúcar</p><p>3 ½ xícaras (chá) de farinha de trigo</p><p>700 g de achocolatado</p><p>300 g de manteiga com sal</p><p>Disponível em: http://gshow.globo.com/receitas-gshow/receita/brownie-do-luiz. Acesso em: 23/09/2019.</p><p>Modo de preparo</p><p>• Numa batedeira coloque 6 ovos, ½ kg de açúcar, 3 ½ xí-</p><p>caras (chá) de farinha de trigo, 700 g de achocolatado,</p><p>300 g de manteiga com sal e bata bem até formar uma</p><p>mistura homogênea.</p><p>• Coloque a massa numa assadeira (40 cm x 25 cm) un-</p><p>tada e leve ao forno médio preaquecido a 180 °C por</p><p>± 30 minutos. Retire do forno e deixe esfriar.</p><p>• Corte em quadrados (6 cm x 6 cm) e sirva em seguida.</p><p>51</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 51 24/08/20 16:33</p><p>3. Como você sabe, os textos fazem parte da nossa vida. Fazemos uso deles para atuar e nos co-</p><p>municar nos diferentes campos de atividade pelos quais circulamos em nosso cotidiano — em</p><p>casa, na escola, no shopping, estudando e até consumindo. Os gêneros textuais nos servem nesses</p><p>momentos, pois são as formas de dizer mais ou menos estáveis em nossa sociedade. Todos os</p><p>cidadãos sabem o que são e reconhecem notícias, anúncios, bulas de remédio, livros didáticos,</p><p>bilhetes, etc. Reconhecemos os gêneros textuais principalmente por três aspectos:</p><p>• A forma de composição.</p><p>• Os temas e as funções que viabilizam.</p><p>• O estilo de linguagem que permitem (formal, informal).</p><p>Com base nesses três aspectos e no seu conhecimento de mundo, responda às questões a seguir.</p><p>a. O texto Brownie do Luiz é um exemplo de que gênero textual?</p><p>Receita culinária.</p><p>b. Que características composicionais você identifica nesse texto?</p><p>Resposta pessoal. Espera-se que o aluno identifique características como a subdivisão do texto</p><p>em duas partes (ingredientes e modo de preparo).</p><p>c. Qual é a função social desse gênero textual?</p><p>A receita culinária tem a função de ensinar as pessoas a prepararem os alimentos.</p><p>d. Esse gênero permite o uso da linguagem formal ou informal?</p><p>Normalmente as receitas são escritas com linguagem formal, mas é possível o registro informal.</p><p>e. Que sequência textual predomina nesse texto?</p><p>Na receita culinária, predomina a sequência injuntiva.</p><p>4. Analise os textos que seguem e indique qual é o gênero textual que exemplificam. Aproveite</p><p>também para identificar a sequência textual que prevalece em cada um deles.</p><p>Texto 1</p><p>Como surge um deserto?</p><p>Para uma área ser considerada desértica, ela precisa reunir pelo menos dois elementos:</p><p>solo arenoso e clima quente e seco, com baixíssimos índices de chuvas durante um longo pe-</p><p>ríodo. Os desertos que existem hoje na Terra experimentam há milhares de anos uma média</p><p>de chuvas menor que 250 milímetros por ano, um índice seis vezes inferior ao da cidade de São</p><p>Paulo, por exemplo. Isso quer dizer que demora muito tempo para um deserto aparecer […].</p><p>Disponível em: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-surge-um-deserto. Texto adaptado. Acessado em: 16/04/2019.</p><p>Artigo de divulgação científica. Sequência textual: Expositiva.</p><p>52</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 52 24/08/20 16:33</p><p>Texto 2</p><p>Vulcão chileno Calbuco entra em erupção</p><p>O vulcão chileno Calbuco entrou em erupção nesta quarta-feira, 22 de abril, e expeliu uma</p><p>potente coluna de cinzas de vários quilômetros de altura, o que não acontecia há quase 50</p><p>anos, provocando o isolamento das cidades mais próximas.</p><p>Disponível em: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters.htm. Acessado em: 29/04/2019.</p><p>Notícia. Sequência textual: Narrativa.</p><p>Texto 3</p><p>Tirinha. Sequência textual: Narrativa.</p><p>Texto 4</p><p>Animado com esta saída feliz que me deu o javanês, voltei a procurar o anúncio. Lá estava</p><p>ele. Resolvi com determinação me candidatar ao professorado do idioma oceânico. Escrevi a</p><p>resposta, passei pelo jornal e deixei lá a carta. Em seguida, voltei à biblioteca e continuei os</p><p>meus estudos de javanês. Não fiz grandes progressos nesse dia, não sei se por julgar o alfabeto</p><p>javanês o único saber necessário a um professor de língua malaia ou se por ter me empenhado</p><p>mais na bibliografia e história literária do idioma que ia ensinar.</p><p>BARRETO, Lima. O homem que sabia javanês. In: Contos selecionados. Seleção e adaptação de Malthus de Queiroz. Recife: Prazer de Ler,</p><p>2012, p. 10.</p><p>Conto. Sequência textual: Narrativa.</p><p>53</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 53 24/08/20 16:33</p><p>Texto 5</p><p>Re</p><p>pr</p><p>od</p><p>uç</p><p>ão</p><p>Anúncio. Sequência textual: Injuntiva.</p><p>Texto 6</p><p>— Do que está falando? — perguntei.</p><p>Ela pareceu surpresa, como se não fosse para eu ter escutado aquilo.</p><p>— Você deveria contar para ele no que está pensando, Isabel — sugeriu o papai, que estava do</p><p>outro lado da sala, conversando com o pai do Christopher.</p><p>— É melhor falarmos sobre isso depois — disse a mamãe.</p><p>— Não. Eu quero saber do que você estava falando — retruquei.</p><p>— Você não acha que está pronto para ir à escola, Auggie? — perguntou a mamãe.</p><p>— Não — respondi.</p><p>— Eu também não — concordou papai.</p><p>— Então é isso. Assunto encerrado — concluí, dando de ombros, e sentei no colo dela, como se</p><p>fosse um bebê.</p><p>— Só acho que você precisa aprender mais do que eu posso ensinar — justificou-se a mamãe. —</p><p>Quer dizer... Ah, Auggie, você sabe como sou péssima com frações!</p><p>PALACIO, J. R. Extraordinário. Tradução: Rachel Agavino. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012. p. 14.</p><p>Diálogo. Sequência textual: dialogal.</p><p>54</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 54 25/08/20 16:43</p><p>Anúncio. Sequência textual: Injuntiva.</p><p>Re</p><p>pr</p><p>od</p><p>uç</p><p>ão</p><p>Texto 7</p><p>Texto 8</p><p>A raposa e as uvas</p><p>Uma raposa faminta viu uns cachos de uva pendurados a grande altura, em uma videira que</p><p>crescia ao longo de uma treliça, e fez de tudo para alcançá-los, saltando o mais alto que podia. Mas</p><p>seu esforço foi em vão, pois os cachos estavam fora de seu alcance. Por isso, ela desistiu de tentar.</p><p>Afastou-se e, com um ar de dignidade e indiferença, falou:</p><p>— Eu pensei que aquelas uvas estavam maduras, mas vejo agora que elas eram, na verdade,</p><p>bastante azedas.</p><p>Moral da história: Quem desdenha quer comprar.</p><p>SANTOS, Laura. Fábulas de Esopo. Recife: Prazer de Ler, 2014, p. 3.</p><p>Fábula. Sequência textual: Narrativa.</p><p>55</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 55 24/08/20 16:34</p><p>D e s a f i o</p><p>1. (Enem–Adaptada) Em 2002, o Governo Federal promoveu uma campanha a fim de reduzir os</p><p>índices de violência. Noticiando o fato, um jornal publicou a seguinte manchete:</p><p>Campanha contra a violência do governo do Estado entra em nova fase.</p><p>A manchete tem um duplo sentido, e isso dificulta o entendimento. Considerando o objetivo da</p><p>notícia, esse problema poderia ter sido evitado com a seguinte redação:</p><p>a. Campanha contra o governo do Estado e a violência entram em nova fase.</p><p>b. A violência do governo do estado entra em nova fase de campanha.</p><p>c. Campanha contra o governo do Estado entra em nova fase de violência.</p><p>d. A violência da campanha do governo do Estado entra em nova fase.</p><p>e. Campanha do governo do Estado contra a violência entra em nova fase.</p><p>2. Leia o cartaz.</p><p>Colabore com esse ato em</p><p>defesa do meio ambiente.</p><p>Seja nosso parceiro.</p><p>As futuras gerações agradecerão.</p><p>O ÚNICO CAMINHO É</p><p>SALVAR A NATUREZA!</p><p>Em relação ao texto, é possível afirmar que ele:</p><p>a. apresenta traços claros de ambiguida-</p><p>de, isto é, sugere mais de uma possibi-</p><p>lidade de interpretação.</p><p>b. desrespeita as normas para textos for-</p><p>mais escritos, sobretudo em relação à</p><p>variação linguística.</p><p>c. possui uma inconsistência de sentido,</p><p>pois apresenta</p><p>contradições entre as</p><p>informações e os dados da realidade.</p><p>d. cumpre a função de convencer o leitor</p><p>a aderir à campanha em favor do meio</p><p>ambiente.</p><p>e. atende perfeitamente ao objetivo co-</p><p>municativo a que se propõe.</p><p>3. (Unicamp–Adaptada) Alguns anos atrás, uma universidade brasileira veiculou um convite-pro-</p><p>paganda para a palestra Desenvolvimento da saúde e seus principais problemas, que seria pro-</p><p>ferida por um ex-ministro da Saúde. Do convite-propaganda, fazia parte uma foto do político,</p><p>sobre a qual foi colocada uma tarja branca com o seguinte enunciado:</p><p>A “UNIVERSIDADE X” ADVERTE: ESSA PALESTRA FAZ BEM À SAÚDE.</p><p>56</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 56 24/08/20 16:34</p><p>a. Esse enunciado faz alusão a um outro. Qual?</p><p>O enunciado faz alusão ao texto veiculado pelo Ministério da Saúde em suas ações contra o</p><p>tabagismo: O Ministério da Saúde adverte: fumar faz mal à saúde.</p><p>b. O convite-propaganda situa a “Universidade X” em um lugar de autoridade. Explique como</p><p>isso acontece.</p><p>Ao fazermos a referência desse convite-propaganda ao texto veiculado pelo Ministério da Saúde (uma institui-</p><p>ção com poder legitimado), percebemos que, no convite, a expressão Universidade X ocupa a mesma função</p><p>do termo O Ministério da Saúde na advertência, ou seja, os dois termos são equivalentes semanticamente.</p><p>4. Assinale a afirmação correta.</p><p>a. Trata-se de um gênero textual que cumpre papel importante em textos informativos.</p><p>b. Combina linguagem verbal e não verbal com o objetivo de relatar.</p><p>c. Esse conjunto de informações não pode ser entendido como texto.</p><p>d. Há um predomínio da sequência textual descritiva.</p><p>e. A classificação como texto não é adequada, pois verificamos apenas frases incompletas.</p><p>5. Assinale a alternativa que resume de forma mais adequada o tema central do texto.</p><p>a. Trabalho infantil em números.</p><p>b. A exploração da mão de obra infantil no Brasil em 2010.</p><p>c. Municípios mineiros com maior percentual de crianças de 10 a 13 anos trabalhando.</p><p>d. Dados gerais do Brasil sobre trabalho infantil.</p><p>e. Estados brasileiros com mais crianças de 10 a 13 anos trabalhando.</p><p>Fonte: Instituto Brasileiro de</p><p>Geografia e Estatística (IBGE).</p><p>Disponível em: http://www.</p><p>otempo.com.br/infograficos/</p><p>trabalho-infantil-1.654360. Acesso</p><p>em: 27/08/2019. Adaptado.</p><p>Trabalho infantil em números</p><p>Dados de 2010</p><p>5,2% 328das crianças</p><p>brasileiras</p><p>entre 10 e 13</p><p>anos trabalham</p><p>cidades mineiras têm o</p><p>índice de crianças nessa</p><p>faixa etária que trabalham</p><p>acima da média nacional</p><p>Municípios mineiros com maior percentual</p><p>de crianças de 10 a 13 anos trabalhando</p><p>26%</p><p>25,9%</p><p>23,6%</p><p>23,2%</p><p>21,9%</p><p>21,5%</p><p>20,4%</p><p>19,9%</p><p>19,6%</p><p>18,5%</p><p>18,5%</p><p>1 Rochedo de Minaso</p><p>2 Tocos do Mogio</p><p>3 Santana do Manhuaçuo</p><p>4 Chapada Gaúchao</p><p>5 José Gonçalves de Minaso</p><p>6 Senador José Bentoo</p><p>7 Senador Nordestinoo</p><p>8 Alagoao</p><p>9 Santo Antônio do Itambéo</p><p>10 Icaraí de Minaso</p><p>11 Angelândiao</p><p>Estados com mais crianças de</p><p>10 a 13 anos trabalhando</p><p>1 São Paulo............. 2.649.355o</p><p>2 Minas Gerais........ 1.341.370o</p><p>3 Bahia..................... 1.068.919o</p><p>4 Rio de Janeiro...... 1.045.916o</p><p>5 Paraná.................. 720.290o</p><p>Ranking das crianças de 10</p><p>a 13 anos que trabalham e não</p><p>frequentam a escola</p><p>1 São Paulo............. 77.712o</p><p>2 Bahia..................... 31.106o</p><p>3 Minas Gerais........ 30.787o</p><p>4 Rio de Janeiro...... 29.700o</p><p>5 Amazonas............ 23.619o</p><p>Dados gerais do</p><p>Brasil</p><p>Texto 1</p><p>57</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 57 24/08/20 16:34</p><p>Encontros de vogais e semivogais</p><p>1. No capítulo anterior, vimos que a sílaba é um fonema ou grupo de fonemas que produzimos</p><p>em um só impulso de voz. Na língua portuguesa, a vogal constitui a base das sílabas. Assim, em</p><p>uma mesma sílaba, só pode haver uma vogal. Em uma palavra como pai, constituída de uma</p><p>única sílaba, temos apenas a vogal a. Nesse caso, o i é considerado semivogal, pois é pronun-</p><p>ciado de maneira mais fraca. Analise os substantivos a seguir e identifique aqueles em que há</p><p>o encontro de vogal e semivogal na mesma sílaba.</p><p>a. saída b. rua c. carteira d. pão e. moeda</p><p>f. praia g. mãe h. agência i. país j. saúde</p><p>Q u e s t õ e s d e e s c r i t a</p><p>a. 1 Circuito.</p><p>b. 2 Série.</p><p>c. 2 Aquático.</p><p>d. 1 Ouro.</p><p>e. 3 Cãibra.</p><p>f. 4 Guano.</p><p>g. 3 Cantavam.</p><p>h. 3 Jogavam.</p><p>A P R E N D A</p><p>M A I S</p><p>Formalmente, os diton-</p><p>gos são classificados em</p><p>orais ou nasais e cres-</p><p>centes ou decrescentes.</p><p>•	 Orais – Compostos de</p><p>vogal oral, como em</p><p>mingau, sai e feito.</p><p>•	 Nasais – Compostos de</p><p>vogal nasal, como em</p><p>põe, mamão e mamãe.</p><p>•	 Crescentes – Compos-</p><p>tos de semivogal e vo-</p><p>gal, nesta ordem, como</p><p>em pátria, espécie e</p><p>planície.</p><p>•	 Decrescentes – Com-</p><p>postos de vogal e se-</p><p>mivogal, nesta ordem,</p><p>como em seu, maio e</p><p>prometeu.</p><p>i. 4 Quando.</p><p>j. 3 Muito.</p><p>k. 3 Refém.</p><p>l. 1 Deixa.</p><p>m. 2 Artéria.</p><p>n. 1 Gratuito.</p><p>o. 3 Propõe.</p><p>p. 1 Leu.</p><p>2. Os encontros de vogais e semivogais no interior das sílabas</p><p>podem ocorrer de duas formas:</p><p>•	 Ditongo – É a combinação de uma vogal e uma semivogal</p><p>(ou semivogal e vogal) na mesma sílaba, como ocorre nas</p><p>palavras que você destacou na questão anterior.</p><p>•	 Tritongo – É o encontro de uma semivogal, uma vogal e ou-</p><p>tra semivogal na mesma sílaba, como ocorre em Uruguai.</p><p>Nesse caso, a vogal é pronunciada com mais força.</p><p>Agora, numere os ditongos observando a classificação.</p><p>1. Ditongo oral decrescente.</p><p>2. Ditongo oral crescente.</p><p>3. Ditongo nasal decrescente.</p><p>4. Ditongo nasal crescente.</p><p>58</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 58 24/08/20 16:34</p><p>3. Na fala cotidiana, os ditongos representam variações interessantes que caracterizam o portu-</p><p>guês brasileiro. Em grupo com os seus colegas e o professor, analise a presença de ditongos</p><p>nos grupos de palavras a seguir.</p><p>a. Beijo – cheiro – peixe – caixa.</p><p>b. Ouro – calouro – amou.</p><p>c. Paz – mês – nós.</p><p>A que conclusões vocês chegaram?</p><p>No item A, observamos o apagamento da semivogal do ditongo que ocorre na sílaba tônica. O</p><p>mesmo acontece no item B. Por fim, no item C, percebemos a formação do ditongo nos mo-</p><p>nossílabos tônicos terminados em /s/.</p><p>4. Não há tritongo em:</p><p>a. Averiguou.</p><p>b. Saguão.</p><p>c. Paraguaio.</p><p>d. Boiada.</p><p>e. Iguais.</p><p>5. Em todas as palavras ocorre ditongo, exceto em:</p><p>a. Série – perspicácia – relógio.</p><p>b. Salário – saída – Márcia.</p><p>c. Conceito – estou – cautela.</p><p>d. Museu – ânsia – vácuo.</p><p>e. Negócio – elegância – couro.</p><p>Desencontros de vogais: hiato</p><p>6. Na palavra saída, as vogais a e i ocorrem em sílabas diferentes, o que caracteriza um hiato. As-</p><p>sim, na prática, o hiato não é propriamente um encontro de vogais, mas o desencontro delas.</p><p>Essa separação, indicada na fala, mostra que essas vogais, quando se separam, ficam em síla-</p><p>bas diferentes. Agora, analise as palavras a seguir e indique se apresentam ditongo, tritongo</p><p>ou hiato.</p><p>a. lagoa – Hiato.</p><p>b. Paraguai – Tritongo.</p><p>c. país – Hiato.</p><p>d. fortuito – Ditongo.</p><p>e. ciúme – Hiato.</p><p>f. rua – Hiato.</p><p>g. partiu – Ditongo.</p><p>h. ouviu – Ditongo.</p><p>i. reeleger – Hiato.</p><p>j. cooperar – Hiato.</p><p>59</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 59 24/08/20 16:34</p><p>C o n o t a ç ã o e d e n o t a ç ã o</p><p>C A P Í T U L O 4</p><p>1. Conotação e denotação</p><p>Determinadas palavras ou expressões que usamos na nossa comunicação diária são muito</p><p>ricas semanticamente. Ao descreverem a realidade de que falamos, por exemplo, elas tam-</p><p>bém veiculam várias informações, que podem ser mais ou menos adequadas ao momento.</p><p>A conotação é o efeito de sentido por meio do qual palavras ou expressões transmitem infor-</p><p>mações sobre o falante: quem ele é, de onde vem, como ele vê o seu interlocutor, etc. Portanto, a</p><p>conotação diz respeito a uma maneira pessoal de ver o mundo, as pessoas, as situações. Ou seja,</p><p>corresponde à maneira figurada de se expressar.</p><p>Diferentemente da conotação, a denotação é o efeito de sentido por meio do qual falamos “neu-</p><p>tramente” do mundo. Corresponde ao sentido literal (real) das palavras.</p><p>Para exemplificar esses conceitos, vamos imaginar uma conversa entre dois homens que</p><p>estão na praia olhando o mar.</p><p>— Ó meu, que cê tá achando dessas</p><p>ondas?</p><p>— Tá uma enganação, tchê!</p><p>60</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 60 24/08/20 16:34</p><p>Nesse diálogo, observamos que os personagens são surfistas, devido à própria ilustração e ao</p><p>uso de gírias características desse grupo. Além disso, é importante notar a presença do vocativo na</p><p>fala de ambos. Na língua portuguesa, existem várias formas de chamar a atenção do interlocutor em</p><p>uma conversa. Considerando a conotação, embora essas formas tenham a mesma finalidade, elas</p><p>não se equivalem. Nesse exemplo, ó meu e tchê exercem a função de vocativo, mas, além disso,</p><p>transmitem informações sobre a procedência dos falantes. Os paulistas falam ó meu; os gaúchos</p><p>falam tchê.</p><p>Sobre a adequação ao momento, observe que as duas falas são perfeitas. Os dois surfistas se</p><p>veem como tais, tratam-se de maneira igual e falam da realidade (o mar, que não está bom para a</p><p>prática do surf) de um modo particular, o que constitui conotação.</p><p>Veja outro exemplo: o emprego da palavra legal nas manchetes a seguir.</p><p>Chamamos de vocativo a palavra e expressão que utilizamos para nos referir aos interlocuto-</p><p>res e chamar a sua atenção durante o ato comunicativo. Observe.</p><p>Entendeu, caro aluno?</p><p>João, Gabi já chegou?</p><p>A P R E N D A M A I S</p><p>Sem divórcio legal, Filipinas perpetuam casamentos fracassados</p><p>País é o único no mundo onde a separação não é reconhecida legalmente, o que torna a situa-</p><p>ção difícil para mulheres que vivem relações tóxicas</p><p>Disponível em: https://noticias.r7.com/internacional/sem-divorcio-legal-filipinas-perpetuam-casamentos-fracassados-24082019.</p><p>Acessado em: 26/08/2019.</p><p>Por que ser legal nem sempre é bom para a sua carreira</p><p>Na busca por ser uma “boa pessoa” no ambiente de trabalho, executivos acabam comprome-</p><p>tendo a honestidade</p><p>Disponível em: https://epocanegocios.globo.com/Carreira/noticia/2019/08/porque-ser-legal-nem-sempre-e-bom-para-sua-carrei-</p><p>ra.html. Acessado em: 26/08/2019.</p><p>61</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 61 24/08/20 16:34</p><p>Denotação</p><p>• Palavra com o sentido próprio das primeiras definições do dicionário.</p><p>• Palavra com sentido restrito, objetivo.</p><p>• Palavra usada de modo automatizado.</p><p>Conotação</p><p>• Palavra com sentido figurado, rica em expressividade a partir do contexto de uso.</p><p>• Palavra com sentido amplo decorrente dos valores sociais e afetivos a que está liga-</p><p>da, daí ser empregada de maneira mais criativa e artística.</p><p>Como você pode ver, a palavra legal possui diferentes sentidos nessas manchetes. No primeiro</p><p>caso, temos o uso denotativo — o sentido é conforme a lei. No segundo, o sentido é conotativo — a</p><p>palavra resume as qualidades que fazem uma “boa pessoa”, isto é, generosa, atenciosa, cuidadosa,</p><p>divertida, etc.</p><p>Para essa distinção ficar clara, veja o quadro-resumo a seguir.</p><p>2. Linguagem figurada</p><p>Podemos definir as figuras de linguagem como formas simbóli-</p><p>cas ou elaboradas de que lançamos mão para exprimirmos ideias,</p><p>significados, pensamentos, enfim, conteúdos emotivos e intuitivos.</p><p>Nesse sentido, as figuras de linguagem correspondem ao uso cono-</p><p>tativo das palavras.</p><p>Estudaremos agora as principais figuras de linguagem.</p><p>Comparação</p><p>Ocorre quando se estabelece, entre palavras ou expressões,</p><p>uma relação comparativa clara entre elementos de um mesmo</p><p>universo ou de universos diferentes. Para realizar a comparação,</p><p>é necessário o emprego de conectivos adequados, como: mais...</p><p>(do) que..., menos... (do) que..., tão... quanto, como, assim</p><p>como, tal como, igual a, que nem.</p><p>Sentou pra descansar como se fosse sábado</p><p>Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe</p><p>Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago</p><p>Dançou e gargalhou como se ouvisse música</p><p>BUARQUE, Chico. Construção. Rio de Janeiro: Philips, 1971.</p><p>A P R E N D A</p><p>M A I S</p><p>Chamamos de estilística</p><p>o ramo de estudo da lín-</p><p>gua que trata do empre-</p><p>go da linguagem com o</p><p>objetivo de se obter uma</p><p>forma peculiar e mais ex-</p><p>pressiva de uma mensa-</p><p>gem. Tal expressividade</p><p>explora o sentido cono-</p><p>tativo das palavras e pode</p><p>ser obtida de várias for-</p><p>mas: pela combinação/</p><p>seleção das palavras, pelo</p><p>realce à sonoridade, pela</p><p>sugestão de conteúdos</p><p>intuitivos, entre outras.</p><p>62</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 62 24/08/20 16:34</p><p>Minha paixão? Uma armadilha de água,</p><p>Rápida como peixes,</p><p>Lenta como medusas,</p><p>Muda como ostras.</p><p>SAVARY, Olga. Ycatu. In: MORICONI, Ítalo (Org.). Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 273.</p><p>Metáfora</p><p>Consiste na utilização de uma palavra fora do seu sentido comum, próprio, tendo como base uma</p><p>relação de semelhança entre os termos comparados. É uma comparação feita sem a utilização de</p><p>conectivos. Na capa de revista a seguir, por exemplo, lemos a manchete da reportagem principal</p><p>daquela edição. A palavra guerra está empregada metaforicamente para se referir aos conflitos en-</p><p>frentados diariamente pelos motoristas brasileiros usuários de aplicativos de transporte particular.</p><p>Ou seja, o trânsito, de fato, não é uma guerra; é como se fosse.</p><p>Re</p><p>pr</p><p>od</p><p>uç</p><p>ão</p><p>Anabolizado pelo investimento de um</p><p>grande chinês, o aplicativo brasilei-</p><p>ro 99 entra, para valer, na briga com o</p><p>Uber — uma disputa que já está trans-</p><p>formando o transporte nas grandes ci-</p><p>dades do país</p><p>Na tirinha a seguir, há emprego de metáforas no segundo quadrinho. Observe:</p><p>63</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 63 24/08/20 16:34</p><p>Metonímia</p><p>É a troca de um nome por outro a partir de uma relação real, concreta e objetiva existente entre</p><p>eles. Existem vários tipos de metonímia. Veja alguns deles:</p><p>O continente pelo conteúdo.</p><p>Comi dois pratos no almoço.</p><p>O efeito pela causa.</p><p>Eu me sustento com o meu suor.</p><p>O autor pela obra.</p><p>Eu costumo ler Chico Buarque nas</p><p>horas vagas.</p><p>O instrumento pela pessoa que o</p><p>utiliza.</p><p>Meu tio é um bom garfo.</p><p>O lugar pelo produto.</p><p>Quero um cálice de porto. (vinho</p><p>do Porto)</p><p>A parte pelo todo.</p><p>Seus olhos pediam um alimento</p><p>para saciar a fome.</p><p>O singular pelo plural.</p><p>O brasileiro adora futebol.</p><p>A marca pelo produto.</p><p>Catacrese</p><p>É a metáfora que já está incorporada à língua, geralmente por falta de um termo específico</p><p>no vocabulário para representar determinado objeto (assim como parte dele) ou determina-</p><p>das ações. Tal figura baseia-se em alguma semelhança conceitual entre os objetos relaciona-</p><p>dos. É o que acontece com os termos céu da boca, pé da poltrona e dente de alho nos exemplos</p><p>que seguem.</p><p>Receita de pão de alho</p><p>Ingredientes</p><p>1 baguete média</p><p>4 colheres (sopa) de requeijão</p><p>50g de muçarela</p><p>3 dentes de alho picados</p><p>Cheiro verde a gosto</p><p>Sal a gosto</p><p>Pimenta do reino a gosto</p><p>2 colheres (sopa) de manteiga</p><p>[...] O céu da boca, onde essa noite se forma,</p><p>não tem estrelas de tão preto. [...]</p><p>LAURENTINO, André. A lua da língua. In: SILVA CAMPOS, Carmen</p><p>Lucia da; SILVA, Nilson Joaquim (Orgs.). Lições de gramática para</p><p>quem gosta de literatura. São Paulo: Panda Books, 2007, p. 96.</p><p>[...] O filho mais velho chegou a trazer um</p><p>vira-lata da rua para fazer xixi no pé da pol-</p><p>trona, mas não conseguiu despertar dona</p><p>Morgadinha do seu devaneio.</p><p>VERISSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de</p><p>Janeiro: Objetiva, 2001.</p><p>64</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 64 24/08/20 16:34</p><p>Elipse</p><p>É a omissão de um termo da frase facilmente subentendido.</p><p>Estudei para a prova. (elipse da palavra eu)</p><p>Na boca, dentes de marfim. (elipse da palavra havia)</p><p>Maria falou a noite inteira. (elipse da palavra durante)</p><p>O zeugma é um tipo particular de elipse. Consiste na omissão de um termo já expresso anterior-</p><p>mente na frase. No texto a seguir, ocorre a omissão da palavra guardem.</p><p>O nariz guardem nos rosais,</p><p>A língua no alto do Ipiranga</p><p>Para cantar a liberdade.</p><p>Saudade...</p><p>[...]</p><p>ANDRADE, Mário de. Quando eu morrer quero ficar. In: MORICONI, Ítalo (Org.). Os cem</p><p>melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.</p><p>Pleonasmo</p><p>Consiste na repetição enfática de uma ideia ou um termo por meio de vocábulos ou expressões</p><p>diferentes. Exemplos clássicos de pleonasmo são as expressões sair para fora, descer para baixo,</p><p>subir para cima, elo de ligação, hemorragia</p><p>de sangue, etc.</p><p>Antítese</p><p>É a associação de conteúdos opostos por meio de palavras, sintagmas ou enunciados. No primei-</p><p>ro exemplo, os pares som e silêncio, luz e escuridão, dia e noite e não e sim expressam o caráter</p><p>contraditório da vida.</p><p>Não existiria som</p><p>Se não houvesse o silêncio.</p><p>Não haveria luz</p><p>Se não fosse a escuridão.</p><p>A vida é mesmo assim,</p><p>Dia e noite, não e sim</p><p>[...]</p><p>SANTOS, Lulu; MOTTA, Nelson. Certas coisas. In: Tudo azul. Rio de Janeiro: WEA, 1984.</p><p>65</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 65 24/08/20 16:34</p><p>Ironia</p><p>Consiste no uso de uma expressão pela qual, usando entonação apropriada, dizemos o contrário</p><p>do que pensamos com a intenção de sermos sarcásticos e usando entonação apropriada. No exem-</p><p>plo a seguir, a expressão onze contos de réis indica, na verdade, que o interesse da personagem</p><p>Marcela era somente financeiro.</p><p>[...] Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis [...].</p><p>ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Abril Cultural, 1978.</p><p>Já neste outro exemplo, dizemos que a resposta de Dona Anésia à neta no último quadrinho foi</p><p>irônica, pois, na verdade, ela não pediu paz ao Papai Noel.</p><p>Eufemismo</p><p>Consiste na suavização da linguagem por meio da utilização de palavras ou expressões que ate-</p><p>nuam, aliviam, ideias consideradas desagradáveis ou inadequadas em determinadas situações de in-</p><p>teração comunicativa. É o que acontece com a ideia de morte, que é suavizada pelos versos Quando</p><p>os teus olhos fecharem / Para o esplendor deste mundo no poema a seguir.</p><p>Quando os teus olhos fecharem</p><p>Para o esplendor deste mundo,</p><p>Num chão de cinza e fadigas</p><p>Hei de ficar de joelhos;</p><p>Quando os teus olhos fecharem</p><p>Hão de murchar as espigas,</p><p>Hão de cegar os espelhos.</p><p>[...]</p><p>CARDOZO, Joaquim. Canção elegíaca. In: MORICONI, Ítalo (Org.). Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.</p><p>66</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 66 24/08/20 16:34</p><p>Já neste outro exemplo, a mulher deseja suavizar a ideia de demissão expressa pelo homem, para</p><p>não assustar os filhos. Então ela o orienta a dizer que está de férias coletivas, medida que normal-</p><p>mente antecede a demissão de muitos funcionários em grandes empresas.</p><p>Chamamos o oposto do eufemismo de disfemismo, isto é, o uso de palavra ou expressão consi-</p><p>derada grosseira, grotesca ou simplesmente desagradável em lugar de outra mais branda ou neutra.</p><p>É o que acontece com o emprego da palavra piores no último quadrinho da tira abaixo.</p><p>Hipérbole</p><p>Consiste no exagero da linguagem, a fim de colocarmos em relevo uma determinada informação.</p><p>No primeiro exemplo, os termos mil, nunca mais e morrer de fome procuram, com base no exagero,</p><p>intensificar os sentimentos do eu lírico por alguém.</p><p>67</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 67 24/08/20 16:34</p><p>[...]</p><p>Paixão cruel, desenfreada,</p><p>Te trago mil rosas roubadas</p><p>Pra desculpar minhas mentiras,</p><p>Minhas mancadas.</p><p>[...]</p><p>Eu nunca mais vou respirar,</p><p>Se você não me notar.</p><p>Eu posso até morrer de fome,</p><p>Se você não me amar.</p><p>[...]</p><p>CAZUZA; LEONI; NEVES, Ezequiel. Exagerado In: Exagerado. Rio de</p><p>Janeiro: Som Livre: 1985.</p><p>Personificação</p><p>Consiste em atribuir características humanas a seres inanimados. Quando dizemos, por exemplo,</p><p>que as paredes têm ouvidos, estamos atribuindo uma faculdade humana à parede, como se ela tivesse</p><p>a capacidade de escutar.</p><p>Uma figura de linguagem parecida com a personificação é a prosopopeia. Esta figura ocorre</p><p>quando seres animados ou inanimados interagem como humanos, como ocorre nas fábulas, em</p><p>que animais falam como se fossem pessoas.</p><p>O Abrigo São Lázaro</p><p>precisa de doações de</p><p>comida para alimentar</p><p>os peludinhos.</p><p>Contribua!</p><p>Contato: 986264775</p><p>abrigosaolazaro2016@gmail.com</p><p>Re</p><p>pr</p><p>od</p><p>uç</p><p>ão</p><p>No cartaz ao lado, ocorre personifica-</p><p>ção ou prosopopeia?</p><p>No cartaz, a frase O	 sapato	 tá	 ótimo,</p><p>mas eu queria comer um pouco de ra-</p><p>ção é atribuída ao cão, o que configura</p><p>o uso da prosopopeia.</p><p>R E F L I T A</p><p>Gradação</p><p>Consiste em apresentarmos uma sequência de palavras ou expressões a fim de criarmos uma</p><p>ideia de progressão ascendente ou descendente. Observe:</p><p>68</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 68 24/08/20 16:34</p><p>A t i v i d a d e s</p><p>1. Leia:</p><p>Amor é a coisa mais alegre.</p><p>Amor é a coisa mais triste.</p><p>Amor é coisa que mais quero.</p><p>[...]</p><p>PRADO, Adélia. O sempre amor. In: Poesia reunida. São Paulo: Siciliano, 1991.</p><p>No trecho do poema, observamos a ocorrência de uma figura de linguagem caracterizada pela:</p><p>a. Intensificação de ideias.</p><p>b. Substituição de um termo por outro equivalente.</p><p>c. Comparação entre ideias.</p><p>d. Oposição de palavras.</p><p>e. Suavização de uma palavra considerada grosseira.</p><p>2. Agora, leia o cartaz a seguir.</p><p>Re</p><p>pr</p><p>od</p><p>uç</p><p>ão</p><p>Como você sabe, muitas vezes não pode-</p><p>mos entender palavras e expressões “ao pé</p><p>da letra”, isto é, denotativamente. A esse</p><p>respeito, responda às questões a seguir.</p><p>a. A quem se destina o cartaz?</p><p>Às mulheres em geral.</p><p>b. Transcreva o termo que faz referência</p><p>conotativa às pessoas a quem se desti-</p><p>na o cartaz.</p><p>A	flor	da	vida.</p><p>c. O uso conotativo do termo que você</p><p>identificou no item anterior correspon-</p><p>de a uma figura de linguagem bastante</p><p>produtiva. Que figura é essa?</p><p>Metáfora.</p><p>69</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 69 24/08/20 16:34</p><p>3. O texto a seguir, publicado em um jornal de grande circulação no País, deixa claro que nem sem-</p><p>pre podemos nos limitar à interpretação literal (isto é, “ao pé da letra”) das palavras. Leia-o.</p><p>Demora</p><p>O Ministério da Saúde calcula que, em janeiro, já poderá deflagrar o programa emergen-</p><p>cial da saúde para os ianomâmis, em Rondônia. Até lá, os mosquitos transmissores da</p><p>malária estão proibidos de picar os índios.</p><p>Folha de S.Paulo</p><p>a. Identifique e transcreva a passagem que, no texto, não deve ser interpretada literalmente.</p><p>“[…] os mosquitos transmissores da malária estão proibidos de picar os índios.”</p><p>b. Explique por que a inclusão dessa passagem deixa clara a posição crítica e irônica do jornal</p><p>com relação aos prazos propostos pelo Ministério da Saúde para começar a resolver o pro-</p><p>blema da malária entre os ianomâmis.</p><p>Como o Ministério deixa claro na notícia que somente em janeiro poderá resolver o problema da ma-</p><p>lária entre os indígenas, fica implícita a ideia de que esta ação demorará ainda para acontecer e que,</p><p>enquanto isso, a comunidade continuará sem receber os devidos cuidados. Assim, diante dessa negli-</p><p>gência, a proibição imposta aos mosquitos soa irônica por parecer possível e mais eficiente.</p><p>4. Leia com atenção o texto a seguir.</p><p>Astronauta</p><p>Astronauta, tá sentindo falta da Terra?</p><p>Que falta que essa Terra te faz?</p><p>A gente aqui embaixo continua em guerra</p><p>olhando aí pra Lua, implorando por paz.</p><p>Então me diz: por que você quer voltar?</p><p>Você não tá feliz onde você está?</p><p>Observando tudo a distância,</p><p>vendo como a Terra é pequenininha,</p><p>como é grande a nossa ignorância</p><p>e como a nossa vida é mesquinha.</p><p>[...]</p><p>O PENSADOR, Gabriel; SANTOS, Lulu. Astronauta. In: Nádegas a declarar. Rio de Janeiro: Sony Music, 1999.</p><p>a. Em que versos podemos observar a oposição de palavras?</p><p>A oposição de palavras ocorre nos versos vendo como a Terra é pequenininha / como é grande</p><p>a nossa ignorância.</p><p>b. Que figura de linguagem está caracterizada nos versos identificados no item anterior?</p><p>Antítese.</p><p>70</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 70 24/08/20 16:34</p><p>D e s a f i o</p><p>1. (Unicamp–Adaptada) A carta a seguir re-</p><p>produzida foi publicada em outubro de</p><p>2007, após declaração sobre a legalização</p><p>do aborto feita pelo governador do Estado</p><p>do Rio de Janeiro na época.</p><p>Sobre a declaração do governador de</p><p>que “as mães faveladas são uma fábri-</p><p>ca de produzir marginais”, cabe inda-</p><p>gar: essas mães produzem marginais</p><p>apenas quando dão à luz ou também</p><p>quando votam?</p><p>Painel do Leitor, Folha de S.Paulo</p><p>a. Há uma forte ironia produzida no texto</p><p>da carta. Destaque a parte do texto em</p><p>que se expressa essa ironia.</p><p>A ironia está expressa em [...] também</p><p>quando votam.</p><p>b. Qual é o objetivo pretendido pelo autor</p><p>ao utilizar essa ironia?</p><p>O objetivo pretendido pelo</p><p>autor foi quali-</p><p>ficar como marginais os políticos e, conse-</p><p>quentemente, o próprio governador, autor</p><p>do comentário.</p><p>2. A obra O cortiço, de Aluísio Azevedo, con-</p><p>ta-nos a história do ambicioso João Ro-</p><p>mão, capaz de tudo para ficar rico. É ele o</p><p>dono do cortiço que dá título ao livro. João</p><p>Romão mantém um romance com Bertole-</p><p>za e tem como principal opositor Miranda,</p><p>comerciante português que mora num so-</p><p>brado ao lado do cortiço. Paralelamente a</p><p>isso, outros personagens, como Jerônimo,</p><p>Capoeira Firmo, Rita Baiana e Piedade,</p><p>dão vida à trama, que aborda com clareza</p><p>aspectos comportamentais dos indivíduos</p><p>em sociedade. No entanto, não apenas os</p><p>personagens são descritos em seus com-</p><p>portamentos, mas também o próprio cor-</p><p>tiço, apresentado ao leitor de forma perso-</p><p>nificada. Observe:</p><p>I. E o fato é que aquelas três casinhas,</p><p>tão engenhosamente construídas, fo-</p><p>ram o ponto de partida do grande cor-</p><p>tiço de João Romão.</p><p>II. Não obstante, as casinhas do cortiço,</p><p>à proporção que se atamancavam, en-</p><p>chiam-se logo, sem mesmo dar tempo</p><p>a que as tintas secassem.</p><p>III. E, durante muito tempo, fez-se um</p><p>vaivém de mercadores. Apareceram</p><p>os tabuleiros de carne fresca e outros</p><p>de tripas e fatos de boi; só não vinham</p><p>hortaliças, porque havia muitas hortas</p><p>no cortiço.</p><p>IV. Eram cinco horas da manhã e o cortiço</p><p>acordava, abrindo, não os olhos, mas a</p><p>sua infinidade de portas e janelas ali-</p><p>nhadas.</p><p>V. O fato abalou o coração do cortiço, as</p><p>duas receberam parabéns e felicitações.</p><p>Em qual(ais) trecho(s) identificamos a</p><p>ocorrência da personificação?</p><p>a. Em I e II, apenas.</p><p>b. Em II e III, apenas.</p><p>c. Em III e IV, apenas.</p><p>d. Em IV e V, apenas.</p><p>e. Em I e V, apenas.</p><p>71</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 71 24/08/20 16:34</p><p>3. Leia com atenção o poema a seguir.</p><p>O amor, esse sufoco,</p><p>agora há pouco era muito;</p><p>agora, apenas um sopro.</p><p>Ah, troço de louco,</p><p>corações trocando rosas</p><p>e socos.</p><p>LEMINSKI, Paulo. Melhores poemas. São Paulo: Global, 1996. p.119.</p><p>Chamamos de metonímia a figura de linguagem que consiste na substituição de um termo por</p><p>outro a partir de uma relação de continuidade, de extensão de ideias. Em que palavra(s) do</p><p>texto identificamos a presença da metonímia?</p><p>a. Sufoco.</p><p>b. Pouco e muito.</p><p>c. Sopro.</p><p>d. Corações.</p><p>e. Troço e louco.</p><p>4. (Enem) Nesta tirinha, a personagem faz referência a uma das mais conhecidas figuras de lin-</p><p>guagem. Marque a alternativa que demonstre tal referência.</p><p>a. Condenar a prática de exercícios físicos.</p><p>b. Valorizar aspectos da vida moderna.</p><p>c. Desestimular o uso das bicicletas.</p><p>d. Caracterizar o diálogo entre gerações.</p><p>e. Criticar a falta de perspectiva do pai.</p><p>5. (ITA) Assinale a figura de linguagem predominante na seguinte frase.</p><p>A engenharia brasileira está agindo rápido para combater a crise de energia.</p><p>a. Metáfora.</p><p>b. Metonímia.</p><p>c. Eufemismo.</p><p>d. Hipérbole.</p><p>e. Pleonasmo.</p><p>72</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 72 24/08/20 16:34</p><p>Q u e s t õ e s d e e s c r i t a</p><p>Dígrafo</p><p>1. Analise a palavra a seguir.</p><p>campo</p><p>a. Quantas letras há nessa palavra?</p><p>Há cinco letras.</p><p>b. Há quantos fonemas nessa palavra?</p><p>Há quatro fonemas.</p><p>2. Você percebeu que, na palavra campo, há mais letras que fonemas? Essa diferença ocorre</p><p>porque a sequência de letras am é representada por apenas um fonema: ã. Chamamos de</p><p>dígrafo o emprego de duas letras para representar um fonema. Agora, leia as palavras abaixo,</p><p>identificando em quais delas ocorre dígrafo.</p><p>Marcos barco modo espaço untar alho ronco</p><p>cresço canto assobio senso anta ouvido pastel</p><p>nascer ninho exceto querer Maria chave poço</p><p>estrelas papel açougue ferroada</p><p>Você sabia que nem sempre sons e letras foram coisas distintas? Até o século XVI, como</p><p>não existia uma padronização ortográfica, a escrita seguia a pronúncia. Assim, era muito</p><p>comum encontrar, em um texto, uma mesma palavra grafada de formas variadas. Entre o</p><p>século XVI e o começo do século XX, houve uma crescente busca de uniformização da escri-</p><p>ta: passou-se a escrever respeitando-se a origem das palavras. Datam dessa época palavras</p><p>como philosophia, pharmacia, chimica. Nesses exemplos, a segunda letra (h, c, ç, r, s, u, n,</p><p>m) se combina com a primeira para lhe dar um valor fonético diferente, originando</p><p>o dígrafo. Essas letras (a segunda nos dígrafos) são chamadas de diacríticas.</p><p>A P R E N D A M A I S</p><p>73</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 73 24/08/20 16:34</p><p>Encontro consonantal</p><p>3. Leia estas palavras.</p><p>distribuir degrau</p><p>madrugada placa</p><p>estrela biblioteca</p><p>prova signo</p><p>Considerando o som representado pelas letras destacadas, podemos dizer que temos exem-</p><p>plos de dígrafos? Explique.</p><p>Não. As letras destacadas representam uma combinação de fonemas, logo não são dígrafos. São en-</p><p>contros consonantais.</p><p>4. Com base na análise feita na questão anterior, defina: o que é um encontro consonantal.</p><p>Encontro consonantal é a sequência de dois ou mais fonemas consonânticos em uma mesma</p><p>palavra.</p><p>Os encontros consonantais podem ser separáveis ou inseparáveis, considerando a norma</p><p>culta.</p><p>•	 Separáveis – Ocorrem em sílabas diferentes.</p><p>ap-to dig-no ab-so-lu-to ad-mi-tir sub-me-ter et-ni-a</p><p>•	 Inseparáveis – Ocorrem na mesma sílaba.</p><p>bra-ço ci-clo flo-res le-tra czar pneu</p><p>Na fala de algumas variantes linguísticas, alguns encontros consonantais tendem a formar</p><p>duas sílabas devido à colocação de uma vogal. Na norma culta escrita, por uma questão de</p><p>padrão, a forma variante é considerada inadequada. Observe os exemplos.</p><p>Forma culta Forma variante</p><p>advogado adevogado</p><p>absoluto abissoluto</p><p>pneu pineu</p><p>A P R E N D A M A I S</p><p>74</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 74 24/08/20 16:34</p><p>5. Analise as palavras a seguir.</p><p>samba renda indo</p><p>As letras destacadas podem ser definidas como exemplos de encontros consonantais?</p><p>Não, pois as letras m e n formam dígrafos com as vogais que as antecedem.</p><p>Divisão silábica</p><p>6. Leia as palavras abaixo.</p><p>caixa herói Paraguai iguais</p><p>a. Como você separaria as sílabas dessas palavras? Utilize o hífen ( - ) para indicar as separações.</p><p>cai-xa / he-rói / Pa-ra-guai / i-guais.</p><p>b. Observando os encontros vocálicos presentes nessas palavras, o que podemos concluir so-</p><p>bre a separação silábica?</p><p>Não separamos as letras que representam ditongos e tritongos.</p><p>7. Agora, observe a separação silábica dos grupos de palavras a seguir e, com suas palavras, ela-</p><p>bore uma regra para cada situação. Dica: atente para os detalhes que são comuns às palavras</p><p>de cada grupo.</p><p>a. ap-to cac-to gar-ça pre-da-tis-mo</p><p>Não separamos da sílaba anterior as consoantes que forem seguidas de vogal.</p><p>b. car-ra-pa-to nas-cer a-mar-rar des-ço e-cos-sis-te-ma ex-ce-der</p><p>Separamos os dígrafos rr, ss, sc, sç, xc.</p><p>c. ca-í-do ba-ú sa-ú-de sa-í-da</p><p>Separamos as vogais dos hiatos.</p><p>d. pneu-má-ti-co gno-mo psi-có-lo-go</p><p>Não separamos os encontros consonantais que iniciam palavras.</p><p>75</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 75 24/08/20 16:34</p><p>e. mei-o boi-a-da chei-o</p><p>Separamos o ditongo do hiato.</p><p>f. ma-lha que-rer li-nha guer-ra cha-ve quis</p><p>Não separamos os dígrafos lh, nh, ch, gu, qu.</p><p>8. Quando escrevemos um texto, às vezes temos de dividir as palavras para continuá-las na linha</p><p>seguinte. Chamamos essa divisão de translineação. Se o hífen da translineação coincidir com</p><p>o hífen de uma palavra composta, devemos repetir o hífen no início da linha seguinte. Leia o</p><p>texto abaixo e identifique onde deve ser empregado o hífen da translineação.</p><p>Uma grande revolução na vida dos seres humanos primitivos foi a descoberta do fogo, que</p><p>ocorreu no Paleolítico. De início, as fogueiras eram acesas a partir de incêndios ocorridos</p><p>espontaneamente na natureza. Acredita-se que o modo de se produzir fogo foi descober-</p><p>to de forma casual, resultante de faíscas produzidas pelo atrito entre pedras. Partindo dessa</p><p>observação, nossos ancestrais passaram a controlar o fogo, com o passar do tempo, fazendo</p><p>o perto de pequenos gravetos secos, com o atrito de duas pedras ou pedaços de madeira.</p><p>O hífen da translineação deve ser colocado antes da palavra</p><p>o (-o) em fazendo-o.</p><p>9. Faça a divisão silábica das palavras relacionadas abaixo.</p><p>a. caça – ca-ça</p><p>b. coletor – co-le-tor</p><p>c. lança – lan-ça</p><p>d. comunidade – co-mu-ni-da-de</p><p>e. hominídeo – ho-mi-ní-deo</p><p>f. agrupamentos – a-gru-pa-men-tos</p><p>g. sedentarização – se-den-ta-ri-za-ção</p><p>h. trigo – tri-go</p><p>i. agricultura – a-gri-cul-tu-ra</p><p>j. mãe – mãe</p><p>k. alho – a-lho</p><p>l. cooperação – co-o-pe-ra-ção</p><p>m. cadeado – ca-de-a-do</p><p>n. substância – subs-tân-cia</p><p>o. pneumático – pneu-má-ti-co</p><p>p. terreno – ter-re-no</p><p>q. ramalhete – ra-ma-lhe-te</p><p>r. fluido – flui-do</p><p>76</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 76 24/08/20 16:34</p><p>S u b s t a n t i v o e a d j e t i v o</p><p>C A P Í T U L O 5</p><p>1. Substantivo</p><p>Leia a tirinha a seguir.</p><p>Para você, a prova da professora Norma será fácil? Como podemos ver, as “substâncias” que ela</p><p>utilizará para elaborar as questões, que, segundo Isabele, serão tóxicas, nos levam a pensar que a</p><p>prova será perigosa, prejudicial à saúde, ou seja, muito difícil. Observe na tira o emprego da palavra</p><p>substâncias, pois ela nos levará ao conceito da classe de palavras que estudaremos neste capítulo.</p><p>Substantivo é a palavra que usamos para designar tudo que podemos apreender men-</p><p>talmente como substâncias, como os produtos utilizados pela professora Norma para</p><p>criar as questões da prova.</p><p>Em algumas gramáticas, você verá que os substantivos são palavras que nomeiam os se-</p><p>res em geral. A palavra seres, nessa definição, deve ser entendida no sentido proposto pelos</p><p>gregos antigos. Segundo eles, essa palavra representava tudo o que existe no mundo real ou</p><p>imaginário. Assim, não confunda a palavra ser nesse sentido com a noção de ser vivo.</p><p>A P R E N D A M A I S</p><p>77</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 77 24/08/20 16:34</p><p>Veja os exemplos:</p><p>Substâncias</p><p>Ecologia, ecossistema, Terra, floresta, jacarandá, Universo, biosfera, cabelo, glicose, re-</p><p>frigerante, sapataria, aluno, vestígio, computador, livro, fóssil, hortaliça, lago, girassol,</p><p>caneta, menino, Paula.</p><p>Objetos apreendidos mentalmente como substâncias</p><p>Iluminação, felicidade, orgulho, revolução, bondade, saúde, saída, intuição, liberdade,</p><p>vontade, amor, compreensão, raiva, ilusão, desejo, pensamento.</p><p>Classificação dos substantivos</p><p>A primeira distinção entre substantivos é bastante básica e considera somente a sua raiz estru-</p><p>tural, que chamamos de radical (essa raiz é a parte da palavra que carrega o seu significado mais</p><p>importante). Observe:</p><p>Substantivos simples</p><p>Substantivos compostos</p><p>Os substantivos simples são aqueles que apresentam somente um radical em sua estrutura,</p><p>como jardim, livro, algodão, bombeiro, chave, chaveiro.</p><p>Os substantivos compostos são aqueles que apresentam mais de um radical em sua estrutura, ou</p><p>seja, são formados a partir da união de duas ou mais palavras, como bomba-relógio, palavra-chave,</p><p>guarda-roupa, planalto e pontapé.</p><p>Outra forma de diferenciação dos substantivos também os divide em dois grandes grupos. O pri-</p><p>meiro envolve aqueles que não se originaram de nenhum outro. São os chamados primitivos, como</p><p>porta e quadro. Estes, porém, são capazes de originar outros, como portaria e enquadrar, que são</p><p>chamados de derivados.</p><p>Por fim, os substantivos também podem ser agrupados em duas categorias, conforme a “subs-</p><p>tância” que designam. Dizemos que um substantivo é abstrato quando tem existência dependente,</p><p>como cuidado, ansiedade, cansaço. A existência desses substantivos depende de alguém ou alguma</p><p>coisa que dê ou apresente cuidado, ansiedade, cansaço, etc. Já os substantivos concretos denomi-</p><p>nam seres de existência própria, seja real, seja imaginária. De forma simples, dizemos, que esses</p><p>substantivos nomeiam pessoas, lugares, animais, vegetais, minerais e coisas. São seres cuja exis-</p><p>tência é independente, como João, barco, mar, areia, quadro, vidro, saci e fada. Importante: essa</p><p>distinção deve sempre considerar o contexto.</p><p>bomba relógio palavra chave</p><p>bomba-relógio palavra-chave</p><p>78</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 78 25/08/20 16:41</p><p>A classificação de um substantivo como concreto ou abstrato depende do contexto em que</p><p>ele é usado. É muito comum, por exemplo, o emprego de substantivos abstratos como concre-</p><p>tos para personificar ações ou qualidades, o que caracteriza uma alegoria. Observe:</p><p>A oportunidade está batendo à porta.</p><p>A justiça é cega.</p><p>A consciência falou comigo.</p><p>A P R E N D A M A I S</p><p>Em uma frase como João pensa que é um anjo, o substantivo anjo é concreto ou abstrato?</p><p>Explique.</p><p>Como, nesse caso, o substantivo nomeia um ser do mundo imaginário de existência inde-</p><p>pendente, é concreto.</p><p>R E F L I T A</p><p>Os substantivos também podem ser classificados como próprios ou comuns.</p><p>•	 Próprios – São os que se aplicam a um substantivo em particular. Para indicar que o subs-</p><p>tantivo designa, de fato, um nome em particular, grafamos os substantivos próprios com</p><p>letra inicial maiúscula, como Brasil, Neolítico, Bahia, Hemisfério Norte, Pedro, Polo Sul,</p><p>Palmeiras, Danone, Gillette e Iluminismo.</p><p>•	 Comuns – São os que usamos para nos referir de forma geral a seres de um mesmo grupo,</p><p>como pedra, livro, telefone, mesa, homem, lápis.</p><p>Em outros livros, você poderá encontrar a definição de que os substantivos comuns são</p><p>aqueles que designam seres de uma mesma espécie. Aqui, preferimos usar a palavra grupo</p><p>em vez de espécie, para não confundir com a noção de espécie trabalhada em Ciências —</p><p>conjunto de indivíduos semelhantes ou potencialmente intercruzantes que estão isolados</p><p>reprodutivamente de outros grupos.</p><p>A P R E N D A M A I S</p><p>79</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 79 24/08/20 16:34</p><p>Aqui também é importante observar o contexto para distinguir essas duas categorias. Isso porque</p><p>é muito comum substantivos próprios (principalmente aqueles que nomeiam marcas) se populari-</p><p>zarem a tal ponto que passam a nomear de forma geral objetos semelhantes, ou seja, passam a fun-</p><p>cionar como substantivos comuns. É o que acontece, por exemplo, com Gillette, Danone e Guaraná,</p><p>que, dependendo do contexto, equivalem a barbeador, iogurte e refrigerante. Nesse caso, essas</p><p>palavras devem ser escritas com inicial minúscula.</p><p>Você ainda tem gilete no seu armário? (barbeador)</p><p>Meu filho adora lanchar danone. (iogurte)</p><p>Seu filho toma guaraná no lanche? (refrigerante)</p><p>Por fim, os coletivos são substantivos comuns que indicam um conjunto de animais, coisas ou</p><p>pessoas, mesmo estando no singular. Veja alguns exemplos:</p><p>Coletivo Significado Coletivo Significado</p><p>acervo obras de arte flora plantas de uma região</p><p>álbum fotografias, selos fornada pães, tijolos</p><p>alcateia lobos, feras frota navios, ônibus</p><p>antologia trechos de texto galeria quadros, estátuas</p><p>armada navios de guerra júri jurados</p><p>arquipélago ilhas legião soldados, anjos</p><p>assembleia parlamentares milênio período de mil anos</p><p>atlas mapas manada bois, porcos</p><p>bagagem objetos de viagem maquinaria máquinas</p><p>banca examinadores molho chaves, capim</p><p>bando aves nuvem gafanhotos, mosquitos</p><p>biblioteca livros penca frutos</p><p>boiada bois pinacoteca quadros, telas</p><p>cacho uvas pomar árvores frutíferas</p><p>caravana viajantes, peregrinos prole filhos de um indivíduo ou de um casal</p><p>cardume peixes quadrilha assaltantes</p><p>código leis ramalhete flores</p><p>colmeia cortiço de abelhas rebanho ovelhas, cabras, carneiros</p><p>confraria pessoas religiosas repertório peças teatrais, musicais</p><p>congregação religiosos, professores resma quinhentas folhas de papel</p><p>constelação estrelas réstia alhos, cebolas</p><p>década período de dez anos revoada aves voando</p><p>discoteca discos século período de cem anos</p><p>elenco atores, artistas tríade três seres de mesma natureza</p><p>enxame abelhas, insetos triênio período de três anos</p><p>enxoval roupas turma alunos</p><p>fauna animais de uma região vara porcos</p><p>80</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 80 24/08/20 16:34</p><p>Gênero dos substantivos</p><p>Quanto ao gênero, os substantivos podem ser masculinos ou femininos.</p><p>•	 Masculinos</p><p>• Podem ser precedidos pela palavra o(s), entre outras. Exemplos: o carro, o relógio, o quati,</p><p>os gatos, os pensamentos, os desejos.</p><p>•	 Femininos</p><p>• Podem ser precedidos pela palavra</p><p>a(s), entre outras. Exemplos: a jaca, a paciência, a marca-</p><p>ção, as mulheres, as perguntas, as ações.</p><p>• Em alguns casos, o feminino de um substantivo é completamente diferente da forma mas-</p><p>culina correspondente, como homem e mulher, pai e mãe, boi e vaca. Esses substantivos são</p><p>chamados de biformes.</p><p>• Outros substantivos só pertencem ao gênero masculino (fogo, computador, livro, alimento, car-</p><p>ro) ou ao feminino (mesa, casa, aldeia, nuvem).</p><p>Apesar desses detalhes, a passagem do gênero masculino para o feminino é feita, geralmente, de</p><p>forma regular. Observe:</p><p>Chamamos de uniformes os substantivos que apresentam apenas uma forma, sendo invariáveis</p><p>quanto ao gênero. Os substantivos uniformes podem ser:</p><p>•	 Epicenos – Referem-se a alguns animais. Para indicar o sexo desses animais, usamos as</p><p>palavras macho ou fêmea.</p><p>tartaruga macho tartaruga fêmea</p><p>Substantivo Exemplos</p><p>Terminação no masculino Terminação no feminino Masculino Feminino</p><p>-or</p><p>-ora senador senadora</p><p>-iz ator atriz</p><p>-eira lavador lavadeira</p><p>-ão</p><p>-eã peão peã</p><p>-oa patrão patroa</p><p>-ona amigão amigona</p><p>-e</p><p>-a chefe chefa</p><p>-essa barão baronesa</p><p>-esa japonês japonesa</p><p>-isa sacerdote sacerdotisa</p><p>-s</p><p>-a</p><p>marquês marquesa</p><p>-z juiz juíza</p><p>81</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 81 24/08/20 16:34</p><p>A P R E N D A M A I S</p><p>o intérprete → a intérprete</p><p>o cliente → a cliente</p><p>o pianista → a pianista</p><p>Número dos substantivos</p><p>Quanto ao número, os substantivos podem estar no singular ou no plural.</p><p>•	 Singular – Indica apenas um ser. Exemplo: menino.</p><p>•	 Plural – Indica mais de um ser. Exemplo: meninos.</p><p>Normalmente, o plural é feito por meio do acréscimo de um -s ao substantivo no singular. Ob-</p><p>serve:</p><p>Singular Plural</p><p>caverna cavernas</p><p>armário armários</p><p>canudo canudos</p><p>o rádio (aparelho) a rádio (emissora)</p><p>o capital (dinheiro) a capital (cidade)</p><p>•	 Sobrecomuns – Contêm apenas uma forma para feminino e masculino.</p><p>a criança</p><p>a testemunha</p><p>a pessoa</p><p>•	 Comuns de dois gêneros – Designam os indivíduos dos dois sexos. Nesse caso, podemos</p><p>colocar a ou o antes desses substantivos.</p><p>Há, também, substantivos que, aparentemente, apresentam gêneros correspondentes,</p><p>mas designam objetos diversos.</p><p>82</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 82 24/08/20 16:34</p><p>Substantivo Exemplo</p><p>Terminação no singular Terminação no plural Singular Plural</p><p>-al -ais vendaval vendavais</p><p>-el</p><p>-éis (oxítono) papel papéis</p><p>-eis (paroxítono) túnel túneis</p><p>-il</p><p>-is (oxítono) funil funis</p><p>-eis (paroxítono) réptil répteis</p><p>-ol -óis farol faróis</p><p>-ul -uis paul pauis</p><p>-m</p><p>-ns</p><p>jovem jovens</p><p>pólen polens-n</p><p>-ão</p><p>-ãos cidadão cidadãos</p><p>-ões fogão fogões</p><p>-ães pão pães</p><p>-r</p><p>-z</p><p>+ -es</p><p>flor flores</p><p>chafariz chafarizes</p><p>-s</p><p>+ -es (monossílabo tônico ou oxítono)</p><p>mês meses</p><p>japonês japoneses</p><p>não varia (paroxítono ou</p><p>proparoxítono)</p><p>o lápis os lápis</p><p>o vírus os vírus</p><p>-x não varia o tórax os tórax</p><p>Entretanto, alguns substantivos formam o plural de maneira diferente. Veja:</p><p>Grau dos substantivos</p><p>Quanto ao grau, para indicar o tamanho ou a intensidade, os substantivos podem estar no dimi-</p><p>nutivo ou no aumentativo. Tanto um quanto outro ocorrem de dois modos: analítico e sintético.</p><p>•	 Grau diminutivo</p><p>•	 Analítico – Formado em geral com o auxílio da palavra pequeno ou outra equivalente.</p><p>Exemplos: casa pequena, caixa ínfima, roupa minúscula, camisa diminuta.</p><p>•	 Sintético – Em geral se forma com as terminações -inho(a) e -zinho(a). Exemplos: bebezi-</p><p>nho, pardalzinho, belezinha, bonitinho.</p><p>•	 Grau aumentativo</p><p>•	 Analítico – Formado em geral com o auxílio da palavra grande ou outra equivalente. Exem-</p><p>plos: terreno grande, fazenda enorme, roupa imensa, saudade gigante.</p><p>•	 Sintético – Em geral se forma com as terminações -ão, -ona, -zão. Exemplos: bebezão, me-</p><p>ninão, bonitona.</p><p>83</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 83 24/08/20 16:34</p><p>No dia a dia, muitas vezes utilizamos substantivos no grau aumentativo ou diminutivo sem neces-</p><p>sariamente estarmos enfatizando seu tamanho ou sua intensidade. É o que acontece quando se diz,</p><p>por exemplo, que Aninha é uma pessoa legal. A forma Aninha, diminutivo de Ana, denota afetivi-</p><p>dade, e não tamanho ou intensidade. Do mesmo modo, dizemos que Marcos comprou um carrão,</p><p>quando, na verdade, ele comprou um carro de luxo, caro, bonito, etc. É possível, também, o uso de</p><p>formas aumentativas ou diminutivas com objetivo conotativo. Observe:</p><p>Mário tem 40 anos, mas é um bebezão.</p><p>Ei, belezinha, hoje você vai estudar!</p><p>O bonitinho saiu e deixou tudo bagunçado!</p><p>2. Adjetivos</p><p>Leia a tirinha a seguir.</p><p>A RAIVA É UMA</p><p>DOENÇA MUITO</p><p>PERIGOSA!</p><p>É TRANSMITIDA</p><p>POR ANIMAIS</p><p>CONTAMINADOS...</p><p>...E COMENTÁRIOS</p><p>E POSTAGENS NAS</p><p>REDES SOCIAIS...</p><p>Para entender o que é um adjetivo, vamos analisar a função das palavras perigosa (primeiro</p><p>quadrinho), contaminados (segundo quadrinho) e sociais (terceiro quadrinho). Nos enunciados em</p><p>que ocorrem, essas palavras atribuem uma característica aos substantivos aos quais se ligam. Veja:</p><p>A raiva é uma doença muito perigosa.</p><p>Substantivo Adjetivo</p><p>É transmitida por animais contaminados e comentários e postagens nas redes sociais.</p><p>Adjetivo AdjetivoSubstantivoSubstantivo</p><p>84</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 84 24/08/20 16:34</p><p>Nesses casos, dizemos que as palavras perigosa, contaminados e sociais atuam como adjetivos,</p><p>pois se referem a um substantivo atribuindo-lhe uma característica. O mesmo acontece com alunos</p><p>desatentos, assunto difícil, criança alegre, time bom, computador rápido.</p><p>Chamamos de adjetivo pátrio aquele que indica nacionalidade ou lugar de origem, como recifen-</p><p>se, carioca, paulista, baiano, alemão.</p><p>Por fim, os gentílicos são adjetivos utilizados nas referências feitas a raças e povos.</p><p>Estudei em um colégio israelita.</p><p>Comprei uma cerâmica ianomâmi.</p><p>Locução adjetiva</p><p>Locução adjetiva é o conjunto de duas ou mais palavras com valor de adjetivo.</p><p>Observe:</p><p>As crianças ficaram com uma expressão de alegria.</p><p>Nesse exemplo, as palavras de alegria atuam como adjetivo, modificando o sentido do substanti-</p><p>vo expressão. Para que isso fique claro, veja que essa locução pode ser, de fato, substituída por um</p><p>adjetivo: alegre. O mesmo acontece com, por exemplo, amor de mãe (materno), roupa sem elegân-</p><p>cia (deselegante), ferramenta sem utilidade (inútil).</p><p>Entretanto, nem todas as locuções adjetivas podem ser substituídas por um adjetivo, como mon-</p><p>tanha de lixo e fábrica de laticínios.</p><p>Em geral, as locuções adjetivas são iniciadas pela palavra de seguida de um substantivo. Mas al-</p><p>gumas podem ser iniciadas pelas palavras em, com e sem.</p><p>laranja sem caroço</p><p>café com açúcar</p><p>vida em família</p><p>Em alguns casos, a mesma locução adjetiva pode ser usada com significados contextuais diferen-</p><p>tes e específicos. Veja:</p><p>Ele tem problema de coração (cardíaco).</p><p>Ele teve um gesto de coração (cordial).</p><p>85</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 85 24/08/20 16:34</p><p>Gênero e número do adjetivo</p><p>Como dissemos, o adjetivo sempre se refere a um substantivo. Assim, as palavras dessa classe</p><p>concordam em gênero e número (ou apenas em número) com o substantivo a que se referem.</p><p>Quanto ao gênero, os adjetivos podem ser biformes ou uniformes.</p><p>•	 Adjetivos biformes – Apresentam-se no masculino ou no feminino, como delicado(a),</p><p>belo(a), bonitos(as), coloridos(as), dependendo do gênero do substantivo a que se refe-</p><p>rem. Observe que esse tipo de adjetivo se flexiona tanto em gênero (masculino ou femini-</p><p>no) quanto em número (singular ou plural). Observe:</p><p>Na natureza, há recursos que possuem capacidade de renovação após serem utiliza-</p><p>dos pelos humanos em suas atividades produtivas.</p><p>Nesse exemplo, o adjetivo produtivas está flexionado no feminino plural porque concorda com o</p><p>substantivo atividades.</p><p>•	 Adjetivos uniformes – Apresentam apenas uma forma, que funciona tanto para o masculi-</p><p>no como para o feminino, como alegre, feliz, gentil, deslumbrante, reluzente. No exemplo</p><p>a seguir, por ser uniforme, o adjetivo principal concorda apenas em número (singular) com</p><p>o substantivo personagens, pois este se encontra flexionado no singular.</p><p>No Parque Nacional do Iguaçu, a natureza é o personagem principal.</p><p>Nesse caso, como é uniforme, o adjetivo principal não apresenta variação de gênero. Assim, ele</p><p>concorda apenas em número com o substantivo personagem.</p><p>sa</p><p>ik</p><p>o3</p><p>p/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>.c</p><p>om</p><p>Cataratas do Iguaçu é um conjunto com, aproximadamente, 275</p><p>quedas de água no Rio Iguaçu, no Estado do Paraná, Brasil.</p><p>86</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 86 24/08/20 16:34</p><p>Do mesmo modo que a maioria dos substantivos, os adjetivos formam o feminino substituindo a</p><p>terminação -o (forma masculina) por -a.</p><p>recurso valioso — água valiosa</p><p>homem pré-histórico — pintura pré-histórica</p><p>comércio primitivo — comunidade primitiva</p><p>Os adjetivos terminados em -ês, -or ou -u em geral recebem a terminação -a.</p><p>escritor português — língua portuguesa</p><p>homem sedutor — mulher sedutora</p><p>alimento cru — comida crua</p><p>Já os adjetivos terminados em -ão mudam essa terminação para -ã ou -ona.</p><p>corpo são — mente sã</p><p>menino chorão — menina chorona</p><p>copo grandão — boca grandona</p><p>Por fim, adjetivos terminados em -eu mudam essa terminação para -eia.</p><p>homem plebeu — mulher plebeia</p><p>país europeu — moeda europeia</p><p>povo caldeu — cultura caldeia</p><p>A concordância entre substantivos e adjetivos</p><p>Como dissemos, os adjetivos concordam em gênero e número (às vezes só em número) com o</p><p>substantivo ou os substantivos a que se referem. Os exemplos que vimos até agora ilustram bem</p><p>essa regra. No entanto, em situações mais complicadas, principalmente em textos formais escritos,</p><p>podem ocorrer dúvidas, principalmente quando um adjetivo pode se referir a dois ou mais substan-</p><p>tivos. Nesse caso, a regra geral é esta:</p><p>Quando temos dois ou mais substantivos, o adjetivo os acompanha em gênero e número.</p><p>Observe:</p><p>Substantivos flexionados no masculino singular</p><p>O Paleolítico e o Neolítico foram marcados por grandes eventos.</p><p>Adjetivo flexionado no masculino plural</p><p>Substantivos flexionados no feminino singular</p><p>A caça e a pesca eram rotineiras no Período Paleolítico.</p><p>Adjetivo flexionado no feminino plural</p><p>87</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 87 24/08/20 16:34</p><p>A P R E N D A</p><p>M A I S</p><p>De acordo com o seu conhecimento de mundo, como essa concordância será feita se os</p><p>substantivos forem de gêneros diferentes?</p><p>O adjetivo deve ser flexionado no masculino plural.</p><p>R E F L I T A</p><p>Agora, analise este período:</p><p>Substantivos de gêneros diferentes</p><p>No Paleolítico, homens e mulheres eram coletores de alimentos.</p><p>Adjetivo flexionado no masculino plural</p><p>Como você pode ver, se os substantivos forem de gêneros diferentes, o adjetivo será flexionado</p><p>no plural masculino. Nessa situação, observe que o adjetivo coletores se refere, ao mesmo tempo,</p><p>a homens e mulheres.</p><p>Em algumas situações, o adjetivo colocado depois de dois ou mais substantivos pode concordar</p><p>com todos os substantivos ou apenas com o substantivo mais próximo, mas essa possibilidade de</p><p>concordância depende do sentido do que se quer dizer. Veja:</p><p>Os grupos humanos que viveram no Paleolítico iam de</p><p>um lugar a outro em busca de alimentos, como raízes,</p><p>frutos, peixes e animais pequenos.</p><p>Considerando o sentido, nesse exemplo o adjetivo pequenos</p><p>está qualificando apenas o substantivo animais, pois, em virtude</p><p>da precariedade das armas que utilizavam (feitas principalmen-</p><p>te de madeira, ossos e lascas de pedra), os seres humanos que</p><p>viveram no Paleolítico caçavam, preferencialmente, animais de</p><p>pequeno porte. Já no exemplo a seguir, observe que os adjetivos</p><p>desenvolvidos e aperfeiçoados qualificam, ao mesmo tempo, os</p><p>substantivos utensílios e armas.</p><p>Animais de grande porte passaram a ser alvo dos caça-</p><p>dores quando foram desenvolvidos utensílios e armas</p><p>mais aperfeiçoados, como a lança, o arco e a flecha, que</p><p>possibilitaram o ataque a distância.</p><p>As pedras utilizadas na</p><p>confecção de tais instru-</p><p>mentos e de outros uten-</p><p>sílios apresentavam bor-</p><p>das cortantes, como se</p><p>tivessem sido retiradas</p><p>pequenas lascas, e eram</p><p>bem simples e rudimen-</p><p>tares. Daí o fato de o Pe-</p><p>ríodo Paleolítico ser cha-</p><p>mado também de Idade</p><p>da Pedra Lascada.</p><p>88</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 88 24/08/20 16:34</p><p>Graus do adjetivo</p><p>•	 Grau comparativo</p><p>Por meio do grau comparativo do adjetivo, comparamos os substantivos, identificando suas ca-</p><p>racterísticas, suas qualidades, seus defeitos. Existem três graus de comparação:</p><p>•	 Igualdade – A Pré-História é tão importante quanto a História.</p><p>•	 Superioridade – O Homo habilis era mais habilidoso que o Homo erectus.</p><p>•	 Inferioridade – O Homo erectus era menos inteligente que o Homo sapiens.</p><p>Segundo os historiadores, não se pode falar com certeza por que o Homo sapiens era uma</p><p>espécie superior às outras. O que se pode afirmar é que ele era mais inteligente, talvez pelo</p><p>fato de possuir um cérebro maior.</p><p>A P R E N D A M A I S</p><p>•	 Grau superlativo absoluto</p><p>Acentua ao extremo as características atribuídas ao substantivo. Pode ocorrer de dois modos:</p><p>•	 Sintético (uma palavra) – Forma-se, em geral, por meio das terminações: -íssimo, -ílimo,</p><p>-érrimo. Exemplos: dificílimo, belíssima, paupérrimo, hipersatisfeita.</p><p>O Homo sapiens era inteligentíssimo.</p><p>•	 Analítico (duas ou mais palavras) – Forma-se, normalmente, com o auxílio de uma palavra</p><p>que expresse intensidade ou pela repetição do adjetivo. Exemplos: muito bonita, bastante</p><p>alegre, pouco agitado.</p><p>O Homo sapiens era muito inteligente.</p><p>A prova foi fácil, fácil (muito fácil!).</p><p>•	 Grau superlativo relativo</p><p>Intensifica uma característica do substantivo estabelecendo uma relação de superioridade ou</p><p>inferioridade com outros seres.</p><p>•	 Superioridade – O Homo habilis era o mais interessante de todos os hominídeos.</p><p>•	 Inferioridade – O Homo erectus era o menos interessante de todos os hominídeos.</p><p>89</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 89 24/08/20 16:34</p><p>A t i v i d a d e s</p><p>Texto</p><p>1. A tirinha é um gênero textual que, entre outras características, possui o objetivo de produzir</p><p>humor, resultado quase sempre de uma fala e/ou atitude inesperada. Após a leitura da tirinha,</p><p>podemos afirmar que o humor:</p><p>a. É produzido por causa da dúvida de Isabele.</p><p>b. É resultado da atitude irônica de Serafim, que se julga um anjo.</p><p>c. Tem origem na fala de Isabele, que não sabe a diferença entre substantivo concreto e</p><p>abstrato.</p><p>d. Acontece no segundo quadrinho.</p><p>e. É um substantivo concreto.</p><p>2. No contexto da tirinha, o substantivo anjo é concreto ou abstrato?</p><p>É substantivo concreto.</p><p>3. Na tirinha, Serafim se julga um anjo, mas não seria propriamente um. Na verdade, ele cer-</p><p>tamente acredita que possui características que, em geral, atribuímos aos anjos. Isso acon-</p><p>tece porque, embora não existam no mundo real, eles estão bastante presentes no nosso</p><p>imaginário. Eles aparecem nos desenhos animados, nos filmes, nas histórias infantis, etc.</p><p>Pensando nisso, descreva, em seu caderno, com suas palavras, a maneira como você vê um</p><p>anjo em seu imaginário.</p><p>Resposta pessoal. Esperamos que os alunos utilizem bastantes adjetivos nessa descrição.</p><p>90</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 90 24/08/20 16:34</p><p>4. Como vimos, os substantivos podem ser</p><p>agrupados em diferentes grupos classifi-</p><p>catórios, mas um grupo não exclui outro.</p><p>Relembre quais são esses grupos e anali-</p><p>se as afirmações seguintes, assinalando V</p><p>(verdadeiro) ou F (falso).</p><p>a. V Todo substantivo composto é deri-</p><p>vado.</p><p>b. F Todo substantivo derivado é sim-</p><p>ples.</p><p>c. V Todo substantivo primitivo é sim-</p><p>ples.</p><p>d. V Nem todo substantivo próprio é</p><p>simples.</p><p>e. F Os substantivos derivados têm de</p><p>apresentar mais de um radical.</p><p>f. F Os substantivos comuns são escri-</p><p>tos com inicial maiúscula.</p><p>5. Um substantivo primitivo pode originar</p><p>inúmeros derivados, por isso estes são mui-</p><p>to mais numerosos. Da palavra vento, por</p><p>exemplo, derivamos ventania e vendaval. O</p><p>processo de derivação normalmente segue</p><p>regras bem definidas, mas nem sempre é</p><p>assim. Muitas vezes, na formação de um</p><p>substantivo derivado, acrescentamos al-</p><p>gum sentido inesperado e engraçado. Os</p><p>substantivos destacados nas frases a seguir</p><p>foram derivados nessas condições. Em gru-</p><p>po com os seus colegas e o professor,</p><p>fazer da Imagem 2?</p><p>Ao simular uma pintura rupestre, a imagem sugere que seu autor estava vivendo em uma</p><p>nova Pré-História. Os desenhos indicam que essa Pré-História se deu por causa de uma</p><p>guerra nuclear.</p><p>R E F L I T A</p><p>Imagem 2</p><p>Quando nos deparamos com a Imagem 2,</p><p>imediatamente começamos a ler seus sentidos</p><p>por meio do nosso conhecimento de mundo:</p><p>identificamos os desenhos, buscamos informa-</p><p>ções históricas, identificamos o símbolo quími-</p><p>co. Nosso pensamento, portanto, articula infor-</p><p>mações prévias em busca de sentido. No fim,</p><p>como conseguimos captar a ideia da imagem,</p><p>dizemos que houve comunicação.</p><p>Os animais, em geral, possuem a extraordiná-</p><p>ria capacidade de se comunicar. Sempre de formas</p><p>variadas, cada espécie emprega os recursos de que</p><p>dispõe com esse propósito. As baleias, por exem-</p><p>plo, emitem ruídos extremamente precisos para</p><p>indicar o caminho, a fonte de alimento, chamar a</p><p>atenção, etc. As abelhas, as formigas, os lobos, os</p><p>cachorros, os galos têm relações sociais, de poder e</p><p>de hierarquia bastante definidas e se comunicam.</p><p>No entanto, apenas os seres humanos são ca-</p><p>pazes de se comunicar de forma extremamente</p><p>complexa com a intenção de produzir sentidos.</p><p>Essa é a maior diferença entre nós e os outros</p><p>animais. Somente nós podemos articular sons,</p><p>combiná-los conscientemente e falar. Existem</p><p>vários traços que nos diferenciam dos outros</p><p>animais, seja do ponto de vista biológico (o pole-</p><p>gar livre, a capacidade de andar sobre duas per-</p><p>nas, a pele descoberta, a capacidade de articular</p><p>sons e falar, etc.), seja do ponto de vista intelec-</p><p>tual (capacidade de raciocinar com complexida-</p><p>de, planejar, lembrar, entre outros). No entanto,</p><p>a fala é a nossa habilidade mais marcante.</p><p>Lu</p><p>Fe</p><p>eT</p><p>he</p><p>Be</p><p>ar</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tt</p><p>er</p><p>st</p><p>oc</p><p>k.</p><p>co</p><p>m</p><p>Diferentemente do que ocorre com a imagem anterior, esta permite-nos uma interpretação, pois</p><p>possuímos recursos para realizar uma leitura.</p><p>7</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 7 25/08/20 16:36</p><p>A fala é resultante da articulação dos sons produzidos por uma série de órgãos que compõem</p><p>nosso aparelho fonador.</p><p>A P R E N D A M A I S</p><p>Nosso aparelho fonador é muito desenvolvido, o que possibilita a produção de sons bastante</p><p>diferentes, inclusive aqueles utilizados na fala: os sons vocálicos e os sons consonantais, que estu-</p><p>daremos detalhadamente mais adiante.</p><p>Cavidade nasal</p><p>Narinas</p><p>Dentes superiores</p><p>Dentes inferiores</p><p>Laringe</p><p>Faringe</p><p>Cavidade oral</p><p>Língua</p><p>Diafragma</p><p>Pulmão esquerdo</p><p>Traqueia</p><p>Pulmão direito</p><p>A habilidade da fala e a capacidade de desenvolver raciocínios complexos permitem que façamos</p><p>representações bem interessantes: podemos explorar o passado, o presente e o futuro, algo que ne-</p><p>nhuma outra espécie é capaz de fazer. Ou seja, por meio da fala, podemos transmitir pensamentos,</p><p>intenções, preconceitos, sentimentos, sonhos, etc.</p><p>Outras espécies de animais também possuem aparelho fonador, a exemplo dos papagaios.</p><p>Como vivem em grupo e apresentam uma inteligência acima da média das aves em geral,</p><p>eles conseguem articular esse aparelho para imitar sons que ouvem. Soltos na natureza, os</p><p>papagaios cantam com o objetivo de trocar informações. Mas, quando vivem isolados em</p><p>cativeiro, compensam a falta de comunicação imitando a fala humana.</p><p>A P R E N D A M A I S</p><p>A comunicação bem-sucedida entre duas ou mais pessoas só é possível se uma entender a outra.</p><p>Para entender o outro, cooperamos com ele. Cooperar, neste caso, não é apenas fazer silêncio enquan-</p><p>to o outro fala, mas trabalhar com o outro na produção do sentido. Em outras palavras, cooperamos</p><p>com ele quando procuramos entender o que quis dizer. Ou deveríamos. Se observarmos, às vezes fala-</p><p>8</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 8 24/08/20 16:33</p><p>Nosso universo social é repleto de símbolos.</p><p>São placas, textos, objetos, gestos, imagens, nú-</p><p>meros, etc. Ao conjunto de símbolos empregados</p><p>com o objetivo de estabelecer comunicação, da-</p><p>mos o nome de código. É utilizando códigos que</p><p>interagimos com nossos semelhantes, refletimos</p><p>sobre a realidade, transmitimos valores, conheci-</p><p>mento… Tudo o que está à nossa volta ou mes-</p><p>mo aquilo que não existe no mundo real pode ser</p><p>simbolizado. Observe isso na charge ao lado.</p><p>Para entender o sentido dessa charge, você</p><p>precisou decodificar uma infinidade de símbo-</p><p>los: onde os homens estão, que ocupações têm,</p><p>que informações estão claras no balão, etc. Des-</p><p>se modo, podemos concluir que, relacionando</p><p>A partir do momento em que eles são apresentados a você, passam a fazer parte do seu conhe-</p><p>cimento de mundo e, portanto, passam a ter significado. O primeiro é o infinito (∞). Ele indica que</p><p>uma sequência de números não tem fim. Já o segundo símbolo representa um número chamado de</p><p>pi, que vale, aproximadamente (≅), 3,14.</p><p>E, por falar em números, eles também são símbolos. Criados há milhares de anos com o objetivo</p><p>de fazer contagens, enumerações, os números estão por toda parte: no seu endereço, no tamanho</p><p>do seu pé, na medida da sua cintura, na quantidade de mensagens não lidas no seu smartphone,</p><p>etc. Os números naturais são muito utilizados, sendo indicados matematicamente pelo símbolo N.</p><p>Desse modo, os símbolos que compõem os códigos que utilizamos no nosso dia a dia são os mais</p><p>variados. A fotografia a seguir identifica uma placa de trânsito instalada em uma das estradas que</p><p>cortam o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí.</p><p>mos e temos a certeza de que, por qualquer motivo, a outra pessoa não está dando atenção às nossas</p><p>palavras. Assim, a comunicação não acontece. Esse, inclusive, é um problema bastante comum na vida</p><p>social e profissional de muitas pessoas. Um grande estudioso da comunicação certa vez comentou que</p><p>foi preciso o ser humano inventar o telefone, o smartphone e a Internet para perceber que o verdadei-</p><p>ro problema da falta de comunicação entre as pessoas não está na distância.</p><p>2. A capacidade de simbolizar</p><p>os símbolos que compõem um código, executamos ações!</p><p>Evidentemente, a compreensão dos símbolos só é possível se eles já fizerem parte do nosso</p><p>conhecimento de mundo. Para que isso fique claro, basta olhar, por exemplo, para alguns símbolos</p><p>matemáticos que você ainda não estudou.</p><p>9</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 9 24/08/20 16:33</p><p>Como você pode ver, os símbolos que empregamos em nossas interações com outras pessoas</p><p>podem ser os mais variados. Podem, inclusive, ser partes de palavras, desde que tenham sentido.</p><p>A letra a, por exemplo, se empregada em uma palavra como menina, expressa uma ideia, passa a</p><p>ser um símbolo, indicando a noção de feminino. Já a partícula des-, em desleal, indica a noção de</p><p>negação, contrário, oposição.</p><p>m</p><p>ar</p><p>co</p><p>sv</p><p>el</p><p>lo</p><p>so</p><p>/S</p><p>hu</p><p>tt</p><p>er</p><p>st</p><p>oc</p><p>k.</p><p>co</p><p>m</p><p>O que essa placa significa? Faria sentido colocá-la em uma das avenidas da sua cidade?</p><p>A placa indica que há depressões na estrada. Espera-se que o aluno perceba que o sentido</p><p>da placa está associado às figuras rupestres do Parque, sendo incoerente sua utilização em</p><p>um ambiente urbano.</p><p>R E F L I T A</p><p>Para expressar o sentido de negação, nossa</p><p>língua oferece diversos termos que, agregados</p><p>a algumas palavras, expressam o sentido oposto</p><p>ao que elas significam. É dessa maneira que se</p><p>forma grande parte dos antônimos. Veja:</p><p>As palavras em geral são formadas por di-</p><p>ferentes partes que possuem significado.</p><p>Ou seja, são símbolos. Analise as palavras</p><p>a seguir procurando perceber o sentido</p><p>que as partes destacadas indicam.</p><p>desfazer recomeçar</p><p>biscoitos casarão</p><p>carrinho</p><p>A P R E N D A M A I S</p><p>desatento desmentir inútil</p><p>infeliz atípico amoral</p><p>10</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 10 25/08/20 16:36</p><p>A P R E N D A M A I S</p><p>Chamamos de antônimas as palavras que exprimem realidades opostas. Assim, dizemos que</p><p>claro é antônimo de escuro em O quarto está escuro, abra as janelas para deixá-lo claro.</p><p>Já os sinônimos são palavras, termos ou expressões que, em uma dada situação, podem codifi-</p><p>car a mesma informação. Observe:</p><p>O parque guarda belas pinturas rupestres.</p><p>O local abriga bonitos desenhos feitos nas rochas.</p><p>pro-</p><p>cure definir o sentido desses substantivos.</p><p>Resposta pessoal.</p><p>a. Paulo está morando em um apertamento.</p><p>b. Marcos é namorido de Sílvia.</p><p>c. Isto não é café, é um chafé.</p><p>d. Ela fala portunhol.</p><p>e. Marcelo é pãe de Artur.</p><p>f. Pedro está na fase da aborrescência.</p><p>g. Paula é chocólatra.</p><p>h. Vou precisar de um paitrocínio para fa-</p><p>zer esse curso.</p><p>a. Por que, para Serafim, o pai não deveria</p><p>se preocupar com a crise?</p><p>Porque, para ele, por ser um substantivo</p><p>abstrato, a palavra crise não poderia pre-</p><p>judicar o seu pai.</p><p>b. Para o pai, o substantivo crise tem um</p><p>sentido concreto ou abstrato? Explique.</p><p>Para o pai, o substantivo crise tem um senti-</p><p>do concreto, isto é, seus efeitos na economia</p><p>da família (“no seu bolso”) serão sentidos.</p><p>c. Considerando sua resposta para a ques-</p><p>tão anterior e a época em que essa</p><p>charge foi produzida (outubro de 2019),</p><p>a que crise provavelmente o persona-</p><p>gem se refere? (Se for preciso, faça uma</p><p>breve pesquisa.)</p><p>A charge faz referência à grave crise polí-</p><p>tica e econômica que atingiu o Brasil em</p><p>2019.</p><p>i. Carlos é um sincericida.</p><p>j. Márcia é escragiária naquela empresa.</p><p>k. João é um mautorista.</p><p>l. A filha deles é uma crionça.</p><p>6. Leia o quadrinho a seguir.</p><p>91</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 91 24/08/20 16:34</p><p>7. O trecho abaixo foi extraído de um conto de Rubem Fonseca.</p><p>[...] pouco tempo depois, a campainha tocou novamente; era a polícia. Abri a porta, e o</p><p>polícia me deu uma intimação para depor na segunda-feira [...]</p><p>FONSECA, Rubem. Feliz ano novo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.</p><p>Descreva a diferença de significado que a variação de gênero determina nos substantivos a</p><p>seguir:</p><p>a. A polícia.</p><p>Instituição de segurança pública.</p><p>b. O polícia.</p><p>A pessoa que trabalha na instituição de segurança pública, nesse caso, na polícia.</p><p>8. Substitua a palavra coisa (não é permitido usar algo) por substantivos. Faça as adaptações ne-</p><p>cessárias. Respostas sugeridas.</p><p>a. Os deputados discutirão coisas políticas e sociais.</p><p>Os deputados discutirão assuntos políticos e sociais.</p><p>b. O conhecimento útil é capaz de situar qualquer coisa em seu contexto.</p><p>O conhecimento útil é capaz de situar qualquer informação em seu contexto.</p><p>c. Existem várias coisas para reduzir os desequilíbrios entre as pessoas.</p><p>Existem várias alternativas para reduzir os desequilíbrios entre as pessoas.</p><p>d. A violência nas cidades é uma coisa particularmente preocupante.</p><p>A violência nas cidades é um problema particularmente preocupante.</p><p>e. Prometer reformas impossíveis é uma coisa muito comum para atrair votos.</p><p>Prometer reformas impossíveis é uma tática muito comum para atrair votos.</p><p>f. A busca pela felicidade é uma coisa legítima.</p><p>A busca pela felicidade é um sonho legítimo.</p><p>g. Quando o homem pensa no futuro, uma coisa é certa: qualidade de vida é fundamental.</p><p>Quando o homem pensa no futuro, uma ideia é certa: qualidade de vida é fundamental.</p><p>92</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 92 24/08/20 16:34</p><p>9. Complete com o adjetivo adequado. Observe o exemplo:</p><p>Trabalhador da indústria – Industrial.</p><p>a. Planta da água – Planta aquática.</p><p>b. Pessoa sem atividade – Pessoa inativa.</p><p>c. Produto de fábrica – Produto fabril.</p><p>d. Porto do rio – Porto fluvial.</p><p>e. Animal da noite – Animal noturno.</p><p>f. Ave de praia – Ave praieira.</p><p>g. Tratamento do cabelo – Tratamento capilar.</p><p>h. Proteção do meio ambiente – Proteção ambiental.</p><p>i. Hábito de alimentação – Hábito alimentar.</p><p>j. População do mundo – População mundial.</p><p>k. Fluxo de energia – Fluxo energético.</p><p>l. Movimento da Terra – Movimento terrestre.</p><p>m. Temperatura do Sol – Temperatura solar.</p><p>10. Observando as expressões destacadas nas orações seguintes, encontre o adjetivo mais ade-</p><p>quado. Veja o exemplo:</p><p>Minha filha amanheceu com febre.</p><p>Minha filha amanheceu febril.</p><p>a. A fazenda está sem governo.</p><p>A fazenda está desgovernada.</p><p>b. O policial estava sem arma.</p><p>O policial estava desarmado.</p><p>c. Esta capa está sem cor.</p><p>Esta capa está incolor.</p><p>d. A comida está sem cheiro.</p><p>A comida está inodora.</p><p>e. A água pura é sem gosto.</p><p>A água pura é insípida.</p><p>f. O café está sem açúcar.</p><p>O café está aguado.</p><p>g. Estou sem paciência para assistir ao mu-</p><p>sical.</p><p>Estou impaciente para assistir ao musical.</p><p>93</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 93 24/08/20 16:34</p><p>11. Como vimos, os adjetivos se ligam a substantivos acrescentando-lhes alguma qualidade, ca-</p><p>racterística, etc. Mas você sabia que esse sentido “acrescentado” pode mudar conforme a po-</p><p>sição do adjetivo (se colocado antes ou depois do substantivo)? Para perceber isso, analise as</p><p>situações a seguir. Explique, com suas palavras, o sentido expresso pelos adjetivos destacados</p><p>em cada situação.</p><p>a.</p><p>I. Paulo se tornou um homem grande.</p><p>II. Paulo se tornou um grande homem.</p><p>Em I, o adjetivo permite a compreensão de que Paulo é um homem alto. Em II, o adjetivo nos</p><p>leva a entender que Paulo é um homem notável.</p><p>b.</p><p>I. Renata é uma mulher pobre.</p><p>II. Renata é uma pobre mulher.</p><p>Em I, o adjetivo permite a compreensão de que Renata é uma mulher que dispõe de poucos</p><p>recursos. Em II, o adjetivo possibilita a compreensão de que o enunciador observa Renata com</p><p>certa compaixão.</p><p>c.</p><p>I. Carolina é uma velha amiga.</p><p>II. Carolina é uma amiga velha.</p><p>Em I, o adjetivo permite a compreensão de que Carolina tem uma antiga amizade com o enun-</p><p>ciador. Em II, o adjetivo nos leva a entender que Carolina é a amiga idosa do enunciador.</p><p>12. Nesta atividade, você tentará descobrir quais são as palavras (substantivos ou adjetivos) que</p><p>deverá escrever na cruzadinha da página seguinte, tendo em vista as dicas fornecidas a seguir.</p><p>Para enriquecer o seu estudo, utilizaremos o tema Pré-História como fonte de informação.</p><p>Horizontais</p><p>1. Adjetivo que qualifica as pinturas feitas no interior de cavernas.</p><p>2. Marcas, objetos, fósseis produzidos pelos primeiros seres humanos que permitem estudar</p><p>a nossa origem (substantivo flexionado no singular).</p><p>3. Substantivo coletivo que designa todos os seres humanos.</p><p>4. Substantivo que designa a principal descoberta realizada pelos seres humanos na Pré-His-</p><p>tória.</p><p>5. Substantivo comum empregado para nomear os seres que não pertenciam propriamente</p><p>ao gênero Homo, mas andavam sobre dois pés, tinham o corpo coberto de pelos e o cére-</p><p>bro muito pequeno.</p><p>94</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 94 24/08/20 16:34</p><p>3.</p><p>I</p><p>1. N</p><p>1. R U P E S T R E S 2.</p><p>R T S</p><p>É R E</p><p>– U D</p><p>3. H U M A N I D A D E</p><p>I E N</p><p>S N T</p><p>T T Á</p><p>Ó O R</p><p>5. R S 4. I</p><p>2. V E S T Í G I O N 4. F O G O</p><p>R A E S</p><p>E O</p><p>C L</p><p>T Í</p><p>5. A U S T R A L O P I T H E C U S</p><p>S I</p><p>C</p><p>A</p><p>Verticais</p><p>1. Período que vai do surgimento do ser humano até o desenvolvimento da escrita (substantivo).</p><p>2. Adjetivo (flexionado no plural) empregado para qualificar os seres humanos quando estes</p><p>deixaram de ser nômades.</p><p>3. Substantivo (flexionado no plural) que designa de forma geral os objetos produzidos pelos</p><p>seres humanos para enfrentar as dificuldades do dia a dia.</p><p>4. Adjetivo que qualifica o substantivo feminino revolução quando este designa o desenvolvi-</p><p>mento da agricultura e da domesticação de animais ocorrido na Idade da Pedra Polida.</p><p>5. Adjetivo empregado para caracterizar o ser humano que produzia instrumentos mais aper-</p><p>feiçoados, tinha o cérebro maior que o do Homo habilis e também era mais alto. Foi o pri-</p><p>meiro a usar o fogo em benefício próprio, para se aquecer e cozinhar os alimentos. O uso</p><p>desse adjetivo se deve ao fato de esses seres humanos possuírem a postura ereta.</p><p>95</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 95 24/08/20 16:34</p><p>1. Os coletivos são substantivos que se referem aos seres considerados em conjunto. Normal-</p><p>mente, esses substantivos designam um conjunto de seres da mesma espécie, como cardume</p><p>(de peixes) e manada (de bois ou búfalos). Mas, no uso cotidiano da língua, comumente atri-</p><p>buímos outros significados aos substantivos coletivos, conforme a ideia que apresentam. Esse</p><p>desvio ocorre em:</p><p>a. Renan sempre presenteia Cláudia com um ramalhete no Dia dos Namorados.</p><p>b. Não se esqueça de identificar bem sua bagagem, para não perdê-la</p><p>na viagem.</p><p>c. O elenco do Palmeiras não está completo para o jogo de hoje à noite.</p><p>d. A criança foi atacada por um enxame no passeio ao zoológico.</p><p>e. Parece que seu pai está na biblioteca estudando.</p><p>2. Seguindo a mesma ideia da questão anterior, assinale a alternativa em que ocorre o desvio de</p><p>significado do substantivo coletivo.</p><p>a. Não trabalhar seguindo as instruções nos causa uma penca de problemas.</p><p>b. A banca do concurso já corrigiu as provas.</p><p>c. O elenco do filme foi bem escolhido.</p><p>d. A constelação de Peixes pode ser vista em alguns estados da Região Norte brasileira.</p><p>e. O rebanho seguiu o fazendeiro.</p><p>3. Analise as frases a seguir.</p><p>I. Como você já trabalhou em várias empresas, sua bagagem será muito importante aqui.</p><p>II. O palestrante ficou nervoso com o enxame de perguntas.</p><p>III. Esperei séculos, mas ela não apareceu para nosso encontro.</p><p>IV. João é um menino muito travesso. Seu repertório é imenso.</p><p>V. O pastor da minha igreja sabe cuidar bem de seu rebanho.</p><p>Indique aquela(s) em que o coletivo expressa uma hipérbole.</p><p>a. I e II.</p><p>b. II e III.</p><p>c. III e IV.</p><p>d. IV e V.</p><p>e. I e V.</p><p>4. A palavra caminhãozinho, no grau diminutivo, recorda-nos que são válidas todas as considera-</p><p>ções abaixo sobre esse assunto (diminutivo), menos uma. Aponte a exceção.</p><p>a. O plural de caminhãozinho é caminhõezinhos, como o de anelzinho é aneizinhos.</p><p>D e s a f i o</p><p>96</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 96 24/08/20 16:34</p><p>b. Além de expressar o “tamanho diminuído” do ser, pode, a forma diminutiva, expressar</p><p>emoções ou sentimentos de diversas naturezas: carinho (mãezinha), ironia (santinho),</p><p>depreciação (padreco), etc.</p><p>c. Em certos substantivos, a terminação -inho não caracteriza o diminutivo, como em gol-</p><p>finho.</p><p>d. Encontramos, em português, diversas desinências caracterizadoras do diminutivo, en-</p><p>tre elas a forma -ote (frangote, saiote, rapazote, etc.).</p><p>e. A terminação -inho indica a ocorrência do grau diminutivo analítico em caminhãozinho.</p><p>5. O personagem Cascão, de Maurício de Sousa, tem esse apelido por não gostar de banho. Nes-</p><p>se contexto, a palavra Cascão significa aquele que tem pele grossa por sujeira e expressa a</p><p>ideia de aumentativo. Assinale a alternativa em que há uma palavra no grau aumentativo.</p><p>a. O limão é uma fruta ácida que faz bem à saúde.</p><p>b. Macarrão contém muito carboidrato e, por isso, engorda.</p><p>c. O Timão venceu o campeonato de futebol muito à frente dos adversários.</p><p>d. O acidente ocorreu porque um carro veio na contramão.</p><p>e. O catalão é a língua falada em uma região da Espanha.</p><p>6. Embora pareça simples, a classificação das palavras em categorias requer uma observação</p><p>atenta da situação em que elas são usadas. Pensando nisso, analise o emprego da palavra hu-</p><p>manos nas seguintes frases:</p><p>Humanos e macacos evoluíram a partir de um mesmo ancestral: os primatas.</p><p>Vestígios humanos podem ser considerados fontes históricas.</p><p>Em ambas as frases, a palavra humanos deve ser classificada da mesma forma? Explique.</p><p>Não. Na frase I, humanos funciona como substantivo, enquanto em II funciona como adjetivo,</p><p>qualificando o substantivo vestígios.</p><p>7. Analise as frases a seguir.</p><p>I. O Código Da Vinci foi uma das obras estrangeiras mais vendidas no Brasil.</p><p>II. O código civil brasileiro é a lei que está mais perto do cidadão.</p><p>Nestas frases, a palavra código foi utilizada como substantivo e possui dois significados. Em</p><p>uma dessas frases, corresponde a um substantivo coletivo. Em qual frase isso ocorre? Por quê?</p><p>Qual é o sentido que podemos dar ao outro uso dessa palavra?</p><p>Sugestão de resposta. O uso como substantivo coletivo ocorre na frase II, pois se refere ao</p><p>conjunto de leis. Outro sentido que podemos dar à palavra é de combinações ou símbolos que</p><p>só têm significado após serem decifrados.</p><p>97</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 97 24/08/20 16:34</p><p>8. Leia o texto abaixo.</p><p>Há notícias que são de interesse público e há notícias que são de interesse do público. Se</p><p>a celebridade x está saindo com o ator y, isso não tem nenhum interesse público. Mas,</p><p>dependendo de quem sejam x e y, é de enorme interesse do público, ou de certo público</p><p>(numeroso), pelo menos. As decisões do Banco Central para conter a inflação têm óbvio</p><p>interesse público. Mas quase não despertam interesse, a não ser dos entendidos. O jor-</p><p>nalismo transita entre essas duas exigências, desafiado a atender às demandas de uma</p><p>sociedade ao mesmo tempo massificada e segmentada, de um leitor que gravita cada vez</p><p>mais apenas em torno de seus interesses particulares.</p><p>Fernando Barros e Silva. O jornalista e o assassino: in. Folha de S.Paulo.</p><p>A palavra público é empregada no texto ora como substantivo, ora como adjetivo. Exemplifi-</p><p>que cada um desses empregos com passagens do próprio texto e apresente o critério que você</p><p>utilizou para fazer a distinção.</p><p>Na frase “Há notícias que são de interesse público e há notícias que são de interesse do pú-</p><p>blico”, a palavra público é usada na primeira ocorrência como adjetivo, relacionada com o</p><p>substantivo interesse, e na segunda como substantivo inserido na locução adjetiva do público.</p><p>9. O parágrafo abaixo foi retirado de um livro didático de História do 6º ano. Leia-o com atenção.</p><p>Com a Revolução Agrícola, ocorrida no Neolítico, primeiramente foram cultivados o trigo,</p><p>a aveia e a cevada. Para facilitar o cultivo, as pessoas procuravam as terras próximas dos</p><p>rios, que eram mais férteis. Isso fez surgir os primeiros aglomerados populacionais, que</p><p>tinham, na união da população, uma arma defensiva, além de uma melhor produção.</p><p>I. A palavra cultivados está flexionada no masculino plural para concordar com o substantivo que</p><p>qualifica (trigo).</p><p>II. As palavras próximas e férteis estão flexionadas no feminino plural para concordar com</p><p>terras.</p><p>III. A locução adjetiva da população poderia ser substituída pelo adjetivo populacional, mas</p><p>essa substituição acarretaria uma repetição desnecessária desse adjetivo.</p><p>Está correto o que se afirma em:</p><p>a. I, apenas.</p><p>b. II, apenas.</p><p>c. III, apenas.</p><p>d. I e II.</p><p>e. II e III.</p><p>98</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 98 24/08/20 16:34</p><p>Acentuação dos monossílabos tônicos</p><p>1. Como vimos no Capítulo 2, as palavras com apenas uma sílaba são chamadas de monossíla-</p><p>bas. Essas palavras podem ser pronunciadas de maneira fraca ou um pouco mais forte, por</p><p>isso são classificadas como átonas (fracas) ou tônicas (fortes). Observe essa distinção na leitu-</p><p>ra das palavras destacadas no texto a seguir.</p><p>Chamamos de minério as rochas e os minerais que servem como matéria-prima na fabricação</p><p>de produtos. O granito, por exemplo, é um minério.</p><p>a. Qual dessas palavras é pronunciada de maneira mais forte?</p><p>A palavra é.</p><p>b. Como se classifica essa palavra?</p><p>Monossílabo tônico.</p><p>2. Agora leia estes monossílabos tônicos.</p><p>Que regra de acentuação gráfica podemos formular para os monossílabos tônicos com base</p><p>na observação dessas palavras?</p><p>Acentuam-se os monossílabos tônicos terminados em -a(s), -e(s) ou -o(s).</p><p>já lá pás pé ré rês pó nós vez nu luz</p><p>Q u e s t õ e s d e e s c r i t a</p><p>Acentuação das proparoxítonas</p><p>3. Entre as palavras a seguir, identifique as proparoxítonas.</p><p>a. arquipélago</p><p>b. órfã</p><p>c. amargo</p><p>d. amável</p><p>99</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 99 24/08/20 16:34</p><p>e. Cleópatra</p><p>f. protótipo</p><p>g. bônus</p><p>h. gráfico</p><p>i. luta</p><p>j. rapidamente</p><p>k. carro</p><p>l. restaurante</p><p>m. sobrancelha</p><p>n. rivalidade</p><p>4. Agora responda: o que há de comum entre as palavras proparoxítonas?</p><p>Todas elas recebem acento gráfico.</p><p>5. Entre as palavras a seguir, indique aquela que deve receber acento gráfico por ser proparoxí-</p><p>tona.</p><p>a. Janela.</p><p>b. Comprimido.</p><p>c. Rapido.</p><p>d. Secretamente.</p><p>e. Estatuto.</p><p>6. Leia o texto abaixo.</p><p>A descoberta do fogo foi fundamental para a evolução da espécie humana, tanto material-</p><p>mente como nas relações sociais. Estudos indicam que o cozimento de carnes propiciou a</p><p>redução do desenvolvimento dos dentes. Isso porque a carne cozida é mais fácil de mas-</p><p>tigar, não havendo a necessidade de dentes grandes e pontiagudos, como os dos animais</p><p>carnívoros,</p><p>que só comem carne crua.</p><p>a. Identifique no texto uma palavra paroxítona terminada em ditongo crescente.</p><p>Espécie.</p><p>b. Agora, selecione uma palavra polissílaba cuja sílaba tônica apresenta um dígrafo.</p><p>Materialmente, cozimento, desenvolvimento.</p><p>c. No texto, encontramos um adjetivo proparoxítono flexionado no masculino plural. Qual</p><p>substantivo determinou essa flexão?</p><p>Animais.</p><p>100</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 100 24/08/20 16:34</p><p>A r t i g o , n u m e r a l</p><p>e p r o n o m e</p><p>C A P Í T U L O 6</p><p>1. Artigo</p><p>Leia a tirinha.</p><p>No primeiro quadrinho, Serafim se refere à prova da professora Norma como A prova. O emprego</p><p>da palavra a contribui para entendermos o sentido do substantivo prova. Por meio dela, podemos</p><p>perceber que os meninos não estão falando de qualquer prova: é a prova da professora Norma. O</p><p>emprego dessa palavra em letra maiúscula sugere ainda mais exclusividade, isto é, que a prova da</p><p>professora é realmente muito difícil. Como o substantivo prova é feminino, empregamos a palavra</p><p>a antes dele. Veja outros usos:</p><p>O humor da professora Norma é terrível.</p><p>Os alunos farão uma prova.</p><p>A turma está com medo da prova.</p><p>Nos três casos, as palavras destacadas foram empregadas antes de substantivos, determinando o</p><p>seu sentido e concordando com eles em gênero e número.</p><p>Agora, observe:</p><p>Pedro quer ter um desempenho melhor.</p><p>Ele quer tirar uma nota boa.</p><p>101</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 101 24/08/20 16:34</p><p>Nesses dois casos, as palavras um e uma atuam sobre os substantivos a que antecedem inde-</p><p>terminando o seu sentido. Assim, Pedro quer uma nota boa qualquer (pode ser sete, oito, nove,</p><p>dez) para ter um desempenho melhor. Tanto o substantivo nota quanto o substantivo desempe-</p><p>nho estão empregados com sentido vago.</p><p>Assim, chamamos de artigo a palavra variável em gênero e número que antecede o</p><p>substantivo determinando ou indeterminando o seu sentido.</p><p>Nos exemplos analisados, observe que os artigos concordam em gênero e número com os subs-</p><p>tantivos a que antecedem. Veja mais alguns exemplos:</p><p>as relações sociais</p><p>os jogadores</p><p>um barulho</p><p>uns sons</p><p>a identificação</p><p>Classificação dos artigos</p><p>Como consequência do que vimos até agora, os artigos se classificam como:</p><p>•	 Determinados (ou definidos) – o, a, os, as.</p><p>•	 Indeterminados (ou indefinidos) – um, uma, uns, umas.</p><p>Examine o texto a seguir.</p><p>Os corais se desenvolvem pela união de uma infinidade de organismos, formando asso-</p><p>ciações entre seres da mesma espécie. Cada grupo de indivíduos realiza uma atividade</p><p>específica, mas, de modo geral, estão todos fundidos fisicamente. Todos esses seres uni-</p><p>dos representam uma colônia.</p><p>O artigo os determina o sentido do substantivo corais — não são quaisquer seres vivos, são os</p><p>corais. Já o artigo uma indetermina o sentido dos substantivos a que antecede — infinidade, ativi-</p><p>dade e colônia.</p><p>Quando antecede um nome próprio, o artigo definido indica familiaridade. Exemplo: A Maria</p><p>chegou cedo. Esse uso é muito comum em alguns estados brasileiros, como o Ceará, o Rio de Janeiro</p><p>e o Rio Grande do Sul.</p><p>102</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 102 24/08/20 16:34</p><p>Usamos artigos definidos antes de certos nomes próprios de lugares, como os que indicam</p><p>países, regiões, continentes, montanhas, vulcões, lagos, oceanos, rios e ilhas.</p><p>a Inglaterra o Pacífico os Andes</p><p>o Amazonas o Recife a Europa</p><p>Dispensam o artigo os nomes: Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo,</p><p>Pernambuco, Sergipe, Portugal, Angola, São Salvador, Castela, Cabo Verde. Já o nome Alagoas</p><p>pode ser usado com ou sem artigo.</p><p>Em algumas situações, os artigos nos ajudam a identificar o gênero e o número dos</p><p>substantivos a que antecedem.</p><p>Os ônibus estão quebrados. A pianista começou a tocar.</p><p>Em algumas situações, o artigo pode assumir valor qualificativo ou promover mudança de</p><p>sentido. Compare:</p><p>Valor qualificativo</p><p>Ele é um amigo. (Qualquer amigo.) Ele é o amigo. (O melhor amigo.)</p><p>Mudança de sentido</p><p>Isso acontece em todo país. (Qualquer país.) Isso acontece em todo o país. (Neste país.)</p><p>A P R E N D A M A I S</p><p>2. Numeral</p><p>Em algum momento da evolução do ser humano, surgiu a necessidade natural de contar. Mais</p><p>tarde, mudanças na estrutura das sociedades tornaram necessário registrar essa contagem. A prin-</p><p>cípio, os seres humanos utilizaram procedimentos simples, como coleção de pedras, marcas feitas</p><p>em ossos e nós dados em cordas. A contagem foi um dos primeiros desafios que os seres humanos</p><p>enfrentaram. Com o tempo, esses métodos foram se aprimorando, e, em cada região do mundo,</p><p>desenvolveram-se técnicas diferentes de contagem, cada uma com seus próprios símbolos e regras.</p><p>Os egípcios, os romanos, os macedônios, os chineses, os maias e os indígenas brasileiros trabalha-</p><p>vam com números de forma diferente.</p><p>As diferentes técnicas de contagem facilitavam o comércio entre os povos?</p><p>Com o incremento das relações comerciais entre os povos, ter maneiras diferentes de medir e contar se tor-</p><p>nou pouco prático, por isso houve a necessidade de se adotar um sistema único de numeração, que é o que</p><p>utilizamos até hoje, o indo-arábico.</p><p>R E F L I T A</p><p>103</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 103 25/08/20 16:44</p><p>Assim, em Matemática, dizemos que número é a ideia de quantidade que nos vem à mente quan-</p><p>do contamos. Para cada ideia de quantidade, temos um número associado, e cada número pode ser</p><p>representado por um símbolo ou nome. Ou seja, um numeral. Essa mesma definição é aplicada na</p><p>língua portuguesa para indicar as palavras que utilizamos para designar quantidade, ordem, codifi-</p><p>cação, divisão ou multiplicação.</p><p>O Australopitecus andava sobre os dois pés.</p><p>Há aproximadamente 4 milhões de anos, surgiram, na África, os primeiros antepassados</p><p>do ser humano.</p><p>O número quantifica; o numeral representa essa quantidade. Os símbolos matemáticos utilizados</p><p>nessa representação são chamados de algarismos. Estes são os algarismos indo-arábicos:</p><p>De forma simples, podemos dizer que os algarismos estão para o sistema dos números como as le-</p><p>tras do alfabeto para as palavras. Ou seja, os números são, basicamente, um recurso de representação.</p><p>Classificação dos numerais</p><p>Tendo em vista o que estudamos até agora, podemos classificar os numerais em quatro grandes</p><p>grupos.</p><p>0 1 2 3 4 5 6 7 8 9</p><p>•	 Cardinais</p><p>Os numerais cardinais indicam quantidades.</p><p>Na África, foram encontrados os fósseis de dois Austra-</p><p>lopitecus.</p><p>Acredita-se que os mamutes foram extintos há cerca de</p><p>doze mil anos.</p><p>A seguir, conheça alguns detalhes importantes sobre os nume-</p><p>rais cardinais.</p><p>• Os numerais um, dois e as centenas a partir de duzentos va-</p><p>riam em gênero: uma, duas, duzentas, trezentas.</p><p>• Usamos a palavra e entre as centenas, as dezenas e as unida-</p><p>des: vinte e três, duzentos e trinta e oito.</p><p>• Empregamos a palavra e entre o milhar e a centena se esta</p><p>não estiver seguida de outro número (dois mil e duzentos);</p><p>caso contrário, podemos omiti-la (dois mil duzentos e vinte</p><p>e seis).</p><p>A P R E N D A</p><p>M A I S</p><p>Os mamutes foram uma</p><p>importante fonte de ali-</p><p>mentação e vestimenta</p><p>para os seres humanos</p><p>na Pré-História. Pesqui-</p><p>sadores acreditam que</p><p>foram extintos pelo fim</p><p>da Era Glacial e pela</p><p>caça predatória pratica-</p><p>da pelos humanos.</p><p>104</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 104 24/08/20 16:34</p><p>• Quando os números são muito extensos,</p><p>não se usa a palavra e entre as classes, ou</p><p>seja, entre os grupos de três algarismos</p><p>(nem vírgula): 324.312.090.215 — trezen-</p><p>tos e vinte e quatro bilhões trezentos e doze</p><p>milhões noventa mil duzentos e quinze.</p><p>• Depois dos numerais compostos com um, o</p><p>substantivo vai ao plural: trinta e um dias;</p><p>as mil e uma noites.</p><p>• O numeral cardinal pode, às vezes, ser utili-</p><p>zado nas indeterminações.</p><p>Peço-lhe um minuto de sua atenção.</p><p>(alguns poucos minutos)</p><p>Ela anda com mil perguntas. (muitas</p><p>perguntas)</p><p>•	 Ordinais</p><p>Como o próprio nome sugere, os numerais</p><p>ordinais indicam a ordem dos seres em uma de-</p><p>terminada sequência.</p><p>O Homo habilis foi o primeiro a produ-</p><p>zir ferramentas a partir de pedras.</p><p>Saturno é o sexto planeta a contar do</p><p>Sol</p><p>e o segundo maior do Sistema Solar.</p><p>A seguir, conheça alguns detalhes importan-</p><p>tes sobre os numerais ordinais.</p><p>• Nas designações de papas e soberanos, sé-</p><p>culos e capítulos de livros, empregamos o</p><p>ordinal até décimo. Daí por diante, utiliza-</p><p>mos o cardinal.</p><p>Paulo VI (Sexto) século IX (nono)</p><p>Luís XV (Quinze) capítulo XXII</p><p>(vinte e dois)</p><p>• Usamos sempre o ordinal quando o nume-</p><p>ral estiver anteposto ao substantivo: oitavo</p><p>século, décimo nono capítulo, sétimo can-</p><p>to, X Feira (Lê-se décima feira).</p><p>• Na indicação do primeiro dia do mês, pre-</p><p>fere-se o ordinal: Ela aniversaria no dia pri-</p><p>meiro de setembro.</p><p>• Palavras como último, penúltimo, antepe-</p><p>núltimo, anterior, posterior, derradeiro</p><p>e múltiplo, embora transmitam noção de</p><p>posição, devem ser consideradas adjetivos.</p><p>• Os numerais inferiores a 2.000 são lidos ou</p><p>escritos como ordinais.</p><p>Fernanda é a milésima octingentésima</p><p>vigésima oitava classificada (1.828ª).</p><p>• Quando superiores a 2.000, os numerais</p><p>devem ser lidos de forma mista, isto é, o</p><p>primeiro algarismo como cardinal e os de-</p><p>mais como ordinais.</p><p>Renato é o dois milésimo centésimo</p><p>quinto classificado (2.105º).</p><p>•	 Multiplicativos</p><p>Os numerais multiplicativos denotam aumen-</p><p>to proporcional por um múltiplo da unidade.</p><p>Os clubes propõem que o ingresso cus-</p><p>te o dobro do preço atual.</p><p>Você precisa beber o triplo de água.</p><p>A seguir, conheça alguns detalhes importan-</p><p>tes sobre os numerais multiplicativos.</p><p>•	 Duplo, dobro e triplo são os numerais</p><p>multiplicativos mais utilizados. Os demais</p><p>(quádruplo, quíntuplo, sêxtuplo, sétuplo,</p><p>óctuplo, nônuplo, décuplo, cêntuplo) ge-</p><p>ralmente são empregados em textos for-</p><p>mais. Em situações informais, são substituí-</p><p>dos pelo cardinal seguido da palavra vezes.</p><p>Meu time ganhou o campeonato esta-</p><p>dual dez vezes.</p><p>A banda remarcou a entrevista coletiva</p><p>duas vezes.</p><p>• Os numerais multiplicativos são flexiona-</p><p>dos em gênero e número na função adje-</p><p>tiva: Minha avó costuma tomar o remédio</p><p>em doses duplas.</p><p>105</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 105 24/08/20 16:34</p><p>No site Worldometers, você</p><p>tem acesso a estimativas</p><p>em tempo real sobre a po-</p><p>pulação mundial e a da-</p><p>dos de grande relevância,</p><p>como o volume de água</p><p>consumida no mundo.</p><p>N A V E G U E</p><p>O nome avos aparece quando o denominador de uma fra-</p><p>ção é maior que 10. Quando o denominador é abaixo de 10,</p><p>usamos os algarismos ordinais para a leitura — como em</p><p>1/12 (que se lê um doze avos). A palavra avos tem origem na</p><p>palavra latin octavus (em português, oitavo), que passou a</p><p>ser escrita oit’avos (para representar uma fração).</p><p>A P R E N D A M A I S</p><p>•	 Fracionários</p><p>Expressam a diminuição proporcional da quantidade, a sua divisão.</p><p>Naquele bairro, um terço da população vive abaixo do salário mínimo.</p><p>A seguir, conheça alguns detalhes importantes sobre os numerais fracionários.</p><p>• Os numerais fracionários devem concordar com os cardinais que os antecedem.</p><p>Comi dois quartos de maçã e um terço de melão.</p><p>• Para muitos numerais fracionários, utilizamos o cardinal seguido da palavra avos: onze avos,</p><p>treze avos, quinze avos e assim por diante.</p><p>• Além dos numerais fracionários, existem os numerais coletivos, que funcionam como subs-</p><p>tantivos coletivos, porém diferem destes por designarem um número de seres rigorosamen-</p><p>te exato: novena, dezena, década, dúzia, centena, cento, milhar, milheiro, par, lustro (pe-</p><p>ríodo de cinco anos; quinquênio), milhão, bilhão, trilhão.</p><p>O Recife tem aproximadamente 1,6 milhão de habitantes.</p><p>A Índia tem aproximadamente 1,4 bilhão de habitantes.</p><p>Atualmente, a população mundial gira em torno de 7,8 bilhões de pessoas.</p><p>• Na fala informal, normalmente empregamos numerais ordinais seguidos do substantivo parte</p><p>para expressar frações.</p><p>Estou na sétima parte do livro.</p><p>Esta é a quinta parte do valor do carro.</p><p>106</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 106 24/08/20 16:34</p><p>Classificação dos numerais</p><p>Algarismo Numeral cardinal Numeral ordinal</p><p>Numeral</p><p>multiplicativo</p><p>Numeral</p><p>fracionário</p><p>Romano Arábico</p><p>Indica quantida-</p><p>de precisa</p><p>Indica a ordem em</p><p>uma série</p><p>Indica a multiplica-</p><p>ção (múltiplo)</p><p>Indica a divisão</p><p>(partes do todo)</p><p>I 1 um primeiro (simples) —</p><p>II 2 dois segundo dobro, duplo meio, metade</p><p>III 3 três terceiro triplo terço</p><p>IV 4 quatro quarto quádruplo quarto</p><p>V 5 cinco quinto quíntuplo quinto</p><p>VI 6 seis sexto sêxtuplo sexto</p><p>VII 7 sete sétimo sétuplo sétimo</p><p>VIII 8 oito oitavo óctuplo oitavo</p><p>IX 9 nove nono nônuplo nono</p><p>X 10 dez décimo décuplo décimo</p><p>XI 11 onze décimo primeiro undécuplo onze avos</p><p>XII 12 doze décimo segundo duodécuplo doze avos</p><p>XIII 13 treze décimo terceiro treze vezes treze avos</p><p>XIV 14 catorze décimo quarto — catorze avos</p><p>XV 15 quinze décimo quinto — quinze avos</p><p>XVI 16 dezesseis décimo sexto — dezesseis avos</p><p>XVII 17 dezessete décimo sétimo — dezessete avos</p><p>XVIII 18 dezoito décimo oitavo — dezoito avos</p><p>XIX 19 dezenove décimo nono — dezenove avos</p><p>XX 20 vinte vigésimo — vinte avos</p><p>XXX 30 trinta trigésimo — trinta avos</p><p>XL 40 quarenta quadragésimo — quarenta avos</p><p>L 50 cinquenta quinquagésimo — cinquenta avos</p><p>LX 60 sessenta sexagésimo — sessenta avos</p><p>LXX 70 setenta septuagésimo — setenta avos</p><p>LXXX 80 oitenta octogésimo — oitenta avos</p><p>XC 90 noventa nonagésimo — noventa avos</p><p>C 100 cem centésimo cêntuplo centésimo</p><p>CC 200 duzentos ducentésimo — ducentésimo</p><p>CCC 300 trezentos trecentésimo — trecentésimo</p><p>CD 400 quatrocentos quadringentésimo — quadringentésimo</p><p>D 500 quinhentos quingentésimo — quingentésimo</p><p>DC 600 seiscentos sexcentésimo — sexcentésimo</p><p>DCC 700 setecentos setingentésimo — setingentésimo</p><p>DCCC 800 oitocentos octingentésimo — octingentésimo</p><p>CM 900 novecentos nongentésimo — nongentésimo</p><p>M 1.000 mil milésimo — milésimo</p><p>107</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 107 24/08/20 16:34</p><p>3. Pronome</p><p>Leia com atenção:</p><p>A professora Norma estava furiosa!</p><p>Ela</p><p>Esses alunos hoje estão com o capeta!</p><p>Eles</p><p>Nessas frases, os termos a professora Norma e esses alunos podem ser substituídos, respectiva-</p><p>mente, pelas palavras ela e eles. Essa é uma das principais funções das palavras que estudaremos</p><p>agora: os pronomes.</p><p>Chamamos de pronomes as palavras que substituem ou acompanham substantivos indican-</p><p>do-os como pessoas gramaticais envolvidas no ato comunicativo.</p><p>As pessoas gramaticais são:</p><p>Singular Plural</p><p>1ª pessoa eu nós Pessoa(s) que fala(m).</p><p>2ª pessoa tu vós Pessoa(s) com quem se fala.</p><p>3ª pessoa ele/ela eles/elas Pessoa(s) de quem se fala.</p><p>•	 Pronomes pessoais</p><p>Os pronomes pessoais são aqueles que substituem o substantivo, indicando as pessoas gramati-</p><p>cais. Observe:</p><p>Os alunos estavam fazendo barulho.</p><p>Substantivo</p><p>Eles estavam fazendo barulho.</p><p>3ª pessoa do plural</p><p>108</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 108 24/08/20 16:34</p><p>No quadro a seguir, organizamos os pronomes pessoais em dois grupos: os retos e os oblíquos.</p><p>Número Pessoa Retos Oblíquos átonos</p><p>(usados sem preposição)</p><p>Oblíquos tônicos</p><p>(usados com preposição)</p><p>Singular</p><p>1ª eu me mim, comigo</p><p>2ª tu te ti, contigo</p><p>3ª ele, ela o, a, lhe, se ele, ela, si, consigo</p><p>Plural</p><p>1ª nós nos nós, conosco</p><p>2ª vós vos vós, convosco</p><p>3ª eles, elas os, as, lhes, se eles, elas, si, consigo</p><p>Os pronomes pessoais oblíquos o, a, os, as se transformam quando se ligam a verbos terminados</p><p>em -r, -s, -z. Nesse caso, o verbo perde a última letra, e os pronomes ganham a letra l (lo, la, los, las).</p><p>A professora quis deixar os alunos quietos.</p><p>Substantivo Substantivo</p><p>Pronome pessoal do caso reto</p><p>Ela quis deixá-los quietos.</p><p>Pronome pessoal do caso oblíquo</p><p>Já quando se ligam a verbos terminados em som nasal (m, ão, õe,...), os pronomes o, a, os, as se</p><p>transformam em no, na, nos, nas.</p><p>Marcela já voltou das férias. Convidaram-na para a reunião?</p><p>Substantivo Pronome pessoal do caso oblíquo</p><p>Dão-nos apoio.</p><p>Pronome pessoal do caso oblíquo</p><p>Apesar de os pronomes pessoais indicarem a pessoa gramatical, como dissemos, eles não se re-</p><p>ferem, necessariamente, a pessoas. Na verdade, eles funcionam substituindo substantivos, e estes</p><p>nomeiam os seres em geral, lembra?</p><p>Observando a areia da praia, percebemos</p><p>que ela é formada por vários minerais soltos.</p><p>Substantivo Pronome pessoal</p><p>No Brasil, o pronome vós está praticamente em desuso. Ele aparece apenas em alguns gêneros</p><p>textuais e situações comunicativas, como na linguagem poética e em discursos muito formais. Na</p><p>prática, o pronome vós foi substituído por vocês. Da mesma forma, o seu correspondente oblíquo</p><p>(vos) também é usado raramente, sendo substituído pela forma a vocês, como em Eu disse a vocês.</p><p>Já o pronome nós é comumente substituído por a gente na língua falada brasileira.</p><p>109</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 109 24/08/20 16:34</p><p>A gente está estudando as rochas em Geografia.</p><p>O professor falou pra gente que rochas são agregados minerais.</p><p>Por fim, os pronomes conosco e convosco são substituídos pelas formas com nós (= com a gente)</p><p>e com vós caso estejam seguidos de palavra de reforço (todos, outros, mesmos, próprios, ambos,</p><p>numerais, etc.).</p><p>As crianças irão conosco. As crianças irão com nós dois.</p><p>Aos sábados, ele almoça conosco. Aos sábados, ele almoça com a gente.</p><p>Aos sábados, ele almoça com nós todos.</p><p>Dentro do grupo dos pronomes pessoais, existem alguns que empregamos para nos referirmos a</p><p>pessoas de maneira formal ou íntima (informal). São os chamados pronomes de tratamento. Veja</p><p>alguns exemplos desses pronomes.</p><p>Dona Norma é a professora de Português. A senhora Míriam está aguardando.</p><p>Deputada, vossa excelência foi reeleita. O magnífico reitor da UFPE está na sala.</p><p>Qual é a disciplina que a senhorita estuda mais? Seu Paulo, ainda tem pão francês?</p><p>Em quase todo o território brasileiro, o pronome você, usado como forma de intimidade, substi-</p><p>tuiu o pronome tu. Nesse caso, não se trata de uma forma de tratamento.</p><p>Você se dedicou pouco aos estudos, meu filho! Roberta, você pretende ir à praia?</p><p>•	 Pronomes demonstrativos</p><p>Os pronomes demonstrativos são usados, em geral, para indicar a posição dos substantivos em</p><p>relação às pessoas gramaticais. Observe os exemplos.</p><p>Neste momento, os alunos estão fazendo as provas finais.</p><p>(Situação no tempo — tempo presente em relação ao falante.)</p><p>O senhor já trabalha aqui há muito tempo. Como é essa experiência?</p><p>(Situação no contexto — o pronome retoma uma informação anteriormente fornecida.)</p><p>Vou fechar esta janela agora.</p><p>(Situação no espaço — a janela está perto do falante.)</p><p>Veja os pronomes demonstrativos abaixo, referentes às três pessoas do discurso.</p><p>Os pronomes demonstrativos</p><p>Pessoas Pronomes variáveis Pronomes invariáveis</p><p>1ª este, esta, estes, estas isto</p><p>2ª esse, essa, esses, essas isso</p><p>3ª aquele, aquela, aqueles, aquelas aquilo</p><p>110</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 110 24/08/20 16:34</p><p>Agora leia:</p><p>Não sabe</p><p>o tal besouro</p><p>que o tal tesouro</p><p>está pertinho.</p><p>JOSÉ, Elias. Segredinhos de amor. São Paulo: Moderna, 2001.</p><p>Nesses versos, observe que a palavra tal é utilizada para indicar o substantivo (besouro/tesouro),</p><p>por isso é considerada pronome demonstrativo. Também são demonstrativos mesmo(s), mesma(s),</p><p>próprio(s), própria(s).</p><p>Nós mesmos não acreditamos.</p><p>Ela própria preferiu voltar.</p><p>•	 Em relação ao espaço</p><p>Em relação ao espaço, os pronomes demonstrativos funcionam da seguinte forma:</p><p>Este, esta, estes, estas, isto indicam o que está perto de quem fala.</p><p>Estes documentos que estão comigo são falsos.</p><p>Este relógio pertenceu a meu avô.</p><p>Esse, essa, esses, essas, isso indicam o que está perto de quem ouve.</p><p>Esses documentos que estão com você são falsos.</p><p>Mamãe, qual é essa revista que está perto de você?</p><p>111</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 111 24/08/20 16:34</p><p>Essa noite vou sair com os meus melhores amigos.</p><p>(Futuro próximo)</p><p>Essa noite dormi mal; tive pesadelos horríveis.</p><p>(Passado próximo)</p><p>Aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo referem-se a um tempo remoto, bem anterior</p><p>ao momento em que se fala e podem se contrair com as preposições a, em e de.</p><p>Ele viveu em São Paulo, que, naquela época, ainda era um pequeno vilarejo.</p><p>Entregue os documentos àquela recepcionista.</p><p>Embarcaremos neste voo.</p><p>Lembra-se daquele livro sobre literatura?</p><p>•	 Os pronomes demonstrativos na fala</p><p>Em relação ao emprego dos pronomes demonstrativos na modalidade falada, existe uma realida-</p><p>de bastante diferente da modalidade escrita formal.</p><p>Esse, essa, esses, essas, isso marcam o tempo passado ou futuro relativamente próximo</p><p>em relação ao momento em que se situa o falante.</p><p>•	 Em relação ao tempo</p><p>Este, esta, estes, estas, isto indicam o tempo presente em relação ao falante.</p><p>Esta tarde (no dia de hoje), irei ao supermercado.</p><p>Este mês (no mês corrente), não houve novidades.</p><p>Pronomes demonstrativos</p><p>Masculino singular (plural) Feminino singular (plural) Neutro</p><p>1ª pessoa: este(s)/esse(s) (aqui) esta(s)/essa(s) (aqui) isto/isso (aqui)</p><p>2ª pessoa: este(s)/esse(s) (aí) esta(s)/essa(s) (aí) isto/isso (aí)</p><p>3ª pessoa: aquele(s) (lá/ali) aquela(s) (lá/ali) aquilo (lá/ali)</p><p>Aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo indicam o que está longe tanto de quem fala</p><p>quanto de quem ouve.</p><p>Aquelas pessoas lá me parecem amigas.</p><p>112</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 112 24/08/20 16:34</p><p>1. Na nossa comunicação, muitas vezes dizemos mais do que as palavras que utilizamos. É o que</p><p>podemos ver nas falas do personagem Hagar na tira abaixo.</p><p>A t i v i d a d e s</p><p>a. Pela compreensão global da tirinha, podemos afirmar que Hagar costuma lavar as mãos</p><p>antes das refeições? Explique.</p><p>Não. Na verdade, imaginamos que ele não costuma lavar as mãos antes das refeições porque,</p><p>para ele, isso só deve ser feito em ocasiões diferentes, como um jantar formal.</p><p>b. Que sentido as palavras o e um acrescentam ao substantivo jantar no primeiro e no segun-</p><p>do quadrinhos?</p><p>No primeiro quadrinho, o artigo indica a refeição cotidiana; já no segundo, o artigo indica um</p><p>jantar diferente.</p><p>2. Complete as lacunas desta fábula de Esopo com o, a, os, as, um, uma, uns, umas.</p><p>O burro, a raposa e o leão</p><p>O burro e a raposa fizeram uma parceria e foram buscar comida juntos. Após caminharem um</p><p>pouco, viram o Leão, que vinha na direção deles, o que deixou ambos terrivelmente assustados. Mas</p><p>a raposa pensou logo em uma forma de salvar sua própria pele e foi corajosamente até o Leão</p><p>sussurrar em seu ouvido:</p><p>113</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 113 24/08/20 16:34</p><p>3. Que lição moral podemos concluir a partir dessa fábula?</p><p>Sugestão de resposta: Trair um amigo muitas vezes é arruinar a si mesmo.</p><p>4. Você consegue perceber a diferença de sentido entre estas duas frases? Explique.</p><p>a. A metade da herança coube à esposa do falecido, e o restante foi dividido entre dois filhos.</p><p>b. A metade da herança coube à esposa do falecido, e o restante foi dividido entre os dois</p><p>filhos.</p><p>Em A, como o numeral dois não está determinado pelo artigo, não temos certeza de quantos</p><p>filhos o casal tinha. Sabemos apenas que dois filhos receberam a herança. Em B, o artigo deixa</p><p>claro que havia apenas dois filhos e que ambos receberam a herança.</p><p>5. Como vimos, os artigos são empregados sempre diante de substantivos, acompanhando-os</p><p>em gênero e número. Pensando nisso, escreva o substantivo dos parênteses que pode ser</p><p>usado pelo falante para:</p><p>a. Indicar o local onde nasce um rio. (o nascente – a nascente)</p><p>A nascente.</p><p>b. Indicar o lado onde o Sol nasce. (o nascente – a nascente)</p><p>O nascente.</p><p>c. Indicar a medida de massa. (o grama – a grama)</p><p>O grama.</p><p>d. Indicar o líder de um grupo de pessoas. (a cabeça — o cabeça)</p><p>O cabeça.</p><p>— Eu ajudo você a pegar o burro se você prometer não me devorar.</p><p>O Leão concordou, e a raposa voltou para junto de seu companheiro, convencendo-o em</p><p>pouco tempo a se esconder em uma vala, que uns caçadores haviam cavado para servir de arma-</p><p>dilha para animais selvagens.</p><p>Quando o Leão viu que o burro estava na vala e não tinha para onde fugir, foi para cima da</p><p>raposa e logo acabou com ela. Depois, prazerosamente, começou a banquetear-se com o burro.</p><p>SANTOS, Laura. Fábulas de Esopo. Recife: Prazer de Ler, 2014.</p><p>114</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd</p><p>114 24/08/20 16:34</p><p>Veneza</p><p>Constantinopla</p><p>Pérsia</p><p>Arábia</p><p>Índia</p><p>Mangi</p><p>Shang-lu</p><p>CataiKansu</p><p>Kashgar</p><p>Khorasan</p><p>Bokharia</p><p>Mar da</p><p>China</p><p>Oceano</p><p>Pacífico</p><p>Oceano Índico</p><p>Cipango</p><p>(Japão)</p><p>Champa</p><p>(Vietnã)</p><p>Etiópia</p><p>6. Leia o texto e responda às questões.</p><p>As incríveis viagens de Marco Polo e do árabe Ibn Battuta</p><p>Quando se fala das grandes viagens da História, o primeiro nome mencionado é o de Mar-</p><p>co Polo, comerciante de Veneza que, na segunda metade do século XI, percorreu quase toda</p><p>a Ásia até se fixar na China, onde se tornou amigo do imperador e viveu por alguns anos. Ele</p><p>escreveu um livro contando como era a Ásia. Graças ao seu Livro das maravilhas, os europeus</p><p>tomaram conhecimento das riquezas que existiam do outro lado do mundo. Marco Polo fale-</p><p>ceu aos 70 anos, em 1324.</p><p>Pouca gente ouviu, porém, falar do árabe Ibn Battuta, que, aos 21 anos, partiu de Tânger,</p><p>no Marrocos, norte da África, para a sua primeira grande viagem, no começo do século XIV,</p><p>em 1325, um ano depois da morte de Marco Polo. Ao longo de sua vida, ele percorreu 120 mil</p><p>quilômetros, uma distância três vezes maior que a percorrida por Marco Polo, que, no entanto,</p><p>é mais conhecido que ele [...].</p><p>MENEZES, Fernando. Divirta-se e aprenda. Recife: Prazer de Ler, 2008.</p><p>a. Segundo o autor do texto, o viajante mais famoso é Marco Polo. Quem vem depois dele?</p><p>Ibn Battuta vem depois.</p><p>b. Pela leitura do texto, há uma relação de ordem de popularidade entre Marco Polo e Ibn</p><p>Battuta. Qual palavra no início do texto é responsável por indicar essa ordem?</p><p>A palavra primeiro.</p><p>115</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 115 24/08/20 16:34</p><p>c. Qual é a classificação dessa palavra?</p><p>Numeral ordinal.</p><p>d. A palavra ele, no primeiro parágrafo,</p><p>está substituindo um termo expresso</p><p>anteriormente. Qual é esse termo?</p><p>Marco Polo.</p><p>e. Quando o autor afirma que Marco Polo</p><p>é mais conhecido que Ibn Battuta, está</p><p>procedendo a uma comparação. Qual é</p><p>esse tipo de comparação?</p><p>É o grau comparativo de superioridade do</p><p>adjetivo.</p><p>f. No segundo parágrafo, a palavra um é</p><p>artigo indefinido ou numeral? Justifi-</p><p>que.</p><p>É numeral, pois expressa relação de quan-</p><p>tidade.</p><p>7. Leia o texto e coloque C (contar), M (medir),</p><p>O (ordenar) ou CD (codificar) nos numerais</p><p>em destaque, indicando suas funções.</p><p>O caminhão modelo 1.519 de uma conhe-</p><p>cida fábrica alemã estabelecida no Brasil</p><p>é capaz de carregar até 15.000 kg e está</p><p>equipado com um motor de 190 cavalos-</p><p>-vapor de potência. É o 1º modelo de uma</p><p>série destinada ao mercado de veículos</p><p>pesados.</p><p>1.519 = CD / 15.000 = M / 190 = M / 1º = O</p><p>8. Segundo o IBGE, o Brasil possui aproxima-</p><p>damente 210.000.000 de habitantes. A</p><p>respeito desse número, responda.</p><p>a. Qual é o número de algarismos utiliza-</p><p>dos para escrever esse número?</p><p>É 9.</p><p>b. Quais algarismos utilizamos para repre-</p><p>sentá-lo?</p><p>Utilizamos 0, 2 e 1.</p><p>c. De que outra forma poderíamos repre-</p><p>sentar esse numeral?</p><p>Escrevendo-o por extenso: duzentos e dez</p><p>milhões.</p><p>d. Nessa informação, esse número foi uti-</p><p>lizado para contar, medir, ordenar ou</p><p>codificar?</p><p>Foi utilizado para contar.</p><p>9. Complete o texto abaixo com artigos de-</p><p>finidos, indefinidos ou numerais quando</p><p>necessário e responda ao que se pede.</p><p>Sou (1) um homem feliz. Amo muito</p><p>a minha família e tenho (2) a casa dos</p><p>meus sonhos. Nela, há (3) um quarto</p><p>grande para mim e minha esposa e outro</p><p>para nosso filho. Além disso, temos (4)</p><p>uma cozinha, (5) um jardim, (6) um</p><p>quintal e (7) uma varanda.</p><p>Após completar o texto, em qual(is)</p><p>lacuna(s) você empregou numerais?</p><p>Nas lacunas 3, 4, 5, 6 e 7.</p><p>10. Nas frases seguintes, os numerais não fo-</p><p>ram empregados no seu sentido usual, ou</p><p>seja, não representam quantidade. Entre-</p><p>tanto, todas estas orações fazem sentido.</p><p>Por que isso acontece? Discuta com os</p><p>seus colegas e com o professor.</p><p>a. 60 num bar, 70 sair 100 pagar, aí mando</p><p>a polícia 20 buscar.</p><p>116</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 116 24/08/20 16:34</p><p>b. 20 buscar 100 demora. 60 e vamos em-</p><p>bora.</p><p>c. 70 me passar, passe 100 atrapalhar.</p><p>d. Estou rezando 1/3 para encontrar 1/2</p><p>de ser feliz.</p><p>e. Eu sou U 1.000 D.</p><p>f. Vendo apartamento com 3/4.</p><p>Nessas frases, o sentido não se perde de-</p><p>vido à semelhança fonética entre os nu-</p><p>merais e as palavras que eles estão subs-</p><p>tituindo.</p><p>11. Muitas expressões idiomáticas utilizam</p><p>numerais. Em outros casos, os algarismos</p><p>são utilizados para descrever situações,</p><p>objetos, etc. Pense no que significam e</p><p>como podem ter surgido estas expressões.</p><p>a. Ele a conquistou com uma conversa 171.</p><p>b. Quero que ele vá pros quintos dos in-</p><p>fernos.</p><p>c. Quando criança, Van nunca pintou o</p><p>sete.</p><p>d. Lucas vive a mil.</p><p>e. Em Matemática, sou um zero à esquerda.</p><p>12. Complete as frases abaixo com o pronome</p><p>pessoal adequado. Observe o modelo.</p><p>Eu me canso rapidamente.</p><p>É possível encontrar outras respostas.</p><p>a. Ele se feriu.</p><p>b. Cada um faça por si mesmo a</p><p>redação.</p><p>c. O professor trouxe as provas</p><p>consigo .</p><p>d. Paula, quero me casar com você .</p><p>e. O cidadão se/me/te machucou.</p><p>f. Nós tentamos nos revezar duran-</p><p>te os turnos.</p><p>g. Tu te chamas Marcos?</p><p>h. Ele se esqueceu do convite?</p><p>i. Nós nos esquecemos da festa.</p><p>13. Leia.</p><p>Ele voltou — e veio bravo. El Niño, a inver-</p><p>são térmica que esquenta parte das águas</p><p>do Oceano Pacífico e muda o clima de</p><p>quase todo o Planeta, atingiu, na semana</p><p>passada, a temperatura mais alta desde os</p><p>anos 1980.</p><p>a. Observe que o texto começa com o pro-</p><p>nome ele e só depois designa o fenô-</p><p>meno a que esse pronome se refere.</p><p>Explique o efeito que o texto procura</p><p>produzir no leitor ao empregar tal re-</p><p>curso.</p><p>O texto emprega o pronome ele para se</p><p>referir a um termo posterior. Esse empre-</p><p>go visa a produzir no leitor expectativa,</p><p>curiosidade ou suspense em relação ao as-</p><p>sunto do texto.</p><p>b. Agora, reescreva o trecho mantendo as</p><p>frases na ordem apresentada e fazendo</p><p>apenas as adaptações necessárias para</p><p>que a expressão El Niño seja enunciada</p><p>anteriormente ao pronome.</p><p>El Niño voltou — e veio bravo. Esse fenô-</p><p>meno, que esquenta parte das águas do</p><p>Oceano Pacífico e muda o clima de quase</p><p>todo o Planeta, atingiu, na semana passa-</p><p>da, a temperatura mais alta desde os anos</p><p>1980.</p><p>117</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 117 24/08/20 16:34</p><p>D e s a f i o</p><p>1. Entre as sentenças, há uma em que o uso</p><p>do artigo definido é opcional. Identifique-a.</p><p>a. Ganhamos a bicicleta que queríamos.</p><p>b. Hoje telefonei para a Maria.</p><p>c. Este é o retrato de Dona Isabel.</p><p>d. Eu adoro o Rio de Janeiro.</p><p>e. Viajei para o Amazonas em janeiro.</p><p>2. (Enem) O dono de uma farmácia resolveu</p><p>colocar, à vista do público, o gráfico mos-</p><p>trado a seguir, que apresenta a evolução</p><p>do total de vendas (em reais) de certo me-</p><p>dicamento ao longo do ano.</p><p>vendas (R$)</p><p>mês</p><p>jan. fev. mar. abr. maio ago. set. out. nov. dez.jun. jul.</p><p>De acordo com o gráfico, os meses em que</p><p>ocorreram, respectivamente, a maior e a</p><p>menor venda desse medicamento foram:</p><p>a. Março e abril.</p><p>b. Março e agosto.</p><p>c. Agosto e setembro.</p><p>d. Junho e setembro.</p><p>e. Junho e agosto.</p><p>3. O texto a seguir foi retirado de um pros-</p><p>pect de divulgação de um hotel localizado</p><p>na cidade de Gramado, no Rio Grande do</p><p>Sul. Leia-o com atenção.</p><p>O hotel se encontra a 800 metros do Mini</p><p>Mundo e a 900 metros do Parque do Lago</p><p>Negro, entre tantos outros lugares que</p><p>Gramado oferece a você que busca diver-</p><p>são na beleza da Serra Gaúcha.</p><p>Agora, analise as afirmações a seguir.</p><p>I. Os numerais presentes no texto foram</p><p>utilizados com a intenção de mostrar ao</p><p>leitor que o hotel fica perto de dois im-</p><p>portantes pontos turísticos da cidade.</p><p>II. A intenção no emprego dos numerais é</p><p>sugerir ao leitor que para o turista che-</p><p>gar ao Mini Mundo e ao Parque do Lago</p><p>Negro precisará utilizar algum meio de</p><p>transporte.</p><p>III. Considerando a intenção comunicati-</p><p>va subjacente ao texto, a identificação</p><p>das distâncias em metros é mais ade-</p><p>quada que em quilômetros (0,8 km e</p><p>0,9 km), pois esta</p><p>“soa” mais distante.</p><p>Está correto o que se afirma em:</p><p>a. I, apenas.</p><p>b. II, apenas.</p><p>c. III, apenas.</p><p>d. I e III.</p><p>e. II e III.</p><p>118</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 118 24/08/20 16:34</p><p>4. Empregados antes de numerais, os artigos</p><p>indefinidos reforçam a noção de impreci-</p><p>são. Esse uso ocorre em todos os exem-</p><p>plos a seguir, exceto em:</p><p>a. Aquela professora tem uns 50 anos.</p><p>b. Ela ligou faz uns trinta minutos.</p><p>c. O professor se atrasou uma hora.</p><p>d. Havia umas mil pessoas no show.</p><p>e. Acho que ainda tenho uns mil reais</p><p>na conta.</p><p>5. Funciona como pronome a palavra desta-</p><p>cada em:</p><p>a. O professor ensina todos os dias.</p><p>b. Encontrei algumas camisas, mas</p><p>não as que procurava.</p><p>c. Os móveis que eu vi não eram assim,</p><p>eram bem mais simples.</p><p>d. Eu encontrei as meninas na praia no</p><p>domingo.</p><p>e. Nas novelas de televisão, o tema</p><p>que predomina é o amor.</p><p>6. Nas orações a seguir, marque AD para arti-</p><p>go definido e AI para artigo indefinido.</p><p>a. AI Uns professores não compareceram.</p><p>b. AD O bem sempre vence o mal.</p><p>c. AD A viagem vai durar quatro horas ou</p><p>mais.</p><p>d. AI Nesta loja, vendem-se uns produtos</p><p>importados.</p><p>e. AD Chegaram as encomendas.</p><p>f. AI Faremos uma viagem em novembro.</p><p>g. AD As aulas foram suspensas por causa</p><p>da chuva.</p><p>h. AI Escutei um barulho no quintal.</p><p>i. AD O jogo de ontem foi muito difícil.</p><p>7. Leia o trecho a seguir.</p><p>Com esta história eu vou me sensibilizar,</p><p>e bem sei que cada dia é um dia roubado</p><p>da morte. Eu não sou um intelectual, es-</p><p>crevo com o corpo. E o que escrevo é uma</p><p>névoa úmida.</p><p>LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.</p><p>Como podemos notar, vários pronomes fo-</p><p>ram utilizados no trecho lido. Assim, iden-</p><p>tifique:</p><p>a. Dois pronomes demonstrativos.</p><p>Esta e o.</p><p>b. Um pronome pessoal do caso reto.</p><p>Eu.</p><p>c. Um pronome pessoal do caso oblíquo.</p><p>Me.</p><p>8. Leia o texto:</p><p>Com o sistema de monitoramento por sa-</p><p>télite, dados e imagens de desmatamento</p><p>da Amazônia são transmitidos em tempo</p><p>real para o Ibama, que consegue fiscalizar</p><p>o desmatamento logo em seu início, ten-</p><p>do sido possível reduzir o ritmo do des-</p><p>matamento da Amazônia.</p><p>Para evitarmos a repetição do termo des-</p><p>tacado, poderíamos substituí-lo por um</p><p>pronome pessoal associado ao verbo. Nes-</p><p>se caso, o mais adequado seria utilizar:</p><p>a. Consegue-lo.</p><p>b. Fiscalizar-o.</p><p>c. Fiscalizá-lo.</p><p>d. Fiscaliza-o.</p><p>e. Consegue-o.</p><p>119</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 119 24/08/20 16:34</p><p>a. computador</p><p>b. comi</p><p>c. bone</p><p>Acentuação das palavras oxítonas</p><p>1. Como você sabe, as palavras oxítonas são aquelas em que a sílaba tônica é a última. Algumas</p><p>palavras oxítonas devem ser acentuadas graficamente, outras não. Utilizando seus conheci-</p><p>mentos prévios, identifique as palavras que recebem acento gráfico.</p><p>Q u e s t õ e s d e e s c r i t a</p><p>Agora responda: em quais situações as palavras oxítonas devem ser acentuadas graficamente?</p><p>Acentuamos as palavras oxítonas terminadas em -a(s), -e(s), -o(s) e -em(ens).</p><p>2. Analise estas frases:</p><p>I. A aluna sabia o assunto.</p><p>II. A aluna era muito sábia.</p><p>III. O sabiá fugiu da gaiola.</p><p>a. Considerando a posição da sílaba tônica, como se classifica a palavra destacada em cada</p><p>frase?</p><p>Tanto em I quanto em II, a palavra destacada é paroxítona. Já em III é oxítona.</p><p>b. Discuta com os seus colegas e o professor: podemos dizer que a presença ou não do acento</p><p>gráfico nas palavras destacadas é fundamental para a compreensão de cada frase?</p><p>Não. Na verdade, o sentido de cada frase é construído pelo leitor ao analisar toda a frase. As-</p><p>sim, a presença ou não do acento gráfico não interfere no sentido.</p><p>Acentuação das palavras paroxítonas</p><p>3. Agora veja:</p><p>Palavras oxítonas Palavras paroxítonas</p><p>Macapá mapa</p><p>chimpanzé parede</p><p>complô caderno</p><p>Palavras oxítonas Palavras paroxítonas</p><p>porém item</p><p>armazéns itens</p><p>d. rodapes</p><p>e. Amapa</p><p>f. guaranas</p><p>g. papel</p><p>h. cipos</p><p>i. ali</p><p>j. luar</p><p>k. caju</p><p>l. jilo</p><p>m. tabu</p><p>n. alguem</p><p>o. parabens</p><p>p. armazens</p><p>120</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 120 24/08/20 16:34</p><p>O que você observou sobre a acentuação dessas palavras?</p><p>As palavras paroxítonas que terminam de maneira igual às oxítonas acentuadas graficamente</p><p>não recebem acento gráfico. Ou seja, a palavra paroxítona que termina em -a(s), -e(s), -o(s),</p><p>-em ou -ens não recebe acento gráfico.</p><p>4. Leia com atenção as palavras a seguir e identifique as paroxítonas.</p><p>anel túnel ouvir arroz lousa cafezal guru menos</p><p>viver sonho azul líquen animal funil útil caráter</p><p>tórax corpo varal açúcar fóssil âmbar bíceps amar</p><p>imóveis álbum comum onda mágoa búzio delírio aconteceu</p><p>lado tremia glória confuso oásis acabou acredito pônei</p><p>você certo assim satisfaz minha Márcio língua dever</p><p>lombriga júri também margem interesse bônus miragem táxi</p><p>5. Agora, observe a terminação das palavras paroxítonas que recebem acento gráfico. O que po-</p><p>demos afirmar sobre elas em relação às palavras oxítonas acentuadas graficamente?</p><p>Acentuamos graficamente as palavras paroxítonas que não terminam em -a(s), -e(s), -o(s),</p><p>-em ou -ens.</p><p>6. Acentue as palavras abaixo (se necessário) e, em seguida, marque a opção correta quanto à</p><p>posição da sílaba tônica.</p><p>Oxítona Paroxítona Proparoxítona</p><p>Lapis X</p><p>Madeira X</p><p>Rapido X</p><p>Aracaju X</p><p>Entoou X</p><p>Paraiba X</p><p>Xadrez X</p><p>Interim X</p><p>Gramatica X</p><p>Controle X</p><p>Saiote X</p><p>Compreensão X</p><p>Onibus X</p><p>121</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 121 25/08/20 16:46</p><p>V e r b o</p><p>C A P Í T U L O 7</p><p>1. O que é um verbo?</p><p>O texto abaixo foi retirado de um livro didático de Ciências. Com ele, vamos procurar entender</p><p>o que são os verbos. Leia-o com atenção e analise o emprego das palavras destacadas com negrito.</p><p>Para iniciar o estudo dos verbos, vamos analisar o emprego deles no texto. Observe as frases a</p><p>seguir:</p><p>Todo ser vivo é formado por células.</p><p>Somos constituídos por células.</p><p>Os neurônios compõem o nosso cérebro.</p><p>O cérebro comanda todo o nosso corpo.</p><p>Alguns seres vivos são formados por uma única célula.</p><p>Nesses exemplos, podemos perceber, digamos, a principal característica formal dos verbos: so-</p><p>mente eles se articulam com os pronomes pessoais do caso reto. Você se lembra deles? São aquelas</p><p>palavras que substituem o substantivo e indicam as pessoas gramaticais:</p><p>De acordo com a Teoria Celular, todo ser vivo é formado por células, as menores unida-</p><p>des morfofuncionais capazes de garantir a vida. Ou seja, somos constituídos por célu-</p><p>las, milhões delas, formando nossa pele, nossos órgãos, enfim, todo o nosso corpo. Até</p><p>pensar sobre a célula só é possível por causa de um tipo específico dela, ou melhor, de</p><p>milhões delas, chamadas neurônios, que compõem o nosso cérebro, órgão que coman-</p><p>da todo o nosso corpo.</p><p>Alguns seres vivos, como as bactérias, são formados por uma única célula. Nesse caso,</p><p>dizemos que eles são unicelulares. Quando são formados por mais de uma célula, como</p><p>o ser humano, dizemos que são multicelulares, ou pluricelulares.</p><p>122</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 122 24/08/20 16:34</p><p>Se essas pessoas se juntarem a outras, teremos as formas do plural:</p><p>Veja alguns exemplos:</p><p>Todo ser vivo é formado por células.</p><p>Ele</p><p>_______ Somos constituídos por células.</p><p>Nós</p><p>Os neurônios compõem o nosso cérebro.</p><p>Eles</p><p>O cérebro comanda todo o nosso corpo.</p><p>Ele</p><p>Alguns seres vivos são formados por uma única célula.</p><p>Eles</p><p>Para perceber qual é a pessoa gramatical que se articula com um verbo, basta observar a sua</p><p>estrutura. Por enquanto, basta entender que, naturalmente, empregamos os verbos de acordo com</p><p>a pessoa gramatical com a qual eles se articulam.</p><p>Eu 1ª pessoa (quem fala).</p><p>Tu/você 2ª pessoa (com quem se fala).</p><p>Ele/ela 3ª pessoa (de quem se fala).</p><p>Nós eu + alguém.</p><p>Vós/vocês tu + alguém.</p><p>Eles/elas ele + alguém.</p><p>As pessoas gramaticais podem ser entendidas como “humanos” mesmo?</p><p>Não. A noção de pessoa aqui deve ser compreendida somente como um conceito grama-</p><p>tical.</p><p>R E F L I T A</p><p>123</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 123 25/08/20 16:35</p><p>Eu – viajarei, como, senti.</p><p>Tu – viajarás, comes, sentiste.</p><p>Ele – viajará, come, sentiu.</p><p>Nós – viajaremos,</p><p>comemos, sentimos.</p><p>Vós – viajareis, comeis, sentistes.</p><p>Eles – viajarão, comem, sentiram.</p><p>Essa relação entre os verbos e as pessoas gramaticais é o que chamamos de concordância verbal.</p><p>Nos textos, o termo que pode ser substituído por uma das pessoas gramaticais e se associa ao verbo</p><p>é o sujeito.</p><p>Veja outros exemplos:</p><p>Cláudia gosta de Ciências.</p><p>Sujeito → Relação de concordância 3ª pessoa – singular</p><p>Eu e Pedro estendemos o assunto.</p><p>Sujeito → Relação de concordância 1ª pessoa – plural</p><p>As hemácias são células do sangue.</p><p>Sujeito → Relação de concordância 3ª pessoa – plural</p><p>A bactéria é unicelular.</p><p>Sujeito → Relação de concordância 3ª pessoa – singular</p><p>Existem verbos, porém, que, apesar de possuírem a marca da 3ª pessoa (ele/ela), não admitem a</p><p>colocação do pronome pessoal, isto é, não se articulam com nenhuma pessoa gramatical. Por esse</p><p>motivo, esses verbos não possuem sujeito e são chamados de impessoais. Comumente, os verbos</p><p>impessoais indicam fenômenos da natureza, como nevar e chover.</p><p>Ele Nevou no Rio Grande do Sul.</p><p>Ele Chovia muito quando cheguei.</p><p>Os verbos são palavras que, além de possuir características bastante específicas, indi-</p><p>cam ação, estado, fato ou fenômeno da natureza.</p><p>Embora possamos perceber as marcas da 3ª pessoa nesses verbos, eles não realizam concordân-</p><p>cia. Por isso, são empregados sempre na 3ª pessoa do singular.</p><p>Até agora, vimos apenas características formais que marcam os verbos, mas, observando todos</p><p>esses exemplos, podemos defini-los também tendo em vista a sua função comunicativa. Nesse caso,</p><p>podemos dizer que:</p><p>124</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 124 24/08/20 16:34</p><p>2. Modos verbais</p><p>Os modos indicam as várias formas como um fato pode acontecer. São três os modos verbais:</p><p>•	 Indicativo – Indica um fato certo, que está acontecendo, aconteceu ou vai acontecer.</p><p>Hoje teremos prova.</p><p>Estamos chegando no fim do ano.</p><p>Entendi o que você falou.</p><p>•	 Subjuntivo – É usado para exprimir um fato incerto, hipotético, duvidoso, que pode não</p><p>acontecer.</p><p>Talvez você esteja certo.</p><p>Se você tivesse me escutado, ficaria tudo bem.</p><p>Quando nós estudarmos, você entenderá.</p><p>•	 Imperativo – Exprime ordem, conselho, pedido, proibição.</p><p>Estude todo o conteúdo para a prova!</p><p>Aproveitem para revisar o que estão com dúvida.</p><p>Não fale mais que o necessário.</p><p>3. Formas nominais dos verbos</p><p>Além das características que vimos até agora, dizemos também que os verbos podem ser em-</p><p>pregados como nomes, assumindo funções típicas principalmente dos substantivos e dos adjetivos.</p><p>O infinitivo, o particípio e o gerúndio são as formas nominais dos verbos, podendo ser facilmente</p><p>identificadas pelas seguintes terminações:</p><p>-r para o infinitivo jogar, comer, sair.</p><p>-do(a) para o particípio jogado, comido, saído.</p><p>-ndo para o gerúndio jogando, comendo, saindo.</p><p>A forma do infinitivo pode ser considerada um substantivo. Já o particípio e o gerúndio são co-</p><p>mumente adjetivos. Observe:</p><p>Fumar faz mal à saúde.</p><p>Infinitivo (Substantivo = o fumo)</p><p>Cantar me deixa feliz.</p><p>Infinitivo (Substantivo = o canto)</p><p>125</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 125 24/08/20 16:34</p><p>Muito tempo atrás, o verbo pôr era escrito com -er (poer). Com o passar dos anos, esse ver-</p><p>bo variou, passando a ser escrito (e falado) sem o fonema /e/. Por isso, o verbo pôr e seus</p><p>derivados (repor, propor, supor, etc.) pertencem à 2ª conjugação.</p><p>A P R E N D A M A I S</p><p>4. Tempos verbais</p><p>Na nossa comunicação diária, naturalmente situamos no tempo os fatos de que falamos. Assim, basi-</p><p>camente, temos:</p><p>•	 Presente – Sinto um pouco de dor de cabeça agora.</p><p>•	 Futuro – Sentirei dor de cabeça se não dormir bem.</p><p>•	 Passado – Senti dor de cabeça na semana passada.</p><p>•	 Presente</p><p>O tempo presente faz referência a fatos que se passam no momento em que falamos ou se pro-</p><p>longam no tempo.</p><p>Os seres vivos são formados por células.</p><p>Células procarióticas possuem o núcleo desorganizado.</p><p>As células eucarióticas têm núcleo organizado.</p><p>Essa bactéria não apresenta carioteca.</p><p>A Escherichia coli vive no organismo humano.</p><p>No infinitivo, os verbos só podem apresentar quatro terminações: -ar, -er, -ir ou -or. A identifica-</p><p>ção dessas terminações nos permite caracterizar as três conjugações dos verbos:</p><p>•	 1ª conjugação – verbos terminados em -ar, como andar, criar e imitar.</p><p>•	 2ª conjugação – verbos terminados em -er e -or, como escrever e repor.</p><p>•	 3ª conjugação – verbos terminados em -ir, como ouvir, sorrir e imprimir.</p><p>Maria está agitada.</p><p>Particípio → Função de adjetivo (qualifica o substantivo Maria)</p><p>Comida estragada prejudica o organismo.</p><p>Particípio → Função de adjetivo (qualifica o substantivo comida)</p><p>A panela está com água fervendo.</p><p>Gerúndio (Adjetivo = fervente)</p><p>126</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 126 24/08/20 16:34</p><p>Embora o tempo presente seja confundido normalmente com o momento da fala, não é bem</p><p>assim que acontece na prática. É mais adequado dizermos que o presente expressa, basicamente,</p><p>eventos ou estados atuais que podem ultrapassar o momento da fala. Existem duas formas de ex-</p><p>pressão do presente:</p><p>•	 Presente simples – É usado para exprimir um evento habitual, uma propriedade permanente ou</p><p>um estado permanente. Nos exemplos a seguir, observe que o evento ou estado descrito não vale</p><p>apenas para o momento presente, ele também abrange certa extensão do passado e do futuro.</p><p>Ela toca naquele bar toda sexta-feira. (evento habitual)</p><p>Estudo em um colégio religioso. (evento habitual)</p><p>Alice tem olhos claros. (propriedade permanente)</p><p>Sílvia é uma pessoa divertida. (estado permanente)</p><p>•	 Presente progressivo – É usado para exprimir um evento que se dá no momento da fala. É</p><p>empregado com o auxílio do verbo estar seguido do verbo principal no gerúndio.</p><p>Eles estão sentindo frio.</p><p>As células estão se multiplicando.</p><p>Ele está observando células vegetais.</p><p>•	 Futuro</p><p>O futuro, logicamente, faz referência a fatos que ainda não ocorreram.</p><p>Amanhã estudarei Ciências.</p><p>Amanhã vou estudar Ciências.</p><p>Eu estudaria Ciências se fosse necessário.</p><p>Esse tempo verbal pode ser empregado de três formas:</p><p>•	 Futuro simples – Também chamado de futuro do presente. O fato acontecerá depois do</p><p>presente.</p><p>Eu serei feliz.</p><p>•	 Futuro composto – O fato também acontecerá depois do presente. Essa forma é mais usual</p><p>que o futuro simples.</p><p>Eu vou ser feliz.</p><p>•	 Futuro condicional – Também chamado de futuro do pretérito. Indica ação que aconteceria</p><p>em relação a outra já passada.</p><p>Eu seria feliz se…</p><p>No português falado no Brasil, o futuro simples é usado basicamente em textos formais escritos.</p><p>Normalmente, indicamos fatos que acontecerão depois do presente por meio do futuro composto</p><p>(vou andar, vai telefonar, vamos entender, vão sair). Como você percebeu, esse tempo verbal é</p><p>formado com o auxílio do verbo ir seguido do verbo principal no infinitivo. Já o futuro condicional é</p><p>utilizado para indicar um evento que poderia acontecer sob algumas condições. Observe:</p><p>127</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 127 24/08/20 16:34</p><p>Eu escutaria você se não estivesse fazendo tanto barulho.</p><p>Condição</p><p>Você viria comigo se fosse cedo?</p><p>Condição</p><p>Seus pais entenderiam sua decisão se você conversasse com eles.</p><p>Condição</p><p>•	 Pretérito</p><p>Como dissemos, o pretérito faz referência a fatos que já aconteceram.</p><p>A Terra passou por um longo período sem vida.</p><p>A palavra célula veio do latim (cellula).</p><p>O cientista Robert Hooke comparou as células com as celas.</p><p>As celas eram os pequenos quartos onde os monges dormiam.</p><p>Há dois passados simples na língua portuguesa: o pretérito perfeito e o pretérito imperfeito. A</p><p>principal diferença entre essas duas formas de expressão do passado é a seguinte: o perfeito indica</p><p>um evento específico, pontual, e o imperfeito indica um evento habitual, que acontecia com fre-</p><p>quência.</p><p>Para entender bem essa diferença, basta analisar alguns exemplos:</p><p>1. Lucas viajou para o Canadá.</p><p>Pretérito perfeito</p><p>2. Lucas viajava para o Canadá.</p><p>Pretérito imperfeito</p><p>A frase 1 descreve uma viagem</p><p>única, e a 2 descreve um evento habitual. Em 1, os limites tempo-</p><p>rais do evento (início e fim) são definidos; já em 2 esses limites ficam em aberto.</p><p>O passado também pode se estender para o momento presente. Nesse caso, utilizamos o verbo</p><p>ter (no presente) seguido de um verbo no particípio.</p><p>Tenho feito muitas perguntas ao professor.</p><p>Tem chovido muito em Salvador.</p><p>Este ano tem sido muito bom.</p><p>Sílvia e Heitor têm viajado pelo mundo de barco.</p><p>Há, também, situações em que o verbo ter é empregado no pretérito seguido de uma forma de</p><p>particípio. Nesse caso, temos a indicação de eventos anteriores a outro evento também passado. Veja:</p><p>O aluno falou que tinha estudado todo o assunto.</p><p>Perceba que a ação de estudar todo o assunto ocorreu antes de o aluno falar sobre isso. Essa for-</p><p>ma verbal é uma evolução do pretérito mais que perfeito (estudara, fizera, etc.), que, atualmente,</p><p>não é de uso comum no português brasileiro, mesmo em textos cultos escritos.</p><p>128</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 128 24/08/20 16:34</p><p>A t i v i d a d e s</p><p>1. O texto que você vai ler agora explica detalhes interessantes sobre o ciclo de vida dos seres</p><p>vivos. Leia-o com atenção, procurando preencher as lacunas com verbos adequados. Impor-</p><p>tante: observe a pessoa gramatical que eles acompanham. Sugestão de resposta.</p><p>Ciclo de vida dos seres vivos</p><p>Os seres vivos, sem exceção, passam por mudanças ao longo de sua vida. Essas mudan-</p><p>ças são importantes para a perpetuação da espécie. Os indivíduos nascem , crescem,</p><p>reproduzem-se, envelhecem e morrem .</p><p>Chamamos essa sequência de fases de ciclo da vida. A duração desse ciclo pode variar</p><p>muito entre uma espécie e outra ou até mesmo entre indivíduos da mesma espécie. O principal</p><p>fator que determina a duração da vida, logicamente, são as condições do ambiente em</p><p>que vive o indivíduo, mas é possível estimar a duração média desse ciclo. Um</p><p>leão, por exemplo, vive em média 20 anos; um crocodilo, 80 anos; e um elefante pode</p><p>chegar aos 100 anos. Enquanto o ciclo de vida de um rato em geral não passa dos 4 anos;</p><p>um coelho vive aproximadamente 7 anos; e algumas bactérias completam seu ciclo em</p><p>30 minutos.</p><p>2. Que diferenças de sentido você identifica entre os seguintes pares de frases abaixo?</p><p>Na primeira frase de cada alternativa, a informação veiculada é permanente, constante, ou, no</p><p>caso do item IV, expressa uma ação já realizada. Já na segunda frase, a informação veiculada</p><p>tem valor progressivo ou passageiro.</p><p>I. Você é arrogante. Você está sendo arrogante.</p><p>II. Você gosta de estudar? Você está gostando de estudar?</p><p>III. Manaus é muito quente. Manaus está muito quente.</p><p>IV. Eu já saí. Eu estou saindo.</p><p>V. Este carro tem muitos problemas. Este carro está com muitos problemas.</p><p>129</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 129 24/08/20 16:34</p><p>3. Em cada par de frases a seguir, uma soará estranha. Procure explicar por quê.</p><p>Na primeira frase do item I e na segunda frase dos itens II e III, a construção do verbo ter acom-</p><p>panhado de particípio indica uma ação contínua, que perdura, o que constitui um problema</p><p>semântico.</p><p>4. Existem alguns verbos muito expressivos na língua portuguesa, como o verbo ter, que muitas</p><p>vezes substitui outros em muitos contextos. Nas frases seguintes, substitua o verbo ter por</p><p>outro cujo sentido seja mais específico. Faça as modificações necessárias.</p><p>a. O que tem nessa caixa?</p><p>O que há nessa caixa?</p><p>b. Eu tive um susto quando falei com você.</p><p>Eu senti um susto quando falei com você.</p><p>c. Ela tem um gato.</p><p>Ela cria um gato.</p><p>d. Na festa, ela tinha uma bela saia.</p><p>Na festa, ela vestia uma bela saia.</p><p>e. Eu não tinha como perguntar.</p><p>Eu não podia perguntar.</p><p>f. O passageiro não tinha o passaporte consigo.</p><p>O passageiro não portava o passaporte consigo.</p><p>g. Ele tem dois carros.</p><p>Ele possui dois carros.</p><p>5. Assim como o verbo ter, o verbo fazer também é muito expressivo. Nas frases a seguir, substi-</p><p>tua o verbo fazer por outro cujo sentido seja mais específico.</p><p>a. Meus amigos fizeram muito por mim.</p><p>Meus amigos me ajudaram muito.</p><p>I. Ele tem morrido do coração. Muitas pessoas têm morrido do coração.</p><p>II. Os alunos têm feito avanços. Os funcionários têm sido demitidos hoje.</p><p>III. Ele tem respirado melhor. Ele tem nascido hoje.</p><p>130</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 130 24/08/20 16:34</p><p>b. Fiz um quadro em duas horas.</p><p>Pintei um quadro em duas horas.</p><p>c. Fiz três casas em um terreno.</p><p>Construí três casas em um terreno.</p><p>d. Fazia bonecos de argila para vender.</p><p>Modelava bonecos de argila para vender.</p><p>e. Fizemos dois anos juntos.</p><p>Completamos dois anos juntos.</p><p>6. Complete as lacunas com uma das formas nominais dos verbos entre parênteses.</p><p>a. Beatriz vive dizendo que me admira bastante. (dizer)</p><p>b. Se você tivesse feito a pesquisa, não teríamos obtido nota baixa. (fazer)</p><p>c. Irei fazer o possível para comparecer à reunião. (fazer)</p><p>d. Está tudo comprovado , foram eles mesmos os culpados. (comprovar)</p><p>e. Está chegando o grande dia em que conheceremos a nova casa. (chegar)</p><p>f. Está tudo combinado , iremos mesmo ao cinema no domingo. (combinar)</p><p>g. Vamos ouvir todos os candidatos. (ouvir)</p><p>h. Ontem, nós acabamos definindo as metas do trabalho. (definir)</p><p>7. O tempo presente do modo indicativo pode ser empregado também para designar ações ver-</p><p>bais que ocorrem de maneira permanente, independentemente do momento da fala. Isso</p><p>pode ser verificado em:</p><p>8. O presente do indicativo comumente é usado para designar algo permanente, rotineiro, que</p><p>ultrapassa o momento presente. Avalie as sentenças abaixo e identifique aquela que não con-</p><p>firma esse posicionamento.</p><p>a. Corro 5 km por dia.</p><p>b. Sou filho de Maria.</p><p>c. O nosso corpo sua para regular a temperatura.</p><p>d. Sou professor.</p><p>e. Estou estudando português.</p><p>a. Ele perdeu o emprego de novo.</p><p>b. A água ferve a 100 °C.</p><p>c. Ela está dormindo.</p><p>d. Compramos um carro hoje.</p><p>e. Estou solteiro.</p><p>f. A Terra não é plana.</p><p>g. O Brasil fica na América.</p><p>h. Aquele rio está contaminado.</p><p>i. Os oceanos possuem grande biodi-</p><p>versidade.</p><p>131</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 131 24/08/20 16:34</p><p>9. Nos pares de frases a seguir, substitua o verbo destacado pela forma verbal equivalente. Ob-</p><p>serve a pessoa, o modo e o tempo.</p><p>Eu viajarei em março.</p><p>Nós viajaremos em março.</p><p>a. Iremos à praia no domingo.</p><p>Eu irei à praia no domingo.</p><p>b. Guilherme será um excelente procurador.</p><p>Eu serei um excelente procurador.</p><p>c. Quando tu chegaste, tudo melhorou.</p><p>Quando vocês chegaram , tudo melhorou.</p><p>d. Você estudou onde?</p><p>Vocês estudaram onde?</p><p>e. Ela prefere suco a refrigerante?</p><p>Tu preferes suco a refrigerante?</p><p>f. Estivemos separados por alguns anos.</p><p>João e Maria estiveram separados por alguns anos.</p><p>g. A população acredita neste candidato.</p><p>O povo acredita neste candidato.</p><p>h. O Rio Nilo foi fundamental para a civilização egípcia.</p><p>Os rios Tigre e Eufrates foram fundamentais para a civilização mesopotâmica.</p><p>i. Os fenícios se destacaram pela habilidade no comércio e nas navegações.</p><p>A civilização espartana se destacou , entre outras razões, pela rígida educação dos jovens.</p><p>j. Comi um bom peixe frito.</p><p>Eu e Paula comemos um bom peixe frito.</p><p>k. Não entendi muito bem o que você falou.</p><p>Júlio, Marcos e eu não entendemos o que vocês falaram .</p><p>l. Os professores disseram que todo aluno que alcançou a nota pode ficar em casa.</p><p>A professora disse que os alunos que alcançaram a nota mínima podem ficar</p><p>em casa.</p><p>132</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 132 24/08/20 16:34</p><p>D e s a f i o</p><p>Texto</p><p>1. O humor dessa tirinha acontece no últi-</p><p>mo quadrinho, quando Serafim responde</p><p>à pergunta feita pela Professora Norma de</p><p>maneira inesperada. Qual era a resposta</p><p>esperada por ela?</p><p>A professora esperava que a turma</p><p>perce-</p><p>besse que a forma verbal empregada na</p><p>frase Eu sou bonita estava flexionada no</p><p>presente.</p><p>2. Analise a frase abaixo.</p><p>Eu era bonita.</p><p>O que o modo e o tempo verbais nos co-</p><p>municam a respeito do processo verbal?</p><p>a. Possibilitam o entendimento de</p><p>que a ação verbal se iniciou no pas-</p><p>sado e se estende até o presente.</p><p>b. Indicam que a ação expressa pelo</p><p>verbo está em progresso, o que ca-</p><p>racteriza o presente progressivo.</p><p>c. Sugerem que o processo verbal acon-</p><p>teceria mediante algumas condições,</p><p>o que indica o emprego do futuro do</p><p>subjuntivo.</p><p>d. Permitem verificar que o processo</p><p>verbal teve certa duração no passa-</p><p>do e se concluiu.</p><p>e. Possibilitam a identificação do modo</p><p>imperativo, caracterizado pela ex-</p><p>pressão de uma ordem.</p><p>3. Leia:</p><p>Se eu disser “Eu sou bonita”, o que é</p><p>isso?</p><p>Sobre a forma verbal destacada, é correto</p><p>afirmar que:</p><p>a. Expressa uma ordem.</p><p>b. Indica uma condição.</p><p>c. Caracteriza certeza sobre a realiza-</p><p>ção da ação verbal.</p><p>d. Expressa o emprego do futuro com-</p><p>posto.</p><p>e. Indica a ocorrência definitiva de</p><p>uma ação que ocorrerá depois do</p><p>momento da fala.</p><p>133</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 133 24/08/20 16:34</p><p>Q u e s t õ e s d e e s c r i t a</p><p>Casos mais específicos de acentuação</p><p>1. Faça a separação silábica das palavras a</p><p>seguir.</p><p>a. egoísta – e-go-ís-ta</p><p>b. ruído – ru-í-do</p><p>c. saúde – sa-ú-de</p><p>d. soar – so-ar</p><p>e. Paraíba – Pa-ra-í-ba</p><p>f. joelho – jo-e-lho</p><p>g. baú – ba-ú</p><p>h. enjoo – en-jo-o</p><p>i. país – pa-ís</p><p>j. faísca – fa-ís-ca</p><p>k. doer – do-er</p><p>l. ruína – ru-í-na</p><p>m. reeleger – re-e-le-ger</p><p>n. viúva – vi-ú-va</p><p>o. moer – mo-er</p><p>p. maior – mai-or</p><p>2. Volte às palavras da questão anterior e res-</p><p>ponda: o que há de comum entre as palavras</p><p>acentuadas graficamente?</p><p>Em todas elas, as vogais i e u tônicas em</p><p>situação de hiato (sozinhas na sílaba ou</p><p>seguidas de s) receberam acento gráfico.</p><p>3. Agora, separe as sílabas das palavras abaixo.</p><p>a. rainha – ra-i-nha</p><p>b. ruim – ru-im</p><p>c. cair – ca-ir</p><p>d. Raul – Ra-ul</p><p>e. bainha – ba-i-nha</p><p>f. cauim – cau-im</p><p>4. Como você pôde ver, apesar de as vogais</p><p>i e u serem tônicas e formarem um hiato,</p><p>não receberam acento gráfico. Vamos for-</p><p>mular uma regra para esses casos?</p><p>As vogais i e u tônicas em situação de hia-</p><p>to, formando sílaba com as consoantes</p><p>m, l ou r, ou seguidas de nh, não recebem</p><p>acento gráfico.</p><p>A P R E N D A</p><p>M A I S</p><p>Muitas pessoas tendem a pronunciar</p><p>as palavras fluido e gratuito acentuan-</p><p>do um possível hiato (fluído e gratuíto),</p><p>mas, na escrita formal, é preciso perce-</p><p>ber que esse hiato não existe.</p><p>134</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 134 24/08/20 16:34</p><p>5. Leia as frases a seguir.</p><p>I. Ele tem 1 ano.</p><p>II. Eles têm 1 ano.</p><p>a. Em qual frase o pronome está flexiona-</p><p>do na 3ª pessoa do plural?</p><p>Na frase II.</p><p>b. Ao passar o pronome para o plural, o</p><p>que aconteceu com o verbo?</p><p>O verbo recebeu acento gráfico.</p><p>6. O verbo ter e seus derivados (reter, con-</p><p>ter, manter, etc.) seguem a mesma regra</p><p>de acentuação: na terceira pessoa do plu-</p><p>ral, eles devem ser grafados com acento</p><p>circunflexo. Observe:</p><p>Para sobreviver no deserto, os dromedá-</p><p>rios retêm gordura na corcova, não água,</p><p>como muitos pensam.</p><p>Agora, observe o emprego desses verbos</p><p>nas frases a seguir.</p><p>A caatinga mantém características seme-</p><p>lhantes às dos desertos.</p><p>A corcova do dromedário contém gordu-</p><p>ra, armazenada nos períodos de fartura.</p><p>O dromedário retém até 100 litros de água</p><p>em sua corrente sanguínea.</p><p>Como você pôde observar, nesses exem-</p><p>plos os verbos destacados receberam</p><p>acento agudo. Analisando a estrutura das</p><p>frases, explique: que diferença determi-</p><p>nou o emprego desse acento, e não o do</p><p>circunflexo?</p><p>Nesses casos, os verbos estão flexionados</p><p>na 3ª pessoa do singular.</p><p>7. Do mesmo modo que o verbo ter, outro</p><p>verbo que recebe acento circunflexo na</p><p>3ª pessoa do plural é o verbo vir e seus</p><p>derivados, como provir. Sabendo disso,</p><p>indique a alternativa em que o verbo está</p><p>grafado incorretamente.</p><p>a. Áreas da caatinga vêm sofrendo</p><p>com a desertificação.</p><p>b. Muitos turistas que visitam a caatin-</p><p>ga vem da zona da mata.</p><p>c. Espécies nativas da caatinga vêm</p><p>sendo ameaçadas de extinção.</p><p>d. O desgaste do solo da caatinga vem,</p><p>principalmente, do desmatamento.</p><p>e. A palavra caatinga vem do tupi, e</p><p>significa mata banca, mata espi-</p><p>nhenta.</p><p>8. Outra regra importante de acentuação é a</p><p>dos ditongos abertos ei, eu e oi. De acor-</p><p>do com essa regra, quando aparecem na</p><p>sílaba tônica de palavras oxítonas ou em</p><p>monossílabos tônicos, esses ditongos de-</p><p>vem receber acento agudo. Sabendo dis-</p><p>so, indique as palavras que devem receber</p><p>acento gráfico de acordo com essa regra.</p><p>a. Papeis.</p><p>b. Assembleia.</p><p>c. Apoia.</p><p>d. Ceu.</p><p>e. Heroi.</p><p>f. Heroico.</p><p>g. Hebreu.</p><p>h. Colmeia.</p><p>i. Entendeu.</p><p>j. Remoi.</p><p>135</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 135 24/08/20 16:34</p><p>E s t u d o d a s o r a ç õ e s</p><p>C A P Í T U L O 8</p><p>1. A oração e o período</p><p>No Capítulo 2, estudamos o conceito de frase. Para recordar esse conteúdo, leia a tirinha a seguir:</p><p>Nas mais diversas situações comunicativas, os enunciados que proferimos são ações verbais. Por</p><p>meio da fala ou da escrita, desempenhamos ações que se dão através das palavras. Analise a fala da</p><p>fisioterapeuta retirada do primeiro quadrinho.</p><p>Um exercício bem simples...</p><p>No contexto, percebemos que a fisioterapeuta desempenhou uma ação: ela incentivou Dona</p><p>Anésia a executar o exercício. Já no segundo quadrinho, a profissional ilustra para a paciente o mo-</p><p>vimento a ser desempenhado, o que esta recusa: Não consigo (no terceiro quadrinho). A fisiotera-</p><p>peuta procura incentivá-la mais uma vez: Mas a senhora nem tentou. Apesar da segunda tentativa,</p><p>no último quadrinho Dona Anésia recusa novamente, desta vez com uma afirmação inesperada, o</p><p>que desperta o humor da tira:</p><p>Tentei mentalmente e não consegui.</p><p>136</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 136 24/08/20 16:34</p><p>Essas ações que se dão por meio da palavra são o que chamamos de ato de fala. E o menor</p><p>ato de fala é a frase.</p><p>Também no Capítulo 2, vimos que as frases podem ser classificadas em dois grandes grupos:</p><p>•	 Frases de situação (ou incompletas) – Frases muito dependentes do contexto para serem</p><p>entendidas.</p><p>•	 Frases formalmente completas (ou períodos) – Frases que, em tese, possuem todos os</p><p>elementos necessários à sua compreensão.</p><p>Na tira, percebemos que a fala da fisioterapeuta no primeiro quadrinho (Um exercício bem sim-</p><p>ples...) é uma frase de situação. Caso ela seja retirada do contexto, não fará sentido por si só. Como</p><p>possui apenas nomes em sua estrutura, temos ali uma frase nominal. Outro exemplo de frase nomi-</p><p>nal é a placa Pilates, mesmo constituída de apenas uma palavra.</p><p>Por outro lado, as demais frases presentes na tira são formalmente completas, isto é, possuem</p><p>certa independência em relação ao contexto. Veja:</p><p>Anésia começou a fazer pilates.</p><p>A senhora vai tocar os seus pés com as mãos, assim.</p><p>Não consigo.</p><p>Mas a senhora nem tentou.</p><p>Tentei mentalmente e não consegui.</p><p>Como você pôde ver, todas as frases acima são estruturadas em torno de verbos, isto é, são frases</p><p>verbais ou períodos. Os períodos se classificam de duas formas:</p><p>•	 Simples – Apresentam apenas um verbo (ou locução verbal).</p><p>A senhora vai tocar os seus pés com as mãos, assim.</p><p>Não consigo.</p><p>Mas a senhora nem tentou.</p><p>Anésia é mal humorada.</p><p>Ela fez uma aula de pilates.</p><p>A P R E N D A</p><p>M A I S</p><p>No período A senhora</p><p>vai tocar os seus pés com</p><p>as mãos, assim, os verbos</p><p>destacados funcionam</p><p>como uma locução ver-</p><p>bal que corresponde ao</p><p>futuro composto (to-</p><p>cará). Por esse motivo,</p><p>trata-se de um período</p><p>simples.</p><p>•	 Compostos – Apresentam mais de um verbo.</p><p>Anésia pensou estar em boa forma física.</p><p>Tentei mentalmente e não consegui.</p><p>O pilates fortalece a musculatura e gera vários</p><p>benefícios.</p><p>Por apresentarem mais de um verbo, formalmente os períodos</p><p>compostos podem ser desmembrados em partes menores, cada</p><p>uma delas com um verbo. Observe:</p><p>137</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 137 24/08/20 16:34</p><p>Anésia pensou / estar em boa forma física.</p><p>3. A linguagem</p><p>Os códigos que utilizamos para nos comunicar constituem diferentes linguagens. Dizemos que a</p><p>linguagem é uma habilidade que desenvolvemos instintivamente. O instinto é um impulso incons-</p><p>ciente que faz os animais agirem de acordo com suas necessidades de sobrevivência. Assim, quando</p><p>aprendemos a falar, como as aves aprendem a voar, agimos guiados pelo instinto. Por essa razão, não</p><p>é preciso ir à escola para aprender a falar. Isso acontece espontaneamente nos bebês. Com o passar</p><p>do tempo, essa habilidade vai se desenvolvendo e, sem perceber, eles logo passam da produção de</p><p>palavras soltas à comunicação cada vez mais complexa.</p><p>Re</p><p>pr</p><p>od</p><p>uç</p><p>ão</p><p>Faz muito tempo que o ser humano começou a</p><p>falar. Mas não é possível dizer exatamente desde</p><p>quando, pois somente no início do século XX d.C.</p><p>foi inventado o primeiro gravador de voz. Ou seja,</p><p>ele não existia na Pré-História. Assim, o que te-</p><p>mos são pistas a respeito da “história da fala”. Um</p><p>exemplo são algumas estruturas do corpo encon-</p><p>tradas em fósseis. Nos Australopitecus, surgidos</p><p>há 4 milhões de anos, foram identificados, por</p><p>exemplo, centros cerebrais fundamentais para a</p><p>linguagem. Mas os chimpanzés possuem esses</p><p>mesmos centros, e não falam. Outro exemplo in-</p><p>teressante diz respeito a alguns vestígios arqueo-</p><p>lógicos ligados ao aparelho fonador. Cientistas</p><p>acreditam que, há cerca de 500 milhões de anos,</p><p>passamos a ter laringe comprida e alta, um traço</p><p>fundamental para a geração dos sons característi-</p><p>cos da fala. No entanto, o homem de Neandertal,</p><p>que viveu há aproximadamente 150 mil anos, não</p><p>possuía essa característica hoje existente na nos-</p><p>sa espécie, o Homo sapiens sapiens.</p><p>Acredita-se que os Australopitecus pos-</p><p>suíam estruturas cerebrais importantes</p><p>para a capacidade de se comunicar e já</p><p>andavam sobre duas pernas. Reprodu-</p><p>ção de um Australopithecus afarensis</p><p>em museu de Barcelona.</p><p>11</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 11 24/08/20 16:33</p><p>De outro lado, muitos estudiosos acreditam que a fala só pode ser entendida como tal quando os</p><p>sons adquirem significados e se tornam palavras.</p><p>Por fim, há estudiosos que preferem olhar para o que nossos ancestrais produziram. Segundo</p><p>eles, a padronização na fabricação de ferramentas na Pré-História se deu por causa do aperfeiçoa-</p><p>mento da fala. Por esse raciocínio, podemos entender que os seres humanos pré-históricos melho-</p><p>raram as suas ferramentas porque puderam trocar informações falando.</p><p>Linguagens não verbal e verbal</p><p>Tradicionalmente, dizemos que a linguagem pode se manifestar de duas maneiras: de forma não</p><p>verbal e de forma verbal, dependendo dos símbolos utilizados.</p><p>Embora essa distinção seja importante, na prática empregamos frequentemente uma linguagem</p><p>mista na qual utilizamos a linguagem verbal e a não verbal simultaneamente. Isso fica bem claro</p><p>quando falamos e gesticulamos ao mesmo tempo.</p><p>Toda comunicação não verbal pode ser transformada em linguagem verbal. Assim, a cor verde do</p><p>semáforo de trânsito, por exemplo, é codificada pela palavra siga.</p><p>Linguagem não verbal – Utiliza imagens, sons, sinais, etc. para comunicar. Exemplos:</p><p>semáforos de trânsito, desenhos, cores, gestos, mímica, etc.</p><p>Linguagem verbal – Utiliza palavras escritas ou faladas. Exemplos: um recado, uma</p><p>letra de música, uma conversa pelo telefone, etc.</p><p>4. O que são a língua e a gramática?</p><p>Certamente, você já ouviu dizer, ou mesmo acredita, que a língua portuguesa é muito difícil. Mas</p><p>o que seria uma língua difícil?</p><p>Para você, o que seria uma língua difícil?</p><p>Espera-se que o aluno identifique que línguas muito diferentes do português são difíceis de</p><p>aprender, como o alemão ou o japonês.</p><p>R E F L I T A</p><p>12</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 12 24/08/20 16:33</p><p>(1) Se eu fosse esse criminoso, passaria a noite em claro.</p><p>(2) Eu fosse se criminoso, em passaria noite a claro.</p><p>Vamos pensar um pouco sobre isso. Até ago-</p><p>ra, você já leu várias páginas deste livro e, cer-</p><p>tamente, está compreendendo tudo o que dis-</p><p>semos, não é? E nas suas conversas com seus</p><p>amigos? Você consegue entendê-los?</p><p>Na verdade, você e seus colegas são capazes de</p><p>falar sobre os mais variados temas e conseguem</p><p>se entender. Isso só acontece porque todos nós</p><p>possuímos um grande domínio da língua portu-</p><p>guesa. E esse domínio significa, entre outras coi-</p><p>sas, domínio das palavras, isto é, do vocabulário,</p><p>que nada mais é que um conjunto de símbolos.</p><p>No início deste capítulo, vimos que utilizamos</p><p>esses símbolos para interagir uns com os outros,</p><p>expressando nossas ideias, defendendo nossas</p><p>opiniões, perguntando, cantando, etc. Mas esses</p><p>símbolos não são ditos ou escritos de qualquer</p><p>modo. Quando os utilizamos, seguimos regras</p><p>de funcionamento. Essas regras contribuem</p><p>para o sucesso da nossa comunicação. Vamos</p><p>explicar isso com mais detalhe.</p><p>Leia o quadrinho a seguir.</p><p>Como dissemos, as palavras são organizadas de acordo com leis de funcionamento. Para enten-</p><p>der a importância dessas leis, observe a seguinte análise:</p><p>Evidentemente, podemos afirmar que, tanto em 1 quanto em 2, temos sequências formadas por</p><p>palavras da nossa língua. No entanto, apenas a sequência 1 permite uma compreensão. Isso acon-</p><p>tece porque, na sequência 2, as palavras estão fora de ordem. Enquanto na sequência 1 as palavras</p><p>estão ordenadas, na sequência 2 elas estão soltas. A ordenação das palavras, portanto, é fundamen-</p><p>tal para a produção de sentido.</p><p>Outra regra de funcionamento interessante diz que algumas palavras devem se combinar. Por</p><p>exemplo: em 1, o menino utilizou a palavra esse (não essa) para combiná-la com criminoso (esse</p><p>criminoso ≠ essa criminosa). Já outra regra diz que palavras como a podem ser empregadas antes</p><p>de noite (a noite), por exemplo, mas nunca antes de eu. Essas são apenas algumas das regras de</p><p>funcionamento da nossa língua.</p><p>13</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 13 24/08/20 16:33</p><p>O mais interessante é que, quando nos comunicamos, seguimos várias regras sem</p><p>perceber.</p><p>A língua é, portanto, um sistema de símbolos e de leis de fun-</p><p>cionamento que utilizamos para interagir uns com os outros. E</p><p>essas leis são o que chamamos, resumidamente, de “gramática”.</p><p>Por isso, sempre que nos expressamos, utilizamos regras grama-</p><p>ticais, mesmo sem perceber. Seria impossível nos comunicarmos</p><p>sem seguir regra nenhuma.</p><p>Mas a língua não é somente a sua gramática. A gramática é</p><p>apenas uma parte dela. Para compreendermos um texto, por</p><p>exemplo, vários fatores nos ajudam. Um deles, sem dúvida muito</p><p>importante, é o nosso conhecimento de mundo, a nossa expe-</p><p>riência. Foi esse conhecimento que nos ajudou a perceber o hu-</p><p>mor do quadrinho da página 13.</p><p>Já nos primeiros anos da infância, possuímos um domínio gran-</p><p>de sobre as regras da gramática da nossa língua. É esse contro-</p><p>le que nos permite expressar desejos, intenções, medos (tenho</p><p>sede; estou com fome; quero dormir; vou fazer xixi; etc.). Assim,</p><p>um dos papéis deste livro — e também da escola — é lhe ensinar</p><p>o que você ainda não sabe.</p><p>Então, se dominamos boa parte da gramática da nossa língua</p><p>desde a infância, não faz sentido pensar que falar português é</p><p>difícil. Essa ideia equivocada se deve ao fato de que, por muitos</p><p>anos, acreditou-se que, para saber se expressar bem, uma pes-</p><p>soa deveria saber decoradas todas as regras da gramática. Desse</p><p>modo, por muitos anos, as aulas de língua portuguesa eram so-</p><p>mente aulas de gramática. Para confirmar isso, basta perguntar</p><p>aos seus familiares mais velhos como eram essas aulas na épo-</p><p>ca deles. Eles lhe dirão que eram obrigados a decorar todas as</p><p>regras da gramática. E quem não se expressava de acordo com</p><p>essas regras era considerado ignorante. Como decorar é uma</p><p>tarefa muito chata, era normal pensar que o português fosse</p><p>uma língua difícil.</p><p>Uma comparação interessante nos ajudará a explicar melhor.</p><p>Imagine que a língua é um smartphone. Para utilizá-lo, não é ne-</p><p>cessário saber como os seus nanocircuitos funcionam, não é? Da</p><p>mesma forma, para se comunicar com as pessoas, você não pre-</p><p>cisa saber como funciona</p><p>Tentei mentalmente / e não consegui.</p><p>O pilates fortalece a musculatura / e gera vários benefícios.</p><p>Chamamos cada uma dessas partes de oração. A divisão do período composto em orações leva</p><p>em consideração alguns critérios formais que não precisamos estudar agora. Por enquanto, é neces-</p><p>sário apenas que você perceba um detalhe importante: quando isolada, uma oração pode não ser</p><p>compreendida. Observe isso nos exemplos anteriores.</p><p>No período composto, as orações podem se organizar de duas maneiras: por subordinação ou por</p><p>coordenação.</p><p>•	 Subordinação – É a relação de dependência estrutural que se estabelece entre as orações ao</p><p>longo do período.</p><p>Anésia pensou estar em boa forma física.</p><p>Oração principal Oração subordinada</p><p>Observe que, no período acima, a forma verbal começou apresenta sentido incompleto (Anésia</p><p>pensou o quê?). A oração estar em boa forma física, portanto, completa o sentido da oração princi-</p><p>pal. Você estudará a relação de subordinação entre as orações nos próximos anos.</p><p>•	 Coordenação – É a relação de independência estrutural que se estabelece entre as orações ao</p><p>longo do período.</p><p>Tentei mentalmente e não consegui.</p><p>Oração coordenada Oração coordenada</p><p>O pilates fortalece a musculatura e gera vários benefícios.</p><p>Oração coordenada Oração coordenada</p><p>2. O período composto por coordenação</p><p>Como vimos, a oração é coordenada quando não apresenta dependência sintática de outra ora-</p><p>ção. Ela é suficiente por si só. Ao longo do período, as orações mantêm relações de sentido, mas</p><p>não dependem estruturalmente umas das outras. No período a seguir, por exemplo, as orações se</p><p>encadeiam, mantendo uma relação de sentido de ordenação temporal (1 e 2) e de quebra de expec-</p><p>tativa (3). Observe:</p><p>138</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 138 24/08/20 16:34</p><p>Oração coordenada assindética 1</p><p>Oração coordenada assindética 2</p><p>Oração coordenada assindética 3</p><p>Ela se inscreveu para a aula, efetuou o pagamento, depois desistiu.</p><p>Já no período abaixo, há uma oração coordenada introduzida por um conector. Veja:</p><p>Conjunção Oração coordenada sindética</p><p>Cheguei e abri a porta.</p><p>Oração coordenada assindética</p><p>Nesse exemplo, a segunda oração é introduzida por uma palavra cuja função é conectá-la à oração</p><p>anterior: a palavra e. Por esse motivo, a segunda oração é classificada como coordenada sindética.</p><p>Além de conectar as duas orações, a palavra e também deixa clara a relação de sentido que se es-</p><p>tabelece entre as orações no período, isto é, uma relação de adição. Já no período a seguir, a oração</p><p>coordenada sindética expressa uma relação de oposição de ideias. Observe:</p><p>Conjunção Oração coordenada sindética</p><p>Corri muito, mas não me cansei.</p><p>Oração coordenada assindética</p><p>Já no período abaixo, a oração coordenada sindética expressa uma conclusão sobre o que se de-</p><p>clara na oração anterior.</p><p>Conjunção</p><p>Entrarei de férias em novembro, portanto poderei viajar para o Pantanal.</p><p>Oração coordenada assindética Oração coordenada sindética</p><p>Entre as orações 1 e 2, percebemos que há uma sequência de fatos cronológicos, como se os fa-</p><p>tos se somassem. Assim, seria natural que a oração 3 fosse uma continuidade dessa sequência. Mas</p><p>a oração 3 expressa uma quebra dessa ordem.</p><p>Dizemos que o período é composto por coordenação quando apresenta apenas orações coor-</p><p>denadas. As orações coordenadas podem vir acompanhadas de outra(s), mas são independentes</p><p>estruturalmente umas das outras. No período acima, observe que as orações são separadas por</p><p>vírgulas, sem o auxílio de uma palavra que as conecte. Nesse caso, dizemos que cada oração é coor-</p><p>denada assindética.</p><p>139</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 139 24/08/20 16:34</p><p>A t i v i d a d e s</p><p>1. Leia o quadrinho a seguir.</p><p>a. Quantas frases há na fala do padre? Classifique-as, utilizando as categorias nominal ou</p><p>verbal.</p><p>Há duas frases verbais.</p><p>b. Utilize a sua resposta ao item anterior na primeira lacuna e reflita: o que devemos escrever</p><p>na segunda lacuna para que a frase abaixo fique de acordo com o que estudamos?</p><p>Nesse quadrinho, temos duas frases verbais , logo temos dois períodos .</p><p>2. Se quiséssemos unir todas as frases da fala do padre em uma só, a mais adequada seria:</p><p>a. Vá buscar um verbo, portanto preciso de um para fazer uma oração.</p><p>b. Vá buscar um verbo, no entanto preciso de um para fazer uma oração.</p><p>c. Vá buscar um verbo, pois preciso de um para fazer uma oração.</p><p>d. Preciso de um verbo para fazer uma oração, vá buscar um verbo.</p><p>e. Preciso de um verbo para fazer uma oração, mas vá buscar um.</p><p>140</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 140 24/08/20 16:34</p><p>Texto 1</p><p>Serra da Capivara: aventuras e viagens à Pré-história do Brasil</p><p>Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, possui a maior concentração de sítios arqueológicos</p><p>das Américas</p><p>Durante milênios, as paredes dos sítios arqueo-</p><p>lógicos foram pintadas e gravadas por grupos hu-</p><p>manos, com diferentes características culturais.</p><p>Patrimônio Mundial da Unesco, o Parque Nacio-</p><p>nal Serra da Capivara reserva aos seus visitantes</p><p>aventuras e viagens na Pré-história do Brasil.</p><p>Localizado no sudeste do Piauí, o Parque Na-</p><p>cional Serra da Capivara tem serras, vales e pla-</p><p>nície, que abrigam fauna e flora específicas da</p><p>caatinga. Dentre as espécies encontradas, pode-</p><p>mos citar a onça-pintada, a onça-parda, o tatu-</p><p>-bola e o tamanduá-mirim.</p><p>Ao chegar ao parque, o visitante se depara</p><p>com um enorme e imponente paredão de areni-</p><p>to, além de várias cavernas e lagos subterrâneos.</p><p>No Parque, encontra-se a maior concentração de</p><p>sítios arqueológicos atualmente conhecida nas</p><p>Américas, com mais de mil sítios arqueológicos</p><p>pré-históricos cadastrados, muitos deles com pin-</p><p>turas rupestres. Nos abrigos, além das manifes-</p><p>tações gráficas, encontram-se vários vestígios da</p><p>presença do homem pré-histórico, com datações</p><p>de até 100 mil anos. A região abriga 173 sítios ar-</p><p>queológicos, e todos estão livres para visitação.</p><p>A visita completa aos circuitos abertos pode</p><p>ser feita em seis dias, incluindo-se o Sítio do Bo-</p><p>queirão da Pedra Furada, onde foram feitas as</p><p>primeiras escavações e as datações que atestam</p><p>a presença do homem pré-histórico no continen-</p><p>te americano. O sítio pode ser visitado também</p><p>à noite. Iluminada, a paisagem fica ainda mais</p><p>grandiosa. Todos os circuitos estão repletos de</p><p>sítios arqueológicos estruturados com escadas,</p><p>passarelas e acesso para pessoas com necessi-</p><p>dades especiais. A presença do condutor é obri-</p><p>gatória para todos os programas.</p><p>O Baixão das Andorinhas é um grande desfi-</p><p>ladeiro de onde se pode assistir, ao final da tar-</p><p>de, ao espetáculo da volta das andorinhas para o</p><p>fundo do Boqueirão. Na zona de amortecimento</p><p>do Parque, está instalada a Cerâmica Serra da</p><p>Capivara. As tradições dos povos ceramistas são</p><p>produzidas pela comunidade local, com peças</p><p>que reproduzem as pinturas rupestres encontra-</p><p>AN</p><p>DR</p><p>E</p><p>DI</p><p>B</p><p>|</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>141</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 141 24/08/20 16:34</p><p>3. Sobre a estrutura das frases presentes no</p><p>texto, é incorreto afirmar que:</p><p>a. O primeiro parágrafo do texto apre-</p><p>senta dois períodos simples.</p><p>b. No segundo parágrafo do texto, en-</p><p>contramos um período composto.</p><p>c. Em todo o texto, não encontramos</p><p>interjeições.</p><p>d. Por se tratar de um texto informa-</p><p>tivo, há um predomínio de frases</p><p>nominais.</p><p>e. No terceiro parágrafo, encontra-</p><p>mos somente períodos simples.</p><p>4. É exemplo de frase nominal:</p><p>a. Serra da Capivara: aventuras e via-</p><p>gens à Pré-história do Brasil.</p><p>b. O Parque Nacional Serra da Capiva-</p><p>ra, no Piauí, possui a maior concen-</p><p>tração de sítios arqueológicos das</p><p>Américas.</p><p>c. A região abriga 173 sítios arqueoló-</p><p>gicos abertos à visitação.</p><p>d. O sítio pode ser visitado também à</p><p>noite.</p><p>e. Iluminada, a paisagem fica ainda</p><p>mais grandiosa.</p><p>5. Sobre o último parágrafo do texto, pode-</p><p>mos afirmar que:</p><p>a. Tem dois períodos simples.</p><p>b. Há um período simples e um perío-</p><p>do composto.</p><p>c. É possível identificar três formas</p><p>verbais.</p><p>d. Há três orações.</p><p>e. Tem exemplos de duas frases de si-</p><p>tuação.</p><p>6. Releia este trecho, retirado do terceiro pa-</p><p>rágrafo:</p><p>A região abriga 173 sítios arqueológicos, e</p><p>todos estão livres para visitação.</p><p>Sobre esse período, analise as afirmações</p><p>que seguem.</p><p>I. Identificamos apenas duas orações.</p><p>II. Temos dois períodos simples.</p><p>III. Identificamos um período composto</p><p>por coordenação.</p><p>IV. Temos duas frases declarativas.</p><p>V. Temos duas orações coordenadas em</p><p>uma frase nominal.</p><p>Está correto o que se afirma apenas em:</p><p>a. I e II.</p><p>b. I e III.</p><p>c. II e V.</p><p>d. III e IV.</p><p>e. IV e V.</p><p>das nos sítios arqueológicos.</p><p>Na cidade de São Raimundo Nonato, a visita ao museu do Homem Americano é obrigatória, pois</p><p>lá estão expostas peças cerâmicas, urnas funerárias e material lítico resultantes das escavações fei-</p><p>tas no parque. Criado em 1986 para auxiliar os trabalhos arqueológicos realizados no Parque, atua</p><p>como importante centro de pesquisas. O museu apresenta as origens e a evolução do homem, além</p><p>de fazer uma reconstituição dos 50 mil anos da presença humana na região.</p><p>Com o clima semiárido e a vegetação de caatinga, as formações geológicas se misturam às paisa-</p><p>gens de serra, vales. Esse conjunto cria umas das mais belas vistas do local.</p><p>Disponível em: http://www.brasil.gov.br/turismo/2014/08/serra-da-capivara-aventuras-e-viagens-a-pre-historia-do-brasil. Acessado em:</p><p>04/09/2019. Adaptado.</p><p>142</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 142 24/08/20 16:34</p><p>D e s a f i o</p><p>Texto 1</p><p>1. As afirmações a seguir foram feitas com</p><p>base na tirinha acima. Analise-as.</p><p>I. O principal objetivo comunicativo da</p><p>tira é fazer humor a partir de fatos ba-</p><p>nais divulgados na Internet.</p><p>II. A intenção do autor é questionar a</p><p>imoralidade de publicações feitas na</p><p>Internet com objetivo humorístico.</p><p>III. A tira condena o uso da Internet pela</p><p>população com fins de divertimento,</p><p>não de pesquisa.</p><p>Está correto o que se afirma apenas em:</p><p>a. I. b. II.</p><p>c. III. d. I e II.</p><p>e. I e III.</p><p>2. Sobre a construção textual das falas dos per-</p><p>sonagens, analise as afirmações que seguem.</p><p>I. A fala presente no primeiro quadrinho</p><p>é um período simples.</p><p>II. No segundo quadrinho, temos um</p><p>exemplo de período composto.</p><p>III. A oração os jovens perderam os valo-</p><p>res morais é coordenada assindética.</p><p>IV. A palavra e, no primeiro quadrinho,</p><p>Disponível em: malvados.com.br/index1560.html. Acesso em: 31/01/2020.</p><p>atua como conector, expressando uma</p><p>relação de sentido de conclusão.</p><p>V. No último quadrinho, a fala do avô é</p><p>um período simples.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a. I e II, apenas.</p><p>b. I e IV, apenas.</p><p>c. II e V, apenas.</p><p>d. III e IV, apenas.</p><p>e. III e V, apenas.</p><p>3. Ainda sobre a tirinha, assinale a afirmativa</p><p>incorreta.</p><p>a. As falas dos personagens são todas</p><p>frases verbais.</p><p>b. No primeiro e no terceiro quadri-</p><p>nhos, o termo Hahaha funciona</p><p>como frase incompleta.</p><p>c. No segundo quadrinho, a vírgula po-</p><p>deria ser substituída pela palavra e,</p><p>sem alteração do sentido original.</p><p>d. No terceiro quadrinho, há um pe-</p><p>ríodo composto por subordinação.</p><p>e. No último quadrinho, temos duas</p><p>frases verbais.</p><p>143</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 143 24/08/20 16:34</p><p>Q u e s t õ e s d e e s c r i t a</p><p>Ortografia</p><p>No Capítulo 1, vimos que existem inúmeras variedades linguís-</p><p>ticas, devido ao caráter dinâmico das línguas. Entre elas, falamos</p><p>sobre a variante-padrão, ou norma culta, que, além de ser a mais</p><p>prestigiada dentro da sociedade, é a que padroniza certas regras</p><p>de expressão para contextos formais. Para proceder a essa padro-</p><p>nização, a norma culta estabelece um sistema oficial convencional</p><p>que representa (em parte) a língua na escrita. Esse sistema é ofi-</p><p>cial porque é aprovado por atos oficiais do governo e é convencio-</p><p>nal porque, como vimos no Capítulo 1, não há exata identificação</p><p>entre os fonemas e as letras que usamos para representá-los. O</p><p>fato de seguirmos o padrão formal de escrita não implica uma</p><p>pronúncia única para as palavras. Assim, dizemos que a ortografia</p><p>é a parte da gramática que estuda a padronização da escrita (uso</p><p>de letras e sinais gráficos) da norma culta. De posse dessas infor-</p><p>mações, discuta com os seus colegas e o professor: a ortografia é</p><p>realmente necessária? Registre suas conclusões em seu caderno.</p><p>Resposta pessoal.</p><p>A P R E N D A</p><p>M A I S</p><p>De maneira resumida, or-</p><p>tografia significa escrita</p><p>correta, o ramo de estudo</p><p>da língua que, obedecen-</p><p>do a uma série de regras,</p><p>padroniza a escrita das pa-</p><p>lavras. É ela que estabelece,</p><p>por exemplo, a forma casa</p><p>(com s) como certa, e não</p><p>caza, em todos os países lu-</p><p>sófonos — nações que têm</p><p>o português como língua</p><p>oficial. Entre as regras que</p><p>estabelecem a forma corre-</p><p>ta de escrever as palavras, a</p><p>principal delas é o respeito</p><p>à sua origem. Assim, a pala-</p><p>vra casa é escrita dessa ma-</p><p>neira devido à sua origem</p><p>latina, càsa (cabana, case-</p><p>bre), tendo aparecido pela</p><p>primeira vez em um texto</p><p>escrito em 1221.</p><p>1. Como dissemos, a ortografia é convencional. Às vezes, o fo-</p><p>nema representado por uma letra é basicamente o mesmo</p><p>representado por outra letra, como s e z em quisesse e fi-</p><p>zesse. Em vários casos, a dúvida sobre como escrever certas</p><p>palavras se resolve com uma regra básica:</p><p>Devemos respeitar sempre a origem das palavras.</p><p>Sabendo disso, responda: o certo é escrever larangeira ou</p><p>laranjeira?</p><p>De acordo com a regra vista, como essa palavra se originou de laranja (que é escrita com j),</p><p>deve também ser escrita com j: laranjeira.</p><p>2. Empregada no início ou no final das palavras, a letra h não tem valor fonético. Ela é escrita</p><p>apenas por uma questão etimológica. A palavra hoje, por exemplo, se escreve com h por causa</p><p>de sua origem latina, hodie. Pesquise e escreva a seguir palavras escritas com h.</p><p>Sugestão de resposta: hábil, haltere, harém, harmonia, harpa, haste, haver, herbáceo, hérnia,</p><p>herói, heterogêneo, hiato, hífen, hino, histérico, honra, hortênsia.</p><p>144</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 144 24/08/20 16:34</p><p>exatamente a gramática. Além disso, do</p><p>mesmo modo que existem os mais variados tipos de carro, exis-</p><p>tem inúmeras línguas pelo mundo, cada uma com o seu motor.</p><p>Isso quer dizer que</p><p>estudar a gramática é</p><p>uma tarefa inútil?</p><p>Não. Como a gramática</p><p>está presente em tudo</p><p>o que falamos e escre-</p><p>vemos, se conhecer-</p><p>mos bem o seu fun-</p><p>cionamento, teremos</p><p>ainda mais possibilida-</p><p>des para nos expressar.</p><p>R E F L I T A</p><p>Comunicar é a capacidade de se rela-</p><p>cionar com o outro por meio de sinais</p><p>(verbais ou não verbais). Assim, utili-</p><p>zamos essas linguagens para sermos</p><p>compreendidos.</p><p>fr</p><p>ee</p><p>pi</p><p>k.</p><p>co</p><p>m</p><p>14</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 14 24/08/20 16:33</p><p>5. Língua falada e língua escrita</p><p>A linguagem verbal pode ser falada ou escrita. Mas, embora todas as comunidades humanas</p><p>falem ao menos uma língua, nem todas possuem a modalidade escrita. Logicamente, a fala surge</p><p>primeiro que a escrita, que é uma consequência das necessidades comunicativas dos seus falantes.</p><p>Isso acontece desde a Pré-História.</p><p>Como vimos, os primeiros seres humanos possuíam uma forma de expressão artística essencial-</p><p>mente simbólica, a chamada arte rupestre, composta inicialmente pela pictografia.</p><p>Ao longo de milhares de anos, a escrita pictográfica foi se aperfeiçoando e, aos poucos, deixou de</p><p>utilizar apenas rabiscos e passou a combinar figuras que representassem ideias. Essa evolução levou</p><p>à escrita ideográfica. As letras que utilizamos hoje vêm dessa escrita.</p><p>Para alguns estudiosos da linguagem, as pinturas rupestres constituem a origem da nar-</p><p>ração, pois muitas delas representam verdadeiras cenas de ação. Por esse motivo, seriam a</p><p>origem também das histórias em quadrinhos.</p><p>A P R E N D A M A I S</p><p>Pintura rupestre feita em caverna na África do</p><p>Sul. Observe que os personagens desempe-</p><p>nham ações na cena.</p><p>Escrita ideográfica egípcia.</p><p>6. A língua e suas mudanças</p><p>Com o tempo, a escrita ideográfica foi sendo aperfeiçoada, passando a utilizar, também, símbolos</p><p>com os quais se procurava representar os sons da fala.</p><p>Podemos dizer que, atualmente, a escrita é uma representação exata da fala?</p><p>Resposta pessoal. Espera-se que o aluno perceba que ninguém fala exatamente como escreve.</p><p>R E F L I T A</p><p>15</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 15 25/08/20 16:39</p><p>Embora a língua oficial do nosso país tenha apenas um nome — português —, ela é, na verdade,</p><p>um grande conjunto das línguas que cada um dos brasileiros fala. Isto é, a língua passa por mudanças</p><p>o tempo inteiro: a forma como se fala em Ouro Preto (MG), por exemplo, é muito diferente daquela</p><p>que se fala em Olinda (PE). Essa diferença fica ainda mais evidente quando comparamos o português</p><p>brasileiro com o português europeu.</p><p>Por que as pessoas não falam exatamente igual umas às outras?</p><p>Vários motivos levam as pessoas a falarem de maneira diferente umas das outras. O mais óbvio é que nin-</p><p>guém é igual, isto é, todos somos diferentes! Há meninos e meninas com cabelo, cor de pele, religião, família,</p><p>origem, histórias, etc. diferentes.</p><p>R E F L I T A</p><p>A P R E N D A</p><p>M A I S</p><p>Como você certamente</p><p>sabe, o Brasil é o único</p><p>país da América do Sul</p><p>cuja língua oficial é o por-</p><p>tuguês. Em decorrência</p><p>da colonização espanho-</p><p>la, nossos vizinhos ado-</p><p>taram o espanhol como</p><p>idioma oficial. Somos,</p><p>portanto, linguisticamen-</p><p>te solitários por aqui, mas</p><p>não se engane: não se fala</p><p>português apenas em Por-</p><p>tugal e aqui. O português</p><p>é a língua oficial em nove</p><p>países de quatro conti-</p><p>nentes. São eles: Angola,</p><p>Brasil, Cabo Verde, Gui-</p><p>né-Bissau, Guiné Equato-</p><p>rial, Moçambique, Portu-</p><p>gal, São Tomé e Príncipe e</p><p>Timor-Leste.</p><p>Para entender melhor, volte aos dois primeiros anos da sua</p><p>vida. Talvez você não se lembre, mas foi nesses dois anos que você</p><p>aprendeu a falar. E quem lhe ensinou as primeiras palavras? Então,</p><p>boa parte da maneira como você fala foi “herdada” das pessoas</p><p>que ensinaram você a falar, as pessoas com quem você convivia. E</p><p>com quem essas pessoas, por sua vez, aprenderam a falar? Com as</p><p>pessoas com quem conviveram também. Então, nessa volta para</p><p>trás, que não terá mais fim, você voltará no tempo e verá que hoje,</p><p>por exemplo, muitas palavras de uso comum no passado ou desa-</p><p>pareceram ou são faladas somente por pessoas idosas.</p><p>Veja dois exemplos. Por volta do ano 1840, as pessoas ricas</p><p>pagavam uma fortuna para tirar um daguerreótipo, o tataravô da</p><p>fotografia, que você pode tirar hoje sem pagar nada no seu celu-</p><p>lar. E, por falar nisso, até a palavra celular tem hoje mais um sig-</p><p>nificado, bem diferente daquele que tinha quando foi empregada</p><p>pelo cientista inglês Robert Hooke, em 1665.</p><p>Esses dois exemplos são interessantes para entendermos uma</p><p>característica comum a todas as línguas: o fato de estarem em</p><p>permanente mudança. O tempo inteiro, os seres humanos estão</p><p>fr</p><p>ee</p><p>pi</p><p>k.</p><p>co</p><p>m</p><p>16</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 16 25/08/20 16:53</p><p>As mudanças pelas quais passa a socie-</p><p>dade se refletem na língua. Um exemplo:</p><p>palavras como açoitar, senzala, tronco, al-</p><p>forria, capitão do mato, quilombo, muca-</p><p>ma, sinhá, etc. eram muito comuns aqui no</p><p>Brasil enquanto durou a escravidão. Hoje,</p><p>praticamente não são usadas.</p><p>A cortiça é produzida a partir da casca</p><p>de uma árvore muito comum na Europa,</p><p>o sobreiro. Ela tem diversas finalidades</p><p>para a indústria, porém a mais comum é</p><p>a fabricação de rolhas.</p><p>A P R E N D A M A I S</p><p>Podemos listar várias outras palavras que há poucos anos não existiam ou possuíam significados</p><p>diferentes daqueles que possuem hoje, são os chamados neologismos: teclar, Internet, tablet, iPod,</p><p>shippar, mouse, etc.</p><p>Por outro lado, enquanto surgem os neologismos, há palavras que se tornam arcaísmos, isto</p><p>é, são cada vez menos usadas, como ceroula, vosmecê, outrossim, quiçá, alcaide, soer, soçobrar,</p><p>anuir, obséquio, etc. Tanto é assim que, certamente, você nunca ouviu (ou falou!) pelo menos uma</p><p>dessas palavras. Elas são usadas somente em situações formais muito específicas ou em textos cujo</p><p>principal objetivo é produzir humor, como ocorre na tirinha a seguir.</p><p>Plantação de sobreiros após a extração da</p><p>casca, destinada à produção de cortiças.</p><p>Ro</p><p>ss</p><p>He</p><p>le</p><p>n/</p><p>Sh</p><p>ut</p><p>te</p><p>rs</p><p>to</p><p>ck</p><p>.c</p><p>om</p><p>transformando o mundo. São invenções, modos de agir, descobertas que acontecem constantemen-</p><p>te, e, como tudo isso é novidade, precisa ser identificado com nomes novos.</p><p>Se a sociedade muda, a língua também sofre mudanças. A palavra daguerreótipo vem do nome</p><p>do seu inventor, o francês Louis Jacques Daguerre. Já a palavra célula surgiu quando Hooke observou</p><p>no microscópio que a cortiça era formada por pequenas cavidades fechadas, como se fossem minús-</p><p>culas celas. Hoje o termo célula designa a “unidade fundamental dos seres vivos”.</p><p>17</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 17 25/08/20 16:39</p><p>Tanto os neologismos quanto os arcaísmos são evidências de que as línguas mudam com o pas-</p><p>sar do tempo. Mas não é só isso. As línguas mudam também com as distâncias. Devido a fatores</p><p>culturais e históricos, no Rio de Janeiro, por exemplo, fala-se bôneco (boneco) e mênino (menino),</p><p>enquanto no Recife se fala bunécu e minínu. Essas são algumas características que marcam a forma</p><p>de falar dos cariocas e dos recifenses e que nos permitem identificar a sua origem. Chamamos essas</p><p>marcas de sotaque (pronúncia típica de uma região).</p><p>Outras formas de variação da língua são a gíria e o jargão. Nos dois casos, podemos dizer que a</p><p>língua sofre mudanças para caracterizar a forma de expressão de determinados grupos.</p><p>Na prática, tanto o jargão quanto a gíria devem ser utilizados tendo em vista a situação, isto é,</p><p>as pessoas envolvidas, o ambiente, as intenções comunicativas, etc. Em um congresso de médicos,</p><p>por exemplo, o jargão é adequado, pois os participantes se compreenderão mutuamente. Assim, na</p><p>mesma situação, a gíria será inadequada. Já o uso do jargão médico em uma consulta não é adequa-</p><p>do, pois, provavelmente, o paciente não entenderá.</p><p>Gírias – São palavras e expressões comuns na fala de surfistas, skatistas, rappers,</p><p>youtubers, etc. e empregadas como forma</p><p>de reconhecimento e afirmação por parte do</p><p>grupo. Como normalmente alguns desses grupos são alvo de preconceito por parte da</p><p>sociedade, isto é, são vistos de maneira negativa, muitas vezes associados à criminalida-</p><p>de (o que é um terrível engano!), suas gírias também são discriminadas.</p><p>Jargão – É um vocabulário associado a campos profissionais específicos e utilizado</p><p>como forma de identificação profissional. Ou seja, há palavras e expressões caracterís-</p><p>ticas da fala de médicos, advogados, engenheiros, políticos, policiais, etc. cujo signifi-</p><p>cado muitas vezes é incompreensível para aqueles que não exercem essas profissões.</p><p>18</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 18 25/08/20 16:46</p><p>Concluindo o que vimos até agora, podemos dizer que, em-</p><p>bora exista a norma culta, quando nos comunicamos por meio</p><p>de textos verbais (orais ou escritos) comumente utilizamos dife-</p><p>rentes variedades linguísticas. Esse uso depende, entre outros</p><p>fatores, das condições sociais, culturais e geográficas em que nos</p><p>encontramos. De forma resumida, concluímos que, ao nos ex-</p><p>pressarmos verbalmente, consideramos a pessoa com quem in-</p><p>teragimos, o local onde estamos, o assunto, nossa escolaridade,</p><p>a escolaridade dela, etc. Veja, a seguir, quatro tipos de variação</p><p>linguística.</p><p>Variação geográfica</p><p>Esta variação considera as características linguísticas dos luga-</p><p>res, como sotaque e vocabulário. No Brasil, percebemos que a</p><p>variação geográfica ocorre mesmo em diferentes áreas do mesmo</p><p>estado. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, percebemos</p><p>um sotaque específico, já em Fortaleza percebemos outro. Os ví-</p><p>deos indicados a seguir ilustram bem de forma humorada esse</p><p>tipo de variação.</p><p>Voo nordestino</p><p>(Bode Gaiato)</p><p>N A V E G U E</p><p>Um Português e um Bra-</p><p>sileiro Entram num Bar</p><p>(Unibes Cultural)</p><p>Disponível em: https://www.propagandashistoricas.com.</p><p>br/2019/12/petrolina-minancora.html. Acesso em: 13/12/2019.</p><p>Variação histórica</p><p>Todas as línguas naturais variam com o passar do</p><p>tempo. Essa variação fica bastante evidente quando le-</p><p>mos textos antigos. Até o século XVI, como não existia</p><p>uma padronização ortográfica, a escrita seguia a pro-</p><p>núncia. Assim, era muito comum encontrar num texto</p><p>uma mesma palavra grafada de formas variadas. Entre</p><p>o século XVI e o começo do século XX, houve uma cres-</p><p>cente busca de uniformização da escrita: passou-se a</p><p>escrever respeitando a origem das palavras. Na propa-</p><p>ganda a seguir, veiculada em 1940, percebemos algu-</p><p>mas palavras que, atualmente, são grafadas de maneira</p><p>diferente.</p><p>Variação sociocultural</p><p>A variação sociocultural ocorre em função dos gru-</p><p>pos sociais em geral, do grau de escolaridade das pes-</p><p>soas e do seu ambiente sociocultural. Exemplos claros</p><p>desse tipo de variação são as gírias e os jargões.</p><p>Re</p><p>pr</p><p>od</p><p>uç</p><p>ão</p><p>19</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 19 24/08/20 16:33</p><p>Variação situacional</p><p>A língua varia, também, de acordo com a situação comunicativa. Em situações formais, é mais ade-</p><p>quado o registro formal da língua, mas em situações informais não.</p><p>7. O preconceito linguístico</p><p>Para entender bem o que é o preconceito linguístico, uma boa estratégia será recorrer à etimologia</p><p>da palavra preconceito, isto é, à sua origem. Na nossa língua, a palavra conceito tem muitos sentidos.</p><p>Um deles é opinião, ponto de vista, como ocorre em Qual é o seu conceito sobre as pessoas que falam</p><p>fror, brusa, bicicreta? Diante de uma pergunta como essa, como qualquer outra, devemos pensar para</p><p>responder adequadamente. Então, vamos pensar um pouco?</p><p>O preconceito linguístico é o tema da tirinha a seguir. Analise-a.</p><p>Para você, as pessoas que falam pobrema, stombo, etc., em geral pertencem a que classe</p><p>social? Essas pessoas tiveram/têm a oportunidade de estudar? Essas pessoas são valoriza-</p><p>das socialmente? Por que será que falam dessa forma? Responda em seu caderno.</p><p>Resposta pessoal.</p><p>R E F L I T A</p><p>20</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 20 24/08/20 16:33</p><p>Como você pôde perceber, a personagem Do-</p><p>lores riu da maneira de falar de sua prima, não</p><p>dando importância à gravidade do seu problema</p><p>de saúde. Ao ser chamada à atenção por Dona</p><p>Anésia (terceiro quadrinho), arrependeu-se e te-</p><p>lefonou para a prima a fim de se desculpar.</p><p>Nesse caso, precisamos perceber que as pes-</p><p>soas que falam pobrema, stombo, bicicreta, etc.</p><p>em geral têm poucos anos de escolarização for-</p><p>mal. Por esses (e outros) motivos, são vistas fre-</p><p>quentemente de maneira negativa pelas pessoas</p><p>que possuem mais tempo de estudo. Portanto, é</p><p>preconceito dizer, por exemplo, que as pessoas</p><p>que falam dessa forma são menos inteligentes</p><p>ou pobres.</p><p>Assim, podemos dizer que o preconceito é</p><p>uma opinião antecipada, isto é, uma conclusão</p><p>à qual se chega sem reflexão.</p><p>Quando falamos sobre o que é uma língua no</p><p>início deste capítulo, partimos da ideia muito co-</p><p>mum de que o português seria uma língua difícil.</p><p>Passo a passo, mostramos que não é bem assim.</p><p>Na verdade, todas as línguas têm suas caracterís-</p><p>ticas. Vimos também que, logo na infância, apren-</p><p>demos muitas características da língua falada pela</p><p>sociedade da qual fazemos parte. E isso acontece</p><p>espontaneamente, no nosso dia a dia, sem que</p><p>precisemos ir à escola para tanto.</p><p>Seja qual for o lugar onde uma pessoa vive, ela</p><p>pertence à mesma espécie, a dos Homo sapiens</p><p>sapiens. Isso significa que tem o mesmo cérebro</p><p>que qualquer outra pessoa, dotado das mesmís-</p><p>simas capacidades. Assim, se um bebê nascido</p><p>em uma tribo indígena da Amazônia for levado</p><p>para a Inglaterra, aprenderá a falar inglês como</p><p>qualquer outro bebê nascido lá e vice-versa.</p><p>Desse modo, é normal sentirmos dificuldades</p><p>quando começamos a aprender uma língua nova,</p><p>pois não tivemos contato com ela nos primeiros</p><p>anos da infância. E essas dificuldades aumentam</p><p>quando a nova língua é muito diferente da nossa.</p><p>Por exemplo: o espanhol é parecido com o por-</p><p>tuguês, mas o japonês não. No espanhol, muitos</p><p>sons são semelhantes aos sons da nossa língua,</p><p>mas os sons produzidos na fala do japonês não</p><p>são. Por isso, dizemos que não existem línguas fá-</p><p>ceis ou difíceis, feias ou bonitas, ricas ou pobres.</p><p>Elas são, simplesmente, diferentes umas das ou-</p><p>tras. Todas as línguas têm suas características pró-</p><p>prias e atendem perfeitamente às necessidades</p><p>comunicativas dos seus falantes.</p><p>As línguas podem variar também quanto ao</p><p>nível de formalidade, dependendo da situação</p><p>comunicativa. Desse modo, se estou conversan-</p><p>do com meus amigos em uma festa, posso ser</p><p>informal, mas, se vou a uma entrevista de em-</p><p>prego, tenho de ficar atento para me expressar</p><p>de maneira formal, ou seja, de acordo com a nor-</p><p>ma culta (ou norma-padrão), que é a variedade</p><p>linguística utilizada pelas pessoas que possuem</p><p>maior escolaridade. A maneira como nos expres-</p><p>samos (formal ou informalmente) depende, por-</p><p>tanto, da situação. Devemos procurar falar ou</p><p>escrever sempre tendo em vista esse aspecto.</p><p>A linguagem formal e a informal são</p><p>variações da língua. É muito impor-</p><p>tante que o falante saiba adaptar o</p><p>seu discurso em diferentes contextos</p><p>de comunicação, principalmente para</p><p>garantir uma adequação linguística</p><p>em contextos mais formais.</p><p>fr</p><p>ee</p><p>pi</p><p>k.</p><p>co</p><p>m</p><p>21</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 21 24/08/20 16:33</p><p>A t i v i d a d e s</p><p>1. O texto que você vai ler agora é uma fábula atribuída a Eso-</p><p>po. Leia-o com atenção.</p><p>O cão e o pedaço de carne</p><p>Um cão estava atravessando um rio carregando um pedaço de</p><p>carne na boca quando, de repente, assustou-se com seu próprio</p><p>reflexo na água. O susto o fez pensar que era, na verdade, um</p><p>outro cão, carregando um pedaço de carne bem maior que o seu.</p><p>Imediatamente o cão soltou o pedaço de carne que carregava e</p><p>mergulhou para abocanhar o pedaço maior. Assim, o cão se arre-</p><p>pendeu profundamente de sua ação, pois o seu pedaço de carne</p><p>foi levado pela correnteza e o outro, de fato, não existia.</p><p>Moral: Cuidado com a cupidez.</p><p>Releitura da fábula atribuída a Esopo.</p><p>A P R E N D A</p><p>M A I S</p><p>Fábula é um gênero tex-</p><p>tual que apresenta carac-</p><p>terísticas bem definidas.</p><p>Com uma estrutura nar-</p><p>rativa</p><p>simples, os seus</p><p>personagens são sempre</p><p>animais que agem como</p><p>seres humanos, e seu ob-</p><p>jetivo é passar uma lição</p><p>moral. Seu narrador é</p><p>sempre observador.</p><p>Como vimos neste capítulo, utilizamos inúmeros símbolos na nossa comunicação diária. Es-</p><p>ses símbolos são os mais variados: vão das partículas que formam as palavras aos gestos, às</p><p>cores, aos sons e, até mesmo, ao silêncio. A produção de sentido de um texto se dá, neces-</p><p>sariamente, pela compreensão desses símbolos, que, por sua vez, devem fazer parte do seu</p><p>conhecimento de mundo. De posse dessas informações, responda às questões que seguem.</p><p>a. O que é uma lição moral?</p><p>Uma lição moral é um ensinamento.</p><p>b. Qual é o sentido da palavra cupidez, presente na moral dessa fábula?</p><p>A palavra cupidez significa ganância.</p><p>c. A cupidez normalmente tem um valor positivo ou negativo na nossa sociedade?</p><p>A sociedade, em geral, concebe a cupidez como uma postura negativa.</p><p>d. Identifique, no texto, a palavra utilizada para indicar quantidade. Que símbolo numérico</p><p>representa essa quantidade?</p><p>Um. O símbolo numérico que representa essa quantidade é 1.</p><p>22</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 22 25/08/20 16:37</p><p>2. Tendo o cuidado necessário para não mudar o sentido da lição moral presente nessa fábula, pode-</p><p>ríamos substituir a palavra cupidez por:</p><p>a. Cobiça. b. Desatenção.</p><p>c. Covardia. d. Rapidez.</p><p>e. Vontade.</p><p>3. Ainda há pouco, vimos que, quando nos comunicamos com alguém, expressamos ações. Vol-</p><p>tando à fábula O cão e o pedaço de carne, podemos afirmar que a sua lição moral é uma ação</p><p>que equivale a:</p><p>a. Uma pergunta. b. Uma informação.</p><p>c. Um conselho. d. Uma reclamação.</p><p>e. Um castigo.</p><p>4. Entendendo que a lição moral da fábula é uma ação, podemos afirmar que quem a executou foi:</p><p>a. O pedaço de carne maior. b. O narrador.</p><p>c. O cão. d. O leitor.</p><p>e. O cão que apareceu refletido na água.</p><p>5. Como vimos, sempre que nos expressamos verbalmente utilizamos regras gramaticais. No en-</p><p>tanto, a língua não é somente a sua gramática. Pensando nisso, discuta com os seus colegas e o</p><p>professor: só é possível uma pessoa escrever e falar bem se souber todas as regras da gramática</p><p>ensinada na escola? Responda no seu caderno.</p><p>6. Leia a tirinha abaixo.</p><p>Nessa tirinha, o humor é despertado devido à inadequação entre o modo de falar de um dos</p><p>personagens e a situação comunicativa. Pensando nisso, responda às questões propostas.</p><p>a. Analisando o contexto, você poderia dizer qual deles se expressou de maneira inadequada?</p><p>O cliente se expressou de maneira inadequada.</p><p>b. De acordo com o último quadrinho, podemos afirmar que houve comu nicação entre o gar-</p><p>çom e o cliente no primeiro quadrinho? Explique.</p><p>Não. O garçom não compreendeu o cliente, por isso não ocorreu comunicação.</p><p>23</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 23 24/08/20 16:33</p><p>7. Neste capítulo, conhecemos um pouco da história da escrita. Vimos como ela surgiu e acom-</p><p>panhamos sua evolução ao longo do tempo. Desde a sua origem, a escrita representou um</p><p>importante papel: o de registrar ideias, informações, histórias, etc. Diante disso, discuta, com</p><p>seus colegas e o seu professor:</p><p>Resposta pessoal.</p><p>a. Na nossa sociedade, a palavra falada tem o mesmo valor social que a palavra escrita?</p><p>b. Por que as pessoas que não dominam as normas da escrita “correta” são vistas frequente-</p><p>mente de forma preconceituosa?</p><p>c. Essa forma de discriminação faz sentido?</p><p>8. Como vimos, o Brasil é caracterizado, entre outras coisas, por possuir diferentes falares, isto</p><p>é, diferentes modos de falar a mesma língua. Isso pode ser percebido claramente no seu dia</p><p>a dia. Na sua sala de aula, por exemplo, existem colegas que certamente falam de maneira</p><p>diferente de você, utilizando palavras que talvez você não utilize. E o seu professor talvez em-</p><p>pregue palavras e expressões que nem você nem seus colegas falem. E mais: com o professor,</p><p>você fala de um jeito; mas, com seus avós, certamente fala de outro. Pergunte a pessoas adul-</p><p>tas da sua família quais palavras ou expressões elas usam comumente para se referir a um(a):</p><p>9. Considerando as diferenças entre linguagem oral e linguagem escrita, assinale a opção que</p><p>representa uma inadequação da linguagem usada à situação comunicativa.</p><p>a. “O carro bateu e capotô, mas num deu pra vê direito” — um pedestre que assistiu ao</p><p>acidente comenta com o outro que vai passando.</p><p>b. “E aí, ô meu! Como vai essa força?” — um jovem que fala para um amigo.</p><p>c. “Só um instante, por favor. Eu gostaria de fazer uma observação” — al guém comenta</p><p>em uma reunião de trabalho.</p><p>d. “Venho manifestar meu interesse em candidatar-me ao cargo de secretária-executiva</p><p>dessa conceituada empresa” — alguém que escreve uma carta candidatando-se a um</p><p>emprego.</p><p>e. “Porque, se a gente não resolve as coisas como tem que ser, a gente corre o risco de</p><p>termos, num futuro próximo, muito pouca comida nos lares brasileiros” — um professor</p><p>universitário em um congresso internacional.</p><p>a. Pessoa insegura demais.</p><p>Resposta pessoal.</p><p>b. Pessoa estudiosa.</p><p>Resposta pessoal.</p><p>c. Pessoa avarenta.</p><p>Resposta pessoal.</p><p>d. Mulher bonita.</p><p>Resposta pessoal.</p><p>e. Homem bonito.</p><p>Resposta pessoal.</p><p>f. Situação difícil.</p><p>Resposta pessoal.</p><p>g. Roupa esquisita.</p><p>Resposta pessoal.</p><p>h. Trabalho muito cansativo.</p><p>Resposta pessoal.</p><p>24</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 24 24/08/20 16:33</p><p>D e s a f i o</p><p>1. De acordo com o que estudamos neste capítulo, podemos entender que a fala do menino:</p><p>a. É errada, porque é inadmissível em qualquer situação.</p><p>b. Não é errada, é apenas diferente da língua-padrão.</p><p>c. É errada, pois é diferente da língua-padrão.</p><p>d. É adequada para estabelecer comunicação em qualquer contexto.</p><p>e. É perfeitamente aceitável em qualquer situação.</p><p>2. Ainda sobre a tirinha, analise as afirmações abaixo.</p><p>I. A língua falada pelo menino é um exemplo de variação linguística, um fenômeno que ocorre</p><p>em todas as línguas.</p><p>II. Não há razão para a professora criticar a fala do aluno, pois é um exemplo de um fenôme-</p><p>no comum a todas as línguas: a variação.</p><p>III. A fala de Zeca deve ser discriminada, pois é errada.</p><p>IV. Zeca fala errado porque não aproveitou o que aprendeu na escola.</p><p>V. A professora está certa ao chamar a atenção do aluno, pois devemos nos expressar sem-</p><p>pre de acordo com a gramática normativa.</p><p>Está correto o que se afirma apenas em:</p><p>a. I e II.</p><p>b. II e III.</p><p>c. IV e V.</p><p>d. I e V.</p><p>e. III e IV.</p><p>Texto 1</p><p>25</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 25 24/08/20 16:33</p><p>3. Analise as afirmações a seguir.</p><p>I. O menino foi entendido pela professora, embora não tenha se expressado conforme a</p><p>norma culta.</p><p>II. A professora não entendeu o menino, por isso o repreendeu.</p><p>III. O efeito de humor é resultado do mau emprego de algumas palavras no primeiro quadrinho.</p><p>IV. No terceiro quadrinho, a explicação dada pela professora mostra que ela ensina a norma</p><p>culta, por isso o aluno se expressou de maneira informal.</p><p>V. A intenção da tira é mostrar que algumas pessoas são preconceituosas, apesar de pensa-</p><p>rem que não.</p><p>Está correto o que se afirma apenas em:</p><p>a. I e III.</p><p>b. I e V.</p><p>c. II e III.</p><p>d. II e IV.</p><p>e. IV e V.</p><p>Texto 2</p><p>Na verdade, as pessoas cujas habilidades linguísticas são mais gravemente subestimadas</p><p>estão bem aqui, na nossa sociedade. Os linguistas constantemente topam com o mito de que</p><p>a classe trabalhadora e os membros menos educados da classe média falam uma linguagem</p><p>mais simples e menos refinada. Trata-se de uma ilusão perniciosa decorrente da naturalidade</p><p>da conversação.</p><p>PINKER, Steven. O instinto da linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2004.</p><p>4. Com base no Texto 2, um aluno do 6º ano tirou as seguintes conclusões.</p><p>I. No termo ilusão perniciosa, a palavra perniciosa poderia ser substituída, sem alteração de</p><p>sentido, por silenciosa.</p><p>II. O texto ilustra um caso de preconceito linguístico, uma forma de discriminação muito co-</p><p>mum na nossa sociedade.</p><p>III. Os trabalhadores e os membros menos escolarizados da classe média falam uma lingua-</p><p>gem mais simples porque não cultivam o hábito da leitura.</p><p>IV. Por ser natural,</p><p>a conversação é vista frequentemente de maneira negativa.</p><p>V. A conversação natural prejudica a língua portuguesa, pois torna naturais os erros cometi-</p><p>dos na fala.</p><p>Está correto o que se afirma apenas em:</p><p>a. I e III.</p><p>b. I e V.</p><p>c. II e III.</p><p>d. II e IV.</p><p>e. IV e V.</p><p>26</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 26 24/08/20 16:33</p><p>Q u e s t õ e s d e e s c r i t a</p><p>Fonema e letra</p><p>1. Leia em voz alta as palavras abaixo.</p><p>(1) banca (2) banco (3) branco (4) anciã (5) hoje (6) chover (7) carro (8) táxi</p><p>Para falar, proferimos sons. Mas esses sons não são produzidos isoladamente — eles são pro-</p><p>duzidos em grupos que se combinam. Assim, pronunciamos as palavras. Os sons que utiliza-</p><p>mos para falar são chamados de fonemas. Já os sinais gráficos que utilizamos para representar</p><p>esses sons na escrita são chamados de grafemas, ou, simplesmente, letras.</p><p>a. Entre as palavras 1 e 2, há algum fonema diferente?</p><p>Sim. Os fonemas finais /a/ e /o/. É importante chamar a atenção da turma para o fato de que,</p><p>para assinalar os fonemas na escrita, utilizamos barras.</p><p>b. E, entre as palavras 2 e 3, há algum fonema diferente?</p><p>Sim. Na palavra 3, há o fonema /r/ a mais.</p><p>c. Os fonemas são importantes para a diferenciação entre as palavras?</p><p>Sim.</p><p>d. Na palavra 4, analise a presença da letra a. Ela representa o mesmo fonema?</p><p>Sim.</p><p>e. Na palavra 5, a letra h representa algum fonema?</p><p>Não.</p><p>f. Com base na análise feita até aqui, como você definiria o que é um fonema?</p><p>Espera-se que o aluno conclua que fonema é o som distintivo.</p><p>g. Em qual(is) palavra(s) há mais letras que fonemas?</p><p>h. Em qual(is) palavra(s) há mais fonemas que letras?</p><p>Na palavra 8.</p><p>Nas palavras 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7. É importante notar que atividades como esta, que avaliam a dualidade entre fo-</p><p>nemas e grafemas, levam, necessariamente, às noções de encontro consonantal e dígrafo, que serão trabalhadas</p><p>adiante.</p><p>27</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 27 24/08/20 16:33</p><p>Classificação dos fonemas</p><p>2. Os fonemas são classificados em duas categorias principais:</p><p>vogais e consoantes. As vogais se caracterizam pelo fato de</p><p>não encontrarem obstáculos no nosso aparelho fonador</p><p>quando são pronunciadas. Ou seja, o ar passa livremente</p><p>pela nossa boca. Já as consoantes são identificadas como</p><p>ruídos, pois, para pronunciá-las, colocamos algum obstácu-</p><p>lo à passagem do ar no nosso aparelho fonador.</p><p>Analise o uso da letra a nas palavras 1 e 8 da questão 1 e</p><p>responda às perguntas abaixo.</p><p>a. Essas letras representam sons vocálicos ou consonantais?</p><p>Sons vocálicos.</p><p>b. Podemos afirmar que as letras representam fielmente os</p><p>fonemas? Explique.</p><p>Não. As letras, na verdade, são tentativas de representação dos fone-</p><p>mas. Nesta etapa, optamos por não levar aos alunos a noção de alofo-</p><p>ne. Acreditamos que tal conceituação é inadequada para o ano. Apesar</p><p>disso, é importante levá-los a observar que a oralidade é um dos terre-</p><p>nos mais férteis para a percepção da variação linguística.</p><p>A P R E N D A</p><p>M A I S</p><p>Existem alguns exem-</p><p>plos bastante claros para</p><p>ilustrar que as letras não</p><p>representam os sons fiel-</p><p>mente. Observe:</p><p>1. Uma mesma letra pode</p><p>representar mais de um</p><p>fonema.</p><p>exame → sexto →</p><p>próximo</p><p>2. Um mesmo fonema</p><p>pode ser representado</p><p>por letras diferentes.</p><p>cela → sela</p><p>casa → cozinha → êxito</p><p>3. Existem letras que não</p><p>são representadas por</p><p>fonemas.</p><p>canto(cãto) → aqui(aqi)</p><p>→ homem(ômen)</p><p>O alfabeto</p><p>3. Ao conjunto de letras que utilizamos na língua escrita, damos o nome de alfabeto. O nosso al-</p><p>fabeto conta, atualmente, com 26 letras, ordenadas de maneira específica, a chamada ordem</p><p>alfabética. Observe.</p><p>Alfabeto minúsculo</p><p>a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z</p><p>Alfabeto maiúsculo</p><p>A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z</p><p>28</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 28 25/08/20 16:40</p><p>Aponte ao menos três utilidades da ordem alfabética no nosso dia a dia.</p><p>A ordem alfabética é utilizada, por exemplo, na lista da chamada, nos dicionários, no gerencia-</p><p>mento de estoques e em listas de nomes próprios.</p><p>4. Pesquise palavras escritas com as letras k, w e y.</p><p>Resposta pessoal. Sugestão de resposta: kiwi, wi-fi e yoga.</p><p>Com a incorporação das letras k, w e y ao nosso alfabeto após o novo Acordo Ortográfico da</p><p>Língua Portuguesa, de 2008, precisamos fazer algumas distinções.</p><p>Consideramos o k sempre consoante, como o c antes de a, o e u e o dígrafo qu de querer.</p><p>Em palavras de origem inglesa, o w é pronunciado como u (whisky, watt, show) e é consoan-</p><p>te em palavras de origem alemã (Walter, Weber, Wagner). Observe que, nessas palavras, o w</p><p>é pronunciado como v.</p><p>O y funciona como vogal (Paraty).</p><p>A P R E N D A M A I S</p><p>5. Agora, vamos imaginar que você está escrevendo um dicionário destinado aos alunos do 1º</p><p>ao 5º ano da sua escola. Nesta etapa do trabalho, você definirá quais palavras serão utilizadas</p><p>nele. Para isso, você desempenhará duas tarefas muito importantes. Na primeira, você deve-</p><p>rá registrar cinco palavras empregadas na fábula O cão e o pedaço de carne, que você leu na</p><p>página 22. Na segunda, deverá registrar cinco palavras coletadas em alguns minutos de um</p><p>programa de sua preferência (desenho, anime, série, etc.). Feito isso, responda às questões</p><p>que seguem.</p><p>a. Quais palavras você registrou na primeira tarefa?</p><p>Resposta pessoal.</p><p>b. Quais palavras você anotou na segunda tarefa?</p><p>Resposta pessoal.</p><p>c. Agora, reflita com os seus colegas e com o seu professor:</p><p>• Todas as palavras anotadas na questão anterior aparecem no dicionário?</p><p>• Essas palavras nos ajudarão a entender um ponto importante sobre o estudo da língua</p><p>portuguesa. Discutam: se já sabemos nos comunicar bem desde os primeiros anos da</p><p>infância, por que devemos continuar estudando português?</p><p>29</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 29 24/08/20 16:33</p><p>a. O que indica a palavra destacada no alto da página, do lado esquerdo?</p><p>Ela indica que é a primeira palavra da página.</p><p>b. O que indica a palavra destacada no alto da página, do lado direito?</p><p>Ela indica que é a última palavra da página.</p><p>c. Sabendo-se que o dicionário é apresentado em ordem alfabética, onde você encaixaria a</p><p>palavra enxada?</p><p>A palavra enxada seria encaixada entre enverdecer e enxertar.</p><p>7. Cite alguns usos da ordem alfabética que você identifica no seu cotidiano.</p><p>Resposta pessoal. Sugestões de resposta: a lista de frequência na escola, a organização de do-</p><p>cumentos pessoais em diferentes situações e a busca de informações em seções de pesquisa</p><p>(sites de busca, plataformas de streaming, etc.).</p><p>6. Observe, com atenção, esta reprodução de uma página simplificada de dicionário. Depois,</p><p>responda às perguntas.</p><p>en.va.si.lhar en.xo.val</p><p>en.va.si.lhar v.t. Acondicionar em vasilhas. Envasilhado adj.; envasilhamento s.m.</p><p>en.ve.lhe.cer v.t. (int.) Tornar(-se) velho. Envelhecido adj.; envelhecimento s.m.</p><p>en.ve.lo.par v.t. Colocar em envelope. Envelopado adj.</p><p>en.ve.lo.pe s.m. Invólucro para envio de correspondência ou impressos quaisquer.</p><p>en.ver.de.cer v.t. (int). 1. Tornar(-se) verde. 2. Cobrir(-se) de verdura. Enverdecido adj.: enverde-</p><p>cimento s.m.</p><p>en.xer.tar v.t. 1. Fazer enxerto em. 2. Inserir; introduzir. P. 3. Introduzir-se. Enxertado adj.; en-</p><p>xertador adj. e s.m.</p><p>en.xer.ti.a s.f. Ação ou efeito de enxertar; enxerto.</p><p>en.xer.to [ê] s.m. 1. Introdução de parte viva de um vegetal em outro para desenvolver-se neste,</p><p>formando novo vegetal. 2. Implantação de órgão, membro, etc. de corpo humano em outro,</p><p>transplante. 3. Ação ou efeito de enxertar.</p><p>en.xó s.f. Instrumento de carpinteiro para desbastar madeira.</p><p>en.xo.fre [ô] s.m. (Quím.) Elemento Não Metal, símb. S, de número atômico 16.</p><p>en.xo.tar v.t. Expulsar, pôr fora com brutalidade ou aspereza. Enxotado adj.</p><p>en.xo.val s.m. Conjunto de roupas e objetos complementares de pessoa que se casa, de crianças</p><p>por nascer, de quem se interna em colégio, etc.</p><p>30</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 30 24/08/20 16:33</p><p>A t o d e f a l a , f r a s e e</p><p>c o n t e x t o</p><p>C A P Í T U L O 2</p><p>No capítulo anterior,</p><p>vimos que a língua é um</p><p>recurso fundamental para nós. Por meio dela,</p><p>podemos expressar pensamentos, opiniões,</p><p>ideias, etc. Podemos, também, sair do momento</p><p>presente e nos projetar no passado ou no futu-</p><p>ro. Assim, dizemos que tudo o que realizamos</p><p>por meio da língua são ações.</p><p>Por exemplo, no primeiro quadrinho da tiri-</p><p>nha acima, ao dizer Silêncio! a professora Nor-</p><p>ma desempenhou uma ação, ou seja, ela expres-</p><p>sou uma ordem.</p><p>Em seguida, a personagem desempenha ou-</p><p>tra ação: ela informa aos alunos que entregará as</p><p>provas corrigidas. Considerando a reação expressa</p><p>pela turma no segundo quadrinho, podemos en-</p><p>tender que, além da ordem expressa no primeiro</p><p>quadrinho, ela também amedrontou os alunos.</p><p>O medo dos alunos é evidenciado no último</p><p>quadrinho, quando a professora é substituída pela</p><p>caveira que tradicionalmente representa a morte.</p><p>Mais uma vez, ela informa e amedronta a turma.</p><p>De modo geral, podemos dizer que dirigimos</p><p>a palavra uns aos outros com algum objetivo:</p><p>dar ou pedir uma informação, convidar, saudar,</p><p>prometer, ordenar, agradecer, censurar, elogiar,</p><p>desculpar-se, etc.</p><p>1. Ato de fala</p><p>Leia com atenção a tirinha a seguir.</p><p>Chamamos de ato de fala esse comportamento verbal com que expressamos alguma</p><p>intenção comunicativa.</p><p>31</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 31 24/08/20 16:33</p><p>2. Frase e contexto</p><p>Na língua escrita, toda frase é delimitada por</p><p>quatro sinais de pontuação: ponto (ou ponto-</p><p>-final), ponto de exclamação, ponto de inter-</p><p>rogação ou reticências. Já na língua falada, as</p><p>ações que as frases veiculam são evidenciadas</p><p>pela entonação, isto é, a flexão de voz que utili-</p><p>zamos para pronunciá-las. Portanto, é a entona-</p><p>ção que, na fala, evidencia a ação expressa por</p><p>frases como:</p><p>A menor unidade linguística com que expressamos as ações verbais é o que chamamos</p><p>de frase.</p><p>1. Está chovendo.</p><p>2. Está choven...</p><p>3. Está chovendo!</p><p>4. Está chovendo?</p><p>As reticências são empregadas</p><p>na escrita para assinalar interrup-</p><p>ções e hesitações em geral.</p><p>— Com certeza terminarei mais</p><p>cedo e...</p><p>— E o quê?</p><p>— E poderei cumprir...</p><p>As reticências podem ser empre-</p><p>gadas, também, para indicar supres-</p><p>são de algum conteúdo. Neste caso,</p><p>elas devem ser colocadas entre pa-</p><p>rênteses (...) ou colchetes [...].</p><p>“A História é uma ciência que tenta</p><p>compreender o passado e o presente</p><p>da humanidade [...], pois, entendendo</p><p>essas relações existentes, é possível</p><p>construir um futuro melhor.”</p><p>SALVARI, Fábio. Diálogos da História. 6º ano. Recife: Construir:</p><p>2019, p. 9.</p><p>A P R E N D A M A I S</p><p>Chamamos de contexto todas as informações</p><p>que envolvem a comunicação. Essas informa-</p><p>ções são indispensáveis para interpretarmos</p><p>corretamente uma frase.</p><p>Por que o contexto é fundamental para a interpretação correta de uma frase?</p><p>Porque as informações externas à frase nos permitem fazer referências e associações cor-</p><p>retas. Assim, as frases acima podem ter diferentes interpretações a partir da definição de</p><p>um possível contexto.</p><p>R E F L I T A</p><p>32</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 32 25/08/20 16:41</p><p>As frases podem ser divididas em dois grandes grupos: as frases completas e as frases incompletas.</p><p>As frases completas são aquelas que, em teoria, contam com todos os elementos necessários à</p><p>sua compreensão. Ao apresentar uma notícia, por exemplo, os jornalistas utilizam frases completas,</p><p>pois elas contam com uma organização gramatical mais rígida, o que contribui para o sucesso da</p><p>comunicação. Observe:</p><p>Os motoristas não podem usar o telefone enquanto dirigem.</p><p>Já as frases incompletas, também chamadas de frases de situação, são empregadas normalmente</p><p>nas conversas, nas interações feitas espontaneamente. Nessas situações, as frases tendem a ser frag-</p><p>mentadas, tornando-se formalmente incompletas. Mas, como as pessoas interagem de forma espon-</p><p>tânea, muitas vezes face a face, a comunicação não fica prejudicada. Veja um exemplo:</p><p>Socorro!</p><p>Podemos dizer que esses dois tipos de frase representam graus extremos de dependência do</p><p>contexto em que ocorrem. De um lado, as frases completas são menos “dependentes” do contexto,</p><p>pois teoricamente possuem todas as partes necessárias ao seu entendimento. Do outro, temos as</p><p>frases incompletas, estas muito dependentes da situação em que ocorrem.</p><p>Vejamos esses conceitos no quadrinho a seguir.</p><p>Re</p><p>pr</p><p>od</p><p>uç</p><p>ão</p><p>Nesse quadrinho, vemos mais uma vez a personagem que, culturalmente, identificamos como a</p><p>morte. No contexto, ela aparece acessando sua rede social, aparentemente sua página no Facebook.</p><p>Isso fica claro pela imagem representada na tela do computador, muito semelhante à página real da</p><p>rede. Nesse contexto, percebemos duas frases:</p><p>1. Mulher sofre acidente após postar no Facebook dirigindo.</p><p>2. Curtir.</p><p>33</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 33 25/08/20 16:54</p><p>Nesse contexto, dizemos que a frase 1 é completa, e a frase 2 é incompleta. A frase 1 apresenta</p><p>certa independência do contexto. Analisando-a isoladamente, podemos afirmar que é o título de</p><p>uma notícia. Já a frase 2 é totalmente dependente da situação em que ocorre, pois a palavra cur-</p><p>tir, isolada, pode ter diferentes interpretações.</p><p>•	 Frases exclamativas – Expressam emoções, reações. Essas frases sempre terminam com ponto</p><p>de exclamação (!).</p><p>Não entendi esse assunto!</p><p>Estou muito feliz com a sua vitória!</p><p>Nossa!</p><p>Socorro!</p><p>•	 Frases interrogativas – Essas frases formulam perguntas diretas e sempre terminam com pon-</p><p>to de interrogação (?).</p><p>Você gosta de comer peixe?</p><p>Como faço para chegar ao estádio?</p><p>Está perto?</p><p>Eu?</p><p>•	 Frases imperativas – Expressam ordens. Comumente empregamos o ponto de exclamação na</p><p>escrita para acentuar o valor dessas ordens.</p><p>3. Classificação tradicional das frases</p><p>Tradicionalmente, os gramáticos classificam as frases em cinco categorias.</p><p>•	 Frases declarativas – Transmitem informações, declarações.</p><p>Mulher sofre acidente após postar no Facebook dirigindo.</p><p>Estudei muito hoje, mas não entendi bem o conteúdo.</p><p>Choveu por aqui.</p><p>Entendi.</p><p>34</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 34 24/08/20 16:33</p><p>Abra as janelas da casa para clarear!</p><p>Júlia, organize seu material!</p><p>Chegue cedo!</p><p>Aperte!</p><p>•	 Frases optativas – Expressam desejos.</p><p>Gostaria de visitar a Serra da Capivara.</p><p>Espero que você faça uma boa viagem.</p><p>Tomara que passe!</p><p>Como você pode perceber, essa classificação não considera a estrutura das frases, se são com-</p><p>pletas ou incompletas. Aqui, considera-se apenas sua essência. Não há referência às intenções de</p><p>quem fala ou escreve.</p><p>R E F L I T A</p><p>Nas situações reais de comunicação, a classificação tradicional das frases é precisa?</p><p>Não, pois se trata apenas de uma classificação formal. Na prática, podemos combinar valores:</p><p>uma pergunta pode ser também uma exclamação (Você já chegou?!) ou uma ordem (Você</p><p>quer sair da minha frente?!); uma declaração pode ser tanto uma ordem (Você vai ouvir tudo.), como</p><p>uma pergunta (Gostaria de saber se o parque está aberto para visitação.).</p><p>4. Interjeição</p><p>Agora, analise a tirinha a seguir.</p><p>MENINO, MEUS ÓCULOS</p><p>QUEBRARAM, LEIA ESTA</p><p>NOTÍCIA PARA MIM!</p><p>EH... HUM...</p><p>HUMMMMM...</p><p>PUTZ...</p><p>35</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 35 24/08/20 16:33</p><p>Na fala do jovem, observamos o emprego de quatro frases de situação: Eh... Hum... Hummmmm...</p><p>Putz... Se analisarmos essas frases isoladamente, elas não têm sentido. Mas, inseridas no contexto</p><p>comunicativo, podemos entendê-las perfeitamente. Elas expressam a dificuldade do menino ao ler</p><p>a manchete da notícia. Frases de situação como essas são o que chamamos de interjeição.</p><p>Empregamos interjeições para:</p><p>• Chamar a atenção de alguém, geralmente para iniciar uma conversa ou como respostas</p><p>curtas enquanto ela acontece.</p><p>Olá! Psiu! Ei! Ahn?</p><p>• Representar sons não linguísticos. Essas interjeições são chamadas, também, de onomato-</p><p>peias.</p><p>Pou! Zzzz! Zum! Cabrum!</p><p>• Expressar estados emocionais (admiração, surpresa, desalento, dúvida, etc.).</p><p>Caramba! Epa! Ui! Oh!</p><p>Voltando à definição tradicional das frases, percebemos</p><p>que as interjeições podem expressar</p><p>declarações, perguntas e até ordens, dependendo do contexto em que ocorrem.</p><p>Caramba! (Declaração de alegria ou decepção.)</p><p>Ahn? (Pergunta de quem não entendeu ou não acreditou no que ouviu.)</p><p>Psiu! (Ordem para fazer silêncio ou tentativa de chamar alguém.)</p><p>5. Condição discursiva</p><p>Chamamos de condição discursiva o componente da interação verbal que regula o direito à palavra.</p><p>De modo geral, o direito à palavra ocorre de duas maneiras:</p><p>•	 Monólogo – Apenas o enunciador fala.</p><p>•	 Diálogo – Ao menos duas pessoas falam.</p><p>O direito à palavra é regulado por algumas condições. Por exemplo: uma consulta médica se pro-</p><p>cessa por meio de um diálogo, estabelecido entre o médico e o paciente. Nessa situação, o paciente</p><p>expõe os motivos que o levaram à consulta e o médico lhe receita um tratamento. Se, por exemplo,</p><p>um dos dois interrompe constantemente o outro, a condição discursiva foi desrespeitada, o que</p><p>pode ser entendido como falta de educação.</p><p>36</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 36 24/08/20 16:33</p><p>A t i v i d a d e s</p><p>Texto 1</p><p>Professor Moisés, o senhor sabia que</p><p>o Serafim é um hominídeo?</p><p>É que os desenhos dele</p><p>parecem arte rupestre!</p><p>Nossa! Agora eu sei a idade de Luzia!</p><p>Me dá!!</p><p>Como assim, Luzia?</p><p>Somos todos Homo</p><p>sapiens sapiens...</p><p>Professor Moisés, como</p><p>é o nome do hominídeo</p><p>brasileiro mais antigo?</p><p>Luzia, que tem</p><p>aproximadamente</p><p>12 mil anos...</p><p>1. Com base no Texto 1, responda às questões propostas.</p><p>a. No primeiro quadrinho, podemos dizer que a palavra desenhos é uma frase? Justifique sua</p><p>resposta.</p><p>Não, pois não teria sentido se empregada isoladamente.</p><p>b. E, no último quadrinho, a expressão Nossa! pode ser entendida como frase? Explique.</p><p>Sim. Como é uma interjeição, pode ser classificada como uma frase de situação.</p><p>c. Para você, qual foi a intenção de Serafim ao exclamar Agora eu sei a idade de Luzia! no</p><p>último quadrinho?</p><p>Resposta pessoal. Sugestão de resposta: Ele quis zombar da colega, pois ela zombou dele antes.</p><p>2. Entre as opções a seguir, identifique a palavra que resume o ato de fala desempenhado por</p><p>Serafim no último quadrinho.</p><p>a. Pena.</p><p>b. Vingança.</p><p>c. Raiva.</p><p>d. Dúvida.</p><p>e. Pedido.</p><p>37</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 37 24/08/20 16:33</p><p>Texto 2</p><p>A catadora de vidro</p><p>Uma família de cinco pessoas estava passeando na praia. As crianças estavam tomando banho de</p><p>mar e fazendo castelos na areia quando, ao longe, apareceu uma velhinha.</p><p>Seu cabelo grisalho esvoaçava ao vento, e suas roupas estavam sujas e esfarrapadas. Resmungava</p><p>enquanto apanhava coisas na areia e as colocava em um saco.</p><p>Os pais chamaram as crianças e pediram-lhes que ficassem longe da velha.</p><p>Quando ela passou, curvando-se de vez em quando para apanhar coisas, sorriu para a família,</p><p>mas seu cumprimento não foi correspondido.</p><p>Semanas mais tarde, souberam que a velhinha dedicara a vida ao trabalho de apanhar caquinhos</p><p>de vidro da praia para que as crianças não cortassem os pés.</p><p>RANGEL, Alexandre. As mais belas parábolas de todos os tempos. V. 3. Contagem: Leitura, 2005. p. 19.</p><p>3. Que lição moral podemos tirar dessa parábola?</p><p>Não devemos julgar as pessoas pela aparência.</p><p>4. Por que a família ignorou o sorriso da velha?</p><p>Resposta sugerida: Porque não lhe deu valor.</p><p>5. Que trecho do texto caracteriza a velhinha? Copie-o nas linhas a seguir.</p><p>“Seu cabelo grisalho esvoaçava ao vento, e suas roupas estavam sujas e esfarrapadas. Resmun-</p><p>gava enquanto apanhava coisas na areia e as colocava em um saco.”</p><p>6. A que a velhinha dedicara a sua vida?</p><p>Ao trabalho de apanhar cacos de vidro na areia da praia.</p><p>7. Para você, o que será que os pais sentiram quando souberam, semanas mais tarde, o que a velhinha</p><p>fazia na praia?</p><p>Resposta pessoal.</p><p>8. No Texto 2, há predomínio de frases completas ou de frases incompletas? Reflita: por que há essa</p><p>predominância?</p><p>No Texto 2, há apenas frases completas. Essa predominância ocorre por causa da presença de um</p><p>locutor único (narrador), que escreve para um destinatário que apenas recebe a mensagem. Assim, a</p><p>organização gramatical das frases é mais rígida, para que haja sucesso na comunicação.</p><p>38</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 38 24/08/20 16:33</p><p>Texto 3</p><p>9. Por que, para as crianças, a aula de Português não é boa?</p><p>Porque a professora não conhece ou não considera a noção de variação linguística. Ou seja,</p><p>ela ensina o conteúdo com base apenas na gramática normativa, que trabalha com avaliações</p><p>dicotômicas, como a Matemática.</p><p>10. Qual dos personagens da tira se expressa de maneira informal?</p><p>Serafim.</p><p>11. A forma como esse personagem fala é errada? Explique.</p><p>Não. Como os dois personagens estão conversando em uma situação informal e estão se com-</p><p>preendendo, a fala de Serafim é adequada.</p><p>12. No último quadrinho, podemos tirar uma conclusão interessante a respeito do ensino da lín-</p><p>gua portuguesa. Que conclusão é essa?</p><p>A conclusão é a de que não faz sentido julgar a maneira de falar das pessoas, da mesma forma que é inadequado</p><p>pensar que o cheiro da jaca é certo. Professor, seria interessante complementar esta resposta comentando que</p><p>tanto um quanto o outro são fatos e, como tais, existem independentemente da nossa avaliação.</p><p>13. No segundo quadrinho, a fala de Serafim expressa um ato de fala de:</p><p>a. ponderação. b. concordância.</p><p>c. dúvida d. prejulgamento.</p><p>e. desistência.</p><p>14. Na língua portuguesa, apenas quatro sinais gráficos podem encerrar uma frase: reticências,</p><p>ponto, ponto de interrogação e ponto de exclamação. No entanto, esses sinais não são sufi-</p><p>cientes para expressar toda a riqueza comunicativa que a língua possui. Pensando nisso, res-</p><p>ponda às questões seguintes.</p><p>39</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 39 24/08/20 16:33</p><p>a. No primeiro quadrinho, que sinal gráfico poderia substituir o ponto-final da fala de Serafim</p><p>sem alterar o sentido da tirinha?</p><p>O ponto de exclamação.</p><p>b. Caso essa substituição fosse feita, que sentido esse sinal acrescentaria à fala de Serafim?</p><p>A exclamação acrescentaria à fala de Serafim o sentido de indignação, aborrecimento, impa-</p><p>ciência, etc.</p><p>15. Alguns narradores esportivos ficam conhecidos pelo público devido aos seus bordões (palavra,</p><p>expressão ou frase, sempre repetida, com a qual deseja criar um efeito emocional ou engraça-</p><p>do). O narrador Milton Leite, por exemplo, usa como bordões as expressões “Que beleza!” e</p><p>“Meu Deus!”. Reflita: os bordões podem ser considerados frases? Explique.</p><p>Podem, sim, pois apresentam sentido completo na situação comunicativa em que são empre-</p><p>gados, isto é, formam uma unidade mínima de comunicação.</p><p>16. O desrespeito à condição discursiva é o tema da tirinha a seguir. Leia-a.</p><p>a. Analisando a tira, percebemos que a condição discursiva é desrespeitada ao longo da histó-</p><p>ria. Explique como se dá esse desrespeito.</p><p>Na história, o personagem está sempre tentando dialogar, mas não deixa as mulheres falarem.</p><p>b. Como esse desrespeito fica evidenciado no texto?</p><p>Nos quadrinhos, a fala do homem aparece sobreposta à fala das mulheres, como se ele sem-</p><p>pre as interrompesse.</p><p>c. Qual é a consequência desse desrespeito para o personagem?</p><p>Como a cada encontro o personagem não deixa as mulheres falarem, nenhum dos encontros</p><p>dá certo. Isso fica sugerido pela mudança das mulheres ao longo da história.</p><p>40</p><p>GD_2020_6A_001a144.indd 40 24/08/20 16:33</p><p>D e s a f i o</p><p>Texto</p><p>1. Tendo como base o contexto comunicativo</p><p>da tira e as frases proferidas pelos perso-</p><p>nagens, analise as afirmações a seguir.</p><p>I. O menino se mostra disposto a enten-</p><p>der a opinião da menina.</p><p>II. Há uma gradação na agressividade</p><p>apresentada pelo menino.</p><p>III. No segundo quadrinho, o ponto de in-</p><p>terrogação presente na fala da menina</p><p>poderia ser acompanhado de uma ex-</p><p>clamação.</p><p>Está correto o que se afirma em:</p><p>a. I, apenas.</p><p>b. II, apenas.</p><p>c. III, apenas.</p><p>d. I e II.</p><p>e. II e III.</p><p>2. A fala da menina no primeiro quadrinho</p><p>sugere que o menino havia falado algo an-</p><p>teriormente. Indique a frase que, de acor-</p><p>do com o contexto da tira, melhor repre-</p><p>sentaria essa fala do menino.</p><p>a.</p>

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