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<p>EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 4ª VARA</p><p>CRIMINAL DA COMARCA DE JUIZ DE FORA-MG</p><p>PROCESSO Nº: 0014790-02.2023.8.13.0145</p><p>WELLERSON DOS SANTOS BALBINO e THIAGO VAZ DE ALMEIDA,</p><p>já qualificados nos autos em epígrafe, vem, respeitosamente, à presença de Vossa</p><p>Excelência, por seu advogado que esta subscreve, apresentar as ALEGAÇÕES FINAIS,</p><p>em forma de MEMORIAIS, vide artigo 403, §3º do Código Processual Penal, com base</p><p>nos seguintes fatos e fundamentos.</p><p>1. DA SINTESE PROCESSUAL</p><p>Narra a denúncia que, os réus acima epigrafados, conjuntamente com o corréu</p><p>LUCAS FERREIRA MARCIANO, em conjunto praticaram as infrações previstas nos</p><p>artigos 33, caput e 35 da Lei 11.343/06 e ao artigo 16, §1º da Lei 10.826/2003.</p><p>Segundo o órgão acusador, em denúncia oferecida, no dia 05 de abril de 2023, por</p><p>volta das 14:34, na Rua José Nunes Pereira, Nº 58, bairro Jardim Natal, nesta cidade, os</p><p>denunciados, mediante prévio ajuste e em comunhão de propósitos, traziam consigo</p><p>drogas, para posterior entrega a consumo, venda e fornecimento, representadas por 304g</p><p>(trezentos e quatro gramas) de maconha, em 06 (seis) tabletes e 35 (trinta e cinco) porções</p><p>individualizadas; e por 127g (cento e vinte e sete gramas) de cocaína, distribuídos em 01</p><p>(uma) grande porção e em 11 (onze) microtubos plásticos tipo “eppendorf”, tudo sem</p><p>autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar. E, na mesma data,</p><p>hora e local, os denunciados, em concurso, possuíam e portavam 02 (duas) armas de fogo</p><p>de uso permitido com numeração de série suprimida, cada qual carregada com 05 (cinco)</p><p>munições de uso permitido.</p><p>A denúncia foi oferecida com os documentos necessários e em sequência, como</p><p>bem narrado pelo parquet, colaciono:</p><p>Passado isso, abriu-se vista para o órgão acusador apresentar suas alegações finais,</p><p>em forma de memoriais. O que foi feito.</p><p>Nas alegações finais ministeriais, o douto promotor, com base ÚNICA E</p><p>EXCLUSIVAMENTE nos depoimentos policiais, ratificou todos os pedidos da</p><p>denúncia, pugnando a posteriore pelas condenações dos réus em concurso de pessoas.</p><p>Contudo, restará demonstrado que razões não assistem as acusações do órgão</p><p>Ministerial.</p><p>2. DA SUPERVALORIZAÇÃO DAS PALAVRAS DOS MILICIANOS /</p><p>AUSÊNCIA DE DEMAIS PROVAS</p><p>Como é possível observar, a todo tempo o I.R.M.P faz menção que as práticas</p><p>delitivas restaram comprovadas pelo Boletim de Ocorrência e depoimentos dos policiais</p><p>em sede de audiência de instrução, supervalorizando assim o dito pelos agentes policias,</p><p>que inclusive, entraram em contradição por diversas vezes, conforme será demonstrado</p><p>em tópicos subsequentes.</p><p>Ainda, tenta fazer entender o órgão acusador que este Tribunal Regional, se</p><p>ampara no entendimento que “A palavra dos policiais constitui prova idônea para</p><p>fundamentar a condenação”, contudo os julgados juntados são de 6 anos atrás, seja 2017,</p><p>como podemos observar nas páginas 8 e 9 do ID 9986845100.</p><p>O que deixou de observar o parquet quando da busca por punição a todo modo e</p><p>nas diversas menções trazendo como prova irrefutável as palavras dos agentes policiais</p><p>em isolado, é que este Tribunal Regional na atualidade entende de forma completamente</p><p>diversa, em observância ao princípio da presunção de inocência, bem como ao disposto</p><p>no artigo 156 do CPP, que ele estabelece que o ônus da prova é de quem alega, no sentido</p><p>que a palavras dos policiais em isolado não pode gerar uma condenação. Vejamos:</p><p>EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - TRÁFICO DE DROGAS -</p><p>ABSOLVIÇÃO - NECESSIDADE - PALAVRA ISOLADA DOS</p><p>POLICIAIS. A versão policial isolada sobre a prática do crime não forma</p><p>conjunto probatório suficiente para sustentar a condenação pelo crime de</p><p>tráfico de drogas.</p><p>(TJ-MG - APR: 10134200021506001 Caratinga, Relator: Alexandre</p><p>Victor de Carvalho, Data de Julgamento: 06/04/2021, Câmaras Criminais</p><p>/ 5ª CÂMARA CRIMINAL, Data de Publicação: 14/04/2021).</p><p>EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - TRÁFICO DE DROGAS -</p><p>PRECARIEDADE DAS PROVAS - ABSOLVIÇÃO - NECESSIDADE</p><p>- PALAVRA ISOLADA DOS POLICIAIS. A versão policial isolada</p><p>sobre a prática do crime não forma conjunto probatório suficiente para</p><p>sustentar a condenação pelo crime de tráfico de drogas.</p><p>(TJ-MG - APR: 10245210004678001 Santa Luzia, Relator: Alexandre</p><p>Victor de Carvalho, Data de Julgamento: 07/06/2022, Câmaras Criminais</p><p>/ 5ª CÂMARA CRIMINAL, Data de Publicação: 15/06/2022).</p><p>No mesmo caminho temos o entendimento do STJ:</p><p>"PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO EM RECURSO</p><p>ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS. CONDENAÇÃO BASEADA</p><p>EXCLUSIVAMENTE NOS DEPOIMENTOS DOS POLICIAIS</p><p>RESPONSAVEIS PELA PRISÃO EM FLAGRANTE.</p><p>DESATENDIMENTO AOS CRITERIOS DE COERÊNCIA INTERNA,</p><p>COERÊNCIA EXTERNA E SINTONIA COM AS DEMAIS PROVAS</p><p>NOS AUTOS. DESTAQUE À VISAO MINORITÁRIA DO MINISTRO</p><p>RELATOR QUANTO À IMPOSSIBILIDADE DE A CONDENAÇÃO</p><p>SE FUNDAMENTAR EXCLUSIVAMENTE NA PALAVRA DO</p><p>POLICIAL. UNANIMIDADE, DE TODO MODO, QUANTO À</p><p>NECESSIDADE DE ABSOLVIÇÃO DO RÉU. AGRAVO</p><p>CONHECIDO PARA DAR PROVIMENTO AO RECURSO</p><p>ESPECIAL, A FIM DE RESTAURAR A SENTENÇA</p><p>ABSOLUTÓRIA.</p><p>(...)</p><p>3. Ressalte-se a visão minoritária do Ministro Relator, acompanhada pelo</p><p>Ministro Reynaldo Soares Fonseca, segundo a qual a palavra do agente</p><p>policial quanto aos fatos que afirma ter testemunhado o acusado praticar</p><p>não é suficiente para a demonstração de nenhum elemento do crime em</p><p>uma sentença condenatória. É necessária, para tanto, sua corroboração</p><p>mediante a apresentação de gravação dos mesmos fatos em áudio e</p><p>vídeo."</p><p>(AREsp n. 1.936.393/RJ, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma,</p><p>julgado em 25/10/2022, DJe de 8/11/2022).</p><p>Outro ponto que nos chama a atenção, é que em nenhum momento o Promotor de</p><p>Justiça, ao contrário da defesa, se importa com ausência de envio das imagens das</p><p>câmeras utilizadas pelos militares na empreitada, o que fora requerido pela defesa por</p><p>inúmeras vezes ID’S 9812020800, 9877295765 e 9907145607, a fim de se provar a</p><p>verdade fática.</p><p>Outro ponto importante de se trazer para esclarecer mais uma vez que, as palavras</p><p>dos policiais em isolado não pode ser sobrepesada, e a incongruência no depoimento do</p><p>policial Ricardo de Oliveira, que deixou claro que haviam 4 indivíduos na laje e um deles</p><p>foi capturado ao tentar empreender fuga, mas que este fora liberado porque nada de ilícito</p><p>foi encontrado com ele. Perguntado se este não foi qualificado como testemunha, disse o</p><p>policial que, na hora do “quente, pelando” não tinha como conduzir para prestar</p><p>depoimento ou pelo menos qualificar a IMPORTANTE TESTEMUNHA (19:02). Além</p><p>deste policial, outros disseram que eram 4 indivíduos, também não sabendo precisar quem</p><p>era o 4º.</p><p>Ora, excelência, um policial com vasta experiência na polícia militar, não</p><p>conseguiu conduzir ou qualificar a testemunha em razão da situação, sendo este um</p><p>procedimento obrigatório. É no mínimo questionável, não qualificou ou conduziu porque</p><p>não quis trazer dúvidas para seu relato? Não sabemos!</p><p>Em razão do exposto, ao contrário do que se busca o órgão acusador, as palavras</p><p>dos milicianos em isolado, não pode servir como base para condenação. Ainda, mais não</p><p>sendo depoimentos sólidos.</p><p>3. DO ENQUADRAMENTO INCORRETO NO DELITO PREVISTO NO</p><p>ARTIGO 16, P. 1º, I DO ESTATUTO DO DESARMAMENTO</p><p>Alega o órgão acusador que, os réus portavam armas de fogo de uso permitido,</p><p>com numeração de série suprimida.</p><p>Ocorre que, como dito pelos réus desde o primeiro momento, os mesmos portavam</p><p>sim as armas de fogo, sendo uma de Wellerson (Revolver Calibre .38 inox) e outra de</p><p>Thiago (Revólver Calibre .38 Oxidado) e nenhuma delas do acusado Lucas, contudo, as</p><p>dadas armas não estavam com as numerações de série suprimidas.</p><p>O que corrobora com os relatos dos acusados, é que o próprio Sargento Leonardo</p><p>Pasqualini, condutor e testemunha, relata em sede policial que, ambas as armas de fogo</p><p>estavam</p><p>com numeração suprimida, ainda pontua que no REDS de ID 9796816936 não</p><p>consta numeração suprimida, mas que os armamentos estavam sim sem as numerações</p><p>de série, conforme vejamos:</p><p>Já em depoimento prestado em juízo, o mesmo policial, perguntado respondeu:</p><p>27:28 – P: “O senhor chegou a ver as armas?”</p><p>R: “Cheguei a ver as armas.”</p><p>P: “Se lembra se tinha numeração raspada?”</p><p>R: “Não, não. Não cheguei a pegar não, só vi.”</p><p>Como a testemunha, em um primeiro momento afirma que as numerações estavam</p><p>suprimidas e depois AFIRMA QUE NÃO CHEGOU A PEGAR NAS ARMAS DE</p><p>FOGO?</p><p>Ao contrário do relato da testemunha, que não sabe de fato se a arma estava com</p><p>numeração suprimida, os acusados, desde o primeiro momento, em sede policial, afirmam</p><p>que, as armas apreendidas eram de sua propriedade, contudo, ESTAVAM COM AS</p><p>NUMERAÇÕES INTACTAS, conforme vejamos:</p><p>Em consonância com o depoimento de Wellerson, sua família disponibilizou a</p><p>este causídico, foto da relatada arma de fogo apreendida, onde sua numeração, de fato</p><p>encontra-se intacta. Vejamos:</p><p>Como se pode perceber, os relatos dos acusados são firmes e consistentes desde o</p><p>início do arcabouço probatório, ao contrário dos milicianos que não mantêm aquilo que</p><p>foi dito em sede policial sobre as armas de fogo e assim como no Reds, não há essa</p><p>informação.</p><p>Assim, excelência, temos no mínimo dúvida quanto a supressão ou não da</p><p>numeração constante na arma de fogo, por parte dos acusados. E, pairando a menor dúvida</p><p>que seja sobre o fato delituoso, a decisão deve ser em favor do réu, conforme se determina</p><p>a redação do artigo 386, VII do CPP, o qual vejamos:</p><p>Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte</p><p>dispositiva, desde que reconheça:</p><p>(...)</p><p>VII – não existir prova suficiente para a condenação.</p><p>No mesmo sentido temos o entendimento jurisprudencial:</p><p>EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - TRÁFICO DE DROGAS -</p><p>ABSOLVIÇÃO - POSSIBILIDADE - ACERVO PROBATÓRIO</p><p>INSUFICIENTE - VERIFICAÇÃO - AUTORIA - NÃO</p><p>COMPROVAÇÃO - IN DUBIO PRO REO - OBSERVAÇÃO.</p><p>EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - TRÁFICO DE DROGAS -</p><p>ABSOLVIÇÃO - POSSIBILIDADE - ACERVO PROBATÓRIO</p><p>INSUFICIENTE - VERIFICAÇÃO - AUTORIA - NÃO</p><p>COMPROVAÇÃO - IN DUBIO PRO REO - OBSERVAÇÃO.</p><p>EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - TRÁFICO DE DROGAS -</p><p>ABSOLVIÇÃO - POSSIBILIDADE - ACERVO PROBATÓRIO</p><p>INSUFICIENTE - VERIFICAÇÃO - AUTORIA - NÃO</p><p>COMPROVAÇÃO - IN DUBIO PRO REO - OBSERVAÇÃO.</p><p>EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - TRÁFICO DE DROGAS -</p><p>ABSOLVIÇÃO - POSSIBILIDADE - ACERVO PROBATÓRIO</p><p>INSUFICIENTE - VERIFICAÇÃO -- AUTORIA - NÃO</p><p>COMPROVAÇÃO - IN DUBIO PRO REO - OBSERVAÇÃO. Se as</p><p>provas contidas nos autos conduzem à fundada dúvida sobre a autoria do</p><p>delito imputado ao acusado, a absolvição é medida que se impõe, em</p><p>observância ao princípio do in dubio pro reo.</p><p>(TJ-MG - APR: 10313210000474001 Ipatinga, Relator: Valéria</p><p>Rodrigues Queiroz, Data de Julgamento: 09/03/2022, Câmaras Criminais</p><p>/ 4ª CÂMARA CRIMINAL, Data de Publicação: 16/03/2022).</p><p>EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - TRÁFICO DE DROGAS -</p><p>RECURSO MINISTERIAL - CONDENAÇÃO - NÃO CABIMENTO -</p><p>FRAGILIDADE PROBATÓRIA - IN DUBIO PRO REO. Diante da</p><p>insuficiência de provas quanto à autoria delitiva, a manutenção da</p><p>absolvição do acusado é medida que se impõe, conforme determina o</p><p>artigo 386, VII, do Código de Processo Penal. A mera suspeita, por mais</p><p>forte que seja, não é apta a embasar eventual condenação, sob pena de</p><p>flagrante violação ao princípio constitucional do in dubio pro reo.</p><p>(TJ-MG - APR: 10625100031552001 São João del-Rei, Relator:</p><p>Henrique Abi-Ackel Torres, Data de Julgamento: 14/07/2022, Câmaras</p><p>Criminais / 8ª CÂMARA CRIMINAL, Data de Publicação: 19/07/2022).</p><p>Face ao exposto, não se desvencilhando o Estado do ônus que lhe é imposto pelo</p><p>artigo 156 do CPP, em consonância com a redação do artigo 386, VII (in dubio pro reo),</p><p>requer esta defesa técnica a desclassificação da conduta prevista no artigo 16, § 1º, inciso</p><p>I da Lei 10.826, para a conduta prevista no artigo 14 da mesma Lei, em face dos acusados</p><p>por mim defendidos.</p><p>4. DO DELITO REALMENTE PRATICADO POR WELLERSON</p><p>PREVISTO NA LEI DE DROGAS – ART. 28 / TRÁFICO PRIVILEGIADO</p><p>Em audiência de instrução ocorrida no dia 29/08 do ano vigente, Wellerson</p><p>assumiu que a pochete era sua, juntamente com a droga encontrada nesta,</p><p>aproximadamente 100 gramas, para consumo próprio, assim como a arma de fogo, já</p><p>debatido em campo próprio (02:22:31).</p><p>Seu depoimento é corroborado pelo corréu Thiago Vaz:</p><p>“Aí, nisso aí, ele (Wellerson) me chamou pra fumar um baseado. Eu</p><p>desci da laje, aí na hora que eu desci da laje, que eu cheguei na rua assim,</p><p>tava ele e mais dois moleque que ia cortar cabelo também, aí eles veio</p><p>até pra perto de mim, assim. Aí na hora que eles chegou perto de mim,</p><p>que nós ia fumar o baseado, aí os polícia já veio assim, da rua, reto,</p><p>assim.”</p><p>É válido mencionar que, em nenhum momento Wellerson deixou de assumir a</p><p>responsabilidade sobre a droga que era de sua propriedade ou a jogou sobre o Réu Thiago,</p><p>mas e tão somente foi dito a verdade sobre as drogas encontradas, seja cada um assumiu</p><p>o que era seu.</p><p>Pelo exposto, pugna a defesa técnica de Wellerson a desclassificação da conduta</p><p>prevista no artigo 33 da Lei de drogas para a conduta prevista no artigo 28 da mesma Lei.</p><p>Contudo, se entender de forma diversa este juízo, seja pela condenação do réu no</p><p>delito previsto no artigo 33 caput da lei 11.343/06, faz jus o réu à redução prevista no §</p><p>4º do mesmo artigo, haja vista que o réu:</p><p> É primário (não possui condenação penal transitada em julgado);</p><p> Era menor de 21 anos na data dos fatos;</p><p> Não há prova que o mesmo tem uma vida dedicada ao crime ou integre organização</p><p>criminosa.</p><p>Na mesma linha temos o entendimento jurisprudencial:</p><p>EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - TRÁFICO DE DROGAS -</p><p>SUPRESSÃO DA MINORANTE DO "TRÁFICO PRIVILEGIADO" -</p><p>IMPOSSIBILIDADE. Se o agente é primário, possuidor de bons</p><p>antecedentes, e inexistem nos autos elementos concretos aptos a</p><p>comprovar que ele se dedica a atividades criminosas ou que integra</p><p>organização criminosa, imperativa a manutenção da minorante do</p><p>denominado "tráfico privilegiado", ante o preenchimento de todos os</p><p>requisitos legais (art. 33, § 4º, Lei nº 11.343/06).</p><p>(TJ-MG - APR: 10433170107794002 Montes Claros, Relator: Franklin</p><p>Higino Caldeira Filho, Data de Julgamento: 19/04/2022, Câmaras</p><p>Criminais / 3ª CÂMARA CRIMINAL, Data de Publicação:</p><p>29/04/2022).</p><p>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. DOSIMETRIA</p><p>DA PENA. TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES.</p><p>ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. PRESUNÇÃO. AUSÊNCIA DE</p><p>COMPROVAÇÃO. QUANTIDADE DE DROGA APREENDIDA.</p><p>UTILIZAÇÃO PARA AFASTAMENTO DO TRÁFICO</p><p>PRIVILEGIADO. IMPOSSIBILIDADE. NOVO ENTENDIMENTO.</p><p>ERESP N. 1.916.596/SP. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.</p><p>1. A dosimetria da pena é o procedimento em que o magistrado, no</p><p>exercício de discricionariedade vinculada, utilizando-se do sistema</p><p>trifásico de cálculo, chega ao quantum ideal da pena com base em suas</p><p>convicções e nos critérios previstos abstratamente pelo legislador. 2. Os</p><p>requisitos específicos para reconhecimento do tráfico privilegiado estão</p><p>expressamente previstos no § 4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, a saber,</p><p>que o beneficiário seja primário, tenha bons antecedentes, não se dedique</p><p>a atividades criminosas e não integre organização criminosa. 3. A</p><p>Terceira Seção do STJ, no julgamento do REsp n. n. 1.887.511/SP (DJe</p><p>de 1º/7/2021), partindo da premissa fixada na Tese n. 712 do STF,</p><p>uniformizou o entendimento de que a natureza e a quantidade de</p><p>entorpecentes devem ser necessariamente valoradas na primeira etapa da</p><p>dosimetria, para modulação da pena-base. 4. Configura</p><p>constrangimento ilegal o afastamento do tráfico privilegiado por</p><p>presunção de que o agente se dedica a atividades criminosas ou</p><p>pertence a organização criminosa,</p><p>derivada unicamente da análise</p><p>da natureza ou quantidade de drogas apreendidas; da mesma</p><p>maneira, configura constrangimento ilegal a redução da fração de</p><p>diminuição de pena por esse mesmo e único motivo. 5. Agravo</p><p>regimental desprovido.</p><p>(STJ - AgRg no HC: 686210 SP 2021/0254998-0, Relator: Ministro</p><p>JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Data de Julgamento: 29/03/2022, T5 -</p><p>QUINTA TURMA, Data de Publicação: DJe 06/04/2022). (grifei).</p><p>Pelo exposto, subsidiariamente, se entender este juízo pela condenação do réu</p><p>no delito previsto no artigo 33 da lei 11.343/06, requer a aplicação da redução prevista</p><p>no § 4º do mesmo artigo.</p><p>5. TRÁFICO PRIVILEGIADO DEVIDO AO RÉU THIAGO VAZ</p><p>Em audiência de instrução ocorrida no dia 29/08 do ano vigente, Thiago assumiu que</p><p>todos os objetos ilícitos encontrados pelos policias no itinerário da fuga eram de sua</p><p>propriedade, seja as drogas embaladas para consumo e a balança de precisão.</p><p>Todavia, faz jus o réu à redução prevista no § 4º do mesmo artigo, haja vista que</p><p>o réu:</p><p> É primário (não possui condenação penal transitada em julgado);</p><p> Era menor de 21 anos na data dos fatos;</p><p> Não há prova que o mesmo tem uma vida dedicada ao crime ou</p><p>integre organização criminosa.</p><p>Assim, peço vênia para repetir o entendimento jurisprudencial citado em tópico</p><p>anterior, por se encaixar perfeitamente também a situação do réu Thiago:</p><p>EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - TRÁFICO DE DROGAS -</p><p>SUPRESSÃO DA MINORANTE DO "TRÁFICO PRIVILEGIADO" -</p><p>IMPOSSIBILIDADE. Se o agente é primário, possuidor de bons</p><p>antecedentes, e inexistem nos autos elementos concretos aptos a</p><p>comprovar que ele se dedica a atividades criminosas ou que integra</p><p>organização criminosa, imperativa a manutenção da minorante do</p><p>denominado "tráfico privilegiado", ante o preenchimento de todos os</p><p>requisitos legais (art. 33, § 4º, Lei nº 11.343/06).</p><p>(TJ-MG - APR: 10433170107794002 Montes Claros, Relator: Franklin</p><p>Higino Caldeira Filho, Data de Julgamento: 19/04/2022, Câmaras</p><p>Criminais / 3ª CÂMARA CRIMINAL, Data de Publicação:</p><p>29/04/2022).</p><p>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. DOSIMETRIA</p><p>DA PENA. TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES.</p><p>ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. PRESUNÇÃO. AUSÊNCIA DE</p><p>COMPROVAÇÃO. QUANTIDADE DE DROGA APREENDIDA.</p><p>UTILIZAÇÃO PARA AFASTAMENTO DO TRÁFICO</p><p>PRIVILEGIADO. IMPOSSIBILIDADE. NOVO ENTENDIMENTO.</p><p>ERESP N. 1.916.596/SP. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.</p><p>1. A dosimetria da pena é o procedimento em que o magistrado, no</p><p>exercício de discricionariedade vinculada, utilizando-se do sistema</p><p>trifásico de cálculo, chega ao quantum ideal da pena com base em suas</p><p>convicções e nos critérios previstos abstratamente pelo legislador. 2. Os</p><p>requisitos específicos para reconhecimento do tráfico privilegiado estão</p><p>expressamente previstos no § 4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, a saber,</p><p>que o beneficiário seja primário, tenha bons antecedentes, não se dedique</p><p>a atividades criminosas e não integre organização criminosa. 3. A</p><p>Terceira Seção do STJ, no julgamento do REsp n. n. 1.887.511/SP (DJe</p><p>de 1º/7/2021), partindo da premissa fixada na Tese n. 712 do STF,</p><p>uniformizou o entendimento de que a natureza e a quantidade de</p><p>entorpecentes devem ser necessariamente valoradas na primeira etapa da</p><p>dosimetria, para modulação da pena-base. 4. Configura</p><p>constrangimento ilegal o afastamento do tráfico privilegiado por</p><p>presunção de que o agente se dedica a atividades criminosas ou</p><p>pertence a organização criminosa, derivada unicamente da análise</p><p>da natureza ou quantidade de drogas apreendidas; da mesma</p><p>maneira, configura constrangimento ilegal a redução da fração de</p><p>diminuição de pena por esse mesmo e único motivo. 5. Agravo</p><p>regimental desprovido.</p><p>(STJ - AgRg no HC: 686210 SP 2021/0254998-0, Relator: Ministro</p><p>JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Data de Julgamento: 29/03/2022, T5 -</p><p>QUINTA TURMA, Data de Publicação: DJe 06/04/2022). (grifei).</p><p>Pelo exposto, se entender este juízo pela condenação do réu no delito previsto</p><p>no artigo 33 da lei 11.343/06, requer a aplicação da redução prevista no § 4º do mesmo</p><p>artigo.</p><p>6. DA AUSÊNCIA DOS ELEMENTOS INDISPENSÁVEIS PARA</p><p>CONFIGURAÇÃO DO DELITO - ASSOCIAÇÃO PARA FINS DE</p><p>TRÁFICO (ARTIGO 35 DA LEI 11.343/06)</p><p>Busca a acusação, de todo modo, enquadrar a presença do instituto da associação</p><p>criminosa para fins de tráfico previsto no artigo 35 da Lei 11.343/06, entretanto, em</p><p>momento algum consegue comprovar a existência desse tal grupo, seja com posições</p><p>hierárquicas ou divisões de tarefas.</p><p>No depoimento dos policiais por exemplo, nenhum deles viu Thiago, Wellerson e</p><p>Lucas juntos; é dito que em dias anteriores foram vistos indivíduos de “Touca Ninja” em</p><p>cima de uma determinada laje, contudo nenhum dos milicianos afirmou ser qualquer dos</p><p>acusados; não há também investigação prévia, DDU ou testemunha que prove a tal</p><p>associação e por fim, apesar dos relatos de que os indivíduos, no dia da prisão estavam</p><p>usando essa tal “Touca Ninja” / “Balaclava”, como, segundo os militares fazem os</p><p>traficantes locais, NENHUM OBJETO DESSE FORA APREENDIDO, nem mesmo com</p><p>a testemunha liberada. Conforme vejamos:</p><p>TESTEMUNHA – RICARDO DE OLIVEIRA (Tenente da PM)</p><p>Tenente Ricardo: 00:02:49 – “A gente tinha feito um levantamento anteriormente e no dito local</p><p>dava pra ver os cidadãos, não dava pra identificar de longe é, eles numa laje ali no bairro,</p><p>próximo a um paredão, local esse conhecido no meio policial.”</p><p>00:15:38 – P: “O senhor falou que no dia anterior vocês fizeram campana e viram alguns</p><p>indivíduos em cima da laje.”</p><p>R: “Exato.”</p><p>P: “De lá, eles também estavam de balaclava?”</p><p>R: “Também estavam de balaclava.”</p><p>R: “No dia anterior.”</p><p>P: “Então no dia anterior, o senhor consegue nos dizer se algum deles era o Wellerson ou o</p><p>Thiago?”</p><p>R: “Não tem como.”</p><p>P: “Nem ali próximo não tinha nenhuma balaclava?”</p><p>R: “Não, não.”</p><p>TESTEMUNHA – LEONARDO PASQUALINI (Sargento da PM)</p><p>00:28:07 – P: “A qual distância o senhor conseguiu observar que eles tavam correndo? Que o</p><p>senhor conseguiu visualizar o semblante deles? Qual era a distância?”</p><p>R: “O que eu cheguei mais próximo deles foi uns 10 metros. [...] Devia ter, assim, vou falar por</p><p>alto, uns 30 metros, a distância de nós.”</p><p>P: “E eles estavam de balaclava?”</p><p>R: “Não.”</p><p>Assim repito, em nenhuma fase do processo fora comprovada a participação dos</p><p>indivíduos em associação, ou seja, que se uniam de forma reiterada para a prática de</p><p>crimes, mas e tão somente a banalização do instituto penal previsto no artigo 35 da Lei</p><p>11.343/06.</p><p>Vejamos os elementos necessários para caracterização de associação:</p><p>ASSOCIAÇÃO P/ TRÁFICO: Consiste em associarem-se duas ou</p><p>mais pessoas com o objetivo de praticar, reiteradamente ou não,</p><p>qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 da Lei</p><p>de Drogas.</p><p>O verbo “associarem-se” significa a reunião com vínculo estável e</p><p>permanente (tempo indeterminado), no caso, de duas ou mais</p><p>pessoas.</p><p>Como já ocorria no regime anterior, há necessidade de vínculo</p><p>psicológico para a prática dos delitos por tempo indeterminado.</p><p>Faltando esse elemento, o crime não estará caracterizado.</p><p>A expressão “reiteradamente” significa repetidamente, ou seja, com</p><p>habitualidade.</p><p>(REF.: Silva, César Dario Mariano da Lei de drogas comentada /</p><p>César Dario Mariano da Silva. -- 2. ed. -- São Paulo : APMP -</p><p>Associação Paulista do Ministério Público, 2016.). Grifos acrescidos.</p><p>Nesse mesmo caminho temos a jurisprudência deste Tribunal Regional e Superior</p><p>Tribunal de Justiça:</p><p>EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - TRÁFICO DE DROGAS,</p><p>ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO E ORGANIZAÇÃO</p><p>CRIMINOSA - RECURSO MINISTERIAL - PEDIDO DE</p><p>CONDENAÇÃO PELA PRÁTICA DOS DELITOS DE TRÁFICO</p><p>DE DROGAS, ASSOCIAÇÃO PARA ESTE FIM E</p><p>ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA - IMPOSSIBILIDADE - MEROS</p><p>INDÍCIOS DE AUTORIA - PROVAS FRÁGEIS - PRINCÍPIO DA</p><p>NÃO CULPABILIDADE E DO IN DUBIO PRO REO -</p><p>ABSOLVIÇÃO</p><p>MANTIDA. RECURSO NÃO PROVIDO. No</p><p>processo criminal vigora o princípio segundo o qual a prova, para</p><p>alicerçar um decreto condenatório, deve ser irretorquível, cristalina</p><p>e indiscutível. Assim, se o contexto probatório dos autos se mostra</p><p>frágil, notadamente no que se refere à autoria delitiva, imperiosa é a</p><p>manutenção da absolvição, em atenção ao princípio in dubio pro</p><p>reo.</p><p>(TJMG - Apelação Criminal 1.0621.18.003266-9/001, Relator(a):</p><p>Des.(a) Rubens Gabriel Soares , 6ª CÂMARA CRIMINAL,</p><p>julgamento em 08/11/2022, publicação da súmula em 11/11/2022).</p><p>Grifos acrescidos.</p><p>Por tudo o que fora exposto, em conformidade a legislação e jurisprudência</p><p>nacional, ante a fragilidade das provas acusatórias e com as provas em contrário</p><p>produzidas pela defesa, através de documentos e depoimentos consistentes, sem qualquer</p><p>controversa, necessária se faz a absolvição da acusada.</p><p>7. DA DOSIMETRIA DE EVENTUAL PENA</p><p>Como comprovado através de documentos, os acusados são primários,</p><p>possuidores de bons antecedentes e a época do fato eram menores de 21 anos.</p><p>Em seus depoimentos, os acusados confessaram a prática dos crimes (que</p><p>realmente praticaram).</p><p>Vejamos que as circunstâncias judiciais são totalmente favoráveis aos réus que</p><p>repito, são primários e possuidores de bons antecedentes e menores de 21 anos à época</p><p>dos fatos. Assim, em conformidade com artigo 59 do código penal, se aplicada pena, esta</p><p>deverá ser fixada no mínimo legal, seja dois anos.</p><p>No caso em tela não estão presentes as agravantes dos artigos 61 e 62 do CP, por</p><p>outro lado vejamos presente a atenuante da confissão e da menoridade penal, previstas no</p><p>artigo 65, I e III, também do CP, que deve ser aplicada em favor dos réus, em caso de</p><p>condenação.</p><p>Já na terceira fase não há o que se falar em causa de aumento, uma vez que, na</p><p>tipificação legal dos crimes, REALMENTE PRATICADOS POR ELES, esta se faz</p><p>ausente.</p><p>Por todo o exposto, requer, aplicada pena aos acusados, que estas sejam a fixadas</p><p>no mínimo legal pelas circunstâncias judiciais totalmente favoráveis aos acusados, sem</p><p>aumento, por ausência de agravantes e causas de aumento de pena.</p><p>8. CONCLUSÃO</p><p>Por todo o exposto:</p><p> Requer, a desclassificação da conduta prevista no artigo 16, § 1º, inciso I da Lei</p><p>10.826, para a conduta prevista no artigo 14 da mesma Lei, em face dos acusados</p><p>por mim defendidos.</p><p> Pugna pela desclassificação da conduta prevista no artigo 33 da Lei de drogas para</p><p>a conduta prevista no artigo 28 da mesma Lei, quanto ao réu Wellerson.</p><p> Subsidiariamente, se entender este juízo pela condenação do réu no delito</p><p>previsto no artigo 33 da lei 11.343/06, requer a aplicação da redução prevista no</p><p>§ 4º do mesmo artigo.</p><p> Se entender este juízo pela condenação do réu Thiago no delito previsto no artigo</p><p>33 da lei 11.343/06, requer a aplicação da redução prevista no § 4º do mesmo</p><p>artigo.</p><p> Em conformidade a legislação e jurisprudência nacional, ante a fragilidade das</p><p>provas acusatórias e com as provas em contrário produzidas pela defesa, através</p><p>de documentos e depoimentos consistentes, sem qualquer controversa, necessária</p><p>se faz a absolvição dos acusados, quanto ao delito previsto no artigo 35 da Lei</p><p>11.343/06.</p><p> O benefício da assistência judiciária gratuita, por se tratar de pessoa pobre na</p><p>acepção da palavra;</p><p>Desde já, tornam-se prequestionadas as matérias ora ventiladas.</p><p>Termos em que, pede deferimento.</p><p>Juiz de Fora, 31 de outubro de 2023.</p><p>LEONARDO SANTOS</p><p>OAB/MG 207.998</p>

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