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<p>28/08/2024, 16:34 A5_u4_Antropologia Filosofica Imprimir AS DIFERENTES PERSPECTIVAS SOBRE o QUE É o HOMEM NAS CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS 81 minutos > Aula 1 Ciências Humanas > Aula 2 Ciências Sociais > Aula 3 Etnocentrismo > Aula 4 Leitura filosófica das Ciências Sociais > Aula 5 As diferentes perspectivas sobre o que é o homem nas ciências humanas e sociais > Referências Aula 1 CIÊNCIAS HUMANAS Ao contrário do que o senso comum percebe, as ciências não surgiram pontualmente em uma determinada data ou em um determinado evento, mas são frutos de um longo processo de mudança de mentalidade promovida pelo contexto em que se inserem. 18 minutos INTRODUÇÃO Ao contrário do que o senso comum percebe, as ciências não surgiram pontualmente em uma determinada data ou em um determinado evento, mas são frutos de um longo processo de mudança de mentalidade promovida pelo contexto em que se inserem. Para a nossa finalidade, podemos estabelecer a transição da mentalidade mítica para a filosófica como marco inicial deste processo, prosseguindo até a mentalidade científica. Com isso, você observará que o pensamento mítico, apesar de não ter sido extinto, deu lugar a novas formas de pensamento e, consequentemente, novas formas de construção do conhecimento. E, dessa forma de conhecimento, diferentes concepções sobre a humanidade surgiram, tanto em sua essência quanto em produção e em suas relações - seja consigo mesmo, com o outro ou com o ambiente. Então, prepare-se para iniciar essa jornada pelo conhecimento e bons estudos!</p><p>28/08/2024, 16:34 A5_u4_Antropologia Filosofica AS CIÊNCIAS HUMANAS Iniciaremos a nossa incursão pelas múltiplas percepções sobre o ser humano pelo papel do homem durante o período mítico, passando pelas teorias dos filósofos helenísticos, até o momento das ciências humanas. Em comparação às ciências naturais, as ciências humanas se consolidaram tardiamente como campo de conhecimento autônomo. Lembrando dos principais marcos teóricos sobre a concepção racionalizada do homem, partindo do período em que predominava a narrativa mítica, passando pelos pré-socráticos, pela filosofia helenística, até chegarmos à revolução científica, foram diferentes formas de compreender a existência humana. E quando tratamos das ciências humanas, a diversidade de abordagens sobre o objeto, o homem, prevalece também, pois cada uma dessas ciências enfatiza o estudo sob determinado prisma. No entanto, de maneira geral, as humanidades assumem como objeto o estudo do homem pelo homem, ou como Foucault nos revela, as ciências humanas se articularam "pela primeira vez, desde que existem seres humano e que vivem em sociedade, o homem, isolado ou em grupo, se tenha tornado objeto de ciência isso não pode ser considerado nem tratado como um fenômeno de opinião: é um acontecimento na ordem do saber" (FOUCAULT, 1999, p. 476). Por exemplo, enquanto a Psicologia estabelece como objeto de estudo o indivíduo e suas relações, a Economia se encontra na análise do trabalho e nos meios de produção atividades humanas típicas. Apesar de aventurar-se por outras searas do conhecimento, as ciências humanas se relacionam intimamente com as ciências naturais, ora refutando a sua concepção sobre o objeto (homem), ora se opondo ao seu método. É nítida a influência das ciências naturais sobre as humanas, sobretudo por aquela ser precursora desta e, portanto, muito dos métodos se relacionam, como veremos adiante. A distinção mais clara entre esses dois campos do conhecimento se revela, especialmente, no objeto. A concepção do humano como um ser biopsicossocial é inaugurada nas ciências humanas, já que a fisiologia e outras ciências enfatizam a concepção biológica do ser humano. À primeira vista, as ciências humanas distinguem-se das naturais, especialmente, por estas estabelecerem como objeto de estudo tudo aquilo que é externo ao indivíduo. Em outras palavras, as ciências naturais se empenham em conhecer aquilo que não tenha sido concebido pelo ser humano, enquanto as ciências humanas se dedicam a conhecer o próprio ser humano. Com o advento do conhecimento cartesiano e a fragmentação do conhecimento em campos e disciplinas (ou áreas de concentração), ficou evidente a necessidade de se estabelecer objetos e métodos específicos para a compreensão do homem em seus diferentes papéis. Nesse sentido, as ciências humanas englobam um amplo rol de saberes, incluindo a Filosofia, a Psicologia, as Artes e as Letras. Comumente, consideram as ciências sociais como parte das ciências humanas, mas é importante frisar que ambas possuem características distintas, sendo a questão metodológica que veremos adiante - a principal delas. E cada um destes campos ou disciplinas compreendem o ser humano de uma forma e utilizam-se de ferramentas metodológicas próprias para formalizar esse conhecimento. De maneira geral, duas tradições metodológicas embasam os estudos das ciências humanas: de um lado, a tradição positivista, defendendo o monismo metodológico, ou seja, a defesa de que todas as ciências podem ser submetidas pelo mesmo método, fortemente influenciado pelas ciências naturais e seu cânone metodológico, a física matemática; de outro lado, a hermenêutica se opõe ao positivismo ao buscar métodos próprios que captem a particularidade do objeto de cada uma das áreas do conhecimento que integram as ciências humanas e retoma, mais uma vez, a ideia do homem como um ser biopsicossocial.</p><p>28/08/2024, 16:34 A5_u4_Antropologia Filosofica o PROBLEMA METODOLÓGICO DAS CIÊNCIAS HUMANAS Como vimos, as ciências naturais ofereceram subsídios preciosos para o surgimento das ciências humanas, como o método positivista em seus trabalhos. Este é o caso de Auguste Comte (1798-1857), que compreendia a evolução social em três estágios: teológico, metafísico e positivo. Observe a semelhança dos estágios sociais de Comte à evolução do pensamento ocidental, que passou do mítico para o filosófico até chegar ao científico. Todavia, foi com o antipositivismo da ciência, representada pela hermenêutica, que as ciências humanas mais se desenvolveram metodologicamente. Tomemos como exemplo a Psicologia, originalmente concebida como ciência autônoma por um grupo de médicos observe a proximidade com as ciências naturais que fundaram, na Alemanha, um laboratório para processos de controle experimental. Mesmo que baseada na fisiologia (precursora da Medicina), para analisar os problemas com a psicofísica retomando Aristóteles -, a Psicologia desenvolveu seus métodos de investigação sobre o ser humano a partir da superação de cinco problemas. primeiro, a complexidade dos fenômenos humanos, refere-se à impossibilidade de simplificação dos fatores relacionados com o controle de, pelo menos, uma das condições de estudo. Em outras palavras, ao contrário das ciências naturais, como a física, cujos experimentos em laboratório permitem isolar e estabilizar a temperatura, a pressão ou o volume, na Psicologia, ao analisar o comportamento humano, não é possível simplificar a análise isolando fatores, como hereditariedade, meio, impulsos ou memória (ARANHA, 2003). A complexidade nos leva à segunda dificuldade, que se impõe na construção metodológica das ciências humanas: a dificuldade de experimentação. Ainda exemplificando a partir da Psicologia, a dificuldade de identificação e controle dos fatores que influenciam o comportamento humano limita a experimentação. Além disso, a experimentação poderia levar à interpretação tendenciosa dos fenômenos, comprometendo os resultados, o que também poderia acontecer no caso da reprodução do fenômeno como no laboratório -, uma vez que determinados fenômenos só poderiam ser observados acidentalmente, como forma de resguardar a integridade física, psíquica e moral do indivíduo, garantindo os princípios éticos da pesquisa. Outro problema metodológico das ciências humanas decorre das anteriores, a matematização, ou a materialização por meio de métodos de pesquisa quantitativos em detrimento dos qualitativos, que carregam consigo uma carga subjetiva, outra problemática. Nesse sentido, como demonstrar, objetivamente, os fatores que levam a um determinado comportamento humano? A interpretação estaria fadada à subjetividade? E, por fim, ao contrário das ciências da natureza que assumem o determinismo cujo princípio de que na natureza tudo que existe pressupõe, obrigatoriamente, uma causa qual seria a superação das ciências humanas para este problema, considerando a liberdade humana? Ainda que cada uma dessas problemáticas pareçam, à primeira vista, insuperáveis, as humanidades se consolidaram como campo científico. Portanto, mesmo com o processo metodológico em constante construção e aperfeiçoamento, as ciências humanas adotaram princípios próprios que dão conta dos problemas anteriormente elencados. A forma de enfretamento dessas dificuldades estaria diretamente relacionada aos pressupostos filosóficos admitidos pelo cientista, ou o que a Psicologia conhece como abordagem. É dessa forma que as ciências humanas desenvolveram métodos que superam, em boa medida, essas problemáticas impostas pelo seu desligamento das ciências naturais.</p><p>28/08/2024, 16:34 A5_u4_Antropologia Filosofica os MÉTODOS DAS CIÊNCIAS HUMANAS Para que se consolidassem como ciência autônoma, as ciências humanas precisaram superar uma série de limitações e problemas metodológicos. Vimos que as ciências humanas seguem duas linhas tradicionais de metodologia, a positivista e a hermenêutica e, desta última, decorrem as superações aos limites impostos pela primeira. Como não pretendemos esgotar as possibilidades de interpretação da metodologia das ciências humanas e considerando a antropologia como um dos campos das ciências sociais, vamos nos deter à Psicologia neste momento. A hermenêutica se estabelece como a forma de ultrapassar esses limites, especialmente, o monismo metodológico positivista. Mesmo não sendo uma forma homogênea, pois a hermenêutica abriga diferentes linhas de pensamento, essa metodologia pressupõe os pressupostos de explicação e compreensão para dar conta das particularidades dos diferentes fenômenos humanos. À primeira vista, explicação e compreensão podem ser interpretadas como sinônimos, mas Wilhelm Dilthey (1833-1911) sistematiza a distinção entre esses conceitos em Introdução às Ciências do Espírito novamente, observe a concepção aristotélica de homem biopsicossocial. Na obra, Dilthey estabelece a explicação enquanto um conceito casual, ou seja, a explicação de um fato decorre da sua causa, consolidando, assim, as leis casuais. Já a compreensão diz respeito à intencionalidade, considerando o humano como um ser cognoscente, ou seja, consciente da sua realidade e de si. Retomando o nosso exemplo, alguns dos expoentes dessa área admitiram linhas diferentes de pensamento. Ivan Pavlov (1849-1936) realizou experimentos sob a abordagem positivista para desenvolver a Psicologia Comportamentalista, estabelecendo o conceito de reflexo condicionado na aprendizagem. A pesquisa consistia na verificação de fatores não condicionados (alimento e som) em cães que eram expostos ao alimento após soar uma campainha. Inicialmente, ao ouvir o som, os cães levantavam as orelhas e, à exposição posterior do alimento, salivavam, demonstrando um reflexo simples e imediato, ou seja, não aprendido. Com o tempo, apenas com o som, os cães passaram a salivar, demonstrando a capacidade de aprendizado por estímulos, que antes era neutro e, agora, se manifesta de maneira eficaz, ou seja, um reflexo condicionado, provocado pela aprendizagem. Ao perpetuar essas condições, estabelece-se o reforço positivo, enquanto o contrário também se mostra verdadeiro: com a interrupção da associação entre som e alimento, a tendência é que a resposta seja extinta, levando à anulação do reflexo condicionado. As experiências de Pavlov inauguraram a Psicologia Comportamentalista, ou Behaviorismo, e os métodos utilizados, tanto para a experimentação quanto para a interpretação, seguem fidedignamente os princípios positivistas, evocando os conceitos de materialização, determinismo e objetividade. Em contrapartida ao comportamentalismo, surge a fenomenologia, de caráter hermenêutico, que se contrapõe às condições impostas pela racionalidade e neutralidade estrita das humanidades enquanto campo científico. A clássica relação entre sujeito e objeto, em que no positivismo devido à sua cartesiana estabelece-se pela separação, é superada na hermenêutica pela vinculação. Entenda a relação sujeito-objeto como a relação entre corpo-espírito ou homem-mundo, cuja separação proposta pelo positivismo dá sequência ao dualismo psicofísico agora, retornamos à filosofia platônica. A hermenêutica, por meio da fenomenologia, supera o dualismo psicofísico ao considerar que que toda consciência visa ao mundo em detrimento da consciência separada do mundo (positivista, empirista e platônica). Isso significa que o mundo é percebido pelo homem, carregando nos seus sentidos as subjetividades e particularidades que lhe constituem ou constituem o meio. Inaugura-se na fenomenologia a questão do sinal e símbolo, em que o primeiro participa do mundo físico do objeto, enquanto o símbolo é parte do sentido humano. Ou seja, na fenomenologia, são superados os problemas metodológicos das ciências humanas impostos pelos princípios positivistas, uma vez que o</p><p>28/08/2024, 16:34 A5_u4_Antropologia Filosofica conhecimento sobre o objeto (homem) admite as condições peculiares do ser e do ambiente. Vemos, nesse movimento, uma quebra de paradigmas sobre o "fazer científico" com a ascensão da fenomenologia, no sentido de "facilitar a compreensão da diversidade de campos especializações científicas", como revelou Thomas Kuhn (2013, p. 76-77). mesmo autor também nos chama a atenção para o fato de que uma "revolução produzida no interior dessas tradições não se estenderá necessariamente às outras" (p. 78), ou seja, os métodos das ciências naturais não foram invalidados com a fenomenologia, apenas houve a ruptura entre estes e os das ciências humanas, como forma de expandir o horizonte de produção de conhecimento sobre o homem. VÍDEO RESUMO Olá, estudante! Nesse vídeo, você verá um breve resumo sobre as principais diferenças entre as tradições metodológicas positivista e hermenêutica, além do aprofundamento dos exemplos de aplicação dessas correntes teóricas. Você verá também que, apesar de terem se originado das ciências naturais, ambas as metodologias se relacionam de maneira diferente com os pressupostos empíricos e se distinguem sobre a concepção de seu objeto (ser humano). 6d Saiba mais Nesta aula, associamos o desenvolvimento metodológico das ciências humanas a partir do desenvolvimento da Psicologia. Como esta área do conhecimento apoia diversas outras, como a Antropologia, é essencial que você a conheça para o seu desenvolvimento acadêmico, profissional e pessoal. Por isso, indicamos a leitura do livro Psicologia Social, de Mayra Campos Frâncica dos Santos, especialmente, a Unidade 2, para que você entenda melhor as possíveis entre a Filosofia, a Psicologia e as ciências sociais. Aula 2 CIÊNCIAS SOCIAIS Nesta aula, avançaremos sobre o campo científico das ciências sociais e exploraremos um pouco mais do chão histórico em que a sociologia floresceu para, em seguida, compreendermos o seu desenvolvimento e, sobretudo, da Antropologia. 18 minutos INTRODUÇÃO Nesta aula, sobre o campo científico das ciências sociais e exploraremos um pouco mais do chão histórico em que a sociologia floresceu para, em seguida, compreendermos o seu desenvolvimento e, sobretudo, da Antropologia. desse conhecimento seus métodos fundadores, para, então, refletir sobre a sua influência no que hoje conhecemos como</p><p>28/08/2024, 16:34 A5_u4_Antropologia Filosofica sociedade. A partir disso, retomaremos, brevemente, o tópico ciências humanas, para que seja possível, agora, identificar em que momento histórico essas ciências se tornaram necessárias para o estudo do ser humano biopsicossocial. Para o melhor aproveitamento dos seus estudos, é importante que você considere essa aula como um momento de reflexão e questione-se: afinal, o que é sociologia? Qual a sua relação com as ciências sociais? E, talvez, a questão mais importante: como o conhecimento produzido pelas ciências sociais contribui, efetivamente, para os saberes e as práticas das ciências humanas? AS BASES DAS CIÊNCIAS SOCIAIS Apesar de muitos pensadores especularem sobre a natureza e o funcionamento das relações sociais desde a Grécia Antiga, as ciências sociais são uma forma de conhecimento relativamente nova se comparada à filosofia e consolidada por volta do século XIX. Lembrando que as ciências humanas e as ciências sociais decorreram das ciências naturais, destacamos a forte influência da Teoria da Evolução ou evolucionismo apresentada na obra A Origem das Espécies (1859), de Charles Neste trabalho seminal, são defendidas as ideias de que todas as espécies e seres vivos se adaptaram, continuamente, às intempéries do meio, e esse aperfeiçoamento teria garantido a sobrevivência dos seres mais aptos e evoluídos devido à seleção natural das espécies. Essas ideias transcenderam o seu campo originário, as ciências naturais, inscrevendo-se também nas ciências sociais, especialmente, entre os teóricos dedicados à análise da sociedade, resultado no que viria a ser conhecido como darwinismo social. Analisando as sociedades à luz da Teoria da Evolução, admite-se que as sociedades se transformaram e se desenvolveram no mesmo sentido, cujos saltos evolutivos representam a passagem de um estágio inferior para outro superior, que revelaria a superioridade do organismo social, devido à sua alta capacidade de adaptação, evolução e complexidade. As ciências naturais também contribuíram para as ciências sociais com a corrente teórica de análise social conhecida como organicismo. Seguindo os rastros de Darwin, os organicistas se empenhavam na busca de elementos universais da espécie humana em detrimento de suas particularidades. Com isso, a intrínseca relação entre as ciências naturais e a análise social se revela como a principal característica do positivismo, cujo precursor, Augusto Comte, consolida o sistema de ideias que abarca ciência, religião e filosofia, classificando e atribuindo diferentes objetos e métodos a cada uma dessas dimensões do conhecimento. Disso, Comte elabora a teoria da evolução da inteligência humana, de onde extraiu o conceito de lei fundamental, que consiste nos três estágios que vimos anteriormente: teológico, metafísico e positivo. Observe a expectativa do positivismo de estender a concepção das leis invariáveis como abordagens de investigação de todos os fenômenos humanos, o que nos leva ao postulado determinista do cientificismo. Derivado do cientificismo, o positivismo reconhecia os princípios reguladores do mundo físico e do mundo social, ainda que ambos se diferenciassem em sua essência. E é desse contexto que nasce a sociologia. Mas, como ficaria a classificação das ciências, seguindo os critérios positivistas de Comte? Partindo da menos para a mais complexa, Comte admite cinco ciências: astronomia, química, física, fisiologia e física social as duas últimas são conhecidas, atualmente, como biologia e sociologia, respectivamente. Note que, na hierarquia das ciências, Comte estabelece que a sociologia estaria no grau mais alto e, portanto, no estágio mais evoluído da escala do conhecimento. Estabelecida a base da sociologia, ou física social, segundo o positivismo, Émile Durkheim funda oficialmente a sociologia como área autônoma do conhecimento e propõe o rompimento dos paradigmas dos princípios dessa nova ciência com os das ciências naturais. Assim, ambas se distanciam não apenas pelo objeto, "mas na</p><p>28/08/2024, 16:34 A5_u4_Antropologia Filosofica ideia de que as ciências sociais se referem à realidade objetiva, isto é, a realidade social, e que têm por pressuposto a construção abstrata do próprio conceito de sociedade, de toda forma, podendo ser analisada por diferentes métodos" (BARBOZA, 2016, p. 98). E dessa diversidade metodológica bem como dos objetos de estudo, ou seja, o homem biopsicossocial pensadores tratam de problematizar a realidade social para que seja possível a compreensão das transformações contextuais em curso, estabelecendo, assim, áreas específicas do conhecimento em ciências sociais, a saber: a antropologia e o estudo da diversidade cultural e da dimensão simbólica; a sociologia, que dá conta das relações sociais, e a ciência política e seus estudos sobre as relações de o MÉTODO ANTROPOLÓGICO A partir do século XVIII, com o advento do espírito científico que "pensa, pela primeira vez, em aplicar ao próprio homem os métodos até então utilizados na área física ou da biologia" (LAPLATINE, 2003, p. 7), a física social do positivismo de Comte dá lugar à sociologia de Émile Durkheim, que, apesar de se inspirar no seu antecessor, sente a necessidade de elaborar métodos efetivos para o novo objeto que surge no campo científico: o homem biopsicossocial. Dessa maneira, a sociologia surge como um conjunto de conceitos, técnicas e métodos de investigação científica empregado para a vida social. Mas, antes de adentrarmos ao conceito de sociologia, vamos nos later, por alguns instantes, ao termo "vida social". Começando pela compreensão de que, no nosso nascimento, não temos opções de escolha sobre fatos que determinam, em certa medida, nossa trajetória, como o país, a classe social e até a família em que nascemos, pois a estrutura social em que nos inserimos nesse primeiro momento já existia e, provavelmente, continuará existindo, independentemente da nossa existência. Disso decorre a reflexão sobre a nossa adaptação a essa estrutura original, a partir da consciência sobre o outro e, consequentemente, sobre as regras, os padrões, os fenômenos sociais etc., e vamos nos tornando cada vez mais socializados ao logo do tempo. E é dessa relação que estabelecemos com outras pessoas e com o ambiente que vivemos que se baseia a sociologia. Entretanto, como já vimos, a sociologia vai muito além de compreender a vida social que se constrói, já que os indivíduos são, efetivamente, os criadores dessa estrutura. A sociologia mais se inscreve na percepção do ser humano sobre os variados aspectos da vida, como trabalho, saúde, família, amor, sexo etc. e questiona: por que alguns indivíduos se tornam agentes socialmente ativos de suas vidas, enquanto outros contestam essa estrutura que os circunscrevem? Para entender o ser humano nas variadas dimensões que o compõem, a sociologia elabora uma série de preceitos que, em certo momento, motivarão o rompimento de paradigmas para se consolidar como campo científico autônomo. E, sendo as ciências sociais precursoras das ciências humanas, podemos inferir que o campo das ciências sociais envolve uma série de disciplinas, como Sociologia, Antropologia, Ciência Política, Economia, entre outras.</p><p>28/08/2024, 16:34 A5_u4_Antropologia Filosofica Cada uma destas disciplinas possui um corpo teórico específico e correntes teóricas que fundamentam as diversas pesquisas, mas sempre com a preocupação de pensar, sob diversas perspectivas, o homem como ser social. A antropologia é um campo, ao mesmo tempo, antigo e novo. Antigo porque a antropologia como ciência só pode ser pensada a partir do momento em que a ciência passa a ser tratada como principal fonte de conhecimento do mundo, isto é, a partir do século XVII. (MACHADO et al., 2015, p. 55) Assim, delineada a sua grande área, a Antropologia passa a dedicar-se à resolução dos seus grandes problemas, como o empecilho de estudar o homem pelo homem, tendo em vista que o objeto haveria de se confundir com o pesquisador. Assim, a Antropologia determina que seu objeto passaria a ser o outro, ou seja, povos distantes que compartilhassem de um sistema cultural e social distinto dos pesquisadores europeus e norte-americanos, que, neste contexto, passaram a ser conhecidos como "primitivos" ou "selvagens", mas que, na verdade, nada mais eram do que sociedades não ocidentais. Contudo, com a amplitude de expedições dedicadas aos estudos daqueles que, até então, eram considerados "primitivos" e "selvagens", a Antropologia passa por uma escassez de objeto, levando-a a elaborar um novo critério para a concepção de seus objetos de estudo, de forma que essa fonte seja inesgotável (MACHADO et al., 2015). E, assim, a Antropologia supera o seu paradoxo original com a elaboração de uma nova base epistemológica, que consiste na retomada do homem como ser biopsicossocial e, independentemente das condições materiais ou imateriais que o objeto compartilhe com o pesquisador, as múltiplas e diferentes dimensões adquiridas em sociedade dariam conta da delimitação do lugar geográfico e simbólico entre eles. o OBJETO ANTROPOLÓGICO E SEUS MÉTODOS DE ESTUDO Ainda que o primeiro paradoxo da Antropologia tenha sido superado, resta agora aos seus representantes determinar as bases conceituais e metodológicas que darão corpo a essa nova ciência. Neste primeiro momento, como nos dizem Machado et al. (2015, p. 61), a Antropologia decide "estudar o homem em sua complexidade, envolvendo elementos das ciências sociais e naturais [o que] imprime na antropologia uma característica paradoxal" e, novamente, o paradoxo se revela numa questão metodológica, pois "isto dá à antropologia a característica de uma disciplina especializada e, ao mesmo tempo, faz com que a antropologia seja uma das disciplinas mais generalizadas do escopo da ciência". Isso ocorre devido à natureza da disciplina, uma vez que se revela especialista no estudo do homem e de sua experiência (vida social) e, ao mesmo tempo, generalista, já que sua concepção de ser humano biopsicossocial abarca uma infinidade de aspectos da vida humana. E com tantos aspectos para serem estudados, a própria Antropologia necessitou fragmentar-se para alcançar o objeto em questão. Com isso, histórica e didaticamente, trataremos aqui de duas linhas de desenvolvimento da Antropologia: a europeia e a norte-americana. Figura 1 Divisão da Antropologia europeia</p><p>28/08/2024, 16:34 A5_u4_Antropologia Filosofica Antropologia Estudo da humanidade Antropologia Antropologia Cultural Física Estudo da cultura e dos modos Estudo da constituição de vida biológica da humanidade Fonte: elaborada pela autora. Figura 2 Divisão da Antropologia norte-americana (Four Fields) Antropologia Estudo da humanidade Antropologia Antropologia Arqueologia Linguística Física Cultural Estudo da cultura e dos Estudo da língua, modos de vida a partir Estudo da constituição Estudo da cultura e da oralidade e da da análise de objetos biológica da humanidade dos modos de vida materiais linguagem Fonte: elaborada pela autora. A partir da segmentação da Antropologia, outros focos foram absorvidos, e estudiosos importantes se desenvolveram nesses campos, cujas contribuições foram significativas para as demais ciências. Por exemplo, com o surgimento da Antropologia do Corpo, inaugura-se uma nova concepção da existência humana, considerando o conceito de corpo social, ou seja, a construção social sobre o corpo do indivíduo. E desse conceito abrem-se novas perspectivas para a compreensão de fenômenos, como a construção social de gênero e identidade social, a concepção da infância e da adolescência como indivíduos também dotados de direitos, a mercantilização e objetificação do corpo, a corpolatria e o capacitismo. Sabemos que a Antropologia compreende o ser humano para além de sua existência física (corpo), mas a questão sobre a constituição do corpo na sociedade revela a internalização de experiências vividas pelo indivíduo e apenas por ele, pois a experiência humana não é homogênea e envolve outros fatores materiais e imateriais, como condições socioeconômicas, gênero, expressão étnico-cultural e outros marcadores sociais da diferença. Observe que, na divisão europeia, a Antropologia divide-se em Física e Cultural. A primeira entende o homem como ser biopsicossocial, mas enfatiza os aspectos materiais da vida humana. É neste momento que os estudos étnico-raciais ganham corpo, bem como, no aspecto macro, a evolução física do ser humano se torna relevante. Observe a forte influência das ciências naturais nessa abordagem. Já a Antropologia Cultural evoca conceitos da sociologia e enfatiza os aspectos imateriais, ou melhor dizendo, simbólicos, da vida humana. Aqui, encontramos estudos significativos sobre a cultura e a organização da vida em sociedade podemos dizer que a Antropologia Cultural também abarca a Antropologia Social, já que a</p><p>28/08/2024, 16:34 A5_u4_Antropologia Filosofica organização social também imprime suas marcas na cultura, e vice-versa. Apesar da imaterialidade do objeto, ainda é perceptível a noção evolucionista nessa perspectiva, uma vez que as culturas são categorizadas em intensidade, da menos para a mais evoluída evolucionismo. VÍDEO RESUMO Agora que já temos subsídios para compreender a ascensão da Antropologia no campo das ciências sociais, neste vídeo, discutiremos um pouco mais sobre o contexto, os conceitos e os autores que consolidaram essa área. Para isso, traçaremos um paralelo entre as ciências humanas e sociais para entendermos as motivações para a divisão da Antropologia em diferentes abordagens, bem como o desenvolvimento das metodologias e dos conceitos próprios que tornaram a disciplina autônoma no campo científico 6d Saiba mais A Teoria Evolucionista aplicada à análise da sociedade influenciou o que viria a ser conhecido posteriormente como Darwinismo Social, um dos pilares do Positivismo que as ciências sociais especialmente a Antropologia se encarregaram de superar como problema metodológico. Contudo, essas teorias ainda ecoam em narrativas construídas pela sociedade. E a indústria audiovisual também explora essa perspectiva, como analisa Alfonso M. Rodríguez de Austria Giménez de Aragón, no artigo World War Z: darwinismo social e renascimento da cosmovisão nacional-socialista, sobre o filme Word War Aula 3 ETNOCENTRISMO Os fenômenos sociais, que são denominados etnocentrismo, multiculturalismo e racismo, estão intimamente ligados. Eles expressam formas pelas quais as sociedades se colocam em relação às suas diferenças étnicas, sejam estas diferenças dadas no interior de uma mesma sociedade, sejam entre sociedades distintas. 14 minutos INTRODUÇÃO Os fenômenos sociais, que são denominados etnocentrismo, multiculturalismo e racismo, estão intimamente ligados. Eles expressam formas pelas quais as sociedades se colocam em relação às suas diferenças étnicas, sejam estas diferenças dadas no interior de uma mesma sociedade, sejam entre sociedades distintas. Durante nossos estudos, entenderemos o significado de cada um destes termos e, posteriormente, a relação entre eles. Aqui, teremos um momento importante para a reflexão acerca das diferenças culturais entre as sociedades, formando o conceito de multiculturalismo. Também, analisaremos como a doutrina racista tenta se apropriar de conceitos científicos para se legitimar enquanto ideologia de dominação social e econômica. Boa leitura!</p><p>28/08/2024, 16:34 A5_u4_Antropologia Filosofica ETNOCENTRISMO Inicialmente, devemos definir o que vem a ser etnia, pois fizemos referência às diferenças étnicas nas sociedades. O termo "etnia" designa uma população que possui uma origem cultural em comum expressando o sentimento de pertencimento a tal origem. A consciência de pertencimento a uma etnia é dada pela identificação com uma língua, um território e uma história comuns. mundo é povoado por diferentes etnias, portanto, por diferentes culturas. Ao fenômeno de existência de diferentes culturas, denominamos multiculturalismo. Ser multicultural é uma característica presente em toda a nossa história, pois nos constituímos e nos representamos de formas diferentes, de formas múltiplas. Entendemos por multiculturalismo a existência das várias culturas que podem, por vezes, se sobrepor, se justapor ou, ainda, se contrapor. Isto se justifica porque as diferenças entre as culturas podem ou não conviver de forma harmônica. Tais diferenças podem gerar (e têm gerado ao longo de nossa história) espaços de disputas (FENIMAN, 2020). Em oposição ao fenômeno do multiculturalismo, temos o interculturalismo. Este se refere à noção de intercâmbio cultural, à noção de troca entre as culturas. Aqui, a aceitação do outro (do diferente) já está posta. Com isso, a noção de conflito se afasta. conceito de etnocentrismo revela a compreensão de um povo (etnos) acerca de si mesmo ao se referir a um outro povo. A visão etnocêntrica se remete à percepção de um povo que toma a si mesmo como referência para compreender o outro. Assim, em uma visão etnocêntrica, um determinado povo se compreende como centro geográfico e moral que serve de medida para a avaliação do outro. termo "etnocentrismo" descreve tanto a homogeneidade de um povo quanto as diferenças dos outros povos quando comparados àquele povo que percebe a sua homogeneidade. Tal descrição é uma forma de lidar com o estranhamento que o outro provoca. Ressalta-se que tal estranhamento não significa rejeição. Trata-se de uma forma de perceber o estranho, ou seja, aquilo que não é habitual tal qual é habitual a cultura em que um povo já está inserido. Compreendidas à luz da Antropologia, as diferenças entre os povos são percebidas em uma análise técnica e científica, portanto, são diferenças construídas socialmente. Diferente disto, é a percepção de que as diferenças entre os povos possam ser naturais (FENIMAN, 2020). Quando são aceitas as doutrinas que estabelecem que existem diferenças naturais entre os povos, estamos diante da doutrina racista. Isto porque, para que uma diferença seja considerada natural, é necessário que aceitemos a ideia de que os valores morais e sociais possam ser transmitidos geneticamente. Nem a Biologia, nem a Sociologia, nem a Antropologia, como ciências, assumem esta ideia. Pelo contrário: já sabemos que os valores sociais e morais são construídos socialmente e que eles se transmitem e se renovam pela prática social. O racismo, assim, não tem apoio em nenhuma teoria científica. o RACIALISMO Agora, aprofundaremos os nossos conhecimentos. Ao longo de nossa história, o racismo já foi legitimado cientificamente. Embora já tenha sido descartado como uma possibilidade pelas teorias científicas, ele continua vigorando nas sociedades como prática social. racismo assume o caráter de uma doutrina. E por quê? Entendemos por doutrina aqueles conhecimentos que não possuem comprovação científica. Assim, tanto o conhecimento religioso quanto o filosófico, por exemplo, são doutrinas, pois defendem teorias que não são comprovadas como o são as científicas. Enquanto doutrina, o racismo vigora e se reproduz nas várias sociedades ignorando as teorias científicas. Ele se reproduz por meio do preconceito e pela crença de que as diferenças sociais podem ser raciais. Ele se reproduz, também, pela crença de que as diferenças sociais podem ser eliminadas, uma vez que sejam</p><p>28/08/2024, 16:34 A5_u4_Antropologia Filosofica eliminadas as populações desiguais socialmente. racismo tem a sua origem na doutrina racialista. Ele defende que a espécie humana se encontra dividida em raças, o que significa que a espécie humana estaria dividida em categorias biológicas. Isto explicaria a distinção biológica entre os povos. uso do termo "raça" para fazer referência aos seres humanos deriva de sua utilização nas ciências biológicas, especificamente, na teoria evolucionista. Assim como a teoria evolucionista explica a evolução e a diferença entre as espécies, a doutrina racialista explica a diferença biológica, marcadamente, as diferenças na aparência entre os povos. Ao longo da nossa história, o racialismo se transformou em racismo. Esta transformação se deu quando as diferenças na aparência entre os povos passaram a ser justificadas no âmbito social e moral. Assim, as diferenças sociais e culturais passaram a ser atribuídas à constituição biológica de um povo. Isto formou, então, a prática racista. Em meados do século XIX, o racismo formou a base doutrinária de que as sociedades estavam divididas em tipos raciais que estavam determinados, biologicamente, a progredirem ou não. Com a Revolução Francesa, no século XVIII, as sociedades ocidentais passaram, gradativamente, a experimentar as formas de governo baseadas no princípio de igualdade entre os direitos dos homens. O princípio jurídico de igualdade social deveria garantir que todos os seres humanos tivessem acesso aos mesmos direitos. No entanto, não foi isso (e continua não sendo) o que observamos nas sociedades. Como, então, justificar a permanência das desigualdades? racismo fornecerá a explicação sobre as desigualdades entre os povos. Tal explicação mascara as desigualdades que possuem origem nas políticas econômicas praticadas nas sociedades. insucesso econômico passa a ser atribuído a aspectos raciais, pois estaria na constituição das raças as aptidões ou não para o trabalho e para o progresso financeiro. Assim, concluímos que as explicações racialistas e racistas para as diferenças sociais entre os povos não se justificam do ponto de vista científico. Pelo contrário, tais explicações, sobretudo as racistas, possuem um caráter ideológico, pois pretendem servir de explicação para as desigualdades sociais. Sabemos que as desigualdades sociais são construídas em nosso meio social, jamais instituídas biologicamente. RACISMO Neste momento, aplicaremos os conhecimentos que adquirimos e aprofundamos até aqui. Historicamente, descreveremos alguns desdobramentos das práticas racistas sobre a humanidade. O racismo serve para justificar as desigualdades de origem política e econômica entre os povos. Uma associação perigosa e nefasta para a nossa história se deu entre as crenças racistas e a engenharia genética. Esta associação nos levou à eugenia. Do que se trata, então? A eugenia era uma teoria que surgiu no final do século XIX. Sua pretensão era a de empregar os princípios tanto da teoria evolucionista quanto aqueles presentes na seleção natural ao que poderia ser considerado um melhoramento da espécie humana. Ela partia de observações da realidade e estabelecia, a partir delas, relações de causa e consequência, em que havia somente correlações. que significa isto? A realidade social é marcada por fenômenos que tendem a se repetir no interior dos estratos sociais. Esta repetição está relacionada às condições materiais em que estes fenômenos são gerados. Por serem condições materiais, tendem a se perpetuar. Veja: nenhuma relação de determinação está posta quando nos referimos ao que os seres humanos fazem na vida social. Todas as nossas práticas sociais e decisões são frutos da nossa capacidade de investigar, analisar e julgar. Somos dotados de razão, e isto nos permite conduzir as nossas histórias de vida. Esta capacidade de investigação, análise e julgamento vale para todos. Isto implica dizer: vale para cada um de nós como</p><p>28/08/2024, 16:34 A5_u4_Antropologia Filosofica indivíduo e para os projetos políticos e econômicos de dominação de uma sociedade sobre a outra. Assim, as práticas racistas guardam, em seu interior, um projeto de dominação de um povo sobre o outro. Trata-se de uma dominação que se dá no campo econômico e que se legitima (se justifica) na doutrina racista. Repare: para justificar um projeto de sociedade hegemônica economicamente, a nossa prática histórica tem demonstrado que o racismo serve para que tal projeto seja levado a termo. escravismo é um exemplo de prática racista que serviu para justificar o processo econômico de colonização do Brasil. Porque os colonizadores admitiam a superioridade racial entre brancos e negros, assumiram a prática escravista e viabilizaram, com isso, o processo de colonização e acúmulo de riquezas. Encontramos um outro exemplo histórico de racismo: trata-se da perseguição ao povo judeu durante a Segunda Guerra Mundial. Devemos, sim, considerar que estes exemplos históricos são passados, mas possuem a capacidade de preservar os seus princípios racistas. Isto porque ainda encontramos as práticas racistas fortemente enraizadas nas sociedades, incorporadas ao pensamento de grande parte da população que está disposta a agir com base em princípios de separação e exclusão dos diferentes. racismo é uma prática social, por vezes, silenciosa e, por vezes, declarada explicitamente. Hoje, no Brasil, temos leis e regramentos para punir as práticas racistas declaradas e flagradas, mas devemos estar atentos às práticas racistas silenciosas que se perpetuam no nosso dia a dia. VÍDEO RESUMO Olá, estudante! Neste vídeo, apresentaremos os conceitos de etnocentrismo, multiculturalismo e racismo. Veremos como tais conceitos se relacionam e se realimentam e como eles têm sido utilizados, ao longo da nossa história, para legitimarem as práticas racistas e de dominação econômica entre os povos. Além disso, veremos como as práticas racistas são responsáveis pela segregação social. 6d Saiba mais Para aprofundar seus estudos, leia o capítulo intitulado Antropologia pós-colonial, na página 100 do livro Antropologia Nele, você encontrará a descrição do conceito do termo "pós-colonial" e entenderá como a Antropologia revê os seus métodos e conceitos. Boa leitura! Aula 4 LEITURA FILOSÓFICA DAS CIÊNCIAS SOCIAIS Olá, estudante! Nesta aula, descreveremos os conceitos de metafísica e de ontologia. Para que isto seja possível, precisamos compreender como tais conceitos se relacionam com a metafísica. Portanto, além de fazermos uma aula definindo conceitos, iremos, ainda, relacioná-los. 16 minutos</p><p>28/08/2024, 16:34 A5_u4_Antropologia Filosofica INTRODUÇÃO Olá, estudante! Nesta aula, descreveremos os conceitos de metafísica e de ontologia. Para que isto seja possível, precisamos compreender como tais conceitos se relacionam com a metafísica. Portanto, além de fazermos uma aula definindo conceitos, iremos, ainda, relacioná-los. A distinção entre ser e aparência se encontra no cerne desta possibilidade de correlacionar conceitos. Aquilo que conhecemos pelas aparências revela o que, essencialmente, uma coisa é? Estamos autorizados a fazer a distinção entre ser e aparência quando desejamos conhecer algo? Quando nos referimos à ontologia e à metafísica, será que estamos nos referindo a conceitos distintos? Questões como estas serão respondidas em nossa aula, a qual tem por fio orientador a necessidade que temos de conhecer o mundo e as coisas nele existentes. Boa leitura! EPISTEMOLOGIA Nesta aula, estudaremos a correlação entre a epistemologia e a ontologia. A epistemologia e a ontologia são dois ramos de estudos da filosofia que nos auxiliam quando tentamos compreender a formação das ciências sociais. Isto porque o que nos interessa é compreender o que seja o ser humano e como ele interage no mundo social e como ele se representa nesta interação. Repare que faremos discussões em conceitos filosóficos específicos, mas devemos considerar que, se estamos discutindo o ser e a epistemologia, estamos, ao mesmo tempo, pensando a formação das ciências sociais. E por quê? As ciências sociais estão preocupadas com o fazer humano no mundo. Ora, aqui já se admite que o homem existe, que está no mundo e que faz isto e aquilo. Mas, o que é ser homem? Como é possível conhecer e fazer isto e aquilo? É neste sentido que estamos pensando os conceitos filosóficos, tendo em vista as ciências sociais. Para que possamos definir os conceitos de epistemologia e de ontologia, precisamos, antes, definir o conceito de metafísica. A história da filosofia atribui a Aristóteles a formulação do conceito que corresponde ao conteúdo do que denominados metafísica. O próprio Aristóteles não se refere aos seus estudos fazendo uso deste termo. Em vez de enunciar o termo "metafísica", ele se referiu à expressão "filosofia primeira". Com esta expressão, pretendeu se referir a um tipo de ciência que precede as demais e que, por isso mesmo, garante-lhes os fundamentos, ou seja, as bases para que se constituam como ciências. Para Aristóteles, a filosofia primeira (metafísica) é a ciência das causas e dos princípios. Andrônico de Rodes foi o criador do termo metafísica quando categorizou as obras de Aristóteles. Podemos afirmar que a característica que a epistemologia e a ontologia possuem em comum é a pretensão de tentar responder à seguinte pergunta: "o que é?". Este questionamento tenta definir o que as coisas existentes são. As respostas que a metafísica fornece à pergunta "o que é?" incorpora três intenções. Uma delas é a de tentar construir provas sobre a existência dos fundamentos sob os quais se assenta a realidade. A outra intenção é a de tentar estabelecer as relações que existem entre as entidades que fundam a realidade. Por fim, a terceira intenção é a de compreender o que seja a existência, ou seja, o que seja existir. A metafísica se expressa por meio de argumentos não contraditórios. Mas, não seria esta a característica de todas as ciências, a saber, a de argumentar sem contradições? Com as ciências empíricas, é diferente. Elas produzem resultados que podem se expressar materialmente na realidade e contam com um recurso adicional aos seus argumentos não contraditórios: elas podem ser demonstradas pela experiência prática, sensível no mundo.</p><p>28/08/2024, 16:34 A5_u4_Antropologia Filosofica A Era Moderna utiliza a palavra "ontologia" para se referir ao "ser". As discussões sobre o ser, próprias à ontologia, e o que é possível ser afirmado como verdade (ou como conhecimento) remontam às discussões sobre as filosofias de Heráclito e Parmênides. Quanto a isso, sejam as palavras de Machado (2020, p. 29): Desse modo, o primeiro afirma o devir (mudança) e o segundo o ser. Portanto, com Heráclito e Parmênides, duas novas problemáticas iniciaram-se: uma relacionada ao ser, a ontologia (ser em grego é to on, transliterado para o alfabeto latino como ontos, daí a origem do termo ontologia: estudo do ser); e outra relacionada ao conhecimento, a gnosiologia (gnose em grego é conhecimento) ou epistemologia (episteme, em grego, é ciência). Assim, depreendemos da citação anterior que, em Heráclito, já encontramos uma preocupação com o ser e, em Parmênides, uma preocupação com a possibilidade de conhecer. ONTOLOGIA Agora, aprofundaremos os nossos conhecimentos. Por razões históricas e a fim de não emitirmos juízos anacrônicos, não podemos atribuir o uso dos termos epistemologia e ontologia a Heráclito e a Parmênides, posto que, inicialmente, realizamos uma Teoria do Conhecimento, e não, propriamente, uma epistemologia. Eles eram filósofos pré-socráticos, e o uso destes termos é posterior às suas filosofias. Ainda assim, podemos dizer que uma preocupação com o ser (ontológica, portanto) já aparece em Parmênides, e uma preocupação em dizer o que as coisas são em função da mudança que sofrem (epistêmica, portanto) já aparece em Heráclito. Ontologia se refere ao ser. seu sentido é dado a partir da noção de pertencimento, a partir da consideração de que existem coisas que pertencem a alguém no caso, trata-se daquilo que pertence ao ser. Esta noção de pertencer se opõe a de parecer pertencer. Em outras palavras, o ser se opõe à noção de aparecer ou ainda, o ser se opõe à aparência. Modernamente, a palavra "ontologia" se mostrou mais adequada para expressar o que Aristóteles designou como filosofia primeira (e, mais tarde, a história da filosofia denominou de metafísica). A filosofia primeira de Aristóteles define que o seu interesse de estudos é o ser das coisas existentes. Nas línguas latinas, usamos o termo "essência" para designar este ser das coisas ao qual Aristóteles se referia. Admitimos, aqui, que o termo essência assume o sentido de estudo do que as coisas existentes possuem de real e de verdadeiro. Repare que o uso do termo "verdadeiro" designa aquilo que é oposto às aparências. Esta noção de que o real e verdadeiro é oposto às aparências origina-se da compreensão aristotélica de que as essências se referem àquilo que as coisas possuem nelas mesmas a despeito das transformações e mudanças que lhes ocorrem ao longo de suas existências. Aqui, encontra-se em relevo aquilo que é perene (permanente) nas coisas. A partir destas considerações, já podemos, neste momento, correlacionar o termo ontologia com o termo metafísica. Como se dá esta correlação? Tal correlação se dá porque encontramos em Aristóteles a condição que rege a sua filosofia primeira: ela é aquilo que vem antes de tudo e que se configura com as causas primeiras de tudo o que existe, inclusive, de todos os seres. A filosofia primeira (ou metafísica) é aquilo que condiciona a existência de tudo. É neste sentido que, quando utilizamos tanto o termo metafísica quanto o ou que assim sendo.</p><p>28/08/2024, 16:34 A5_u4_Antropologia Filosofica É importante registrar que utilizar os termos metafísica e ontologia como sinônimos não é um consenso no interior da filosofia. Por exemplo, o filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976) se opõe ao uso do termo metafísica e consagra o uso do termo ontologia. Ele pretende pensar uma ontologia baseada na existência do homem em sua vida mundana - e não em uma esfera fora do mundo. Concluímos assim, que a ontologia se relaciona diretamente à epistemologia, uma vez que aquele que conhece é aquele que, ao mesmo tempo, investiga quem é o ser que conhece. APARÊNCIA E VERDADE Neste momento, podemos aplicar os nossos conhecimentos às nossas inquietações cotidianas. Começaremos pensando a relação entre ser e aparência. Quando utilizamos estes termos - ser e aparência -, pode parecer que estamos nos referindo somente a temas filosóficos. Todavia, veremos que não é o caso. Você já reparou que pensamos a relação entre aparência e verdade frequentemente? Associaremos, aqui, o termo verdade ao termo ser, conforme estudamos. Por vezes, assistimos a um comercial sobre um produto e nos perguntamos se aquilo que está sendo dito a respeito da funcionalidade deste produto é ou não verdadeiro. Concorda? Outras vezes, ouvimos uma pessoa dizer algo e suspeitamos que as suas palavras não sejam verdadeiras. Supomos até que aquilo que ela diz é oposto do que, de fato, pensa ou fará. Você já parou para pensar no significado dos exames de imagens, como as radiografias ou ultrassonografias? O que tais exames nos mostram? Eles nos mostram uma espécie de verdadeira aparência. Isto porque um paciente pode aparentar estar bem de saúde, mas os exames que revelam os seus órgãos internos devem confirmar ou não essa aparência. que os exemplos enunciados até aqui nos mostram é que, seja em nossa prática cotidiana, seja na prática médica (portanto, no exercício da ciência), estamos, comumente, suspeitando que exista uma realidade escondida por trás das aparências. Sobretudo, praticamos a tentativa de revelar uma verdadeira aparência. Práticas como as descritas até aqui se fundamentam em nossa compreensão (já assumida por nós em nossa formação ocidental) de que há uma distinção entre ser e aparecer ou entre ser e aparência. Inclusive, o senso comum consagrou o ditado "as aparências enganam". Tudo isto reflete a tradição do pensamento filosófico ocidental, o qual entende que a verdade se esconde por trás das aparências. Para que ela seja conhecida, é preciso, então, romper com as aparências enganosas. Repare que, quando admitimos isto, estamos nos locomovendo tanto no âmbito da ontologia (ou metafísica) quanto no âmbito da epistemologia. E por que podemos afirmar isto? Podemos realizar afirmações como as anteriores porque o que a ontologia faz é buscar o ser que não se dá a conhecer imediatamente quando observamos as aparências. É preciso, então, realizarmos o uso da especulação racional para que possamos encontrar o ser. Fazemos referência ao "uso da especulação racional", pois é por meio da razão que encontramos o ser e não por meio do aparato sensorial. Logo, por meio dos nossos sentidos, somente encontramos as aparências. que nos faz admitir que há uma essência por trás das aparências é a nossa crença metafísica (ou ontológica). É por meio das afirmações metafísicas que estabelecemos a existência de uma verdade que subjaz ao ser. A tentativa de conhecer essa verdade é, então, o papel da epistemologia, que pretende conhecer aquilo que, verdadeiramente, existe. Assim, você poderá fazer o exercício de pensar em que medida as nossas afirmações cotidianas e científicas são ontológicas e epistêmicas.</p><p>28/08/2024, 16:34 A5_u4_Antropologia Filosofica VÍDEO RESUMO Olá, estudante! Neste vídeo, apresentaremos os conceitos de epistemologia, metafísica e ontologia. Nele, você analisará a relação entre metafísica e ontologia, considerando as suas semelhanças. A partir destas semelhanças, poderemos dizer que se trata do mesmo conceito? Você analisará também qual é a relação que a epistemologia mantém com a ontologia. Isto o levará a compreender a relação entre ser e aparecer. 6d Saiba mais Indicamos o capítulo intitulado Epistemologia, do livro Introdução à filosofia, no qual você encontrará a descrição do conceito de epistemologia e entenderá como ele é importante quando pensamos o ser das coisas e o processo de conhecimento delas. Boa leitura! Aula 5 AS DIFERENTES PERSPECTIVAS SOBRE o QUE É HOMEM NAS CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS 13 minutos AS CIÊNCIAS SOCIAIS Olá, estudante! Em nossos estudos, o objetivo foi o de descrever como o conceito de ser humano é forjado no interior das Ciências Sociais. Tal compreensão se liga, necessariamente, ao conceito filosófico acerca do que significa o "ser" presente na expressão "ser humano". Quem se ocupa com essa conceituação é a ontologia. Quando pensamos em compreender o que sejam as Ciências Sociais, enquanto produção de conhecimento, devemos nos preocupar, inicialmente, com a epistemologia. E por quê? A epistemologia é o ramo da filosofia que estuda as possibilidades de conhecer, as possibilidades que possuímos de gerar conhecimento. Tais possibilidades dizem respeito às potências da razão. A pergunta que orienta a epistemologia moderna é "O que podemos conhecer?". Isto porque, modernamente, assumimos que a razão possui limites e que, se quisermos conhecer algo, devemos, antes, conhecer as potências de nossa razão. Uma vez que seja possível delimitar os limites da razão, podemos, então, tentar compreender como as Ciências Sociais lidam com os seus objetos de estudos. Se não podemos unificar os objetos de estudos da Sociologia, da Antropologia e da Ciência Política, podemos, ao menos, afirmar que estas ciências possuem em comum a formação da vida social (MACHADO, 2015). Para pensarmos a vida social, precisamos pensar também o que seja o ser humano. Por isso, insistimos no conceito de ontologia. Os seres humanos se perceberam como objeto de estudos de si mesmos quando decidiram estudar a vida social. Diferente das demais ciências, as Ciências Sociais convertem o sujeito da</p><p>28/08/2024, 16:34 A5_u4_Antropologia Filosofica pesquisa em objeto de si mesmo. Um dos conceitos trabalhados pelas Ciências Sociais é o de etnocentrismo. Este conceito se remete à compreensão que um povo realiza acerca de si mesmo. Isto ocorre como uma cultura toma a si mesmo como referência para pensar aquilo que ela não conhece, aquilo que lhe estrangeiro (PREVITELLI, 2017). Uma consequência negativa do etnocentrismo ocorre quando uma cultura se percebe como superior à outra, negligenciado a compreensão de que diferenças não implicam as noções de superioridade ou inferioridade. Uma outra consequência negativa do etnocentrismo pode implicar o racismo. Isto porque se uma cultura compreende que os seres humanos podem ser compreendidos a partir do conceito de raça, tendem a formular que existem raças inferiores e superiores entre os humanos (FENIMAN, 2020). Diferente da afirmação do racismo, os conceitos de etnia e de multiculturalismo nos fazem compreender que o mundo é forjado pela diversidade e pelas várias culturas presentes nele. Assim, a ontologia, que estuda o ser, não está ao largo desta discussão. REVISÃO DA UNIDADE Neste vídeo, faremos uma discussão sobre os conceitos de etnocentrismo e de multiculturalismo. A intenção aqui é discutir estes conceitos à luz das Ciências Sociais. Certamente, a compreensão acerca da ontologia nos é indispensável aqui, por isso trabalhamos também uma compreensão do ser. Um dos objetos de estudos das Ciências Sociais é o próprio sujeito da investigação. Como conciliar esta semelhança ? ESTUDO DE CASO Para contextualizar a sua aprendizagem, suponha a sua participação na situação a seguir. Você leciona para o ensino médio e percebe que, em sua sala de aula, se encontram alunos que são nascidos na mesma região da escola, mas são oriundos de famílias vindas de diferentes partes do país. A fim de aproximar as diferentes referências culturais de seus alunos, em uma de suas aulas, você pediu que eles relatassem qual era o prato culinário preferido em suas casas. Conforme eles relatavam, você percebeu que alguns se referiam a pratos regionais que alguns colegas não conheciam. Alguns dos pratos, você mesmo nunca havia provado, como pato no tucupi. Enquanto a aula se desenvolvia, você também percebeu que alguns colegas ironizavam as referências culturais dos outros. A partir disso, você encontrou uma oportunidade para trabalhar os conceitos de etnocentrismo e de multiculturalismo. A fim de levar os alunos à reflexão, você propôs que lessem alguns versos de "Sampa", uma música de Caetano Veloso. São estes os versos:</p><p>28/08/2024, 16:34 A5_u4_Antropologia Filosofica Alguma coisa acontece no meu coração Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi Da dura poesia concreta de tuas esquinas Da deselegância discreta de tuas meninas (...) Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto É que Narciso acha feio o que não é espelho E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho Nada do que não era antes quando não somos mutantes Estes versos pareceram enigmáticos aos alunos. Eles não entenderam as aproximações que você pretendeu fazer reunindo os relatos sobre os diferentes pratos culinários, o novo conceito de etnocentrismo e, ainda mais, os versos da Neste momento, você percebeu que era chegada a hora de fornecer recursos conceituais para que os alunos construíssem, por eles mesmos, a relação que você havia proposto. Sendo assim, a partir desta experiência sobre a ironia que alguns colegas fizeram aos demais no dia da aula sobre pratos preferidos e considerando os conceitos de etnocentrismo e multiculturalismo, pergunta-se: quais estratégias discursivas você criaria para que os alunos associem a situação vivida, os conceitos e os versos da música? A resposta a este questionamento deve produzir um texto que, após a aula, você fornecerá uma cópia aos alunos. Bom trabalho! Reflita Olá, estudante! Antes de começar a produzir o texto que servirá de base para a sua aula e que, ao seu final, será distribuído aos alunos, reflita sobre os seguintes pontos.: em primeiro lugar, atenha-se aos conceitos de etnocentrismo e de multiculturalismo. Apresente estes conceitos aos alunos em uma linguagem didática, considerando que são alunos do ensino médio. Após definir os conceitos, tente estabelecer uma relação entre eles. Acentue a sua conceituação no conceito de multiculturalismo. Uma vez que o conceito de multiculturalismo tenha sido bem trabalhado em seu texto, rememore a experiência em sala de aula. Vários alunos que possuem referências culturais diferentes expressaram as suas culturas culinárias. Alguns estranharam os pratos descritos pelos colegas e ironizaram. É hora de fazer uma provocação: será que estas posturas irônicas podem ou não ser consideradas etnocêntricas? Feito este amadurecimento, é hora de se later aos versos da música. Recomendo que você leia a música na íntegra e reflita sobre os versos selecionados. Os versos refletem o estranhamento daquele que não se percebe representado quando entra em contato com uma cultura estranha à sua. Agora é hora de relacionar os conceitos, a experiência em sala de aula e os versos. Bom trabalho!</p><p>28/08/2024, 16:34 A5_u4_Antropologia Filosofica RESOLUÇÃO DO ESTUDO DE CASO Olá, estudante! Neste momento, demonstraremos uma possível redação resolvendo o caso apresentado a você. Inicialmente, é preciso considerar as definições conceituais. Os conceitos de etnocentrismo estão interligados. termo "etnocentrismo" deriva de etnos (povo) e faz referência à percepção que um povo tem de si mesmo. Para que um povo compreenda o outro, é comum que seja eleito um ponto de referência para analisar a cultura do outro. Este ponto de referência tem sido a própria cultura daquele que analisa aquilo que ele mesmo não é. Quando um povo ou uma cultura se compreende como a única referência possível para analisar o outro, temos o fenômeno social intitulado etnocentrismo, que pode vir a gerar preconceitos e discriminações. conceito de multiculturalismo faz referência à existência de várias culturas, de várias formas diferentes de entendermos a mesma coisa. Quando pensamos na existência das múltiplas culturas, percebemos que a diversidade rege o mundo. Isto implica que, dentro da multiplicidade, nenhuma cultura pode se erguer como melhor ou do que a outra, pois é a diferença que aparece quando estas culturas são apresentadas, e não uma escala hierárquica entre elas. Quando os alunos descreveram os seus pratos favoritos, alguns se referiram às culinárias regionais de seus pais. Isto causou estranhamento a quem nunca provou alguns dos pratos. A estranheza em relação à cultura do outro é normal, pois ela também é uma forma de nós nos enriquecermos e experimentarmos a diferença, ou seja, aquilo que nós não somos. que não é correto, o que é antiético é a ironia, pois isto pode, sim, gerar uma postura etnocêntrica. Os versos da música espelham o estranhamento em relação à cultura do outro. Os versos selecionados expressam a estranheza de alguém que chega a uma cidade que não é a sua e interpreta o que vê a partir do lugar que lhe cabe: o seu próprio lugar. Trata-se de um relato de quem chega a São Paulo. visitante não entende o que vê, experimenta a sensação de dureza na vivência das ruas e crê que as moças são deselegantes. Em determinado momento, ele entende o seu estranhamento: "Narciso acha feio o que não é espelho/E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho". Isto quer dizer que aquilo que não sou eu mesmo causa estranheza e, inicialmente, repúdio À medida que o estranhamento é desfeito, o outro passa a ser percebido nele mesmo, e não mais a partir daquilo que eu mesmo sou. É chegada a hora de os alunos reverem as ironias que fizeram sobre o relato das preferências culinárias de seus colegas.</p><p>28/08/2024, 16:34 A5_u4_Antropologia Filosofica RESUMO VISUAL Émile Durkheim: elabora métodos efetivos para o estudo novo objeto que surge no campo científico Sociologia e as contribuições ao estudo do homem biopsicossocial. Fonte: Wikimedia Commons. Ramos da filosofia essenciais ao conhecimento das Ciências Sociais (e demais ciências): Ontologia: estudo do ser, aquilo que permanece idêntico a si mesmo. Metafísica: o que explica a existência do ser (causas e fundamentos). Fonte: Wikimedia Commons. existência das várias culturas sobrepostas, justapostas e/ou opostas Etnocentrismo: compreensão de um povo (etnos) acerca de si mesmo em referência a um outro povo. Fonte: Wikimedia Commons. REFERÊNCIAS 2 minutos Aula 1 ARANHA, M. L. de A. Filosofando: introdução à filosofia. 3. ed. São Paulo, SP: Moderna, 2003. DILTHEY, W. Introdução às ciências do espírito: um ensaio sobre a natureza, os limites e a significação do entendimento humano. Tradução e apresentação de Rodrigo Duarte. São Paulo: UNESP, 2010. FERIANI, D. M. Fundamentos antropológicos e sociológicos. Londrina, PR: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2018. FOUCAULT, M. As Palavras e as Coisas: uma arqueologia das ciências humanas. 8. ed. São Paulo, SP: Martins Fontes, 1999. KUHN, T. S. A Estrutura das Revoluções Científicas. 12. ed. São Paulo, SP: Perspectiva, 2013. MACHADO, J. A. L. et al. Antropologia filosófica e sociológica. Londrina, PR: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2015. Aula 2 BARBOZA, S. de G. História da Sociologia. Londrina, PR: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2016. KUHN, T. S. A Estrutura das Revoluções Científicas. 12. ed. São Paulo, SP: Perspectiva, 2013. 2003.</p><p>28/08/2024, 16:34 A5_u4_Antropologia Filosofica MACHADO, J. A. L. et al. Antropologia Filosófica e Sociológica. Londrina, PR: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2015. Aula 3 FENIMAN, S. F. Antropologia Londrina, PR: Educacional, 2020. Disponível em: contemporanea.pdf. Acesso em: 10 dez. 2022. MACHADO, J. A. L. et al. Antropologia filosófica e sociológica. Londrina, PR: Educacional, 2015. Disponível em: filosofica-e-sociologica.pdf. Acesso em: 10 dez. 2022. PREVITALLI, I. M. Fundamentos da Antropologia. Londrina, PR: Educacional, 2017. Aula 4 FENIMAN, S. F. Antropologia Contemporânea. Londrina, PR: Educacional, 2020. Disponível em: https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/2010-antropologia- contemporanea.pdf. Acesso em: 10 dez. 2022. MACHADO, J. A. L. et al. Antropologia filosófica e sociológica. Londrina, PR: Educacional, 2015. Disponível em: https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/286-antropologia filosofica-e-sociologica.pdf. Acesso em: 10 dez. 2022. MACHADO, J. A. L. Introdução à filosofia. Londrina, PR: Educacional, 2020. Disponível em: https://biblioteca- em: 4 mar. PREVITALLI, I. M. Fundamentos da Antropologia. Londrina, PR: Educacional, 2017. Imagem de capa: Storyset e</p>

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