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<p>OLHAR SOCIAL PARA O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO DA VILA DOS</p><p>PESCADORES NO MUNICIPIO DE CUBATÃO</p><p>Bruno de Souza Ribeiro1</p><p>Resumo: Este artigo visa apresentar a experiência do trabalho</p><p>técnico social realizado com a comunidade Vila dos Pescadores,</p><p>no município de Cubatão em relação ao processo que antecede</p><p>urbanização do núcleo, das quais, as demandas apresentadas</p><p>requerem um empenho na coordenação das múltiplas etapas da</p><p>constituição do Projeto Habitacional, com o objetivo de</p><p>proporcionar um atendimento integral à comunidade.</p><p>Palavras-chave: políticas de habitação e urbana; trabalho</p><p>social; serviço social; participação; urbanização; habitação.</p><p>Abstract: This article aims to present the experience of technical</p><p>social work carried out with the Vila dos Pescadores community,</p><p>in the municipality of Cubatão, in relation to the process that</p><p>precedes the urbanization of the nucleus, of which the demands</p><p>presented require a commitment to coordinating the multiple</p><p>stages of the Project's constitution. Housing, with the aim of</p><p>providing comprehensive service to the community.</p><p>Keyword: housing and urban policies; social work; social</p><p>service; participation; urbanization; housing.</p><p>1 Introdução</p><p>O Município de Cubatão, que integra a Região Metropolitana da Baixada</p><p>Santista, que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE,</p><p>em 2022, possui população estimada de aproximadamente 112.476. A cidade</p><p>destaca-se na região devido à presença do setor industrial instalado no</p><p>município, e foi a partir desta forte característica que problemas sociais se</p><p>estabeleceram em consequência da ocupação desordenada na área urbana.</p><p>1 Pós-graduado e Serviço Social e Políticas Públicas, Assistente Social da Secretaria Municipal de</p><p>Habitação do Município de Cubatão/SEHAB, ribeiros.bruno@icloud.com.</p><p>A maioria dos trabalhadores, atraídos por melhores condições de vida, era</p><p>migrantes da região Nordeste e foram contratados por uma série de indústrias</p><p>de grande porte. Após o término do acordo de trabalho, devido à dificuldade em</p><p>retornar para sua cidade de origem, os mesmos estabeleceram-se no Município.</p><p>O presente artigo apresenta o diagnóstico da área de intervenção, além</p><p>dos dados de perfil socioeconômico da população beneficiaria. Além disso,</p><p>refere-se às descrições de objetivos e metas do Trabalho Social e as ações que</p><p>serão realizadas nas Fases de Pré-Obras.</p><p>Para a elaboração deste artigo foram considerados os documentos</p><p>produzidos durante a fase de Pesquisa cadastral dos moradores da Vila dos</p><p>Pescadores realizado pela empresa Painel e estudos de Concepção urbanística</p><p>pela empresa Conviva realizada no ano de 2022/2023, sendo que, ao mesmo</p><p>foram incorporadas sugestões decorrentes de reuniões ocorridas entre os</p><p>técnicos da Prefeitura, visitas técnicas a área do projeto e contatos com</p><p>moradores e lideranças locais.</p><p>O a execução do Trabalho Social no Projeto tem como parâmetro as</p><p>Portarias Nº 21, de 22 de janeiro de 2014 e N° 464 de julho de 2018, apontado</p><p>pelas diretrizes do Ministério das Cidades nas intervenções em habitação,</p><p>saneamento e demais intervenções que haja previsão de deslocamento</p><p>involuntário de famílias de seu local de trabalho e moradia.</p><p>Portanto, as intervenções do Trabalho Social deverão observar os quatros</p><p>eixos, respeitando as características da área de intervenção e da macro área</p><p>indicada no diagnóstico:</p><p>I. Mobilização, Organização e Fortalecimento social;</p><p>II. Acompanhamento e Gestão Social da Intervenção;</p><p>III. Educação Ambiental e Patrimonial;</p><p>IV. Desenvolvimento Socioeconômico;</p><p>2 Desenvolvimento</p><p>1.1. O núcleo</p><p>A Vila dos Pescadores originou-se na década de 1960, inicialmente</p><p>conhecida como Vila Siri, localizada ao sul no município de Cubatão, é um</p><p>assentamento irregular instalado sobre área de manguezal, quando um grupo de</p><p>pescadores artesanais, catadores de siris e caranguejos, visando à exploração</p><p>do Rio Casqueiro, fonte geradora de seu sustento, ali se instalaram na faixa</p><p>situada entre a margem esquerda do Rio Casqueiro e a faixa de domínio da</p><p>antiga rede ferroviária federal – RFFSA, sendo que além dos pescadores, as</p><p>primeiras residências, ali construídas, se destinavam aos trabalhadores</p><p>vinculados à operação e manutenção da ferrovia.</p><p>Alguns recursos básicos favoreceram o crescimento da vila, como a</p><p>proximidade do bairro residencial do Jardim Casqueiro e da Via Anchieta. Além</p><p>dos pescadores, as primeiras residências, ali construídas, se destinavam aos</p><p>trabalhadores vinculados à operação e manutenção da ferrovia.</p><p>Nos anos 70, em razão da insuficiente e inexpressiva produção</p><p>habitacional à população de baixa renda e oferta de trabalho no Polo Industrial,</p><p>houve migração de moradores dos municípios limítrofes e de outros estados das</p><p>regiões sudeste, norte nordeste (Minas Gerais, Pernambuco, Bahia etc.) à</p><p>Cubatão. Este movimento desencadeou a ocupação desordenada em áreas de</p><p>preservação (APP`s, manguezais, Mata Atlântica) e o adensamento em</p><p>construções precárias em palafitas (40% aproximadamente) e a verticalização,</p><p>atuais características do processo de “auto urbanização” do bairro. No processo</p><p>de atualização Cadastral realizada no Núcleo durante o ano de 2021, foi</p><p>apontado que a Vila dos pescadores possui 3.632 famílias, totalizando 9.037</p><p>pessoas, resultando na média de 2,48 pessoas por família.</p><p>O bairro é composto de 02 avenidas, 05 ruas asfaltadas, com exceção da</p><p>Avenida Ferroviária I e cerca de 30 caminhos (becos).</p><p>Existe fornecimento regular de água para 64% dos moradores, não há</p><p>rede coletora de esgotos. A coleta de lixo é realizada de 2.ª a sábado, entretanto,</p><p>o índice de moradores em palafitas que não utilizam o sistema de coleta de</p><p>resíduos e descartam seu lixo no mangue nas imediações das suas casas é alto,</p><p>tendo em vista que 24,1% das edificações são de palafitas</p><p>Com relação à energia elétrica praticamente todos os domicílios são</p><p>atendidos, os moradores se utilizam de “gatos”, apenas 30% têm ligação regular</p><p>de energia. A rede é extremamente precária e o risco eminente de incêndio é</p><p>uma constante. A maioria dos moradores paga apenas uma taxa de energia.</p><p>Figura 1: Mapa de intensidade de Infraestrutura da Vila dos Pescadores.</p><p>Um aspecto do assentamento da Vila dos Pescadores diz respeito ao fator</p><p>mobilidade. A característica dessa população é de mobilidade moderada, ou</p><p>seja, das famílias que ocuparam a área, grande parte permanece residindo.</p><p>Embora o assentamento tenha passado por um processo natural de</p><p>adensamento ao longo dos anos, muitas famílias e suas gerações seguintes</p><p>moram no bairro; fato que difere de outros assentamentos como a Vila</p><p>Esperança, por exemplo, alvo maior da mobilidade do trabalhador de origem</p><p>nordestina.</p><p>O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de Vila dos</p><p>Pescadores é 0,645, em 2010, o que situa esse bairro na faixa de</p><p>Desenvolvimento Humano “médio” (IDHM entre 0,600 e 0,699). A dimensão que</p><p>mais contribui para o IDHM do bairro é Longevidade, com índice de 0,701,</p><p>seguida de Renda, com índice de 0,584, e de Educação, com índice de 0,305.</p><p>Vila dos Pescadores ocupava, em 2010, a 256ª posição entre as 270 UDHs</p><p>(Unidades de Desenvolvimento Humano) da Região Metropolitana da Baixada</p><p>Santista e a 22ª posição entre as 25 UDHs de Cubatão segundo o IDHM. No</p><p>ranking de UDHs da RM – Baixada Santista, o maior IDHM é 0,956 (Boqueirão:</p><p>Orla – Santos/SP) e o menor é 0,628 (Antártica: Núcleo Maxland – Praia</p><p>Grande/SP). Enquanto no ranking de UDHs do município de Cubatão, o maior</p><p>IDHM é 0,848 (Parque São Luiz/Rubens Lara – Cubatão/SP) e o menor é 0,645</p><p>(Vila dos Pescadores – Cubatão/SP).</p><p>Figura 2 - Representação em faixas de desenvolvimento do IDHM da Vila dos Pescadores</p><p>Fonte: Atlas Brasil, 2010.</p><p>Sobre a estrutura etária,</p><p>entre 2000 e 2010, a razão de dependência total</p><p>na UDH passou de 55,62% para 48,35%, e a proporção de idosos, de 2,05%</p><p>para 2,64%. Já no município, a razão de dependência total passou de 47,74%</p><p>em 2000 e 41,34% em 2010.</p><p>Sobre a longevidade, mortalidade e fecundidade; a mortalidade infantil</p><p>(mortalidade de crianças com menos de um ano de idade) na Vila dos</p><p>Pescadores passou de 30,20 óbitos por mil nascidos vivos, em 2000, para 23,00</p><p>óbitos por mil nascidos vivos, em 2010, na UDH. Já no município, a taxa era de</p><p>22,80 óbitos por mil nascidos vivos, em 2000, e passou para 16,17 óbitos por mil</p><p>nascidos vivos, em 2010. No mesmo período, no estado de São Paulo, essa taxa</p><p>passou de 19,35 para 13,86 óbitos por mil nascidos vivos e a taxa do Brasil entre</p><p>2000 e 2010, caiu de 26,1 óbitos por mil nascidos vivos para 16,0 óbitos por mil</p><p>nascidos vivos (DATASUS). Com a taxa observada em 2010, o Brasil cumpre</p><p>uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações</p><p>Unidas, segundo a qual a mortalidade infantil no país deve estar abaixo de 17,9</p><p>óbitos por mil nascidos vivos em 2015. Todavia, nota-se que as taxas da Vila dos</p><p>Pescadores estão acima da média do município, estado e país.</p><p>A concentração ou distribuição da renda entre a população residente no</p><p>município é medida pelo índice de Gini, onde numa escala de 0 a 1, o zero</p><p>significa total igualdade e 1 total desigualdade. O índice de Gini4 na UDH era de</p><p>0,40, em 2000, e caiu para 0,39, em 2010, indicando uma leve redução na</p><p>desigualdade de renda. Observou-se pelos dados apresentados no Atlas Brasil,</p><p>uma melhora no indicador de pobreza entre os anos de 2000 à 2010 passando</p><p>de 23,39% para 16,29% e o indicador de extrema pobreza mudou de 6,70% para</p><p>5,95%.</p><p>A rede de serviços é composta por uma Unidade Básica de Saúde - UBS,</p><p>uma escola de educação infantil, uma creche, duas Organização da Sociedade</p><p>Civil – OSC (Exército da Salvação e Instituto ISAC), um centro comunitário e</p><p>uma quadra de esportes.</p><p>Com a finalidade de urbanizar e produzir unidades habitacionais a Vila</p><p>dos Pescadores foi alvo de dois Programas, o Guará Vermelho com recursos do</p><p>Banco Internacional para Reconstrução - BIRD e Desenvolvimento e o Programa</p><p>de Aceleração do Crescimento - PAC com recurso do Governo Federal, porém,</p><p>por diversos fatores não houve seguimento.</p><p>1.2. DIAGNÓSTICO SOCIOTERRITORIAL DO NÚCLEO</p><p>A execução da Atualização Cadastral da Vila dos Pescadores é parte</p><p>integrante do Projeto de Urbanização da Vila dos Pescadores, em atendimento</p><p>ao Acordo firmado com o Ministério Público conforme Ação Civil Pública nº</p><p>0006668-16.2014.8.26.0157/Descumprimento de TAC.</p><p>Em atendimento ao disposto acima, a Secretaria de Habitação, após</p><p>processo licitatório, efetivou a contratação da empresa Painel, tendo como objeto</p><p>os Serviços Técnicos Especializados em Atualização Cadastral, Formatação de</p><p>Banco de Dados e Diagnóstico Socioeconômico da Vila dos Pescadores, para</p><p>execução num período de 04 meses e com vigência de 06 meses (24/11/20 à</p><p>24/05/21).</p><p>A pesquisa foi realizada em caráter censitário com identificação de todos</p><p>os imóveis edificados na época do levantamento de campo. Foi aplicado</p><p>questionário, contendo informações acerca da caracterização dos imóveis,</p><p>composição familiar, renda familiar, visando identificar o perfil socioeconômico</p><p>além das condições da moradia.</p><p>Para organização do trabalho, e por estarem localizados em áreas</p><p>caracterizadas por assentamento irregular, os imóveis foram identificados com</p><p>placa em PVC descrevendo o setor, quadra e lote. Eventualmente com letras</p><p>junto aos números, quando estes eram geminados ou subdivididos com entradas</p><p>independentes, caracterizando-se em imóveis distintos, correspondendo cada</p><p>imóvel, qualquer que fosse seu uso, a um questionário.</p><p>As entrevistas foram realizadas no período de 04 de janeiro de 2021 a 04</p><p>de maio de 2021, com os chefes da família e cônjuge de cada imóvel. Para cada</p><p>família, constituída como uma unidade distinta. Nas moradias que possuíssem</p><p>mais de uma família (regime de coabitação), foi preenchido questionário para</p><p>cada uma.</p><p>Todos os imóveis foram identificados e cadastrados como residenciais,</p><p>comerciais, institucionais, outros, obtendo-se o mapeamento dos imóveis e suas</p><p>respectivas utilizações.</p><p>O cadastramento levantou informações sobre todas as edificações</p><p>existentes na vila, bem como sobre as pessoas que nelas residem. A análise</p><p>levou em consideração, sempre que possível a avaliação do cadastro em dois</p><p>aspectos: por contagem de edificações ou, quando unidades residenciais e/ou</p><p>mistas pela soma das pessoas. Assim é possível ter uma visão clara, não apenas</p><p>das condições de moradia, mas também quantas pessoas são impactadas</p><p>principalmente no que tange as condições de vulnerabilidade social e</p><p>habitacional.</p><p>Com essas informações em mãos, os técnicos da Secretaria Municipal de</p><p>Habitação identificaram que era o momento de compreender quais seriam as</p><p>ações e estratégias para execução do trabalho social no núcleo.</p><p>Destacamos os seguintes instrumentos a serem utilizados como pilares</p><p>para o desenvolvimento dos eixos do Trabalho Social em toda sua extensão, a</p><p>seguir:</p><p>• Implementação de Plantão Social;</p><p>• Oficinas Temáticas e eventos voltados ao perfil da população local,</p><p>vinculada à estratégia de trabalho;</p><p>• Momentos de discussão e reflexão de temas de interesse comuns,</p><p>tais como, oficinas, reuniões, grupos de trabalho, eventos lúdicos preparados</p><p>coletivamente, envolvendo a população e lideranças comunitárias;</p><p>• Instrumentos informativos de participação coletiva, como jornais,</p><p>cartilhas, campanhas, vídeos, apoio às manifestações culturais da comunidade;</p><p>Faz-se necessário para implementação do Projeto a integração dos</p><p>parceiros da rede, dos órgãos públicos, de organizações comunitárias locais, no</p><p>desenvolvimento das ações, como um dos instrumentos de apoio às ações a</p><p>serem implementadas.</p><p>Após essa etapa de aprofundamento do conhecimento da realidade local</p><p>e do perfil da população, fatores incidentes, condicionantes e potencialidades,</p><p>descreveram as ações do Trabalho Social.</p><p>Vencida a etapa de organização, os Assistentes Sociais vão trabalhar com</p><p>os munícipes do Núcleo atendido o despertar o sentido de organização para o</p><p>planejamento do novo espaço, tais como, regras de convivência em condomínio</p><p>e associação de bairro.</p><p>Ao processo de cidadania é necessário o fortalecimento das associações</p><p>e órgãos representativos existentes, o reconhecimento das lideranças</p><p>comunitárias e o mapeamento de novas, bem como sua capacitação e a</p><p>fomentação.</p><p>Por meio de eventos e/ou atividades que visem à valorização da história</p><p>do bairro e da sua cultura, bem como a identificação de seus atores (artesãos,</p><p>anciãos, entre outros), busca-se despertar o sentimento de valorização,</p><p>pertencimento e apropriação das áreas e equipamentos públicos e da unidade</p><p>habitacional, coibindo o vandalismo e enriquecendo os laços familiares e a</p><p>autoestima da sociedade local.</p><p>1.3. SOBRE O PROJETO</p><p>O projeto prevê 6 fases para o processo de reurbanização da Vila dos</p><p>Pescadores, sendo elas:</p><p>• Fase 1: Essa fase será a construção de 40 casas flutuantes; tendo que</p><p>reassentar 14 famílias para construção do píer que ancorará as casas flu-</p><p>tuantes;</p><p>Figura 3: Conceito Urbanístico das Casas Flutuantes</p><p>• Fase 2: Implantação de infraestrutura e construção de 1329 Unidades Ha-</p><p>bitacionais divididos em 8 conjuntos habitacionais, não precisando ter re-</p><p>assentamento de famílias por ser áreas sem ocupação;</p><p>Figura 4: Conceito Urbanístico do Conjunto habitacional Vila dos Pescadores</p><p>• Fase 3: essa fase conta com a construção de equipamentos públicos</p><p>✓ Duas novas escolas;</p><p>✓ Um novo CRAS</p><p>✓ Um novo equipamento de saúde;</p><p>✓ Novos espaços de lazer e cultura;</p><p>✓ Um centro de reciclagem;</p><p>✓ Mercado do Peixe;</p><p>✓ Reforma e ampliação do atual portinho;</p><p>✓ Reforma de ampliação do Centro Comunitário.</p><p>• Fase 4: Contará com implantação de infraestrutura e construção de 817</p><p>casas embriões em área onde atualmente apresenta maior número de</p><p>benfeitorias em madeira, tendo previsão de 2464 remoções que ocuparão</p><p>as unidades habitacionais construídas na fase 2 e as próprias casas em-</p><p>briões;</p><p>• Fase 5: Consiste em reassentar todas as casas que se encontram na fu-</p><p>tura construção da via de borda nas casas embriões construídos na fase</p><p>anterior, além da construção de mais 40 Casas Flutuantes;</p><p>• Fase 6: Consolidação de 2641 casas (possivelmente).</p><p>Figura 5: Mapa do projeto urbanístico da Vila dos Pescadores</p><p>Todo o projeto prevê a implantação de unidades habitacionais dotadas de</p><p>infraestrutura, implantando rede de abastecimento de água, tratamento de</p><p>esgoto, rede elétrica, telefonia, permitindo o acesso ao transporte público,</p><p>serviços essenciais, entre as quais, bombeiros, correios, policiamento.</p><p>3. Considerações finais</p><p>A Vila dos Pescadores, localizada na cidade de Cubatão, SP, enfrenta</p><p>desafios significativos devido ao crescimento populacional e à falta de espaços</p><p>construtivos. Para abordar essa situação, foi concebido um inovador Plano</p><p>Diretor Urbanístico que comporte 3 tipologias de moradias diferentes e ainda o</p><p>processo de consolidação de casas. Esse Plano visa atender às necessidades</p><p>básicas, culturais e organizacionais da população, proporcionando uma solução</p><p>sustentável e adaptável.</p><p>Exemplo disso são as casas flutuantes que são projetadas para se</p><p>ajustarem às mudanças no nível da água, garantindo segurança e conforto aos</p><p>moradores. As casas flutuantes desempenham um papel crucial ao utilizar</p><p>materiais sustentáveis e sistemas de esgoto independentes. Dada a persistente</p><p>falta de infraestrutura, essa abordagem inovadora oferece não apenas proteção</p><p>contra enchentes, mas também uma qualidade de vida com baixo impacto</p><p>ambiental. Além disso, a manutenção dessas casas flutuantes é mais</p><p>econômica, reduzindo os gastos com reparos.</p><p>Ressaltamos que essas tipologias foram escolhidas a partir das</p><p>demandas da comunidade e que as consolidações é parte essencial desse</p><p>processo para que se evite o máximo esse processo de remoção e que com ele</p><p>traz inúmeras Questões Sociais.</p><p>O processo de discussão dos projetos entre o Município e a comunidade</p><p>pesqueira transcorreu no mais absoluto entendimento, que foi iniciada no ano de</p><p>2020, sendo os projetos elaborados de acordo com a demanda por eles</p><p>apontadas, não havendo mais nenhuma demanda sobre o assunto, tendo</p><p>inclusive as lideranças do núcleo se manifestando total aquiescência aos</p><p>projetos selecionados, parabenizando a parceria com o Município na pessoa da</p><p>secretária de Habitação Dra. Andréa Castro pela coordenação dos trabalhos de</p><p>discussão.</p><p>A importância do trabalho social na urbanização da comunidade é</p><p>fundamental para garantir o bem-estar e a qualidade de vida dessas populações.</p><p>O contato direto e contínuo da equipe social com os moradores é crucial para</p><p>planejar atividades que beneficiem a comunidade como um todo.</p><p>Em resumo, o trabalho social desempenha um papel crucial na promoção</p><p>do bem-estar, na proteção dos direitos humanos e na sustentabilidade das</p><p>comunidades pesqueiras durante processos de urbanização.</p><p>4 Referências</p><p>ARREGUI, C. C PAZ, Rosangela D. O. da, WANDERLEY, M. B. Gestão de</p><p>Programas Sociais: Referenciais teóricos para monitoramento e avaliação</p><p>In:</p><p>ATLAS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO NO BRASIL: base de dados.</p><p>Disponível em: .</p><p>BRASIL, Lei Federal n°. 10.257, de 10 de julho de 2001 – Estatuto da Cidade.</p><p>Disponível em: .</p><p>BRASIL. Ministério das Cidades. Ações integradas de Urbanização de</p><p>Assentamentos Precários. Curso a Distância. Brasília, DF: Ministério das</p><p>Cidades, 2009.</p><p>BRASIL. Ministério das Cidades. Estatuto da Cidade. Guia para Implementação</p><p>pelos Municípios e Cidadãos. 2ºed. Brasília: Câmara dos Deputados,</p><p>Coordenação de Publicações, 2002.</p><p>BRASIL. Ministério das Cidades. Guia de Adesão ao Sistema Nacional de</p><p>Habitação de Interesse Socia l - SNHIS. Disponível em:</p><p>.</p><p>BRASIL. Ministério das Cidades. Trabalho Social em Programas e Projetos</p><p>de Habitação de Interesse Social. Curso a Distância. Brasília, DF: Ministério</p><p>das Cidades, 2010.</p><p>CARVALHO, Maria do Carmo. PAZ, Rosangela. Conceitos Básicos sobre</p><p>Avaliação, Indicadores, Variáveis e Procedimentos Metodológicos. Texto de</p><p>apoio para Avaliação de Pós-ocupação Habitar Brasil/BID. São Paulo: IEE/PUC-</p><p>SP, 2000.</p><p>CUBATÃO, Prefeitura Municipal de Cubatão. Plano Local de Habitação e</p><p>Interesse Social- PLHIS. Secretaria de Habitação, Cubatão: 2009</p><p>CUBATÃO, Prefeitura Municipal de Cubatão. Plano Municipal de Redução de</p><p>Riscos de Cubatão – PMRR. Cubatão: 2006. Disponível em:</p><p>https://antigo.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosSNPU/Biblioteca/PrevencaoEr</p><p>radicacao/Prefeitura_Municipal_CubataoSP2505.pdf</p><p>CUBATÃO. Prefeitura Municipal de Cubatão. Política Municipal de Habitação.</p><p>Secretaria de Habitação. Cubatão:2007.</p><p>PRIMAHD – Programa Regional de Identificação e Monitoramento de Áreas</p><p>de Habitação Desconforme – RMBS– Relatório final – parte 2. Disponível em:</p><p>https://www.agem.sp.gov.br/programa-regional-de-identificacao-e-</p><p>monitoramento-de-areas-de-habitacao-desconforme/</p><p>SARAIVA, C. MARQUES, E. A Condição Social dos Habitantes de Favelas.</p><p>In: Marques, E. e Torres, H. (org.) Segregação, Pobreza Urbana e Desigualdade</p><p>Social. São Paulo: Editora Senac, 2005.</p><p>WANDERLEY, M.B. Políticas Públicas e Trabalho Social: polêmicas em</p><p>debate. In: ARREGUI, C.C.; BLANES, D.N. (Org.) Metodologias do trabalho</p><p>social. São Paulo: IEE/PUC-SP, 2008.</p><p>WANDERLEY, Mariângela B., OLIVEIRA, Isaura I. de M. C. (org.). Trabalho</p><p>com famílias v.1. São Paulo: IEE-PUCSP, 2004.</p><p>https://antigo.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosSNPU/Biblioteca/PrevencaoErradicacao/Prefeitura_Municipal_CubataoSP2505.pdf</p><p>https://antigo.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosSNPU/Biblioteca/PrevencaoErradicacao/Prefeitura_Municipal_CubataoSP2505.pdf</p><p>https://www.agem.sp.gov.br/programa-regional-de-identificacao-e-monitoramento-de-areas-de-habitacao-desconforme/</p><p>https://www.agem.sp.gov.br/programa-regional-de-identificacao-e-monitoramento-de-areas-de-habitacao-desconforme/</p>