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<p>Tornozelo e Pé</p><p>Apresentação</p><p>O tornozelo e o pé formam uma estrutura complexa constituída por ossos e articulações</p><p>interconectadas por músculos e ligamentos. Apresentam importante papel na evolução da raça</p><p>humana em razão de suas adaptações consequentes do processo de bipedismo humano. O</p><p>tornozelo apresenta como principal função a sustentação do peso do corpo e os pés são a absorção</p><p>dos impactos com o solo. Ambas as estruturas contribuem para o processo de locomoção humana</p><p>em bipedismo. Essas estruturas estão em constante tensão em razão de suas conformatações</p><p>morfofuncionais e, quando expostas ao estresse mecânico agudo, podem promover disfunções</p><p>cinéticas.</p><p>Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender as articulações do tornozelo e do pé</p><p>juntamente com seus movimentos, além de conhecer as principais estruturas musculares que</p><p>atuam em cada movimento do complexo do tornozelo e do pé.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Listar as articulações do tornozelo e do pé e seus movimentos.•</p><p>Identificar os movimentos das articulações do tornozelo e do pé.•</p><p>Nomear as principais estruturas musculares que atuam em cada movimento da região.•</p><p>Infográfico</p><p>Durante o ciclo normal da marcha, o centro de pressão avança junto à região plantar do pé do</p><p>calcanhar na batida deste para os dedos, na arrancada. Em condições de normalidade, o centro de</p><p>pressão localiza-se no calcanhar e desloca para o mediopé atingindo a parte anterior sob a 2ª e a</p><p>3ª cabeças metatarsais.</p><p>Veja no Infográfico a seguir uma situação de metatarsalgia proveniente do uso de sapatos de salto</p><p>alto.</p><p>Aponte a câmera para o</p><p>código e acesse o link do</p><p>conteúdo ou clique no</p><p>código para acessar.</p><p>Conteúdo do livro</p><p>O tornozelo e o pé formam um complexo articular e muscular muito importante para as funções</p><p>humanas, que evoluíram ao longo dos anos durante o processo de bipedismo. Nesse sentido, o</p><p>tornozelo e o pé apresentam uma interação entre articulações, músculos e tecidos conectivos que</p><p>promovem importantes ações e movimentos, dentre eles pode-se citar a sustentação do peso do</p><p>corpo e a absorção dos impactos com o solo durante a marcha humana ou corrida.</p><p>Na obra Cinesiologia e fisiologia do exercício, leia o capítulo Tornozelo e pé, base teórica desta</p><p>Unidade de Aprendizagem, no qual você vai conhecer as articulações do tornozelo e do pé, seus</p><p>músculos e seus movimentos.</p><p>Boa leitura.</p><p>CINESIOLOGIA E</p><p>FISIOLOGIA DO</p><p>EXERCÍCIO</p><p>Diego Santos Fagundes</p><p>Tornozelo e pé</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Listar as articulações do tornozelo e do pé e seus movimentos.</p><p>� Identificar os movimentos das articulações do tornozelo e do pé.</p><p>� Nomear as principais estruturas musculares que atuam em cada mo-</p><p>vimento da região.</p><p>Introdução</p><p>O tornozelo e o pé formam uma estrutura complexa constituída por ossos</p><p>e articulações que estão interconectadas por músculos e ligamentos. As</p><p>articulações e os ligamentos do complexo do tornozelo e do pé atuam</p><p>como estabilizadores e acomodam-se constantemente durante atividades</p><p>que apresentem sustentação de peso. O tornozelo e o pé estão expostos</p><p>a uma constante pressão em razão de forças verticais imposta pelos atos</p><p>de locomoção bípede. Nesse sentido, o pé sofreu várias adaptações</p><p>evolutivas, tornando-se apropriado para a locomoção bípede. Embora o</p><p>complexo do tornozelo e do pé geralmente se adapte bem aos estresses</p><p>do dia a dia, estresses agudos sofridos por essas regiões podem desen-</p><p>cadear possíveis disfunções cinético-funcionais (por exemplo, entorses</p><p>de tornozelo e fascite plantar) (DUTTON, 2010).</p><p>Neste capítulo, você vai ver com mais detalhes as articulações do</p><p>tornozelo e do pé e seus movimentos, além de, identificar os movimen-</p><p>tos das articulações dessas regiões e, por fim, conhecer as principais</p><p>estruturas musculares que atuam em cada movimento da região do</p><p>tornozelo e do pé.</p><p>Ligamentos e articulações do tornozelo e do pé</p><p>A articulação do tornozelo é considerada por muitos anatomistas como um</p><p>complexo articular do tornozelo, já que existem mais de uma articulação que</p><p>compõe o tornozelo que apresenta movimento. Para descrever a articulação</p><p>do tornozelo de forma mais completa, primeiramente iremos nos centrar no</p><p>aspecto da articulação tibiofibular inferior, que apresenta como principais</p><p>ligamentos a membrana interóssea e os ligamentos tibiofibulares anterior,</p><p>posterior e transverso, que fortalecem a articulação. A membrana interóssea</p><p>está localizada entre a margem medial da diáfise da fíbula e a borda lateral</p><p>da diáfise da tíbia, conectando assim a fíbula com a tíbia. Além disso, essa</p><p>membrana atua como local de inserção para alguns músculos anteriores e</p><p>posteriores da perna (GOULD, 2010; BEHNKE, 2014).</p><p>Em um segundo momento, abordaremos o aspecto da articulação talocrural,</p><p>que está classificada como uma articulação sinovial em gínglimo formada</p><p>por articulações entre a tíbia, a fíbula e o tálus, permitindo o movimento de</p><p>dorsiflexão e flexão plantar no plano sagital. Essa articulação apresenta, igual</p><p>a todas as articulações sinoviais, um ligamento capsular e ainda conta com</p><p>outros ligamentos principais, são eles: na face lateral, os ligamentos calcane-</p><p>ofibular e talofibulares anterior e posterior, e na região medial, os ligamentos</p><p>tibiotalares anterior e posterior, tibionavicular e tibiocalcâneo, sendo que esses</p><p>ligamentos fortalecem e fornecem estabilização para articulação do tornozelo</p><p>(MOORE; AGUR; DALLEY, 2014; GOULD, 2010; MARTINI; TIMMONS;</p><p>TALLITSCH, 2009). Convém ressaltar que o ligamento talofibular anterior</p><p>geralmente é o ligamento mais lesionado nos episódios de entorne de tornozelo</p><p>(BEHNKE, 2014).</p><p>As muitas articulações do pé abarcam os ossos tarsais, os metatarsais e</p><p>as falanges (MOORE; AGUR; DALLEY, 2014). As articulações do pé apre-</p><p>sentam cinco grupos de ligamentos, a saber: ligamentos do tarso, ligamentos</p><p>tarsometatarsais, ligamentos intermetatarsais, ligamentos metatarsofalângicos</p><p>e ligamentos interfalângicos (BEHNKE, 2014).</p><p>Os ligamentos do tarso apresentam como função a característica de unir</p><p>as articulações entre os ossos tarsais do retropé e os ossos do mediopé. Nesse</p><p>sentido, vejamos quais articulações são unidas por quais ligamentos, a saber:</p><p>(i) a articulação talocalcaneonavicular apresenta os ligamentos talonavicular</p><p>dorsal e ligamento capsular; (ii) a articulação calcaneocuboidea apresenta em</p><p>sua constituição o ligamento capsular e o ligamento calcaneocuboideo; (iii)</p><p>o ligamento bifurcado tem seu início no calcâneo e apresenta fibras que se</p><p>direcionam para os ossos cuboide e navicular; (iv) o ligamento plantar longo</p><p>Tornozelo e pé2</p><p>se estende do osso calcâneo ao osso cuboide apresentando fibras até as bases</p><p>do terceiro ao quinto ossos metatarsais; (v) o ligamento plantar longo e o</p><p>ligamento calcaneonavicular apresentam envolvimento na constituição em um</p><p>dos arcos do pé; (vi) existem ainda outros ligamentos que constituem o grupo</p><p>dos ligamentos do tarso, dentre eles estão os três ligamentos cuneonaviculares</p><p>dorsais e os três ligamentos plantares, a saber: os cuboideonaviculares dorsal,</p><p>plantar e interósseo; os intercuneiformes dorsal, plantar e interósseo; e os</p><p>cuneocuboideos dorsal, plantar e interósseo (BEHNKE, 2014; GOULD, 2010).</p><p>As articulações tarsometatarsais apresentam em sua formação a união dos</p><p>cinco ossos metatarsais aos ossos do tarso do mediopé. Essa união advém</p><p>dos ligamentos capsulares dorsais e plantares e dos ligamentos colaterais</p><p>(interósseos). Os ligamentos intermetatarsais unem as bases dos cinco ossos</p><p>metatarsais nas articulações tarsometatarsais. Convém ressaltar que os liga-</p><p>mentos tarsometatarsal interósseo, dorsal e plantar fortalecem a articulação.</p><p>As articulações metatarsofalângicas são formadas pela união dos ossos</p><p>metatarsais às falanges proximais. Essas articulações apresentam ligamentos</p><p>capsulares dorsais e plantares</p><p>e ligamentos colaterais (interósseos) sob as</p><p>cápsulas nos aspectos medial e lateral das articulações. Além disso, as cabe-</p><p>ças dos cinco ossos metatarsais estão vinculadas pelo ligamento metatarsal</p><p>transverso. Os ligamentos colaterais e plantares dão suporte à articulação.</p><p>As quatro interfalângicas proximais e as quatro distais dos quatro dedos</p><p>e a interfalângica única do hálux constituem as articulações interfalângicas.</p><p>Os ligamentos capsulares dorsais e plantares e os ligamentos colaterais (inte-</p><p>rósseos) conectam as articulações interfalângicas. Importante salientar que</p><p>os ligamentos colaterais e plantares ofertam suporte à articulação (BEHNKE,</p><p>2014; GOULD, 2010).</p><p>A articulação talocrural possibilita aproximadamente 30° a 50° de flexão plantar e 20°</p><p>de dorsiflexão (LIPPERT, 2018)</p><p>A seguir, observe a Figura 1.</p><p>3Tornozelo e pé</p><p>Figura 1. (a) Vista superior de ossos e articulações do pé direito. (b) Vista posterior de secção</p><p>coronal do tornozelo direito depois de flexão plantar. Note a colocação dos maléolos medial</p><p>e lateral. (c) Vista lateral do pé direito, mostrando ligamentos que estabilizam a articulação</p><p>do tornozelo. (d) Vista medial do tornozelo direito, mostrando o ligamento colateral medial.</p><p>(e) Radiografia do tornozelo direito, projeção medial/lateral.</p><p>Fonte: Martini, Timmons e Tallitsch (2009, p. 230).</p><p>Movimentos do tornozelo e do pé</p><p>A articulação do tornozelo denominada tibiotalar se apresenta como principal</p><p>articulação que apoia peso no tornozelo durante o processo de locomoção humana</p><p>(marcha ou corrida). Essa articulação situa-se entre a face articular inferior da</p><p>tíbia e a tróclea do tálus. O funcionamento normal dessa articulação, incluindo</p><p>Tornozelo e pé4</p><p>a amplitude de movimento, além do apoio de peso, depende da estabilidade</p><p>medial e lateral nessa articulação. Essa estabilidade é promovida por outras</p><p>articulações adjacentes, como articulação tibiofibular, sindesmose tibiofibular</p><p>e articulação talofibular (MARTINI; TIMMONS; TALLITSCH, 2009).</p><p>A articulação do tornozelo realiza os movimentos de dorsiflexão e flexão</p><p>plantar (Quadro 1) tão necessários, por exemplo, para a marcha humana, prin-</p><p>cipalmente na fase de balanço (MOORE; AGUR; DALLEY, 2014). Durante</p><p>a dorsiflexão, o pé não somente se eleva, mas também se move um pouco</p><p>lateralmente (abdução), e durante a flexão plantar, o pé se move inferior</p><p>e medialmente (adução) (LIPPERT, 2018). No Quadro 1 a seguir, veja as</p><p>estruturas que limitam os movimentos de dorsiflexão e flexão plantar da</p><p>articulação do tornozelo.</p><p>Fonte: Adaptado de Moore, Agur e Dalley (2014).</p><p>Movimento Estruturas limitantes</p><p>Dorsiflexão � Ligamentos: colateral medial, calcaneofibular, talofibular</p><p>posterior e parte posterior da cápsula articular</p><p>� Contato do tálus com a tíbia e tensão dos flexores</p><p>plantares do tornozelo</p><p>Flexão plantar � Ligamentos: talofibular anterior, parte anterior do</p><p>ligamento colateral medial e parte anterior da cápsula</p><p>articular</p><p>� Contato do tálus com a tíbia e tensão dos dorsiflexores</p><p>do tornozelo (músculo tríceps sural)</p><p>Quadro 1. Estruturas que limitam os movimentos da articulação talocrural</p><p>Em relação ao movimento das articulações do pé (Quadro 2), podemos</p><p>citar as articulações intertarsais mais importantes, como a articulação talo-</p><p>calcânea e a articulação transversa do tarso (articulações calcaneocuboidea</p><p>e talocalcaneonavicular). Os movimentos de inversão e eversão do pé são os</p><p>principais movimentos realizados por essas articulações. As outras articu-</p><p>lações intertarsais, como as articulações intercuneiformes e as articulações</p><p>tarsometatarsais e intermetatarsais, são relativamente pequenas e estão unidas</p><p>tão firmemente por ligamentos que realizam apenas pequenos movimentos</p><p>entre elas (MOORE; AGUR; DALLEY, 2014).</p><p>5Tornozelo e pé</p><p>Os movimentos de flexão e extensão do pé ocorrem no antepé e estão</p><p>centrados nas articulações metatarsofalângica e interfalângica. É importante</p><p>salientar que o movimento de inversão é potencializado pela flexão dos dedos,</p><p>principalmente do hálux e do segundo dedo. Já o movimento de eversão é</p><p>potencializado pela extensão, principalmente dos dedos laterais (MOORE;</p><p>AGUR; DALLEY, 2014).</p><p>A articulação talocalcânea em razão de qualquer definição é o local onde</p><p>ocorre a maior parte dos movimentos de inversão e eversão, ao redor de</p><p>um eixo que é oblíquo. A articulação transversa do tarso está composta por</p><p>duas articulações separadas e linhadas transversalmente, a saber: a parte</p><p>talonavicular da articulação talocalcaneonavicular e a articulação calcaneo-</p><p>cuboidea. Na articulação transversa do tarso, as partes média e anterior do pé</p><p>giram como uma unidade sobre a parte posterior do pé, em torno de um eixo</p><p>longitudinal (anteroposterior [A-P]), incrementando, assim, os movimentos</p><p>de inversão e eversão que ocorrem na articulação talocalcânea (MOORE;</p><p>AGUR; DALLEY, 2014).</p><p>Fonte: Adaptado de Gould (2010).</p><p>Articulação Movimento realizado</p><p>Tibiofibular (superior) e sindesmose</p><p>tibiofibular (inferior)</p><p>Mínimo movimento</p><p>durante a dorsiflexão</p><p>Talocrural (tornozelo) Dorsiflexão e flexão plantar</p><p>Talocalcâneo (subtalar) Inversão e eversão</p><p>Intertarsal (talocalcaneonavicular,</p><p>calcaneocuboide e cuneonavicular)</p><p>Principalmente movimentos</p><p>de deslizamento</p><p>Tarsometatarsais Deslizamento</p><p>Metatarsofalângicas Flexão, extensão, abdução,</p><p>adução e circundação</p><p>Interfalângicas Flexão e extensão</p><p>Quadro 2. Resumo dos movimentos realizados pelas articulações do tornozelo e do pé</p><p>Tornozelo e pé6</p><p>Um método padronizado para amputação cirúrgica do pé é a transecção da articulação</p><p>transversa (MOORE; AGUR; DALLEY, 2014).</p><p>Músculos que movimentam o tornozelo e o pé</p><p>Os músculos que apresentam ação no tornozelo podem ser divididos em duas</p><p>categorias, a dos dorsiflexores e a dos flexores plantares. O músculo tibial an-</p><p>terior integra os dorsiflexores do tornozelo. Esse músculo apresenta um longo</p><p>tendão que se inicia na metade da perna e desce ao longo da face anterior da</p><p>tíbia. O tibial anterior apresenta sua inserção proximal no côndilo lateral e</p><p>parte proximal do corpo da tíbia e sua inserção distal na base do primeiro osso</p><p>metatarsal e cuneiforme medial. Em relação aos flexores plantares, podemos</p><p>citar os músculos gastrocnêmio, sóleo, tibial posterior, fibular curto e longo</p><p>e plantar. O músculo gastrocnêmio é o mais avantajado da “panturrilha” e</p><p>apresenta duas cabeças, sendo que a cabeça lateral apresenta sua inserção</p><p>proximal na face lateral do côndilo lateral do fêmur e a cabeça medial, na face</p><p>poplítea do fêmur, superior ao côndilo medial. O sóleo apresenta sua inserção</p><p>proximal na cabeça e parte proximal do corpo da fíbula e parte posteromedial</p><p>adjacente do corpo da tíbia e a distal no calcâneo, via tendão do calcâneo.</p><p>Esse tendão é comum aos músculos grastrocnêmio e sóleo. Diante disso, esses</p><p>músculos juntos são conhecidos como tríceps sural.</p><p>Em relação ao músculo tibial posterior, sua inserção proximal ocorre na</p><p>membrana interóssea e parte adjacente do corpo da tíbia e da fíbula e distal</p><p>na tuberosidade do navicular, já os músculos fibular curto e longo apresentam</p><p>suas inserções proximais na margem médio-lateral da fíbula e na cabeça e</p><p>parte proximal do corpo da fíbula, respectivamente. A inserção distal desses</p><p>músculos ocorre na base do quinto osso metatarsal para o fibular curto e na</p><p>base do primeiro osso metatarsal e cuneiforme medial para o fibular longo.</p><p>Por último, na linha supracondilar lateral e na parte posterior do calcâneo,</p><p>ocorre a inserção proximal e distal, respectivamente, do músculo plantar</p><p>(MOORE; AGUR; DALLEY, 2014; GOULD, 2010; MARTINI; TIMMONS;</p><p>TALLITSCH, 2009). No Quadro 3, pode-se observar os músculos localizados</p><p>na perna que realizam movimentos no tornozelo e no pé.</p><p>7Tornozelo e pé</p><p>Fonte: Adaptado de Gould (2010) e Moore, Agur e Dalley (2019).</p><p>Músculo Principais ações</p><p>Tibial anterior Dorsiflexão do tornozelo e inversão do pé</p><p>Extensor longo dos dedos Extensão do 2º ao 5º dedo e</p><p>dorsiflexão do tornozelo</p><p>Extensor longo do hálux Extensão do 1º dedo e dorsiflexão do tornozelo</p><p>Fibular terceiro Dorsiflexão do tornozelo e eversão do pé</p><p>Fibular longo</p><p>Flexão plantar do tornozelo e eversão do pé</p><p>Fibular curto</p><p>Gastrocnêmio Flexão da perna na articulação do joelho</p><p>e flexão plantar do tornozelo</p><p>Sóleo Flexão plantar do tornozelo</p><p>independentemente da posição do joelho</p><p>Plantar Auxilia fracamente o músculo gastrocnêmico</p><p>na flexão plantar do tornozelo e fornece</p><p>informações proprioceptivas sobre a</p><p>tensão no músculo tríceps sural</p><p>Tibial posterior Flexão plantar do tornozelo e inversão do pé</p><p>Flexor longo do hálux Flexão das articulações do 1º dedo, flexão</p><p>plantar fraca do tornozelo e proporciona</p><p>suporte aos arcos longitudinais do pé</p><p>Flexor longo dos dedos Flexão plantar do tornozelo, flexão do</p><p>2º ao 5º dedo e proporciona suporte</p><p>aos arcos longitudinais do pé</p><p>Quadro 3. Músculos da perna e respectivos movimentos realizados no tornozelo</p><p>Já os músculos que apresentam ação sobre os dedos do pé, dos 20 músculos</p><p>individuais do pé, 14 estão localizados na face plantar, dois estão na face dorsal</p><p>e quatro são intermediários (MOORE; AGUR; DALLEY, 2014) e igual que no</p><p>tornozelo, são divididos em flexores e extensores. Grosso modo, em relação</p><p>aos flexores, podemos citar o flexor longo dos dedos e o flexor do hálux que</p><p>apresenta suas inserções na superfície posteromedial da tíbia e na superfície</p><p>posterior da fíbula, respectivamente. A inserção distal do flexor longo dos</p><p>Tornozelo e pé8</p><p>dedos ocorre nas falanges distais do 2º ao 5º dedo e a do flexor do hálux na</p><p>falange distal do 1º dedo (hálux). Já os músculos extensores dos dedos são,</p><p>a saber: extensor longo dos dedos (inserção proximal na tíbia e membrana</p><p>interóssea e distal nas falanges médias e distais do segundo ao quinto dedo)</p><p>e extensor longo do hálux (inserção proximal na fíbula e membrana inte-</p><p>róssea e distal na falange distal do primeiro dedo) (MARTINI; TIMMONS;</p><p>TALLITSCH, 2009). No Quadro 4, pode-se verificar com mais detalhes os</p><p>músculos envolvidos nos movimentos do pé.</p><p>Músculo</p><p>Inserção</p><p>proximal</p><p>Inserção distal</p><p>Ações</p><p>principais</p><p>Extensor curto</p><p>dos dedos</p><p>Calcâneo</p><p>Tendões do</p><p>músculo</p><p>extensor longo</p><p>dos dedos</p><p>Extensão do 2º</p><p>ao 5º dedo</p><p>Extensor curto</p><p>do hálux</p><p>Falange proximal</p><p>do 1º dedo do pé</p><p>Extensão do 1º</p><p>dedo do pé</p><p>Abdutor do hálux</p><p>Calcâneo</p><p>Falange proximal</p><p>do 1º dedo do pé</p><p>Abdução do 1º</p><p>dedo do pé</p><p>Flexor curto</p><p>dos dedos</p><p>Falanges médias</p><p>dos dedos 2 a 5</p><p>Flexão das</p><p>falanges médias</p><p>dos dedos 2 a 5</p><p>Abdutor do</p><p>dedo mínimo</p><p>Falange proximal</p><p>do 5º dedo do pé</p><p>Abdução do 5º</p><p>dedo do pé</p><p>Músculo</p><p>quadrado plantar</p><p>Calcâneo Tendões do</p><p>músculo flexor</p><p>longo dos dedos</p><p>Auxilia a flexão</p><p>dos dedos</p><p>dos pés</p><p>Lumbricais Tendões do</p><p>músculo flexor</p><p>longo dos dedos</p><p>Expansões</p><p>extensoras</p><p>Flexão das</p><p>articulações</p><p>metatarsofalân-</p><p>gicas, extensão</p><p>das articulações</p><p>interfalângicas</p><p>Quadro 4. Músculos do pé e suas principais ações</p><p>(Continua)</p><p>9Tornozelo e pé</p><p>Fonte: Adaptado de Gould (2010).</p><p>Quadro 4. Músculos do pé e suas principais ações</p><p>Músculo</p><p>Inserção</p><p>proximal</p><p>Inserção distal</p><p>Ações</p><p>principais</p><p>Flexor curto</p><p>do hálux</p><p>Cuboide e o 3º</p><p>cuneiforme</p><p>Falange proximal</p><p>do 1º dedo do pé</p><p>Flexão do 1º</p><p>dedo do pé</p><p>Adutor do hálux Cabeça oblí-</p><p>qua: 2º ao 4º</p><p>metatarsais</p><p>Cabeça trans-</p><p>versa: articula-</p><p>ções metatar-</p><p>sofalângicas</p><p>Adução do 1º</p><p>dedo do pé</p><p>Manutenção do</p><p>arco transverso</p><p>do pé</p><p>Flexor curto do</p><p>dedo mínimo</p><p>5º metatarsal Falange proximal</p><p>do 5º dedo do pé</p><p>Flexão do 5º</p><p>dedo do pé</p><p>Interósseos</p><p>plantares (3)</p><p>3º ao 5º</p><p>metatarsais</p><p>Falanges</p><p>proximais do</p><p>3º ao 5º dedo</p><p>dos pés</p><p>Adução dos</p><p>dedos 2 a 4</p><p>Flexão plantar</p><p>das articulações</p><p>metatarso-</p><p>falângicas</p><p>Interósseos</p><p>dorsais (4)</p><p>Metatarsais 1 a 5 Falanges</p><p>proximais dos</p><p>dedos 2 a 4</p><p>Abdução dos</p><p>dedos 2 a 4</p><p>Flexão dorsal das</p><p>articulações me-</p><p>tatarsofalângicas</p><p>(Continuação)</p><p>O pé apresenta três arcos formados por estruturas como ossos, tendões, ligamentos,</p><p>fáscias e músculos denominados: (1) arco longitudinal medial, (2) arco longitudinal</p><p>lateral e (3) arco transverso. Esses arcos apresentam como função a absorção de</p><p>impactos durante o processo de locomoção humana, além de sustentarem o peso</p><p>do corpo humano. Importante ressaltar que esses arcos são mantidos por um suporte</p><p>passivo (ossos e estruturas de tecido conjuntivo [aponeurose plantar e ligamentos</p><p>calcaneonaviculares plantares]) e um suporte dinâmico (músculos intrínsecos do pé</p><p>e tendões dos músculos da perna que se inserem no pé) (GOULD, 2010).</p><p>Tornozelo e pé10</p><p>Veja a seguir a Figura 2.</p><p>Figura 2. Músculos extrínsecos que movimentam o pé e os dedos, parte II. (a) Vista medial</p><p>dos músculos superficiais da perna esquerda. (b) Vista lateral dos músculos superficiais da</p><p>perna esquerda. (c) Vista lateral de uma dissecação dos músculos superficiais da perna</p><p>esquerda.</p><p>Fonte: Martini, Timmons e Tallitsch (2009, p. 314).</p><p>BEHNKE, R. S. Anatomia do movimento. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.</p><p>DUTTON, M. Fisioterapia ortopédica: exame, avaliação e intervenção. 2. ed. Porto Alegre:</p><p>Artmed, 2010.</p><p>GOULD, D. J. Anatomia clínica para seu bolso. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.</p><p>11Tornozelo e pé</p><p>LIPPERT, L. S. Cinesiologia clínica e anatomia. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,</p><p>2018.</p><p>MARTINI, F. H; TIMMONS, M. J.; TALLITSCH, R. B. Anatomia humana. 6. ed. Porto Alegre:</p><p>Artmed, 2009.</p><p>MOORE, K. L.; DALLEY, A. F.; AGUR, A. M.R. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio</p><p>de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.</p><p>MOORE, K. L.; DALLEY, A. F.; AGUR, A. M.R. Anatomia orientada para a clínica. 8. ed. Rio</p><p>de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.</p><p>Tornozelo e pé12</p><p>Dica do professor</p><p>O complexo articular do tornozelo e do pé apresentam invariavelmente importante papel da</p><p>sustentação do peso corporal, sobretudo na posição bípede e nos processos de locomoção humana.</p><p>O complexo articular do tornozelo e do pé deve apresentar características de estabilidade</p><p>ligamentar e integridade músculo-tendinosa para que suas funções sejam executadas com certo</p><p>grau de acerácea.</p><p>Os testes ortopédicos especiais para verificar a integridade dos complexos do tornozelo e do pé</p><p>são relativamente escassos. Nesse sentido, veja nesta Dica do Professor alguns testes para verificar</p><p>a estabilidade ligamentar do tornozelo e a integridade do tendão calcâneo.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>Na prática</p><p>A dor no calcanhar é muito comum na população de atletas, sendo comum sua existência em razão</p><p>da fascite plantar. A fascite plantar costuma ser causada por esforço repetitivo e é atribuída a</p><p>diversas causas, como esporão de calcâneo, bursite e irritação da fáscia plantar, em razão de tensão</p><p>durante a extensão dos dedos e depressão do arco longitudinal em função da sustentação do peso,</p><p>seja na corrida ou na caminhada.</p><p>Veja no anexo como é realizado o tratamento para a fascite plantar.</p><p>Aponte a câmera para o</p><p>código e acesse o link do</p><p>conteúdo ou clique no</p><p>código para acessar.</p><p>Saiba +</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:</p><p>Entorse de tornozelo - Dr. Fernando Fernandes</p><p>Assista este vídeo realizado pelo Instituto Clínico de Osteopatia, Reabilitação e Pilates (INCORP) e</p><p>veja algumas considerações e etapas da reabilitação física de uma entorse de tornozelo.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>Ativação e co-contração dos músculos gastrocnêmio e tibial</p><p>anterior na marcha de mulheres utilizando diferentes alturas de</p><p>saltos</p><p>Leia o seguinte artigo científico sobre um estudo desenvolvido para verificar a ativação e a</p><p>cocontração muscular dos músculos tibial anterior e gastrocnêmio lateral durante a marcha,</p><p>utilizando diferentes calçados.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>Fisioterapia ortopédica: exame, avaliação e intervenção</p><p>Leia o capitulo 19</p><p>deste livro que descreve a anatomia e a biomecânica do complexo do tornozelo e</p><p>pé, bem como traz algumas curiosidades clínicas e estratégias de intervenção.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Biomecânica do pé (em inglês)</p><p>Veja no vídeo uma demonstração da biomecânica do pé e suas ações musculares e variações, além</p><p>de algumas considerações sobre a utilização de órteses para os pés.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p>

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