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<p>PROFESSOR</p><p>Esp. André Luís Otávio Varotto dos Santos</p><p>Negociação em</p><p>Conflitos de</p><p>Segurança</p><p>ACESSE AQUI O SEU</p><p>LIVRO NA VERSÃO</p><p>DIGITAL!</p><p>EXPEDIENTE</p><p>Coordenador(a) de Conteúdo</p><p>Renata Cristina Souza Chatalov</p><p>Projeto Gráfico e Capa</p><p>André Morais, Arthur Cantareli e</p><p>Matheus Silva</p><p>Editoração</p><p>Adrian Marçareli dos Santos</p><p>Design Educacional</p><p>Amanda Peçanha</p><p>Curadoria</p><p>Fernanda Brito</p><p>Revisão Textual</p><p>Nágela Neves da Costa</p><p>Ilustração</p><p>Geison Ferreira da Silva,</p><p>Eduardo Aparecido Alves</p><p>Fotos</p><p>Shutterstock, Freepik</p><p>NEAD - Núcleo de Educação a Distância</p><p>Av. Guedner, 1610, Bloco 4 Jd. Aclimação - Cep 87050-900 | Maringá - Paraná</p><p>www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360</p><p>DIREÇÃO UNICESUMAR</p><p>NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de</p><p>Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino</p><p>de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi</p><p>Impresso por:</p><p>Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679</p><p>C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ.</p><p>Núcleo de Educação a Distância. SANTOS, André Luís Otávio</p><p>Varotto dos.</p><p>Negociação em Conflitos de Segurança. André Luís</p><p>Otávio Varotto dos Santos. Maringá - PR: Unicesumar,</p><p>2022. Reimpresso em 2023.</p><p>152p.</p><p>ISBN : 978-65-5615-890-7</p><p>“Graduação - EaD”.</p><p>1. Segurança 2. Negociação 3. Conflitos EaD. I. Título.</p><p>CDD - 22 ed. 341.</p><p>FICHA CATALOGRÁFICA</p><p>02511198</p><p>André Luís Otávio Varotto dos Santos</p><p>Olá, meu nome é André Luís Otávio Varotto dos Santos,</p><p>sou Bacharel em Direito, especialista em Gestão em Segu-</p><p>rança Pública.Entrei nas fileiras da Polícia Militar do Esta-</p><p>do do Paraná, em 2010, e desde 2011 trabalho no Pelotão</p><p>de Polícia de CHOQUE da cidade de Maringá.Dentro da</p><p>Instituição Policial, sou detentor de alguns cursos de es-</p><p>pecialização, entre eles: o Curso de Controle de Distúrbios</p><p>Civis, no ano de 2017 (XII - CCDC); Curso de Ronda Osten-</p><p>sivas de Natureza Especial, no ano de 2019 (III – C-RONE)</p><p>— ambos realizados pelo Batalhão de Polícia de CHOQUE</p><p>da Polícia Militar do Estado do Paraná, além de outros</p><p>cursos de capacitação dentro da Instituição —; bem como</p><p>o Curso de Gerenciamento de Crises Policiais, pela Se-</p><p>cretária Nacional de Segurança Pública. Além de Policial</p><p>Militar, sou Analista de Investimentos pela Associação dos</p><p>Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de</p><p>Capitais (APIMEC), no qual atuo como profissional liberal.</p><p>Nas horas vagas, tenho alguns Hobbies, como leituras,</p><p>em geral, e faço atividades físicas diariamente, entre elas</p><p>natação, corrida de rua, musculação e karatê.</p><p>Link lattes: http://lattes.cnpq.br/7250722179468895</p><p>http://lattes.cnpq.br/7250722179468895</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11557</p><p>Trabalharemos um tema, extremamente, importante para o profissional de segurança</p><p>pública, a Negociação em Conflitos de Segurança. Para isso, aprenderemos conceitos</p><p>fundamentais no que se refere ao Gerenciamento de Crises Policiais e Primeira Inter-</p><p>venção em crises policiais, apontando os principais assuntos sobre o tema.</p><p>Historicamente, tivemos fatos que ficaram conhecidos mundialmente pelo desfecho</p><p>trágico, por exemplo, o Caso da Menina Eloá, que possivelmente você já deve ter ouvido</p><p>falar. Mas você já pensou o que levou a esse desfecho trágico?</p><p>No início deste material, aprenderemos os movimentos históricos que ocasionaram a</p><p>evolução da técnica e da doutrina no que se refere a conflitos tão complexos, como uma</p><p>crise policial. Também, debateremos o surgimento da doutrina de Gerenciamento de Crises</p><p>Policial, assim como a importância da consolidação não só no Brasil, mas em todo o mundo.</p><p>Você já se perguntou qual deveria ser a conduta correta de um profissional de</p><p>segurança pública, em ocorrências tão complexas, como: uma pessoa refém por mar-</p><p>ginais armados, ou uma pessoa armada, tentando cometer suicídio? Como você se</p><p>comportaria nesses tipos de ocorrências?</p><p>Logo, apresentarei para você situações históricas que foram danosas para todos</p><p>os envolvidos e como isso contribuiu para evoluirmos no que se diz a respeito geren-</p><p>ciamento de crises e primeira intervenção em crises policiais.</p><p>Veremos conceitos essenciais para melhor emprego da doutrina, como o entendi-</p><p>mento correto de Causador do Evento Crítico, abordando as diversas tipologias, assim</p><p>como a diferenciação entre os objetivos principais daquele, quais podem influenciar</p><p>diretamente no processo de negociação.</p><p>Entenda: como poderíamos desenvolver uma conversa com o indivíduo responsável</p><p>pela crise policial, se não soubermos qual o objetivo principal deste indivíduo?</p><p>Outro ponto que apresentarei para você será as possibilidades para a solução de</p><p>um conflito, conhecido como alternativas táticas, em que compreenderemos as alter-</p><p>nativas as quais possibilitam a solução do conflito, de forma menos danosa e que seja</p><p>benéfica para todos os envolvidos.</p><p>NEGOCIAÇÃO EM CONFLITOS DE SEGURANÇA</p><p>No decorrer deste livro, também, abordaremos temas importantes, como as técni-</p><p>cas de negociação existentes, assim como são as condutas abordadas pelo profissional</p><p>de negociação, durante uma ocorrência de crise.</p><p>Pensa bem, o quão danoso é para todos os envolvidos, caso não se tenha técnicas</p><p>de negociação tão bem desenvolvidas?</p><p>Um dos pontos fundamentais será a Primeira Intervenção em Crises Policiais,</p><p>as quais servirão como base sólida e métodos fáceis para que você possa orientar</p><p>os demais profissionais de segurança pública como se comportar em situações</p><p>tão complexas quanto uma crise policial. Isso possibilita que eventos danosos</p><p>não ocorram, sendo o perfeito emprego da primeira intervenção em crises pelo</p><p>profissional de segurança pública.</p><p>Por fim, veremos alguns estudos de casos, por meio dos quais entenderemos, na</p><p>prática, a importância de uma doutrina de gerenciamento de crises, discutindo a im-</p><p>portância de um trabalho técnico, por parte do profissional de segurança pública.</p><p>IMERSÃO</p><p>RECURSOS DE</p><p>Ao longo do livro, você será convida-</p><p>do(a) a refletir, questionar e trans-</p><p>formar. Aproveite este momento.</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>NOVAS DESCOBERTAS</p><p>Enquanto estuda, você pode aces-</p><p>sar conteúdos online que amplia-</p><p>ram a discussão sobre os assuntos</p><p>de maneira interativa usando a tec-</p><p>nologia a seu favor.</p><p>Sempre que encontrar esse ícone,</p><p>esteja conectado à internet e inicie</p><p>o aplicativo Unicesumar Experien-</p><p>ce. Aproxime seu dispositivo móvel</p><p>da página indicada e veja os recur-</p><p>sos em Realidade Aumentada. Ex-</p><p>plore as ferramentas do App para</p><p>saber das possibilidades de intera-</p><p>ção de cada objeto.</p><p>REALIDADE AUMENTADA</p><p>Uma dose extra de conhecimento</p><p>é sempre bem-vinda. Posicionando</p><p>seu leitor de QRCode sobre o códi-</p><p>go, você terá acesso aos vídeos que</p><p>complementam o assunto discutido.</p><p>PÍLULA DE APRENDIZAGEM</p><p>OLHAR CONCEITUAL</p><p>Neste elemento, você encontrará di-</p><p>versas informações que serão apre-</p><p>sentadas na forma de infográficos,</p><p>esquemas e fluxogramas os quais te</p><p>ajudarão no entendimento do con-</p><p>teúdo de forma rápida e clara</p><p>Professores especialistas e convi-</p><p>dados, ampliando as discussões</p><p>sobre os temas.</p><p>RODA DE CONVERSA</p><p>EXPLORANDO IDEIAS</p><p>Com este elemento, você terá a</p><p>oportunidade de explorar termos</p><p>e palavras-chave do assunto discu-</p><p>tido, de forma mais objetiva.</p><p>Quando identificar o ícone de QR-CODE, utilize o aplicativo Unicesumar</p><p>Experience para ter acesso aos conteúdos on-line. O download do</p><p>aplicativo está disponível nas plataformas: Google Play App Store</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/3881</p><p>APRENDIZAGEM</p><p>CAMINHOS DE</p><p>1 2</p><p>3 4</p><p>5</p><p>CRISE E</p><p>SEGURANÇA</p><p>NO ÂMBITO</p><p>PÚBLICO E</p><p>PRIVADO</p><p>9</p><p>GERENCIAMENTO</p><p>DE CRISES EM</p><p>SEGURANÇA</p><p>37</p><p>67</p><p>CONDUTAS NA</p><p>NEGOCIAÇÃO EM</p><p>SEGURANÇA</p><p>89</p><p>DOUTRINA</p><p>DA PRIMEIRA</p><p>INTERVENÇÃO</p><p>111</p><p>A IMPORTÂNCIA</p><p>DO TRABALHO</p><p>TÉCNICO</p><p>1Crise e Segurança</p><p>no Âmbito Público</p><p>e Privado</p><p>Esp. André Luís Otávio Varotto dos Santos</p><p>Iniciamos nossa jornada para adquirir</p><p>DE CRISES</p><p>Como vimos, o gerenciamento de crises é a doutrina adotada pelas autoridades</p><p>responsáveis para lidar com eventos cruciais envolvendo risco iminente à vida de</p><p>pessoas inocentes. Para que ocorra o gerenciamento da crise de acordo com o que</p><p>está posto pela doutrina, é necessário que o gerente da crise tenha, à sua disposi-</p><p>ção, no local da crise, todas as alternativas táticas em pronto emprego. Somente,</p><p>quando essa condição for atendida pode se falar em gerenciamento de crise.</p><p>As quatro alternativas táticas do Gerenciamento de Crises</p><p>Negociação</p><p>Técnicas não letais</p><p>Tiro de comprometimento</p><p>Invasão tática</p><p>UNIDADE 2</p><p>UNIDADE 2</p><p>56</p><p>Cada evento crítico possui características particulares, como destacamos ao abor-</p><p>dar a definição de solução aceitável, e também, por essa razão, que o gerente da</p><p>crise precisa ter à sua disposição esse amplo leque de alternativas táticas. Nenhu-</p><p>ma das alternativas táticas é mais ou menos importante do que as demais, elas de-</p><p>vem ser empregadas de acordo com a situação, respeitando os objetivos gerais do</p><p>gerenciamento de crises e os critérios de ação. Portanto, poderá ocorrer situações</p><p>em que o tiro de comprometimento precise ser empregado o quanto antes em um</p><p>evento crítico para assegurar uma situação aceitável; em outros casos, pode ser</p><p>que essa alternativa tática não seja viável devido às características estruturais do</p><p>local da crise, ou seja, o atirador de precisão pode não ter visibilidade do CEC no</p><p>ponto crítico, inviabilizando o emprego dessa alternativa, sendo necessário partir</p><p>para uma invasão tática, por exemplo. As alternativas táticas, também, podem ser</p><p>utilizadas em conjunto a depender da situação.</p><p>Na maioria das situações críticas, no entanto, ocorre a tentativa de reso-</p><p>lução por meio da alternativa tática, Negociação. Sendo considerada por muitos</p><p>especialistas da área como a rainha das alternativas táticas, isso acontece por al-</p><p>guns motivos que valem a pena serem discutidos. A negociação tem se provado</p><p>muito eficaz com o passar dos anos, estima-se que 70% dos eventos críticos, nos</p><p>quais houve a aplicação da doutrina de gerenciamento de crises, tenham sido re-</p><p>solvidos mediante o emprego dessa alternativa tática. Além disso, essa alternativa</p><p>tática pode ser empregada de forma bastante segura, preservando, assim, a vida e</p><p>a integridade física dos policiais e demais agentes de segurança responsáveis pelo</p><p>atendimento da crise. Justamente por esse motivo, busca-se apresentar a negocia-</p><p>ção ao CEC como forma de resolução para a crise, porém isso não é possível em</p><p>todos os casos, pode ocorrer situações em que o CEC se mostre irredutível e se</p><p>recusa a aceitar qualquer oferta de resolução pacífica para situação, sendo neces-</p><p>sário o emprego de outra alternativa tática a fim de preservar as vidas inocentes.</p><p>Já as técnicas não letais envolvem a utilização de técnicas e tecnologias não</p><p>letais, tais como dispositivos elétricos incapacitantes, como DEI, agentes químicos</p><p>que provoquem a incapacitação temporária do CEC, por exemplo, o ortocloro-</p><p>benzalmalononitrilo, CS (gás lacrimogêneo) ou agente pimenta, OC, munições</p><p>57</p><p>de elastômero, popularmente, conhecidas como “balas de borracha”, entre outros.</p><p>O intuito desses materiais é incapacitar temporariamente o CEC, diminuindo</p><p>a sua capacidade combativa e possibilitando uma janela de oportunidade para</p><p>ação das equipes táticas de modo mais seguro e, também, capaz de preservar a</p><p>vida de todos os envolvidos na situação. É importante destacar que as técnicas</p><p>não letais só devem ser empregadas por policiais com alto nível de treinamento e</p><p>especialização que conheçam todos os efeitos e limitações dos materiais a serem</p><p>utilizados. Geralmente, essa alternativa tática é executada pelos policiais do gru-</p><p>po de intervenção, e o seu emprego ocorre em concomitância com uma invasão</p><p>tática, no Paraná, em específico, tal alternativa tática fica a cargo do Comando e</p><p>Operações Especiais (COE), unidade especializada parte do Batalhão de Opera-</p><p>ções Especiais (BOPE), com sede em Curitiba.</p><p>O tiro de comprometimento é uma alternativa tática controversa, por envol-</p><p>ver, muitas vezes, a neutralização do CEC; apesar disso, trata-se de uma alternativa</p><p>tática valiosíssima à disposição do gerente da crise, durante um evento crítico e,</p><p>por conseguinte, não se pode falar em gerenciamento de crise sem tal alterna-</p><p>tiva tática. Os atiradores de precisão podem servir como fontes de informações</p><p>para os negociadores, por serem capazes de observar o ponto crítico de pontos</p><p>estratégicos com segurança. Ademais, ela pode ser empregada com segurança,</p><p>envolvendo um risco menor para os reféns ou vítimas inocentes e, também, pre-</p><p>servar a integridade física dos agentes de segurança.</p><p>Em situações em que o CEC assume o risco e começa a matar os reféns que</p><p>estão sob o seu controle, o tiro de comprometimento pode ser utilizado para</p><p>impedir a perda de outras vidas inocentes e assegurar uma solução aceitável para</p><p>o evento crucial. Geralmente, quando é necessário efetuar um tiro de comprome-</p><p>timento, esse disparo também dá início a uma invasão tática do ponto crítico pelo</p><p>Grupo de Intervenção (GI) a fim de retomar o controle do ponto crítico. Cabe,</p><p>também, destacar que, além do tiro de comprometimento que tem por objetivo</p><p>neutralizar o CEC, instantaneamente, o atirador de precisão pode também, em</p><p>algumas situações, efetuar um disparo conhecido como Tiro Antimaterial, esse</p><p>disparo busca inutilizar a arma usada pelo CEC para controlar o Ponto Crítico e</p><p>UNIDADE 2</p><p>UNIDADE 2</p><p>58</p><p>os reféns, pois com a inutilização dessa arma o GI pode fazer a con-</p><p>tenção do CEC com maior segurança.</p><p>Diante do exposto, gostaria que você assistisse ao seguinte ví-</p><p>deo, trata-se de um excelente exemplo de Tiro Antimaterial: Sniper</p><p>Disarms A Suicidal Man .</p><p>Por fim, a quarta e última alternativa tática que analisaremos é a Invasão</p><p>Tática. É importante enfatizar, mais uma vez, que todas as alternativas táticas são</p><p>igualmente necessárias e importantes, pois, durante o gerenciamento de crises,</p><p>pode haver casos em que a invasão tática seja a única alternativa viável para asse-</p><p>gurar uma solução aceitável. Entretanto, ao contrário da negociação, a qual pode</p><p>ser empregada de maneira relativamente segura pelos operadores, a invasão tática</p><p>é altamente arriscada e imprevisível. Por esse motivo, o gerente da crise só recorre</p><p>a essa alternativa em último caso. O Grupo de Intervenção (GI), responsável por</p><p>executar a invasão tática, possui um alto nível de treinamento e especialização.</p><p>Uma vez estabelecido o teatro de operações, todas as alternativas táticas tra-</p><p>balham em conjunto para alcançar uma solução aceitável. Normalmente, um</p><p>GI se posiciona perto do ponto crítico, caso seja necessário efetuar uma invasão</p><p>tática emergencial; enquanto isso, os negociadores buscam estabelecer contato</p><p>com o CEC para empregar as técnicas de negociação com intuito de se chegar a</p><p>uma solução pacífica. Os atiradores de precisão, também, buscam se posicionar</p><p>imediatamente em um ponto estratégico, que possibilite a execução do tiro de</p><p>comprometimento e permanecem nesse ponto durante todo o desenrolar da</p><p>crise, coletando informações a respeito do ponto crítico e do comportamento</p><p>do CEC. Essas informações alimentam tanto os negociadores quanto o GI, os</p><p>quais podem adaptar as suas respectivas estratégias de atuação, de acordo com</p><p>as novas informações. No caso do GI responsável pela invasão tática e uso das</p><p>técnicas não letais, eles também são responsáveis por realizar qualquer tipo de</p><p>aproximação ao ponto crítico, seja para realizar a entrega de alguma concessão,</p><p>seja para apresentação de um intermediário.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=37RPuhBwehg</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=37RPuhBwehg</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/12532</p><p>59</p><p>PERÍMETROS DE SEGURANÇA</p><p>A contenção e o isolamento do ponto crítico são essenciais para que toda a es-</p><p>trutura do teatro de operações possa ser montada e o gerenciamento da crise seja</p><p>possível.</p><p>A doutrina de GC prevê a estipulação de dois perímetros de segurança</p><p>em torno do ponto crítico, Silva (2016, p. 171, grifo do autor) esclarece que “os</p><p>perímetros de segurança são definidos como barreiras de contenção contra os</p><p>terceiros que têm a intenção de se aproximar do ponto crítico”.</p><p>O primeiro perímetro é denominado de perímetro interno, essa faixa de iso-</p><p>lamento fica mais próxima ao ponto crítico, sendo que a distância pode variar de</p><p>acordo com as características físicas do local da crise, assim como em decorrência</p><p>do armamento que o CEC tem à sua disposição. A faixa de espaço localizada entre</p><p>o ponto crítico e o perímetro interno é denominada Zona Estéril, essa área é de</p><p>acesso restrito às equipes especializadas, portanto, somente a EN, responsável</p><p>pelo contato com o CEC, e o GI, posicionado para agir imediatamente em caso</p><p>de emergência, devem transitar pela zona estéril.</p><p>O segundo perímetro recebe o nome de perímetro externo e deve ser esta-</p><p>belecido ao redor de todo o perímetro externo, o mais longe possível do ponto</p><p>crítico. A área localizada entre o perímetro interno e perímetro externo, por sua</p><p>vez, recebe o nome de Zona Tampão; nela, ficam dispostos os demais elementos</p><p>que compõem o teatro de operações, como posto de comando, equipes do corpo</p><p>de bombeiros, atendimento médico especializado, grupos de inteligência, entre</p><p>outros. É importante salientar que a imprensa deve ser mantida do lado de fora do</p><p>perímetro externo, juntamente, com os terceiros e curiosos, tal medida é adotada</p><p>para mantê-los em um local seguro, garantindo assim a integridade física dessas</p><p>pessoas e, também, possibilitar que as equipes especializadas responsáveis pelo</p><p>gerenciamento da crise possam trabalhar sem interferência.</p><p>Ainda, sobre os perímetros de segurança, Silva (2016) destaca um ponto importante:</p><p>“ [...] na prática, estabelecê-los exatamente como devem ser é um</p><p>desafio gigantesco ante as interferências externas que surgem em</p><p>um evento crítico. Tais ingerências geram muitos conflitos e des-</p><p>gaste entre os envolvidos, pessoas ou corporações. Contudo, caso</p><p>os perímetros sejam menosprezados, a morte ganha um ambiente</p><p>propício (SILVA, 2016, p. 177, grifo do autor).</p><p>UNIDADE 2</p><p>UNIDADE 2</p><p>60</p><p>Diante do exposto, é possível observar a importância do isolamento em uma</p><p>situação de crise, mais adiante estudaremos em detalhes os procedimentos a</p><p>serem adotados pelo Primeiro Interventor em uma crise, mas já posso adiantar</p><p>que, caso o Primeiro Interventor consiga conter e isolar a crise de maneira efe-</p><p>tiva, adotando medidas para estabelecer os perímetros de segurança conforme</p><p>apresentados, então, já terá dado um passo importante na direção correta.</p><p>Será que seguir os procedimentos adequados, além de demonstrar alto padrão de</p><p>profissionalismo, é, de fato, importante para se chegar a uma solução aceitável? Ima-</p><p>gine uma situação de alto risco sem o devido isolamento técnico, será que poderia</p><p>causar maiores problemas no decorrer da crise?</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>OLHAR CONCEITUAL</p><p>61</p><p>As alternativas táticas são essenciais para se chegar a uma</p><p>solução aceitável, mas os personagens responsáveis pela</p><p>negociação são os únicos que têm condições favoráveis</p><p>para decidir qual será a alternativa tática utilizada para</p><p>que se chegue a uma solução aceitável. Lembre-se de que</p><p>a negociação será utilizada como padrão e somente serão</p><p>utilizadas as demais alternativas táticas, quando não for</p><p>mais possível que a crise seja resolvida com a negociação.</p><p>A diferenciação de reféns e vítimas é fundamental duran-</p><p>te uma ocorrência de crises, pois existem técnicas e táti-</p><p>cas de negociação que são diferentes para cada caso es-</p><p>pecífico, pois a devida identificação auxilia, e muito, para</p><p>que se chegue a uma solução aceitável da melhor forma</p><p>possível.</p><p>O perímetro de segurança é essencial para garantir a se-</p><p>gurança de todos os envolvidos durante uma ocorrência</p><p>de crise. Vale lembrar que, em uma ocorrência de crise</p><p>policial, tem-se um elevado estresse; dessa forma, o iso-</p><p>lamento correto do local de crise, além de garantir que</p><p>a segurança de todos seja preservada, também, fornece</p><p>melhores condições para que o gerenciamento de crises</p><p>ocorra dentro da doutrina e das técnicas previstas.</p><p>EXPLORANDO IDEIAS</p><p>UNIDADE 2</p><p>UNIDADE 2</p><p>62</p><p>Olá, aluno, neste podcast teremos a presença especial</p><p>de um especialista em Negociação em Crises. Teremos,</p><p>então, um bate-papo sobre Gerenciamento de Crises,</p><p>trazendo histórias reais referentes ao tema. Discutire-</p><p>mos, ainda, assuntos essenciais para a condução e res-</p><p>postas adequadas previstas por parte de um profissional</p><p>de segurança pública.</p><p>NOVAS DESCOBERTAS</p><p>Título: Gerenciamento de Crises Policiais</p><p>Autor: Marco Antonio da Silva</p><p>Ano: 2016</p><p>Editora: Intersaberes</p><p>Sinopse: no que se refere ao Gerenciamento de Crises, é fundamental a qua-</p><p>lificação técnica do policial para situações tão complexas. Fazendo frente a</p><p>esse tipo de ocorrência, o autor traz um conhecimento técnico e teórico nor-</p><p>teador para o profissional de segurança pública, visando à preservação da</p><p>vida e proteções de todos os envolvidos.</p><p>NOVAS DESCOBERTAS</p><p>Título: Quem matou Eloá? (Who killed Eloá?)</p><p>Ano: 2015</p><p>Sinopse: o documentário traz uma discussão referente ao caso Eloá,</p><p>apresentando diversos pontos de vistas sobre quais foram os erros</p><p>cometidos para que se chegasse a um fim trágico.</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11553</p><p>63</p><p>NOVAS DESCOBERTAS</p><p>Título: S.W.A.T - Comando Especial</p><p>Ano: 2003</p><p>Sinopse: o filme mostra de forma fictícia a atuação da SWAT (Special Wea-</p><p>pons and Tactics). Unidade especial da polícia, em especial da cidade de</p><p>Los Angeles. Nessa obra cinematográfica, uma equipe da SWAT é respon-</p><p>sável pela escolta de um perigoso traficante de drogas, o qual oferece 100</p><p>milhões de dólares para quem conseguir resgatá-lo da equipe policial.</p><p>WEB: Após um roubo com tomada de reféns em uma agência bancária na</p><p>cidade de Goioerê, interior do estado do Paraná, uma Freira toma a fren-</p><p>te das negociações, findando com a fuga de todos os criminosos. O link a</p><p>seguir mostra diversas imagens da negociação na época. Lembrando que</p><p>a situação foi em 1988, em que, ainda, não se tinha uma doutrina consolida-</p><p>da de Gerenciamento de Crises no Brasil. Portanto, você verá nas imagens,</p><p>além de uma personagem que não poderia ser posta como negociadora,</p><p>uma ausência de um Teatro de Operações.</p><p>Como apresentamos até aqui, no decorrer de uma crise policial, é fundamen-</p><p>tal que seja seguido a doutrina de Gerenciamento de Crises. Desse modo,</p><p>além da existência de diferentes tipologias criminosas, existem personagens</p><p>essenciais no Teatro de Operações, concomitantemente, como uma zona de</p><p>isolamento ideal, para que assim se chegue a uma solução aceitável. Portanto,</p><p>é fundamental a identificação de todos os pontos já abordados, assegurando</p><p>que vidas sejam preservadas.</p><p>UNIDADE 2</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/13320</p><p>64</p><p>1. O local ou espaço físico sob o controle do Causador do Evento Crítico (CEC) é onde</p><p>ele se encontra, assim como os reféns ou vítimas que podem estar sob seu poder.</p><p>Esse local pode variar a depender da situação, podendo ser uma residência, um</p><p>cômodo, um veículo, um estabelecimento comercial, uma via pública, entre outros</p><p>exemplos possíveis. Sobre o conceito abordado, qual o nome técnico que se dá ao</p><p>ambiente apresentado?</p><p>a) Local Crítico.</p><p>b) Ponto Crítico.</p><p>c) Ponto Crucial.</p><p>d) Local Crucial.</p><p>e) Quadrado Crítico.</p><p>2. A identificação correta da tipologia do Causador do Evento Crítico é essencial para o</p><p>desenrolar de uma negociação, pois, dessa forma, possibilita à equipe de negociação</p><p>aplicar técnicas específicas para cada tipo. Levando isso em consideração, quais são</p><p>as tipologias criminosas apresentadas nesta unidade?</p><p>a) Maníaco, psicopata, sequestrador.</p><p>b) Suicida, assaltante, assassino.</p><p>c) Suicida, psicopata, sequestrador.</p><p>d) Criminoso, terrorista, mentalmente perturbado.</p><p>e) Sequestrador, assaltante, suicida.</p><p>3. Durante o processo de gerenciamento</p><p>de crises, é essencial que o gerente da crise</p><p>tenha à sua disposição no local de crise todas as alternativas táticas em pronto</p><p>emprego, possibilitando que se chegue a uma solução aceitável. Logo, quais são as</p><p>alternativas táticas previstas atualmente pela doutrina de gerenciamento de crises?</p><p>a) Arrombamento tático, negociação, tiro tático, táticas de invasão.</p><p>b) Invasão tática, arrombamento tático, conversa técnica, negociação.</p><p>c) Negociação, técnicas não letais, tiro de comprometimento, invasão tática.</p><p>d) Negociação, aproximação técnica, invasão silenciosa.</p><p>e) Invasão tática, negociação, arrombamento tático, tiro tático.</p><p>65</p><p>4. Realizar o isolamento correto do local de crise é fundamental para garantir e preser-</p><p>var a vida de todos os envolvidos em uma ocorrência de gerenciamento de crises.</p><p>Assim, segundo a doutrina vigente, como é constituído um perímetro de segurança?</p><p>a) Zona estéril e perímetro interno, zona tampão e perímetro externo.</p><p>b) Zona de isolamento, zona de segurança.</p><p>c) Ala de isolamento interno, ala de isolamento externo.</p><p>d) Linha de segurança curta, linha de segurança média, linha de segurança longa.</p><p>e) Linha de segurança curta, linha de segurança longa.</p><p>5. As Alternativas Táticas são a base para se chegar a uma solução aceitável, pois abran-</p><p>ge algumas possibilidades para o gerente da crise decidir qual será a melhor forma</p><p>de resolver uma crise policial. Entre as alternativas táticas, existe uma em específico</p><p>que apresenta controvérsia, pois envolve muitas vezes a neutralização do CEC, ape-</p><p>sar disso, trata-se de uma alternativa tática valiosíssima à disposição do gerente da</p><p>crise, durante um evento crítico; por conseguinte, não se pode falar em gerencia-</p><p>mento de crise sem tal alternativa tática. Qual seria essa alternativa tática?</p><p>a) Negociação.</p><p>b) Negociação tática.</p><p>c) Técnicas não letais.</p><p>d) Tiro de comprometimento.</p><p>e) Invasão tática.</p><p>6. Entre os diversos personagens previstos dentro do teatro de operação, existe um em</p><p>específico que é a autoridade policial de maior patente responsável pela tomada de</p><p>decisões, durante um evento crítico. Qual a nomenclatura correta desse personagem</p><p>tão importante durante o processo de gerenciamento de crises?</p><p>a) Comandante do teatro de operações.</p><p>b) Gerente da crise.</p><p>c) Comandante da crise.</p><p>d) Gerente do teatro de operações.</p><p>e) Comandante da crise e do teatro de operações.</p><p>3Condutas na</p><p>Negociação em</p><p>Segurança</p><p>Esp. André Luís Otávio Varotto dos Santos</p><p>Nesta unidade, será possível aprender as minúcias que envolvem o</p><p>processo de negociação em um evento crítico, os objetivos, as técnicas,</p><p>as fases e as habilidades necessárias para efetivar esse trabalho. To-</p><p>dos os pontos discutidos, nesta unidade, fazem referência ao âmbito</p><p>do gerenciamento de crises, no entanto a grande maioria pode ser</p><p>transposta e adaptada aos mais diversos contextos. Diante do expos-</p><p>to, aprenderemos um pouco mais sobre o tema, abordando como</p><p>devem ser as condutas de negociação em um evento crítico.</p><p>UNIDADE 3</p><p>68</p><p>Demonstramos, anteriormente, a importância do gerenciamento de crises e suas</p><p>características fundamentais. Nesta unidade, dentre elas, destacaremos o pro-</p><p>cesso de negociação em crises, uma das alternativas táticas do GC, fundamental</p><p>em um evento crítico para se alcançar uma solução pacífica. Você, porém, já se</p><p>perguntou quais as características de um negociador policial? Como ele deve se</p><p>comportar em uma situação de crise? Quais objetivos busca alcançar, durante o</p><p>contato com o CEC? Todas estas questões serão respondidas no decorrer desta</p><p>unidade. Elas são importantes para observarmos como a negociação é impres-</p><p>cindível dentro do gerenciamento de crises a fim de se alcançar o primeiro</p><p>objetivo: preservar vidas, neste tipo de situação.</p><p>Como vimos anteriormente, uma solução aceitável nem sempre significa que</p><p>todas as vidas serão preservadas, ao final de uma situação de crise. Isso ocorre</p><p>porque as diferentes situações envolvem pessoas distintas, que por ventura po-</p><p>dem assumir o risco e tomar atitudes extremas, independentemente das ações</p><p>adotadas pelos responsáveis pelo gerenciamento da crise.</p><p>A negociação, contudo, figura como a principal alternativa para buscar essa</p><p>solução ideal, na qual a integridade física de todos os envolvidos é preservada.</p><p>Por essa razão, estudaremos em detalhes todos os aspectos dessa alternativa tá-</p><p>tica e, principalmente, como o negociador policial deve se portar durante esse</p><p>evento. Logo, suas ações precisam ser de acordo com a técnica e a doutrina para</p><p>maximizar a possibilidade de sucesso.</p><p>69</p><p>Vamos colocar a mão na massa?</p><p>Trabalharemos, agora, as condutas durante o processo de negociação. Diante</p><p>do exposto, gostaria que você assistisse a este vídeo: “Cidade Alerta 06 05 2015:</p><p>açougueira refém ameaçada de morte”. Na sequência, gostaria que observasse</p><p>os procedimentos realizados pela equipe policial, pois discorreremos sobre es-</p><p>ses procedimentos no decorrer desta unidade. O desenvolvimento de condutas</p><p>apropriadas, durante o processo de negociação, é fundamental não só para o</p><p>negociador, mas também para todos os envolvidos no processo de negociação,</p><p>durante uma crise policial. Como você já observou até aqui, tivemos exemplos</p><p>reais de situações críticas que, por falta de uma conduta técnica, fin-</p><p>dou-se em um desfecho inaceitável, não só por parte da doutrina,</p><p>mas também por parte da sociedade, certo? Portanto, com uma base</p><p>já formada até aqui, aprenderemos pontos mais específicos sobre o</p><p>tema, qualificando você para uma melhor profissionalização.</p><p>UNICESUMAR</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=jsFd7srA-G4</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=jsFd7srA-G4</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/12798</p><p>UNIDADE 3</p><p>70</p><p>Você, caro leitor, já pensou o que faz a negociação ser tão distinta das demais alter-</p><p>nativas táticas do GC? O emprego dessa alternativa tem como objetivo solucionar</p><p>o evento crítico por meio do diálogo, no qual os agentes envolvidos no processo,</p><p>o negociador policial e o causador do evento crítico (CEC), buscam um acordo</p><p>que seja proveitoso para ambas as partes. Cada uma das partes apresenta uma</p><p>disposição para ceder algo em prol da resolução da crise, trata-se de um processo</p><p>voluntário; portanto, a negociação, diferente das demais alternativas táticas do</p><p>GC, não busca alcançar uma solução aceitável para crise de maneira forçada ou</p><p>impositiva, o processo de negociação busca um consenso.</p><p>A importância atribuída ao processo de negociação no escopo de um</p><p>evento crítico cresce com o passar dos anos, mas esse nem sempre foi o caso.</p><p>No início, a negociação era uma atividade secundária cujo único objetivo era</p><p>ganhar tempo para a atuação das equipes táticas. Por essa razão, não existia</p><p>tanta preocupação com as técnicas de negociação que eram aplicadas e, com</p><p>frequência, os agentes responsáveis pela negociação recorriam à utilização de</p><p>promessas não verdadeiras, no intuito de enganar o CEC.</p><p>Devido a inúmeros casos com desfechos trágicos ao redor do mundo, as</p><p>forças policiais mudaram, gradativamente, a sua perspectiva com relação à ne-</p><p>gociação, que se tornou a principal alternativa para a resolução dos eventos críti-</p><p>cos. Os especialistas observaram que a negociação em crises era uma alternativa</p><p>muito menos arriscada, quando comparada à invasão tática, por exemplo, tanto</p><p>para os policiais e agentes de segurança quanto para os inocentes e o próprio</p><p>CEC. Além disso, quando aplicada com objetivos e técnicas apropriadas, a al-</p><p>71</p><p>ternativa tática da negociação em crises mostrou ter potencial para alcançar</p><p>uma solução aceitável, em boa parte dos eventos críticos.</p><p>A negociação em crises consiste em uma atividade complexa e altamente</p><p>técnica, que utiliza a barganha, a persuasão, a influência e o poder de con-</p><p>vencimento como ferramentas para resolução da crise. Na doutrina de GC</p><p>atual, o processo de negociação deve buscar um acordo que seja proveitoso</p><p>para ambas partes envolvidas (Polícia e CEC); desse modo, a seriedade do</p><p>trabalho é reconhecida</p><p>por todos, e a possibilidade de se negociar novamen-</p><p>te no futuro com o mesmo indivíduo é preservada.</p><p>O NEGOCIADOR</p><p>Antes de continuarmos a analisar os pormenores que compõem o processo de</p><p>negociação em crises, precisamos nos voltar à figura do negociador e ao seu papel</p><p>dentro do gerenciamento de crises, pois ele é um dos principais personagens do tea-</p><p>tro de operações e, geralmente, é colocado em uma posição de destaque na situação.</p><p>Mas quais são as funções de um negociador policial e quem pode atuar como tal?</p><p>O negociador funciona como o elo entre o CEC e o mundo exterior, ele é</p><p>encarregado de se comunicar com o CEC e, por meio desse contato, conhecer</p><p>as exigências e identificar as suas necessidades. Silva (2015, p. 53) acrescenta</p><p>que “o Negociador é [...] o porta-voz dos responsáveis pelo gerenciamento</p><p>do evento”. Ele utiliza técnicas de barganha e convencimento, no intuito de</p><p>chegar a um acordo para solucionar o evento crítico, com as maiores garan-</p><p>tias e o menor risco aos envolvidos.</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 3</p><p>72</p><p>Ao contrário do que a maioria das pessoas imaginam, para alcançar o seu objeti-</p><p>vo, o negociador policial não tem como pretensão controlar o comportamento do</p><p>CEC. Seu principal trunfo, durante o processo de negociação, é o autocontrole.</p><p>É imprescindível para o negociador policial o controle das próprias emoções</p><p>para executar suas funções. Tais funções compreendem a coleta de informações,</p><p>a minimização de risco aos envolvidos, o emprego das técnicas de barganha, o</p><p>ganho de tempo e o apoio às ações táticas.</p><p>Outro aspecto importante da atuação do negociador policial, em um</p><p>evento crítico, é que esse trabalho é executado em equipe. A alternativa tática,</p><p>negociação, não é de responsabilidade exclusiva de um negociador policial, a</p><p>aplicação dessa alternativa tática recai sobre toda equipe de negociação.</p><p>“ Por sua complexidade e sua dificuldade, o trabalho na negociação</p><p>deve ser sempre desenvolvido em equipe, não se concebendo um ne-</p><p>gociador atuando isoladamente e sem apoio de uma equipe completa,</p><p>na qual cada operador tem sua missão específica para o contexto. O</p><p>trabalho deve ser cuidadoso para evitar erros (SILVA, 2016, p. 181).</p><p>Silva (2016) explica que a composição e subsequente divisão das funções em uma</p><p>equipe de negociação pode variar, dependendo das peculiaridades específicas de</p><p>cada corporação policial e outras especificidades características de cada unidade</p><p>da federação, entretanto o autor apresenta seis funções distintas. Estas ele consi-</p><p>dera serem fundamentais em uma equipe de negociação, são elas: comandante da</p><p>equipe, negociador principal, negociador secundário, negociador anotador, apoio</p><p>logístico e psicólogo. Independente da função que realizará no evento crítico,</p><p>todos os policiais da equipe de negociação devem ser operadores especializados</p><p>na área de negociação em crises.</p><p>A seleção de negociadores, dentre as fileiras da corporação, é bastante crite-</p><p>riosa. Tendo em vista que a função exige um perfil específico, o processo seletivo</p><p>considera aspectos profissionais, pessoais e psicológicos dos voluntários para</p><p>atuarem nessa área. Diante de tudo que foi exposto até aqui, quais características</p><p>ou habilidades você acredita que sejam essenciais para um negociador policial?</p><p>Essa pergunta não é tão simples de se responder, isso porque existem inúme-</p><p>ras características ou habilidades que podem impactar, positivamente, o trabalho</p><p>de um negociador policial, entretanto, para elencar algumas, podemos afirmar</p><p>73</p><p>que um “bom” negociador deve ter</p><p>comportamento assertivo, ou seja,</p><p>ele precisa reconhecer que os seus</p><p>sentimentos podem influenciar em</p><p>sua comunicação; ser tolerante com</p><p>relação ao sentimento alheio; trans-</p><p>mitir segurança em suas mensagens;</p><p>tentar ouvir conforme a perspectiva</p><p>do emissor; sempre, demonstrar</p><p>interesse; estar consciente da sua</p><p>linguagem corporal; ser capaz de</p><p>aceitar que a comunicação pode ser</p><p>imperfeita e esforçar-se para dar um</p><p>feedback na comunicação. Essas são</p><p>algumas das características espera-</p><p>das em um negociador policial.</p><p>OBJETIVOS DA NEGO-</p><p>CIAÇÃO</p><p>Os objetivos da negociação, em</p><p>um evento crítico, podem variar</p><p>de acordo com a situação, contudo,</p><p>em termos gerais, os principais ob-</p><p>jetivos são: ganhar tempo; abrandar</p><p>as exigências; colher informações;</p><p>prover suporte tático e, claro, so-</p><p>lucionar a crise. Quando olhamos</p><p>para esses objetivos, os dois primei-</p><p>ros que foram mencionados cha-</p><p>mam atenção e merecem ser discu-</p><p>tidos, em maior profundidade.</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 3</p><p>74</p><p>A ideia de abrandar as exigências se refere à capacidade do negociador de</p><p>distinguir os desejos do CEC das suas reais necessidades. Lucca (2014) discute</p><p>esses desejos fantasiosos que alguns CEC manifestam em uma crise, ele chama</p><p>esse tipo de ocorrência de a fase do “eu quero”. Basicamente, tomando como</p><p>exemplo uma situação hipotética de roubo frustrado, Lucca (2014) descreve que,</p><p>nestas situações, costuma acontecer o seguinte:</p><p>“ Embora o desejo inicial seja sair vivo, quando percebe todo o apara-</p><p>to que o cerca, polícia, imprensa e tudo o mais, ele [o CEC] tende a se</p><p>sentir importante, valorizado, até porque sabe que naquele momen-</p><p>to tem o poder de vida e morte sobre seus reféns. Diante desse novo</p><p>cenário, o criminoso esquece sua necessidade essencial, prioritária,</p><p>que é sobreviver, e passa a ter desejos completamente irreais nas</p><p>circunstâncias.No processo de negociação é preciso distinguir</p><p>desejo de necessidade. Desejos geralmente são, nas circunstâncias,</p><p>meros caprichos megalômanos que não contribuem para o processo</p><p>que objetiva um bom acordo. Já a verdadeira necessidade — no</p><p>caso, a de sobrevivência — é absolutamente relevante para que</p><p>o entendimento entre as partes chegue a bom termo, e por</p><p>isso deve ser diligentemente trabalhada durante toda a negociação</p><p>(LUCCA, 2014, p. 91, grifo nosso).</p><p>75</p><p>O objetivo de ganhar tempo,</p><p>também, requer uma ponde-</p><p>ração maior a respeito de suas</p><p>vantagens e desvantagens. Na</p><p>lista das vantagens, podemos</p><p>relacionar o aumento de can-</p><p>saço do CEC, que pode aflo-</p><p>rar necessidades básicas e</p><p>proporcionar oportunidades</p><p>de barganhar reféns em troca</p><p>de concessões que supram es-</p><p>sas necessidades. Além disso,</p><p>ao prolongar a situação, o ne-</p><p>gociador pode obter um au-</p><p>mento da racionalidade; com</p><p>isso, o CEC pode vir a superar</p><p>a fase do “eu quero” e ocasio-</p><p>nar uma redução do estresse</p><p>na situação. Ainda, sobre as</p><p>vantagens de se ganhar tempo</p><p>por meio da negociação, esse</p><p>lapso temporal pode propor-</p><p>cionar uma melhor avalia-</p><p>ção estratégica do local pelo</p><p>grupo de intervenção ou, até</p><p>mesmo, pelo gerente da crise,</p><p>caso seja necessário o empre-</p><p>go de outra alternativa tática.</p><p>Por último, quando se ganha</p><p>tempo, é possível obter mais</p><p>informações, tanto em quan-</p><p>tidade como em qualidade,</p><p>isso resulta em uma melhor</p><p>tomada de decisão.</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 3</p><p>76</p><p>A passagem do tempo e prolongamento do evento crítico, no entanto, pode in-</p><p>correr em algumas desvantagens, como a exaustão dos policiais empregados no</p><p>teatro de operações, uma quantidade maior de efetivo se faz necessária para via-</p><p>bilizar o rodízio, nos diversos postos e missões específicas do evento crítico. Ade-</p><p>mais, a estratégia de ganho de tempo pode gerar um sentimento de impaciência</p><p>por parte dos comandantes, autoridades, mídia e opinião pública, assim como</p><p>um transtorno em toda a rotina da cidade. Por último, vale lembrar do caso Eloá,</p><p>que estudamos na Unidade 2, em uma situação envolvendo uma vítima e não</p><p>um refém, o prolongamento de sua permanência sob o controle do CEC pode</p><p>aumentar, consideravelmente, o risco à sua vida. Nesse tipo de crise, as autorida-</p><p>des responsáveis precisam tomar decisões céleres e incisivas.</p><p>77</p><p>FASES DO PROCESSO DE NEGOCIAÇÃO</p><p>O que faz com que uma crise seja um evento negociável? Essa pergunta abrange</p><p>um fator determinante para todo o processo de gerenciamento de crise e, prin-</p><p>cipalmente, para a equipe de negociação. Para começar, o CEC deve ter vontade</p><p>de viver; caso seja esse o caso, o negociador pode utilizar o raciocínio lógico</p><p>para argumentar com o CEC, no intuito de convencê-lo de que a garantia de sua</p><p>própria vida é a sua real necessidade naquele momento. Desse modo, a garantia</p><p>de vida se torna um elemento de barganha poderoso para direcionar as ações do</p><p>CEC e alcançar uma solução pacífica.</p><p>O CEC, também, precisa entender que existe uma força tática contra ele;</p><p>deve ficar claro que essa força é altamente treinada e especializada, com ca-</p><p>pacidade para atingi-lo, se necessário for, e que existe também uma vontade</p><p>de o atingir por parte das autoridades. Esse ponto pode ser concretizado,</p><p>mantendo o grupo de intervenção em local que o CEC consiga vê-los ou</p><p>pode, até mesmo, ser explicitado pelo negociador, durante a sua verbalização.</p><p>Nesse sentido, o negociador deve ser visto como uma potencial ameaça, mas</p><p>que deseja ajudar o CEC. O negociador precisa encontrar essa linha tênue</p><p>para garantir que o CEC compreenda que suas ações serão seguidas de con-</p><p>sequências, estas podem variar a depender do seu comportamento.</p><p>Além disso, o evento crítico precisa estar contido, do contrário não há o</p><p>que se falar em gerenciamento de crise ou negociação; as exigências impostas</p><p>pelo CEC precisam ser substanciais e realísticas; as equipes especializadas</p><p>para atuar em situações de crise precisam estar à disposição no teatro de ope-</p><p>rações e, por fim, o negociador precisa atuar como um canal de comunicação</p><p>confiável entre o CEC e as autoridades. É a junção de todos esses elementos</p><p>que faz com que uma crise seja um evento negociável.</p><p>Tratando-se de um evento negociável, podemos partir para análise das fases do</p><p>processo de negociação (preparação, discussão, proposta, acordo). A fase da prepa-</p><p>ração antecede o contato com CEC; nela, são estabelecidos os objetivos específicos</p><p>a serem alcançados e, assim como as estratégias e táticas que serão empregadas, a</p><p>coleta de informações é fundamental durante essa fase. Na fase da discussão, inicia-</p><p>-se a negociação, propriamente dita; nesse momento, busca-se a identificação dos</p><p>interesses, construção do rapport entre CEC e negociador, que consiste, resumida-</p><p>mente, na criação de um vínculo de confiança entre as partes, e estabelecimento da</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 3</p><p>78</p><p>zona de negociação, que</p><p>compreende as possibili-</p><p>dades de resoluções boas</p><p>para ambos.</p><p>Já a fase da propos-</p><p>ta só pode ser colocada,</p><p>em prática, uma vez que</p><p>a zona de negociação</p><p>seja determinada, a pro-</p><p>posição do negociador</p><p>deve buscar atender es-</p><p>ses pontos em comum,</p><p>maximizando, assim, a</p><p>possibilidade de obter</p><p>uma resposta favorá-</p><p>vel. Por último, temos</p><p>a fase do acordo; nela,</p><p>todos os pormenores</p><p>precisam ser especifica-</p><p>dos, as ações que serão</p><p>executadas precisam ser</p><p>descritas de antemão</p><p>e questões referentes a</p><p>“quando? Como? De</p><p>que forma?” precisam</p><p>ser esclarecidas sem que</p><p>reste nenhuma dúvida.</p><p>Uma vez que o acordo</p><p>seja definido, tem início</p><p>o processo de rendição.</p><p>79</p><p>TÉCNICAS DE NEGOCIAÇÃO</p><p>O negociador policial, para poder aplicar as técnicas e aumentar suas chances de</p><p>obter êxito, deve ter em mente que o seu trabalho não é atender às exigências do</p><p>CEC, mas sim satisfazer as necessidades. Ao chegar no local da crise, é impor-</p><p>tante se certificar que possui todas as informações; o negociador também pode</p><p>aguardar e escolher o melhor momento para iniciar o contato com o CEC; o</p><p>foco inicial deve estar em estabilizar e acalmar a situação, diminuindo o estresse.</p><p>Durante o contato com o CEC, é fundamental que o negociador seja autên-</p><p>tico, evitando usar gírias do CEC, assim como, sarcasmo, ironia ou piadas. Esse</p><p>contato deve ser profissional e o negociador deve mostrar uma preocupação e um</p><p>anseio genuíno em ajudar o CEC. Ele precisa ouvir o CEC e pensar antes de falar.</p><p>“ Aprender a ouvir deve ser entendido em sentido amplo. Trata-se de ou-</p><p>vir de forma mais abrangente, de maneira interpretativa. No exemplo</p><p>citado anteriormente, relativo à fase do “eu quero” em uma ocorrência</p><p>com refém, um bom negociador não se afoba diante dos desejos ex-</p><p>travagantes do criminoso. Tendo desenvolvido a capacidade de ouvir,</p><p>ele saberá como lidar com a questão sem provocar uma queda abrupta</p><p>daquela expectativa que, embora ilusória no plano real, é concreta aos</p><p>olhos do criminoso naquele momento. Um bom negociador saberá</p><p>como, de modo progressivo, desfazer essa “bolha ilusória” de modo que</p><p>o criminoso entre em contato novamente com a realidade dos fatos e,</p><p>em particular, com a sua necessidade inicial, esta sim legítima, de ter</p><p>sua própria vida preservada, motivo pelo qual se transformou em um</p><p>tomador de reféns (LUCCA, 2014, p. 94).</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 3</p><p>80</p><p>Até aqui, nós discutimos e nos aprofundamos na teoria que sustenta o processo</p><p>de negociação real, a qual trabalha sempre com a verdade e busca uma solução</p><p>que seja vantajosa para ambas partes envolvidas. No entanto, em determinadas</p><p>situações, o negociador policial pode recorrer a uma outra metodologia, conheci-</p><p>da como negociação tática; essa estratégia é um recurso a ser aplicado em último</p><p>caso, somente quando se esgotaram todas as possibilidades de resolução com a</p><p>negociação real. A negociação tática não deve ser empregada levianamente, isso</p><p>porque, uma vez que o negociador decida, com aval do gerente da crise, adotar</p><p>essa estratégia, não é possível retornar à negociação real.</p><p>O objetivo da negociação tática permanece inalterado. Quando comparado</p><p>com a negociação real, sua aplicação busca preservar as vidas dos envolvidos,</p><p>entretanto, quando ocorre o emprego da negociação tática, entende-se que não</p><p>existe a possibilidade de encerrar esse evento crítico específico e chegar a uma</p><p>solução aceitável pelo diálogo. Será necessário, então, o emprego de outra al-</p><p>ternativa tática, e o negociador altera o foco das suas ações para maximizar a</p><p>possibilidade de sucesso dessa alternativa tática, seja ela a invasão tática, seja o</p><p>tiro de comprometimento.</p><p>81</p><p>Durante a negociação tática, o negociador policial desempenhará um papel</p><p>tático; dependendo da situação, ele poderá identificar o líder, distraí-lo ou con-</p><p>duzi-lo para um local que dificulte a reação; desviar a atenção do CEC para</p><p>invasão tática ou tiro de comprometimento; induzir o CEC para que os reféns</p><p>estejam em local mais seguro e com socorro mais viável; utilizar concessões</p><p>de má-fé para diminuir o estado de alerta do CEC. Esses são alguns exemplos</p><p>de ações que o negociador policial pode executar para auxiliar o grupo de</p><p>intervenção na sua atuação.</p><p>Como observado até o momento, as condutas do Negociador são fundamentais durante</p><p>um contexto complexo de gerenciamento crises; logo, você já imaginou como seria a re-</p><p>solução de um conflito por um negociador totalmente despreparado, que não leve a sério</p><p>as condutas adequadas expostas aqui?</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>A Percepção sobre o Processo de Negociação com o passar dos anos</p><p>CEC</p><p>PERDE</p><p>POLICIAL</p><p>GANHA</p><p>POLICIAL</p><p>GANHA</p><p>CEC</p><p>GANHA</p><p>ANTES</p><p>DEPOIS</p><p>OLHAR CONCEITUAL</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 3</p><p>82</p><p>Negociação em crises: atividade complexa e altamente técnica, que utiliza a barga-</p><p>nha, a persuasão, a influência e o poder de convencimento como ferramentas para</p><p>resolução da crise.</p><p>Objetivos da negociação: em termos gerais, os principais objetivos são: ganhar tempo,</p><p>abrandar as exigências, colher informações, prover suporte tático e, claro, solucionar a crise.</p><p>Abrandar as exigências: refere-se à capacidade do negociador de distinguir os desejos</p><p>do CEC das suas reais necessidades.</p><p>EXPLORANDO IDEIAS</p><p>NOVAS DESCOBERTAS</p><p>Título: O negociador</p><p>Autor: Diógenes Lucca</p><p>Editora: HSM</p><p>Sinopse: as negociações corporativas, principalmente aquelas de-</p><p>senvolvidas sob forte pressão por resultados, pedem um negociador qua-</p><p>lificado e preparado. Diógenes Lucca é um especialista em gerenciamen-</p><p>to de crises e experiente negociador. Hoje, na reserva da Polícia Militar</p><p>do Estado de São Paulo, o ex-comandante e um dos criadores do GATE</p><p>é muito requisitado para consultorias</p><p>em segurança e negociação. Toda</p><p>essa experiência lhe rendeu um convite para ser comentarista de segu-</p><p>rança pública da Rede Globo. Em suas apresentações na TV, mostra cla-</p><p>reza e objetividade, quando conversa com jornalistas sobre o tema que</p><p>domina. Essas mesmas qualidades foram trazidas para este livro, criando</p><p>uma ponte entre o mundo dos negócios e as experiências como policial,</p><p>durante os 11 anos em que comandou essa tropa de elite, sem jamais fra-</p><p>cassar na perseguição de um acordo com sequestradores armados para a</p><p>libertação de reféns. Para enriquecer ainda mais a obra, Marc Burbridge</p><p>— um dos maiores especialistas em gestão de conflitos — faz comentá-</p><p>rios ao longo do texto, adicionando sua visão corporativa ao livro.</p><p>83</p><p>Vamos negociar?</p><p>Olá, alunos, no Podcast de hoje, conversaremos sobre</p><p>fundamentos básicos de condutos, durante um processo</p><p>de negociação, além da diferença técnica entre negociação</p><p>técnica e tática. Vamos lá?</p><p>NOVAS DESCOBERTAS</p><p>Título: Refém</p><p>Ano: 2005</p><p>Sinopse: após passar por uma tragédia pessoal, enquanto trabalha-</p><p>va como negociador de reféns para o Departamento de Polícia, Jeff</p><p>Talley (Bruce Willis) pede demissão do cargo e decide trabalhar como dele-</p><p>gado na pequena cidade de Bristo Camino. Jeff quer paz, e a pacata cidade</p><p>tem tudo para lhe proporcionar isto. Porém, quando três adolescentes vão</p><p>à casa de uma família com o objetivo de roubar o carro deles, eles ficam</p><p>presos dentro da casa e decidem tomar todos como seus reféns. A situação</p><p>força Jeff a atuar como negociador dos reféns, fazendo um trabalho que ele</p><p>preferia nunca mais ter que realizar em sua vida.</p><p>WEB: O artigo “Negociação de crises: a evolução da negociação de crise em</p><p>reféns/ barricadas” apresenta um panorama histórico bastante completo da</p><p>negociação em crises, trata-se de uma excelente leitura complementar às</p><p>discussões que foram levantadas nesta unidade.</p><p>“Ao longo dos últimos vinte e cinco a trinta anos tem havido um crescimento</p><p>significativo da base de conhecimento em relação à melhor forma de nego-</p><p>ciar incidentes críticos com refém/barricada. O objetivo do presente artigo</p><p>é analisar a evolução. Mais especificamente, este artigo analisa as múltiplas</p><p>formas que um incidente crítico pode ser classificado, analisa os resultados</p><p>dos bancos de dados dos incidentes com refém/barricada, discute as dife-</p><p>rentes técnicas de negociação e analisa os métodos de negociação e, final-</p><p>mente, explora o impacto de ser levado como vítima ao cativeiro”.</p><p>UNICESUMAR</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/13321</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11552</p><p>UNIDADE 3</p><p>84</p><p>85</p><p>Como vimos, é importantíssimo</p><p>que as condutas do negociador se-</p><p>jam pautadas pelo profissionalismo</p><p>e pela técnica. Os procedimentos</p><p>realizados durante um processo de</p><p>negociação seguem regras doutri-</p><p>nárias, garantindo que a negociação</p><p>seja feita da melhor forma possível.</p><p>Ainda, é possível observar que o ne-</p><p>gociador nunca está sozinho duran-</p><p>te esses eventos cruciais, logo, está</p><p>sempre na presença de uma equipe</p><p>altamente treinada e especializada.</p><p>Portanto, observa-se cada vez mais</p><p>inúmeros esforços para se chegar a</p><p>uma solução aceitável.</p><p>UNICESUMAR</p><p>86</p><p>1. Entre os vários objetivos da negociação, existe um em específico que se refere à ca-</p><p>pacidade do negociador de distinguir os desejos do CEC das suas reais necessidades.</p><p>Logo, qual alternativa, a seguir, está de acordo com o conceito exposto?</p><p>a) Distinção de desejos.</p><p>b) Negociação tática.</p><p>c) Falácia do causador do evento crítico.</p><p>d) Abrandar as exigências.</p><p>e) Negociação técnica.</p><p>2. O negociador policial desempenha um papel tático. Dependendo da situação, ele</p><p>poderá identificar o líder, distraí-lo ou conduzi-lo para um local que dificulte a reação;</p><p>desviar a atenção do CEC para invasão tática ou tiro de comprometimento; induzir</p><p>o CEC para que os reféns estejam em local mais seguro e com socorro mais viável;</p><p>utilizar concessões de má-fé para diminuir o estado de alerta do CEC. Diante do ex-</p><p>posto, qual alternativa, a seguir, está de acordo com o conceito abordado?</p><p>a) Negociação tática.</p><p>b) Negociação de reação.</p><p>c) Negociação invasiva.</p><p>d) Negociação técnica.</p><p>e) Negociação de distração.</p><p>87</p><p>3. A negociação, além de objetivos específicos, é composta por algumas fases. Dessa</p><p>forma, qual alternativa, a seguir, apresenta todas as fases da negociação, definidas</p><p>pela doutrina de gerenciamento de crises?</p><p>a) Negociação, discussão, rendição e prisão.</p><p>b) Negociação, discussão, aceitação e prisão.</p><p>c) Diálogo, aceitação, rendição e prisão.</p><p>d) Preparação, diálogo, aceitação e entrega.</p><p>e) Preparação, discussão, proposta e acordo.</p><p>4. As ações que serão executadas precisam ser descritas de antemão, e questões re-</p><p>ferentes a: “quando? Como? De que forma?” precisam ser esclarecidas sem que</p><p>reste nenhuma dúvida. Uma vez que tudo seja definido, tem início o processo de</p><p>rendição. Diante do exposto, qual alternativa, a seguir, está de acordo com a fase da</p><p>negociação exposta?</p><p>a) Aceitação.</p><p>b) Acordo.</p><p>c) Rendição.</p><p>d) Preparação.</p><p>e) Proposta.</p><p>4Doutrina</p><p>da Primeira</p><p>Intervenção</p><p>Esp. André Luís Otávio Varotto dos Santos</p><p>Nesta unidade teremos a oportunidade de aprender a doutrina elabora-</p><p>da para subsidiar as ações de um agente de segurança pública que não</p><p>é especialista em Gerenciamento de Crises, frente a um evento crítico.</p><p>Vamos discutir os pontos necessários de condução de uma crise para</p><p>o Primeiro Interventor, que acaba sendo o papel da grande maioria</p><p>dos agentes de segurança pública quando expostos a situações tão</p><p>complexas como uma crise policial.</p><p>UNIDADE 4</p><p>90</p><p>Situações complexas como uma crise poli-</p><p>cial podem ocorrer em qualquer momento,</p><p>sendo que uma das características já apren-</p><p>didas neste livro é a imprevisibilidade.</p><p>No entanto, a maioria dos profissionais de</p><p>segurança pública não são especialistas em Ge-</p><p>renciamento de Crises, pois apenas os agentes</p><p>com treinamento adequado e especialização es-</p><p>pecífica podem realizar a negociação em crises.</p><p>Porém, muitas ocorrências policiais ocorrem</p><p>de forma imprevista, sendo necessário o contato</p><p>inicial pelo primeiro agente que se depara com</p><p>esse tipo de ocorrência. Assim, foi criado uma</p><p>doutrina específica para essas situações, a dou-</p><p>trina de Primeira Intervenção em Crises.</p><p>Afinal de contas, como deveria ser o compor-</p><p>tamento dos agentes não especializados em ocor-</p><p>rências tão complexas como uma crise policial ?</p><p>A Negociação em crises é algo que deve</p><p>ser tratada com profissionalismo e serieda-</p><p>de. Dessa forma, como já abordado, para se</p><p>chegar em uma solução aceitável é necessá-</p><p>rio que a condução de um evento crítico seja</p><p>realizada por profissionais especializados.</p><p>Porém, até a chegada da equipe de ne-</p><p>gociação, há a necessidade de realizar o pri-</p><p>meiro contato com o Causador do Evento</p><p>Crítico (CEC) como forma de controlar a</p><p>situação e preparar o terreno para os pro-</p><p>fissionais especializados. Por esse motivo,</p><p>criou-se uma doutrina para os primeiros</p><p>agentes que chegam ao local de ocorrência,</p><p>doutrina que vem sendo aplicada diaria-</p><p>mente por profissionais de segurança pú-</p><p>blica em todo o mundo.</p><p>91</p><p>Vamos colocar a mão na massa ?</p><p>Nesta unidade iremos trabalhar a doutrina de Primeira Intervenção</p><p>em Crises. Diante do exposto, gostaria que assistisse a esse vídeo.</p><p>Assaltante faz jovem de refém e é Morto - (Belém - Pará) 17 12</p><p>09.flv. Na sequência, observe os procedimentos realizados pela equi-</p><p>pe policial, pois iremos discorrer sobre esses procedimentos a seguir.</p><p>A conduta adequada durante os primeiros contatos com o Causador do Even-</p><p>to Crítico são essenciais para se chegar em uma solução aceitável, minimizando</p><p>os danos e salvando o maior número de vidas.</p><p>A partir desse momento você já entendeu a importância da consolidação de</p><p>uma doutrina de Gerenciamento de Crises e como isso pode afetar diretamente</p><p>o desfecho em ocorrências tão complexas.</p><p>Dessa forma, agora vamos aprender o que de fato agentes de segurança pública,</p><p>não especializados, podem fazer na prática</p><p>quando se depararem com situações</p><p>em que haja necessidade de aplicação da Doutrina do Gerenciamento de Crises.</p><p>UNIDADE 4</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/13239</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/13239</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/13239</p><p>UNIDADE 4</p><p>92</p><p>CONCEITO DE PRIMEIRA INTERVENÇÃO EM</p><p>CRISES (PIC)</p><p>A doutrina de Primeira Intervenção em Crises (PIC) compreende os procedi-</p><p>mentos técnicos a serem adotados por todo e qualquer policial ou agente de segu-</p><p>rança, que primeiro se depare com um evento crítico, tal agente é conhecido como</p><p>Primeiro Interventor. A PIC é composta por dez passos, que visam amparar o</p><p>Primeiro Interventor durante a sua atuação em uma situação crítica, operacio-</p><p>nalizando as ações técnicas que esses agentes devem tomar, com o objetivo de</p><p>oferecer um método seguro de ação e minimizar os riscos que o evento crítico</p><p>impõe aos envolvidos, inclusive, ao agente de segurança que chegou até o local.</p><p>93</p><p>Como vimos nas unidades anteriores, a doutrina de Gerenciamento de Crises</p><p>(GC) é um sistema intrincado, que envolve diversos personagens e que requer</p><p>uma vasta fundamentação teórica para compreensão de suas nuances e especifi-</p><p>cidades. Por essa razão, a sua aplicação compete a grupos especializados dentro</p><p>das instituições policiais, que recebem um preparo e treinamentos diferenciados</p><p>para atuar nesse tipo de situação. No estado do Paraná, por exemplo, apenas o</p><p>Batalhão de Operações Especiais (BOPE) tem competência para realizar o Ge-</p><p>renciamento de um Evento Crítico, de acordo com o que preconiza a doutrina,</p><p>tendo em vista que somente as companhias desse batalhão podem executar as</p><p>alternativas táticas do GC, necessárias para efetivar o processo.</p><p>Contudo, o alto nível de especialização exigido pela doutrina de GC resulta</p><p>em um problema prático evidente, como já estudamos as Crises são eventos im-</p><p>previsíveis e aleatórios, eles podem ocorrer em qualquer lugar, a qualquer hora.</p><p>Sendo assim, qualquer policial ou agente de segurança pode vir a defrontar-se</p><p>com uma Crise durante o seu turno de serviço, uma vez constatado esse fato,</p><p>observou-se a necessidade da implementação de procedimentos técnicos padro-</p><p>nizados que pudessem ser disseminados de forma ampla e acessível para auxiliar</p><p>os agentes que porventura se encontrem nesses predicamentos. A doutrina de</p><p>PIC foi a resposta encontrada para resolver essa problemática.</p><p>“ Há registro de vários casos que resultaram em tragédias, com a</p><p>morte de pessoas ameaçadas, terceiros inocentes e policiais que</p><p>se aproximaram do ponto crítico sem técnica alguma, evocan-</p><p>do a necessidade de uma ferramenta que mostrasse o caminho</p><p>técnico e seguro de atuação. (SILVA, 2016, p. 142)</p><p>Os momentos iniciais de um evento crítico costumam ser bastante tensos, o</p><p>CEC tende a estar num pico de estresse muito alto, a situação ainda não está</p><p>totalmente controlada pelas forças policiais, os perímetros de segurança ainda</p><p>não estão definidos e delimitados. Todos esses fatores fazem com que o período</p><p>inicial de um evento crítico seja crucial, o emprego das técnicas nesses momentos</p><p>é imprescindível, caso a primeira intervenção seja mal feita ou com inobservância</p><p>da doutrina, os riscos para a vida e para integridade física dos envolvidos aumen-</p><p>tam significativamente. Silva (2016), destaca a importância da multiplicação da</p><p>doutrina de PIC para que os agentes de segurança saibam como agir quando</p><p>UNIDADE 4</p><p>UNIDADE 4</p><p>94</p><p>encontrarem uma crise, “com o passar do tempo e a difusão da doutrina em</p><p>estágio avançado, contatou-se a necessidade de estender os conhecimentos em</p><p>primeira intervenção para outras forças que trabalham com segurança, policiais</p><p>ou não” Silva (2016, p. 143).</p><p>PARA ENTENDER A IMPORTÂNCIA DA INTERVEN-</p><p>ÇÃO EM CRISES, VAMOS ABORDAR OS 10 PASSOS</p><p>DA PRIMEIRA INTERVENÇÃO EM CRISES</p><p>Os dez passos da primeira intervenção em crises descrevem ações a serem ado-</p><p>tadas pelo primeiro interventor em um evento crítico. Considera-se que, ao</p><p>executar essas ações, conforme preconiza a doutrina, o agente de segurança</p><p>poderá conduzir a situação da maneira mais adequada e, com isso, aumentar a</p><p>probabilidade de se alcançar uma solução aceitável, além de contribuir positiva-</p><p>mente para atuação das equipes especializadas responsáveis pelo gerenciamento</p><p>da crise. Silva (2016, p. 144) explica que os dez passos “servem de roteiro para</p><p>as ações técnicas e previnem infortúnios nas ocorrências críticas, sendo funda-</p><p>mentais para qualquer tipo de crise, não só as que envolvem reféns”.</p><p>95</p><p>Na sequência, vamos examinar cada um dos dez passos, porém, antes de nos</p><p>aprofundarmos é importante ressaltar que apesar de receber a denominação de</p><p>“10 passos da primeira intervenção em crises”, o que alude a uma sequência de</p><p>ações que devem ser executadas dentro de uma ordem de prioridade, as ações</p><p>descritas nesses dez passos não devem ser executadas de forma sequencial. A</p><p>aplicação dos dez passos ocorre, na prática, de forma quase simultânea. Ou seja,</p><p>ao mesmo tempo que o Primeiro Interventor busca conter a crise (2° passo), ele</p><p>também estará preocupado com a sua segurança e buscará permanecer em local</p><p>seguro (8° passo), portanto, o agente de segurança não deve chegar no local da</p><p>crise e executar os passos do 1 ao 7 para somente então se preocupar com a sua</p><p>segurança, ele irá executar o “oitavo passo” desde a sua chegada no local da crise</p><p>e aplicar as demais ações de forma concomitante.</p><p>Os dez passos da primeira intervenção em crise são:</p><p>1° Localizar o ponto exato da crise</p><p>2° Conter a crise</p><p>3° Isolar o ponto crítico</p><p>4° Estabelecer contato sem concessões</p><p>5° Solicitar apoio de área</p><p>6° Coletar informações</p><p>7° Diminuir o estresse da situação</p><p>8° Permanecer em local seguro</p><p>9° Manter terceiros afastados</p><p>10° Acionar as equipes especializadas</p><p>Quadro 01: Os 10 passos da Primeira Intervenção em Crises (PIC)</p><p>Fonte: Silva, 2015.</p><p>UNIDADE 4</p><p>UNIDADE 4</p><p>96</p><p>Localizar o ponto exato da crise - O primeiro passo do Primeiro Interventor</p><p>é encontrar o ponto crítico, o local sob controle do CEC, no qual ele mantém os</p><p>reféns ou vítimas da situação. Entretanto, antes mesmo de localizar o ponto exa-</p><p>to da crise, o Primeiro Interventor pode solicitar mais informações para central,</p><p>em se tratando de situações críticas repassadas via rádio, como por exemplo,</p><p>o chamado para verificar uma residência onde um suicida armado está homi-</p><p>ziado em seu quarto de posse de uma arma de fogo, ameaçando atirar contra</p><p>si mesmo. Durante o deslocamento, o Primeiro Interventor pode questionar a</p><p>central sobre todos os detalhes possíveis do fato, como tipo de armamento, ca-</p><p>racterísticas físicas do CEC, quem mais está no local, etc. Além disso, é muito</p><p>importante que o Primeiro Interventor não se exponha, que ele permaneça em</p><p>local seguro mesmo que o ponto crítico não seja visível imediatamente, é fun-</p><p>damental que ele mantenha calma e não tenha pressa ao executar esse primeiro</p><p>passo, analisando tudo o que está ocorrendo em sua volta com atenção e cautela.</p><p>Um último adendo a se fazer sobre localizar o ponto exato da crise, é que a con-</p><p>firmação de que realmente está ocorrendo uma crise é fundamental para que os</p><p>próximos passos da doutrina possam ser aplicados. Silva (2016) explana:</p><p>97</p><p>“ Não são poucas as vezes em que a crise informada por uma teste-</p><p>munha que liga para o telefone de emergência da Polícia Militar</p><p>não se confirma. Muitas vezes, são trotes e, em outras, o indivíduo</p><p>que estaria dando causa ao fato já se evadiu do ambiente. Portanto,</p><p>nesses casos, como a crise não foi confirmada, cabem aos policiais</p><p>da área apenas os procedimentos normais, como buscas, diligências</p><p>e orientações no local (SILVA, 2016, p. 145).</p><p>Conter a crise - Como vimos nas outras unidades, o Gerenciamento de Crises</p><p>só pode ser aplicado em situações que a crise esteja contida, caso o CEC esteja</p><p>em movimento não é possível executar as ações estipuladas na doutrina. Diante</p><p>disso, o segundo passo da PIC estabelece que o Primeiro Interventor deve fazer</p><p>o</p><p>que for possível para manter o CEC no local onde ele foi encontrado, para tanto, o</p><p>Primeiro Interventor pode utilizar barreiras físicas, como trancar portas e janelas</p><p>ou estacionar viaturas em pontos estratégicos, ou argumentos verbais no intuito</p><p>de indicar para o CEC que é mais vantajoso para ele naquela situação permanecer</p><p>no local em que se encontra no momento. “A essência desse passo é evitar que a</p><p>crise se alastre, tomando proporções maiores e mais perigosas, bem como im-</p><p>possibilitar que haja mudança de local, algo potencialmente desvantajoso para o</p><p>futuro gerenciamento do evento” (SILVA, 2016, p. 146, grifo nosso).</p><p>UNIDADE 4</p><p>UNIDADE 4</p><p>98</p><p>Isolar a crise - Nesse passo, o Primeiro Interventor deve definir os perímetros</p><p>de segurança, de acordo com as características específicas do evento crítico em</p><p>questão. Essa medida tem como objetivo impedir que o CEC tenha qualquer</p><p>tipo de contato (auditivo, visual) com o ambiente externo ou com qualquer outra</p><p>pessoa além do Primeiro Interventor, portanto, não faz parte da doutrina de PIC</p><p>a apresentação de intermediários para conversar com o CEC, tal medida só deve</p><p>ser empregada pelas equipes especializadas.</p><p>O isolamento é um passo bastante complexo e que exige a participação de</p><p>diversos policiais, a depender da situação, porém, um isolamento adequado é</p><p>de fundamental importância para que as autoridades responsáveis pelo aten-</p><p>dimento do evento crítico possam executar um trabalho técnico. Silva (2016)</p><p>alerta que “um isolamento mal realizado de uma crise é extremamente nocivo e</p><p>embaraçoso, podendo acarretar tragédias e danos irreversíveis aos envolvidos,</p><p>como mortes e ferimentos graves” (p. 147).</p><p>Estabelecer contato sem concessões - O quarto passo da doutrina de PIC</p><p>prevê que o Primeiro Interventor deve buscar o contato verbal com o CEC e</p><p>estabelecer um diálogo no intuito de acalmá-lo, diminuindo assim o estresse da</p><p>situação, porém, esse contato do Primeiro Interventor deve respeitar uma limi-</p><p>tação bastante impositiva, não cabe ao Primeiro Interventor fazer concessões ao</p><p>CEC. O Primeiro Interventor em uma crise não deve, em hipótese alguma, ser</p><p>equiparado ao Negociador Policial. “Cabe apenas ao negociador, profissional que</p><p>integra uma equipe estruturada, [...] barganhar com o CEC e conceder o que for</p><p>possível dentro das técnicas de negociação” (SILVA, 2016, p. 148).</p><p>Para estabelecer um contato adequado é importante que o Primeiro Inter-</p><p>ventor observe alguns pontos, ele deve evitar uma conversa forçada e encontrar</p><p>o momento apropriado para iniciar o diálogo, somente um policial ou agente</p><p>de segurança deve contatar o CEC, respeitando assim o princípio da atenção,</p><p>tal agente deve se apresentar e buscar a construção de vínculo de confiança com</p><p>o Causador, como o Primeiro Interventor não tem autorização para barganhar</p><p>e fazer concessões ao CEC, ele não deve fazer nenhuma promessa ao CEC,</p><p>entretanto, ele pode anotar todas as exigências impostas pelo CEC e, com isso,</p><p>demonstrar que está ouvindo e registrando as suas necessidades.</p><p>99</p><p>Solicitar apoio de área - Ao constatar uma crise, o Primeiro Interventor</p><p>deve solicitar imediatamente o apoio de equipes adicionais para auxiliarem nas</p><p>medidas de contenção e isolamento, assim como no controle e na segurança do</p><p>local da crise, tendo em vista que esse tipo de situação exige uma resposta espe-</p><p>cial da Polícia, como verificamos no próprio conceito de Crise. Cada equipe que</p><p>chegue em apoio deve receber missões específicas de maneira que o apoio a ser</p><p>desempenhado ocorra de forma organizada e controlada. Inicialmente, o foco</p><p>deve ser os perímetros de segurança, essa medida é imprescindível para impedir</p><p>que outras pessoas, além dos inocentes sob controle do CEC, se exponham a uma</p><p>situação de risco iminente à vida.</p><p>Coletar informações - Em uma situação de crise todas as informações são</p><p>valiosíssimas e o rápido processamento de novas informações é crucial para a</p><p>condução do evento crítico, Silva (2016) destaca, “a coleta de dados acerca de</p><p>uma crise em andamento pode ser a chave para sua solução aceitável mais tarde”</p><p>(p. 150). Antes mesmo de se aproximar do ponto crítico e realizar o primeiro</p><p>contato, o Primeiro Interventor precisa se assegurar que possuí as informações</p><p>básicas sobre a ocorrência, ele pode fazer isso entrevistando testemunhas que</p><p>presenciaram os momentos iniciais da crise e que possam ter informações re-</p><p>levantes, assim como pessoas que alegam conhecer o CEC e podem dar pistas</p><p>quanto a sua motivação e objetivos. Para que essas informações coletadas não</p><p>sejam perdidas, é importante que todas as informações relevantes sejam anotadas</p><p>em ordem cronológica, isso ajuda caso seja necessário revisar os acontecimentos</p><p>e também podem subsidiar a transição do contato para as equipes especializadas</p><p>com a chegada deles no local da crise, com isso, a equipe de negociação não pre-</p><p>cisa iniciar o trabalho de coleta de informações do absoluto zero, aproveitando</p><p>os dados que já foram colhidos durante a PIC.</p><p>UNIDADE 4</p><p>UNIDADE 4</p><p>100</p><p>Diminuir o estresse da situação - O foco das ações do Primeiro Interventor</p><p>em uma crise deve ser a vida dos inocentes que estão no interior do ponto crítico,</p><p>portanto para atenuar os riscos à vida dessas pessoas, o Primeiro Interventor deve</p><p>adotar ações com objetivo de diminuir o nervosismo característico de uma situa-</p><p>ção de crise, para tanto, ele deve falar calmamente com o CEC, independente se</p><p>este estiver gritando ou extremamente agitado, deve manter o seu controle emo-</p><p>cional, buscando responder as provocações e ameaças do CEC sempre de forma</p><p>racional e controlada, evitando desfiar ou ameaçar o CEC durante o seu contato.</p><p>Permanecer em local seguro - Como já fora mencionado anteriormente, ape-</p><p>sar de ser o oitavo passo dentro da doutrina de PIC, o Primeiro Interventor deve se</p><p>preocupar com a sua segurança desde a sua chegada à crise e em todas ações desen-</p><p>volvidas, ele deve buscar ajudar os inocentes que estão correndo perigo de vida no</p><p>evento crítico sem se expor ao risco de se tornar mais uma vítima do CEC. “A regra</p><p>é simples: um primeiro interventor morto ou ferido no início de um evento crítico</p><p>não terá condições de ajudar as pessoas ameaçadas. Além disso, o caos instalado</p><p>tende a crescer quando policiais são mortos ou feridos tentando resolver a crise</p><p>de maneira impulsiva ou heroica” (SILVA, 2016, p. 152), desse modo, o Primeiro</p><p>Interventor nunca deve adentrar o ponto crítico ou se oferecer para trocar-se com</p><p>um refém, como já aconteceu em alguns casos na história do nosso país. É impor-</p><p>tante ressaltar que uma postura técnica e preocupada com a segurança não deve ser</p><p>confundida com covardia e falta de iniciativa, Silva (2016) corrobora com essa visão,</p><p>“a permanência do primeiro interventor em segurança é muito mais que um passo</p><p>técnico. É uma condição que propiciará o apoio necessário a quem precisa” (p. 152).</p><p>101</p><p>Manter terceiros afastados - O Primeiro Interventor deve se preocupar com a</p><p>vida de todos os terceiros inocentes que estão correndo risco por conta da crise,</p><p>inclusive, curiosos e profissionais da imprensa que tendem a se deslocarem a</p><p>esses locais espontaneamente em detrimento de sua própria segurança. As auto-</p><p>ridades responsáveis pela condução do evento crítico devem encaminhar esses</p><p>indivíduos para locais seguros.</p><p>Acionar as equipes especializadas - Nas unidades anteriores nós apren-</p><p>demos que o Gerenciamento de Crises compete às equipes especializadas com</p><p>treinamento específico para atuar nessas situações. Portanto, cabe ao Primeiro</p><p>Interventor, uma vez constatada a crise, acionar as equipes que detém a compe-</p><p>tência para atuar em eventos críticos, esse acionamento pode ser feito assim que</p><p>o Primeiro Interventor chegar ao local da crise, inclusive, isso possibilita que</p><p>Primeiro Interventor receba orientações dos especialistas em Negociação em</p><p>Crises durante o deslocamento dessas equipes até o local.</p><p>A partir da descrição dos dez passos podemos concluir que se tratam de</p><p>ações básicas que devem ser tomadas em todas situações de crise para garan-</p><p>tir a segurança de todos envolvidos nos momentos iniciais e que buscam, por</p><p>meio do trabalho técnico, impactar positivamente na situação e contribuir</p><p>para que uma solução aceitável possa ser alcançada. Nos momentos de crise,</p><p>geralmente, as emoções estão afloradas, vidas estão em perigo iminente e</p><p>ações simples podem ser esquecidas e ignoradas no calor dos fatos, a es-</p><p>quematização dessas ações no formato dos dez passos serve para auxiliar</p><p>o Primeiro Interventor, desse modo, ele tem um roteiro a seguir para suas</p><p>ações e não corre o risco de desconsiderar qualquer uma delas.</p><p>A FORMAÇÃO DE PRIMEIROS INTERVENTORES</p><p>A doutrina de primeira intervenção em crises foi desenvolvida para ser aplicada</p><p>por qualquer agente de segurança que porventura se depare com um evento</p><p>crítico. Para tanto, a PIC precisa ser disseminada para todos os integrantes da ins-</p><p>tituição por meio de instruções e palestras recorrentes. Os 10 passos da primeira</p><p>intervenção devem estar dispostos em locais estratégicos como nas centrais de</p><p>operações, nos veículos institucionais e afins. Todas essas medidas são fundamen-</p><p>UNIDADE 4</p><p>UNIDADE 4</p><p>102</p><p>tais para que os agentes de segurança tenham capacidade de atuar como Primeiro</p><p>Interventor de acordo com a técnica e a doutrina.</p><p>A primeira intervenção é uma parte importantíssima do processo de ge-</p><p>renciamento de crise, que visa a preservação da vida dos envolvidos em evento</p><p>crítico, uma primeira intervenção executada de acordo com os 10 passos pode,</p><p>inclusive, ser suficiente para solucionar a crise de maneira pacífica, por essa razão,</p><p>a difusão da PIC deve ser prioridade dentro das instituições que trabalham no</p><p>âmbito da segurança pública e privada.</p><p>ESTUDO DE CASO - ROUBO FRUSTRADO COM TO-</p><p>MADA DE REFÉM (SITUAÇÃO HIPOTÉTICA)</p><p>Dois indivíduos em uma motocicleta estacionam em frente à uma farmácia na</p><p>região central de um município no interior do estado, o garupa desce da moto-</p><p>cicleta e vai até o caixa da farmácia, ele está armado e dá voz de assalto a aten-</p><p>dente, exigindo todo o dinheiro do caixa. Enquanto a atendente está recolhendo</p><p>o dinheiro para entregar ao assaltante, uma viatura da polícia militar em patru-</p><p>lhamento, que passava em frente a farmácia, observa o indivíduo na motocicleta</p><p>parada com o motor ligado em frente a farmácia e outro no interior da loja com</p><p>capacete na cabeça próximo ao caixa, os policiais acabam suspeitando desse com-</p><p>portamento e decidem prosseguir para a abordagem.</p><p>Assim que a equipe policial dá início a abordagem, o suspeito na moto-</p><p>cicleta acelera e empreende fuga em meio ao trânsito, os policiais continuam</p><p>com a aproximação na direção do segundo suspeito. Ele, ao ver seu parceiro</p><p>fugindo e a aproximação dos policiais, imediatamente, pula para trás do caixa</p><p>da farmácia e subjuga a atendente, com a arma apontada para cabeça da fun-</p><p>cionária, ele exige que os policiais se afastem.</p><p>A situação gera uma comoção de terceiros que estavam nos comércios</p><p>próximos e também passando pela via, em minutos a imprensa chega até</p><p>o local e inicia uma transmissão ao vivo da situação, inúmeros curiosos</p><p>cercam o ponto crítico, tentando acompanhar a situação e menosprezando</p><p>a sua própria segurança. O caos se instala no local da crise!</p><p>A equipe policial preocupada em resolver a situação o quanto antes não</p><p>se atenta ao isolamento do ponto crítico e dirige toda sua atenção ao CEC e a</p><p>103</p><p>refém. Um dos policiais propõe se trocar pela refém, ele deixa sua arma com</p><p>o parceiro e adentra o ponto crítico para salvar a vida da refém. O CEC, que</p><p>está extremamente nervoso e agitado, decide não liberar a refém mesmo assim.</p><p>O nível de estresse da situação fica cada vez mais elevado, o policial, que está</p><p>dentro do ponto crítico e agora é mais um refém na situação, enxerga uma</p><p>oportunidade num momento de distração do causador, ele tenta imobilizar o</p><p>CEC para tomar dele a sua arma, os dois entram em luta corporal, rolando pelo</p><p>chão da farmácia, disparos são efetuados e o policial é alvejado. O parceiro,</p><p>que está do lado de fora da farmácia, se aproxima do interior da loja quando a</p><p>luta corporal se inicia e, ao ver seu parceiro baleado e o CEC com a arma em</p><p>punho, dispara diversas vezes contra o causador, que acaba vindo a óbito no</p><p>local, a refém que havia fugido no momento da confusão e se escondido atrás</p><p>de um balcão acaba saindo ilesa da situação.</p><p>Toda situação foi registrada por equipes da imprensa e transmitida ao</p><p>vivo em diversos canais de televisão.</p><p>Ao analisarmos a sequência de fatos narrada nesse exemplo podemos</p><p>verificar que as tomadas de decisão e ações executadas não seguiram nenhum</p><p>tipo de doutrina ou procedimento técnico. Apesar de ser uma situação hi-</p><p>potética, ela é plausível e pode acontecer com qualquer profissional da área</p><p>de segurança, a grande variável é que não podemos prever quando esse tipo</p><p>de situação irá ocorrer, justamente por esse motivo, todos os agentes de se-</p><p>gurança precisam estar preparados para lidar com situações similares, caso</p><p>elas ocorram. Como vimos, se não forem conduzidas de maneira técnica e</p><p>segura, o desfecho pode ser trágico e irreversível.</p><p>No exemplo, a equipe policial agiu de maneira improvisada e, com isso,</p><p>aumentou o risco para todos os envolvidos na situação. O policial que aden-</p><p>trou o ponto crítico se colocou em uma posição extremamente vulnerável e</p><p>na sequência adotou medidas que colocaram em risco a sua própria vida e</p><p>a vidas dos inocentes, suas ações podem ser enquadrada no que a doutrina</p><p>chama de “Síndrome do camisa 10”, na qual o agente de segurança acredita</p><p>ter habilidade suficiente para resolver a situação por meio de ações isoladas</p><p>e de alto risco, a probabilidade de sucesso é baixa e essas ações tendem a re-</p><p>sultar em um desfecho trágico e não-aceit-avel, como foi o caso. Geralmente,</p><p>o policial age dessa forma com intuito de ser recompensado com promoções</p><p>e honrarias após o término do evento crítico.</p><p>UNIDADE 4</p><p>UNIDADE 4</p><p>104</p><p>Contudo, se os 10 passos da primeira intervenção tivessem sido aplicados</p><p>pela primeira equipe a chegar no local da crise, conforme preconiza a doutrina,</p><p>muitos dos erros e equívocos cometidos poderiam ter sido evitados. Os 10 passos</p><p>são procedimentos simples, porém, o efeito da aplicação desses passos em um</p><p>evento crítico é muito positivo, diminuindo o risco de vida para os envolvidos,</p><p>assim como para os terceiros e curiosos que estejam próximo do local.</p><p>Seguir a doutrina de Primeira Intervenções em Crises (PIC) é fundamental durante um</p><p>evento complexo. Você, como especialista em segurança pública, imaginou como seria</p><p>danoso e até levar a fatalidades a ausência desses procedimentos aprendidos?</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>Primeira intervenção em crises como elo de ligação</p><p>Evento</p><p>Crítico</p><p>Primeiro Interventor</p><p>(Doutrina PIC)</p><p>Equipe De</p><p>Negociação</p><p>(Doutrina GC)</p><p>Maior</p><p>Probabilidade</p><p>Solução</p><p>Aceitável</p><p>Equipe de Negociação</p><p>(Doutrina GC)</p><p>Maior</p><p>Probabilidade</p><p>de Danos a Vida</p><p>de Pessoas</p><p>Inocentes</p><p>OLHAR CONCEITUAL</p><p>Com avanço da doutrina de Gerenciamento de Crises em nosso país e a adesão ao proces-</p><p>so de Negociação, como uma alternativa tática eficaz para resolução de crises policiais, as</p><p>instituições constataram que havia uma divergência muito grande entre os procedimentos</p><p>empregados no início de um evento crítico pelas equipes comuns e os procedimentos ado-</p><p>tados após a chegada das equipes especializadas com treinamento específico para atuar em</p><p>situações de crise. Os policiais comuns não possuíam técnicas de atuação bem estabelecidas</p><p>105</p><p>e, por isso, recorriam a medidas improvisadas, empíricas e amadoras, isso aumentava o ris-</p><p>co para os envolvidos na situação e refletia negativamente na atuação das equipes especiali-</p><p>zadas, que, por vezes, precisavam consertar erros cometidos durante a primeira intervenção</p><p>para só então alcançar algum progresso real na situação.</p><p>Diante disso, a doutrina de Primeira Intervenção em Crises foi desenvolvida para subsidiar</p><p>todos os</p><p>agentes de segurança com procedimentos técnicos que devem ser aplicados em</p><p>uma situação de crise até que ocorra a chegada das equipes especializadas, preenchendo</p><p>essa lacuna que existia anteriormente.</p><p>Primeiro Interventor: O primeiro interventor é aquela pessoa que teve o contato inicial</p><p>com o Causador do Evento Crítico, e deve seguir a doutrina da PIC até a chegada das</p><p>equipes especializadas.</p><p>Isolar a crise: Durante o procedimento de Isolar a crise, o Primeiro Interventor deve de-</p><p>finir os perímetros de segurança, de acordo com as características específicas do evento</p><p>crítico em questão. Essa medida tem como objetivo impedir que o CEC tenha qualquer</p><p>tipo de contato (auditivo, visual) com o ambiente externo ou com qualquer outra pessoa</p><p>além do Primeiro Interventor.</p><p>Acionar as equipes especializadas: Acionar as equipes especializadas é fundamental</p><p>para se chegar a uma solução aceitável, aqui o Primeiro Interventor aciona os especialista</p><p>em Negociação em Crises, os quais irão repassar orientações durante a Primeira interven-</p><p>ção, até a chegada daqueles ao local de crises, onde após a chegada irão iniciar o processo</p><p>de negociação de forma adequada.</p><p>EXPLORANDO IDEIAS</p><p>Veja essa entrevista</p><p>Olá, aluno! Neste podcast, entrevistarei um policial espe-</p><p>cialista em negociação em crises e, juntos, discutiremos a</p><p>importância da doutrina de primeira intervenção em crises,</p><p>em ocorrências policiais reais. Vamos lá!</p><p>UNIDADE 4</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11555</p><p>UNIDADE 4</p><p>106</p><p>NOVAS DESCOBERTAS</p><p>Título: Primeira Intervenção em Crises Policiais</p><p>Autor: Marco Antônio da Silva</p><p>Editora: AVM</p><p>Sinopse: O livro Primeira Intervenção em Crises Policiais -Teoria e Prá-</p><p>tica, já em sua 3ª edição, traz um estudo aprofundado sobre as ações técnicas</p><p>a serem tomadas pelos policiais que se deparam com ocorrências qualifica-</p><p>das como críticas. Além disso, há um estudo sobre os conceitos mais impor-</p><p>tantes da disciplina de Gerenciamento de Crises, um processo que tem es-</p><p>treita ligação com a importante atividade da Primeira Intervenção em Crises.</p><p>Comentário: Além de contar a história de como a doutrina de Primeira In-</p><p>tervenção em Crises foi desenvolvida e disseminada no âmbito da Polícia</p><p>Militar do Paraná, o autor também apresenta diversos exemplos práticos do</p><p>que o Primeiro Interventor deve ou não fazer ao executar cada um dos 10</p><p>passos, que compõem a PIC.</p><p>NOVAS DESCOBERTAS</p><p>Título: A negociação - justiça a qualquer preço</p><p>Ano: 1998</p><p>Sinopse: Em Chicago, Danny Roman (Samuel L. Jackson) um poli-</p><p>cial especialista em lidar com seqüestradores, quando os reféns</p><p>tem risco iminente de vida. Mas a situação se inverte quando seu</p><p>parceiro é assassinado e ele se torna o principal suspeito. Pouco</p><p>antes da morte, a vítima tinha lhe contado que os quase dois milhões de</p><p>dólares do fundo de pensão, que tinham sido desviados, era uma armação</p><p>de gente do seu próprio departamento. Tentando provar sua inocência ele,</p><p>em uma atitude desesperada, invade a direção dos Assuntos Internos e faz</p><p>cinco reféns, se tornando um seqüestrador e exigindo como negociador Ch-</p><p>ris Sabian (Kevin Spacey), um policial desconhecido, pois se não pode confiar</p><p>nos amigos, um estranho é a pessoa ideal. Apesar dele conhecer todas as</p><p>técnicas de invasão em casos de sequestro, seu tempo é curto, pois precisa</p><p>descobrir a verdade rapidamente, já que do lado de fora os envolvidos no</p><p>esquema de corrupção estão prontos para invadir o local, não para salvar os</p><p>reféns e sim para matá-lo.</p><p>107</p><p>Os procedimentos de Primeira Intervenção são fundamentais para se chegar</p><p>a uma solução aceitável, logo, observa-se que um agente de segurança pública</p><p>com a doutrina de primeiro interventor muito bem massificada em sua cabeça,</p><p>possibilita que situações tão complexas sejam tratadas de forma profissional e</p><p>resguardando a vida de todos os presentes, mesmo na ausência inicial de policiais</p><p>especializados em Negociação em Crises. Dessa forma, a doutrina de Primeira</p><p>Intervenção em Crises deve ser levada a sério por todos os profissionais de segu-</p><p>rança pública, pois aumenta a probabilidade de que vidas inocentes sejam salvas.</p><p>UNIDADE 4</p><p>108</p><p>1. A Primeira Intervenção em Crises é fundamental e um elo de ligação para uma boa</p><p>gestão do Gerenciamento de Crises, diante desse fato, qual alternativa a seguir não</p><p>está disposto no rol dos 10 passos da primeira intervenção em crises policiais ?</p><p>a) Isolar o Ponto Crítico.</p><p>b) Permanecer em local seguro.</p><p>c) Estabelecer contato sem concessões.</p><p>d) Pedir apoio à imprensa local.</p><p>e) Acionar as equipes especializadas.</p><p>2. Durante uma ocorrência de crise policial, o Primeiro Interventor deve buscar o con-</p><p>tato verbal com o CEC e estabelecer um diálogo no intuito de acalmá-lo, diminuindo</p><p>assim o estresse da situação, porém, esse contato do Primeiro Interventor deve</p><p>respeitar uma limitação bastante impositiva. Conforme exposto, qual alternativa a</p><p>seguir está de acordo com o tema abordado ?</p><p>a) Estabelecer contato com concessões.</p><p>b) Estabelecer contato sem concessões.</p><p>c) Negociação Tática.</p><p>d) Conversa positiva.</p><p>e) Primeira Intervenção Tática.</p><p>3. Dentro dos 10 passos da primeira intervenção em crises, um deles prevê que o Pri-</p><p>meiro Interventor deve evitar que a crise se alastre, causando maiores transtornos</p><p>e atingindo maiores proporções, o que gera uma desvantagem para o futuro do</p><p>gerenciamento de crises. Logo, qual das alternativas a seguir está de acordo com o</p><p>“passo” mencionado ?</p><p>a) Acionar as equipes especializadas.</p><p>b) Isolar o ponto crítico.</p><p>c) Solicitar apoio de áerea.</p><p>d) Conter a crise.</p><p>e) Coletar informações.</p><p>4. Em uma situação de crise todas as informações são valiosíssimas e o rápido proces-</p><p>samento de novas informações é crucial para a condução do evento crítico, diante</p><p>desse fato, para que essas informações não sejam perdidas, é importante que todas</p><p>as informações relevantes sejam anotadas em ordem cronológica, isso ajuda caso</p><p>seja necessário revisar os acontecimentos e também podem subsidiar a transição</p><p>do contato para as equipes especializadas. Logo, qual dos 10 passos de Primeira</p><p>Intervenções em Crises está de acordo com o abordado ?</p><p>a) Coletar Informações</p><p>b) Anotação Cronológica</p><p>c) Coletar fatos relevantes.</p><p>d) Anotação ponderada.</p><p>e) Informações Relevantes.</p><p>5A Importância do</p><p>Trabalho Técnico</p><p>Esp. André Luis Otávio Varotto dos Santos</p><p>Nesta unidade, recapitularemos todas as técnicas discutidas anterior-</p><p>mente, buscando evidenciar como a junção dos vários temas apresen-</p><p>tados é fundamental para que todo o processo de Gerenciamento de</p><p>Crises possa ser aplicado, de acordo com a doutrina. Desse modo,</p><p>o objetivo desta unidade é demonstrar como cada uma das peças</p><p>apresentadas anteriormente — a primeira intervenção, os perímetros</p><p>de segurança, o negociador, as alternativas táticas etc. — encaixam-se</p><p>uma na outra para formar o todo, que denominamos Gerenciamento</p><p>de Crises. E, a partir desse compêndio, concluir que o trabalho técnico</p><p>de cada um dos personagens envolvidos, durante todo o transcorrer</p><p>do evento crítico, é o melhor caminho a ser seguido para preservar</p><p>vidas e se alcançar uma solução aceitável.</p><p>UNIDADE 5</p><p>112</p><p>Para darmos início a esta unidade eu gostaria de compartilhar com vocês</p><p>um caso, no qual eu tive a oportunidade de participar e que acredito ser um</p><p>bom exemplo para ilustrar a importância do trabalho técnico de todos os</p><p>envolvidos em uma ocorrência crítica.</p><p>Certa vez, em uma rebelião de presos, com um Agente Penitenciário sendo</p><p>feito refém em uma Penitenciária Estadual, após a chegada da primeira equipe po-</p><p>licial no local, foram utilizadas as técnicas de contenção para impedir que a crise</p><p>se alastrasse. Na sequência, após o isolamento no local e o contato inicial com os</p><p>detentos, foram iniciadas as técnicas de primeira intervenção em crises policiais e</p><p>acionados às equipes especializadas do Batalhão de Operações Policiais Especiais.</p><p>Onde, após a chegada dessas equipes, iniciou-se o processo correto de negociação</p><p>de crises por</p><p>conhecimento a respeito de uma temática</p><p>específica; por isso, aqui, discutiremos em detalhes o Gerenciamento de Crises</p><p>e Riscos. Para que possamos iniciar esse estudo, é preciso ter bases sólidas, as</p><p>quais servirão de sustentação para tudo que veremos adiante; portanto, focare-</p><p>mos no conceito de crise e qual o seu significado; discutiremos, também, casos</p><p>reais que alteraram a percepção internacional de como lidar com situações de</p><p>crises e contribuíram para o desenvolvimento da doutrina que conhecemos e</p><p>adotamos hoje. Ademais, aprenderemos os objetivos gerais que orientam as</p><p>ações em uma crise e, por último, os critérios de ação que devem ser observados,</p><p>durante o gerenciamento de crise. Antes de se aprofundar em qualquer assunto,</p><p>é importante termos uma definição clara dos conceitos envolvidos nessa dis-</p><p>cussão. Uma das bases para o nosso curso de Gestão de Segurança Pública é a</p><p>definição de crise. E você já sabe o que é uma crise?</p><p>UNIDADE 1</p><p>10</p><p>O gerenciamento de</p><p>crises é fundamental</p><p>para chegarmos a uma</p><p>solução aceitável, quan-</p><p>do vidas humanas estão</p><p>em riscos. Diante disso,</p><p>temos diversos exem-</p><p>plos de que vidas foram</p><p>ceifadas pela falta de</p><p>uma doutrina clara e</p><p>conhecimento técnico</p><p>específico. Um exemplo</p><p>famoso que ocorreu em</p><p>12 de junho de 2000 foi</p><p>o “Sequestro do Ônibus</p><p>174”, em que, infelizmen-</p><p>te, chegou-se a uma solu-</p><p>ção não aceitável. Dessa</p><p>forma, será que havendo</p><p>uma ocorrência parecida</p><p>nos dias atuais, teríamos</p><p>um desfecho diferente?</p><p>Sequestro do</p><p>Ônibus 174</p><p>11</p><p>Com o passar dos anos, tivemos várias ocorrências de crises; assim, percebe-se a</p><p>evolução da doutrina de gerenciamento de crises; logo, nesta unidade, trataremos</p><p>os diversos assuntos específicos, em que teremos como objetivo final salvar vidas.</p><p>Vamos colocar a Mão na massa? Assista aos vídeos no YouTube, o primeiro</p><p>SBT Rio 20 Anos: sequestro do Ônibus 174, o segundo</p><p>Ação de sniper encerra quase quatro horas de sequestro</p><p>na ponte Rio-Niterói. Na sequência, faça uma compara-</p><p>ção simples entre as ações, em que uma se chegou a uma</p><p>solução não aceitável e a outra a uma solução aceitável.</p><p>Atenção, aluno! Entender os conceitos principais do gerenciamento de crises</p><p>é fundamental para compreendermos as melhores metodologias para se chegar a</p><p>uma solução aceitável, você sabe quais são esses conceitos?</p><p>UNICESUMAR</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=9moHv9sZziw</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=WL-Jg6GmVQE</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=WL-Jg6GmVQE</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/12152</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/12153</p><p>UNIDADE 1</p><p>12</p><p>DEFINIÇÃO DE CRISE</p><p>O termo CRISE é utilizado para definir um evento que foge do cotidiano, que</p><p>exige uma atenção e resposta especial e que, por essa razão, contém um potencial</p><p>transformador a depender do seu desfecho. Ferreira (2010) traz dentre as suas</p><p>definições para o termo, que crise corresponde a uma “Manifestação repentina</p><p>de ruptura do equilíbrio” (FERREIRA, 2010, p. 209, grifo nosso), ele também é</p><p>definido no âmbito da medicina como uma “Manifestação súbita, inicial ou</p><p>não, de doença física ou mental” (FERREIRA, 2010, p. 209, grifo nosso). É evi-</p><p>dente, a partir dessas definições, que uma crise consiste em um evento catalisador</p><p>de mudanças drásticas ao status quo, mas qual seria a definição de crise, dentro</p><p>do contexto de segurança pública?</p><p>E A CRISE NO ÂMBITO POLICIAL E DE SEGURANÇA?</p><p>O conceito de crise, amplamente adotado pelas polícias do nosso país, foi desen-</p><p>volvido pelo Federal Bureau of investigation – FBI (Departamento Federal de</p><p>Investigação, em tradução livre). O FBI é uma unidade de polícia do departamen-</p><p>to de justiça dos Estados Unidos, que define crise como “um evento ou situação</p><p>crucial, que exige uma resposta especial da POLÍCIA, a fim de assegurar uma</p><p>solução aceitável” (MONTEIRO et al., 2008, p. 9, grifo nosso). Silva (2016, p. 63),</p><p>também, adota essa definição e acrescenta que “isso significa que a crise policial</p><p>é uma ocorrência diferenciada, de risco extremado e que excede a capacidade de</p><p>atendimento dos grupos policiais regulares, evocando a necessidade imperiosa</p><p>de grupos especialmente treinados para o seu gerenciamento”.</p><p>Três pontos da definição de crise proposta pelo FBI merecem destaque. O pri-</p><p>meiro é: entende-se a crise como um evento crucial, ou seja, um evento imprevisí-</p><p>vel de caráter decisivo, no qual vidas estão em risco iminente. Um segundo ponto</p><p>diz respeito à competência de atuação nesses casos; como sabemos, o direito à vida</p><p>é um direito de todos, que deve ser assegurado pelo Estado (BRASIL, 1988); por</p><p>esse motivo, a responsabilidade de oferecer uma resposta em situações de crise,</p><p>nas quais vidas estão em jogo, é exclusiva da Polícia, que representa o braço exe-</p><p>cutor do estado e, portanto, deve estar preparada para atuar em situações críticas.</p><p>13</p><p>“ Cabe exclusivamente à corporação policial responsável pela área</p><p>territorial onde ocorrer a crise gerenciá-la. A polícia é a organização</p><p>mantenedora da ordem e guardião da lei, com previsão constitucio-</p><p>nal e doutrinária — e, portanto, não pode transferir o gerenciamento</p><p>da crise para terceiros como já foi constatado em vários casos regis-</p><p>trados (SILVA, 2016, p. 64).</p><p>Por último, temos a ideia de solução aceitável, esse conceito é introduzido, tendo</p><p>em vista que as crises policiais são eventos ímpares, cada uma com particularida-</p><p>des e dinâmicas específicas, como veremos mais adiante. Até mesmo crises que se</p><p>enquadram na mesma tipologia — por exemplo, roubo frustrado com tomada de</p><p>reféns — não podem ser comparadas diretamente, considerando as inúmeras va-</p><p>riáveis distintas que estão presente em cada situação, como localidade, indivíduos,</p><p>motivações, entre outros. Desse modo, a ideia de solução aceitável contempla</p><p>essa diversidade dos eventos críticos, ela explicita que o desfecho pode variar de</p><p>acordo com a situação e que os esforços devem ser direcionados para obtenção</p><p>do resultado menos danoso possível, naquele caso específico.</p><p>“ Todo o trabalho das autoridades e equipes policiais especiais no</p><p>evento estará focado na busca de um desfecho aceitável, sem mortes</p><p>ou feridos. Eventualmente, o CEC [causador do evento crítico] as-</p><p>sume um risco e, portanto, sua neutralização poderá ser necessária</p><p>para salvaguardar a vida dos inocentes ameaçados, inclusive com</p><p>amparo legal para a ação (SILVA, 2016, p. 65).</p><p>É possível observar que a crise policial conta com características específicas,</p><p>como imprevisibilidade e risco iminente à vida, que exigem uma resposta espe-</p><p>cial dos responsáveis pelo desenrolar desse evento. A doutrina de gerenciamento</p><p>de crises é a resposta adotada para buscar uma solução aceitável nesses casos, e é</p><p>sobre as especificidades dessa doutrina que vamos tratar em nosso curso.</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 1</p><p>14</p><p>POR QUE ESTUDAR O</p><p>GERENCIAMENTO DE</p><p>CRISES?</p><p>Você pode se perguntar: qual é a fina-</p><p>lidade de estudar e se aprofundar na</p><p>doutrina de gerenciamento de crises,</p><p>considerando a competência específi-</p><p>ca da polícia para atuar nesses casos?</p><p>Aqui, é importante lembrar que as</p><p>crises são imprevisíveis, esses eventos</p><p>podem ocorrer em qualquer local, a</p><p>qualquer horário e envolver qualquer</p><p>pessoa. Além disso, os momentos ini-</p><p>ciais de uma crise tendem a ser impor-</p><p>tantíssimos e muito relevantes para o</p><p>seu desfecho, portanto, uma atuação</p><p>técnica por parte do indivíduo que</p><p>vier a ter o primeiro contato com a</p><p>crise é bastante relevante. A pessoa</p><p>que realiza esse contato inicial recebe</p><p>a denominação de primeiro interven-</p><p>tor, falaremos a respeito dessa figura</p><p>em detalhes mais adiante.</p><p>Por enquanto, ainda a respeito da</p><p>relevância de aprender sobre o geren-</p><p>ciamento de crises, devido às suas ca-</p><p>racterísticas particulares, as situações</p><p>críticas atraem a atenção de muitas</p><p>pessoas. Desse modo, um preparo téc-</p><p>nico adequado para lidar com esse tipo</p><p>de situação é fundamental para todos</p><p>envolvidos na área de segurança, seja</p><p>pública, seja privada.</p><p>15</p><p>“ Com o passar do tempo</p><p>parte dessas equipes. Porém, durante as conduções da crise, alguns</p><p>detentos decidiram fugir do local isolado pelo teto de uma das celas, mas como</p><p>o ponto crítico estava isolado conforme demanda a doutrina, eles foram impedi-</p><p>dos por equipes que ali estavam, possibilitando que a crise não se alastrasse pelo</p><p>restante da penitenciária. Por fim, após as negociações que se estendeu por alguns</p><p>dias, o refém foi liberado com vida e todos os detentos foram detidos no ponto</p><p>crítico, possibilitando que a crise fosse resolvida dentro da técnica.</p><p>Portanto, qual a lição que podemos observar nessa situação? O trabalho téc-</p><p>nico e de acordo com o que preconiza a doutrina foi fundamental nesse caso, mas</p><p>quantos agentes de segurança que precisam conhecer sobre os procedimentos</p><p>técnicos para que eles sejam executados da forma correta?</p><p>113</p><p>Em seu livro Gerenciamento de crises policiais (2016), Silva busca, por meio de sua</p><p>exposição minuciosa sobre a doutrina de GC, tornar evidente para o leitor o seguinte</p><p>ensinamento, que: “o trabalho técnico é, invariavelmente, o melhor caminho” (p. 19).</p><p>Todos os conceitos discutidos, os exemplos apresentados, os materiais indicados e as</p><p>explicações desenvolvidas ao longo das unidades deste trabalho visam um objetivo</p><p>similar. Eu gostaria que você, aluno, entendesse a importância do trabalho técnico</p><p>em uma crise, trata-se de uma situação atípica, na qual vidas estão em risco iminente,</p><p>portanto, agir de maneira improvisada, amadora ou empírica é inadmissível.</p><p>Vamos colocar a mão na massa ?</p><p>Como apresentado, seguir a doutrina é fundamental para ter-</p><p>mos um resultado aceitável. Diante do exposto, gostaria que você</p><p>assistisse a esse vídeo. BOPE – Primeira Intervenção em Crise</p><p>| Instrução em Presídio. Na sequência, gostaria que observasse</p><p>que existe um constante treinamento da doutrina por parte dos</p><p>profissionais de segurança pública e que a preocupação em ter</p><p>agentes doutrinados é fundamental para que vidas sejam salvas.</p><p>Aprendemos que o principal motivo para que eventos críticos concluam-se</p><p>em desfechos desfavoráveis é justamente uma doutrina para eventos críticos não</p><p>consolidada por parte dos profissionais de segurança pública.</p><p>Diante desse fato, você já compreendeu que devemos ter uma doutrina con-</p><p>solidada e com aspectos técnicos plausíveis, possibilitando que a perda de vidas</p><p>inocentes sejam o máximo possível preservadas.</p><p>UNICESUMAR</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=zcajMrpeFcM</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=zcajMrpeFcM</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/13510</p><p>UNIDADE 5</p><p>114</p><p>TIPOLOGIA DAS SITUAÇÕES CRÍTICAS POLICIAIS</p><p>Nas outras unidades nós aprendemos que situações críticas contém característi-</p><p>cas específicas como risco iminente à vida e imprevisibilidade, exigindo uma res-</p><p>posta especial das instituições de segurança pública e privada. Contudo, existem</p><p>alguns tipos específicos de ocorrências críticas, as quais iremos analisar adiante.</p><p>Silva (2016) destaca que “identificar o tipo exato de crise em curso é fundamental</p><p>para facilitar o processo de gerenciamento” (p. 82), ou seja, cada tipo de ocorrên-</p><p>cia crítica contém elementos próprios, que precisam ser observados pelos agentes</p><p>de segurança para aumentar a probabilidade de se obter uma solução aceitável.</p><p>Antes de examinar as particularidades de cada tipo de ocorrência crítica</p><p>e como elas devem ser abordadas, vamos listá-los a seguir:</p><p>115</p><p>Roubos ou outros crimes frustrados com tomada</p><p>de reféns</p><p>Geralmente, esse tipo de evento crítico tem início quando equipes policiais</p><p>chegam ao local onde está ocorrendo um crime enquanto os criminosos</p><p>estão executando a ação delituosa. Os criminosos são cercados pelas equipes</p><p>policiais, impossibilitando que eles consigam fugir do local, com isso, eles</p><p>recorrem a tomada de reféns (pessoas inocentes e aleatórias que se encon-</p><p>tram no local do crime) para impedir a aproximação das equipes policiais</p><p>e também servem como uma garantia de vida, Silva (2016) acrescenta “são</p><p>praticamente escudos que os protegem da ação policial” (p. 84, grifo do autor).</p><p>“ Como qualquer outra crise, uma primeira intervenção precisa ser</p><p>técnica e os grupos especializados da corporação policial respon-</p><p>sável pela área devem ser acionados para gerenciar o evento. Em</p><p>tese, os criminosos prezam por sua vida e, por isso, tomam reféns.</p><p>Entretanto, há casos registrados em que o CEC teve sua condição</p><p>mental alterada, passando a falar em cometer suicídio, o que au-</p><p>menta consideravelmente o risco para os reféns. (SILVA, 2016, p. 84)</p><p>Extorsões mediante sequestro</p><p>Esse tipo de crime está descrito no art. 159 do Código Penal Brasileiro, “se-</p><p>questrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vanta-</p><p>gem, como condição ou preço do resgate” (Decreto-lei n° 2.848, 1940). Essa</p><p>prática criminosa era frequente em nosso país durante as décadas de 1980</p><p>e 1990, porém com o avanço da legislação, que passou a prever penas mais</p><p>duras para esse tipo de crime, a sua ocorrência diminuiu.</p><p>Cabe destacar que, nos casos de extorsão mediante sequestro, o refém não está</p><p>em um local conhecido pelas forças de segurança, isso exige que um trabalho de</p><p>investigação seja desenvolvido para, primeiro, localizar o ponto crítico; por esse</p><p>motivo, a competência, nesse tipo de ocorrência crítica, recai para Polícia Civil.</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 5</p><p>116</p><p>Quadro 01: Tipologia das situações críticas policiais / Fonte: Silva, 2016.</p><p>1 Roubos ou crimes frustrados com tomada de reféns</p><p>2 Extorsões mediante sequestro</p><p>3</p><p>Rebeliões com reféns em estabelecimentos prisionais, unidades de</p><p>internação, cadeias públicas e delegacias</p><p>4</p><p>Mentalmente perturbados, barricados ou não, com tomada de víti-</p><p>mas, reféns ou sozinhos</p><p>5 Criminosos sozinhos e barricados contra a ação da polícia</p><p>6</p><p>Movimentos sociais ou grupos sociais específicos (índios, por exem-</p><p>plo) com tomada de reféns ou vítimas</p><p>7 Tentativas de suicídio</p><p>8 Ocorrências que envolvem artefatos explosivos</p><p>9 Ações terroristas (atentados ou tomadas de reféns ou vítimas)</p><p>10</p><p>Atiradores em posição privilegiada ou no interior de escolas, uni-</p><p>versidades ou qualquer outro estabelecimento público ou privado</p><p>disparando contra alvos aleatórios (os chamados atiradores ativos)</p><p>11 Tomada de aeronaves por criminosos, terroristas ou perturbados</p><p>12 Acidentes de grandes proporções</p><p>117</p><p>Silva (2016, p. 85) explica como funciona a questão da competência nesses crimes:</p><p>“no Brasil, o gerenciamento de tal crime [extorsão mediante sequestro] cabe à</p><p>Polícia Civil, abrangendo investigações e negociações por meio de seus grupos</p><p>especializados. Nesse tipo de crise, o ponto crítico (cativeiro) não é conhecido e</p><p>a pessoa envolvida é tecnicamente chamada de refém sequestrado”.</p><p>Rebeliões com reféns em estabelecimentos prisionais</p><p>Quando os detentos de um estabelecimento prisional se rebelam e conseguem</p><p>tomar funcionários ou pessoas inocentes como reféns ou vítimas está instalado</p><p>o evento crítico. Porém, nesse tipo de crise os CECs estão presos e, por isso, suas</p><p>exigências e reivindicações costumam estar relacionadas com as condições do</p><p>estabelecimento prisional em questão, podendo ser uma penitenciária, cadeia</p><p>pública, delegacia, centros de socioeducação, entre outros.</p><p>Trata-se de um tipo de crise delicada, pois geralmente envolve inúmeros cau-</p><p>sadores e múltiplos reféns, além disso, rebeliões tendem a causar uma grande re-</p><p>percussão na mídia. “As rebeliões têm diversas causas e, atualmente, tornaram-se</p><p>tão comuns que parecem fora de controle. Além das vidas ameaçadas, os presos</p><p>rebelados destroem e queimam as instalações para demonstrar força e poder e</p><p>obter suas exigências” (SILVA, 2016, p.86).</p><p>Mentalmente perturbados com tomada de reféns,</p><p>vítimas ou sozinhos</p><p>Crises envolvendo CECs mentalmente perturbados requerem uma atenção</p><p>especial por parte dos agentes de segurança, esses indivíduos são extremamen-</p><p>te instáveis e suas ações tendem a ser erráticas. É importante que o Primeiro</p><p>Interventor acione as equipes especializadas, um</p><p>dos 10 passos da primeira</p><p>intervenção em crises, o quanto antes para que o Teatro de Operações seja</p><p>estabelecido. Situações críticas envolvendo mentalmente perturbados podem</p><p>exigir o emprego de ações táticas para se chegar a uma solução aceitável, tendo</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 5</p><p>118</p><p>em vista, que o CEC mentalmente perturbado pode estar alheio a realidade</p><p>e não responder a um diálogo lógico e racional, por isso, todas as alternativas</p><p>táticas precisam estar disponíveis para atuar assim que possível.</p><p>“ A perturbação mental do CEC pode levá-lo a cometer atos ter-</p><p>ríveis e arquitetar planos que coloquem em risco tanto a própria</p><p>vida quanto as de outras pessoas. Quando flagrados pelos po-</p><p>liciais, agem de acordo com sua realidade, que geralmente não</p><p>se confirma de maneira objetiva em comparação aos fatos à sua</p><p>volta. Podem causar crises por apresentarem transtornos mentais,</p><p>sofrerem abalos emocionais momentâneos ou terem abusado de</p><p>bebidas alcoólicas ou outras drogas. Em geral são crises demora-</p><p>das e que não podem ser subestimadas pelas autoridades policiais</p><p>– por exemplo, tratar as vítimas como se fossem reféns -, sob pena</p><p>de provocarem tragédias. (SILVA, 2016, p. 87)</p><p>Criminosos sozinhos e barricados contra a ação</p><p>da polícia</p><p>Esse tipo de ocorrência crítica tende a acontecer em situações que criminosos são</p><p>cercados pela polícia em flagrante delito ou durante a fuga imediatamente após a</p><p>execução do crime, nesses casos os criminosos são cercados, porém, no local onde</p><p>se encontram eles não tem acesso a nenhuma pessoa inocente para fazer de refém</p><p>e utilizar como “escudo” para protege-los da ação policial e eventual prisão, com</p><p>isso, esses criminosos tentam se barricar nesses locais e impedir a aproximação</p><p>dos policiais ameaçando atingi-los com sua arma de fogo. Apesar desse tipo de</p><p>crise não envolver nenhum refém ou vítima é importante que os policias ajam</p><p>com cautela e de acordo com a técnica seguindo todos os procedimentos de uma</p><p>ocorrência crítica que envolve pessoas inocentes. Em muitos casos essa atitude</p><p>do CEC de se barricar sinaliza que ele necessita de uma garantia de vida para se</p><p>render, por conta disso, crises desse tipo podem ser resolvidas durante a primeira</p><p>intervenção em crises (PIC) desde que isso possa ser feito com segurança sem</p><p>expor os agentes de segurança a um risco de vida desnecessário.</p><p>119</p><p>Movimentos ou grupos sociais com tomada de re-</p><p>féns ou vítimas</p><p>Nesse tipo de crise os movimentos sociais envolvidos tendem a fazer exigências</p><p>específicas ligadas com o objetivo geral do movimento, como por exemplo</p><p>reforma agrária ou distribuição de moradias, é importante que as forças de</p><p>segurança apliquem os procedimentos técnicos conforme preconiza a doutrina</p><p>de Gerenciamento de Crise para garantir a segurança de todos os envolvidos.</p><p>Em geral, esse tipo de ocorrência crítica requer a participação de intermediá-</p><p>rios específicos, pessoas ligadas ao governo ou áreas especificas responsáveis</p><p>por coordenar os temas relacionados ao movimento social, eles devem ser</p><p>orientados pelos policiais antes de terem qualquer contato com os CECs afim</p><p>de não agravarem ainda mais a situação. No caso de movimentos sociais indí-</p><p>genas, a competência para atuação e gerenciamento desse evento crítico é da</p><p>Policia Federal e da Fundação Nacional do Índio (FUNAI).</p><p>Tentativas de suicídio</p><p>Esse tipo de ocorrência crítica tem se tornado cada vez mais comum nos últimos</p><p>anos com o aumento geral no casos de suicídio, essas crises são protagonizadas</p><p>por indivíduos mentalmente perturbados que se encontram na iminência de</p><p>atentar contra a própria vida, para executar esse ato extremo o CEC suicida pode</p><p>recorrer a diferentes maneiras e artifícios, sendo que o agente de segurança pre-</p><p>cisa estar atento aos riscos que cada uma das formas apresenta para o próprio</p><p>CEC assim como para outras pessoas. Silva (2016) destaca que “diversos fatores</p><p>podem levar o CEC suicida ao ato autodestrutivo e, por isso, é uma crise com-</p><p>plicada e difícil de ser gerenciada” (p. 92), dada essa dificuldade iremos tratar</p><p>dessa tipologia em específico em um tópico separado na sequência desta unidade.</p><p>Ocorrências envolvendo artefatos explosivos</p><p>A presença de um artefato explosivo em uma ocorrência crítica tende a poten-</p><p>cializar o nível de estresse no local da crise, portanto, os agentes de segurança que</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 5</p><p>120</p><p>primeiro se deparam com esse tipo de situação precisam seguir os 10 passos da</p><p>PIC, dando ênfase para diminuição do estresse e, principalmente, para o isola-</p><p>mento do ponto crítico, devido o alto potencial destrutivo que os explosivos apre-</p><p>sentam, é imprescindível que terceiros ou curiosos sejam mantidos bem afastados</p><p>do local. Além disso, esse tipo de crise requer a presença de grupos especializados</p><p>no trabalho com explosivos, somente esses técnicos explosivistas devem atuar no</p><p>manejo desse tipo de material.</p><p>Ações terroristas</p><p>“Provocadas por grupos ou pessoas que exigem mudanças políticas ou sociais</p><p>com ameaça ou uso de violência, são consideradas as ocorrências mais com-</p><p>plicadas de se gerenciar devido ao caráter não convencional de sua execução,</p><p>diferentemente da violência praticada com intuito criminoso” (SILVA, 2016, p.</p><p>97). Ocorrências críticas envolvendo CECs terroristas costumam ser bastante</p><p>delicadas e causam uma grande repercussão, os próprios terroristas escolhem os</p><p>seus alvos com objetivo de obterem uma grande exposição na mídia, um exemplo</p><p>é a invasão da vila olímpica e tomada de reféns pelo grupo Setembro Negro em</p><p>1972, evento que estudamos na Unidade I e que ficou conhecido internacional-</p><p>mente como o “Massacre de Munique”, o palco das olímpiadas foi escolhido para</p><p>que o atentado tivesse uma exposição midiática internacional.</p><p>Nessas crises as exigências dos CECs costumam ser irreais, o que tende a</p><p>provocar um impasse nas negociações, por isso, as outras alternativas táticas pre-</p><p>cisam estar prontas para serem acionadas a qualquer momento durante o evento</p><p>crítico a fim de salvaguardar a vida dos inocentes envolvidos.</p><p>Ocorrências envolvendo atiradores ativos</p><p>Esse tipo de crise é bastante peculiar e exige uma resposta rápida dos primeiros</p><p>policiais a chegarem no local, os 10 passos da primeira intervenção devem ser</p><p>colocados em prática para que atirador seja contido antes que possa causar maio-</p><p>res danos, contudo, os agentes de segurança devem fazer essa contenção sem se</p><p>expor a riscos desnecessários. Crises envolvendo atiradores ativos podem resultar</p><p>121</p><p>em tragédias e, por isso, o Primeiro Interventor deve buscar intervir de um local</p><p>seguro em que esteja abrigado para não se tornar mais uma vítima do CEC.</p><p>Alguns casos de atiradores ativos emblemáticos na história foram o massacre</p><p>na escola Columbine nos Estados Unidos em 1999 e a invasão da escola Tasso da</p><p>Silveira no Rio de Janeiro em 2011.</p><p>Tomada de aeronaves por criminosos, terroristas</p><p>ou perturbados</p><p>O gerenciamento desse tipo de crise é de competência da Polícia Federal, em</p><p>específico do seu grupo especializado, o Comando de Operações Táticas (COT).</p><p>Esse tipo de ocorrência crítica não costuma acontecer com frequência, porém,</p><p>quando ocorre tende a colocar em risco muitas vidas inocentes, principalmente,</p><p>se tratando de voos comerciais em grandes centros. Portanto, o trabalho técnico</p><p>e conforme orienta a doutrina é a melhor alternativa nesses casos.</p><p>Acidentes de grandes proporções</p><p>Esse tipo de crise envolve diversas instituições, como Corpo de Bombeiros,</p><p>Defesa Civil, Órgãos Privados, entre outros, sendo assim, o trabalho inte-</p><p>grado e a comunicação são fundamentais para que essas situações possam</p><p>ser geridas da melhor forma. Silva (2016, p. 105) acrescenta que “o apoio</p><p>dos mais variados órgãos públicos e privados é igualmente necessário, pois</p><p>se trata de uma ocorrência que normalmente atinge patamares elevados de</p><p>destruição e um risco violento para as pessoas envolvidas diretamente ou</p><p>que estejam próximas ao local do desastre”.</p><p>CRISES ENVOLVENDO SUICIDAS</p><p>As</p><p>ocorrências críticas envolvendo pessoas com ideação suicida ou na iminência</p><p>de executarem um ato que possa extinguir a sua própria vida tem aumentado nos</p><p>últimos anos, conforme o boletim epidemiológico n° 33, divulgado pelo minis-</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 5</p><p>122</p><p>tério da saúde em setembro de 2021, os casos de suícidio aumentaram de forma</p><p>expressiva na última década, “entre 2010 e 2019, ocorreram no Brasil 112.230</p><p>mortes por suicídio, com um aumento de 43% no número anual de mortes, de</p><p>9.454 em 2010, para 13.523 em 2019”.</p><p>Essas mudanças no contexto macro cultural da nossa nação acabam afe-</p><p>tando o trabalho dos agentes de segurança e, por essa razão, é importante</p><p>estar preparado para lidar com essas situações, ademais, essa mudança no</p><p>contexto social também serve para pontuar a importância para doutrina</p><p>de GC de permanecer em constante desenvolvimento, as técnicas precisam</p><p>evoluir continuamente e se adaptar às novas demandas do ambiente. Na</p><p>primeira década do século 21, observamos diversos sequestros, que por sua</p><p>vez resultaram em crises policiais envolvendo a tomada de reféns, no entanto,</p><p>atualmente as crises de tentativa de suícidio assumiram o protagonismo e</p><p>estão se tornando cada vez mais presentes. Por isso, vamos analisar quais os</p><p>procedimentos específicos que são aplicados nessas situações e o porquê.</p><p>123</p><p>O evento crítico tipificado como tentativa de suicido apresenta algumas pecu-</p><p>liaridades em relação aos outros, Silva (2016) destaca a importância de entender</p><p>essas diferenças, “conhecer as ocorrências críticas e considerar suas características</p><p>específicas são aspectos fundamentais para a busca do resultado aceitável” (p.</p><p>82). A crise de tentativa de suícidio é caracterizada por uma pessoa, mentamente</p><p>perturbada, que ameaça colocar fim a sua própria vida, são inúmeras as razões</p><p>que motivam o indivíduo a chegar a esse ato extremo, é necessário entender essa</p><p>motivação para que a crise possa ser gerenciada da forma mais adequada.</p><p>Por esse motivo, a coleta de informações, um dos passos da Primeira In-</p><p>tervenção, é fundamental. O Primeiro Interventor deve buscar informações para</p><p>compreender a situação, é comum que os CEC suicidas exijam a presença de</p><p>uma pessoa específica no local da crise, cabe lembrar que de acordo com dou-</p><p>trina da PIC a apresentação de intermediários é vedada ao Primeiro Interventor,</p><p>somente a equipe de negociação pode fazer esse tipo de concessão, porém, tal</p><p>exigência pode oferecer pistas das razões que levaram o CEC aquela situação,</p><p>sendo importante investigar qual a relação do CEC com essa pessoa, porque ela</p><p>está solicitando a sua presença em um local de crise e os acontecimentos recentes.</p><p>“ “Um contato improvisado ou mal feito, principalmente realizado</p><p>por policiais ou bombeiros responsáveis pela primeira intervenção,</p><p>pode precipitar a morte do suicida,contrariando o objetivo primor-</p><p>dial do processo de gerenciamento de crises: a preservação das vidas</p><p>envolvidas” (SILVA, 2016, p. 93).</p><p>Outro ponto importante das crises de tentativa de suicidio são as inúmeras for-</p><p>mas pela qual o CEC pode estar tentando se auto destruir, os meios variam desde</p><p>armas de fogo, armas brancas, cordas, ingestão de medicamentos tóxicos e, até</p><p>mesmo, o salto de um local elevado como prédios, pontes, viadutos, passarelas e</p><p>afins. Na doutrina empregada pela Polícia Militar do Paraná (PMPR) esse ponto</p><p>é bastante relevante, uma vez que é o meio empregado para consumar o ato de</p><p>suicidio que determina qual corporação tem competência para gerenciar o evento</p><p>crítico. A diretriz n° 005 (2011) que trata sobre o gerenciamento de crises no âm-</p><p>bito da PMPR define que ocorrências críticas de tentativa de suícidio envolvendo</p><p>CEC armados são de competência da Polícia Militar, já as situações envolvendo</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 5</p><p>124</p><p>CEC desarmados são de responsabilidade do Corpo de Bombeiros. Silva (2016)</p><p>caracteriza essa divisão de competência da seguinte forma:</p><p>“ Quando há uma crise tentativa de suícidio, cabe à Polícia Militar e</p><p>ao Corpo de Bombeiros gerenciá-la. É fundamental identificar</p><p>a situação - se o suicida está armado ou desarmado - para</p><p>estabelecer qual corporação será a responsável. No primeiro</p><p>caso, a responsabilidade é da Polícia Militar, cujas equipes espe-</p><p>cializadas (equipe de negociação, grupo de intervenção e grupo de</p><p>atiradores de precisão) têm as ferramentas necessárias para o aten-</p><p>dimento do evento. No segundo caso, com o suicida desarmado</p><p>(em altura, com ingestão de medicamentos, uso de botijão de gás,</p><p>entre outros), a responsabilidade é do Corpo de Bombeiros, cujo</p><p>grupo especializado em resgate de pessoas dispõe dos mecanismos</p><p>técnicos para a resolução da crise. (p. 94, grifo nosso)</p><p>Diante disso, podemos observar algumas das muitas peculiaridades que as crises</p><p>envolvendo suicidas apresentam, demonstrando, mais uma vez, como o trabalho</p><p>técnico é essencial para preservar a vida dos envolvidos.</p><p>A TEORIA DO RESULTADO</p><p>Com o avanço da disseminação da doutrina de Gerenciamento de crises (GC)</p><p>pelas polícias do Brasil e, principalmente, com o desenvolvimento e difusão da</p><p>doutrina de Primeira Intervenção em Crises (PIC) voltada para todos os policiais</p><p>da instituição, desde a sua formação inicial, como é o caso da Polícia Militar do</p><p>Paraná, alguns procedimentos adotados anteriormente pautados em condutas</p><p>empíricas, amadoras e improvisadas se tornaram inaceitáveis. Contudo, práticas</p><p>contrárias à técnica persistem em muitos locais e muitos profissionais instruídos</p><p>com a doutrina de GC insistem em atuar de forma amadora, empírica e impro-</p><p>visada quando se deparam com um evento crítico na prática.</p><p>125</p><p>Por que isso acontece?</p><p>A resposta é mais simples do que você possa imaginar, essas condutas que colo-</p><p>cam em risco a vida de pessoas inocentes e, até mesmo, a vida dos profissionais</p><p>de segurança atuando no evento crítico persistem porque em algumas situações</p><p>essas ações culminam em um resultado positivo.</p><p>Silva (2015; 2016) observou que a análise de um evento crítico tomando</p><p>como base apenas o resultado alcançado pode ser prejudicial, considerando</p><p>que, “aceitáveis ou não, os resultados de uma crise podem derivar tanto de</p><p>ações policiais técnicas quanto não técnicas. As consequências são bem dife-</p><p>rentes e merecem atenção” (SILVA, 2016, p. 155). O processo é tão importante</p><p>quanto o resultado em um evento crítico, o risco nesse tipo de situação é</p><p>muito alto, por isso, ações fora da técnica podem propiciar desfechos catas-</p><p>tróficos. Silva (2015) faz o seguinte apelo:</p><p>“ [...] não há mais espaço para ações malfadadas. Precisamos parar</p><p>de avaliar somente o resultado de uma primeira intervenção. Pre-</p><p>cisamos analisar todo o processo que chegou ao resultado. Precisa-</p><p>mos nos livrar definitivamente do empirismo, do amadorismo e da</p><p>improvisação que ainda assolam nossas ações (SILVA, 2015, p. 77).</p><p>A Teoria do Resultado, criada por Silva (2015), tem por objetivo destacar</p><p>como as consequências de ações não técnicas podem afetar negativamente</p><p>a corporação responsável pelo gerenciamento da crise, mesmo nas situações</p><p>em que o resultado final obtido, com emprego dessas ações, foi aceitável. O</p><p>esquema para ilustrar a Teoria do Resultado segue a seguinte sequência:</p><p>primeiro temos que avaliar se as ações policiais durante um evento crítico</p><p>foram técnicas ou não técnicas; o próximo passo é observar qual foi o resul-</p><p>tado obtido com os empregos dessas condutas, resultado aceitável ou não</p><p>aceitável; por último, detemo-nos a avaliação de qual é a consequência para</p><p>instituição e, também, para situações futuras desse encadeamento de ações.</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 5</p><p>126</p><p>Quando, em uma situação de crise, a doutrina e a técnica são aplicadas pelos res-</p><p>ponsáveis, e a ação termina com um resultado aceitável, o trabalho foi executado</p><p>a contento, e o êxito na situação serve de exemplo para reforçar a importância</p><p>da aplicação de procedimentos adequados para preservar vidas e resguardar a</p><p>própria segurança dos agentes envolvidos. Além</p><p>disso, ações técnicas garantem</p><p>um respaldo legal e atende a todas formas de aceitabilidade mencionadas ante-</p><p>riormente, quando tratamos dos critérios de ação.</p><p>Quando os agentes de segurança responsáveis pela condução do evento críti-</p><p>co atuam de forma técnica, porém tem-se um resultado não aceitável ao final da</p><p>crise, temos que entender que, em uma crise, eventualmente, o CEC irá assumir o</p><p>risco de causar danos, mesmo com emprego de técnicas de barganha e persuasão</p><p>(negociação) ou com o emprego de outras alternativas táticas e suas medidas.</p><p>Desse modo, nem sempre será possível dissuadir ou impedir que o CEC execute</p><p>suas ações. Contudo, nesses casos, apesar do resultado não aceitável, os agentes</p><p>de segurança que participaram da situação não podem ser responsabilizados</p><p>pelas mortes dentro do ponto crítico, uma vez que agiram, comprovadamente,</p><p>em consonância com os parâmetros técnicos e doutrinários adotados; além dis-</p><p>so, o objetivo primário do gerenciamento de crise é preservar vidas e, por mais</p><p>que o desfecho tenha sido trágico em decorrência das ações isoladas do CEC, a</p><p>aplicação da técnica, com certeza, impediu que outras vidas inocentes fossem</p><p>colocadas em risco. Como veremos adiante, não é justificável expor uma ou mais</p><p>vidas no intuito de salvar os reféns ou vítimas que já estão em perigo na situação.</p><p>Quando, porém, as ações dos agentes de segurança não são técnicas, as conse-</p><p>quências desse processo serão sempre negativas, independentemente do resulta-</p><p>127</p><p>do imediato da situação — aceitável ou não. Por exemplo, em um evento crítico,</p><p>no qual uma solução aceitável é alcançada, por meio de condutas e procedimen-</p><p>tos alheios à técnica, o principal fator responsável por esse desfecho foi a sorte.</p><p>Para alcançar esse resultado, foi necessário a exposição de todos envolvidos a um</p><p>risco extremamente alto com grande probabilidade de ter um final trágico. Silva</p><p>(2015, p. 76) acrescenta que "quando as autoridades analisam apenas o resultado e</p><p>endossam as ações tecnicamente incorretas, condecorando os policiais que agem</p><p>dessa forma, estão incentivando outros e perpetuando o empirismo, o amadoris-</p><p>mo é a improvisação nas crises". Nesse sentido, apoiar ações não técnicas, com</p><p>base apenas no resultado aceitável de um evento crítico, reforça a utilização de</p><p>tais práticas em crises futuras e abre um perigoso precedente que pode custar</p><p>vidas inocentes no futuro, tendo em vista que o resultado aceitável foi apenas um</p><p>golpe de sorte e, ao mesmo tempo, ignora todo o histórico das situações de crise,</p><p>que deixa claro como o amadorismo, improviso e empirismo já custou inúmeras</p><p>vidas no decorrer dos anos.</p><p>Por último, podemos analisar as crises em que condutas não técnicas condu-</p><p>ziram a situação a um resultado não aceitável, "uma tragédia anunciada", pontua</p><p>Silva (2015, p. 76). Nesses casos, é triste constatar que a probabilidade de a situa-</p><p>ção terminar com esse desfecho trágico era enorme e, consequentemente, previ-</p><p>sível, porém mesmo assim vidas inocentes foram ceifadas e jamais poderão ser</p><p>recuperadas. Um resultado não aceitável tende a provocar grande repercussão na</p><p>sociedade e a comoção geral de muitos. Quando esse resultado ocorre em virtude</p><p>de ações ou omissões consideradas fora da técnica e da doutrina adotada pela</p><p>instituição, os agentes de segurança costumam encarar indiciamentos, processos</p><p>criminais e responsabilizações administrativas; quando agem fora da técnica, eles</p><p>perdem todo e qualquer amparo legal que possam utilizar como justificativa. Em</p><p>outras situações, esses agentes de segurança podem, até mesmo, tornar-se vítimas</p><p>na situação, sacrificando a sua própria integridade física ou vida pela falta de</p><p>técnica, durante o processo de gerenciamento da crise.</p><p>Essa análise que fizemos sobre a Teoria do Resultado é fundamental para</p><p>destacar a importância da doutrina de GC e de todos os procedimentos técnicos</p><p>que estudamos até aqui. É importante que os agentes de segurança compreendam</p><p>que além de ser a melhor alternativa para se alcançar uma solução aceitável, mini-</p><p>mizar os riscos e atingir os principais objetivos do GC (preservar vidas, aplicar a</p><p>lei e restabelecer a ordem), o trabalho técnico também é o melhor caminho para</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 5</p><p>128</p><p>preservarmos nossas vidas e carreiras, assim como a imagem e credibilidade da</p><p>instituição. Silva (2016), entretanto, destaca que essa, ainda, não é a realidade</p><p>dos profissionais de segurança, muitos não entendem a importância da técnica.</p><p>“ Infelizmente, é inequívoca a constatação de que as equipes espe-</p><p>ciais da corporação policial envolvida não marcam presença em</p><p>muitas crises. Os policiais das unidades de área assumem o risco e</p><p>resolvem agir por conta própria. Aliás, de forma flagrante e resis-</p><p>tente, descumprem as normas e diretrizes vigentes. O risco em uma</p><p>ocorrência crítica já é absurdo, ao qual se somam ações amadoras,</p><p>empíricas e improvisadas praticadas por policiais de área não trei-</p><p>nados. O resultado tende a ser catastrófico e as responsabilizações,</p><p>administrativa e criminalmente pesadas (SILVA, 2016, p. 155).</p><p>Portanto, concluímos que a análise do processo que levou ao resultado da crise</p><p>é de suma importância e não deve ser ignorada ou menosprezada em hipótese</p><p>alguma, não é adequado analisar a situação somente como base no resultado</p><p>final, essa visão precisa ser remodelada para que o trabalho técnico e a doutrina</p><p>se tornem cada dia mais sedimentados nas ocorrências críticas.</p><p>A DOUTRINA E O TRABALHO TÉCNICO</p><p>Nesse estudo que fizemos sobre a doutrina de Gerenciamento de Crises, foi</p><p>possível verificar que se trata de uma área de conhecimento complexa e diferen-</p><p>ciada, as crises são eventos atípicos, imprevisíveis e completamente distintos das</p><p>situações corriqueiras do dia-a-dia, até mesmo para os profissionais da área de</p><p>segurança. É completamente possível que um policial militar, por exemplo, tra-</p><p>balhe na corporação por 30 anos e em toda sua carreira nunca se depare com um</p><p>evento crítico, no entanto, qualquer profissional de segurança pode ter que lidar</p><p>com uma crise a qualquer momento e, por essa razão, ele precisa estar preparado</p><p>e ter o conhecimento técnico necessário para atuar na situação.</p><p>129</p><p>Um evento crítico compreende diversos momentos distintos, cada um com sua</p><p>especificidade particular, por isso, a doutrina de GC é composta por diferentes</p><p>procedimentos, como vimos, o isolamento, a primeira intervenção, a negociação,</p><p>o grupo de atiradores de precisão e o grupo de intervenção, são apenas alguns</p><p>exemplos da ampla gama de profissionais e procedimentos envolvidos em uma</p><p>crise e que precisam trabalhar em conjunto, de modo a complementar as ações</p><p>dos demais, para se chegar em uma solução aceitável. Para que um relógio fun-</p><p>cione adequadamente é preciso que todas as suas engrenagens trabalhem corre-</p><p>tamente, assim também é com o Gerenciamento de Crises, todos os envolvidos</p><p>no processo precisam trabalhar como as engrenagens de um relógio a fim de que</p><p>o processo como um todo funcione como esperado.</p><p>“ Um trabalho conjunto, técnico e isento de vaidades pessoais em</p><p>uma crise policial evita resultados catastróficos e a perda de valiosas</p><p>vidas humanas. As corporações policiais que ainda não percebe-</p><p>ram a relevância do processo ou sequer apoiam seus operadores</p><p>especializados durante um evento crítico estão fadadas ao insuces-</p><p>so e podem, em um futuro próximo, ter de se defender perante os</p><p>persistentes microfones da imprensa em decorrência de suas ações</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 5</p><p>130</p><p>amadoras e infelizes. Além disso, é muito difícil justificar para o</p><p>poder judiciário ações empíricas e improvisadas que gerem mortes</p><p>no ponto crítico. (SILVA, 2016, p. 217)</p><p>A doutrina de Gerenciamento de Crises vem se expandindo em nosso país, prin-</p><p>cipalmente, nas últimas duas décadas, sua aceitação tem aumentado e muitos</p><p>profissionais e gestores já reconhecem a sua importância e indispensabilidade</p><p>em situações de crise para preservar a vida dos inocentes. A discussão proposta</p><p>aqui busca disseminar para ainda mais profissionais da área de segurança os</p><p>conhecimentos acumulados com as experiências e aplicados em situações reais</p><p>ao longo dos anos. Outro ponto importante de se destacar é que a doutrina de</p><p>Gerenciamento de Crise não é uma metodologia estática, as suas técnicas e pro-</p><p>cedimentos estão em constante evolução, “novos aprendizados e ideias podem</p><p>surgir para complementar, aprimorar a te substituir alguns preceitos existentes”</p><p>(SILVA, 2016, p. 218). E agora cabe a nós, conhecedores da doutrina de GC, refletir</p><p>sobre as técnicas apresentadas e discutidas nestas unidades e buscar aprimorar</p><p>e modernizar tais procedimentos para que permaneçam atuais e relevantes e</p><p>possam continuar ajudando a salvar vidas.</p><p>ESTUDO DE CASO - ASSALTO A BANCO COM TO-</p><p>MADA DE REFÉNS EM GOIOERÊ/PR</p><p>Assalto Banco do Brasil 1988 em Goioerê, Paraná. Na reportagem apresentada</p><p>nesse vídeo podemos entender um pouco sobre esse evento crítico que ocorreu</p><p>no município de Goioerê - PR em junho de 1988.</p><p>O intuito dessa análise de caso é mostrar como era o atendimento e quais</p><p>eram os procedimentos adotados pelas forças policiais àquela época. Na década</p><p>de 80 a doutrina de GC que já estava sendo desenvolvida com maior afinco</p><p>em outros países como Alemanha, Estados Unidos, entre outros, ainda estava</p><p>sendo introduzida no nosso país e grande parte das polícias não contavam com</p><p>nenhum treinamento específico para lidar com essas situações atípicas. Essa</p><p>realidade fica evidente no vídeo, as ações são em sua grande parte regidas pelo</p><p>empirismo, amadorismo e improviso e apesar da situação ter tido um desfecho</p><p>aceitável, na qual todos os envolvidos saíram com vida, os procedimentos ado-</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=Z_pe_L0JvjU&t=434s</p><p>131</p><p>tados durante todo o processo de Gerenciamento de Crise seriam</p><p>inadmissíveis nos dias atuais aos olhos da doutrina de GC vigente.</p><p>ASSALTO BANCO DO BRASIL GOIOERÊ 1988.</p><p>O assalto ao Banco do Brasil, seguido pela tomada dos reféns,</p><p>mobilizou a Polícia Militar do Paraná e tomou a atenção da im-</p><p>prensa de todo o país, como costuma ser o caso das ocorrências críticas. A</p><p>cidade parou durante seis dias, o comércio fechou as portas e os moradores</p><p>se concentraram perto do banco para assistirem o desenrolar da situação.</p><p>Dois assaltantes invadiram a agência do Banco do Brasil em Goioerê - PR e</p><p>23 pessoas que estavam na agência foram rendidas, 8 delas se tornaram reféns</p><p>e depois de uma primeira fuga frustrada, o gerente do banco e um repórter</p><p>policial da TV Tarobá ficam em poder dos assaltantes.</p><p>Na manhã do sexto dia, a surpresa: uma freira - irmã Letícia - faz contato com</p><p>os assaltantes e recebe deles uma pistola. A freira se transforma em negociadora e</p><p>da janela da agência ela faz um acordo com os assaltantes que devolvem parte do</p><p>dinheiro e se comprometem a liberar o gerente e o repórter em troca de garantias</p><p>para a fuga. A freira se oferece como refém, junto com o padre Marcelino.</p><p>Irmã Letícia e o padre entram no banco e do lado de fora havia um carro para</p><p>ajudar na fuga, em seguida a freira sai da agência acompanhada por três homens</p><p>com capas e rostos encobertos, junto carrega uma sacola com dinheiro. De carro</p><p>pelas ruas da cidade, os assaltantes seguem até ao aeroporto, onde um pequeno</p><p>avião já estava preparado para a fuga.</p><p>Ao final da tarde, 145 horas depois que começou, a situação chega a um des-</p><p>fecho. Os assaltantes saíram levando o que queriam: dinheiro, armas e dois reféns.</p><p>Mais tarde descobriu-se que a irmã Letícia, a freira que foi trocada por reféns e</p><p>virou heroína, não era mais freira quando ajudou a pôr fim ao sequestro.</p><p>Com base nesse relato do caso e tudo que já estudamos até o momento gos-</p><p>taria que vocês refletissem sobre as ações e condutas empregadas pelas forças</p><p>policiais nesse caso. As medidas aplicadas foram efetivas para controlar a situação</p><p>e diminuir o risco de vida para os envolvidos e para os inocentes?</p><p>A resposta é um ressonante NÃO! E justamente por isso é importante estu-</p><p>darmos esses casos, foram essas situações e todos os erros cometidos nesses casos</p><p>que possibilitaram a evolução da doutrina de GC, os procedimentos técnicos</p><p>estabelecidos foram formulados com base no estudo minucioso desses casos</p><p>para evitar que situações semelhantes ocorressem novamente. Eu tenho certeza</p><p>UNICESUMAR</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=NbWikNgbxEA&t=228s</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/13511</p><p>UNIDADE 5</p><p>132</p><p>que o nosso estudo atual sobre o tema também trará resultados positivos para</p><p>o contínuo desenvolvimento da doutrina e com isso quem se beneficia são os</p><p>inocentes que graças ao trabalho técnico tem a sua integridade física e suas vidas</p><p>preservadas e podem voltar para casa após um evento crítico.</p><p>ESTUDO DE CASO - TENTATIVA DE SUICÍDIO (CASO</p><p>HIPOTÉTICO)</p><p>Durante o turno de serviço de uma equipe policial, foi repassado via Central</p><p>de Operações Policiais, para essa equipe deslocar até uma residência onde</p><p>teria uma pessoa trancada, mentalmente transtornada, ameaçando todas as</p><p>pessoas que se aproximavam dela.</p><p>A equipe de Rádio Patrulheiros chegou ao local para atender a ocorrência</p><p>e se depararam com um homem trancado dentre de uma residência, portan-</p><p>do uma arma de fogo e ameaçando cometer suicídio caso sua ex-esposa não</p><p>fosse até o local para conversar com ele.</p><p>Imediatamente, os policiais fizeram contato via rádio comunicador e soli-</p><p>citou apoio para o atendimento da ocorrência.</p><p>Após a localização do ponto crítico, os policiais estabeleceram contato com o</p><p>CEC (Causador do Evento Crítico) sem realizar concessões, concomitantemente</p><p>realizaram a contenção dele no interior da residência, impedindo que a crise se</p><p>alastrasse para o ambiente externo.</p><p>Com a chegada das equipes de Área para a prestação de apoio, foi realizado o</p><p>isolamento do local, impedindo que o CEC tivesse qualquer tipo de contato com</p><p>o mundo externo, garantindo que terceiros se mantivessem afastados.</p><p>Dessa forma, após todos os agentes de segurança pública estarem em um</p><p>local seguro, imediatamente foi realizado o acionamento das equipes especia-</p><p>lizadas em Gerenciamento de Crises, fazendo contato direto com a Equipe de</p><p>Negociação do Batalhão de Operações Policiais Especiais.</p><p>De pronto, a Equipe de Negociação iniciou o contato com o Primeiro</p><p>Interventor via telefone, auxiliando nos procedimentos a serem realizados</p><p>durante o processo de primeira intervenção, assim como recolhendo infor-</p><p>mações necessárias e diminuindo o estresse da situação, para um melhor</p><p>desenvolvimento do processo de Gerenciamento de Crises.</p><p>133</p><p>Simultaneamente, a Equipe de Negociação, juntamente com o Grupo de</p><p>Intervenções do BOPE – Batalhão de Operações Policiais Especiais, inicia-</p><p>ram o deslocamento para o local de crise.</p><p>Após a chegada da equipe de negociação, verificou-se que o Primeiro Interventor</p><p>estava realizando um excelente trabalho, dessa forma, por decisão dos especialistas,</p><p>houve a permanência daquele no contato direto com o Causador do Evento Crítico.</p><p>Após 6 horas da crise já instaurada, percebeu-se que o CEC estava totalmente</p><p>transtornado, impedindo qualquer tipo de conexão com o Primeiro Interventor,</p><p>dessa forma, foi decidido pela equipe de negociação que o Negociador Principal</p><p>iria passar a fazer contato com o CEC no lugar do primeiro interventor.</p><p>Após realizado a substituição do Primeiro Interventor pelo Negociador</p><p>Principal, estou realizou o contato com o CEC, sendo auxiliando por toda a</p><p>Equipe de Negociação.</p><p>Durante a crise, o CEC solicitava a todo momento que gostaria de conversar</p><p>“cara a cara” com sua ex-esposa, pois tinha um assunto importante para falar com</p><p>ela, e que após esse contato ele prometeu que iria se entregar as autoridades policiais.</p><p>Sabendo das informações repassadas anteriormente, a Equipe de Negociação não</p><p>autorizou à aproximação da ex-esposa do CEC para fazer qualquer tipo de interme-</p><p>diação, pois poderia haver a possibilita de uma possível execução do ato de suicídio.</p><p>Assim, após 13 horas de</p><p>uma crise instaurada, a Equipe de Negociação con-</p><p>seguiu dialogar com o Causador do Evento Crítico, qual já apresentava sinais</p><p>de cansaço e a princípio tinha perdido o interesse em cometer suicídio.</p><p>Dessa forma, após o longo processo de negociação, o CEC decidiu se entregar</p><p>de forma pacifica. Logo, o Grupo de Intervenções que já se encontrava a todo</p><p>momento posicionado, solicitou que o CEC depositasse sua arma de fogo no</p><p>chão da residência e desloca-se com as mãos para cima para fora. Na sequência,</p><p>os policiais realizaram a contenção do CEC sem maiores problemas.</p><p>A crise foi finalizada com um desfecho aceitável, pois todos os procedimentos</p><p>foram executados dentro da técnica e doutrina, desde o Primeiro Interventor até</p><p>as Equipes Especializadas em Gerenciamento de Crises Policiais.</p><p>Portanto, vale observar que todo o processo de gerenciamento de crises</p><p>foi realizado dentro de uma doutrina pré-estabelecida, qual possibilitou</p><p>que mesmo uma situação que se estendeu de forma cansativa para os pro-</p><p>fissionais de segurança pública, chegou-se a uma solução aceitável graças</p><p>ao conhecimento técnico.</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 5</p><p>134</p><p>Como observado no decorrer deste material, mesmo resultados positivos podem le-</p><p>var a consequências lamentáveis, isso, muitas vezes atreladas ao risco desnecessário</p><p>pela desobediência da doutrina. Imagine você, como sobreviveria sabendo que existe</p><p>uma doutrina pré-definida para situações tão complexas, mas pela sua falta de pro-</p><p>fissionalismo em não segui-la, vidas inocentes foram perdidas?</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>Atendimento de Ocorrências de Crise no</p><p>Estado do Paraná entre 2003 - 2014 = 116</p><p>Situações resolvidas</p><p>através do processo</p><p>de Negociação = 86</p><p>(74,13%)</p><p>(25,86%)</p><p>Situações</p><p>resolvidas</p><p>através de outras</p><p>alternativas</p><p>táticas = 30</p><p>OLHAR CONCEITUAL</p><p>O desenvolvimento da doutrina, possibilita que as ocorrências críticas sejam resolvi-</p><p>das pela alternativa tática que oferece menor risco para todos os envolvidos, como</p><p>pode ser visualizado no gráfico. Isso só é possível pelo trabalho técnico de todos os</p><p>envolvidos da área de segurança pública.</p><p>135</p><p>Resultado Aceitável: Mediante o emprego da doutrina e da técnica pelos responsáveis,</p><p>a ação termina com um resultado aceitável, o trabalho foi executado a contento e o êxito</p><p>na situação serve de exemplo para reforçar a importância da aplicação de procedimentos</p><p>adequados para preservar vidas e resguardar a própria segurança dos agentes envolvi-</p><p>dos, além disso, ações técnicas garantem um respaldo legal e atende a todas formas de</p><p>aceitabilidade, mencionadas anteriormente quando tratamos dos critérios de ação.</p><p>Teoria do Resultado: Criada para demonstrar que as ações desenvolvidas durante um</p><p>evento crítico não devem ser avaliadas considerando apenas o resultado obtido ao final</p><p>da crise. Todo o processo precisa ser observado e estar de acordo com o que preconiza</p><p>a técnica e a doutrina de GC, ações policiais embasadas na técnica apresentam conse-</p><p>quências positivas para a instituição no futuro e, consequentemente, salvam mais vidas</p><p>inocentes. Já as ações não técnicas tendem a produzir um efeito inverso, ou seja, negativo,</p><p>prejudicando a instituição e aumentando o risco de forma desnecessária para os inocen-</p><p>tes, sendo que isso independe do resultado alcançado na situação.</p><p>Resultado Não-Aceitável: Resultado não-aceitável não é algo fixo, dependendo da si-</p><p>tuação pelo qual o processo foi conduzido e o desfecho. Podendo ser proveniente onde</p><p>o CEC assume o risco em tirar vidas e causar danos, como situações onde a técnica e a</p><p>doutrina acabam sendo ignoradas, dando prioridade para ações isoladas e heróicas.</p><p>EXPLORANDO IDEIAS</p><p>Veja aqui!</p><p>Olá Aluno, neste Podcast iremos bater um papo com</p><p>um negociador em Gerenciamento de Crises, o qual irá</p><p>finalizar o tema desta matéria pontuando a importância</p><p>do conhecimento por parte de todos os envolvidos em</p><p>uma crise policial. Vamos lá ?</p><p>UNICESUMAR</p><p>: https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11556</p><p>UNIDADE 5</p><p>136</p><p>NOVAS DESCOBERTAS</p><p>Título: Negociação em crises policiais: teoria e prática.</p><p>Autores: Marco Antonio da Silva - Luiz Fernando da Silva - Otávio</p><p>Lúcio Roncaglio.</p><p>Editora: Editora CRV</p><p>Sinopse: O livro Negociação em Crises Policiais – Teoria e Prática faz uma</p><p>completa viagem ao tema da negociação policial, com detalhes irretocá-</p><p>veis, transitando desde a história, origem e a sedimentação nas diversas</p><p>organizações de segurança pública no Brasil e no mundo, e contextualizan-</p><p>do a criação e a consolidação da Equipe de Negociação da Polícia Militar</p><p>do Paraná. Além disso, expõe detalhes da doutrina e as diversas técnicas</p><p>de negociação com todos os possíveis recursos teóricos e práticos para</p><p>que se tenha a perfeita compreensão dessa importante tarefa. A obra é</p><p>apresentada de maneira intuitiva, abordando o assunto de forma cons-</p><p>trutiva e introduzindo o tema de maneira suave e, aos poucos, faz o leitor</p><p>perceber a relevância do tema. A riqueza da pesquisa para a produção do</p><p>livro e a maneira direta como foi escrito, de fácil entendimento e exploran-</p><p>do diversos exemplos práticos, os quais comprovam o resultado positivo</p><p>da doutrina, permitem que o leitor se convença da eficiência e da eficácia</p><p>da atividade e o instigue a se tornar mais um defensor da doutrina. Esta</p><p>é uma obra que servirá, sem dúvidas, como referencial teórico e prático</p><p>a todas as corporações de segurança pública do Brasil, possibilitando às</p><p>mesmas doutrinar seus operadores para o honroso objetivo de preservar</p><p>vidas durante o atendimento das ocorrências policiais críticas.</p><p>137</p><p>NOVAS DESCOBERTAS</p><p>Título: Crise Suicida: Avaliação e manejo.</p><p>Autores: Neury José Botega</p><p>Editora: Editora Artmed</p><p>Sinopse: Como nossas atitudes em relação ao suicídio interferem</p><p>na prática clínica? Quais características pessoais e circunstâncias mais se</p><p>associam ao suicídio? Como estimar o risco de suicídio? Quais as nuanças</p><p>da relação empreendida com o paciente e sua família? Neste livro prático</p><p>e acessível, Neury José Botega responde a essas e outras questões, sis-</p><p>tematizando suas vivências diárias no atendimento a pacientes em crise</p><p>suicida. Embasado em um amplo referencial teórico, Crise suicida: ava-</p><p>liação e manejo contribui para o aprimoramento da área, incentivando</p><p>o leitor a refletir e a eleger o método de abordagem mais adequado à</p><p>condição única de cada paciente.</p><p>NOVAS DESCOBERTAS</p><p>Título: Ônibus 174</p><p>Ano: 2002</p><p>Sinopse: Uma investigação cuidadosa, baseada em imagens de arqui-</p><p>vo, entrevistas e documentos oficiais, sobre o sequestro de um ônibus</p><p>em plena zona sul do Rio de Janeiro. O incidente, que aconteceu em 12 de</p><p>junho de 2000, foi filmado e transmitido ao vivo por quatro horas, paralisando</p><p>o país. No filme a história do sequestro é contada paralelamente à história de</p><p>vida do seqüestrador, intercalando imagens da ocorrência policial feitas pela</p><p>televisão. É revelado como um típico menino de rua carioca transforma-se em</p><p>bandido e as duas narrativas dialogam, formando um discurso que transcende</p><p>ambas e mostrando ao espectador porque o Brasil é um país tão violento.</p><p>Comentário: Ao assistirem o filme peço que observem os procedimentos</p><p>técnicos adotados pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro - PMERJ,</p><p>como o isolamento do local da crise, a interferência de terceiros (imprensa e</p><p>curiosos), e compare alguns desses pontos com a doutrina de Gerenciamen-</p><p>to de Crise que foi repassada nesta apostila. Essa análise crítica da situação</p><p>tem por objetivo reforçar a importância dos procedimentos técnicos nesse</p><p>tipo de situação e deixar claro como o empirismo, amadorismo e a improvi-</p><p>sação podem ceifar vidas inocentes e causar danos irreparáveis.</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 5</p><p>138</p><p>NOVAS DESCOBERTAS</p><p>Título: Flashpoint</p><p>Ano: 2008 - 2012</p><p>Sinopse: A série Flashpoint demonstra uma equipe policial de elite</p><p>canadense, onde são treinados e operam em situações não regula-</p><p>res, como negociação em crises, explosivos e resgates de reféns.</p><p>Comentário: Importante destacar que esta série tem seu</p><p>viés cinematográ-</p><p>fico e muitas vezes episódios onde a solução se chegou de forma exagerada</p><p>e fora da realidade, porém servindo de exemplo sobre a importância de se</p><p>ter equipes especializadas para ocorrências complexas, onde há necessida-</p><p>de de se ter agentes preparados para situações de crises policiais.</p><p>WEB : O vídeo consiste em uma reportagem sobre o caso Adriana Caringi,</p><p>nele é possível observar que a resolução da crise não foi aceitável. A falta de</p><p>técnica e de uma doutrina para o atendimento da crise acarretou na morte</p><p>de inocentes, podemos perceber muitos improvisos nas ações adotadas.</p><p>Web: Caso Adriana Caringi - São Paulo (1990)</p><p>Como observado, não são mais admitidos erros catastróficos por negligência,</p><p>imprudência ou imperícia no decorrer de uma crise policial. Pois, mesmo que</p><p>muitos resultados sejam considerados satisfatórios por pessoas sem o conheci-</p><p>mento técnico, caso não tenham sido aplicados os procedimentos doutrinários,</p><p>podem ter sido considerados apenas situações de sorte. Diante desse fato, toda</p><p>a doutrina de gerenciamento de crises, em especial os aspectos abordados de</p><p>primeira intervenção em crises policiais, devem ser utilizadas diariamente, não</p><p>podendo ser desconsiderada por profissionais de segurança pública.</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/13512</p><p>139</p><p>1. No decorrer de uma situação de crise policial, mesmo havendo uma doutrina para</p><p>esses tipos de ocorrências, alguns profissionais atuam de forma isolada, realizando</p><p>ações fora da técnica e por puro heroísmo. Em relação a esse tipo de conduta,</p><p>qual alternativa a seguir está de acordo com a ação praticada pelo profissional de</p><p>segurança pública ?</p><p>a) Resultado aceitável.</p><p>b) Resultado Padrão.</p><p>c) Resultado Não-Esperado.</p><p>d) Resultado Esperado.</p><p>e) Resultado Não-Aceitável.</p><p>2. Atualmente em ocorrências de alto risco, envolvendo vítimas e reféns não são mais</p><p>admitidos erros catastróficos em virtude do empirismo, amadorismo e achismo. Tudo</p><p>isso está relacionado com a inclusão de 2 doutrinas dentro das instituições policiais.</p><p>Qual alternativa a seguir contém as 2 doutrinas mencionadas ?</p><p>a) Doutrina de Negociação e Primeira Intervenções em Crises.</p><p>b) Doutrina de Ações Táticas e Primeira Intervenção em Conflitos Policiais.</p><p>c) Doutrina de Negociação e Primeira Intervenção em Conflitos.</p><p>d) Doutrina de Gerenciamento de Crises e Primeira Intervenção em Crises.</p><p>e) Doutrina de Gerenciamento de Conflitos e Negociação de Primeira Intervenção.</p><p>3. O Gerenciamento de Crises tem objetivos específicos, porém, qual das alternativas</p><p>a seguir contém o objetivo primário do Gerenciamento de Crises ?</p><p>a) Conclusão Aceitável.</p><p>b) Preservar vidas.</p><p>c) Resultado Aceitável.</p><p>d) Solução Pacífica.</p><p>e) Salvar Inocentes.</p><p>4. Conforme a doutrina, ocorrências de tentativa de suicídio devem ser tratadas com</p><p>cautela, diante desse fato, qual alternativa a seguir esta de acordo com a doutrina</p><p>onde define a competêcnia de atendimento da policia militar ou do corpo de bom-</p><p>beiro, nas ocorrencias criticas de tentativa de suicídio ?</p><p>140</p><p>a) Meio empregado para consumar o ato de suicídio.</p><p>b) Local de Tentativa de Suicídio.</p><p>c) Corporação mais próxima da ocorrência.</p><p>d) Espécie de Suicida.</p><p>e) Treinamento especializado.</p><p>5. A Teoria do Resultado tem um aspecto importante no momento de avaliação de uma</p><p>ocorrência crítica, ela foi criada com um objetivo específico. Qual alternativa a seguir</p><p>está de acordo com este objetivo de sua criação?</p><p>a) Criada para avaliar as condutas dos especialistas em segurança pública no des-</p><p>fecho de uma ocorrência crítica.</p><p>b) Criada para avaliar qual seria o resultado não-aceitável caso não seguisse a dou-</p><p>trina de gerenciamento de crises.</p><p>c) Criada para demonstrar que as ações desenvolvidas durante um evento crítico</p><p>não devem ser avaliadas considerando apenas o resultado obtido ao final da crise.</p><p>d) Criada para avaliar as melhores alternativas para se chegar em uma solução</p><p>aceitável.</p><p>e) Criada para avaliar os melhores procedimentos a serem adotados durante uma</p><p>ocorrência de tentativa de suicídio.</p><p>6. Conforme estuda na Teoria do Resultado, práticas contrárias à técnica persistem em</p><p>muitos locais e muitos profissionais instruídos com a doutrina de GC insistem em</p><p>atuar de forma amadora, empírica e improvisada quando se deparam com um evento</p><p>crítico na prática. Diante desse fato, qual alternativa a seguir está de acordo com o</p><p>motivo para que esse tipo de situação ainda permaneça no meio dos profissionais</p><p>de segurança pública ?</p><p>a) Desconhecimento da Doutrina.</p><p>b) Falta de Profissionalismo.</p><p>c) Ação Esperada.</p><p>d) Empirismo Profissional.</p><p>e) Resultado Positivo.</p><p>141</p><p>Unidade 1</p><p>BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL. Jornal do Brasil (RJ) - 1970 a 1979. [2022]. 1 fotografia. Dispo-</p><p>nível em: http://memoria.bn.br/docreader/030015_09/66127. Acesso em: 22 fev. 2022.</p><p>BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasí-</p><p>lia: Senado Federal, 1988.</p><p>BRASIL, Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Brasília: Câmara dos</p><p>Deputados, 1940. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/declei/1940-1949/</p><p>decreto-lei-2848-7-dezembro-1940-412868-publicacaooriginal-1-pe.html. Acesso em: 23 fev.</p><p>2022.</p><p>COSTA, C. R. A. Os erros no massacre das olimpíadas de Munique em 1972 sob a ótica do ge-</p><p>renciamento de crises e a negociação de reféns. Jornal de relações internacionais, Curitiba,</p><p>v. 2, n. 6, jun. 2018a. Disponível em: http://jornalri.com.br/cristiano-rocha-affonso-da-costa/</p><p>os-erros-no-massacre-das-olimpiadas-de-munique-em-1972-sob-otica-do-gerenciamento-de-</p><p>-crises-e-negociacao-de-refens. Acesso em: 22 fev. 2022.</p><p>COSTA, C. R. A. Operação Nimrod 1980: a resposta ao sequestro na embaixada do Irã em Lon-</p><p>dres, 1980, sob enfoque da negociação de crises. Jornal de relações internacionais, Curitiba,</p><p>v. 2, n. 7, jul. 2018b. Disponível em: encurtador.com.br/vyBHT Acesso em: 22 fev. 2022.</p><p>FERREIRA, A. B. de H. Mini Aurélio: dicionário da língua portuguesa. 8. ed. Curitiba: Positivo,</p><p>2010.</p><p>GSG 9: conheça o grupo contraterrorista da Polícia Alemã. Almox Militar, [2022]. Disponível</p><p>em: https://www.almoxmilitar.com.br/loja/noticia.php?loja=849850&id=25. Acesso em: 22 fev.</p><p>2022.</p><p>MONTEIRO, R. C. et al. Gerenciamento de crises. 7. ed. Brasília: Departamento de Polícia Fe-</p><p>deral, 2008.</p><p>SALIGNAC, A. O. Negociação em crises: atuação policial na busca da solução para eventos</p><p>críticos. São Paulo: Ícone, 2011.</p><p>SILVA, M. A. da. Gerenciamento de crises policiais. Curitiba: Intersaberes, 2016.</p><p>VOLTOLINI, E. Munique 1972 e o Momento mais Triste da História das Olimpíadas. Mega Curio-</p><p>so, [2022]. Disponível em: https://www.megacurioso.com.br/estilo-de-vida/119544-munique-</p><p>-1972-e-o-momento-mais-triste-da-historia-das-olimpiadas.htm. Acesso em: 22 fev. 2022.</p><p>Unidade 2</p><p>SALIGNAC, A. O. Negociação em crises: atuação policial na busca da solução para eventos</p><p>http://memoria.bn.br/docreader/030015_09/66127</p><p>https://www2.camara.leg.br/legin/fed/declei/1940-1949/decreto-lei-2848-7-dezembro-1940-412868-publicacaooriginal-1-pe.html</p><p>https://www2.camara.leg.br/legin/fed/declei/1940-1949/decreto-lei-2848-7-dezembro-1940-412868-publicacaooriginal-1-pe.html</p><p>http://jornalri.com.br/cristiano-rocha-affonso-da-costa/os-erros-no-massacre-das-olimpiadas-de-munique-em-1972-sob-otica-do-gerenciamento-de-crises-e-negociacao-de-refens</p><p>http://jornalri.com.br/cristiano-rocha-affonso-da-costa/os-erros-no-massacre-das-olimpiadas-de-munique-em-1972-sob-otica-do-gerenciamento-de-crises-e-negociacao-de-refens</p><p>http://jornalri.com.br/cristiano-rocha-affonso-da-costa/os-erros-no-massacre-das-olimpiadas-de-munique-em-1972-sob-otica-do-gerenciamento-de-crises-e-negociacao-de-refens</p><p>https://www.megacurioso.com.br/estilo-de-vida/119544-munique-1972-e-o-momento-mais-triste-da-historia-das-olimpiadas.htm</p><p>https://www.megacurioso.com.br/estilo-de-vida/119544-munique-1972-e-o-momento-mais-triste-da-historia-das-olimpiadas.htm</p><p>142</p><p>críticos. São Paulo: Ìcone, 2011.</p><p>SILVA, M. A. da. Primeira intervenção em crises</p><p>policiais: teoria e prática. Curitiba: AVM,</p><p>2015.</p><p>SILVA, M. A. da. Gerenciamento de crises policiais. Curitiba: Intersaberes, 2016.</p><p>Unidade 3</p><p>LUCCA, D. O negociador. São Paulo: HSM, 2014.</p><p>SILVA, M. A. da. Primeira intervenção em crises policiais: teoria e prática. Curitiba: AVM,</p><p>2015.</p><p>SILVA, M. A. da. Gerenciamento de crises policiais. Curitiba: Intersaberes, 2016.</p><p>Unidade 4</p><p>SILVA, M. A. da. Primeira intervenção em crises policiais: teoria e prática. Curitiba: AVM,</p><p>2015.</p><p>SILVA, M. A. da. Gerenciamento de crises policiais. Curitiba: Intersaberes, 2016.</p><p>Unidade 5</p><p>BRASIL. Decreto-lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Brasília: Presidência</p><p>da República, 1940. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848.</p><p>htm. Acesso em: 8 mar. 2022.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Mortalidade por suicídio e</p><p>notificações de lesões autoprovocadas no Brasil. Boletim Epistemológico, Brasília, v. 52, n.</p><p>33, p. 1-10, set. 2021.</p><p>POLÍCIA MILITAR DO PARANÁ. Diretriz do Comando Geral n. 005, de 21 de novembro de</p><p>2011. Gerenciamento de crises. Curitiba: PMPR, 2011.</p><p>SILVA, M. A. da. Primeira intervenção em crises policiais: teoria e prática. Curitiba: AVM,</p><p>2015.</p><p>SILVA, M. A. da. Gerenciamento de crises policiais. Curitiba: Intersaberes, 2016.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848.htm</p><p>143</p><p>Unidade 1</p><p>1. C. O Conceito de Crise foi criado e adotado pelo FBI (Federal Bureau of Investigation),</p><p>o qual define a crise como “Um evento ou situação crucial, que exige uma resposta</p><p>especial da polícia a fim de assegurar uma solução aceitável”.</p><p>2. B. Historicamente, tivemos alguns eventos críticos que são exemplos mundiais de</p><p>como a doutrina de Gerenciamento de Crises evolui com o passar do tempo. O primei-</p><p>ro deles foi o Massacre de Munique, em 1972, em que não se chegou a uma solução</p><p>aceitável. O segundo foi a Invasão à Embaixada Iraniana, em Londres, o qual se che-</p><p>gou a uma solução aceitável e demonstrou a evolução da doutrina em pouco tempo.</p><p>3. E. No Brasil, entre os casos emblemáticos, que não se chegou a uma solução aceitável,</p><p>estão: o Ônibus 174, em 200, e o Caso Eloá, em 2008.</p><p>4. C. Os objetivos do Gerenciamento de Crises são: preservar a vida, aplicar a lei e res-</p><p>tabelecer a ordem.</p><p>5. A. Os critérios de ação são fundamentais, durante o processo de gerenciamento de</p><p>crises. Eles são, tecnicamente, conhecidos como: necessidade, validade de risco e</p><p>aceitabilidade.</p><p>6. D. O critério de ação chamado aceitabilidade é dividido em: aceitabilidade legal,</p><p>aceitabilidade moral e aceitabilidade ética.</p><p>7. A. O Gerenciamento de Crises deve seguir a seguinte ordem para se ter uma maior</p><p>probabilidade de se chegar a uma solução aceitável: preservar a vida, aplicar a lei e</p><p>restabelecer a ordem.</p><p>Unidade 2</p><p>1. B. O Ponto Crítico é o local ou espaço físico sob o controle do Causador do Evento</p><p>Crítico (CEC). Esse local pode variar a depender da situação, podendo ser qualquer</p><p>ambiente sobre o domínio do CEC.</p><p>2. D. O Causador do Evento Crítico (CEC) pode ter algumas tipologias e sua identificação</p><p>correta é essencial para aplicação de técnicas específicas. Logo, as tipologias dos CEC’s</p><p>são: criminosos, terrorista, mentalmente perturbado.</p><p>144</p><p>3. C. Durante o processo de negociação, existem algumas alternativas táticas que tem</p><p>como objetivo chegar a uma solução aceitável. As alternativas táticas atuais, segundo</p><p>a doutrina, são: negociação, técnicas não letais, tiro de comprometimento e invasão</p><p>tática.</p><p>4. A. Realizar o isolamento em um local de crise é fundamental para se chegar a uma</p><p>solução aceitável. Esse isolamento é dividido por “zonas”, quais são: zona estéril e</p><p>perímetro interno; zona tampão e perímetro externo.</p><p>5. D. As alternativas táticas são fundamentais para uma solução aceitável. Diante disso,</p><p>a neutralização do CEC por meio do tiro de comprometimento, por mais que seja</p><p>controverso, é uma alternativa tática valiosíssima à disposição do gerente da crise.</p><p>6. B. Dentro do teatro de operações existem diversos personagens, cada um com uma</p><p>função especifica. Entre esses personagens, existe o gerente da crise, que é a au-</p><p>toridade policial de maior patente responsável pela tomada de decisões durante o</p><p>evento crítico.</p><p>Unidade 3</p><p>1. D. Abrandar as exigências é a capacidade do negociador de distinguir os desejos do</p><p>CEC das suas reais necessidades.</p><p>2. A. Durante a negociação tática, o negociador policial desempenha um papel tático;</p><p>dependendo da situação ele poderá identificar o líder, distraí-lo ou conduzi-lo para</p><p>um local que dificulte a reação; desviar a atenção do CEC para invasão tática ou tiro</p><p>de comprometimento; induzir o CEC para que os reféns estejam em local mais seguro</p><p>e com socorro mais viável; utilizar concessões de má-fé para diminuir o estado de</p><p>alerta do CEC.</p><p>3. E. A negociação policial é composta por fases, estas se constituem em: preparação,</p><p>discussão, proposta, acordo.</p><p>4. B. A fase do “Acordo” constitui o momento em que as ações que serão executadas</p><p>precisam ser descritas de antemão, e questões referentes a: “quando? Como? De que</p><p>forma?” precisam ser esclarecidas sem que reste nenhuma dúvida. Uma vez que o</p><p>acordo esteja definido, tem início o processo de rendição.</p><p>145</p><p>Unidade 4</p><p>1. D. Conforme a doutrina da primeira intervenção em crise, existem 10 passos que são</p><p>inalterados; logo, a alternativa dispõe um passo inexistente conforme a doutrina:</p><p>“Pedir apoio à imprensa local”.</p><p>2. B. Durante o passo de “Estabelecer contato sem concessões”, o primeiro interventor</p><p>deve buscar o contato verbal com o CEC e estabelecer um diálogo no intuito de acal-</p><p>má-lo, diminuindo, assim, o estresse da situação, porém esse contato do primeiro</p><p>interventor deve respeitar uma limitação bastante impositiva.</p><p>3. D. Conter a Crise é fundamental para que a crise não se alastre, causando maiores</p><p>transtornos e atingindo maiores proporções, o que gera uma desvantagem para o</p><p>futuro do gerenciamento de crises.</p><p>4. A. Coletar Informações é essencial para o desenvolvimento da crise, essas informações</p><p>são valiosíssimas, e o rápido processamento de novas informações é crucial para</p><p>a condução do evento crítico. Diante desse fato, para que essas informações não</p><p>sejam perdidas, é importante que todas as informações relevantes sejam anotadas</p><p>em ordem cronológica, isso ajuda caso seja necessário revisar os acontecimentos e,</p><p>também, podem subsidiar a transição do contato para as equipes especializadas.</p><p>Unidade 5</p><p>1. E. Conforme a teoria, mesmo havendo uma doutrina para ocorrências de crises po-</p><p>liciais, alguns profissionais atuam de forma isolada, realizando ações fora da técnica</p><p>e por puro heroísmo. Logo, mesmo a ocorrência sendo finalizada sem a perda de</p><p>vidas inocentes, o fato de não seguir a doutrina conforme o esperado é considerado</p><p>um resultado não aceitável.</p><p>2. D. Ocorrências de alto risco, envolvendo vítimas e reféns, não são mais admitidos</p><p>erros catastróficos em virtude do empirismo, amadorismo e achismo. Tudo isso está</p><p>relacionado com a inclusão das Doutrinas de Gerenciamento de Crises e Primeira</p><p>Intervenção em Crises.</p><p>3. B. O Gerenciamento de Crises tem alguns objetivos específicos, porém consegue a</p><p>doutrina, o objetivo primário é preservar vidas.</p><p>146</p><p>4. A. De acordo com a doutrina, o que define a competência de atendimento da polícia</p><p>militar ou do corpo de bombeiro em uma ocorrência de tentativa de suicídio seria o</p><p>“Meio empregado para consumar o ato de suicídio”.</p><p>5. C. A Teoria do Resultado foi criada para demonstrar que as ações desenvolvidas du-</p><p>rante um evento crítico não devem ser avaliadas, considerando apenas o resultado</p><p>obtido ao final da crise.</p><p>6. E. Conforme a Teoria do Resultado, práticas contrárias à técnica persistem em muitos</p><p>locais, e muitos profissionais instruídos com a doutrina de GC insistem em atuar de</p><p>forma amadora, empírica e improvisada, quando se deparam com</p><p>um evento crítico</p><p>na prática, tudo isso ocorre em virtude de “RESULTADOS POSITIVOS”, que eventual-</p><p>mente possam ocorrer mesmo em desacordo com doutrina consolidada.</p><p>_GoBack</p><p>Crise e Segurança no Âmbito Público e Privado</p><p>Gerenciamento de Crises em Segurança</p><p>Condutas na Negociação em Segurança</p><p>Doutrina da Primeira Intervenção</p><p>A Importância do Trabalho Técnico</p><p>_GoBack</p><p>_GoBack</p><p>_GoBack</p><p>U01 - IMERSIVA.pdf</p><p>_GoBack</p><p>Crise e Segurança no Âmbito Público e Privado</p><p>Gerenciamento de Crises em Segurança</p><p>Condutas na Negociação em Segurança</p><p>Doutrina da Primeira Intervenção</p><p>A Importância do Trabalho Técnico</p><p>U01 - IMERSIVA.pdf</p><p>_GoBack</p><p>Crise e Segurança no Âmbito Público e Privado</p><p>Gerenciamento de Crises em Segurança</p><p>Condutas na Negociação em Segurança</p><p>Doutrina da Primeira Intervenção</p><p>A Importância do Trabalho Técnico</p><p>Button 14:</p><p>Button 27:</p><p>Button 16:</p><p>Página 7:</p><p>Botão 25:</p><p>Botão 22:</p><p>Botão 23:</p><p>Botão 24:</p><p>Botão 21:</p><p>Button 25:</p><p>e a difusão da doutrina em estágio avan-</p><p>çado, constatou-se a necessidade de estender os conhecimentos em</p><p>primeira intervenção para outras forças que trabalham com segu-</p><p>rança, policiais ou não. Com isso, a doutrina foi repassada para po-</p><p>liciais civis, guardas municipais, agentes penitenciários, integrantes</p><p>das Forças Armadas - enfim, qualquer grupo que eventualmente</p><p>necessite de tais conhecimentos devido às suas funções (SILVA,</p><p>2016, p. 143).</p><p>Ademais, os princípios utilizados para nortear as ações dentro do gerenciamento</p><p>de crises podem ser adaptados para outros conflitos menores, ou seja, que não</p><p>apresentem um risco iminente à vida, respeitadas as proporções. Para entender</p><p>as razões por trás dos princípios adotados pelo gerenciamento de crises, convém</p><p>analisarmos alguns exemplos marcantes na história que estimularam o desen-</p><p>volvimento dessa doutrina.</p><p>CASOS QUE DERAM ORIGEM A DOUTRINA DE GC</p><p>MODERNA</p><p>O Massacre de Munique é um exemplo emblemático de evento crítico na</p><p>história moderna, sendo o caso um dos estopins que alertaram as autori-</p><p>dades internacionais para a necessidade de desenvolvimento, implantação</p><p>e aperfeiçoamento constante de uma doutrina capaz de orientar a ação das</p><p>forças policiais em situações de crises, envolvendo a tomada de reféns e o</p><p>risco iminente à vida de pessoas inocentes.</p><p>“ A verdade é que a polícia de Munique estava absolutamente</p><p>despreparada para lidar com terroristas como os do Setembro</p><p>Negro. Apenas anos depois foi revelado que um pesquisador ale-</p><p>mão levantou a possibilidade de um ataque palestino nos jogos,</p><p>mas foi ignorado. Parte disso se deve ao desejo de mostrar uma</p><p>nova Alemanha, amigável e desmilitarizada nas Olimpíadas de</p><p>Munique. Nas edições seguintes, os esquemas de segurança se</p><p>tornaram muito mais complexos para evitar tragédias parecidas</p><p>(VOLTOLINI, [2022], on-line).</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 1</p><p>16</p><p>O desenrolar da crise, o seu desfecho e as consequências dos procedimentos ado-</p><p>tados, nesse caso, tiveram ramificações importantes que alteraram a forma de atua-</p><p>ção da polícia alemã, em específico, além de outras instituições ao redor do mundo.</p><p>O QUE</p><p>ACONTECEU EM</p><p>MUNIQUE?</p><p>17</p><p>Durante os jogos olímpicos de 1972, sediados na cidade de Munique, na Ale-</p><p>manha, um grupo terrorista palestino, denominado Organização Criminosa</p><p>Setembro Negro, no dia 5 de setembro de 1972, por volta das 4h 30min., invadiu</p><p>o alojamento da comissão de atletas israelenses, matou violentamente algumas</p><p>pessoas que tentaram impedir a invasão e, na sequência, tomou onze integrantes</p><p>da equipe olímpica de Israel como reféns.</p><p>“ Mais ou menos na mesma hora, às 4h30, os atletas israelenses dor-</p><p>miam em seus apartamentos após terem uma noite agradável, pois</p><p>haviam assistido a uma peça de teatro, quando 8 terroristas palesti-</p><p>nos do grupo Setembro Negro invadiram a Vila Olímpica — pulan-</p><p>do a frágil cerca de arame que protegia o local. [...]. Eles foram direto</p><p>para o alojamento de Israel, na Connollystraße 31, e invadiram 2</p><p>dos 3 apartamentos usando chaves roubadas. No apartamento 1,</p><p>o árbitro Yossef Gutfreund ouviu um barulho estranho, gritou e</p><p>tentou impedir a invasão. O técnico de luta Moshe Weinberg tam-</p><p>bém tentou brigar com os terroristas, mas levou um tiro no rosto</p><p>(VOLTOLINI, [2022], on-line).</p><p>Os terroristas exigiam a libertação de 234 detentos palestinos que estavam presos</p><p>em Israel, porém o Governo israelense informou que não iria negociar com os</p><p>terroristas; assim, o desfecho dessa crise ficou conhecido como um dos maiores</p><p>fracassos das autoridades públicas em ocorrências desse perfil.</p><p>“ As exigências de libertação de presos não seriam aceitas por Israel,</p><p>conforme ordens de sua primeira-ministra Golda Meir. O Gover-</p><p>no israelense informou que não negociaria com terroristas, que a</p><p>responsabilidade sobre a crise era da Alemanha Ocidental e esta</p><p>deveria fazer tudo ao seu alcance para libertar os reféns (COSTA,</p><p>2018a, on-line).</p><p>Os oito terroristas palestinos mantiveram os reféns sob seu controle, por apro-</p><p>ximadamente 24 horas. A motivação era durante esse período, por isso, a polícia</p><p>Alemã tentou negociar com os terroristas, contudo, na época, não havia uma dou-</p><p>trina sedimentada para atuação nesse tipo de evento crítico, consequentemente,</p><p>as tentativas de resolução pacífica se mostraram infrutíferas.</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 1</p><p>18</p><p>“ A equipe de negociação improvisada não tinha doutrina nem pro-</p><p>tocolos a seguir, além de não ter ideia de como agir. Apesar disso,</p><p>conseguiram estender o prazo até às 12H00, garantindo que os Go-</p><p>vernos de Israel e da Alemanha estavam estudando os detalhes das</p><p>exigências para serem atendidas (COSTA, 2018a, on-line).</p><p>Então, a polícia alemã tentou emboscar os terroristas, os quais haviam exi-</p><p>gido uma aeronave para fugir junto com os reféns, e pôr um fim a situação,</p><p>no entanto a ação executada no aeroporto deixou evidente o despreparo dos</p><p>agentes alemãs para atuar nessas situações, resultando na morte de 11 reféns (6</p><p>treinadores israelenses e 5 atletas israelenses), 1 policial da Alemanha Ociden-</p><p>tal e 5 terroristas Palestinos da Organização Criminosa Setembro Negro, um</p><p>total de 17 mortos, após finalizada a ação. Os outros 3 terroristas se renderam</p><p>e foram presos pelas autoridades alemãs.</p><p>Descrição da Imagem:</p><p>na imagem, é possível</p><p>observar a capa de um</p><p>jornal nacional, e o des-</p><p>taque dessa edição são</p><p>os eventos acontecidos</p><p>no “Massacre de Mu-</p><p>nique". Está escrito na</p><p>manchete: “Batalha no</p><p>aeroporto de Munique</p><p>mata nove reféns, 4 ter-</p><p>roristas e um policial”.</p><p>Também é possível ob-</p><p>servar duas imagens da</p><p>situação, na primeira</p><p>está um grupo de auto-</p><p>ridades alemãs reunidas</p><p>e, na segunda imagem,</p><p>vemos dois membros do</p><p>grupo terrorista “Setem-</p><p>bro Negro” armados.</p><p>Figura 1 - Repercussão internacional do “Massacre de Munique”</p><p>Fonte: Biblioteca Nacional Digital ([2022], on-line).</p><p>19</p><p>O desfecho trágico dessa situação causou uma comoção internacional; após o</p><p>massacre, a Alemanha reconheceu a necessidade de formação de uma força po-</p><p>licial especial para atuar nesses casos, nascendo, assim, o GSG 9, outras nações</p><p>europeias, também, procederam com a criação de grupos policiais especiais de</p><p>resposta a esse tipo de situação, no intuito de evitar casos parecidos.</p><p>“ Para evitar ser surpreendido em outro ataque daquela propor-</p><p>ção, o governo alemão decidiu criar uma unidade de elite con-</p><p>traterrorista. Em sua primeira formação, o GSG 9 contava com</p><p>três equipes de 30 combatentes cada, além dos membros que</p><p>cumpriam as tarefas relacionadas à logística, comunicação e</p><p>inteligência (GSG 9... [2022], on-line).</p><p>Aqueles que se interessarem pelo caso e quiserem saber maiores detalhes sobre</p><p>tudo que se passou durante a crise que culminou no Massacre de Munique, eu</p><p>recomendo que assistam ao documentário “Munique, 1972: um dia em setembro”,</p><p>dirigido por Kevin Macdonald, de 1999. No documentário, é possível observar</p><p>algumas ações da polícia alemã durante o evento crítico, comparar com a forma</p><p>de atuação adotada pela doutrina de gerenciamento de crises atual e refletir o</p><p>porquê de algumas práticas utilizadas não serem mais empregadas hoje em dia.</p><p>LONDRES, 1980</p><p>OPERAÇÃO</p><p>NIMROD</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 1</p><p>20</p><p>Em 30 de abril de 1980, ocorreu a invasão da embaixada iraniana, em Londres,</p><p>por um grupo de seis terroristas, membros da Frente Democrática Revolucioná-</p><p>ria para Libertação de Arabistão que exigiam um estado árabe autônomo, assim</p><p>fizeram 26 pessoas como reféns. Tal evento crítico, que também é conhecido</p><p>como operação Nimrod, é outro exemplo marcante na história do gerenciamento</p><p>de crises. O caso teve grande repercussão internacional e, até os dias de hoje, serve</p><p>como referência nos estudos de casos, envolvendo negociação em crises com to-</p><p>mada de reféns. Além disso, diversos documentários e filmes foram produzidos</p><p>com base nesse evento crítico. Deixo, aqui, como recomendação, que assistam ao</p><p>filme “6 dias”, dirigido por Toa Fraser, de 2017, baseado nesse caso.</p><p>“ A Operação Nimrod</p><p>foi a resposta das autoridades inglesas ao se-</p><p>questro ocorrido na embaixada do Irã, em Londres, no ano de 1980.</p><p>Para tal foram empregados diversos órgãos de segurança pública e</p><p>das forças armadas britânicas, com destaque para a Scotland Yard,</p><p>responsável pelas negociações e o Special Air Service (SAS), grupo</p><p>especial do Exército Britânico, para as ações táticas de assalto (COS-</p><p>TA, 2018b, on-line).</p><p>Para nossa disciplina, é importante destacar as mudanças na forma de atuação</p><p>das autoridades responsáveis por essa crise, quando comparada com a atuação</p><p>observada durante o massacre de Munique, apenas 8 anos antes. Em Londres,</p><p>a embaixada foi cercada pelos policiais, e os terroristas (causadores do evento</p><p>crítico) permaneceram no mesmo local durante todo o desenrolar da crise, ou</p><p>seja, os CECs foram contidos e isolados no Ponto Crítico (PC).</p><p>“ A doutrina inglesa em situações de crise era prevista em lei, aten-</p><p>tando para que não fosse permitida a saída dos terroristas do país e</p><p>as autoridades deveriam negociar o máximo possível, mesmo que</p><p>levasse meses, com o objetivo de se alcançar uma solução pacífica.</p><p>Uma operação de resgate só seria adotada, usando o SAS, se o even-</p><p>to fosse classificado como não negociável, partindo de parâmetros</p><p>analisados (COSTA, 2018b, on-line).</p><p>21</p><p>O evento crítico perdurou por aproximadamente 6 dias, um período considera-</p><p>velmente maior do que a crise em Munique que, como vimos, concluiu-se em</p><p>aproximadamente 24 horas. As autoridades britânicas buscaram diminuir estresse</p><p>e ganhar tempo, isso possibilitou que o SAS (Special Air Service), um grupo de</p><p>forças especiais do exército britânico, responsável por realizar a invasão tática da</p><p>embaixada, caso fosse necessário, pudesse planejar em detalhes como realizar essa</p><p>invasão, diminuindo assim o risco para os policiais e demais envolvidos na situação.</p><p>“ As unidades especializadas acionadas foram a equipe de Negociação</p><p>da Scotland Yard (composta de seis grupos de ação para revezamento</p><p>dia e noite, que incluía um intérprete de Farsi, língua iraniana; um</p><p>psiquiatra com experiência em situações envolvendo reféns e equipe</p><p>de apoio); os atiradores de elite da Polícia Metropolitana; o Esquadrão</p><p>Antiterrorista e o Grupo de Patrulha Especial. As unidades policiais se</p><p>estabeleceram na Escola Montessori, no número 24, de onde fizeram os</p><p>contatos com os terroristas. O SAS se estabeleceu na Escola de Idiomas</p><p>do Exército, em Beaconsfield. Foi estabelecido um gabinete de crise do</p><p>governo britânico, conhecido como COBRA (COSTA, 2018b, on-line).</p><p>Ainda, sobre a estratégia de ganhar tempo e estender o evento crítico por vários</p><p>dias, as autoridades britânicas conseguiram a libertação de cinco reféns, por meio</p><p>da negociação, em troca de pequenas concessões. Entretanto, quando os terroris-</p><p>tas decidiram executar um dos reféns como forma de pressionar as autoridades a</p><p>atenderem suas exigências, a polícia britânica partiu para invasão tática do ponto</p><p>crítico, no intuito de assegurar a integridade física dos inocentes. Como veremos</p><p>adiante, a invasão tática é uma das alternativas táticas do gerenciamento de crises</p><p>e deve ser usada em conjunto com a negociação para maximizar sua eficácia,</p><p>como ocorreu durante a operação Nimrod.</p><p>“ A primeira-ministra Margaret Thatcher autorizou o uso do SAS. A opção</p><p>de usar a força havia sido tomada e iniciou-se, oficialmente, a Negociação</p><p>Tática. Os negociadores dariam aos terroristas a falsa sensação de que</p><p>suas exigências seriam atendidas, oferecendo-lhes salvos-condutos e um</p><p>avião para retirá-los do país. O negociador Max Vernon conseguiu iden-</p><p>tificar a posição do líder ao discutir detalhes do transporte até o aeroporto</p><p>de Heathrow e repassou ao grupo tático (COSTA, 2018b, on-line).</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 1</p><p>22</p><p>A invasão tática, realizada pelo SAS, que pode ser cuidadosamen-</p><p>te planejada devido à estratégia de ganhar tempo, adotada pelas</p><p>autoridades responsáveis, resultou na morte de cinco terroristas,</p><p>na prisão de um terrorista e no resgate de todos os reféns que,</p><p>ainda, estavam na embaixada, com exceção de um, morto pelos</p><p>terroristas durante o processo de invasão. Apesar das mortes, o</p><p>desfecho desse evento crítico é considerado uma solução acei-</p><p>tável, diferentemente do ocorrido no Massacre de Munique, e</p><p>isso acontece porque, durante todo o evento crítico, é possível</p><p>observar que as autoridades responsáveis agiram com técnica, de</p><p>acordo com uma doutrina, buscando uma solução pacífica, por</p><p>meio da negociação, e somente quando os terroristas executaram</p><p>um dos reféns a sangue frio, deixando claro a impossibilidade de</p><p>resolução integral da crise pela negociação, foi autorizada a</p><p>invasão tática, que, por sua vez, foi realizada por um grupo</p><p>preparado e treinado para esse tipo de ação e contou com</p><p>tempo suficiente para elaboração de um plano de ação que</p><p>minimizou os riscos dessa alternativa tática.</p><p>“ A Inglaterra já previa em suas leis, as ações</p><p>antiterror. Com isso já existiam equipes espe-</p><p>cializadas em negociação na Scotland Yard e</p><p>equipes táticas no SAS. Porém, essas equipes</p><p>ainda trabalhavam de forma independente.</p><p>Após o desfecho, observou-se que as equipes</p><p>poderiam complementar o trabalho uma da</p><p>outra, de modo mais eficiente e interativo</p><p>(COSTA, 2018b, on-line).</p><p>Portanto, vale relembrar alguns pontos importantes observados</p><p>nesse exemplo e que contribuíram de maneira positiva para que</p><p>fosse possível chegar a uma solução aceitável para crise. São eles:</p><p>a contenção e o isolamento do ponto crítico, a diminuição do</p><p>estresse e controle emocional dos negociadores para conduzir a</p><p>situação, a tentativa de se resolver o evento crítico por meio da</p><p>23</p><p>alternativa tática que oferece menor risco para todos envolvidos, policiais, reféns</p><p>e CECs, ou seja, pela negociação, e, por fim, o emprego de diferentes alternativas</p><p>táticas em conjunto para se chegar a uma solução aceitável.</p><p>A IMPORTÂNCIA DA DOUTRINA</p><p>Silva (2016, p. 19) afirma que “o trabalho técnico em uma crise é, invaria-</p><p>velmente, o melhor caminho”. Os exemplos que apresentei, até o momento,</p><p>tinham como finalidade ilustrar a importância de atuar de maneira técnica,</p><p>durante um evento crítico, e evidenciar como essa forma de atuação contribui,</p><p>positivamente, para alcançar uma solução aceitável. Mencionou-se, anterior-</p><p>mente, o fato das crises policiais serem eventos ímpares, cada qual com carac-</p><p>terísticas específicas, e que, por essa razão, comparar o desfecho de diferentes</p><p>situações é inviável. No entanto o que pode ser comparado são as técnicas</p><p>empregadas durante o processo de gerenciamento de crises.</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 1</p><p>24</p><p>A técnica foi desenvolvida a partir do estudo dessas situações reais, observan-</p><p>do os erros que foram cometidos e analisando as diferentes ações que eram</p><p>possíveis de serem executadas em cada caso. Ou seja, foram as situações con-</p><p>cretas de crises que deram origem e moldaram as técnicas aplicadas hoje, “a</p><p>doutrina de GC [gerenciamento de crises] tem sido aperfeiçoada com o passar</p><p>dos anos, sobretudo devido à vivência nas ocorrências reais e aos estudos dos</p><p>casos registrados” (SILVA, 2016, p. 38).</p><p>No Brasil, temos inúmeros casos emblemáticos que contribuíram para</p><p>evolução do gerenciamento de crises. O sequestro do ônibus 174, na cidade</p><p>do Rio de Janeiro, em 2000, e o caso da adolescente Eloá, em Santo André-SP,</p><p>em 2008, são alguns exemplos de situações críticas com grande repercussão</p><p>nacional e que fomentaram o desenvolvimento e aperfeiçoamento da dou-</p><p>trina, em nosso país. É importante relembrar tais casos e estudá-los a fundo</p><p>para evitar que essas situações se repitam.</p><p>Silva (2016, p. 39, grifo nosso) enfatiza:</p><p>“ Eis uma eventual solução imediata e acessível para se evitar que os</p><p>gerenciamentos de determinadas crises entrem no rol dos ‘exem-</p><p>plos negativos’: agir de maneira extremamente técnica, seguir a</p><p>doutrina estabelecida e operar estritamente dentro dos manda-</p><p>mentos legais. Os inocentes agradecem.</p><p>A doutrina de gerenciamento de crises</p><p>foi a resposta encontrada pelos es-</p><p>pecialistas, nesta área, para impedir que tragédias resultantes de eventos</p><p>críticos se tornem recorrentes.</p><p>OS OBJETIVOS DO GERENCIAMENTO DE CRISES</p><p>O gerenciamento de crises se diferencia de outras metodologias adotadas para</p><p>resolução de conflitos, por contar com objetivos específicos, os quais devem ser</p><p>seguidos à risca pelas autoridades responsáveis pelo evento crítico; além disso, os</p><p>objetivos seguem uma ordem hierárquica de prioridade de execução, ou seja, o</p><p>segundo objetivo do GC (aplicação da lei) só deve ser priorizado, após o primeiro</p><p>objetivo do GC (preservar vidas) ser alcançado, por exemplo.</p><p>25</p><p>Os objetivos do GC:</p><p>1º - Preservar a vida.</p><p>2º - Aplicar a lei.</p><p>3º - Restabelecer a ordem.</p><p>Em um evento crítico, a integridade física e a vida dos envolvidos na situação,</p><p>principalmente, daqueles inocentes (reféns ou vítimas), é o objetivo principal dos</p><p>responsáveis pelo GC e precede a aplicação da lei e o restabelecimento da ordem.</p><p>“A preservação das vidas envolvidas é a prioridade máxima dos gestores da crise”,</p><p>salienta Silva (2016, p. 46), “e supera os demais objetivos em importância”. Por esse</p><p>motivo, a atuação técnica é imprescindível em uma crise, em todos os momentos,</p><p>desde a chegada do primeiro interventor até o término. Ações isoladas pautadas</p><p>no empirismo, amadorismo e improviso devem ser evitadas a qualquer custo, os</p><p>responsáveis pelo gerenciamento da crise precisam estar cientes disso e colocar</p><p>a vida dos envolvidos em primeiro lugar.</p><p>Somente, após a integridade física de todos os envolvidos no evento crítico ser</p><p>assegurada, parte-se para o segundo objetivo do GC, aplicar a lei. Caso o CEC co-</p><p>meta algum tipo de ilícito durante a crise, ele deve ser encaminhado para delegacia</p><p>de polícia local a fim de responder por seus crimes. As autoridades responsáveis</p><p>pelo GC não podem perder esse objetivo de vista, por mais que ele se torne uma</p><p>prioridade, somente, após o primeiro objetivo ser alcançado; inclusive, é por isso</p><p>que a fuga do ponto crítico, uma exigência muito comum de CECs envolvidos em</p><p>situações de roubo frustrado com tomada de refém, não é algo negociável.</p><p>“ A ocorrência deve terminar no mesmo local em que começou,</p><p>ainda que em alguns casos registrados no Brasil os gestores dessas</p><p>crises tenham liberado o CEC para preservar as vidas dos reféns.</p><p>Esse tipo de procedimento, entretanto, não coaduna com os prin-</p><p>cípios da preservação das vidas (SILVA, 2016, p. 48, grifo do autor).</p><p>Cabe destacar que os objetivos do GC são os pilares que norteiam as ações em</p><p>uma situação de crise; dito isso, é fundamental que a figura do Primeiro Interven-</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 1</p><p>26</p><p>tor, isto é, o primeiro indivíduo a chegar no local da crise, que pode ser qualquer</p><p>um, precisa ter conhecimento e clareza desses objetivos bem como entender os</p><p>limites de atuação dentro do âmbito mais amplo do GC para não fazer promessas</p><p>ao CEC que não poderão ser cumpridas, posteriormente.</p><p>Situações de crise tendem a causar uma ruptura na ordem cotidiana dos locais</p><p>onde o evento crítico eclode, isso se deve à complexidade e urgência inerentes a</p><p>esse tipo de evento. Um exemplo seria o isolamento do ponto crítico, por meio</p><p>do estabelecimento de um perímetro de segurança que ocasione o bloqueio de</p><p>diversas vias importantes no centro de uma cidade. Nesse caso, restabelecer a</p><p>ordem normal do tráfego, nessa região, será colocada em segundo plano, só vindo</p><p>a ser priorizada após os outros objetivos do GC serem atingidos, ou seja, após</p><p>as vidas serem preservadas e a lei aplicada. Contudo, uma vez que a crise tenha</p><p>sido resolvida, esse objetivo também precisa ser observado pelos gestores da crise.</p><p>Silva (2016) apresenta um caso que pode ajudar a ilustrar esse ponto:</p><p>“ [...] uma rebelião em um estabelecimento prisional pode servir de</p><p>exemplo. Os presos amotinados geralmente destroem o local duran-</p><p>te a rebelião; portanto, após a libertação dos reféns e o encerramento</p><p>do episódio, a corporação policial ainda necessita permanecer para</p><p>restabelecer a ordem maculada (SILVA, 2016, p. 50).</p><p>Desse modo, devemos sempre nos atentar aos objetivos do GC, quando nos</p><p>depararmos com uma situação de crise. Tais objetivos são a fundação para todo</p><p>processo de gerenciamento de crises e seguem uma ordem de prioridade que deve</p><p>ser respeitada. Eu considero que saber quais são esses objetivos é tão importante</p><p>para atuação do primeiro interventor quanto o conhecimento e domínio dos 10</p><p>passos da primeira intervenção. Destes, trataremos na sequência.</p><p>27</p><p>CRITÉRIOS DE AÇÃO</p><p>Como já foi mencionado anteriormente, uma crise policial possui caracte-</p><p>rísticas específicas, o risco iminente à vida é algo que não pode ser tratado</p><p>de maneira leviana; por esse motivo, todas as ações adotadas durante o</p><p>processo de gerenciamento de crise devem ser justificadas com base em</p><p>critérios de ação. Silva (2016) pontua que:</p><p>“ [...] considerando a complexidade e o risco inerente a um even-</p><p>to crítico, todas as ações a serem implementadas para encerrá-lo</p><p>pressupõem uma análise minuciosa e convincente dos fatos. Para</p><p>o processo decisório, os gestores da crise precisam considerar a na-</p><p>tureza do caso, as características dos envolvidos e como se deu sua</p><p>evolução até então (SILVA, 2016, p. 51).</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 1</p><p>28</p><p>Critérios de ação adotados pelo GC:</p><p>Necessidade.</p><p>Validade do risco.</p><p>Aceitabilidade (legal, moral e ética).</p><p>Esses critérios de ação são basicamente questões que o gerente da crise, assim</p><p>como os demais personagens envolvidos no processo de resolução do evento</p><p>crítico, deve se perguntar, antes de executar qualquer ação. Portanto, antes</p><p>de tomar uma decisão, a primeira avaliação que deve ser feita é: tal ação é</p><p>realmente necessária nesse momento?</p><p>Para ilustrar esse ponto, podemos imaginar um caso de roubo frustrado com</p><p>tomada de reféns, supondo que o primeiro agente de segurança a chegar no local</p><p>tenha conhecimento da doutrina de primeira intervenção em crise e dê início a</p><p>aplicação dos dez passos, ele consegue localizar o ponto crítico sem se expor e,</p><p>também, obtém êxito em conter o CEC nos limites dessa área, assim como isolar o</p><p>perímetro ao redor. A vida do refém que se encontra sob domínio do CEC está em</p><p>risco, entretanto o primeiro interventor consegue estabelecer contato com o CEC e</p><p>iniciar um diálogo para se chegar a uma solução pacífica. Nesse exemplo, é necessá-</p><p>rio que o primeiro interventor adentre o ponto crítico que está sob controle do CEC</p><p>para continuar o contato? A resposta é NÃO. O primeiro não só pode como deve</p><p>permanecer em um local seguro e manter o contato com o CEC daquele ponto,</p><p>considerando todas as circunstâncias que foram expostas a respeito da situação.</p><p>Voltamos ao caso real da invasão à embaixada iraniana em Londres, que fora</p><p>exposto anteriormente. A polícia britânica estendeu o evento crítico por seis dias,</p><p>buscando uma solução pacífica para a crise, por meio da negociação, isso aconteceu</p><p>porque apesar dos terroristas estarem mantendo diversos reféns sob seu domínio</p><p>no interior da embaixada, a situação estava controlada, a crise estava contida e, até</p><p>então, a integridade física desses reféns estava intacta; inclusive, alguns deles foram</p><p>trocados por pequenas concessões. Portanto, naquele cenário, não havia necessidade</p><p>de uma invasão tática como forma de intervenção, mesmo que os operadores do</p><p>SAS estivessem em condições de executar tal ação, uma vez que a situação estava</p><p>progredindo e era possível vislumbrar uma solução pacífica para a crise. O cenário</p><p>mudou, inteiramente, no entanto, quando os terroristas assumiram o risco e exe-</p><p>cutaram um dos reféns. A partir desse momento, estabeleceu-se a necessidade do</p><p>29</p><p>emprego de outra alternativa tática, por parte da polícia britânica, tendo em vista</p><p>que o comportamento dos terroristas se tornou errático e não mais colaborativo.</p><p>O segundo critério de ação que deve ser observado, antes de qualquer ação</p><p>em uma situação de crise, é a validade do risco.</p><p>Havendo a necessidade de agir, o</p><p>agente de segurança deve, então, se perguntar: posso executar tal ação de maneira</p><p>segura? Isso significa que, mesmo em casos nos quais haja a necessidade de agir,</p><p>essa ação pode colocar em risco outras vidas inocentes e, até mesmo, a vida do</p><p>próprio agente de segurança; desse modo, esse tipo de ação deve ser evitado. Va-</p><p>mos relembrar o primeiro objetivo do GC: preservar vidas, esse objetivo engloba</p><p>todos; com isso, nenhuma vida pode ser considerada menos ou mais importante</p><p>do que outra. Portanto, as ações a serem tomadas, quando forem realmente neces-</p><p>sárias, devem também considerar o risco que ela encerra para todos os envolvidos.</p><p>Por último, temos o critério da aceitabilidade, ou seja, as ações a serem toma-</p><p>das devem respeitar as limitações legais, morais e éticas postas pela sociedade em</p><p>que vivemos. No caso da aceitabilidade legal, tal critério de ação se refere, como</p><p>o próprio nome sugere, à legislação vigente e significa que as ações só devem ser</p><p>executadas se contarem com o respaldo da norma jurídica. Nesse sentido, em even-</p><p>tos críticos, nos quais para se chegar a uma solução aceitável seja necessário que</p><p>ocorra a neutralização do CEC e tal ação possa ser efetivada sem arriscar outras</p><p>vidas inocentes, utilizando-se da alternativa tática, tiro de comprometimento, por</p><p>exemplo, essa ação conta com amparo legal e, por isso, pode ser executada. A ação</p><p>se enquadra no Art. 23 do CP, que prevê: “Não há crime quando o agente pratica</p><p>o fato: [...] II - Em legítima defesa” (BRASIL, 1940, on-line). A legítima defesa, por</p><p>sua vez, pode ser pessoal ou de terceiros, como complementa o Art. 25 do CP.</p><p>A aceitabilidade moral e a aceitabilidade ética são similares à aceitabilidade</p><p>legal. Assim como no exemplo anterior, as ações adotadas pelos gestores da crise</p><p>devem ser condizentes com a moral e ética vigente, e somente as ações que pas-</p><p>sarem por esse crivo devem ser executadas.</p><p>Será que uma doutrina de gerenciamento de crises é importante para a imagem de uma</p><p>determinada instituição? Além de vidas inocentes serem ceifadas pela falta de capacita-</p><p>ção técnica, quais problemas poderiam ser ocasionados, caso não se tenha uma doutrina</p><p>de gerenciamento de crises bem consolidada?</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>UNICESUMAR</p><p>UNIDADE 1</p><p>30</p><p>OLHAR CONCEITUAL</p><p>A crise policial é um evento ímpar com características próprias, em que vidas estão em</p><p>riscos; ela é complexa e exige uma urgência de resposta, por parte das autoridades poli-</p><p>ciais. O gerenciamento de crises, por sua vez, é o processo empregado, durante o evento</p><p>crítico, para se chegar a uma solução aceitável. Os objetivos do gerenciamento de crises</p><p>são metas norteadoras que tem como propósito orientar as ações dos gestores da crise,</p><p>durante um evento crítico. A ordem com que devem ser alcançadas é hierárquica e devem</p><p>ser seguidas para se chegar a uma solução aceitável.</p><p>EXPLORANDO IDEIAS</p><p>Em nosso podcast, conversaremos sobre a importância</p><p>do gerenciamento de crises, trazendo para vocês o</p><p>avanço da doutrina, no decorrer do tempo, e a devida</p><p>importância desse avanço. Inclusive, conversaremos um</p><p>pouco sobre os atentados às Olimpíadas de Munique e</p><p>uma comparação direta com a Invasão à Embaixada Irani-</p><p>ana, em Londres. Vamos lá!</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11552</p><p>31</p><p>NOVAS DESCOBERTAS</p><p>Título: Negociação em crises: atuação policial na busca da solução</p><p>para eventos críticos</p><p>Autor: Angelo Oliveira Salignac</p><p>Ano: 2017</p><p>Editora: Ícone</p><p>Sinopse: a Negociação em Crises é considerada a arma não letal mais efi-</p><p>ciente disponível aos policiais. Qual o motivo de não ser uma rotina o seu</p><p>uso? O que se pode esperar de um policial que domine esse conhecimen-</p><p>to? Quais os seus limites e conceitos basilares? O trabalho que segue busca</p><p>solucionar essas e outras dúvidas, demonstrando as possibilidades de um</p><p>método cuja eficiência, inquestionável, modifica substancialmente os rumos</p><p>da atuação das Polícias na resposta a eventos potencialmente letais.</p><p>NOVAS DESCOBERTAS</p><p>Título: 6 Dias</p><p>Ano: 2017</p><p>Sinopse: o Filme 6 Dias mostra a história real de um evento crítico</p><p>ocorrido em Londres, no ano de 1980. Neste filme, mostra a atuação</p><p>dos órgãos de segurança pública, após a tomada da embaixada iraniana em</p><p>Londres, sendo feito várias pessoas reféns.</p><p>Após o sequestro de uma família na cidade de Joaquim Távora, no interior do</p><p>estado do Paraná, realizou-se os procedimentos de negociação e, na sequên-</p><p>cia, a liberação da família e a detenção do causador do evento crítico. Esse é</p><p>o exemplo de um desfecho em que se chegou a uma solução aceitável.</p><p>NOVAS DESCOBERTAS</p><p>Título: Munique, 1972. Um dia em Setembro</p><p>Ano: 1999</p><p>Sinopse: o Documentário mostra a história por trás do atentado às</p><p>Olimpíadas de Munique, em 1972, em que 6 treinadores, 5 atletas e 1</p><p>policial foram mortos por 8 terroristas Palestinos da Organização Criminosa</p><p>Setembro Negro.</p><p>UNICESUMAR</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/13319</p><p>UNIDADE 1</p><p>32</p><p>Como apresentamos até aqui, um evento crítico é algo inesperado e necessita</p><p>de breve conhecimento técnico, por parte das autoridades. Uma crise pode</p><p>acontecer em qualquer lugar, em qualquer ambiente e de forma imprevista;</p><p>por isso, todo profissional de segurança deve estar preparado para fazer uma</p><p>primeira intervenção nessas situações de maneira técnica, buscando auxiliar</p><p>no desfecho aceitável para o evento crítico.</p><p>33</p><p>1. O conceito de crise, amplamente adotado pelas polícias do nosso país, foi desenvolvi-</p><p>do pelo Federal Bureau of investigation – FBI (Departamento Federal de Investigação,</p><p>em tradução livre). O FBI é uma unidade de polícia do departamento de justiça dos</p><p>Estados Unidos, o qual apresentou pela primeira vez o conceito de crise. Dessa forma,</p><p>qual é o conceito de crise adotado pelo FBI?</p><p>a) Um evento rotineiro, que exige uma resposta imediata dos órgãos de Segurança</p><p>Pública.</p><p>b) Um evento crucial, que exige uma resposta especial dos Agentes de Segurança</p><p>Privada.</p><p>c) Um evento ou situação crucial, que exige uma resposta especial da polícia a fim</p><p>de assegurar uma solução aceitável.</p><p>d) Eventos anormais que necessitam de uma resposta rápida do Estado.</p><p>e) Um evento que exige uma resposta rápida e segura de todos os órgãos de segu-</p><p>rança afim de manter todas as pessoas vivas.</p><p>2. Com o passar dos anos, vários eventos críticos ocorreram em todo o mundo, as-</p><p>sim, tivemos dois eventos cruciais que são exemplos mundiais, até os dias atuais.</p><p>O primeiro deles não chegou a uma solução aceitável e, por isso, é, ainda, criticado.</p><p>O segundo, apesar do pouco espaço de tempo entre eles, chegou a uma solução</p><p>aceitável e é exemplo da evolução da doutrina de gerenciamento de crises. Respec-</p><p>tivamente, quais são esses exemplos?</p><p>a) Primeira Guerra Mundial e Segunda Guerra Mundial.</p><p>b) O Massacre de Munique (1972) e a Invasão à Embaixada Iraniana, em Londres</p><p>(1980).</p><p>c) Atentado às Torres Gêmeas (2001) e Missão de Paz no Haiti (2004-2017).</p><p>d) Guerra do Vietnã (1955-1975) e Invasão do Iraque (2003).</p><p>e) Ônibus 174 (2000) e Caso Eloá (2008).</p><p>34</p><p>3. No Brasil, temos inúmeros casos emblemáticos que contribuíram para a evolução</p><p>do gerenciamento de crises. Respectivamente, quais foram as situações críticas de</p><p>maior repercussão nacional que não se chegou a uma solução aceitável.</p><p>a) Caso Suzane Von Richthofen (2002) e Caso Yoki (2012).</p><p>b) Massacre de Suzano (2019) e Sequestro da Ponte Rio-Niterói (2019)</p><p>c) Assalto em Goioerê (1988) e Caso Catedral da Sé (2015).</p><p>d) Massacre do Carandiru (1992) e Chacina na Grande São Paulo (2015).</p><p>e) Ônibus 174 (2000) e Caso Eloá (2008).</p><p>4. O gerenciamento de crises se diferencia de outras metodologias adotadas para re-</p><p>solução de conflitos, por contar com objetivos específicos. Desse modo, quais são</p><p>os objetivos do gerenciamento de crises?</p><p>a) Salvar vidas e evitar conflitos.</p><p>b) Evitar danos ao Estado, restabelecer a ordem e aplicar a lei.</p><p>c) Preservar a vida, aplicar a lei e restabelecer a ordem.</p><p>d) Fazer contato sem concessão e salvar vidas.</p><p>e) Preservar</p><p>a vida e evitar danos.</p><p>5. Na Doutrina de gerenciamento de crises, têm-se como padrão alguns critérios de</p><p>ação, quais são esses critérios?</p><p>a) Necessidade, validade de risco e aceitabilidade.</p><p>b) Urgência, preservação da ordem e manutenção da paz.</p><p>c) Necessidade, preservação da ordem e urgência.</p><p>d) Aceitabilidade, ordem e urgência.</p><p>e) Interesse da administração pública, necessidade e urgência.</p><p>35</p><p>6. Dentro dos critérios de ação, um deles é a aceitabilidade, porém esse critério é</p><p>dividido em três dimensões, quais são elas?</p><p>a) Aceitabilidade legal, aceitabilidade técnica e aceitabilidade imediata.</p><p>b) Aceitabilidade midiática, aceitabilidade técnica e aceitabilidade imediata.</p><p>c) Aceitabilidade midiática, aceitabilidade legal e aceitabilidade técnica.</p><p>d) Aceitabilidade legal, aceitabilidade moral e aceitabilidade ética.</p><p>e) Aceitabilidade moral, aceitabilidade técnica e aceitabilidade midiática.</p><p>7. A doutrina de gerenciamento de crises prevê alguns objetivos específicos para reso-</p><p>lução de conflitos. Dessa forma, esses objetivos devem seguir uma ordem especifica</p><p>para se chegar a uma solução aceitável. Assim, qual a ordem correta dos objetivos</p><p>do gerenciamento de crises?</p><p>a) 1º preservar a vida; 2º aplicar a lei; 3º restabelecer a ordem.</p><p>b) 1º aplicar a lei; 2º preservar a vida; 3º fazer contato sem concessão.</p><p>c) 1º necessidade; 2º ordem; 3º urgência.</p><p>d) 1º aceitabilidade legal; 2º aplicar a lei; 3º restabelecer a ordem.</p><p>e) 1º preservar a vida; 2º restabelecer a ordem; 3º aplicar a lei.</p><p>2Gerenciamento</p><p>de Crises em</p><p>Segurança</p><p>Eps. André Luis Otávio Varotto dos Santos</p><p>Na doutrina de Gerenciamento de Crises existem conceitos funda-</p><p>mentais utilizados para definir e operacionalizar as ações dos envol-</p><p>vidos em um evento crítico da melhor forma possível. Sendo assim, a</p><p>proposta desta unidade é apresentar e explorar em detalhes alguns</p><p>desses conceitos básicos e personagens específicos.</p><p>UNIDADE 2</p><p>38</p><p>O gerenciamento de crises consiste em várias técnicas e táticas que visam chegar a</p><p>uma solução aceitável e, consequentemente, preservar vidas. Diante disso, você já</p><p>pensou quais técnicas seriam adequadas para gerenciar uma crise da melhor forma</p><p>possível? Logo, além de técnicas, existem procedimentos específicos que visam</p><p>garantir a segurança de todos os envolvidos, pois os erros do passado nos mostram</p><p>que, quando não se tem procedimentos adequados, fatalidades tendem a acontecer.</p><p>Portanto, você faz ideia de quais seriam as melhores alternativas para minimizar</p><p>essas fatalidades, preservando vidas e chegando a uma solução aceitável?</p><p>39</p><p>Com o passar do tempo, a doutrina de gerenciamento de crises evoluiu, com</p><p>o objetivo de gerar melhores condições para os especialistas em segurança</p><p>pública resolver conflitos tão complexos quanto uma crise policial. Diante</p><p>do exposto, os procedimentos que serão apresentados, nesta unidade, servem</p><p>como base para que a doutrina seja aplicada da melhor forma possível, em</p><p>que a prioridade será a vida de todos os envolvidos.</p><p>Vamos colocar a mão na massa?</p><p>Com o objetivo de demonstrar a importância de se ter procedimentos de ge-</p><p>renciamento de crises consolidados, gostaria que você assistisse a esse vídeo:</p><p>Bandido atinge policial em assalto com refém. Na sequência, gostaria que ob-</p><p>servasse os procedimentos realizados pela equipe policial, pois discorreremos</p><p>sobre esses procedimentos no decorrer desta unidade. Como profissional de</p><p>segurança pública, é fundamental ter alternativas adequadas para a solução</p><p>de conflitos tão complexos como uma crise policial. Você acredita que uma</p><p>situação de crise, como um assalto a uma determinada Instituição</p><p>Financeira, pode ser resolvida com empirismo, sem uma doutri-</p><p>na consolidada? Penso que não; assim, passa a ser cada vez mais</p><p>importante para o profissional de segurança pública a adequada</p><p>habilitação técnica.</p><p>UNIDADE 2</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=ldSx4B08o9Y</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/12531</p><p>UNIDADE 2</p><p>40</p><p>CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA DOUTRINA DE GC E PRINCIPAIS</p><p>PERSONAGENS QUE COMPÕEM O TEATRO DE OPERAÇÕES</p><p>PONTO CRÍTICO</p><p>Consiste no locaal ou espaço físico sob o controle do causador do evento críti-</p><p>co (CEC), é onde ele se encontra, assim como os reféns ou vítimas que podem</p><p>41</p><p>CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA DOUTRINA DE GC E PRINCIPAIS</p><p>PERSONAGENS QUE COMPÕEM O TEATRO DE OPERAÇÕES</p><p>PONTO CRÍTICO</p><p>Consiste no locaal ou espaço físico sob o controle do causador do evento críti-</p><p>co (CEC), é onde ele se encontra, assim como os reféns ou vítimas que podem</p><p>estar sob seu poder. O pon-</p><p>to crítico varia conforme a</p><p>situação, podendo ser uma</p><p>residência, um cômodo, um</p><p>veículo, um estabelecimen-</p><p>to comercial, uma via públi-</p><p>ca, entre outros exemplos</p><p>possíveis. Cabe salientar</p><p>que as características físicas</p><p>do ponto crítico constituem</p><p>um elemento importante na</p><p>determinação dos períme-</p><p>tros de segurança e influen-</p><p>ciam diretamente nas ações</p><p>do grupo de intervenção, “o</p><p>ponto crítico é um dos ele-</p><p>mentos mais relevantes para</p><p>o gerenciamento da crise,</p><p>pois além de se constituir</p><p>numa importante fonte de</p><p>informações para o proces-</p><p>so, é a partir dele que toda a</p><p>estrutura do gerenciamen-</p><p>to é montada e organizada”</p><p>(SILVA, 2015, p. 39). Outro</p><p>ponto que Silva (2015, p. 40)</p><p>destaca é: “[...] independen-</p><p>te do local, só haverá plenas</p><p>condições para um geren-</p><p>ciamento satisfatório caso</p><p>o ponto crítico esteja devi-</p><p>damente contido e isolado”.</p><p>UNIDADE 2</p><p>UNIDADE 2</p><p>42</p><p>CAUSADOR DO EVENTO CRÍTICO</p><p>O CEC, abreviação adotada para se referir ao causador do evento crítico, é</p><p>aquele que dá origem a crise, como o próprio nome sugere. Veremos mais</p><p>adiante que existem tipos diferentes de CEC e que esse fator é bastante rele-</p><p>vante e influencia diretamente as ações do negociador, assim como as deci-</p><p>sões a serem tomadas pelo gerente da crise.</p><p>GERENTE DA CRISE</p><p>É a autoridade policial de maior patente responsável pela tomada de decisões du-</p><p>rante um evento crítico. Essa figura deve estar ciente de tudo que se transpassa no</p><p>teatro de operações, portanto, o comandante da equipe de negociação, o coman-</p><p>dante do grupo de intervenção e do grupo de atiradores de precisão devem repassar</p><p>ao gerente da crise todas as informações relevantes e auxiliá-lo, do ponto de vista</p><p>técnico, na tomada de decisão. Todas as alternativas táticas do GC estão à disposição</p><p>do gerente da crise e só devem ser empregadas mediante a sua ordem direta. Ade-</p><p>mais, o gerente da crise pode ou não estar presente, fisicamente, no local da crise.</p><p>43</p><p>UNIDADE 2</p><p>UNIDADE 2</p><p>44</p><p>“ O gerente da crise decide a política de administração do evento</p><p>e as medidas a adotar para sua solução, sempre assessorado pelo</p><p>comandante do teatro de operações e pelos integrantes das equipes</p><p>especializadas. Toda e qualquer ação desenvolvida no âmbito do ge-</p><p>renciamento dependerá do consentimento e da aprovação expressa</p><p>dessa autoridade. Nesse sentido, o objetivo da doutrina, além de</p><p>definir a autoridade que decide, é propor a unidade de comando no</p><p>processo, evitando-se a dispersão das ordens e a nefasta ocorrência</p><p>de cadeias de comando paralelas (SILVA, 2015, p. 46).</p><p>COMANDANTE DO TEATRO DE OPERAÇÕES</p><p>(Cmt de TO)</p><p>Essa função pode ser acumulada pelo gerente da crise, caso ele se encontre no</p><p>local da crise. Entretanto, como vimos anteriormente, o gerente da crise nem</p><p>sempre estará presente no local; por isso, o comandante do teatro de operações foi</p><p>uma função criada para atender, principalmente, essas situações. Nesse sentido, o</p><p>comandante do teatro de operações é a autoridade policial de maior patente que</p><p>está, efetivamente, no local da crise, sua função é coordenar as ações práticas no</p><p>local da crise e assessorar o gerente da crise na tomada de decisões, garantindo</p><p>que ele tenha conhecimento de todas as informações pertinentes e relevantes para</p><p>tomar a decisão mais acertada possível a fim de assegurar uma solução aceitável.</p><p>45</p><p>REFÉM</p><p>É a pessoa inocente mantida no ponto crítico, contra sua vontade, pelo CEC, me-</p><p>diante</p><p>o uso de grave ameaça e/ou violência. Geralmente, o CEC enxerga o refém</p><p>como um objeto de troca, ou seja, um meio para um fim. Desse modo, a vida da</p><p>pessoa inocente é utilizada como moeda de troca para que suas exigências sejam</p><p>atendidas, tais exigências podem variar de acordo com a situação e motivação</p><p>por trás da ação do CEC. Silva (2015) apresenta alguns exemplos:</p><p>“ [...] garantia de vida ou integridade física, verificadas principalmen-</p><p>te nas ocorrências de roubos frustrados; a obtenção de valores ou</p><p>bens, próprios dos crimes de extorsão mediante sequestro; e tam-</p><p>bém, a busca de vantagens, como a liberdade, após a tentativa do</p><p>cometimento de um roubo frustrado ou a libertação de compatrio-</p><p>tas presos ou, ainda, mudanças no sistema de governo, como ocorre</p><p>em ações terroristas (SILVA, 2015, p. 41).</p><p>UNIDADE 2</p><p>UNIDADE 2</p><p>46</p><p>EQUIPE DE NEGOCIAÇÃO (EN)</p><p>Trata-se de uma equipe formada por negociadores especializados, ou seja,</p><p>policiais especializados na área de negociação em crises. É responsável pelo</p><p>emprego de uma das quatro alternativas táticas do GC, a saber: a negociação,</p><p>que busca uma resolução pacífica para evento crítico por meio do diálogo, os</p><p>negociadores que compõem a EN empregam “técnicas de barganha e convenci-</p><p>mento, visando o fim da crise sem violência” (SILVA, 2015, p. 53). Ainda, sobre</p><p>o papel da EN dentro da doutrina de GC, Silva (2015, p. 53) observa que “o</p><p>negociador é o responsável pelo contato direto com o CEC, sendo qualificado</p><p>como porta-voz dos responsáveis pelo gerenciamento do evento’’, e acrescenta</p><p>“ele [o negociador] informa ao CEC sobre as decisões tomadas e tem condições</p><p>de buscar informações importantes junto a ele”.</p><p>47</p><p>GRUPO DE INTERVENÇÃO (GI)</p><p>O GI é um elemento fundamental durante todo o decorrer do evento crítico, não</p><p>há como se falar em gerenciamento de crises sem a presença de um GI no local</p><p>da crise. Ele é responsável por duas das quatro alternativas táticas do GC, técnicas</p><p>não letais e invasão tática, as quais serão explicadas em detalhes mais adiante</p><p>nesta unidade. Além disso, o GI é responsável pela segurança da EN durante todo</p><p>processo de negociação, assim como dos demais policiais que se encontram no</p><p>TO. Ele, também, é encarregado de realizar qualquer aproximação ao PC, por</p><p>exemplo, para entregar alguma concessão ao CEC. Somente o GI e a EN têm</p><p>acesso à zona estéril, que compreende o espaço entre o PC e o perímetro interno;</p><p>por isso, os policiais ficam posicionados em um local seguro, o mais próximo</p><p>possível do PC, em condições de atuar imediatamente e executar uma invasão</p><p>tática emergencial para preservar a vida dos inocentes, caso seja necessário.</p><p>“ O grupo utiliza armas e equipamentos especiais, bem como ações</p><p>padronizadas para garantir o êxito da missão. Devidamente espe-</p><p>cializado e treinado em ações táticas especiais, atua em conjunto</p><p>com o grupo de atiradores de precisão e com a equipe de negocia-</p><p>ção. Possui, entre outras missões: prover a segurança para o grupo</p><p>de gerenciamento de crises, conduzir e proceder a rendição dos</p><p>causadores do evento crítico, realizar a intervenção tática para</p><p>resgate de reféns e garantir o desfecho da crise com força letal ou</p><p>não (SILVA, 2015, p. 55).</p><p>UNIDADE 2</p><p>UNIDADE 2</p><p>48</p><p>SNIPER POLICIAL</p><p>Geralmente, o atirador de precisão, conhecido como Sniper policial, atua em</p><p>uma célula de no mínimo dois policiais, um atirador e um spotter. Os atiradores</p><p>de precisão são responsáveis por uma das quatro alternativas táticas do GC, o</p><p>tiro de comprometimento. Entretanto, além de serem incumbidos com a tarefa</p><p>de executar um disparo crucial para neutralizar o CEC e chegar a uma solução</p><p>aceitável, caso seja preciso, eles também são fontes de informações valiosíssimas,</p><p>tanto para a EN quanto para o GI. Como os atiradores escolhem um local estraté-</p><p>gico para se posicionarem, eles têm, na maioria dos casos, uma visão privilegiada</p><p>do PC e, com isso, podem observar o comportamento do CEC, o que ocorre no</p><p>PC e as características físicas do local. Todas essas informações são repassadas à</p><p>EN e ao GI para subsidiar a sua atuação.</p><p>49</p><p>INTERMEDIÁRIO</p><p>É o termo utilizado para descrever qualquer pessoa que é levada até o local da</p><p>crise para fazer contato verbal com o CEC. A exigência, por parte do CEC, de</p><p>que se traga alguém em específico é relativamente comum em situações de crise,</p><p>pelas mais variadas razões imagináveis. Por exemplo, em situações de rebeliões,</p><p>os CEC podem exigir a presença de advogados, juízes e outras figuras específicas</p><p>em troca da libertação dos reféns; em situações de tentativa de suicídio, o CEC</p><p>pode exigir a presença de algum familiar ou ente querido; todas essas pessoas</p><p>se enquadram na definição de intermediário. É importante destacar que a apre-</p><p>sentação de um intermediário é algo muito delicado e nem sempre aconselhável,</p><p>podendo agravar os ânimos dos envolvidos e elevar o nível de estresse no local</p><p>da crise; por essa razão, intermediários só devem ter contato com o CEC quando</p><p>a EN estiver no local e sob orientação do negociador principal.</p><p>UNIDADE 2</p><p>UNIDADE 2</p><p>50</p><p>TIPOLOGIA DOS CAUSADORES DO EVENTO CRÍTICO</p><p>A nomenclatura — Causador do Evento Crítico — busca abarcar todos os indi-</p><p>víduos que protagonizam e dão causa, como já vimos, a algum tipo de crise policial.</p><p>Com o passar dos anos, observou-se que algumas nomenclaturas adotadas como</p><p>“sequestrador” ou “bandido” eram incompatíveis com a descrição desses indivíduos</p><p>em todas as situações, considerando as inúmeras possibilidades de crise que existem.</p><p>Portanto, o termo CEC foi adotado “para facilitar o estudo e a operacionalização</p><p>das ações nas mais variadas e complexas ocorrências críticas” (SILVA, 2016, p. 76).</p><p>Assim como as crises são eventos ímpares, que possuem diversas nuances</p><p>entre uma ou outra, a motivação por trás da ação do CEC, também, tende a</p><p>variar, dependendo da situação e do indivíduo envolvido. Sendo assim, para</p><p>que os responsáveis pela condução do evento crítico possam empregar as</p><p>medidas mais eficientes em cada caso, a conduta do CEC precisa ser avaliada</p><p>e compreendida. Para for facilitar esse entendimento, no âmbito da doutrina</p><p>de GC, eles são divididos em três tipos:</p><p>1- Criminoso</p><p>2- Terrorista</p><p>3- Mentalmente perturbado</p><p>CRIMINOSOS</p><p>Esse tipo de CEC costuma dar origem a uma crise em virtude do cometimento</p><p>de algum crime, em situações de roubo, por exemplo, quando criminosos são</p><p>flagrados por equipes policiais, realizando o delito, eles tendem a tomar pessoas</p><p>inocentes como reféns para garantir a própria integridade física e usá-los como</p><p>objeto de troca para suas exigências, iniciando, assim, uma situação de crise poli-</p><p>cial. Outros exemplos de evento crítico, envolvendo CEC criminosos, é a situação</p><p>de extorsão mediante sequestro, em que os reféns são mantidos em cativeiro com</p><p>intuito de serem trocados por bens e valores. Os CEC que dão origem a uma</p><p>situação de rebelião em estabelecimento prisional, também, são enquadrados</p><p>no tipo criminoso. Desse modo, é possível observar motivações similares para</p><p>51</p><p>esse tipo de CEC; geralmente, criminosos iniciam uma crise com o objetivo de</p><p>garantir a própria vida, assegurar a liberdade, obter valores ou qualquer outro</p><p>tipo de vantagem para si. Silva (2016) destaca que:</p><p>“ [...] em geral, os criminosos prezam por suas vidas (daí o motivo</p><p>de usarem reféns como ‘escudos’ ou se barricar) — o que, em tese,</p><p>torna o processo de negociação menos difícil. Fazem exigências</p><p>realísticas, buscando garantias para uma saída de maneira íntegra</p><p>do ponto crítico e, muitas vezes, têm consciência de suas limitações</p><p>no processo (SILVA, 2016, p. 78).</p><p>TERRORISTAS</p><p>As ações dos terroristas costumam ser motivadas por agendas políticas, re-</p><p>ligiosas, ideológicas, entre outras. Na maioria dos casos, essa motivação se</p><p>sobrepõe à própria integridade física do CEC terrorista; cumprir o seu ob-</p><p>jetivo é tão importante, que a morte durante esse processo é algo aceitável.</p><p>Os casos que estudamos e discutimos na Unidade 1 são exemplos</p><p>de crises,</p><p>envolvendo CEC terroristas, eles buscam coagir e/ou desestabilizar o estado</p><p>constituído e, para tanto, escolhem alvos simbólicos e de grande importân-</p><p>cia e repercussão no cenário internacional, como forma de causarem um</p><p>grande impacto com suas ações; uma estratégia adotada pelos terrorista é a</p><p>instauração do medo, por meio, de assassinatos, sequestros, explosões em</p><p>locais públicos, tomada de reféns etc. Um gerenciamento de crise apropria-</p><p>do e pautado em uma doutrina sedimentada é imprescindível em situações</p><p>envolvendo terroristas para que se possa alcançar uma solução aceitável.</p><p>UNIDADE 2</p><p>UNIDADE 2</p><p>52</p><p>MENTALMENTE PERTURBADOS</p><p>Esses indivíduos apresentam um comportamento alterado e desequilibrado, ge-</p><p>ralmente, esse surto ocorre em decorrência de transtornos mentais negligencia-</p><p>dos, abalos emocionais intensos e repentinos e pelo abuso de álcool e/ou outras</p><p>drogas. Nesse estado caótico, o indivíduo dá origem ao evento crítico e coloca</p><p>em risco a vida de inocentes, pessoas próximas do seu convívio ou apenas pes-</p><p>soas que possam estar próximas do local em que ele se encontra, em diversos</p><p>casos, o CEC mentalmente perturbado pode figurar como um risco à própria</p><p>vida. Silva (2016) sintetiza, de forma bastante esclarecedora, esse tipo de CEC: “os</p><p>mentalmente perturbados [...] são indivíduos de trato difícil e conduta instável e</p><p>temerária. De modo geral, suas exigências são irreais e deturpadas, devido à sua</p><p>condição mental instável e confusa. Muitos não prezam pela própria vida e são</p><p>suicidas em potencial” (SILVA, 2016, p. 79).</p><p>Cabe destacar que os CEC podem apresentar características condizentes com</p><p>mais de um dos tipos expostos nesta unidade, por exemplo, um CEC, inicial-</p><p>mente classificado como criminoso, pode ter cometido o roubo por conta de seu</p><p>estado mental alterado, após deixar de tomar sua medicação de uso controlado.</p><p>Nesses casos, é importante avaliar o comportamento e as exigências feitas pelo</p><p>CEC para determinar quais fatores exercem maior influência na sua conduta.</p><p>Assim, o negociador e os demais envolvidos no gerenciamento do evento crítico</p><p>podem adotar as medidas mais adequadas àquela situação.</p><p>53</p><p>DIFERENCIAÇÃO ENTRE REFÉNS E VÍTIMAS</p><p>Geralmente, os noticiários tendem a utilizar os termos “reféns” ou “vítimas” de</p><p>modo intercambiável para descrever indivíduos que são capturados pelo CEC</p><p>em uma situação de crise. Como vimos anteriormente, o refém é equivalente a</p><p>um objeto para o CEC, que pode ser negociado e trocado por suas exigências,</p><p>na maioria dos casos, não existe um vínculo entre o refém e o CEC. Entretanto,</p><p>no contexto do GC, um refém não deve ser descrito como uma vítima, indiscri-</p><p>minadamente. Do ponto de vista técnico e doutrinário, o motivo de captura de</p><p>uma vítima pelo CEC é distinto daquele que leva a tomada de um refém.</p><p>Uma das características que transformam a pessoa capturada em uma vítima</p><p>é o seu vínculo prévio com o CEC, podendo ser de caráter empregatício, fami-</p><p>liar, emocional, entre outros. O vínculo com o CEC, no entanto, por si só, não</p><p>é suficiente para que o indivíduo seja classificado como uma vítima, podendo</p><p>haver casos em que exista algum tipo de vínculo prévio e, ainda, assim, esse indi-</p><p>víduo se enquadre na definição de refém. Portanto, vamos a um segundo ponto</p><p>importante para nos ajudar a compreender essa diferença entre refém e vítima,</p><p>o que motivou a captura daquele indivíduo pelo CEC, essa informação é muito</p><p>relevante em uma situação de crise. Geralmente, os reféns são tomados por acaso,</p><p>eles estavam no local onde a situação crítica eclodiu e acabaram sendo captura-</p><p>dos pelo CEC de maneira oportuna e são mantidos no ponto crítico mediante</p><p>ameaça e violência, não passam de uma garantia de vida ou de qualquer outro</p><p>benefício para o CEC. Já a vítima é capturada pelo CEC de maneira intencional,</p><p>trata-se de um alvo específico, que acabou se envolvendo na situação por questões</p><p>emocionais, transtornos mentais do CEC ou, até mesmo, vingança.</p><p>Por último, para nos ajudar a definir se o indivíduo capturado pelo CEC</p><p>é um refém ou uma vítima, é preciso observar o valor que esse indivíduo</p><p>tem para o CEC. Os reféns possuem um valor tangível em um evento crítico;</p><p>por esse motivo, eles podem ser negociados e, eventualmente, trocados por</p><p>alguma exigência. Porém, o valor da vítima é intangível, isso faz com que essa</p><p>pessoa não seja negociável, a vítima é o objeto de desejo do CEC e a chave</p><p>para satisfazê-los; ademais, sentimentos negativos tendem a ter predominân-</p><p>cia em situações de crise e, por isso, o desejo específico do CEC para com</p><p>a vítima acaba sendo perpassado por sentimentos de ódio e raiva. Por essa</p><p>razão, o risco para uma vítima em um evento crítico é consideravelmente</p><p>UNIDADE 2</p><p>UNIDADE 2</p><p>54</p><p>maior do que para um refém, sendo assim, determinar se a pessoa capturada é</p><p>um refém ou vítima pode ser decisivo para se chegar a uma solução aceitável,</p><p>tendo em vista que essa pessoa pode ter pouco de vida pela frente, caso uma</p><p>ação não seja tomada por parte das equipes responsáveis.</p><p>Salignac (2011) define o conceito de vítima para o GC, na seguinte síntese:</p><p>“ ‘Vítimas’ formam uma categoria que diz respeito àquelas pessoas</p><p>capturadas e que não têm valor para os captores, sendo antes</p><p>o objeto de seu ódio: o captor busca a eliminação física dessas</p><p>pessoas ou danos à sua integridade. Uma vítima não tem ou-</p><p>tro valor para quem captura, exceto o da realização dos desejos</p><p>de seu captor. Diferenciar entre uma [vítima] e outra categoria</p><p>[refém] muda radicalmente os rumos táticos e técnicos de uma</p><p>negociação (SALIGNAC, 2011, p. 44).</p><p>CASO ELOÁ</p><p>No Brasil, temos o exemplo de uma crise emblemática envolvendo uma ví-</p><p>tima, o caso da jovem Eloá, ocorrido em Santo André-SP, no ano de 2008.</p><p>Esse evento crítico durou, aproximadamente, cinco dias com mais de cem</p><p>horas de negociação, sendo que o CEC era ex-namorado da vítima Eloá. É</p><p>interessante destacar que o CEC capturou duas pessoas no início da crise,</p><p>sua ex-namorada, Eloá, e uma amiga de Eloá, Nayara, que estava na casa, no</p><p>momento da invasão, e as manteve sob seu controle no ponto crítico. Porém,</p><p>com base no que acabamos de aprender e discutir, seria tecnicamente errado</p><p>se referir à ambas como sendo reféns nesse caso, é evidente a luz da doutrina</p><p>do GC que Eloá era uma vítima e Nayara era uma refém, essa diferenciação</p><p>fica ainda mais evidente quando o CEC libera Nayara no segundo dia da</p><p>crise, no entanto mantém a adolescente Eloá sob seu poder.</p><p>Além do vínculo prévio existente entre CEC e vítima, é possível observar</p><p>que Eloá era o motivo pelo qual o CEC deu origem à crise e que seu valor era</p><p>inestimável, ela não podia ser substituída, nem trocada, tratava-se do objeto de</p><p>desejo do CEC. Diante disso, o processo de negociação se mostrou infrutífero,</p><p>não sendo possível resolver a crise de maneira pacífica. Como veremos, a seguir, a</p><p>negociação é, apenas, uma das quatro alternativas táticas do GC, sendo que todas</p><p>55</p><p>devem estar à disposição do gerente da crise, durante um evento crítico, e apesar</p><p>de ser muito eficiente a negociação por si só não é capaz de resolver cem por</p><p>cento das crises. Por essa razão, ela não deve ter um peso maior ou se sobrepor</p><p>às demais alternativas táticas, as quatro alternativas são igualmente importantes</p><p>e necessárias para se obter uma solução aceitável.</p><p>O que podemos, no entanto, aprender com o desfecho do caso Eloá, que</p><p>terminou com o CEC preso, a amiga ferida e a morte da adolescente, é que a</p><p>hesitação para empregar outras alternativas táticas, além da negociação, pode</p><p>custar a vida de inocentes, um preço muito caro, na minha opinião. Deixo, aqui,</p><p>como recomendação que assistam ao documentário Quem matou Eloá? (2015)</p><p>e sugiro que assistam a essa produção com um olhar crítico, considerando tudo</p><p>que estudamos até então. Observe, também, quais ações são condizentes com a</p><p>doutrina apresentada, aqui, e quais divergem daquilo que está sendo ensinado.</p><p>AS ALTERNATIVAS TÁTICAS DO GERENCIAMENTO</p>