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Processo de avaliação e feedback do trabalho educativo

Material sobre segurança do trabalho e o processo de avaliação e feedback de treinamentos, cobrindo necessidade de aplicação prática, participação dos trabalhadores, métodos de avaliação (modelo de Donald Kirpatrick, nível de reação) e exemplos de questionário.

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<p>Segurança do trabalho</p><p>Processo de avaliação e feedback do trabalho</p><p>educativo</p><p>Em 1978, com a publicação, na Consolidação das Leis do Trabalho, da Norma</p><p>Regulamentadora 1 (NR-1) e, posteriormente, com a atualização de ambas, foi</p><p>decretada a obrigatoriedade de serem mantidos, de forma regular, pelas empresas,</p><p>registros de treinamentos sobre segurança e saúde do trabalho dos empregados.</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 1/32</p><p>Para que os treinamentos tenham resultados satisfatórios, é necessário que a</p><p>empresa proporcione condições para que os trabalhadores apliquem na prática os</p><p>conhecimentos adquiridos nos treinamentos e que estes sejam adequados à realidade</p><p>das atividades desempenhadas.</p><p>Porém, não basta capacitar e treinar na tentativa de minimizar a probabilidade de</p><p>um acidente ou de desenvolvimento de uma doença, é preciso avaliar se o funcionário</p><p>adquiriu o conhecimento, e se houve uma eficaz mudança de comportamento. Ou seja,</p><p>ele está capacitado para aplicar na sua atividade laboral os conhecimentos e práticas</p><p>propostas em tais capacitações e treinamentos?</p><p>Assim sendo, ao longo deste tópico, serão abordadas as formas e também os</p><p>métodos do processo de avaliação e feedback relacionados com este tipo de ação.</p><p>Avaliação do treinamento</p><p>Ao ministrarmos um treinamento em uma empresa, estamos em uma sala de</p><p>aula, educando um grupo de alunos, cujo aprendizado é importante para o correto</p><p>funcionamento da nossa instituição.</p><p>Na área de segurança e saúde do trabalho, nas situações mais diversas, vamos</p><p>nos deparar com situações nas quais vamos precisar orientar trabalhadores sobre</p><p>aspectos relevantes para o desenvolvimento dos trabalhos com segurança. Isto fica</p><p>explícito desde os diálogos diários de segurança (DDS), os quais têm como enfoque</p><p>auxiliar o trabalhador em suas atividades mais básicas e também em treinamentos</p><p>mais específicos para operação de alguma máquina (treinamento técnico operacional),</p><p>por exemplo.</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 2/32</p><p>Entretanto, os treinamentos não podem ser meramente informativos, já que há</p><p>necessidade de que os trabalhadores consigam refletir a respeito do que está sendo</p><p>desenvolvido, para que no momento dos problemas corriqueiros, seja possível decidir</p><p>de forma assertiva.</p><p>Por essa razão, destacamos a necessidade de treinamentos em que ocorra a</p><p>participação do trabalhador. Isso não apenas na avaliação do treinamento ministrado</p><p>(ou seja: se gostou ou não do palestrante, se acha útil ou não o que aprendeu etc.),</p><p>mas também que seja observado o resultado na prática. Desta forma, o empregado</p><p>deve receber feedback padronizado sobre o comportamento apresentado.</p><p>Avaliação de treinamento em nível teórico</p><p>A prática de avaliar o treinamento elaborado e compartilhado com a equipe, é</p><p>uma etapa importante para as melhorias contínuas e também para o crescimento da</p><p>organização.</p><p>Uma metodologia útil para a avaliação de treinamentos foi a apresentada, na</p><p>década de 1970, pelo professor da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos,</p><p>Donald Kirpatrick. Este considerada quatro etapas principais para avaliar um</p><p>treinamento, ou seja, os níveis de reação, de aprendizagem, de comportamento no</p><p>cargo e de resultado.</p><p>De forma mais ampla, podemos avaliar que praticamente tudo na sociedade</p><p>humana tem intensão pedagógica, já que vamos construindo entendimentos ao longo</p><p>da nossa vivência.</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 3/32</p><p>Nível de reação</p><p>A reação dos participantes ao longo da apresentação programada é aspecto</p><p>importante para determinar os resultados práticos. Dessa forma, é possível</p><p>perceber o interesse do grupo que está assistindo ao treinamento. Ou seja, é</p><p>possível verificar se ele está sendo de interesse dos ouvintes, no sentido de</p><p>mostrar a relevância do conteúdo para o trabalho e para a segurança.</p><p>O nível de reação tem relação com o desempenho do profissional que</p><p>desenvolve a apresentação, além da determinação do tema ou do objetivo a ser</p><p>alcançado.</p><p>Além disso, o envolvimento dos profissionais no treinamento deve ser</p><p>utilizado para que haja interesse no aprendizado. Algumas determinações</p><p>específicas são emitidas pelos próprios trabalhadores, os quais, em muitas</p><p>situações, vivenciam os problemas rotineiros no ambiente de trabalho, e já</p><p>desenvolvem métodos para aprimorar o trabalho.</p><p>Assim sendo, em todos os sentidos, o uso da prática traz resultados</p><p>satisfatórios e uma aprendizagem mais eficiente, quando tratamos da exigência de</p><p>mudança de comportamento ou de atitude.</p><p>Em alguns casos, pode-se aplicar um questionário para o público, podemos</p><p>fazer perguntas ao final do treinamento, sem a presença do palestrante, ou</p><p>podemos aplicar um questionário, de forma bastante básica, para determinar</p><p>algumas questões de análise. Observe:</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 4/32</p><p>Pergunta Muito</p><p>bom Bom Ruim</p><p>De que forma você avalia o</p><p>curso?</p><p>Você avalia o palestrante de</p><p>que forma?</p><p>Como você classifica a didática</p><p>do palestrante?</p><p>De que forma você avalia o</p><p>conteúdo compartilhado?</p><p>O que você achou das</p><p>instalações e do ambiente?</p><p>Sim Não Não se</p><p>aplica</p><p>O conteúdo tratado é relevante?</p><p>Aprendeu algo que possa</p><p>aplicar no seu dia a dia?</p><p>O conteúdo pode ser aplicado</p><p>no ambiente de trabalho?</p><p>A carga horária estava</p><p>compatível com o conteúdo?</p><p>Restaram dúvidas não</p><p>esclarecidas?</p><p>O instrutor tinha domínio do</p><p>assunto?</p><p>O curso atingiu os objetivos</p><p>propostos?</p><p>Tabela 1 – Avaliação de treinamento</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 5/32</p><p>Ao avaliar o questionário, é importante que o responsável conduza a</p><p>avaliação criteriosamente e tomando alguns cuidados. Por exemplo, os</p><p>trabalhadores podem entender que o treinamento foi longo e responder que a</p><p>carga horária foi demasiada para os assuntos. Nesse caso, duas situações são</p><p>importantes: primeiramente, o responsável deve verificar se o treinamento tem</p><p>carga horária mínima estabelecida em norma, e, então, ajustes de carga horária</p><p>não serão possíveis; em segundo lugar, o responsável deve verificar se o</p><p>treinamento foi corretamente planejado para a carga horária inicialmente</p><p>estabelecida. Um mau planejamento pode fazer com que o treinamento seja</p><p>cumprido em uma fração pequena do tempo estipulado ou forçar o instrutor a</p><p>elevar o ritmo para vencer o conteúdo nas últimas horas ou nos últimos minutos do</p><p>treinamento.</p><p>Há algumas perguntas que podem auxiliar os trabalhadores a responderem</p><p>adequadamente, por exemplo: “O curso atingiu os objetivos propostos?”. É</p><p>importante que os colaboradores saibam quais são os objetivos do treinamento.</p><p>Normalmente, os objetivos são apresentados no início do treinamento e</p><p>mencionados ao fim deste como um reforço do próprio treinamento.</p><p>Com a aplicação do questionário, é possível ter uma ideia do entendimento</p><p>dos trabalhadores em relação ao assunto abordado. Ainda, pode-se deixar algum</p><p>espaço para que sejam anotadas sugestões de melhorias ou de temas para serem</p><p>trabalhados.</p><p>X</p><p>Nível de aprendizagem</p><p>O nível de aprendizagem está relacionado diretamente com o processo de</p><p>educação e de crescimento ao longo do treinamento. Para alcançar o objetivo de</p><p>aprendizagem, é necessário que haja modificação do comportamento.</p><p>Na avaliação da necessidade de um treinamento, vamos determinar os</p><p>objetivos que são requisitados. Uma vez que há necessidade de um treinamento,</p><p>é porque está sendo exigido ou que se atenda um objetivo específico, ou a</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 6/32</p><p>melhora de algum aspecto ou o desenvolvimento de uma competência.</p><p>Para a avaliação do nível de aprendizagem, são realizados, principalmente,</p><p>questionários e provas. Nestes instrumentos são pontuadas as questões</p><p>pertinentes ao desenvolvimento do trabalhador, conforme o conteúdo do</p><p>treinamento.</p><p>Em alguns casos, para medir o desenvolvimento do operador, são realizados</p><p>questionários anteriores ao treinamento (que, de certa forma, justificam a</p><p>necessidade do treinamento)</p><p>e posteriores ao treinamento (que vão avaliar os</p><p>conhecimentos que foram adquiridos após o treinamento).</p><p>A abordagem anterior ao treinamento pode indicar pontos relevantes para</p><p>reforço no processo educativo, por exemplo, ela pode indicar que os trabalhadores</p><p>não entendem o motivo real de determinados controles. Nesse caso, um reforço</p><p>sobre esse ponto pode ser realizado no treinamento em vez de uma abordagem</p><p>tradicional, que somente focaria na apresentação e no controle do agente de risco.</p><p>Além disso, a abordagem anterior pode evidenciar outros aspectos</p><p>relevantes para a segurança não diretamente ligados ao treinamento, mas que</p><p>podem ser incluídos nele com os devidos cuidados. Isso pode ser uma ferramenta</p><p>na gestão de segurança e saúde do trabalho, pois retirar frequentemente, para os</p><p>assuntos de segurança, os trabalhadores das atividades desempenhadas não é</p><p>viável na maioria dos casos.</p><p>Os testes aplicados após o treinamento são baseados em perguntas</p><p>técnicas, geralmente, para verificação dos conhecimentos adquiridos.</p><p>Em alguns casos, os profissionais precisam atingir uma média determinada</p><p>para comprovação do desenvolvimento do conteúdo. Essa média é estipulada pelo</p><p>instrutor e/ou pela empresa e pode levar em conta a extensão das consequências</p><p>de acidentes e de doenças ocupacionais associados e o impacto de um desvio na</p><p>segurança dos demais trabalhadores ou mesmo nas instalações.</p><p>X</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 7/32</p><p>Nível de comportamento</p><p>Este nível de avaliação vai determinar se houve alguma mudança no</p><p>comportamento ou da atitude dos funcionários que participaram do treinamento.</p><p>Tende a ser uma verificação prática do aproveitamento do treinamento, que vai ser</p><p>medida por meio de indicativos dos objetivos, demonstrando a eficácia do curso.</p><p>Para a verificação destes indicativos, por vezes, é necessário aguardar um</p><p>longo tempo, uma vez que é preciso o acontecimento de alguma situação que</p><p>demande, por parte do funcionário, acionar os conhecimentos adquiridos.</p><p>Eventualmente, um reforço do treinamento poderá ser necessário, para manter o</p><p>nível de prontidão e conhecimento/habilidade. Por exemplo, não se pode esperar</p><p>que um trabalhador sofra um choque e tenha uma parada cardíaca em</p><p>decorrência disso para que seja realizado um teste que verifique se os</p><p>trabalhadores com treinamento em primeiros socorros sabem ou não realizar um</p><p>procedimento de reanimação cardiopulmonar.</p><p>As instituições apresentam, ou vão instituir, regulamentos próprios que</p><p>minimizam os riscos ou evitam os acidentes do trabalho. Entretanto, estas regras</p><p>devem ser respeitadas pelo trabalhador de forma ativa. O profissional precisa</p><p>estar consciente de que é também responsável pela sua segurança pessoal e do</p><p>seu ambiente de trabalho.</p><p>Neste sentido, quando trabalhamos na área de segurança e saúde, podemos</p><p>refletir que há necessidade de mudanças no comportamento, na atitude e na</p><p>postura dos funcionários para que as normas sejam de valia. É para estes</p><p>objetivos que as instituições aplicam recursos financeiros nos aspectos de</p><p>proteções (tanto coletivas como individuais) e em capacitações.</p><p>A avaliação nesse nível, como já discutido, ocorre dentro de uma janela de</p><p>tempo mais longo, fazendo com que o trabalhador amadureça os conhecimentos</p><p>adquiridos no treinamento ao aplicá-los frequentemente. Contudo, tal maturidade</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 8/32</p><p>também pode levar o trabalhador a pular algumas etapas de segurança, baseado</p><p>em uma sensação falsa de estar seguro. Por essa razão, o responsável pela</p><p>segurança e pela saúde na empresa deve realizar um acompanhamento.</p><p>O acompanhamento pode ocorrer durante a passagem do técnico pelas</p><p>áreas da empresa, visualizando como os funcionários conduzem as atividades e</p><p>conversando com eles. Eventualmente, será necessário conduzir uma análise ou</p><p>uma inspeção mais criteriosa, e, nesse caso, é importante que o técnico já tenha</p><p>um documento padronizado de quais situações relativas à prática dos</p><p>trabalhadores devem ser acompanhadas.</p><p>O técnico também pode utilizar outras estratégias, como conversar com os</p><p>supervisores da área para tentar identificar os pontos que merecem atenção.</p><p>Portanto, é importante que os supervisores estejam engajados com as questões</p><p>de segurança que envolvem o setor de cada um deles. Em qualquer uma dessas</p><p>estratégias, informações diversas sobre as práticas de trabalho podem ser obtidas,</p><p>e a contribuição para a segurança e a saúde é muito maior do que os simples</p><p>ajustes dos treinamentos.</p><p>Quando o trabalho prescrito é cruzado com as práticas de trabalho (ou</p><p>trabalho real), é comum ocorrerem algumas diferenças. Entretanto, deve estar</p><p>claro que o foco não é punir o trabalhador, mas, sim, entender por que as práticas</p><p>prescritas não são aplicadas e então trabalhar pelo aperfeiçoamento da</p><p>segurança, revisando procedimentos, controles, treinamentos, entre outros.</p><p>X</p><p>Nível de resultados</p><p>O nível de resultados corresponde à diferença percebida entre o período</p><p>anterior e o posterior ao treinamento e às mudanças sentidas na organização com</p><p>relação ao treinamento.</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 9/32</p><p>Este aspecto pode ser medido de diversas formas práticas, como na</p><p>diminuição do número de acidentes do trabalho, no aumento da produtividade, na</p><p>diminuição do absenteísmo (ausência ao trabalho) e na diminuição da rotatividade</p><p>dos funcionários, na redução do número de desvios de segurança, na melhoria na</p><p>qualidade do produto da empresa, no aumento do lucro, bem como, a partir da</p><p>verificação dos resultados dos questionamentos pertinentes ao nível de</p><p>aprendizagem.</p><p>A avaliação do trabalhador é fundamental para respostas imediatas no</p><p>enfrentamento de atitudes erradas. Ele também é parte responsável na</p><p>determinação dos objetivos que são coerentes com as necessidades de</p><p>capacitações.</p><p>Com treinamento planejado, apresentação de objetivos e com o apoio de um</p><p>profissional com conhecimento e habilitação na área e na linguagem correta para</p><p>atendimento ao público-alvo, os resultados podem ser alcançados em mais de</p><p>uma área e de forma eficiente.</p><p>Avaliação de treinamento em nível prático</p><p>Os resultados da implantação de um treinamento no ambiente de trabalho podem</p><p>ser medidos: na prática, nos efeitos apresentados em curto e longo prazo, no número</p><p>de acidentes, na qualidade dos produtos, no aumento da produção, na diminuição de</p><p>afastamentos etc. Vamos conhecer, a seguir, algumas formas de avaliação.</p><p>Uma empresa com poucos trabalhos desenvolvidos na área de segurança e</p><p>saúde do trabalho, é um ambiente adequado para realização de mudanças de</p><p>estratégia. Estas modificações podem resultar em índices satisfatórios, sem a</p><p>necessidade de um custo excessivo em investimento.</p><p>A mobilização e a motivação dos trabalhadores numa instituição são mais do que</p><p>necessárias para o cumprimento de normas. Para atingir os objetivos financeiros</p><p>almejados, também é necessário que eles sejam parte integrante do processo. Uma</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 10/32</p><p>vez que, a motivação é necessária para que os funcionários desempenem suas</p><p>funções de forma proativa, não desenvolvendo apenas as funções pré-determinadas,</p><p>mas zelando pelo ambiente de trabalho, pela limpeza e pela conservação dos</p><p>espaços.</p><p>Dessa forma, podemos afirmar que as razões práticas apresentadas, as quais</p><p>justificam a organização de um treinamento, também são mensuráveis para verificar o</p><p>grau de entendimento e aplicação dos conteúdos ministrados nos cursos.</p><p>Avaliação mediante número de acidentes do</p><p>trabalho</p><p>O número de acidentes em uma empresa, quando estes ocorrem, é um indicativo</p><p>de que algum processo não está adequado. Entre os vários motivos para a ocorrência</p><p>de acidentes pode estar a falha nos treinamentos de segurança e saúde no trabalho.</p><p>Se atividades críticas para a segurança forem desenvolvidas, então a organização</p><p>deve realizar treinamentos constantes para a minimização</p><p>desses números.</p><p>Naturalmente, a ausência de acidentes não é garantia de uma condição segura, e por</p><p>isso a realização de treinamentos também se faz importante como ação proativa.</p><p>Se você visitar alguma área industrial ou algum centro industrial de uma grande</p><p>cidade, certamente, encontrará um quadro com as seguintes informações:</p><p>Figura 1 - Cartaz indicador do número de dias sem acidentes com afastamento e</p><p>do recorde desta marca</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 11/32</p><p>Por meio deste tipo de registro, as empresas buscam motivar os trabalhadores</p><p>para a manutenção da atenção e do cuidado no desenvolvimento das atividades com o</p><p>objetivo de minimizar os acidentes. Entretanto, a comunicação de acidentes no</p><p>ambiente de trabalho deve ser incentivada de forma a não valorar os números</p><p>positivos em detrimento da segurança.</p><p>Anteriormente, estudamos que há possibilidade de, por meio do número de</p><p>acidentes e dos dias perdidos em acidentes (dias de afastamento dos trabalhadores</p><p>que sofreram acidente de trabalho), verificar as taxas de gravidade e taxa de</p><p>frequência geradas nas instituições.</p><p>Estas taxas são importantes para verificar, a cada ano, os resultados</p><p>apresentados pelo preparo dos funcionários diante das adversidades encontradas no</p><p>desenvolvimento das suas atividades cotidianas.</p><p>Para o cálculo da taxa de frequência e taxa de gravidade, vamos iniciar com o</p><p>cálculo das hora-homem trabalhadas na instituição no período de um ano. Estas</p><p>podem ser traduzidas com as horas nas quais o trabalhador fica disponível para o</p><p>empregador.</p><p>A taxa de frequência é caracterizada pelo número de acidentes ocorridos e a</p><p>quantidade de horas-homem de exposição ao risco. Ou seja, são as horas nas quais</p><p>os empregados permanecem desenvolvendo suas tarefas. A seguir, é apresentada a</p><p>fórmula da taxa de frequência:</p><p>Onde:</p><p>FA é a taxa de frequência</p><p>N é o número de acidentes no período de um ano</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 12/32</p><p>H é a soma das horas trabalhadas na empresa por todos os trabalhadores expostos ao</p><p>risco no período desse ano</p><p>Esta taxa informa o índice da quantidade de acidentes que aconteceram na</p><p>instituição. Desta forma, é uma importante ferramenta para verificar as melhorias</p><p>atingidas após um treinamento específico.</p><p>A taxa de gravidade é calculada por meio dos dias perdidos com afastamento</p><p>dos funcionários, após o acidente de trabalho e a quantidade de horas-homem de</p><p>exposição ao risco, conforme visto anteriormente. A seguir, apresentamos a fórmula da</p><p>taxa de gravidade:</p><p>G é igual a tempo computado vezes um milhão dividido por H</p><p>Onde:</p><p>G é a taxa de gravidade</p><p>Tempo computado é a quantidade de dias perdidos com os afastamentos, juntamente</p><p>com a soma dos valores debitados em caso de morte ou incapacidade permanente,</p><p>total ou parcial (somados)</p><p>H é a soma das horas trabalhadas na empresa por todos os trabalhadores expostos ao</p><p>risco no período desse ano</p><p>A taxa de gravidade tenta traduzir a gravidade dos acidentes acontecidos na</p><p>empresa e serve de argumento para melhorias necessárias nos ambientes de trabalho.</p><p>Além disso, também é uma ferramenta para comparação das melhorias e treinamentos</p><p>aplicados nos ambientes de trabalho.</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 13/32</p><p>Portanto, para a comparação dos dados apresentados pela empresa, após a</p><p>organização de uma campanha, é necessário controlar os dados obtidos por meio do</p><p>cálculo das taxas de frequência e gravidade e os indicadores proativos que permitam</p><p>uma ação quando o desvio for detectado antes da ocorrência da lesão.</p><p>Inclusive, podemos verificar se os valores obtidos na empresa estão adequados</p><p>às normativas determinadas pelo Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela</p><p>NBR 14280, cadastro de acidente do trabalho, procedimento e classificação. O índice</p><p>de frequência aceitável é de até 50 e o bom é menor que 20; o índice de gravidade</p><p>aceitável é até 1 e o bom é menor que 0,5.</p><p>Ainda, a comparação dos índices calculados de um ano para o outro na empresa</p><p>pode ser uma avaliação útil para justificar investimentos e treinamentos pelo técnico de</p><p>segurança do trabalho.</p><p>Avaliação mediante a qualidade do produto</p><p>As empresas dependem dos funcionários para atingir as metas de produção e</p><p>também para alcançar a qualidade desejada do produto fabricado.</p><p>Muitas empresas dispõem de setores de atendimento ao cliente, os quais</p><p>recebem retorno sobre o uso do produto e o seu desempenho após a venda. Inclusive,</p><p>uma empresa que demonstra interesse no atendimento, após a venda (conhecido</p><p>como pós-venda), melhora a sua imagem na avaliação do consumidor, aumentando,</p><p>consequentemente, a procura pelo seu produto.</p><p>Entretanto, além de atender o cliente após a comercialização, a instituição</p><p>precisa usar as informações adquiridas nos erros apresentados pelo produto para</p><p>melhorias no processo de fabricação. Desta forma, amplia a possibilidade de atingir a</p><p>excelência do produto.</p><p>Mas, você pode estar se perguntando: isso tudo pode ter relação com a</p><p>nossa área de segurança e saúde do trabalho?</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 14/32</p><p>Obviamente que, alguns aspectos devem ser tratados pelo setor de qualidade,</p><p>tais como melhorias na manutenção das máquinas, estabelecimento de padrões de</p><p>fabricação, entre outros. Porém, quando tratamos de segurança e saúde do</p><p>trabalhador podemos diminuir o número de retrabalho e aumentar a qualidade do</p><p>produto mediante a padronização do método de trabalho.</p><p>Neste sentido, podemos utilizar o número de itens em retrabalho – ou até o</p><p>número de postos de trabalhos exigidos – como justificativa para a aplicação das</p><p>melhorias necessárias na área de segurança e saúde.</p><p>Além disso, o estudo do método de trabalho (da estruturação da função) é</p><p>fundamental para a verificação dos aspectos de risco apresentados nos ambientes</p><p>laborais. A instituição de ordens de serviço é um instrumento útil para esta</p><p>padronização e é exigida pela NR-1.</p><p>Por essa razão, o estabelecimento desse instrumento nos ambientes de trabalho</p><p>estabelece vínculo com as metas de produção e a qualidade dos produtos fabricados.</p><p>Em primeiro lugar, devemos pensar que os setores de uma instituição estão</p><p>ligados, e os aspectos pertinentes à área de segurança e saúde do trabalho devem</p><p>coincidir com as pretensões da gerência de produção.</p><p>Em segundo lugar, podemos afirmar que a padronização do processo é</p><p>determinante para a produção de forma continuada e assertiva.</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 15/32</p><p>Dessa forma, concluímos que a qualidade do produto final da empresa pode ser</p><p>um índice – mesmo que a longo prazo – demonstrativo da efetividade dos</p><p>treinamentos instituídos no local de trabalho.</p><p>Avaliação por meio do aumento da produtividade</p><p>Agora vamos demonstrar a efetividade dos treinamentos aplicados com relação</p><p>ao aumento da produtividade. A avaliação neste contexto também é muito significativa.</p><p>A produtividade de uma empresa é resultado do desempenho dos trabalhadores</p><p>e da diminuição de erros. Estes podem, inclusive, causar a rejeição do produto ao final</p><p>do processo de produção.</p><p>Então, a padronização é adequada para a manutenção das metas de produção.</p><p>Porém, além disso, podemos salientar que a motivação dos trabalhadores é um</p><p>aspecto importante para o aumento dos índices de produção.</p><p>Mas, qual o sentido de envolver a área de segurança e saúde do trabalho no</p><p>atingimento das metas de produção?</p><p>A área de segurança e saúde amplia para o trabalhador a possibilidade de</p><p>aproximação com a gerência da empresa, principalmente, quando da instituição da</p><p>Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA). Neste momento, os trabalhares</p><p>eleitos e indicados se empenham nas melhorias do posto de trabalho para diminuir o</p><p>número de acidentes e para minimizar os riscos aos quais estão expostos.</p><p>O melhor resultado para a aplicação de melhorias nos ambientes de trabalho</p><p>provém do auxílio do operador; ou seja, do funcionário que diariamente</p><p>permanece</p><p>realizando a atividade com o risco presente.</p><p>Além disso, a NR-1 também exige o conhecimento dos trabalhadores desses</p><p>instrumentos aplicados nos ambientes de trabalho, então, voltamos ao quesito das</p><p>campanhas.</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 16/32</p><p>Em muitas situações, podemos observar que os equipamentos de proteção</p><p>coletivos ou individuais atrapalham o desenvolvimento da atividade, pelo fato de que</p><p>não foram pensados juntamente com os trabalhadores do posto de trabalho. O que,</p><p>logicamente, diminuiria os índices de produção.</p><p>Podemos observar então que, por diversos aspectos, o aumento da produtividade</p><p>é um índice que pode ser utilizado como resultado de um treinamento eficaz. Tanto a</p><p>instituição da CIPA como a aplicação das melhorias no ambiente de trabalho exigem</p><p>treinamentos e campanhas específicas, as quais vão ter resultado prático; isso apenas</p><p>se os trabalhadores tiverem o entendimento correto dos aspectos pertinentes para</p><p>cada um.</p><p>Avaliação mediante a diminuição do número de</p><p>afastamentos</p><p>O número de afastamentos nos locais de trabalho é um aspecto determinante</p><p>para determinar a falta de motivação dos trabalhadores ou a falta de compromisso com</p><p>os ensejos da empresa e os aspectos relacionados com doenças do trabalho.</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 17/32</p><p>Mesmo que não se tenha ideia definida da razão para um alto índice de</p><p>afastamentos, as campanhas desenvolvidas nos ambientes fabris tendem a diminuir os</p><p>índices de absenteísmo.</p><p>No sentido da falta de motivação ou compromisso, as campanhas administradas</p><p>nas empresas podem familiarizar os trabalhadores com os métodos de trabalho,</p><p>deixando-os mais seguros no desempenho de sua função.</p><p>Além disso, as campanhas com diversificação do tema trazem ao trabalhador</p><p>aumento da autoestima, tanto pessoal quanto profissional e aumento da valorização da</p><p>instituição.</p><p>Quanto aos aspectos relacionados às doenças do trabalho, podemos referir que</p><p>a diminuição de faltas ou atrasos ao trabalho são consequência da falta do estudo dos</p><p>aspectos ergonômicos dos postos de trabalho.</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 18/32</p><p>Verificamos que além dos aspectos que podem ser mensurados de forma</p><p>técnica, o item de organização do trabalho vai tratar das condições psicofisiológicas do</p><p>desenvolvimento da tarefa. Isso engloba o desgaste cognitivo (pressão no trabalho e</p><p>exigência constante de raciocínio) e físico (sensação de dores), a satisfação, o</p><p>sentimento de valorização do empregado, entre outros aspectos que estão</p><p>intimamente ligados com a motivação.</p><p>Os trabalhos ergonômicos efetivos exigem a participação dos trabalhadores e o</p><p>seu treinamento para o aperfeiçoamento contínuo. Desta forma, concluímos que é</p><p>possível depreender, de forma prática, a eficiência dos treinamos executados por meio</p><p>da diminuição dos afastamentos dos empregados ao trabalho.</p><p>Exemplo</p><p>Vale ressaltar que a NR-17, referente à ergonomia, relaciona cinco itens</p><p>importantes a serem estudados nos ambientes de trabalho. São eles:</p><p>1.º Levantamento, transporte e descarga individual de materiais</p><p>2.º Mobiliário dos postos de trabalho</p><p>3.º Equipamentos dos postos de trabalho</p><p>4.º Condições ambientais de trabalho</p><p>5.º Organização do trabalho.</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 19/32</p><p>Vamos pensar na indústria de galvanoplastia. Este é o processo no qual, por</p><p>meio de banhos em substâncias químicas, algum material (metálico ou não) será</p><p>revestido por uma camada de metal. O intuito é diminuir a oxidação e aumentar a</p><p>durabilidade da sua vida útil, principalmente quando falamos na exposição às</p><p>intempéries.</p><p>As peças que são zincadas, cromadas ou niqueladas (que são as peças</p><p>revestidas com zinco, cromo ou níquel, respectivamente) são utilizadas nas mais</p><p>diversas áreas, por exemplo, na construção civil, na indústria automotiva, na indústria</p><p>calçadista (as fivelas que encontramos em sapatos, botas e bolsas passam por esse</p><p>processo), entre outras.</p><p>Figura 2 – Peças presas em ganchos após processo de galvanização</p><p>Fonte: . Acesso em: 3 nov.</p><p>2020.</p><p>O início do processo acontece quando o operador faz a colocação das peças</p><p>metálicas (ferro fundido, por exemplo) a serem zincadas em baldes de material</p><p>especial (inox) em quantidade determinada para introdução em banhos.</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 20/32</p><p>Figura 3 – Baldes para colocação de peças</p><p>Fonte: . Acesso em: 4 maio 2018.</p><p>Após a colocação das peças em baldes, o operador vai banhando as peças, ou</p><p>seja, faz a imersão do balde nos tanques na sequência desejada para o revestimento</p><p>das peças.</p><p>No fluxograma abaixo, são apresentadas as etapas básicas necessárias para o</p><p>revestimento das peças com camada de zinco na operação à quente.</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 21/32</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 22/32</p><p>Figura 4 – Fluxograma de processo de galvanização</p><p>Fonte: . Acesso em: 3 nov.</p><p>2020.</p><p>As etapas consistem no desengraxe, processo que retira as sujidades da</p><p>superfície das peças, já a preparando para a deposição do material. Após esta etapa,</p><p>há um enxágue em água, para lavagem da peça e para evitar a contaminação dos</p><p>banhos seguintes.</p><p>Depois, ocorre a imersão do balde no processo de decapagem. Então são</p><p>retirados os pontos de oxidação já existentes na peça, por meio de produtos químicos</p><p>específicos. Em seguida, mais um enxágue é feito.</p><p>A próxima etapa é a fluxagem. Esta fase consiste na deposição de produto</p><p>químico, o qual protege a peça contra a oxidação e prepara a superfície para receber o</p><p>revestimento final.</p><p>A etapa de secagem consiste na passagem das peças por uma estufa que faz a</p><p>preparação para o recebimento do revestimento (cerca de 60ºC), reduzindo o choque</p><p>térmico da próxima etapa.</p><p>Por fim, as peças chegam a etapa de zincagem. Elas recebem uma camada de</p><p>zinco fundido (temperatura entre 440 e 465ºC) para o acabamento final e, na</p><p>sequência, permanecem aguardando o resfriamento.</p><p>Em alguns casos são necessários processos de polimento para dar o</p><p>acabamento final desejado.</p><p>Agora que temos uma ideia de como funciona o processo de galvanização,</p><p>podemos perceber que um dos riscos apresentadas pelo processo é o contato com</p><p>agentes químicos, já que as peças são transportadas entre vários tanques. Desta</p><p>forma, pode respingar ou escorrer líquido do processo.</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 23/32</p><p>Além disso, a queda de mesmo plano é uma ocorrência corriqueira em</p><p>empresas de galvanização. O piso fica molhado na área de maior trânsito dos</p><p>trabalhadores e o índice de torções e luxações são altos em função dos resvalos que</p><p>ocorrem no piso.</p><p>Para evitar os elevados números de acidentes que vinham ocorrendo, no final do</p><p>ano de 2019, a empresa resolveu investir em estrados plásticos para serem colocados</p><p>na frente dos tanques dos banhos (área de trânsito dos trabalhadores) e assim evitar</p><p>que o trabalhador pudesse resvalar.</p><p>Entretanto, apenas a introdução dos estrados não foi eficaz, uma vez que os</p><p>trabalhadores ainda acabavam tropeçando nos próprios estrados.</p><p>Dessa forma, quando houve a constatação de que não havia sido suficiente o</p><p>investimento e instalação de estrados plásticos, foi organizada a programação para</p><p>uma campanha. Nesta etapa seriam apresentadas as medidas de controle que foram</p><p>instaladas.</p><p>Vamos exemplificar a utilização das taxas anteriormente apresentadas</p><p>analisando as melhorias e os treinamentos aplicados nos anos de 2017, 2018 e 2019</p><p>em uma empresa de galvanização.</p><p>Na tabela abaixo, podemos observar os dados necessários para os cálculos das</p><p>taxas, conforme instalação das melhorias (estrados plásticos) e os treinamentos</p><p>aplicados nos ambientes de trabalho.</p><p>Ano Número de</p><p>funcionários</p><p>Carga</p><p>horária</p><p>mensal</p><p>(h)</p><p>HHT</p><p>anual</p><p>Número</p><p>de</p><p>acidentes</p><p>Dias</p><p>perdidos</p><p>2017 195 200 468000 35 73</p><p>2018 204 200 489600 23 38</p><p>2019 207 200 496800 9 15</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 24/32</p><p>Tabela 2 – Relação de dados para o cálculo das taxas de frequência e de</p><p>gravidade</p><p>Na tabela podemos observar que a HHT anual é calculada por meio da</p><p>multiplicação do valor do número de funcionários, da carga horária mensal e do</p><p>número de meses no ano.</p><p>Assim sendo, é possível calcular a taxa de frequência da seguinte forma:</p><p>A partir do cálculo obtêm-se os dados apresentados na tabela abaixo:</p><p>Ano Número de</p><p>funcionários</p><p>Carga</p><p>horária</p><p>mensal</p><p>(h)</p><p>HHT</p><p>anual</p><p>Número</p><p>de</p><p>acidentes</p><p>Taxa</p><p>frequência</p><p>2017 195 200 468000 35 74,8</p><p>2018 204 200 489600 23 47,0</p><p>2019 207 200 496800 9 18,1</p><p>Tabela 3 – Relação de dados e taxa de frequência calculada</p><p>Considerando os parâmetros da OIT, o ano de 2017 apresentou uma taxa de</p><p>frequência péssima; o ano de 2016 apresentou uma taxa boa; e o ano de 2019</p><p>apresentou uma taxa muito boa.</p><p>Quando falamos da taxa de gravidade, relembramos que o cálculo é realizado</p><p>com a seguinte fórmula:</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 25/32</p><p>Então, com relação à taxa de gravidade e o índice respectivo, apresentamos a</p><p>tabela abaixo:</p><p>Ano Número de</p><p>funcionários</p><p>Carga</p><p>horária</p><p>mensal</p><p>(h)</p><p>HHT</p><p>anual</p><p>Dias</p><p>perdidos</p><p>Taxa de</p><p>gravidade</p><p>2017 195 200 468000 73 156,0</p><p>2018 204 200 489600 38 77,6</p><p>2019 207 200 496800 15 30,2</p><p>Tabela 4 – Relação de dados da taxa de gravidade.</p><p>A tabela quatro complementa a anterior com os seguintes dados: 2017: taxa de</p><p>gravidade 156,0; 2018: taxa de gravidade 77,6 e 2019: taxa de gravidade 30,2.</p><p>Concluímos que, considerando os parâmetros estipulados pela OIT, o índice de</p><p>gravidade do ano de 2017 foi considerado ruim; o índice de gravidade do ano de 2018</p><p>foi considerado bom; e o índice de gravidade de 2019 foi considerado muito bom.</p><p>Ainda, é possível utilizar os dados apresentados para comparação da evolução a</p><p>cada ano, ou seja, podemos fazer a comparação dos índices apontados nos anos de</p><p>2017, 2018 e 2019.</p><p>De certa forma, parece simples comparar o número de acidentes ocorridos ou o</p><p>número de dias de afastamento. Entretanto, temos situações em que é fundamental o</p><p>cálculo dessas taxas. Por exemplo, quando há aumento ou diminuição em grande</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 26/32</p><p>número de funcionários (contratação ou demissão em massa) de um ano para outro;</p><p>caso no qual não podemos apenas comparar o número de acidentes ou o número de</p><p>dias perdidos.</p><p>Feedback do trabalho educativo</p><p>Não é discutível que, em todas as situações vivenciadas por nós, o feedback</p><p>(palavra de origem inglesa que significa “retornar uma informação”, “dar resposta a um</p><p>determinado pedido”) é fundamental para o crescimento pessoal e profissional.</p><p>O feedback auxilia na redução das discrepâncias entre a compreensão e o</p><p>desempenho e a intenção ou objetivo de aprendizagem. Este que é desenvolvido por</p><p>meio dos treinamentos e capacitações que são efetivados nos locais de trabalho.</p><p>O retorno da informação tem diversas</p><p>dimensões, entre elas: cognitiva, motivacional e</p><p>afetiva.</p><p>O feedback é consequência do desenvolvimento do palestrante na capacitação. A</p><p>finalidade pedagógica é a de fornecer informações que são relacionadas com o</p><p>processo de aprendizagem, no intuito de aperfeiçoar o desempenho dos funcionários</p><p>numa atividade específica ou o entendimento de assunto determinado.</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 27/32</p><p>Em se tratando da cognição, podemos entender como sendo a informação</p><p>passada por um agente (palestrante, técnico de segurança etc.) sobre o desempenho</p><p>do trabalhador em suas práticas relacionadas com a área de segurança. Mas, pode ser</p><p>traduzido simplesmente pelo oferecimento das informações para aprendizagem nos</p><p>métodos de trabalho.</p><p>A dimensão motivacional tem relação com a percepção do aluno, com a</p><p>sensação e a mobilização para a aprendizagem. Neste caso, temos a importância da</p><p>aproximação do professor (palestrante) com o aluno (funcionário).</p><p>Dificilmente o feedback será recebido com satisfação. Por essa razão, o trabalho</p><p>de construí-lo exige habilidade, criação de um ambiente conveniente, compreensão do</p><p>processo como um todo e relação de confiança.</p><p>De qualquer forma, para o desenvolvimento de todo o trabalho na área de</p><p>segurança e saúde do trabalho, será imprescindível a relação de confiança entre os</p><p>componentes do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do</p><p>Trabalho (SESMT) e os funcionários da empresa.</p><p>Na maioria das situações, o papel de mediação, que é necessário ao técnico de</p><p>segurança do trabalho, quando da apresentação de feedbacks nos ambientes de</p><p>trabalho, acaba por estabelecer uma aproximação entre funcionários e gerentes. Esse</p><p>fato gera situação de confiabilidade, a qual é propícia para a atuação do profissional e</p><p>para o desenvolvimento das etapas de segurança e saúde que são necessárias na (e</p><p>para a) empresa.</p><p>Aproveitamento de treinamento</p><p>Existem duas situações previstas na NR-1 em que pode ocorrer o aproveitamento</p><p>de treinamentos. A primeira delas está relacionada a treinamentos realizados na</p><p>própria organização e que podem ser aproveitados quando o trabalhador muda de</p><p>função. Por exemplo, considere um setor de serralheria (figura 5) onde trabalham</p><p>empregados com as seguintes funções: serralheiro e auxiliar de serralheiro.</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 28/32</p><p>Se um dos auxiliares for promovido a serralheiro, há então uma nova função, que</p><p>requere um treinamento de segurança para tanto. Porém, nesse caso, existem certos</p><p>elementos que podem justificar o aproveitamento do treinamento anterior.</p><p>Segundo a NR-1, o aproveitamento total ou parcial deve considerar estes pontos:</p><p>O conteúdo e a carga horária do novo treinamento (treinamento de</p><p>serralheiro) devem ter sido contemplados no treinamento anterior</p><p>(treinamento de auxiliar de serralheiro).</p><p>O treinamento para auxiliar de serralheiro não pode ter sido realizado há</p><p>mais de dois anos. Quando há uma determinação normativa sobre a</p><p>frequência de treinamento, essa determinação se sobrepõe a tal prazo.</p><p>O responsável pelo treinamento de auxiliar deve validar o</p><p>aproveitamento.</p><p>Figura 5 – Setor de serralheria</p><p>Fonte: .</p><p>Acesso em: 6 nov. 2020.</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 29/32</p><p>No exemplo, como a função inicial era de auxiliar, uma parte de ambos os</p><p>treinamentos provavelmente é igual. Além disso, os agentes de riscos relacionados às</p><p>atividades são os mesmos; eles apenas podem eventualmente mudar de intensidade</p><p>devido às características de cada uma das funções mencionadas.</p><p>A segunda situação de aproveitamento está relacionada a um trabalhador que é</p><p>contratado, por exemplo, para a função de serralheiro, sendo que ele já</p><p>desempenhava essa função em outra empresa. Alguns requisitos devem ser</p><p>cumpridos para que o aproveitamento seja uma opção. Segundo a NR-1, os requisitos</p><p>são:</p><p>Avaliação das atividades desenvolvidas na empresa anterior e das</p><p>atividades que serão desenvolvidas na nova empresa</p><p>Figura 6 – Detalhe de operação em peça metálica</p><p>Fonte: .</p><p>Acesso em: 6 nov. 2020.</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 30/32</p><p>As atividades são predominantes sobre a função, pois, em alguns casos, o</p><p>trabalhador poderá desempenhar a mesma função, mas ter atividades diferentes ou</p><p>exposição a agentes de riscos diferente daquelas da nova empresa.</p><p>Comparação entre os conteúdos e as cargas horárias dos treinamentos</p><p>das duas empresas para a função de serralheiro</p><p>Treinamento para serralheiro (que não pode ter sido realizado há mais de</p><p>dois anos)</p><p>Quando há uma determinação normativa sobre a frequência de treinamento, essa</p><p>determinação se sobrepõe ao prazo de dois anos.</p><p>Evidentemente, a prática de aproveitamento de treinamentos é uma decisão</p><p>da</p><p>empresa, e o técnico em segurança do trabalho tem o papel de auxiliar na análise e de</p><p>apoiar o empregador nessa decisão. O técnico, ao analisar a adequação do</p><p>treinamento, deve verificar, para treinamentos normativos, se a responsabilidade do</p><p>treinamento está relacionada a um profissional legalmente habilitado e, se for o caso,</p><p>contar com a análise do profissional adequado.</p><p>Quando o aproveitamento é possível, em qualquer uma das duas situações o</p><p>treinamento anterior poderá atender total ou parcialmente às novas necessidades. Na</p><p>última condição, um treinamento complementar deverá ser conduzido. Mesmo nos</p><p>casos em que há compatibilidade dos treinamentos, a empresa pode optar por aplicar</p><p>uma avaliação teórica ou prática ao empregado para garantir que ele realmente</p><p>entende os assuntos relacionados às atividades dele no que diz respeito à segurança</p><p>e à saúde. Um exemplo de teste com perguntas abertas poderia ser o seguinte:</p><p>Modelo de teste com perguntas abertas (pdf/modelo-de-teste-com-perguntas-abertas.pdf)</p><p>A mesma sistemática é usada para treinamentos normativos. Por exemplo, um</p><p>eletricista que trabalhe ou que tenha trabalhado em redes de baixa tensão dentro de</p><p>uma empresa, ou seja, no sistema elétrico de consumo, segundo a NR-10, recebeu o</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 31/32</p><p>https://alt-638e5f8fa10ff.blackboard.com/bbcswebdav/pid-11813140-dt-content-rid-322226763_1/institution/Senac%20RS/_cursos_tecnicos/TST/UC11/conteudo_presencialidade/07_processo/pdf/modelo-de-teste-com-perguntas-abertas.pdf</p><p>treinamento básico de 40 horas. Se tal trabalhador iniciar as atividades, na mesma</p><p>empresa ou em outra empresa, em redes de alta tensão ou no sistema elétrico de</p><p>potência, então ele deveria realizar primeiramente o treinamento básico e depois o</p><p>treinamento complementar, totalizando 80 horas.</p><p>Contudo, se uma avaliação do treinamento básico já realizado revelar que o</p><p>trabalhador em questão tem, ao menos em parte, os conhecimentos necessários,</p><p>então o colaborador deverá realizar o treinamento complementar, e, eventualmente,</p><p>alguma adição de conteúdo oriunda da análise de aproveitamento poderá ser</p><p>realizada.</p><p>Todo o processo de avaliação e aproveitamento de treinamento deve ser</p><p>devidamente documentado. O item 1.7 da NR-1 trata dos aspectos relativos ao</p><p>treinamento, incluindo as questões de aproveitamento.</p><p>Considerações finais</p><p>Ao ser realizado um treinamento, é necessário que o feedback para os</p><p>funcionários seja extremamente esclarecedor. Assim, amplia a compreensão da</p><p>necessidade da execução das atividades pertinentes.</p><p>No processo de avaliação, o feedback tem participação fundamental para que as</p><p>tarefas sejam cumpridas e executadas da forma correta. Para isso, é necessário que o</p><p>técnico em segurança do trabalho tenha a habilidade de identificar o nível de</p><p>percepção e entendimento dos conhecimentos compartilhados com os funcionários</p><p>durante a realização de treinamentos e capacitações.</p><p>14/10/2024, 15:25 Versão para impressão</p><p>about:blank 32/32</p>

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