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<p>Vestibulares</p><p>Modernismo - Primeira Fase</p><p>L0169 - (Ufpr)</p><p>“A ambição do grupo [modernista] era grande: educar o</p><p>Brasil, curá-lo do analfabe�smo letrado, e, sobretudo,</p><p>pesquisar uma maneira nova de expressão, compa�vel</p><p>com o tempo do cinema, do telégrafo sem fio, das</p><p>travessias aéreas intercon�nentais”.</p><p>(Boaventura, M. E. A Semana de Arte Moderna e a Crí�ca</p><p>Contemporânea: vanguarda e modernidade nas artes</p><p>brasileiras. Conferência – IEL-Unicamp, 2005, p.5-6.</p><p>Fonte:</p><p>h�p://www.iar.unicamp.br/dap/vanguarda/ar�gos.html).</p><p>Conforme o trecho acima e os conhecimentos sobre a</p><p>Semana de Arte Moderna de 1922 e o modernismo</p><p>brasileiro subsequente, é correto afirmar:</p><p>a) A Semana de 1922 marcou o modernismo inspirado</p><p>em vanguardas europeias, buscando uma nova arte</p><p>com uma iden�dade brasileira experimental,</p><p>miscigenada, antropofágica e cosmopolita. O</p><p>movimento celebrava o progresso da nação,</p><p>simbolizado pelo desenvolvimento da cidade de São</p><p>Paulo.</p><p>b) A Semana foi o grande marco da arte moderna</p><p>brasileira, caracterizando-se pela busca por uma</p><p>imitação do surrealismo e do cubismo, realizada por</p><p>acadêmicos em constante contato com os ar�stas</p><p>europeus.</p><p>c) A Semana de 1922 somou-se ao regionalismo</p><p>nordes�no para mostrar as raízes da cultura brasileira,</p><p>recusando qualquer interferência da arte estrangeira.</p><p>Os modernistas fizeram, com isso, uma forte crí�ca à</p><p>modernização e à alfabe�zação brasileira.</p><p>d) Monteiro Lobato e Mário de Andrade lideraram a</p><p>Semana de 1922, que teve o intuito de aliar as</p><p>produções mais recentes no campo da música,</p><p>literatura e artes plás�cas futuristas com as obras</p><p>tradicionalistas da arte brasileira.</p><p>e) Os modernistas passaram a se organizar, depois da</p><p>Semana de 1922, para efe�var uma arte</p><p>revolucionária nos moldes do realismo sovié�co, pois</p><p>acreditavam na conscien�zação da população para</p><p>uma mudança no poder.</p><p>L0165 - (Ifce)</p><p>Os dois viajantes na Macacolândia</p><p>Monteiro Lobato</p><p>Dois viajantes, transviados no sertão, depois de muito</p><p>andar, alcançam o reino dos macacos.</p><p>Ai deles! Guardas surgem na fronteira, guardas ferozes</p><p>que os prendem, que os amarram e os levam à presença</p><p>de S. Majestade Simão III.</p><p>El-rei examina-os de�damente, com macacal curiosidade,</p><p>e em seguida os interroga:</p><p>– Que tal acham isto por aqui?</p><p>1@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Um dos viajantes, diplomata de profissão, responde sem</p><p>vacilar:</p><p>– Acho que este reino é a oitava maravilha do mundo.</p><p>Sou viajadíssimo, já andei por Seca e Meca, mas, palavra</p><p>de honra! Nunca vi gente mais formosa, corte mais</p><p>brilhante, nem rei de mais nobre porte do que Vossa</p><p>Majestade.</p><p>Simão lambeu-se todo de contentamento e disse para os</p><p>guardas:</p><p>– Soltem-no e deem-lhe um palácio para morar e a mais</p><p>gen�l donzela para esposa. E lavrem incon�nen� o</p><p>decreto de sua nomeação para cavaleiro da mui augusta</p><p>Ordem da Banana de Ouro.</p><p>Assim se fez e, enquanto o faziam, El-rei Simão, risonho</p><p>ainda, dirigiu a palavra ao segundo viajante:</p><p>– E você? Que acha do meu reino?</p><p>Este segundo viajante era um homem neurastênico,</p><p>azedo, amigo da verdade a todo o transe.</p><p>Tão amigo da verdade que replicou sem demora:</p><p>– O que acho? É boa! Acho o que é!…</p><p>– E que é que é? – interpelou Simão, fechando o</p><p>sobrecenho.</p><p>– Não é nada. Uma macacalha… Macaco praqui, macaco</p><p>prali, macaco no trono, macaco no pau…</p><p>– Pau nele – berra furioso o rei, ges�culando como um</p><p>possesso. Pau de rachar nesse miserável caluniador…</p><p>E o viajante neurastênico, arrastado dali por cem</p><p>munhecas, entrou numa roda de lenha que o deixou</p><p>moído por uma semana.</p><p>Sobre o autor do texto acima, é incorreto afirmar-se que</p><p>a) apoiou a Semana de Arte Moderna de 1922.</p><p>b) ficou popularmente conhecido pelo conjunto</p><p>educa�vo de sua obra de livros infan�s.</p><p>c) nasceu em Taubaté, São Paulo.</p><p>d) escreveu Reinações de Narizinho (1931), Caçadas de</p><p>Pedrinho (1933) e O Picapau Amarelo (1939).</p><p>e) deu vida a um de seus mais famosos personagens, o</p><p>Jeca Tatu, que causou grande polêmica porque era</p><p>símbolo do atraso e da miséria que representava o</p><p>campo no Brasil.</p><p>L0164 - (Ifpe)</p><p>MACUNAÍMA</p><p>Uma feita a Sol cobrira os três manos duma escaminha</p><p>de suor e Macunaíma se lembrou de tomar banho.</p><p>Porém no rio era impossível por causa das piranhas tão</p><p>vorazes que de quando em quando na luta pra pegar um</p><p>naco de irmã espedaçada, pulavam aos cachos pra fora</p><p>d'água metro e mais. Então Macunaíma enxergou numa</p><p>lapa bem no meio do rio uma cova cheia d'água. E a cova</p><p>era que-nem a marca dum pé-gigante. Abicaram. O herói</p><p>depois de muitos gritos por causa do frio da água entrou</p><p>na cova e se lavou inteirinho. Mas a água era encantada</p><p>porque aquele buraco na lapa era marca do pezão do</p><p>Sumé, do tempo em que andava pregando o evangelho</p><p>de Jesus pra indiada brasileira. Quando o herói saiu do</p><p>banho estava branco louro e de olhos azuizinhos, a água</p><p>lavara o pretume dele. E ninguém não seria capaz mais</p><p>de indicar nele um filho da tribo re�nta dos Tapanhumas.</p><p>Nem bem Jiguê percebeu o milagre, se a�rou na marca</p><p>do pezão do Sumé. Porém a água já estava muito suja da</p><p>negrura do herói e por mais que Jiguê esfregasse feito</p><p>maluco a�rando água pra todos os lados só conseguiu</p><p>ficar da cor do bronze novo. Macunaíma teve dó e</p><p>consolou:</p><p>— Olhe, mano Jiguê, branco você ficou não, porém</p><p>pretume foi-se e antes fanhoso que sem nariz.</p><p>Maanape então é que foi se lavar, mas Jiguê esborrifara</p><p>toda a água encantada pra fora da cova. Tinha só um</p><p>bocado lá no fundo e Maanape conseguiu molhar só a</p><p>palma dos pés e das mãos. Por isso ficou negro bem filho</p><p>da tribo dos Tapanhumas.</p><p>ANDRADE, Mário de. Macunaíma. 22. ed. Belo Horizonte:</p><p>Ita�aia, 1986.</p><p>Macunaíma é uma obra da primeira geração modernista,</p><p>cujo autor, Mário de Andrade, foi um dos mentores da</p><p>Semana de Arte Moderna, de 1922. A respeito da</p><p>primeira fase do Modernismo, podemos afirmar que</p><p>a) seus romances valorizaram a cultura brasileira através</p><p>de forte regionalismo, com influência da psicanálise de</p><p>Freud.</p><p>b) buscou uma maior aproximação com a realidade ao</p><p>descrever os costumes, as relações sociais e a crise das</p><p>ins�tuições.</p><p>c) propôs uma esté�ca poé�ca transgressora, que tentou</p><p>romper com o tradicional, buscando a liberdade</p><p>formal e a valorização do co�diano.</p><p>d) apresentou influência do Parnasianismo e do</p><p>Simbolismo, forte academicismo e passadismo.</p><p>e) cultuou o obje�vismo e a linguagem culta e direta.</p><p>L0333 - (Unicamp)</p><p>Que dizer das personagens? Creio que têm a força e ao</p><p>mesmo tempo a fraqueza da caricatura. Mas, pensando</p><p>melhor, não poderemos também alegar em defesa do</p><p>romancista que a caricatura é uma tendência</p><p>reconhecida e aceita da arte moderna, principalmente da</p><p>pintura? Não haverá muito de deformação na obra de</p><p>grandes pintores como Por�nari, Di Cavalcante e Segall –</p><p>todos eles inconformados com a sociedade em que</p><p>vivem?</p><p>(Adaptado de Erico Verissimo, Prefácio, em Caminhos</p><p>Cruzados. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 20-</p><p>2@professorferretto @prof_ferretto</p><p>21.)</p><p>A ideia de deformação aplica-se ao quadro de Tarsila e ao</p><p>romance Caminhos cruzados, de Érico Veríssimo, porque</p><p>tal procedimento ar�s�co acentua</p><p>a) a crí�ca do modernismo à violência da escravidão e às</p><p>desigualdades sociais, presentes no quadro e nas</p><p>personagens do romance, respec�vamente.</p><p>b) o imaginário da burguesia nacional, pois tanto as</p><p>protagonistas do romance quanto a imagem da</p><p>mulher negra retratam os traços caracterís�cos das</p><p>reformas sociais do Estado Novo.</p><p>c) os princípios esté�cos do movimento modernista, pois</p><p>as duas expressões ar�s�cas apresentam-se como</p><p>reflexo dos valores da elite cafeeira paulista.</p><p>d) a moral implícita da modernidade, pois o narrador do</p><p>livro e a representação do corpo negro cri�cam o</p><p>comportamento social das personagens femininas no</p><p>século XX.</p><p>L0167 - (Ifpe)</p><p>Texto 1</p><p>ENTENDA O MOVIMENTO LITERÁRIO QUE DEU ORIGEM</p><p>A "MACUNAÍMA"</p><p>"Macunaíma" é uma obra que atravessa tempos e</p><p>lugares, raças e linguagens, cruzando as fronteiras entre o</p><p>culto e o popular. O livro faz uma síntese do povo</p><p>brasileiro que se mantém atual mesmo</p><p>80 anos depois de</p><p>seu lançamento. De acordo com Noemi Jaffe, autora do</p><p>�tulo "Folha Explica - Macunaíma", da Publifolha, o</p><p>caráter atual da obra se mantém por tratar de temas que</p><p>ainda fazem parte do Brasil. "O nosso país ainda</p><p>apresenta os mesmos problemas retratados em</p><p>"Macunaíma": é economicamente dependente, desigual</p><p>e apresenta dificuldades de reconhecimento da</p><p>iden�dade".</p><p>A obra "Macunaíma", de Mário de Andrade, foi escrita</p><p>em 1927 e publicada em 1928. O livro pertence ao</p><p>Modernismo, movimento literário que teve seu ápice em</p><p>1922, com a semana de Arte Moderna, que teve Mário</p><p>de Andrade como um de seus mentores. "Seis anos</p><p>depois, em 1928, ano em que “Macunaíma” foi lançado,</p><p>o Modernismo já era um movimento literário mais</p><p>consolidado; com nome, número, iden�dade e</p><p>ideologia", afirma Noemi Jaffe.</p><p>Em 1928, de acordo com Oscar Pilagallo, autor da série</p><p>"Folha Explica - História" e outros livros da Publifolha, "o</p><p>modernismo entrava em outra fase, marcado pelo</p><p>Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, publicado</p><p>em maio daquele ano, e pelo lançamento de</p><p>“Macunaíma”, de Mário de Andrade. Foram duas</p><p>vertentes importantes, ambas marcadas pelo</p><p>nacionalismo. O folclorismo de Mário e a irreverência de</p><p>Oswald".</p><p>Disponível em: h�p://www1.folha.uol.com.br .</p><p>(Publicado em 2008).</p><p>Acesso em: 25ago.2013.</p><p>Texto 2</p><p>3@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Texto 3</p><p>Os comentários que seguem têm por base os textos 1,</p><p>2 e 3. Avalie-os.</p><p>I. Segundo retrata o texto 1, Oswald de Andrade propôs,</p><p>em 1928, o Manifesto Antropófago. O texto 2 cons�tui,</p><p>na pintura, um exemplar dessa proposta.</p><p>II. O texto 2 é um dos principais quadros da Primeira Fase</p><p>Modernista e traz uma intertextualidade explícita com</p><p>duas outras telas: “A Negra” e “Abaporu”, também de</p><p>Tarsila do Amaral.</p><p>III. O autor do texto 3 faz uma crí�ca mordaz à jus�ça</p><p>brasileira, ao chamá-la de “Macunaíma”, personagem</p><p>cuja denominação dada por Andrade é “um herói sem</p><p>nenhum caráter’.</p><p>IV. É irônica a caracterização �sica da ‘Jus�ça</p><p>Macunaíma’, uma vez que o personagem criado por</p><p>Mário de Andrade é um indígena que, ao longo da obra,</p><p>torna-se loiro. Não há alusão ao negro.</p><p>V. A frase “Ai, que preguiça!” é uma referência a</p><p>Macunaíma e é retomada na charge com o obje�vo de</p><p>retratar a iden�dade do povo brasileiro atual, como</p><p>sugere o primeiro parágrafo do texto 1.</p><p>Estão corretos, apenas:</p><p>a) I, II e III</p><p>b) I e III</p><p>c) II, IV e V</p><p>d) II e V</p><p>e) III e IV</p><p>L0340 - (Unicamp)</p><p>TEXTO 1</p><p>an�poema</p><p>é preciso rasurar o cânone</p><p>distorcer as regras</p><p>as rimas</p><p>as métricas</p><p>o padrão</p><p>a norma que prende a língua</p><p>os milionários que se beneficiam do nosso silêncio</p><p>do medo de se dizer poeta,</p><p>só assim será livre a palavra.</p><p>(Ma Njanu é idealizadora do “Clube de Leitoras” na</p><p>periferia de Fortaleza e da “Pretarau, Sarau das Pretas”,</p><p>cole�vo de ar�stas negras. Disponível em</p><p>h�p://recantodasletras.com.br/poesias/6903974.</p><p>Acessado em 20/05/2020.)</p><p>TEXTO 2</p><p>“O povo não é estúpido quando diz ‘vou na escola’, ‘me</p><p>deixe’, ‘carneirada’, ‘mapear’, ‘farra’, ‘vagão’, ‘futebol’. É</p><p>antes inteligen�ssimo nessa aparente ignorância porque,</p><p>sofrendo as influências da terra, do clima, das ligações e</p><p>contatos com outras raças, das necessidades do</p><p>momento e de adaptação, e da pronúncia, do caráter, da</p><p>psicologia racial, modifica aos poucos uma língua que já</p><p>não lhe serve de expressão porque não expressa ou sofre</p><p>essas influências e a transformará afinal numa outra</p><p>língua que se adapta a essas influências.”</p><p>(Carta de Mário a Drummond, 18 de fevereiro de 1925,</p><p>em Lélia Coelho Frota, Carlos e Mário: correspondência</p><p>completa entre Carlos Drummond de Andrade e Mário</p><p>de Andrade. Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2002, p. 101.)</p><p>Apesar de passados quase 100 anos, a carta de Mário de</p><p>Andrade ecoa no poema de Ma Njanu. Ambos os textos</p><p>manifestam</p><p>a) a ignorância ra�ficada do povo em sua luta para se</p><p>expressar.</p><p>b) a necessidade de diversificar a língua segundo outros</p><p>costumes.</p><p>c) a inteligência do povo e dos poetas livres de</p><p>influências.</p><p>d) a ingenuidade em se crer na possibilidade de escapar</p><p>às regras.</p><p>L0163 - (Ifpe)</p><p>CERTAS PALAVRAS</p><p>Certas palavras não podem ser ditas</p><p>em qualquer lugar e hora qualquer.</p><p>Estritamente reservadas</p><p>4@professorferretto @prof_ferretto</p><p>para companheiros de confiança,</p><p>devem ser sacralmente pronunciadas</p><p>em tom muito especial</p><p>lá onde a polícia dos adultos</p><p>não adivinha nem alcança.</p><p>Entretanto são palavras simples:</p><p>definem</p><p>partes do corpo, movimentos, atos</p><p>do viver que só os grandes se permitem</p><p>e a nós é defendido por sentença</p><p>dos séculos.</p><p>E tudo é proibido. Então, falamos.</p><p>ANDRADE, Carlos Drummond de. Certas palavras.</p><p>In: A palavra Mágica – POESIA. 10ª ed. Rio de Janeiro:</p><p>Record, 2003, p. 32.</p><p>DIÁLOGO FINAL</p><p>- É tudo que tem a me dizer? - perguntou ele.</p><p>- É - respondeu ela.</p><p>- Você disse tão pouco.</p><p>- Disse o que �nha para dizer.</p><p>- Sempre se pode dizer mais alguma coisa.</p><p>- Que coisa?</p><p>- Sei lá. Alguma coisa.</p><p>- Você queria que eu repe�sse?</p><p>- Não. Queria outra coisa.</p><p>- Que coisa é outra coisa?</p><p>- Não sei. Você que devia saber.</p><p>(...)</p><p>ANDRADE, Carlos Drummond de. Diálogo Final (trecho).</p><p>In: Histórias para o Rei – CONTO. 4ª ed. Rio de Janeiro:</p><p>Record, 1999, p. 42-43.</p><p>O Modernismo brasileiro foi um movimento cultural,</p><p>ar�s�co e literário que teve seu início marcado pela</p><p>Semana de Arte Moderna, em 1922, e que buscou</p><p>examinar e desconstruir os sistemas esté�cos da arte</p><p>tradicional.</p><p>Com base na leitura dos textos acima e nos seus</p><p>conhecimentos acerca das caracterís�cas das obras</p><p>modernas, assinale a alterna�va CORRETA.</p><p>a) Por fazer parte da segunda geração de modernistas,</p><p>Drummond usufrui de uma liberdade ainda maior do</p><p>que a imaginada pelos par�cipantes da Semana, o que</p><p>o permite experimentar grande variedade temá�ca e</p><p>es�lís�ca, conforme vemos nos textos apresentados.</p><p>b) Embora seja modernista, o poema “Certas palavras”</p><p>faz clara oposição aos ideais defendidos por esse</p><p>movimento, em que a vontade de quebrar os</p><p>paradigmas da literatura tradicional não permi�am a</p><p>sobrevivência do eu lírico.</p><p>c) A estrutura do conto “Diálogo final”, prosaica e com</p><p>linguagem acessível, só foi possível a par�r da terceira</p><p>geração do Modernismo brasileiro, quando os</p><p>escritores conquistaram certa autonomia literária e</p><p>construíram a iden�dade da literatura nacional.</p><p>d) O poema “Certas palavras”, embora pareça um</p><p>poema, está escrito em prosa, uma vez que o uso de</p><p>sinais de pontuação é próprio de textos prosaicos. Em</p><p>poemas, a organização dos versos e das estrofes</p><p>dispensa o uso de sinais diacrí�cos, como a vírgula e</p><p>os dois-pontos, por exemplo.</p><p>e) Os textos, por romperem com ideais esté�cos da</p><p>literatura tradicional, foram escritos em uma</p><p>variedade mais formal da Língua Portuguesa, não</p><p>havendo, em sua composição, trechos em desacordo</p><p>com a norma culta.</p><p>L0168 - (Ibmecrj)</p><p>A Semana de Arte Moderna foi um movimento definidor</p><p>da concepção contemporânea de “cultura brasileira”,</p><p>quando foram propostas pela primeira vez muitas das</p><p>ideias ainda correntes sobre a relação do país com a</p><p>tradição nacional e as influências estrangeiras. Neste ano</p><p>de 2012, esse movimento completa 90 anos. Da Semana</p><p>par�ciparam jovens ar�stas como os escritores Oswald</p><p>de Andrade, Anita Malfa�, Mario de Andrade e Manuel</p><p>Bandeira, esses dois úl�mos autores dos poemas abaixo.</p><p>Texto I</p><p>VOU ME EMBORA</p><p>Mario de Andrade</p><p>(Fragmento)</p><p>Vou-me embora, vou-me embora</p><p>Vou-me embora pra Belém</p><p>Vou colher cravos e rosas</p><p>Volto a semana que vem</p><p>(...)</p><p>Vou-me embora paz na terra</p><p>Paz na terra repar�da</p><p>Uns têm terra, muita terra</p><p>Outros nem pra uma dormida</p><p>Não tenho onde cair morto</p><p>5@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Fiz gorar a inteligência</p><p>Vou reentrar no meu povo</p><p>Reprincipiar minha ciência</p><p>(...)</p><p>Texto II</p><p>VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA</p><p>Manuel Bandeira</p><p>(Fragmento)</p><p>Vou-me embora pra Pasárgada</p><p>Lá sou amigo do rei</p><p>Lá tenho a mulher que eu quero</p><p>Na cama que escolherei</p><p>Vou-me embora pra Pasárgada</p><p>Vou-me embora pra Pasárgada</p><p>Aqui não sou feliz</p><p>(...)</p><p>Expressões e palavras assumem diferentes significados</p><p>dependendo do contexto em que estão sendo u�lizadas.</p><p>A expressão “Vou-me embora” assume, nos textos I e</p><p>II,os seguintes sen�dos de busca, respec�vamente:</p><p>a) da independência financeira e da liberdade</p><p>condicional</p><p>b) da expressão nacionalista e do paraíso perdido</p><p>c) do conhecimento da pátria e da independência</p><p>financeira</p><p>d) do conhecimento do povo e da liberdade de expressão</p><p>linguís�ca</p><p>e) da felicidade e do conhecimento da cultura popular</p><p>L0166 - (Mackenzie)</p><p>A par�r dos três autores selecionados, considere as</p><p>seguintes afirmações:</p><p>I. Manuel Bandeira foi poeta determinante na idealização</p><p>e na organização da Semana de Arte Moderna de 1922.</p><p>II. Augusto dos Anjos, em função de sua perfeição</p><p>métrica e rítmica, é considerado um dos expoentes da</p><p>tríade parnasiana.</p><p>III. Machado de Assis abandonou a prosa român�ca para</p><p>desenvolver as digressões textuais, caracterís�ca</p><p>fundadora da prosa realista.</p><p>Assinale a alterna�va correta.</p><p>a) Estão corretas as afirmações I e II.</p><p>b) Estão corretas as afirmações II e III.</p><p>c) Estão corretas as afirmações I e III.</p><p>d) Todas as afirmações estão corretas.</p><p>e) Nenhuma das afirmações está correta.</p><p>L0448 - (Unesp)</p><p>Leia alguns trechos do “Prefácio Interessan�ssimo”</p><p>de Pauliceia Desvairada, de Mário de Andrade, obra</p><p>considerada marco do Modernismo brasileiro e publicada</p><p>originalmente em julho de 1922.</p><p>Leitor:</p><p>Está fundado o Desvairismo.</p><p>Este prefácio, apesar de interessante, inú�l.</p><p>Quando sinto a impulsão lírica escrevo sem pensar</p><p>tudo o que meu inconsciente me grita. Penso depois: não</p><p>só para corrigir, como para jus�ficar o que escrevi. Daí a</p><p>razão deste Prefácio Interessan�ssimo.</p><p>E desculpe-me por estar tão atrasado dos</p><p>movimentos ar�s�cos atuais. Sou passadista, confesso.</p><p>Ninguém pode se libertar duma só vez das teorias-avós</p><p>que bebeu; e o autor deste livro seria hipócrita se</p><p>pretendesse representar orientação moderna que ainda</p><p>não compreende bem.</p><p>Não sou futurista (de Marine�). Disse e repito-o.</p><p>Tenho pontos de contato com o futurismo. Oswald de</p><p>Andrade, chamando-me de futurista, errou. A culpa é</p><p>minha. Sabia da existência do ar�go e deixei que saísse.</p><p>Tal foi o escândalo, que desejei a morte do mundo. Era</p><p>vaidoso. Quis sair da obscuridade. Hoje tenho orgulho.</p><p>Não me pesaria reentrar na obscuridade. Pensei que se</p><p>discu�riam minhas ideias (que nem são minhas):</p><p>discu�ram minhas intenções.</p><p>Um pouco de teoria?</p><p>Acredito que o lirismo, nascido no subconsciente,</p><p>acrisolado num pensamento claro ou confuso, cria frases</p><p>que são versos inteiros, sem prejuízo de medir tantas</p><p>sílabas, com acentuação determinada.</p><p>(Mário de Andrade. Poesias completas, 2013.)</p><p>Ao enfa�zar o papel do inconsciente na a�vidade cria�va,</p><p>o “Prefácio Interessan�ssimo” expõe uma poé�ca que</p><p>revela afinidades com a esté�ca</p><p>a) cubista.</p><p>b) futurista.</p><p>c) impressionista.</p><p>d) expressionista.</p><p>e) surrealista.</p><p>L0449 - (Unesp)</p><p>6@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Mário de Andrade recorre à metalinguagem no</p><p>seguinte trecho:</p><p>a) “Está fundado o Desvairismo.”</p><p>b) “Não me pesaria reentrar na obscuridade.”</p><p>c) “Este prefácio, apesar de interessante, inú�l.”</p><p>d) “Sabia da existência do ar�go e deixei que saísse.”</p><p>e) “Quis sair da obscuridade.”</p><p>L0491 - (Unesp)</p><p>Indo às consequências finais da posição de José de</p><p>Alencar no Roman�smo, esse autor adotou como base da</p><p>sua obra o esforço de escrever numa língua inspirada</p><p>pela fala corrente e os modismos populares, não</p><p>hesitando em usar formas consideradas incorretas, desde</p><p>que legi�madas pelo uso brasileiro. Com isso, foi o maior</p><p>demolidor da “pureza vernácula” e do “culto da forma”.</p><p>(Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira, 2010.</p><p>Adaptado.)</p><p>O texto refere-se a</p><p>a) Olavo Bilac.</p><p>b) Machado de Assis.</p><p>c) Mário de Andrade.</p><p>d) Aluísio Azevedo.</p><p>e) Euclides da Cunha.</p><p>L0523 - (Unesp)</p><p>O quadro não se presta a uma leitura convencional, no</p><p>sen�do de esmiuçar os detalhes da composição em busca</p><p>de nuances visuais. Na tela, há apenas formas brutas,</p><p>essenciais, as quais remetem ao estado natural,</p><p>primi�vo. Os contornos inchados das plantas, os pés</p><p>agigantados das figuras, o seio que atende ao inexorável</p><p>apelo da gravidade: tudo é raiz. O embasamento que</p><p>vem do fundo, do passado, daquilo que vegeta no</p><p>substrato do ser. As cabecinhas, sem faces, servem</p><p>apenas de contraponto. Estes não são seres pensantes,</p><p>produtos da cultura e do refinamento. Tampouco são</p><p>construídos; antes nascem, brotam como plantas,</p><p>sorvendo a energia vital do sol de limão. À palheta</p><p>nacionalista de verde planta, amarelo sol e azul e branco</p><p>céu, a pintora acrescenta o ocre avermelhado de uma</p><p>pele que mais parece argila. A mensagem é clara: essa é</p><p>nossa essência brasileira – sol, terra, vegetação. É isto</p><p>que somos, em cores vivas e sem a intervenção erudita</p><p>das fórmulas pictóricas tradicionais.</p><p>(Rafael Cardoso. A arte brasileira em 25 quadros, 2008.</p><p>Adaptado.)</p><p>Tal comentário aplica-se à seguinte obra de Tarsila do</p><p>Amaral (1886-1973):</p><p>a)</p><p>b)</p><p>c)</p><p>d)</p><p>e)</p><p>7@professorferretto @prof_ferretto</p>