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<p>Conteudista: Prof.ª Me. Maria Cristina Natel</p><p>Revisão Textual: Prof.a Dra. Selma Aparecida Cesarin</p><p>Objetivos da Unidade:</p><p>Conhecer as fases do desenvolvimento humano;</p><p>Compreender a função do Sistema Nervoso;</p><p>Distinguir, nos processos evolutivos, as características típicas das características atípicas</p><p>do desenvolvimento.</p><p>📄 Contextualização</p><p>📄 Material Teórico</p><p>📄 Material Complementar</p><p>📄 Referências</p><p>O Cérebro e o Sistema Nervoso Central</p><p>Ao observar o desenvolvimento de uma criança, é notória a rapidez de transformações na primeira infância:</p><p>para além do peso e da altura, que vão uma escala crescente, dando visibilidade ao desenvolvimento físico,</p><p>há também, entre outros, o desenvolvimento da linguagem e da motricidade.</p><p>E como se dão essas transformações? Quem é responsável por esse desenvolvimento?</p><p>Se você respondeu: o Sistema Nervoso, acertou o alvo!</p><p>O Sistema Nervoso recebe e processa a informação. É formado pelo encéfalo, que é constituído pelo</p><p>cérebro, cerebelo e tronco encefálico – e pela medula espinhal.</p><p>O cérebro “mesmo pesando em média 1,2kg a 1,5 kg. é a mais complexa massa de matéria conhecida no</p><p>universo (UEBEL, 2022, p. 14) que, segundo Tieppo (2019, p. 40) nos permite “[...] aprender, planejar, avaliar</p><p>nos comunicar, fazer arte, construir aparatos tecnológicos (...) Tudo, graças à nossa complexa e eficiente</p><p>rede neural”.</p><p>1 / 4</p><p>📄 Contextualização</p><p>Saiba Mais</p><p>Em analogia ao sistema digestório, Macedo concebe, “[...] o cérebro como órgão físico</p><p>correspondente a uma digestão das informações, do conhecimento e das sensações”, que</p><p>cumpre um circuito neural a fim de dar uma resposta ao ambiente, a partir detecção de</p><p>estímulos externos e internos (MACEDO, 2016, p. 24).</p><p>Introdução</p><p>O que o cérebro é, sua função e como ocorrem as conexões neuronais é conhecimento fundamental para</p><p>compreender a aprendizagem humana.</p><p>Ainda que o estudo da Neurofisiologia, da Neuroquímica, da Neuroanatomia seja obrigatório e fundamental</p><p>para um bom entendimento e exercício da atividade médica, você verá neste texto, de forma concisa, os</p><p>princípios básicos dessas Disciplinas, para entender mais e melhor essa rede de mais de 100 bilhões de</p><p>neurônios interconectados.</p><p>Relvas (2022, p. 34) sinaliza que:</p><p>2 / 4</p><p>📄 Material Teórico</p><p>- SIEGEL, 2015</p><p>“O cérebro determina quem somos e o que fazemos.”</p><p>Fundamental, portanto, saber/conhecer o Sistema Nervoso Central e sua relação com a aprendizagem.</p><p>O Sistema Nervoso no Desenvolvimento Embrionário e Fetal</p><p>A partir de imagens por ultrassom e do registro de sinais magnéticos do cérebro fetal captados</p><p>externamente tem-se, ainda que escasso, conhecimento sobre o funcionamento do Sistema Nervoso</p><p>durante o desenvolvimento embrionário e fetal, como apresentado sumariamente no quadro a seguir.</p><p>Quadro 1 – Algumas das Transformações Embrionárias para Organizar o Sistema Nervoso Central</p><p>Durante a 3ª</p><p>semana de</p><p>gestação</p><p>Formação do tubo neural.</p><p>Por volta da 6ª</p><p>semana</p><p>Primeiros sinais de atividade bioelétrica produzida</p><p>pelos jovens neurônios.</p><p>Durante a 8ª e a 9ª</p><p>semana</p><p>Intensa proliferação e ativa migração das células;</p><p>“Os estudos da biologia cerebral vêm contribuindo para a práxis em sala de aula, na</p><p>compreensão das dimensões cognitivas, motoras, afetivas e sociais, no</p><p>redimensionamento do sujeito aprendente e suas formas de interferir nos ambientes pelos</p><p>quais perpassam.”</p><p>O córtex cerebral ainda é liso, sem as circunvoluções</p><p>características do cérebro maduro;</p><p>Os dois hemisférios cerebrais permanecem separados.</p><p>12ª semana Corpo caloso começa a se formar.</p><p>16ª semana</p><p>Surgem os primeiros sulcos corticais e,</p><p>sequencialmente, as primeiras sinapses, indicando a</p><p>formação dos circuitos neurais.</p><p>28ª semana</p><p>A formação de sinapses é maior;</p><p>Funcionamento do sistema auditivo.</p><p>32ª semana</p><p>Feto adquire a capacidade de controlar</p><p>autonomamente a sua respiração e a temperatura</p><p>corporal;</p><p>Bebês prematuros têm grande probabilidade de</p><p>sobrevivência fora do útero.</p><p>Fonte: Adaptado de LENT, 2010</p><p>O encéfalo humano é uma rede de bilhões de neurônios interconectados em sistemas que constroem e</p><p>organizam nossa percepção sobre o mundo externo, nossa atenção, e controlam nossas ações.</p><p>As nossas ações são uma resposta ao ambiente a partir da detecção de estímulos externos e internos que,</p><p>decodificados, provocam respostas quase instantâneas graças ao sistema nervoso, que se organiza em</p><p>circuitos automatizados justamente para produzir respostas muito rápidas, respostas-padrão para que não</p><p>se tenha de pensar em tudo para responder ou agir, para que não tenha de depositar a atenção e a</p><p>consciência em tudo que vai fazer, o que levaria bem mais tempo e exigiria mais esforço mental (TIEPPO,</p><p>2019, p. 214).</p><p>Como o cérebro se desenvolve, seu intrincado modo de funcionamento, suas particularidades é o objetivo da</p><p>Neurofisiologia, que investiga os Sistemas Nervoso Central e Periférico no nível de órgãos inteiros, redes</p><p>celulares, células isoladas ou até mesmo compartimentos subcelulares e tem como foco, também, os</p><p>mecanismos que geram e propagam os impulsos elétricos dentro e entre os neurônios.</p><p>Os neurofisiologistas analisam as maneiras como as atividades do cérebro afetam o Sistema Nervoso.</p><p>Como ocorre uma instabilidade ou desequilíbrio dos neurotransmissores no cérebro – endorfina, serotonina,</p><p>dopamina e ocitocina, que estão relacionados ao bem-estar mental, à alegria e ao otimismo, entre outros, é</p><p>o estudo da Neuroquímica.</p><p>Os neurotransmissores são responsáveis pela comunicação Neuroquímica entre os neurônios, ou entre</p><p>neurônios e músculos ou, ainda, entre neurônios e glândulas.</p><p>Como funciona a estrutura do Sistema Nervoso em suas generalidades e particularidades, a</p><p>diferenciação entre o normal e patológico, entre outros objetivos, é o estudo da Neuroanatomia, que está</p><p>presente como Disciplina em vários âmbitos, como um ramo que estuda a organização anatômica do</p><p>Sistema Nervoso.</p><p>Segundo Ventura et al. (2010) apud Foureaux (2015), o objetivo da disciplina Neuroanatomia Humana é</p><p>compreender o funcionamento do Sistema Nervoso e suas relações com o funcionamento do organismo,</p><p>incluindo a manutenção da homeostase, funções motoras e sensoriais, bem como funções cognitivas e</p><p>afetivas.</p><p>Figura 1 – Cérebro Humano</p><p>Fonte: Adaptada de Freepik</p><p>#ParaTodosVerem: ilustração de uma seção transversal do cérebro humano, mostrando os</p><p>vários lobos, sendo o lobo frontal, o lobo parietal, lobo occipital, o lobo temporal e o lobo</p><p>límbico. Também são mostrados os vários ventrículos, o tronco cerebral, o tálamo e o</p><p>hipotálamo, o cerebelo, a glândula pituitária e o corpo caloso. Fim da descrição.</p><p>Sistema Nervoso</p><p>O cérebro não funciona de forma isolada, vez que há inúmeras vias de associação recíproca entre as</p><p>diversas áreas corticais que, de modo organizado e coordenado, “traçam a rota da informação” – a chegada</p><p>do estímulo – a decodificação e a associação desse estímulo e a saída/resposta a esse estímulo.</p><p>O processamento da informação favorece o desenvolvimento da capacidade de discriminação de diferentes</p><p>estímulos, gera o desenvolvimento do córtex cerebral, dividido em lobos, cada qual com sua função, a saber:</p><p>Anteriormente, mencionamos a associação recíproca entre as diversas áreas corticais – primárias,</p><p>secundárias e terciária – sendo as secundárias vizinhas da área primária e onde as informações são</p><p>processadas em um nível mais elaborado. O processamento das áreas terciárias relaciona-se à capacidade</p><p>de unir informações de fontes e modalidades distintas, isto é, informações visuais, auditivas e somestesica</p><p>são consideradas simultaneamente.</p><p>No Sistema Nervoso, os neurônios são reunidos em conjuntos com identidade funcional, enorme</p><p>conectividade e interação entre elas (LENT, 2010).</p><p>Também é de Lent a constatação de que “sendo unidades funcionais de informação, os neurônios operam</p><p>em grandes conjuntos que, associados, formam os chamados circuitos ou redes neurais” (LENT, 2010,</p><p>p.15) e se refere à visão para exemplificar as redes neurais:</p><p>que se constitui autor, quando</p><p>mostra ao outro e a si mesmo o que sabe, articulando com o que ainda não sabe – o novo conteúdo,</p><p>transformando-o e se apropriando do objeto de conhecimento (FERNÁNDEZ, 1990).</p><p>Assim, Fernández (2001, p. 55) define o sujeito próprio da Psicopedagogia – o ensinante-aprendente, o</p><p>sujeito da autoria de pensamento, sendo “os posicionamentos ensinantes e aprendentes, e a intersecção</p><p>problemática (nunca harmônica), mas necessário, entre o conhecer e o saber, o objeto da Psicopedagogia”.</p><p>As posições/posicionamentos ensinantes e aprendentes se estendem também aos vínculos de filhos em</p><p>relação aos pais, os pais em relação aos filhos etc.</p><p>A variável simbólica é pessoal. Permite diferenciar-nos, expressa nossos erros, nossos medos,</p><p>nossas lembranças e nos permite “fazer de nosso transcorrer um drama original”</p><p>(FERNÁNDEZ, 1990).</p><p>Neurociências</p><p>Saiba Mais</p><p>Os termos ensinante e aprendente não são equivalentes a aluno e professor. Estes últimos</p><p>fazem referência a lugares objetivos em um dispositivo pedagógico, enquanto aqueles</p><p>indicam um modo subjetivo de situar-se (FERNÁNDEZ, 2001, p. 53).</p><p>- BARTHOSZECK, 2006, UEBEL, 2022)</p><p>“Os circuitos neuronais existentes no cérebro e medula espinhal programam todos nossos</p><p>movimentos, desde colocar fio no buraco da agulha até chutar uma bola na partida de</p><p>futebol.”</p><p>Ao comparar o cérebro de alguns animais, rato e gato, ao cérebro humano, encontram-se estruturas</p><p>semelhantes no tronco-encefálico, no sistema límbico e significativa diferença nas estruturas corticais, vez</p><p>que o córtex cerebral humano “não só é maior como muitas vezes mais dobrado sobre si mesmo e tem um</p><p>número bem maior de neurônios disponíveis para formarem os chamados circuitos corticais” (TIEPPO, 2019,</p><p>p. 186), responsáveis pelas funções cognitivas mais complexas.</p><p>O que nos diferencia, seres humanos, da imensidão de espécies que existem no mundo, é que somente nós</p><p>conseguimos desenvolver a linguagem, o pensamento formal e outros atributos cognitivos. É o cérebro que</p><p>tem sua arquitetura básica construída desde antes do nascimento e se mantém até a idade adulta, sendo</p><p>que “as primeiras experiências afetam a qualidade desta arquitetura estabelecendo uma base sólida ou</p><p>frágil para todos os eventos de aprendizado, saúde e comportamento” (UEBEL, 2022, p. 13).</p><p>A compreensão sobre o cérebro humano foi atualizada: avançamos de uma concepção teórica que o tinha</p><p>como órgão estático e imutável para outra em que sabemos, como afirma Uebel (2020, p.19), que o cérebro</p><p>“se adapta a mudanças, reorganizando os neurônios e as conexões sinápticas a partir dos aprendizados e</p><p>das experiências vivenciadas” sendo que há períodos mais propícios para o desenvolvimento de habilidades</p><p>cognitivas e emocionais.</p><p>Um período considerado propício, em que há janelas ótimas de desenvolvimento, situa-se entre 0 e 6 anos,</p><p>quando o cérebro é extremamente moldável e responde às exigências ambientais: as sinapses são</p><p>construídas, fortalecidas, enfraquecidas e eliminadas conforme a demanda (UEBEL, 2022).</p><p>- BARTHOSZECK, 2006, UEBEL, 2022)</p><p>“Quanto mais praticamos hábitos novos e aprimoramos habilidades, melhor nossa</p><p>performance se torna.”</p><p>O cérebro é moldável, adapta-se e se modifica para atender às exigências do ambiente, graças à sua</p><p>característica, a plasticidade cerebral que, segundo Guyer et al. (2018) apud Lopes et al. (2020) indica que:</p><p>Sabe-se, hoje, devido à tecnologia de exames de imagem, por exemplo, o que acontece no cérebro durante a</p><p>infância e a adolescência, bem como que a atividade cerebral nos primeiros anos de vida é intensa. Na</p><p>adolescência, a região pré-frontal, responsável pela memória e aprendizado, tem uma segunda onda de</p><p>superprodução de células provocando um espessamento da camada cortical impactando o volume do</p><p>cérebro e, aos 6 anos, o cérebro já apresenta 95% do tamanho do órgão de um adulto (UEBEL, 2020).</p><p>Brandão e Caliatto (2019, p. 523) sinalizam que:</p><p>“O sistema nervoso pode ser modificado a partir da exposição a estímulos do meio interno</p><p>ou externo, apesar de influências genéticas. Isto significa que as habilidades cognitivas</p><p>podem ser desenvolvidas e/ou aprimoradas ao longo da vida. Assim, existe uma</p><p>predisposição biológica que é modificada pela experiência, uma vez que o cérebro é capaz</p><p>de se adaptar ao ambiente.”</p><p>A otimização da capacidade do cérebro para aprender é objeto de estudo da Neurociências que, ao</p><p>estabelecer a relação entre a qualidade da experiência e as conexões cerebrais, sinaliza para a necessidade</p><p>de se prestar atenção às funções e às habilidades estimuladas, vez que, quanto mais uma área cerebral for</p><p>usada, mais especializadas serão suas conexões.</p><p>Ainda segundo Brandão e Caliatto (2019):</p><p>Sobre as soluções mencionadas acima (REYNOLDS, 2000; SMILKSTEIN, 2003, apud BARTHOSZECK, 2006,</p><p>p. 3) esclarece que:</p><p>“Os conhecimentos oferecidos pelas neuroimagens, a exemplo da Imagem por</p><p>Ressonância Magnética Funcional (FMRI), podem ajudar no desenvolvimento de</p><p>diagnóstico de processos cognitivos e levar o professor a desenvolver estratégias</p><p>pedagógicas para lidar com disfunções neurológicas intervenientes na aquisição de</p><p>aprendizagens (...) contribui para uma educação diferenciada, na qual, a averiguação das</p><p>dificuldades de aprendizagem melhora a compreensão das diferenças individuais.”</p><p>“O objeto material de estudo das neurociências cognitivas é o cérebro e suas propriedades</p><p>funcionais, neurológicas e psicológicas (...) que vem contribuindo significativamente para</p><p>o desenvolvimento de soluções de diversos transtornos e doenças, incluindo problemas</p><p>educacionais e de aprendizagem (grifo nosso).”</p><p>Barthoszeck (2006) elencou sete princípios da Neurociências, relacionando-os à sala de aula, ou seja, como</p><p>o cérebro aprende em um ambiente de sala de aula promotor de condições para o desenvolvimento de</p><p>conexões neurais.</p><p>Quadro 1 – Princípios da Neurociências e sua aplicabilidade na sala de aula</p><p>Princípios da neurociência Ambiente de sala de aula</p><p>Aprendizagem, memória e emoções</p><p>ficam interligadas quando ativadas</p><p>pelo processo de aprendizagem.</p><p>Na aprendizagem, sendo atividade</p><p>social, alunos precisam de</p><p>oportunidades para discutir</p><p>tópicos. Ambiente tranquilo</p><p>encoraja o estudante a expor seus</p><p>sentimentos e ideias.</p><p>O cérebro se modifica aos poucos</p><p>fisiológica e estruturalmente como</p><p>resultado da experiência.</p><p>Aulas práticas/exercícios físicos</p><p>com envolvimento ativo dos</p><p>participantes fazem associações</p><p>entre experiências prévias com o</p><p>entendimento atual.</p><p>“A pesquisa em neurociência por si só não introduz novas estratégias educacionais,</p><p>contudo fornece razões importantes e concretas, não especulativas, porque certas</p><p>abordagens e estratégias educativas são mais eficientes que outras.”</p><p>Princípios da neurociência Ambiente de sala de aula</p><p>O cérebro mostra períodos ótimos</p><p>(períodos sensíveis) para certos</p><p>tipos de aprendizagem, que não se</p><p>esgotam mesmo na idade adulta.</p><p>Ajuste de expectativas e padrões de</p><p>desempenho às características</p><p>etárias específicas dos alunos, uso</p><p>de unidades temáticas</p><p>integradoras.</p><p>O cérebro mostra plasticidade</p><p>neuronal (sinaptogênese), mas</p><p>maior densidade sináptica não</p><p>prevê maior capacidade</p><p>generalizada de aprender.</p><p>Estudantes precisam sentir-se</p><p>“detentores” das atividades e temas</p><p>que são relevantes para suas vidas.</p><p>Atividades pré-selecionadas com</p><p>possibilidade de escolha das</p><p>tarefas, aumenta a</p><p>responsabilidade do aluno no seu</p><p>aprendizado.</p><p>Inúmeras áreas do córtex cerebral</p><p>são simultaneamente ativadas no</p><p>transcurso de nova experiência de</p><p>aprendizagem.</p><p>Situações que reflitam o contexto</p><p>da vida real, de forma que a</p><p>informação nova se “ancore” na</p><p>compreensão anterior.</p><p>O cérebro foi evolutivamente</p><p>concebido para perceber e gerar</p><p>padrões quando testa hipóteses.</p><p>Promover situações em que se</p><p>aceitem tentativas e aproximações</p><p>ao gerar hipóteses e apresentação</p><p>de evidências. Uso de resolução de</p><p>“casos” e simulações.</p><p>O cérebro responde, devido à</p><p>herança primitiva, às gravuras,</p><p>imagens e</p><p>símbolos.</p><p>Propiciar ocasiões para alunos</p><p>expressarem conhecimento por</p><p>meio das artes visuais, música e</p><p>dramatizações.</p><p>Fonte: BARTHOSZECK, 2006 (Modificado de RUSHTON; LARKIN, 2001; RUSHTON et al., 2003)</p><p>A partir dos princípios da Neurociências, entende-se que certas abordagens e estratégias educativas são</p><p>mais eficientes que outras.</p><p>Tomamos os princípios de Barthoszeck (2006) para estabelecer uma relação/reflexão com conteúdo desta</p><p>Unidade.</p><p>Aprendizagem, memória, e emoções ficam interligadas quando ativadas pelo processo de</p><p>aprendizagem: tal princípio reforça o que a neurobiologia enfatiza, isto é, aprende-se melhor</p><p>quando o objeto do aprendizado tem conteúdo emocional, vez que as informações revestidas</p><p>de colorido emocional não apenas encontram com mais facilidade o caminho até a memória</p><p>de longa duração, como também permanecem mais acessíveis, prontas para serem evocadas;</p><p>O cérebro se modifica aos poucos fisiológica e estruturalmente como resultado da experiência: esse</p><p>princípio confirma a inter-relação entre o herdado e o contexto, vez que o Sistema Nervoso</p><p>pode ser modificado a partir da exposição a estímulos do meio interno ou externo;</p><p>O cérebro mostra períodos ótimos (períodos sensíveis) para certos tipos de aprendizagem que não se</p><p>esgotam mesmo na idade adulta: esse princípio pontua a necessidade de se levar em conta os</p><p>marcos do desenvolvimento, a fim de que sejam estimuladas habilidades e funções próprias</p><p>de cada período para “não perder de vista” as janelas ótimas de desenvolvimento;</p><p>O cérebro mostra plasticidade neuronal (sinaptogênese), mas maior densidade sináptica não prevê maior</p><p>capacidade generalizada de aprender}: tal princípio afirma que as modificações sinápticas não se</p><p>restringem apenas a algum período do desenvolvimento, mas ocorrem em todos os momentos</p><p>em que há aprendizagem, vez que, como já dissemos, as habilidades cognitivas podem ser</p><p>desenvolvidas e/ou aprimoradas ao longo da vida;</p><p>Inúmeras áreas do córtex cerebral são simultaneamente ativadas no transcurso da nova experiência de</p><p>aprendizagem: podemos associar tal princípio à função do professor como o responsável por</p><p>estabelecer sentido no processo de ensino, criando pontes entre o que o aluno já internalizou e</p><p>o que ele ainda precisa aprender. Novas aprendizagens gerarão novas conexões sinápticas e</p><p>novos circuitos neurais (RELVAS, 2022);</p><p>Clique no botão para conferir o conteúdo.</p><p>ACESSE</p><p>O cérebro foi evolutivamente concebido para perceber e gerar padrões quando testa hipóteses: esse</p><p>princípio sinaliza que precisamos de uma enorme capacidade de identificar e processar</p><p>padrões para conseguirmos articular nossos vários circuitos neurais e suas formas</p><p>particulares de processar dados visuais, auditivos, linguísticos e emocionais (MATTSON, 2014</p><p>apud COSTA, 2022);</p><p>O cérebro responde, devido à herança primitiva, às gravuras, imagens e símbolos: artes Visuais, Teatro,</p><p>Corpo e Movimento envolvem as práticas de criar, ler, produzir, construir, exteriorizar e refletir</p><p>que ativam diferentes circuitos neurais.</p><p>Leitura</p><p>O que Sabemos sobre Neurociências? Conceitos e Equívocos entre o Público Geral e entre</p><p>Educadores</p><p>É equivocada a ideia de que, durante o sono, haveria um período de descanso ou de menor</p><p>atividade cerebral.</p><p>Estudos mostram que o sono tem importante papel na consolidação de novas aprendizagens</p><p>na memória. Apesar do aparente repouso, o cérebro está em constante atividade, mesmo</p><p>durante o sono.</p><p>http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862020000200002&lng=pt&nrm=iso</p><p>Psicopedagogia – Aprendizagem – Neurociências</p><p>Se a intervenção psicopedagógica é da ordem do conhecimento, relacionada à aprendizagem, como postula</p><p>o Código de Ética do Psicopedagogo (CÓDIGO, 2019), podemos pensá-la a partir dos pressupostos da</p><p>Neurociências, mais especificamente, nos processos cognitivos integrantes das funções executivas, vez</p><p>que são relevantes para o desenvolvimento da aprendizagem, para o comportamento adaptativo e para a</p><p>regulação emocional.</p><p>Toda tarefa/atividade – das mais simples às mais complexas – recruta diferentes habilidades executivas</p><p>que, por si só, não garantem a eficácia da aprendizagem, e é preciso considerar também a relação entre</p><p>quem ensina e quem aprende, seja no contexto individual (consultório), seja no contexto grupal (sala de</p><p>aula).</p><p>Como potencializar as funções executivas como a memória, a flexibilidade cognitiva e o freio inibitório?</p><p>Memória envolve aquisição, conservação e evocação de informações que serão resgatadas quanto maior</p><p>for a motivação e o envolvimento despendidos em um acontecimento.</p><p>A memória operacional/de trabalho – manutenção de informações na mente e sua manipulação durante um</p><p>curto período permitindo o raciocínio, a compreensão e a resolução de problemas – é uma habilidade</p><p>essencial para a aprendizagem.</p><p>A flexibilidade cognitiva está relacionada à capacidade de adaptação à mudança para buscar outros e novos</p><p>caminhos para resolver um desafio/um problema.</p><p>O freio inibitório, quase nulo nas crianças pequenas, dado ao comportamento impulsivo (próprio da fase),</p><p>está relacionado à capacidade de filtrar pensamentos, evitar distrações e resistir a impulsos.</p><p>Retomamos, brevemente, as características das Funções Executivas – FEs, apresentadas na Unidade</p><p>anterior, para sugerir estratégias de intervenção.</p><p>Estimulando e Potencializando a Memória, a Flexibilidade Cognitiva e</p><p>o Controle Inibitório</p><p>Por Meio da Linguagem Oral e/ou da Linguagem Escrita</p><p>A partir de um determinado campo semântico, propor/construir uma sequência de palavras que vai se</p><p>ampliando a partir de brincadeiras como:</p><p>Temas como nome de países, de filmes e de times de futebol são indicados para crianças mais velhas.</p><p>Para crianças que já dominam a Língua Escrita, podemos usar as mesmas atividades/brincadeiras.</p><p>Por Meio de Jogos</p><p>Elegemos, dentre os inúmeros existentes, os jogos Pingo no I (de cartas) e Yoté (de tabuleiro), dado ao</p><p>potencial de estimulação cognitiva envolvido.</p><p>Fui à feira e comprei... batata, batata, tomate e, batata, tomate e laranja;</p><p>Fui viajar e na mala só coloquei coisas com a letra M (escolha a letra que precisa ser</p><p>estimulada);</p><p>Perfil – Reúno as dicas e descubro do que se trata.</p><p>Figura 1 – Jogo pingo no I</p><p>Fonte: Divulgação</p><p>Pingo no I</p><p>Este jogo recruta/estimula as FEs, devido às diferentes opções de uso.</p><p>Algumas das possibilidades estão descritas a seguir: buraco de letras, oponente surpresa:</p><p>Figura 2 – Jogo Yoté</p><p>Fonte: Divulgação</p><p>Com letras aleatórias, formar uma palavra;</p><p>Com letras específicas, formar uma determinada palavra;</p><p>Com um número “x” de cartas, formar as palavras que conseguir;</p><p>Recombinar letras, formando novas palavras.</p><p>Yoté</p><p>À semelhança do Jogo de Damas, Yoté é um jogo de estratégia que tem como objetivo capturar as peças do</p><p>oponente e recruta, entre outras habilidades, a/o:</p><p>O Combinado não Sai Caro</p><p>O Perfil do Jogador – Algumas Considerações</p><p>Sabe-se que, em qualquer jogo, o cumprimento de regras é fato indiscutível.</p><p>Desse modo, elencamos algumas características de funcionamento, do perfil do jogador, que devem ser</p><p>levadas em conta para que o “jogar”, na intervenção psicopedagógica, alcance seu propósito:</p><p>Atenção;</p><p>Desequilíbrio cognitivo;</p><p>Organização espacial;</p><p>Planejamento;</p><p>Percepção visual (todo e parte).</p><p>Jogadores/Oponentes com perfil mais rígido e, portanto, com “pouca” flexibilidade cognitiva, tem</p><p>maior dificuldade para fazer “novos arranjos”, “novas sequências”;</p><p>Jogadores/Oponentes com perfil desatento “não se ligam às cartas dos outros jogadores, o que os</p><p>impede de fazer suas combinações;</p><p>Jogadores/Oponentes com dificuldade no planejamento, precisam ser estimulados/ensinados a</p><p>“pensar adiante” – antecipação – se quiserem vencer;</p><p>Considerar a singularidade dos jogadores (oponentes) a partir do perfil de cada um é o desafio que se coloca</p><p>na intervenção psicopedagógica para que se cumpra seu duplo objetivo, a saber, a construção do</p><p>conhecimento e a constituição do</p><p>sujeito.</p><p>Jogadores/Oponentes, quando querem vencer a todo custo, têm dificuldade em conciliar a rapidez</p><p>motora com a agilidade do cálculo mental.</p><p>Em Síntese</p><p>Nesta Unidade, tivemos o propósito de abordar a Psicopedagogia e a Neurociências naquilo</p><p>que entendemos como sendo aspectos fundamentais e que estão envolvidos com a</p><p>aprendizagem e suas dificuldades.</p><p>Tomamos como referência, na Psicopedagogia, o Código de Ética do Psicopedagogo e,</p><p>essencialmente, os pressupostos teóricos de Sara Pain e de Alicia Fernández.</p><p>Nas Neurociências, tomamos como referência os pressupostos teóricos de Carla Tieppo,</p><p>Mariana P. Uebel, Marta Relvas.</p><p>Encontramos, como denominador comum, o sujeito da aprendizagem com suas</p><p>dificuldades.</p><p>Entendemos, ainda, que as descobertas em Neurociências não têm aplicação direta,</p><p>imediata e, tão pouco, fornecem receitas que garantem o resultado.</p><p>No entanto, aprendemos que o conhecimento do funcionamento cerebral</p><p>favorece/possibilita o desenvolvimento de estratégias mais eficazes para estimular</p><p>habilidades e funções cognitivas envolvidas na aprendizagem.</p><p>Também aprendemos que informações bem compreendidas terão mais chance de ser</p><p>memorizadas fazendo parte da rede neural, vez que há a relação entre a qualidade da</p><p>experiência e as conexões cerebrais, ou seja, aprende-se melhor quando o objeto do</p><p>aprendizado tem um conteúdo que está revestido de colorido emocional.</p><p>Em síntese, pudemos entender e identificar a tangência entre a Psicopedagogia e as</p><p>Neurociências.</p><p>Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:</p><p>Livros</p><p>A Contribuição da Neurociência na Avaliação Psicopedagógica</p><p>SOUZA; ALBUQUERQUE. A contribuição da Neurociência na avaliação psicopedagógica – Muito além do laudo. São</p><p>Paulo: Artesã, 2019.</p><p>Programa de Estimulação Neuropsicológica da Cognição em Escolares</p><p>CARDOSO, C. O.; FONSECA, R. P. PENcE - Programa de Estimulação Neuropsicológica da Cognição em Escolares:</p><p>Ênfase nas Funções Executivas. Ribeirão Preto: Book Toy, 2016.</p><p>Vídeos</p><p>Neurociência, Educação e Aprendizagem: Como o Cérebro Aprende?</p><p>Podcast com Marta Relvas sobre como o cérebro funciona e é responsável pela aprendizagem de novos</p><p>3 / 4</p><p>📄 Material Complementar</p><p>conhecimentos.</p><p>Como o Cérebro Processa a Informação Recebida</p><p>Um vídeo didático que mostra como o cérebro armazena informações.</p><p>Neurociência, educação e aprendizagem: como o cérebro aprendNeurociência, educação e aprendizagem: como o cérebro aprend……</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=sp8oiPsHGNU</p><p>Como o cérebro processa a informação recebidaComo o cérebro processa a informação recebida</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=Lq0g6egTzGY</p><p>ANDERSON, T. Processos Reflexivos. Rio de Janeiro: Instituto NOOS, 2002.</p><p>BARTOSZECK, A. B. Neurociência na educação. Revista Eletrônica Faculdades Integradas Espírita, [s.l.], v. 1, p. 1-6,</p><p>2006. Disponível em: .</p><p>Acesso em: 28/01/2023.</p><p>BRANDÃO, A. S.; CALIATTO, S. G. Contribuições da neuroeducação para a prática pedagógica. Rev. Exitus,</p><p>Santarém, v. 9, n. 3, p. 521-547, jul. 2019. Disponível em:</p><p>. Acesso em: 28/01/2023.</p><p>COSTA, A. A. O Tao do Cérebro. Disponível em: Acesso em: 07/02/2022.</p><p>FERNÁNDEZ, A. A Inteligência Aprisionada. São Paulo: Artes Médicas, 1990.</p><p>FERNÁNDEZ, A. Os idiomas do Aprendente. Porto Alegre: Artmed., 2001.</p><p>HICKEL, N. KERN. Clínica de (um)aprender: autorias em devir. 1ª ed. Curitiba: Appris, 2021</p><p>LOPES, F. M. et al. O que sabemos sobre Neurociências?: conceitos e equívocos entre o público geral e entre</p><p>educadores. Rev. psicopedag., São Paulo, v. 37, n. 113, p. 129-143, ago. 2020. Disponível em:</p><p>. Acesso: em: 29/01/023.</p><p>4 / 4</p><p>📄 Referências</p><p>ONCALLA. S. A. Contribuições Da Neurociência Na Reabilitação Psicopedagógica. In: DANTAS M. A. S;</p><p>CASTANHO, M. I. Práticas de psicopedagogia em diferentes contextos. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2018.</p><p>PAÍN, S. Subjetividade/Objetividade Relações entre desejo e conhecimento. São Paulo: CEVEC, 1996.</p><p>PAÍN, S. Diagnóstico e Tratamento do Problemas de Aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1985.</p><p>RELVAS, M. P. Neurociência e transtornos de aprendizagem: as múltiplas eficiências para uma educação</p><p>inclusiva. Rio de Janeiro: Wak, 2022.</p><p>UEBEL, M. P. O Cérebro na Infância: um guia para pais e educadores empenhados em formar crianças felizes e</p><p>realizadas. São Paulo: Contexto, 2022.</p><p>Lobo frontal: responsável pelo processamento motor, planejamento, estratégia, controle</p><p>inibitório, regulação emocional;</p><p>Lobo temporal: responsável pela memória, pela emoção e pela linguagem;</p><p>Lobo parietal: responsável pela recepção e pelo processamento dos estímulos sensoriais;</p><p>Lobo occipital: responsável pela visão.</p><p>E recorre, também, à audição, para explicar as redes neurais. Ouvimos, mas como reconhecemos que aquilo</p><p>que ouvimos é, por exemplo, o barulho de uma freada de automóvel, seguido de um estrondo?</p><p>Esclarece Lent, que o ouvido é capaz:</p><p>Quando ouvimos uma freada, uma batida e levamos um susto, as regiões cerebrais relacionadas às</p><p>emoções também entram em ação e apresentamos reações corporais correspondentes.</p><p>- LENT, 2010, p. 21</p><p>“As células nervosas da retina, que captam as imagens formadas pela luz do ambiente, só</p><p>se tomam capazes de propiciar a visão se veicularem os sinais elétricos que geram em</p><p>resposta à luz, para outros neurônios localizados na própria retina e depois no cérebro. E,</p><p>desse modo conseguimos ler um livro ou assistir um filme.”</p><p>“[...] de transformar em impulsos nervosos as vibrações do ar correspondentes aos sons</p><p>que ouvimos. Um circuito de neurônios conectando os seus ouvidos com as regiões</p><p>temporais do cérebro permitiu que você percebesse perfeitamente os sons, e mais: que</p><p>você os comparasse com o “catálogo de sons” armazenado em sua memória, e os</p><p>identificasse como barulhos de freada e de uma batida.”</p><p>Vale lembrar-se de que não é suficiente ver e ouvir. É preciso ver, ouvir e processar a informação, vez que falhas</p><p>no processamento visual e/ou auditivo impactam diretamente a interpretação e a significação dessa</p><p>informação e, portanto, a aprendizagem.</p><p>Na motricidade, a área primária motora é responsável pelo controle intencional dos músculos, e a área</p><p>secundária pela destreza motora.</p><p>A respeito do Sistema Nervoso, sabemos que:</p><p>Tem origem embrionária – Depois da fecundação, as células se multiplicam para formar um embrião</p><p>humano. Dessa multiplicação, ocorre uma subdivisão em três camadas de tecido, uma interna, uma</p><p>intermediária e outra externa que dá origem à pele e ao Sistema Nervoso.</p><p>É dividido em:</p><p>Saiba Mais</p><p>O encéfalo – toda a estrutura neural que fica dentro do crânio – é erroneamente chamado</p><p>de cérebro e é dividido em três partes: o tronco encefálico, o cerebelo e o cérebro</p><p>propriamente dito (TIEPPO, 2019, p. 50).</p><p>Sistema Nervoso Central – SNC, que:</p><p>Sistema Nervoso Periférico – SNP, que: reúne as estruturas distribuídas pelo organismo. É constituído por</p><p>nervos, que são agrupamentos de milhares de neurônios, que percorrem o corpo em feixes, trazendo</p><p>informações para o SNC ou levando informações aos músculos para provocar uma ação. O SNP é</p><p>subdividido em Somático (relacionado à ação voluntária) e Motor Visceral (relacionado à ação involuntária).</p><p>Reúne as estruturas situadas dentro do crânio e da coluna vertebral – envolve o encéfalo (fica</p><p>totalmente dentro do crânio) e medula espinhal (fica no canal formado pela coluna vertebral);</p><p>Formado por neurônios, que são as células nervosas, que ficam protegidas pelo crânio e pela</p><p>coluna vertebral;</p><p>Além de ser protegido pelo crânio e pela coluna vertebral, o SNC é bem embalado/envolvido por</p><p>três membranas chamadas de Meninges, a saber: a Pia-máter, a Aracnoide e a Dura-máter,</p><p>cada qual com uma função, mas todas protegendo o encéfalo.</p><p>É um sistema que processa as informações advindas tanto do ambiente externo (audição,</p><p>tato, visão, olfato e gustação) como ambiente interno (dor, pensamentos, emoções,</p><p>memórias) que se deslocam de um lado a outro, para dar uma resposta ao estímulo recebido;</p><p>É um sistema que tem como características:</p><p>• A velocidade na transmissão das informações: os estímulos recebidos são decodificados e</p><p>provocam respostas quase instantâneas;</p><p>• A abrangência da rede nervosa: salvo raras exceções, todas as partes do corpo de animais</p><p>vertebrados têm inervações, isto é, recebem neurônios capazes de captar informações do</p><p>ambiente;</p><p>• O processamento central: as informações de diferentes partes do corpo se convergem e,</p><p>simultaneamente, são processadas, provocando uma resposta;</p><p>• A plasticidade: capacidade de modificar e construir novos circuitos de neurônios para</p><p>aprimorar a resposta;</p><p>Neurônios e Suas Partes</p><p>É um sistema protegido por diferentes estruturas neurais;</p><p>É um sistema cuja sua menor partícula, o neurônio, constitui todas as suas partes e, sobre ele,</p><p>Tieppo (2019) nos ensina que são unidades básicas funcionais do Sistema Nervoso. São</p><p>células especializadas em processar informação, sendo alguns receptores – transformam</p><p>estímulo sensorial em mensagem a ser processada pelo cérebro, outros conectam neurônios e</p><p>há os que estimulam músculos e glândulas – atuam em conjunto;</p><p>A comunicação entre os neurônios ocorre pela formação de sinapses – região de proximidade</p><p>entre um neurônio e outra célula, por onde é transmitido o impulso nervoso – que, por volta dos</p><p>3 anos de idade, atinge seu ápice;</p><p>É sabido que, nos primeiros anos de vida, mais de um milhão de novas conexões neurais são</p><p>formadas a cada segundo que, posteriormente, são “reduzidas por meio de um processo</p><p>chamado poda, para que os circuitos cerebrais se tornem mais eficientes” (UEBEL, 2022, p.14).</p><p>Dito de outro modo, o cérebro cria redes neuronais em abundância e pela poda neural otimiza</p><p>sua função e otimiza os circuitos cerebrais, descartando as conexões inúteis ou redundantes.</p><p>Corpo Celular: parte principal da célula nervosa. Nele se encontram as informações genéticas;</p><p>Dendritos: tem a função de ampliar a área de captação da membrana neuronal dos estímulos</p><p>nervosos externos à célula, para que sejam avaliados no corpo celular e quanto mais</p><p>informações forem captadas mais precisas serão as respostas motoras;</p><p>Axônio: é o fio condutor dos estímulos criados no corpo celular como resposta aos estímulos</p><p>recebidos que chegam ao destino ou órgão efetor. Tem a Bainha de Mielina, que impede que</p><p>as informações se percam;</p><p>Sinapse: onde ocorre a transformação do estímulo elétrico – gerado no corpo celular – em</p><p>estímulo químico (RELVAS, 2022, p. 40-1).</p><p>Figura 2 – Neurônios</p><p>Fonte: Getty Images</p><p>Livro</p><p>Uma Viagem pelo Cérebro: A Via Rápida para Entender Neurociência</p><p>Consulte o livro para saber mais sobre as principais estruturas do Sistema Nervoso e as suas</p><p>partes.</p><p>TIEPPO. C. Uma Viagem pelo Cérebro: a via Rápida para Entender Neurociência. 1. ed.</p><p>Jundiaí, SP: Editora Conectomus, 2019.</p><p>#ParaTodosVerem: imagem de neurônios na cor azul brilhante. cada neurônio tem um núcleo</p><p>mais ou menos circular e dele saem ramificações, que vão formando uma cauda. de cada</p><p>cauda saem outras ramificações. vai formando um emaranhado. Fim da descrição.</p><p>Desenvolvimento</p><p>Ao buscar no Dicionário o significado da palavra desenvolvimento, encontramos o termo associado a</p><p>diferentes áreas, sendo ação ou efeito de desenvolver, de crescer, progredir, tornar-se maior; desenvolução:</p><p>o desenvolvimento de uma espécie.</p><p>Para a Economia, desenvolvimento significa crescimento que, sendo social, político e econômico, pode ser</p><p>observado num país, numa região, numa comunidade.</p><p>Para a Biologia, desenvolvimento significa aumento das características relacionadas ao corpo; crescimento:</p><p>desenvolvimento mental; desenvolvimento de um órgão (DESENVOLVIMENTO, 2023).</p><p>Verificam-se expressões com esse termo, por exemplo, na Arquitetura: desenvolvimento de projeto.</p><p>Relacionada à Área da Psicologia, há a expressão “desenvolvimento mental”, entendida como o grau de</p><p>evolução psicológica, em conformidade com a idade, de diferentes aspectos do desenvolvimento,</p><p>- PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006</p><p>“O desenvolvimento humano é um processo e, por isso, encontra-se em constante</p><p>transformação e evolução.”</p><p>especialmente, a inteligência.</p><p>Vimos, então, que, em qualquer Área, crescimento, evolução e progresso estão associados a</p><p>desenvolvimento.</p><p>Ainda que a noção de desenvolvimento, geralmente, esteja associada ao progresso, ou “ao</p><p>aumento de</p><p>complexidade, é importante ressaltar para que as condições necessárias ao ganho em complexidade sejam</p><p>atendidas, é sempre necessário que algumas estruturas se mantenham” (SIFUENTES et al., 2009, p. 382).</p><p>Desenvolvimento Segundo Escolas Psicológicas</p><p>Como as Escolas Psicológicas trataram o conceito de desenvolvimento?</p><p>Destacamos, no quadro a seguir, as ideias de quatro escolas, a saber: Estruturalismo, Funcionalismo,</p><p>Behaviorismo e Gestalt.</p><p>Quadro 2 – Escolas Psicológicas</p><p>Saiba Mais</p><p>Para a compreensão do desenvolvimento humano, tanto a mudança quanto a estabilidade</p><p>são centrais e devem ser consideradas em uma relação dialética e de equilíbrio dinâmico</p><p>(SIFUENTES et al., 2009, p. 382).</p><p>Teórico Defendia(m)</p><p>Estruturalismo</p><p>Wilhelm</p><p>Wundt</p><p>Edward</p><p>Titchener</p><p>A introspecção como método para</p><p>estudar a mente humana (GERRIG;</p><p>ZIMBARDO, 2005).</p><p>Funcionalismo Willian James</p><p>Verificação sistemática dos processos</p><p>mentais, observando as reações</p><p>funcionais dos comportamentos.</p><p>Behaviorismo</p><p>John Watson</p><p>Skinner</p><p>O comportamento definia-se pelo</p><p>ambiente, ou seja, os fatores ambientais</p><p>influenciavam diretamente a conduta dos</p><p>seres humanos.</p><p>Gestalt</p><p>Wolfgang</p><p>Kohler</p><p>Kurt Koffa</p><p>As experiências deveriam ser</p><p>representadas pela totalidade da</p><p>percepção do campo de observação.</p><p>O todo é maior do que a soma das</p><p>partes.</p><p>Fonte: Adaptado de GERRIG; ZIMBARDO, 2005</p><p>O desenvolvimento humano, para Sifuentes et al. (2009, p. 379), é um processo de construção contínua, que</p><p>se estende ao longo da vida dos indivíduos, sendo fruto de uma organização complexa e hierarquizada que</p><p>envolve desde os componentes intraorgânicos até as relações sociais e a agência humana.</p><p>Ainda que houvesse, até meados do século XX, diferentes Áreas do Saber para estudar o desenvolvimento</p><p>humano, não havia articulação entre esses saberes: enquanto abordagens filosóficas concebiam o</p><p>desenvolvimento como uma ilusão, abordagens das Ciências Naturais concebiam-no como algo real e</p><p>natural, decorrentes dos processos evolutivos da espécie.</p><p>De todo modo, pode-se afirmar que, desde que os seres humanos existem, ocorre o seu desenvolvimento,</p><p>que se cumpre segundo um ciclo vital.</p><p>Ainda que, segundo Papalia e Feldman (2013), a divisão em períodos seja uma construção social, é possível,</p><p>segundo essas autoras, organizar o desenvolvimento humano em oito períodos, a saber:</p><p>Saiba Mais</p><p>O Behaviorismo tornou-se a escola psicológica dominante da década de 1950.</p><p>Período pré-natal: da concepção ao nascimento;</p><p>Primeira infância: do nascimento aos 3 anos de idade;</p><p>Segunda infância: dos 3 aos 6 anos de idade;</p><p>Terceira infância: dos 6 aos 11 anos de idade;</p><p>Adolescência: até aos 20 anos de idade, aproximadamente;</p><p>Esses períodos correspondem aos tempos de vida na infância, na adolescência e na vida adulta, que devem</p><p>ser compreendidos em três aspectos: o físico, o cognitivo e o psicossocial:</p><p>Embora seja possível identificar e analisar separadamente os três domínios do desenvolvimento – físico,</p><p>cognitivo e psicossocial, é necessário afirmar que o desenvolvimento é um processo unificado e que uma</p><p>pessoa é mais do que um conjunto de partes isoladas.</p><p>O desenvolvimento na infância cumpre uma sequência de aquisições, de habilidades próprias a uma</p><p>determinada idade.</p><p>Estamos falando dos Marcos do Desenvolvimento nos aspectos sociais/emocionais, linguagem/comunicação,</p><p>cognitivos (aprender, pensar, resolver problemas) e, psicomotores/desenvolvimento físico e, mesmo</p><p>havendo variações de uma pessoa à outra, fornecem uma compreensão do desenvolvimento esperado para</p><p>cada idade.</p><p>A bagagem genética (herdada) e o ambiente estão relacionados ao desenvolvimento humano e dizemos que</p><p>“uma criança apresenta um atraso no desenvolviento quando, por algum motivo, ela não está apresentando</p><p>Início da vida adulta: dos 20 aos 40 anos de idade;</p><p>Vida adulta intermediária: dos 40 aos 65 e anos de idade;</p><p>Vida adulta tardia vida adulta tardia: dos 65 em diante.</p><p>Desenvolvimento físico: se refere ao crescimento do corpo humano, as habilidades motoras e as</p><p>capacidades sensoriais;</p><p>Desenvolvimento cognitivo: envolve aspectos como a aprendizagem, a memória, a linguagem, o</p><p>pensamento, o julgamento moral e a criatividade;</p><p>Desenvolvimento psicossocial: está associado à mudança e à estabilidade na personalidade e</p><p>nos relacionamentos sociais.</p><p>a maturidade esperada em uma ou mais dessas Áreas citadas” (ESTANISLAU et al., 2014, p.82).</p><p>As pesquisas indicam que há um período sensível para o desenvolvimento cerebral, conhecidas como:</p><p>As funções executivas e o desenvolvimento do vocabulário, compreensão e expressão da linguagem, por</p><p>exemplo, tem seu pico de desenvolvimento aos 3 anos de idade.</p><p>O Quadro a seguir apresenta alguns marcos do desenvolvimento nos domínios motor, da linguagem e</p><p>sócioemecional.</p><p>Quadro 3 – Marcos do Desenvolvimento</p><p>– D. Motor D. Linguagem D. S. Emocional</p><p>Primeira Infância 4 - 6 meses</p><p>Senta-se com</p><p>apoio; Vira o</p><p>corpo, cabeça</p><p>9 - 10 meses</p><p>Já se comunica</p><p>por gestos;</p><p>Possui</p><p>vocabulário</p><p>6 - 9 meses</p><p>Demonstra</p><p>alegria, raiva.</p><p>- UEBEL, p. 21</p><p>“as janelas ótimas de desenvolvimento, quando, para cada fase, da criança há maior</p><p>chance de ela transformar capacidades biológicas de redes neurais em determinadas</p><p>habilidades socioemocionais e cognitivas.”</p><p>– D. Motor D. Linguagem D. S. Emocional</p><p>fica ereta; pega</p><p>objetos.</p><p>1 ano e 6 meses</p><p>Bate palma</p><p>sem modelo;</p><p>Anda de lado e</p><p>para trás.</p><p>receptivo de 20</p><p>a 30 palavras.</p><p>9 - 12 meses</p><p>Surge a</p><p>linguagem</p><p>expressiva;</p><p>Vocaliza</p><p>palavras</p><p>isoladas.</p><p>9 - 12 meses</p><p>Reage a</p><p>estranhos e ao</p><p>novo; Há</p><p>variação de</p><p>humor.</p><p>Segunda Infância 3 - 4 anos</p><p>Equilibra-se em</p><p>um só pé; Sobe</p><p>escada com</p><p>um pé em cada</p><p>degrau; Corta</p><p>papel com</p><p>tesoura.</p><p>4 - 5 anos</p><p>Equilibra-se em</p><p>só pé – 10”;</p><p>Sobe e desce</p><p>escada com</p><p>3 anos</p><p>Usa cerca de</p><p>900 palavras;</p><p>Uso do plural;</p><p>Entende o</p><p>efeito da fala</p><p>no outro.</p><p>4 anos</p><p>Reconhece</p><p>sinônimo;</p><p>Frases com 4/5</p><p>palavras.</p><p>Não há um</p><p>marco</p><p>normativo o d.</p><p>Emocional, mas a</p><p>partir da 2ª</p><p>infância a</p><p>criança.</p><p>Delimita quem é</p><p>chato, quem é</p><p>legal; Há</p><p>desenvolvimento</p><p>da</p><p>intencionalidade;</p><p>– D. Motor D. Linguagem D. S. Emocional</p><p>um pé em cada</p><p>degrau; Chuta e</p><p>agarra bola.</p><p>5 - 6 anos</p><p>Entende cerca</p><p>de 20 mil</p><p>palavras; Fala</p><p>semelhante à</p><p>fala do adulto –</p><p>Conjunção,</p><p>artigo; Mantêm</p><p>o foco no</p><p>assunto.</p><p>Gênero como</p><p>algo imutável.</p><p>Fonte: Adaptado de PAPALIA; FELDMAN, 2013</p><p>Saiba Mais</p><p>O desenvolvimento humano cumpre uma hierarquia e é necessário lembrar-se de que</p><p>depende de questões neuro maturacionais, genéticas e ambientais. A evolução do</p><p>desenvolvimento motor, por exemplo, permite que um bebê que tem atividade motora</p><p>essencialmente reflexa ao nascimento, evolua para a motricidade voluntária e realize</p><p>movimentos complexos e coordenados, tais como a deambulação (marcha), a corrida e os</p><p>movimentos finos de mão, entre outros (DIAMENT et al., 2010.).</p><p>Quando se conhecem os marcos do desenvolvimento típico, é possível reconhecer os atrasos e, portanto,</p><p>intervir preventivamente – estimulação precoce – ou promover a reabilitação.</p><p>Clique no botão para conferir o conteúdo.</p><p>ACESSE</p><p>Na adolescência, durante o desenvolvimento, observam-se, no aspecto físico, mudanças físicas rápidas e</p><p>intensas, e nos aspectos cognitivo e psicossocial, respectivamente, o aprimoramento das capacidades de</p><p>pensamento abstrato e raciocínio científico e a busca de uma identidade, incluindo a identidade sexual</p><p>(PAPALIA; FELDMAN, 2013).</p><p>A adolescência é a fase do raciocínio lógico-dedutivo. É a fase em que a capacidade de fazer julgamentos</p><p>morais está mais amadurecida e, também, é a fase em que se destacam três mudanças:</p><p>Leitura</p><p>FCEE Publica E-book sobre Desenvolvimento da Linguagem</p><p>Acesse o link a seguir para conhecer alguns marcos do desenvolvimento da linguagem, bem</p><p>como sinais atípicos desse desenvolvimento.</p><p>https://www.fcee.sc.gov.br/sala-de-imprensa/noticias/9300-fcee-publica-e-book-sobre-desenvolvimento-da-linguagem</p><p>Clique no botão para conferir o</p><p>conteúdo.</p><p>ACESSE</p><p>Aumento da tomada de risco;</p><p>Aumento na busca de sensações;</p><p>Afastamento dos pais na direção de seus amigos (PANTANO E ROCCA, 2015).</p><p>Leitura</p><p>Crenças e Práticas Educativas de Mães de Crianças com Desenvolvimento Atípico</p><p>Em cada área do desenvolvimento humano, existem padrões esperados que estão</p><p>fundamentados na maturação biológica do indivíduo, mas sofrem influência da estimulação</p><p>ambiental. O desenvolvimento não ocorre segundo a norma caracteriza o desenvolvimento</p><p>atípico. Crianças que apresentam Transtorno do Espectro Autista (TEA) têm desenvolvimento</p><p>atípico na comunicação e interação social em múltiplos contextos, além de padrões</p><p>restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividade.</p><p>https://www.scielo.br/j/er/a/X6PBqtfCxdYWSLMTtJ6HyPn/?lang=pt</p><p>Nesta Unidade, vimos questões relacionadas ao desenvolvimento humano e à</p><p>organização funcional do cérebro.</p><p>Inicialmente, dissemos e reafirmamos que o estudo do cérebro em Disciplinas</p><p>específicas como Neuroanatomia e Neurofisiologia, entre outras, é objetivo de</p><p>aprendizagem da Área Médica.</p><p>Buscamos fundamentos para o conhecimento dessas Disciplinas, e entendemos</p><p>o que está explicitado nas palavras de Oliveira:</p><p>Em Síntese</p><p>- OLIVEIRA, 2017, p. 14</p><p>“[...] a neurociência se constitui como a ciência do cérebro e a educação como a ciência</p><p>do ensino aprendizagem e ambas têm uma relação de proximidade porque o cérebro tem</p><p>significância no processo de aprendizagem da pessoa. Verdadeiro também seria afirmar o</p><p>inverso: que a aprendizagem interessa diretamente ao cérebro.”</p><p>E, nos dizeres de Caribé, que afirma:</p><p>Justifica-se, então, o estudo desta Disciplina, ainda que, de forma “compactada”, não tão abrangente, na</p><p>medida em que a Neurociência busca compreender o funcionamento do Sistema Nervoso, a sua ligação</p><p>com a fisiologia do organismo, estabelecendo uma relação com o processo de aprendizagem e, portanto,</p><p>impactando os modos de ensinar.</p><p>- CARIBÉ, 2017, p. 49</p><p>“[...] ao investigar o processo de como o cérebro aprende e lembra, desde o nível molecular</p><p>e celular até as áreas corticais, encontramos férteis elementos para a reflexão de como</p><p>promover um ensino significativo e com melhores resultados, que provoque alteração na</p><p>taxa de conexão sináptica, afetando a função cerebral, consequentemente, ativando a</p><p>capacidade de aprender dos sujeitos.”</p><p>Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:</p><p>Vídeos</p><p>Como Surgiu a Linguagem Humana?</p><p>Breve apresentação sobre a evolução da linguagem.</p><p>3 / 4</p><p>📄 Material Complementar</p><p>COMO SURGIU A LINGUAGEM HUMANA?COMO SURGIU A LINGUAGEM HUMANA?</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=CqYH-CTfPqU</p><p>Descomplicando a Anatomia Resumão sobre Neuro</p><p>Aula didática com os aspectos fundamentais acerca da neuroanatomia.</p><p>Multidimensão do Sistema Nervoso e a Sinapses – Neuroquímica do Sistema</p><p>Nervoso – Parte 1</p><p>DESCOMPLICANDO A ANATOMIA RESUMÃO SOBRE NEURODESCOMPLICANDO A ANATOMIA RESUMÃO SOBRE NEURO</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=ZOXdXQ2dibE</p><p>Neurotransmissor – Neuroquímica do Sistema Nervoso – Parte 2</p><p>Multidimensão do Sistema Nervoso e a sinapses - Neuroquímica Multidimensão do Sistema Nervoso e a sinapses - Neuroquímica ……</p><p>Neurotransmissor - Neuroquímica do Sistema Nervoso - Parte 2Neurotransmissor - Neuroquímica do Sistema Nervoso - Parte 2</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=ahRV7jzWKhQ</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=k2A_jB1thio</p><p>Neurotransmissores</p><p>O vídeo não é de agora, mas, de forma didática, explica o papel e como funcionam os neurotransmissores e</p><p>seus possíveis impactos na nossa saúde e no comportamento.</p><p>Leitura</p><p>A Primeira Infância</p><p>Plataforma gratuita que tem mais de trinta indicadores sobre a primeira infância.</p><p>Clique no botão para conferir o conteúdo.</p><p>ACESSE</p><p>Noções de Neuroanatomia e Neurofisiologia – Um Texto para Educadores</p><p>O QUE SÃO NEUROTRANSMISSORES?O QUE SÃO NEUROTRANSMISSORES?</p><p>https://www.fmcsv.org.br/pt-BR/a-primeira-infancia/</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=FD8Qaw1TS-k</p><p>Clique no botão para conferir o conteúdo.</p><p>ACESSE</p><p>https://cienciasecognicao.org/neuroemdebate/arquivos/3340</p><p>CARIBÉ, R. L. Neurociência e alfabetização: estreitando o diálogo para os caminhos de aprendizagem. In:</p><p>Chaves, A. P. R. (org.). A neurobiologia do aprendizado na prática. Brasília: Alumnus; 2017.</p><p>DIAMENT, A. J.; et al. Neurologia Infantil. 5. ed. São Paulo: Atheneu, 2010.</p><p>ESTANISLAU, G. M.; BRESSAN, R. A (org.). Saúde mental na escola: o que os educadores devem saber. Porto</p><p>Alegre: Artmed, 2014.</p><p>FOUREAUX, G. et al. Mapas conceituais: uma valiosa ferramenta didática para o ensino da disciplina de</p><p>neuroanatomia humana. Revista ESPACIOS, v. 36, n. 14, 2015.</p><p>GERRIG, R. J.; ZIMBRADO, P. G. A Psicologia da Vida. 16. ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.</p><p>LENT, R. O. Cem bilhões de neurônios? Conceitos fundamentais de Neurociências. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2010.</p><p>MACEDO, L.; BRESSAN, R. A. Desafios da Aprendizagem – Como as Neurociências podem ajudar pais e</p><p>professores. São Paulo: Papirus 7 Mares, 2016.</p><p>OLIVEIRA, G. G. Neurociências e os processos educativos: um saber necessário na formação de</p><p>professores. Rev Unisinos. [s.l.], v. 14, n. 18, p. 13-24, 2014.</p><p>PAPALIA, D. E.; FELDMAN, R. D. Desenvolvimento humano. 12. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013</p><p>4 / 4</p><p>📄 Referências</p><p>RELVAS, M. P. Neurociência e Transtornos de Aprendizagem – As múltiplas eficiências para uma Educação</p><p>Inclusiva. Rio de Janeiro: Wak, 2022.</p><p>SIEGEL, D. O cérebro da criança – 12 estratégias revolucionárias para nutrir a mente em desenvolvimento. São</p><p>Paulo: N Versos, 2015.</p><p>SIFUENTES, T. R.; et al. Desenvolvimento humano: desafios para a compreensão das trajetórias</p><p>probabilísticas, Psicologia: Teoria e Pesquisa [on-line], v. 23, n. 4, p. 379-385, 2007. Epub 28 fev. 2008.</p><p>Disponível em: . Acesso em: 4/01/2023.</p><p>TIEPPO, C. Uma viagem pelo cérebro. A via rápida para entender Neurociência. São Paulo: Conectomus, 2019.</p><p>UEBEL, M. P. O cérebro na infância. Um guia para pais e educadores empenhados em formar crianças felizes e</p><p>realizadas. São Paulo: Contexto, 2022.</p><p>VERÇOSA, R. B. A importância da disciplina de neuroanatomia para o curso de psicologia e a prática</p><p>profissional do psicólogo, Ciências Humanas e Sociais, Alagoas, v. 5, n. 1, p. 115-122, nov. 2018. Disponível em:</p><p>. Acesso em: 03/01/2023.</p><p>Conteudista: Prof.ª M.ª Maria Cristina Natel</p><p>Revisão Textual: Prof.ª Dra. Selma Aparecida Cesarin</p><p>Objetivos da Unidade:</p><p>Conhecer um breve histórico da Neurociências;</p><p>Compreender os processos neurológicos/neuropsicológicos envolvidos na aprendizagem;</p><p>Relacionar os canais sensoriais e as funções executivas à aprendizagem.</p><p>📄 Contextualização</p><p>📄 Material Teórico</p><p>📄 Material Complementar</p><p>📄 Referências</p><p>Neurociências e Aprendizagem</p><p>Por que estudar e entender a relação e a interdependência entre o funcionamento cerebral a aprendizagem?</p><p>A aprendizagem ou, melhor dizendo, a capacidade de aprendizagem se mantém ao longo da vida, havendo</p><p>épocas mais favoráveis – períodos sensíveis, vistos anteriormente – e exigindo maior esforço em outras</p><p>em função da redução da plasticidade do Sistema Nervoso.</p><p>Atualmente, sabe-se que aprender não é memorizar e fixar a informação embora, a memória seja</p><p>necessária, nem tampouco reproduzir ou repetir um conteúdo.</p><p>Aprender não é se submeter, mas um processo dinâmico que se inscreve no diálogo, mediado por quem</p><p>ensina.</p><p>O cenário atual em que a Educação e a Neurociências dialogam ampliou de forma significativa a</p><p>compreensão sobre como se aprende, impactando os modos de ensinar.</p><p>Temos, como profissional envolvido nas questões do ensinar e do aprender, de buscar a atualização sobre</p><p>os processos cognitivos envolvidos na aprendizagem, estabelecendo a relação entre como se ensina e o</p><p>que se aprende com os conhecimentos neurocientíficos.</p><p>1 / 4</p><p>📄 Contextualização</p><p>Introdução</p><p>Atualmente, mais do que nunca, a potência do</p><p>cérebro, com sua intrincada e complexa rede de neurônios,</p><p>que se espalha por todo o corpo, formando o sistema nervoso, é reconhecida como responsável por tudo</p><p>que pensamos, por tudo que sentimos no mundo exterior e interior e pelo modo como agimos e nos</p><p>comportamos.</p><p>Nem sempre foi assim.</p><p>Embora biologicamente o cérebro desempenhasse suas funções, sua existência e importância eram</p><p>ignoradas, chegando a ser um coadjuvante, uma vez que a sede do saber e da inteligência era considerada o</p><p>coração (TIEPPO, 2019).</p><p>Uma explicação para o coração, por muito tempo, ser o ator principal na História repousa no fato de que, em</p><p>situação de medo ou euforia ele dispara, sentimos um aperto no peito se estamos angustiados e não havia</p><p>entendimento de que “sentimos as coisas acontecerem perto do coração – no peito ou na barriga –</p><p>basicamente por conta das nossas vísceras, que são instrumentos reacionais do nosso corpo”, como</p><p>sinaliza Tieppo (2019, p. 18).</p><p>Foi longa a trajetória da Ciência e dada a passos lentos para que o cérebro deixasse de ser coadjuvante e</p><p>fosse concebido como um complexo sistema de processamento de informações.</p><p>Também no século XVII e, a partir do século XVIII, começou-se a observar, por exemplo, que o tecido do</p><p>cérebro tinha substância cinza – superfícies dos hemisférios cerebrais, em grande parte composta de</p><p>neurônios densamente compactados, e branca – uma massa de cabos de comunicação, os axônios que,</p><p>2 / 4</p><p>📄 Material Teórico</p><p>revestidos de mielina, são as partes dos neurônios responsáveis pela condução dos impulsos elétricos em</p><p>diferentes partes do cérebro. Outra constatação dessa época foi a de que os músculos se movimentavam</p><p>quando os nervos eram estimulados eletricamente, sendo que, ao final desse século, o Sistema Nervoso já</p><p>estava dissecado.</p><p>Sabia que a massa cinza e a branca (do tecido nervoso) estão relacionadas à mielina?</p><p>Saiba Mais</p><p>A mielina/bainha de mielina é uma camada lipoproteica, gordurosa, que isola a membrana</p><p>celular ao redor do axônio, envolvendo e protegendo a sua condução e tornando a</p><p>transmissão da mensagem nervosa mais rápida e eficaz ao redor do cérebro, ou seja,</p><p>neurônios com bainha de mielina são mais rápidos.</p><p>Quanto maior, a bainha de mielina, maior no isolamento do neurônio com o meio</p><p>extracelular, maior no campo elétrico formado que, por sua vez, impacta a velocidade da</p><p>transmissão.</p><p>Pelos estudos de neuroimagem, sabe-se que as regiões sensoriais e motoras do cérebro se</p><p>tornam totalmente mielinizadas nos primeiros anos de vida e no córtex pré-frontal continua</p><p>até a adolescência (TIEPPO, 2019; UEBEL 2022).</p><p>Entenda: nas áreas cinzentas, estão localizados os corpos dos neurônios, dendritos e pequenos axônios</p><p>amielinizados e na área branca estão, principalmente, axônios amielinizados que deixam o tecido mais</p><p>esbranquiçado, por conta da gordura, a mielina (TIEPPO, 2019).</p><p>No século XIX, prevaleceram estudos baseados em teorias localizacionistas – cada conjunto de neurônios,</p><p>em determinada área cerebral, tem uma função – em que se buscava identificar o local/a área responsável</p><p>por cada função do cérebro.</p><p>Ainda que na, década de 1990, tenha se intensificado o conhecimento do funcionamento do Sistema</p><p>Nervoso, somente no início do século XX, decorrente das pesquisas sobre o modelo conexionista, é que fica</p><p>conhecida a relação entre a estrutura física do neurônio e a geração de atividade elétrica no cérebro.</p><p>Tomando como referencia estudos sobre o modelo conexionista de, diversos teóricos (AMARAL; GUERRA,</p><p>2020, p. 29) afirmam que:</p><p>Ainda que o neurônio seja, como diz Tieppo (2019), a grande atração do Sistema Nervoso, há outros</p><p>integrantes que compõem o tecido nervoso.</p><p>“As diversas funções mentais estão relacionadas, não apenas à atividade de determinado</p><p>circuito neural de uma área cerebral, mas à atividade integrada de circuitos neurais</p><p>localizados em diferentes áreas cerebrais. Essas áreas conectam-se umas às outras, por</p><p>meio de longos feixes de axônios, compondo redes neurais funcionais.”</p><p>Estamos falando das células que dão suporte aos neurônios, as células gliais, responsáveis por manter o</p><p>Sistema Nervoso unido, vez que, em grego, Glia significa cola.</p><p>Mais do que coadjuvantes – com a função de cola – sabe-se, hoje, que as células da glia ou células gliais</p><p>nutrem, sustentam, isolam e protegem os neurônios.</p><p>Tieppo, ludicamente, com uma analogia, esclarece-nos sobre o papel dessas células:</p><p>Nesta breve introdução, pudemos constatar e reconhecer a complexidade e o caráter interdisciplinar do</p><p>Sistema Nervoso. Ficou inevitável associar o cérebro e os processos mentais a diferentes Áreas do</p><p>Conhecimento e, entre elas, a Educação e a Psicopedagogia.</p><p>Surge, assim, a Neurociência que, segundo Amaral e Guerra (2020, p. 24): “É um campo interdisciplinar do</p><p>conhecimento, voltado para o estudo do cérebro, da mente e do comportamento humano. Ela integra várias</p><p>disciplinas ou áreas do conhecimento que têm o sistema nervoso como objeto de estudo”.</p><p>- TIEPPO, 2019, p. 68</p><p>“O neurônio é aquele ator, cantor estrela, que só entra em cena se tiver no camarim água</p><p>Perrier na temperatura exata de que ele gosta, frutas com creme de chocolate belga (...)</p><p>Isso porque, se o sangue não vier até o neurônio com a quantidade certa de sódio,</p><p>potássio, cálcio, H+, ele não é capaz de gerar atividade elétrica e cumprir seu papel. Então,</p><p>uma das funções das células da glia é regular o meio ambiente iônico para que o neurônio</p><p>entre em cena.”</p><p>Uma Breve Introdução Sobre a Circuitaria Neural do Sistema Nervoso</p><p>Enquanto nos animais as redes neurais estão programadas pelo código genético da espécie e</p><p>funcionalmente prontas no nascimento, na espécie humana, mesmo que os diversos circuitos neurais já</p><p>tenham sido formados, ao longo da gestação, eles ainda não estão prontos para funcionar.</p><p>Isso porque, ainda que, na espécie humana, os diversos circuitos neurais já tenham sido formados ao longo</p><p>da gestação, o desenvolvimento e o funcionamento dessa circuitaria é dependente dos estímulos</p><p>ambientais e das relações sociais.</p><p>No nascimento, o cérebro humano é bastante imaturo, porém, com maior potencial de desenvolvimento do</p><p>que o cérebro dos animais, mas necessitamos das interações e dos estímulos para aprender a andar, a</p><p>comer, a falar, a controlar os esfíncteres, pois apenas a nossa bagagem genética não nos garante uma</p><p>adaptação imediata.</p><p>Posterior e evolutivamente, desenvolvemos aprendizagens mais complexas como ler e escrever, fazer</p><p>cálculos e tomar decisões.</p><p>Aprender é uma característica intrínseca do ser humano, essencial para sua sobrevivência. O Sistema</p><p>Nervoso e, mais especificamente, o cérebro, evoluíram de tal forma que se tornaram estruturas</p><p>especializadas em aprendizagem.</p><p>O aprender é uma característica humana e, conforme pontuam Sousa et al. (2017) apud Amaral e Guerra</p><p>(2020, p. 53), o Sistema Nervoso e, mais especificamente, o cérebro, evoluíram de tal forma que se tornaram</p><p>- AMARAL; GUERRA</p><p>“O cérebro é o órgão da aprendizagem”</p><p>estruturas especializadas em aprendizagem.</p><p>Afirmamos que saber como o cérebro aprende é um aspecto fundamental, mas não suficiente, como dizem</p><p>Amaral e Guerra (2020), para garantir a “mágica do ensinar e do aprender”.</p><p>Aprendizagem e as Funções Executivas</p><p>Rotineiramente, fazemos coisas – escovar os dentes, acender a luz, ligar a televisão, passear com cachorro</p><p>– de modo automático, de modo habitual, que não exige planejamento, atenção e, já que pode ser um hábito,</p><p>o que ocorre é uma ativação de uma sequência já aprendida que não demanda sobrecarga/esforço cognitivo</p><p>e, tampouco, o controle do sujeito.</p><p>Em contrapartida, diante de coisas não habituais ou diante de imprevistos, em que novas informações</p><p>precisam ser processadas e novas estratégias formuladas, há a necessidade da ativação temporária de</p><p>uma sequência de elementos (não aprendidos, não automatizados) que demanda o recrutamento das</p><p>funções executivas responsáveis pelo funcionamento cognitivo controlado para o cumprimento das</p><p>tarefas</p><p>desconhecidas/complexas.</p><p>Assim que a situação complexa se torna familiar e rotineira, a demanda cognitiva fica aliviada e as funções</p><p>executivas “ficam liberadas” para outras tarefas, permitindo que o organismo faça uso eficiente do Sistema</p><p>do Processamento Cognitivo.</p><p>Denomina-se Função Executiva – FEs:</p><p>Teóricos afirmam que o desenvolvimento das FEs tem início no primeiro ano de vida, intensifica-se entre 6 e</p><p>8 anos de idade, e continua até o final da adolescência e início da idade adulta.</p><p>As FEs, quando bem desempenhadas, são importantes para o bom desempenho escolar e são preditoras de</p><p>competências em Matemática e Leitura.</p><p>Estudos sinalizam o papel das FEs na carreira e na saúde física e mental, como sinaliza Moffit et al. (2011,</p><p>apud DIAS; MECCA, 2015, p. 44).</p><p>- BARKLEY, 2012a; GOLDSTEIN; NAGLIERI, 2014, apud DIAS; MECCA, 2015, p. 44</p><p>- BARKLEY, 2012a; GOLDSTEIN; NAGLIERI, 2014, apud DIAS; MECCA, 2015, p. 44</p><p>“Um conjunto de funções altamente sofisticadas, processadas no cérebro, especialmente</p><p>pelo córtex pré-frontal e que se desenvolvem a partir do nascimento até o início da idade</p><p>adulta e permitem aos indivíduos desempenhar ações voluntárias com autonomia e</p><p>organização para atingir metas específicas.”</p><p>“Crianças que entre 3 e 11 anos de idade, apresentam dificuldades em autocontrole</p><p>(manifesto por menor perseverança, maior impulsividade e pobre atenção) ao chegarem</p><p>aos 30 anos apresentam maior risco de ter pior saúde mental, menor salários e maior</p><p>número de atos criminosos quando comparadas a controles com habilidade de</p><p>autocontrole normal.”</p><p>Diamond (2013) define FEs como processos mentais complexos que possibilitam a ação direcionada a</p><p>objetivos e as classifica em funções executivas de primeira ordem – controle inibitório, flexibilidade</p><p>cognitiva, memória operacional – e, funções executivas de segunda ordem – tomada de decisão,</p><p>planejamento e resolução de problemas.</p><p>Nesta Unidade, discutiremos as FEs de primeira ordem.</p><p>Sobre as FEs de Primeira Ordem</p><p>Controle Inibitório</p><p>O Controle Inibitório é uma habilidade que permite o controle de atenção, de pensamentos e de</p><p>comportamentos.</p><p>Diamond (2013, p.137) afirma: o controle inibitório envolve ser capaz de controlar a própria atenção,</p><p>comportamento, pensamentos e/ou emoções para superar uma forte predisposição interna ou atração</p><p>externa e, em vez disso, fazer o que é mais apropriado ou necessário. TRADUÇÃO LIVRE.</p><p>É preciso, mas como ignorar os distratores atencionais, cognitivos e comportamentais?</p><p>A Figura a seguir aponta algumas ações que estimulam o controle inibitório.</p><p>Figura 1 – Freio Inibitório</p><p>Fonte: Adaptada de Getty Images</p><p>Pensar antes de agir, bem como postergar ou inibir a resposta baseada na capacidade de avaliar múltiplos</p><p>fatores, são habilidades relacionadas ao controle inibitório.</p><p>A inibição, segundo Barkley (1997, apud SEABRA et al., 2012, p. 36) inclui:</p><p>“A capacidade de conseguir resistir ao primeiro impulso e dar uma reposta mais adequada,</p><p>bem como permanecer na tarefa apesar de esta ser cansativa ou desmotivadora, apesar</p><p>dos estímulos distratores ou da vontade de fazer outra coisa.”</p><p>No modelo sugerido por Miyake et al. (2000, apud LEON et al., 2013), o componente inibição compreende as</p><p>habilidades de controle inibitório e atenção seletiva, pois permite inibir a atenção a distratores, estimulando</p><p>a autodisciplina e o autocontrole sobre a atenção e as ações tendenciosas ou reativas.</p><p>Para ignorar os distratores – aquilo que desvia o foco atencional – é fundamental a presença da atenção</p><p>seletiva entendida como uma habilidade que permite o funcionamento adaptativo e orientado para um</p><p>propósito, vez que exclui determinados estímulos, com o objetivo de lidar de modo eficaz com outros.</p><p>Saiba Mais</p><p>A atenção, como processo cognitivo, não deve ser entendida/concebida como um construto</p><p>unitário, vez que a seleção do estímulo envolve diferentes fatores.</p><p>A clássica divisão deste construto (STRAUSS; SHERMAN; SPREEN, 2006, apud DIAS;</p><p>MECCA, 2015, p. 54), propõe três categorias, sendo:</p><p>Atenção seletiva: priorizar estímulos relevantes e desconsiderar os irrelevantes, dito de outro</p><p>modo, manter o foco, apesar das distrações;</p><p>Atenção sustentada: manter a atenção e o foco sobre o estímulo, sobre a tarefa a ser realizada;</p><p>Atenção dividida/alternada: alternar o foco atencional e substitui-lo por outro, enquanto realiza a</p><p>tarefa.</p><p>Reflita</p><p>Você vai atravessar a rua em direção ao ponto, pois o ônibus que você espera está se</p><p>aproximando quando inesperadamente um ciclista atravessa na sua frente.</p><p>Sabendo que a orientação da atenção trava uma disputa entre objetivos internos e</p><p>demandas externas que podem “roubar ou capturar” nossa atenção, temos o seguinte</p><p>dilema: “Dirigimos nossa atenção para um estímulo de forma automática ou de forma</p><p>voluntária?”</p><p>Figura 2 – Ouvir ou ver</p><p>Fonte: Getty Images</p><p>A apresentação sumarizada dos processos atencionais – tipos de atenção, podem ser identificados na</p><p>cena acima, em que o trabalhador da construção civil com projetos, falando ao telefone, precisa</p><p>simultaneamente manter a atenção seletiva sobre o estímulo, alternar o foco atencional e substituí-lo por</p><p>outro, priorizando estímulos relevantes e desconsiderando os irrelevantes a fim de se obter uma resposta</p><p>rápida e eficaz.</p><p>Flexibilidade Cognitiva</p><p>A Flexibilidade Cognitiva se refere à habilidade de mudança de perspectiva, ou seja, é preciso mudar a rota,</p><p>encontrar outro jeito para solucionar determinada questão.</p><p>Diamond (2013) sinaliza que a flexibilidade cognitiva envolve a mudança de perspectiva e, para mudar as</p><p>perspectivas, precisamos inibir (ou desativar) nossa perspectiva anterior e carregar no WM (ou ativar) uma</p><p>perspectiva diferente. É nesse sentido que a flexibilidade cognitiva requer e se baseia no controle inibitório e</p><p>na Memória Operacional – MO.</p><p>Flexibilidade cognitiva está relacionada à alternância, ou seja, “’ir e voltar’” entre múltiplas tarefas ou</p><p>"operações", segundo Miyake et al. (2000, apud MENEZES et al., 2012, p. 37), ou seja, é a capacidade de</p><p>mudar o curso de ação, alternando o foco atencional.</p><p>Dawson e Guare (2010, apud LEON et al., 2013, p. 114) sinaliza que, em relação à linguagem, a inflexibilidade</p><p>cognitiva pode limitar, por exemplo, a capacidade de abstração e de sentido figurado.</p><p>Figura 3 – Flexibilidade cognitiva</p><p>#ParaTodosVerem: esquema que demonstra a flexibilidade cognitiva. Temos cinco caixas de</p><p>texto, uma ao centro e as outras quatro ao redor da primeira, ligadas a ela. Na caixa do</p><p>centro, lemos "Flexibilizar é preciso", nas outras, em sentido horário, temos "Usar distintas</p><p>estratégias"; "Pensar em alternativas para conciliar a e b"; "Mudar a rota"; e "Reconhecer</p><p>outros pontos de vista". Fim da descrição.</p><p>Memória Operacional</p><p>A Memória Operacional – MO se refere ao processo que possibilita manter informações disponíveis e</p><p>manipulá-las mentalmente.</p><p>Segundo o Boletim da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia, a MO indica tanto o armazenamento quanto</p><p>o processamento/manipulação de informação (BOLETIM SBNp, 2018).</p><p>Nesse mesmo Boletim, fundamentada em Miyake e Shah (1999, apud ROCHA, 2018), MO é definida como:</p><p>Dawson e Guare (2010, apud LEON et al., 2013, p. 114) pontuam que a memória de trabalho é demandada na</p><p>compreensão, tanto auditiva quanto de leitura, na aprendizagem e no raciocínio.</p><p>Recorremos à memória operacional – representação transitória das informações relevantes para dada</p><p>tarefa – quando precisamos nos lembrar de sequências de acontecimentos, fazer cálculos mentais,</p><p>“Aqueles mecanismos ou processos envolvidos no controle, regulação e manutenção ativa</p><p>de informações relevantes para a tarefa a serviço da cognição complexa, incluindo tanto</p><p>tarefas novas quanto familiares, cuja solução é conhecida.”</p><p>relacionar fatos (passado e presente), considerar ideias por diferentes perspectivas, relacionar partes</p><p>diversas em uma leitura, atividades em que temos de manter, atualizar e trabalhar com uma informação</p><p>enquanto</p><p>realizamos outra tarefa.</p><p>Memória Operacional não é sinônimo de memória de curto prazo.</p><p>Teóricos da Aprendizagem Dialogando com a Neurociências</p><p>A partir de estudos de diferentes teóricos Amaral e Guerra (2020) verificaram a verificamos a aproximação</p><p>entre as teorias de Ausubel, Vygotsky, Dewey e Wallon com a Neurociências que, sumariamente,</p><p>apresentamos no Quadro a seguir:</p><p>Você Sabia?</p><p>Déficits em funções executivas – FEs, são características de diversos Transtornos do</p><p>Desenvolvimento, o que leva à sugestão de que as FEs atuam como fator protetivo no curso</p><p>do desenvolvimento humano, prevenindo a manifestação dos sintomas de transtornos como</p><p>o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro</p><p>Autista (TEA) (JOHNSON, 2012, apud BOLETIM SBNp, 2018).</p><p>Quadro 1 – Aprendizagem e Neurociências</p><p>Seja na intervenção psicopedagógica, seja na sala de aula, não é visível a circuitaria cerebral mas,</p><p>habilidades e comportamentos que se entendidos e compreendidos na/pela perspectiva da Neurociência</p><p>potencializam a aprendizagem, dão sentido a algumas práticas que já são realizadas e inspiram ideias para</p><p>outras intervenções.</p><p>Aprendizagem e as Entradas/Canais Sensoriais</p><p>Anteriormente, vimos que o cérebro determina quem somos e o que fazemos (SIEGEL; BRYSON, 2015). É</p><p>onde são processadas as informações captadas do ambiente pelos receptores sensoriais.</p><p>Na interação com o ambiente, ativamos os canais sensoriais e, entre eles, a visão e a audição que, além de</p><p>ver e ouvir, devem processar as informações e, desse modo “conhecer e saber estimular os canais</p><p>sensoriais torna-se a base da aprendizagem” como sinalizam Pantano e Rocca (2015).</p><p>Figura 4 – Trajeto da Aprendizagem</p><p>Fonte: Adaptada de PANTANO; ROCCA, 2015</p><p>#ParaTodosVerem: esquema que demonstra o trajeto da aprendizagem. Há uma seta, que</p><p>aponta da esquerda para a direita. No corpo da seta há quatro caixas de texto, sendo,</p><p>também, da esquerda para a direita "Canais sensoriais", "Atenção", "Memórias" e</p><p>"Aprendizagem". Fim da descrição.</p><p>Ao observar esse trajeto, podemos afirmar: “não basta” ativar o canal sensorial. Isso porque, segundo essas</p><p>autoras, as informações sensoriais são constantemente significadas de acordo com novas memórias e</p><p>novos significados, que são processados em termos cerebrais.</p><p>Vale lembrar que “uma das funções mais importantes do sistema nervoso é a construção de uma</p><p>representação interna sobre os eventos externos que seja tão fidedigna quanto possível, para que possa</p><p>resultar em ações mais rápidas e eficiente” (TIEPPO, 2019, p. 111).</p><p>Entende-se que as ações/as respostas, para serem adequadas a cada situação, são dependentes de um</p><p>processamento das sensações eficientes e de um arsenal comportamental preparado para lidar com os</p><p>diferentes estímulos.</p><p>A informação seja visual, seja auditiva, percorre um caminho desde o momento em que essa informação</p><p>visual (imagem) ou auditiva (som) é transformada em impulso elétrico, para que haja o processamento, seja</p><p>da imagem, seja do som, e a posterior compreensão e a devida resposta.</p><p>Sentimos e reagimos, ou seja, há uma rota de ida e uma rota de volta, toda vez que recebemos uma</p><p>informação do ambiente – o calor que vem do asfalto, o cheiro do pão saindo do forno, o som de uma banda</p><p>de rock – emitimos um comportamento.</p><p>Vamos esclarecer a rota de ida e volta.</p><p>Os receptores sensoriais funcionam como:</p><p>Transdutores de energia (...) a energia captada do ambiente (um som, um cheiro, um toque) é transportada</p><p>pelo sistema nervoso por meio dos neurônios e levada ao Sistema Nervoso Central, onde as informações</p><p>são processadas, combinadas com outras (TIEPPO, 2019. p. 115) gerando uma resposta.</p><p>Uma criança com falhas no processamento visual e ou auditivo podem interpretar e significar uma</p><p>informação de modo equivocado.</p><p>Saiba Mais</p><p>Um transdutor de energia é capaz de transformar um tipo de energia em outro, conservando</p><p>uma boa relação entre as quantidades de energia.</p><p>Exemplo de transdutores: a antena, o microfone.</p><p>A Interpretação da Informação Auditiva e da Informação Visual</p><p>A eficiência e a efetividade com o qual o cérebro recebe o estímulo é proporcional ao modo como se dá o</p><p>processamento desse mesmo estímulo.</p><p>No caso dos estímulos auditivos, Pantano e Rocca (2015) afirmam que o processamento da informação</p><p>auditiva está relacionado “a processos neurofisiológicos e cognitivos que ocorrem nos centros auditivos do</p><p>tronco encefálico e do cérebro” que diz respeito, entre outros, à:</p><p>No caso dos estímulos visuais, também Pantano e Rocca (2015) afirmam que o processamento da</p><p>informação é dependente “do reconhecimento das características físicas dos objetos que é construído pelo</p><p>cérebro”.</p><p>As características dos objetos – informações visuais – referem-se à espacialidade, forma, cor, movimento,</p><p>que são enviadas distintamente e reunidas ao final do trajeto do nervo óptico, para que o objeto possa ser</p><p>reconstruído e visto pelo cérebro.</p><p>Vale lembrar que, ainda que o olho seja o órgão da visão, não enxergamos um objeto e sim partes dele, que</p><p>estimulam os receptores dos olhos, os cones – sensíveis a cores e detalhes do objeto e, os bastonetes –</p><p>sensíveis às variações de luz, sombra e movimento, os neurônios recebem esses impulsos e reconstroem o</p><p>objeto.</p><p>Atenção: o modo pelo qual o sujeito presta atenção à fala, aos sons do ambiente e como os</p><p>seleciona;</p><p>Discriminação: habilidade relativa à capacidade de distinguir semelhanças e diferenças entre os</p><p>sons;</p><p>Integração: habilidade relativa à capacidade de unir a informação auditiva (aquilo que se ouve) a</p><p>informações de diferentes modalidades sensoriais;</p><p>Prosódia: habilidade relacionada à recepção e à interpretação de padrões não verbais como o</p><p>ritmo e a entonação.</p><p>A essa reconstrução dá-se o nome de percepção, sendo a percepção visual a habilidade para interpretar,</p><p>analisar e dar significado ao que veem.</p><p>Observando o Processamento das Informações</p><p>Os bebês que choram ao escutarem sons de maior intensidade, que reconhecem mudanças na entonação</p><p>da voz e palavras familiares em situações do cotidiano sinalizam a integridade do desenvolvimento auditivo,</p><p>uma vez que localizam e identificam os diferentes estímulos sonoros (PANTANO; ROCCA, 2015).</p><p>Situação análoga ocorre em relação à integridade do desenvolvimento visual de bebês, quando eles</p><p>reconhecem traços faciais da mãe, relacionando a imagem ao som da voz, e buscam o contato visual.</p><p>Crianças que confundem objetos visualmente semelhantes, que mostram dificuldade para isolar uma</p><p>informação/um objeto dentre vários (figura – fundo), que confundem letras com grafia semelhante podem</p><p>apresentar comprometimento no processamento visual.</p><p>Crianças que necessitam de repetição de instrução, que têm dificuldade para aprender letra de música, que</p><p>mostram dificuldade em tarefas de consciência fonológica e começam a ter desempenho acadêmico</p><p>insatisfatório, podem apresentar comprometimento no processamento auditivo.</p><p>Na escola, quando as crianças/alunos precisam reconhecer uma letra, uma forma, evocar uma sequência</p><p>numérica, distinguir letras e palavras semelhantes, escrever palavras com determinado som, associar</p><p>grafema e fonema, entre tantas outras habilidades, os canais sensoriais são ativados.</p><p>Discriminar, processar e perceber corretamente aquilo que se vê ou discriminar, processar e saber</p><p>responder a diferentes odores e, ainda, a capacidade de perceber, discriminar, processar os paladares estão</p><p>entre algumas das habilidades a serem estimuladas na infância.</p><p>Saiba Mais</p><p>A mola Visão, Audição, Olfato Gustação, Equilíbrio está ligada a receptores de tecidos</p><p>específicos nos olhos, ouvidos, nariz, boca e aparelho vestibular respectivamente.</p><p>Mas há outros modos/formas de sensibilidade:</p><p>Somestesia: refere-se à sensibilidade do corpo, envolve um conjunto de informações sensoriais</p><p>Temperatura, Pressão, Vibração, Dor (TIEPPO, 2019).</p><p>Em Síntese</p><p>Por que estudar e entender a relação e a interdependência entre o funcionamento cerebral e</p><p>a aprendizagem?</p><p>Formulamos essa questão no início desta Unidade e, agora, conhecidos os princípios básicos</p><p>da Neurociência, buscamos respondê-la, ainda que de forma concisa.</p><p>Se a Neurociência busca entender como o cérebro aprende, como ele se comporta no</p><p>processo de aprendizagem, então, entendemos o conhecimento das funções cerebrais como</p><p>fundamental para o estímulo de um desenvolvimento cognitivo saudável.</p><p>A importância desse conhecimento – de como se processa a construção da aprendizagem</p><p>no cérebro, reside no fato de que tais conhecimentos poderão proporcionar estratégias e</p><p>metodologias eficazes que considerem os distintos modos de aprender dos sujeitos/alunos.</p><p>Cosenza e Guerra (2011) corroboram:</p><p>“As estratégias de aprendizagem que têm mais chances de obter sucesso são aquelas que</p><p>levam em conta a forma do cérebro de aprender, sendo importante respeitar os processos</p><p>de repetição, elaboração e consolidação. Como também faz diferença utilizar diferentes</p><p>canais de acesso ao cérebro e de processamento da informação.”</p><p>Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:</p><p>Livros</p><p>O Cérebro na Infância: um Guia para Pais e Educadores Empenhados em</p><p>Formar Crianças Felizes e Realizadas</p><p>A autora Mariana Uebel apresenta, de forma organizada, informações sobre a primeira infância e as</p><p>Ciências.</p><p>UEBEL, M. O cérebro na Infância: um guia para pais e educadores empenhados em formar crianças felizes e</p><p>realizadas. São Paulo: Contexto, 2022.</p><p>Vídeos</p><p>As Funções Executivas: por Adele Diamond</p><p>De tão curtinho, é quase um recado da Diamond, sobre a importância das funções executivas.</p><p>3 / 4</p><p>📄 Material Complementar</p><p>Sinapse – Como os Neurônios se Comunicam?</p><p>Breve, mas didática explicação de como os neurônios se comunicam.</p><p>As funções executivas: por Adele DiamondAs funções executivas: por Adele Diamond</p><p>SINAPSE - COMO OS NEURÔNIOS SE COMUNICAM?SINAPSE - COMO OS NEURÔNIOS SE COMUNICAM?</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=lKnqBQMK_ug</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=LYSEdzSgNEM</p><p>SBNp – Ciência Cognitiva e Educação: Neurociência e Aprendizagem</p><p>Um vídeo da SBNp, de 8 anos atrás, mas atual, na temática que apresenta as contribuições da Neurociência</p><p>para a Educação.</p><p>SBNp - Ciência Cognitiva e Educação: Neurociência e AprendizageSBNp - Ciência Cognitiva e Educação: Neurociência e Aprendizage……</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=HkrU-XeYwWc</p><p>AMARAL, A. L. N.; GUERRA, L. B. Neurociência e educação: olhando para o futuro da aprendizagem. Brasília:</p><p>SESI/DN, 2020.</p><p>BOLETIM SBNp, São Paulo, v. 1, n. 5, p. 1-34, set. 2018. Disponível em: . Acesso em: 05/01/2023.</p><p>COSENZA, R. M.; GUERRA, L. B. Neurociência e Educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011.</p><p>DIAMOND, A. Executive functions. Annual review of psychology, s.l., n. 64, p. 135-168, 2013.</p><p>DIAMOND, A. Executive Functions. Annu. Rev. Psychol. 2013. 64:135–68. DOI-10.1146/annurev-psych-113011-</p><p>143750</p><p>DIAS, N. M.; MECCA, T. P. Contribuições da Neuropsicologia para intervenção no contexto educacional. São Paulo:</p><p>Memnon, 2015.</p><p>LEON, C. B. R. et al. Funções executivas e desempenho escolar em crianças de 6 a 9 anos de idade. Rev.</p><p>psicopedag., São Paulo, v. 30, n. 92, p. 113-120, 2013. Disponível em . Acesso em: 19/01/2023.</p><p>MENEZES. A. et al. Definições teóricas acerca das funções executivas e da atenção. In: Seabra, A. G.; Dias,</p><p>N. M. ed. Avaliação neuropsicológica cognitiva: atenção e funções executivas. São Paulo: Memnon; 2012. p. 34-</p><p>41. v. 1.</p><p>4 / 4</p><p>📄 Referências</p><p>NEUROCIÊNCIA e Educação. Neurociência e educação: olhando para o futuro da aprendizagem – Portal da</p><p>Indústria – CNI (googleusercontent.com). Disponível em:</p><p>. Acesso em: 11/02/2023.</p><p>PANTANO, T.; ROCCA, C. C. A. Como se estuda? Como se aprende? São José dos Campos: Pulso, 2015.</p><p>ROCHA, M. C. M. Funções Executivas: O Que São e Qual Seu Papel na Neurociência Cognitiva? Boletim SBNp,</p><p>São Paulo, v. 1, n. 5, p. 1-34, set. /2018.</p><p>SEABRA, A. et al. Definições teóricas acerca das funções executivas e da atenção. SEABRA, A. G.; DIAS N.</p><p>M. Avaliação Neuropsicológica Cognitiva – Atenção e Funções Executivas. São Paulo: Memnon, 2012.</p><p>SIEGEL, D. O cérebro da criança: 12 estratégias revolucionárias para nutrir a mente em desenvolvimento. São</p><p>Paulo: N Versos, 2015.</p><p>TIEPPO, C. Uma viagem pelo cérebro: a via rápida para entender Neurociência. São Paulo: Editora Conectomus,</p><p>2019.</p><p>UEBEL, M. P. O Cérebro na Infância: um guia para pais e educadores empenhados em formar crianças felizes e</p><p>realizadas. São Paulo: Contexto, 2022.</p><p>Conteudista: Prof.ª M.ª Cristina Natel</p><p>Revisão Textual: Prof.ª Dra. Selma Aparecida Cesarin</p><p>Objetivos da Unidade:</p><p>Abordar a Psicopedagogia e a Neurociências;</p><p>Conceituar Psicopedagogia e Neurociências;</p><p>Entender a interface entre a Neurociências e a Psicopedagogia</p><p>📄 Contextualização</p><p>📄 Material Teórico</p><p>📄 Material Complementar</p><p>📄 Referências</p><p>Psicopedagogia e Neurociências</p><p>A Psicopedagogia é de natureza interdisciplinar, uma Área de Estudo no contexto da Educação e da Saúde,</p><p>tendo inserção no âmbito clínico (terapêutico) e no âmbito institucional, e tem como foco a aprendizagem.</p><p>Promover, propiciar, estimular a aprendizagem requer do profissional – professor, psicopedagogo –</p><p>conhecimentos sobre a relação entre desenvolvimento e aprendizagem – a fim de que sejam</p><p>ofertadas/favorecidas as condições adequadas de acordo com as possibilidades de desenvolvimento de</p><p>cada sujeito.</p><p>Na atualidade, seja no âmbito educacional, seja no âmbito corporativo estão presentes sujeitos –</p><p>alunos/funcionários/colaboradores com diferentes condições/quadros, sejam comportamentais, sejam</p><p>neurológicos que, sendo entendidos em sua especificidade e no limite de suas possibilidades, podem</p><p>aprender e se desenvolver.</p><p>O conhecimento do funcionamento cerebral a partir da neuroimagem funcional possibilitou descobertas</p><p>essenciais sobre circuitos e áreas cerebrais que são ativadas durante os processos de leitura, cálculo,</p><p>atenção e memorização.</p><p>É possível pensar, então, na construção de uma ponte entre Psicopedagogia e Neurociências e em como</p><p>esta última pode contribuir no processo da aprendizagem.</p><p>1 / 4</p><p>📄 Contextualização</p><p>Introdução</p><p>A Psicopedagogia concebida como Área de Conhecimento interdisciplinar dialoga e faz tangência com</p><p>diversas teorias que embasam sua práxis.</p><p>A definição de seu objeto estudo passou por fases distintas, mas há, atualmente, o consenso de que esse</p><p>objeto é o sujeito em processo de aprendizagem, o que implica, por sua vez, considerar a singularidade para</p><p>aprender e apreender a realidade de cada sujeito</p><p>O Artigo 1º e o Parágrafo 1º do Código de Ética do Psicopedagogo da Associação Brasileira de</p><p>Psicopedagogia (CÓDIGO, 2019) define Psicopedagogia e aborda a intervenção psicopedagógica:</p><p>2 / 4</p><p>📄 Material Teórico</p><p>“Art. 1º. A Psicopedagogia é um campo de conhecimento e ação interdisciplinar em</p><p>Educação e Saúde com diferentes sujeitos e sistemas quer sejam pessoas, grupos,</p><p>instituições e comunidades. Ocupa-se do processo de aprendizagem considerando os</p><p>sujeitos e sistemas, a família, a escola, a sociedade e o contexto social, histórico e</p><p>cultural.</p><p>Utiliza instrumentos e procedimentos próprios, fundamentados em referenciais teóricos</p><p>distintos que convergem para o entendimento dos sujeitos e sistemas que aprendem e</p><p>sua forma de aprender.</p><p>Tomando como referência o Código de Ética do Psicopedagogo (CÓDIGO, 2019) ratificamos ser a</p><p>aprendizagem o objeto de estudo da Psicopedagogia, sendo que a intervenção ocorre em diversos âmbitos.</p><p>A Psicopedagogia</p><p>ao “considerar o caráter indissociável entre as processos de aprendizagem, as</p><p>dificuldades e as possibilidades dos sujeitos e sistemas” (CÓDIGO, 2019) converge, tangencia com a</p><p>Neurociências, na medida em que esta esclarece aspectos fundamentais do desenvolvimento humano,</p><p>bem como oferece subsídios para entender, por exemplo, que áreas cerebrais são estimuladas com cada</p><p>tipo de atividade possibilitando ao Educador, ao Psicopedagogo, identificar os vários fatores que interferem</p><p>no processo de ensino e de aprendizagem, nas diferentes fases desse desenvolvimento e quais as</p><p>estratégias eficazes para a promoção da aprendizagem de todos e de cada um.</p><p>Entende-se que a atuação do Psicopedagogo não se destina ao treino de habilidades ou ao reforço</p><p>pedagógico, mas para compreender os aspectos cognitivos envolvidos na aprendizagem é preciso aprender,</p><p>como sinaliza Gindrin et al. (2012) apud Oncalla, (2018, p.217): “Sobre memória, percepção, atenção,</p><p>abstração, raciocínio, processamento de informação, sono, atenção, funções executivas”, que permite</p><p>entender como a aquisição do conhecimento acontece.</p><p>Se, a aprendizagem está/é dependente das atividades físico-químicas complexas que ocorrem nos circuitos</p><p>neuronais, então, justifica-se o conhecimento dos pressupostos da Neurociências para o entendimento do</p><p>processamento cerebral, do funcionamento da memória e do registro sensorial, entre tantos outros</p><p>aspectos que impactam no aprender e no ensinar.</p><p>Parágrafo 1º – A intervenção psicopedagógica é da ordem do conhecimento. relacionada</p><p>com a aprendizagem considerando o caráter indissociável entre os processos de</p><p>aprendizagem, as dificuldades e as possibilidades dos sujeitos e sistemas”</p><p>Código de Ética – São Paulo</p><p>Clique no botão para conferir o conteúdo.</p><p>ACESSE</p><p>Código de Ética do Psicopedagogo</p><p>Clique no botão para conferir o conteúdo.</p><p>ACESSE</p><p>Psicopedagogia</p><p>A certeza do saber, impregnado de pré-saberes, diminui a possibilidade de ver e aumenta a nossa surdez par</p><p>o inesperado, o não dito e o ainda não dito (ANDERSON, 2012).</p><p>O fazer psicopedagógico, a práxis psicopedagógica, é multivariado, adota concepções das mais diversas,</p><p>dependendo sempre do modo como se compreende a aprendizagem, mas uma inquietação recorrente do</p><p>Psicopedagogo diz respeito, pelo menos, a duas questões:</p><p>Leitura</p><p>Leia o Código de Ética do Psicopedagogo na íntegra em:</p><p>Como o sujeito se relaciona com os objetos de conhecimento? Como aprende?;1</p><p>https://saopauloabpp.com.br/novosite/quem-somos/codigo-de-etica/</p><p>https://www.abpp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/codigo_de_etica.pdf</p><p>Ainda que haja uma prática e diferentes estilos, o Psicopedagogo busca a resposta para essas questões e</p><p>tece sua prática a partir dos fatores, das variáveis e dos vínculos da/com a aprendizagem, que sumariamente</p><p>vamos apresentar.</p><p>Os Fatores Envolvidos na Aprendizagem</p><p>Na aprendizagem e nos problemas da aprendizagem, segundo Pain (1985, p. 29-33), precisam ser</p><p>considerados os fatores orgânicos, os fatores específicos, os fatores psicógenos e os fatores ambientais.</p><p>Pain (1985) esclarece sobre os fatores específicos, psicógenos e ambientais como sendo,</p><p>respectivamente: aqueles em que há uma suspeita de origem orgânica, nem sempre possível de ser</p><p>verificada, aqueles em que o não aprender pode ser relacionado a duas possibilidades: como sintoma e</p><p>como retração intelectual do ego – inibição cognitiva, e aqueles que se referem ao meio ambiente material,</p><p>às possibilidades reais que o meio oferece e às quais o sujeito pode ter acesso, configurando-se o campo</p><p>de aprendizagem.</p><p>Como planejar a intervenção para as diferentes dificuldades e transtornos de aprendizagem</p><p>apresentadas pelo sujeito?</p><p>2</p><p>Saiba Mais</p><p>Inibição, neste contexto, não está relacionada à função executiva do Controle Inibitório.</p><p>A inibição intelectual faz parte de um processo de inibição psíquica mais abrangente,</p><p>envolvendo movimentos inconscientes. É uma defesa intrapsíquica, que tem por objetivo</p><p>evitar a angústia de conhecer, de aprender (FREUD,1976 apud PAIN, 1985).</p><p>Em consonância com o objetivo de aprendizagem desta Unidade, priorizamos os fatores orgânicos sobre os</p><p>quais Pain afirma:</p><p>O funcionamento glandular é um outro aspecto a ser investigado/considerado, vez que deficiências</p><p>glandulares podem estar relacionadas, dentre outros quadros, a estados de sonolência e a falta de</p><p>concentração (PAIN, 1985).</p><p>Também a alimentação, seja no quesito qualidade, seja na quantidade, merece atenção, pois o “déficit</p><p>alimentar crônico produz uma distrofia generalizada que abrange sensivelmente a capacidade de aprender”</p><p>(PAIN, 1985, p. 29).</p><p>Fernández (1990, p. 38) sinaliza que a organicidade por si só não explica porque alguém não aprende ainda</p><p>que “o organismo alterado provê o terreno no qual se torna mais fácil alojar-se um problema de</p><p>aprendizagem, mas não é determinante”.</p><p>- PAIN, 1985, p. 29</p><p>“A investigação neurológica é necessária para conhecer a adequação do instrumento às</p><p>demandas da aprendizagem. O sistema nervoso sadio se caracteriza, a nível de</p><p>comportamento, pelo seu ritmo, sua plasticidade, seu equilíbrio. Quando há lesões ou</p><p>desordens corticais encontramos uma conduta rígida, estereotipada, confusa, viscosa,</p><p>patente na educação perceptivo motora (hipercinesias, espasticidade etc.), ou na</p><p>compreensão (apraxias, afasias, certas dislexias)”</p><p>Conforme essa mesma autora, afirmamos que não existe uma única causa para os problemas, dificuldades</p><p>e ou transtornos de aprendizagem, devendo o Psicopedagogo buscar a relação particular que o sujeito</p><p>estabelece com o conhecimento e o significado do aprender.</p><p>As Variáveis Envolvidas na Aprendizagem</p><p>Um outro pressuposto da Psicopedagogia para compreender a aprendizagem e suas dificuldades é</p><p>considerar as quatro variáveis que intervêm nesse processo, pois, segundo Fernández (1990, p. 47), para</p><p>aprender, o ser humano deve colocar em jogo:</p><p>Entende-se, então, que o Psicopedagogo compreende as questões ligadas ao não aprender a partir das</p><p>variáveis complexas na aprendizagem: organismo, corpo, cognitiva, simbólica (PAIN, 1996) (FERNÁNDEZ,</p><p>1990), vez que:</p><p>Seu organismo individual herdado;</p><p>Seu corpo construído especularmente;</p><p>Sua inteligência autoconstruída internacionalmente;</p><p>A arquitetura do desejo, desejo que é sempre desejo do desejo do outro.</p><p>O organismo, programado por meio de sistemas (nervoso, digestivo, respiratório), constitui a</p><p>infraestrutura neurofisiológica de todas as coordenações possíveis. Funcionando bem,</p><p>possibilita os automatismos e a memorização e, portanto, a aprendizagem;</p><p>É pelo corpo que ocorrem todas as coordenações percepto-motoras, mas também as</p><p>ressonâncias afetivas (PAIN,1996). Nele, inscrevem-se as tensões, as emoções que vamos</p><p>modulando, pois, para cada movimento, ressoa corporalmente um sentimento;</p><p>A presença no sujeito de uma variável/estrutura cognitiva adequada ao nível de compreensão</p><p>requerido, permite/favorece o processamento da informação, do conteúdo;</p><p>Isso posto, entendemos que, necessariamente, em todo processo de aprendizagem estão presentes o</p><p>corpo, o organismo, a cognição e o desejo, dimensões essas que devem ser “compreendidas de uma forma</p><p>entretecida, sendo a aprendizagem uma operação cruzada entre processos objetivantes e processos</p><p>subjetivantes [...] que se faz na corporeidade encarnada no jogo entre organicidade, objetividade e</p><p>subjetividade” (HICKEL, 2021, p.115)</p><p>Os Sujeitos Envolvidos na Aprendizagem</p><p>Ainda que no processo de aprendizagem haja aquele que aprende e aquele que ensina, Fernández (1990, p.</p><p>52) sinaliza que o conhecimento não pode ser transmitido em bloco e “não aprendemos de qualquer um,</p><p>aprendemos daquele a quem outorgamos confiança e direito de ensinar”.</p><p>Essa autora, ao nomear quem ensina de ensinante e quem aprende de aprendente concebe-os como posições</p><p>subjetivas que simultaneamente transitam entre o ensinar e o aprender, vez que o foco do Psicopedagogo</p><p>está, sobretudo, nas inter-relações entre o conhecer e o saber de um sujeito</p>