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<p>Ampulheta de Gallahue</p><p>Apresentação</p><p>O processo de desenvolvimento motor é uma alteração progressiva do comportamento motor</p><p>durante o ciclo da vida. Todas as pessoas, independentemente da idade, estão envolvidas no</p><p>processo de aprender a como devem se movimentar, com controle e competência, em resposta às</p><p>mudanças que enfrentam em seu ambiente no dia a dia. O modelo teórico da Ampulheta de</p><p>Gallahue tem servido de base para a compreensão do que ocorre e do porquê ocorre esse processo</p><p>de desenvolvimento.</p><p>Nesta Unidade de Aprendizagem, você irá conhecer o modelo da Ampulheta de Gallahue e, a partir</p><p>dela, compreender as fases do desenvolvimento motor. Além disso, irá reconhecer os fatores</p><p>individuais e ambientais que influenciam o processo desse desenvolvimento.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Esquematizar os princípios lógicos de aquisição de habilidades motoras por meio da</p><p>Ampulheta de Gallahue.</p><p>•</p><p>Classificar os distintos níveis de cada fase motora específica.•</p><p>Apontar exemplos práticos de como os fatores ambientais e individuais influenciam o</p><p>desenvolvimento motor.</p><p>•</p><p>Infográfico</p><p>A Ampulheta de Gallahue é um modelo teórico que fornece orientações para a descrição e para</p><p>a explicação do comportamento motor em cada faixa etária.</p><p>Nela, são propostas quatro fases de desenvolvimento:</p><p>- Motora reflexa: reflexos são movimentos involuntários, por meio dos quais o bebê obtém</p><p>informações sobre seu corpo e sobre o ambiente que o cerca.</p><p>- Motora rudimentar: aparecimento das primeiras atividades motoras voluntárias.</p><p>- Motora fundamental: exploração e experimentação das habilidades motoras.</p><p>- Motora especializada: habilidades fundamentais são refinadas e combinadas para serem utilizadas</p><p>em situações com nível de exigência crescente, em atividades do dia a dia e nos esportes.</p><p>Saiba mais sobre a Ampulheta de Gallhahue no Infográfico.</p><p>Aponte a câmera para o</p><p>código e acesse o link do</p><p>conteúdo ou clique no</p><p>código para acessar.</p><p>https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/7e420370-33b8-46d4-b090-724b0939f90a/4382522d-602b-4005-9812-89b9707673e8.jpg</p><p>Conteúdo do livro</p><p>Você nasce, aprende a sentar, a engatinhar e a dar os primeiros passos. Cai. Levanta e caminha</p><p>novamente. Quando percebe, já está correndo e saltando com destreza. Na segunda infância,</p><p>aprende a chutar, a arremessar, a rebater. Na adolescência, atinge a maturidade para decidir em</p><p>qual modalidade deseja se especializar, aplicando e refinando as habilidades motoras até então</p><p>desenvolvidas em situações esportivas e recreacionais. Essa alteração do comportamento motor</p><p>durante a vida é chamada de desenvolvimento motor.</p><p>No capítulo Ampulheta de Gallahue, da obra Crescimento e Desenvolvimento Humano e</p><p>Aprendizagem Motora, você irá conhecer todos os detalhes sobre o modelo que tem servido de base</p><p>para a compreensão do que ocorre e do porquê ocorre o processo de desenvolvimento motor.</p><p>CRESCIMENTO E</p><p>DESENVOLVIMENTO</p><p>HUMANO E</p><p>APRENDIZAGEM</p><p>MOTORA</p><p>Rochelle Rocha Costa</p><p>Ampulheta de Gallahue</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Esquematizar os princípios lógicos da aquisição de habilidades motoras</p><p>por meio da ampulheta de Gallahue.</p><p> Classificar os níveis de cada fase motora específica.</p><p> Apresentar exemplos práticos de como os fatores ambientais e indi-</p><p>viduais influenciam o desenvolvimento motor.</p><p>Introdução</p><p>Você nasce, aprende a sentar, a engatinhar e dá seus primeiros passos.</p><p>Cai, levanta e caminha novamente. Quando percebe, já está correndo</p><p>e saltando com destreza. Na segunda infância, aprende-se a chutar, a</p><p>arremessar, a rebater, etc. Com a chegada da adolescência, atinge-se</p><p>a maturidade para decidir em qual modalidade deseja se especializar,</p><p>aplicando e refinando as habilidades motoras, até então desenvolvidas,</p><p>em situações esportivas e recreacionais.</p><p>Essa alteração do comportamento motor durante a vida é chamada</p><p>de desenvolvimento motor. O modelo da ampulheta de Gallahue tem</p><p>servido como base para a compreensão de como ocorre o processo de</p><p>desenvolvimento motor.</p><p>Ampulheta de Gallahue</p><p>A ampulheta de Gallahue é um modelo teórico de desenvolvimento motor que</p><p>fornece orientações para a descrição e explicação do comportamento motor,</p><p>conforme representado na Figura 1. A ampulheta em si representa a visão</p><p>descritiva do desenvolvimento, ao passo que o triângulo invertido que a cerca,</p><p>a visão explicativa, ou seja, a ampulheta representa como é o desenvolvimento</p><p>motor em determinada faixa etária e o triângulo corresponde ao motivo dessas</p><p>características motoras ocorrerem.</p><p>Figura 1. Ampulheta de Gallahue e fases do desenvolvimento motor.</p><p>Fonte: Adaptada de Gallahue e Ozmun (2005, p. 65).</p><p>Fase motora</p><p>especializada</p><p>Fase motora</p><p>fundamental</p><p>Fase motora rudimentar</p><p>Fase motora re</p><p>exa</p><p>Estágio de utilização permanente</p><p>Estágio de aplicação</p><p>Estágio transitório</p><p>Estágio maduro</p><p>Estágio elementar</p><p>Estágio inicial</p><p>Estágio de pré-controle</p><p>Estágio de inibição de re�exos</p><p>Estágio de decodi�cação de informações</p><p>Estágio de codi�cação de informações</p><p>Controle motor de</p><p>competência motora</p><p>Faixas etárias</p><p>aproximadas do</p><p>desenvolvimento</p><p>14 anos em diante</p><p>11 a 13 anos</p><p>7 a 10 anos</p><p>6 a 7 anos</p><p>4 a 5 anos</p><p>2 a 3 anos</p><p>1 a 2 anos</p><p>do nascimento até 1 ano</p><p>de 4 meses a 1 ano</p><p>dentro do útero até 4 meses</p><p>Fatores intrínsecos à tarefa</p><p>Faixas do</p><p>desenvolvimento</p><p>motor</p><p>AmbienteHeredita-</p><p>riedade</p><p>Fatores</p><p>individuais</p><p>Fa</p><p>to</p><p>re</p><p>s</p><p>am</p><p>bi</p><p>en</p><p>ta</p><p>is</p><p>Neste modelo, a ampulheta representa você e ela é preenchida por areia,</p><p>que representa o recheio da vida. Como você pode observar, a areia provém</p><p>de duas fontes diferentes: um recipiente hereditário e outro, ambiental. A</p><p>presença desses dois vasilhames revela que o processo de desenvolvimento</p><p>é influenciado tanto pela hereditariedade como pelo ambiente. O recipiente</p><p>hereditário possui uma tampa, porque a sua quantidade de areia é fixa, uma</p><p>vez que a estrutura genética é determinada no momento da concepção. Por</p><p>outro lado, o recipiente ambiental é aberto, o que significa que a areia pode</p><p>ser acrescentada nesse recipiente durante todo o ciclo da vida.</p><p>A base da ampulheta é composta por quatro fases subsequentes de</p><p>desenvolvimento:</p><p> fase motora reflexa;</p><p> fase motora rudimentar;</p><p> fase motora fundamental;</p><p> fase motora especializada.</p><p>Ampulheta de Gallahue2</p><p>À medida que a areia, proveniente dos recipientes hereditariedade e am-</p><p>biente, é adicionada na ampulheta, o nível de desenvolvimento motor é in-</p><p>crementado. Em outras palavras, conforme a criança atinge sua maturação e</p><p>é exposta a ambientes que favoreçam seu aprendizado, ela aumenta e refina</p><p>suas habilidades motoras, do nível mais básico ao mais complexo, progredindo</p><p>para a próxima fase do desenvolvimento até alcançar a competência motora.</p><p>Estágios do desenvolvimento motor</p><p>Você estudará agora cada uma das quatro fases do desenvolvimento motor</p><p>propostas pela ampulheta de Gallahue.</p><p>Fase motora reflexa</p><p>A fase motora refl exa ocorre desde o desenvolvimento do feto dentro do útero</p><p>até aproximadamente o 1º ano. As primeiras formas de movimento humano são</p><p>os refl exos. Os refl exos são movimentos involuntários que compõem a primeira</p><p>etapa nas fases do desenvolvimento motor. Esses movimentos involuntários</p><p>são importantes, porque é por meio deles que o bebê consegue sobreviver na</p><p>fase inicial da vida, já que eles permitem a obtenção de informações sobre o</p><p>seu corpo e o ambiente.</p><p>Os reflexos são categorizados em reflexos primitivos e posturais. Os re-</p><p>flexos primitivos são movimentos relacionados à sobrevivência e podem ser</p><p>classificados como agrupadores de informações, caçadores de alimentação e</p><p>de reações protetoras. Já os reflexos posturais são semelhantes ao comporta-</p><p>mento voluntário posterior.</p><p>Pode-se citar como exemplo de reflexo primitivo os reflexos de sugar e</p><p>de procurar pelo olfato; e entre os reflexos posturais, encontram-se o reflexo</p><p>primário de caminhar, reflexo de arrastar-se e reflexo palmar de agarrar. A fase</p><p>reflexa é dividida em dois estágios sobrepostos, conforme você verá a seguir.</p><p>Estágio de codificação de informações</p><p>O estágio de codifi cação (agrupamento) ocorre, aproximadamente, do período</p><p>fetal até o quarto mês após o nascimento. Os refl exos neste período são mo-</p><p>vimentos pelos quais o bebê reúne informações, busca alimento e encontra</p><p>proteção.</p><p>3Ampulheta de Gallahue</p><p>Estágio de decodificação de informações</p><p>O estágio de decodifi cação (processamento) tem início aproximado após o</p><p>quarto mês de vida. Durante esse período, ocorre uma crescente inibição de</p><p>muitos refl exos que são substituídos por movimentos voluntários.</p><p>As idades apresentadas nas fases motoras representam o tempo aproximado durante</p><p>o qual determinado comportamento motor é mais frequentemente observado. Essa</p><p>idade não deve ser levada como regra, já que ela varia de criança para criança.</p><p>Fase motora rudimentar</p><p>A fase motora rudimentar perdura desde o nascimento até os dois anos apro-</p><p>ximadamente. Nessa fase, são observadas as primeiras atividades motoras</p><p>voluntárias, os denominados movimentos rudimentares. A sequência de apa-</p><p>recimento desses movimentos é altamente previsível e resistente a alterações,</p><p>exceto em condições ambientais extremas. Contudo, o ritmo de aparecimento</p><p>dos movimentos varia de criança para criança, uma vez que é dependente de</p><p>fatores ambientais, biológicos e da tarefa a ser executada. Os movimentos</p><p>rudimentares envolvem movimentos estabilizadores, como controlar a cabeça,</p><p>o pescoço e músculos do tronco; movimentos manipulativos, como alcançar,</p><p>agarrar e soltar; e movimentos locomotores, como arrastar-se, engatinhar e</p><p>caminhar).</p><p>Algumas crianças na fase rudimentar ainda não iniciaram a aprendizagem do chute.</p><p>Aquelas que já iniciaram apresentam um padrão de movimento muito inicial e rudi-</p><p>mentar. Durante o chute, há apenas o movimento de pequena amplitude da perna</p><p>que realiza o chute para frente. O movimento é realizado desde o quadril com o joelho</p><p>estendido. Algumas vezes, a criança não acerta a bola.</p><p>Ampulheta de Gallahue4</p><p>Dois estágios compõem a fase motora rudimentar, os quais representam</p><p>progressivamente ordens superiores de controle motor.</p><p>Estágio de inibição de reflexos</p><p>A partir do nascimento, tem início o estágio de inibição dos refl exos. Nesse</p><p>estágio, os refl exos são inibidos e desaparecem de modo gradual. Os mo-</p><p>vimentos voluntários nesse período parecem descontrolados e grosseiros,</p><p>visto que o aparato neuromotor do bebê ainda está em estágio rudimentar de</p><p>desenvolvimento.</p><p>Estágio de pré-controle</p><p>Nesse estágio, que tem início por volta do 1º ano, as crianças começam a</p><p>apresentar maior precisão e controle sobre os seus movimentos. Elas aprendem</p><p>a se equilibrar, manipular objetos e locomover-se de modo profi ciente.</p><p>Durante as duas primeiras fases do desenvolvimento motor, que correspondem</p><p>aproximadamente até o segundo ano de vida, a areia é adicionada na ampulheta</p><p>prioritariamente, mas não exclusivamente, pelo recipiente hereditário. Nesse período,</p><p>a sequência de desenvolvimento motor é altamente previsível e resistente a alterações</p><p>em condições normais. Por exemplo, no mundo inteiro é esperado que a sequência</p><p>de aprendizagem da criança seja sentar > ficar em pé > caminhar > correr.</p><p>Fase motora fundamental</p><p>A fase motora fundamental ocorre dos dois aos sete anos, aproximadamente.</p><p>Esse período é marcado pela exploração e experimentação das habilidades</p><p>motoras. A criança descobre como executar movimentos estabilizadores,</p><p>locomotores e manipulativos (primeiramente de modo isolado e, depois,</p><p>de forma combinada) com competência. São exemplos de habilidades fun-</p><p>5Ampulheta de Gallahue</p><p>damentais que devem ser desenvolvidas nessa fase: equilibrar-se de forma</p><p>dinâmica e estática, caminhar, correr, saltar, galopar, alcançar, arremessar,</p><p>pegar, chutar, rebater, etc.</p><p>As habilidades motoras fundamentais são consequência da fase de movi-</p><p>mentos rudimentares e da maturação, entretanto, o ambiente possui importante</p><p>papel para que o grau máximo de desenvolvimento das habilidades fundamen-</p><p>tais seja atingido. A fase fundamental é fragmentada em três estágios distintos.</p><p>Estágio inicial</p><p>Em geral, crianças de dois a três anos encontram-se no estágio inicial. Esse</p><p>estágio é marcado pelas primeiras tentativas da criança de executar uma</p><p>habilidade, por isso, os movimentos apresentam elementos faltantes ou são</p><p>executados em sequência imprópria. Esse período é caracterizado pelos movi-</p><p>mentos cru e desordenado (grosseiramente exagerado ou inibido). Por exemplo,</p><p>na habilidade do arremesso, apenas o movimento do braço é executado, e os</p><p>movimentos de tronco, quadril e perna estão ausentes. Além disso, a execução</p><p>do movimento não é ritmicamente coordenada.</p><p>Estágio elementar</p><p>O estágio elementar é típico de performance de crianças de quatro a cinco</p><p>anos. Esse estágio parece depender, primeiramente, do amadurecimento. Nesse</p><p>período, a criança possui um maior controle e melhor coordenação rítmica de</p><p>seus movimentos. Contudo, os movimentos ainda parecem um pouco inábeis</p><p>e sem fl uidez. Por exemplo, na execução do arremesso nesse estágio, a criança</p><p>apresenta os movimentos de braço e do tronco, mas a perna do mesmo lado</p><p>da mão do arremesso encontra-se à frente.</p><p>Muitos indivíduos, adultos e crianças, alcançam somente esse estágio em</p><p>atividades básicas como arremessar, pegar e rebater. Eles atingem esse estágio</p><p>por maturação, ou seja, pela areia do recipiente da hereditariedade da ampulheta</p><p>de Gallahue ter sido totalmente despejada. Entretanto, por falta de estímulo</p><p>ambiental (prática, encorajamento e instrução), não atingem o estágio maduro.</p><p>Ampulheta de Gallahue6</p><p>Estágio maduro</p><p>Sugere-se que crianças podem e devem atingir o estágio maduro por volta</p><p>dos cinco ou seis anos. O estágio maduro é reconhecido por um padrão de</p><p>movimento bem coordenado, mecanicamente correto e efi ciente. O arremesso,</p><p>agora, é executado com movimento de braço, tronco e perna, de forma coor-</p><p>denada e fl uida.</p><p>As crianças que atingem esse estágio apresentam uma rápida melhora da</p><p>performance: arremessam mais longe, correm mais rápido, pulam mais alto</p><p>e mais longe. Ainda assim, a avaliação do padrão de movimento deve ser</p><p>realizada pela técnica e não necessariamente pelo rendimento, visto que uma</p><p>criança pode compensar uma inabilidade motora por uma maior força, por</p><p>exemplo. A habilidade madura pode ser continuamente refinada. Algumas</p><p>crianças atingem esse estágio devido à maturação e a um mínimo de influên-</p><p>cia ambiental, contudo, a maioria necessita de oportunidades para a prática,</p><p>encorajamento e instrução em um ambiente que propicie o aprendizado.</p><p>Cabe destacar que, se o desenvolvimento for retardado ao longo de um</p><p>período de anos, algumas habilidades podem nunca atingir o padrão maduro,</p><p>caso não haja considerável esforço e influência externa. Caso isso ocorra, as</p><p>crianças ficam impossibilitadas de adquirir habilidades esportivas especiali-</p><p>zadas durante a segunda fase da infância, adolescência e vida adulta.</p><p>No estágio inicial, durante o chute, o movimento dos braços e tronco é escasso. Os</p><p>braços permanecem estendidos. A perna que chuta realiza um leve balanceio para</p><p>trás durante o movimento preparatório. O movimento para a frente da perna é curto</p><p>e não há impulso nessa direção.</p><p>No estágio elementar, não se observa mudanças dos movimentos dos braços e do</p><p>tronco em relação ao estágio inicial. A perna que realiza o chute realiza também um</p><p>movimento para trás na fase de preparação, com leve flexão de joelho e, durante o</p><p>chute, o joelho tende a permanecer em flexão.</p><p>No estágio final, o braço do lado da perna que executa o chute realiza um movimento</p><p>na direção anteroposterior. O tronco é inclinado após o contato com a bola.</p><p>A perna do</p><p>chute realiza um movimento para trás com o joelho flexionado na fase preparatória,</p><p>após isso, ela realiza um grande arco até entrar em contato com a bola. Durante o</p><p>contato, a perna oposta é flexionada. O chute é executado com impulso completo.</p><p>7Ampulheta de Gallahue</p><p>Fase motora especializada</p><p>A fase motora especializada tem início por volta dos sete anos. Nessa fase, o</p><p>movimento torna-se uma ferramenta aplicável a atividades motoras complexas,</p><p>tanto da vida diária como nos esportes. Durante esse período, as habilidades</p><p>fundamentais são refi nadas e combinadas para serem utilizadas em situações</p><p>com nível de exigência crescente. Três estágios compõem a fase especializada.</p><p>Estágio transitório</p><p>O estágio de transição geralmente se estende dos 7 aos 10 anos. Esse estágio</p><p>é marcado pelo refi namento e aprofundamento das habilidades fundamentais.</p><p>Além disso, nesse período, as habilidades fundamentais são combinadas e</p><p>aplicadas ao desempenho de habilidades especializadas durante a prática</p><p>esportiva e em ambiente recreativo. Por exemplo, a habilidade fundamental</p><p>do chute é inserida no contexto de exercícios educativos do futebol.</p><p>Nesse momento, os pais e os professores, devem auxiliar a criança a au-</p><p>mentar o controle motor e a competência motora em uma variedade de ativi-</p><p>dades. Deve-se atentar para não limitar o envolvimento da criança em uma</p><p>atividade em prol da especialização em outra, pois o enfoque limitado nesse</p><p>estágio possivelmente provocará efeitos indesejáveis nos próximos estágios.</p><p>Portanto, é recomendado que as crianças se envolvam em atividades/esportes</p><p>diversificados. Do ponto de vista técnico, isso é positivo porque a criança se</p><p>tornará proficiente em uma gama de tarefas. Do ponto de vista psicológico, a</p><p>especialização precoce prejudica a criança, pois ela poderá chegar ao grupo</p><p>profissional muito cedo, sendo submetida a uma rotina intensa de treinos, o</p><p>que aumenta a sua chance de dispersão. Programas de educação física devem</p><p>introduzir as habilidades esportivas somente depois de a criança atingir o</p><p>nível maduro nas habilidades fundamentais. No estágio de transição, o esporte</p><p>oficial ainda não deve compor a educação física. Em vez disso, habilidades</p><p>básicas, regras e estratégias dos esportes devem ser priorizados.</p><p>Ressalta-se que crianças que não desenvolveram as habilidades maduras</p><p>não serão bem-sucedidas na aquisição de um gesto esportivo. Esse fenômeno</p><p>é denominado de barreira de proficiência. Nesses casos, deve-se retomar o</p><p>aprendizado das habilidades fundamentais.</p><p>Ampulheta de Gallahue8</p><p>Estágio de aplicação</p><p>Entre os 11 e 13 anos, aproximadamente, a criança está no estágio de apli-</p><p>cação, em que o indivíduo se torna capaz de tomar decisões fundamentadas</p><p>em fatores da tarefa, individuais e ambientais, sobre a sua participação (ou</p><p>não) em determinada atividade. Por exemplo, um indivíduo de alta estatura,</p><p>que apresente boa coordenação motora e agilidade e que goste de esportes</p><p>coletivos de contato pode optar por especializar-se no basquete. Por outro lado,</p><p>um indivíduo com as mesmas características, mas que não goste de esportes</p><p>de contato, pode escolher o vôlei. Nesse estágio, ocorre ênfase na forma,</p><p>habilidade e precisão crescentes do desempenho motor.</p><p>Estágio de utilização permanente</p><p>O estágio de utilização permanente inicia por volta dos 14 anos. Esse estágio é</p><p>caracterizado pelo auge do processo de desenvolvimento motor. Os indivíduos</p><p>selecionam atividades prazerosas e as levam consigo durante a vida, seja por</p><p>diversão, aptidão ou satisfação. Nesse contexto, se insere a prática de esporte</p><p>de caráter competitivo (a nível escolar, nacional e olímpico) e recreativo.</p><p>Na fase especializada, após refinar a habilidade do chute, o indivíduo está apto a</p><p>executar o chute de curtas e longas distâncias, com a bola parada ou em movimento,</p><p>com diferentes partes do pé (peito do pé ou com os dedos) e de diferentes maneiras</p><p>(chute alto, chute à média distância, chute rasteiro).</p><p>9Ampulheta de Gallahue</p><p>Influência de fatores individuais e ambientais</p><p>no desenvolvimento motor</p><p>Fatores individuais</p><p>A hereditariedade é responsável pela tendência de o desenvolvimento hu-</p><p>mano ocorrer de modo ordenado e previsível no sentido céfalo-caudal (da</p><p>cabeça aos pés) e próximo-distal (do centro do corpo às extremidades), o</p><p>que é denominado de sequência desenvolvimentista. Essa tendência pode ser</p><p>exemplifi cada em razão de o bebê obter o controle da musculatura da cabeça</p><p>e do pescoço anteriormente ao das pernas (desenvolvimento céfalo-caudal),</p><p>bem como o controle dos músculos do tronco anteceder o dos punhos, mãos</p><p>e dedos (desenvolvimento próximo-distal).</p><p>O controle motor de uma criança também segue uma progressão de padrões</p><p>motores globais para movimentos mais refinados e funcionais, processo cha-</p><p>mado de diferenciação. Por exemplo, quando um bebê almeja pegar um objeto,</p><p>o movimento é bastante deficiente, porque ele não consegue diferenciar braços,</p><p>mãos e dedos. No entanto, com o seu desenvolvimento, torna-se capaz de</p><p>diferenciar grupos musculares, até atingir um padrão de movimento controlado</p><p>e eficiente. Simultaneamente à diferenciação, o processo de integração ocorre.</p><p>A integração corresponde à interação coordenada entre músculo e sistemas</p><p>sensoriais. No mesmo exemplo anterior, a integração refere-se à interação</p><p>entre olhos com o movimento da mão.</p><p>Embora o desenvolvimento infantil siga uma sequência universal e resistente</p><p>a mudanças, a idade de seu aparecimento pode variar. É comum observar des-</p><p>vios de seis meses a um ano. Essa variabilidade está intimamente relacionada</p><p>à prontidão. Prontidão refere-se às características do indivíduo e do meio que</p><p>tornam uma tarefa apropriada ao domínio de uma criança. Por exemplo, seus</p><p>alunos não estarão prontos para executar um rolamento para frente, se não</p><p>dominam a progressão de habilidades educativas do posicionamento das mãos</p><p>e da cabeça, impulsão de membros inferiores e rolamento sobre as costas. É</p><p>necessário fornecer habilidades prévias para atingir as metas.</p><p>Por fim, o último fator individual que influencia o desenvolvimento motor</p><p>é o período sensível, que corresponde a um período em que aprender novas</p><p>habilidades é mais fácil e mais rápido. Uma intervenção adequada nessa</p><p>janela de tempo favorece formas positivas de desenvolvimento, mais do que</p><p>se essa mesma intervenção ocorresse mais tarde. O período da infância é um</p><p>período sensível para a aprendizagem das habilidades motoras fundamentais</p><p>e esportivas.</p><p>Ampulheta de Gallahue10</p><p>Fatores ambientais</p><p>Historicamente, pensava-se que as crianças desenvolviam suas habilida-</p><p>des motoras simplesmente pela maturação. Entretanto, atualmente sabe-se</p><p>que os fatores ambientais possuem uma importante função na aquisição das</p><p>habilidades motoras. Entre os fatores ambientais, destaca-se a necessidade</p><p>de encorajamento, as oportunidades frequentes para praticar, a instrução</p><p>qualifi cada e um ambiente que favoreça o desenvolvimento e refi namento</p><p>das habilidades motoras. Em outras palavras, as crianças precisam de alguém</p><p>que as encorajem a se movimentar e praticar suas habilidades e que as ensine</p><p>adequadamente a realizar o gesto motor, bem como necessitam praticar suas</p><p>habilidades frequentemente e em um ambiente propício para o seu aprendi-</p><p>zado. Nesse sentido, percebe-se a fundamental importância da presença dos</p><p>responsáveis pela criança, normalmente, os pais e o professor. São eles quem</p><p>devem oferecer de forma direta ou indireta esses recursos.</p><p>As crianças devem ser encorajadas a praticar suas habilidades, a descobrir</p><p>e a explorar movimentos. Infelizmente, muitas crianças não recebem o en-</p><p>corajamento suficiente para o seu desenvolvimento motor. No cenário atual,</p><p>muitos pais trabalham fora e, em outros casos, o pai ou mãe solteiro cuida das</p><p>crianças, ocasionando falta de tempo e de disposição para envolver as crianças</p><p>em exercícios físicos. Nesse contexto, não raro, a atividade física é trocada</p><p>por atividades passivas</p><p>como a televisão e o computador.</p><p>Imagine que a criança esteja no período sensível para a aquisição das</p><p>habilidades fundamentais, entretanto, não receba incentivo para se engajar</p><p>em atividades físicas. O resultado mais provável é que essa criança não irá</p><p>desenvolver as habilidades fundamentais de forma eficiente, bloqueando as</p><p>etapas de desenvolvimento subsequentes, o que, por sua vez, prejudicará a</p><p>sua inserção em contextos esportivos e recreativos.</p><p>Além do encorajamento para a atividade física, as crianças também ne-</p><p>cessitam de um ambiente adequado para essa prática. Isso inclui recursos e</p><p>materiais disponíveis, por exemplo, se um bebê estiver em um ambiente que</p><p>não forneça o apoio necessário (uma mesa ou sofá) para ele se impulsionar e</p><p>ficar de pé, ele só irá se colocar na posição ereta quando desenvolver força e</p><p>equilíbrio suficientes na perna. Outro exemplo seria um bebê que more em</p><p>uma casa precária, de chão batido com cascalhos, em que ele talvez pule as</p><p>etapas de arrastar-se e engatinhar até que tenha força e equilíbrio nas pernas</p><p>para se colocar de pé. Nos dias atuais, cada vez mais, as crianças moram</p><p>em apartamentos ou bairros populosos e não possuem acesso a recursos e</p><p>ambientes em que possam correr, pular, arremessar, etc. Por esse motivo,</p><p>11Ampulheta de Gallahue</p><p>elas ficam dependentes da disponibilidade de seus responsáveis de as levar</p><p>em um parque ou quadra esportiva, locais que permitem o desenvolvimento</p><p>de suas habilidades.</p><p>O ambiente adequado também deve estar presente nas aulas de educa-</p><p>ção física. Você deve atentar para o número de alunos, espaço e materiais</p><p>disponíveis. O número de alunos deve ser adequado para proporcionar um</p><p>aprendizado de qualidade para todas as crianças. Imagine, por exemplo, que</p><p>você queira ensinar a desenvolver a habilidade do chute em uma classe de 50</p><p>crianças. Dificilmente, você conseguirá dar a atenção necessária a cada aluno.</p><p>Além disso, você também necessita de um número de materiais adequado.</p><p>Se você quer ensinar o chute para turma de 15 crianças e só dispõe de uma</p><p>bola, o que irá ocorrer é que enquanto um aluno utiliza o material, todos os</p><p>outros estarão parados aguardando, resultando em um tempo muito pequeno</p><p>em que o aluno encontra-se realmente engajado na aprendizagem do chute.</p><p>A oportunidade para a prática que o encorajamento e o ambiente propor-</p><p>cionam não promove o desenvolvimento completo na maioria das crianças.</p><p>Para isso, é necessária uma instrução qualificada. Nesse contexto, o professor</p><p>é peça fundamental, pois, sem ele, muitas crianças não terão a chance de de-</p><p>senvolver suas habilidades fundamentais, aprimorá-las e inseri-las no contexto</p><p>esportivo e recreacional.</p><p>Durante muitas décadas discutiu-se sobre quais fatores exerciam maior influência no</p><p>desenvolvimento motor. Atualmente, respeita-se a importância de cada um dos fatores.</p><p>Parece que os fatores individuais atuam mais sobre a sequência dos aparecimentos</p><p>das habilidades motoras, ao passo que os fatores ambientais, sobre a época de seu</p><p>surgimento.</p><p>A chave para um bom entrosamento entre os fatores individuais e ambientais</p><p>é ser capaz de identificar quando o indivíduo está maduro para o aprendizado</p><p>e, então, possibilitar experiências motoras educativas.</p><p>Ampulheta de Gallahue12</p><p>GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C. Compreendendo o desenvolvimento motor. 3. ed. São</p><p>Paulo: Phorte, 2005. 585 p.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>GALLAHUE, D. L.; DONNELLY, F. C. Educação física desenvolvimentista para todas as</p><p>crianças. 4. ed. São Paulo: Phorte, 2008. 725 p.</p><p>MCCLENAGHAN, B. A.; GALLAHUE, D. L. Movimientos fundamentales: su desarrollo y</p><p>rehabilitación. 3. ed. Buenos Aires: Médica Panamericana, 1985. 223 p.</p><p>PAYNE, V. G.; ISAACS, L. D. Desenvolvimento motor humano: uma abordagem vitalícia.</p><p>6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. 470 p.</p><p>Referência</p><p>13Ampulheta de Gallahue</p><p>Dica do professor</p><p>Na Dica do Professor, você vai saber mais sobre a avaliação das habilidades fundamentais a partir</p><p>do modelo da Ampulheta de Gallahue. Vai aprender, também, a classificar os estágios da fase</p><p>motora fundamental a partir dos movimentos da criança.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/a0ebd5b8c32e43e92e63675b80862e0f</p><p>Na prática</p><p>De acordo com o modelo teórico da Ampulheta de Gallahue, dois fatores influenciam o</p><p>desenvolvimento motor: os fatores individuais e os fatores ambientais. Sobre esse último, pais e</p><p>professores podem atuar no contexto desses fatores. Dentre eles, a instrução qualificada é</p><p>considerada o principal fator influenciador do desenvolvimento motor.</p><p>Maria é professora de uma escola de Ensino Fundamental e busca sempre enriquecer suas</p><p>aulas. Por isso, ela aplica algumas orientações importantes na instrução do arremesso.</p><p>Veja, aqui, quais são elas:</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/e6c298cb-6c8b-47a8-a95d-826833f84056/430f939e-2669-472f-b31f-0128bf7c20ee.jpg</p><p>Saiba +</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:</p><p>Fases do desenvolvimento motor</p><p>Assista a essa videoaula sobre as fases do desenvolvimento motor, baseada na obra</p><p>Compreendendo o desenvolvimento motor, de David L. Gallahue.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>Movimentos rudimentares</p><p>Neste vídeo, você vai ver um trabalho sobre movimentos rudimentares, apresentado na disciplina</p><p>de Desenvolvimento e Aprendizagem Motora, na Universidade Estadual de Londrina (UEL).</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>Cognição e ambiente são preditores do desenvolvimento motor</p><p>de bebês ao longo do tempo</p><p>No artigo indicado, leia mais sobre as influências no desenvolvimento motor de humanos.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>https://www.youtube.com/embed/_Bk1nJx-E3M</p><p>https://www.youtube.com/embed/eonxQBpIKek</p><p>http://www.scielo.br/pdf/fp/v23n1/2316-9117-fp-23-01-00059.pdf</p><p>Validação da Alberta Infant Motor Scale para aplicação no</p><p>Brasil</p><p>Neste artigo, você vai ler sobre análise do desenvolvimento motor e fatores de risco para atraso em</p><p>crianças de 0 a 18 meses.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/18975/000733746.pdf</p>

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