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<p>6 Morfossintaxe I</p><p>MORFOSSINTAXE DO SUBSTANTIVO</p><p>O substantivo pode ter várias funções sintáticas, sendo o núcleo de todas elas a essência</p><p>de sua significação. Observe os exemplos que seguem, tomando por base o nome “Tiago”.</p><p>Tiago ganhou o concurso de literatura. (sujeito)</p><p>O novo morador da república era Tiago. (predicativo do sujeito)</p><p>Passaram a chamá-lo simplesmente de Tiago. (predicativo do objeto)</p><p>Os rapazes da escola não viram Tiago na sala de aula. (objeto direto)</p><p>A mãe precisava de Tiago naquele momento. (objeto indireto)</p><p>A mãe de Tiago procurou-o por toda parte. (adjunto adnominal)</p><p>Na festa, a aniversariante fez alusão a Tiago. (complemento nominal)</p><p>Os desenhos foram feitos por Tiago. (agente da passiva)</p><p>Ela chegou à festa com Tiago. (adjunto adverbial)</p><p>O novo aluno, Tiago, perdeu metade das provas. (aposto)</p><p>Meu Deus, Tiago, tire essas roupas do caminho! (vocativo)</p><p>“Tiago”, na morfologia, é um substantivo próprio, simples, concreto e primitivo; na sintaxe,</p><p>pode ter todas as funções mencionadas. Isso comprova que uma palavra pode pertencer a uma</p><p>única classe gramatical, mas, por estabelecer as mais diversas relações numa oração, pode ter</p><p>funções sintáticas diferentes.</p><p>Observe o título e o subtítulo deste anúncio. Repare como os substantivos sempre ocupam a</p><p>posição de núcleos, constituindo-se como essência das ideias.</p><p>Além do nome do produto, que aparece em destaque no texto do anúncio, outros dois subs-</p><p>tantivos cooperam para a compreensão de que se trata de um produto gostoso e prático: “sabor”</p><p>e “lugar”. Esses substantivos, com o adjetivo “inconfundível” e o pronome “qualquer”, mostram ao</p><p>leitor que se trata de um alimento que pode ser ingerido onde se deseja e que, principalmente,</p><p>não decepciona no sabor.</p><p>RE</p><p>PR</p><p>O</p><p>D</p><p>U</p><p>ÇÃ</p><p>O</p><p>7</p><p>G</p><p>R</p><p>A</p><p>M</p><p>ÁT</p><p>IC</p><p>A</p><p>Morfossintaxe I</p><p>SUBSTANTIVO E SEMÂNTICA</p><p>Da mesma forma que qualquer palavra pode ser substantivada, o substantivo pode, por vezes,</p><p>pertencer a outra classe gramatical, dependendo do contexto e de sua posição na frase.</p><p>Leia com atenção este fragmento de “Ode ao burguês”, de Mário de Andrade.</p><p>Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,</p><p>o burguês-burguês!</p><p>A digestão benfeita de São Paulo!</p><p>O homem-curva! o homem-nádegas!</p><p>O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,</p><p>é sempre um cauteloso pouco a pouco!</p><p>Eu insulto as aristocracias cautelosas!</p><p>Os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros!</p><p>que vivem dentro de muros sem pulos,</p><p>e gemem sangues de alguns mil-réis fracos</p><p>para dizerem que as fi lhas da senhora falam o francês</p><p>e tocam o “Printemps” com as unhas!</p><p>[…]</p><p>Nos termos destacados na primeira estrofe, o segundo elemento, normalmente substantivo,</p><p>caracteriza o primeiro, funcionando, portanto, como adjetivo. Essa construção atribui ao texto uma</p><p>conotação especial, principalmente se considerados o contexto e o momento artístico da época.</p><p>O SUBSTANTIVO NA CONSTRUÇÃO DO TEXTO</p><p>Leia a letra da composição de Arnaldo Antunes.</p><p>Cultura</p><p>O girino é o peixinho do sapo</p><p>O silêncio é o começo do papo</p><p>O bigode é a antena do gato</p><p>O cavalo é pasto do carrapato</p><p>O cabrito é o cordeiro da cabra</p><p>O pescoço é a barriga da cobra</p><p>O leitão é um porquinho mais novo</p><p>A galinha é um pouquinho do ovo</p><p>O desejo é o começo do corpo</p><p>Engordar é a tarefa do porco</p><p>A cegonha é a girafa do ganso</p><p>O cachorro é um lobo mais manso</p><p>O escuro é a metade da zebra</p><p>As raízes são as veias da seiva</p><p>O camelo é um cavalo sem sede</p><p>Tartaruga por dentro é parede</p><p>O potrinho é o bezerro da égua</p><p>A batalha é o começo da trégua</p><p>Papagaio é um dragão miniatura</p><p>Bactérias num meio é cultura</p><p>Nesse texto, percebe-se que o autor emprega, no início de cada verso, um substantivo (na maioria</p><p>dos versos, antecedido de artigo). Também, em cada verso, o autor apresenta um conceito criativo</p><p>e diferente para os substantivos escolhidos.</p><p>O uso de substantivos empresta, por vezes, às ideias, um estilo econômico, conciso, como é o</p><p>caso de Graciliano Ramos em sua obra Vida secas. Leia um fragmento.</p><p>Ora, daquela vez, como das outras, Fabiano ajustou o gado, arrependeu-se, enfi m deixou</p><p>a transação meio apalavrada e foi consultar a mulher. Sinha Vitória mandou os meninos para</p><p>o barreiro, sentou-se na cozinha, concentrou-se, distribuiu no chão sementes de várias espé-</p><p>cies, realizou somas e diminuições. No dia seguinte Fabiano voltou à cidade, mas ao fechar o</p><p>negócio notou que as operações de Sinha Vitória, como de costume, diferiam das do patrão.</p><p>Reclamou e obteve a explicação habitual: a diferença era proveniente de juros.</p>

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