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<p>EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUÍZ, DA 1ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE SÃO PAULO-SP</p><p>Processo nº xxxxxxxxxxxx</p><p>JOÃO DAS COUVES, já qualificado nos autos em epígrafe, por seu (a) advogado (a) que a esta subscreve, conforme procuração anexa a este instrumento, vem respeitosamente à presença de Vossa Excelência, apresentar RESPOSTA A ACUSAÇÃO com fundamento nos Artigos 396 e 396-A do Código de Processo Penal, pelas razões de fato e de direito a seguir expostas:</p><p>1. DOS FATOS</p><p>Conforme consta dos autos o Réu João das Couves, teve prisão preventiva decretada, pelo crime foi flagrado dentro de sua residência praticando atos sexuais com Luluzinha, sua namorada, que à época dos fatos tinha 13 anos de idade. Destaca-se que os policiais ingressaram na casa do acusado sem mandado judicial, sem filmar o seu consentimento e praticaram atos de agressões contra ele.</p><p>Dessa forma, o réu foi preso preventivamente na cidade de São Paulo/SP, mais precisamente por ordem da 1ª Vara Criminal da Capital, sendo que foi requerida a revogação da prisão preventiva para o magistrado responsável, tendo ele negado, sob o fundamento de que os requisitos autorizadores do decreto prisional ainda persistiam</p><p>Além disso, até o presente momento, o laudo pericial acerca da perda ou não da virgindade de Luluzinha ainda não ficou pronto, inexistindo nos autos qualquer materialidade acerca dos eventuais atos sexuais perpetrados.</p><p>Assim, vem requerer a liberdade do acusado, de acordo com os fundamentos a seguir expostos.</p><p>2. DO DIREITO</p><p>2.1 DA ATIPICIDADE DO FATO</p><p>O Réu foi preso preventivamente por ordem da 1º Vara Criminal, sendo requerida a revogação da prisão preventiva, sendo a mesma negada pelo Magistrado.</p><p>Entretanto, o que se observa, no caso em tela, é que não há presente nenhum dos fundamentos que ensejam a prisão preventiva do Requerente uma vez que o Poder Judiciário não fundamentou de forma concreta tais elementos, apenas fazendo uma alusão genérica a eles.</p><p>Além disso, deve ser alertado o mandamento constitucional de que ninguém deve ser considerado culpado, senão depois do trânsito em julgado de uma sentença condenatória, com base no artigo 5º, LVII, CF.</p><p>Sendo assim, não há indícios de que o Requerente estando em liberdade, ponha em risco a instrução criminal, se propondo inclusive a cooperar com o devido andamento do processo, portanto, verifica-se que estão ausentes os requisitos autorizadores da prisão preventiva previstos no art. 312 do CPP.</p><p>Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria e de perigo gerado pelo estado de liberdade do imputado. (BRASIL, 1941, [s. p.])</p><p>Logo, a invocação da gravidade em abstrato do crime não constitui motivo suficiente para a decretação dessa medida extrema.</p><p>2.2 DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE</p><p>Conforme disposição legal, fica nítido que o exame pericial é fundamental, visto que sua ausência impede a constatação da materialidade delitiva.</p><p>De acordo com o art. 158 do Código de Processo Penal:</p><p>Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado.</p><p>Parágrafo único. Dar-se-á prioridade à realização do exame de corpo de delito quando se tratar de crime que envolva:</p><p>I - violência doméstica e familiar contra mulher;</p><p>II - violência contra criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência.</p><p>Não havendo o exame pericial, carece a ação penal de lastro probatório mínimo, conforme preleciona o Código de Processo Penal, nestes termos:</p><p>Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando:</p><p>I - for manifestamente inepta;</p><p>II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal; ou</p><p>III - faltar justa causa para o exercício da ação penal.</p><p>Assim, a denúncia sem justa causa deve ser prontamente rejeitada.</p><p>3. DOS PEDIDOS</p><p>Ante o exposto, requer-se:</p><p>a) Revogação da prisão preventiva;</p><p>b) Produção de todas as provas, inclusive testemunhais;</p><p>c) Requer, ainda, a imediata expedição de alvará́ de soltura em nome do acusado, para que ele possa, em liberdade, defender-se no curso da ação penal, comprometendo-se a comparecer a todos os atos processuais.</p><p>Nesses termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>São Paulo-SP, data ______de_______de 2023.</p><p>ASSINATURA ADVOGADO</p><p>OAB Nº</p>