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Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Educação a Distância
A importância da escrita para um profissional e estudante da UCM
Crimildo José Tamele – 708180585
Licenciatura em Ensino de Língua Portuguesa
Didáctica do Português II – P0191 
3º Ano
Docente: Dra. Teresa Vieira
	
Maputo, Novembro de 2020
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Estrutura
	
Aspectos organizacionais
	· Capa
	0.5
	
	
	
	
	· Índice
	0.5
	
	
	
	
	· Introdução
	0.5
	
	
	
	
	· Discussão
	0.5
	
	
	
	
	· Conclusão
	0.5
	
	
	
	
	· Bibliografia
	0.5
	
	
	
Conteúdo
	
Introdução
	· Contextualização (Indicação clara do problema)
	
1.0
	
	
	
	
	· Descrição dos objectivos
	
1.0
	
	
	
	
	· Metodologia adequada ao objecto do trabalho
	
2.0
	
	
	
	
Análise e discussão
	· Articulação e domínio do discurso académico (expressão escrita cuidada, coerência / coesão textual)
	
2.0
	
	
	
	
	· Revisão bibliográfica nacional e internacional relevante na área de estudo
	
2.0
	
	
	
	
	· Exploração dos dados
	2.0
	
	
	
	
Conclusão
	· Contributos teóricos práticos
	
2.0
	
	
	
Aspectos gerais
	
Formatação
	· Paginação, tipo e tamanho de letra, paragrafo, espaçamento entre linhas
	
1.0
	
	
	
Referências
Bibliográficas
	Normas APA 6ª
edição em citações e bibliografía
	· Rigor e coerência das citações/referências bibliográficas
	
4.0
	
	
Recomendações de melhoria:
Índice 
1.1	Objectivos	1
1.1.1	Objectivo geral	1
1.1.2	Objectivos específicos	1
1.2	Metodologia	1
2.1	Escrita	2
2.2	Oralidade	4
2.3	Diferença entre a fala e a escrita	5
2.4	Importância da escrita para um profissional e estudante da UCM	6
1. Introdução 
A escrita é uma habilidade extremamente importante na vida do homem. Esta actividade tem muita relevância no meio escolar pois é lá onde o aluno desde os primeiros anos de escolaridade aprender a se expressar usando este meio de comunicação. Á medida que o aluno vai somando classes, as exigências ficam cada vez mais complexas dado que há uma tendência gradual que acompanha a produção escrita do aluno.
Para os estudantes e profissionais universitários torna-se necessário que assimilem e pratiquem a escrita académica que não apenas preocupa-se com as regras gramaticais, mas também devem transparecer que estes são pesquisadores. 
O presente trabalho tem como tema: A importância da escrita para um profissional e estudante da UCM
1.1 Objectivos 
1.1.1 Objectivo geral
A importância da escrita para um profissional e estudante da UCM
1.1.2 Objectivos específicos	
· Enumerar as diferenças formais entre a linguagem oral e a escrita;
· Explicar, claramente, as modalidades e técnicas a serem usadas na correcção da produção escrita;
· Falar da importância da escrita para um profissional e estudante da UCM.
1.2 Metodologia 
Neste trabalho é feita uma análise em torno da literatura relativa às diferenças e semelhanças entre a escrita e a fala; e é muito repisada a questão da importância da escrita para os estudantes e profissionais da Universidade Católica de Moçambique. Para o efeito foram consultadas várias obras com o mesmo tema ou com temas aproximados de forma a garantir a cientificidade do trabalho. Ainda neste trabalho a internet foi muito útil pois muitas obras nele usadas são electrónicas e foram achadas em diferentes sites electrónicos.
2 Análise e discussão 
2.1 Escrita 
A escrita consiste na utilização de sinais (símbolos) para exprimir as ideias humanas. A grafia é uma tecnologia de comunicação[footnoteRef:1], historicamente criada e desenvolvida na sociedade humana, e basicamente consiste em registrar marcas em um suporte (wikipédia). [1: Existem várias formas de escrita, mas pode-se dizer, de forma simplificada, que todas se enquadram na categoria de escritas fonéticas, como o nosso alfabeto, o qual busca uma aproximação entre um signo e um som, escritas ideográficas, que representam coisas ou ideias, como a chinesa, ou, ainda, escritas que sintetizam estes dois aspectos, como a japonesa, embora possamos categorizar os sistemas de escrita de forma mais detalhada ou complexa (ver lista de sistemas de escrita).] 
A escrita[footnoteRef:2]-[footnoteRef:3] é uma codificação sistemática de sinais gráficos que permite registrar com grande precisão a linguagem falada por meio de sinais visuais regularmente dispostos; óbvia excepção a esta regra é a bastante moderna escrita Braille, cujos sinais são tácteis (wikipédia). [2: A escrita se diferencia dos pictogramas em que estes não só têm uma estrutura sequencial linear evidente. Existem dois principais tipos de escrita, a baseada em ideogramas, que representa conceitos, e a baseada em grafemas, que representam a percepção de sons ou grupos de sons; um tipo de escrita baseada em grafemas é a alfabética. ] [3: As escritas hieroglíficas são as mais antigas das escritas propriamente ditas (por exemplo; a escrita cuneiforme foi primeiramente hieroglífica até que certos hieróglifos obtiveram um valor fonético) e se observam como uma transição entre os pictogramas e os ideogramas. Nos tempos modernos a escrita hieroglífica tem sido deixada de lado, existindo então actualmente dois conjuntos de escritas principais: as baseadas em grafemas (isto é, escritas cujos sinais representam a percepção de sons) e escritas ideográficas (isto é, escritas cujos sinais representam conceitos, "ideias"). Do primeiro conjunto, o das escritas grafémicas destacam, segundo a extensão actual de seu uso, as escritas românicas (baseadas no alfabeto latino), arábicas (baseadas no alfabeto arábico), cirílicas, hebraicas (baseadas no alfabeto hebraico), helénicas (baseadas no alfabeto grego), hindus (geralmente baseadas no devanagari) e em menor medida as escritas alfabéticas arménias, etiópicas (abugidas baseadas no ghez), coreanas, georgianas, birmaneses, coptas etc. As escrituras glagolíticas e gótica têm caído em desuso. 
 ] 
Escrita é a representação do pensamento e da palavra por meio de sinais convencionais, mas pode igualmente ser conceituada como o conjunto de caracteres adoptados num determinado sistema gráfico (infopédia).
No ambiente escolar o ato de Ler e escrever são duas habilidades complementares que se desenvolvem essencialmente na transformação dos aprendentes. Habilidades essas que exercem uma importante função nos vários aspectos da vida, seja no âmbito social ou individual. Além disso, elas são meios de adquirir e construir novos saberes, dando a possibilidade ao indivíduo de agir de forma coerente no contexto inserido.
Cagliari (1997), ressalta que “A escrita, seja ela qual for, tem como objectivo principal permitir a leitura. A leitura é uma interpretação da escrita que consiste em traduzir os símbolos escritos em fala” (p.103). Nesse sentido, o ato de ler e escrever podem ser interpretados em diferentes pontos de vista, variando conforme as maneiras de conceber essas acções, levando em consideração, o meio em que o sujeito vive, a finalidade que ele atribui para essas acções, o modo como ele foi alfabetizado e o grau de importância dada a essas ferramentas.
Tratando da escrita, Ferreiro e Teberosky (1999), enfatiza que “quando se encara a escrita como uma técnica de reprodução do traçado gráfica ou como problema de regras de transcrição do oral, se desconhece que, além dos aspectos-motores, escrever é uma tarefa de ordem conceitual” (p. 37).
Na visão de Paulo Freire (2005), “aprender ler, escrever, alfabetizar-se é, antes de mais nada, aprender a ler o mundo, compreender o seu contexto, não numa manipulação mecânica de palavras mas numa relação dinâmica que vincula linguagem e realidade” (p.8). Portanto, ler é entender o que estar por trás das palavras, o sentido real e a definição mais profundo do texto, é buscar o verdadeiro pensamento do autor, sintonizar o sentido puro das palavras à suas experiências e seu jeito de vida.
Do ponto de vista desses teóricos,a leitura e escrita não se restringem somente a transcrever ou ler, mas sim compreender a real função e suas múltiplas formas de uso social, do qual o indivíduo participa activamente de seu ambiente, interagindo com formas diversas de textos e escritas, atribuindo-lhes conceitos coerentes a partir de suas vivências.
Portanto, pode se perceber que a escrita implica uma representação em forma gráfica de diferentes pensamentos e sentimentos que o homem experimenta e deseja exterioriza-los de forma a que outros possam fazer parte do seu mundo. No meio escolar, a escrita é de suma relevância uma vez que estabelece a conexão entre o professor e o aluno em forma de apontamento e/ou apanhados, assim como permite que o aluno grave a matéria em forma gráfica para o seu uso posteriormente à aula. 
2.2 Oralidade
A oralidade é uma das características que difere o ser humano dos mais diversos animais. Ela sempre fez parte da história da humanidade. Através dela o homem comunica ao outro sentimentos, pensamentos e conhecimentos.
De acordo com Marcuschi (2001), “oralidade é a prática de uso da língua natural por meio da produção sonora, em diversos géneros de texto orais, nos mais diferentes contextos e níveis de formalidade. Nela, estaria inclusa a fala (forma de produção textual por meio de sons articulados e de significados), acompanhada de outros aspectos como a prosódia, os gestos, a expressão facial, os movimentos corporais, entre outros” (p. 25).
Para Cordeiro (2009), A oralidade não se restringe ao estudo da materialidade da fala, mas envolve, em contextos socioculturais específicos, a fala associada a seu ritmo, entonação, volume e entrelaçada a múltiplas linguagens, como a gestualidade, a mímica, a imagem e até à modalidade escrita da língua (por exemplo, na TV, numa exposição oral em que se usa algum apoio escrito).
De acordo com Barbalho (2010), “a oralidade seria uma prática social interactiva para fins comunicativos que se apresenta sob variadas formas ou espécies textuais fundados na realidade sonora; ela vai desde uma realização mais informal a mais formal nos mais variados contextos de uso” (p.3).
Felix (2013), mostra-nos que a construção da oralidade inicia nos primeiros dias de vida de uma criança, quando a sua mãe, emite sons para estabelecer contacto com o seu bebé, ao afirmar que: 
A actividade interactiva da mãe é fundamental para a construção da linguagem e para a construção da criança. Os primeiros sons (balbucios) vão se evoluindo por meio de um jogo de imitação, de repetições, de reforço, de correcções, em que o adulto vai modelando o repertório fonético da criança. [...] Este comportamento marca um importante passo no desenvolvimento linguístico, obtendo assim, novas informações sobre o mundo que a cerca. (Felix, 2013, p.1),
Desta forma pode se notar que oralidade é uma habilidade que se baseia na emissão de enunciados de forma oral, e que pode se apoiar em gestos, mimicas e mais. Nota-se de igual modo que a oralidade tem o seu início nos primeiros sons produzidos por um bebé, e que vão se modelando com o tempo.
2.3 Diferença entre a fala e a escrita
De acordo com Marquesin, Benevides e Baptista (2011), não se pode desconsiderar o fato de que a língua falada é diferente da língua escrita, ou seja, fala-se de um modo e escreve-se de outro, pois a língua escrita e a língua falada são duas modalidades diferentes de comunicação, tendo cada uma delas características próprias. 
Para Lerner (2006), quando se fala, além das palavras utilizam-se outros elementos, como os gestos, os olhares, a expressão do rosto e, principalmente, a entonação da frase. Pela entonação, distingue-se uma frase interrogativa de uma afirmativa, uma frase irónica de uma frase séria.
Portanto, Marquesin, Benevides e Baptista (2011) advogam que quando se escreve não há mais gestos, nem olhares, nem entonação. Sobram apenas palavras. É por isso que, ao se redigir relatórios, resenhas ou quaisquer outros tipos de textos escritos, deve-se ter cuidado especial com a pontuação e com a ortografia; com a concordância e com a colocação das palavras. Além disso, é fundamental pensar também em aspectos relacionados à estrutura textual, como o assunto (tema), a divisão de parágrafos e a coesão. Do contrário, corre-se o risco de não se ser devidamente interpretado; o texto ficará confuso, comprometendo, assim, a comunicação.
Lerner (2006), advoga que é importante ressaltar que a língua escrita não é mais nem menos importante que a língua falada. Não existe “superioridade” de uma ou de outra. São apenas modalidades diferentes que se realizam em contextos diferentes. 
Tendo em vista que existem vários tipos de linguagem, é natural que se pergunte o que é considerado adequado para que o processo de comunicação seja eficiente. Nesse contexto, deve-se sempre ter em vista o que vamos dizer (a mensagem), a quem se destina (o destinatário), onde se vai dizer (local em que acontece o processo de informação) e como será transmitida a mensagem. (Baptista, Benevides & Marquesin, 2011).
2.4 Importância da escrita para um profissional e estudante da UCM
No ensino superior a escrita é cobrada com muita frequência e a competência de produção textual assume importância ainda mais intensa, uma vez que os alunos passam muito tempo a ler, a seleccionar, a relacionar e a reter informações que lhes são apresentadas sob a forma de texto, além de precisarem externalizar por meio da escrita o conhecimento adquirido. São, também, avaliados por meio da escrita, como base para ponderar como se desenvolvem e defendem ideias e argumentos, ligam a teoria com a prática, elaboram conclusões e usam informações e ideias adequadamente. Dessa forma, a escrita se traduz em habilidade imprescindível ao sucesso académico e papel central à Educação Superior (Cabral; Tavares, 2005; Vasconcelos, 2007). Fairbairn & Winch (1996) associam as dificuldades, o insucesso e o abandono académico no Ensino Superior a uma falta de métodos de estudo, sobretudo com relação às competências de leitura e de escrita. (Nava, 2013).
Considerando que os estudantes já possuem conhecimentos prévios sobre a escrita, parte-se do pressuposto de que, na universidade, os professores devem ter a atenção voltada à coesão textual e a necessária capacidade de dominar o sistema ortográfico e os aspectos linguísticos que podem ser associados à produção de textos escritos com função social bem definida. 
Saber planejar a escrita, considerando o tema central e seus desdobramentos, de modo que ele pareça, para seus leitores, sensato, “lógico”, bem encadeado e sem contradições, é outra capacidade importante a ser desenvolvida na escola, porque a organização e o encadeamento dos textos da conversa quotidiana são diferentes do que se espera dos textos escritos, principalmente para os estudantes universitários e académicos. Essa compreensão do texto em sua totalidade depende da percepção dos alunos sobre as conexões entre os vários enunciados que compõem um texto. 
Nas instituições escolares, a importância da coesão textual como factor essencial da textualidade precisa ser revisitada e reavaliada, visto que essa capacidade pode começar a ser desenvolvida na produção colectiva de diversos géneros, em textos mais longos ou mais curtos que o professor escreve no quadro da sala de aula, a partir das sugestões dos alunos. Os estudantes precisam aprender que, no planeamento da coerência do texto escrito, é sempre necessário levar em consideração para quê e para quem se está escrevendo e em que situação o texto será lido. Normalmente, esses elementos é que orientam o processo de escrita, e é bom que os estudantes aprendam a lidar com eles desde os mais simples propósitos de escrita. 
Saber escrever inclui, também, a capacidade de usar a variedade linguística adequada ao género de texto que se está produzindo; aos objectivos que se quer cumprir com o texto; aos conhecimentos e aos interesses dos leitores previstos; ao suporte em que o texto vai ser difundido, fazendo escolhas adequadas quanto ao vocabulário e à gramática(Rojo, 2002). Isso envolve dedicar atenção à escolha de palavras e de construções morfossintácticas, com sensibilidade para as condições de escrita e de leitura do texto. É preciso, ainda, saber valer-se dos recursos expressivos apropriados ao género e aos objectivos do texto — produzir encantamento, comover ou convencer o leitor. Essas capacidades de uso da escrita, associadas às capacidades de revisar e reelaborar a própria escrita tornam-se fundamentais para que o escritor seja considerado eficiente.
A entrada no Ensino Superior corresponde para a maioria dos alunos à realização de um sonho construído ao longo da vida e compartilhado por familiares e amigos. Aqueles que ingressam nesse nível de ensino confrontam-se com uma série de desafios pessoais, interpessoais, familiares e institucionais que merecem uma análise mais atenta pelas autoridades e serviços acadêmicos com maiores responsabilidades na recepção e no apoio aos estudantes (Almeira; Soares; Ferreira, 2002). 
Além disso, à entrada desse nível de ensino é exigido que os alunos possuam competências cognitivas, metacognitivas e sociais que lhes permitam adaptarem-se e serem bem sucedidos neste novo ambiente de ensino/aprendizagem. Assim, os alunos devem se tornar aprendizes mais independentes, confiantes e autónomos, capazes de elaborar, assimilar e comunicar informações de forma eficaz, coerente com os objectivos a atingir e com sentido crítico (cabral; tavares, 2005). 
Por tal razão, a transição do ensino básico para o ensino superior provoca muitos desafios e expectativas. Isso porque, além do já exposto, o Ensino Superior é visto como uma possibilidade de ascensão social e de melhores condições financeiras (Pachane, 1998; Almeida; Soares; Ferreira, 2002; Almeida; Soares, 2003). 
Mas, para cursá-lo, quando a Instituição de Ensino fica fora de sua cidade (especialmente no caso de algumas instituições públicas), muitos acabam distanciando-se da família e dos amigos, mudando-se de casa e até de cidade (Almeida; Ferreira, 2002). Porém, mesmo para os que permanecem em suas casas, morando com seus pais, há mudanças, já que vão se deparar com um novo contexto educativo.
De acordo com Tinto (1988), o estudante que ingressa no Ensino Superior se defronta com estágios: separação, transição e integração. Ainda de acordo com o mesmo autor, esses estágios demonstram os desafios que os estudantes desse nível de ensino precisam enfrentar nessa nova experiência: a autonomia, a identidade e o estabelecimento de sentido à vida. 
A fase de separação é marcada pelo ingresso e pelos primeiros meses de curso no ensino superior. Essa ruptura com a fase anterior, segundo Tinto (1988), é um processo de separação que ocorre em vários sentidos, dentre eles o de se afastar das amizades conquistadas anteriormente e aprender a se relacionar com as novas, o que exige mudanças nos padrões de comportamento, e pode dificultar os vínculos. 
Assim, o ano do ingresso é um período crítico e até determinante na vida do estudante de ensino superior, pois pode, inclusive, influenciar na decisão de permanência ou de evasão desse nível de ensino. Porém, esse período não pode ser visto unicamente como negativo, uma vez que pode, por meio dos desafios impostos, desenvolver a autonomia e a qualidade das vivências académicas (TINTO, 1988). 
A fase de transição diz respeito à passagem para a nova comunidade académica, a qual, segundo Tinto (1988), é um período de passagem entre o velho e o novo, entre as aspirações do passado e as expectativas para o presente. De acordo com o autor, o estudante está começando a se separar do seu passado, mas ainda não adquiriu as normas e os padrões de comportamento adequados ao novo contexto e ainda não estabeleceu os laços pessoais que fundamentam essa nova realidade. Como resultado, não é nem fortemente ligado ao passado e nem ao presente. O estresse, a sensação de perda e de desolação que essa fase gera pode causar problemas para a persistência do estudante ao ensino superior (TINTO, 1988). 
Já a fase de integração é quando o indivíduo se depara com a tarefa de tornar-se integrado. Para isso, afasta-se das normas e padrões de comportamento do passado e encontra as normas da nova instituição e precisa, para tanto, participar das comunidades sociais e intelectuais desse local. Como as interacções sociais são o principal veículo através do qual essas associações integradoras surgem, os estudantes necessitam do estabelecimento de contacto com os membros da instituição, com professores e colegas. Não fazer isso pode levar ao isolamento e esse à evasão da instituição (TINTO, 1988). 
Segundo Abreu et al. (1996), estudos realizados em diversos países demonstram que, nesse período de escolhas e de mudanças, os estudantes operam modificações importantes em suas vidas, não apenas na dimensão académica, em função dos novos conhecimentos adquiridos, como também na construção da identidade pessoal, como atitudes, valores, interesses, aspirações, emoções e relacionamentos, além de precisarem assumir alguns papéis antes destinados aos pais, como a gestão financeira. 
Além de tudo isso, segundo os mesmos autores, esse nível de ensino marca o projecto da vida adulta no caso dos ingressantes jovens, fundamentalmente no que diz respeito à escolha profissional e vocacional e aos planos a médio e a longo prazos. Isso porque essa escolha implica o envolvimento e a resolução em/de tarefas complexas e incertas, que exigem dos jovens a capacidade de prospectar e de lidar com as constantes mudanças sociais do mundo actual. 
Passar por tudo isso com êxito, segundo Abreu et al. (1996), vai depender das condições objectivas e subjectivas para oferecer as respostas às múltiplas situações de desafio que a formação académica e o mercado de trabalho oferecem. É papel da Universidade, ainda segundo os autores, proporcionar essa integração, apoiar e auxiliar os jovens no enfrentamento de todos esses desafios. 
Juntamente com os aspectos mais académicos citados, a integração e a socialização com os pares têm sido identificadas como elemento importante para a persistência dos estudantes. Além disso, experiências com actividades não-obrigatórias (monitorias, iniciação científica, centros estudantis, representação em diferentes órgãos, empresa-júnior, estágios extra-curriculares, viagens, projectos nacionais, congressos, disciplinas não-obrigatórias, palestras, grupos de estudo, frequência à biblioteca, oficinas, festas, debates, coral, manifestações artísticas e culturais, moradia estudantil, restaurante universitário etc (FIOR, 2003) também têm sido apontadas como importantes à formação acadêmica e à permanência dos estudantes em seus cursos. Em estudo realizado por Fior e Mercuri (2003), bem como na dissertação de mestrado da primeira autora (2003), há relatos extremos de estudantes afirmando que tais actividades foram as únicas que contribuíram em sua formação. 
A fim de se conhecer melhor as variáveis preditoras da permanência ou da evasão do estudante ao ensino superior, Almeida e Ferreira (2002) desenvolveram, em Portugal, um instrumento chamado Questionário de Vivências Académicas, o qual avalia cinco grandes áreas de vivências no âmbito universitário, que emergiram a partir de análise factorial: 
· Pessoal (ajustamento psicológico e bem-estar geral, com foco na ausência de características associadas à depressão e à ansiedade), 
· Interpessoal (nível de integração com amigos e percepção de apoio), 
· Carreira (decisão e satisfação com a escolha), 
· Estudo (nível de organização e compromisso com estudo) e 
· Institucional (satisfação e vínculo com a instituição). Como se vê, muitos são os factores de considerável importância para a integração e a permanência dos estudantes no Ensino Superior. 
Ford (1990) afirma que os processos de escrita ocorrem em cinco estágios: pré-escrita, em que há um estímulo para a escrita e auxilia o escritor a pensar sobre o que já sabe; escrita, em que se escreve sobre pensamentos e ideias, sem a pressão de haver um texto perfeito ao final; conferência,em que ouvintes ou leitores dão feedbacks por meio de perguntas específicas que incidem sobre o conteúdo que foi escrito; revisão, em que os escritores concentram-se em suas ideias, esclarecem a escrita e acrescentam ou retiram informações e aprendem a ver sua escrita por meio dos seus próprios olhos; e publicação, em que o trabalho está acabado e é oferecido a outros leitores.
Os autores identificaram três classes para a auto-regulação da escrita e listaram dez processos que identificaram como importantes para serem considerados no desenvolvimento de instrução para uma escrita eficaz. 
A primeira classe, auto-regulação ambiental, que tem como processos: 
1- Estruturação ambiental (seleccionar, organizar e criar configurações eficazes para a escrita); 
2- Modelos autosselecionados que sejam usados como fontes de conhecimento e de habilidades em escrita. 
A segunda classe, processos comportamentais, tem como processos: 
3- Automonitoramento e autogravação de um bom desempenho; 
4- Estabelecimento de auto consequências para a própria performance; 
5- Autoverbalização para melhorar o processo da escrita. 
A terceira classe, processos pessoais, inclui os processos: 
6- Tempo de planeamento e gestão (estimar tempo necessário para cumprir a tarefa); 
7- Estabelecimento de metas (de longo e de curto prazos, como para a qualidade que o texto deverá ter e os resultados esperados); 
8- Criação de um padrão para a própria escrita e de auto-avaliação; 
9- Utilização de estratégias cognitivas (métodos para a organização e a transformação do texto); 
10- Uso de imagens mentais reais ou criadas para facilitar a descrição de uma escrita eficaz.
3 Conclusão 
A escrita tem importante papel no processo de escolarização, pois o ensino é avaliado por formas escritas em qualquer nível de ensino. Portanto, os alunos precisam de habilidades de escrita bem-desenvolvidos essa ferramenta contribui para a aprendizagem e para a compreensão do assunto novo, além de fornecer um meio de documentar e demonstrar o que se aprendeu.
Considera-se que os estudantes universitários já são portadores de um conhecimento linguístico prévio; sendo assim, reforça-se a necessidade de os professores deste nível insistirem de forma mais acentuada em oferecer constantemente, senão diariamente, oportunidades de leitura e produção de textos, favorecendo a compreensão do significado da linguagem oral e escrita como forma de comunicação, estimulando os estudantes para que se expressem durante os intercâmbios, para a construção social do conhecimento.
4 Referências bibliográficas
Barbalho, A. M. (2010). A influência da oralidade na escrita. Licenciada em Letras pela Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT 2009/1.
Batista-Santos, D. O. e Pereira, E. B. (2017). A Influência da Linguagem Oral na Escrita: Reflexões e Desafios no Ensino de Língua Portuguesa. Porto Nacional, Tocantins, Brasil.
BESSA, R. J, DAYANE, O.M. LIDIANE, D. B. (2012). Um estudo sobre a influência da oralidade na aquisição da escrita de alunos do Ensino Fundamental de nove anos. Ideação. V. 14 - nº 2 - p. 199-214. 2º sem. Foz do Iguaçu.
Bunde, Mateus. Oralidade e Escrita. Todo Estudo. Disponível em: https://www.todoestudo.com.br/portugues/oralidade-e-escrita. Acesso em: 08 de August de 2020.
Cordeiro, G. S. (2009). Ensino da linguagem oral na educação infantil: o lugar dos gêneros textuais formais. Anais do V Simpósio Internacional de Estudos de Gêneros Textuais. Universidade de Caxias do Sul, RS, 11 a 14 de agosto de 2009. Disponível em: http://www.ucs.br/ucs/tplSiget/extensao/agenda/eventos/vsiget/portugues/anais/textos_autor/arquivos/ensino_da_linguagem_oral_na_educacao_infantil_o_lugar_dos%20generos_textuais_formais.pdf. Acesso em: 15/04/2020.
Lerner, Delia. H Ler e escrever: o real, o possível e o necessário. Editora Ática, 2006
Rojo, R. H. R. A concepção de leitor e produtor de textos nos PCN: “Ler é melhor que estudar”. In: FREITAS, M. T. A. e COSTA, S. R. (Org.). Leitura e escrita na formação de professores. São Paulo: Musa/UFJF/Inep-Comped, 2002. p 31-52.

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