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TICs 12 – Fibromialgia 
Quais os sintomas mais comuns dos pacientes portadores de fibromialgia? 
O quadro clínico da fibromialgia costuma ser polimorfo, exigindo anamnese cuidadosa e exame físico 
detalhado. O sintoma presente em todos os pacientes é a dor difusa e crônica, envolvendo o esqueleto axial 
e periférico. Em geral, os pacientes têm dificuldade para localizar a dor, muitas vezes apontando sítios 
periarticulares, sem especificar se a origem é muscular, óssea ou articular. O caráter da dor é bastante 
variável, podendo ser queimação, pontada, peso, "tipo cansaço" ou como uma contusão. E comum a 
referência de agravamento pelo frio, umidade, mudança climática, tensão emocional ou por esforço físico. ¹ 
 
Sintomas centrais que acompanham o quadro doloroso são o sono não reparador e a fadiga, presentes na 
grande maioria dos pacientes. Têm sido relatados diversos tipos de distúrbios de sono, resultando ausência 
de restauração de energia e consequente cansaço, que aparece logo pela manhã. A fadiga pode ser bastante 
significativa, com sensação de exaustão fácil e dificuldade para realização de tarefas laborais ou domésticas. 
Sensações parestésicas habitualmente se fazem presentes. ¹ 
 
Outro sintoma geralmente presente é a sensação de inchaço, particularmente nas mãos, antebraços e 
trapézios, que não é observada pelo examinador e não está relacionada a qualquer processo inflamatório. 
Além dessas manifestações musculoesqueléticas, muitos se queixam de sintomas não relacionados ao 
aparelho locomotor. Entre esta variedade de queixas, destaca-se cefaleia, tontura, zumbido, dor torácica 
atípica, palpitação, dor abdominal, constipação, diarreia, dispepsia, tensão pré-menstrual, urgência 
miccional, dificuldade de concentração e falta de memória. ¹ 
 
Qual a melhor forma de abordar esta patologia? 
Para o melhor desfecho no controle dos sintomas da fibromialgia, o tratamento proposto deve ser 
individualizado e geralmente tem melhores resultados quando abordado por equipe multidisciplinar, 
abordando questões farmacológicas e não farmacológicas. Sabendo da cronicidade da fibromialgia, é 
importante a conversa sincera com o paciente sobre a evolução e o prognóstico da sua doença e a 
possibilidade de controle dos sintomas. Investigar sobre o uso e abuso de benzodiazepínicos e analgésicos, 
além de reconhecer a presença de transtornos de humor, somatizações e ansiedade com intuito de 
diferenciá-los dos casos de fibromialgia. ² 
 
A fibromialgia permanece ainda voltada às manifestações clínicas, com medidas farmacológicas e não 
farmacológicas. ² 
 
• Tratamento não farmacológico - Deve ser proposto às pessoas com fibromialgia um tratamento 
multidisciplinar que agregue atividade física regular, educação em saúde e psicoterapia. A atividade 
física deve ter ênfase em exercícios aeróbios de baixa a média intensidade, que atinjam até 75% da 
frequência cardíaca (FC) esperada para a idade. A atividade física deve ser mantida de forma regular, 
com início gradual, até que seja atingido o limite preconizado. O início gradual tem papel importante 
para evitar o abandono do tratamento relacionado a dores e à fadiga que atividades físicas podem 
desencadear, quando são iniciadas de forma abrupta ou em situações de sobrecarga. Recomenda-se 
que a frequência não seja menor do que três vezes por semana. É importante orientar quanto à 
necessidade da manutenção da atividade física em longo prazo, embora as evidências apontem que 
a melhora dos sintomas dor, fadiga, – humor deprimido – e o condicionamento físico são percebidos 
em poucas semanas. Deve-se orientar a pessoa com fibromialgia a participar de grupos de educação 
em saúde, discutir sobre a doença no consultório e ler sobre o tema, de forma que ela possa obter 
conhecimento e entendimento sobre a sua patologia. Tal entendimento leva o sujeito a um papel 
conjunto e colaborativo nas decisões sobre a condução dos processos terapêuticos no seu 
tratamento. As evidências apontam ainda para a necessidade de o tratamento não farmacológico 
englobar principalmente abordagens psicoterápicas com ênfase em terapias cognitivo-
comportamentais. ² 
 
• Tratamento farmacológico - As opções terapêuticas disponíveis para o tratamento da fibromialgia 
incluem antidepressivos tricíclicos, ciclobenzaprina, inibidores seletivos da recaptação da serotonina 
e da norepinefrina (ISRSN) e anticonvulsivantes gabapentinoides. A escolha da proposta 
farmacológica deve ser feita com base na experiência clínica do profissional, na preferência do 
paciente e no perfil dos sintomas apresentados. Fatores que são levados em consideração incluem o 
tipo de sintoma principal associado ao quadro clínico – fadiga, distúrbios do sono e depressão –, a 
tolerância individual à medicação proposta, a presença de efeitos adversos e o custo total do 
tratamento. ² 
 
 
Referências: 
1. Provenza JR, Pollak DF, Martinez JE, Paiva ES, Helfenstein M, Heymann R. Fibromialgia. Rev. Bras. 
Reumatol. 2004; 44(6): 443-449 
2. Gusso & Lopes, Tratado de Medicina de Família e Comunidade: princípios, formação e prática (2 vols., 
Porto Alegre: Artmed, 2012)

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