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GESTÃO DE CARREIRA AULA 6 Profª Cintya Alessandra Santos 2 CONVERSA INICIAL Seja bem-vindo! Nesta aula vamos estudar os seguinte assuntos: • Planejamento pessoal de carreira. • Como colocar em prática. • Empregabilidade e seu impacto na carreira. • Encerramento de carreira e aposentadoria. • Para a pessoa e para a organização. Ao longo do nosso estudo, abordaremos esses cinco temas com o intuito de trazer maior conhecimento e aplicabilidade na sua trajetória profissional. O entendimento do tema empregabilidade também contribuirá para fazer escolhas mais conscientes e voltadas à sua realização e satisfação profissional. Falaremos inclusive do processo de pré-aposentadoria e pós-aposentadoria, momento tão importante e delicado na vida dos profissionais, e como as organizações estão contribuindo para isso. Temos muita coisa pela frente! Vamos começar? CONTEXTUALIZANDO Brunelli (2008, p. 29), contextualiza, “[...] uma vez que se torna difícil experimentar qualquer tipo de satisfação motivacional quando se está ligado a um trabalho que não tem ou não faz o menor sentido para elas”. Conforme o autor, é de fundamental importância trabalharmos naquilo que faz sentido, ou seja, é importante que nossa atividade laboral esteja conectada aos nossos valores, interesses, crenças e essência, para que o processo motivacional aconteça de maneira orgânica. A motivação está também ligada ao planejamento de carreira, pois a clareza e projeção de onde quer chegar e como chegar, promove a satisfação e o engajamento do profissional e, consequentemente, da organização. Como está o planejamento da sua carreira? Onde você quer estar daqui há 5 anos, e o que estará fazendo? Vale a reflexão! Para essas respostas será importante estudarmos o material a seguir. 3 TEMA 1 – PLANEJAMENTO PESSOAL DE CARREIRA O planejamento de carreira tem como objetivo identificar e contribuir com as melhores decisões para realização pessoal e profissional do indivíduo, tendo como um de seus métodos o processo de autoconhecimento, identificando assim valores, competências, missão, visão e pontos de melhorias, afim de adequá-los ao trabalho ou à atividade empreendedora que melhor se adapte aos seus objetivos, gerando aumento da produtividade, criatividade e satisfação na realização de seu trabalho. Figura 1 – Etapas do planejamento de carreira Crédito: Trueffelpix/Shutterstock. Para que o planejamento de carreira seja bem-sucedido, o indivíduo precisa ter consciência de três responsabilidades fundamentais (Oliveira, 2009): • Autoavaliação: ter abertura para identificar interesses, qualidades e potenciais. • Estabelecer metas de carreira: definir o plano de carreira coerente com as metas que deseja atingir e, principalmente, estar disposto a buscar no mercado qualificação e experiências necessárias para se candidatar às oportunidades que estão estabelecidas no plano de carreira. • Plano de avaliação: o planejamento será monitorado e revisado de acordo com metas e resultados alcançados. 4 É importante entendermos que o planejamento de carreira é personalizado, ou seja, cada indivíduo terá o seu de acordo com seus objetivos e suas necessidades, porém sempre buscando crescimento e desenvolvimento contínuo do profissional. Entretanto, é muito comum as pessoas procurarem profissionais que as orientem na estruturação do plano de carreira; hoje temos muitos profissionais atuando nessa área, sendo os mais utilizados os processos de coaching de carreira (Oliveira, 2009). 1.1 Coaching de carreira Antes de nos aprofundarmos no assunto, precisamos entender o que é coaching. Coaching é um processo que visa ao desenvolvimento pessoal e profissional, estabelecendo o estado atual (presente) e o estado desejado (futuro), objetivando ter clareza para elaboração da estratégia. Pode ser realizado individualmente ou em grupo, contribuindo para que o coachee (cliente) atinja seus objetivos por meio do desenvolvimento e da evolução de competências e comportamentos relevantes para o atingimento das metas. É importante ressaltar que o processo de coaching em sua composição, está embasado em algumas ciências, como psicologia, sociologia, neurociências, técnicas da administração e gestão de pessoas (Krausz, 2007). E qual profissional conduz o processo de coaching? O profissional é o coach, e cabe a ele conduzir o processo de coaching, auxiliando seu coachee a alcançar seu melhor desempenho, dando suporte, estimulando, mostrando que tudo que o coachee precisa para atingir seus resultados existe dentro dele, e que sua função como coach é tornar visíveis esses comportamentos, habilidades e atitudes, ou seja, revelar ou desenvolver competências e construir aprendizado com seus próprios recursos e limitações (Krausz, 2007). O papel do coach, que significa treinador em inglês, teve origem na Inglaterra. Em meados de 1830, iniciou sua atuação na Universidade de Oxford, com o conceito de ser aquele que conduz e prepara os estudantes para as avaliações. Após um ano, em 1831, pela primeira vez, passou a atuar nos esportes, mas somente em 1950 o processo de coaching passou a ser utilizado dentro das organizações como habilidade da área de gestão de pessoas (Krausz, 2007). Diante dessa colocação, podemos perceber que o coaching não é tendência ou moda; é um processo que vem contribuindo com o 5 desenvolvimento das pessoas em diferentes áreas há séculos. Para reforçar, o Quadro 1, a seguir, mostra as principais habilidades do profissional coach. Quadro 1 – Grupo de habilidades do profissional coach Fonte: Downey, 2003, p. 46. Percebeu quantas habilidades importantes o coach precisa desenvolver? Pois é, como futuro profissional da área de desenvolvimento humano, é de grande relevância que no planejamento da sua carreira sejam pontuadas as competências importantes. Agora que conhecemos as nomenclaturas e os conceitos utilizados em nosso conteúdo, vamos falar sobre coaching de carreira, profissional que tem como premissa direcionar o processo de coaching para a vida profissional interligado à vida pessoal. Contribui para que o coachee encontre o que verdadeiramente quer construir em sua carreira e, para tanto, traça a estratégia. Sua atuação é direta no desenvolvimento e na elaboração do planejamento da carreira, alinhado missão de vida, propósito, valores, e não somente propósitos profissionais como também pessoais, familiares, empreendedores entre outros. (Porché; Niederer, 2002). 6 Figura 2 – Importância do coaching para a composição do planejamento Crédito: Docstockmedia/Shutterstock. Mas o que leva o profissional a procurar um coach para ajudar a desenvolver um planejamento de carreira? O processo de coaching trará maior assertividade no atingimento de suas metas, pois todo o processo estará embasado em seus valores e objetivos profissionais. Com essas informações, serão elaboradas as estratégias específicas e principalmente com foco em acelerar os resultados, sempre respeitando a capacidade, a individualidade e as qualificações de cada coachee (Porché; Niederer, 2002). Algumas dúvidas são comuns quando o assunto é coaching, por exemplo, segundo Porché e Niederer (2002): Coaching é terapia? Não, coaching não atua com casos emocionais de grande complexidade. Coaching é aconselhamento? Não, o coach trabalha as informações trazidas pelo coachee, mas a tomada de decisão é do cliente. Coaching é um curso? Não, pois não é o principal objetivo do processo de coaching aprender algo, mas, sim, evidenciar e mobilizar recursos internos do coachee. Saiba mais Que tal aumentar seu conhecimento sobre coaching de carreira? Separamos um artigo curto e muito rico, que fala sobre o coaching de carreira e como é reconhecido e desenvolvido no cotidiano:MARTINS, H. T. Coaching de carreira: ampliando oportunidades. Disponível em: . Acesso em: 06 set. 2020. 7 TEMA 2 – COMO COLOCAR EM PRÁTICA Conforme estudamos no tema anterior, o conceito de planejamento de carreira tem como objetivo, identificar e contribuir nas melhores decisões para realização pessoal e profissional do indivíduo, tendo como um de seus métodos o processo de autoconhecimento. Precisamos estabelecer as ferramentas que usaremos para o processo de autoconhecimento, que podem ser preenchidas manualmente ou on-line, wokshops, testes comportamentais, análise SWOT, de modo a obter pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças. Com as ferramentas citadas poderemos identificar comportamento predominante, competências, pontos de melhorias e habilidades. Nessa fase, utilizar os pontos fortes para potencializar os pontos francos é fundamental (Dutra, 2010). Depois do processo de autoconhecimento, a próxima fase é realizar uma pesquisa de mercado, fundamental para entender as exigências do mercado para área de atuação que o cliente deseja. Confrontada com as competências e o comportamento que o cliente possui e o que precisará desenvolver, considerando as oportunidades e ameaças identificadas na análise de SWOT, a pesquisa de mercado e o entendimento das competências necessárias o cliente pode fazer sua autoavaliação. Essa clareza permite a estruturação das possibilidades que poderão ser analisadas para o futuro, considerando principalmente ameaças e oportunidades identificadas (Oliveira, 2009) Posteriormente, vamos identificar os valores e elencar tudo que for essencial para a atuação do cliente e estabelecer a área atuação, pois o planejamento de carreira estará justamente evitando a tão conhecida frase “atirando para todos os lados” (Oliveira, 2009). Agora, vamos relembrar fases importantes da criação do processo de planejamento de carreira que já estudamos até aqui? • Autoconhecimento. • Pesquisa de mercado. • Autoavaliação. • Valores e fatores essenciais para sua atuação profissional. • Estabelecimento da área de atuação. Com as informações adquiridas em cada fase, podemos criar objetivos e estratégias para elaborar o plano de carreira (Oliveira, 2009). É importante 8 também mensurarmos o prazo para atingimento de cada objetivo, que deve abranger objetivos de curto (um ano), médio (um a três) e longo prazo (três a cinco anos). Esses prazos serão estabelecidos no planejamento para que haja desenvolvimento interpessoal e de novas habilidades, alocação de tempo e graus de recompensas almejados (Dutra, 2010). Depois de elaborado o planejamento, partimos para ação e aplicação dos conhecimentos adquiridos ao longo do processo, ou seja, é agora que o processo de mudança é colocado em prática. Suas etapas são: • Reorganização da rotina. • Mudança de comportamento. • Aumento da percepção e reflexão sobre relacionamentos interpessoais e sua rede de relacionamento profissional. Podemos afirmar que essa etapa certamente é a mais crítica, pois naturalmente somos resistentes à mudança. Por essa razão, é necessário nessa fase a verificação constante do andamento do plano de carreira, do follow-up de cada objetivo e das evidências que as ações estão sendo realizadas conforme estabelecido no planejamento (Oliveira, 2009). A consistência dos objetivos estabelecidos e suas ações precisam ser avaliadas quanto ao equilíbrio entre expectativas, valores, demandas do meio, equilíbrio com a vida pessoal e afetiva, riscos inerentes ao processo e acesso a informações e recursos, uma vez que esses pontos poderão não atingir um equilíbrio; nesse momento é indicado revisar do plano de carreira (Dutra, 2010). Entretanto, o planejamento deve alinhar as experiências com o que é primordial e de desejo da pessoa, assim contribuindo para aumento do nível de satisfação do indivíduo e a percepção, realização e satisfação (Dutra, 2010). 9 Figura 3 – Percepções e evolução no planejamento de carreira Crédito: Griboedov/Shutterstock. 2.1 Ferramentas utilizadas Por vezes, mencionamos que o processo de autoconhecimento é fundamental para o planejamento de carreira. No entanto, sabemos que é uma etapa delicada, pois é o momento em que a pessoa identifica qualidades, comportamentos, habilidades, pontos fortes e pontos de melhoria, e também precisa perceber as possibilidades de desenvolvimento. O processo de autoconhecimento dará início a novas descobertas para autodesenvolvimento e trará base para autopercepção, inclusive essa competência precisa ser praticada e desenvolvida durante toda trajetória profissional, conforme Dutra (2010). Para ilustrar a importância do autoconhecimento, a clássica frase de Sócrates: “conhece-te a ti mesmo”. Para estruturar o processo de autoconhecimento, utilizaremos as ferramentas: análise de SWOT, perguntas poderosas e 5W2H (Tavares, 2005, Lages; O’Connor, 2010, Grinberg, 2011). 2.1.1 Análise de SWOT A análise de SWOT tem como finalidade identificar e diagnosticar informações importantes para a elaboração do planejamento, de modo a estabelecer estratégias de mudança, desenvolvimento e crescimento, tanto organizacional como pessoal. Foi criada em Havard Business School e, para 10 compor nosso tema, Tavares (2005, p. 39) afirma: “[...] o conceito de SWOT – forças (Strengths), fraquezas (Weakness), oportunidades (Opportunities), ameaças (Threats), ou em sua tradução FOFA, relacionando em ordem diferente os mesmos significados, [...]”. Nesse enfoque, o planejamento contempla a relação entre as condições externas e internas. • Forças: são aspectos positivos que o indivíduo possui (ambiente interno), que no decorrer do tempo contribuem para o atingimento de seus resultados. • Fraquezas: são pontos de melhorias, ou seja, questões que o indivíduo identifica e que precisa desenvolver (ambiente interno), pois estão ou estarão prejudicando seus resultados futuros. • Oportunidades: são as condições externas atuais ou em potencial que irão favorecer o atingimento das metas. • Ameaças: são as condições externas atuais ou em potencial que poderão dificultar ou inviabilizar o atingimento das metas. Esses tópicos podem ser representados, como matriz de SWOT, de acordo com o quadro abaixo, conforme Grinberg (2010). Quadro 2 – Matriz de SWOT Fonte: elaborado com base em Grinberg, 2010. Para contribuir na investigação dos tópicos que compõem a matriz de SWOT e facilitar a percepção do autoconhecimento, podemos nos beneficiar das perguntas poderosas, pois elas ajudarão para melhor aproveitamento das respostas e para torná-las mais eficazes. FORÇAS AMEAÇAS OPORTUNIDADES FRAQUEZAS Fatores internos (da sua pessoa) Fatores externos (mundo que você quer ocupar) 11 2.1.2 Perguntas poderosas Têm como objetivo alcançar o maior número de repostas importantes para construção do processo de autoconhecimento; são compostas por palavras específicas e ajudam a direcionar pensamentos e emoções do indivíduo, o conduzindo a pensar de maneira constritiva e positiva (Lages; O’Connor, 2010). Vamos conhecer algumas perguntas poderosas que podem contribuir para o processo de autoconhecimento (Lages; O’Connor, 2010)? • Quais são seus medos? • O que o motiva e faz com que você vá muito além do esperado? • O que você mais gosta de fazer e o que não gosta? • Quem é sua maior inspiração e quais características que te inspiram? • Existe uma frase que te define? • Você tem livros prediletos? Quais são e o que tem neles que te inspira? • Você tem sonhos? Quais são eles? • O que verdadeiramente traz felicidade para você? • O que você tem de melhor? • O que você tem que te destaca das demais pessoas? • Você faz a diferençana vida das pessoas? De que maneira? • Eu as conheço verdadeiramente? • Sua família e as pessoas queridas por você o reconhecem como uma pessoa que merece ter um futuro melhor? Como elas demonstram isso? • Quais comportamentos e atitudes sabotam (atrasam) seus resultados? • Qual é o seu plano de ação para desenvolver e substituir comportamentos que prejudicam sua carreira e relacionamento interpessoal? Talvez você ainda não tenha todas as respostas, mas, com o plano de ação estruturado e colocado em prática, certamente terá. Para isso, utilizaremos a ferramenta 5W2H, ferramenta que conheceremos melhor a seguir. 2.1.3 Ferramenta 5W2H Essa ferramenta representa a estruturação de um plano de ação que estabelece responsável, ações, prazos, local ou situação, motivo ou razão e direcionamento de como executar (Machado, 2012). O nome da ferramenta se dá devido às iniciais em inglês, que são: 12 • What (o que?): o que precisa ser desenvolvido? O que é preciso realizar? • Who (quem?): quem é o único responsável pelo seu desenvolvimento? • When (quando?): quando iniciará o plano de ação? Quando realizará seu objetivo? • Where (onde?): onde ou em que situação colocará em prática suas ações para seu desenvolvimento? • Why (por que?): por que é importante seu desenvolvimento? Por que realizar ações deste plano? Por que devo realizar essas ações? • How (como?): como fará para seu objetivo ser alcançado? Quais atitudes precisarão ser realizadas? • How much (quanto?): quanto tempo e dinheiro será necessário disponibilizar ou poupar? Ainda segundo Machado (2012), a ferramenta 5W2H é simples, de fácil compreensão e traz excelentes resultados, contribuindo para investigação sobre determinado problema ou ação, e pode ser dividida em três etapas: 1. Diagnóstico: momento de levantar informações a fim de identificar necessidades de melhoria o mais rápido possível. 2. Plano de ação: contribui na elaboração do plano afim de colocar em prática ações necessárias para minimizar ou extinguir o problema. 3. Padronização: estabelece um modelo para atuação e padronização de modo a solucionar problemas e evitar que se repitam. 13 Quadro 3 – Planilha para utilização da ferramenta 5W2H Fonte: Elaborado com base em Lisboa, 2009. Utilizaremos este modelo para realizar nosso plano de ação, para estruturar nosso processo de autoconhecimento e desenvolvimento de competências, importante para o sucesso do planejamento de carreira. TEMA 3 – EMPREGABILIDADE E SEU IMPACTO NA CARREIRA Para consolidar os temas que abordamos nesta aula, a empregabilidade pode ser considerada o resultado obtido pelo profissional que escolheu planejar, estruturar e agir em prol do desenvolvimento de sua carreira, conforme afirma Minarelli (1995, p. 11): “empregabilidade é a condição de ser empregável, isto é, de dar ou conseguir emprego para os seus conhecimentos, habilidades e atitudes intencionalmente desenvolvidas por meio de educação, treinamento sintonizados com as novas necessidades de mercado de trabalho”. 14 Saiba mais Acesse o link disponível em: e assista ao vídeo Como posso cuidar da minha empregabilidade?, de Minarelli. Diante deste conceito, o autor contribui com a informação de que a empregabilidade pode ser sustentada por seis pilares, que são (Minarelli, 1995): • adequação vocacional – reforça a ideia de que a escolha da carreira deve estar alinhada a seus valores, princípios e sua essência. • competência profissional – são todos os conhecimentos, as habilidades e atitudes desenvolvidas ao longo de sua trajetória acadêmica, tais como cursos, desenvolvimento intelectual e com situações do cotidiano. • Idoneidade – são princípios éticos e de honestidade que o profissional preza nas relações com pessoas e empresas. • saúde física, mental e espiritual – é a busca pelo equilíbrio entre vida pessoal e profissional, entre trabalho e lazer, levando a ganhos importantes, aumento da autoestima, criatividade, relacionamentos saudáveis, aumento da concentração nas atividades desempenhadas. • reserva financeira – o profissional precisa estar preparado para eventualidades, fazer reservas mês a mês trará tranquilidade para que possa se manter em caso de perda do emprego; é importante ressaltar que ter outra atividade em paralelo é bastante saudável. • capital social – construir rede de relacionamentos, realizar trocas de informações importantes e relevantes podem gerar novos negócios e indicações para oportunidades no mercado de trabalho. Assim, podemos entender que os pilares da empregabilidade são direcionamentos que estão relacionados ao sucesso na carreira, lembrando que o processo de evolução é constante e que os resultados obtidos são reflexos do investimento na carreira, por sua vez, aumentando o índice de empregabilidade. Saiba mais Para acrescentar a conclusão sobre a importância do planejamento de carreira associado ao nosso próximo assunto, que é encerramento da carreira e aposentadoria, sugerimos assistir ao vídeo disponível em: . 15 TEMA 4 – ENCERRAMENTO DE CARREIRA E APOSENTADORIA O processo de transição para aposentadoria inicia no momento em que o indivíduo se conscientiza de sua proximidade. Chega o momento de reestruturar valores, atividades e rotina – fase marcada por mudanças cruciais na vida do profissional. Quando falamos de envelhecimento, é natural surgir questionamentos sobre existência, valorização da vida, das pessoas, da profissão, possibilidades de realizar novos projetos, preocupações, incertezas, insegurança. No entanto, a aposentadoria para muitos representa quebrar vínculos que emocionalmente são atrelados ao trabalho, como (Lima, 2016): • reconhecimento; • desenvolvimento de atividades; • ter um trabalho formal; • vida social; • valorização da sociedade; • compromissos; • rotina com horários; • ser útil. Declarar a condição de aposentado, requer uma preparação em que o plano de vida pessoal e o reposicionamento da estrutura social são primordiais para qualidade de vida e longevidade do aposentado (Lima, 2016). Diante disso, a reorganização e o planejamento para a nova fase da vida profissional são de extrema relevância. Considerando que o indivíduo aposentado busca novos horizontes e possibilidades, é preciso reestruturar sua identidade procurando novos papéis, em um processo de dar novo sentido à sua existência para melhor lidar com o estigma de ser improdutivo para o mercado de trabalho (França, 2008). Assim, para que essa fase seja a mais feliz e bem elaborada possível, o planejamento de pré-aposentadoria pode ser beneficiado pelo processo de coaching. Conforme afirma Lima (2016, p. 32), “o coaching contribuirá para que o idoso perceba sua importância perante a sociedade e a necessidade de deixar um legado para as futuras gerações. Com isso, toda a sociedade ganha uma grande oportunidade de se desenvolver e aperfeiçoar com a experiência da pessoa idosa”. 16 4.1 Coaching para pessoa idosa Se envelhecer é o futuro de todos nós, por que não planejar para que essa fase seja o mais feliz, tranquila e saudável possível? Diante desse questionamento e do crescimento da população idosa em nosso país, é de extrema relevância trabalhar o processo de planejamento de pré-aposentadoria, se beneficiando das vantagens do coaching, conforme Lima (2016). O processo tem objetivo de propiciar ao coachee idoso, a capacidade de se identificar como importante para a sociedade. Por meio do coaching, desenvolverá senso de valorização de sua história e ressignificação do passado. As sessões podem ser individuais ou em grupo, e proporcionam valorosos conhecimentos e trocas oferecendo o coachee a oportunidade de lidar melhor com suas emoções,sensatez, percepções de perdas e mudanças, vislumbrando reestruturar sua vida para uma nova realidade (Lima, 2016). Quais áreas de atuação do coaching podem contribuir com a fase de pré- aposentadoria? Segundo Lima (2016), Catalão e Penim (2013) as áreas são: • Coaching de bem-estar e saúde: voltado para mudança de estilo de vida, de acordo com a evidência de impacto na saúde e bem-estar da pessoa. • Coaching espiritual: viabiliza condições para reacender a habilidade de percepção da consciência interior, a fim de conduzir para melhores pensamentos e atitudes. • Coaching pré-aposentadoria: voltado ao processo de autoconhecimento, focado na estruturação do plano de transição, na fase que antecede a aposentadoria do profissional. • Coaching para recolocação profissional da melhor idade: voltado ao processo de reintegrar o idoso no mercado de trabalho, devido à sua vivência com esse público. • Coaching de vida: propicia qualidade de vida por meio do planejamento de vida e da autonomia. • Coaching carreira: orientação profissional e condução para novas possibilidades profissionais e/ou atividade laboral. • Coaching executivo: voltado para o desenvolvimento de estratégias e metas corporativas, podendo conduzir novas estratégias de vida para executivos e empresários, entre outros. 17 Podemos observar que existem várias áreas de atuação do coaching, voltadas a contribuir e evidenciar as inúmeras possibilidades que a fase da aposentadoria proporciona. É o profissional coach escolhido que terá sensibilidade para conduzir o idoso na trajetória pretendida (Lima, 2016). Figura 4 – Vida antiga versus vida nova: um momento de reflexão Crédito: Docstockmedia/Shutterstock. Agora, vamos estudar como as pessoas e as organizações estão trabalhando esse tema em seu cotidiano. TEMA 5 – PARA A PESSOA E PARA A ORGANIZAÇÃO Para algumas pessoas, aposentadoria corresponde à perda de atuação social, liberdade de compromissos, desprendimento de horários e rotina. Por outro lado, muitas pessoas ao descobrir e perceber a realidade, ficam entediadas com tanto tempo livre. Outros fatores que dificultam a quebra de vínculo com o trabalho são as relações de afeto construídas ao longo do tempo; por isso, a sensação de perda é ainda maior. Caldas (2012, p. 75) contribui com um outro olhar: “é importante que se possa compreender e orientar essas mudanças de maneira positiva”, para que “possam ser superados os receios de se construir uma aposentadoria digna”. Para corroborar, Bressan (2011, p. 43) salienta o quanto a sociedade e as organizações precisam se preparar para contribuir nessa delicada fase: 18 A saída do mundo do trabalho na aposentadoria traz diversas implicações para os sujeitos e aponta para a responsabilidade social do governo e das organizações de trabalho, no sentido de apontar a preparação dos servidores para que esse desligamento não se torne experiência negativa para eles, visto que o trabalho e a aposentadoria podem apresentar sentidos e significados diferentes para os envolvidos. Esse é um momento de reestruturar a vida, os valores, sonhos, as expectativas e as relações familiares e de amizade são alicerces fundamentais para essa nova fase da vida, pois a rotina de trabalho muitas vezes não permitia uma relação tão próxima, que, no entanto, a aposentadora propicia. Construir ao longo da vida relações saudáveis e de qualidade é a peça-chave para a adaptação ao novo momento. Diante disso, as organizações têm se estruturado para respaldar o profissional nesse período, desenvolvendo o PPA (Programa de Preparação a Aposentadoria), que visa a dar o suporte necessário para transição do profissional. Este programa, previsto no Estatuto do Idoso (Lei n.10.741/2003), traz em seu art. 28 que “o Poder Público criará e estimulará programas de [...] preparação dos trabalhadores para a aposentadoria, com antecedência mínima de um ano, por meio de estímulo a novos projetos sociais, conforme seus interesses, e de esclarecimento sobre os direitos sociais e de cidadania” (Brasil, 2003). A fase de execução do programa, segundo França (2008), é composta por duas etapas: 1. Módulo experiencial ou formativo: considerada a fase de abertura e promoção dos assuntos abordados, como saúde, bem-estar, hábitos saudáveis, criatividade, empreendedorismo por meio de palestras e workshops com profissionais da área e aposentados felizes. Nessa etapa, participam os profissionais que farão opção pela aposentadoria, seus familiares e amigos; a duração é de um ano. 2. Módulo informativo: nesta fase há aprofundamento dos temas apresentados no módulo anterior. Assim, o trabalho para desenvolver o tema de qualidade de vida na aposentadoria contempla o estudo nas áreas da saúde, empreendedorismo, relacionamento interpessoal, relações de qualidade, inteligência emocional, planejamento financeiro e trabalhos sociais, com experiências vivenciais e privilegiadas. Esse módulo deve ser realizado pelo período de um ano. 19 Entretanto, segundo França (2008), mesmo as empresas realizando os programas ainda é baixa a adesão dos profissionais para falar sobre envelhecimento, bem-estar e planejamento. Por outro lado, as empresas compreendem que o programa agrega valor ao seu negócio, cria um clima organizacional favorável, pois os mais jovens percebem a preocupação da organização em promover saúde e bem-estar para os empregados. E para os que aderem ao PPA, há benefícios imensuráveis como: • melhor utilização do tempo livre, com trabalhos voluntários e realização de objetivos e sonhos engavetados do passado; • relacionamento saudáveis, atividades de lazer, atividade física, busca pela espiritualidade e apreciação da vida; • valorização da rede de relacionamentos construída ao longo da vida, e usufruindo contatos para estabelecer diferentes relações de trabalho, novos empreendimentos e voluntariado; • organização financeira e consciência de gastos; • vida familiar. Podemos perceber que o PPA é fundamental para minimizar impactos que esse período de transição entre a vida ativa do profissional e a aposentadoria podem ocasionar. Por esse motivo, a adaptação com visão positiva e reavaliação de valores e conceitos é primordial para que a vida siga em frente de um jeito novo e cheio de realizações. Cabe a nós, profissionais da área de desenvolvimento humano, propor as melhores alternativas para esse momento decisório da vida. TROCANDO IDEIAS Considerando os temas que estudados, assista ao vídeo disponível em: . Com base nessa reportagem, reflita sobre sua carreira e o que você tem feito para alcançar seus objetivos. Reflita também se você ainda acredita que as empresas são as únicas responsáveis pelas oportunidades de desenvolvimento que você terá. Acreditamos que sua resposta foi não, pois a carreira de um profissional precisa estar atrelada a seus interesses e objetivos, e é necessário que haja uma troca, na qual profissional e empresa se beneficiam. 20 NA PRÁTICA Para nossa prática, convidamos você a montar uma análise SWOT, considerando também as perguntas poderosas e estruturar o plano de ação com a ferramenta 5W2H. Assim, teremos montado a estrutura para um direcionamento do planejamento de carreira eficaz e fazendo todo sentido. FINALIZANDO Nesta aula, abordamos as temáticas, planejamento pessoal de carreira, como colocar em prática, empregabilidade e o impacto na carreira e encerramento de carreira e aposentadoria, para as pessoas e organização. No início de nosso estudo fizemos as seguintes perguntas: • Como está o planejamento da sua carreira? Você percebeu o quão importante é o planejamento de carreira para um profissional que almeja realização e uma carreira bem-sucedida. Estudamos também que buscar uma carreira conectadacom nossos valores, interesses, sonhos e metas e encontrar empresas ou empreendimentos, conectando-se com tudo, é o principal objetivo dos profissionais do sucesso. • Onde você quer estar daqui cinco anos? O que estará fazendo? Ter esta resposta é fundamental para o profissional que sabe onde vai chegar. Estruturar um planejamento de carreira viabiliza o direcionamento do que precisa ser feito e desenvolvido para atingir tal objetivo, dentro do prazo estabelecido. Conforme Cortella e Mandelli (2015), precisamos ser eternos inconformados; a busca constate pelo desenvolvimento é vital para o ser humano, pois até quem decide se conformar paga o preço de sua escolha. Aquele que permanece em sua profissão precisa se atualizar sempre, para se tornar o melhor na área em que decidiu permanecer. Excelente estudo para você e desejamos uma carreira feliz! 21 REFERÊNCIAS IBGE Notícias. Expectativa de vida dos brasileiros aumenta para 76,3 anos em 2018. 2019. Disponível em: .Acesso em: 06 set. 2020. BRASIL. Lei n.10.741, de 1º de outubro de 2003. Cria o Estatuto do Idoso e dá outras providências. BRASIL. Lei n.8.842, de 4 de janeiro de 1994. Dispõe sobre a Política Nacional do Idoso, 1994 BRESSAN, M. A. L. C. A significação do trabalho e da aposentadoria: o caso dos servidores da Universidade Federal de Viçosa. Viçosa,2011. Dissertação (Mestrado em Economia Doméstica). Universidade Federal de Viçosa. BRUNELLI, M. G. M. Motivação no serviço público. 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