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Sensação e percepção Andréia Rabelo Descrição Construção sobre a relação do processo de sensação e percepção, suas bases neurais e o entendimento do funcionamento em nosso corpo. Propósito O funcionamento dos processos de sensação e percepção são fundamentais para a compreensão do desenvolvimento do ser humano, assim como o estudo das alterações sensoperceptivas que orientam o conhecimento de inúmeros transtornos neuropsiquiátricos. Objetivos Módulo 1 Sensação e percepção em seus diferentes conceitos Diferenciar os conceitos básicos de sensação e percepção. Módulo 2 Estruturas neurais no processo de sensação Explicar como ocorre o processo de sensação pelas estruturas neurais. Módulo 3 Processo de percepção no cérebro Identificar a localização cerebral do processo de percepção. Módulo 4 Conhecimento através dos processos neurais Reconhecer como adquirimos conhecimento por meio dos processos neurais relacionados. Introdução Ao iniciarmos este conteúdo, uma pergunta pode aparecer com frequência: Por que devemos estudar sensação e percepção? Podemos começar respondendo que esses processos, sensação e percepção, são básicos na Psicologia. Além disso, o estudo da sensação e percepção é um dos ramos mais antigos de nossa ciência, visto que já era contemplado por Platão há mais de 2.400 anos. Ele já sabia que o homem constrói seus mundos interno e externo a partir da percepção dos objetos. Pelo processo de sensação, estudamos como nosso corpo absorve a experiência, por meio da energia liberada e captada pelos receptores e então processada e interpretada como percepção. Não podemos deixar de considerar sua imensa importância, visto que a percepção foi o processo estudado por Wilhelm Wundt em seu laboratório de Psicologia Experimental em Leipzig (1879), que veio a ser o marco que fez com que a Psicologia fosse reconhecida como ciência. De mais a mais, vivenciamos esses processos a todo momento que direcionam, de alguma forma, tanto nossa aquisição de conhecimentos quanto a expressão de nossas respostas. Por outro lado, a compreensão do funcionamento cerebral, muito se dá pelo estudo e compreensão da percepção humana, que nos permite compreender vários fenômenos além desse. Munidos desse conhecimento, podemos vislumbrar de forma diferenciada nossa interação diária com o ambiente, e teremos maior facilidade em identificar e tratar indivíduos com alterações sensoperceptivas e poderemos esclarecer curiosidades sobre o mundo em que vivemos e principalmente sobre nós mesmos. 1 - Sensação e percepção em seus diferentes conceitos Ao �nal deste módulo, você será capaz de diferenciar os conceitos básicos de sensação e percepção. Aspectos históricos e de�nição da sensação e percepção Em meados do século XIX, os problemas e os temas da Psicologia, até então estudados exclusivamente pelos filósofos, passam a ser, também, investigados pela Fisiologia, Neurofisiologia e Neuroanatomia. Por volta de 1860, ocorreu a formulação de uma importante lei no campo da Psicofísica, a Lei de Fechner- Weber, que estabeleceu a relação entre estímulo e sensação, permitindo a mensuração da velocidade desse estímulo. ei de Fechner-Weber Esta lei estabelece a relação entre a magnitude do estímulo e a percepção que o indivíduo tem dele, apresentando, de forma quantitativa, uma função algorítmica entre estímulo e resposta. Essa lei foi de suma importância na história da Psicologia, pois estabeleceu a possibilidade de medir um fenômeno psicológico, o que até então era considerado impossível. Dessa maneira, os fenômenos psicológicos vão adquirindo status de científicos, porque, para a concepção de ciência da época, o que não era mensurável não era passível de estudo científico. Em Leipzig, 1879, uma nova história iniciava-se para a Psicologia. Ela que, antes era informal, nada científica, uma psicologia do senso comum, que lidava com as questões do cotidiano, alça novo patamar a partir dos estudos de Wilhelm Wundt no seu laboratório de Psicologia Experimental, na área de Psicofisiologia. Saiba mais Wundt passa a ser conhecido como o pai da Psicologia moderna ou científica, devido a sua extensa produção teórica na área. Desenvolveu a concepção do paralelismo psicofísico, segundo a qual os fenômenos mentais correspondem a fenômenos orgânicos. Só por terem conquistado esse novo patamar científico via estudo da sensação e percepção, já temos muitas razões para estudá-las. Mas, antes de definirmos o processo de sensação e, posteriormente, o de percepção, precisamos revisar as questões dos sentidos, que são sua base. Sentidos Você já pensou como seria se uma pessoa fosse cega, surda, incapaz de sentir cheiro (ter anosmia - que depois do surgimento do covid-19 passou a ser tão comum) ou paladar (ter ageusia), ou de sentir o toque? Poderíamos pensar nessa pessoa como um ser aprisionado dentro de si sem nenhum tipo de relação com o mundo externo. Somos seres sensoriais e, por isso, nossos sentidos são tão importantes, pois estabelecem a ponte da nossa relação sensitiva com o mundo externo. Você já deve ter estudado, mesmo que de forma muito básica, sobre os cinco sentidos fundamentais: audição, olfato, visão, tato e paladar. Cada um deles tem seu órgão receptor específico, pelo qual as informações externas são captadas. Comentário Saiba que essa é uma informação mais simplista, visto que o sistema sensorial do ser humano transpõe os cinco sentidos. Além deles que, nos capacitam a ver, ouvir, sentir gosto, cheiro e toque, temos outros dois sentidos sobre os quais ainda não havíamos aprendido e nos propiciam ainda mais capacidades sensoriais. São eles: o sentido cinestésico e o vestibular. Quer saber mais sobre esses dois sentidos? Acompanhe a seguir: Aquele que nos dá a orientação das partes do nosso corpo. Ele nos possibilita perceber tanto o movimento quanto o repouso. É esse sentido que nos traz informações a respeito das posições relativas dos membros e das outras partes do corpo durante os movimentos, bem como sobre as tensões musculares. Portanto, é o sentido cinestésico que nos permite, mesmo de olhos fechados, saber se nosso braço está para cima, para o lado, em movimento ou mesmo relaxado e parado. Também chamado de sentido de orientação ou equilíbrio, é responsável por nos fornecer as informações sobre o movimento e a orientação da cabeça e do corpo em relação à Terra conforme as pessoas se movimentam. É ele que nos diz se estamos em pé, de cabeça para baixo ou deitados. Como agora sabemos que realmente temos sete sentidos e que isso não é apenas uma fala popular (meu sétimo sentido me diz...), podemos seguir adiante. Apesar de termos vários sentidos e cada um desempenhar uma função específica, na maioria das vezes, eles não funcionam sozinhos, mas se complementam. Todos os nossos sentidos têm seus órgãos específicos (ex.: visão – olho, audição – ouvido) que estão repletos de células nervosas especializadas, e têm a capacidade para responder a estímulos específicos. Essas células são chamadas receptores. Os receptores captam e transformam os estímulos que receberam e depois transmitem para o resto do sistema nervoso pelas sinapses e redes neurais. Sentido cinestésico Sentido vestibular eceptores São células nervosas especializadas para receber determinado estímulo. Visto que os receptores se especializam em receber determinado estímulo proveniente de uma energia específica, iremos nomeá-los a partir da energia que recebem. Veja a seguir como isso ocorre: A audição tem o ouvido como seu órgão do sentido e recebe ondas sonoras que se propagam no ar. Essa é conhecida como energia mecânica, daí o motivo de muitas pessoas se referirem ao som como mecânico. Seus receptores, que se encontram em nossos ouvidos, são chamados de mecanorreceptores ou macanoceptores. O olfato tem seus receptores localizados no nariz, seu órgão do sentido. Nosso nariz capta odores que são nada mais que substâncias químicas diluídas no ar, ou seja,todo cheiro, seja agradável ou não, é uma substância química diluída no ar. Por isso os receptores do olfato recebem o nome de quimiorreceptores ou quimioceptores. Audição Olfato O interessante é que o paladar também terá como seus receptores os quimiorreceptores, mas eles são diferentes, pois, apesar de também captarem energia química, enquanto os quimiorreceptores do olfato captam energia química diluída no ar, os quimiorreceptores do paladar captam a energia química oriunda de substâncias sólidas ou líquidas que colocamos na nossa boca. Dessa forma, o paladar tem a língua como seu órgão do sentido. Já os órgãos do sentido da visão são os olhos, que têm uma estrutura chamada retina. Os inúmeros receptores da retina irão receber estímulos luminosos que ativarão esses receptores. Os estímulos luminosos são provenientes da luz que é conhecida como energia eletromagnética e chamaremos os seus receptores de fotorreceptores (foto = luz). Temos duas classes de fotorreceptores ou fotoceptores em nossa retina: os cones e os bastonetes. Os cones são os receptores responsáveis pela visão no claro (diurna) e, por isso, são ativados sempre que há maior intensidade de luz. Eles são encarregados pela visão de cores, de detalhes e estão localizados na mácula, que é a área central da retina. Já os bastonetes são diferentes dos cones, precisam de pouca luz (noturna) para funcionar e, por estarem localizados na área mais periférica da retina, são responsáveis pelo campo de visão periférico. Cada um possui suas especificidades que nos permitem ter visão diurna (também conhecida como fotópica) e noturna (escotópica), dois subsistemas da nossa visão. Paladar Visão Célula fotorreceptora. O tato é um sentido bastante especial. Diferentemente dos outros sentidos que têm apenas um tipo de receptor, o tato é composto por três receptores diferentes que recebem cada um uma energia específica. Além do toque, o tato é capaz de nos permitir sentir dor, temperatura, pressão e vibração. Os órgãos do sentido do tato são a pele e as mucosas, sendo a pele considerada por alguns teóricos como o maior órgão do nosso corpo. Nossa pele é preparada para receber o toque (pressão e/ou textura), temperatura (calor ou frio) e também a dor. O toque é ativado a partir de uma energia vinda da pressão feita por algum organismo ou objeto reconhecida como pressão mecânica. Por isso, o receptor foi denominado mecanorreceptor ou macanoceptor, que é diferente do da audição, pois esse só recebe ondas sonoras mecânicas. A temperatura é oriunda da energia térmica tendo receptores especializados, denominados termorreceptores ou termoceptores. Para concluirmos os receptores do tato, temos o responsável por receber estímulos dolorosos que excedem o limiar suportável e podem ser nocivos ao organismo, sendo chamados de nocirreceptores ou nociceptores. A sensibilidade da pele varia de uma região para outra, dependendo da quantidade de receptores em cada localidade, mas também varia de uma pessoa para outra. Todavia, é normal uma pessoa sentir uma dor muito incômoda ao retirar pelos de sua sobrancelha enquanto outra chega a dormir no mesmo procedimento. O sentido cinestésico tem como órgãos as articulações e os músculos. Tato Sentido cinestésico O sentido vestibular está relacionado ao labirinto e ambos têm como receptores os propriorreceptores ou proprioceptores. Todos os receptores captam as energias específicas e as transformam em impulso nervoso, que é a linguagem oficial do sistema nervoso (SN). A tabela a seguir mostra um resumo de como funcionam os nossos sentidos: SENTIDO ÓRGÃO ENERGIA RECEPTOR Olfato nariz química quimiorreceptor Paladar língua química quimiorreceptor Audição ouvido mecânica sonora mecanorreceptor Visão olho eletromagnética fotorreceptor Tato pele mecânica pressão mecanorreceptor térmica termorreceptor Sentido vestibular SENTIDO ÓRGÃO ENERGIA RECEPTOR dolorosa nociceptor Cinestésico articulações --------------------- proprioceptores Vestibular labirinto --------------------- proprioceptores Essa forma de nomear os receptores foi baseada na energia que eles se especializaram em receber. Porém, eles podem ser nomeados de outra forma, tendo como princípio a fonte do estímulo. Se o estímulo tem origem externa, será captado por um exterorreceptor e, se a origem do estímulo for interna, por um interorreceptor. Saiba mais Veja outra forma de classificação dos receptores. Exterorreceptores: captam estímulos externos ao organismo: telerreceptores: visão, audição; proxirreceptores: gustação, sentido cutâneo, olfação. Interorreceptores: destinados à percepção dos estímulos internos (fome, sede, sexo) e a alteração da concentração de certas substâncias no organismo. Sensação Visto que já fizemos uma boa revisão sobre os sentidos, podemos avançar para os conceitos. É comum as pessoas dizerem que estão com uma sensação ruim, referindo-se a um sentimento. Mas a sensação que iremos trabalhar neste capítulo está diretamente ligada ao nosso corpo, ela é orgânica e não se refere às questões sentimentais, espirituais ou místicas. Sensação é um processo pelo qual as células nervosas especializadas (receptores), que se encontram nos órgãos dos sentidos, captam informações provenientes do ambiente externo ou interno (nosso próprio corpo). De uma outra forma, podemos explicar que a sensação é um processo fisiológico, ou seja, faz parte de uma função orgânica. É um fenômeno primário causado por estímulos que têm sua origem interna ou externa, de base química, física ou biológica. Esses estímulos excitam os receptores que, após receberem a informação e transformá-la, desencadeiam um impulso nervoso. Portanto, a sensação está relacionada ao processo inicial de detecção dos estímulos sensoriais pelos receptores que irão codificar esta energia ambiental. É o processo pertinente ao contato inicial entre organismo e ambiente. Percepção A percepção é o próximo passo do processo de sensação e, muitas vezes, na prática, é difícil encontrar o limite que separa uma da outra. Curiosidade Enquanto a sensação ocorre na periferia do corpo, a percepção é um fenômeno cerebral em nível cortical, que irá decodificar, analisar, processar e integrar as informações dos vários sentidos, levando o indivíduo a tomar consciência. É neste momento que a pessoa entende e reconhece um cheiro, sabor, toque e outros. Enquanto a sensação é um processo fisiológico, a percepção é um processo psicológico. A percepção é essa função cerebral que dará significado aos estímulos sensoriais captados, com base nas nossas experiências passadas. Ela envolve processos mentais diversos, como a memória, as emoções e os outros aspectos que irão imprimir diretamente na descrição dos dados recebidos. Podemos exemplificar, para facilitar a compreensão da diferença entre sensação e percepção, com uma pessoa exposta ao sol e captando a claridade ou intensidade da luz. Isso se refere ao processo de sensação, porém, ao reconhecer que está um dia ensolarado, isso é uma consequência do processo de percepção. Nesse segundo momento, ela pode passar a tomar certas decisões, como usar óculos de sol, aplicar protetor solar etc. Quatro funções dentro do processo geral da sensopercepção Não podemos deixar de citar todas as etapas ou subprocessos que ocorrem entre a sensação e a percepção. São quatro etapas distintas. Veja. Tudo isso é muito mais complexo do que pensávamos! A princípio, acreditava-se que era um processo automático, mas hoje conhecemos a tamanha complexidade e os inúmeros processos que ocorrem no Tudo começa com a detecção do estímulo pelo receptor que, após recebê-lo, irá transformar ou traduzir este estímulo em impulso nervoso, pois esta é a linguagem compreendida por todos os neurônios. A esse último processo de transformar ou traduzir damos o nome de transdução. Visto que agora todos os neurônios compreendem a mensagem, cabe a eles transmitirem essa informação captada noórgão do sentido por todo o caminho até chegar nas áreas corticais devidas. A esta etapa denominamos transmissão. Quando a mensagem atinge as áreas corticais, ela será decodi�cada, analisada, processada e integrada para então ocorrer a percepção que é a conclusão do processamento da informação, a tomada de consciência pelo indivíduo. simples fato de sabermos que é dia e não noite. Isso ocorre devido à rapidez da transmissão do impulso nervoso de nossos neurônios mielinizados, os quais podem ultrapassar a velocidade de 300m/s. Veja no fluxo a seguir, como funciona a sensopercepção: A percepção sofre influência de nossas experiências passadas, valores, interesses e intenções. Ela varia de uma pessoa para outra devido a essas influências. Comentário É normal as pessoas passarem pela mesma experiência (no mesmo momento, ambiente e expostas aos mesmos estímulos) e, ao serem questionadas, expressarem diferentes respostas com relação à experiência. Sabe quando você está no grupo de colegas em seu primeiro dia de aula na faculdade, onde tudo é muito novo para todos, e o professor entra em sala e dá aula? Depois, os colegas reúnem-se e começam a comentar sobre o que acharam do professor e da aula. Inúmeras opiniões surgem. Uns acharam o professor o máximo, outros pensaram que ele fala muito, alguns acharam que as brincadeiras para descontração foram desnecessárias, outros afirmaram que elas deixaram a aula mais leve. Uns acharam o professor lindo e outros afirmaram que ele é insuportável e, por isso, as aulas dessa disciplina serão muito cansativas. Isso tudo se deve às experiências anteriores de cada pessoa. Pode ser que seu amigo, ao ver o professor, no processamento da informação que está permeado pelas experiências passadas, por algum motivo ou característica, o associe a um ex-amigo ou pessoa muito chata e daí, não sabe por que o achou insuportável. Outro encontrou nele características que, segundo seus valores, classificam uma pessoa como bonita, outro tem uma família mais rígida que leva sempre as coisas a sério e as brincadeiras não são bem- vindas. Dica É importante que o psicólogo compreenda os processos que norteiam nossos comportamentos que estão baseados em nossa reação e compreensão do mundo. Portanto, percepção é um processo central. A sensação e o processo geral da sensopercepção A especialista Julia Teixeira expõe, ilustrando com exemplos, os diversos estímulos e órgãos sensoriais, e explica os processos envolvidos na sensopercepção. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Os sentidos são as janelas por onde entram as informações do mundo externo. Cada sentido possui seu órgão e seus receptores que captam o estímulo a ser encaminhado para o córtex cerebral processar a informação. Das opções abaixo, qual descreve corretamente o sentido, seu órgão e receptor? A Visão – olho – mecanorreceptor B Audição – ouvido – nociceptor C Cinestésico – labirinto – proprioceptor D Tato – pele – termorreceptor Parabéns! A alternativa D está correta. A alternativa “Visão – olho – mecanorreceptor” não está com o receptor correto, que seria o fotorreceptor; a alternativa “Audição – ouvido – nociceptor” deveria ter como receptor correto o mecanorreceptor; já o órgão do sentido cinestésico são as articulações; e na alternativa “Olfato – nariz – fotorreceptor”, o correto seria quimiorreceptor. Questão 2 A percepção é um fenômeno cerebral superior que ocorre nas áreas posteriores do córtex cerebral, gerando a tomada de consciência dos estímulos físicos, químicos ou biológicos recebidos pelos receptores. Cada sentido tem uma área cortical específica. Dessa forma, qual das seguintes alternativas representa a relação entre o sentido e o local correspondente onde acontece a percepção? Parabéns! A alternativa B está correta. E Olfato – nariz – fotorreceptor A Sensação – receptores nervosos B Audição – lobo temporal C Tato – órgão pele D Gustação – órgão língua E Motor – lobo fronta A audição apresenta como correspondente cortical o lobo temporal como área cortical de recebimento das informações dos estímulos detectados. 2 - Estruturas neurais no processo de sensação Ao �nal deste módulo, você será capaz de explicar como ocorre o processo de sensação pelas estruturas neurais. Psicofísica e resposta perceptual Limiar absoluto A Psicofísica é a área da psicologia voltada para o estudo dos estímulos sensoriais recebidos, a partir de sua intensidade e tipo, ou seja, seus aspectos físicos. Ela faz a correlação deles com a nossa experiência psicológica. É uma importante área da Psicologia iniciada pelos primeiros psicólogos cujo estudo ainda se mantém em importantes pesquisas realizadas na atualidade. A Psicofísica nos traz conceitos relevantes para compreendermos melhor o processo e os tipos de percepção existentes. Um desses conceitos é o de limiar absoluto. Já se perguntou por que um cachorro escuta o barulho de um carro muito antes que você, ou por que ele sente o cheiro de alguém conhecido se aproximando a três quadras de distância enquanto você só o percebe quando está bem perto da pessoa? A resposta é que as espécies têm a capacidade de detectar quantidade de estímulos diferentes. Com muito pouco estímulo químico, o cachorro detecta o cheiro da pessoa, sendo que o ser humano precisa de uma quantidade bem maior para essa detecção. Comentário Podemos definir limiar absoluto como a quantidade mínima de estímulo necessário para que possa ser detectado em pelo menos 50% das vezes. Ao aumentar a intensidade do estímulo, aumentamos progressivamente a probabilidade de detectá-lo. Além do limiar absoluto diferir entre espécies, ele também é desigual entre pessoas, como citamos acima e, na mesma pessoa, pode ser diferente de acordo com a região. Uma pessoa pode quase chorar de cócegas nas axilas, enquanto outra nem muda a expressão facial. Alguém pode ter extrema sensibilidade para depilação na virilha e significativamente menos na perna. Herbart, em 1824, foi o primeiro a ingressar com o assunto de limiar absoluto falando sobre o limiar de consciência. Esse nos informa que uma ideia somente se torna consciente quando apresenta determinada intensidade mínima. De outra forma, ficaria imperceptível no plano do inconsciente ou subliminar. Fechner, um dos pioneiros da psicologia experimental, utilizou esse conceito na sensação (FELDMAN, 2015). Veja a seguir, alguns exemplos de limiar absoluto: Visual É possível ver a chama de uma vela acesa a uma distância de 50 quilômetros. Aqueles estímulos que não atingem o limiar absoluto são chamados de estímulos subliminares. Se são subliminares (estão abaixo do limiar), será que eles podem ser detectados? stímulos subliminares Os estímulos subliminares são aqueles que têm uma intensidade inferior à mínima. Resposta Vários experimentos realizados demonstraram que sim, é possível, pois o limiar é fixado em 50% dos estímulos percebidos. Isso quer dizer que somos capazes de processar informações sem termos consciência delas. Sua avaliação é feita somente na esfera não consciente e emocional. Auditivo Podemos ouvir o tique-taque de um relógio a 6 metros de distância. Paladar É possível distinguir uma colher de chá de açúcar em 7,5 litros de água. Olfato Podemos sentir uma gota de perfume em um apartamento com cinco aposentos. Cutâneo É possível sentir a asa de uma mosca caindo no rosto, a uma distância de cinco centímetros. Existem algumas controvérsias em relação a até que ponto os estímulos subliminares podem realmente influenciar nosso comportamento. Algumas pesquisas têm sido feitas a fim de verificar o poder do marketing subliminar como ocasionador de vantagem competitiva. Comentário A discussão sobre a ética do uso desses estímulos gera vários debates negativos em relação aos meios publicitários e empresariais. O perigo ético é que, por serem captadas pelo subconsciente, as mensagens subliminares seriam assimiladas peloindivíduo sem oferecer a possibilidade de defesa contra elas. O uso desses procedimentos é questionável porque não é divulgado abertamente e, portanto, carecemos de pesquisas suficientes que permitam respaldar ou não a sua validade. Um exemplo de como conseguir este efeito pode ser pela apresentação de uma música pop junto com a apresentação de sons não perceptíveis conscientemente (por exemplo, sons de gritos de dor, tiroteios em guerra, choro de crianças desesperadas em uma frequência inferior à audível por humanos). Esses estímulos, a princípio imperceptíveis, chegam a gerar desconforto em algumas pessoas. No resultado desse tipo de experiência, não encontramos um efeito uniforme em todos os envolvidos e, para alguns, essa informação passa completamente despercebida. Limiar diferencial Existe uma outra capacidade para detectar estímulos que se refere à distância entre eles. Esse é o limiar diferencial que nos mostra a menor diferença necessária entre dois estímulos para que possamos percebê- los, evidenciá-los. Esse limiar está em ação quando um músico precisa distinguir notas ou os sons de diferentes instrumentos, ou mesmo quando um crítico gastronômico consegue diferenciar temperos em determinada receita ao experimentá-la. Exemplo Faça um teste com seus colegas, peça que dois deles fechem os olhos e os mantenham fechados. Pegue duas canetas iguais e junte-as para que fiquem com as pontas exatamente paralelas. Encoste no braço de um dos colegas e pergunte com quantos estímulos você está tocando nele. Você está usando dois estímulos, mas muito provavelmente ele responderá que o está estimulando com apenas um. Separe gradativamente as canetas e vá tocando o colega até que ele consiga perceber dois estímulos distintos. Meça a diferença entre os pontos. Faça o mesmo com o outro colega e veja que a distância necessária entre os dois estímulos será diferente de um colega para o outro, confirmando o que já tínhamos relatado. Lei de Weber e Lei de Fechner A Psicofísica tem revelado como o sistema sensorial se comporta. Essas relações funcionais podem ser descritas por leis simples que regem a relação entre a magnitude das sensações e a magnitude dos estímulos. Três dessas leis são hoje conhecidas como Lei de Weber, Lei de Fechner e Lei de Stevens. Falaremos aqui sobre duas delas: a Lei de Weber e a de Fechner. Nossa capacidade para detectar a mudança do estímulo varia numa proporção mais ou menos constante da intensidade do estímulo. Como já falamos no início deste conteúdo, a importância fundamental da Lei de Weber é que, por meio dela, foi possível enunciar e fazer uso de uma função matemática que apresentava uma proporção constante entre estímulo e resposta e é considerada na atualidade a primeira lei da Psicofísica. A magnitude percebida aumenta de forma logarítmica. No caso Fechner, precisamos entender que este pesquisador apresentou uma relação entre quantidade de excitação e intensidade da sensação, demonstrando assim que a realidade psíquica e a realidade física representam dois lados diferentes de uma mesma realidade. Adaptação sensorial Um outro conceito extremamente importante neste momento para compreendermos melhor os processos de sensação e percepção é o de adaptação. Exemplo Uma experiência realizada em um trabalho de campo com catadores de lixo e outro com moradores de rua. Você pode imaginar, a respeito das observações feitas, como muitos observadores externos ficariam surpresos em relação a como essas duas populações conseguem suportar tamanho odor sem se incomodarem. Lei de Weber Lei de Fechner É aqui que entra o conceito de adaptação, que é a diminuição progressiva da sensibilidade ao estímulo apesar dele se manter constante. Ou seja, no exemplo citado anteriormente, a princípio, todos se incomodam com os odores, porém, quanto mais tempo permanecem nesta exposição ao estímulo, a sensibilidade a ele vai gradativamente diminuindo e as pessoas deixam de percebê-los com a mesma intensidade do início, até se adaptarem completamente. Isso também acontece quando você usa o mesmo perfume todos os dias, você acaba deixando de senti-lo, enquanto as pessoas que se aproximam de você percebem o quanto você está cheiroso(a). Podemos dizer que nosso cérebro abranda paulatinamente a intensidade da estimulação a que está sendo exposto (CALIN-JAGEMAN & FISCHER, 2007; CARBON & DITYE, 2011). Por que ocorre essa diminuição? Essa diminuição gradativa da sensibilidade aos estímulos sensoriais ocorre devido à limitação de uma certa quantidade de disparos de impulsos nervosos pelos receptores (células nervosas = neurônios) dos nervos sensoriais para o cérebro. Diante de mudanças na estimulação, essas células receptoras são mais responsivas, porém, como a estimulação fica constante, ela se torna menos satisfatória ao gerar uma reação sustentada (WARK, LUNDSTROM, FAIRHALL, 2007). Resumindo O que é adaptação? Redução progressiva da excitação produzida, apesar de persistir o estímulo perturbador, sendo que a sensibilidade se modifica sob a influência da adaptação. Adaptação sensorial: é o decréscimo da experiência sensorial, independente do sentido, devido à exposição contínua a um estímulo imutável. Tipos de percepção Como vimos anteriormente, a percepção é a tomada de consciência dos estímulos recebidos pelos órgãos dos sentidos por meio do processo de sensação. Como são vários os sentidos, temos diversos tipos de percepções. Acompanhe a seguir: É aquela produzida a partir de estímulos luminosos recebidos pelos nossos olhos e que, ao chegar ao nosso córtex cerebral, interpretamos as informações baseadas na experiência que já tivemos. Em outras palavras, é a interpretação de estímulos visuais. Por exemplo, se vemos algo redondo, buscaremos no nosso reservatório de imagens coisas com essa forma até encontrarmos a que mais se adequa. É claro que, quanto mais informações, mais fácil será fazer essa seleção. Devido ao sentido da visão ser aquele no qual mais nos apoiamos, a percepção visual acaba sendo a mais estudada pela Psicologia. Como a percepção visual funciona para as cores? Na verdade, o que percebemos como cor é uma pequena parte do amplo espectro de radiação eletromagnética. Esse espectro varia desde ondas imperceptíveis e muito curtas, como os raios gama, até as longas ondas de transmissão de rádio. Dessa forma, nossa experiência sensorial da luz está determinada por duas características físicas das ondas de luz: pelo comprimento das ondas que determina o matiz ou a cor que percebemos, e pela intensidade determinada pela amplitude da onda que influencia o brilho. Comprimento de onda no nanômetro. Percepção visual Percepção auditiva Habilidade de decifrar qualquer sinal sonoro. Existe uma área na Psicologia, a Psicoacústica que se debruça no estudo sobre como percebemos os estímulos sonoros, sejam eles musicais ou não. É a percepção de substâncias químicas diluídas no ar. O olfato está muito relacionado com nosso sistema límbico e, por isso, nossa memória olfativa tem grande importância afetiva. Em alguns animais, essa percepção é muito mais aguçada do que em seres humanos, por exemplo, nos cachorros. É a possibilidade que uma pessoa tem de, ao degustar um alimento, mesmo sem vê-lo, reconhecer o que é, ou pelo menos relacioná-lo a outro que já havia experimentado anteriormente. Apesar do paladar ser um dos sentidos menos vigorosos nos seres humanos, está muito relacionado ao prazer. Temos a percepção de cinco tipos diferentes de sabor: doce, salgado, azedo, amargo e umami (Sabor resultante da combinação do glutamato de sódio com minerais, como sódio e potássio). Por meio das diversas estimulações captadas pela pele, seja de pressão, temperatura, vibração ou dor, essa informação será interpretada nas áreas corticais específicas para a compreensão do tipo de estímulo recebido. A percepção tátil varia de intensidade em nosso corpo, pois temos muito maior capacidade de perceber algum objetoao tocá-los com as mãos do que com o braço. É a percepção gerada pelas informações colhidas pelos sentidos cinestésico e vestibular. Por meio dela reconhecemos a localização de nosso corpo e suas partes, e mantemos o equilíbrio. Percepção olfativa Percepção gustativa Percepção tátil Propriocepção É um aspecto fundamental da visão, provindo da evolução das espécies e essencial para a sobrevivência. Perceber movimentos nos protege de predadores e aumenta as chances de alcançar as presas. Na percepção de movimento, usamos os nossos olhos que passam a acompanhar o objeto em deslocamento. Assim, o nosso cérebro envia sinais neurais aos músculos oculares de comando motor, também chamados de sinais eferentes. Além das percepções provenientes dos nossos sentidos, também temos a percepção de tempo, de espaço e a social, que é a habilidade para interpretar o comportamento de outros em contexto social. Os tipos de percepção e a sua importância A especialista Julia Teixeira expõe os diversos tipos de percepção, destacando como cada uma deles é fundamental para podermos compreender o comportamento dos indivíduos. Percepção de movimento Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Abaixo, temos uma lista de vários conceitos dentro da Psicologia que nos ajudam a compreender melhor a teoria dos processos de sensação e percepção. Limiar absoluto / Adaptação / Estímulo subliminar / Limiar diferencial I. Tem uma intensidade inferior à mínima. II. É a diminuição progressiva da sensibilidade ao estímulo apesar dele se manter constante. III. É a menor diferença necessária entre dois estímulos para que possamos percebê-los. IV. É a quantidade mínima de estímulo necessário para que seja detectado em pelo menos 50% das vezes. Relacione a lista de conceitos apresentada com as explicações das afirmativas e escolha a opção com a sequência correta das definições referentes aos conceitos, de acordo com a ordem acima. Parabéns! A alternativa C está correta. Limiar absoluto é a quantidade mínima de estímulo necessário para que seja detectado em pelo menos 50% das vezes; adaptação é a diminuição progressiva da sensibilidade ao estímulo apesar dele se manter constante; estímulo subliminar tem uma intensidade inferior à mínima; limiar diferencial é a menor diferença necessária entre dois estímulos para que possamos percebê-los. Questão 2 Os vários tipos de percepção estão relacionados com nossos sentidos, sendo o processo ativado pela captação de estímulos pelos receptores localizados nos órgãos dos sentidos. A propriocepção está relacionada a qual sentido? A I, II, III, IV B III, IV, I, II C IV, II, I, III D II, I, III, IV E III, II, IV, I Parabéns! A alternativa D está correta. Audição – percepção auditiva; tato – percepção tátil; visão – percepção visual; cinestésico – propriocepção; paladar – percepção gustativa. 3 - Processo de percepção no cérebro A Audição B Tato C Visão D Cinestésico E Paladar Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car a localização cerebral do processo de percepção. Bases neurais da percepção Para explicamos as bases neurais da percepção, precisamos retornar a conceitos fundamentais da Neuroanatomia. Veja a seguir. Anatomia do sistema nervoso e as teorias do localizacionismo e do unitarismo Como já citamos, os órgãos dos sentidos estão repletos de receptores, que nada mais são do que as células nervosas chamadas de moda neurônios (Células responsáveis pela transmissão dos impulsos nervosos no nosso corpo). Os neurônios estão formados, basicamente, por três estruturas: o corpo celular, os dendritos e os axônios. Essas células respondem a estímulos através de modificações da diferença de potencial elétrico na membrana celular. Principais partes do neurônio Eles são especializados para serem excitados por determinados estímulos que serão conduzidos pelas vias nervosas com o objetivo de chegarem ao córtex cerebral. Essa condução ocorre pelo processo de comunicação entre neurônios chamado sinapse. Transmissão sináptica. Após a irritabilidade gerada pelo estímulo, o impulso nervoso é conduzido pelos nervos sensitivos até chegarem em uma importante estrutura cerebral chamada tálamo, que tem como uma de suas principais funções distribuir as informações recebidas para as áreas corticais específicas. álamo Estrutura cerebral que faz parte do diencéfalo e se encontra entre o córtex cerebral e o tronco encefálico. No córtex cerebral, existem áreas sensoriais primárias distintas (tato, visão, audição, paladar, gustação e propriocepção), sendo que o tálamo encaminha as informações próprias para uma delas. Quer ver um exemplo de como isso funciona? Exemplo Todas as informações auditivas detectadas pelo tálamo serão encaminhadas para a área auditiva, que se encontra no lobo temporal. Por outro lado, se as informações forem visuais, serão recebidas pela área visual localizada no lobo occipital e, caso sejam táteis, para a área somatossensitiva posicionada no giro pós- central, no lobo parietal. O sistema nervoso central (SNC) é composto por encéfalo e medula, sendo o encéfalo subdividido em cérebro, tronco encefálico e cerebelo. O telencéfalo é dividido em lobos conhecidos como: lobo frontal, lobo parietal, lobo, temporal e lobo occipital. Essa visão sobre o SNC e o seu funcionamento é alvo de polêmica entre dois grandes movimentos neurocientíficos compostos pela teoria do localizacionismo de Gall, Broca e Wernicke e pela teoria do unitarismo de Flourens e Hughlings Jackson. Veja a seguir, como eles funcionam: O localizacionismo defende a ideia de que cada área cerebral é responsável por determinada função mental. Para os seguidores dessa teoria, a linguagem, por exemplo, seria uma função representada numa região cerebral específica. Essa teoria consegue suporte empírico por meio da evolução de exames de imagem como o PET scan e outros, que permitem visualizar o local do cérebro ativo quando o sujeito está desempenhando determinada tarefa, e levando a mapeamentos corticais cada vez mais complexos. Por outro lado, o unitarismo e seus simpatizantes, conhecidos também como globalistas ou antilocalizacionistas, acreditam que o cérebro, em sua unidade, é responsável por todas as funções. Esse segundo movimento, liderado inicialmente por Jean-Marie Pierre Flourens, principal oponente de Gall, sustenta que as funções mentais são processos dinâmicos oriundos da integração funcional de todo o cérebro. Assim, outro grande seguidor, Jackson, propôs que a organização cerebral dos processos mentais complexos seja abordada do ponto de vista do nível da construção de tais processos, em vez de apoiar-se na sua localização em áreas específicas do encéfalo (KRUSZIELSKI, 2008, p. 1). Teoria das unidades funcionais de Luria A teoria das unidades funcionais de Luria nos ajuda a mostrar, passo a passo, as bases neurais da percepção, percorrendo o caminho da sensação até a percepção. Ela também nos permite entender melhor como podemos conciliar a perspectiva localizacionista com a perspectiva globalista. uria Localizacionismo Unitarismo Alexander Romanovich Luria foi um neuropsicólogo russo do século passado (1902-1977) tendo recebido o título de pai da Neuropsicologia moderna. Luria entende que o SNC funciona de forma integrada e que suas funções e estruturas dependem umas das outras. Assim como não podemos delegar a função de digestão apenas ao estômago, pois essa função depende de todo sistema digestório, as funções mentais também dependem de todo o SNC que é alimentado por informações oriundas da periferia do corpo. A metáfora que ele usa é a de uma orquestra. O cérebro é como uma grande orquestra com seus inúmeros músicos e seus instrumentos, porém eles precisam tocar juntos e em sincronia para que a peça seja executada da melhor forma possível. Ele toma o SNC como organizado verticalmente, de forma ascendente, caminhando das funções mais básicaspara as mais complexas, no qual as estruturas mais baixas servem de base para as superiores. Portanto, as funções superiores dependem do funcionamento adequado das estruturas inferiores. A teoria de Luria divide o SNC em três grandes unidades funcionais. Veja a seguir, quais são elas: Formada estruturalmente pela medula, cerebelo, tronco encefálico e diencéfalo e é responsável pelo tônus, vigília e funções vitais. Daí sobra apenas o telencéfalo para as duas próximas unidades, sendo que a parte posterior (lobo temporal, parietal e occipital) forma a segunda unidade e a anterior (lobo frontal), a terceira unidade. Porção receptiva que receberá, em suas áreas distintas, as mensagens vindas dos sentidos, além de receber, processar e armazenar as informações provenientes tanto do mundo externo quanto do Primeira Unidade Funcional Segunda Unidade Funcional interno. Tem como responsabilidade regular e verificar as funções comportamentais e mentais, bem como as respostas motoras. Existem algumas especificidades que iremos exemplificar com a queda de um objeto no pé de uma pessoa. Veja a seguir: Terceira Unidade Funcional Os receptores (mecanorreceptores) localizados no pé captam o estímulo vindo da pressão exercida pelo objeto sobre o pé (processo de detecção) e transformam essa energia em impulso nervoso (processo de transdução) para que possa ser compreendido por todo o SN quando a informação for enviada através dos nervos sensoriais (processo de transmissão) até chegar na medula. Nesse momento, a Primeira Unidade Funcional de Luria é ativada e a informação caminha pela medula, tronco encefálico e diencéfalo, alcançando o tálamo. O tálamo averigua a qualidade da mensagem (tátil) e a direciona para a Segunda Unidade Funcional de Luria em uma área especí�ca que será o primeiro lugar cortical atingido pela mensagem, por isso, essa área receberá o nome de área primária somatossensitiva que tem por função apenas receber estímulos táteis. Ela se localiza no giro pós-central, no lobo parietal. Em seguida, essa informação será encaminhada para uma região próxima chamada de área secundária, responsável por decodi�car a informação, mandando-a para uma área terciária de integração na qual ocorre o processamento da informação, ou seja, a percepção (tomada de consciência), que no nosso exemplo é a de um objeto que caiu no pé. Portanto, a localização do processo de percepção ocorre na parte posterior cerebral. Para resumir melhor... Relação entre as áreas funcionais e a sensopercepção A especialista Julia Teixeira fala sobre o processo de sensopercepção, segundo a teoria das unidades funcionais de Luria. Depois que ocorre a percepção, esta informação é encaminhada para a Terceira Unidade Funcional de Luria que também é subdividida em área primária, secundária e terciária com a diferença que o conteúdo vindo do processo de percepção irá primeiramente para a área terciária da terceira unidade, na qual haverá o planejamento; depois, caminha para a área secundária que procederá com a organização e o recrutamento das funções necessárias para que a área primária envie a ordem motora de resposta que, em nosso exemplo, seria retirar o pé e olhar como ele está. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 No sistema nervoso periférico (SNP), os receptores recebem as informações do mundo externo e interno, encaminhando-as pelas vias nervosas ao sistema nervoso central (SNC), no qual as informações serão processadas no córtex. Podemos representar as palavras em negrito de acordo com as seguintes estruturas neurais (conforme a sequência em que aparecem no parágrafo): Parabéns! A alternativa B está correta. Glia é um conjunto de células nervosas que têm outras funções e não a de receber estímulos; tálamo é uma estrutura do SNC que tem por função distribuir as informações vindas dos sentidos para as áreas corticais; tronco encefálico é uma estrutura do SNC, mas não é cortical. Na pele, temos vários receptores, mas ela não é um receptor nem faz parte do SNP; veia é uma estrutura do sistema vascular; diencéfalo é uma estrutura do SNC, mas não é cortical. Sinapse é um processo de comunicação entre os neurônios; medula é uma estrutura do SNC, mas não é cortical; telencéfalo é uma estrutura do SNC e é recoberto pelo córtex. Micróglia é uma das células da glia; ponte faz parte do tronco encefálico e, como já vimos, não é uma estrutura cortical; cerebelo, apesar de ser uma estrutura do SNC, não é cortical. Questão 2 A Glia, tálamo, tronco encefálico B Neurônios, nervos, cérebro C Pele, veia, diencéfalo D Sinapse, medula, telencéfalo E Micróglia, ponte, cerebelo Conforme a teoria das unidades funcionais de Luria, assinale a opção que informa exatamente onde ocorre o processo de percepção. Parabéns! A alternativa E está correta. A primeira unidade é responsável pelas funções básicas e essenciais (batimento cardíaco, respiração, vigília, tônus). Ocorre na segunda unidade, porém a função da área secundária é analisar. A terceira unidade não está relacionada com a percepção mas com as funções cognitivas superiores e motoras. Como já dito, não está relacionada com a percepção nem é dividida em áreas. A Primeira unidade, área terciária B Segunda unidade, área secundária C Terceira unidade, área primária D Primeira unidade, área primária E Segunda unidade, área terciária 4 - Conhecimento através dos processos neurais Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer como adquirimos conhecimento por meio dos processos neurais relacionados. Alterações da sensopercepção Antes de falarmos sobre as alterações perceptivas, devemos explicar a forma como organizamos e interpretamos nossas visões para que representem percepções significantes. A nossa tendência, quando estamos percebendo qualquer estímulo, é buscar que ele faça sentido, portanto, estamos sempre procurando organizar as informações que recebemos para perceber uma boa forma. Mas, o que significa a percepção de uma boa forma? Resposta No início do século XX, um grupo de psicólogos alemães destacou que havia uma tendência do ser humano de organizar as informações que chegam a ele pelos sentidos. Assim, buscamos organizar todas essas informações em uma Gestalt (Forma ou totalidade). Ainda que a nossa percepção possa estar composta por fragmentos de informações, ou por diferentes processos, a nossa composição total dessa percepção nos leva sempre a uma percepção única e unitária, na qual percebemos um todo integrado. Para exemplificar, falaremos sobre o Cubo de Necker, que é um cubo que fornece uma imagem interpretada pelo cérebro como uma ilusão de ótica. Veja que, na terceira imagem, você consegue dar sentido às informações, chegando a perceber um cubo e não apenas círculos com linhas brancas. Cubo de Necker Dessa forma, ao longo do tempo, os psicólogos da Gestalt nos permitiram entender os princípios que usamos para organizar as informações provenientes da nossa sensação em percepções significantes. Comentário A forma que temos de organizar deixa claro que a nossa percepção é uma construção, uma inferência que fazemos do mundo externo, buscando dar sentido a tudo aquilo que chega aos nossos sentidos. Assim, temos a percepção de forma, que precisa de algumas condições básicas para pôr ordem nas informações. Em primeiro lugar, fazemos uma diferenciação entre figura e fundo. É figura tudo aquilo que consideramos objeto de nossa percepção, e o que o rodeia passa a ter menos importância, é o resto, é o fundo. Figura e fundo trocam de posição o tempo todo: aquilo que é figura em determinando momento pode passar a ser fundo em outro e vice-versa. Isso nos permite perceber o todo em nosso campo perceptivo. Dependendo de qual imagem é figura e qual é fundo, podemos perceber um cálice (imagem clara) ou duas cabeças (imagem preta). Percepção figura-fundo. Após a identificação entre figura e fundo, é necessário que também agrupemos as informaçõesde maneira que as nossas percepções se tornem mais rápidas e eficientes. Para podermos agrupar as informações de forma organizada e eficiente, muitas vezes usamos certos princípios: Proximidade Agrupamos aquelas figuras que se encontram próximas. Nessa imagem, é mais frequente perceber duas colunas de pontos, a primeira maior e a segunda, mais estreita, do que perceber seis linhas de pontos. Continuidade Buscamos padrões que nos permitam reconhecer um traçado que seja suave e contínuo. Percepção sem sensação: é possível? Filósofos da Roma antiga já se preocupavam e se espantavam com certos aspectos que ocorrem na mente humana. Para introduzirmos o assunto das alterações sensoperceptivas, um bom começo é responder à pergunta: é possível termos sensação sem percepção? Outra indagação é: existe percepção sem sensação? Respondendo à primeira, é comum cortarmos ou arranharmos nossa pele e só vermos o machucado um tempo depois quando nos perguntamos: onde me machuquei? Se machucou, cortou ou gerou um hematoma é porque, com certeza, houve um estímulo suficiente para gerar tal situação, portanto, esse é um bom exemplo da presença de sensação sem a percepção imediata do ocorrido. Curiosidade Para que haja uma percepção, temos que ter, obrigatoriamente, uma sensação oriunda de um estímulo real para desencadear a percepção. Mas, se ocorre a percepção, seja ver algo, ouvir um som ou sentir um cheiro Fechamento Temos a tendência a preencher lacunas para podermos criar um objeto completo, inteiro. Tendemos a perceber um círculo e um quadrado, ainda que ambas as figuras não estejam completas. Assim, damos continuidade aos estímulos e fechamos as figuras. sem um estímulo real desencadeante, estamos diante de uma alteração sensoperceptiva. ensoperceptiva Alterações sensoperceptivas são aquelas que ocorrem no processo de sensação-percepção. Para desencadear uma sensação é necessário que o estímulo seja físico, químico ou biológico real, para então ser percebido corticalmente. Essas alterações ocorrem devido ao funcionamento inadequado ou a lesões adquiridas que gerarão desajustes em um ou mais tipos de percepções que temos. Acromatopsia Falemos sobre as lesões adquiridas que comprometem nossa percepção. A visão, responsável por captar os comprimentos de ondas que perceberemos como cores, pode ter esta percepção alterada devido a problemas nos fotorreceptores, ocasionando a acromatopsia, também chamada de cegueira para cores. Há correlação de áreas lesionadas na acromatopsia que são as áreas V4 e a anterior a ela, sendo comum a extensão da lesão a áreas vizinhas. A percepção de cor tem como base a teoria tricromática do receptor (também conhecida como teoria de Young-Helmholtz) que, amparada pelos fenômenos da mistura de cores, preconiza a existência de certos mecanismos neurais, funcionais e estruturais da retina. Conforme essa teoria, é suficiente haver luzes apenas de três comprimentos de ondas distintas para gerar todo o espectro visível. Com isso, supõem-se a existência de três tipos específicos de receptores na retina humana, três pigmentos fotossensíveis cada qual encontrado num tipo diferente de cone, provocando a sensibilidade a diferentes espectros (comprimentos de ondas correspondentes ao azul, verde e vermelho). Cada cone tem um gene próprio e na acromatopsia típica, a herança é autossômica recessiva (Causada por um gene recessivo), apresentando prevalência de 1 em cada 30.000 pessoas. O acromata é incapaz de reconhecer qualquer cor, seu espectro visível é visto como uma faixa cinzenta de várias intensidades, por isso é considerado monocromata (visão de apenas uma cor). Acinetopsia A percepção de movimento também é decorrente de nossa visão. A maioria dos animais percebe movimento tendo sido identificados vários mecanismos neurais requintados para muitas espécies. Eles estão em funcionamento no ser humano desde muito cedo, logo após o nascimento. Várias áreas cerebrais estão envolvidas com a percepção do movimento, principalmente os neurônios da porção posterior e lateral do giro temporal médio bilateral. O primeiro relato de comprometimento da perda seletiva da percepção do movimento ocorreu em 1983 na Alemanha. A perda da capacidade de perceber movimento é denominada acinetopsia, que pode levar à perda dessa capacidade nas três direções (altura, largura e profundidade). Existem relatos de casos sobre a acinetopsia após AVE, que levaram a pessoa a não conseguir perceber que estava derramando o café na xícara, pois não conseguia acompanhar o movimento do líquido subindo na xícara. Prosopagnosia Sigmund Freud cunhou o termo agnosia, proveniente da palavra grega gnosis, que significa reconhecer. O diagnóstico de agnosia implica em uma falha de conhecimento ou reconhecimento, normalmente de um objeto. Existem vários tipos de agnosias. A que está amparada pela visão, ou seja, não reconhecer um objeto ao vê-lo, denomina-se agnosia visual. A prosopagnosia, por sua vez, é mais uma alteração visual na percepção específica de faces familiares. Lembrarmos de faces é muito importante, nossa capacidade de recordar fisionomias nos auxilia a reconhecer pessoas que não vemos há algumas décadas. Saiba mais A pessoa com prosopagnosia, devido a uma lesão adquirida nas áreas temporo-occipitais, perde a capacidade de juntar os detalhes do rosto de pessoas, necessitando apoiar-se em algumas características específicas para fazer o reconhecimento. Por exemplo, um bigode, uma cicatriz, a barba ou mesmo a voz serão aspectos nos quais a pessoa se ampara para reconhecer um familiar. Existem outros tipos de agnosia provenientes de outros sentidos, como é o caso da agnosia tátil, pela qual a pessoa não reconhece um objeto ao pegá-lo em suas mãos. Alterações sensoperceptivas quantitativas e qualitativas Não podemos deixar de relatar sobre as alterações sensoperceptivas devido a um funcionamento inadequado. Elas são divididas em quantitativas e qualitativas. As quantitativas referem-se às imagens perceptivas com intensidades anormais, seja para mais ou para menos. Dentre elas, podemos citar as hiperestesias e as hipoestesias, as hiperpatias, as analgesias e as anestesias. Veja na tabela a seguir: TIPOS DE ALTERAÇÕES SENSOPERCEPTIVAS QUANTITATIVAS Hiperestesia Percepções aumentadas na intensidade ou na duração, fora da normalidade. Hipoestesia As informações via sentidos são percebidas com menor intensidade, detectadas em alguns pacientes depressivos. Hiperpatias Um leve estímulo, normalmente, tátil, é percebido como uma sensação bem desagradável. Analgesia Algumas áreas do corpo e pele são incapazes de perceber uma sensação dolorosa. Anestesia Perde-se a sensibilidade tátil em algumas áreas da pele. Já as alterações qualitativas estão relacionadas às alterações sensoperceptivas chamadas de alucinação e ilusão. Vamos começar pela ilusão, que é um pouco mais simples. Ocorre quando seu cérebro, por algum padrão automático, acaba enganando você. Na ilusão, existe um objeto real que irá disparar estímulo a seu sentido, porém, alterado. Pode ocorrer devido a alguns estados de rebaixamento de consciência, fadiga grave ou falta de atenção e por alguns estados afetivos. Por exemplo, os mágicos e os ilusionistas utilizam muito esse processo, chamando a atenção para determinado ponto e modificando outro que estará fora de seu foco atencional. Como o cérebro não captou a informação, ao ver o resultado, isso provoca espanto e perplexidade. Qual linha parece maior? A grossa, não é? Essa ilusão ótica, desenvolvida pelo psiquiatra alemão Franz Müller-Lyer, em 1889, nos faz crer que a linha mais grossa é maior que a linha fina. Mas, na verdade, ambas são iguais. Ilusão de Müller-Lyer. E a alucinação? A alucinação ocorre quando, na ausência de um objeto real, seu sentido é estimulado. Lembra quando no início perguntamos se seria possível haver percepção sem sensação? A resposta é sim. Na alucinação, entretanto, é um estado patológico. Asalucinações mais comuns são as visuais, mas também podem ser auditivas, táteis, musicais, olfativas e outras. Dessa forma, as alucinações são um dos sintomas encontrados nas psicoses, como, por exemplo, na esquizofrenia. Saiba mais Existem estudos que apontam que parentes de primeiro grau de esquizofrênicos têm um risco dez vezes maior do que pessoas da população geral de serem diagnosticados com esquizofrenia e consequentemente apresentarem comprometimento de ordem perceptual, destacadamente, alucinações. Isso nos leva a pensar em como este tipo de alteração na sensopercepção pode estar fortemente relacionado a um fator genético. Alterações sensoperceptivas quantitativas e qualitativas A especialista Julia Teixeira ilustra as diferentes alterações sensoperceptivas qualitativas e quantitativas e suas implicações. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 M.P. relata que, após um acidente, passou a ter dificuldade em acompanhar as conversas, pois não tem mais a capacidade de acompanhar o movimento da boca das pessoas enquanto falam. Também se tornou perigoso atravessar uma rua, por não conseguir acompanhar o movimento do carro e, logo que decide atravessar, o carro já está bem próximo. Todas as vezes se assusta muito, por exemplo, quando uma pessoa que estava longe, caminhando em sua direção, de repente já está ao seu lado. Todos esses sintomas relatados se referem a qual tipo de alteração na percepção? A Prosopagnosia B Acromatopsia C Acinetopsia D Agnosia tátil E Agnosia visual Parabéns! A alternativa C está correta. Prosopagnosia é a incapacidade de reconhecer faces familiares, acromatopsia é a incapacidade em ver cores enxergando tudo em tons de cinza. Agnosia tátil é a incapacidade de reconhecer objetos com o tato e agnosia visual é a incapacidade de reconhecer objetos pela visão. Questão 2 As alterações sensoperceptivas podem ser classificadas como quantitativas e qualitativas. São alterações quantitativas, exceto: Parabéns! A alternativa D está correta. Todas as opções se referem à alterações quantitativas, apenas a “Alucinação” se refere a uma alteração qualitativa. A Hiperestesia B Anestesia C Hiperpatias D Alucinação E Hipoestesia Considerações �nais Como vimos, os processos de sensação e percepção são muito mais complexos do que imaginamos. Precisamos ter um bom conhecimento sobre as bases neurais que regem nosso funcionamento, bem como conhecer nossos sentidos, seus órgãos e receptores. A sensação e a percepção são um contínuo que, para podermos torná-lo mais compreensível, os dividimos, porém, na realidade, é difícil encontrar o ponto de limite entre elas. Nossa percepção nos faz tomar consciência do que acontece ao nosso redor e internamente. Todo esse processo nos parece automático devido à enorme velocidade com que a mensagem trafega em nossas redes neurais. Suas alterações são danosas às nossas vidas comprometendo, em vários níveis, nossa funcionalidade. Podcast Agora, a especialista Julia Teixeira desenvolve a evolução e a importância dos estudos dos processos sensoperceptivos na Psicologia, destacando a sua relação com a Neuropsicologia. Explore + Assista ao vídeo Manipulação da Percepção: O Poder do Ilusionismo apresentado no TEDxUFSCar 2016, disponível no canal Tedx, disponível no YouTube. Leia o artigo Os processos cognitivos de atenção e percepção: Suas relações com a execução, a observação e o aprendizado na dança, de Fátima Wachowicz, da Universidade Federal de Viçosa, disponível no portal Publionline da Unicamp. Leia o artigo Sensação e percepção no contexto dos estudos em Epistemologia Genética, publicado no portal da Schème – Revista Eletrônica de Psicologia e Epistemologia Genéticas. Assista ao vídeo Sensopercepção e Alterações, disponível no canal Caminhos Psíquicos no YouTube. Assista à apresentação legendada de Donald Hoffman, Do we see reality as it is?, no TedTalks, disponível no portal TeD. Referências CALIN-JAGEMAN, R. J.; FISCHER, TM. Behavioral adaptation of the aplysia siphon-withdrawal response is accompanied by sensory adaptation. Behavioral neuroscience, v. 121, fev. 2007. CARBON, C. C.; DITYE, T. Sustained effects of adaptation on the perception of familiar faces. Journal of Experimental Psychology: Human Perception and Performance, 2011. Consultado na internet em: 7 out. 2021. DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 2. ed. Porto Alegre, RS: Artmed, 2008. FELDMAN, R. S. Introdução à psicologia. 10. ed. Porto Alegre, RS: AMGH, 2015. GAZZANIGA, M.S. Neurociência cognitiva: a biologia da mente. 2. ed. Porto Alegre, RS: Artmed, 2006. KRUSZIELSKI, L. Teoria do sistema Funcional. 2008. Consultado na internet em: 7 out. 2021. 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