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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO”
FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
AVALIAÇÃO 1 “História das Inquisições na Época Moderna”
Gabriela Rodrigues Lima
4° ano História Diurno
Professor Doutor Yllan de Mattos 
Avaliação sobre as sessões 4, 5 e 6 da disciplina História das Inquisições na época Moderna.
A Época Moderna foi um período de transformação e transição entre o Medieval mítico e o Moderno racional. Espanha e Portugal viviam em um momento muito importante para a sua economia, a expansão marítima que primeiramente era realizada por homens que tinham medo dos perigos dos mares e que com o passar do tempo esse medo foi transformado em razão para a prática do mercantilismo. Cada país ao seu modo, portugueses agindo através da experiência e espanhóis mais destemidos. A Itália passava pelo momento de guerra civil em seu território. Novos discursos vão tomando conta dos intelectuais, como por exemplo, o antropocentrismo tendo como consequência as reformas religiosas. Segue assim, o contexto do período onde as Inquisições Modernas ocorreram, onde apesar de seguirem um modelo diferenciado do medieval, foi instrumento importante na justiça e ao mesmo tempo instrumento de poder.
A Inquisição Moderna tem características diferentes da Medieval. Bulas e regimentos passaram a ser necessárias para a atuação dos inquisidores e as torturas passaram a serem menos frequentes. A Inquisição que nada mais é do que um processo de investigação aconteceu em diferentes localidades da Europa em momentos e por situações diferentes. Nesse trabalho os países a serem tratados são Itália, Espanha e Portugal, onde a motivação do primeiro por volta de 1542 foram às lutas contra as outras religiões que estavam se formando o luteranismo, calvinismo e anglicanismo, no segundo em um contexto muito variado de 1478 com a reconquista e 1498 com a saída dos judeus e por último em Portugal por volta de 1536 perseguiam os cristãos novos que ainda praticavam a religião antiga. O direito divino dos reis marca esse período, onde não é mais o papa o intermediário de Deus na terra e sim o monarca, que através dos confessores chegam à consciência da população para acusarem os mesmos.
Na Itália o livro do autor Adriano Prosperi intitulado “Tribunais da Consciência - Inquisidores, Confessores, Missionários” trata sobre questões como a fé italiana, as diferenças da inquisição do século XVI em diante, caridade, reformas religiosas, a investigação romana e o Concílio.
No início o autor exemplifica a questão da problemática entre a fé e a caridade. A reforma protestante com seu caráter social diferenciado, fez com que a Igreja Católica fizesse o mesmo, impondo aos poderosos e ricos a responsabilidade social para com os pobres, a caridade estava ligada estreitamente com o poder, porém essa caridade possuía caráter de troca, os que eram caridosos iriam para o céu. A lógica da caridade seguiu firme na Itália por um longo período, gerando a problemática onde a caridade sobressai à importância da fé, ela era a que unia os homens e Deus. A igreja utilizou da caridade para combater as ideias de Lutero, passando a ser a religião da caridade e esperança, entretanto o objetivo de toda essa bondade era ter um especo garantido no céu. Além da questão da preocupação social, a esperança para os Italianos veio através do Purgatório. A Itália passava por diversos conflitos e pensar que a morte poderia vim a qualquer momento era terrível, porém ao saberem que poderiam possuir outra chance de irem para o céu foi de extremo alívio. A fé passou a ser escolha individual, que era notada pelas confissões e profissões de fé. Com o tempo ela passou a se tornar mais importante e discussões atrasadas na Itália passaram a serem feitas, pois a Inquisição não era mais forte e nos últimos tempos por volta de 1511 somente duas condenações haviam sido feitas.
Em documentação oficial do papa a Inquisição Italiana ganhou nova roupagem em 1536, onde a luta era clara, eram contra a heresia luterana o medo de outra doutrina ganhar força na Europa era eminente. Para que a condenação do herege acontecesse era necessária a sentença de um tribunal eclesiástico, onde os juízes eclesiásticos seriam os únicos a condenarem, mas a partir do século XVI as formas de julgar e a própria estrutura dos tribunais inquisitoriais mudam. 
A inquisição Romana tem como mudança clara a relação entre o papa e as ordens religiosas, onde a nomeação de inquisidores ficou abalada e aqueles que entravam nesse sistema de forma fácil no medievo, tiveram dificuldades para adentrarem e conseguirem os privilégios que todos almejavam. Porém ao mesmo tempo em que a Inquisição passou a ser uma instituição de “cara nova” algumas ligações foram feitas com o modelo antigo para que os poderes ainda se relacionassem, como por exemplo, a relação entre o papado e as ordens mendicantes, pois assim, poderia ter convivência com os poderes estatais para que lutassem em conjunto contra a heresia luterana.
O Tribunal do Santo Ofício era o tribunal mais supremo e este possuía duas características, a de controlador da fé e poder centralizado do papado. Sendo assim, o Papa deveria ser o homem com maior poder dentro desse sistema de tribunais, porém os Inquisidores que tinham a autoridade de julgar os hereges passaram a possuir maior autoridade, causando assim conflitos internos na estrutura eclesiástica. Além dos Inquisidores havia o fato de a Itália possuir vários estados e o Papa teria que lidar também com todas essas autoridades. A Igreja Italiana então com a aliança realizada anteriormente se relacionou com os demais estados deixando então de ser um problema, para ganhar mais força contra os hereges. Justamente esse relacionamento entre a Igreja e o Estado foi uma das características da nova Inquisição. Sendo assim a Inquisição Italiana cresceu nesse período devido ao medo da instalação de outra religião, foi uma batalha “anti-herética” que com as alianças e relacionamentos feitos ganhou grande poder.
A Inquisição Espanhola teve início por volta de 1477 quando os Reis Católicos pediram ao Papa para poderem nomear alguns inquisidores, pois passavam pelo problema da volta das práticas da antiga religião dos judeus conversos e a Espanha ainda não possuía um modelo Inquisitorial forte e as medidas régias para conter as desordens civis não eram mais suficientes e estes sentiam que o poder real estava ameaçado. Assim autorizados, em 1478 a nova Inquisição Espanhola aparecia em Castela. Os primeiros inquisidores Morillo e San Martín cometeram muitos excessos ao julgarem e essas atitudes fizeram com que acontecesse uma crise diplomática entre Espanha e o Papa na Itália. A atuação desses inquisidores era cruel, torturavam e matavam os acusados, assim o Papa exigiu que se cumprissem a bula pontifícia com pena de retirar o nome destes Inquisidores. É o que coloca em seu texto Bruno Aguilera Barchet “La primera etapa de los tribunales em España”.
Os primeiros tribunais espanhóis seguiram então com a dureza dos inquisidores, exemplo claro é o Inquisidor Tomás de Torquemada. Primeiramente os acusados deveriam confessar o seu crime por iniciativa própria, eram interrogados e torturados na presença do inquisidor. 
Os tribunais inquisitoriais não se restringiram somente ao Reino Castelhano, mas como o tempo foi se expandindo por toda a Espanha e ganhando força em outras localidades e cada vez sendo mais estruturado, o autor coloca diversas cidades da Espanha aonde os tribunais vão se organizarem sobressaindo até mesmo do Reino de Castela e chegando até a Aragão. Até 1495 todos os tribunais estão proliferados, porém com a diminuição dos processos inquisitoriais e para diminuir gastos muitos foram fechados. E a partir de 1495, sob a influência do Inquisidor Tomás de Torquemada a inquisição passa a julgar processos de heresia que fossem de maiores importâncias.
O texto do historiador José Antonio Escudeiro “La Introducción de la Inquicición em España” trata também sobre a Inquisição espanhola, porémde maneira mais detalhada, caracterizando cada bula papal em suas localidades e consequências.
Sobre a fundação da Inquisição em Portugal os textos lidos foram dos autores Giuseppe Marcocci e José Pedro Paiva “História da Inquisição Portuguesa (1536-1821)” e o texto somente de Marcocci “A fundação da Inquisição em Portugal: um novo olhar”. O artigo escrito por Marcocci tem como objetivo analisar de um modo diferente as causas que levaram o início da Inquisição em Portugal, trazendo novas interpretações e novos olhares ao tema, O historiador alerta que para discutir sobre esse tema devem-se levar em conta múltiplos pontos de vista, pois é um tema inacabado. Havia uma pressão castelhana muito presente em Portugal para que instaurassem um tribunal do Santo Ofício em seu território e D. João III sempre ficou em cheque com os teólogos e os conflitos internacionais, tanto com a Espanha como com Roma. 
Após uma catástrofe natural ocorrida em Portugal, um terremoto, surgiu o boato de que Deus poderia estar insatisfeito com a forma que estavam lidando com os cristãos novos, que seriam os judeus, pois estes estavam praticando livremente seus antigos cultos. Com essa desculpa em 1531 D. João III pede autorização para Roma, para a implantação de um Tribunal em território Português semelhante ao da Espanha. Porém o autor alerta sobre as verdadeiras caudas do pedido de autorização. Portugal passava por uma crise financeira, pois havia investido muito dinheiro em seu projeto de expansão na América, com a prisão e julgamento dos novos cristãos poderiam confiscar os seus bens e arrecadar muitas riquezas. A autorização foi concedida, porém os tribunais portugueses passaram por diversas questões e pressionamentos da Espanha. O verdadeiro motivador e controlador da Inquisição em Portugal foi D. Henrique. A Inquisição Portuguesa com o tempo foi perdendo a força. No primeiro texto citado Marcocci e José Pedro Paiva colocam que a nomeação dos últimos inquisidores foi em 1818 e que as ideias da Inquisição foram cada vez mais criticadas, até mesmo pelos padres, um exemplo é o padre Antônio Vieira e em Roma o papa deu aos cristãos novos o “Perdão Geral” fazendo com que não fizesse sentido os julgar. Outro fator de importância para o desaparecimento da Inquisição em Portugal é o aparecimento do Marquês de Pombal que com suas ideais inovadoras para o período passou a descartar a Inquisição, que apesar desses fatores continuou presente na memória nas tradições e raízes do povo português.
Analisado a fundação das três inquisições; Itália, Espanha e Portugal, podemos concluir que apesar de cada uma destas terem sido fundadas em lugares e por motivações diferentes em determinados momentos da História elas se cruzam. No texto de Adriano Prosperi fica evidente no subtítulo que fala sobre “Milão e Nápoles. A Alternativa da Inquisição Espanhola na Itália” onde o autor coloca que por mais que obtivesse o poder territorial, essas duas “cidades” resistiam à Inquisição Espanhola e passaram muitas vezes a serem refúgios da violência hispânica. A Itália temia a Inquisição espanhola pela sua violência, falto de senso e até mesmo e principalmente por não respeitarem as hierarquias do poder local que era o mesmo que ameaçar os privilégios dos poderosos italianos, pois passavam por cima das autoridades romanas. A Espanha foi vista ao olhar dos historiadores com um poder Monárquico forte e um grande projeto de união estatal já a Itália os hereges foram estudados por possuírem características tais como pensamento de liberdade, contra um sistema de repreensão, essas ideias estão no texto de Marcocci e José Pedro Paiva. Portugal sempre esteve ligado e relacionado à Espanha, que a pressionava para a introdução de um tribunal inquisitorial em seu território e não podemos deixar de levar em conta que a União Ibérica foi o grande elo entre os dois reinos e Roma sempre relacionada a todos os outros tribunais, pois a autoridade máxima o Papa estava presente neste território. Assim as Inquisições na Época Moderna são importantes para a análise desse período histórico, aonde a presença de um pensamento racional vem ganhando espaço e se tornando cada vez mais forte, mas que ao mesmo tempo há resquícios de uma época onde o mágico fazia parte da sociedade.