É uma triste verdade ter o Brasil herdado de sua metrópole o desprezo, em que teve ela sempre a educação do sexo. Os portugueses, levando suas armas e seus missionários a outras regiões do mundo, explorando a glória pela reunião destas duas forças heterogêneas que eles sabiam tão bem empregar para subjugar os povos, embriagavam-se demasiadamente em seus grandes triunfos para poderem ocupar-se, como deviam, da instrução da mulher, que, segundo a opinião da maioria de seu país, mais afeita aos costumes mouriscos que aos dos povos do Norte, não há mister de outros conhecimentos além daqueles que a habilitam a ser a primeira e mais útil servente de sua casa. Nísia Floresta, Opúsculo Humanitário. Penguin & Companhia das Letras. Considerando o conjunto de Opúsculo Humanitário e o contexto histórico do Brasil no século XIX, é correto afirmar que Nísia Floresta, nesse excerto, a) sustenta que a hegemonia militar de Portugal foi o fator que possibilitou a vanguarda das ciências e das artes entre as mulheres da metrópole, modelo que deveria ter sido copiado pelo Brasil. b) faz apologia da educação doméstica, alegando que o cultivo da inteligência feminina surgiria inevitavelmente, apesar da herança mourisca existente na mentalidade dos colonizadores. c) identifica, no Brasil, o desdém com a instrução feminina como um malefício, proveniente da colonização lusa, que excluiu a mulher da participação efetiva no mundo exterior ao lar. d) propõe uma reforma educacional pautada no racionalismo positivista e nas filosofias materialistas, rejeitando qualquer influência da moral advinda de princípios cristãos. e) elogia a administração imperial brasileira por ter superado os preconceitos coloniais ao criar um sistema de escolas públicas universais e igualitárias para ambos os sexos.