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FUNÇÃO SOCIAL E POLÍTICA DA
ESCOLA: PERSPECTIVA CRÍTICA E
PERSPECTIVA NEOLIBERAL
“A educação tende a “refletir” a sociedade que a produz”.
CONTEXTO NEOLIBERAL
Pablo Gentili: 
a) Visão neoliberal da função social da escola: “Na perspectiva dos homens de
negócios, nesse novo modelo de sociedade, a escola deve ter por função a
transmissão de certas competências e habilidades necessárias para que as pessoas
atuem competitivamente num mercado de trabalho altamente seletivo e cada vez
mais restrito.
b) A educação escolar deve garantir as funções de classificação e hierarquização dos
postulantes aos futuros empregos (ou aos empregos do futuro). Para os neoliberais,
nisso reside a ‘função social da escola’. Semelhante ‘desafio’ só pode ter êxito num
mercado educacional que seja, ele próprio, uma instância de seleção meritocrática,
em suma, um espaço altamente competitivo”.
Na perspectiva neoliberal, a função social da escola visa transmitir habilidades e
competências para que os alunos atuem de forma competitiva no mercado de
trabalho.
O neoliberalismo pode influenciar a educação de várias formas, como:
 A educação básica é priorizada, com investimentos no ensino fundamental.
 A gestão educacional é regulada.
 O currículo é influenciado.
 O ensino superior é desvalorizado.
 O neoliberalismo pode também reduzir o acesso às políticas sociais, como a
educação, a saúde, a assistência e a previdência.
Nessa perspectiva o ambiente escolar, através de dados de alunos excluídos do processo de aquisição
do conhecimento científico, revela-se um cenário da sociedade atual, na qual a educação inserida
nesse contexto, evidencia-se como:
 Uma educação voltada para estimular o individualismo,
 para fomentar a competição,
 para enaltecer a concorrência,
 para premiar para a produtividade,
 e punir pelos resultados não desejados,
 permitindo, assim, selecionar os mais aptos e adaptados, de acordo com os valores vigentes nessa
sociedade.
Portanto, através de uma leitura crítica dessa realidade
educacional, surgem indagações a respeito da escola
consagrar em seu interior uma exclusão, perpetuando uma
sociedade de desiguais, sendo necessário garantir uma escola
que sustente uma concepção de educação comprometida
com a democratização e socialização do saber.
Diante do direito e obrigação do acesso das camadas populares à escola, precisa-
se revisar a naturalização do fracasso escolar desses alunos. Entende-se, pois, que
os filhos das classes menos favorecidas trazem em sua história a negação da
garantia dos direitos básicos da vida humana, e será na escola, considerando essa
como um mecanismo de desvelamento da realidade, em favor dos interesses da
classe dominada, que o aluno ao adquirir o conhecimento elaborado e ter a
compreensão de sua condição de classe, dentro do caráter histórico e social,
poderá contribuir para a transformação dessa realidade.
Segundo as Diretrizes Curriculares Estaduais para a Educação Básica, o projeto
educativo, precisa atender igualmente aos sujeitos, seja qual for sua condição
social e econômica, seu pertencimento étnico e cultural e às possíveis
necessidades especiais para a aprendizagem. Essas características devem ser
tomadas como potencialidades para promover a aprendizagem dos
conhecimentos que cabe à escola ensinar, para todos. A educação para as classes
trabalhadoras provoca nas instituições de ensino, desafios da efetivação da sua
função social e do compromisso político com esses sujeitos, buscando o seu
desenvolvimento humano.
O produto do trabalho educativo deve ser a humanização dos indivíduos, que, por
sua vez, para se efetivar, demanda a mediação da própria humanidade dos
professores. O objetivo central da educação escolar reside na transformação das
pessoas em direção a um ideal humano superior, na criação das forças vivas
imprescindíveis à ação criadora, para que seja, de fato, transformadora, tanto dos
próprios indivíduos quanto das condições objetivas que sustentam sua existência
social.
A FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA: CONCEPÇÃO
A escola está atingindo patamares de universalização da Educação Básica – Ensino
Fundamental, porém, a garantia do desenvolvimento de todos os alunos ainda precisa ser
consolidada, pois ser acessível a todos não é suficiente, é preciso garantir que o aluno
adquira os conhecimentos socialmente produzidos, a conclusão do ensino escolar com o
conhecimento elaborado e sistematizado, só assim será possível atingir a efetivação da
função social da escola.
Saviani defende: Que a função social da escola é a de propiciar a aquisição dos instrumentos
que possibilitam o acesso ao saber elaborado (ciência), bem como o próprio acesso aos
rudimentos desse saber. As atividades da escola devem organizar-se a partir dessa questão.
(SAVIANI, 2013, p.14).
Entende-se que os alunos destituídos do domínio dos conhecimentos e saberes historicamente
acumulados pela humanidade não conseguem obter elementos fundamentais para realizar uma
reflexão crítica acerca da realidade em que vivem impossibilitando a transformação da mesma.
reportando a Saviani:
[...] Se os membros das camadas populares não dominam os conteúdos culturais, eles não podem
fazer valer os seus interesses, porque ficam desarmados contra os dominadores, que servem
exatamente desses conteúdos culturais, para legitimar e consolidar a sua dominação. Eu costumo,
às vezes, enunciar isso da seguinte forma: o dominado não se liberta se ele não vier a dominar
aquilo que os dominantes dominam. Então, dominar o que os dominantes dominam é condição de
libertação (BATISTA, apud SAVIANI, 2012, p.17).
Nessa perspectiva se impõe ao coletivo escolar buscar ações para que ocorra a apropriação dos
conhecimentos científicos, pelos alunos das classes trabalhadoras como fim primordial do ensino
escolar.
A FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA: PERSPECTIVAS E
POSSIBILIDADES
Princípios 
1 – Defesa da escola pública, gratuita e laica em todos os níveis;
2 – Educação como direito de todos e dever do Estado;
3 – Regulamentação do ensino privado sob o controle do Estado;
4 – Não inclusão do setor na Educação na OMC;
5 – Não intromissão dos organismos internacionais nos rumos da
educação nacional;
6 – Defesa de um Sistema Nacional de Educação (rede pública e setor
privado).
EDUCAÇÃO É:
a) Processo e prática social constituída e constituinte das relações sociais mais amplas;
b) Processo contínuo de formação; 
c) Direito inalienável do cidadão. 
• A prática social da Educação deve ocorrer em espaços e tempos pedagógicos diferentes, para
atender às diferenciadas demandas
• Como prática social, a educação tem como lócus privilegiado a escola, entendida como espaço
de garantia de direitos;
• Devemos trabalhar em defesa da educação pública, gratuita, democrática, inclusiva e de
qualidade social para todos ;
• É fundamental a universalização do acesso, a ampliação da jornada escolar e a garantia da
permanência bem-sucedida para crianças, jovens e adultos, em todas as etapas e modalidades de
educação básica.
É indispensável à escola, portanto:
• Socializar o saber sistematizado;
• Fazer com que o saber seja criticamente apropriado pelos alunos;
• Aliar o saber científico ao saber prévio dos alunos (saber popular);
• Adotar uma gestão participativa no seu interior;
•Contribuir na construção de um Brasil como um país de todos, com
igualdade, humanidade e justiça social.
Constituição Federal 1988
• Artigo 205 “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e
incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu
preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.
LDBEN - 1996 TÍTULO I Da Educação 
Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na
convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e
organizações da sociedade civil e nas manifestaçõesculturais. § 2º A educação escolar deverá vincular-
se ao mundo do trabalho e à prática social.
TÍTULO II Dos Princípios e Fins da Educação Nacional
Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de
solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o
exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
OUTRAS CONCEPÇÕES 
Paulo Freire: 
a) A formação do sujeito deve contemplar o desenvolvimento do
seu papel dirigente na definição do seu destino, dos destinos de
sua educação e da sua sociedade;
b) Formar o cidadão, construir conhecimentos, atitudes e valores
que tornem o estudante solidário, crítico, ético e participativo;
José Geraldo Bueno (PUC SP) 
a) construção de um sistema de ensino que possa se constituir em fator de mudança social
b) responsável pela formação das novas gerações em termos de acesso à cultura , de formação do cidadão e
de constituição do sujeito social.
c) distinção entre a função da escola em relação à origem social dos alunos trouxe importantes
contribuições para uma melhor compreensão da complexidade dessa instituição, por outro, parece ter
desembocado, novamente, numa concepção abstrata de escola, em particular em relação à escola pública,
como sendo aquela que, voltada fundamentalmente para a educação das crianças das camadas populares,
cumpre o papel de reprodutora das relações sociais e de apoio à manutenção do status quo.
• “Parece que, como sempre, os responsáveis pelas políticas sociais (entre elas a da educação), em nosso
país, encontraram um novo ‘bode expiatório’: as unidades escolares. No passado, foram ou os alunos (por
suas carências e/ou dificuldades) ou os professores e a sua falta de formação (como se essa falta de
formação não fosse produto das políticas educacionais). Agora, parece que se transfere essa função social à
escola”.
A função social da escola é preparar os alunos para a vida pessoal e profissional,
transmitindo valores éticos e morais, e promovendo a inclusão e o respeito mútuo.
A existência das tendências pedagógicas liberais, ou seja, a Tradicional, a renovada (Escola
Nova) e a Tecnicista, que se apresentam como neutras, por não assumir compromisso com
a transformação da sociedade, bem como as Pedagogias contemporâneas, dentre elas a
pedagogia dos projetos, do professor reflexivo, das competências, difundidas nas duas
últimas décadas, que descaracterizam o trabalho do professor e que não dão importância
ao conhecimento acumulado, o que existe de mais desenvolvido objetivamente pela
humanidade, as quais na prática procuram legitimar a ordem econômica e social do
sistema capitalista, e as concepções pedagógicas contra hegemônicas que buscam
intencional e sistematicamente colocar a educação a serviço da transformação da ordem
vigente.
A educação possui fraqueza e força, tendo capacidade de contribuir para a transformação
social, humanizando o aluno, através de um currículo escolar que favorece a apropriação
do conhecimento elaborado, sistematizado, como também podendo ser usada pelos
grupos dirigentes da sociedade que privilegia seus interesses, para a manutenção da
ordem vigente, portanto pode ser meio de doutrinação, controle e reprodução da
sociedade.
Nos estudos através da teoria da Pedagogia Histórico–crítica buscou-se através de autores
como Saviani (2013), Duarte e Martins (2010), e Orso (2008), discutir a educação na
perspectiva da emancipação humana, priorizando o conhecimento científico como meio
para instrumentalizar os alunos, principalmente os das classes subalternas, presentes hoje
no ambiente escolar.
Evidencia-se que, conforme os autores estudados, com acesso da classe
trabalhadora na instituição escolar, ocorre uma tentativa de desvalorização da
escola, cujo objetivo é reduzir o seu impacto em relação às exigências das
transformações da própria sociedade, esvaziando-a de sua função específica,
convertendo numa agência de assistência social, para atenuar as contradições da
sociedade capitalista. (SAVIANI, 2013).
Através do estudo da história da educação brasileira, observou-se que desde a
colonização do Brasil a educação esteve ligada a imposição das ideias em favor dos
dirigentes, atendendo aos seus interesses políticos e econômicos, sendo distinta em
sua oferta e organização com uma educação voltada para os filhos da elite e outra
para filhos da classe trabalhadora.
Considerando o período atual, continua-se com uma educação atuando a favor dessa classe,
sendo necessário romper com essa lógica, através de uma escola que contribua com a função
política da educação escolar mediada pela competência técnica de seus profissionais.
Nesse sentido a escola deve cumprir com seu papel social de garantir a classe trabalhadora o
acesso aos conhecimentos científicos, onde o profissionais da educação devem considerar o
momento histórico em que vivem, compreender que o aluno é um ser concreto fruto dos
condicionantes sociais, pautando-se na importância do professor ter uma formação teórica
consistente através do domínio dos conteúdos em suas áreas específicas, com preparação
didático-pedagógico e com uma visão de homem que busca a sua emancipação, que através
do trabalho pedagógico possa explorar e desvelar as questões sociais e políticas, contrário ao
que hoje se apresenta com uma formação docente secundarizada, com currículos
fragmentados e minimizados.
CONCLUSÃO
Função social da escola: Compromisso com a formação do cidadão e
da cidadã com fortalecimento dos valores de solidariedade,
compromisso com a transformação dessa sociedade.
Enfim, a necessidade de ações que possam contribuir para
apropriação dos conhecimentos científicos por parte de seus alunos,
através de uma formação objetiva e crítica, contribuindo para a
mudança e não para a reprodução das relações sociais hegemônicas,
sabendo que o professor tem um papel importante diante dessa
realidade.
BONS ESTUDOS!

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