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Governanç� Corporativ� Descrever o conceito de Governança Corporativa ORIGEM DA GOVERNANÇA Governança é um termo derivado da palavra governo. Assunto rotineiro nas discussões organizacionais, o sentido de governança pode ter diferentes abordagens e perspectivas. A palavra surge, em especial, pelas reflexões do banco mundial (BM), que é uma: [...] agência especializada independente do Sistema das Nações Unidas, a maior fonte global de assistência para o desenvolvimento, proporcionando cerca de US$ 60 bilhões anuais em empréstimos e doações aos 187 países-membros. Por ser uma agência de fomento, ou seja, de empréstimos, o Banco Mundial impõe contrapartidas aos países que são financiados com os recursos da instituição. Logo, exigir boas práticas por parte dos governos, de suas instituições e do mercado privado de uma determinada nação passa a ser um dos requisitos para a concessão de financiamentos. Essas boas práticas exigidas correspondem ao sentido da palavra governança. GOVERNANÇA E PODER O BM, por meio do relatório Governance and the Law,define governança como: [...] o processo pelo qual os atores estatais e não estatais interagem para projetar e implementar políticas dentro de um dado conjunto de regras formais e informais que moldam e são moldadas pelo poder. O mesmo relatório conceitua : PODER : Capacidade de grupos e indivíduos para fazerem com que outros ajam segundo seus interesses e para trazer resultados específicos. A percepção do conceito de Governança difere entre alguns autores, como por exemplo: ● Percepção de Costa : O conceito de Governança está associado a mudanças nos processos e estruturas por meio dos quais a sociedade é gerida, envolvendo a redefinição de limites entre governos e organizações privadas com ou sem fins lucrativos. ● Percepção de Groenewegen : O conceito de Governança diz respeito às instituições que influenciam como as corporações alocam recursos e retornos. A Governança é, portanto, para o campo dos estudos de Gestão, um conjunto de políticas institucionais (princípios, normas e boas práticas) que conduz as atividades exercidas pelas organizações, desdobrando-se em todos os seus níveis (operacional, tático e estratégico). GOVERNANÇA VERSUS GOVERNABILIDADE Governança : Trata da adoção de boas práticas com o público interno e externo à organização no intuito de executar cada vez melhor sua missão. Tem caráter filosófico e de princípios. Governabilidade : Corresponde à legitimidade e estabilidade de um grupo para dirigir uma determinada organização. Tem vinculação direta com a política de sustentação de presidentes de companhias ou de executivos dos mais diversos ramos organizacionais/empresariais. Sobre a governabilidade, podemos afirmar que sua existência depende das condições de sustentação (apoios) de um poder de mando e de decisão. TIPOS DE GOVERNANÇA Podemos classificar os tipos de Governança Corporativa de acordo com dois parâmetros: Atividades e funções - A partir das atividades que exerce e das funções que deve cumprir, uma organização adota diferentes tipos de governança, caracterizados a seguir: ● Pela sustentabilidade : Governança cujos princípios norteadores são de proteção, tanto do negócio como dos impactos que a organização pode provocar no meio ambiente. ● Comunitária : Ações de governança que consideram os impactos nas zonas urbanas, rurais e periféricas das áreas geográficas sobre as quais estão as empresas e suas filiais. ● Da tecnologia da informação : Segundo Akabane (2012, p. 53), corresponde à governança que avalia e orienta a utilização da TI para apoiar a organização, monitorando seu uso para alcançar os resultados planejados. ● Legal : Governança estabelecida com a finalidade de adotar, com o máximo rigor possível, as exigências advindas do arcabouço jurídico (leis, decretos e normas advindas do Poder Público). ● Contábil : Definição de governança que zela pela autenticidade e pela fidedignidade das informações prestadas pela organização ao seu público. Finalidade da organização - Conforme a finalidade das organizações, a Governança se subdivide em : ● Governança Pública : Complexo de ações e processos que estabelecem as diretrizes (políticas, costumes, culturas) numa organização administrada direta ou indiretamente pelo Estado. ● Governança Corporativa : Ações e princípios adotados no âmbito das entidades privadas, em especial as empresas. A Governança Pública é a forma de interação horizontal entre atores estatais e não estatais no processo de construção de políticas públicas. Ou seja, a Governança Pública representa os princípios pelos quais as diversas instituições do Estado se estruturam, apontando por qual filosofia se relacionam com seu público, em especial, neste caso, externo. Na Governança Corporativa tem-se a direção que uma instituição privada almeja seguir para o alcance dos resultados: nesse caso, o lucro e o retorno para os acionistas. Na Governança Pública tem-se o mesmo intento, mas espera-se que os resultados culminem no bem comum, que pode ser traduzido na adequada prestação de serviços à população. PRINCÍPIOS DA BOA GOVERNANÇA A Governança Corporativa foi introduzida no Brasil por influência do instituto brasileiro de governança corporativa (ibgc). Embora a literatura aponte para a existência de sete princípios norteadores da boa governança, pela relevância do IBGC para a prática da governança no Brasil, apresentaremos e detalharemos os quatro princípios básicos fundamentais, definidos pelo instituto, para a boa governança corporativa: ● EQUIDADE : Definição do IBGC: caracteriza-se pelo tratamento justo e isonômico de todos os sócios e demais partes interessadas (stakeholders), levando em consideração seus direitos, deveres, necessidades, interesses e expectativas. A ideia de Equidade compreende tratar de modo igualitário todos os envolvidos no processo empresarial, ou seja, colaboradores internos, colaboradores externos, clientes, fornecedores, investidores, concorrentes, empresas parceiras, comunidade, governo, sindicatos e entidades de classes. Esse grupo abrangente com o qual as organizações têm de lidar chama-se stakeholders. Naturalmente, lidar com um grupo tão ampliado gera para as organizações um grande esforço para conseguir ser isonômica, ou seja, proporcionar para todos direitos e deveres iguais, no âmbito da relação direta com o negócio. Essa habilidade é fundamental para que se efetive uma boa governança corporativa e, ao mesmo tempo, representa um desafio, uma vez que cada um desses stakeholders têm necessidades diferentes e, às vezes, exigem tomadas de decisão que contrariam um ou outro grupo interessado. ● PRESTAÇÃO DE CONTAS : Definição do IBGC: os agentes de governança devem zelar pela viabilidade econômico-financeira das organizações, reduzir as externalidades negativas dos negócios e das operações e aumentar as positivas, levando em consideração, no modelo de negócios, os diversos capitais (financeiro, manufaturado, intelectual, humano, social, ambiental, reputacional etc.) no curto, médio e longo prazos. O princípio de Prestação de Contas, ou Accountability, em inglês, impõe à Governança Corporativa de uma organização que ela reúna todos os recursos necessários a fim de impedir perdas para aqueles que realizaram aportes de capital na empresa. A atenção com os recursos, que são advindos de terceiros e precisam ser adequadamente investidos, representa a maneira ideal de se prestar contas: alocando bem o capital da empresa. Esse princípio abrange, ainda, demonstrar aos interessados todos os esforços financeiros e não financeiros que a organização tem feito para gerar os melhores resultados. ● RESPONSABILIDADE CORPORATIVA : Definição do IBGC: os agentes de governança devem prestar contas de sua ação de modo claro, conciso, compreensível e tempestivo, assumindo integralmente as consequências de seus atos e de suas omissões e atuando com diligência e responsabilidade no âmbito dos seus papéis.O princípio da Responsabilidade Corporativa diz respeito à capacidade da organização em responder pelos próprios atos. Os atos da empresa geram alguma consequência e é missão desta ser hábil em responder pelas próprias ações que, em alguns momentos, serão assertivas e, em outros, não. ● TRANSPARÊNCIA : Definição do IBGC: consiste no desejo de disponibilizar para as partes interessadas as informações que sejam do seu interesse e não apenas aquelas impostas por disposições de leis ou regulamentos. Não deve se restringir ao desempenho econômico-financeiro, contemplando também os demais fatores (inclusive intangíveis) que norteiam a ação gerencial e que condizem à preservação e à otimização do valor da organização. A palavra transparência, no âmbito da Governança, pode ser compreendida por uma infinidade de possibilidades, relacionando-se, na maioria das vezes, às ações da organização caracterizadas pela nitidez de suas práticas e de suas diretrizes. Para as empresas, a transparência remete à disponibilização de informações de modo claro, quer sejam elas obrigatórias (como as demonstrações contábeis), quer sejam não obrigatórias (como as políticas de promoção de um colaborador dentro da instituição). PRÁTICAS DE GOVERNANÇA CORPORATIVA É necessário reavivarmos a ideia da estrutura básica das empresas (níveis administrativos), representados a seguir, para que entendamos em que nível a governança corporativa é formulada. Como vimos, a estrutura básica de uma organização é formada por três níveis administrativos: Identificar as regras e critérios da Lei Sarbanes-Oxley CONTEXTO DA LEI SARBANES-OXLEY A Lei Sarbanes-Oxley (SOX) é um dos dispositivos legais americanos cujas regras rígidas influenciaram a adoção da prática de governança corporativa no Brasil e no mundo. Na visão das autoras Oliveira e Linhares (2007), os condicionantes para a criação da referida lei foram: A Lei Sarbanes-Oxley (SOX) é um importante instrumento legal que busca inibir práticas que prejudiquem a credibilidade das informações apresentadas pelas empresas norte-americanas, assim como naquelas que registram ações nas bolsas de valores situadas nos Estados Unidos. REGRAS E CRITÉRIOS DA LEI SARBANES-OXLEY Segundo Defond e Francis (2005), por causa da SOX, todas as empresas que negociam ações nas bolsas dos Estados Unidos devem seguir, detalhadamente, diversas obrigações, entre as quais se destacam: ● Implementar reformas que garantam a governança corporativa e a divulgação de informações contábeis confiáveis. ● Determinar que, dentro de sua administração, a empresa garantirá o controle dos seus processos. ● Garantir a transparência em suas relações de mercado. ● Evidenciar em auditoria, por meio de amostragem aleatória e mecanismos confiáveis, que os seus processos estão sendo executados conforme planejado anteriormente. ● Criar comitês para supervisionar as atividades e garantir mais independência na atuação da auditoria externa, resultando em mudanças, como: determinação da qualidade do serviço e aumento em mais de 50% dos honorários da auditoria, visando à diminuição dos conflitos de interesses entre a administração e a empresa de auditoria. ATENÇÃO : A atividade de auditoria passou a ser autorregulada e supervisionada pela Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (Securities and Exchange Commission – SEC), a qual teve a atividade controlada diretamente por uma agência quase governamental: o Conselho de Supervisão de Contabilidade de Companhias Abertas (Public Company Accounting Oversight Board – PCAOB). No que se refere à criação e à composição dos comitês de auditorias que a SOX estabeleceu, devem ser atendidos os seguintes critérios : ● Todas as empresas devem ter um comitê composto inteiramente por membros independentes da administração. ● Deve conter, no mínimo, um especialista em finanças (financial expert) e, caso não possua, explicar o motivo. ● O comitê é o responsável pela nomeação da empresa de auditoria externa. ● Devem ser assegurados todos os requisitos para o cumprimento da independência dos auditores externos. ● Devem ser discutidas com os auditores as questões que tenham impacto nas demonstrações financeiras. ● A empresa deve ter um consultor externo e outros consultores que o comitê julgar necessário para cumprir as obrigações legais. ● O comitê deve implementar procedimentos para receber e investigar queixas de empregados sobre as práticas e políticas contábeis. ATENÇÃO : Se qualquer uma das regras for descumprida, graves implicações poderão acometer as empresas, como também seus dirigentes máximos. Existe, inclusive, a possibilidade de responsabilização penal do presidente e da diretoria da instituição ou o pagamento de elevadas multas devido à publicação de informações não condizentes com a verdade. CONTRIBUIÇÕES DA LEI SARBANES-OXLEY O objetivo da SOX é recuperar a credibilidade da informação contábil, além de ampliar o custo de litígio e o grau de governança corporativa para minimizar os riscos dos negócios e garantir a transparência dos resultados contábeis das companhias. Ela amplia substancialmente as penalidades por fraudes e crimes de colarinho branco. A SOX também influenciou a gestão pública, pois empresas que detêm a maioria das ações com propriedade do Estado brasileiro (como é o caso da Petrobras e suas subsidiárias) devem obedecer às regras estabelecidas pela lei norte-americana, pois possuem ações listadas nas bolsas de valores daquele país. Segundo o IBGC (2004), a governança corporativa adequada passou a ser buscada para permitir o alinhamento favorável dos interesses dos acionistas e dos gestores, além de ter a finalidade de aumentar o valor da organização, facilitar o acesso ao capital e contribuir com a relação de longo prazo. EVOLUÇÃO DAS PRÁTICAS DE GOVERNANÇA CORPORATIVAS A implementação da política eficaz de governança corporativa busca alterar o cenário de insegurança no mercado financeiro, caracterizado pela renda variável dos investidores, para um ambiente capaz de atrair recursos, graças à confiabilidade das informações apresentadas, resultando em benefícios para todos os envolvidos na negociação. A governança corporativa destaca a relevância das funções desempenhadas pelo conselho de administração, dos executivos e da administração das empresas, pois estes devem ter como propósito a definição de regras de conduta e responsabilidades claras. Por meio de instrumentos de monitoramento e controle, a governança garante a proteção dos acionistas e credores, de forma que eles não sejam prejudicados pelos membros da organização. BRASIL X ESTADOS UNIDOS X EUROPA Os instrumentos brasileiros de governança têm evoluído fundamentalmente com concentração na relação entre os administradores e os acionistas, fato que demonstra similaridade com o modelo de governança norte-americano. Já na Europa, o padrão de governança corporativa é o que expande a relação acionistas-gestores e inclui outros membros do processo empresarial, como: empregados, fornecedores e clientes. Relacionar o conceito de Governança Corporativa com as estratégias empresariais CONCEITO DE ESTRATÉGIA EMPRESARIAL A área da Estratégia é conhecida no campo da Administração como sendo de significativa amplitude de abordagens. A palavra estratégia tem significados diferentes conforme o contexto em que é tratada: ● CORPORATIVO: No ambiente empresarial, podemos conceituar estratégia como: Planos da alta administração para alcançar resultados consistentes com a missão e os objetivos da organização ou como o padrão ou plano que integra as principais metas, políticas e sequências de ação de uma organização em um todo coerente. ● ACADÊMICO: No ambiente acadêmico, o principal expoente em temas vinculados à Administração Estratégica é Michael Porter. A definição dele de estratégia é a criação de uma posição única e valiosa, envolvendo um conjunto diferente de atividades. ● INFORMAL: Quando a estratégia é um assunto tratado emuma circunstância comum, podemos entendê-la como sendo "um plano, ou algo equivalente – uma direção, um guia ou curso de ação para o futuro, um caminho para ir daqui até ali". De forma resumida, e buscando unificar os pontos incomuns das diferentes visões, estratégia pode ser aquilo que representa um "padrão, isto é, consistência em comportamento ao longo do tempo". Para que as ações desejadas sejam materializadas e alcancem metas, é necessária a utilização de uma ferramenta: o planejamento. Caso contrário, a organização – ou as próprias ambições pessoais – estaria fadada ao insucesso. Assim, esse instrumento passa a ter abrangências diferentes, porém todas devem estar em sintonia estratégica. NÍVEIS DE ESTRATÉGIAS DAS ORGANIZAÇÕES Os níveis, ou abrangências, verificadas nas organizações são: É do nível estratégico que trataremos com profundidade a partir de agora, pois é nele que acontecem as deliberações para a efetivação da governança corporativa, como veremos mais adiante. GOVERNANÇA CORPORATIVA E PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Segundo Maximiano (2012), o planejamento estratégico é o processo de elaborar uma estratégia. Ou seja, é o meio de colocá-la em prática. Nessa etapa, pensando nas ações de longo prazo, a organização define a missão, a visão e os valores que servirão como bússolas que orientarão as estratégias para o atingimento dos resultados almejados. Quando uma organização declara a missão, esta também deve incorporar as demandas dos stakeholders no processo de tomada de decisões estratégicas da empresa. Dado que os objetivos deles tendem a ser conflitantes, ao expor a razão pela qual ela existe, tornará pública a prioridade da alta direção e, consequentemente, ficará próxima do grupo que julga ter prioridade em relação aos demais. Para minimizar os conflitos que resultarão da postura adotada pela organização, uma das possibilidades é estabelecer a representação dos diferentes grupos na estratégia da empresa. Temos, assim, a governança corporativa interagindo com o planejamento estratégico, uma vez que, para garantir que os representantes ajam de maneira convergente com os interesses dos representados, o planejamento deve prever mecanismos de governança. ANÁLISE SWOT As definições da organização sustentarão a base das ações seguintes do planejamento estratégico, que também precisarão incluir a análise do ambiente no qual a empresa está inserida. O mapeamento dos cenários deve levar em consideração tanto o âmbito interno quanto o âmbito externo. Em português, as iniciais dos mesmos aspectos citados resultam na sigla FOFA. Essas siglas (SWOT e FOFA) representam dados importantes mapeados pela organização, a saber: ● FORÇAS : Elementos de excelência da instituição, quando esta se compara com os concorrentes. ● FRAQUEZAS : Desvantagens competitivas identificadas após a comparação com as demais organizações. ● OPORTUNIDADES : Aspectos favoráveis que podem tornar a empresa vantajosa. Ou seja, tudo que, apesar de não ter sido gerado pela empresa, pode contribuir potencialmente para o crescimento dela. ● AMEAÇAS : Cenários alheios à organização que podem trazer algum tipo de risco ou dano para ela. Quando o mapeamento desses elementos é realizado, a efetivação da análise SWOT se dá ao cruzar as informações em quadrantes (cada um representando um item), resultando no delineamento das estratégias que devem ser adotadas pela instituição, tal como demonstrado a seguir: VALOR PÚBLICO A estruturação do planejamento estratégico cabe (e deve ser realizada) por organizações com diferentes finalidades: públicas, privadas, sem fins lucrativos, independentemente do porte e da quantidade de recursos disponíveis. Nas organizações públicas, o órgão deve imprimir esforço na obtenção do chamado valor público. Esse conceito está presente na obra de Moore (2002), sendo, de forma resumida, o valor que determinado serviço público gerará nos indivíduos e cidadãos-clientes. Esse valor é gerado por meio de "produção ou prestação eficiente de um serviço e distribuição igualitária de privilégios e encargos". Tais objetivos devem estar presentes na estratégia dos órgãos públicos, pois todos os dias essas organizações utilizam recursos (públicos) que devem produzir consequências objetivas e concretas para a sociedade. A comprovação dos resultados é fundamental para que a legitimidade e a liderança das ações dos gerentes públicos estejam asseguradas, assim como as da própria organização governamental. É nítida a necessidade de o gestor público, além de buscar o atingimento dos resultados gerenciais e esperados para o órgão, defender a ideia de produzir valor para as organizações que estão sob o seu comando. Como exemplo de acréscimo de valor público aos órgãos governamentais, podemos citar o Tribunal de Contas da União (TCU), que atua auxiliando o Congresso Nacional no controle externo das atividades financeiras e operacionais da União. Por ser um órgão de auditoria, a sociedade espera ações pautadas em moralidade, profissionalismo e excelência pública. Por conseguinte, almeja-se que o resultado das ações do TCU contribua para a redução das desigualdades sociais, a melhoria dos serviços e a ampliação da transparência e da efetividade dos serviços públicos. Os objetivos estratégicos definidos para o TCU são: ● Coibir desvios e fraudes, condenando efetiva e tempestivamente os responsáveis por irregularidades. ● Contribuir para a transparência e a melhoria da gestão e do desempenho da administração pública. O valor público das ações do TCU se pauta em resultados voltados para a prevenção, a detecção, a correção e a punição de falhas e irregularidades, definindo e concretizando projetos inovadores que contribuam para o aperfeiçoamento da Administração Pública. Como resposta do resultado deste trabalho, citamos o indicador que aponta para o benefício financeiro verificado no ano de 2011 que demonstrou que a cada R$1,00 investido nos custos de fiscalização do órgão, R$1,50 foi devolvido para a sociedade sob forma de economia aos cofres públicos e aplicação efetiva e imparcial dos recursos. Relacionar o conceito de Governança Corporativa com o conceito de ética empresarial CONCEITO DE ÉTICA EMPRESARIAL Você sabe o que é Ética? O termo ética está vinculado aos princípios reconhecidos pela sociedade como aquilo que é certo para o comportamento humano, no momento em que os indivíduos se relacionam com a coletividade. Nas organizações, o conceito de ética abrange os princípios que moldam a conduta das pessoas nos negócios. Ela é um elemento de conduta tão essencial que nenhuma ação coletiva pode se esquivar de realizá-la, sem prejuízo à imagem e à credibilidade pública que se deseja atingir. A ética tem seu objeto próprio, suas próprias leis e métodos. O objeto da ética é a moral, tendo como parte integrante o comportamento humano. A PRÁTICA DA ÉTICA NAS ORGANIZAÇÕES A ética empresarial elabora, divulga e torna institucional os valores desejados pela organização, os quais deverão estar refletidos nas atitudes, nos comportamentos e nas práticas dos atores envolvidos com a corporação. Esses valores influenciarão as relações da empresa com todos os atores envolvidos no negócio. No aspecto coletivo, agir de forma ética é orientar-se para que os atos praticados não interfiram no bem-estar do outro, garantindo assim, a ordem e o respeito mútuos. Para que essa experiência seja possível, a ética deve estar implícita entre todos os envolvidos da organização, e deve ser a base que ordena os limites das ações. Muitas vezes, a ausência de padrões éticos não viola as leis. Nesse sentido, as legislações não delimitam, necessariamente, quais comportamentos éticos devem ser perseguidos pelas empresas. COMPORTAMENTOS ÉTICOS Segundo Hill e Jones (2013), podemos exemplificar os comportamentos éticos nos negócios por meio das seguintes práticas: ● Envio de informações regulares e precisas sobre os investimentos dos acionistas. ●Disponibilização integral de informações acerca dos produtos e serviços que os consumidores estão adquirindo. ● Oferta de trabalho em condições adequadas de segurança para os colaboradores, assim como salário justo para as tarefas que estes desempenham, além de tratamento adequado por parte dos gestores. ● Em relação aos fornecedores, respeito aos contratos firmados, não se valendo de vantagens advindas de desequilíbrio de poder entre as partes. ● Atendimento às regras de concorrência e não violação das legislações que regulam a concorrência do mercado em que atuam. ● Não violação das expectativas básicas da sociedade perante as instituições. Para facilitar o entendimento do que é agir eticamente, podemos destacar que, em muitos casos, é simplesmente agir em direção ao que é certo, isolando: ● A busca de atender a interesses pessoais dos gestores. ● A interferência negativa nos objetivos da organização. ● A manipulação das informações. ● Os comportamentos anticompetitivos. ● A oferta de preços acima do mercado para relações comerciais com órgãos públicos. ● A exploração oportunista de outros agentes vinculados à instituição. ● O descarte inadequado e proposital de resíduos que contaminam o ambiente. ● A corrupção. Veja a diferença entre profissionais que se comportam de forma antiética e os que agem de forma ética: Exemplos comuns dessas práticas antiéticas podem ser vistos quando os administradores: Conduta antiética : – Valem-se de algum recurso disponível na organização para benefício próprio (buscando com isso vantagens pessoais). – Utilizam o controle que têm sobre os dados corporativos para esconder ou distorcer as informações, resultando em exposição daquilo que melhor convém, seja financeiro ou não. – Pagam (ou recebem) suborno para ter acesso ou fazer parte de contratos lucrativos, desviando a igualdade das condições dos concorrentes (corrupção). Conduta ética : – Agir conforme os princípios éticos em todos os relacionamentos mantidos pela organização. – Garantir a adoção de práticas gerenciais, comerciais e empresariais institucionalmente pautadas em valores éticos. – Respeitar os indivíduos em todas as formas de interação com eles. CÓDIGOS DE ÉTICA Na esfera pública, os órgãos governamentais são obrigados a observar as normas estabelecidas para o serviço público federal, que estão definidas no Decreto nº 1.171, de 22 de junho de 1994. Nesse normativo, ficou estabelecido que "a dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios morais são primados maiores que devem nortear o servidor público" Os códigos de ética de cada categoria profissional devem ser observados concomitantemente com aqueles estabelecidos para cada organização. Assim, o colaborador cuja profissão seja regulada por conselhos profissionais deve observar as condutas éticas esperadas para o exercício de sua função, assim como as que orientam a instituição como um todo. As organizações precisam agir para que sejam resguardados os comportamentos éticos, mantendo-se atentas aos feedbacks dos interessados, nos casos em que atos inesperados e indesejados sejam verificados. Prêmio Ética nos Negócios Para conhecermos bons exemplos de valorização pública de empresas que se destacam em comportamentos éticos, citamos o Prêmio Ética nos Negócios, conduzido anualmente pelo Instituto Brasileiro de Ética nos Negócios, em que são premiadas empresas nas seguintes categorias: ● Responsabilidade Social; ● Meio Ambiente; ● Ética e Compliance; ● Comunicação e Transparência; ● Sustentabilidade; ● Agronegócio; ● Voluntariado; ● Cadeia Produtiva. RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA Você sabe o que é responsabilidade social corporativa? A obrigação assumida pela organização perante a sociedade, por meio da escolha de maximizar os benefícios que ela pode trazer e minimizar os efeitos negativos que resultam da prática do seu negócio. As responsabilidades sociais assumidas pela instituição têm abrangências diferentes e se desdobram nas seguintes esferas: ● Responsabilidades econômicas : Aquelas que devem garantir que o negócio seja lucrativo. Por lucrativo entende-se como estar voltado para a missão definida para a organização. Buscar resultados positivos dentro daquilo que foi proposto para o negócio. ● Responsabilidades legais : Obrigações assumidas para a observância dos normativos legais, sendo as leis o código formal entendido pela sociedade sobre o que é certo e errado, assim como quais são as regras do jogo de cada ambiente. ● Responsabilidades éticas : Obrigação de se evitar o dano a qualquer parte interessada e fazer o que é certo, justo e razoável. ● Responsabilidades voluntárias : Ações tomadas para a melhoria da qualidade de vida da comunidade na qual a organização está inserida, por meio dos recursos disponibilizados pela empresa. Risc�, Controle� � Influência� n� Camp� d� Gestã� Decodificar o conceito de risco no campo da gestão O QUE PODEMOS ENTENDER COMO RISCO ? ● Possibilidade de ocorrer eventos que possam afetar de forma não desejada o cumprimento da missão organizacional. ● É representado pela possibilidade de um evento ocorrer e afetar negativamente a realização dos objetivos. ● Chance de a operação não ser concretizada conforme previamente estabelecido. ● Pode ser definido como a volatilidade de resultados inesperados, normalmente relacionada ao valor dos ativos ou passivos de interesse. ● Efeito que a incerteza tem sobre os objetivos da organização. Para Knight (1921), o risco é uma incerteza mensurável, estatisticamente quantificável e objetiva; com um grau de confiança aceitável, ele é mais facilmente revertido em garantias e coberturas. Já a incerteza tem um aspecto restritamente subjetivo e não mensurável. A despeito de seus traços de similaridade, tais conceitos possuem diferenças que os separam. ● Risco inerente : É aquele ao qual uma organização está vulnerável por ausência de medidas gerenciais de controle que possam alterar a probabilidade ou a gravidade de ele ocorrer. ● Risco residual : Trata-se do que, mesmo após ações gerenciais para alterar a probabilidade ou a seriedade de um risco, permanece existindo devido à natureza da situação (risco alheio ao gerenciamento da instituição). GERENCIAMENTO DE RISCOS Ao longo do gerenciamento dos riscos, as organizações devem consultar e informar a todos os stakeholders quais riscos estão sendo monitorados, além de analisá-los de forma cuidadosa e crítica, desdobrando-os em modificações controladas para que nenhum risco adicional seja verificado sem o acompanhamento próximo da alta gestão. O gerenciamento dos riscos possui uma normatização dada por meio da organização internacional International Organization for Standardization, mais conhecida como ISSO. Trata-se da principal instituição do mundo quando um assunto versa sobre normas e padrões. A norma que trata da gestão de risco é a ISO 31000, de 2009, sendo a responsável por fornecer as diretrizes e os princípios de apoio às organizações (de todos os tipos). Dessa forma, ela é utilizada como um guia técnico para a implementação do modelo de gestão de risco a ser adotado. Para que uma gestão de risco seja eficaz, os princípios que devem ser atendidos, tendo abrangência em todos os níveis da instituição, são os seguintes: ● Criar e proteger valor : Este princípio facilita o cumprimento dos objetivos e a melhoria do desempenho das diversas áreas da organização. ● Integrar todos os processos organizacionais : A gestão de risco não deve ser percebida como uma atividade isolada da administração, devendo integrar, inclusive, o planejamento estratégico da organização. ● Fazer parte da tomada de decisões : Contribui decisivamente para auxiliar os tomadores de decisão, sinalizando escolhas cautelosas e ações previamente mapeadas e priorizadas. ● Abordagem explícita das incertezas : Identifica a natureza delas e a forma como elas devem ser tratadas. ● Ser sistemática, estruturada e oportuna :Estes atributos favorecem a eficiência e os resultados consistentes, comparáveis e confiáveis. ● Base em melhores informações disponíveis : As fontes de informações devem ser os registros históricos, as previsões, as opiniões de especialistas, as observações relevantes e as experiências anteriores. No entanto, os gestores precisam conhecer e considerar as limitações de cada uma destas entradas de dados. ● Ser feita sob medida : Deve corresponder ao contexto real (interno e externo) ao qual estão submetidos a organização e os riscos identificados. ● Devem ser considerados fatores culturais e humanos : Conhecer as percepções, as capacidades e, na medida do possível, as intenções do pessoal interno e externo contribui para mapear as prováveis facilidades e dificuldades que serão enfrentadas para a efetivação dos objetivos. ● Ser transparente e inclusiva : O envolvimento de diferentes interessados possibilita que os riscos mapeados sejam pertinentes e atualizados. ● Ser dinâmica, interativa e capaz de reagir às mudanças : A gestão dos riscos deve estar sempre atualizada ao contexto e ao momento pelo qual a organização vive para reagir de maneira assertiva às mudanças que forem verificadas. ● Facilitar a melhoria contínua da organização : O gerenciamento dos riscos permite que as organizações possam desenvolver e implementar estratégias, aumentando a maturidade gerencial. GESTÃO DE RISCO Os objetivos que uma organização deseja alcançar podem ser divididos em quatro categorias: estratégicos, operacionais, de comunicação e de conformidade. Eles podem ser ameaçados pelos componentes mapeados pelo gerenciamento de riscos corporativos, cujo desdobramento alcança até oito categorias: A relação entre os objetivos que a empresa deseja alcançar, os componentes dos riscos mapeados pelo gerenciamento corporativo e a estrutura organizacional é chamada de matriz tridimensional. A figura a seguir demonstra a capacidade que o gestor de riscos deve ter para manter a totalidade das categorias de riscos de uma instituição, associando-as aos objetivos e mantendo a abrangência em toda a estrutura da organização (níveis de organização, divisão, unidade de negócio e subsidiária). Segundo a norma ISO 31000, o processo de avaliação de riscos engloba as seguintes etapas: ● Generalidades : É o processo global que une as três etapas seguintes: identificação de riscos, análise e avaliação de riscos. ● identificação de riscos : A organização deve identificar todas as fontes de risco (que estão sob controle ou não da instituição), as áreas de impactos, os eventos (além das mudanças nas circunstâncias), as causas e as consequências potenciais (incluindo os efeitos cumulativos e em cascata). ● Análise de riscos : Envolve a compreensão dos riscos e a apreciação das causas e das fontes de risco, além das consequências positivas e negativas e da probabilidade de elas ocorrerem. ● Avaliação de riscos : A função desta etapa é auxiliar a tomada de decisão com base nos resultados da análise de riscos. Os seguintes aspectos podem ser verificados pela organização na fase de tratamento de riscos: ● Não iniciar (ou descontinuar) a atividade que dá origem ao risco; ● Tomar ou aumentar o risco na tentativa de perseguir uma oportunidade; ● Remover a fonte de risco; ● Mudar a probabilidade de o risco ocorrer; ● Mudar as consequências do risco; ● Compartilhar o risco com outras partes (incluindo contratos e financiamento do risco); ● Reter o risco por uma decisão consciente e bem embasada. CONTROLE INTERNO O controle interno abrange tanto os aspectos contábeis e financeiros quanto as demais operações da instituição, especialmente por conta de seu caráter estratégico e preventivo. Voltado para métodos e procedimentos utilizados de modo a proteger o patrimônio, a confiabilidade e a eficácia operacional, o planejamento da organização é uma característica norteadora dos controles internos. A sua atuação visa a atingir os seguintes objetivos : ● Buscar a execução com ordem, ética, eficiência, eficácia e economia das operações. ● Cumprir as obrigações que evidenciam a responsabilidade pelas decisões tomadas, assim como pelas ações implementadas. ● Cumprir as leis e os regulamentos aplicáveis. ● Salvaguardar os recursos para evitar perdas, mau uso e danos. Considerando o ambiente globalizado e competitivo aos quais as instituições estão expostas, as incertezas e os riscos são cada vez maiores. Reconhecer esses aspectos permite aos gestores agir de maneira estratégica e preventiva. A administração moderna orienta que a implementação de gerenciamento de riscos e controles internos incorre na adoção de medidas preventivas, no aproveitamento das oportunidades analisadas e, consequentemente, em melhores resultados. Uma gestão de riscos estrategicamente adotada: Identificar os riscos inerentes à cultura organizacional e às estratégias. ANÁLISE AMBIENTAL Compreendendo o mapeamento total, a análise ambiental tem o intuito de identificar, classificar e examinar todas as variáveis incluídas no ambiente global das organizações. Segundo Vasconcellos Filho (1979), o ambiente total das organizações é formado pelos seguintes itens: ● Macroambiente : Onde estão as variáveis macro que interferem nas instituições, como fatores econômicos, políticos, legais, ecológicos, sociais e culturais. Não podemos negar que a ocorrência de recessão econômica, o crescimento do PIB, o aumento da inflação, a redução dos juros, a variação cambial e as mudanças na arrecadação de impostos são exemplos de fatores que atingem diretamente a estratégia das organizações. Eles compõem os aspectos do macroambiente capazes de influenciar as instituições tanto positivamente (aumento das receitas, no caso da redução de impostos) quanto negativamente (dificuldade de vendas, no caso da redução da demanda por recessão econômica). ● Ambiente externo : Formado por fatores alheios ao controle e aos relacionamentos das organizações. Do ambiente externo fazem parte os clientes (atuais e potenciais), os fornecedores de matérias-primas e serviços, os sindicatos, os concorrentes, o governo e os distribuidores. ● Ambiente interno : Composto pelos segmentos e pelos fatores controlados internamente pelas organizações. No ambiente interno, estão incluídos todos os recursos humanos da organização (diretores, gerentes e funcionários em geral), assim como os acionistas. Para que a análise total do ambiente seja possível, é fundamental que o gestor tenha uma visão sistêmica que considere todos os ambientes mencionados, já que a organização é um sistema aberto e interage com o meio ambiente, conforme demonstra a figura a seguir. VARIÁVEIS AMBIENTAIS Capazes de influenciar o desempenho de uma organização, as variáveis ambientais possuem dimensões diferentes. Elas podem ser positivas, negativas ou neutras, tendo níveis de temporalidade diversos: ● Positiva :Trata-se das variáveis nas quais estão abrigados os sintomas positivos, os incentivos e as oportunidades. ● Neutra : São variáveis momentaneamente nem positivas, nem negativas, porém com potencial de se tornarem uma delas ● Negativa : São as ameaças, as restrições ou os problemas enfrentados pela organização. Juntas, estas variáveis compõem o que Vasconcellos Filho (1978) denominou termômetro das variáveis ambientais, conforme esquematiza a figura a seguir: VARIÁVEIS DO AMBIENTE EXTERNO As variáveis do ambiente externo serão consideradas positivas se forem conhecidas e aproveitadas para a criação de valor para a organização. Mattos e Vasconcellos Filho afirmam que elas são: ● Oportunidades : Caracterizam-se por criar condições favoráveis ao ritmo de desenvolvimento e à ação estratégica da organização. ● Incentivos : Podem ter caráter operacional (desenvolvimento de uma nova tecnologia, por exemplo) ou legal (incentivos governamentais). ● Sintomas positivos : São situações em que é possível prever, com base em informações, a ocorrência futura de umincentivo ou uma oportunidade. As variáveis ambientais externas negativas se caracterizam por não serem controladas pela organização. No entanto, elas podem ser evitadas desde que sejam conhecidas no tempo correto. Estas variáveis são: ● Ameaças : Não podem ser controladas por estarem no ambiente externo, podendo gerar condições desfavoráveis para a instituição. ● Restrições : Características permanentes, estruturais e já conhecidas por atuar negativamente no mercado em que a empresa opera (podem ser legais ou operacionais). ● Problemas : São questões que precisam ser resolvidas adequadamente para não se tornarem restrições ou ameaças para a organização. ● Sintomas negativos : Situações em que é possível prever, com base em informações, a ocorrência futura de um problema, uma restrição ou uma ameaça. VARIÁVEIS DO AMBIENTE INTERNO Sob o escopo de influência das organizações, estas variáveis devem ser conhecidas para a adequação das estratégias corporativas e a prevenção dos riscos. Segundo Matos, elas são compostas por: ● Pontos fortes : Vantagens internas, controláveis e positivas, cujas condições favoráveis diferenciam um negócio de sua concorrência. ● Pontos fracos : São aqueles de característica permanente e estrutural, provocando situações desfavoráveis para a organização em relação ao ambiente de concorrência. Os gestores devem concentrar seus esforços para eliminá-los. ● Cultura : Conjunto formado por crenças e valores que resultam na personalidade da organização. ● Anticultura : Soma de atributos, características e atividades não aceitos naturalmente pelos membros da organização, os quais, se forem impostos, irão gerar uma rejeição da coletividade. ● Capacitações : Representam os principais focos que a organização mantém para se desenvolver estrategicamente em relação à sua área de atuação. ● Deficiências : Ausências de conhecimento da organização em relação à atividade atual, trazendo dificuldade para o seu desenvolvimento. ● Limitações : restrições que impedem o desenvolvimento da instituição em relação a seu escopo de atuação. ● Determinismos : Motivos encorajadores para o desenvolvimento das empresas. Matos indica algumas perguntas-chave que auxiliam na identificação das variáveis do ambiente interno: ● O que a organização é? Com ela, o gestor é capaz de identificar seus pontos fracos e fortes. ● O que a organização sabe? As respostas indicam suas deficiências e capacitações. ● Do que a organização gosta? Serão identificadas a cultura e a anticultura. ● O que a organização quer? Oferece as respostas que indicam as limitações e os determinismos dela. ● O que a organização deve fazer? Dessa forma, os gestores podem conhecer as definições estratégicas. RISCOS INERENTES A CULTURA ORGANIZACIONAL E AS ESTRATÉGIAS Envolvendo a cultura organizacional e as estratégias, um ciclo de riscos ocorre desde a concepção até a avaliação de ambas e deve sempre associá-las ao ambiente cultural interno. Segundo Matos, estes fatores de riscos são: ● Riscos culturais e estratégias : Deve-se avaliar se as estratégias planejadas pela instituição, quando inseridas na cultura organizacional, não levarão ao aumento de riscos. Para possibilitar o aumento das chances de se atingir os resultados esperados, o fator cultural não pode ser dispensado nesse planejamento. ● Estratégias explicitadas : Após o planejamento, a gestão deve definir quais estratégias deverão ser adotadas e como elas influenciarão o futuro da organização. O risco novamente está atrelado à tentativa de prever transtornos a fim de minimizá-los. ● Estratégias e contexto cultural : Após a adoção das estratégias, elas devem ser revistas e avaliadas em relação à adequação (ou não) ao contexto cultural no qual foram inseridas. Além disso, deve-se considerar que até as barreiras podem ser ultrapassadas; por isso, os gestores devem manter e melhorar constantemente a posição deles no mercado. Nesse contexto, Porter (1992) defende que as estratégias genéricas são vulneráveis às diferentes investidas dos concorrentes devido aos seguintes riscos envolvidos no ambiente corporativo: ● Riscos à liderança nos custos : Concorrentes conseguem custos mais baixos ou há uma mudança na tecnologia. ● Riscos da diferenciação ofertada : Concorrentes imitam a estratégia adotada ou obtêm diferenciação de mercado maior. ● Risco do enfoque dado ao negócio : Ocorre um desaparecimento da demanda ou um aumento de vantagem em outro segmento.