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Universidade Federal de São Carlos Centro de Ciências Exatas e Tecnologia Departamento de Química Fotorredução da Benzofenona e Rearranjo do Benzopinacol a Benzopinacolona Química Orgânica Experimental II Prof. Dr. Edson Rodrigues Filho Bianca Munhoz 800847 Lívia Marques Santos Barreto 800881 Vinícius Jiricó de Osti 791644 São Carlos 2023 Sumário 1. Resumo................................................................................................................................3 2. Introdução........................................................................................................................... 3 3. Procedimento Experimental.............................................................................................. 4 3.1 Procedimento Experimental fotorredução da benzofenona.........................................4 3.2 Procedimento Experimental rearranjo do o benzopinacol-benzopinacolona.............4 4. Resultados e Discussões...................................................................................................5 4.1 Fotorredução da Benzofenona........................................................................................ 5 4.1.1 Aspectos gerais da síntese...........................................................................................5 4.1.2 Rendimento.................................................................................................................... 6 4.1.3 Infravermelho................................................................................................................. 7 4.1.4 Fator E.............................................................................................................................9 4.2.1 Aspectos gerais da síntese.........................................................................................10 4.2.2 Rendimento................................................................................................................. 11 4.2.3 Cromatografia em camada delgada........................................................................... 13 4.2.4 Infravermelho e UV-Vis................................................................................................13 4.2.5 Fator E...........................................................................................................................15 5. Conclusão………………………………………………………………………………………...15 6. Referências........................................................................................................................15 2 1. Resumo Estudo de reações de fotorredução da benzofenona em isopropanol e rearranjo do benzopinacol para formação da benzopinacolona. Os produtos foram isolados da mistura reacional e caracterizados com o uso de técnicas analíticas, como determinação do ponto de fusão, cromatografia em camada delgada (CCD) e espectroscopia no infravermelho (FTIR). Figura 1: Fotorredução da Benzofenona e Rearranjo do Benzopinacol a Benzopinacolona. Fonte: autor (ChemDraw). 2. Introdução As reações fotoquímicas estão presentes no cotidiano da população e possuem extrema importância. O princípio que as rege é a absorção e consequente emissão de energia, na forma de luz, criando estados excitados transientes que alteram as propriedades físico-químicas da molécula original. Essas novas espécies podem se separar, mudar para novas estruturas, combinar com outras moléculas, etc.1 As transformações de estados excitados incluem a fragmentação homolítica e a heterolítica, produzindo intermediários reativos, rearranjos e outros produtos. Quando a energia é absorvida, um elétron pode ser promovido a um orbital de nível superior vazio. Se os elétron desemparelhados mantiveram spins opostos, diz-se que a molécula está no estado singleto. Se estiverem com spins no mesmo lado, encontra-se no estado tripleto.2 No presente relatório, realizou-se a fotorredução da benzofenona, que após a reação, torna-se benzopinacol. A primeira molécula se apresenta como um sólido cristalino incolor e possui um papel como agente fotossensível, além de ser um metabólito de plantas.3 Já o benzopinacol é um catalisador na formação de poliésteres insaturados.4 Na primeira etapa da reação, tem-se a transformação da benzofenona no seu estado tripleto, que só é formado após o estado singleto passar por um processo não radioativo. O estado tripleto age, então, como um radical, 3 usando um H do solvente e formando dois radicais livres. O radical hidróxi-isopropílico doa um átomo de H para uma molécula de benzofenona não ativada, gerando acetona e um novo radical livre de benzidrol. Por fim, os dois radicais de benzidrol se combinam, formando o benzopinacol.5 Após a reação fotoquímica, ainda foi realizado um rearranjo, que é quando um átomo ou um grupo de átomos, um íon ou unidade química migra de um átomo para outro, na mesma ou em outra espécie, resultando em um isômero estrutural da molécula original.6 Podem ser catiônicos, aniônicos, radicalares ou concertados, sendo o primeiro tipo o mais comum. No presente relatório, ocorre o rearranjo do benzopinacol à benzopinacolona, quando aquecido na presença de ácido sulfúrico, pois 1,2-dióis formam cetonas. A estereoquímica da reação envolve uma relação antiperiplanar entre a água, que é o grupo de saída, e o grupo que migra num mecanismo Sn2.5 Com base nessas informações, o experimento pôde ser realizado. 3. Procedimento Experimental 3.1 Procedimento Experimental fotorredução da benzofenona. Para a fotorredução da benzofenona, em um tubo de ensaio, adicionaram-se 1,36 g de benzofenona e 10 mL de isopropanol. Aqueceu-se o tubo de ensaio em banho maria para dissolver toda benzofenona. Fechou-se o tubo hermeticamente e este foi exposto à luz solar por uma semana. Tal procedimento foi realizado pelo técnico e, na semana seguinte, o produto formado foi filtrado a vácuo e lavado com pequenas quantidades de isopropanol. O produto foi secado ao ar, tendo a sua massa determinada e o rendimento calculado. Os resíduos foram descartados adequadamente conforme o indicado pelo técnico do laboratório. 3.2 Procedimento Experimental para o rearranjo do o benzopinacol-benzopinacolona Para o rearranjo do benzopinacol-benzopinacolona, em um balão de fundo redondo com capacidade de 50mL, foi adicionado 0,850 g de benzopinacol, 7 mL de ácido acético glacial e duas gotas de ácido sulfúrico concentrado. Com um sistema montado por manta de aquecimento, balão de fundo redondo contendo a mistura e um condensador de refluxo devidamente conectados, o aquecimento foi iniciado e 4 mantido por 10 minutos em refluxo. Após o aquecimento, a mistura foi resfriada lentamente por adição de cerca de 7 mL de etanol e agitação manual. O sistema foi mantido em repouso em banho de gelo para forçar a cristalização do sólido branco, sendo, então, filtrado a vácuo e lavado com etanol. Após lavados, os cristais secaram no ar e foram pesados para que tivessem seu rendimento calculado. Foi realizado também uma cromatografia em camada delgada com o material de partida (benzofenona) e do produto (benzopinacolona) 4. Resultados e Discussões 4.1 Fotorredução da Benzofenona 4.1.1 Aspectos gerais da síntese A fotorredução da benzofenona ocorreu durante a exposição da solução de álcool isopropílico e benzofenona ao sol. A solução também foi fechada para evitar interferência do oxigênio durante a reação. Ao ocorrer a excitação eletrônica, há formação de um estado excitado triplete (T*), o qual atua abstraindo um hidrogênio do solvente, neste caso o Isopropanol, formando assim dois radicais livres. Em seguida, o radical hidroxi-isopropílico doa um próton, na forma radicalar, para uma molécula não excitada de benzofenona presente no meio, originando assim uma molécula de acetona e um segundo radical benzidrol. Posteriormente estes radicais livres passam por uma dimerização levando a formação do Benzopinacol (figura 2). 5 Figura 2: Mecanismo de reação da fotorreduçãoda benzofenona. Fonte: autor (ChemDraw) 4.1.2 Rendimento Inicialmente, encontra-se a quantidade de mols teórica de benzopinacol que deveria se formar na reação, considerando que a massa obtida foi de 0,850 g, que a benzofenona possui massa molar de 182,22 g/mol, que foram pesados 1,360 g como material de partida e que a reação de formação do benzopinacol a partir da benzofenona é de proporções 2:1. 𝑛 𝑏𝑒𝑛𝑧𝑜𝑓𝑒𝑛𝑜𝑛𝑎 = 1,360 𝑔 182,22 𝑔/𝑚𝑜𝑙 = 0, 0075 𝑚𝑜𝑙 = 0,0037 mol0,0075 2 6 Então, calcula-se a massa teórica que deveria ter sido obtida na reação, considerando a massa molar do benzopinacol (366,46 g/mol). 0, 0037 𝑚𝑜𝑙 − 𝑥𝑔 1 𝑚𝑜𝑙 − 366, 46 𝑔/𝑚𝑜𝑙 x = 1,355 g Por fim, pode-se encontrar o rendimento obtido. 1, 355 𝑔 − 100% 0, 850𝑔 − 𝑥% x = 62,7 % Portanto, o rendimento para a síntese do benzopinacol foi de 62,7%. 4.1.3 Infravermelho A análise por infravermelho não foi realizada, pois o benzopinacol foi utilizado para a síntese do rearranjo do benzopinacol em benzopinacolona, então não foi reservado. Sendo assim, para fins de aprendizagem, um espectro da benzofenona foi selecionado da literatura7 para análise neste relatório. Já para o benzopinacol, o espectro de infravermelho foi realizado. O espectro de infravermelho para a benzofenona (figura 3) apresenta bandas intensas em 1650 que são referentes à cetona (C=O), em 1450 e 1600𝑐𝑚−1 𝑐𝑚−1 que são referentes à ligação C=C dos aromáticos e em 700 há uma𝑐𝑚−1 𝑐𝑚−1 banda que refere-se ao anel aromático monossubstituído. No espectro para o benzopinacol (figura 4) há uma banda intensa em 3500 referente ao grupo OH, entre 3050 e 1680 são ligações C-H do tipo𝑐𝑚−1 𝑐𝑚−1 𝑐𝑚−1 , em 1500 que é referente à ligação C=C dos anéis aromáticos e uma banda𝑠𝑝3 𝑐𝑚−1 intensa em 700 que se refere ao anel aromático monossubstituído, assim como𝑐𝑚−1 ocorre para a benzofenona. 7 É possível diferenciar os compostos, deduzindo que houve a formação do benzopinacol pois há o desaparecimento da banda referente à cetona e o aparecimento das bandas referentes ao grupo hidroxila (OH). Ainda assim, há bandas semelhantes devido aos dois compostos possuírem anéis aromáticos em suas estruturas. Figura 3: Espectro de infravermelho da benzofenona. Fonte: Spectral Database for Organic Compounds. Figura 4: Espectro de infravermelho do benzopinacol. Fonte: autor (2023) 8 4.1.4 Fator E O fator E foi definido pelo Prof. Roger Sheldon, na Universidade Delft na Holanda, e mostra a quantidade real de resíduo gerado em um processo, levando em consideração todos os reagentes, solventes e até mesmo a energia necessária, uma vez que o seu consumo gera dióxido de carbono que é liberado na atmosfera e é definido como a razão entre a massa de resíduo e a massa do produto. 𝐹𝑎𝑡𝑜𝑟 𝐸 = 𝑀𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑢𝑠𝑎𝑑𝑎 𝑛𝑜 𝑝𝑟𝑜𝑐𝑒𝑠𝑠𝑜 − 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑜 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢𝑡𝑜 𝑀𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑜 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢𝑡𝑜 𝐹𝑎𝑡𝑜𝑟 𝐸 = 7,01 𝑔 0,850 𝑔 = 8, 25 Neste caso, o ideal para o fator E é que este seja igual a 0. Neste procedimento, o valor foi de 8,25 o qual ainda sim é indicativo de uma química fina8 e o valor baixo se deve ao fato da fotorredução da benzofenona envolver menos sínteses e etapas. 4.2 Rearranjo do Benzopinacol a Benzopinacolona 4.2.1 Aspectos gerais da síntese Na reação do benzopinacol à benzopinacolona acontece um rearranjo, no qual o número de carbono do produto é o mesmo que do substrato, porém a maneira em que os átomos estão ligados na estrutura, é reorganizada. Esses rearranjos ocorrem geralmente pela diferença de estabilidade entre o substrato e o produto ou entre intermediários formados durante a reação. Os rearranjos podem ser catiônicos, aniônicos, radicalares ou concertados (rearranjos sigmatrópicos). No caso do benzopinacol a benzopinacolona, o rearranjo catiônico ocorre catalisado por ácido, protonando um grupo hidroxila, resultando na formação de água como um bom grupo de saída produzindo um carbocátion terciário intermediário O diol não simétrico migra o grupo que em geral é mais rico em elétrons, nesse caso, um grupo fenil, seguido da desprotonação da carbonila, formando assim, a benzopinacolona. 9 Figura 5: Mecanismo de reação do rearranjo do benzopinacol a benzopinacolona. Fonte: autor (ChemDraw). 4.2.2 Rendimento Inicialmente, encontra-se a quantidade de mols teórica de benzopinacolona que deveria se formar na reação, considerando que a massa obtida foi de 0,850 g, que o benzopinacol possui massa molar de 366,45 g. e que a reação de𝑚𝑜𝑙−1 formação do benzopinacol a partir da benzofenona é de proporções 1:1. 10 𝑛 𝑏𝑒𝑛𝑧𝑜𝑝𝑖𝑛𝑎𝑐𝑜𝑙 = 0,850𝑔 366,45 𝑔/𝑚𝑜𝑙 = 0, 0023 𝑚𝑜𝑙 Em seguida, calcula-se a massa teórica que deveria ter sido obtida na reação, considerando a massa molar do benzopinacolona (348,15 g/mol) 0, 0023 𝑚𝑜𝑙 − 𝑥 𝑔 1 𝑚𝑜𝑙 − 348, 15 𝑔/𝑚𝑜𝑙 x = 0,800 g Por fim, pode-se encontrar o rendimento obtido. 0, 850 𝑔 − 100 % 0, 730 𝑔 − 𝑥 % x = 85,88 % Portanto, o rendimento para o rearranjo do benzopinacol a benzopinacolona foi de 85,88 %. 11 4.2.3 Cromatografia em camada delgada Figura 6: cromatografia em camada delgada - benzofenona e benzopinacol. Mp: material de partida - benzofenona P: produto - benzopinacolona Valores para o cálculo de Rf: b: 3 cm a Mp1:1,9 cm a Mp2:1,3 cm a P: 2cm Rf: a ÷ b Rf (Mp 1): 1,9 ÷ 3 = 0,633 Rf (Mp 2):1,3 ÷ 3 = 0,433 Rf (P): 2 ÷ 3 = 0,667 O valor de Rf parecido entre o Mp e o P é devido ao fato de terem grupos parecidos em suas estruturas, como a cetona. Para uma melhor cromatografia, era necessário fazer a comparação com o benzopinacol e o resultado esperado seria a benzopinacolona tendo maior Rf, pelo seu grupo cetona interagir mais com a sílica. 12 4.2.4 Infravermelho e UV-Vis O produto final benzopinacolona após filtrado, pesado e secado, foi analisado por FTIR. A presença de um estiramento de cetona em 1700 cm-1 e a ausência do estiramento hidroxila em 3500 cm-1 nos espectros de benzopinacolona indicaram a conversão bem-sucedida de benzopinacol em benzopinacolona . Figura 7: Espectro de infravermelho do benzopinacol Fonte: autor (2023) Figura 8: Espectro de infravermelho do benzopinacolona Fonte: autor (2023) 13 Figura 9: Espectro de UV-Vis do benzopinacolona No espectro UV-Vis, a banda observada de 200 a 300 nm caracteriza o grupo carbonila na benzopinacolona. 4.2.5 Fator E O fator E, como já discutido na seção 4.1.4, foi calculado também para o rearranjo do pinacol. 𝐹𝑎𝑡𝑜𝑟 𝐸 = 𝑀𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑢𝑠𝑎𝑑𝑎 𝑛𝑜 𝑝𝑟𝑜𝑐𝑒𝑠𝑠𝑜 − 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑜 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢𝑡𝑜 𝑀𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑜 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢𝑡𝑜 0,850g benzopinacol + 7,34 g de ácido acético + 5,48 gramas de etanol 𝐹𝑎𝑡𝑜𝑟 𝐸 = 13,67 𝑔 0,730 𝑔 = 18, 72 O ideal para o fator E é que seja igual a 0, porém, o valor obtido foi de 18,72, o qual ainda é um indicativo de uma química fina8. O valor baixo se deve ao fato do rearranjo ocorrer em poucas etapas. 14 5. Conclusão Foi realizada a fotorredução da benzofenona, seguida do rearranjo do benzopinacol à benzopinacolona. Pôde-se notar que ambas etapas ocorreram de acordo com aquilo que era esperado. O rendimento encontrado para o benzopinacol formado foi de 62,7 %. É possível notar que o produto obtido era o esperado pela análise do infravermelho, observando que há o desaparecimento da banda referente à cetona e o aparecimento das bandas referentes ao grupo hidroxila (OH), quando comparado com o espectro do produto de partida. A respeito da etapa do rearranjo para a benzopinacolona, o rendimento obtido para esta molécula foi de 85,88 %. Realizou-se também a cromatografia em camada delgada, na qual comparou-se a benzofenona com o produto, sendo o valor de Rf parecido entre as duas moléculas, devido ao fato de terem grupos parecidos em suas estruturas, como a cetona. Já no infravermelho, a presença de um estiramento de cetona em 1700 cm-1 e a ausência do estiramento hidroxila em 3500 cm-1nos espectros de benzopinacolona, indicaram a conversão bem-sucedida de benzopinacol em benzopinacolona. O fator E para as duas etapas do experimento indicam uma química fina. 15 6. Referências [1] Photochemical reaction. Disponível em: . Acesso em 23 out. de 2023. [2] Cilento, G. Quím. Nova 1993, 16, 574. [3] Benzophenone. Disponível em: . Acesso em 23 out. de 2023. [4] Benzopinacol. Disponível em: . Acesso em 23 out. de 2023. [5] Corrêa, A. G., de Oliveira, K. T., Paixão, M. W., & Brocksom, T. J. (2016). Química Orgânica Experimental: Uma Abordagem de Química Verde, Editora Campus-Elsevier: São Paulo. [6] Rearrangement reactions. Disponível em: . Acesso em 23 out. de 2023 [7] Spectral Database for Organic Compounds: http://riodb01.ibase.aist.go.jp/sdbs/cgibin/cre_index.cgi [8] LENARDAO, Eder João et al . "Green Chemistry": os 12 princípios da química verde e sua inserção nas atividades de ensino e pesquisa. Quím. Nova, São Paulo , v. 26, n. 1, p.123-129, Jan. 2003, disponível em: 16 http://riodb01.ibase.aist.go.jp/sdbs/cgibin/cre_index.cgi 17