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Trabalho de estágio (Licenciatura em Pedagogia) sobre práticas lúdicas no contexto educacional, com resumo e introdução que abordam o brincar como instrumento de desenvolvimento e aprendizagem, o papel do professor como mediador e referência à LDB.

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AS PRÁTICAS LÚDICAS NO CONTEXTO EDUCACIONAL: DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM
Débora Paula Parizotto e Manuela Vieira Crestani
Tutor: Kély Zimmermann
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Curso de Licenciatura em Pedagogia (PED 3218) – Trabalho de Estágio Anos Iniciais II
15/11/2021
RESUMO
O lúdico veio possibilitar o estudo da relação da criança com o mundo externo e a ludicidade é um assunto que vem encontrando um lugar importante no espaço nacional. Assim, os jogos e brinquedos são reconhecidos pelos educadores como um papel importante na educação, já que o brincar da a oportunidade de desenvolvimento, pois quando a criança brinca, experimenta, descobre e inventa, aprende e aprimora suas habilidades. Portanto, as práticas lúdicas entram, nesse contexto, como um importante instrumento de aprendizagem, pois oportuniza às crianças, a sua participação efetiva no processo de aprendizagem.
Palavras-chave: Práticas Lúdicas. Desenvolvimento. Aprendizagem.
1 INTRODUÇÃO
	A prática lúdica é algo que se pauta na ação do movimento, que favorece novas formas de se aproximar e de ler a realidade. Está fundamentada no diálogo dos diferentes sujeitos que fazem parte do processo educativo, levando em consideração cada um dentro de suas dimensões afetivas, culturais, cognitivas, intelectuais, sociais e emocionais. A aprendizagem ocorre através da troca de experiências, por isso é considera um processo permanente, contínuo, produzida no movimento dialético entre o mundo interior e exterior de cada indivíduo.
Para que o homem possa habitar e conhecer esse universo do qual ele é parte integrante, ele precisa perguntar sobre tudo que o cerca, sobre ele mesmo, sobre os outros, esses constantes questionamentos fazem com que ele tente compreender, buscar, pesquisar, refletir e adquirir o conhecimento sobre ela, nesse cenário entram as práticas lúdicas, que oportunizam isso aos alunos, ou seja, sua participação efetiva.
O professor necessita observar constantemente seus alunos para que possa ajudá-los em suas dificuldades e comemorar com suas conquistas. Através desse olhar, a prática lúdica pode ser compreendida como uma atitude que permite que cada um se constitua a partir de um olhar atento, investigador e orientador.
Essa parceria entre professor e alunos é extremamente importante para que ocorra uma aprendizagem significativa, onde ambos partilham as responsabilidades diante das atividades a serem desenvolvidas, respeitam as opiniões, aceitam a forma diferenciada de pensar, enfim, partilhar o momento de aprendizagem, criando e recriando, construindo e reconstruindo tantas vezes quanto for necessário. Cada sujeito é único, portanto, percebe, sente e vive de forma singular, necessitando ter alguém que o auxilie no processo de construção de sua própria identidade.
2 AS PRÁTICAS LÚDICAS NO CONTEXTO EDUCACIONAL: DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM
O cenário educacional passou por muitas transformações conforme o passar dos anos, assim, muitas coisas precisaram mudar para atender a atual demanda que a sociedade exige. Muitas escolas ainda mantêm a forma tradicional de ensino o que atrapalha o progresso da educação, bem como o alcance de sua qualidade. Neste método o professor continua sendo o detentor de todo o conhecimento e aos alunos cabe somente receber essas informações.
	Contudo, para que, de fato se alcance uma educação de qualidade precisa-se abandonar essa forma de ensinar, a educação deve estar voltada à aprendizagem efetiva do aluno e não na reprodução de conhecimentos. Por isso, cada vez mais o professor precisa estar preparado, através de uma formação de qualidade, bem como um constante aperfeiçoamento de sua prática pedagógica. A nova visão sobre educação tem no professor o mediar do processo de aprendizagem, ele vai fazer a ponte entre o aprendizado e seus alunos. Para Zabala (1998, p.13):
Um dos objetivos de qualquer bom profissional consiste em ser cada vez mais competente em seu ofício. Geralmente se consegue esta melhora profissional mediante o conhecimento e a experiência: o conhecimento das variáveis que intervém na prática e a experiência para dominá-las. A experiência, a nossa e a dos outros professores. O conhecimento, aquele que provém da investigação, das experiências dos outros e de modelos, exemplos e propostas.
	Para amparar e dar um norte às ações dos professores e das instituições de ensino foram criadas várias legislações, mas a principal lei criada especificamente para a educação é a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), nela se encontra tudo que o professor precisa saber e fazer para alcançar uma educação de qualidade, ainda apresenta a função dos professores, seus direitos e deveres, sendo que o principal é sua formação e compromisso com a propagação de uma educação de qualidade.
	Nesse sentido, o professor deve buscar uma relação harmoniosa, onde o diálogo entre todos é parte fundamental do processo de aprendizagem, o professor inesquecível sabe respeitar as diferenças e as utiliza para somar ao invés de diminuir, sabe que se alunos são únicos e que cada um aprende de forma diferenciada, procura, portanto, diversificar as aulas, encantando seus alunos, chamando-os a participar do processo de construção dos saberes.
2.1 DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM A PARTIR DAS PRÁTICAS LÚDICAS
	As práticas lúdicas, através do brincar que entra nesse contexto como forma de diversificar as aulas. Atualmente, faz-se necessário o uso de diversas formas de estímulo, para atender a todas as crianças da sala, respeitando suas potencialidades e dificuldades. 
	Na educação infantil o brincar, construir jogos e recordar brincadeiras antigas são elementos que devem estar presentes no dia-a-dia da criança. É através destes mecanismos que a criança inicia seu processo de construção do conhecimento caracterizado pelo aspecto lúdico e prazeroso. 
	Assim, o professor que utiliza dos jogos e das brincadeiras, desenvolve a criatividade das crianças e descobre em seus alunos muitas habilidades e potencialidades. O brinquedo coloca a criança na presença de reproduções: tudo o que existe no cotidiano, a natureza e as construções humanas.
Os brinquedos são o mundo de uma criança. Eles são prolongamentos dos sonhos de uma criança. Os pais podem prestar atenção à escolha de brinquedos que o filho faz e observar de perto como ele brinca com eles. Se os pais puderem ajudar a escolher um brinquedo como uma forma de aprender sobre a criança e quem ela está se tornando, o processo pode tornar-se uma comunicação (BRAZELTON; SPARROW, 2003, p.238).
	A participação do adulto na brincadeira da criança eleva o nível de interesse, enriquece e contribui para o esclarecimento de dúvidas durante o brincar. Ao mesmo tempo em que a criança se sente prestigiada e desafiada, descobrindo e vivendo experiências que tornam o brinquedo o recurso mais estimulante e mais rico em aprendizado.
	Ao desenvolver brincadeiras o educador tem a capacidade de propiciar diferentes papeis relacionados ao conhecimento que a criança possui no brincar de faz de conta, apresentando o seu desenvolvimento físico. As brincadeiras contêm objetivos educacionais, métodos e significados mentais que apresentam um instrumento prático para ser aplicado no trabalho direto dos educadores com os educandos.
	Nesse sentido, independentemente de época, cultura e classe social, os jogos e brincadeiras fazem parte da vida das crianças, pois elas vivem em um mundo de fantasia, de encantamento, de alegria, de sonhos, onde a realidade e o faz de conta se confundem.
	
2.1.1 Criança: Seu Desenvolvimento e Aprendizagem
	De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil,“A instituição de educação infantil é um dos espaços de inserção das crianças nas relações éticas e morais que permeiam a sociologia na qual estão inseridas” (BRASIL, 1998, p.11).
	Para tanto, o papel dos centros de educação infantil não é limitado ao simples fato de “cuidar as crianças”, mas é o início de um trabalho educacional que visa o desenvolvimentoda criatividade, imaginação, organização, autonomia e autoestima da criança. Para se desenvolver as crianças precisam dos outros, através das relações de troca de afeto e convivência sadia.
 
Aprender a saber como se é, o que significam os próprios sentimentos, como se fazer entender e como entender os outros. Aprender a escolher, a perder, mostrar-se carinhoso, chateado, agradecido, triste. Aprender a brincar com os demais e a trabalhar, a discutir e a dançar. Aprender a sentir, a distinguir e a encaixar invejas, sentimentos negativos, enganos, caras feias ou elogios, carícias amores. Aprender a estar sozinho e a estar com os outros já seria aprender muito tendo tão pouca idade (NAVARRO, 2004, p.31).
	Dessa forma, na educação, a criança entra em contato com o mundo em alguns aspectos diferentes do seu, com conhecimentos que ela não poderia vivenciar por si só e que podem ajudar a compreender o mundo que a rodeia.
	É papel do professor nesse processo mediar, orientar e propor desafios, oferecendo a criança informações, dados e conhecimentos que sirvam de pressupostos para instigar sua curiosidade, bem como internalizar novos conhecimentos, utilizando em nossa prática materiais variados e estratégias de ensino propondo desafios e, desta forma, a criança começa a indagar, questionar, construindo novos conhecimentos.
	As práticas lúdicas são uma forma natural de se expressar, na qual independentemente do local onde se vive ou a classe social que pertencemos, somos capazes de criar situações de aprendizagem através de jogos e brincadeiras. 
	As atividades lúdicas existem desde os tempos das cavernas, o que não se possuía era o conhecimento de que era através das brincadeiras que as crianças faziam, que as mesmas aprendiam e desenvolviam o seu lado cognitivo. De acordo com Melo (2015, p. 6):
Os primeiros sinais de valorização da atividade lúdica tiveram início no século XVI, sendo resgatado pelos humanistas, que perceberam o valor de atividades lúdicas, mas ainda referenciados como uma forma de “bajulação” ou “paparicação”, isto é, uma maneira de agradar ou recompensar por boas atitudes e interesse pelos estudos.
	Para um melhor entendimento do sentido do lúdico, é necessário ter claro que existe uma forte influência cultural, modo de vida, povoado, cada agrupamento humano valoriza o lúdico de maneira diferente. Um exemplo sobre os diferentes entendimentos do lúdico diz respeito à sociedade indígena, aos afazeres que os pais ensinavam aos filhos como a caça e a pesca, tornava-se para a criança indígena um momento lúdico na aprendizagem de seus futuros afazeres. 
	Os jogos, brinquedos e brincadeiras proporcionam uma variedade de experiências lúdicas fundamentais para o desenvolvimento cognitivo, motor, emocional e social das crianças. É nas brincadeiras que elas expressam suas emoções, desejos, sentimentos e age de forma natural no espaço onde está inserida.
2.1.2 Os Desafios dos Professores nos Dias Atuais
	O brincar tem sido cada vez mais ressaltado como mediador na aprendizagem, a simples oferta de certos brinquedos já e o começo de um projeto educativo voltado a esta área. Porém, a disponibilidade de brinquedos não é suficiente na escolha de jogos, brinquedos e brincadeiras, o educador coloca o seu desejo, suas convicções e suas hipóteses acerca da infância e do brincar. Segundo Gayotto (1992, p. 92):
Se a educação do movimento é um descobrir-se ou um reencontrar-se com o funcionamento articular e muscular do corpo, a criatividade e o desenvolvimento da sensibilidade na linguagem da expressão corporal são a finalidade, meta e objetivo desta educação que por mais atrativa e prazerosa que seja em si mesma só adquiri valor profundo quando está a serviço da comunicação intra e interpessoal essência da expressão corporal.
	O professor que realiza seu trabalho pedagógico na perspectiva lúdica, observa as crianças brincando e faz disso ocasião para reelaborar suas hipóteses e definir nova proposta de trabalho. Não se sente culpado por esse tempo que passa observando e refletindo sobre o que está acontecendo com sua sala.
	Cada vez mais, é preciso ampliar o repertório de brincadeiras e jogos, relembrar nossa infância, a alegria de escolher e recriar brincadeiras passadas, trazendo essas experiências para a atualidade, podem construir eixos de trabalho muito significativos.
	Assim sendo, usar da brincadeira e do brinquedo como recurso pedagógico na tentativa de transformar a sala de aula num local significativo, de aprendizagem para o aluno e professor, torna o trabalho deste educador algo dinâmico, atrativo, onde o aluno será capaz de: aprender, compartilhar, expressar opiniões e tirar conclusões das situações de aprendizagem para sua vida.
	O professor, portanto, não pode ser uma peça estática na sala de aula, preocupado apenas com o repasse de informações, mas sim um mediador da aprendizagem, aberto a inovações, mostrando-se comprometido, espontâneo e criativo no seu fazer educacional, fazendo a diferença no ensino. Conforme Melo (2015, p. 56):
Quando nos professores (as) nos aventuramos no mundo dos jogos e das brincadeiras e levamos esses recursos para a sala de aula, como aliados da aprendizagem, trazemos na bagagem uma serie de benefícios para nossos alunos e contribuímos com um conhecimento para a vida, mais significativo, preciso e amplo.
	Dessa forma, os professores devem ter a consciência de que apesar do aluno ser o ator principal ele deve mediar a aprendizagem, auxiliando e oportunizando materiais diversificados, para que as crianças construam seus conhecimentos de forma significativa e prazerosa.
2.2 A IMPORTÂNCIA DAS PRÁTICAS LÚDICAS NO PROCESSO INICIAL DE ALFABETIZAÇÃO
Uma das metas da educação é transformar, para que isso aconteça precisamos romper paradigmas, mudando nossa prática educativa e construir uma nova escola. As aprendizagens significativas permitem desenvolver as potencialidades na etapa educativa, pois a criança desenvolve-se através da exploração direta e observável sobre os objetos e as pessoas, no decorrer dessas interações e das experiências que são oferecidas, a criança vai progredindo no conhecimento que a envolve e nos instrumentos de indagação da realidade. (BASSEDAS; HUGUET; SOLÉ, 1999).
A educação passou por diversas mudanças, desde a forma de aprendizado aos métodos e tendências educacionais, os atores componentes deste cenário também tiveram seus papéis alterados, os conceitos acerca do trabalho do professor, do aluno, do gestor e coordenador escolar, bem como do aprendizado fazem parte desse processo de transição, onde através do novo conceito o aluno possui um papel fundamental, atuando de forma efetiva em seu aprendizado e o professor tem o papel de mediar esse processo.
	Devido a essas novas descobertas e de acordo com a ampliação dos conceitos acerca da educação, percebeu-se a necessidade de abordar novas técnicas pedagógicas com propostas que incluam todas as formas de aprendizado, levando-se em consideração que cada aluno difere do outro na forma de aprender, por isso, a necessidade de disponibilizar várias formas de estímulo, aplicando diferentes métodos e práticas em sala de aula.
Nesse contexto surge a ludicidade, que através de jogos, brincadeiras e brinquedos procura favorecer a aprendizagem das crianças. Nos Anos Iniciais, a ludicidade fica uma pouco a margem, e no processo de alfabetização pode ser um grande aliado.
A alfabetização, portanto, é um dos temas mais discutidos no cenário atual da educação, visto que consta em programas a nível nacional e mundial a erradicação do analfabetismo, entretanto, todos os programas apresentam falhas em sua estruturação.
2.2.1 A Importância das Práticas Lúdicas no Processo Inicial de Alfabetização 
	Uma das ferramentas mais utilizadas atualmente no processo de aprendizagem das crianças é são os jogos e as brincadeiras, nas mais variadas formas, dependendo da idade da criança, o professor precisa explorar a curiosidade da criança que é sua principal característica, toda e qualquer criançaé curiosa, elas tem a vontade de conhecer, o entusiasmo de receber e o poder de cativar os demais. 
A criação de uma situação imaginária não é algo fortuito na vida da criança; pelo contrário, é a primeira manifestação da emancipação da criança em relação às restrições situacionais. O primeiro paradoxo contido no brinquedo é que a criança opera com um significado alienado numa situação real. O segundo é que, no brinquedo, a criança segue o caminho do menor esforço – ela faz o que mais gosta de fazer, porque o brinquedo está unido ao prazer – e, ao mesmo tempo, aprende a seguir os caminhos mais difíceis, subordinando-se a regras e, por conseguinte, renunciando ao que ela quer, uma vez que a sujeição a regras e a renúncia à ação impulsiva constitui o caminho para o prazer do brinquedo (VYGOTSKY, 2002, p.130).
O mais importante das brincadeiras é que a criança demonstra ser quem ela é na verdade, pode também expressar seus sentimentos, suas emoções, além de aprender regras, conceitos, enfim, a brincadeira oportuniza uma aprendizagem prazerosa. Entretanto, essa concepção passou a ser explorada a partir dos estudos de alguns pesquisadores da época, que até hoje são muito utilizados nas instituições de ensino superior como referência de grande importância para o cenário educacional, os autores mais citados pelas suas obras e estudos são Wallon, Piaget, Vygotsky e Freud. 
	Com a mudança de conceitos a escola teve que se adaptar aos mesmos, por isso, a realização e construção de novos currículos, que atendessem a essa nova concepção de criança e educação, novas estratégias de aprendizado que englobassem todas as crianças, dentro de suas limitações e possibilidades. A educação passou pelas mais diversas transformações, temos atualmente várias oportunidades de aprendizagem, as crianças desde muito cedo frequentam escolas especializadas, são estimuladas constantemente, de forma lúdica e prazerosa. 
2.3 AS PRÁTICAS LÚDICAS NO CONTEXTO DA GESTÃO DEMOCRÁTICA
	Embora os resultados das pesquisas apontem para a eficácia da utilização do brincar no processo de aprendizagem os professores tradicionais ainda acreditam que o brincar seja perda de tempo, que além da criança não aprender ela ainda dispersa sua atenção para o que realmente importa que é a aprendizagem centrada no professor, ele detém todos os conhecimentos e os alunos apenas recebem as informações de maneira passional.
	Pode não parecer, mas ainda acontece muito isso em nossas escolas, apesar de tudo e de todos os esforços para mudar essa concepção ultrapassada há ainda aqueles professores que não aceitam o brincar e tantas outras teorias que surgiram através de estudos de renomados pesquisadores como Piaget, Wallon, Vygotsky, Freud e tantos outros. 
	Nesse contexto, entra a importância da figura tanto do gestor escolar como do coordenador pedagógico, que precisam proporcionar meios para que esses aprendizados ocorram, oportunizar formações, reuniões pedagógicas que tratem do tema, enfim, que aproximem as práticas lúdicas do contexto da sala de aula, para que também no ensino fundamental sejam aplicadas essas ferramentas de ensino e aprendizagem.
Mas há também aqueles professores que não medem esforços para se tornarem inesquecíveis aos seus alunos, transformando suas aulas em verdadeiro encanto para seus alunos. O brincar faz parte de seu planejamento, de sua prática pedagógica, enquanto professor comprometido com o aprendizado de seus alunos. Segundo o Referencial Curricular para a Educação Infantil (1998, p. 28):
A brincadeira favorece a autoestima das crianças auxiliando-as a superar progressivamente suas aquisições de forma criativa. Brincar contribui, assim para a interiorização de determinados modelos de adultos, no âmbito de grupos sociais diversos. Essas significações atribuídas ao brincar transformam-no em um espaço singular de constituição infantil.
Nas brincadeiras as crianças transformam os conhecimentos que já possuam anteriormente em conceitos gerais com os quais brinca. Por exemplo, para assumir determinado papel numa brincadeira, a criança deve conhecer alguma de suas características.
	
	As escolas iniciaram o processo da construção de currículos, estratégias de aprendizado e a seriação dos alunos. Os conteúdos eram escolhidos de acordo com a faixa etária, as crianças eram categorizadas de forma universal. 
Os estudos de Piaget apontam que a classificação dos jogos nas crianças se processa da seguinte maneira: primeiro o jogo de exercício, que está relacionado ao desenvolvimento sensório-motor, bem como às atividades de prazer funcional da criança, geralmente aparecem de zero a dois anos, jogo simbólico ou faz de conta, surge após o final do segundo ano, que está diretamente relacionado com a compreensão na representação de um objeto ausente, por fim, há o jogo de regras, de onde surgem as relações sociais e interindividuais. Assim, Lück (2011, p. 19) descreve que:
Um ambiente estimulador é aquele em que existem ações efetivas: Criar uma visão de conjunto associada a uma ação de cooperativismo; Promover um clima de confiança; Valorizar as capacidades e aptidões dos participantes; Associar esforços, quebrar arestas, eliminar divisões e integrar esforços; Estabelecer demanda de trabalho centrado nas ideias e não em pessoas; Desenvolver a prática de assumir responsabilidades em conjunto.
	
Por isso, a necessidade de profissionais capacitados, que tenham uma boa formação inicial e que continuem a se aperfeiçoar cada vez mais, acompanhando as transformações que a educação estiver passando, uma vez que a cada dia surgem novas pesquisas e teorias, que auxiliam os professores na busca de métodos novos de ensino. O oferecimento e disponibilização de diversos estímulos e o uso de materiais diversificados farão com que os alunos construam seus conhecimentos de forma lúdica e efetiva, utilizando sua criatividade e espontaneidade, inerentes em qualquer criança, de qualquer faixa etária.
	Nesse sentido, quando pensamos em educação devemos pensar também em sua qualidade, que ocorre através de um bom planejamento, de uma prática pedagógica voltada ao interesse dos alunos e, isso somente acontece se for pensada de forma lúdica e prazerosa, onde a criança possa interagir com os jogos, as brincadeiras, os colegas e, a partir disso, internaliza os conhecimentos necessários para sua vida em sociedade. 
	
3 CONCLUSÃO
	Percebe-se na atualidade uma grande preocupação por parte da escola, dos gestores, dos professores, em encontrar formas de instigar os alunos, provocá-los, para que os mesmos sintam a vontade e tenham interesse em construir seus conhecimentos. Isso se deve a grande transformação que ocorreu no cenário educacional no decorrer dos anos, da maneira de se ver e entender o processo de ensino e aprendizagem.
	Um dos fatores que mais se transformou foram os métodos de ensino, anteriormente o professor era o detentor total dos conhecimentos e os alunos meros receptadores das informações, com as mudanças ocorridas, o professor passa a ter um papel de mediador do processo de aprendizagem e o aluno de receptor passa a construtor de seus saberes.
Nesse cenário ainda temos a diversidade encontrada em sala que era anteriormente ignorada, tratando os alunos todos de forma padrão, hoje, essa diversidade deve ser respeitada, uma vez que cada criança aprende de uma maneira diferente, diferente deve ser os métodos oferecidos e, quanto maior a diversidade de materiais e estímulos, maiores as chances de se alcançar os objetivos propostos, que no caso da escola é a aprendizagem significativa de cada aluno.
	A ludicidade ocupa um importante papel no contexto educacional atual por se tratar da forma como a criança vê e percebe o mundo, através dessas brincadeiras e jogos as crianças tem a oportunidade de vivenciarem situações e internalizar conceitos importantes para sua vida em sociedade.
	Assim sendo, a formação do professor é primordial, uma vez que a cada dia são feitas novas descobertas, surgindo novos métodos de ensino, enfim, na educação surgemcada vez mais novidades, que vem para auxiliar os professores no seu fazer pedagógico, mas para isso é preciso que o mesmo tenha o compromisso de buscar esses conhecimentos, favorecendo assim, a aprendizagem de seus alunos. 
	Nesse sentido, a prática lúdica deve estar voltada à realidade do aluno, o professor como mediador deve proporcionar uma grande variedade de oportunidades de ensino, através de diversas atividades que instiguem os alunos a participar do processo de aprendizagem de forma efetiva significando o mundo através da construção de seus conhecimentos.
REFERÊNCIAS
BASSEDAS, Eulália; HUGUET, Teresa; SOLÉ. Aprender e ensinar na educação infantil. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.
BRASIL. Ministério da Educação e Desportos. Secretaria da Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil – introdução. Brasília: MEC/SEF, 1998.
________. Presidência da República. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - Lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (LDB 9394/96). Disponível em: . Acessado em: 16 abr. 2019.
BRAZELTON, T. Berry; SPARROW, Joshua D. 3 a 6 anos: momentos decisivos do desenvolvimento infantil. Porto Alegre: Artmed, 2003.
GAYOTTO, Maria Leonor Cunha. Creches: desafios e contradições da criança pequena. São Paulo: Icone, 1992.
LÜCK, Heloísa. Ação integrada: administração, supervisão e orientação educacional. Petrópolis: Vozes, 2011.
MELO, Fabiana C. M. Lúdico e musicalização na educação infantil. Indaial: UNIASSELVI, 2015.
NAVARRO, Maria Carmen Díes. Afetos e emoções na dia-a-dia da educação infantil. Porto Alegre: Artmed, 2004.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
ZABALA, Antoni. A prática educativa/como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998.

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