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Slide 1 
 
Carboidratos e 
fibras na 
alimentação de 
cães e gatos
Thiago H. A. Vendramini
 
 
 
 
Slide 2 
 
Desmistificar
 
 
 
 
Slide 3 
 
“Carboidratos são danosos aos animais de companhia, uma vez que seus 
antecessores não tinham acesso a este tipo de nutriente na natureza” – MENTIRA
Na natureza, os lobos ingeriam frutas e tubérculos para evitar longos períodos de 
jejum, o que ocorria entre caçadas, e fizeram com que os cães fossem considerados 
carnívoros de oportunidade
Os gatos ingeriam pequenas porções de carboidratos presentes nas caças, que 
poderiam estar na forma de glicogênio ou conteúdo visceral
De maneira geral, na natureza, cães e gatos consumiam como base da sua 
alimentação proteína, seguido de lipídeos e por fim uma pequena quantidade de 
carboidratos 3
Carboidratos?
 
 
 
 
Slide 4 
 
Em decorrência da 
domesticação destes 
animais, esta pirâmide 
alimentar tornou-se 
invertida
Isso ocorre principalmente 
pelo custo dos ingredientes e 
pelo papel que o amido possui 
no processamento de 
alimentos na indústria pet
Carboidratos em pet food
 
 
 
 
Slide 5 
 
Origem
Axelson et al. (2013) 
Avaliou 3,8 milhões de variantes genéticas 
Identificou 36 regiões genômicas 
19 regiões - genes importantes na função cerebral 
8 pertencem às vias de desenvolvimento do sistema nervoso - mudanças 
comportamentais centrais à domesticação do cão
10 genes com papéis-chave na digestão do amido e no metabolismo da gordura também 
mostram sinais de seleção
Mutações em genes-chave para uma maior digestão de amido em cães em relação aos 
lobos 5
 
 
 
 
Slide 6 
 
6
Gatos
 
 
 
 
Slide 7 
 
Apesar de bem digeridos e aproveitados pelos cães e gatos, os carboidratos não são estritamente essenciais para estas 
espécies
Estes animais são extremamente neoglicogênicos
Sendo assim, uma dieta que contenha níveis adequados de nutrientes não glicídicos pode manter a glicemia destes animais
Tanto o esqueleto carbônico dos aminoácidos e o glicerol dos triglicérides são capazes de fornecer precursores 
neoglicogênicos
A glicose em excesso pode ser armazenada na forma de glicogênio tanto nos músculos como no fígado dos animais e, se 
mesmo após a formação desta reserva ainda restar glicose, esta será transformada em triglicérides e armazenada nos 
adipócitos
Carboidratos
7
 
 
 
 
Slide 8 
 
Definição
 
 
 
 
Slide 9 
 
O nome carboidrato vem do francês
• “hidrate de carbone”
Os carboidratos são os principais constituintes dos vegetais, representando entre 60% e 90% do 
peso da matéria seca (MS)
Compostos contendo C, H e O
Sendo que H e O estão presentes na mesma proporção que na água - (CH2O)n, onde n > 3
Carboidratos
9
 
 
 
 
Slide 10 
 
10
Os monossacarídeos (mono- = “um”; sacarídeo- = “doce”) são açúcares simples
São as unidades básicas dos carboidratos, constituindo-se somente 
por uma unidade de poliidroxialdeídos ou poliidroxicetonas ou 
substâncias que liberam estes compostos quando hidrolisadas
10
Carboidratos
 
 
 
 
Slide 11 
 
11
Mais da metade de todo carbono no planeta Terra está 
armazenado na forma de carboidratos
Amido e celulose
A cada ano a fotossíntese converte mais de 100 bilhões de 
toneladas de CO2 e H2O em celulose e outros produtos vegetais
11
Carboidratos
 
 
 
 
Slide 12 
 
12
12
Podem representar de 40 a 55% da matéria seca dos alimentos para cães e gatos (até 70%)
Fornecem de 30% a 60% da energia metabolizável dos alimentos secos extrusados, a 
depender se sua composição química 
Desta forma, os carboidratos são utilizados pelos animais como principal fonte energética 
(proporcionando em média 3,5 kcal/g)
Além desta, os carboidratos também possuem como função formar gordura, proteger o uso 
de proteína como fonte energética, compor a membrana celular e atuar na motilidade e 
saúde intestinal.. várias outras...
Carboidratos (alimentos para cães e gatos)
 
 
 
 
Slide 13 
 
13
Carboidratos presentes na dieta incluem 
• Açúcares 
• Amido 
• Parede celular 
• Polissacarídeos de armazenamento
• Fibras 
Suas características nutritivas dependem 
• Composição dos seus açúcares 
• Tipos de ligação química 
• Fatores físico-químicos de digestão 
• Processamento do ingrediente 13
Carboidratos (alimentos para cães e gatos)
 
 
 
 
Slide 14 
 
Classificação
 
 
 
 
Slide 15 
 
15
Cada unidade
também chamada
de monossacarídeo
Classificações
15
 
 
 
 
Slide 16 
 
16
De acordo com o número de sacarídeos
Monossacarídeos
1 sacarídeo
Dissacarídeos
2 sacarídeos
Oligossacarídeos
2 a 6 sacarídeos
Polissacarídeos
+ de 6 (10) 
sacarídeos
Número de sacarídeos
16
 
 
 
 
Slide 17 
 
Glicose - é um açúcar simples, e é também o principal produto da 
digestão do amido e da hidrólise do glicogênio no organismo
• É o carboidrato primário usado pelas células do corpo para obter energia
Frutose - comumente chamada de açúcar da fruta, é um açúcar muito 
doce encontrado no mel, frutas maduras e alguns vegetais
• Também é formado a partir da digestão ou hidrólise ácida da sacarose dissacarídica
Galactose - não é encontrada de forma livre nos alimentos
• Representa 50% do dissacarídeo lactose, presente no leite de todas as espécies de 
mamíferos
Monossacarídeos
17
 
 
 
 
Slide 18 
 
Muitas unidades monossacarídicas únicas ligadas entre si em cadeias longas e complexas
Amido, glicogênio, dextrinas e fibras alimentares são todos polissacarídeos
O amido é um constituinte não estrutural, um polissacarídeo de armazenamento e é a principal fonte de 
carboidratos presente na maioria dos alimentos para animais comerciais
As duas principais formas de amido na dieta são amilose (composta por cadeias lineares de glicose) e 
amilopectina (composta por cadeias ramificadas de glicose)
Grãos de cereais como milho, trigo, sorgo, cevada e arroz são os principais ingredientes que fornecem amido
Polissacarídeos
2 tipos ➔
reserva (amido e glicogênio) 
estrutural (celulose, quitina)
Compostos de 6 (10) ou mais monossacarídeos, podem ter cadeia 
linear ou ramificada
18
 
 
 
 
Slide 19 
 
O glicogênio é a forma de armazenamento de carboidratos no organismo animal
Pode ser encontrada no fígado e nos músculos, e funciona para ajudar a manter a 
homeostase normal da glicose no corpo
Dextrinas são compostos de polissacarídeos que são formados como produtos 
intermediários na quebra do amido
Eles são criados durante os processos digestivos normais no corpo e através do 
processamento comercial de alguns alimentos
As unidades de monossacarídeos encontradas nas moléculas de amido, glicogênio e 
dextrina têm uma configuração alfa e são ligadas por ligações alfa
• Este tipo de ligação pode ser facilmente hidrolisado pelas enzimas endógenas do trato gastrointestinal e 
produz unidades de monossacarídeos por digestão ou hidrólise química
Polissacarídeos
19
 
 
 
 
Slide 20 
 
Além disso, os carboidratos também podem ser classificados pela sua funcionalidade de acordo com a digestão da 
molécula em:
Absorvíveis
Monossacarídeos
Digeríveis
Dissacarídeos, certos 
oligossacarídeos e 
polissacarídeos não 
estruturais
Fermentáveis 
Lactose, certos 
oligossacarídeos, 
algumas fibras dietéticas 
e amido resistente
Não fermentáveis
Certas fibras dietéticas
Serão melhores descritos ao 
abordarmos fibras
NRC (2006)
Classificação de funcionalidade
 
 
 
 
Slide 21 
 
Os monossacarídeos (glicose, frutose, sorbitol, manitol e xilol) fazem parte 
desta classificação
Absorvíveis são aqueles carboidratos que não precisam passar pelo 
processo de quebra / hidrólise para serem transportados para o interior 
das células
Principal responsável pelo pico glicêmico pós-prandial
Absorvíveis
21
 
 
 
 
Slide 22 
 
Amilose 
Mais linear e não possui ramificações, sendo 
constituída de ligações α1→4 que fazem 
com que esta molécula possua uma 
estruturahelicoidal
Ela constitui de 20 a 30% do amido
Amilopectina 
Muito ramificada, possui ligações α1→4 e 
α1→6 e constitui aproximadamente 80% dos 
polissacarídeos do grânulo de amido
A cada 20/30 moléculas de glicose há uma 
ramificação, e por isso seu peso molecular é 
maior do que o da amilose
O amido é um carboidrato digerível que pode ser definido como um homopolímero constituído de cadeia alfa-glicosídica 
que por hidrólise fornece somente glicose
Ele é constituído por AMILOSE e AMILOPECTINA estruturadas na forma de grânulos quando estão nos tecidos vegetais
Digeríveis – Amido (amilose e amilopectina)
22
 
 
 
 
Slide 23 
 
Estas características conferem 
a essas moléculas diferenças 
na metabolização e no 
processamento
As moléculas de amido nos 
alimentos estão presentes em 
arranjos granulares, sendo que a 
amilose se apresenta em estrutura 
helicoidal que dificulta a entrada e 
a saída de água
Com a menor infiltração 
desta, o acesso de enzimas 
digestivas torna-se dificultado
Assim, a amilase praticamente só 
tem acesso à extremidade do 
grânulo, fazendo com que a glicose 
seja liberada de maneira mais 
lenta, porém com maior constância 
e durante um tempo maior
A amilopectina também está 
arranjada em grânulos, mas sua 
estrutura ramificada permite um 
maior espaçamento entre as 
moléculas, facilitando a entrada de 
água
Por sua vez, carreia com 
facilidade as enzimas 
digestivas, amilases, 
amiloglicosidades, no 
processo de digestão 
Amido
23
 
 
 
 
Slide 24 
 
Rapidamente digestível: Este tipo é basicamente composto por 100% de 
amilopectina e possui um tempo de digestão de aproximadamente vinte minutos
Lentamente digestível: Este tipo é composto por 55/45% de amilopectina/amilose 
respectivamente. Seu tempo de digestão é entre 20 e 100 minutos
Resistente: Possui alta quantidade de amilose e pode ser classificado em 5 tipos 
(pós-graduação)
O grânulo de amido pode ter diferentes proporções de 
amilose:amilopectina, o que interfere diretamente na velocidade 
de digestão. Desta forma, o amido pode ser classificado como:
De modo geral, o conteúdo médio de amido 
nos cereais é de 70%, sendo de 70 a 80% de 
amilopectina e de 20 a 30% de amilose
Amido
24
 
 
 
 
Slide 25 
 
Onda pós-prandial - é diretamente influenciada pela fonte deste amido (cada ingrediente possui uma 
proporção de amilose:amilopectina) e pela quantidade ingerida (a carga glicêmica)
Quanto mais rápida e completa a digestão, mais rápida e intensa será a curva glicêmica pós-prandial 
produzida
Vale lembrar que, após a absorção do amido o aumento da glicemia promove o estímulo para a liberação de 
insulina pelas células beta do pâncreas exócrino
Este hormônio é o responsável pelo transporte de glicose para o interior das células levando a redução da 
glicemia aos níveis normais
O uso de dietas que minimizem e estendam a onda glicêmica pós-prandial proporciona o restabelecimento 
mais rápido e fácil da glicemia normal, tornando-a uma boa opção para animais diabéticos
Amido – glicemia e insulinemia
25
 
 
 
 
Slide 26 
 
Respostas glicêmicas e insulinêmicas
0 2 5 5 0 7 5 1 0 0 1 2 5 1 5 0 1 7 5 2 0 0 2 2 5 2 5 0 2 7 5 3 0 0
7 0
7 5
8 0
8 5
9 0
9 5
T e m p o (m in )
G
li
c
o
s
e
 (
m
g
/d
L
)
0 2 5 5 0 7 5 1 0 0 1 2 5 1 5 0 1 7 5 2 0 0 2 2 5 2 5 0 2 7 5 3 0 0
7 0
7 5
8 0
8 5
9 0
9 5
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G
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m
g
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L
)
0 2 5 5 0 7 5 1 0 0 1 2 5 1 5 0 1 7 5 2 0 0 2 2 5 2 5 0 2 7 5 3 0 0
0
5
1 0
1 5
2 0
2 5
3 0
3 5
4 0
4 5
5 0
T e m p o (m in )
In
s
u
li
n
a
 (

U
I/
m
L
)
0 2 5 5 0 7 5 1 0 0 1 2 5 1 5 0 1 7 5 2 0 0 2 2 5 2 5 0 2 7 5 3 0 0
0
5
1 0
1 5
2 0
2 5
3 0
3 5
4 0
4 5
5 0
T e m p o (m in )
In
s
u
li
n
a
 (

U
I/
m
L
)
26
Cães saudáveis (Takakura e Carciofi, 2003)
 
 
 
 
Slide 27 
 
Cães
Carciofi et al. (2008)
Mandioca Milho Sorgo
Arroz Lentilha Ervilha
Diferenças importantes na resposta glicêmica 
de cães sadios mediante o consumo de dietas 
isonutrientes com diferentes fontes de amido
27
 
 
 
 
Slide 28 
 
Milho
Ervilha
Lentilha
Sorgo
F. de mandioca
Quirera de arroz
Essencialmente carnívoros
Menor atividade da glicoquinase
(enzima glicolítica)
Tipo de amido não influencia onda
glicêmica pós-prandial
Gatos
28
Oliveira et al., (2008)
 
 
 
 
Slide 29 
 
Importância 
e funções
 
 
 
 
Slide 30 
 
Funções
1- Armazenamento energético 
• O amido (plantas) e o glicogênio são os carboidratos responsáveis pelo armazenamento de energia dos animais e vegetais
2- Produção de energia
• Carboidratos são as principais fontes de energia
3- Estruturais 
• Todos os componentes celulares são formados por um carboidrato, e eles formam bases necessárias para a estruturação das célula
Os carboidratos também participam da estrutura dos ácidos 
nucleicos, RNA (ribose) e DNA (desoxirribose), importantes na 
transmissão das características hereditárias ao longo de gerações
Funções
A celulose e outros carboidratos indigeríveis auxiliam na 
eliminação do bolo fecal
Estimulam os movimentos peristálticos do trato 
gastrointestinal e absorvem água para dar massa ao 
conteúdo intestinal
Necessários para o funcionamento normal do 
sistema nervoso central
O cérebro não armazena glicose e dessa maneira 
necessita de um suprimento de glicose sanguínea 30
 
 
 
 
Slide 31 
 
31
Fontes de Glicose
Degradação do 
glicogênio
Dieta Gliconeogênese
Polissacarídeos
Alimentos úmidos - proporção relativamente pequena de carboidratos digestíveis
Teores de inclusão podem variar entre até 13% em comparação com outros alimentos (Case 
et al., 2011; NRC, 2006)
Mas qual o motivo do uso dos carboidratos na nutrição pet ?
O processamento do alimento seco...
31
 
 
 
 
Slide 32 
 
32
As rações para cães e gatos têm, normalmente, os grãos como maiores constituintes, tanto 
por serem mais baratos como por necessidade técnica da extrusora
Dentre os grãos mais utilizados estão o arroz, o milho e o sorgo
O ganho em digestibilidade e palatabilidade dos cerais talvez seja o efeito mais notório 
promovido pela extrusão, devido a gelatinização e plasticização do amido, que se torna mais 
digerível pelas enzimas do trato digestório dos carnívoros 
Os ingredientes amiláceos estão diretamente ligados a qualidade final do extrusado, pois 
conferem a coesão entre todos os ingredientes e nutrientes da mistura
Aspectos tecnológicos da inclusão de CHO
32
 
 
 
 
Slide 33 
 
33
Durante a extrusão, os grânulos de amido são umedecidos e recebem calor, atrito mecânico, 
corte e pressão, sofrendo o fenômeno de gelatinização: incham, derretem e perdem sua 
estrutura cristalina 
Portanto, a gelatinização é o processo de transformação do amido granular em pasta 
viscoelástica
Os parâmetros de extrusão temperatura, força de cisalhamento, tempo de retenção e pressão 
são determinantes para o índice de gelatinização do amido
Processo de gelatinização - Uma vez cozido, a digestibilidade do amido passa de 72 para valores 
próximos à 100%
Gelatinização do amido
33
 
 
 
 
Slide 34 
 
O comportamento da amilose e da amilopectina, durante o processo de extrusão, também é 
diferente
O grânulo de amilose, devido a sua estrutura em hélice, forma um filamento menor, mais fino e 
com menor viscosidade após a gelatinização, ou seja, um excesso de amilose dificulta a expansão 
do produto
A apresentação característica do produto extrusado depende da gelatinização de quantidades 
suficientes de amilopectina
Os grânulos de amilopectina, por apresentarem ramificações entre as moléculas formam, após 
gelatinização, filamentos mais longos, com maior viscosidade e aderência, sendo assim realmente 
efetivos no processo de expansão
Amilose e amilopectina - amido
34
 
 
 
 
Slide 35 
 
Fibras são 
carboidratos
 
 
 
 
Slide 36 
 
Além disso, os carboidratos também podem ser classificados pela sua funcionalidadede acordo com a digestão da 
molécula em:
Absorvíveis
Monossacarídeos
Digeríveis
Dissacarídeos, certos 
oligossacarídeos e 
polissacarídeos não 
estruturais
Fermentáveis 
Lactose, certos 
oligossacarídeos, 
algumas fibras dietéticas 
e amido resistente
Não fermentáveis
Certas fibras dietéticas
NRC (2006)
Classificação de funcionalidade
 
 
 
 
Slide 37 
 
Além dos carboidratos absorvíveis e digeríveis, que são os não estruturais, 
existem também os polissacarídeos não amiláceos, também conhecidos como 
carboidratos estruturais ou fibras dietéticas
As fibras também são carboidratos e hoje o seu conceito para monogástricos 
tem sido bastante discutido
Ela pode ser definida como um carboidrato estrutural (constituído por 
polissacarídeos e lignina) 
• Não hidrolisado pelas enzimas do trato digestivo de animais superiores, devido à presença de 
ligações do tipo ß entre suas moléculas de glicose
Carboidratos estruturais
37
 
 
 
 
Slide 38 
 
Antigamente sua importância para animais monogástricos era questionada, já que 
não se conhecia nenhum papel direto como nutriente
Acreditava-se que possuía função apenas na formação do bolo fecal e na 
manutenção do trânsito no trato gastrointestinal, promovendo o aumento do 
peristaltismo, diluição da energia e a diminuição da digestibilidade dos nutrientes
Acreditava-se que possuía função apenas na formação do bolo fecal e na 
manutenção do trânsito no trato gastrointestinal, promovendo o aumento do 
peristaltismo, diluição da energia e a diminuição da digestibilidade dos nutrientes
Fibras
38
 
 
 
 
Slide 39 
 
A idéia da diluição da energia e diminuição da 
digestibilidade dos nutrientes não está totalmente 
errada, já que um excesso de fibra indigestível poderia 
causar esses efeitos
No entanto, o conceito e a importância da fibra têm sido 
repensados e ações benéficas, tais como a produção dos 
ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), e a prevenção de 
câncer pela menor permanência de alimento no cólon 
passaram a ser consideradas
Além disso, benéfica em algumas situações
(como a obesidade)
A fibras “pop”
39
 
 
 
 
Slide 40 
 
Monossacárides ligados na posição beta
Ligações das unidades de açúcares que são resistentes 
Resistentes as enzimas digestivas
Aproveitados apenas por bactérias, protozoários e fungos
celulose beta-glucanos hemicelulose mucilagens cutina pectina lignina
Quem são as fibras?
40
 
 
 
 
Slide 41 
 
Polissacarídeos estruturais com açúcares unidos por ligações beta 
acessíveis às enzimas bacterianas
Como exemplos podem ser citados a lactose, certos oligossacarídeos, fibras 
dietéticas e amido resistente
Lembrando que, em relação à lactose, ao se tornarem adultos cães e gatos 
perdem a capacidade de digeri-la por deixarem de produzir a enzima 
lactase
• Sendo assim ela é classificada como carboidrato fermentável na fase adulta destes animais
Fermentáveis
41
 
 
 
 
Slide 42 
 
Ruminantes e animais herbívoros são capazes de derivar uma quantidade 
significativa de energia dos AGCCs produzidos pela fermentação bacteriana das 
fibras
No entanto, não-herbívoros, como o cão e o gato, não podem fazer isso por 
causa do tempo relativamente curto e simples, e estrutura do intestino grosso
Não há mecanismo para a absorção de grandes quantidades de AGCCs -
balanço energético total de cães e gatos não é significativamente afetado pela 
produção de AGCs a partir de fibras alimentares
• Porém novos estudos de sinalizadores de glicemia e metabolismo pós prandial
Fermentáveis
42
 
 
 
 
Slide 43 
 
AGCCs produzidos a partir de fibras são uma importante fonte de energia para as células 
epiteliais que revestem o trato gastrointestinal em cães e gatos
Os enterócitos e colonócitos do intestino grosso são células ativas que têm uma alta taxa 
de rotatividade e dependem dos AGCCs como uma fonte de energia significativa
O butirato é a principal fonte de energia dos colonócitos e gera 4,5 vezes mais energia do 
que a glicose
Os ácidos graxos de cadeia 
curta são rapidamente 
absorvidos pela mucosa 
do cólon e estimulam a 
absorção de sódio
Efeito sobre a consistência 
fecal de acordo com a sua 
concentração no intestino
Ao modular a ingestão de 
fibras / podemos também 
modular a microbiota 
intestinal como um todo
AGCCs
43
 
 
 
 
Slide 44 
 
Desta maneira, as 
fibras dietéticas não 
são consideradas 
como um nutriente e 
não existe 
recomendação para a 
sua inclusão no 
FEDIAF ou no NRC
Contudo, sua inclusão 
é extremamente 
necessária para o 
funcionamento 
normal do trato 
gastrointestinal
Fibras
44
 
 
 
 
Slide 45 
 
45
Fibras insolúveis
Efeito regulador do 
peristaltismo e tempo 
de trânsito
Fibras solúveis e 
fermentáveis
Modificar a 
composição e atividade 
metabólica das 
bactérias intestinais
Mais uma classificação (solúveis e insolúveis)
45
 
 
 
 
Slide 46 
 
Fibras solúveis
• Formam uma solução viscosa em contato com a água
• São as propriedades físicas afetam as funções gastrointestinais (retardo do tempo de
esvaziamento do estômago, o tempo de trânsito e reduz a digestibilidade
• A redução de digestibilidade ocorre pela dificuldade de acesso das enzimas digestivas ao conteúdo
alimentar, ocasionado pelo aumento da viscosidade
• A maioria das fibras solúveis são moderada ou altamente fermentáveis no intestino grosso
• Capaz de promover saciedade (uma vez que reduz a taxa de passagem e confere maior peso para
o conteúdo alimentar) e pode reduzir níveis pós-prandiais de glicose, triglicérides e colesterol do
sangue
Solúveis 
46
 
 
 
 
Slide 47 
 
Fibras insolúveis
•Retêm um pouco de água dentro de sua matriz estrutural, mas
não formam soluções viscosas
•Excretadas geralmente intactas
•Essas fibras são geralmente muito menos fermentáveis ​​e
funcionam para aumentar a massa fecal e diminuir o tempo de
trânsito intestinal
Insolúveis 
47
 
 
 
 
Slide 48 
 
Aula 6: Aditivos empregados na 
nutrição de cães e gatos 
 
 
 
 
Slide 49 
 
Ingredientes que não são digeridos pelas enzimas digestivas do hospedeiro
Mas que são fermentados pela microbiota do trato digestório originando 
substâncias que estimulam seletivamente o crescimento e/ou atividade de 
bactérias benéficas e inibem a colonização de bactérias patógenas ou indesejáveis
É definido como um suplemento alimentar microbiano vivo que afeta de maneira 
benéfica o organismo pela melhora no seu balanço microbiano
Prebióticos 
49
 
 
 
 
Slide 50 
 
Caso de algumas fibras dietéticas que não são fermentadas pela microbiota 
intestinal e nem conseguem ser absorvidas ou digeridas pelo animal
Tipo de fibra contribui diretamente para o aumento do volume fecal e para a 
redução do tempo de trânsito intestinal por promover um efeito mecânico 
na mucosa
O uso deste tipo de fibra pode acarretar alguns efeitos negativos, como o 
ganho de peso deficiente (uma vez que esta promove saciedade e dilui a 
energia do alimento), pelos opacos e redução da palatabilidade do alimento
50
Carboidratos não fermentáveis
 
 
 
 
Slide 51 
 
De maneira geral as fibras fermentáveis são preferencialmente solúveis enquanto as 
não fermentáveis costumam ser insolúveis, contudo nem sempre isso é uma regra
Fibra Solubilidade Fermentabilidade
Polpa de beterraba Baixa Moderada
Farelo de arroz Baixa Baixa / Moderada
Pectina Alta Alta
Goma arábica Alta Moderada
Goma xantam Alta Baixa
. 
A fermentabilidade e solubilidade da fonte de fibra são essenciais para 
determinar a aplicabilidade dos nutrientes, seja na formulação da dieta ou no 
seu uso como nutracêutico
51
Características de solubilidade e 
fermentabilidade de algumas fontes de fibra
 
 
 
 
Slide 52 
 
Digestão e
absorção
 
 
 
 
Slide 53 
 
Predominantemente no 
intestino delgado
Facilitada pela ação 
da alfa-amilase 
pancreática (cavidade 
duodenal) –q uebrará
a ligação alfa direta 
das moléculas 
existentesEntretanto, como não 
consegue quebrar em 
regiões de 
ramificação, essa 
enzima deixa em 
pequenos complexos 
de dois ou três 
açúcares e ligados em 
ramificações, 
chamados de 
dextrinas 
A digestão final 
ocorre na borda em 
escova e as enzimas 
incluem
O jejuno é o principal 
da digestão com 
dissacarídeos 
Sacarase
Maltase
Isomaltase
Alfa-dextrinase
A atividade das dissacaridases, especialmente sacarase e 
maltase, no intestino de gatos é maior do que em cães, sendo 
compatível com a habilidade de gatos digerirem com eficácia 
sacarose e amido
Atividade mais alta em cães do que em 
gatos
Carboioratos digestíveis 
(oligosacarídeos e polissacarídeos não estruturais)
Monossacarídeos livres e açúcares são 
absorvidos diretamente e, portanto, não 
requerem enzimas digestivas
α-amilase salivar esta ausente
53
 
 
 
 
Slide 54 
 
Os açúcares absorvidos pelos capilares vilosos (absorção ativa com gasto 
de energia), e são transportados até a veia porta, onde, o fígado 
converterá boa parte da glicose absorvida em glicogênio
Absorção de glicose e galactose através da membrana da borda da escova 
ocorre principalmente por um mecanismo ativo de transporte dependente 
de Na +, além da absorção pela difusão simples independente de Na + 
A frutose é uma exceção, sendo absorvida por um sistema transportador 
de glicose independente de Na + (GLUT-5) em humanos e provavelmente 
em animais de companhia
54
Absorção
 
 
 
 
Slide 55 
 
Fibras alimentares -
resistem à hidrólise 
por enzimas 
endógenas
Pssam pelo intestino 
delgado não 
digeridos e são 
fermentados por 
microrganismos no 
cólon em...
Dióxido de carbono, 
hidrogênio, metano e 
ácidos graxos de 
cadeia curta (AGCCs) 
(principalmente 
acetato, propionato, 
butirato) e lactato 
Os ácidos graxos de 
cadeia curta são 
absorvidos através 
da parede intestinal 
principalmente por 
difusão passiva
AGCCs - principais 
ânions 
responsáveis ​​pela 
absorção osmótica 
da água do cólon 
Carboioratos fermentáveis
(lactose, alguns oligosacarídeos, fibras e amido resistente)
55
 
 
 
 
Slide 56 
 
GLICOSE
Glicogênio Ácidos graxos
ATP
fígado e músculo tecido adiposo
(mitocôndria)
Piruvato
energia, refeição
dieta com amido
Aminoácidos
músculo
energia, jejum
dieta sem amido
(insulina)
(glucagon) 56
Metabolismo
 
 
 
 
Slide 57 
 
Digestão incompleta do amido 
Apesar de sua suscetibilidade à ação enzimática dos monogástricos, há uma porção do 
amido que é resistente à hidrólise
Sua digestibilidade é afetada por sua forma física, interações entre proteína e amido, 
integridade de seus grânulos e pela presença de fatores antinutricionais, como o tanino 
57
As razões para a digestão incompleta do amido podem ser separadas em fatores 
intrínsecos e extrínsecos 
Fatores intrínsecos 
• Inacessibilidade física do amido
• Resistência dos grânulos à ação enzimática
• Formação de amido retrogradado
 
 
 
 
Slide 58 
 
A resistência do grânulo depende da sua composição 
em amilopectina e amilose e de sua estrutura cristalina 
A estrutura cristalina é classificada de acordo com a 
difração aos raios-X, em formas A, B e C
Digestão incompleta do amido 
58
A inacessibilidade física ocorre quando o amido encontra-se 
contido em uma estrutura celular, como grãos e sementes integrais 
ou parcialmente moídas, sendo inacessíveis à ação enzimática
 
 
 
 
Slide 59 
 
Os fatores extrínsecos
• Tempo de trânsito intestinal
• Concentração de amilase disponível para a quebra do amido 
• Presença de outros componentes da dieta que retardem a hidrólise enzimática 
O processamento do amido, incluindo sua moagem e cozimento durante o processo de extrusão, é 
fundamental para aumentar sua digestibilidade para os carnívoros
Importância da fonte de amido sobre a digestão geral da ração (outros nutrientes – gelatinização)
Mesmo entre cultivares de um mesmo grão existem diferenças quanto à digestibilidade do amido
Digestão incompleta do amido 
59
Em relação ao tamanho das partículas, têm-se como regra geral que quanto 
mais finamente moído, melhor a digestibilidade Bazolli (2007) 
 
 
 
 
Slide 60 
 
Fontes
Veremos mais em...
Processamento e formulação de 
alimentos para cães e gatos (VNP 3117) 
 
 
 
 
Slide 61 
 
Composição química das principais fontes de 
amido encontrados nas formulações de dietas 
para cães e gatos
Ingrediente PB EE FB Amido MM U
(% mín) (% mín) (% máx) (% mín) (% máx) (% máx)
Milho 7 2 3,5 62 2 14,5
Quirera de arroz 8 1,9 1 74,5 1,5 12
Arroz integral 8,8 1,9 7 74,9 1,2 14
Farelo de Trigo 14 3 11 31 6,5 13,5
Sorgo 7 2 3 61 1,5 13
61
 
 
 
 
Slide 62 
 
Ingrediente PB EE FB Amido MM U
(% mín) (% mín) (% máx) (% mín) (% máx) (% máx)
Casca de soja 10 2 40 - 7 12,5
Polpa de beterraba 8,5 0,47 21 88,7 6,4 12,4
F. arroz desengord. 15 1 12 48 13 13
Polpa cítrica 5 1,5 14 59,5 8 12
Composição química das principais fontes de 
carboidratos estruturais encontrados nas 
formulações de dietas para cães e gatos
62
 
 
 
 
Slide 63 
 
O nutricionista deve sempre levar em consideração alguns aspectos do animal 
para o qual se destina a formulação, como o momento da vida (crescimento, 
adulto, idoso) e o estado fisiológico / reprodutivo (castrado, gestante, lactante) 
Depois de estabelecida a necessidade nutricional da categoria em questão 
pode-se optar pela melhor fonte e quantidade de inclusão deste nutriente
Lembrando que diferenças na solubilidade e fermentabilidade das fibras 
conferem aos animais diferentes benefícios fisiológicos e aplicações
Escolha
63
 
 
 
 
Slide 64 
 
Pode-se observar que tanto para os cães como para os gatos as dietas com quirera de arroz e farinha de mandioca 
apresentaram os maiores coeficientes de digestibilidade da MS, MO e EB, além do EEA para os gatos (p

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