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Programa Piauiense de Alfabetização na Idade Certa Eixo de Fortalecimento da Aprendizagem A sondagem é uma situação didática que permite ao professor investigar e conhecer o que pensam os estudantes sobre a escrita e como a representam graficamente. A realização da sondagem pressupõe, necessariamente, a concepção de que no processo de aprendizagem, o estudante sabe muito mais do que lhe é ensinado formalmente na escola e que ele tem um papel ativo na construção do conhecimento, pois pensa o tempo todo, coloca questões e estabelece relações. Quando é proposto para o estudante escrever uma palavra do jeito que sabe ou que imagina, compreende-se que ele é capaz de elaborar uma representação gráfica da escrita, ou seja, é possível conhecer o que pensa sobre o funcionamento do sistema alfabético, a partir da abordagem psicogenética construtivista. Nesse contexto, a sondagem é uma prática válida e orientadora do planejamento das situações de ensino, intervenções pedagógicas e organização de agrupamentos produtivos. Na elaboração desse material foram considerados os seguintes objetivos: ▪ Apoiar o professor na elaboração da sondagem; ▪ Oferecer informações baseadas na abordagem psicogenética construtivista para subsidiar a interpretação e análise das escritas; ▪ Indicar a periodicidade e procedimentos para a realização da sondagem; ▪ Indicar instrumentos para o registro da sondagem; Com qual periodicidade a sondagem deve ser realizada É importante que ela seja realizada dentro do cronograma estabelecido pela Coordenação Estadual do Programa Piauiense de Alfabetização na Idade Certa-PPAIC, para acompanhar efetivamente o desenvolvimento dos estudantes. Cronograma no final do documento. Diretrizes para aplicação da Sondagem de escrita-2024 Programa Piauiense de Alfabetização na Idade Certa Eixo de Fortalecimento da Aprendizagem Como a sondagem deve ser realizada Para realizar a sondagem de forma efetiva, é necessário que seja feita uma entrevista individual com o estudante, observando como ele escreve e interpreta a escrita por meio da leitura das palavras em voz alta. O ditado deve começar pela palavra polissílaba, depois trissílaba, dissílaba , e por último, a monossílaba. Ao final,o professor dita uma frase contendo uma das palavras mencionadas. Passo a passo para realizar a sondagem: • Ofereça papel e lápis para os estudantes escreverem; • Solicite ao estudante que escreva seu nome na folha com letra bastão; • Deixar claro para o estudante que se ele não tiver certeza daquilo que foi escrito, poderá a qualquer momento apagar e refazer da forma que ele acredita estar correto; • Dite normalmente uma palavra por vez, partindo da polissílaba para a monossílaba, sem silabar; • Além das palavras, deve ser proposta a escrita de uma frase que tenha pelo menos uma palavra que conste na lista. O propósito é observar dois aspectos: se o aluno escreve essa palavra da mesma forma que a escreveu na lista, ou seja, se a escrita permanece estável no contexto da frase e se segmenta o texto em palavras. • Ao ditar, evitar a escansão - a pronúncia destacando as sílabas separadamente. Diga as palavras normalmente; • Peça que os estudantes, imediatamente, após a escrita de cada palavra, leiam o que escreveram, para verificar a relação que estabelecem entre a leitura e a escrita (procedimento importante à confirmação da hipótese); • Dite a próxima palavra somente depois que o estudante ler o que escreveu. • Caso o estudante apresente dificuldades e diga que não conhece nenhuma letra,ofereça-lhes letras móveis para que possam formular as palavras ditadas (nestes casos, o professor faz o registro de como ficou a escrita); • Organize a análise das sondagens em instrumentos como pastas, portifólios etc, que permitam acompanhar a evolução de cada estudante; Atenção! Como Pessoas com Deficiência- PCDs são apoiados na Sondagem de escrita? • É preciso garantir que os estudantes com deficiência participem da entrevista de sondagem . • O professor deve planejar um tempo adicional para a realização da entrevista de sondagem. Programa Piauiense de Alfabetização na Idade Certa Eixo de Fortalecimento da Aprendizagem • Os resultados dos estudantes com deficiência, que participaram da entrevista, deverão constar nos instrumentos de coleta dos resultados no campo Pessoa com Deficiência (PcD),mas também dentro da hipótese de escrita onde cada um se encontra. Recomendações para a sondagem • As hipóteses de escrita dos estudantes jamais devem ser explicitadas para eles. • As escritas dos estudantes não devem ser corrigidas. • A sondagem é o momento para que escrevam, da melhor maneira possível e revelem sua compreensão sobre o SEA; • Anote no instrumental específico, a forma como cada estudante escreveu e leu a palavra ditada. Esse procedimento é importante porque garante o registro de como foi feita a leitura da palavra pelo estudante e apoia a interpretação da escrita. Como analisar as escritas dos estudantes Em busca de compreender o funcionamento do sistema alfabético de escrita, os estudantes fazem várias tentativas para construir um sistema que tenha semelhança com a escrita convencional. Nesse processo, eles assumem o lugar de protagonistas na construção do seu conhecimento sobre o que a escrita representa e como ela pode ser grafada. É preciso conhecer o que os estudantes elaboram durante esse percurso e interpretar a lógica que orienta seu pensamento, para analisar sua escrita por meio da sondagem. Programa Piauiense de Alfabetização na Idade Certa Eixo de Fortalecimento da Aprendizagem Hipóteses de escrita Hipótese de escrita Caracterização Exemplos Escreve sem estabelecer relação entre a fala e a escrita. As produções são marcadas pela não correspondência entre partes do PRÉ falado e partes do escrito, ou seja, não Pré-silábica há correspondência sonora. O uso aleatório de letras, a preferência por algumas delas (como as letras do próprio nome) e elementos gráficos como números e garatujas (aqueles rabiscos que as crianças fazem e que se distinguem dos desenhos) são outros elementos característicos dessa hipótese de escrita. Nessa fase, o estudante descobre que a quantidade de letras pode se relacionar com a quantidade de SVS- sílabas e entende que é preciso variar as letras ao escrever, tanto uma Silábica sem valor sonoro palavra quanto um conjunto delas. Nas produções, é comum a utilização de uma letra para cada sílaba. Outra marca é que o estudante não usa, necessariamente letras correspondentes para escrever as palavras. Escreve usando uma letra para representar cada sílaba que compõe a palavra. As letras que utiliza para escrever correspondem à vogal ou SCV- consoante que compõem a sílaba. Silábica Mesmo tendo correspondido uma com valor letra para cada sílaba, acrescenta sonoro outras ao final da palavra, por entender que uma palavra não pode ser escrita com menos de 3 ou 4 letras. Programa Piauiense de Alfabetização na Idade Certa Eixo de Fortalecimento da Aprendizagem O estudante não registra mais só uma letra para cada emissão de som, mas passa a colocar mais letras nos registros silábicos, às vezes usando- SAL- as de forma pertinente ou Hipótese escolhendo-as aleatoriamente. Silábico alfabético Ao ler o que produziu, é comum que o estudante se incomode com o resultado, pedindo para trocar, eliminar ou acrescentar letras. O incômodo é sinal de que ele está construindo hipóteses mais sofisticadas, aproximando sua escrita da convencional. O estudante tem consciência do sistema de escrita alfabética. Produz escrita relacionando o som a grafia,compreende que cada um dos caracteres que formam a EA- Escrita Alfabética palavra corresponde a um valor sonoro menor do que a sílaba(fonema). Escreve corretamente as palavras ou apresenta falhas na ortografia. Como pode ser feito o registro da sondagem O registro da análise das escritas deve ser feito em um instrumento que permita acompanhar o processo de aprendizagem dos estudantes a cada sondagem realizada, orientando o planejamento, as intervenções e a formação de agrupamentos produtivos. Não deve ser utilizado para classificar os estudantes em ‘fortes’, ‘médios’ e ‘fracos’, nem servir como critério para a composição das turmas. Os instrumentos devem ser organizados em um lugar de fácil acesso, como uma pasta física ou virtual, para que o professor possa consultá-los no momento do planejamento das atividades de leitura e escrita e tomar decisões sobre qual é a melhor forma de agrupar os estudantes considerando seus diferentes saberes sobre a escrita. Seguem anexos os instrumentos para o registro da análise das sondagens Programa Piauiense de Alfabetização na Idade Certa Eixo de Fortalecimento da Aprendizagem Alinhamento entre hipóstes e níveis de escrita Hipóteses de escrita Níveis de escrita Pré-silábica Nível 1 Corresponde a fase gráfica primitiva – símbolos, pseudoletras, garatujas e/ou desenhos. Nível 2 O estudante diferencia o desenho da escrita. Escreve letras e/ou números, como se soubessem escrever, sem nenhuma preocupação com as propriedades sonoras da escrita, porém consegue identificar nomes e sons de letras parcialmente. Silábica sem valor sonoro Nível 3 Caracteriza-se pela ampliação do repertório de letras e sons, percebendo que palavras diferentes são escritas com letras em ordens diferentes. O estudante usa uma letra para cada vez que pronuncia uma sílaba, porém sem relacionar a letra com o fonema (som). Em geral faz a correspondência de uma grafia para cada sílaba. Silábica com valor sonoro Nível 4 Caracteriza-se pela descoberta de que a quantidade de letras com que se escreve uma palavra corresponde à quantidade de segmentos sonoros (sílabas) que se reconhece na emissão oral. Em geral, corresponde uma grafia para cada sílaba. Silábico Alfabético Nível 5 O estudante não “escreve a palavra completamente”, ora escreve a sílaba toda, ora apenas uma letra, geralmente a vogal. Começam a descobrir que a sílaba pode ser escrita com uma, duas, três ou mais letras; que o som não garante a identidade de letras, nem a identidade de letras a de sons. Alfabético Nível 6 Caracteriza-se pela correspondência entre fonemas e grafemas. O estudante já consegue expressar graficamente o que pensa ou fala, mesmo contendo incorreções ortográficas. Compreende as regras de funcionamento do sistema de escrita alfabética, entendendo que uma sílaba pode ter uma, duas ou três letras, mas ainda pode se confundir. Programa Piauiense de Alfabetização na Idade Certa Eixo de Fortalecimento da Aprendizagem CRONOGRAMA ANUAL AVALIAÇÃO DE LEITURA E SONDAGEM DE ESCRITA - PPAIC APLICAÇÕES PÚBLICO ALVO 1ª APLICAÇÃO Estudantes do 1º e 2º ano Ensino Fundamental 2ª APLICAÇÃO 3ª APLICAÇÃO CRONOGRAMA MENSAL 1ª APLICAÇÃO DA AVALIAÇÃO DE LEITURA E SONDAGEM DE ESCRITA PERÍODO AÇÕES 27/02/2024 Envio do material para aplicação 04/03 à 05/04/2024 Aplicação da avaliação de leitura e sondagem de escrita nas escolas 08/04 à 12/04/2024 Consolidação dos dados - Municipal 15 à 19/04/2024 Consolidação dos dados - Regional 22 a 26/04/2024 Consolidação dos dados - Estadual Atenção! Foi destinado um período maior para aplicação da Avaliação de Leitura e Sondagem de Escrita porque elas serão realizadas dentro do mesmo espaço de tempo.Cabe à escola planejar momentos diferentes para que essas duas ações aconteçam na sala do Ciclo de Alfabetização. Programa Piauiense de Alfabetização na Idade Certa Eixo de Fortalecimento da Aprendizagem Consideração final A Sondagem de Escrita não deve ser realizada isoladamente sendo necessário avaliar também a leitura e a produção textual. É um instrumento para acompanhar o desenvolvimento dos estudantes com relação à compreensão do funcionamento alfabético de escrita, de acordo com as habilidades da BNCC. Programa Piauiense de Alfabetização na Idade Certa Eixo de Fortalecimento da Aprendizagem Referências bibliográficas FERREIRO, Emilia. Alfabetização em processo. Tradução Maria Antônia Cruz Costa Magalhães, Marisa do Nascimento Paro e Sara Cunha Lima. 3. ed. São Paulo: Cortez/Autores Associados, 1987. FERREIRO, Emilia; TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da língua escrita. Tradução Diana Myriam Lichtenstein, Liana Di Marco e Mário Corso. Porto Alegre: Artmed, 1985a. NEGRÃO,Póvoa Mara e DUTOIT,Rosana.Gestos que alfabetizam. Instituto Gesto São paulo,2023. MORAIS, Artur Gomes de. Se a escrita alfabética é um sistema notacional (e não um código), que implicações isso tem para a alfabetização? In: MORAIS, Artur Gomes de; ALBUQUERQUE, Eliana Borges C. de; LEAL, Telma Ferraz (Org.). Alfabetização: apropria- ção do sistema de escrita alfabética. Belo Horizonte: Autêntica, 2005. In: Revista Nova Escola. Rio de. Janeiro:Sondagem de escrita.Disponível em https://mvp- diagnostico.vercel.app/sondagem/nova SOARES, Magda. Aprender a escrever, ensinar a escrever. In: ZACCUR, Edwiges (Org.). A magia da linguagem. Rio de Janeiro: DP & A/SEPE, 1999. WEISZ, T. A aprendizagem do sistema de escrita: questões teóricas e didáticas in: MORTATTI, Maria do Rosário Longo; FRADE, Isabel Cristina Alves da Silva (orgs.). Alfabetização e seus sentidos: o que sabemos, fazemos e que- remos. Marília: Oficina Universitária; São Paulo: Editora Unesp, 2014. WEISZ, Telma. Prefácio. In: FERREIRO, Emilia. Reflexões sobre alfabetização. 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