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Resumo de Citologia Ginecológica e os Diferentes Métodos de Detecção de Anormalidades Celulares Endocervicais Profa. Dra. Daniela B. Vidotti Justificativa O câncer do colo do útero é o terceiro tipo de câncer mais frequente entre as mulheres, com aproximadamente 570 mil casos novos por ano no mundo (17.000 só no Brasil) No Brasil, ocupa o terceiro lugar entre as mulheres, com expectativa de aproximadamente 6.000 mortes em 2023 Na América Latina, a incidência do câncer do colo do útero é considerada uma das maiores do mundo correspondendo a até 25% de todos os tipos de câncer em mulheres Para combater o câncer de colo uterino... Sistema Único de Saúde (SUS) concentrou esforços na prevenção secundária, com o rastreamento por meio do exame Papanicolau colhido através do Método de Citologia Convencional (CC) na população feminina sexualmente ativa A recomendação seguida pelo Ministério da Saúde (1988) é da Organização Mundial da Saúde (OMS), que propõe: realização do exame a cada três anos (mulheres de 25 a 64 anos ou antes desta faixa etária, caso já tenha iniciado a atividade sexual, e após dois acompanhamentos anuais negativos (Instituto Nacional de Câncer, 2016) Exame de Papanicolaou colhido através do Método de Citologia Convencional (CC) Técnica consiste na avaliação morfológica das células de esfregaços obtidos do colo uterino A classificação de Bethesda, assim como a Nomenclatura Brasileira de Laudos de Exames Citopatológicos, classificam as células anormais em lesões intraepiteliais de baixo grau (LSIL), e lesões intraepiteliais de alto grau (HSIL) As lesões de baixo grau usualmente estão relacionadas a replicação ativa do HPV, enquanto as lesões de alto grau incluem a transformação celular, caracterizada principalmente por alterações nucleares A metodologia tem grande especificidade para detecção de lesões precursoras o, porém sua sensibilidade é limitada pela variabilidade de interpretação do método Problema contornado parcialmente pela realização de testes repetidos frequentemente Citologia Convencional (CC) A citologia oncótica convencional (CC) é um método de fácil aplicabilidade e baixo custo Falhas: * Sensibilidade Amplamente Variável - 30 a 87% * Cerca de 8% dos testes não podem ser interpretados por problemas na coleta ou preparo da amostra Citologia Convencional (CC) A técnica da coleta consiste na amostragem da JEC, realizada com a espátula de Ayre, em um giro de 360°, e na amostragem da endocérvice realizada com a escova endocervical em um giro de 180°. As amostras devem ser depositadas em camada fina, em uma lâmina de vidro, previamente identificada, e imediatamente fixadas com spray (solução de propilenoglicol e álcool absoluto) ou em álcool 95% A coloração de Papanicolaou é a mais usada e preferida pela maioria dos serviços por possibilitar melhor definição nuclear, transparência citoplasmática e diferenciação entre os vários tipos de células Visando minimizar os resultados falso-negativos devido à falha da coleta foi introduzida a técnica da citologia em base líquida A obtenção das amostras cérvico-vaginais é semelhante à convencional, mas o material é colocado diretamente em um meio fixador a base de metanol Usando este método, evita-se o ressecamento celular, reduz-se a quantidade de hemácias, células inflamatórias e muco, otimizando a leitura, o que diminui a taxa de exames insatisfatórios em relação ao teste de Papanicolaou convencional O método de Citologia em Meio Líquido (CML), aprovado para uso clínico desde 1996, veio aperfeiçoar a coleta de material de colo de útero para o exame citopatológico, o pode trazer benefícios em termos de diminuição de amostras insatisfatórias Citologia em Meio Líquido (CML) A técnica se baseia na obtenção de uma lâmina com fundo mais limpo, sem superposição de células e obscurecimento de outros elementos, através de um sistema que retém apenas células epiteliais, removendo elementos como sangue ou muco, e resultando em uma citologia em monocamada ou em camada fina Características da CML Método de processamento em base líquida, processado de forma não-automatizada Pode ser aplicado a amostras cervicais e a líquidos como urina, líquido cefalorraquidiano, e outros A totalidade do material obtido é colocado no tubo com preservativo líquido e o material pode ser encaminhado para a biologia molecular O kit inclui também líquido de limpeza e líquido para adesivar as células à lâmina Sobre o Câncer de Colo de Utero... • O estágio inicial é usualmente assintomático • A primeira manifestação clínica frequentemente vem na forma de sangramento vaginal, dispareunia e corrimento • O surgimento de dor pélvica ou lombar normalmente sinaliza a presença de doença avançada • Em casos extremos, ocorre invasão e obstrução de estruturas adjacentes, podendo causar hematúria, hidronefrose, e obstrução intestinal Avaliação diagnóstica O câncer pode se apresentar como uma ulceração superficial, um tumor exofítico na exocérvice, ou uma lesão infiltrativa na endocérvice. No entanto, cerca de 15% das lesões não são visualizadas por se encontrarem na endocérvice Em casos de lesão visível e invasiva, o diagnóstico se dá pela biópsia direta Em mulheres sem lesões aparentes e com exame de citologia oncótica alterada, a indicação é de colposcopia com biópsia colpodirigida Cancer de Colo de Utero e HPV A carcinogênese cervical é um processo contínuo e gradual iniciando-se a partir de lesões pré-neoplásicas, que são Lesão Intraepitelial de Baixo Grau e Lesão Intraepitelial de Alto Grau Estas lesões normalmente progridem lentamente durante um período de 10 a 20 anos, antes de atingir o estágio invasor da doença, quando a cura se torna mais difícil História natural da infecção pelo HPV A história natural do câncer cervical tem início com a infecção do epitélio metaplásico da zona de transformação por um ou mais tipos de HPV oncogênico Persistência viral sob ação de CO-FATORES tem papel preponderante no desfecho da infecção Dentre os co-fatores: tabagismo, múltiplos parceiros sexuais, parceiros promíscuos, iniciação sexual precoce e coinfecção por agentes infecciosos como Chlamydia trachomatis e o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) Outros fatores: predisposição genética, a frequência de reinfecção variação genética intratípica do HPV, infecções múltiplas com diferentes tipos do vírus Formas de apresentação da infecção pelo HPV : clínica, subclinica e latente Apesar das infecções subclínicas e clínicas não produzirem sintomas, podem ser diagnosticadas rotineiramente através de exames não moleculares, que detectam alterações epiteliais induzidas pelo vírus, como a citologia, colposcopia e histopatologia As infecções cervicais latentes causadas pelo HPV permanecem assintomáticas e só podem ser detectadas por técnicas de biologia molecular Citologia Convencional X Citologia em Meio Líquido leitura da lâmina deve ser feita por profissional bem treinado capaz de identificar anormalidades citológicas, muitas vezes sutis mas, suficientes para rastrear uma mulher com potencial para desenvolver o câncer cervical laudos são emitidos de acordo com o Sistema de Nomenclatura de Bethesda - Nomenclatura Brasileira detecção de ASC-H, atipias de células glandulares (ACG), ou de células compatíveis com lesões intraepiteliais de alto grau no exame citológico, são indicações para realização de colposcopia, com biópsia de lesões se encontradas exame histopatológico é utilizado para confirmação do resultado da citologia, sendo ainda considerado por muitos autores como o gold-standard em relação a este, à colposcopia e aos métodos moleculares O que se avalia na lâmina... ... grau de diferenciação do epitélio, a relação núcleo- citoplasma, a maturação celular e análise nuclear (irregularidade da membrana, hipercromasia e atividade mitótica). MétodosNão-Moleculares X Métodos Moleculares Métodos não moleculares Citologia Colposcopia Histopatologia Métodos moleculares PCR Captura Hibrida tipo 2 Métodos moleculares O avanço das técnicas de biologia molecular permitiu o conhecimento dos genomas de muitos tipos de HPV (melhores reagentes - primers e sondas, para a detecção destes) Os testes de biologia molecular para detecção do HPV mais utilizados são a PCR e a Captura Híbrida PCR – Reação de Polimerase em Cadeia A PCR é uma técnica de biologia molecular que permite a geração de um milhão de cópias a partir de uma única molécula de DNA de fita dupla após 30 ciclos de amplificação A utilização da PCR como metodologia no diagnóstico do HPV tem se mostrado a mais sensível na identificação do DNA viral Sobre o PCR... A detecção do DNA do HPV por esta técnica é importante, por ser imprescindível determinar o genótipo de HPV presente em materiais clínicos provenientes das mucosas genitais a fim de verificar se é de alto ou baixo risco para o desenvolvimento das neoplasias cervicais, o que auxilia na condução de um tratamento mais apropriado Sensibilidade da PCR em torno de 98% Captura Hibrida Captura Hibrida (CH) é um teste qualitativo e quantitativo baseado na hibridização de sondas de RNA de 18 tipos de HPV com o tipo do vírus presente na amostra. Os híbridos formados são detectados através de reação enzima-substrato e a leitura é feita por quimioluminescência. Consiste de cinco procedimentos básicos: desnaturação, hibridização, captura dos híbridos, reação dos híbridos com o conjugado e detecção dos híbridos por quimioluminescência. O ensaio não é capaz de determinar o tipo específico de HPV e sim identificar dois grupos: de baixo e alto risco oncogênico alta sensibilidade aprovado pela ANVISA e FDA Realizado em quatro horas, permite a liberação dos laudos no mesmo dia com resultados consistentes, o que agiliza a conduta terapêutica Vacinas Novas perspectivas surgem com a prevenção primária através da vacinação contra o HPV Estão registradas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA/MS), no Brasil: 1. Vacina bivalente (Cervarix®), que confere proteção contra os subtipos oncogênicos mais prevalentes (16 e 18), recomendada para mulheres de 10 a 25 anos; 2. Vacina quadrivalente (Gardasil®), que, além dos subtipos oncogênicos (16 e 18), confere também proteção contra os subtipos mais frequentemente associados a lesões condilomatosas genitais (6 e 11), sendo recomendada para mulheres de 9 a 26 anos Tratamento A cirurgia de alta frequência (CAF) é o tratamento de primeira escolha para as Lesões Intra Epitelial de Alto Grau Conização clássica com bisturi Conização por eletrocirurgia Conização à Laser Cirurgia definitiva Seguimento das pacientes após tratamento de lesões precursoras Bibliografia