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Momento de Inércia para corpos em rotação (distribuição de massa) Apresentação O momento de inércia é uma característica associada à rotação de um corpo em torno de um eixo. Imagine uma bailarina ou patinadora girando em torno do próprio eixo: ao movimentar os braços enquanto gira, ela irá mudar as propriedades do seu movimento. Da mesma forma, alterando o eixo em relação ao qual o corpo gira, seu momento de inércia será alterado por consequência. Nesta Unidade de Aprendizagem, vamos descrever um corpo rígido em rotação e conheceremos o significado do momento de inércia neste contexto, além das diferentes maneiras de calculá-lo. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar as características do momento de inércia de uma determinada superfície.• Expressar as funções que definem o momento de inércia de diversas formas geométricas que giram em torno do seu centro de massa. • Aplicar o teorema de eixos paralelos no caso de um eixo de rotação que não passa pelo centro de massa do corpo. • Desafio Em um centro de distribuição, os produtos são transportados por uma esteira e separados por sua massa. Os de menor massa seguem pelo caminho da esquerda e os de maior pela direita. A separação é feita por uma barra que gira em torno de um eixo na sua extremidade, abrindo e fechando um dos caminhos após a leitura do código. Portanto, determine o momento de inércia dessa barra fina de massa M e comprimento L, que gira em torno de um eixo localizado na extremidade, como mostra a figura. Infográfico Consulte no infográfico a seguir alguns resultados para o momento de inércia de corpos rígidos de formas diversas. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/de31ef00-da4d-4768-b48d-8e8d455d711e/c481cf88-dfb0-417e-8351-fc7251b96ff6.jpg Conteúdo do livro O capítulo Momento de inércia para corpos em rotação, do livro Física: Energia, aborda os conceitos de corpo rídigo e momento de inércia exemplificando as diferentes maneiras de calculá-lo, considerando as densidades volumétrica, superficial e linear. Boa leitura! FÍSICA ENERGIA Ricardo Lauxen Momento de inércia para corpos em rotação Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Identificar características do momento de inércia de uma determinada superfície. � Expressar as funções que definem o momento de inércia de diversas formas geométricas que giram em torno do seu centro de massa. � Aplicar o teorema de eixos paralelos no caso de um eixo de rotação que não passa pelo centro de massa do corpo. Introdução Neste capítulo, prosseguindo no estudo de rotações, aprenderemos a descrever um corpo rígido em rotação. Nesse contexto, surgirá o mo- mento de inércia, sobre o qual aprenderemos o significado e as diferentes maneiras de calculá-lo. Momento de inércia A descrição de um corpo de n partículas pode ser uma tarefa difícil. A posição de cada uma das partículas possui três coordenadas, de modo que, para o sistema todo, teremos 3n coordenadas para trabalhar. Cada coordenada cor- responde a uma maneira distinta de mover o sistema, e a isso damos o nome grau de liberdade. Assim o nosso sistema de n partículas possui 3n graus de liberdade. Embora isso seja verdade, as partículas do sistema podem estar vinculadas entre si, o que diminui o número de graus de liberdade do sistema. O corpo rígido vinculado idealizado será utilizado ao longo deste capítulo. O corpo rígido é, por definição, indeformável. Isso só é possível se, e somente se, a distância entre duas partículas quaisquer do corpo rígido não mudar ao longo do tempo. Como cada partícula do corpo rígido se move com velocidade linear de módulo υi, podemos determinar a energia cinética do corpo rígido em rotação. Como o corpo é um sistema de n partículas, temos: Como o sistema está girando em torno de um eixo e todas as partículas giram com a mesma velocidade angular, ω, podemos utilizar υi = ωri para determinar a energia cinética do corpo, dada por: Analisando essa equação e comparando com a energia cinética, K = ½mυ2, podemos ver que o termo entre parênteses faz o papel análogo ao da massa na translação. Entretanto, essa é uma propriedade do corpo associada ao eixo de rotação. Desse modo, ela recebe o nome de momento de inércia ou inércia rotacional e é denotada por I, de modo que a equação (2) pode ser reescrita como: K = ½Iω2 (3) Cálculo de momento de inércia O momento de inércia de um corpo é uma propriedade fixa do corpo em relação ao eixo de rotação. Ele desempenha um papel análogo ao da massa na translação, mas recebe uma notação específica: I ≡ momento de inércia Momento de inércia para corpos em rotação2 Se o corpo é composto de poucas partículas, podemos determinar o seu momento de inércia utilizando: em que n é o número de partículas. Caso n seja muito grande, de partículas próximas umas das outras, a maneira apropriada de realizar a conta é integrando sobre os elementos de massa do corpo: O elemento de massa pode ser obtido a partir da densidade do corpo rígido. A partir da densidade volumétrica: dm = λdV (6) ou da densidade superficial: dm = σdA (7) ou, ainda, da densidade linear: dm = ρdx (8) Utilizamos cada uma das expressões de acordo com o corpo rígido. Por exemplo, para uma esfera maciça, utilizamos (6); para uma placa fina; uti- lizamos (7); por fim, para uma barra fina, utilizamos (8). O resultado dessa integração para uma série de corpos rígidos girando em torno de algum eixo é mostrado na Figura 1. 3Momento de inércia para corpos em rotação Figura 1. Alguns resultados para o momento de inércia de alguns corpos em relação a determinados eixos. Fonte: Adaptado de Halliday, Resnick e Walker (2016). Entretanto, existem maneiras de evitar a integração em alguns casos. Se queremos calcular o momento de inércia de um corpo em relação a um dado eixo e já conhecemos o momento de inércia, ICM, do corpo em relação a um eixo paralelo, podemos utilizar o teorema dos eixos paralelos: I = ICM + Mh2 (9) Em que podemos dizer que h é a distância perpendicular entre o eixo dado e o eixo que passa pelo centro de massa. Momento de inércia para corpos em rotação4 Exemplo 1. Sistema de duas partículas. A) Qual é o momento de inércia de um corpo rígido ICM composto por duas partículas em um eixo passando pelo centro de massa do corpo? B) Qual é o momento de inércia em relação a um eixo que passa pela extremidade esquerda da barra e paralelo ao primeiro eixo, como mostrado na figura abaixo, que mostra o corpo rígido em rotação em torno de dois eixos paralelos? Fonte: Adaptado de Halliday, Resnick e Walker (2016). A) Como temos apenas duas partículas no corpo rígido, podemos calcular o mo- mento de inércia em relação ao eixo que passa no centro de massa do corpo usando a equação (1). Para n = 2, temos B) Utilizando o teorema dos eixos paralelos, com h = L/2 e massa do corpo rígido M = 2m, temos: 5Momento de inércia para corpos em rotação Exemplo 2. Barra fina. Veja a figura a seguir. Calcule o momento de inércia de uma barra em relação a um eixo perpendicular a ela que passa pelo seu centro. A Figura (A) mostra a barra cujo momento de inércia queremos calcular. Em (B), temos o posicionamento das extre- midades ao longo do eixo x. a b Fonte: Adaptado de Halliday, Resnick e Walker (2016). A barra é um sistema com um número muito grande de partículas, de modo que precisaremos utilizar a integração para calcular o seu centro de massa. Tomando o centro da barra como a origem do eixo de coordendas x, podemos definir que o tamanho a barra vai de xi = −L/2 até xi = L/2. O elemento de massa pode ser obtido a partir da densidade linear, com λ = M/L: Assim, a integração que deve ser realizada é: Momento de inércia para corpos em rotação6 7Momentode inércia para corpos em rotação HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de física: mecânica. 10. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2016. Leituras recomendadas CHAVES, A.; SAMPAIO, J. F. Física básica: mecânica. Rio de Janeiro: LTC, 2011. HEWITT, P. G. Física conceitual. 12. ed. Porto Alegre: Bookman, 2015. NUSSENZVEIG, M. H. Curso de física básica 1: mecânica. 4. ed. São Paulo: Blucher, 2002. TIPLER, P. A.; MOSCA, G. Física para cientistas e engenheiros: mecânica. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017. Dica do professor Veja na Dica do Professor o conceito de corpo rígido e o teorema dos eixos paralelos. Confira também como calcular o momento de inércia no exemplo ilustrado. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/90c6130b0e225b0e95512b950e741e1a Exercícios 1) Supondo que dois corpos maciços esféricos A e B, considere que a massa de A é igual a massa de B, estão em rotação em torno de um eixo que passa, na vertical, pelo seu centro de massa, a relação entre o raio do corpo A e o raio do corpo B é: Selecione a alternativa correta referente à relação entre seus momentos de inércia. A) B) C) D) E) 2) Tratando a Terra como um corpo rígido esférico, com massa mTerra = 5,98 X 1024 kg e raio rTerra = 6,32 X 106 m, determine o momento de inércia em torno de um eixo que passa pelo seu centro de massa. A) 9,55 X 1037kg.m2 B) 1,51 X 1031kg.m2 C) 2,39 X 1038kg.m2 D) 3,78 X 1031kg.m2 E) 4,82 X 1031kg.m2 Uma esfera oca de 4 kg, com raio de 13 cm, gira em torno de um eixo que passa pelo seu centro de massa com velocidade angular ω=2 rev/s. Determine a energia cinética dessa 3) esfera. A) 0,4 J B) 0,134 J C) 3,1 J D) 3,6 J E) 1,5 J 4) Dois discos homogêneos de massas iguais a 2 kg giram em torno dos respectivos eixos centrais (longitudinais) com uma velocidade angular de 120 rad/s. O raio do cilindro menor é 0,3 m. Se o cilindro maior tem o triplo do raio do cilindro menor, a energia cinética de rotação dos cilindros maior e menor são respectivamente: A) 648 J e 648 J B) 5832 J e 324 J C) 11664 J e 648 J D) 11624 J e 5832 J E) 5832 J e 648 J 5) Um disco gira em torno de um eixo perpendicular à face que está a 15 cm do seu centro. O eixo que o disco gira é paralelo ao eixo de rotação que passa pelo centro do disco. Sabendo que ICM = 0,050 kg · m2 e Idisco = 0,150 kg · m2. Qual é a massa do disco? A) 44,4 kg B) 22,5 kg C) 2,25 kg D) 0,225 kg E) 4,44 kg Na prática O volante do motor, ou volante de inércia, é um disco que gira em torno de um eixo e é capaz de armazenar energia cinética, liberando-a quando necessário. Ele ajuda a controlar a variação de velocidade e rotação de um motor. Em um carro, ele é acoplado ao virabrequim. Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Veja mais sobre o Teorema de Steiner ou Teorema dos eixos paralelos: Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Saiba mais sobre a energia cinética na rotação e o momento de inércia: Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Veja como calcular o momento de inércia para uma barra fina: Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://www.youtube.com/embed/tUTGTLWEVLw https://www.youtube.com/embed/Xg2T6KAC7zI https://www.youtube.com/embed/pGIplE-2d9w