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Relações de trabalho Profa. Julia Rodrigues Descrição O trabalho como categoria social, as características do trabalho assalariado, as cooperativas, a precarização da vida do trabalhador, o socialismo e o trabalho associado. Propósito Conhecer a relação entre trabalho e remuneração e analisar as diferentes formas de organização do trabalho contribuirá para elaborar opiniões, tomar posicionamentos e fazer escolhas firmes e seguras dentro do mundo do trabalho. Preparação Antes de iniciar os estudos, tenha em mãos um bom dicionário de Teoria Política ou mesmo de Filosofia. Sugerimos o Dicionário de Política, de Bobbio, Matteucci e Pasquino, e o Dicionário de Filosofia, de Abbagnano, ambos disponíveis virtualmente. Objetivos 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 1/61 Módulo 1 As leis do trabalho e a Reforma Trabalhista Descrever a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e a Reforma Trabalhista. Módulo 2 O trabalho e o capitalismo Identificar as transformações do mundo do trabalho com as modificações da dinâmica do capitalismo e seus impactos na organização social. Módulo 3 O trabalho assalariado Distinguir o trabalho assalariado das formas associadas de trabalho, conhecendo suas especificidades e como interferem na organização dos trabalhadores e das empresas. Introdução A Constituição da República Federativa do Brasil (1988) indica, no seu art. 6º, entre outras coisas, que o trabalho é um dos direitos sociais do brasileiro e a maioria das pessoas – homens, mulheres e até mesmo crianças – passa parte de seus dias, e até mesmo da vida, trabalhando. Mas o que é trabalho? Quais legislações protegem os trabalhadores? Com este conteúdo, você poderá responder a 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 2/61 essas perguntas e conhecer melhor outros aspectos do trabalho e o papel dele na organização social. 1 - As leis do trabalho e a Reforma Trabalhista Ao �nal deste módulo, você será capaz de descrever a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e a Reforma Trabalhista. Ligando os pontos Você tem conhecimento dos principais aspectos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e da Reforma Trabalhista, baseada na Lei nº 13.467/2017? É capaz de refletir sobre eles em contextos específicos à luz desses dispositivos legais? Para entender melhor esses aspectos, vamos analisar um caso prático. Pedro Paulo da Silva foi contratado pela empresa Lex Automóveis e Peças Indústria S.A. após alguns anos desempregado. Ele foi admitido em 01/02/2021 para exercer a função de mecânico de manutenção II, na qual permanece desde o início da vigência de seu contrato de trabalho até o presente momento. Pedro Paulo sabe que o trabalhador adquire o direito a 30 dias de férias após cada período de 12 meses (período aquisitivo) de vigência do contrato de trabalho. Na empresa, suas férias foram fracionadas em três períodos, com sua total anuência. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 3/61 Nos contratos de trabalho anteriores de Pedro Paulo, o intervalo intrajornada era de 1 hora, mas na Lex Automóveis e Peças Indústria S.A., este intervalo é de apenas 30 minutos, acordado em norma coletiva. Essa redução autorizada em norma coletiva originou-se de pleito da própria categoria profissional, com a finalidade de proporcionar maior comodidade aos trabalhadores em decorrência de peculiaridades da localização da empresa. Os empregados contam com refeitório organizado e devidamente equipado no local de trabalho. A Lex Automóveis e Peças Indústria S.A. está localizada em uma área rural de difícil acesso e não é servida por transporte público regular, razão pela qual Pedro Paulo utiliza o transporte fornecido pela própria empresa. O tempo despendido pelo empregado até o local de trabalho, bem como o tempo para o seu retorno não são computados na jornada de trabalho. Como Pedro Paulo já havia trabalhado em outras empresas antes da Lei nº 13.467/2017, conhecida como Reforma Trabalhista e que entrou em vigor em 11/11/2017, ele teve algumas dúvidas sobre seu atual contrato de trabalho. Para compreender algumas alterações introduzidas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) pela Lei nº 13.467/2017, o empregado buscou assessoria jurídica especializada em direito do trabalho prestada pelo sindicato de sua categoria profissional. Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? Questão 1 Como você viu, por ficar alguns anos desempregado, o funcionário Pedro Paulo da Silva, contratado pela empresa Lex Automóveis e Peças Indústria S.A., teve algumas dúvidas sobre seu contrato de trabalho mais recente. Por isso, buscou ajuda de uma assessoria jurídica junto ao sindicato que atende sua categoria profissional. Imagine que você faça parte dessa assessoria jurídica e precise auxiliar Pedro Paulo a sanar suas dúvidas. Uma delas refere-se a seu período de férias. O que responderia a ele sobre esse período? As férias podem ser usufruídas de forma fracionada, com a concordância do empregado, após a entrada em vigor da Lei nº 13.467/2017? A Não. As férias devem ser usufruídas em um só período de 30 dias. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 4/61 Parabéns! A alternativa E está correta. Antes de 2017, a CLT exigia que as férias fossem usufruídas em um só período de 30 dias. Com a entrada em vigor da Lei nº 13.467/2017 (Reforma Trabalhista), as férias podem ser fracionadas em até três períodos, desde que haja concordância do empregado e desde que um destes períodos não seja inferior a 14 dias corridos, e os demais não sejam inferiores a cinco dias corridos cada um, conforme o artigo 134, § 1º, da CLT. Questão 2 (Adaptado de VUNESP – 2021) Pedro Paulo também levantou dúvidas sobre o fato de ter apenas 30 minutos de intervalo intrajornada na Lex Automóveis e Peças Indústria S.A., uma vez que, em empregos anteriores, ele dispunha de 1 hora. Como seu assessor jurídico, acerca das alterações sobre o intervalo intrajornada introduzidas pela Lei nº 13.467/2017, você afirmou que B Não. As férias devem ser usufruídas no período determinado pelo sindicato. C Sim. As férias devem ser divididas em períodos iguais de 10 dias corridos. D Sim. As férias podem ser fracionadas em diversos períodos, desde que um deles não seja inferior a 10 dias corridos, e os demais não sejam inferiores a cinco dias corridos cada um. E Sim. As férias podem ser fracionadas em até três períodos, desde que um deles não seja ser inferior a 14 dias corridos, e os demais não sejam inferiores a cinco dias corridos cada um. A o intervalo não poderá ser modificado por acordo ou contrato coletivo. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 5/61 Parabéns! A alternativa C está correta. Após a promulgação da Lei nº 13.467/2017, a parcela decorrente da concessão parcial do intervalo intrajornada tem natureza indenizatória e, assim, não é mais tratada como horas extras. O artigo 71, § 4°, da CLT é expresso ao afirmar que “a não concessão ou a concessão parcial do intervalo intrajornada mínimo, para repouso e alimentação, a empregados urbanos e rurais, implica o pagamento, de natureza indenizatória, apenas do período suprimido, com acréscimo de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho”. Questão 3 Para finalizar sua assessoria jurídica a Pedro Paulo, responda: o empregado poderá pleitear na jornada de trabalho junto a Lex Automóveis e Peças Indústria S.A. o cômputo do tempo despendido até o local de trabalho e seu retorno em transporte fornecido pela empresa? Justifique sua resposta.de meio, instrumento ou bem que ocupe esse lugar. A lei também estabelece o direito a receber um salário adicional a cada ano: o décimo terceiro salário é uma gratificação equivalente a um salário mensal, pago em até duas prestações. A Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, portanto, garante um salário mínimo nacional que atenda às necessidades 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 48/61 básicas de vida dos trabalhadores e suas famílias, com reajustes periódicos para manter o poder de compra das pessoas. A Lei nº 13.467/2017, conhecida como Reforma Trabalhista, criou inúmeras mudanças para a CLT. No que se refere ao salário mínimo, a reforma abre a possibilidade de um trabalhador receber menos que o salário mínimo, mas isso só pode acontecer se o empregado trabalhar menos de oito horas diárias. A Reforma Trabalhista trouxe também uma mudança para a composição do salário. Anteriormente, o art. 457 da CLT determinava que gratificações, percentuais, diárias e outras formas de remuneração variável e acessória integravam o salário. Agora, estabelece que essas remunerações acessórias e variáveis não compõem salário e, por isso, são excluídas do montante sobre o qual incidem os tributos e as contribuições previdenciárias. Segundo a CLT, o vínculo empregatício é caracterizado no contrato de trabalho por quatro condições: Pessoalidade O contrato é individual e intransferível, sem possibilidade de o contratado colocar eventualmente, ou de modo permanente, um substituto em seu lugar. Subordinação O contratado é subordinado ao contratante, dentro dos limites da lei e no período de trabalho, ou seja, está a serviço do contratante, ao dispor dele. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 49/61 O trabalho assalariado, próprio do vínculo empregatício, induz à competição entre a classe trabalhadora frente ao mercado de trabalho (contratantes), levando os trabalhadores desempregados a se qualificar, capacitar e “reciclar” (termo que revela o caráter coisificado dos trabalhadores no modo capitalista de produção) para que possam competir na venda de sua força de trabalho nos processos seletivos (cada dia mais individualizados), bem como leva os trabalhadores empregados a competir com os colegas e intensificar seu trabalho, trabalhando além do período contratado (muitas vezes em casa, sem horas extras remuneradas) etc., tão somente pela sua manutenção na empresa contratante. Flexibilização e precarização Nas últimas décadas, o mundo do trabalho tem enfrentado diversas crises que levaram a novas formas de relações de trabalho e, consequentemente, de remuneração. Na maioria das vezes, o sistema capitalista enxerga no salário do trabalhador o motivo das crises e busca formas de resolver a situação para que garanta seus lucros. Quase sempre o incentivo à flexibilização do trabalho é uma maneira de Habitualidade No período do contrato, o vínculo de trabalho é permanente, não eventual, com frequência previamente determinada no contrato. Onerosidade Indica que o contratante deve remunerar o contratado pelo serviço prestado. Ou seja, é empregada aquela pessoa (física) que se submete a trabalhar como subordinado para alguém (pessoa física ou jurídica) em troca de salário fixo, com frequência predefinida e que trabalha de maneira contínua, não eventual. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 50/61 as empresas enfrentarem a competitividade numa economia internacionalizada, em que a palavra de ordem é a redução de custos. Atenção! O capital, normalmente, vai em busca de regiões periféricas do planeta onde os mercados estão desregulados, com baixos encargos sociais e mão de obra barata, levando a um enxugamento de despesas, como se observa em países da Ásia, como China e Índia, e países da América do Sul. Com a flexibilização, as grandes empresas concentram suas atividades no produto principal e terceirizam as atividades consideradas secundárias, subcontratando empresas. Uma empresa de refrigerantes, por exemplo, dedica-se apenas à produção da bebida, enquanto a fabricação de vasilhames (garrafas e latas) e a distribuição ao consumidor são terceirizadas. Outra forma de trabalho terceirizado são as cooperativas de trabalho que surgem de modo induzido e supervisionado pelas empresas, instituindo o trabalho do tipo “associado”, caracterizado pela inexistência dos direitos trabalhistas. Mesmo a empresa “supervisora” não detém responsabilidade sobre a mão de obra. O trabalho associado em cooperativas, não raro, visa diminuir os gastos com a gestão da força de trabalho, mantendo, contudo, o controle da produção. No Brasil, as cooperativas ganharam força a partir das políticas neoliberais implantadas no governo Fernando Collor, no início dos anos 1990, e levadas adiante no governo Fernando Henrique Cardoso, com a privatização de empresas estatais, a reestruturação empresarial provocada pela abertura do mercado nacional a produtos importados, o aumento da competitividade, o estabelecimento de políticas de demissão voluntária de empregados e as demissões decorrentes da eliminação de postos de trabalho e da busca de enxugamento de custos. O ideal da cooperativa encarna a flexibilidade das relações de trabalho evidenciada pela ausência de contratos e pela responsabilização do trabalhador. Sem salário fixo, em tese o trabalhador se envolveria mais no trabalho, como maneira de garantir melhores ganhos. Contudo, o próprio Estado é falho no acompanhamento das cooperativas. A inexistência da fiscalização do governo e o fim de incentivos fiscais e de políticas estatais para as cooperativas progressivamente reduziram os atrativos dessa forma de organização do trabalho para as empresas. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 51/61 Comentário A organização em cooperativas não está limitada ao setor fabril ou agrícola, onde é mais comum, mas alcança outros setores, inclusive de trabalhadores qualificados, como é o caso de cooperativas de médicos e de professores. Especificamente neste último grupo, detentor de baixos salários, tanto na iniciativa privada quanto na rede pública, quando esses profissionais integram cooperativas, chegam a ganhar três vezes mais por hora/aula, renunciando, porém, a todos os direitos trabalhistas. No entanto, há formas de trabalho associado em cooperativas ou empresas denominadas de autogestionárias, aquelas organizadas e/ou assessoradas por organizações não governamentais (ONGs) e sindicatos a partir da ocupação de fábricas em situação de falência onde os trabalhadores assumem o comando. Nesse tipo de atividade, os trabalhadores precisam participar ativamente da gestão da empresa, tornando-se uma possibilidade diante do iminente desemprego motivado pela falência, mas também se constituindo uma alternativa ao capitalismo ao reconstruir ideais do socialismo utópico. A importância das cooperativas Confira neste vídeo as dificuldades e possibilidades das cooperativas no âmbito da realidade brasileira. Socialismo e cooperativismo Foi a partir das transformações econômicas e sociais impostas pela Revolução Industrial nos séculos XVIII e XIX, especialmente sobre o trabalhador das indústrias e os mineradores, que os primeiros socialistas desenvolveram o conceito de cooperativismo como “um ideal alternativo ao individualismo (o cooperativismo) e uma organização alternativa à empresa capitalista (a cooperativa)” (COSTA 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 52/61 apud PINHO, 1966). Esses pioneiros do socialismo, também chamados de socialistas utópicos, reivindicavamuma sociedade igualitária entre os indivíduos, embora concebessem que a mesma sociedade poderia conservar diferenças na esfera econômica. Robert Owen, 1834. Membro da burguesia inglesa, Robert Owen, era dono de uma indústria têxtil onde começou a aplicar algumas mudanças nas relações de trabalho: reduziu a jornada de trabalho, implantou escolas para os filhos dos trabalhadores, construiu vilas operárias e concedeu aumento de salários regularmente. Essas iniciativas o levaram ao socialismo associacionista e cooperativista que originou o cooperativismo. Nos anos de 1830, Owen utilizou a “teoria do valor do trabalho”, desenvolvida pelos pais do liberalismo, Adam Smith (1723-1790) e David Ricardo (1772-1823), que tratava do direito do trabalhador ao usufruto do seu trabalho, para criar um sistema em que cada produto tinha o seu valor definido conforme as horas de trabalho necessárias para a sua produção. O dinheiro do pagamento pelo trabalho seria substituído por vales correspondentes ao número de horas trabalhadas que poderiam ser usados entre os trabalhadores, de acordo com suas necessidades. Owen defendia a substituição da sociedade individualista por uma sociedade fundada sobre os pilares da associação, na qual a concentração de riquezas e de poder se transformasse em acesso à saúde, à educação e à moradia. Robert Owen considerava que o cooperativismo seria capaz de fazer os pobres, desempregados e miseráveis obter modos de melhorar suas vidas e conseguir se inserir na sociedade. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 53/61 Charles Fourier, 1901. O comerciante francês Charles Fourier também é considerado um teórico socialista da linha utópica. Ele criticava a sociedade industrial e defendia a criação de associações para os operários e a organização deles em cooperativas. Na sociedade idealizada por Fourier, o trabalho seria livre e os indivíduos se tornariam cooperados de maneira espontânea, porém cada um trabalharia naquilo que fosse mais satisfatório, ao mesmo tempo que ajudaria seus companheiros de trabalho a também satisfazer suas necessidades. Segundo Fourier, a sociedade seria regida pelos princípios da liberdade e da vida compartilhada, e todos, sem nenhuma distinção social, deveriam ter acesso à cultura, à educação e às artes. A organização dessa sociedade se daria em grupos denominados falanges, que compartilhariam o mesmo espaço de trabalho, lazer e moradia, chamados de “falanstérios”, edifícios onde os trabalhos e a convivência seriam voltados para produzir uma vida harmônica. Fourier chegou a criar vilas com essas características, mas que fracassaram em pouco tempo. Enquanto Owen e Fourier são identificados com uma visão utópica do socialismo, o filósofo Karl Marx é conhecido pela idealização de um socialismo real, também chamado de científico. Para Marx, as cooperativas seriam a oportunidade para a sociedade romper com o capitalismo a partir de uma alternativa 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 54/61 que se apresentava contrária à exclusão dos operários e da apropriação indevida de sua mão de obra excedente. Marx também é contrário à interferência do Estado no cooperativismo, com subvenções ou regulamentação, uma vez que, geridas pelos próprios operários, as cooperativas atuariam na emancipação de toda a classe operária. A partir do cooperativismo, toda a sociedade alcançaria o socialismo, ou seja, Marx entende que o cooperativismo poderia ir além do aspecto econômico, abrangendo também a política. [..] o futuro nos reserva uma vitória ainda maior da economia política dos proprietários. Referimo‐nos ao movimento cooperativo, principalmente às fábricas cooperativas levantadas pelos esforços desajudados de alguns operários audazes [...]. Pela ação, ao invés de pôr palavras, demonstra que a produção em larga escala e de acordo com os preceitos da Ciência moderna pode ser realizada sem a existência de uma classe de patrões que utiliza o trabalho da classe dos assalariados; que, para produzir, os meios de trabalho não precisam ser monopolizados, servindo como um meio de dominação e de exploração contra o próprio operário; e que, assim como o trabalho escravo, assim como o trabalho servil, o trabalho assalariado é apenas uma forma transitória e inferior, destinada a desaparecer diante do trabalho associado que cumpre a sua tarefa com gosto, entusiasmo e alegria. (MARX, 1983, n.p) Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 55/61 Questão 1 (2016 - AOCP - CISAMUSEP - PR - Adaptada) De acordo com o disposto na Consolidação das Leis do Trabalho, considera-se empregado a Parabéns! A alternativa D está correta. Para existir vínculo empregatício, é preciso haver um contrato pessoal entre patrão (empregador) e contratado, devendo este permanecer ao dispor daquele no período (horário) estabelecido em contrato. Além disso, deve haver um vínculo permanente, não eventual, que resulte na remuneração do contratado pelo serviço prestado. A pessoa jurídica que prestar serviços de natureza eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário ou outra espécie de remuneração. B pessoa física ou jurídica que prestar serviços de natureza eventual a empregador, ainda que sem dependência deste e mediante qualquer forma de remuneração. C pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, ainda que sem a dependência deste e independentemente de salário ou remuneração. D pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. E pessoa física ou jurídica que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante qualquer tipo de remuneração. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 56/61 Questão 2 A organização coletiva e a cooperação foram fundamentais desde o início da história humana, possibilitando o desenvolvimento de civilizações e a ocupação de todas as regiões da Terra. A cooperação também foi e ainda é importante na formação e estrutura das sociedades mais recentes. Com base nesse contexto, leia atentamente as afirmativas a seguir. I. O estabelecimento de relações de cooperação possibilitou, ao homem primitivo, construir e utilizar abrigos, proteger-se do ataque de predadores e obter alimentos. II. O trabalho cooperativo apresenta uma grande importância, com base na ajuda mútua e no compartilhamento de objetivos comuns, com muitos exemplos desde a Antiguidade. III. O surgimento de modos de cooperação modernos, como o cooperativismo e o associativismo, está relacionado à modernização da agricultura, na década de 1970. IV. Uma relação muito próxima pode ser identificada entre o cooperativismo e o associativismo, sendo reflexo dos princípios e dos valores comuns entre essas duas formas de organização coletiva. Das afirmativas acima, somente: Parabéns! A alternativa B está correta. A IV é falsa. B III é falsa. C II é falsa. D I é falsa. E I e III são falsas. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 57/61 O trabalho cooperativo existiu antes da institucionalização das cooperativas que, como empresas coletivas de trabalho e lucro compartilhado, surgiram como resposta às demandas do capitalismo industrial. As formas associadas de trabalho são consideradas por muitos socialistas, como Karl Marx, um dos princípios de um modo de produção justo e que oferece dignidade e solidariedade entre seus membros. Considerações �nais Vimos que o trabalho se caracterizacomo categoria eminentemente humana por se originar da criatividade que produz os bens necessários à subsistência e às suas mais variadas necessidades, tornando o homem um ser social. Por isso, apresentamos os elementos que caracterizam a realização do trabalho no âmbito social – especialmente uma legislação, que, de uma forma ou de outra, interfere em sua vida cotidiana. Entendemos, por outro lado, que o trabalho poderá se tornar fonte de alienação se, sob a exploração do capitalismo, o trabalhador não refletir sobre sua condição e gastar toda a sua vida sem se perceber como sujeito. Tal ideia, como vimos, coisifica o trabalhador, que se comporta tal qual uma máquina. As perspectivas de Weber, Marx e Durkheim sobre o trabalho, por exemplo, embora apresentem divergências de abordagens, partem do princípio de que o ser humano ocupa a centralidade no mundo profissional. Além do trabalho assalariado e da legislação trabalhista do Brasil, que rege a política salarial, estudamos ainda outras formas de trabalho: o associado e o cooperativo. Embora tenha origem no socialismo, já que está fundamentado em ideais de solidariedade e companheirismo, o trabalho cooperativo também poderá impactar o aumento da precarização da vida do trabalhador quando o capitalismo se apropriar das cooperativas como maneira de baixar seus encargos e aumentar seus lucros. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 58/61 Explore + Que tal aprender um pouco mais sobre o conteúdo com um filme bacana? Veja as dicas a seguir. A fábrica do nada Entre o ensaio e o musical, A fábrica de nada é um filme de Pedro Pinho que conta a história de um grupo de operários que tenta salvaguardar seus postos de trabalho e evitar o encerramento de uma fábrica a partir de um sistema de autogestão coletiva. Quando percebem que a administração está roubando máquinas e matérias-primas, os trabalhadores decidem se organizar para impedir o deslocamento da produção. Como forma de retaliação, enquanto ocorrem as negociações para as demissões, eles são obrigados pelos patrões a permanecer nos seus postos, sem nada que fazer. Indústria americana Primeiro filme produzido pela Higher Ground, companhia criada por Michelle e Barack Obama, é uma inversão de valores no sonho norte- americano. Por três anos (entre 2015 e 2017), os diretores Julia Reichert e Steven Bognar filmaram a reabertura da planta de uma fábrica em Ohio que havia sido fechada, em 2008, com a falência da General Motors (GM) – símbolo da cultura norte-americana. Uma empresa chinesa compra as antigas instalações da GM e inaugura uma filial da Fuyao, indústria de vidros automotivos. Nesse processo, traz centenas de funcionários chineses para “acompanhar” os trabalhadores norte- americanos, que veem seus direitos trabalhistas totalmente negados. Leia os seguintes artigos: Questão de lógica: você não teme a automação (e nem a Reforma da Previdência); você teme a inflação. Mises Brasil, de Bylund (2020). Lockdown: a nova ideologia totalitária. Mises Brasil, de Tucker (2021). Referências 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 59/61 ANTUNES, R. O privilégio da servidão: o novo proletariado de serviços na era digital. São Paulo: Boitempo, 2018. ANTUNES, R. Os sentidos do trabalho: ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho. So Paulo: Boitempo, 2000. BRASIL. Decreto-Lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. BRASIL. Lei n. 13.467, de 13 de julho de 2017. Altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943, e as Leis n. 6.019, de 3 de janeiro de 1974, 8.036, de 11 de maio de 1990, e 8.212, de 24 de julho de 1991, a fim de adequar a legislação às novas relações de trabalho. DELGADO, M. G. Curso de direito do trabalho. 4 ed. So Paulo: LTR, 2005. DURKHEIM, . Da divisão do trabalho social. So Paulo: Martins Fontes, 1999. FINCATO, D; STÜRMER, G. A reforma trabalhista simplificada: comentários à Lei n. 13.467/2017. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2019. LACAZ, F. A. de C. Continuam a adoecer e morrer os trabalhadores: as relações, entraves e desafios para o campo saúde do trabalhador. In: Revista brasileira de saúde ocupacional. v. 41. p. 1-11, 2016. LUKÁCS, G. Para uma ontologia do ser social. So Paulo: Boitempo, 2013. v. II. MARX, K.; ENGELS, F. Obras escolhidas. Lisboa: Edio Avante, 1983. Tomo II. MARX, K. O capital: crtica da economia poltica. 28. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011. Livro I, v. 1. MARX, K. Manuscritos econmico-filosficos. So Paulo: Boitempo, 2012. PINHO, D. B. A doutrina cooperativa nos regimes capitalistas e socialistas. 2. ed. So Paulo: Pioneira, 1966. RAFALSKI, J.; ANDRADE, A. Home office: aspectos exploratórios do trabalho a partir de casa. 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D a concessão parcial do intervalo implica o pagamento, de natureza indenizatória, do período total, e não somente do suprimido, com acréscimo de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho. E o limite mínimo de uma hora para repouso ou refeição não poderá ser reduzido, nem mesmo por ato do Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 6/61 Digite sua resposta aqui Chave de resposta O tempo despendido pelo empregado no deslocamento de sua residência até o efetivo local de trabalho e seu retorno, que atende a alguns requisitos (local de difícil acesso e não servido por transporte público regular e condução fornecida pelo empregador), era computado na jornada de trabalho até a entrada em vigor da Lei nº 13.467/2017. A Reforma Trabalhista passou a considerar que, mesmo preenchidos tais requisitos, não se considera mais a hora in itinere ou tempo de trajeto como jornada de trabalho, de acordo com nova redação do § 2º do artigo 58 da CLT. Desse modo, o empregado não poderá pleitear o cômputo do tempo despendido até o local de trabalho e seu retorno como jornada de trabalho. O objetivo da CLT A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) surgiu na Era Vargas, após 13 anos do regime, no dia 1º de maio de 1943. Garantida pelo Decreto- Lei nº 5.452, a CLT tinha como propósito regulamentar as relações de trabalho, fossem elas individuais ou coletivas. Essa regulamentação se traduziu pela criação de uma legislação trabalhista cuja necessidade de proteção do trabalhador, tanto urbano quanto rural, fosse contemplada. Ao longo do tempo, a CLT sofreu modificações para adequá-la às clivagens do mercado. Mesmo diante de tais transformações, não se pode negar que ela ainda é a principal ferramenta regulamentadora das relações de trabalho. Vejamos quais são os principais assuntos abordados na CLT: 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 7/61 Em seu artigo 29, § 4º, a CLT veta ao empregador a realização de anotações desabonadas na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS). O que isso significa? Ele não pode registrar nada que possa ser interpretado como algo calunioso ou discriminatório, uma vez que isso pode gerar dificuldades para que o funcionário encontre outro emprego. Caso se descumpra a lei e exista realmente uma gravidade em tais anotações, o (ex)funcionário poderá solicitar uma reparação por danos morais ou uma multa pelo constrangimento causado. Ainda que não seja interpretado ou caracterizado como dano moral, o registro (anotação) desabonador tem uma multa prevista para o empregador no art. 52 da CLT. Segundo a legislação trabalhista, a jornada normal é de 8 horas diárias e 44 horas semanais. Além de estipular a carga horário para o trabalhador, ela prevê a não computação na jornada diária de trabalho de 10 minutos (5 minutos antes e 5 após o serviço). Sobre o cômputo de horas, a lei também prevê o pagamento de horas extras, bem como o desconto de faltas. Nesse caso, muitas empresas adotam um banco de horas para seus funcionários, o que facilita o controle e a flexibilidade de suas horas trabalhadas. Registro do trabalhador Jornada de trabalho 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 8/61 É obrigatório que, em todo trabalho cuja duração exceda 6 horas contínuas, seja conferido um intervalo (denominado intrajornada) de 1 hora ao funcionário para seu descanso ou sua alimentação. Porém, caso haja algum acordo coletivo, esse tempo pode chegar a 2 horas – e não mais que isso. Em uma jornada de trabalho que não ultrapasse 6 horas, e sim 4, o intervalo obrigatório é de 15 minutos. A Reforma Trabalhista (Lei n° 13.467/2017) modificou o inciso III do artigo 611-A da CLT. Esse tópico se referia ao tempo mínimo de intervalo com uma jornada de trabalho acima de 6 horas. Vale saber que o horário de descanso pode ser reduzido para 30 minutos, mas isso só pode ocorrer graças a um acordo coletivo ou uma convenção. Além disso, devem estar especificados na cláusula os detalhes das condições de repouso ou alimentação, uma vez que elas estão asseguradas aos funcionários. Esse tipo de descanso deve ser concedido ao funcionário anualmente, ou seja, após o período chamado de “aquisitivo”. É direito de cada empregado o tempo de férias dentro dos 12 meses de trabalho ( denominado “concessivo”). Caso deixe o emprego sem ser readmitido dentro de 60 dias, ele perderá o direito a ela. Já um trabalhador e estudante menor que 18 anos tem a garantia de poder coincidir suas férias com as escolares. Período de descanso Férias 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 9/61 Quando, em uma mesma empresa (ou outro estabelecimento), houver membros de uma família, todos terão o direito, desde que não cause prejuízo para o setor, de gozar férias no mesmo período. É obrigatório que cada empresa, seja ela privada ou pública, obedeça às normas regulamentadoras concernentes à segurança do trabalho. O empregador que não garantir a segurança de seu funcionário estará sujeito a penalidades previstas na legislação pertinente ao tema. O empregado que, sem a devida justificativa, não cumprir suas obrigações em relação à sua segurança terá tal recusa enquadrada como “ato faltoso”. A CLT prevê o acordo coletivo como caráter normativo. O sindicato é o responsável por celebrá-lo com a empresa correspondente à categoria. A associação sindical ajuda o trabalhador a resguardar seus interesses laborais e econômicos, assim como na defesa da categoria que representa. Além da CLT, a Constituição Federal também assegura a organização e a associação sindical ( associação considerada como primeiro grau) com a finalidade de coordenar os interesses profissionais ou econômicos de profissionais de diferentes áreas. Já as federações e as confederações são outras associações – no caso, de grau superior. As federações são Segurança e saúde do trabalho Sindicato 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 10/61 constituídas por, no mínimo, 5 sindicatos que representam a maioria absoluta de um grupo de atividades; já as confederações por, no mínimo, 3 federações de sindicatos. Reforma Trabalhista (Lei n° 13.467/2017) A Reforma Trabalhista já era esperada no Brasil não apenas por questões meramente político-partidárias, mas também pelo movimento de transformações que já vinha ocorrendo em diversos países. Por iniciativa do Ministério do Trabalho e Emprego, teve início em dezembro de 2016 a tramitação da Reforma Trabalhista. Ela, contudo, só entrou em vigor no dia 11 de novembro de 2017. Atenção! Desde a promulgação da CLT na Era Vargas, em 1943, até o ano de 2017, nenhuma atualização tinha ocorrido com tamanha extensão. As alterações decorrentes da Lei n° 13.467/2017 envolvem, pela ordem: [...] grupo econômico, tempo à disposição do empregador, questões hermenêuticas relativas à elaboração da jurisprudência e à interpretação das convenções e acordos coletivos de trabalho, responsabilidade dos sócios e sucessão trabalhista, prescrição, multas administrativas, duração do trabalho e regime compensatório, teletrabalho, intervalos, férias, dano extrapatrimonial, trabalho da mulher em atividades insalubres, amamentação, trabalho autônomo, trabalho intermitente, vestimenta, salárioe remuneração, natureza jurídica de parcelas recebidas pelos empregados, equiparação salarial, alteração do contrato de trabalho, extinção do contrato de trabalho, dispensa coletiva, plano de dispensa voluntária, despedida por justa causa, arbitragem para 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 11/61 os chamados ‘hipersuficientes’, quitação anual do contrato de trabalho, representação dos empregados nas empresas, contribuição sindical, e convenções e acordos coletivos de trabalho. (FINCATO; STÜRMER, 2019, p. 57) Como se poderia imaginar, a nova lei atua diretamente sobre a vida do trabalhador no âmbito legal e, consequentemente, social. Fincato e Stürmer (2019) consideram que merecem o devido destaque as mudanças que estudaremos a partir de agora. Vamos lá! Tempo à disposição do empregador O artigo 4º, §1º, da Lei n° 13.467/2017 fala sobre o efeito de indenização e estabilidade, frisando que, na contagem de tempo de serviço, serão computados os períodos em que o trabalhador estiver afastado por motivo de serviço militar e acidente de trabalho. No § 2º, porém, não será computado o período em que o funcionário exceder ao trabalho por motivo de: Práticas religiosas Descanso Lazer Estudo Alimentação Atividades de relacionamento social Higiene pessoal Troca de roupa ou de uniforme (quando não houver a obrigatoriedade de realizar essa troca na empresa) Diante da insegurança nas ruas e do horário que alguns funcionários saem de seus trabalhos, muitos preferem permanecer no local até o momento em que acharem seguro. Essa permanência não onera o empregador, uma vez que o funcionário não está ali à disposição da empresa para a realização de alguma atividade. Nesse caso, muitos podem permanecer no local por motivos variados, o que não deve ser considerado “hora extra”. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 12/61 Comentário A mudança realizada com relação ao horário, foi considerada positiva tanto para os empregadores quanto para os empregados. Duração do trabalho O art. 58, § 2º aborda o tempo despendido do trabalhador de sua residência até o local de trabalho, bem como sobre seu retorno, seja caminhando ou por meio de transporte. Esse tempo, enfim, não será computado na jornada de trabalho. Com a Reforma Trabalhista, o funcionário não tem o direito de receber horas in itinere, ou seja, o tempo de deslocamento de sua residência até o local de seu trabalho (ida e volta). Quando o local for de difícil acesso e o transporte público regular não estiver presente, se o empregador oferecer um transporte a seu funcionário, ele poderá ser pago por esse horário. Por exemplo: O trabalhador inicia sua jornada às 8 h, mas o transporte da empresa chega à sua residência às 7 h. A jornada de trabalho, portanto, começaria às 7 h, e não 1 hora depois. Teletrabalho Não havia regulamentação dessa função no Brasil até então. Em 2017, essa lei acrescentou à CLT os artigos 75-A e 75-E, que são os responsáveis pela regulação do teletrabalho. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 13/61 Na atualidade, novas configurações sociais, econômicas e tecnológicas fazem emergir profundas modificações no mundo trabalho. São exemplos dessas modificações a flexibilização da produção, a terceirização da mão de obra, a produção just-in-time, modelos de carreiras com características mais individuais e a maior valorização do capital humano e psicológico no trabalho. A abertura do mercado em países em desenvolvimento para empresas multinacionais e a forma de trabalho em home office, possibilitada pela internacionalização e descentralização das empresas, caracterizam um cenário com diferentes formas de trabalhar e se apresentam como uma realidade do fenômeno trabalho (RAFALSKI; ANDRADE, 2015, p. 1). Mas o que caracteriza o teletrabalho? Resposta “[...] A prestação de serviços preponderantemente fora das dependências do empregador, com a utilização de tecnologias de informação e de comunicação que, por sua natureza, não se constituam como trabalho externo” (LEI N° 13.467/2017, art. 75). 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 14/61 A pandemia causada pela covid-19, desde 2020, obrigou várias empresas, diante do isolamento social, a manter seus funcionários operando suas funções a partir de casa. Esse cenário ajuda a compreender um pouco mais as diferenças entre as modalidades home office e teletrabalho. O home office é a realização do trabalho dentro e fora do ambiente da empresa (do trabalho). Já o teletrabalho se caracteriza pelas atividades realizadas fora das dependências da empresa (isso não quer dizer que o trabalhador não possa eventualmente comparecer ao local). Veja mais uma comparação entre as modalidades! Teletrabalho Não é passível de controle de jornada. Home o�ce Está submetido a um controle de horário pelo empregador. Intervenções críticas à Reforma Trabalhista Diante das rápidas considerações aqui realizadas, alguns autores puderam analisar criticamente alguns aspectos da Lei n° 13.467/2017. Vejamos! Isso pode resultar em diminuição salarial, uma vez que o salário de terceirizados é menor e eles têm jornadas de trabalho mais longas, bem como menos direitos e pouca garantia de estabilidade. Nesse cenário, pontua Lacaz (2016), as condições de trabalho não são totalmente adequadas, trazendo riscos de acidentes fatais. Por exemplo, na Petrobras, entre os anos de 1995 e 2013, foram computados 320 acidentes fatais. Desse contingente, 268 eram terceirizados. Trata-se de uma tentativa de desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa possibilidade deixaria de contemplar e Possibilidade de terceirização das atividades Liberação da terceirização nos serviços essenciais de saúde pública 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 15/61 valorizar os servidores em atividade. Segundo Antunes (2018), essa jornada, que até então era de 8 horas por dia, com uma possibilidade de 2 horas extras e duração de 44 horas por semana, foi alterada para: 12 a 14 horas por dia. Sem remuneração pelas horas extras. 48 horas por semana. Esses aspectos resultam em maior concorrência, exigência de metas, mais rotatividade e menos solidariedade no ambiente da empresa – pontos que têm sido utilizados para explicar o aumento de problemas de saúde e de assédio moral. Comentário Assédio moral seria tudo que pode ser caracterizado como humilhação. Por exemplo, ter a atenção chamada diante de outros funcionários, ser ameaçado, constrangido ou ainda alvo de objetos lançados contra seu corpo. Agora, vejamos outros pontos críticos da reforma trabalhista: Jornada de trabalho Férias Elas podem ser divididas até em 3 períodos, porém nenhum deles pode ser menor que 5 dias. O maior período deve ser maior que 14 dias. Além disso, as férias não podem ser gozadas 2 dias antes de um feriado ou em dia de descanso remunerado. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 16/61 Tais mudanças, sobretudo as que recaem no tema da terceirização, coisificam ainda mais o trabalhador, pois precarizam não apenas o ambiente de trabalho (segurança), mas também a saúde dele. CLT e Reforma Trabalhista de 2017 Neste vídeo, falaremos sobre a consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e também sobre o ponto mais relevante da Reforma Trabalhista. Tempo de deslocamento O tempo de deslocamento para o trabalho pago pela empresa, de acordo com a CLT, era computado como hora de trabalho. Agora isso mudou, o que acentua o desgaste na saúde do funcionário eaumenta a jornada de trabalho dele. Gestante O trabalho para as gestantes era proibido em lugares insalubres. Com a mudança ocasionada pela Reforma Trabalhista, caso a mulher tenha um atestado médico que garanta sua permanência nesse ambiente, mesmo gerando riscos para a saúde do nascituro, ela terá a autorização para trabalhar. Contribuição sindical A lei de 2017 torna a contribuição facultativa, o que dificulta a atuação dos sindicatos mediante demandas dos trabalhadores. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 17/61 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 A Reforma Trabalhista (Lei n° 13.467/2017) alterou alguns pontos em relação à carga horária de trabalho. Marque a alternativa correta em relação a essa lei. Parabéns! A alternativa C está correta. O horário de descanso poderá ser reduzido para 30 minutos, mas isso somente ocorrerá se for estipulado em um acordo coletivo ou A A nova legislação não mantém a jornada máxima de 44 horas semanais. B As férias podem ser fracionadas, no máximo, em até 2 períodos de 15 dias (cada). C O horário de almoço pode ser reduzido, conforme acordo com o sindicato, de 1 hora para 30 minutos. D A CLT prevê que o funcionário deve receber hora extra por permanecer no local de trabalho para realizar tarefas pessoais. E O horário de almoço não pode ser, em hipótese alguma, diminuído diante de uma jornada de trabalho acima de 8 horas por dia. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 18/61 em uma convenção. Além disso, os detalhes das condições de repouso ou alimentação precisam estar especificados na cláusula contratual, já que tais condições estão asseguradas aos funcionários. Questão 2 A maioria das críticas acerca da Reforma Trabalhista diz respeito ao risco da terceirização do trabalho. Afinal, ela pode acarretar não só a desvalorização do funcionário, como também retirar a segurança e aumentar a possibilidade de enfermidades e assédio moral. Marque a alternativa que corresponde a um caso típico de assédio moral. Parabéns! A alternativa A está correta. A O empregador chama a atenção e humilha determinado funcionário por ele não ter conseguido atingir metas que, na verdade, eram inatingíveis. B O empregador solicita, diante dos demais funcionários, que determinado trabalhador permaneça por mais duas horas após sua jornada de trabalho. C O empregador, sabendo da condição financeira de seu funcionário, disponibiliza um veículo da empresa para que ele realize a condução até o ambiente de trabalho. D O empregador se comporta, eventual ou isoladamente, de maneira grosseira, isso é considerado um assédio moral. E Quando consentido pelo sindicato, o empregador pode espalhar boatos de seu funcionário pela empresa. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 19/61 Tudo isso resulta em maior concorrência, exigência de metas, mais rotatividade e menos solidariedade no ambiente da empresa – pontos que têm sido utilizados para explicar o aumento de problemas de saúde e de assédio moral. Eis alguns exemplos desse tipo de assédio: ter a atenção chamada diante de outros funcionários, ser ameaçado, constrangido e alvo de objetos lançados contra seu corpo. 2 - O trabalho e o capitalismo Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as transformações do mundo do trabalho com as modi�cações da dinâmica do capitalismo e seus impactos na organização social. Ligando os pontos Ao longo da evolução da sociedade, o mundo do trabalho sofreu muitas transformações associadas, principalmente, ao desenvolvimento do capitalismo. Você sabe até que ponto essas transformações impactaram a vida dos trabalhadores? Vamos descobrir analisando um caso prático. Por não conseguir uma colocação no mercado de trabalho formal após se graduar em engenharia civil, em 2021, João Carvalho, de 26 anos, realizou a inscrição em uma plataforma de tecnologia que reúne motoristas autônomos e os conecta com passageiros que estão em busca de um meio de transporte. Essa nova forma de trabalho surge a partir de um processo de mudanças estruturais, que busca assegurar a competitividade às empresas por meio da flexibilização e da precarização das relações de trabalho. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 20/61 João passou a prestar serviços como motorista por meio desse aplicativo de transporte no ano de 2022, na cidade do Rio de Janeiro. Essa nova relação de trabalho é evidenciada pelo fenômeno denominado uberização do trabalho, que se estende para outros ramos além do transporte, como o alimentício, de serviços domésticos e serviços gerais. A relação de trabalho entre João e o aplicativo por demanda de motoristas cadastrados na plataforma é informal e, portanto, não segue as condições previstas pelo regime CLT. Não há um vínculo empregatício, dentro das normas jurídicas, entre o trabalhador e o aplicativo. O desempenho de João como motorista de aplicativo é avaliado por meio de um sistema de notas que vai de 0 a 5 e a nota de João é 4,93. As notas ruins são punidas com suspensão do perfil no aplicativo ou bloqueio imediato. Esse modelo de trabalho promete maior liberdade e controle aos trabalhadores sobre seu tempo e sua remuneração, mas não assegura direitos trabalhistas, como a limitação da jornada de trabalho e o salário mínimo. João gerencia seu tempo de trabalho ao definir os dias e horários nos quais vai trabalhar, mas, para alcançar uma remuneração satisfatória a sua subsistência, precisa trabalhar, no mínimo, 10 horas todos os dias da semana. Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? Questão 1 A incorporação de novas tecnologias digitais está provocando profundas transformações no mundo do trabalho no século XXI. Estas transformações permitem a maior concentração de capital por meio da intensificação da flexibilização e da desregulamentação das relações de trabalho. Você viu isso no caso de João Carvalho que, por não conseguir uma colocação no mercado de trabalho formal, resolveu prestar serviços como motorista de aplicativo. Considerando esse contexto atual do mundo do trabalho, a relação de trabalho dos motoristas de aplicativo, para você, é caracterizada A pela precariedade de condições de trabalho. B pelas condições de trabalho regulamentadas pela CLT. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 21/61 Parabéns! A alternativa A está correta. Práticas como terceirizações, contratos temporários ou atividades informais chegaram ao século XXI com um verniz de liberdade para o trabalhador e maior possibilidade de controle de seu tempo e de sua remuneração, mas tiveram como resultados concretos o aumento das incertezas e as inconstâncias no mundo do trabalho. É o caso da relação de trabalho dos motoristas de aplicativo, caracterizada pela precariedade de condições de trabalho, com jornadas extenuantes, remuneração incerta e submissão direta do próprio motorista aos riscos do trabalho. Questão 2 O caso de João Carvalho é um exemplo de como o capitalismo influenciou as mudanças no mundo do trabalho e na organização da vida em sociedade. Considerando a visão do sociólogo alemão Karl Marx sobre o sistema capitalista, associada ao caso apresentado, você diria que C por ser uma relação de emprego. D por sua regulamentação em lei específica existente no Brasil. E por ter sido regulamentada pela Reforma Trabalhista de 2017. A o trabalhador não está subordinado ao capital e possui controle do produto e/ou processo de seu trabalho, que estão centralizados em suaspróprias mãos. B o trabalhador subordinado ao capital não possui controle do produto e/ou processo de seu trabalho, que estão centralizados nas mãos do capitalista. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 22/61 Parabéns! A alternativa B está correta. Na sociedade capitalista, o trabalhador subordinado ao capital vende sua força de trabalho para sobreviver, sem consumir o que de fato produz. Portanto, ele não possui controle do produto ou do processo de seu trabalho, que estão centralizados nas mãos do capitalista. Assim, o trabalho representa um meio pelo qual parte da sociedade busca sobreviver, enquanto a outra obtém produtos e acumula bens. Questão 3 Considerando seus conhecimentos sobre as transformações da dinâmica do capitalismo e seus impactos na organização do trabalho, responda: a relação de trabalho do motorista de aplicativo do caso apresentado poderia ser compreendida como uma forma de precarização das relações trabalhistas no Brasil no século XIX? Justifique sua resposta. Digite sua resposta aqui Chave de resposta A relação de trabalho do motorista de aplicativo, fenômeno denominado uberização do trabalho, é C o trabalhador, apesar de subordinado ao capital, possui controle do produto e/ou processo de seu trabalho, que estão descentralizados nas mãos do capitalista. D o trabalhador subordinado ao capital possui controle do produto e/ou processo de seu trabalho, apesar de estes estarem centralizados nas mãos do capitalista. E o trabalhador não está subordinado ao capital, razão pela qual possui total controle do produto e/ou processo de seu trabalho no sistema capitalista. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 23/61 uma forma de precarização das relações de trabalho marcada pelos seguintes motivos: Dentro das normas jurídicas, não existe um vínculo empregatício entre o trabalhador e o aplicativo. O motorista de aplicativo não está submetido às normas da CLT, e sua relação de trabalho é informal. O motorista também não possui direitos trabalhistas. O modelo de trabalho promete maior controle aos trabalhadores sobre seu tempo e sua remuneração, mas a remuneração ocorre conforme as horas efetivamente trabalhadas em jornadas extenuantes. Os riscos do trabalho são assumidos de forma direta pelo próprio motorista. Trabalho Observe esta imagem: Você pode ver trabalhadores (consegue identificar quantos?) executando serviços diversos na construção de um edifício. Eles estão concentrados em suas tarefas que, embora possam ser individualizadas e especializadas, têm um objetivo comum. Contudo, a imagem mostra os trabalhadores confundindo-se com os próprios materiais com os quais trabalham, quase como máquinas ou coisas, que não são “sociais” nem “sociáveis”. Vamos entender melhor o conceito de trabalho partindo de sua origem e das perspectivas de três importantes pensadores que estudaram o tema e deixaram reflexões que ainda influenciam a nossa sociedade nos dias atuais: Max Weber (1864-1920), Karl Marx (1818-1883) e Émile Durkheim (1858-1917). 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 24/61 A longa trajetória de construção de um conceito Trabalho é uma atividade eminentemente humana, na qual as pessoas transformam a natureza, utilizando a inteligência e a força física, para produzir bens e serviços. O trabalho diferencia o ser humano de outros animais que não planejam sua existência e não podem modificá-la, apenas adaptar-se ao meio. Pelo trabalho, os seres humanos produzem conhecimento, tecnologia, inovação, criam e transformam, de modo consciente, o mundo em que vivem, modificando continuamente os aspectos culturais, sociais, econômicos e políticos. É por meio do trabalho que se tem acesso aos bens básicos necessários à subsistência, como também aos bens tecnológicos e culturais. Contudo, o trabalho é mais do que a produção de bens, é um importante meio de formação de vínculos sociais, para além dos familiares, em que o ser humano pode exercitar sentimentos que se constituam em práticas de solidariedade, companheirismo e cooperação. Para muitos, o trabalho é o único espaço de convivência social. A palavra trabalho tem origem no latim tripalium e se refere a um instrumento utilizado no plantio de lavoura nas sociedades antigas. Historicamente, o trabalho intelectual ou que despendia menor força física sempre foi mais valorizado do que o trabalho braçal, considerado atividade de escravos na Grécia Antiga. Foram os romanos que primeiramente associaram os escravos a objetos de trabalho, qualificando-os como instrumentum vocalis, coisificando a pessoa humana. Saiba mais Na Roma Antiga, escravos e animais de carga eram classificados na mesma categoria dos instrumentos destinados a cultivar a terra. A diferença era que os escravos pertenciam ao gênero vocale – falantes – e os bois, ao gênero semivocale, com voz parcial, isto é, emitem sons, mas não falam. O direito romano legislava sobre os animais domésticos, que, tais como os escravos, pertenciam a um dono. A 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 25/61 escravidão, portanto, embora tenha sido um gênero de trabalho, era também uma condição degradante da pessoa humana reduzida à condição de animal. Na Antiguidade, trabalho era uma atividade majoritariamente desempenhada por escravos ou pessoas pobres, tornando-se sinônimo de perda da liberdade, uma vez que a palavra estava associada ao esforço físico, à humilhação e ao sofrimento. Por isso, em fins do século VI, tripalium passou a ser também o nome dado a um instrumento de tortura usado no Império Romano. A Construção da Torre de Babel (1240), ilustra as formas de trabalho da época. Na Idade Média, o conceito de trabalho estava ligado à condição social das pessoas, visto que a sociedade estava dividida entre os bellatores, os oratores e os laboratores, sendo os primeiros a classe dos cavaleiros, isto é, a alta nobreza que se responsabilizava por comandar as guerras, conquistas e defender o território; os seguintes oravam, ou seja, os religiosos e o clero; e os últimos, a grande massa de gente das cidades e dos campos, que trabalhavam. A Igreja valorizava o ato de contemplação e a elevação espiritual em detrimento às atividades braçais, consideradas mundanas e apegadas aos bens terrenos. Com o declínio da Idade Média e a consequente retomada da urbanização e do comércio, o trabalho se diversificou, mas também aumentou, fazendo que fosse comparado, metaforicamente, com o suplício ou a tortura. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 26/61 Max Weber, 1918. Com o desenvolvimento do capitalismo, o trabalho sofreu inúmeras e profundas transformações, especialmente com o impacto do protestantismo. Segundo o sociólogo Max Weber, a igreja protestante, por pregar a salvação a partir de uma vida módica e dedicada ao trabalho, teve papel fundamental no convencimento dos trabalhadores a aceitarem as condições de exploração a que estavam submetidos. Isso incluía a negação dos prazeres “terrenos”, o luxo, o ócio e a preguiça – enfim, não desperdiçar o tempo com comportamentos que não favorecessem o acúmulo de bens e o aperfeiçoamento da alma. Essa associação entre o trabalho e a salvação da alma ele chama de “espírito do capitalismo”. Embora condenasse o luxo, a riqueza não exteriorizada era sinal da salvação. Aí reside o conceito de Weber de “ética protestante” que se verifica com o acúmulo de bens, e não para o consumo e os gastos supérfluos. Max Weber considera que a “ética protestante” foi o fator cultural de maior impacto para o desenvolvimento do capitalismo.Saiba mais Max Weber foi intelectual, jurista e economista alemão, considerado um dos fundadores da sociologia, além de ter influenciado os estudos nas áreas da economia, da filosofia, do direito, da ciência política e da administração. Suas principais obras dedicam-se ao estudo do 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 27/61 capitalismo e do chamado processo de racionalização e desencantamento do mundo. Ética protestante e o espírito do capitalismo segundo Max Weber Confira um pouco mais sobre a relação entre a “ética protestante” e o “espírito do capitalismo” a partir do pensamento de Max Weber. Posteriormente, entre os séculos XVIII e XIX, a ideologia capitalista passa a inculcar nos trabalhadores a ideia do trabalho como forma de realização pessoal e social, mesmo que estivessem submetidos a duras formas de exploração e opressão. Mas foi a partir de meados do século XIX que o capitalismo se intensificou, aumentando o ritmo de produção dos mais variados bens, demandando, consequentemente, maior esforço humano no trabalho. Essa é uma das características da sociedade de consumo que se funda na produção acelerada dos bens, na ampliação da concorrência e na precarização das relações trabalhistas. Práticas como terceirizações, contratos temporários ou atividades informais chegaram no século XXI com um verniz de liberdade para o trabalhador e maior possibilidade de controle de seu tempo e remuneração, mas teve como resultados concretos o aumento das incertezas e as inconstâncias no mundo do trabalho. Resumindo A palavra “trabalho” é entendida como toda atividade profissional, remunerada ou não, produtiva ou criativa, exercida para determinado fim, cujo sentido é oriundo de uma historicidade, isto é, está em consonância com a época, a cultura, o modo de se relacionar e de compreender o mundo de cada sujeito e do grupo do qual fez e faz parte. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 28/61 O ser social Georg Lukács, filósofo e historiador húngaro de vertente marxista, via o trabalho como o “complexo concreto de sociabilidade como forma de ser”, ou seja, uma “célula geratriz” ou uma categoria ontológica, que faz parte da natureza humana. Isso não significa que ele entendia a vida social limitada ao trabalho, mas sim que toda a multiplicidade de expressões humanas se funde no trabalho como atividade originária. Georg Lukács em 1952. Para Lukács, o trabalho é o ponto de partida para tornar-se “homem do homem”, senhor de si, uma vez que o trabalho é o veículo para a autocriação do homem como sujeito histórico. Como ser biológico, o homem é um produto do desenvolvimento natural, mas o trabalho o leva a um novo ser: o ser social. Portanto, o trabalho é o vínculo material entre o ser humano e a natureza, assinalando a passagem do ser meramente biológico (que sobrevive e se adapta às circunstâncias da natureza) ao ser social (que cria e transforma intencionalmente a natureza). 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 29/61 Para Karl Marx, o que diferencia o trabalho do homem do de outros animais é a capacidade de dar significado à natureza por meio de uma atividade planejada e consciente. Para o filósofo, é pelo trabalho que o homem transforma a si e à natureza, e, ao transformá-la, de acordo com suas necessidades, imprime em tudo que o cerca a sua marca. No trabalho, o homem: Defronta-se com a natureza como uma de suas forças, numa dupla transformação entre o homem e a natureza. Põe em movimento as forças naturais de seu corpo [...], a fim de apropriar-se dos recursos da natureza, imprimindo-lhes forma útil à vida humana. (MARX, 2011, n.p) Na medida em que atua sobre a natureza e a modifica, o ser humano também modifica a si próprio. Assim, ao transformar a natureza, o homem não só cria ou produz bens, mas modifica a sua própria condição. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 30/61 Pirâmide do Sistema Capitalista, cartaz publicado pela IWW (Industrial Workers of the World) em 1911. Ao longo de toda a história, o trabalho foi determinante para a vida humana, tanto individual como coletiva. A humanidade se estruturou histórica e politicamente, quase em sua totalidade, em função do conceito de trabalho. Separar o trabalho da existência das pessoas é muito difícil, senão impossível, diante da importância e do impacto que o trabalho nelas provoca. A visão ontológica de trabalho em Marx se opõe à perspectiva capitalista, pois nesse modelo econômico o ser humano é limitado ou impedido de exteriorizar a sua natureza, uma vez que os frutos de seu trabalho lhes são retirados. Por exemplo, o trabalhador da indústria de automóveis, que no final do dia volta para casa de transporte coletivo, sucateado, lotado e caro; ou o trabalhador da construção civil que mora em condições precárias ou de aluguel. A maneira como a sociedade do capital se organiza resulta na fragmentação do trabalhador, retirando dele a sua capacidade de se sentir parte de sua produção, caracterizando o trabalho como um agente da alienação. Os versos de “Cidadão”, música de Zé Ramalho, ajudam a entender esse contexto de expropriação imposto ao trabalhador: 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 31/61 Alienação Exprime a ideia de algo que está separado de outra coisa ou que é estranho a essa coisa: estou alienado de mim, na medida em que não posso compreender ou aceitar a mim mesmo; o pensamento está alienado da realidade, pois a reflete de forma inadequada; estou alienado de meus desejos, uma vez que eles não são autenticamente meus, sendo antes impostos a mim do exterior; estou alienado dos resultados dos meus trabalhos porque estes se tornam mercadorias; e posso estar alienado de minha sociedade, pois, em vez de fazer parte de uma unidade social que a constrói, me sinto controlado por ela. Tá vendo aquele edifício, moço? Ajudei a levantar Foi um tempo de aflição Era quatro condução Duas pra ir, duas pra voltar Hoje depois dele pronto Olho pra cima e fico tonto Mas me vem um cidadão E me diz, desconfiado Tu tá aí admirado Ou tá querendo roubar? Zé Ramalho, 1992 A análise de Karl Marx (2011) sobre a alienação do trabalhador aprofunda o olhar sobre a percepção que o trabalhador tem de si próprio e da riqueza produzida, sempre como riqueza alheia, do capitalista. Embora a força de trabalho seja a condição para a produção dos bens e o trabalhador gaste a sua vida com o trabalho, ele não usufrui da riqueza produzida. Quando o trabalhador fabrica uma mercadoria na condição de explorado, ele também se torna uma mercadoria, reduzindo-se à condição de instrumento que gera a riqueza de outros homens. Quanto maior for seu esforço em produzir mercadorias das quais não se beneficia, mais o trabalhador se coisifica. O ser coisi�cado 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 32/61 Se a alienação do trabalho é considerada por Marx o princípio de todas as outras alienações, a sociedade burguesa é a origem do trabalho alienado, uma vez que se fundamenta na propriedade privada que nega ao trabalhador o acesso aos bens que produz ou a participação nos lucros. Em virtude disso, as relações humanas se transformam em relação entre coisas, entre mercadorias: o trabalhador se desumaniza e se transforma em uma mercadoria, barata, que produz outra mercadoria, de maior valor, gerando riqueza para poucos. O trabalhador torna-se tanto mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais a sua produção aumenta em poder e extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoriatanto mais barata quanto maior número de bens produz. Com a valorização do mundo das coisas, aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens. O trabalho não produz apenas mercadoria; produz-se também a si mesmo e ao trabalhador como uma mercadoria, e justamente na mesma proporção com que produz bens. (MARX, 2012, n.p) Algumas vezes o trabalho é interpretado como um elemento que promove a satisfação e a autorrealização. Outras abordagens, porém, atribuem conotações negativas ao trabalho, representado como maldição, castigo, jugo, estigma, coerção, esforço e penalidade – consequências de quem vive para trabalhar. Soma-se a essas percepções aquela que entende o trabalho como mero veículo para a sobrevivência material. Para Marx (1983), o trabalho no capitalismo deixa de formar o sujeito humano/social e passa a alienar, pois o produto (bens e serviços produzidos) e o próprio processo de produção (trabalho) se tornam estranhos à realidade do trabalhador. O capitalismo modifica a visão de liberdade do homem à medida que ele precisa vender sua força de trabalho para sua sobrevivência, 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 33/61 dissociando o trabalho do homem que o realiza. O trabalhador subordinado ao capital não tem mais controle do produto nem do processo de seu trabalho, centralizados nas mãos do capitalista. Linha de produção da Ford em 1913. Assim, na sociedade capitalista, o trabalho passa a ser visto como meio pelo qual uma parte da sociedade sobrevive e a outra parte acumula bens. O trabalho é o meio que permite adquirir os produtos dos demais, dado que ninguém consome o que produz. Por conseguinte, a função do trabalho e dos seus produtos passa a ser um meio para obter produtos dos outros, gerando uma interdependência na qual ninguém consome o que produz e todos dependem da produção de todos. Para Marx (2012), quando o trabalho e os bens resultantes dele deixam de ser um objeto que pertence ao trabalhador, isso indica que ele se tornou um servo de seu objeto: “O auge dessa servidão é que somente como trabalhador ele pode se manter como sujeito e apenas como sujeito ele é trabalhador”. A ideologia liberal é o que prevalece no mundo globalizado e capitalista. As relações de poder e dominação não são explícitas e o trabalho é visto e tratado sob a ótica da individualidade e da competitividade, impondo ritmos alucinantes no mundo do trabalho e submetendo os trabalhadores à ameaça constante de demissão e à insegurança em relação à permanência no emprego. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 34/61 Esse modo de relação de trabalho visa “garantir” a submissão do trabalhador a essas condições, inculcando nele o desejo de vencer e obter sucesso, que o leva a uma dedicação extra sem limites, estendendo-se para além dos muros das organizações (ANTUNES, 2000). Tal situação cria uma insegurança psicossocial que acentua o medo de perder o emprego, aumentando o estresse e corroendo o caráter. Esses mesmos sentimentos fragilizam as relações sociais entre os companheiros de trabalho e em outras instituições – como a família. Talvez essa seja a causa de cada vez mais trabalhadores estarem propensos ao estresse e aos riscos psicossociais do trabalho, por sentirem o risco do desemprego, mesmo trabalhando (SENNETT, 2009). O ser solidário Para o filósofo e sociólogo Émile Durkheim, um dos pais da Sociologia moderna, o trabalho é um fato social presente em todos os tipos de sociedade e se impõe sobre todos os indivíduos, independentemente da própria vontade. Durkheim escreveu a sua principal e mais conhecida obra Da divisão social do trabalho, em 1893, na qual argumenta, ao contrário das análises críticas de Marx e Weber, que a divisão social do trabalho promove a coesão social e, por isso, deve ser preservada. O trabalho, portanto, em vez de concentrar a atenção na produtividade, seria um caminho para que os indivíduos criassem vínculos e formassem um grupo coeso. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 35/61 Émile Durkheim em 1918. O processo de especialização de funções no mundo do trabalho, como mostra o trecho da obra de Durkheim, torna os indivíduos interdependentes. Porém, a depender da intensidade dessa especialização, a sociedade desenvolveria dois tipos de solidariedade: mecânica e orgânica. A solidariedade mecânica é típica de sociedades pré-capitalistas, onde há pouca divisão do trabalho e, consequentemente, pouca importância nas relações. Nessas sociedades, os indivíduos se reconhecem e se identificam por culturas e tradições em comum que exercem grande influência sobre a coesão social. Numa cidade, podem coexistir diferentes profissões sem se prejudicarem mutuamente, porque elas perseguem objetivos diferentes. O soldado procura a glória militar, o sacerdote a autoridade moral, o homem de Estado o poder, o industrial a riqueza, o cientista o renome científico; cada um deles pode assim atingir o seu fim, sem impedir os outros de atingirem o seu. Tudo se passa do mesmo modo quando as funções estão menos afastadas umas das outras. O médico oculista não faz concorrência ao que trata as 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 36/61 doenças mentais, nem o sapateiro ao chapeleiro, nem o pedreiro ao marceneiro, nem o físico ao químico etc. Como prestam serviços diferentes, podem prestá-los paralelamente. (DURKHEIM, 1999, n.p) O desenvolvimento do capitalismo, no qual a industrialização e a urbanização ganham espaço, marca o processo de especialização do trabalho e de diferenciação social. Esses fatores, segundo Durkheim, são responsáveis pelo declínio da solidariedade mecânica e o surgimento de uma nova solidariedade, denominada de orgânica. A solidariedade orgânica, portanto, é uma marca da sociedade capitalista e parte da percepção de que os indivíduos são diferentes. É caracterizada pelo alto grau de divisão do trabalho e uma maior heterogeneidade cultural. Observe a síntese da teoria de Durkheim sobre a divisão do trabalho neste fluxograma: Síntese da teoria de Durkheim. A análise de Durkheim sobre a sociedade e o trabalho visa entender a coesão social ou a sua ausência. Para isso, ele utiliza os conceitos da solidariedade e da anomia. A solidariedade se evidencia na interação de cada indivíduo na divisão do trabalho. Já a anomia é a manifestação da desintegração social gerada pela industrialização, provocando diferenciação social – ricos e pobres, citadinos e camponeses, centro e periferia etc. Atenção! 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 37/61 A anomia é uma característica do mundo moderno, evidenciado pelas crises e pelo ritmo de trabalho contínuo e monótono. Nesse mundo, as relações do capital e do trabalho não produzem solidariedade, reduzindo o homem ao papel de máquina. Desse modo, a anomia pode levar a crises que desestruturam as relações sociais, como o suicídio e a criminalidade. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 (Prefeitura Municipal de Betim - Instituto AOCP - 2020 - Adaptada) Compreender as transformações no mundo do trabalho e seus impactos na vida dos trabalhadores é essencial na atuação de um sociólogo. A respeito das diferentes interpretações sociológicas sobre esse tema, assinale a alternativa correta. A As inovações no sistema de organização do trabalho diminuíram o nível de rotatividade dos trabalhadores e estimularam a qualificação educacional e profissional dos operários. Esse contexto apresentou um novo passo para as relações entre empregadores e empregados no séculoXX, proporcionando aumento do poder econômico das famílias. B A ética protestante e o espírito do capitalismo, de Max Weber, constitui-se como um importante estudo sobre como o protestantismo (fator religioso) foi a principal causa do capitalismo ocidental. Essa afirmação é pautada na ideia de que o comportamento do protestante, de acordo com a teologia calvinista, deveria ser de estímulo ao trabalho profissionalizado e de busca pela riqueza. C Para Marx, a economia é fundamentada pelas relações de trabalho, sendo por meio do trabalho 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 38/61 Parabéns! A alternativa C está correta. Para Marx, o trabalho é a principal característica humana pela capacidade que se tem de transformar a natureza e, ao mesmo tempo, transformar a si próprio por meio desse trabalho e da natureza ao seu serviço. Contudo, nem sempre as relações de trabalho garantem dignidade ao ser humano, que pode ser tratado como uma “coisa” geradora de riqueza e bem-estar a outrem. Questão 2 (CONSULPLAN - 2018 - SEDUC - PA - Adaptada) “A noção de alienação é fundamental no pensamento marxista, pois apresenta o estado psicossocial primordial ao qual o indivíduo é submetido no modo de produção capitalista. Além disso, Marx não vê no trabalho uma expressão qualquer da vida. Para Marx, o trabalho tem uma localização especial, até mesmo privilegiada, por ser a exteriorização do ser. Por ser a objetificação da essência humana, por ser o processo de colocar para fora a mais pura humanidade, o esforço material da transformação do mundo e a satisfação das necessidades.” que o homem transforma a natureza e reproduz a sua existência. D Segundo Émile Durkheim, as sociedades modernas estão enquadradas teoricamente no tipo de solidariedade mecânica, caracterizando-se por alto grau de divisão do trabalho, maior diferenciação cultural, especialização das funções entre os indivíduos e enfraquecimento da consciência coletiva. E Os novos modelos de liberalização econômica, especialmente pela terceirização, acarretaram melhorias na vida do trabalhador, fortalecimento dos sindicatos e seguridade trabalhista. A É a constatação básica de que o trabalhador está alienado em relação ao produto de seu trabalho que gera a revolta de classe, cerne da revolução em massa. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 39/61 Parabéns! A alternativa D está correta. Marx explica que o trabalho pode ser emancipatório, quando possibilita ao trabalhador usufruir das transformações que ele faz na natureza. Contudo, também pode alienar o trabalhador, por diversas circunstâncias, como quando, movido pelo medo do desemprego ou da concorrência, ele se sujeita a ritmos e formas de trabalho opressores contra si e contra seus companheiros. A alienação, para Marx, ainda ocorre quando o trabalhador é alijado da possibilidade de usufruir dos bens e serviços que produz. B Construir as próprias ferramentas é exercer uma dominação impossível a qualquer outro animal, o que já elimina para o homem a possibilidade de total alienação. C Uma das formas de reconhecer a alienação é quando, no fim do processo de trabalho, o produto feito se transforma em algo estranho, independente do ser que o produziu. D É o estranhamento em não se reconhecer num produto a essência da pobreza e da alienação gerada pela substituição progressiva e inexorável do homem pela máquina. E A alienação se concretiza quando o trabalhador deixa de participar dos sindicatos e da luta por seus direitos por não se ver representado nos líderes sindicais. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 40/61 3 - O trabalho assalariado Ao �nal deste módulo, você será capaz de distinguir o trabalho assalariado das formas associadas de trabalho, conhecendo suas especi�cidades e como interferem na organização dos trabalhadores e das empresas. Ligando os pontos Você sabe quais são as implicações que o trabalho assalariado traz ao trabalhador? Quais aspectos definem se existe ou não uma relação de emprego entre o trabalhador e aquele a quem presta serviços? Vamos descobrir analisando um caso prático. Ana Paula de Moura trabalha desde 01/12/2022 como manicure em um prestigiado salão de beleza: o famoso Estúdio Y Cabeleireiros Ltda., da cidade de São Paulo. Ana Paula cumpre a jornada de trabalho de 8 horas diárias, de segunda a sexta-feira, com 1 hora de intervalo intrajornada e remuneração mensal de R$ 1.500,00. O controle do cumprimento do horário de trabalho é realizado diretamente por Yan Cordeiro, gerente e proprietário do salão de beleza. O trabalho de Ana Paula como manicure obedece a todas as diretrizes determinadas pelo salão, que organiza sua agenda de atendimentos e a forma como a prestação de serviços deve ser executada, bem como fornece todos os produtos utilizados pelos clientes. Além disso, a manicure deve cumprir as metas diárias estipuladas pelo salão de beleza que, atualmente, é de oito atendimentos. A manicure também não pode ser substituída por outra pessoa de sua escolha no salão de beleza. Aos finais de semana, Ana Paula atende como manicure suas clientes particulares em sua residência, localizada em um bairro distante do 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 41/61 salão de beleza. Os valores pela prestação de serviços como manicure são pagos diretamente pelos clientes ao salão de beleza, que repassa à Ana Paula uma comissão fixa de 10%. Ao ser questionado por Ana Paula sobre o registro na carteira de trabalho, o gerente do Estúdio Y Cabeleireiros Ltda. alegou que não precisa registrar a CTPS da manicure. De acordo com Yan Cordeiro, não há relação de emprego entre o Estúdio Y Cabeleireiros Ltda. e Ana Paula, pois existe apenas uma parceria entre ela e o salão. Diante dessa situação, Ana Paula resolveu consultar um escritório de advocacia especializado em direito do trabalho. A dúvida de Ana Paula é sobre a possibilidade de o Estúdio Y Cabeleireiros Ltda. registrar sua carteira de trabalho e, por conseguinte, assegurar-lhe os devidos direitos trabalhistas. Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? Questão 1 Como você viu, Ana Paula de Moura recebe como pagamento pelo serviço de manicure prestado ao Estúdio Y Cabeleireiros Ltda. uma remuneração mensal de R$ 1.500,00 e uma comissão fixa de 10% do valor pago pelos clientes ao salão de beleza. Para saber sobre seus direitos trabalhistas relativos a esse pagamento e sobre a possibilidade de registro do emprego em sua carteira de trabalho, Ana Paula recorreu a um escritório de advocacia especializado em direito do trabalho. Imagine que você trabalhe nesse escritório e que vai auxiliar Ana Paula nessa consulta. Como primeira informação, você diz à manicure que a Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017, conhecida como Reforma Trabalhista, criou inúmeras mudanças para a CLT, dentre as quais está o que integra o salário, ou seja A toda a remuneração paga pelo empregador ao empregado. B a importância fixa estipulada pelo empregador. C a importância fixa estipulada pelo empregador e as horas extras mensais. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 42/61 Parabéns! A alternativa E está correta. Nos termos do §1º do artigo 457 da CLT, alterado pela Lei nº 13.467/2017 (Reforma Trabalhista), somente integra o salário a importância fixa estipulada, as gratificações legais e as comissões pagas pelo empregador. Além disso, a reforma prevê que um trabalhador pode receber menos que o salário mínimo, desde que trabalhe menos de 8 horas por dia, o que não éo caso de Ana Paula. Questão 2 Na consulta feita por Ana Paula a você, advogado do escritório especializado em direito do trabalho, ela também perguntou sobre o período de pagamento de salário por parte do Estúdio Y Cabeleireiros Ltda. Você respondeu que esse período D a importância fixa estipulada pelo empregador e o auxílio-alimentação. E a importância fixa estipulada, as gratificações legais e as comissões pagas pelo empregador. A não pode ser inferior a um mês, e que o trabalhador deve recebê-lo até o quinto dia útil do mês subsequente ao vencido. B não pode ser superior a um mês, e que o trabalhador deve recebê-lo até o quinto dia útil do mês subsequente ao vencido. C não pode ser inferior a um mês, e que o trabalhador deve recebê-lo até o décimo dia útil do mês subsequente ao vencido. D não pode ser superior a um mês, e que o trabalhador deve recebê-lo até o décimo dia útil do mês subsequente ao vencido. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 43/61 Parabéns! A alternativa B está correta. De acordo com o art. 459 da CLT, o período de pagamento do salário não pode ser superior a um mês, e o trabalhador deve recebê-lo até o quinto dia útil do mês subsequente ao vencido. A lei também afirma que esse valor deve ser pago em dinheiro e que, a cada ano, o trabalhador tem direito ao 13º salário como uma gratificação, com a possibilidade de pagamento em até duas parcelas. Questão 3 Considerando o caso apresentado, responda: o serviço de manicure prestado por Ana Paula ao Estúdio Y Cabeleireiros Ltda. preenche os requisitos necessários para a caracterização do reconhecimento do vínculo empregatício na Justiça do Trabalho? Justifique sua resposta. Digite sua resposta aqui Chave de resposta O reconhecimento da relação de emprego pode ocorrer mesmo quando o empregador se recusa a assinar a carteira de trabalho (CTPS). Para isso, é necessário que sejam preenchidos os requisitos para a caracterização da relação de emprego do artigo 3º da CLT. A manicure Ana Paula preenche todos esses requisitos, que são: Pessoa física. Pessoalidade – não pode ser substituída por outra pessoa. Subordinação – as diretrizes da prestação de serviço são determinadas pelo gerente. E não pode ser inferior a um mês, e que o trabalhador deve recebê-lo até dia cinco do mês subsequente ao vencido. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 44/61 Habitualidade – cumpre jornada de trabalho de 8 horas diárias, de segunda a sexta-feira, com intervalo intrajornada de 1 hora. Onerosidade – recebe remuneração mensal e comissões. Por isso, Ana Paula poderá ter o vínculo empregatício reconhecido pela Justiça do Trabalho. Trabalho e assalariamento Preste atenção no seguinte gráfico: Reajuste do salário mínimo e inflação do ano anterior - 02/09/2020. Os dados do gráfico comparam o aumento do salário mínimo e a inflação no Brasil nos últimos vinte anos. Por esses dados, percebe-se que entre 2001 e 2015 houve uma política formal do governo de valorização do salário mínimo. Contudo, a partir de 2016, o que se verifica é uma redução dos aumentos que mal cobrem a inflação. Para 2021, por exemplo, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), enviada pelo governo à Câmara de Deputados, previa a correção do salário mínimo apenas pela inflação, concedendo um aumento de R$ 22 aos atuais R$ 1.045. Após revisão, seu valor em âmbito nacional (exceto para as Unidades da Federação que possuem valor próprio), a partir de 01/01/2021, passou a ser R$1.100,00. Contudo, o que é salário e como ele se estrutura no mundo do trabalho? Quais são as outras formas possíveis de remuneração, além do salário? Vamos entender melhor agora! É quase um consenso entre os historiadores que a palavra salário vem da Antiguidade, quando se usava o sal como expressão de valor para as 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 45/61 relações de trabalho. No direito brasileiro, o salário é conceituado como “o conjunto de parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência da relação de emprego” (DELGADO, 2005). Segundo a teoria da contraprestatividade, o salário é a contraprestação do trabalho na troca que o empregado faz com o empregador, fornecendo a sua atividade e dele recebendo a remuneração correspondente. Comentário Vale ressaltar que nem sempre o trabalho foi remunerado! Nem todas as formas de trabalho pressupõem o recebimento de salário. Durante a Idade Média, com o crescimento das cidades na Europa, as relações econômicas se modificaram. Se antes estavam centradas no campo e os trabalhadores usavam suas próprias produções como forma de pagamento de serviços, a vida urbana fez nascer o uso do dinheiro, que se tornou o principal mecanismo de remuneração de serviços para pessoas livres. Representação de uma sapataria do século XVI. Na Idade Moderna, a produção era de caráter familiar e o artesão, proprietário dos meios de produção (oficina e ferramentas), realizava todas as etapas, pois não havia divisão do trabalho ou especialização. Em muitos casos, os artesões recebiam ajudantes em sua oficina, que, no entanto, não eram assalariados, atuando como aprendizes de um ofício até abrirem sua própria oficina. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 46/61 O aprendiz recebia como pagamento o próprio aprendizado, mas também poderia receber alimento ou, eventualmente, algum dinheiro. Quando o aprendiz não conseguia abrir seu próprio negócio, podia continuar com o seu mestre na condição de “jornaleiro” (diarista), recebendo um salário. As corporações de ofício – antecessoras dos atuais sindicatos – surgiram como instituições que reuniam trabalhadores de determinada categoria em defesa de interesses comuns – entre eles, a defesa do salário justo. No século XIX, com a Revolução Industrial, os primeiros sindicatos se organizaram e com eles as lutas contra a exploração e em defesa da dignidade do trabalhador, em especial sobre a remuneração, pauta que ainda é central nos sindicatos e nas associações contemporâneas. Jornal Industrial Workers of the World (IWW), 1917. É preciso lembrar, porém, que os regimes de trabalho forçado, servidão e escravidão, tanto na Antiguidade como na contemporaneidade, são marcados por diversos tipos de violência física, moral e psicológica que desumanizam o trabalhador, colocando-o na condição de coisa ou objeto móvel, negando a essas pessoas a remuneração justa pelo esforço despendido na geração de riquezas para os outros – o Estado ou as pessoas. 10/11/2024, 01:08 Relações de trabalho https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/07743/index.html?brand=estacio# 47/61 Leis trabalhistas e o salário no Brasil Getúlio Vargas, em seu primeiro período de governo criou o Ministério do Trabalho e instituiu a legislação trabalhista. No Brasil, a discussão sobre o salário mínimo se deu na década de 1930, passando a vigorar a partir de 1º de maio de 1940. Três anos depois, em 1943, a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) definiu, no art. 76, o conceito do salário mínimo como a contraprestação mínima devida e paga diretamente pelo empregador a todo trabalhador, inclusive ao trabalhador rural, sem distinção de sexo, por dia de serviço e capaz de satisfazer as necessidades básicas de alimentação, habitação, vestuário, higiene e transporte. Getúlio Vargas em 1930. De acordo com o art. 459 da CLT, o período de pagamento do salário não pode ser superior a um mês, e o trabalhador deve recebê-lo até o quinto dia útil do mês subsequente ao vencido. A legislação também é clara no sentido de definir que os salários serão pagos em dinheiro, não havendo nenhuma outra possibilidade