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Profa. Ma. Su Stathopoulos UNIDADE II História da Arte A introdução da máquina como elemento fundamental do ciclo produtivo propiciou, em meados do século XIX, um debate exaustivo sobre a relação entre artesanato versus indústria e, por conseguinte, entre arte versus artesanato. Na Primeira Exposição Universal de 1851, realizada no Palácio de Cristal em Londres, ficara patente a necessidade de adequar as formas dos objetos produzidos artesanalmente pelo homem aos novos tempos, agora os da máquina. Formou-se então na Inglaterra um movimento denominado Arts and Crafts, liderado por artistas como William Morris (1834-1896) e John Ruskin (1819-1900), que rejeitavam a forma de produção industrial. Defendiam o artesanato e buscavam nas corporações e guildas da Idade Média uma saída plausível para a organização da produção nos novos tempos. Mais ao final do século XIX, no entanto, surge na Europa um movimento antagônico ao Arts and Crafts nos seus objetivos. A busca da ruptura com os padrões clássicos: pintura, design e arquitetura Com diversas denominações, a Arte Nova, ou Art Nouveau pretendia avançar a questão da produção em série a partir dos novos materiais: o ferro e o vidro. No entanto, as formas e as referências utilizadas pela Arte Nova para romper com o clássico tinham forte influência da pintura oriental, com utilização de formas da natureza, portanto linhas curvas e temas florais. Já na primeira década do século XX, mais precisamente em 1907, na Alemanha é fundada a Werkbund, uma sociedade de artesãos e artistas com o objetivo de relacionar a arte e a indústria por meio do ensino e da propaganda. Werkbund concilia a máquina na produção artística, de forma e abrir terreno seguro para que Walter Gropius (1883-1969) em 1919 fundasse em Weimar, também na Alemanha, primeira e mais importante escola de arte, design, arquitetura e urbanismo, a Bauhaus (1919-1933). A busca da ruptura com os padrões clássicos: pintura, design e arquitetura Art Nouveau Escadaria de ferro forjado para a residência Tassel, Bruxelas, 1893. Victor Horta. Fonte: Dempsey (2010, p. 34). Um dos mais importantes artistas do Ocidente, e que influenciou muitas gerações de pintores, nas quais se incluem Pablo Picasso e Georges Braque, foi o francês Paul Cézanne (1839-1906). Ele não considerava que a arte tivesse como papel a fiel representação da realidade, nem o mero registro das impressões decorrentes dos sentidos, mas antes, a busca da interpretação do real. Noutros termos, segundo Cézanne, o artista não reproduz, mas interpreta a realidade. Cézanne destacou-se sobretudo, na História da Arte, pelo rigor técnico com que buscou a geometrização em suas pinturas, empregando com maior constância formas cilíndricas, esféricas e cônicas, tornando-se um precursor do Cubismo. As novas formas de representação na segunda metade do século XIX Paul Cézanne (1839-1906) A Montanha Sainte-Victoire foi pintada por Cézanne em diversas ocasiões, como se estivesse à procura da descoberta da estrutura fundamental do espaço tridimensional representado no plano. Para Cézanne, a natureza deveria ser retratada pelos volumes puros, o cone, o cilindro, o cubo e a esfera. Essa perspectiva prenuncia o Cubismo. Fonte: Dempsey (2010, p. 47). Paul Cézanne – Monte Sainte- Victoire, visto de Bellevue. O Pontilhismo foi uma iniciativa tomada por alguns artistas europeus no final do século XIX que se baseava em uma propriedade do olho e do cérebro humano de reunir certos elementos visuais – neste caso um conjunto de milhares de pontos coloridos – e, a partir deles, construir imagens. Um dos principais artistas desse tipo de representação foi Georges Seurat, que influenciou muito os artistas chamados de impressionistas. Até hoje, a obra de Seurat é uma referência e chama a atenção do observador. No quadro abaixo, o artista escolheu não apenas representar as cores e formas dos elementos que compõem o quadro por meio do pontilhismo, mas também com outras escolhas plásticas: tanto as pessoas quanto a vegetação e os animais estão representadas de uma maneira simplificada e geometrizada, quase como bonecos. Não há uma preocupação em retratar fielmente, do ponto de vista visual, a cena de lazer e de descanso do quadro. Pontilhismo Georges Seurat Georges Seurat – Tarde de domingo na ilha de Grande Jatte (Un dimanche après- midi à l'Île de la Grande Jatte (1884-1886) Óleo sobre tela, 2,60 x 3,5 m. Art Institute of Chicago, Chicago, EUA. Fonte: Proença (2011, p. 218). A rápida ascensão da modernidade decorrente da Revolução Industrial rompeu com o realismo que ainda permeava as camadas da sociedade. O ritmo acelerado da crescente urbanização e o surgimento de novas camadas da sociedade também se conjecturou no âmbito artístico. Diante do Impressionismo, porta de entrada da Arte Moderna e da ascensão da abstração, ocorreu um grande impacto estético ao longo do século XX. Os movimentos de vanguarda tiveram papel fundamental nas influências artísticas, subvertendo os impulsos realistas e acarretando liberdade estética na capacidade imaginativa do artista e do público, na abstração. Em termos visuais, a abstração é uma simplificação que busca um significado mais intenso e condensado. Como consequências dessa inquietação surgida no limiar do século XX, várias tendências se juntaram à racionalidade da abstração sobre a emotividade do Impressionismo: o Cubismo, o Surrealismo, o Fauvismo, o Construtivismo, o Dadaísmo, o Expressionismo e o Futurismo. A Arte Moderna Freud em sua psicanálise vem apontar para a descoberta do inconsciente e revoluciona a concepção do homem, marcada até então pela filosofia cartesiana, pelo pensamento racional. Dessa forma, o artista se libertava do retratismo visível e dava asas às suas realidades psíquicas pelo formalismo em detrimento do tema. A forma estética da Arte Moderna vem resgatar a solidez que o Impressionismo dissolvera em luz, tornando-a expressiva e impactante, propensa a experimentações. Características de vanguarda como contrastes e hachuras podem ser observadas na obra de Cézanne, bem como pinceladas diagonais encurtadas, que, por sinal, por assemelharem-se a cubos, dão o nome do movimento. A Arte Moderna foi um processo gradativo quanto aos seus aspectos, chegando ao seu auge com o movimento cubista, responsável por modificar completamente as noções de estética, tendo como Pablo Picasso, artista plástico espanhol (1881-1973), seu maior expoente. A Arte Moderna A pintura denominada impressionista desenvolveu-se na Europa no século XIX. Essa denominação tem a sua origem em uma famosa tela, de autoria de Claude Monet, intitulada Impressão, nascer do Sol, de 1872. Os artistas vinculados a esse movimento desprenderam-se da preferência por temas da mitologia greco-romana e puseram de lado a preocupação com a reprodução fiel (mimese) da realidade. O seu interesse central era a exploração dos efeitos de movimento e de luminosidade, obtidos a partir de pinceladas soltas, sem traço de desenho. Em geral, os impressionistas pintavam em meio à natureza e nos espaços abertos das cidades, visando observar melhor as variações decorrentes das mudanças da luz incidindo sobre pessoas e objetos durante o dia e à noite. Impressionismo Impressionismo A imagem acima reproduz o quadro intitulado Impressão, nascer do sol, de Monet. Exibida em exposição ocorrida no ano de 1873, foi a partir dessa obra que se nomeou o movimento impressionista. Fonte: Dempsey (2010, p. 15). Claude Monet – Impressão, nascer do sol (1872) Museu Marmottan, Paris, França. O fenômeno perceptivo da fusão visual foi extraordinariamente explorado por Georges Seurat, (Modelo sentada – 1859-1901). Todos os impressionistas exploraram os processos de fusão, contrastee organização, que se concretizavam nos olhos do espectador. Envolvente e estimulante, o processo era de alguma forma semelhante a algumas das mais recentes teorias de McLuhan, para as quais o envolvimento visual e a participação no ato de ver são parte do significado (DONDIS, 1997). Qual ou quais elementos básicos da comunicação visual são preponderantes nesta obra? a) Luz, cor e impressão. b) Linha e forma. c) Pontilhismo. d) Direção e tom. e) Ponto. Interatividade O fenômeno perceptivo da fusão visual foi extraordinariamente explorado por Georges Seurat, (Modelo sentada – 1859-1901). Todos os impressionistas exploraram os processos de fusão, contraste e organização, que se concretizavam nos olhos do espectador. Envolvente e estimulante, o processo era de alguma forma semelhante a algumas das mais recentes teorias de McLuhan, para as quais o envolvimento visual e a participação no ato de ver são parte do significado (DONDIS, 1997). Qual ou quais elementos básicos da comunicação visual são preponderantes nesta obra? a) Luz, cor e impressão. b) Linha e forma. c) Pontilhismo. d) Direção e tom. e) Ponto. Resposta O Fauvismo (também chamado de fovismo) nasceu em 1905, em Paris, a partir da exposição no Salão de Outono. Naquela ocasião, certos artistas expuseram obras em que empregavam as cores puras de forma muito intensa, e, por esse motivo, passaram a ser denominados fauves (feras, em português). Principais características do Fauvismo: a obra de arte não é um produto intelectual, nem um produto da sensibilidade, pois, no ato de criação, o pintor deve seguir os impulsos instintivos, os seus sentimentos primários; na pintura, devem-se exaltar as cores puras e tanto as linhas do desenho como o colorido das tintas devem surgir de modo impulsivo, expressando em sua maior pureza, as sensações do artista; na pintura fauvista não há preocupação com o realismo da representação nem interessam formas ou figuras e técnicas de desenho. Já que a própria perspectiva é abandonada em favor do tratamento exclusivo da cor. Fauvismo Fauvismo Os mais importantes representantes do Fauvismo foram os franceses Maurice de Vlaminck (1876-1958), André Derain (1880-1954), Raoul Dufy (1877-1953) e Henri Matisse (1869-1954). Este último, ao contrário dos demais, transitou gradativamente em sua obra, para uma composição equilibrada entre colorido e desenho, em pinturas nas quais a profundidade está ausente. Três figuras sentadas na relva, 1906. A arte africana instigou Matisse, Vlaminck e Derain. O uso de manchas de cor, bastante realçadas, por parte de Derain, evoca Cézanne e Gauguin. Fonte: Dempsey (2010, p. 67). O Expressionismo desenvolveu-se na Europa entre o final do século XIX e o início do século XX. Os artistas que tomaram parte nesse movimento privilegiavam os aspectos internos do processo de produção artística, em detrimento de suas manifestações exteriores. Por esse motivo, conferiam às suas obras uma forte carga de subjetividade, tornando-as expressão direta dos seus universos interiores. Embora tenha se manifestado em diferentes campos das artes, foi na pintura que se inaugurou o movimento expressionista, tendo constituído, ao lado do fauvismo, o início das vanguardas históricas. Há ainda que observar que o Expressionismo originou-se em contraposição ao Impressionismo, em particular contra as suas tendências naturalistas e positivistas. Noutros termos, o Expressionismo deforma o real a fim de explicitar a subjetividade do artista e da própria natureza, privilegiando a manifestação dos sentimentos e não a descrição objetiva da realidade. Expressionismo Expressionismo A imagem ao lado reproduz a tela intitulada O Grito, de autoria do pintor norueguês Edvard Munch (1863-1944). Constitui esta uma das mais significativas obras do Expressionismo. Nela, um ser cujo sexo não é facilmente discernível, aparece atormentado nas docas de Oslofjord, na cidade de Oslo, ao anoitecer, e, como sugerido pelo título do quadro, solta um grito. O caráter subjetivo da cena – característico do Expressionismo – é bastante explícito, sobretudo por não ser demonstrado com exatidão o que o quadro efetivamente representa. Edvard Munch – O grito (1893) Óleo sobre tela, têmpera e pastel sobre cartão. Galeria Nacional, Oslo, Noruega. Fonte: Proença (2011, p. 251). Expressionismo Com efeito, a sua interpretação depende do envolvimento do espectador, a quem cumpre buscar compreender o que o artista quis expressar. Angústia, dor e desespero são alguns dos sentimentos que se pode entrever nesta tela, que bem poderia querer representar o desejo do artista de gritar, ainda que solitariamente, com a sensação de não poder ser ouvido – nem mesmo por nós – diante das profundas mudanças que a nova sociedade europeia, burguesa e industrial, estava provocando. Edvard Munch – O grito (1893) Óleo sobre tela, têmpera e pastel sobre cartão. Galeria Nacional, Oslo, Noruega. Fonte: Proença (2011, p. 251). A arte cubista teve início em 1907 e influenciou diferentes gerações de artistas no transcorrer das primeiras décadas do século XX. Influenciados, entre outros fatores, pela obra de Paul Cézanne, os iniciadores do Cubismo, Pablo Picasso (1881-1973) e Georges Braque (1882-1963) contribuíram de forma decisiva para uma das mudanças mais significativas ocorridas na arte ocidental. O Cubismo rompeu com os padrões de representação artística do real ao empregar, predominantemente, figuras geométricas que representavam seres e objetos em todas as suas partes em um único plano, sem preocupação com perspectiva ou tridimensionalidade. A realidade se via simplificada às formas geométricas: triângulos, losangos, trapézios, cubos. Cubismo Para Picasso, o estímulo do cubismo estava em configurar três dimensões no espaço bidimensional da tela. Braque, por sua vez, desejava experimentar a pintura do volume e da massa na superfície. O primeiro momento da produção de Braque e Picasso, que existiu até perto de 1911, costuma ser chamado como cubismo analítico. Nessa época os dois artistas escapavam geralmente de temas e cores com apelos emocionais evidentes, escolhendo, além do que, por uma paleta frequentemente unicolor e temáticas neutras, por exemplo, naturezas-mortas. Outra fase – Cubismo Sintético – (1911), reação à excessiva fragmentação dos objetos e à destruição de sua estrutura, essa tendência procurou tornar as figuras novamente reconhecíveis. Também chamado de Colagem porque introduz letras, palavras, números, pedaços de madeira, vidro, metal e até objetos inteiros nas pinturas. Cubismo A imagem ao lado representa a obra Les demoiselles d'Avignon (1907), da autoria de Picasso. Essa pintura é considerada como aquela que deu início ao Cubismo. Nela, podem- se observar influências da arte tribal africana, bem como de Paul Cézanne. Obra-prima das artes plásticas do Ocidente, é perceptível nela a ruptura com todas as convenções e tradições da arte ocidental. As cinco mulheres do quadro são apresentadas à maneira cubista, seus corpos reduzidos a formas geométricas. Cubismo Pablo Picasso – Les demoiselles d’Avignon (1907) Óleo sobre tela. The Museum of Modern Art, Nova York, EUA. Fonte: Proença (2011, p. 251). Georges Braque Na obra Woman with a Guitar, Georges Braque (1882-1963) introduziu letras, partituras e cordas para aludir a ideia de um instrumento musical. Percebe-se a guitarra e a pessoa a partir de traços; e pelos olhos fechados da mulher, a sensação de satisfação e prazer. Nesse contexto, podemos entender que o jogo de associações criado pelo artista através de simbologias e elementos do mundo reconhecido aproxima o observador da linguagem do artista, facilitando, de alguma forma, a compreensão da obra. Mulher com violão (1913), deGeorges Braque. Museu de Arte Moderna, Centro Georges Pompidou, Paris. Fonte: Proença (2011, p. 255). Contrários a toda tendência moralista e passadista, os futuristas foram artistas que enalteceram, em suas obras, as conquistas tecnológicas do início do século XX e as mudanças velozes que estas imprimiam na sociedade europeia da época; tendo também exaltado, no início do movimento, a própria guerra e a violência. Em decorrência de seu apreço pela novidade, propunham inclusive a destruição dos museus e das antigas cidades. Presente nas artes plásticas e na literatura, o Futurismo foi inaugurado com a redação do Manifesto Futurista, de autoria do poeta italiano Filippo Tommaso Marinetti (1876-1944). Devido ao seu caráter agressivo, o Futurismo repercutiu internacionalmente, tendo influenciado artistas modernistas de outros continentes. Futurismo Futurismo Na imagem ao lado encontra-se a reprodução da obra intitulada Velocidade abstrata – o carro passou, de autoria do pintor italiano Giacomo Balla (1871-1958). Nela acham-se explicitados alguns dos principais elementos definidores da pintura futurista: a tendência ao cubismo e à abstração, o emprego de cores fortes, a simulação de ação, de movimento, a demonstração de que os diferentes aspectos dos objetos interpenetram-se simultânea e permanentemente. A obra de Balla sugere figuras movimentando-se num determinado espaço, sem a preocupação com a representação figurativa bem definida em seus contornos. Velocidade abstrata – o carro passou (1913), óleo sobre tela. Tate Gallery, Londres. Fonte: Proença (2011, p. 266). Constituiu o Dadaísmo (ou simplesmente Dadá) um movimento artístico de vanguarda que se iniciou no Cabaret Voltaire, localizado na cidade de Zurique, capital da Suíça, no ano de 1916. A liderança do mesmo coube ao escritor alemão Hugo Ball (1886-1927) – autor do Manifesto Dada, publicado em 1916; ao poeta romeno Tristan Tzara (1896-1963) e ao pintor e poeta alemão Hans Arp (1886-1966). O emprego da palavra dada para representar o movimento visa indicar tanto o caráter antirracionalista do mesmo, uma vez que o termo parece não ter um significado, pois se trata de uma palavra que lembra o balbuciar de um bebê humano. Ao enfatizarem o non-sense, o não lógico e o não racional, os dadaístas empregavam a ironia em suas obras e eram radicais na valorização daquilo que era considerado absurdo. Por esse motivo, recorreram ao poema aleatório e aos ready-mades. Dadaísmo Dadaísmo A figura ao lado reproduz a obra Roda de Bicicleta, produzida no ano de 1912, e que constituiu o primeiro ready-made de autoria de Marcel Duchamp, um dos mais importantes artistas dadaístas. A peça é formada por uma roda de bicicleta equilibrada sobre o tampo de um banco. Com esta obra, Duchamp pretendeu discutir o próprio conceito de arte, demonstrando que esta não é definida pelo objeto, pelos materiais ou pelo tipo de suporte empregado, mas pela atitude do artista, que modifica a própria natureza do objeto, ao dispô-lo não mais como produto industrial utilitário, mas como obra artística. Marcel Duchamp – Roda de bicicleta. (1913), Museu Nacional de Hessisches. Fonte: Proença (2011, p. 353). Constituiu o Construtivismo russo um movimento artístico de forte conotação político- ideológica e que teve origem na extinta União Soviética, em 1919. Contrariamente à noção de pureza artística, o Construtivismo Russo enfatizava as vinculações entre a produção artística e a realidade cotidiana. Desse modo, preconizava-se que as obras de arte deveriam refletir as conquistas sociais da Revolução Bolchevique de 1917 e representar o mundo do trabalho e do operariado na era da máquina e da industrialização. Portanto a arte serviria aos propósitos ideológicos, de apoio à construção da sociedade socialista. A denominação de arte construtivista foi elaborada pelo artista plástico russo Kazimir Malevich (1878-1935), referindo-se à obra do seu compatriota, o pintor e fotógrafo Alexander Rodchenko (1891-1956). Construtivismo russo, caracterizado sobretudo pelo recurso à abstração geométrica. Construtivismo russo Construtivismo russo Na figura ao lado, observa-se reprodução do quadro intitulado Pintura Suprematista (1917-8), de Kazimir Malevich, um dos principais expoentes do Construtivismo russo. Esse quadro é representante do abstracionismo a que chegaram os construtivistas, denominado suprematismo, caracterizado pelo uso de figuras geométricas e cores primárias. Kazimir Malevitch – Pintura suprematista (1917-18) – Fonte Dempsey (2010, p. 105). O expressionismo é um termo que foi amplamente aplicado ao teatro, às artes visuais e à literatura no início do século XX e em várias acepções. No plano da história da arte, o expressionismo passou a ser usado como alternativo ao pós-impressionismo, para se referir às novas tendências anti-impressionistas presentes nas artes visuais que estavam se desenvolvendo em diferentes países, desde aproximadamente 1905. Por esse motivo, os artistas conferiam às suas obras uma forte carga de subjetividade, tornando-as expressão direta dos seus universos interiores. Assinale abaixo a alternativa incorreta com relação ao Expressionismo: Interatividade a) O Expressionismo figurou-se por certa heterogeneidade de estilos, tendo sido, por isso mesmo, sobretudo, uma postura diante da arte que congregou diferentes artistas, de características intelectuais diversas. b) O Expressionismo originou-se em contraposição ao Impressionismo, em particular contra as suas tendências naturalistas e positivistas. c) Os expressionistas privilegiavam a observação e a fidelidade, enfatizando a exterioridade que cada artista imprimia em suas obras. d) O Expressionismo deforma o real a fim de explicitar a subjetividade do artista e da própria natureza, privilegiando a manifestação dos sentimentos e não a descrição objetiva da realidade. e) No expressionismo, devido às suas próprias características de expressão da subjetividade, conduziam a uma supervalorização da individualidade artística. Interatividade a) O Expressionismo figurou-se por certa heterogeneidade de estilos, tendo sido, por isso mesmo, sobretudo, uma postura diante da arte que congregou diferentes artistas, de características intelectuais diversas. b) O Expressionismo originou-se em contraposição ao Impressionismo, em particular contra as suas tendências naturalistas e positivistas. c) Os expressionistas privilegiavam a observação e a fidelidade, enfatizando a exterioridade que cada artista imprimia em suas obras. d) O Expressionismo deforma o real a fim de explicitar a subjetividade do artista e da própria natureza, privilegiando a manifestação dos sentimentos e não a descrição objetiva da realidade. e) No expressionismo, devido às suas próprias características de expressão da subjetividade, conduziam a uma supervalorização da individualidade artística. Resposta O movimento denominado De Stijl ou neoplasticismo teve origem na Holanda e contou, entre os seus mais importantes expoentes, com o artista plástico, designer, poeta e arquiteto Theo Van Doesburg (1883-1931), o pintor Piet Mondrian (1872-1944) e o designer de produtos e arquiteto Gerrit Rietveld (1888-1964). O movimento teve sua origem na revista intitulada De Stijl (em português, O Estilo); fundada no ano de 1917 por Doesburg e outros artistas, inclusive Mondrian e Rietveld, que nela publicavam textos em favor de uma nova estética para a poesia, a arquitetura e as artes plásticas, tendo como epicentro a supervalorização das cores primárias e das formas geométricas; conduzindo ao abandono de toda representação figurativa, por meio da adoção do completo abstracionismo. De Stijl: o neoplasticismo holandês De Stijl: o neoplasticismo holandês A total abstração da pintura deMondrian foi obtida por meio de um longo trabalho de pesquisa plástica que começa ainda com o figurativismo em seus primeiros quadros. Posteriormente, o autor foi criando uma forma de representação que se volta para si mesma, sem buscar referências externas, baseando-se na composição das cores básicas, reveladas pela ciência da ótica e da física. Esse tipo de plasticidade também se estendeu à arquitetura, tanto de edifícios quanto de interiores. Piet Mondrian – Composição em vermelho, preto, azul, amarelo e cinza (1920) Óleo sobre tela. Stedelijk Museum, Amsterdam, Holanda. Fonte Dempsey (2010, p. 122). O movimento surrealista abrangeu a literatura, as artes plásticas, o teatro e o cinema e teve sua origem em Paris na década de 1920; a partir da publicação, em 1924, do Manifesto Surrealista, de autoria do poeta André Breton (1896-1966). Essa vanguarda artística foi bastante influenciada pelas teorias do pai da Psicanálise moderna, o austríaco Sigmund Freud (1856-1939). Decorre daí a ênfase conferida pelos artistas surrealistas ao papel do inconsciente na representação da realidade, o que valia por uma crítica ao extremado racionalismo vigente na condução da política e das relações socioeconômicas à época. os surrealistas buscavam apresentar em suas obras o real de maneira não racionalista, a qual se podia captar, principalmente, nos sonhos, quando o inconsciente se encontra liberado da repressão racionalista do consciente. Surrealismo Surrealismo Na imagem ao lado encontra-se reproduzido o quadro Aparição de rosto e fruteira numa praia (1938), de autoria de Salvador Dalí (1904-1989), um dos principais expoentes da pintura surrealista, ao lado de René Magritte (1898-1967). Essa obra de Dalí apresenta a mais importante característica da arte surrealista: o mundo é aí percebido como se estivéssemos em meio a um sonho, cercados por imagens de seres e objetos transfiguradas pela ação do inconsciente quando este se acha liberado do rígido controle da racionalidade. Salvador Dalí – Aparição de rosto e fruteira numa praia (1938) Óleo sobre tela, 114,2 x 143,7 cm. Wadsworth Atheneum, Hartford, Connecticut. EUA. Fonte: Gombrich (2018, p. 893). A Bauhaus (1919-1933) foi a mais conhecida escola alemã de formação de arquitetos, técnicos e artífices especializados da primeira metade do século XX. Ela começou com uma definição utópica: a construção do futuro deveria combinar todas as artes em um ideal único. Para atingir este objetivo, o fundador, Walter Gropius (1883-1969), sentiu a necessidade de desenvolver novos métodos de ensino e estava convencido de que a base para qualquer arte estava no artesanato: "a escola se transformara gradualmente em um workshop". Assim, artistas e artesãos dirigiram aulas e produção juntas na Bauhaus em Weimar, Alemanha. Isto pretendia remover qualquer distinção entre artes puras e artes aplicadas. A realidade da civilização tecnicista no início do século XX gerou solicitações para a Bauhaus que não poderiam ser preenchidas apenas pela revalorização do artesanato, que era a ideia inicial. Em 1923, a escola reagiu com um programa modificado, o qual marcaria sua futura imagem sob um novo mote: arte e tecnologia – uma nova unidade. A arte abstrata e a Bauhaus Bauhaus O potencial da indústria seria aplicado para satisfazer padrões de design, abrangendo tanto aspectos funcionais quanto estéticos. As oficinas da Bauhaus produziram protótipos para produção em massa: desde uma simples lâmpada até uma habitação completa. Oskar Schelemmer como turco no Balé triádico, 1922. A exposição da Bauhaus, em 1923, foi inaugurada com uma Semana Bauhaus excepcional, que mostrou o Balé triádico e o Balé mecânico, de Schelemmer, além de filmes, palestras e concertos. Fonte: Dempsey (2010, p. 131). No início do século XX, os efeitos da Revolução Industrial caminhavam a passos lentos em um Brasil ainda agrário e aristocrático. O País testemunhava as primeiras levas migratórias para as grandes cidades brasileiras e explosivas discussões sobre a identidade nacional e os problemas sociais germinados pela industrialização. Poucos burgueses, artistas e intelectuais tinham acesso às influências que a Europa ocupava na posição vanguardista cultural. Jovens de famílias paulistas abastadas, exceção nessa época, estavam eufóricos pelo nacionalismo emergido da Primeira Guerra Mundial e contagiados pelo centenário da Independência do Brasil. Semana de Arte Moderna no Brasil Em 1912, o escritor Oswald de Andrade e a pintora Anita Malfatti (então com 22 e 23 anos de idade, respectivamente) já tinham percorrido a Europa e mantido contato com os movimentos de vanguarda; principalmente com a proposta estética futurista, renovadora e pregando o desprezo pelo passado, influenciando diretamente esses e outros jovens artistas que buscavam não mais copiar os modelos estéticos europeus e sim criar uma arte que pudessem chamar de brasileira. Perceberam que a diversidade cultural e racial do Brasil poderia reconstruir uma identidade e renovar as artes e as letras pela pesquisa estética a que tinham direito. O escritor Mário de Andrade e Oswald formaram as principais personalidades de liderança do plano teórico e a divulgação dos novos movimentos estéticos das artes que retomavam sua força após a Primeira Grande Guerra, vindo a eclodir com a Semana de Arte Moderna; evento realizado no Teatro Municipal de São Paulo entre os dias 13 e 17 de fevereiro de 1922. Semana de Arte Moderna no Brasil Influenciada pelo Expressionismo e pelo Cubismo, Anita Malfatti realizou uma mostra de suas obras ao retornar de seus estudos na Europa chamada Exposição de Pintura Moderna/Anita Malfatti. As 53 telas da artista – entre elas O Homem Amarelo, O Japonês, Uma Estudante e A boba, são vistas sem alarde por um público de cultura medíocre e de informação artística limitada; até que o jornal O Diário de São Paulo publica a crítica do escritor Monteiro Lobato em 20 de dezembro de 1917, atribuindo um pesado julgamento às obras da artista e à Arte Moderna em geral, defendendo a arte acadêmica. A crítica agita e choca a vida cultural provinciana paulistana. Apesar da defesa pública de Oswald, o prestígio de Lobato gera um golpe terrível para Anita. Alguns quadros são devolvidos e outros são atacados na exposição a bengaladas, tamanha hostilidade que se formou em torno da artista. Semana de Arte Moderna no Brasil Semana de Arte Moderna no Brasil O homem amarelo (1915/1916), óleo sobre tela, Anita Mafaltti. Coleção Mario de Andrade do Instituto de Estudos Brasileiros (USP). Portanto antes mesmo da Semana de 22, esse histórico episódio é a passagem traumática que resulta no ponto de partida da Arte Moderna no Brasil e Anita passa a ser conhecida pelos intelectuais paulistanos, formados principalmente por Menotti del Picchia, Di Cavalcanti, Victor Brecheret, além dos próprios Oswald e Mário. Fonte: Proença (2011, p. 296). Fonte: MALFATTI, A. Uma estudante. In: GREGGIO, L. P. Anita Malfatti: tomei a liberdade de pintar a meu modo. São Paulo: Magma Cultural, 2007, p. 57. A partir daí os pejorativamente denominados futuristas paulistanos escandalizariam a sociedade. Chamados de loucos, rebeldes e estranhos, as esculturas de Brecheret, a Pauliceia Desvairada de Mário de Andrade, As Mulatas de Di Cavalcanti, a música de Villa-Lobos, entre outras obras desse período, são o verdadeiro manifesto modernista brasileiro. Semana de Arte Moderna no Brasil Outros nomes: Graça Aranha, Ronald de Carvalho, Sérgio Milliet, Guiomar Novaes, Hildegardo Leão Veloso, Guilherme de Almeida, Henri Mugnier, Zina Aita, Ferrignac, Ernani Braga, Wilhelm Haarberg, Tácito de Almeida, Candido Motta Filho e Georg Przyrembel. Participantes da Semana de Arte Moderna, 1922. Fonte:CARUSO, C. Oswald de Andrade. 2. ed. São Paulo: Callis, 2011, p. 42. O evento, idealizado pelo pintor Di Cavalcanti e incentivado por Paulo Prado, mecenas de tradicional aristocracia cafeeira paulistana (e que conseguira patrocínio do então presidente do Brasil, Washington Luís Pereira de Sousa), consistia em três noites de conferências, leitura de poemas e audições musicais, além da exposição com cerca de 100 obras aberta ao público de segunda a sábado no saguão do Teatro Municipal de São Paulo. Com exceção da abertura, em que a plateia de gala desfilava no saguão entre obras e palestras, os dias 15 e 17 foram marcados por várias manifestações hostis de vaias e de inquietação, como aponta Fonseca pelos olhos de Menotti del Picchia. O acontecimento mais marcante no encerramento da Semana de 1922 foram as vaias para Villa-Lobos que entrara com sapato em um pé e sandália em outro. Vista na época como uma manifestação elitista, a Semana de Arte Moderna de 1922 deixou sua mensagem de pré-consciência do espírito nacional como um momento histórico decisivo na formação de sua identidade. Semana de Arte Moderna no Brasil Foi o ponto de partida para o vanguardismo brasileiro questionar a estética vigente e para a redescoberta do Brasil por um projeto no qual a língua e a cultura foram objetos da nova estética que surgia. Grupo dos Cinco e os movimentos modernistas Após a Semana de Arte Moderna, o movimento modernista brasileiro, comumente ligado aos temas políticos, começara a ganhar força e, através de novas manifestações artísticas, o povo começou a aprender um pouco mais sobre a sociedade brasileira e tirando suas próprias conclusões, formando as suas próprias opiniões. Frequentemente o foco desses artistas era denunciar, através da arte, as diferenças sociais, caracterizadas pelos grupos de imigrantes proletários e pelas oligarquias desenvolvidas nas zonas rurais. Semana de Arte Moderna no Brasil O papel dos jovens envolvidos na Semana de 1922 foi decisivo na busca de uma identidade estética nacional, reconhecendo sua essência e pluralidade cultural, colocando-se contra tudo que fosse importado da Europa. Dessa estreita relação de pressupostos metodológicos de um modernismo em gestação, formou-se a união do chamado Grupo dos Cinco, composto de Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Menotti del Picchia, Anita Malfatti e pela recém-chegada da Europa, Tarsila do Amaral. Semana de Arte Moderna no Brasil Fonte: MALFATTI, A. Grupo dos cinco. In: GREGGIO, L. P. Anita Malfatti: tomei a liberdade de pintar a meu modo. São Paulo: Magma Cultural, 2007, p. 69. A partir daí, ideias se fundiram a diversos manifestos nacionalistas, como o Movimento Antropofágico. Obras literárias como Macunaíma, João Miramar, Pau-Brasil, Grande Sertão: Veredas, composições emblemáticas de Villa-Lobos e quadros como Abaporu, de Tarsila, e os painéis Guerra e Paz, de Portinari, entre tantos outros, são resultados desse esboço que se projetou muito além de seus objetivos iniciais. Semana de Arte Moderna no Brasil Abaporu (1928), Óleo sobre tela de Tarsila do Amaral. Museu Malba de arte Latino-Americana, Buenos Aires. Fonte: Proença (2011, p. 303). O Movimento Antropofágico surge nos fins da década de 1920, liderado por Oswald de Andrade, que foi inspirado pelo quadro de Tarsila Abaporu, palavra indígena que significa o homem que come carne humana, antropófago. A ideia de Oswald era se utilizar do conceito de antropofagia praticado pelos índios caetés nos rituais de canibalismo para se apropriarem da força e das qualidades admiradas e desejadas de seus inimigos. Deixavam, portanto, de devorar aqueles considerados fracos, covardes ou medíocres. Dessa forma, o conceito metafórico de devorar uma atitude estético-cultural e assimilar os valores culturais estrangeiros era a proposta dessa corrente, valorizando ao mesmo tempo a cultura nacional reprimida pelo processo de colonização do Brasil. Segundo o manifesto antropofágico, publicado em 1928, o movimento tinha como propósito a ruptura da estética importada e a representação de um novo modo de ser e estar no mundo pela expressividade intelectual nas artes, e ia mais além. Semana de Arte Moderna no Brasil O Movimento Tropicalista emerge em 1968 como uma atualização do Movimento Antropofágico no âmbito musical, configurado como uma nova estética cultural e ideológica “que se origina do aproveitamento de elementos estrangeiros fusionados à cultura brasileira, fazendo surgir um estilo original” (ESPERANDIO, 2007, p. 20). Oswald de Andrade revoluciona com o primeiro texto modernista para o teatro embasado no livro homônimo publicado em 1937, O Rei da Vela, que denunciava o quadro social brasileiro nos anos 1930 pós-crise financeira de 1929. A encenação ocorre em 1968, em plena ditadura militar, causando grande impacto sobre o público. Nas artes plásticas, destacam-se os trabalhos inovadores de dois grandes artistas brasileiros de formação concretista, Hélio Oiticica (1937-1980) e Lygia Clark (1920-1988). Influências Influências Nesse contexto, o cineasta Glauber Rocha (1938-1981) inova com uma feroz crítica social nos longas-metragens Deus e o Diabo na Terra do Sol (1963) e Terra em Transe (1967), inaugurando uma nova corrente artística do cinema nacional denominada Cinema Novo, de cunho político e social e engajada na realidade brasileira, consequência direta do regime militar. Glauber Rocha nas filmagens do filme O dragão da maldade contra o santo guerreiro (Antonio das Mortes), 1969. Fonte: TORRES, A. M. Buñuel y sus discípulos. Madrid: Huerga y Fierro editores, 2005, p. 77. Caetano, junto aos cantores Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé, à banda Os Mutantes e ao maestro Rogério Duprat formariam os maiores representantes do Tropicalismo na música popular brasileira. Devido à perseguição da ditadura e às constantes censuras, o Tropicalismo se dispersou, culminando com o exílio de Caetano e Gil ao exterior, seus principais precursores, deixando claro o conceito da arte tropicalista do não conformismo social, da experimentação do novo, pois seus artistas pretendiam não apenas fazer música, mas fazer política pela produção artística. Um nome marcante: Alfredo Volpi: Nasceu em Lucca, Itália, em 14 de abril de 1896. Um ano depois, seu pai veio para o Brasil e abriu uma loja de queijos e vinhos. Ainda criança trabalhou como marceneiro-entalhador e encadernador. Influências Alfredo Volpi Aos 15 anos torna-se pintor-decorador. Sua primeira pintura e cavalete é datada de 1914. Expõe pela primeira vez em 1925 em uma coletiva no Palácio da Indústria de São Paulo. Apesar de receber críticas negativas, vende seu primeiro trabalho, o qual apresenta a irmã costurando. Volpi se transforma numa expressão como artista, com muitas obras produzidas e reconhecidas pelo mundo. VOLPI, A. Minha irmã costurando. Fonte: MAMMI, L. Volpi. Espaços da arte brasileira. 2. ed. São Paulo: Cosac Naify, 2001, p. 1. O papel dos jovens envolvidos na Semana de 1922 foi decisivo na busca de uma identidade estética nacional, reconhecendo sua essência e pluralidade cultural, colocando-se contra tudo que fosse importado da Europa. A partir daí ideias se fundiram a diversos manifestos nacionalistas, como o Movimento Antropofágico. Obras literárias como Macunaíma, Pau-Brasil, e quadros como Abaporu, de Tarsila e muitas expressões artísticas surgiram. Sobre o conceito do Movimento Antropofágico, é correto afirmar: Interatividade a) O conceito metafórico de devorar uma atitude estético-cultural e assimilar os valores culturais estrangeiros era a proposta dessa corrente, valorizando a cultura híbrida. b) O conceito do Movimento Antropofágico era assimilar a cultura europeia, que estava em voga. c) O conceito metafórico de assimilar as influênciasindígenas. d) O Conceito do Movimento era absorver a cultura estrangeira. e) Segundo o manifesto antropofágico, publicado em 1928, o movimento tinha como propósito a ruptura da estética importada e a representação de um novo modo de ser e estar no mundo pela expressividade intelectual nas artes, e ia mais além. Interatividade a) O conceito metafórico de devorar uma atitude estético-cultural e assimilar os valores culturais estrangeiros era a proposta dessa corrente, valorizando a cultura híbrida. b) O conceito do Movimento Antropofágico era assimilar a cultura europeia, que estava em voga. c) O conceito metafórico de assimilar as influências indígenas. d) O Conceito do Movimento era absorver a cultura estrangeira. e) Segundo o manifesto antropofágico, publicado em 1928, o movimento tinha como propósito a ruptura da estética importada e a representação de um novo modo de ser e estar no mundo pela expressividade intelectual nas artes, e ia mais além. Resposta O papel do artista e a crise da modernidade O denominado Expressionismo Abstrato ou Action Painting constituiu um movimento artístico de grande originalidade e forte repercussão que modificou a cena artística norte-americana no final dos anos 40. Sua principal característica era o emprego de largas massas coloridas, com o predomínio de manchas, não de traços. Ao contrário do Expressionismo europeu, diretamente envolvido em debates ideológicos, os expressionistas norte- americanos excluíam totalmente os temas políticos e sociais de suas obras, privilegiando questões existencialistas como a miséria humana, por exemplo, buscando expressar emoções de forma intensa e espontânea. Para tanto, destruíram os meios tradicionais de pintura, pintando diretamente no chão, na parede, por vezes sem uso de pincéis. As realizações da arte pós-vanguardas Efetivamente, Jackson Pollock (1912-1956), maior nome do Action Painting, empregava verdadeiros jatos de tinta sobre a superfície de telas deitadas no chão, sem emprego de cavalete. Por meio dessa ação, Pollock cobria totalmente a tela e eliminava qualquer possibilidade de percepção figurativa ou de perspectiva por parte do espectador. Desse modo, criava obras de arte cheias de instintividade e emoção. Diferentemente de Pollock, Willem De Kooning (1904-1997), igualmente representante do expressionismo abstrato norte-americano, não se distanciou totalmente do figurativismo. Adepto do abstracionismo, empregava pinceladas fortes, violentas, frenéticas em seus quadros, produzindo composições diferenciadas e muito coloridas, mas nas quais se reconhecem objetos e seres. Expressionismo Abstrato ou Action Painting Expressionismo Abstrato ou Action Painting A imagem acima representa a tela intitulada Blue Poles 1952, de Jackson Pollock, o mais importante representante da Action Painting. Nela, podem-se notar as principais características desse artista e do movimento do qual fez parte: a ruptura plena com o figurativismo, gerada pelo uso de respingos de tinta lançados contra a tela. A técnica de gotejamento, por meio de latas de tinta perfuradas, foi introduzida por Pollock, que chegava a produzir as suas telas na frente do próprio público. Blue Poles 1952, de Jackson Pollock, vista pela primeira vez em janeiro de 1948. Fonte: Dempsey (2010, p. 190). A Pop Art constituiu um movimento artístico que ocorreu predominantemente nos Estados Unidos e na Inglaterra, entre a segunda metade dos anos 50 e 60. Bebendo em fontes como o Dadaísmo, a Pop Art contribuiu também para revolucionar o próprio conceito de obra de arte, uma vez que incluía em seus temas objetos tipicamente comerciais e de consumo de massa, contrariando a máxima de que a arte é alheia aos interesses do mercado. Sobretudo, os artistas representativos desse movimento incorporaram ao seu repertório objetos emblemáticos da indústria cultural e do universo da propaganda, como a Coca-Cola e as imagens de artistas populares como Marilyn Monroe. Devido a essa mesma motivação, as principais fontes de inspiração dos representantes da Pop Art eram os programas de televisão, as revistas em quadrinhos, o cinema e a publicidade. De certo modo, por incluir imagens plenamente identificáveis de pessoas e objetos, a Pop Art marcou também um retorno ao figurativismo, contrapondo-se ao Expressionismo, dominante desde o fim da Segunda Grande Guerra (1939-1945). A Pop Art Entre as principais consequências do movimento da Pop Art, cabe destacar a elevação à categoria de arte de objetos que antes eram considerados vulgares, dado o seu caráter de produtos comerciais. Dos principais artistas da Pop Art, cumpre destacar os seguintes: Robert Rauschenberg (1925-2008): empregava materiais diversos, como folhas de jornal, garrafas e outros objetos industrializados, bem como fotografias, em combinação com tintas e silk-screen, representando temas da indústria cultural e da contemporaneidade nos EUA; Roy Lichtenstein (1923-1997): tinha grande apreço pelas histórias em quadrinhos. Pintou sobretudo quadros a óleo e tinta acrílica, empregando uma técnica muito própria de pontilhismo, marcada pelo forte colorido e luminosidade, sempre delimitado por um traço negro. Os temas de seus quadros, muitos dos quais remetem a uma espécie de imagem congelada de uma sequência de quadrinhos, não estão vinculados explicitamente a nenhum enredo, que cabe ao espectador imaginar. A Pop Art Roy Lichtenstein A Melodia persegue a minha fantasia (1965), tela de seda de Roy Lichtenstein. Dimensões: 69,9 cm x 51,4 cm. Fonte: Proença (2011, p. 351). Andy Warhol Andy Warhol (1927-1987): foi o mais renomado representante da Pop Art. Tornou-se internacionalmente conhecido por suas séries de retratos de ícones da música e do cinema, como, por exemplo, Marilyn Monroe e Elvis Presley. Warhol empregou em suas obras, sobretudo, a técnica da serigrafia, representando, além dos ídolos pop, objetos de consumo de massa, como garrafas de Coca-Cola, latas de sopa, carros e cédulas de dinheiro. Marilyn Monroe, por Andy Warhol. Exposição na Casa da Moneda, Santiago, Chile. Foto: Su Stathopoulos. A Op Art ou Optical Art foi um movimento artístico caracterizado pelo emprego de formas geométricas que induzem o olhar do espectador a uma espécie de ilusão de ótica, gerando sensações de movimento, de tridimensionalidade, de vibração e de mudança de sentido. A Op Art parece querer significar a permanente mudança a que está submetido o mundo contemporâneo, seu caráter sempre passageiro, mesmo fugaz. Característicos desse movimento são, por exemplo, os móbiles do artista Alexander Calder (1898-1976). Trata-se de uma arte de construção bastante rigorosa, quase científica, dado o seu caráter sistemático. Os mais importantes artistas da Op Art são Alexander Calder, criador dos móbiles, iniciados com a materialização de quadros de Mondrian, e Victor Vasarely (1908-1997), criador de composições geométricas de alta complexidade, coloridas ou não, e que provocam diferentes sensações no espectador. A Op Art Alexander Calder Ao criar os seus móbiles, Alexander Calder literalmente colocou a arte em movimento, como na imagem ao lado, reprodução da obra Um universo, inspirada nos quadros de Piet Mondrian. As esculturas abstratas de Calder nos remetem às quatro dimensões da realidade: altura, profundidade, largura e tempo, uma vez que elas se movimentam, revelando-se ao espectador lentamente. Acrescente-se que os primeiros móbiles eram movimentados pelos próprios espectadores. Posteriormente, Calder decidiu torná-los suspensos, movimentando- se sozinhos, pela ação do vento. A construção dos móbiles demanda rigor no estabelecimento de um sistema equilibrado de pesos, a fim de que o movimento seja mantido ritmado e prolongado. Um universo, Alexander Calder,1934. Fonte Gombrich (2018, p. 885). Minimalismo O Minimalismo constituiu um movimento artístico iniciado no decênio de 1960, nos Estados Unidos, cujos representantes buscavam expressarem-se por meio do recurso aos elementos fundamentais – mínimos – das artes visuais. Nas artes plásticas, os minimalistas opuseram-se ao expressionismo abstrato norte-americano. Efetivamente, julgavam a action painting extremamente personalista e carente de substância. Para os minimalistas, caberia à arte expressar apenas a si própria, e não a qualquer elemento extra-artístico, não visual. Por esse motivo, pode-se considerar a minimal art como o ponto culminante do reducionismo nas artes plásticas, tendência que vinha se manifestando em diferentes campos artísticos no transcorrer do século XX. A pós-modernidade e as perspectivas da arte no século XXI rejeição tanto da objetividade como da subjetividade e do figurativismo na produção artística; reducionismo formal das obras de arte, em busca de sua expressão mais pura possível, tanto na bidimensionalidade como na tridimensionalidade; emprego sobretudo de formas geométricas simples, como cubos, paralelepípedos, cilindros etc. de modo repetitivo, para conferir ritmo às obras de arte; diferenciação de outras correntes abstracionistas, pois não adota o lirismo nem o matematismo, que considera muito personalistas; a escultura minimalista emprega figuras geométricas simples e materiais diferenciados, como, por exemplo, fibra de vidro, metais e plásticos. Características principais do Minimalismo Dan Flavin Ao lado, reprodução da obra do minimalista norte-americano Dan Flavin (1933-1996), um dos principais expoentes da Minimal Art. A obra é uma escultura composta por tubos luminosos coloridos. Nela é possível notar as mais importantes características do Minimalismo, ou seja, o reducionismo formal, a despretensão, a simplicidade e o forte cunho geométrico. Flavin utilizou tubos de luz fluorescente, considerava o espaço onde eles estão inseridos como parte integral de seu trabalho. Com o resultado da luz e do ambiente tomando o local do objeto de arte convencional, a obra fica desmaterializada. Fonte: Dempsey (2010, p. 237). O movimento artístico denominado Arte Conceitual desenvolveu-se particularmente nos Estados Unidos, a partir da década de 1960. Diferentemente do Minimalismo, na Arte Conceitual a crítica está presente, embora não de forma explícita, mas em reflexões filosóficas e linguísticas. Nesta vertente das artes plásticas, as ideias e os conceitos são considerados mais importantes do que os meios e materiais empregados na sua representação. Nesse sentido, o artista torna as suas obras veículos de pensamentos e teorias, ou seja, busca-se demonstrar que a arte se origina das ideias e o planejamento da produção artística é elevado a uma condição superior à própria execução das obras. Arte conceitual Noutros termos, na Arte Conceitual, as ideias são mais relevantes que os próprios objetos artísticos. Por esse motivo, um de seus mais eminentes representantes, o norte-americano Lawrence Weiner (1942), em diferentes obras de sua autoria, reduzia as mesmas a um simples enunciado de instruções descritivas, que sequer concretizava. Deste modo, pretendiam os artistas conceitualistas tecerem a crítica à própria noção de objeto artístico. Piero Manzoni (1933-63), o italiano chama a atenção pela sua ousadia artística. Arte conceitual Arte conceitual Ao lado, apresenta-se reprodução da obra One and Three Chairs, do norte-americano Joseph Kosuth (1945), que ilustra bem as principais características da Arte Conceitual. Efetivamente, nesta obra, Kosuth expõe, conjuntamente, uma cadeira real, uma foto dessa mesma cadeira e um texto contendo a definição do que seja uma cadeira. Ao proceder assim, o artista pretende provocar a reflexão sobre a própria realidade do objeto, ou seja, uma discussão sobre o próprio ser das coisas. Três partes iguais – uma cadeira, uma fotografia sua e uma definição do dicionário, impressa – compõem a obra. Ela é, na opinião de um crítico, uma gradação do real em direção ao ideal. Com LeWitt, Kosuth ajudou a definir os padrões da arte conceitual. Fonte: Dempsey (2010, p. 240). Arte conceitual Manzoni enlatou, rotulou, numerou e assinou 90 latas com seu próprio dejeto. As latas, tampadas de maneira mecanizada, foram vendidas pelo valor diário do ouro, correspondente ao peso de cada uma delas. Curiosidade: a pouco tempo essa lata foi a leilão e vendida por 275 mil euros (1.756 mil reais). Piero Manzoni, Merda d’artista n. 066, 1961. Fonte: Dempsey (2010, p. 242). Constituiu um movimento artístico que ocorreu predominantemente nos Estados Unidos e na Inglaterra, entre a segunda metade dos anos 50 e 60. Bebendo em fontes como o Dadaísmo, esse movimento contribuiu também para revolucionar o próprio conceito de obra de arte, uma vez que incluía em seus temas objetos tipicamente comerciais e de consumo de massa, contrariando a máxima de que a arte é alheia aos interesses do mercado. Qual é o movimento comentado? a) Expressionismo Abstrato ou Action Painting. b) Arte Conceitual. c) Minimalismo. d) Op Art. e) Pop Art. Interatividade Constituiu um movimento artístico que ocorreu predominantemente nos Estados Unidos e na Inglaterra, entre a segunda metade dos anos 50 e 60. Bebendo em fontes como o Dadaísmo, esse movimento contribuiu também para revolucionar o próprio conceito de obra de arte, uma vez que incluía em seus temas objetos tipicamente comerciais e de consumo de massa, contrariando a máxima de que a arte é alheia aos interesses do mercado. Qual é o movimento comentado? a) Expressionismo Abstrato ou Action Painting. b) Arte Conceitual. c) Minimalismo. d) Op Art. e) Pop Art. Resposta DEMPSEY, AMY. Estilos, escolas & movimentos. São Paulo: Cosac Naify, 2003. DONDIS, D. A. A sintaxe da linguagem visual. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997. ESPERANDIO, M. R. G. Para entender pós-modernidade. São Leopoldo: Sinodal, 2007. GOMBRISCH, Ernst Hans. A história da arte. Rio de Janeiro: LTC, 2019. (Disponível em Minha Biblioteca) PROENÇA, Graça. História da arte. São Paulo: Editora Ática, 2011. Referências ATÉ A PRÓXIMA!