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Aulas 2 e 3 DGF. Perspectiva histórica. Partes I e II

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UNIVERSIDADE ESTA DUAL DE MATO GROSSO DO SUL 
 UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE PARANAÍBA - MS 
 CURSO DE DIREITO 
 DISCIPLINA: DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
 PROFESSORA: Roberta Pantoni 
 PLANO DE AULA: Aula 1 
 
CONTEÚDO: Apresentação plano de ensino 
 
- Plano de Ensino de Direitos e Garantias Fundamentais – Transparência 
Ementa, objetivos, Conteúdo programático, Métodos de avaliação, Bibliografia. 
- Cronograma de aulas 
 
 UNIVERSIDADE ESTA DUAL DE MATO GROSSO DO SUL 
 UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE PARANAÍBA - MS 
 CURSO DE DIREITO 
 DISCIPLINA: DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
 PROFESSORA: Roberta Pantoni 
 PLANO DE AULA. Aulas 2 e 3 
 
CONTEÚDO: Perspectiva histórica: a “afirmação histórica” (F. K. 
COMPARATO) dos direitos fundamentais 
 
Ponto de partida: De que maneira os acontecimentos políticos econômicos e 
sociais condicionaram e moldaram a afirmação histórica dos direitos 
fundamentais? Quando eles efetivamente surgem? 
 
 
 A análise da origem, natureza e evolução dos direitos fundamentais ao 
longo da história é tema que caberia grande aprofundamento. Mas o objetivo 
da disciplina será modesto, ou seja, pretende-se apenas abordar aspectos 
relevantes a respeito da temática, principalmente porque pode-se dizer que a 
história dos direitos fundamentais inicia-se com a luta pela limitação do poder 
estatal, desembocando no próprio surgimento do moderno Estado 
constitucional. 
 
 Daí a sua imbricação e vinculação com a transformação pela qual 
passou o próprio Estado – de Estado Liberal - Estado Social – e o moderno 
Estado de Direito (Estado social e democrático de direito - material), e 
consequentemente seu papel na sociedade (a cada modelo de Estado 
corresponde uma geração/dimensão de direitos). 
 
 Sintetizando, portanto, o “devir” histórico (SARLET), dos direitos 
fundamentais até o seu reconhecimento nas primeiras constituições escritas, 
tem-se que: 
 
a) Pré- história, que se estende até o século XVI 
b) Uma fase intermediária que corresponde ao período de elaboração da 
doutrina jusnaturalista e da afirmação dos direitos naturais do homem 
com as declarações de direitos originadas pelas grandes revoluções; 
c) Fase da constitucionalização iniciada no final do século XVIII. 
 
 O estudo deve ser obviamente norteado pela compreensão do valor 
dignidade da pessoa humana, expressão de difícil definição, que encontrará 
em Imannuel Kant seu ápice conceitual e será resgatada de forma mais efetiva 
após a segunda guerra mundial. 
 
 A discussão sobre a questão da dignidade da pessoa humana como 
valor jurídico será retomada em momento oportuno. Por hora vou me restringir 
a dizer que com a reflexão sobre o homem e sua situação no mundo (surgida 
concomitantemente em várias civilizações no mundo) começa-se a delinear 
uma ideia de direitos humanos. (COMPARATO). 
 
 A ideia de direitos humanos no mundo antigo liga-se à limitação do 
poder político com a criação das primeiras instituições democráticas em Atenas 
- modelo político fundado na figura do homem livre e dotado de individualidade, 
e a lei escrita como fundamento da sociedade política. Na democracia 
ateniense, a autoridade ou força moral das leis escritas suplantou, desde logo, 
a soberania de um indivíduo ou grupo ou classe social. Para os atenienses, a 
lei escrita é o grande “antídoto” contra o arbítrio governamental 
(COMPARATO). No entanto, deve-se ressaltar que ao lado da lei escrita havia 
também entre os gregos outra noção de igual importância, a de lei não escrita: 
as leis universais aplicadas a todos os homens em todas as partes do mundo 
fundadas na natureza – direito natural/jusnaturalismo clássico, de conteúdo 
cosmológico. (ex: Antígona- Sófocles). 
 
 A ideia de direitos humanos prosseguiu no século seguinte, na esteira do 
entendimento dos estoicos (Cícero “justo por natureza”) sobre o direito natural, 
com a fundação da república romana, pela criação de um mecanismo de 
controles recíprocos entre os diferentes órgãos políticos. 
 
 Pode-se, portanto, dizer que os valores da liberdade e igualdade dos 
homens, encontram, pois, suas raízes na filosofia clássica (greco-romana). 
 
 Todavia, ainda que consagrada na doutrina a concepção de que não foi 
na antiguidade que os direitos fundamentais surgiram, não menos verdadeira é 
a constatação de que o mundo antigo, por meio da religião e da filosofia, nos 
legou algumas ideias-chave que vieram posteriormente influenciar direitamente 
o pensamento jusnaturalista (de conteúdo teológico, bem como o racionalista) 
e a sua concepção de que o ser humano, pelo simples fato de existir, seria 
titular de alguns direitos naturais inalienáveis 
 
 O desenvolvimento da noção de direitos naturais do homem segue 
durante a idade média com o pensamento cristão (homem seria o ponto 
culminante da criação divina), pela patrística (Sto Agostinho) e especialmente 
pela escolástica (São Tomas de Aquino – lei natural é uma parte da ordem 
imposta pela mente de Deus que se encontra na razão do homem) – que 
reuniu filósofos e teólogos que buscavam fundamentar-se mais na razão do 
que na fé. Pode-se nos dois períodos imperou a ideia de direito natural de 
conteúdo teológico, fundada na inteligência e na vontade divina (deus único) e, 
por maior que fosse, na escolástica, o esforço para emancipar o pensamento 
da religião, esse desiderato era praticamente inviável, dado que as Sagradas 
Escrituras eram um ponto de partida indiscutível. 
 
 Para os pensadores cristãos a trilogia se põe assim: em primeiro lugar 
está a lei eterna, expressão da razão divina que governa o universo; a lei 
natural, parte da lei eterna, é a lei da natureza humana, conhecida 
racionalmente pelo homem; a lei positiva ou lei humana é obra do legislador 
humano e deve ser conforme a lei natural e, portanto, a lei eterna. As duas 
primeiras são imutáveis e as últimas variáveis, segundo as exigências 
circunstanciais, desde que respeitados os primeiros princípios. 
 
 São Tomas de Aquino (1225-1274/ “Suma Teológica”) fez a síntese do 
cristianismo (fé) com a visão aristotélica do mundo (conhecimento). Desenvolve 
uma teoria da pessoa segundo a qual o homem é uma réplica de Deus 
concebendo-o como “substância individual de natureza racional” – Boécio. Isso 
lhe confere uma superioridade em relação a todas as outras substâncias 
(entes) que não compartilham da mesma potência. Essa superioridade é 
chamada expressamente de dignidade. Foi o primeiro a utilizar o termo 
“dignitas humanitas”. Professava a existência de duas ordens distintas, 
formadas, respectivamente pelo direito natural, como expressão na natureza 
racional do homem e pelo direito positivo, sustentando inclusive que a 
desobediência ao direito natural por parte dos governantes poderia em casos 
extremos, justificar até mesmo o exercício do direito de resistência da 
população. 
 
 “a lei natural é promulgada pelo próprio Deus que a instilou na mente do 
homem, de modo a ser conhecida naturalmente por ele” 
 
 Pico Della Mirandola (1463-1496/ “Discurso sobre a dignidade do 
homem”), autor renascentista que resgata o pensamento tomista entende de 
que a personalidade humana se caracteriza por ter um valor próprio, inato, 
expresso justamente na ideia de dignidade do ser humano, que nasce na 
qualidade de valor natural, inalienável e incondicionado. Assim, para ele o 
homem está no “meio do mundo” não em um sentido físico ou topográfico, mas 
em um sentido ontológico: ao homem são abertas possibilidades diversas para 
sua própria realização. 
 
 Note-se, no entanto, que a palavra “antropocentrismo”, aplicado ao 
pensamento de Pico della Mirandola, não significa que o homem esteja livre de 
Deus. Tampouco que Deus não exista, ou ainda que não se