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FUNDAMENTOS DA TÉCNICA PSICANALÍTICA.
 
CURSOS DE FÉRIAS NA ESTÁCIO
PROF: RONIELLY ARAÚJO
A tarefa do tratamento psicanalítico pode ser expressa na fórmula: Converter em consciente todo elemento patogênico inconsciente.
Sigmund Freud
A análise veio nos anunciar que há um saber que não se sabe.
Jacques Lacan
As entrevistas iniciais.
Entrevista inicial ou entrevistas iniciais?
Entrevistas preliminares.
Estado de “pré-transferência” – que, inclusive, já principia desde o telefonema do pretendente à análise para um primeiro contato.
Avaliar as circunstancias desse paciente, ele sabe do que consiste uma análise?
Preparar o paciente para o percurso doloroso da análise.
Reconhecer os efeitos contratransferenciais que lhe estão sendo despertados.
Verificar a analisabilidade e acessibilidade do paciente ao seu inconsciente.
O que avaliar?
o tipo de encaminhamento que trouxe o paciente até ele, e como foi o contato inicial; 
a aparência exterior - vestimentas, sintoma visível, como é a sua movimentação, motora, o seu jeito de discursar, comunicação não verbal.
realidade exterior -condições sócio-econômicas, o seu entorno familiar, a sua posição profissional, o seu projeto de vida próximo e futuro...
o histórico familiar;
o grau de motivação;
a escolha e estilo das suas relações objetais reais, (narcisistico, simbiótico, e etc)
Capacidade de simbolizar, abstrair, dar acesso ao seu inconsciente, e se revela condições para fazer insight.
Id: quais são as pulsões predominantes, se as de vida ou as de morte, que se manifestam por meio do tipo de necessidades, desejos, demandas ou atos masoquistas, e que caracterizam tanto a sua sexualidade como a agressividade...
Ego: conceitualmente essa estrutura psíquica compreende um conjunto de funções e de representações. É importante o terapeuta observar como são as capacidades egoicas que o paciente está demonstrando na entrevista inicial, isto é, como funciona a sua percepção.
Mecanismos de defesa que o paciente mobiliza para enfrentar as suas angústias e conflitos (por exemplo,as “identificações projetivas”)
Sentimento de identidade, representa a si próprio, relações objetais.
Funções Egoicas - pensar, conceituar, ajuizar e discriminar; como é a sua função de conhecer (ou desconhecer) as verdades; como são as suas emoções e quais são os afetos que mais o afetam; a sua maneira de estabelecer correlações, mecanismos de defesa que o paciente mobiliza para enfrentar as suas angústias e conflitos (por exemplo, as “identificações projetivas”
Funções superegoicas- É dispensável enfatizar a importância dos mandamentos superegóicos no psiquismo do paciente, tão evidentes e conhecidas são as suas manifestações sob a forma de culpas, autoacusações, busca inconsciente por punições, desvalia e baixa auto estima, rigidez obsessiva, quadros melancólicos, etc., sendo que os sentimentos prevalentes são os de culpa e medo.
Natureza essencialmente punitiva.
O contrato
O “contrato” (con-trato), portanto, exige uma definição de papéis e funções, respectivamente por parte do psicanalista, do analisando e da vincularidade entre ambos, sendo útil considerá-los separadamente.
Assim, o que se espera por parte do analisando?
Atenção: Em primeiro lugar, esteja suficientemente bem motivado; um aparente descaso do paciente pode estar significando uma maneira que ele tem de se defender na vida “porta de entrada”
Em segundo lugar, espera-se que o analisando reflita com seriedade sobre todos os itens das combinações que estão sendo propostas para o contrato analítico e que, desse contrato, ele participe ativamente e não de uma forma passiva e de mero submetimento.
“ser verdadeiro”
O que se espera do psicanalista é que ele tenha bem claro para si os seguintes aspectos: 
Qual é a natureza de sua motivação (se é por um natural prazer profissional ou prevalece uma oportunidade para uma determinada pesquisa; uma necessidade de complementar os ganhos pecuniários; uma obrigatoriedade devido a uma certa pressão de pessoas amigas, ou, no caso de candidatos, unicamente pelo cumprimento da obrigação curricular do Instituto; ou é um pouco de cada um destes fatores...).
Ele deve ter definido para si qual é o seu projeto terapêutico
Diante de um paciente bastante regressivo, o analista deve ponderar se ele reúne as condições de conhecimento teórico-técnico, notadamente das primitivas fases do desenvolvimento emocional e se está preparado para enfrentar possíveis passagens por situações transferenciais de natureza psicótica.
O terapeuta deve estar em condições de reconhecer a natureza de suas contra-resistências, contratransferências, 
 Também entrou em voga, desde Bion (1970), a questão referente a se a análise deve desvincular se de toda pretensão terapêutica, o analista não deve saturar-se do desejo de cura.
Honorários, frequência, férias do analista, permissão ou proibição de fumar durante a sessão; aceitação de presentes; encontros sociais; forma de cumprimentar; silêncios, faltas ou atrasos excessivos...
Contra indicações da análise
Persistem como contra-indicações indiscutíveis para a análise como escolha prioritária, os casos de alguma forma de degenerescência mental, ou aqueles pacientes que não demonstram a condição mínima de abstração e simbolização, bem como também para aqueles que apresentam uma motivação esdrúxula, além de outras situações afins.
AS REGRAS
 As regras técnicas legadas por Freud em 1913, em dois trabalhos contidos em Novas recomendações... (no texto “A dinâmica da transferência” e em Sobre o início do tratamento, na p. 177 do mesmo volume), ela já transparece bem delineada em 1904, no seu trabalho Sobre a psicoterapia.
A regra fundamental (associação livre)
Essa regra consistia fundamentalmente no compromisso assumido pelo analisando, em associar livemente as idéias que lhe surgissem espontaneamente na mente, e verbalizá-las ao analista, independentemente de suas inibições, ou do fato se ele as julgasse importantes ou não.
É impossivel conceber uma análise sem a associação livre.
Não reter qualquer idéia a ser comunicada, mesmo quando ele sente que “ela é desagradável; quando julga que ela é ridícula; ou não tão importante; ou irrelevante para o que se procura”.
 A associação livre evoluiu da ideia de uma imposição do psicanalista para o de uma permissão, com a finalidade de que o analisando fique realmente livre para recriar um novo espaço onde ele possa revivenciar antigas experiências emocionais e onde possa pensar, sentir, muitas vezes atuar e, acima de tudo, para poder silenciar ou dizer tudo que lhe vier à mente, no seu ritmo e à sua moda.
Regra da Abstinência
Essa “recomendação de abstinência”, pelo menos de forma clara, foi formulada pela primeira vez por Freud, em Observações sobre o amor de transferência (1915, p. 214).
Pacientes histéricas, que logo desenvolviam um estado de “paixão” e de atração erótica com o analista. 
“ Amor de transferência”
Tal como o nome “abstinência” sugere, essa regra alude à necessidade de o psicanalista abster-se de qualquer tipo de atividade que não seja a de interpretar, portanto ela inclui a proibição de qualquer tipo de gratificação externa, sexual ou social, ao mesmo tempo em que o terapeuta deveria preservar ao máximo o seu anonimato para o paciente.
“na medida do possível, a cura analítica deve executar-se em estado de privação – de abstinência”
Fica claro nesse texto que Freud também referia-se ao risco de que o analista atendesse às gratificações externas que o paciente busca, como um substituto dos conflitos internos.
Cuidado com o excesso de abstinência.
O significado maior da necessidade atual do cumprimento da regra da abstinência por parte do psicanalista, inclina-se mais para os riscos que estão ligados à configuração narcisista deles próprios.
Gratificar os desejos manifestos pelo paciente – nos casos em que tais desejos visam compensar deficiências internas suas –, dessa forma impelindo o terapeuta asubstituir um necessário “entender” por um infantilizador e narcisístico “atender”.
Regra da atenção flutuante
“atenção uniformemente suspensa”
Freud postulou que o terapeuta deve propiciar condições para que se estabeleça uma comunicação de “inconsciente para inconsciente” e que o ideal seria que o analista pudesse “cegar-se artificialmente para poder ver melhor”.
“atenção flutuante” é bastante útil para permitir o surgimento, na mente do analista, da importante capacidade, latente em todos, de intuição- “o terceiro olho”
propicia ao analista estar ligado ao mesmo tempo para os fatos externos e conscientes, e a uma área do inconsciente que lhe favorece uma “escuta intuitiva”, que possibilita a arte e a criatividade psicanalítica.
é impossível sustentar essa condição durante todas as sessões – e sempre –, sem que eventualmente ele tenha suas distrações, divagações, desejos, cansaço, algum desligamento... 
Se levar rigorosamente ao pé da letra o analista trabalhará sobre um estado de desconforto.
Regra da Neutralidade
“o psicanalista deve ser opaco aos seus pacientes e, como um espelho, não mostrar-lhes nada, exceto o que lhes é mostrado”
Propicia que o analista esteja disponível para os pontos de vista dos seus analisandos, diferentes dos seus, sem ter que apelar para um reducionismo sistemático de seus valores prévios e também para que ele ocasionalmente aproveite a profunda interação com o seu analisando e possa ressignificar as suas próprias experiências emocionais antigas.
necessidade de que o analista não se envolva afetivamente com o seu paciente, tal como sugere a metáfora do espelho
REGRA DO AMOR À VERDADE
Necessidade de que o psicanalista fosse uma pessoa veraz, verdadeira e que somente a partir dessa condição fundamental é que a análise poderia, de fato, promover as mudanças verdadeiras nos analisandos.
não emitir julgamentos a respeito de terceiras pessoas, que se apresentam no discurso.
quando a mente do analisando (e, muitas vezes, a do analista) estiver mais voltada para o não conhecimento de verdades penosas, o fato de todo e qualquer indivíduo, em algum grau, faz uso de mentiras, falsificações e da evasão de certas verdades. 
“atitude de ser verdadeiro”, especialmente consigo próprio, único caminho para atingir a um estado de liberdade interna, o que seguramente é o bem maior que um indivíduo pode obter.
A PRESERVAÇÃO DO SETTING
As combinações feitas no contrato analítico – e que compõem o setting – devam ser preservadas ao máximo, e isso não é o mesmo que apregoar o uso de uma rigidez obssesiva, cega e surda. 
Embora possa parecer paradoxal, essa preservação do enquadre é particularmente necessária para com os pacientes bastante regressivos, tendo em vista que eles têm um acentuado prejuízo na noção de limites e na aceitação das inevitáveis privações, frustrações e no reconhecimento das, também, inevitáveis diferenças entre eles e os outros.
AS RESISTÊNCIAS 
A resistência é um conceito fundamental para a psicanálise. Encontra-se presente em quase todos os textos freudianos, e atravessa todo o processo de análise. 
Está implicada numa série de fenômenos relacionados aos conflitos intrapsíquicos.
"o conjunto das reações de um analisando cujas manifestações, no contexto do tratamento, criam obstáculos ao desenrolar da análise"
segundo Laplanche e Pontalis (1998, apud Mattos, s.d.): "tudo o que, nos atos e palavras do analisando, se opõe ao acesso deste ao seu inconsciente“
As resistências são repetições das produções defensivas realizadas pelo paciente em sua vida.
A resistência representa uma atitude de oposição do paciente às descobertas do analista aos seus desejos inconscientes.
Tipos de resistências
Do ego ( resistência a repressão, resistência a transferência de ganho secundário)
Do id - Devido à resistência dos impulsos instintuais a qualquer modificação no seu modo e na sua forma de expressão. 
Do superego - resistência enraizada no sentimento de culpa do paciente ou na sua necessidade de punição. 
TRANSFERÊNCIA
A transferência surge do contato emocional dos pacientes com a situação analítica e por se tratar de uma relação dinâmica, é algo vivo. 
Por outro lado, sabemos que a transferência leva o analista a apresentar uma resposta emocional frente ao seu paciente. 
“Freud sempre deixou claro que o domínio desse assunto era conseqüência da experiência clínica e, acima de tudo, da própria análise do analista, tida por ele como uma “necessidade fundamental” de todo psicanalista militante.” (LÖSCH, s.d.) 
FREUD enfatiza que a transferência não se deve ao tratamento psicanalítico, mas é devido à neurose. 
O autor explica que se a necessidade de amar de algum indivíduo não é totalmente satisfeita pela realidade, ele irá se aproximar de cada pessoa que conhecer inclusive o ANALISTA.
Transferências são reedições, reduções das reações e fantasias que, durante o avanço da análise, costumam despertar-se e tornar-se conscientes, mas com a característica de substituir uma pessoa anterior pela pessoa do médico. 
Dito de outra maneira: toda uma série de experiências psíquicas prévias é revivida, não como algo do passado, mas como um vínculo atual com a pessoa do médico.
Em 1912 Freud descreveu três diferentes tipos de transferência: a negativa, a erótica e a positiva. Sendo que a negativa e a erótica eram consideradas como as que dificultavam o trabalho terapêutico, e a positiva como a que auxiliava o trabalho terapêutico.” (LÖSCH, s.d.)
Transferência negativa era considerada como transferência de sentimentos hostis em relação ao analista, podendo também representar uma forma de defesa contra o aparecimento da transferência positiva.
A transferência erótica era considerada aquela onde o analisando transfere para a pessoa do analista sentimento de amor, ou seja, quando o paciente diz estar apaixonado pela pessoa do analista.
O foco das sessões será o amor que o paciente exige que seja retribuído e esse é exatamente o objetivo do paciente.
“Transferência positiva é ainda divisível em transferência de sentimentos amistosos ou afetuosos, que são admissíveis à consciência, e transferência de prolongamentos desses sentimentos no inconsciente.” (FREUD, vol. 12, 1912, p.140).
“A transferência positiva é compreendida em termos dos sentimentos de simpatia e afetivos conscientes, dirigidos à figura do analista e também inconscientes.
transferências positivas e negativas precisam coexistir. Esta é a condição para o tratamento psicanalítico.
CONTRATRANSFERÊNCIA
Contratransferência como o conjunto de sentimentos do terapeuta em relação ao paciente. 
Destaca que a reação emocional do terapeuta às projeções do paciente é um instrumento a ser compreendido pelo terapeuta e que, para ser utilizado, o terapeuta deve ser capaz de controlar os sentimentos que nele foram despertados, ao invés de, como faz o paciente, descarregá-los. (ISOLAN, 2005)
"o analista deve voltar seu próprio inconsciente como um órgão receptor para o inconsciente transmissor do paciente, de modo que o inconsciente do médico possa, a partir dos derivados do inconsciente que se comunicam reconstruir o inconsciente do paciente"
RECOMENDAÇÕES AOS ANALISTAS
Freud não recomenda que o analista faça anotações extensas, nem registros da sessão. Além de causar uma má impressão em alguns pacientes, aqui valem os mesmos aspectos da memorização. Enquanto anotamos, selecionamos de forma nociva o material, além de ocupar parte da própria atividade intelectual, que deveria ser melhor aplicada na interpretação do que é ouvido. Exceções à regra são aceitas em casos de datas, resultados específicos relevantes ou textos de sonho.
A técnica afetiva que consiste em o analista mostrar seus próprios conflitos e defeitos psíquicos ao paciente não é recomendável. Ela se aproxima dos tratamentos por sugestão, se afastando da psicanálise, e aumenta no analisando a incapacidade de superação das resistências mais profundas.Essa técnica também pode fazer com que o paciente queira inverter a situação, tendo mais interesse na análise do analista do que em sua própria.
Outra tentação a ser evitada é a ambição educativa. O analista deve controlar-se ao apontar novos objetivos ao doente, e ter tolerância perante a sua fraqueza. Nem todos são capazes de realizar bem a sublimação de suas pulsões, portanto deve se ter cuidado ao indicar isso.
Deve-se ter cuidado com a cooperação intelectual do paciente, especialmente com aqueles que tendem a praticar a intelectualização. 
Freud não recomenda oferecer a literatura psicanalítica a pacientes ou seus parentes, mas afirma que, no caso de internação em uma instituição, pode haver vantagem no uso da leitura para o estabelecimento de um clima de influência e para a preparação dos analisandos.
O divã
Objeto icônico
Seu uso iniciou-se na época do uso da hipnose.
Figura chave de transição entre as diversas fases do processo analítico.
adotou o divã como forma de propiciar a eles um processo mais eficaz ao permitir que eles se deitassem e experimentassem uma melhor associação de pensamentos e um foco maior com o seu interior.
A mera existência de um divã no consultório psicanalítico não quer dizer que o paciente vá deitar-se e dar início ao seu processo de associação de emoções e pensamentos instantaneamente.
Normalmente, as sessões psicanalíticas têm início com o paciente sentando-se frente a frente com seu analista e com o passar do tempo, ao sentir-se mais confortável para explorar áreas mais profundas de sua mente, é feita a transição para o divã. 
Deitar-se no divã permite ao paciente uma visão diferente do ambiente terapêutico, uma vez que perde o analista de seu campo de visão e passa a entrar em contato consigo mesmo de uma forma mais profunda.
O olhar pode ser castrador.
A cura em Psicanálise
Cura em psicanálise não significa necessariamente a remoção de sintoma, e não é objetivo primordial.
Cura significa a mudança da relação do sujeito com seu sintoma.
Uma modificação na qualidade das relações objetais.
Um menor uso de mecanismos defensivos primitivos
A aquisição de uma capacidade em fazer (re)introjeções – e, daí, novas identificações.
A obtenção de uma capacidade em suportar frustrações, absorver perdas e fazer um luto pelas mesmas,
Consideração pelas outras pessoas, e a capacidade de reparação pelos possíveis danos inflingidos aos objetos. e a si mesmo.
Uma diminuição das expectativas impossíveis de serem alcançadas(ideal de ego).
Um abrandamento do superego, sempre que este for de natureza arcaica, rígido, punitivo e todo-poderoso.
A aceitação da condição de dependência, a partir do insight de que depender dos outros é, em princípio, sadio e inerente à condição humana.
A utilização da linguagem verbal, em substituição à não-verbal.
A aquisição de um sentimento de identidade, consistente e estável.
A obtenção de uma autenticidade e de uma autonomia.
Obrigado!
Olhe para dentro, para as suas profundezas, aprenda primeiro a se conhecer.
 
 Sigmund Freud
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