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Ensino de sintaxe: uso de conceitos na prática
Exercícios
1. Considere os versos de uma canção gravada por Roberto Carlos:
Como vai você?
Eu preciso saber da sua vida
Peço a alguém pra me contar
Sobre o seu dia
Anoiteceu e eu preciso só saber.
Nesses versos, observa-se o emprego de vários pronomes, que são palavras que denotam os seres ou se referem a eles. As alternativas a seguir contêm assertivas corretas quanto aos pronomes empregados nos versos acima, EXCETO em:
A. Na gramática normativa, “você” é considerado um pronome de tratamento. No entanto, alguns estudiosos já preferem se referir a “você” e “vocês” como substitutos para os pronomes pessoais “tu” e “vós”, respectivamente.
B. Em “Eu preciso saber da sua vida”, há duas marcas de pronominalização.
C. “Alguém” é um pronome indefinido variável em gênero e número.
D. No terceiro verso, o pronome “alguém” se refere a um interlocutor que não é o mesmo interlocutor referido nos demais versos.
E. O pronome pessoal “me” do terceiro verso exerce a função sintática de objeto indireto.
2. Sabemos que os advérbios são termos que modificam o sentido de um verbo, um adjetivo, um outro advérbio e, mais raramente, um substantivo. Por exprimirem as diversas circunstâncias em que ocorre a ação verbal, os advérbios têm papel importante na construção de sentido dos enunciados. Assim, o emprego inadequado dos advérbios tende a produzir enunciados falhos, ou até mesmo sem sentido. Os enunciados a seguir são exemplos de enunciados que não fazem sentido em função do emprego incorreto dos advérbios, exceto em:
A. Ele resolveu amanhã o problema.
B. Atualmente, ele anda meio triste.
C. Sem querer, Cecília deixou cair o celular propositalmente.
D. Minha mãe sempre abre a porta do meu quarto calmamente, de supetão.
E. Felipe tem as melhores notas, por isso não passa de ano na escola.
3. As conjunções ligam a oração subordinada à sua principal ou coordenam períodos ou sintagmas do mesmo tipo ou função. Ao desempenharem esse papel relacional, as conjunções sempre veiculam um sentido – que pode ser de adição, de adversidade, de concessão etc. –, e esse sentido deve ser compatível com aquele expressado pela porção textual que elas ligam. Dentre as alternativas a seguir, aponte a que traz entre parênteses a conjunção incorreta para o preenchimento da lacuna:
A. a) Ela foi ao cinema ___ ao teatro. ( e )
B. Todos trabalham ___ possam sobreviver. ( para que )
C. ___ chegamos e a chuva desabou. ( mal )
D. Não me saí bem na prova, ___ ter estudado. ( apesar de )
E. Meu tio fala ___ um papagaio. ( porquanto )
4. Considere a frase: “Eu havia caminhado por toda a cidade.” É incorreto o que se afirma em:
A. No passado simples, a frase ficaria: “Eu caminhei por toda a cidade”.
B. A preposição “pela” poderia ser usada no lugar da preposição “por”. 
C. Se o sujeito da frase fosse “Eles”, o verbo “haver” sofreria alteração para concordar com o sujeito.
D. Suprimindo-se o “a” entre “toda” e “cidade”, o trecho equivaleria à totalidade das cidades existentes.
E. Trata-se de um período simples.
5. Considere a frase “Uma parte do telhado da casa foi derrubada por uma violenta tempestade”. A seguir, são apresentados exemplos de construções que dizem a “mesma coisa” que a frase acima, mas segundo diferentes pontos de vista sobre a informação nela contida, exceto o exemplo da alternativa:
A. A casa teve parte de seu telhado derrubado por uma tempestade violenta.
B. A violência da tempestade foi tanta que derrubou uma parte do telhado da casa.
C. O telhado inteiro da casa caiu por causa da tempestade violenta.
D. Foi a violenta tempestade que derrubou parte do telhado da casa.
E. O que derrubou parte do telhado da casa foi a tempestade violenta.
Desafio- Considere as seguintes frases:
Li muito e assisti a vários filmes durante as férias.
Quero fazer dieta e perder dez quilos.
Tentamos de tudo e não obtivemos êxito.
Seu desafio é analisar os empregos da conjunção “e” em cada um dos casos.
O valor semântico (sentido) dessa conjunção é o mesmo em todas as ocorrências? Justifique sua resposta, explicando o emprego do “e” em cada frase.
Resposta 
O valor semântico da conjunção "e" pode variar de acordo com o contexto da frase. Vamos analisar cada um dos casos apresentados:
1. "Li muito e assisti a vários filmes durante as férias."
Aqui, o "e" tem um valor de adição. Ele conecta duas ações que ocorreram de forma independente e sucessiva. As atividades de ler e assistir a filmes são somadas, sem relação de causa ou consequência. O sentido é puramente acumulativo.
2. "Quero fazer dieta e perder dez quilos."
Nesse caso, o "e" apresenta uma relação de finalidade implícita ou de consequência. Fazer dieta é o meio para alcançar o objetivo de perder dez quilos. Embora seja uma conjunção aditiva, há uma relação de dependência entre as ações: perder peso é uma consequência de fazer dieta, tornando o "e" próximo de um sentido de "para".
3. "Tentamos de tudo e não obtivemos êxito."
Aqui, o "e" sugere uma oposição implícita. Apesar de ser uma conjunção aditiva, o contexto dá ao "e" um valor contrastante, indicando que, embora algo tenha sido feito (tentativas), o resultado foi o contrário do esperado (não obter êxito). O "e" se aproxima de um sentido adversativo, como "mas".
Resumo dos valores semânticos:
Na primeira frase, o "e" tem valor de adição.
Na segunda frase, o "e" tem valor de consequência/finalidade implícita.
Na terceira frase, o "e" tem valor de oposição implícita/adversativa.
Portanto, o valor semântico da conjunção "e" varia conforme o contexto, não sendo o mesmo em todas as ocorrências.
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