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1 www.soeducador.com.br Ensino da biologia Ensino de biologia 2 www.soeducador.com.br Ensino da biologia SUMÁRIO ENSINO DE BIOLOGIA ........................................................................................................................3 TEMAS ESTRUTURANTES E SUAS CONCEPÇÕES ...................................................................6 TRANSFORMAÇÕES DE MATÉRIA E DE ENERGIA NA NATUREZA ......................................7 SERES VIVOS .......................................................................................................................................8 HOMEOSTASE ......................................................................................................................................9 METABOLISMO CELULAR .............................................................................................................. 10 HEREDITARIEDADE ......................................................................................................................... 10 EVOLUÇÃO E ADAPTAÇÃO ........................................................................................................... 11 EIXOS TEMÁTICOS .......................................................................................................................... 11 INTERAÇÃO ENTRE OS SERES VIVOS ...................................................................................... 11 SER HUMANO E SAÚDE ................................................................................................................. 12 IDENTIDADE DOS SERES VIVOS ................................................................................................. 12 DIVERSIDADE DA VIDA ................................................................................................................... 13 TRANSMISSÃO DA VIDA, ÉTICA E MANIPULAÇÃO GÊNICA ................................................ 13 ORIGEM E EVOLUÇÃO DA VIDA .................................................................................................. 13 APRESENTAÇÃO DAS TABELAS DE EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM .................... 14 A Construção do Saber Docente do Professor de Biologia ......................................................... 30 Concepções e Práticas do Professor de Biologia ......................................................................... 37 Desafios da Prática no Ensino de Biologia .................................................................................... 43 Referências ......................................................................................................................................... 46 3 www.soeducador.com.br Ensino da biologia ENSINO DE BIOLOGIA Os avanços científicos e tecnológicos atuais em Ciências Biológicas e suas aplicações na medicina, na agricultura e na biotecnologia, entre outras áreas, evidenciam a necessidade de que a sociedade e a escola contemporânea desenvolvam novas formas de aprendizagens e de desenvolvimento intelectual para gerações futuras. O desafio atual é a formação de cidadãos capazes de processar o grande volume de informação, de compreender e de atuar criticamente na solução de problemas da vida cotidiana. Nessa perspectiva, ao se apropriarem de conhecimentos e valores científicos, podem ajudar a resolver as necessidades crescentes das comunidades em que vivem. É indispensável que, ao completarem a educação básica, os estudantes tenham uma compreensão sistêmica do planeta e sejam cidadãos capazes de promover transformações que visem ao bem-estar social, ambiental e econômico. Segundo as Orientações Curriculares Nacionais [...] nas últimas décadas, o ensino de Biologia vem sendo marcado por uma dicotomia que constitui um desafio para os educadores. Seu conteúdo e sua metodologia no Ensino Médio, voltados, quase que exclusivamente, para a preparação do aluno para os exames vestibulares, em detrimento das finalidades atribuídas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n. 9394/96) à última etapa da educação básica: o aprimoramento do educando como ser humano, sua formação ética, o desenvolvimento de sua autonomia intelectual e de seu pensamento crítico, sua preparação para o mundo do 4 www.soeducador.com.br Ensino da biologia trabalho e o desenvolvimento de competências para continuar seu aprendizado (BRASIL, 2006, p. 15). [...] os conteúdos de Biologia devem propiciar condições para que o educando compreenda a vida como manifestação de sistemas organizados e integrados, em constante interação com o ambiente físico-químico. O aluno precisa ser capaz de estabelecer relações que lhe permitam reconhecer que tais sistemas se perpetuam por meio da reprodução e se modificam no tempo em função do processo evolutivo, responsável pela enorme diversidade de organismos e das intrincadas relações estabelecidas pelos seres vivos entre si e com o ambiente. O aluno deve ser capaz de reconhecer-se como organismo e, portanto, sujeito aos mesmos processos e fenômenos que os demais. Deve, também, reconhecer-se como agente capaz de modificar ativamente o processo evolutivo, alterando a biodiversidade e as relações estabelecidas entre os organismos (BRASIL, 2006, p. 20). A aprendizagem de Biologia no Ensino Médio deve complementar e aprofundar os conceitos trabalhados com os estudantes no Ensino Fundamental. O estudante do Ensino Médio já apresenta uma maior maturidade e, por isso, os objetivos educacionais devem ser propositivos, tanto na abordagem dos conteúdos factuais e conceituais quanto nos procedimentais e atitudinais. Segundo Zabala (1998), os conteúdos factuais se referem aos fatos, se relacionam com a memória e são aprendidos por meio de exercícios de repetição, automatização e associação. Os conteúdos conceituais exigem a compreensão do significado, relacionam-se com um processo de elaboração e construção pessoal. Esses conteúdos são aprendidos por meio de atividades que possibilitem a inter- relação de conhecimentos prévios que provoquem atividades mentais e que sejam adequadas ao nível de desenvolvimento dos estudantes. Os conteúdos procedimentais se referem a técnicas, estratégias, métodos e procedimentos. Constituem um conjunto de ações ordenadas dirigidas à realização de um determinado objetivo e exigem exercitação, reflexão sobre a própria atividade e aplicação em diferentes contextos. Os conteúdos atitudinais se referem aos valores, normas e atitudes e envolvem o componente afetivo de forma determinada. Esses conteúdos se referem aos aspectos organizativos e participativos e exigem processos de reflexão crítica, no sentido de fomentarem a autonomia moral dos estudantes. 5 www.soeducador.com.br Ensino da biologia As diretrizes estabelecidas nos PCN (1999) e PCN+ (2002) orientam para a construção de um conhecimento interdisciplinar e contextualizado. Esses documentos sugerem que sejam usadas estratégias diversificadas, que mobilizem menos a memória e mais o raciocínio. Planejar as aulas de Biologia, a partir do resgate dos conhecimentos prévios dos estudantes, é uma condição indispensável para construir uma aprendizagem significativa, que se contrapõe à ideia de conhecimento linear e seriado. O ensino de Biologia, em geral, tem sido pautado em algumas perspectivas: 1- Ensino tradicional, que privilegia o conteudismo e a memorização; 2- Linearidade a partir da qual se propõe que alguns conteúdos são pré- requisitos de outros; 3- ênfase nos aspectos macroscópicos da Biologia;diferentes conclusões a partir da observação de um mesmo objeto, fenômeno ou processo. Quem possui o olhar voltado para o que ocorre à sua volta e analisa como acontecem determinados fenômenos, pode apresentar interesse pelo desconhecido, desvendar, analisar, estudar e compreender a função ou exercício, notadamente por partir de uma ação e, consequentemente, de uma possível reação. Embora muitos professores acreditem que o aluno, através de observações realizadas em aulas práticas e excursões, pode de fato verificar um fenômeno, conhecer um espécime, parece cada vez mais evidente que o aluno, em contato com situações reais, vê somente aquilo que está preparado para ver, e não necessariamente aquilo que o professor pretende que ele veja. Isto é muito real e comum, quando o professor parte para uma aula extraclasse, ou aula de campo, a sua vontade em relação ao aluno, é de o indivíduo ter a percepção ou o olhar segundo a orientação, a visão do professor. Esquecendo o docente, que o aluno faz geralmente sua observação, de acordo com ‗aquilo que ele visualizou e não com o que o mestre lhe diz. Ou ainda, de acordo como o professor elaborou seu plano de aula, seu roteiro e suas observações, o aluno 34 www.soeducador.com.br Ensino da biologia também pode se sentir livre e autônomo para desenvolver seus registros, como ele se envolveu ou compreendeu o sentido da aula. A importância das situações desafiadoras, problemáticas poderia ser a seguinte: produzir o conflito cognitivo, ou seja, fazer com que o indivíduo pense e perceba em suas ações ou comportamentos, em relação aos novos problemas, estimulando-o a refletir, questionar, buscar informações, pesquisar alternativas e repensar suas ideias. Em meio ao que se demonstra desafiante, emerge a ação cognitiva do sujeito pensante, levando-o a um processo interrogativo, que o encaminhará a sugerir, deduzir, mencionar hipóteses, refletir e buscar respostas a suas indagações. Nesse sentido, entendemos que o plano do ensino escolar deve tender originar a seguinte pergunta: como esperar que o ensino escolar tenha sucesso se ele ignora os problemas que os alunos consideram compreensíveis, importantes e estimulantes, substituindo-os por problemas que serão vistos como ininteligíveis, irrelevantes, desestimulantes? Por que não inserir no currículo atividades de ensino que proponham a formulação e a resolução de problemas pelos próprios alunos? A condição do cotidiano do professor também o conduz a perceber várias questões que se apresentam intolerantes e equivocadas no processo de ensino, refletindo nas falhas e indiferenças cometidas na prática. Através do plano de ensino, que é tão cobrado nas escolas, cheio de exigências e regras a serem cumpridas, podemos perceber que este poderia ser formulado, mediante algumas falhas que cometemos. Por isso, seria interessante se este também fosse formulado inserindo as questões trazidas pelos próprios alunos, ou até em momentos pedagógicos, cujos mesmos deveriam participar para sugerir como gostariam que fossem as aulas, porém eles ficam ―a margem destas participações, na realidade, acaba no esquecimento. O novo é algo paradoxal: fascina, desafia, provoca para a superação, dá sentido à existência, na medida em que tira da inércia, da mesmice, mas ao mesmo tempo, provoca medo por colocar em questão a estabilidade, a segurança adquirida – às vezes com muito custo – até aquele momento. O desejo de inovar (fluxo) entra em choque com o desejo de manter a ordem estabelecida (fixação). Na atualidade estamos assistindo a muitos modelos tecnológicos e ideias através dos diversos programas e cursos de capacitação oferecidos pelo governo. 35 www.soeducador.com.br Ensino da biologia Sem dúvida, essas orientações e dicas ao serem adicionadas à metodologia em sala de aula, podem trazer resultados positivos, mas ao mesmo tempo, penso que essas propostas devem também ser direcionadas, de forma mais clara e com acompanhamento, aos professores, ou seja; quando repassadas informações de forma simples, apenas na teoria, talvez, para os que tinham uma prática muito tradicional não passem a realizar determinada atividade pela falta de segurança e, óbvio, a resistência de modificar a sua linguagem e tentar adaptar a prática a um novo método. E ainda tem uma condição que pode comprometer a postura do professor, dependendo de como ele aplicar a novidade, se o educador não deixar o objetivo da atividade realizada bem clara, o próprio aluno pode interpretar a aula equivocadamente e sair comentando de forma totalmente distorcida. Quanto às aulas tidas como rotineiras, também acaba tornando o método do professor, uma mesmice, cujos alunos acabam criticando: esse professor é muito chato, faz sempre as mesmas coisas, escreve no quadro, faz leitura e interpretação do texto, etc. Então, a imagem desse professor acaba sendo rotulada, pois o educando já deduz saber até como será a próxima aula. Por isso, vejo a profissão a cada dia mais desafiante. A nova geração também possui muitos objetos tecnológicos atrativos e a escola está se configurando como um lugar qualquer. Os estudantes em sua maioria não demonstram muito ânimo ou interesse em querer frequentar a escola, parece apenas que esse local é lugar de hobby ou point de lazer para encontrar os amigos, paqueras e passa tempo, já que em casa para eles é menos motivador. No mundo da globalização e da internet, nenhum emprego será mais o mesmo. Para encarar essas transformações, o profissional deve se preparar: antes de tudo, é preciso estar aberto para atuar em várias áreas, e saber lidar cada vez mais, com a tecnologia e aperfeiçoar as relações humanas (Revista Humanas, 2000). Isso nos faz refletir acerca do professor para o mundo atual e algumas questões passam a fazer parte da nossa realidade. Perguntamo-nos: o que significa ser professor? É possível ser professor hoje da mesma maneira que temos sido há alguns anos atrás? Estas indagações nos fazem pensar o cenário atual de nossa sociedade, o mercado e ferramentas ou os instrumentos digitais que a cada hora estão mais modernos, relacionando a nossos jovens e crianças a um mundo chamado Cybernets ou cidades digitais/ virtuais, muito dinâmico e interessante. 36 www.soeducador.com.br Ensino da biologia Trazendo nosso olhar para a escola, nós, professores perante a estas linguagens tecnológicas, estamos nos tornando, ―sem graça e sem sentido, pois nossa voz, através dos ensinamentos, está ficando enfadonha e, infelizmente, sem êxito. Diferente de como antigamente o professor era visto, tendo um salário melhor, coisa que a cada dia mais se encontra decaído, antes bastante respeitado e hoje perdendo sua valorização enquanto profissional. Frente ao paradigma que ora se estabelece, a ordem é desenvolver o aprender a aprender. Ora, esse procedimento exigirá um novo tipo de professor que não poderá mais ser aquele tradicional firmado na autoridade do cargo, mas um professor com uma nova visão do ato de ensinar, disposto a empreender novas atitudes, um professor-pesquisador disposto a aprender. Os professores resistentes a não participação de cursos de capacitação, pós- graduação e programas ligados as TIC‘s - tecnologias da informação e comunicação, quanto mais se mantiverem a distância e não se abrirem as mudanças, reconhecendo que precisam de novos conhecimentos e do caminho da aprendizagem, mais dificuldades irão sentir por negarem a existência desses novos aspectos pedagógicos. É preciso também que os professores saibam construir atividades inovadoras que levem os alunos a evoluir em seus conceitos, habilidades e atitudes, mas é preciso também que eles saibamdirigir os trabalhos dos alunos para que estes realmente alcancem os objetivos propostos. O saber fazer nestes casos é, muitas vezes, bem mais difícil do que o fazer (planejar a atividade) e merece todo um trabalho de assistência e de análise crítica dessas aulas (CARVALHO, 1996). O desenvolvimento profissional dos professores vai além de uma etapa meramente informativa, implica adaptação à mudança com o fim de modificar as atividades de ensino aprendizagem, alterar as atitudes dos professores e melhorar os resultados escolares dos alunos (HEIDEMAN, 1990). O desenvolvimento profissional docente inclui todas as experiências de aprendizagem naturais e aquelas que, planificadas e conscientes, tentam, direta ou indiretamente, beneficiar os indivíduos, grupos ou escolas e que contribuem para a melhoria da qualidade da educação nas salas de aula. É o processo mediante o qual os professores, sós ou acompanhados, reveem, renovam e desenvolvem o seu compromisso como agentes de mudança, com os propósitos morais do ensino e 37 www.soeducador.com.br Ensino da biologia adquirem e desenvolvem conhecimentos, competências e inteligência emocional, essenciais ao pensamento profissional, à planificação e à prática com as crianças, com os jovens e com os seus colegas, ao longo de cada uma das etapas das suas vidas enquanto docentes (DAY, 1999). A caminhada na educação em todo tempo de atividade prática, faz do sujeito professor esse autor que se apropria da construção desse desenvolvimento, na medida em que este se envolve com o processo educativo e auto formativo, envolvendo o educando e o próprio educador, demonstrando o compromisso com a profissão na qual por ele foi abraçada. O desenvolvimento profissional docente é o crescimento profissional que o professor adquire como resultado da sua experiência e da análise sistemática da sua própria prática. (REIMERS, 2003) Como podemos verificar as definições, tanto as mais recentes como as mais antigas, entendem o desenvolvimento profissional docente como um processo, que pode ser individual ou coletivo, mas que deve se contextualizar no local de trabalho do docente — a escola — e que contribui para o desenvolvimento das suas competências profissionais através de experiências diferentes, tanto formais como informais. O conceito de desenvolvimento profissional docente vem se modificando na última década, motivado pela evolução da compreensão de como se produzem os processos de aprender a ensinar. Até o modelo do professor, enquanto profissional, está passando por uma nova roupagem, e isto se apresenta e vem se consolidando, devido às exigências refletidas na sociedade e de acordo com a necessidade de a educação ter profissionais atuantes e abertos a novos conhecimentos e desafios atuais. Concepções e Práticas do Professor de Biologia Em relação ao modelo ou sistema educacional que temos no Brasil, atualmente, o personagem mais visado e avaliado em questão é o professor, justamente pelo fato das modificações que a educação vem passando, as problemáticas do bullying, a violência e a carência de valores. Porém, o docente ainda é visto como o sujeito que traz consigo a produção dos saberes, elevando a 38 www.soeducador.com.br Ensino da biologia esperança de neles sempre encontrar uma solução ou saída para o seguimento escolar. Segundo Carvalho (1996) A Didática das Ciências é uma área da produção do conhecimento sobre o ensino e a aprendizagem em uma sala de aula para um dado conteúdo; assim, para enfrentarmos esse trabalho cotidiano, algumas perguntas se fazem necessárias: como essas pesquisas em concepções espontâneas, essa coleção de dados empíricos pode direcionar o conteúdo desse trabalho? Através da estrutura educacional do nosso país e da função que exerce o professor, trazendo mais diretamente para o foco dessa discussão, o professor de Biologia, este que apresenta sua prática afirmando que o conhecimento de sua disciplina pode proporcionar ao docente e discente, muitas direções para encaminhar a prática, seja em observações de campo, práticas realizadas em laboratório, debates em classe, vídeos, etc. Por isso, Carvalho propõe o questionamento de como pensar a aplicação de determinado conteúdo, que seja uma prática significativa, para que esse conteúdo seja compreendido adequadamente pelos alunos. E sobre concepções, saberes ou conhecimentos trazidos pelos professores, estes podem ser compreendidos como conjunto de concepções epistemológicas, que são concepções globais, preferências pessoais, conjuntos completos de argumentações, com uma estrutura hierarquizada entre os diferentes elementos que o compõem. Ou ainda, como um saber, ou conjunto de saberes contextualizados por um sistema concreto de práticas escolares, refletindo as concepções, percepções, experiências, crenças, valores, expectativas e dilemas do professor, tratando-se de um saber ou de uma multiplicidade de saberes com regras e princípios práticos expressos nas linhas de ação docente (PACHECO e FLORES, 1999). Para Schulman, (apud PACHECO e FLORES (1999, p.) Nisto há evidência concreta que muito o docente traz em seu arquivo mental, sendo inúmeras informações associadas desde debates ainda acadêmicos, cursos de formação continuada, na leitura de mundo, de suas origens e histórias pessoais, assim como das experiências de aprendizagens com outros docentes acumulados, 39 www.soeducador.com.br Ensino da biologia diariamente, na rotina escolar. Nesse sentido, a prática é reconhecida como fonte de aprendizagem do conhecimento profissional. Sem dúvida alguma, a prática é a maior escola de formação que orienta, inspira e ensina a vivenciar realidades tão diferentes e distantes que na formação acadêmica a maioria dos professores não tem a coragem de mencionar, geralmente sendo sempre o contrário, apresentam um mundo irreal ao futuro ingressante da profissão. Acreditamos que investigar o professor identificando-o como produtor de conhecimentos referentes à sua prática, colocando-a em plano de destaque e seu saber da experiência, enquanto elemento desencadeador para reflexões torna-se de fundamental importância para a compreensão do processo de ensino-aprendizagem, para o desenvolvimento de ações de formação (inicial e continuada) que contribuam para a consolidação de profissionais reflexivos e, consequentemente, para o oferecimento de um ensino de qualidade para a população, como afirmou Mizukami, (1996). Isso quer dizer que o professor quando percebe a importância que possui a sua prática, encontra neste exercício saberes próprios da construção ao longo do tempo da profissão, necessários para repensar seu trabalho e suas atitudes, recriando um sujeito capaz de buscar melhores alternativas. Na medida em que a Didática das Ciências pretende propor uma visão mais próxima possível dos trabalhos científicos e sabendo que na atividade científica a ―teoria, as ―práticas de laboratório e os ―problemas, sobre um mesmo tema, aparecem absolutamente coesos, é necessário que as propostas para o ensino da ―teoria, das ―práticas de laboratório e dos ―problemas não sejam diferenciadas. (Carvalho, 2004, p. 07). Em relação ao professor de Biologia, o conteúdo a ser trabalhado deve apresentar uma ligação da teoria com a prática, a fim de que um mesmo conteúdo seja devidamente ensinado e experimentado, visando atender a curiosidade do educando. A relevância atribuída à experiência pelos participantes remete-nos ao conceito de desenvolvimento profissional (Garcia, 1995), pois se a experiência possibilita o aprendizado de aspectos diversificados da profissão professor, ela pode ser considerada um elementochave para que se pensem as ações de formação, na 40 www.soeducador.com.br Ensino da biologia perspectiva de um contínuo que se inicia na formação inicial e se prolonga por toda a vida, visando alterações significativas na prática pedagógica. A prática docente revela-se então como grande forma de expressão na vida em exercício do professor, pois envolve o crescimento próprio do tempo na profissão, trazendo muitos ensinamentos, lições e aprendizado, partindo dela como se fosse um norte, muitas vezes servindo como caminho de orientação para prosseguir, ou do ―como fazer isso, também em determinados momentos será uma forma de suporte, auxiliando-o, a fim de não desistir, além de ser um subsídio, aonde o professor pode recorrer e repensar sua prática. Por meio desta atividade integradora é possível criar relações harmoniosas entre aluno e professor, mas é necessário partir do professor, através da atitude de sair de si mesmo e tentar ir ao encontro da criança, adolescente ou jovem, principalmente aqueles que se apresentam com indiferença, rebeldia, inquietação e dispersão do contexto sala de aula. É claro, que nem sempre conseguimos lograr êxito nessas tentativas, ou muitas vezes conciliar o tempo, estando presentes em classe, os compromissos com a transmissão de conteúdos, focar a questão do ENEM/vestibulares e a carga horária, é quase como se fossem criados entendemos que o que altos muros de separação entre nós, o que nos impossibilita essa aproximação tão necessária com os alunos. No caso do professor de Biologia, os conteúdos programados são extensos se considerarmos a quantidade de aulas semanais. Esse elemento, implica muitas vezes na execução de uma prática mais elaborada, justamente por causa dessa escassez de tempo que controla o fazer docente. Para alguns, embora essa realidade seja quase uma utopia ou atividade impossível de se realizar, prevalece é a responsabilidade que o docente tem de aprimorar a sua prática. A ciência que herdamos de nossos antepassados é constantemente reformulada e recriada. Para compreendê-la, nossos alunos precisam analisar conceitos, metodologias e aspectos sociais da ciência. Assim, o papel essencial do ensino de Ciências está na construção do raciocínio lógico, sustentado pelas diversas formas sensórias, linguísticas, matemáticas, por exemplo. (Caldeira, 2009 p. 79) É certo que nossos alunos trazem muitos saberes e nós também, sejam influenciados pela família ou amigos, porém ao estudar o conhecimento científico, 41 www.soeducador.com.br Ensino da biologia passamos a mudar nosso modo de pensar e compreender a natureza a nossa volta. Aí está a importância em estudar a Biologia, se familiarizando com sua linguagem, interpretação, cálculos, dentre outros. Há de se criar situações de aprendizagem, trabalhando-se a partir das concepções dos alunos e identificação de obstáculos, a fim de se planejar as sequências didáticas (Mizukami, 2004). Na experiência diária muitas são as formas de aprendizagens diretas e indiretas que nos rodeiam e evidentemente que a resposta ou o retorno perante elas, nós não as temos organizadas ou planejadas sistematicamente. Com a observação ou uma leitura da convivência com os educandos é que encontramos saída em meio às situações, enfrentando as situações problema e analisando os próximos encontros e procedimentos a adotar. Para Mizukami (2004), o professor precisa acreditar na potencialidade que possui, para mais do que ninguém, discutir sobre seus problemas e elaborar formas de enfrenta-los. Não podemos, é verdade, esquecer que é bastante provável que sua formação inicial não o tenha preparado suficientemente para a tarefa; talvez seja preciso que ele se torne um dos primeiros temas do estudo de sua prática, ao refletir sobre a compreensão de seu processo de formação e a influência dessa formação em sua ação. Diante dos diversos conflitos oriundos da experiência em sala de aula, esse professor precisa ao menos acreditar em si mesmo, ter uma autoafirmação do trabalho que presta à sociedade, tornando-o capaz de criar meios, estratégias e dialogar com os colegas da profissão, trocando ideias e adquirindo outras competências, próprias desta conversação entre uma equipe que vive junta e diariamente esses questionamentos. Não importando como ocorreu sua formação inicial, o interessante é observar sua prática e as influências desta, a fim de direcionar sua caminhada, encontrando caminhos para a pedagogia que deve ser aplicada. A implicação necessária da abordagem de uma realidade concreta de ensino, para reelaboração do conhecimento e do saber, encontra eco nos esforços cada vez mais consistentes para eliminar o distanciamento entre teoria e prática, aproximando mais e mais conhecimento e ação (Mizukami, 2004). Para ocorrer essa aproximação entre teoria e prática, o professor de Biologia, pode ser ao mesmo tempo ousado e criativo, usar as ‗ferramentas‘ que tem, tentando tornar a aula mais atrativa, podendo realizar uma aula extraclasse, levando os alunos para o pátio da escola ou por 42 www.soeducador.com.br Ensino da biologia determinada rua da cidade, relacionando aos conhecimentos de Botânica, observando paisagens diferentes, seja do centro da cidade, em relação a uma área periférica, associando os estudos de Ecologia, utilizando objetos simples, como a garrafa pet e desenvolver um experimento sejam filtração da água e outro componente, etc. Quanto mais o professor se envolve com sua prática, mais consciente ele se torna do conhecimento adquirido ao longo do tempo, através da insistência ligada ao ensino, quebrando as resistências do desânimo decorrente da sala de aula e relacionando teoria e prática, estando mais próximo dessa formação contínua e em constante movimento, ou seja; uma atividade bastante dinâmica. Para Mizukami (2004), a competência docente é pessoal, identitária e revela o habitus profissional, que permite o encadeamento de uma diversidade de práticas, constantemente renovadas, e por isso, persistentemente reconstruídas. Cada professor terá evidentemente uma identificação, desenvolvendo de forma muito particular e se reconhecendo ou se encontrando ou não nesta profissão, partindo desse pensamento, é que se permitirá fazer mudanças em sua prática, buscando novas metodologias e adventos tecnológicos que possam melhorar a prática. Segundo Freire (1996) é importante discutir com os alunos a razão de ser de alguns dos saberes socialmente construído por eles, em relação ao ensino dos conteúdos. O diálogo pode colaborar bastante com a relação de reciprocidade gerada pelo bom convívio de professores e alunos, retirando as indiferenças, as imagens negativas que vão sendo criadas uns dos outros, acabam por aproxima-los de forma natural e respeitosa, criando um clima mais agradável de viver cada um com seus defeitos, virtudes e manias. A atitude observadora do professor permite perceber a diversidade de vivências, interesses, universos culturais, experiências e saberes que existem entre seus alunos, e ao mesmo tempo, a possibilidade de tentar incorporar esses conhecimentos em seu trabalho. Não podemos trabalhar com a noção de que ―existe uma juventude, pois são muitas as formas de ser e de se experimentar o tempo da juventude. Estamos rodeados de um público exigente e ao mesmo tempo urgente, pois os nossos alunos como se encontram na adolescência, são muitas vezes imediatistas, demonstram ter pressa diante das coisas, e em tudo, são mistos‘, dotados de personalidades diferentes, pensamentos, modo de se expressar, vestir, falar, gostos musicais que 43 www.soeducador.com.brEnsino da biologia curtem, etc. Então, cabe a nós, educadores, termos um olhar diante dessa demanda tão plural, heterogênea, buscando dialogar, conhecendo o universo dos mesmos, tentando compreender cada sujeito, buscando meios de incluí-los na proposta educativa, acolhendo cada saber, habilidade, talento, inserindo-os na construção da aprendizagem. É necessário ter a percepção e sensibilidade, enquanto educador para se socializar com os alunos, deixando estes exporem seus argumentos, problematizações, angústias, discriminações sociais, alegrias e tristezas, até a confiança passar a ser adquirida, pois podem visualizar o professor, não como um estranho ou mais uma pessoa qualquer, mas como um ser amigável, sensível e humano, sendo possível se aproximar e conversar sobre muitos outros assuntos, não se limitando apenas aos conteúdos didáticos e estritamente escolares. Desafios da Prática no Ensino de Biologia A Didática e a prática de ensino são duas faces de uma mesma moeda, como o são o ensino e a aprendizagem. Nenhuma mudança educativa formal tem possibilidades de sucesso, se não conseguir assegurar a participação ativa do professor, ou seja, se da sua parte, não houver vontade deliberada de aceitação e aplicação dessas novas propostas de ensino (Carvalho, 2004). Quando se trata da prática de ensino, o personagem mais apontado é o professor, uma vez que este traz configurado em seu papel, a responsabilidade de conduzir a formação, a instrução ou o ensino, cabendo em suas contribuições, ordenar e direcionar atividades, com objetivos sistematizados, visando alcançar como ideal o aprendizado significativo. Isto implica dizer que se o professor não estiver disposto a rever sua prática, principalmente nos dias atuais, mais dificuldades este vai enfrentar resistindo às novas propostas, como também às situações de conflito. As mudanças propostas na Didática das Ciências não são só conceituais, mas elas abrangem também os campos atitudinais e processuais, e esse processo diz respeito ao trabalho em sala de aula. Não basta ao professor saber, ele deve também saber fazer (Carvalho e Gil, 2000). 44 www.soeducador.com.br Ensino da biologia Ao pensar no exercício pedagógico em sala de aula, não dá para se limitar ou se restringir a permanecer sempre na mesma, nunca fazer algo diferente do que já é costumeiro fazer. No ensino das Ciências ou Biologia é como se a própria disciplina exigisse ou pedisse de nós, docentes desta área, um algo a mais, nos despertando a uma percepção maior, seja pela natureza a nossa volta, nas questões éticas sociais, a criação de debates, de vídeos aula, de experiências práticas usando o laboratório, dentre outras atividades. Porém, mesmo possuindo essa visão e comprometimento com a disciplina, o saber fazer, é sempre o caminho intrigante para todos nós professores, independente da disciplina, pois precisamos ter sempre cautela de como vamos falar ou abordar cada tema, quais as palavras adequadas, as imagens que podemos apresentar equacionar o tempo e o espaço dentro da aula, conquistar o alunado para o debate, sair para uma aula de campo, etc. São muitas as responsabilidades que temos e ao cometer deslizes, o professor logo é marcado: está sempre errado. Infelizmente, por mais que nos esforcemos, as falhas recaem logo em nossos ombros, somos, na maioria das vezes, apontados como culpados, inclusive pela mídia que destaca a informação no sentido de desvalorizar o profissional docente. E ainda tem situações em que o professor tem que desdizer seu pronunciamento para não sair de encontro ao meio de informação que veiculou a matéria, seja uma emissora da TV, de rádio, revista ou jornal impresso, etc. O professor de Ciências, de Biologia ou Ciências na Natureza muito tem a contribuir no processo de ensino-aprendizagem despertando o aluno para o conhecimento, pois tais disciplinas impulsionam a curiosidade. Porém, dentre os maiores desafios ou dificuldades de efetuar essa prática de forma mais dinâmica ou interativa, estão: 1) a carga horária insuficiente - sendo três aulas semanais, isto sem falar em um sexto horário reduzido, sendo mais o curto e detestado pelos alunos, uns ficam como se fossem obrigados, outros vão embora sem dar uma explicação, além dos ficam apenas reclamando “tô morrendo de fome professora, libere agente”, ou seja; torna-se um horário praticamente improdutivo, pouco ou quase nada fazemos, é como se fossem apenas duas aulas basicamente por semana, 45 www.soeducador.com.br Ensino da biologia 2) o número excessivo de alunos por turma - quando pensamos em realizar um debate; incentivando a participação dos alunos, organizar a sala para um grande círculo, há turmas que o número excessivo de alunos inviabiliza a proposta, inclusive de trabalho 3) a utilização o laboratório de Ciências - também não é diferente, dependendo da turma, não dá para acomodar todos ao mesmo tempo no lugar, se levar uma parte, a outra fica nos corredores e atrapalha as outras aulas 4) a utilização a sala de vídeo com equipamento do data show - só o tempo de instalar computador, sintonizar caixa de som e todo equipamento compromete o horário da aula, etc. Essas, dentre outras situações, impedem a nossa aula de ser mais atrativa e dinâmica. Defendemos que o ensino de Ciências não deve limitar-se às atividades em si, mas envolver a capacidade reflexiva dos alunos, promovendo diálogos e discussões constantes, assim como comunicações orais e escritas dos resultados de seu trabalho. Mesmo que a aula seja pensada da forma mais simples possível, com raízes da linha tradicional, teórica, expositiva e explicativa, quadro e giz, é possível atrair a atenção dos alunos, conversar com os mesmos, situá-los a ponto de alcançar as realidades deles, contextualizando suas histórias, o dia-a-dia, ouvindo suas opiniões, seus comentários, suas leituras de mundo. Como afirmam Driver e Oldham (1986) conceber o currículo não como um conjunto de conhecimentos e habilidades, mas como um programa de atividades, através das quais esses conhecimentos e habilidades possam ser construídos e adquiridos. Precisamos ouvir os anseios ou propostas dos alunos, mas deixando claro para os educandos que determinadas intenções podem desviar o foco educativo e desta forma confundir ou atrapalhar o bom andamento do pretendido projeto de trabalho a ser desempenhado. Principalmente para mediar o caráter motivacional, pois se este objetivo não for compreendido por ambos, nem haverá ânimo, participação e muito menos aprendizado. É preciso levar em conta que nem sempre os estudantes proporão projetos de interesse educativamente valiosos. Um bom projeto curricular tem de ser prazeroso e educacional ao mesmo tempo; tem de propiciar certa continuidade no aprendizado, tornando-o compatível com os requisitos relevantes (Santomé, 1998). 46 www.soeducador.com.br Ensino da biologia Referências AMABIS, J M; MARTHO, G R Biologia das células v 1 São Paulo: Moderna, 2004 _________ Biologia dos organismos v 2 São Paulo: Moderna, 2004 _________ Biologia das populações v 3 São Paulo: Moderna, 2004 AUSUBEL, D P The psychology of meaningful verbal learning New York: Grune & Stratton, 1963 BRASIL Ministério da Educação Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio Resolução nº 2, de 30 de janeiro de 2012 Brasília, SEED/ MEC, 2012 _________ Ministério da Educação Secretaria de Educação Básica Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias Brasília: Ministério da Educação/ Secretaria de Educação Básica, 2006 _________ Secretaria de Educação Média eTecnológica Parâmetros Curriculares Nacionais + Brasília: MEC/SEMTEC, 2002 _________ Ministério da Educação Secretaria de Educação Média e Tecnológica (Semtec) Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio Brasília: MEC/Semtec, 1999 _________ Ministério da Educação e do Desporto Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação Parecer CEB 04/98 Diretrizes Curriculares para o Ensino Fundamental Brasília, 1998 _________ Ministério da Educação Parâmetros Curriculares Nacionais: Ciências Naturais Brasília, SEF/MEC, 1998 _________ Lei n 9394, de 20 de dezembro de 1996 Dispõe sobre as Diretrizes e Bases da Educação Nacional Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez 1996 BRUNER, J The process of education Cambridge: Harvard University Press, 1960 p 97 BUSSMANN, A C O projeto político-pedagógico e a gestão da escola In: VEIGA, Ilma Passos A (Org) Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível Campinas: Papirus, 1995 47 www.soeducador.com.br Ensino da biologia CACHAPUZ, A; GIL-PEREZ, D; CARVALHO, A M; VILCHES, A A necessária renovação do ensino das ciências São Paulo: Cortez, 2005 CAPRA, F A teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos Tradução de Newton R Eimchemberg São Paulo: Cultrix, 1996 CHASSOT, A Alfabetização científica: proposta de pesquisa que faz inclusão In: xII Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino - ENDIPE, Curitiba, 2004 COLL, C Psicologia e currículo: uma aproximação psicopedagógica à elaboração do currículo escolar São Paulo: ática, 2001 DIAS, G F Educação ambiental: princípios e práticas São Paulo: Gaia, 2004 DOLL JR, W Currículo: uma perspectiva pós-moderna Porto Alegre: Artes Médicas, 1997 GOUVEIA, C P; VENTURA, P C S Letramento científico: reflexões conceituais para o desenvolvimento de uma proposta no EJA In: SEMINáRIO NACIONAL DE EDUCAçãO PROFISSIONAL E TECNOLóGICA, 2010, Belo Horizonte Anais... Belo Horizonte: Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, 2010 LAGES, M D; FERREIRA, M F L Biologia - Ensino Médio 1 ed Belo Horizonte: Pax, 2009 LEHNINGER, A L; NELSON, D L; COx, M M Princípios da bioquímica 3 ed São Paulo: Sarvier, 2002 975p LIMA, E S Avaliação na escola São Paulo: Sobradinho 107, 2003 MATURANA, H Cognição, ciência e vida cotidiana Belo Horizonte: UFMG, 2001 MOREIRA, A F B Currículo, utopia e pós-modernidade In: MOREIRA, A F M (Org) Currículo: questões atuais Campinas: Papirus, 1998 MOREIRA, M; MASINI, E Aprendizagem significativa A teoria de David Ausubel São Paulo: Moraes, 1999 MORIN, E Os sete saberes necessários à educação do futuro São Paulo: Cortez/ Brasília: UNESCO, 2000 ODUM, E Fundamentos de ecologia 7 ed Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001 PURVES, W K Vida: a ciência da Biologia Porto Alegre: Artmed, 2005 RAVEN, P H; EVERT, R F; EICHHORN, S E Biologia vegetal Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,1992 48 www.soeducador.com.br Ensino da biologia SABATINNI, M 2004 Alfabetização e cultura científica: conceitos convergentes Revista Digital Ciência e Comunicação (1) Disponível em: Acesso em 07 out 2006 SASSERON, L H Alfabetização científica no ensino fundamental: estrutura e indicadores deste processo em sala de aula 2008 261f Tese (Doutorado em Educação) - Universidade São Paulo, São Paulo, 2008 SOARES, M Letramento: um tema em três gêneros Belo Horizonte: Autêntica, 1998 49 www.soeducador.com.br Ensino da biologia4- Desarticulação entre as áreas e fragmentação dos conteúdos. Na tentativa de superar essa situação, profundas mudanças conceituais e metodológicas têm sido mobilizadas orientando para a construção de um conhecimento interdisciplinar e contextualizado (PCN+, 2002). Nessa perspectiva, faz-se necessário, cada vez mais, articular conhecimento científico e experiência prévia. Dessa maneira, o que se espera dos estudantes é que eles sejam capazes de realizar, de fazer algo com o aprendido. A expectativa de aprendizagem deve ser explicitada e alinhada às atividades e estratégias de ensino. Pressupõe-se que o professor seja um conhecedor da natureza dos conteúdos e das intervenções mais adequadas para ensinar, tendo noção clara do que ensinar e de como os estudantes irão aprender. O professor deve criar desafios que despertem o interesse dos estudantes e, para que isso ocorra, ele deve propor situações problema e questões instigantes que irão mobilizar o estudante, colocando-o em uma interação ativa consigo mesmo e com o professor. “Situações-problema criam necessidades, provocam um saudável conflito; desestabilizam a situação e, paulatina e sucessivamente, o vão auxiliando a organizar seu pensamento” (PCN+, 2002, p. 55). Neste documento, as expectativas de aprendizagem são apresentadas em um quadro onde a gradação de tons de azul é usada para indicar o nível de abordagem 6 www.soeducador.com.br Ensino da biologia da expectativa a ser desenvolvida. Dessa forma, os conhecimentos são vistos como uma rede de significados em permanente processo de transformação. Para o desenvolvimento das expectativas de aprendizagem não desenvolvidas e a consolidação das que estão em desenvolvimento, o ensino de Biologia deve centrar-se no essencial; adequar os conteúdos às peculiaridades de assimilação e às possibilidades cognitivas dos estudantes. O desenvolvimento e a consolidação das expectativas de aprendizagem em Biologia têm o objetivo de promover a alfabetização e o letramento científico. Para as Orientações Curriculares Nacionais, “[...] o ensino de Biologia deveria se pautar pela alfabetização científica. Esse conceito implica três dimensões: a aquisição de um vocabulário básico de conceitos científicos, a compreensão da natureza do método científico e a compreensão sobre o impacto da ciência e da tecnologia sobre os indivíduos e a sociedade” (BRASIL, 2006, p. 18). Segundo Sasseron (2008), os eixos estruturantes de um letramento científico são: 1- compreensão básica de termos e conceitos científicos fundamentais; 2- compreensão da natureza das ciências e dos fatores éticos e políticos que circundam sua prática; 3- Entendimento das relações existentes entre ciência, tecnologia e sociedade. Estes eixos são utilizados: “(...) para a análise das atividades que compõem uma sequência didática envolvendo discussões em que um mesmo tema é discutido levando em conta os conhecimentos científicos e as tecnologias a ele associadas e os impactos destes saberes e empreendimentos para a sociedade”. TEMAS ESTRUTURANTES E SUAS CONCEPÇÕES Os temas estruturantes representam os pilares da organização do currículo, pois estão diretamente associados às expectativas de aprendizagem e sustentados pelos eixos temáticos Entendem-se como temas estruturantes aqueles conhecimentos de grande amplitude, que identificam e organizam os campos de estudo de uma disciplina escolar, considerados fundamentais para a compreensão de seu objeto de estudo e 7 www.soeducador.com.br Ensino da biologia ensino Tais temas perpassam, de forma recursiva, todos os eixos temáticos e anos escolares ao longo do Ensino Fundamental e Médio Para Biologia, os temas estruturantes estão apresentados Representação esquemática dos Temas Estruturantes em Biologia Tudo na natureza é organizado a partir de átomos O que conhecemos como matéria nada mais é do que átomos unidos através de ligações químicas essas se formam e são mantidas com o uso de energia por outro lado, sabemos que a célula é a unidade fundamental de organização dos seres vivos assim, como relacionar célula, matéria e energia? As células também se estruturam a partir de átomos unidos por ligações químicas, ou seja, são constituídas de moléculas os átomos necessários para formar moléculas são encontrados no meio ambiente e a energia necessária para ligar esses átomos é proveniente do sol percebemos, então, que a estrutura de uma célula e, portanto, de todos os organismos vivos, nada mais é do que matéria e energia, organizada em quatro tipos de macromoléculas: carboidratos, lipídeos, proteínas e ácidos nucleicos TRANSFORMAÇÕES DE MATÉRIA E DE ENERGIA NA NATUREZA O estudo dos conceitos de ecologia permite compreender que todos os seres vivos dependem da troca de matéria e de energia disponibilizadas na natureza Os seres autótrofos, que possuem pigmentos fotossintetizantes em suas células, têm a 8 www.soeducador.com.br Ensino da biologia capacidade de realizar fotossíntese, processo que consiste na síntese de glicose, utilizando energia solar e liberando oxigênio Assim, os seres autótrofos correspondem ao nível trófico dos produtores, ou seja, aqueles que são capazes de fabricar seu próprio alimento Os demais seres vivos, não possuindo os pigmentos fotossintetizantes e, portanto, sendo incapazes de utilizar diretamente a energia solar, são heterótrofos, funcionando como consumidores, ou seja, eles dependem dos produtores para conseguirem seu alimento e respirarem Nesse grupo, se enquadra a maioria dos seres vivos, inclusive a espécie humana É necessário compreender que o equilíbrio existente entre os seres vivos e os componentes abióticos (matéria e energia) é a base da sobrevivência das espécies Assim, é essencial que se façam esforços, no sentido de conscientizar os alunos da importância da sustentabilidade para a sobrevivência da vida no planeta Detalhamento de conteúdos relacionados ao Tema Estruturante “Transformações da Matéria e da Energia na Natureza” SERES VIVOS Os seres vivos, estudados através da classificação biológica, podem ser compreendidos a partir de sua variedade de características e funções, ou seja, a biodiversidade Essa se relaciona a estruturas e funções que ocorrem em diferentes níveis de organização (célula, tecido, órgãos, sistemas) As espécies autótrofas atuam como produtoras e as heterótrofas, como consumidoras Então, os seres heterótrofos só conseguem sobreviver, porque se alimentam da matéria e da energia disponibilizada pelos produtores, por meio da alimentação e da respiração Os consumidores degradam as moléculas dos tecidos que digerem (carboidratos, lipídeos, proteínas e ácidos nucleicos), devolvendo os átomos à natureza, para realimentarem o ciclo de transferência de matéria e energia 9 www.soeducador.com.br Ensino da biologia Essa compreensão confere um novo significado às relações entre os indivíduos e o ambiente circundante, que dizem respeito a nutrição, respiração, transporte de nutrientes e excretas do processamento celular Detalhamento de conteúdos relacionados ao Tema Estruturante “Seres Vivos” HOMEOSTASE A homeostase é convencionalmente associada à manutenção do equilíbrio interno, ou seja, da constância dos parâmetros corporais (temperatura, pressão, osmolaridade, concentrações de íons, concentração de nutrientes) de um organismo Esse esforço demanda o uso constante de matéria e energia, através da alimentação e da respiração A homeostase requer, ainda, o funcionamento integrado e harmônico entre os sistemas orgânicos, assim como dos órgãos, tecidos e células que os constituemA relação com o ambiente é mediada pelas funções integradoras realizadas pelo sistema neuroendócrino Portanto, podemos conceber homeostase como sinônimo de saúde 10 www.soeducador.com.br Ensino da biologia Detalhamento de conteúdos relacionados ao Tema Estruturante “Homeostase” METABOLISMO CELULAR O estudo do metabolismo celular envolve o conjunto das reações químicas responsáveis pelo processamento da energia e da matéria necessárias à sustentação da vida de todos os seres fala também do ciclo da matéria e do fluxo da energia entre os seres dos diferentes níveis tróficos, explicitando as relações de interdependência deles entre si e de todos com a natureza Detalhamento de conteúdos relacionados ao Tema Estruturante “Metabolismo Celular” HEREDITARIEDADE Um dos critérios para a manutenção da vida é a perpetuação das características das espécies, por meio da reprodução Nas células, esta ocorre por divisão celular, através dos processos de mitose ou meiose As novas células assim formadas replicam o conjunto de informações genéticas característico de cada espécie, que está contido no DNA celular (código genético) A manutenção dessas informações é importante para preservar as espécies e sua homeostase Como as espécies interagem entre si e com o meio ambiente, alterações no DNA, durante a divisão celular, podem alterar o código genético, levando a doenças Em outros contextos, podem desencadear mecanismos de adaptação e evolução Em paralelo, o homem desenvolveu técnicas de manipulação do DNA, gerando seres geneticamente modificados, uma das bases da biotecnologia 11 www.soeducador.com.br Ensino da biologia EVOLUÇÃO E ADAPTAÇÃO Na Biologia, os fenômenos relacionados ao surgimento, adaptação e evolução dos seres vivos são de fundamental importância, para explicar como o parentesco entre os humanos e demais seres vivos, no planeta, em todos os níveis de complexidade, decorre da origem comum de todos eles Esse conhecimento ajuda o aluno a relacionar mecanismos de mutação, recombinação gênica e seleção natural às transformações das espécies ao longo do tempo, assim como a identificar as vantagens e os riscos da introdução, na natureza, de novas variedades de plantas e animais, por melhoramento genético EIXOS TEMÁTICOS INTERAÇÃO ENTRE OS SERES VIVOS Este eixo temático tem como objetivo promover a compreensão do ambiente como um conjunto de interações dos seus diversos componentes, bem como a valorização de sua diversidade e da capacidade de adaptação dos seres vivos Os estudantes devem ser capazes de diagnosticar que as relações do ser humano com o meio resultam na transformação dos ambientes Eles devem também perceber que as modificações ocorridas em determinados componentes do sistema interferem em outros, alterando e desorganizando as interações, definitivamente ou por um longo tempo, até que se estabeleça novamente o equilíbrio A proposta deste eixo é a de que os estudantes abordem temas que favoreçam o desenvolvimento das expectativas de aprendizagem relativas a diagnosticar problemas ambientais, julgar e elaborar propostas de intervenção no ambiente, construir argumentações consistentes, com base nos conhecimentos científicos Neste eixo, os estudantes aprofundarão seus conhecimentos e desenvolverão expectativas de aprendizagens mais complexas sobre: a interdependência da vida; os movimentos dos materiais e da energia na natureza; a intervenção humana e os desequilíbrios ambientais; os problemas ambientais brasileiros e o desenvolvimento sustentável 12 www.soeducador.com.br Ensino da biologia SER HUMANO E SAÚDE Neste eixo temático, o estudante amplia e aprofunda sua compreensão do funcionamento do corpo humano, principalmente a promoção e a manutenção da saúde A questão da saúde é tratada como um estado e não somente como ausência de doença e se relaciona com as condições de vida das populações A partir de um conhecimento maior sobre a vida e sobre sua condição singular na natureza, o estudante pode perceber seu próprio corpo como um todo dinâmico, que interage com o meio em sentido amplo Neste eixo, são abordados: o conceito de saúde, a distribuição desigual de saúde pelas populações humanas, as agressões à saúde das populações e a saúde ambiental A discussão desses conteúdos favorece o desenvolvimento de várias competências, entre as quais: analisar dados apresentados, sob diferentes formas, para interpretá-los a partir de referenciais econômicos, sociais e científicos; e utilizá- los na elaboração de diagnósticos referentes às questões ambientais e sociais e de intervenções que visem à melhoria das condições de saúde (BRASIL, 2006, p 46) IDENTIDADE DOS SERES VIVOS Neste eixo temático, os estudantes aprofundam seus conhecimentos e desenvolvem novas expectativas de aprendizagem em relação às características que identificam os sistemas vivos e os distinguem dos não vivos Nele é abordada a organização celular da vida, tema que propicia o conhecimento das hipóteses sobre a origem da célula e a análise de estruturas de diferentes seres vivos, para que o estudante identifique a organização celular como característica fundamental de todas as formas vivas As funções vitais básicas, como os transportes através da membrana plasmática, bem como os processos metabólicos celulares e os processos de reprodução celular são aprofundados nesse eixo Os estudos sobre as tecnologias de manipulação do DNA e sobre os debates éticos e ecológicos a eles associados possibilitam o desenvolvimento de expectativas de aprendizagem complexas, como as de avaliar riscos e benefícios dessa manipulação à saúde e ao ambiente e de posicionar-se frente a essas questões 13 www.soeducador.com.br Ensino da biologia DIVERSIDADE DA VIDA Este eixo temático tem como objetivo promover a compreensão da distribuição da biodiversidade nos diferentes ambientes e dos mecanismos que favorecem a diversificação dos seres vivos É importante que os estudantes percebam que essa diversidade tem-se reduzido, devido aos desequilíbrios ambientais promovidos pelas intervenções humanas Neste eixo, é abordada a origem da diversidade, tema que propicia a construção do conceito de mutação, bem como o reconhecimento da importância da reprodução sexuada e do processo meiótico, como fontes de variabilidade genética No eixo, são abordadas também as funções vitais dos animais e das plantas, a partir da análise de seres vivos que ocupam diferentes ambientes A organização da diversidade dos seres vivos e as ações que ameaçam essa diversidade também são temas estudados neste eixo temático TRANSMISSÃO DA VIDA, ÉTICA E MANIPULAÇÃO GÊNICA Neste eixo temático, são abordados os fundamentos da hereditariedade Nele os estudantes desenvolverão expectativas de aprendizagem relacionadas à aplicação dos conhecimentos genéticos no diagnóstico e tratamento de doenças, na identificação da paternidade e de indivíduos, em investigações criminais ou após acidentes Outra expectativa de aprendizagem a ser desenvolvida é a relacionada ao debate das implicações éticas, morais, políticas e econômicas das manipulações genéticas Os fundamentos da hereditariedade que envolvem os princípios básicos que regem a transmissão de características hereditárias, as noções básicas de probabilidades, os tipos de cruzamentos, a construção e a análise de heredogramas são trabalhados neste eixo Além dos temas acima, são abordados também a genética humana e a saúde, as aplicações da engenharia genética e os benefícios e perigos da manipulação genética ORIGEM E EVOLUÇÃO DA VIDA Este eixo temático trata de temascom grande significado científico e filosófico, já que abrangem questões polêmicas, envolvendo várias interpretações sobre a origem da vida Ao longo deste eixo, os estudantes desenvolverão expectativas de 14 www.soeducador.com.br Ensino da biologia aprendizagem relativas a posicionar-se frente a questões polêmicas e a dimensionar processos vitais, em escalas de tempo diferentes Eles também conhecerão mecanismos básicos que propiciam a evolução da vida, principalmente do ser humano Temas como hipóteses sobre a origem da vida, ideias evolucionistas e evolução biológica, a origem do ser humano e a evolução sob intervenção humana são tratados aqui, possibilitando desenvolvimento de expectativas de aprendizagem mais complexas APRESENTAÇÃO DAS TABELAS DE EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM No contexto do projeto Parâmetros da Educação Básica, o currículo é entendido como um conjunto de conhecimentos, competências e habilidades, traduzidos em expectativas de aprendizagem [] (p 5) As expectativas de aprendizagem devem ser interpretadas como orientadoras da prática pedagógica, na seleção e na ordenação dos conteúdos e também na metodologia de ensino elas devem ser explicitadas e alinhadas (em consonância) às atividades e estratégias de ensino pressupõe-se que o professor conheça a natureza dos conteúdos e das intervenções mais adequadas para ensinar, o que ensinar e como os estudantes irão aprender, enfatizando as formas de aprendizagem É preocupante a tendência descontextualizada que ainda se estabelece na educação em Biologia Muitas vezes, parece que o mais importante são os conteúdos a serem trabalhados em suas sequências tradicionais e não a oportunidade de transformação na vida do estudante Se, por um lado, essa abordagem traz mais segurança ao professor, por outro, já não tem atendido à necessidade de formação desse novo modelo social, com reflexões sistêmicas e comportamentos éticos Para aceitarmos o desafio de educar indivíduos que sejam capazes de enfrentar as demandas sociais e planetárias emergentes, temos que nos esforçar para construir uma abordagem complexa, como sugere Morin (2000, p 38): O conhecimento pertinente deve enfrentar a complexidade Complexos significa o que foi tecido junto; de fato, há complexidade quando elementos diferentes são inseparáveis, constitutivos do todo (como o econômico, o sociológico, o político, o psicológico, o afetivo, o mitológico) e há um tecido interdependente, interativo e 15 www.soeducador.com.br Ensino da biologia inter-retroativo entre o objeto de conhecimento e seu contexto, as partes e o todo, o todo e as partes e as partes entre si Por isso, a complexidade é a união entre a unidade e a multiplicidade Os desenvolvimentos próprios a nossa era planetária nos confrontam cada vez mais e de maneira cada vez mais inelutável com os desafios da complexidade Em consequência, a educação deve promover “inteligência geral” apta a referir-se ao complexo, ao contexto de modo multidimensional e dentro da concepção global Uma reflexão sobre o tema da recursividade nos permite aprofundar no entendimento sobre a abordagem complexa das expectativas de aprendizagem A palavra recursão faz referência à aplicação de uma operação sobre o resultado da aplicação de uma operação [] Por exemplo, na repetição, se eu tirar a raiz quadrada de a, obtenho a’. Posso repetir isso e tirar a raiz quadrada de a, e obter a’. Isso é repetição: a = a’; a = a’; a = a’ Mas posso tirar a raiz quadrada de a, obter a’ e, em seguida, aplicar a mesma operação sobre o resultado da primeira, e assim por diante Aqui há uma recursão, porque a’, que é o objeto da raiz quadrada que se segue, é o resultado da aplicação da raiz quadrada; e a’’, que é o objeto da raiz quadrada que se segue, é o resultado da raiz quadrada anterior Isso é uma recursão: a = a’; a = a’’; a = a’’’ (MATURANA, 2001, p 72) Segundo Maturana (2001), a linguagem é uma atividade recursiva nós nos comunicamos sempre usando, de forma recursiva, elementos que fizeram parte de nossa história de vida O ideal seria aprendermos a nos comunicar incorporando elementos isolados de forma sequencial usamos sempre os conceitos aprendidos e, quando percebemos que precisamos usá-los novamente, nós os usamos adequadamente, pois a comunicação flui a partir do seu uso, cada vez com maior desenvoltura e segurança Os exemplos citados servem de base para apresentarmos as expectativas de aprendizagem em Biologia O mais importante é que o professor perceba essa abordagem recursiva, na qual temas abrangentes são apresentados ao longo da Educação Básica e retomados, pelos estudantes, em diferentes estágios cognitivos à medida que os temas são retomados em diferentes contextos, os estudantes fazem importantes reflexões e correlações entre os mais diversos temas e as expectativas de aprendizagem se consolidam 16 www.soeducador.com.br Ensino da biologia Finalmente, os materiais de currículo podem ser organizados para encorajar esta reflexão se forem abordados iterativa e recursivamente, não linearmente É quase um sacrilégio considerar a organização dos materiais de conteúdo de outra maneira que não a sequencial Mas o currículo em espiral de Jerome Bruner (1960) merece ser novamente examinado e reestruturado à luz da teoria da recursão Em certo sentido vale a pena construir um currículo em que os alunos revisitem com mais insights e profundidade aquilo que fizeram Num outro sentido, o currículo – como um pacote total com conteúdo e instruções entrelaçados – torna-se empolgante e envolvente conforme suas espirais avançam para o desconhecido O conhecimento do mundo não é um conhecimento fixo esperando para ser descoberto; ele está continuamente se expandindo, gerado por nossas ações reflexivas (DOLL, 1997, p 63) Em Biologia, as expectativas de aprendizagem foram organizadas em seis eixos temáticos, apresentados em quadros e divididos em duas colunas: a) na primeira coluna, são detalhadas as expectativas de aprendizagem dos conteúdos de Biologia; b) na segunda coluna, estão discriminados os anos de escolarização em que cada expectativa deverá ser introduzida ou retomada, sistematizada e consolidada Para indicar o nível de abordagem da capacidade a ser desenvolvida, as colunas foram marcadas pela cor branca e três diferentes tons de azul A cor branca indica que, naquele ano, a expectativa de aprendizagem não é focalizada A cor azul claro indica que os estudantes devem começar a trabalhar a expectativa de aprendizagem, de modo a se familiarizarem com os conhecimentos que terão de desenvolver assim, nos períodos marcados com azul claro, a expectativa de aprendizagem deve ser tratada de modo introdutório A cor azul-celeste indica o(s) ano(s) durante o(s) qual (is) uma expectativa de aprendizagem necessita ser objeto de sistematização pelas práticas de ensino, ou seja, a expectativa de aprendizagem deve sedimentar conceitos e temas 17 www.soeducador.com.br Ensino da biologia O azul escuro indica que a EA deve ser consolidada O processo de consolidação pode estender-se em outros anos ou até chegar ao Ensino Médio, para aprofundar conceitos e temas e/ou expandi-los para novas aprendizagens Quadro 1: interação entre os seres vivos EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM ANOS EA1. Reconhecer e caracterizar os diferentes biomas da Terra, a partir da análise de diferentes ambientes e da interpretação de mapas e esquemas, para visar à sua conservação. 1º 2º 3º EA2. Distinguir os conceitos de espécie, população, comunidade e ecossistema, com base em estudos de casos. EA3. Interpretar, a partir de leitura de imagens, esquemase observação da natureza, as etapas de uma sucessão ecológica, para compreender que a natureza é dinâmica. EA4. Reconhecer que ocorre transferência de energia e matéria de um organismo para outro, ao longo de uma cadeia alimentar, e que a energia é dissipada em forma de calor. EA5. Classificar os seres vivos nas cadeias, teias alimentares e pirâmides ecológicas, quanto ao nível trófico, hábito alimentar e grau de consumo, reconhecendo a influência das diferentes espécies para o equilíbrio do planeta. EA6. Analisar as interações estabelecidas entre os diferentes organismos e desses com o ambiente, relacionando-as com a estabilidade do ecossistema, com vistas à necessidade de sua preservação/conservação. EA7. Relacionar os ciclos biogeoquímicos (carbono, nitrogênio, hidrogênio e água), para compreender a sua influência na (re) ciclagem dos seres vivos no planeta, impedindo o esgotamento dos elementos disponíveis na Terra. EA8. Identificar a interferência humana nos ciclos naturais da matéria, percebendo que a velocidade de retirada é superior à capacidade de reposição de materiais pelos dos seres vivos. ecossistemas, o que altera o equilíbrio do planeta e ameaça a sobrevivência EA9. Analisar dados sobre intensificação do efeito estufa, diminuição da taxa de oxigênio no ambiente e uso intensivo de fertilizantes nitrogenados, associando-os às posicionar-se criticamente quanto ao esgotamento dos recursos. interferências humanas nos ciclos naturais dos elementos químicos, para EA10. Identificar e interpretar problemas ambientais, tais como: intensificação do efeito estufa, destruição da camada de ozônio, extinção de espécies, mudanças climáticas, sustentabilidade socioambiental. poluição ambiental, construindo argumentos em favor da 18 www.soeducador.com.br Ensino da biologia EA11. Diagnosticar regiões poluídas, identificando as principais fontes poluidoras do ar, da água e do solo, para apontar medidas que minimizem a poluição ambiental e promovendo o desenvolvimento da cidadania. identificar as responsabilidades individual, coletiva e do poder público, EA12. Relacionar expansão das fronteiras agrícolas e extrativismo (vegetal, mineral e animal) ao consumo desenfreado e consequente devastação do ambiente e suas implicações na sobrevivência do planeta. EA13. Analisar propostas elaboradas por cientistas, ambientalistas e representantes do poder públicos referentes à preservação e à recuperação dos ambientes brasileiros, espécies. para fundamentar suas proposições voltadas para a preservação das espécies. EA14. Avaliar as condições ambientais, identificando o destino do lixo e do esgoto, o tratamento dado à água, o modo de ocupação do solo, as condições dos rios e córregos e a qualidade do ar, relacionando-as a instâncias individuais, coletivas e da administração pública. EA15. Reconhecer que a legislação ambiental protege os recursos naturais e fazer inferências. EA16. Conhecer as conferências internacionais e os compromissos e propostas para a recuperação de ambientes brasileiros. Tomando, como exemplo, a EA1 (Reconhecer e caracterizar os diferentes biomas da Terra, a partir da análise de diferentes ambientes e da interpretação de mapas e esquemas, para visar à sua conservação), no primeiro ano, devem-se retomar os conceitos sobre os diferentes biomas Essa retomada pode ocorrer, por exemplo, durante os estudos da fotossíntese, quando são caracterizadas as plantas de metabolismo C3 e C4 e as plantas umbrófilas e heliófilas Nesse momento, ao comparar a taxa do processo fotossintético em diferentes luminosidades, retomam- se os diferentes biomas, em função desse fator e dos demais que são limitantes no processo fotossintético, como a temperatura e a concentração de gás carbônico No segundo ano, propomos que os estudantes adquiram domínio sobre essa expectativa de aprendizagem, o que pode ocorrer, por exemplo, durante os estudos sobre o reino Plantae, quando os conceitos de fotossíntese e as características dos diferentes biomas se complementam e possibilitam o aprofundamento das aprendizagens Nesse momento, podemos exemplificar, a partir da comparação entre as monocotiledôneas (gramíneas) com as dicotiledôneas (grandes árvores que coabitam o mesmo ambiente, formando a vegetação típica das savanas) 19 www.soeducador.com.br Ensino da biologia Outro exemplo é o dos musgos O estudante deve ser relembrado do bioma no qual esses vegetais têm uma posição de destaque na constituição da flora é importante também priorizar a região onde o professor leciona, iniciando a caracterização do bioma local com algum tipo de atividade em que o estudante possa comparecer e observar uma área que ainda conserve traços da vegetação original No terceiro ano, a expectativa de aprendizagem é a de que os estudantes saibam explicar os conceitos referentes aos diferentes biomas, nas diversas situações, e que a consolidem, durante os estudos sobre o tópico “A interdependência da vida” Nesse ano, o estudante estabelecerá as relações e não apenas repetirá o que estava escrito, pois ele teve a oportunidade de integrar a cada conteúdo novo o conteúdo visto anteriormente, o que contribui para uma visão sistêmica dos conteúdos abordados Quadro 2: ser humano e saúde EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM ANOS EA1. Construir o conceito de saúde, levando em conta os condicionantes biológicos, como sexo, idade, fatores genéticos, e os condicionantes sociais, econômicos, ambientais e culturais, como nível de renda, escolaridade, estilos de vida, estado nutricional, possibilidades de lazer, qualidade do transporte, condições de saneamento. 1º 2º 3º EA2. Identificar, nos tipos de alimentação, estilos de vida e características do ambiente, fatores que colocam em risco a saúde das pessoas, buscando escolhas que promovam a saúde integral do cidadão. EA3. Interpretar tabelas e gráficos que inter-relacionam os aspectos biológicos relacionados à pobreza e ao desenvolvimento humano, visando a tomar decisões em prol do bem-estar individual e coletivo. EA4. Enumerar os indicadores utilizados no cálculo do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), relacionando os IDH de países desenvolvidos com os de países em desenvolvimento, com vistas ao desenvolvimento de uma cidadania planetária. EA5. Interpretar IDH e índices de saúde pública, expressos em documentos oficiais, jornais e gráficos das diferentes regiões de Pernambuco, relacionando-os às condições de desigualdades das populações. 20 www.soeducador.com.br Ensino da biologia EA6. Comparar os índices de desenvolvimento humano de diferentes regiões brasileiras, além de identificar as principais doenças endêmicas e a taxa de mortalidade infantil da região ou do Brasil, e relacioná-las com as condições ambientais que influem na qualidade de vida, tais como: destino do esgoto e do lixo, abastecimento de água, moradia, acesso a atendimento médico e à educação. EA7. Comparar a incidência de doenças endêmicas na região onde mora com dados de outras regiões do Brasil e associar essas informações às condições de vida locais. EA8. Caracterizar e identificar as principais doenças que afetam a população brasileira, destacando, entre elas, as infectocontagiosas, parasitárias, degenerativas, ocupacionais, carências e infecções sexualmente transmissíveis (IST), reconhecendo formas de prevenção. EA9. Identificar as toxinas ambientais orgânicas e inorgânicas (agricultura, agropecuária, medicina, indústria petrolífera) que interferem na qualidade da saúde dos seres vivos e do planeta. EA10. Identificaras taxas de mortalidade infantil das regiões do Brasil, relacionando-as ao destino do esgoto e do lixo, abastecimento de água, moradia, acesso a atendimento médico e à educação. EA11. Identificar os primeiros socorros que devem ser aplicados em diferentes situações de risco. EA12. Identificar propostas e ações de alcance individual ou coletivo que visam à preservação e à implementação da saúde individual, coletiva ou do ambiente. EA13. Relacionar o reaparecimento de doenças com a ocupação desordenada dos espaços urbanos e a degradação ambiental. EA14. Identificar o princípio básico de funcionamento dos métodos contraceptivos, compreendendo a utilização adequada dos mesmos, na prevenção de doenças infectocontagiosas e gravidez não planejada. EA15. Reconhecer a gravidez na adolescência como um fator de risco à saúde do bebê e à saúde materna. EA16. Desenvolver uma visão crítica acerca do uso de drogas consideradas lícitas e ilícitas, inclusive a automedicação, reconhecendo as diversas implicações individuais e sociais na saúde. EA17. Relacionar o conhecimento científico ao desenvolvimento tecnológico, reconhecendo o impacto da tecnologia na saúde e expectativa de vida dos seres humanos. Tomando, como exemplo, a EA12 (Identificar propostas e ações de alcance individual ou coletivo que visam à preservação e à implementação da saúde individual, coletiva ou do ambiente), percebe-se que a expectativa é a de que os estudantes, no primeiro ano, retomem os conceitos sobre saúde individual, coletiva 21 www.soeducador.com.br Ensino da biologia e do ambiente Essa retomada pode ocorrer, por exemplo, durante os estudos da fotossíntese e da respiração celular, nos quais se podem abordar os efeitos das queimadas e do desmatamento sobre a saúde humana, enfatizando os danos causados, principalmente, ao sistema respiratório Pode-se também identificar o desmatamento, com finalidade agrícola, como outra forma de agredir a saúde, pois, além de diminuir a taxa de gás carbônico que é retirado do ar, o uso dos adubos químicos e de defensivos agrícolas constitui um agente agressor até para aqueles que acreditam estar consumindo alimentos saudáveis Ainda no primeiro ano, pode- se retomar a EA15 nos estudos das substâncias químicas da célula, em que são abordadas as vitaminas e suas carências, bem como a má alimentação e suas consequências na era do fast food Nos estudos de mitose, podem-se abordar as mutações somáticas causadas por agentes nocivos encontrados no ambiente e que são responsáveis pelas divisões celulares anormais que, consequentemente, levam ao desenvolvimento de tumores cancerígenos No segundo ano, propomos que os estudantes adquiram domínio sobre essa expectativa de aprendizagem, o que pode ocorrer, por exemplo, durante os estudos sobre os sistemas humanos nesses conteúdos, os conceitos de saúde são sempre relacionados às funções dos sistemas e órgãos, o que complementa as aprendizagens e possibilita o seu aprofundamento No terceiro ano, a expectativa de aprendizagem é a de que os estudantes saibam identificar propostas e ações, de alcance individual ou coletivo, que visam à preservação e à implementação da saúde individual, coletiva ou do ambiente, e que consolidem a expectativa de aprendizagem durante os estudos dos eixos “Transmissão da vida” e “Diversidade da vida” Nesse ano, consideramos que, incluídas nessa expectativa, estão as capacidades de investigar, estabelecer relações, argumentar, justificar, avaliar, analisar e interpretar Esse é o momento de o estudante associar tudo o que foi estudado sobre o corpo e o ambiente e aplicar esses conhecimentos à preservação de sua própria saúde e da saúde daqueles que o rodeiam, bem como do ambiente no qual vive e convive, e da saúde planetária Quadro 3: identidade dos seres vivos EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM ANOS 22 www.soeducador.com.br Ensino da biologia EA1. Aplicar metodologias científicas adequadas ao estudo da vida e compreender suas implicações na Biologia, em diferentes situações- problema. 1º 2º 3º EA2. Reconhecer que todos os seres vivos são constituídos por células; que as células possuem estrutura tridimensional e realizam todas as funções de um organismo inteiro. EA3. Reconhecer que os seres vivos são formados por substâncias químicas semelhantes, que apresentam proporções variadas, em diferentes espécies, acarretando características peculiares a cada uma destas, revelando um grau de organização que os diferenciam da matéria bruta. EA4. Comparar a organização e o funcionamento dos diferentes tipos celulares. EA5. Identificar a função das membranas celulares e os processos de troca, bem como compreender o papel das diferentes organelas citoplasmáticas. EA6. Analisar imagens e representações relacionadas aos diferentes tipos de transporte através da membrana celular. EA7. Reconhecer os processos de divisão celular, a partir de representações gráficas. EA8. Associar o processo de reprodução celular à transformação do zigoto em um ser adulto e as implicações resultantes da reprodução desordenada das células aos processos patológicos que caracterizam o câncer. EA9. Identificar o papel da mitose e da meiose em ciclos reprodutivos dos seres vivos. EA10. Reconhecer o processo de formação dos gametas masculino e feminino. EA11. Identificar os diferentes tipos de óvulos e segmentação, para compreender o processo de fecundação e as fases do desenvolvimento embrionário (mórula, blástula, gástrula e nêurula) dos vertebrados, enfatizando o papel das células totipotentes (células-tronco). EA12. Compreender o corpo humano como um todo integrado, considerando as características morfofisiológicas de seus sistemas e órgãos. EA13. Estabelecer relações entre os sistemas do corpo humano, para compreender suas funções e a interdependência entre eles. EA14. Compreender as diferenças anatômicas e fisiológicas dos sistemas genitais masculino e feminino, identificando o papel do sistema nervoso e endócrino na reprodução. 23 www.soeducador.com.br Ensino da biologia EA15. Compreender a organização e o funcionamento dos diferentes tipos de tecidos dos animais e das plantas. EA16. Avaliar os diferentes tipos de tecidos, relacionando suas características ao funcionamento dos órgãos e sistemas. EA17. Entender os processos básicos da fotossíntese, quimiossíntese, respiração celular e fermentação, identificando os reagentes e produtos envolvidos nessas reações e associando-os aos fluxos de matéria e energia na natureza. EA18. Interpretar fatores ambientais que interferem na fotossíntese e na respiração celular, visando a compreender a relação de dependência entre os seres vivos e o ambiente. EA19. Explicar a inter-relação da fotossíntese com a respiração celular nas células dos organismos fotossintetizantes. EA20. Identificar e comparar processos de respiração aeróbica e anaeróbica, para compreender a adaptação dos seres vivos à disponibilidade de oxigênio no meio. EA21. Compreender a função das macromoléculas (carboidratos, lipídeos, proteínas e ácidos nucleicos) na formação das células de todos os seres vivos. EA22. Relacionar carboidratos (fonte primária de energia), lipídeos (reserva energética) e proteínas (molécula estrutural e última fonte de energia) com a obtenção e o gasto de energia pelos seres vivos. EA23. Compreender as funções da água e dos sais minerais, para entender a necessidade de repor esses componentes no uso do soro caseiro, no tratamentode diarreia e vômito. EA24. Conhecer as diferentes vitaminas e compreender o funcionamento adequado do metabolismo para manter a saúde. EA25. Identificar a natureza bioquímica do DNA e RNA, estabelecendo relação com o código genético e a síntese proteica. EA26. Compreender a correspondência que existe entre a trinca de bases do DNA (código genético) e os aminoácidos que compõem as proteínas dos diferentes tecidos vivos. EA27. Conhecer as principais tecnologias utilizadas para transferir o DNA entre 24 www.soeducador.com.br Ensino da biologia diferentes organismos como a base da biotecnologia e os aspectos éticos envolvidos nesses processos, de maneira a construir argumentações sobre a biotecnologia. Tomando, como exemplo, a EA5 (Identificar a importância e a função das membranas celulares e os processos de troca, bem como compreender o papel das diferentes organelas citoplasmáticas), no primeiro ano, são consolidados os conceitos sobre os tipos de células e seus organoides Nesse ano, ocorre o estudo detalhado das estruturas celulares, enfatizando a presença ou não de membrana nessas estruturas Durante os estudos da fotossíntese, quando são caracterizadas as células vegetais e os seus componentes, e também durante os estudos de respiração celular em células animais, deve-se ressaltar a presença de duas membranas nos organoides que participam desses processos bioquímicos Nesse ano, também são consolidados conceitos relacionados aos diferentes tipos de transporte transmembrana No segundo ano, propomos que os estudantes usem essa expectativa de modo seguro, o que pode ocorrer, por exemplo, durante os estudos sobre a difusão e a osmose nos protozoários de água doce, bem como no transporte ativo de íons, no processo de absorção de água e sais minerais pelas raízes das angiospermas A fagocitose é outro processo de transporte pela membrana estudado na nutrição de protozoários e também no sistema imunológico humano No terceiro ano, a expectativa de aprendizagem é a de que os estudantes saibam explicar os conceitos referentes às células, seus envoltórios e organoides, nas diversas situações, e que estabeleçam diferentes tipos de relações, durante os estudos sobre evolução dos seres vivos Nesse ano, o estudante terá consolidado os conceitos e não apenas os repetirá, pois ele teve a oportunidade de integrar a cada conteúdo novo o que foi visto anteriormente, o que contribui para uma visão global, sem fragmentação, dos conteúdos abordados Quadro 4: diversidade da vida EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM ANOS 1º 2º 3º EA1. Construir o conceito de mutação, analisando os efeitos de determinados agentes químicos e radioativos sobre o material hereditário, visando entender a 25 www.soeducador.com.br Ensino da biologia biodiversidade. EA2: Diferenciar a reprodução assexuada e sexuada e reconhecer a reprodução sexuada como fonte de variabilidade genética. EA3. Identificar que a diversidade das adaptações propicia a vida em diferentes ambientes, utilizando situações-problema. EA4. Reconhecer características adaptativas dos animais, nos ambientes aquáticos e terrestres, visando à sua conservação. EA5. Reconhecer características adaptativas das plantas em diferentes ambientes, visando à necessidade da sua conservação. EA6. Caracterizar os ciclos de vida de animais e plantas, relacionando-os com a adaptação desses organismos aos diferentes ambientes. EA7. Reconhecer a importância da classificação biológica para a organização e a compreensão da diversidade dos seres vivos. EA8. Utilizar os principais critérios de classificação, reconhecer sua importância e utilizar as regras de nomenclatura e categorias taxonômicas atuais. EA9. Identificar os grupos (reinos) de seres vivos quanto às características morfofisiológicas e evolutivas. EA10. Reconhecer as funções desempenhadas pelos diferentes grupos de seres vivos (na medicina, na nutrição, no equilíbrio ambiental), no ambiente e na vida dos seres humanos. EA11. Caracterizar os vírus para entender sua composição e a forma como eles se instalam nos seres vivos, compreendendo sua dependência das células vivas. EA12. Caracterizar as Arqueobactérias, Eubactérias e Cianobactérias quanto à estrutura celular, ao modo de vida, ao habitat e à nutrição, bem como sua importância econômica, na medicina, na indústria e no equilíbrio ambiental. EA13. Caracterizar os protozoários e as algas quanto ao modo de vida, habitat, nutrição e morfologia, identificando sua importância econômica e ecológica. EA14. Caracterizar os fungos quanto ao modo de vida, habitat, nutrição e morfologia, identificando sua importância econômica e ecológica. EA15. Caracterizar os grupos de animais quanto à estrutura, nutrição e habitat, identificando sua importância econômica e ecológica. EA16. Caracterizar os grupos de plantas quanto à estrutura, nutrição e habitat, identificando sua importância econômica e ecológica. EA17. Construir e analisar árvores filogenéticas, para representar relações de parentesco entre diversos seres vivos, com o objetivo de compreender a diversidade das espécies e a importância de sua preservação. 26 www.soeducador.com.br Ensino da biologia EA18. Reconhecer as principais características da fauna e da flora dos grandes biomas mundiais, especialmente os de Pernambuco, para entender o seu papel na preservação da biodiversidade e sua utilização com base no desenvolvimento sustentável. EA19. Fazer um levantamento das espécies ameaçadas de extinção, elaborando propostas para preservação e eliminação do tráfico dos seres vivos para ambientes diversos dos seus. EA20. Identificar causas e consequências decorrentes da extinção e tráfico de organismos vivos (animais, plantas, fungos, bactérias, entre outros) para o equilíbrio do planeta. Tomando, como exemplo, a EA2 (Diferenciar reprodução assexuada e sexuada e reconhecer a reprodução sexuada como fonte de variabilidade genética), no primeiro ano, essa expectativa de aprendizagem poderá ser dominada durante o estudo dos componentes químicos das células, em que é estudado o DNA, molécula fundamental para que se entenda a reprodução Esse conteúdo terá continuidade com a divisão celular, sendo a mitose reconhecida como a forma de reprodução assexuada de organismos unicelulares É importante que o estudante seja capaz de reconhecer as vantagens e as desvantagens desse tipo de reprodução No segundo ano, propomos que os estudantes ampliem o domínio sobre essa expectativa de aprendizagem, o que pode ocorrer, por exemplo, durante os estudos da reprodução sexuada, suas vantagens e desvantagens essa ampliação poderá ocorrer também durante os estudos das características de cada grupo de seres vivos e também da reprodução humana No terceiro ano, essa expectativa de aprendizagem será consolidada com o estudo da evolução dos seres vivos nesse estudo, é abordada a importância do processo sexuado no aumento da variabilidade genética, razão pela qual muitas espécies conseguiram sobreviver às modificações ambientais de determinadas regiões nesse ano, consideramos que estão incluídas nessa expectativa as capacidades de estabelecer relações, argumentar, justificar, avaliar, analisar e interpretar Quadro 5: Transmissão da vida EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM ANOS 1º 2º 3º EA1. Distinguir características hereditárias, congênitas e adquiridas, para compreender os princípios básicos da hereditariedade. 27 www.soeducador.com.br Ensino da biologiaEA2. Utilizar os conhecimentos matemáticos de probabilidade, para resolver problemas de genética, que envolvam características diversas. EA3. Reconhecer as concepções pré-mendelianas sobre a hereditariedade, para compreender as leis de Mendel. EA4. Identificar e utilizar os códigos usados para representar as características genéticas para construir, analisar e resolver problemas. EA5. Construir e analisar heredogramas, para resolver problemas que regem a transmissão de características hereditárias. EA6. Compreender a variedade na expressão, reentrância e expressividade gênicas. EA7. Resolver problemas que envolvam a primeira e a segunda leis de Mendel, grupos sanguíneos, herança ligada ao sexo, herança influenciada e restrita pelo sexo, genética de populações e outras heranças. EA8. Analisar efeitos de determinados agentes químicos e radioativos sobre o material hereditário e suas implicações na determinação dos fenótipos. EA9. Identificar o papel da terapia gênica para o tratamento de doenças de base hereditária. EA10. Reconhecer a importância dos testes de DNA para reconhecimento de indivíduos, como nos casos de determinação da paternidade, compatibilidade de transplante, investigação criminal. EA11. Compreender a natureza dos projetos genomas, listando seus objetivos e construindo inferências. EA12. Reconhecer a importância do uso da biotecnologia e posicionar-se criticamente ante sua utilização. EA13. Avaliar a importância dos aspectos econômicos e sociais no uso da manipulação gênica em alimentação e saúde, discutindo temas sobre a clonagem, os transgênicos, as patentes biológicas e a exploração comercial das descobertas das tecnologias de DNA. Tomando, como exemplo, a EA10 (Reconhecer a importância dos testes de DNA para reconhecimento de indivíduos, como nos casos de determinação da paternidade, compatibilidade de transplante, investigação criminal), no primeiro ano, são introduzidos ou retomados os conceitos sobre a natureza bioquímica do DNA e 28 www.soeducador.com.br Ensino da biologia sua relação com o código genético e a síntese proteica Essa retomada ocorre no eixo temático “Identidade dos seres vivos”, no qual os estudantes constroem conceitos mais elaborados sobre as funções vitais básicas das células, como o código genético e a síntese proteica, processos relacionados diretamente com o DNA Já no segundo ano, propomos que os estudantes adquiram domínio sobre essa expectativa de aprendizagem, o que pode ocorrer, por exemplo, durante os estudos sobre sistema genital humano, nos estudos de gravidez e parto durante todo esse ano, terão oportunidade de conscientizar-se sobre as diferenças existentes entre os seres vivos, relacionando-as à molécula de DNA No terceiro ano, a expectativa de aprendizagem é a de que os estudantes saibam explicar os conceitos referentes aos ácidos nucleicos e os apliquem nas diversas situações como, por exemplo, a determinação da paternidade Atualmente, problemas como esse são de fácil solução, graças à elaboração do código de barras do DNA A partir daí, os estudantes estão aptos a consolidarem os estudos sobre o tópico “Os fundamentos da hereditariedade” Nesse ano, o estudante estabelecerá as relações e não apenas repetirá o que estava escrito, pois ele teve a oportunidade de integrar a cada conteúdo novo o conteúdo visto anteriormente, o que contribui para uma visão sistêmica dos conteúdos abordados. Quadro 6: origem e Evolução da vida EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM ANOS 1º 2º 3º EA1. Avaliar experiências e argumentos apresentados por cientistas, como Redi e Pasteur, para refletir sobre a teoria da geração espontânea. EA2. Identificar diferentes explicações sobre a origem do Universo, da Terra e dos seres vivos. EA3. Conhecer e relacionar os fenômenos referentes ao surgimento da vida e às condições da vida primitiva. EA4. Conhecer a história da vida na Terra com base em escala temporal, indicando os principais eventos, como o surgimento da vida e o desenvolvimento das plantas, dos animais e do homem. EA5. Identificar as semelhanças e diferenças entre as teorias evolucionistas. EA6. Identificar, nas diferentes evidências, as fontes de informações sobre o 29 www.soeducador.com.br Ensino da biologia passados da vida na Terra, percebendo sua importância para o entendimento da história da vida e a evolução das espécies. EA7. Reconhecer e interpretar os fatores que determinam o processo de especiação. EA8. Explicar a transformação das espécies ao longo do tempo, por meio dos mecanismos de mutação, recombinação gênica e seleção natural. EA9. Reconhecer os impactos da seleção artificial sobre ambientes naturais e sobre as populações. EA10. Avaliar os impactos da interferência humana na evolução dos seres vivos e no equilíbrio dos ambientes, como a produção de novas variedades de plantas e animais, por meio do melhoramento genético, e a seleção de bactérias e insetos resistentes ao uso indiscriminado de antibióticos e pesticidas. EA11. Analisar árvores filogenéticas que representam a evolução humana, para identificar relações de parentesco entre os hominídeos. EA12. Reconhecer a importância do desenvolvimento da inteligência, da linguagem e da aprendizagem e suas implicações na evolução do ser humano atual. Tomando, como exemplo, a EA4 (Conhecer a história da vida na Terra com base em escala temporal, indicando os principais eventos, como o surgimento da vida e o desenvolvimento das plantas, dos animais e do homem), no primeiro ano, a história da Terra e o surgimento da vida no Planeta são retomados na citologia, quando se fala da hipótese endossimbiôntica e quando se compara a célula procariota com a célula eucariota É importante que se enfatize o aumento da complexidade das células e se faça um paralelo com as modificações que foram ocorrendo no planeta, enquanto as células se modificavam até atingirem o maior grau de complexidade Já no segundo ano, propomos que os estudantes adquiram domínio sobre esta expectativa de aprendizagem, o que pode ocorrer, por exemplo, durante os estudos dos seres vivos esse domínio, na realidade, deverá acontecer ao longo do segundo ano, pois os estudos dos seres vivos devem ser realizados numa abordagem evolutiva e ecológica No terceiro ano, essa expectativa será consolidada através dos estudos sobre a evolução dos seres vivos, desde os organismos procariontes até a espécie humana 30 www.soeducador.com.br Ensino da biologia nessa série, consideramos que estão incluídas nessa expectativa as capacidades de estabelecer relações, argumentar, justificar, avaliar, analisar e interpretar. A Construção do Saber Docente do Professor de Biologia A tendência de considerar o professor como um ―vocacionado para a profissão docente se deve à influência do universo simbólico, advindo do termo latino ―vocare, que significa ―chamar. Assim, o indivíduo que estima possuir uma vocação atende a um apelo divino e deve desenvolver a sua incumbência, não visando ao contentamento de suas próprias necessidades. Existe uma tendência de considerar essas pessoas predestinadas, agraciadas com o dom de ensinar. Para alguns, à docência refere-se a uma vocação ou dom e, ao mesmo tempo, outros a consideram como uma atividade quase que ―sacerdotal, ou seja; o indivíduo dotado desse chamado deve estar sempre pronto, disposto a assumir a sua missão diária na escola na qual trabalha, vendendo energiae saúde. Quem o idealiza desta forma, se esquece de que esse sujeito também possui inquietações, dificuldades, limitações e até momentos de desgaste, próprio do cansaço da profissão. Os currículos de formação profissional tendem a separar o universo ―acadêmico do universo da ―prática. Os docentes formados no âmbito da racionalidade técnica são constituídos como técnicos, que ao final de seus cursos de licenciatura, veem-se desprovidos de conhecimentos e de ações que lhes ajudem a dar conta da complexidade escolar. De acordo com esta visão instrumentalista de ensino, há a tendência a aplicar modelos e técnicas que são externos à realidade escolar (Tardif, 2000). Professores que apresentam apenas a formação baseada em conhecimento técnico tem a tendência em curto prazo de sua prática, a ficarem perplexos ou no mínimo desanimados com o exercício da profissão, pois o fazer e o saber docente precisam estar amparados desde o conhecimento técnico científico, como da vivência pertinente a sua volta. Caso contrário, o desânimo e a desmotivação serão características muito fortes, que falarão mais alto frente à caminhada da docência. Existe um saber do professor que muitas vezes morre com ele, pois não há oportunidade para ser elaborado, partilhado. Na reflexão coletiva sobre a prática, o 31 www.soeducador.com.br Ensino da biologia professor tem a possibilidade (através do registro, da explicitação, da sistematização, a crítica e da socialização) de tomar consciência deste saber que possui, mas que comumente não se apercebe. Também pode desvelar a teoria subjacente à sua prática. Para Nóvoa (1992), o diálogo entre os professores é fundamental para consolidar saberes emergentes da prática profissional. Discretamente, ou às vezes por diversos motivos, ainda percebo professores que preferem ficar ―a parte, isolados ou fazer determinados trabalhos totalmente sozinhos. E, infelizmente, são nessas atitudes que se demonstra indiferença, intelectualidade, como se os outros fossem ou tivessem a intenção de capturar sua prática ou ideia. E ainda em relação aos neófitos, alguns se reservam por medo, insegurança ou também, censo de sabedoria superior. Simplesmente para dizer que existe a tal superioridade, quando se pretende dizer que é melhor em relação aos colegas de trabalho e não se familiarizar com os demais para repassar seus conhecimentos, trocar ideias ou para demonstrar dúvidas diante de coisas simples, como fazer um registro no diário de classe e ou trazer muitas novidades, pelo fato de estar aquecido das recém-discussões acadêmicas. Então fica o empasse paradoxal se participo do grupo, acabo por transmitir muitas informações, se me distancio e calo, ninguém me percebe, não demonstro minhas incertezas e finalmente, não há humildade de reconhecer que também se aprende comunicando-se e dialogando com os outros. O trabalho docente, nesse sentido, passa a ser visto como uma atividade de criatividade no qual o professor, na resolução dos obstáculos do dia-a-dia, desenvolve ações não planejadas (imprevisibilidade), que se apresentam como respostas aos desafios que a prática impõe. Essas ações estão alicerçadas na criativa articulação dos diferentes saberes docentes (pré-profissionais, da formação inicial e continuada, da trajetória profissional, crenças pessoais, etc.). Ou seja, a prática é marcada por incertezas e conflitos, onde o profissional passa a refletir para construir novas formas de ser e de agir que, consequentemente, retornam a sua auto formação (Brito, 2006). O exercício diário do professor precisa de fato da criatividade, do inesperado, da surpresa, pois muitas coisas acontecem no cotidiano. Isto desde o plano pré- elaborado até tentar executá-lo, a exemplo de um vídeo que de repente o aparelho eletrônico não faz a leitura das imagens adequadamente, a quantidade de provas 32 www.soeducador.com.br Ensino da biologia impressas é insuficiente para realizar a avaliação, etc. Coisas semelhantes a estes exemplos fazem do momento ou da situação um professor dinâmico e flexível. Se acontecer qualquer imprevisto como estes, a aula não pode parar. Além de como nos depararmos com a distração ou dispersão em que muitas vezes se encontram os alunos, resultando no tempo deles, ser diferente de adentrar no tempo da aula. Pimenta (2006), referindo-se ao saber docente afirma que é na prática refletida (ação – reflexão – ação) que esse conhecimento se constrói e se reconstrói, na inseparabilidade entre teoria e prática. Esse saber docente passa a ser repensado por meio da atitude de reflexão associado à sua prática, estando sujeito a mudanças e ao mesmo tempo, não podendo separar o conhecimento científico literário e sua aplicabilidade. Ainda para Pimenta (2006), a experiência docente é um espaço de produção de conhecimentos, o que implica refletir criticamente sobre o que ensinar como ensinar e para que ensinar. O trabalho realizado pelo professor traduz o conhecimento adquirido na sua profissão, principalmente diante do posicionamento na sua atividade funcional. É necessário que este ator figurante: o professor tenha a simplicidade de reconhecer seus erros e acertos, sendo capaz de dar sentido aos conteúdos ou matérias por ele ensinados. Partindo sempre de questionamentos, abrindo espaço para os alunos, ressignificando os temas abordados. Os objetivos devem também estar muito explícitos, a fim de que os alunos compreendam a metodologia aplicada na aula. Segundo Alarcão (2007), o professor não pode agir isoladamente na sua escola. É neste local, o seu local de trabalho, que ele, com os outros, seus colegas, constrói a profissionalidade docente. A escola na verdade, precisa ser movida pela contribuição de todos, principalmente quando se fala na atividade docente, um único professor não pode tomar decisões praticamente sozinho, ou seja; toda e qualquer movimentação que se refira ao trabalho diário desempenhado pela escola, eventos, projetos, o próprio projeto político pedagógico (PPP) e direcionamentos pedagógico, exige a colaboração maior de todos, convocando o corpo docente, visando perspectivas para o bem em comum e do crescimento escolar. Para Giroux (1992), o trabalho docente é marcado por uma correspondência entre a função social do trabalho intelectual e a relação específica desse trabalho com a modificação (ou não) da sociedade. A vida profissional do professor é escrita 33 www.soeducador.com.br Ensino da biologia historicamente dentro do papel que irá desenvolver no contexto da sociedade, interligando as adequações sociais, que nunca são estáticas, visto que estão em constante movimento. A posse de determinados conhecimentos e a não posse de outros poderiam representar obstáculos epistemológicos para o indivíduo. Assim, tem sido proposto que as atividades de ensino empregadas nas aulas de diferentes disciplinas escolares sejam planejadas de modo a aproveitar, complementar, desenvolver e transformar as ideias, teorias e conhecimentos que os alunos trazem consigo. O professor enquanto ser integrante, visto como mediador de conhecimentos, deve propor alternativa ou pensar no aluno enquanto curioso ou investigativo, que questiona, participa, interage e traz colaborações argumentativas para a aula. Percebendo, que em seu saber partilhado, nada pode ser descartado, mas aproveitado, enriquecendo a participação em classe e encorajando, estimulando aqueles que desejam se pronunciar e tem receios, são mais tímidos ou introspectivos. A observação é um ato interpretativo que é necessariamente influenciado por teorias, expectativas e motivações prévias, o que significa que cientistas poderão chegar a