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FUNDAMENTOS DE SOCIOLOGIA E ANTROPOLOGIA 
Me. Cláudio Tucci 
GUIA DA 
DISCIPLINA 
 
 
1 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
1. A CIÊNCIA DA SOCIEDADE 
 
Bom, antes de mais nada, o que é Sociologia? A resposta pode ser simples ou 
extremamente complexa, mas para facilitar, vamos optar pela primeira alternativa. 
 
A Sociologia estuda a sociedade e tudo o que está relacionado ao nosso convívio. 
Afinal, somos seres sociais, mas somos muito diferentes, o que gera uma infinidade de 
situações a serem pesquisadas e compreendidas para que possamos simplesmente 
respeitar o outro - ou encontrar soluções para o que entendemos não ser bom para o todo. 
 
Certamente no decorrer de cada texto essa compreensão do que é Sociologia ficará 
mais coesa e completa. Portanto, vamos adiante! 
 
1.1. A Sociologia de Durkheim 
Um dos primeiros teóricos, considerado o pai da Sociologia 
(apesar de Auguste Comte ter criado o termo), foi Émile Durkheim, 
Francês, nascido em 1858, que teve grande contribuição para que 
a Sociologia fosse reconhecida como ciência. Dentre sua vasta 
obra vamos abordar alguns dos principais temas aos quais 
dedicou sua vida. 
 
1.2. Fato Social 
Um dos conceitos desenvolvidos por Durkheim, indispensável para se entender a 
Sociologia é o Fato Social. Para um fato poder ser considerado social deve ter três 
características: 
 Ser geral – algo que se aplica a toda uma coletividade; 
 Ser exterior ao indivíduo – não vem do indivíduo, mas da coletividade; 
 Ser coercitivo – algo que o indivíduo se sente obrigado ou impelido a fazer 
mediante a pressão, mesmo que velada, da coletividade. 
 
Temos mais facilidade de identificar os fatos sociais em sociedade que não a nossa, 
como por exemplo, a utilização da burca ou véu dos países árabes, o índice de suicídios 
no Japão, os casamentos combinados entre famílias na Índia, etc. 
 
 
2 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Se você parar para refletir sobre esses 
exemplos perceberá que se encaixam nas 
características identificadas pelo autor, pois além de 
possuírem a generalidade nos países citados, não 
pertencem ao indivíduo, pois se houvessem nascido 
em outra cultura essas mesmas mulheres não 
sentiriam a necessidade que sentem de cobrir o rosto, 
assim como os suicidas poderiam não sentir a necessidade de acabarem com a própria 
vida e que os jovens talvez preferissem escolher eles próprios com quem se casariam. Mas 
todos são coagidos (mesmo sem perceber) a se enquadrar em tais costumes, correndo o 
risco de serem pré-julgados pela coletividade caso não o façam. 
 
Tais fatos não são naturais porque não provem da 
natureza do ser humano, não sendo intrínsecos a eles, já 
que variam de lugar para lugar. Portanto, só podem ser 
considerados culturais ou sociais uma vez que é a 
sociedade que os institui e mantêm, por meio de sua 
consciência coletiva. 
 
Mas, e por aqui, no nosso país, o que podemos considerar fatos sociais? 
O Brasil, por ter uma diversidade muito grande, pode ter fatos sociais que mudam de 
região para região e de que nem chegamos a ter conhecimento. Um, que pode ser tão 
chocante quanto os exemplos de fora, diz respeito às guerras de família no Nordeste, muito 
bem retratadas pelo filme Abril Despedaçado, onde se constata que há uma série de regras 
e certo fatalismo, no sentido de que, por mais que o filho não queira vingar a morte de seu 
parente, sente que não tem outra escolha. 
 
Mas procurando aproximar ainda mais, pensando em Sudeste brasileiro, o que as 
pessoas se sentem coagidas a fazer? 
 
Como as questões culturais são inseridas por meio da educação, não nos damos 
conta da coerção. Por exemplo, o que poderia ser motivo de chacota? 
 
A maneira de se vestir, certamente é uma delas. Uma pessoa que use uma roupa 
completamente fora de moda (por mais que tenha sido top da moda em alguma época do 
A consciência coletiva é 
resultado do que a maioria dos 
indivíduos de determinada 
sociedade entende por certo ou 
errado; ela define o que é 
tolerável ou não. 
 
 
3 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
século passado) será olhada com muita estranheza e poderá provocar comentários ao 
ponto se sentir constrangida. 
 
Mas mais que o tipo de roupa, o que provoca julgamento incontrolável é o seu 
tamanho. O apelo sexual da mesma, dependendo da região, provoca real incomodo. 
Exemplo claríssimo disso foi o episódio ocorrido com uma jovem da periferia de São Paulo 
que ao ir para a faculdade com uma roupa curta demais para os padrões paulistas (o que 
talvez não fosse para os cariocas) foi vaiada e insultada por um número tão grande de 
alunos que teve que ser escoltada pela polícia para deixar o local, tornando-se notícia nos 
diversos jornais e programas de TV do país. 
 
Quando um fato desse tipo ocorre se torna nítido o julgamento da sociedade perante 
algo que pura e simplesmente não é “bem visto”. Por outro lado, quando há repercussão, 
como nesse caso, isso termina por provocar o debate e reflexão. Apesar de ter ocorrido há 
poucos anos, parece que o comprimento tolerado das minissaias já diminuiu mais um tanto. 
 
As emissoras de TV têm tido muita influência em diversos campos e têm habilidade 
em inserir temas delicados que aos poucos vão sendo assimilados e aceitos pela 
sociedade, como vem fazendo com casos homossexuais, como se a cada novela fosse 
dado um novo passo de forma que não choque, mas vá se tornando natural aos olhos da 
sociedade. 
 
Durkheim, ao criar essa definição e afirmar que esses fatos sociais devem ser 
identificados e tratados como coisas ao serem avaliados, conquistou um caráter empíricoi, 
dando um grande passo ao reconhecimento da sociologia como ciência. 
 
1.3. Patologia Social 
Outro dos conceitos desenvolvidos por Durkheim de especial importância é o de 
Patologia Social. Nosso sociólogo constata que os fatos sociais como casamentos, crimes, 
suicídios, ocorrem em todas as sociedades, podendo, portanto, serem considerados 
normais; o que foge às regras dessa normalidade pode apontar indícios de uma Patologia 
Social. 
 
 
 
4 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Assim como pelos índices estatísticos é possível definir o que é normal, pode-se 
também reconhecer que ocorre uma anomalia quando as estatísticas revelam uma 
considerável alteração em determinada sociedade. 
 
Um exemplo recente e próximo foi o aumento no número de suicídios dos Guarani-
Kaiowá no Mato Grosso do Sul, problema bem apresentado pelo filme Terra Vermelha. No 
link que segue você pode verificar o Estudo sobre a Violação dos Direitos dos Índios 
Guarani realizado pela ONG Suvirval. 
 
1.4. Divisão do Trabalho Social 
Outro assunto sobre o qual Durkheim se debruça é a questão do trabalho nas 
sociedades primitivas e complexas. 
 
Considera que a divisão do trabalho apenas sexual, ou seja, em que homens têm 
algumas funções e mulheres outras, era algo típico das pequenas sociedades, ditas 
“primitivas”, que se identificavam por uma religião ou se sentiam ligadas por algum motivo 
pouco racional, concluindo que nelas ocorria o que denomina Solidariedade Mecânica, no 
sentido de ser automática, natural. 
 
Com a complexificação das sociedades e a divisão do trabalho cada vez maior, as 
pessoas por um lado vão ficando mais individualistas, porém, como também ficam cada vez 
mais especializadas em suas funções, se veem mais dependentes das demais para poder 
se alimentar, vestir, morar, etc. Essa dependência geraria o que Durkheim denomina 
Solidariedade Orgânica, no sentido de que cada qual tem uma função e um depende do 
outro, assim como os órgãos do corpo. 
 
 
Vimos neste primeiro texto que a sociologia serve para diagnosticar situaçõessociais, analisando os fatos sociais ou as patologias sociais. Identificando-as 
podemos compreender o como e o porquê de determinada cultura ter 
determinados comportamentos que resultam na forma como vivem. 
Podemos também entender por qual motivo em determinado lugar há algo que 
foge à regra, que pode ser considerado uma anomalia ou patologia, e que 
frente a isso podemos sugerir políticas públicas que possam agir no cerne 
dessas questões a fim de diminuí-las, trazendo a situação de volta à 
normalidade. 
http://assets.survivalinternational.org/documents/208/Survival_Guarani_Report_Portuguese-2.pdf
http://assets.survivalinternational.org/documents/208/Survival_Guarani_Report_Portuguese-2.pdf
 
 
5 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Agora que você já entendeu minimamente como a sociologia funciona, 
seguiremos adiante, com outras abordagens de fatos e relações que também 
permeiam a nossa vida e convivência. No próximo texto vamos estudar um 
pouco sobre as relações de poder e dominação e demais contribuições do 
sociólogo Max Weber. 
Mas este é o resumo do resumo, portanto, procure ler e refletir um pouco mais 
sobre o que abordamos para que possa complementar seu entendimento! 
 
 
 
6 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
2. OS TIPOS DE DOMINAÇÃO 
 
O poder sempre foi tema das grandes tramas da história. A disputa pelo poder 
continua resultando em guerras e na utilização das mais variadas artimanhas. Quando 
pensamos nele, nossa mente remete a disputa por grandes impérios e viaja pelos cenários 
dos filmes mais marcantes. 
 
Mas as relações de dominação e poder não se restringem às grandes disputas, elas 
estão presentes em cada parte da vida: no trabalho, na família, na relação com as 
instituições... 
 
O poder está em toda e qualquer relação, desde que uma pessoa possa impor sua 
vontade à outra, de uma maneira ou de outra. É com foco nesse tema abordado pelo 
sociólogo Max Weber que vamos conhecer um pouco de suas diversas contribuições. 
 
2.1. Contribuições de Max Weber 
 Alemão, nascido em 1864, Max Weber é autor de obras de 
suma importância para a Sociologia. Apesar de formado em Direito, 
desenvolveu o conceito de Sociologia Compreensiva, escreveu 
livros como Economia e Sociedade, Ciência e Política – duas 
vocações, A ética protestante e o espírito do capitalismo, todos 
indispensáveis para o estudo das Ciências Sociais. 
 
2.2. Política como vocação 
Ao escrever sobre a Política como vocação, Weber avalia a ação dos políticos e do 
Estado, bem como de seus funcionários e as formas de se relacionar entre eles. 
 
Constata em seus estudos que “o Estado tem o monopólio legítimo da força”, uma 
vez que somente ele pode utilizá-la legalmente, definição irrefutável que viria a ser utilizada 
inúmeras vezes. 
 
Em suas análises também conclui que há três tipos de dominação legítima: 
 Dominação tradicional – que se utiliza da força dos costumes e tradições, muitas 
vezes referendadas pela igreja ou religião; 
 
 
7 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 Dominação carismática – que provem do carisma de algum indivíduo que por suas 
características conquista ou comove as pessoas; 
 Dominação racional-legal – que se baseia em estatuto, regulamento ou lei. 
 
Em qualquer um desses casos, a relação de dominação 
provém do medo ou da esperança. Esperança seja ela de ocupar o 
reino dos céus, de ter o reconhecimento da pessoa que tanto se 
admira ou de fazer o que se acredita “correto”. Medo de ser 
condenado, perder o reconhecimento e ou ser punido. 
 
A dominação carismática é muito comum entre os políticos. 
Dizem que sem carisma ninguém ganha às eleições, apesar de 
haver controvérsias. Mas há de se considerar com isso que a 
assessoria dos políticos nem sempre trabalha só por interesse, como se costuma imaginar, 
mas também ou tão somente por acreditarem em um ideal comum. 
 
Mas em se tratando de políticos, tudo é possível. Há por exemplo os que se utilizam 
da máquina pública para se auto-promoverem, podendo “fazer uso” da dominação racional-
legal. 
 
E a dominação tradicional tampouco deixa de estar presente, pelo contrário, 
principalmente nas cidades do interior, Norte e Nordeste, a palavra que vale é a do coronel 
ou do padre. 
 
2.3. Burocracia 
Weber também estudou a burocracia, que não deixa de ser um tipo de poder, na raiz 
da palavra “o poder do escritório”. É com base na burocracia que o Estado moderno 
racional-legal irá se formar. 
 
Há textos em que alguns autores tem o descuidado de dizer que foi Max Weber quem 
inventou a burocracia; por isso, cuidado com esta interpretação, o que ele criou foi o tipo 
ideal de burocracia, ou seja, ele encontrou algo que já existia e descreveu a forma como 
deveria funcionar idealmente. 
 
 
 
 
8 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Características da burocracia 
1. A legitimidade das normas; 
2. A natureza formal das comunicações; 
3. A divisão racional do trabalho; 
4. A impessoalidade das relações; 
5. A hierarquia da autoridade; 
6. A padronização das rotinas e procedimentos; 
7. A competência técnica e o poder do mérito; 
8. A profissionalização da administração; 
9. A plena previsibilidade de funcionamento. 
 
As normas, portanto, não podem ser inventadas ao acaso, devem estar escritas e 
serem legítimas. A comunicação deve ser sempre registrada, pois diminui o conflito de 
informações e a dependência de quem venha possuí-las. As relações devem ser 
impessoais porque o Estado não pode beneficiar nenhum cidadão em detrimento de outro, 
apenas porque o primeiro tem alguma relação pessoal com algum funcionário. 
 
Claro que, o ideal é sempre algo a ser 
buscado, e muitas vezes as regras são inventadas 
justamente para procurar coibir o que já ocorre 
naturalmente. Tornar as relações impessoais, por 
exemplo, certamente é algo muito difícil, 
especialmente para os brasileiros que estão sempre querendo ajudar os amigos – sem falar 
nos que querem se “auto-ajudar”... 
 
Mas fato é que há regra para tudo neste mundo! E tem o poder quem tem o 
conhecimento delas, assim como termina por ser dominado o que não o tem. É nisso que 
consiste o poder do burocrata ou mesmo de um advogado. 
 
Como diz o ditado “para os amigos tudo, para os inimigos a lei”. O burocrata tem o 
poder de infernizar a vida de um indivíduo apenas utilizando-se das regras e leis. No 
entanto, da mesma forma que um cidadão comum pode ser vítima, o funcionário que 
desconhecer a lei também pode ser pressionado pela chefia ou mesmo por algum 
advogado que saiba causar forte impressão. 
 
Ao funcionário público, portanto, é indispensável: o conhecimento da lei e o cuidado 
com o uso da mesma. Lembrando que não é obrigado a cumprir nada que não esteja de 
acordo com a lei, tendo assegurado o direito de representar contra sua chefia caso a 
exigência ocorra. Afinal, trabalha para um governo, uma pessoa, ou para o município, 
estado ou nação? 
Weber também é um dos teóricos da 
Sociologia das Organizações, ramo 
que estuda as instituições, sejam elas 
empresas, associações ou órgãos 
públicos. 
 
 
9 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
2.4. A ética protestante e o espírito do capitalismo 
Certamente uma das principais obras da Sociologia. Nela, Weber apresenta um 
estudo das diversas religiões, em especial das protestantes que se encontravam mais 
concentradas nos países anglo-saxões. 
 
Com esse estudo, observando a ética pregada no calvinismo, pietismo, metodismo 
e nas seitas batistas, pôde identificar uma relação entre essa ética e o que chamaria de 
“espírito do capitalismo”. 
 
Para os protestantes em geral,o prazer era considerado pecado, o trabalho 
glorificava o homem, o dinheiro devia ser poupado e guardado, e o homem já nascia pré-
destinado a ter sucesso na vida – escolhido por Deus – ou não. 
 
Evidentemente, todos queriam ser considerados escolhidos por Deus, e além de 
trabalharem para isso, já que não podiam sair para dançar, se fartar de comer, assistir 
espetáculos, nem nada do tipo, tampouco tinham muitos gastos. 
 
Com o dinheiro que obtinham podiam não mais que investir e trabalhar mais. E foi 
em meio a essa cultura que o capitalismo encontrou uma espécie de berço para crescer e 
se desenvolver. 
 
 
 
 Vimos neste segundo texto que Weber identifica 3 tipos de dominação: 
tradicional, carismática e racional-legal. Sempre que uma vontade se impõe a 
outra há uma relação de poder - que ocorre por respeito ao costume e à moral, 
pela crença na opinião de uma personalidade por quem se tem respeito e ou 
admiração, ou pela força da lei, que obrigatoriamente tem que ser respeitada. 
Nosso Estado é considerado racional-legal, o que significa que é baseado em 
regulamentos, leis e decretos, nos quais consiste o poder da burocracia. 
Há também o poder que as religiões exercem, considerado como dominação 
tradicional, que, como pudemos ver, não é pouco. Os valores das igrejas 
protestantes eram tão fortes e rígidos que chegaram a criar o ambiente mais 
que propício para o capitalismo se desenvolver potencialmente. 
 
 
10 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
E o poderio que o capitalismo formou, fez com que se mantivessem relações 
muito parecidas com as já existentes até então. Para Marx a história do 
homem, é a história das lutas de classe - como veremos no seguinte texto. 
 
 
 
 
 
11 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
3. A SOCIEDADE CAPITALISTA 
 
Hoje, como você deve estar cansado de saber, 
vivemos em uma sociedade capitalista, mas... já parou para 
refletir sobre isso? Como funciona esse sistema e porque 
vivemos nele? Será que é nossa melhor opção mesmo? 
 
Para o capitalista o capital, ou dinheiro, vem em 
primeiro lugar, é o que importa. E para poder ter sempre mais 
e mais dinheiro, foi criada toda uma engrenagem na qual 
estamos inseridos para fazer com que continue rodando - e 
os donos do capital, continuem ganhando. 
 
Mas fomos inseridos de forma bastante inteligente, pois, por mais que tenhamos 
vontade de sair, não encontramos modo nem maneira, já que para tudo hoje o dinheiro é 
necessário e sem ele, de fato, não sabemos ao certo como viver. - Com raras exceções 
evidentemente. 
 
Para entendermos nossa sociedade hoje, portanto, é 
necessário entender como funciona o sistema em que vivemos, e 
é o que procuraremos fazer neste texto. O maior teórico do 
assunto é sem dúvida Karl Marx, por mais que muitos não gostem 
dele, é impossível negar sua contribuição para a sociologia e 
economia no que diz respeito ao tema. 
 
3.1. A visão de Marx 
Karl Marx, filósofo alemão, também considerado por sua atuação como historiador, 
sociólogo, jornalista e economista, de origem judia, nasceu em 1818, na Prússia. Tinha uma 
visão crítica sobre o capitalismo, escrevia para diversos jornais e logo decidiu dedicar sua 
vida a produção de suas grandes obras, muitas em parceria com seu amigo Engels. 
 
3.2. A transição dos sistemas 
Entre os séculos XV e XVI, portanto, há aproximadamente 500 anos, o mundo 
passava por grandes mudanças. Entre elas estava a transição dos sistemas. 
 
 
12 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Durante o feudalismo, como você deve 
lembrar (de ter estudado, claro), o Senhor Feudal 
era responsável por determinado espaço de terra, 
no qual os servos podiam produzir e viver, 
separando sempre uma parte de sua produção 
para o Senhor, que lhes garantia a segurança e 
espaço. 
 
Mas as relações comerciais que até então 
funcionavam a base de troca estavam em processo de expansão e os burgueses (apenas 
comerciantes na época) começaram a contratar gente para produzir para eles. 
 
Logo tinha início a Revolução Industrial. Inicialmente havia uma grande oferta de 
postos de trabalho, e o Estado impunha um salário máximo, já que na época a acumulação 
de riquezas ainda era condenada. 
 
Mas logo, com a decadência dos feudos e a apropriação das terras comunais para 
a produção de lã, a quantidade de gente que aparecia de todos os lados aumentava muito. 
Todos tinham que trabalhar, a vagabundagem era condenada por lei, mas já não havia 
emprego para todos e isso não era levado em consideração. 
 
Essa mudança na vida dos campesinos que foram obrigados a se deslocar para os 
centros urbanos, mudando completamente a forma de viver que conheciam até então, foi 
abrupta e causou-lhes diversas doenças. 
 
Tenho a impressão de que se transmite uma ideia um tanto negativa com relação à 
Idade Média, talvez para justificar o capitalismo. Mas dificilmente ganharia em horror dessa 
passagem pré-capitalista. Sugiro que leia esse pequeno texto que apresenta um bom 
panorama complementar: Transição Feudo-capitalista 
 
3.3. O Exército Industrial de Reserva 
Uma das constatações de Marx sobre o Sistema Capitalista foi o que chamava de 
Exército Industrial de Reserva – EIR: 
 
http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=9
 
 
13 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Como havia um número grande de desempregados por conta da mecanização e da 
apropriação das terras comunais, os donos dos meios de produção podiam pagar o quanto 
quisessem pela mão de obra dos operários, e estes, se considerassem que era muito 
pouco, ou aceitavam, ou iam para a rua, já que com a quantidade de desempregados era 
fácil contratar outro até por menos. 
 
Na época, evidentemente, não existiam direitos trabalhistas ou coisas do tipo, de 
forma que não havia muita alternativa. Os operários trabalhavam 16 e até 18 horas por dia 
e em condições absolutamente precárias, sem proteção e demais “modernidades” que hoje 
as empresas são obrigadas por lei a adotar. 
 
Significa que o sistema agora é bom? Que melhorou? Não dá para negar que sim, 
mas se continua enriquecendo tanto alguns poucos, é por que aí tem. 
 
3.4. Mais-valia 
Significa que tem Mais-valia. Ou seja, 
que a maior parte da produção está ficando 
com o dono dos meios de produção. 
 
É dessa forma que ele enriquece, 
pagando menos do que o justo aos 
funcionários: se um operário produz R$ 200 
por dia e só recebe R$ 20, os outros R$ 180 
equivalem à mais-valia. Assim o proprietário 
multiplica seu $, enquanto o operário nunca 
consegue reunir condições para conquistar 
sua independência. 
 
Certamente o proprietário também tem 
os custos de produção de maquinário, 
energia, etc. Mas mesmo que isso 
equivalesse à metade (R$ 100), ainda assim, 
ele fica com mais da metade do valor produzido pelo operário. Se tiver apenas 60 operários, 
já ganha por dia R$ 4.800,00 ou R$ 105.600,00 por mês. 
 
 
 
14 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Se o operário trabalha 10h por dia, na primeira hora “faz” o seu salário e as outras 9 
horas equivalem ao sobre-trabalho. É por isso que tanto se critica o capitalismo, porque se 
mantêm baseado na exploração da força de trabalho, mantendo alguns poucos cada vez 
mais ricos e os demais igualmente pobres. 
 
Imagino que você vá me dizer que pelo menos no capitalismo um pobre pode chegar 
a ser rico, o que não poderia acontecer no feudalismo. É verdade. Pode sim. Mas a que 
custo? 
 
Para conseguir juntar um mínimo que seja terá que renunciar a qualquer lazer, bem-
estar, família, ter pelo menos dois trabalhos e assim que possível deixar de ser um 
exploradoe passar a ser um explorador. Se conseguir ser autônomo pode ganhar bem e 
viver bem, mas ser rico mesmo, como muitos almejam, sem explorar ninguém, é bastante 
improvável. 
 
O cantor Zeca Bale iro protesta cantando a música “Eu despedi o meu patrão” da qual 
segue trecho abaixo: 
 
 
Eu despedi o meu patrão 
Eu despedi o meu patrão 
Desde o meu primeiro emprego 
Trabalho eu não quero não 
Eu pago pelo meu sossego... (2x) 
Ele roubava o que eu mais valia 
E eu não gosto de ladrão 
Ninguém pode pagar 
Nem pela vida mais vazia 
Eu despedi o meu patrão... 
 
3.5. Alienação e reificação 
Ao vender sua força de trabalho, o operário “externiza” uma parte de si, como se 
separasse dela. 
 
E se antes como artesão ele produzia um objeto completo, participava de todo o 
processo e podia ver o resultado do seu empenho em sua finalização, agora, dedicando-se 
a produzir um pedaço de algo que talvez sequer saiba o que será o trabalho perde muito 
do sentido. 
 
Trabalha como se fosse uma máquina, alienadoii de todo o processo produtivo. 
Na época da Revolução Industrial o salário mal cobria os gastos de subsistência. 
Hoje em dia, mesmo quem já ganha mais do que o necessário para cobrir gastos básicos, 
se submete a trabalhar mais e mais, pois sempre considera que tem necessidade de 
http://letras.terra.com.br/zeca-baleiro/96732/
 
 
15 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
comprar novas coisas. Precisa trabalhar mais para poder consumir aquele produto do qual 
vê a propaganda e que o faz acreditar que lhe trará a felicidade que lhe falta. 
 
Dizem que Marx não contava com isso: com a indústria cultural que vende e propaga 
a ideia de que as pessoas precisam ter o carro do ano, a roupa da moda, o último modelo 
disso ou daquilo. O que chamamos de fetichismo da mercadoria. 
 
É o marketing que impulsiona essa máquina, 
para que continue girando sem parar, como a cenoura 
na frente do burro, sempre haverá algo novo a se 
alcançar, e dessa forma as pessoas continuam 
trabalhando cegamente, para adquirir a sua promessa 
de felicidade - que sempre estará mais adiante. 
 
 
O trabalhador vira mercadoria, passa por um processo de reificaçãoiii, ou seja, se 
“coisifica”, vira peça de engrenagem. 
 
Para Marx, no entanto, isso só ocorre porque o trabalhador está alienado do 
processo de produção, mas se ele tomar consciência do processo e de sua importância, de 
que está sendo explorado e de que pode se unir com os demais para impedir que a 
exploração prossiga, pode assim se emancipar. 
 
Os Paralamas do Sucesso cantam algo que condiz muito com nossas rotinas: 
 
Capitão da Indústria 
 
Ah, Eu acordo pra trabalhar 
Eu durmo pra trabalhar 
Eu corro pra trabalhar 
Eu não tenho tempo de ter 
O tempo livre de ser 
De nada ter que fazer 
Eu não vejo além da fumaça 
Que passa e polui o ar 
 
 
3.6. Utopia 
Marx acreditava que era possível vivermos em uma sociedade comunista, em que 
nem terra nem meios de produção pudessem pertencer a um só indivíduo, devendo estar 
disponível a todos que quisessem produzir. 
 
http://letras.terra.com.br/os-paralamas-do-sucesso/47931/
 
 
16 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Não existiria, portanto, a propriedade privada. Os bens seriam de uso comum. Dessa 
forma, tampouco existiriam classes, ricos e pobres e nossa velha conhecida desigualdade. 
 
Para que fosse possível alcançar esse ideal, 
considerava ser necessário que a classe operária se 
unisse para fazer a revolução proletária, sendo 
preciso para tanto, que tomassem consciência da sua 
condição e se emancipassem. 
 
Na sociedade comunista não há Estado, as 
comunidades se auto-organizam. Mas para que essa 
transição pudesse ocorrer, inicialmente o Estado 
seria necessário, resultando nesse primeiro momento 
em uma sociedade socialista, tendo os mesmos princípios e ideais da comunista, mas ainda 
dependente de um Estado para fazer cumprir as novas leis. 
 
Há muita falta de compreensão com relação a esses ideais, e como os que têm mais 
recursos têm medo de perdê-los... Na época da ditadura militar, falava-se da “ameaça 
comunista”, contavam-se invenções (até que comiam crianças), e por isso, muitos os 
temiam e apoiavam a ditadura, por puro desconhecimento. 
 
Em Cuba, um dos poucos países socialistas do mundo, apesar de todas as 
dificuldades por conta do bloqueio dos EUA, se orgulham de, por exemplo, não terem 
nenhuma criança dormindo nas ruas, sendo que em todo o mundo há mais de 200 milhões 
nessas condições. 
 
Muitos criticam as ideias de Marx e afirmam se tratar de uma grande Utopia, algo 
inatingível. Contudo, o mais importante em uma utopia não é ela em si, mas o caminho que 
se percorre na intenção de alcançá-la. 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 
 
Neste terceiro texto procuramos entender um pouco das ideias de Marx. Ao 
analisar a transição do sistema feudalista ao capitalista e a exploração do 
homem pelo homem, identifica a luta de classes entre oprimidos e opressores. 
Com o desenvolvimento do capitalismo, a modernização da produção fez com 
que milhares de pessoas ficassem sem trabalho, pois não tinham os meios de 
produção para produzirem por conta própria e não havia emprego para todos. 
Dessa forma os capitalistas dispunham de um Exército Industrial de Reserva, o 
que facilitava muito a exploração dos empregados. 
Com a divisão do trabalho, os operários não tinham conhecimento de todo o 
processo de produção, ficando cada vez mais alienados, pois vendiam sua 
força de trabalho (junto com todo o tempo da sua vida), sendo tratados como 
máquinas e ganhando menos que o necessário para a subsistência da família. 
Mas Marx acreditava que se os operários se conscientizassem de sua força, ou 
seja, se percebessem que ao se unirem eram a maioria, e, portanto, mais fortes 
para enfrentar seus exploradores, poderiam com isso se emancipar e não 
depender dos proprietários, fazendo a revolução comunista. 
Assim poderiam viver sem desigualdade, pois propriedade privada não 
existiria e todos teriam acesso a terra, aos meios de produção e aos mesmos 
direitos. 
 
 
 
 
 
 
18 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
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4. DIVERSIDADE E DESIGUALDADE 
 
4.1. Antropologia e cultura 
Agora nos cabe entender um pouco sobre a Antropologia – das três ciências citadas, 
talvez a mais desconhecida. Indo à raiz da palavra (ánthropos) significa simplesmente “o 
estudo do ser humano”. 
 
Difícil é explicar a diferença entre Sociologia e Antropologia! São vários pontos, mas 
alguns bastante sutis. Há quem pense que o antropólogo só estuda as tribos indígenas; a 
maioria talvez sim, mas o campo não se limita a elas, não. 
 
Talvez fique mais fácil de entender com um exemplo como... a questão dos 
catadores de papel: Se o estudo for feito pelo campo da Antropologia, o foco será muito 
mais nos próprios catadores e na história de vida de alguns deles. Já se a pesquisa for 
realizada pela vertente sociológica, o foco será mais no fenômeno da existência de 
catadores, na quantidade que aumenta, no contexto social que faz com que tantas pessoas 
passem a viver do lixo, na relação com a conscientização ambiental e com políticas públicas 
ligadas à área... entende? 
 
A Antropologia foca no ser humano, sua história de vida e questões culturais; a 
Sociologia foca no fenômeno sociológico, no fato social tratado como coisa (lembra?), na 
quantidade, contexto e relações com o sistema vigente. 
 
E o estudo do ser humano é fundamental para que possamos, por exemplo, defender 
os Direitos Humanos. Pois é com base no conhecimento que podemos quebrar os pré-
conceitos - se são “pré” é justamente porque vieram antes do conhecer - comoum pré-
julgamento, que tampouco deve ocorrem sem que ambas as partes possam se defender, 
não é mesmo? 
 
E Direitos Humanos não são só para os bandidos, como por vezes ouvimos dizerem. 
Os órgãos de defesa interferem nos casos mais graves, mas todos têm direito a seus 
Direitos Humanos - inclusive o profissional de Segurança Pública. Aliás, foi aberta uma 
consulta pública para o aperfeiçoamento das Diretrizes para a Promoção e Proteção dos 
Direitos Humanos dos Agentes de Segurança, propostas pelo governo federal. É a sua vida 
e sua segurança que estão em pauta! 
 
 
19 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
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4.2. Etnocentrismo e diversidade de culturas 
Vamos de novo à raiz da palavra: ethno referece a etniaiv, e centrismo, ao centro, 
claro. Assim como usamos a palavra geocentrismo para nos referirmos à época em que se 
acreditava que a Terra era o centro do universo, ou mesmo antropocentrismo quando se 
considerava o ser humano o centro de tudo. 
 
O etnocentrismo nada mais é do que o fato de determinado grupo, nação ou cultura 
se sentir o centro, ou seja, a principal de todas as culturas. E é muito normal que isso 
aconteça, afinal de contas, que cultura poderia ser mais importante e mais “normal” do que 
aquela em que vivemos? 
 
Bem, é verdade que existe um eurocentrismo fácil de ser detectado, pois a história 
passada na escola era a da Europa, sendo que os demais continentes têm histórias tão ou 
mais importantes, mas deixadas de lado. 
 
Outra questão a ser considerada com relação ao tema é a “americanização”, mas 
que bem poderíamos chamar de “estadosunidização” (se a palavra não ficasse tão feia e 
difícil de pronunciar) já que também somos América. 
 
Os EUA vêm se empenhando há mais de um século em difundir sua cultura 
principalmente por meio da produção cinematográfica. A maioria dos filmes e seriados que 
vemos são produzidos lá, e se parar para reparar, em boa parte deles a bandeira dos 
Estados Unidos aparece em algum momento – ou vários. 
 
Passamos a consumir a música deles, a roupa deles, os carros deles, tudo o que a 
indústria cultural americana nos vende indiretamente. Afinal, quem não gostaria de ser 
como o mocinho ou até mesmo o vilão do filme, que no final (ou no começo para os 
apressados) sempre se dá bem de uma forma ou de outra? 
 
Mas se observarmos bem, o mais interessante do nosso mundo, não é justamente a 
diversidade de culturas? Que graça haveria viajar se todos os lugares e todas as pessoas 
fossem iguais? Gostamos de ver e até tentar entender o diferente, e é no diferente que nos 
damos conta de nossas características que até então achávamos que eram comuns a 
qualquer pessoa. 
 
 
20 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
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É claro que, para nós brasileiros, por exemplo, é estranho saber que em muitos 
países as pessoas não tomam banho todos os dias, mas, se vivêssemos neles, talvez não 
só entenderíamos como também acharíamos estranho o contrário. 
 
Há uma preocupação nas Ciências Sociais com a homogeneização (homo significa 
igual e hétero, seu antônimo, diferente), ou seja, com que todas as culturas fiquem iguais e 
percam suas identidades e tradições. Nas receitas de bolo sempre diz “mexer até obter 
uma consistência homogênea”, isto é, até toda a massa ficar igual. Para o bolo é 
fundamental, mas para nós, seria triste! 
 
Por outro lado, por mais que haja influência dos EUA, em cada país, ou mesmo 
região, poderá ser diferente, uma vez que não deixamos por completo nossa cultura, 
apenas lhe inserimos novos elementos, já que quando é estabelecido o contato com outra, 
imediatamente ocorrem trocas, sejam elas, de experiências, de crenças, comidas, 
costumes, modos de vestir, etc. 
 
Mas o mais importante disso tudo é reconhecermos a riqueza que há nessa 
variedade de culturas. Pensando só em Brasil, que gostoso é conhecer cada sotaque, cada 
comida típica, cada jeito diferente de ser. Você conhece alguma piada de como a pessoa 
de cada estado reagiria à determinada situação? Considerando o mundo todo então, é 
incrível! E é só por não sermos tão iguais. 
 
4.3. Desigualdade e preconceito 
Mas nem todos pensam dessa forma. Não é mesmo? Há muita gente que teme o 
diferente, que tem medo do que não conhece e por isso cria um “pré-conceito”, como já 
dito, cria uma ideia do que venha a ser, antes de conhecer. 
 
A desigualdade social mantida pelo sistema capitalista (que estudamos no texto 
anterior) está intimamente ligada ao racismo e preconceito, pois na maioria das vezes é o 
pobre e ou o negro que será discriminado. Mas é um pouco mais complexo que isso... 
 
Há muitos preconceitos com que convivemos em nossa sociedade, os principais são 
os de cor ou etnia, classe social, orientação sexual e gênero. Existem muitos outros, mas 
aqui vamos focar apenas nestes, separadamente: 
 Cor, etnia ou origem 
 
 
21 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
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Não existe o que possa provar que uma pessoa venha a ser melhor que outra pura 
e simplesmente por ser de uma ou outra cor. Certamente há biótiposv diferentes, e 
eventualmente, alguns podem ter mais facilidade (como os de pernas mais longas podem 
se destacar nas corridas); mas efetivamente, não há nenhuma ligação entre o biótipo e a 
índolevi das pessoas - que pode ser inata ou influenciada pelo entorno. No geral, forma-se 
pela mescla das duas coisas. 
 
No Brasil não há tanto preconceito com estrangeiros como em alguns países. No 
entanto, existe a discriminação por região de origem, com que sofreram muitos nordestinos. 
Mas os mais depreciados, acredito que foram os negros. 
 
Temos um histórico de escravidão que faz parte da nossa formação enquanto povo 
e nação, que poderia ter sido diferente, pois Joaquim Nabuco tinha a proposta de que a 
abolição acontecesse junto com a reforma agrária, o que não ocorreu. Os antigos escravos 
obtiveram liberdade - que sem dúvida é algo sem preço – mas foram largados à própria 
sorte, com uma transição nada fácil. 
 
Na atualidade se reconhece que o Estado criou uma dívida com os negros, pré e 
pós-abolição. Nos últimos anos houve esforços para implementar políticas públicas que 
chamamos de ações afirmativas, que buscam garantir um mínimo de oportunidade para os 
descendentes dos que foram mais prejudicados no passado (indígenas e africanos). 
 
Ainda há muita resistência a respeito dessas ações, como também muito o quê 
debater. Por isso há que se ter muito cuidado com a adoção das ações afirmativas, pois, 
mal aplicadas, podem ter um efeito reverso ou mesmo estimular uma segregação – o que 
definitivamente, não precisamos. 
 
Mas o preconceito não para aí, não é mesmo? Que outros grupos você lembra ou 
percebe que sofrem discriminação de origem? Anote! 
 
O assunto é extenso, mas precisamos seguir adiante. Peço apenas que antes você 
dê uma olhada nesta dissertação de mestrado e leia ao menos o resumo e a conclusão: 
*Racismo Institucional: a cor da pele como principal fator de suspeição. 
 
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Nabuco
 
 
22 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
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 Classe social 
Não é preciso ser sociólogo para constatar que existe um forte preconceito de classe, 
por mais velado que seja, quem é ou foi pobre já deve ter sentido ou presenciado a sutileza 
dessa discriminação. 
 
Este é um problema que causa uma série de outros, pois como já vimos, o 
capitalismo sabe causar o desejo, e somado à rejeição, faz com que queiram estar na moda 
para serem aceitos e reconhecidos. Para isso, vale tudo. 
 
O mesmo sistema que faz de um, um milionário, faz do outro (que é mal pago ou não 
consegue emprego) miserável – e para ele não deixar os filhos passarem fome, as primeiras 
opções a vistasão pedir ou roubar. 
 
O Brasil é um dos países com o maior índice de desigualdade social, e nos 
acostumamos a viver disparidade desmedida, como se fosse normal. 
 
No entanto, nos últimos anos os índices de desigualdade diminuíram pela primeira 
vez desde que se iniciou o registro desse indicador. E por conta disso, estamos sendo 
considerados modelo em políticas públicas nessa área, mas ainda estamos muito longe de 
atingir níveis aceitáveis. 
 
Ainda assim, há muita gente contra essas medidas. O que você pensa sobre? 
Recomendo a leitura de dois pequenos textos: Bolsa Família não causa dependência e 
Bolsa família não freia busca de emprego. 
 
 Orientação sexual 
Que sentido faz uma pessoa ser reprimida, agredida e até assassinada pelo simples 
fato de gostar de outra - independente de seu gênero, vestimentas, cor ou aparência? 
 
As siglas e nomenclaturas mudaram diversas vezes, pois conforme o debate avança 
se procura encontrar a “fórmula” mais “correta” e inclusiva possível, sem que ninguém fique 
de fora, já que cada grupo tem suas especificidades, vivenciando, portanto, diferentes 
situações e necessidades. 
 A sigla anterior era GLBTTT ou GLBTs (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestisvii, 
Transexuaisviii e Transgeneros); 
http://www.ecodebate.com.br/2010/05/19/pnud-brasil-bolsa-familia-nao-causa-dependencia/
 
 
23 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
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 A atual é LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e “Trans”); 
 A próxima pode ser LGBTI (Lésbicas, Gays, “Bi”, “Trans” e Intersexuaisix). 
 
Mas apesar de haver um maior número de assumidos, mais informação e até 
legislação a favor, os números ainda são assustadores, como se pode constatar em 
Homofobia 226 brasileiros assassinados em 2011. 
 
Apesar de 10% da população se identificar parte dos LGBTs, a cada 33 horas um 
desses cidadãos foi assassinado por um indivíduo que se sentiu incomodado com a 
orientação sexual do outro – portanto, por um homofóbico x(que tem medo de 
homossexuais). 
 
O pior é que esses números têm aumentado muito: desde 2007 já aumentaram em 
mais de 100%! E é preciso agir logo, o Brasil lidera o ranking tendo 44% dos assassinatos 
de gays em todo o mundo. Junto com o debate por legislação de proteção, cresce também 
a resistência, em especial da bancada evangélica. 
 
Índice de Homofobia - pesquisa 
realizada pela Fundação Perseu 
Abramo/2008. 
 
Como você pode ver na imagem 
abaixo, foi levantando um índice de 
homofobia no Brasil, revelando que é 
uma minoria que não aceita os 
homossexuais. No entanto, essa 
parcela é considerável e responsável por danos inestimáveis. Em rápida entrevista o 
Deputado Federal Jean Wyllys fala sobre a importância das políticas públicas contra a 
homofobia. Assista! 
 
Sugiro também uma olhada no link: Afinal, o que os gays pensam que são? 
Também recomendo uma espiada no avanço da legislação, pois em diversas 
cidades a discriminação contra LGBTs já é crime. 
 
 
http://www.fpabramo.org.br/o-que-fazemos/pesquisas-de-opiniao-publica/pesquisas-realizadas/7-indice-de-homofobia
http://g1.globo.com/videos/espirito-santo/bom-dia-es/t/edicoes/v/deputado-federal-jean-wyllys-participa-de-audiencia-publica-sobre-homofobia-no-es/1922279/
http://amorygual.tropis.org/perguntas.html
 
 
24 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
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 Gênero 
Há uma série de questões e problemas relacionados à desigualdade de trato entre 
homens e mulheres. Acredito que já ficou claro para ao menos considerável parte dos 
brasileiros que não é o fato de sermos homem ou mulher que faz um ser melhor ou poder 
mais que o outro. 
 
Certamente há diferenças, mas isso não faz de ninguém incapaz, apenas diferente. 
Não é mesmo? No entanto, a maioria dos cargos de chefia ainda são ocupados por homens 
e as mulheres ainda recebem menos, mesmo que executem as mesmas funções que os 
homens. 
 
Por outro lado, a igualdade na jornada de trabalho está mais que concedida, mas... 
e dentro de casa? Enquanto não estiver tudo devidamente dividido, acaba ficando ainda 
mais pesado. Será justo? O que você acha? 
 
Outro problema grave que permeia o mundo das mulheres é a questão da 
legalização do aborto, pois muitas morrem por conta da proibição. Dê uma olhada neste 
pequeno vídeo e reflita. 
 
Mas, entre tantas dificuldades enfrentadas, acredito que nada é pior que a violência 
doméstica. Há sim muitas pessoas que pensam que podem agir como se fossem donas da 
outra, mas a escravidão acabou faz tempo. 
 
E como parece que alguns têm muita dificuldade em entender isso, a Lei Maria da 
Penha foi elaborada e aprovada para coibir esse tipo de violência que marcou e até tirou a 
vida de milhares de brasileiras. 
 
É uma realidade presente em muitas famílias e relações. Você 
conhece alguma mulher que já foi agredida, ameaçada ou oprimida por 
alguém que era ou foi íntimo? Infelizmente, é muito improvável que a 
resposta seja não. 
 
Antes as mulheres não tinham coragem de denunciar, e muitas ainda não têm, ou 
sequer fazem ideia de que estão sofrendo violação de seus direitos - muito menos de como 
http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DINpm7CqRPx8%26feature%3Drelmfu&h=7AQH0DKCvAQF9EYIiu48grl8WA7b21xN0oZQqxYwZ7AhbAQ
http://leimariadapenha.blogspot.com.br/2006/12/lei-11340-lei-maria-da-penha.html
http://leimariadapenha.blogspot.com.br/2006/12/lei-11340-lei-maria-da-penha.html
http://carlosbfernandes.files.wordpress.com/2011/11/cartilha-final.pdf
 
 
25 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
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fazer para denunciar. Por isso este manual foi elaborado. Veja e, quando considerar 
pertinente, passe adiante. 
 
4.4. Corporativismo, códigos e comunicação 
Corporativismo: do latim corpus significa corpo, e ativismo é a ação ou atividade em 
direção a algo que se quer transformar, em geral, associado às ações de grupos que 
protestam contra ou a favor de algo (ex: contra a corrupção, a favor do meio ambiente, etc). 
 
O corporativismo, no entanto, terminou por adquirir um sentido mais pejorativo, pois, 
apesar de, a princípio parecer bom que os membros ajam como se a corporação fosse um 
único corpo e, portanto, se disponham a fazer de tudo para ajudar um ao outro – já que se 
o corpo morre, todos morrem – é necessário haver um limite. 
 
Se não há limite, pode-se chegar ao contrassenso de, por exemplo, um órgão que 
defende o cumprimento da Lei, descumprir a própria Lei. Quando o corporativismo passa a 
beneficiar uns em detrimento de outros, ou passa a encobrir erros e crimes, criasse uma 
rede, ou melhor, uma cadeia de “favores”. 
 
Essa cadeia mantém a muitos presos em um sistema de encobertamento e inevitável 
cooperação, já que todos devem a todos. O “corpo” continua vivendo, mas suas partes (com 
seus interesses privado) podem chegar a consumir-lhe mais energia que sua própria 
missão - seja ela qual for. 
 
As ximilícias do Rio de Janeiro são um exemplo cabível, porém extremado, já que 
praticamente formam outro corpo. Parece coisa de ficção, e boa parte dos que assistiram 
ao Tropa de Elite II devem pensar que a situação retratada seja só uma imaginação do 
autor do que poderia acontecer e não do que já vem acontecendo, como alerta a Anistia 
Internacional, conforme publicou a Terra Magazine: Milícias do Rio já são maiores que 
traficantes 
 
Os códigos e comunicação específica são encontrados em qualquer grupo, pois é 
símbolo de identificação e auxiliam na exclusão para que o grupo permaneça fechado, 
fazendo com que quem não for bem-vindo, ou confiável, não se sinta a vontade ou não 
entenda o que se diz. Isso vale tanto para gangues, pequenos grupos, policiais, políticos, 
etc. – todos têm sua linguagem. 
http://carlosbfernandes.files.wordpress.com/2011/11/cartilha-final.pdf
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5451968-EI6578,00.htmlhttp://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5451968-EI6578,00.html
 
 
26 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
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Neste quarto texto procuramos entender um pouco sobre o que trata a 
Antropologia, o estudo do ser humano em suas diversas culturas. A reconhecer 
a riqueza existente na diversidade de culturas – que não somos iguais e nem 
precisamos ser, precisamos apenas nos respeitarmos em nossas diferenças. 
E falando em ser humano, para que possamos viver em harmonia, é 
indispensável que os Direitos Humanos sejam respeitados. Pois neste sentido 
sim: todos são iguais perante a lei, independente de sexo, classe social, 
[orientação sexual], pensamento, credo, raça, cor ou etnia. Não é? 
Mas ainda há muito preconceito com os que não seguem o padrão “desejado”, 
principalmente com relação aos pobres, negros, LGBTs e mulheres. No entanto, 
nada justifica esses “pré-conceitos”. Brancos e ricos também podem ser 
discriminados, mas é raro. Assista ao Versões - preconceito. São só 6 min. 
Sobre o corporativismo instaurado nas diversas organizações, este adquiriu um 
sentido pejorativo por conta de encobertarem os favores uns dos outros. Se o 
proveito próprio é mais importante que a missão da organização, é criminoso. 
Finalmente, finalizamos chamando a atenção para a linguagem e símbolos que 
cada grupo utiliza para se comunicar e manter fechado, independente de 
serem grupos de adolescentes, policiais e seguranças ou crime organizado. 
 
i Empírico: Baseado na experiência e na observação, metódicas ou não. 
ii Alienação: ato ou efeito de alienar (-se); alheação, alheamento, alienamento. 
1. Rubrica: termo jurídico. Transferência para outra pessoa de um bem ou direito - ex: alienação de 
uma propriedade. Estado resultante do abandono ou privação de um direito natural - ex: alienação da 
liberdade. 
2. Derivação: sentido figurado. Fato de ceder ou perder; renúncia, desprendimento - ex: . 
3. Rubrica: filosofia. No hegelianismo, processo em que a consciência se torna estranha a si mesma, 
afastada de sua real natureza, exterior a sua dimensão espiritual, colocando-se como uma coisa, uma 
realidade material, um objeto da natureza. No marxismo, processo em que o ser humano se afasta 
de sua real natureza, torna-se estranho a si mesmo na medida em que já não controla sua atividade 
essencial (o trabalho), pois os objetos que produz, as mercadorias, passam a adquirir existência 
independente do seu poder e antagônica aos seus interesses Obs: cf. reificação. 
4. Derivação: por extensão de sentido. Uso: informal. Indiferença aos problemas políticos e sociais 
5. Derivação: por extensão de sentido. Uso: informal. Desorientação quanto ao comportamento e às 
convicções pessoais; sensação de absurdo existencial. 
 
iii Reificação: 
1. Rubrica: filosofia. Segundo Georg Lukács (1885-1971), alargando e enriquecendo um conceito de 
Karl Marx (1818-1883), processo histórico inerente às sociedades capitalistas, caracterizado por uma 
transformação experimentada pela atividade produtiva, pelas relações sociais e pela própria 
subjetividade humana, sujeitadas e identificadas cada vez mais ao caráter inanimado, quantitativo e 
automático dos objetos ou mercadorias circulantes no mercado. 
2. Derivação: por extensão de sentido. Qualquer processo em que uma realidade social ou subjetiva 
de natureza dinâmica e criativa passa a apresentar determinadas características - fixidez, 
automatismo, passividade - de um objeto inorgânico, perdendo sua autonomia e autoconsciência. 
 
 
 
27 Fundamentos de Sociologia e Antropologia 
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3. Sinônimo: coisificação. 
 
iv Etnia: Coletividade de indivíduos que se diferencia por sua especificidade sociocultural, refletida 
principalmente na língua, religião e maneiras de agir; grupo étnico [Para alguns autores, a etnia 
pressupõe uma base biológica, podendo ser definida por uma raça, uma cultura ou ambas; o termo é 
evitado por parte da antropologia atual, por não haver recebido conceituação precisa.]. 
v Biótipos: genótipo comum a todos os indivíduos de um determinado grupo. Grupo de indivíduos 
que têm uma origem comum e possuem as mesmas estruturas de fatores hereditários. 
vi Índole: conjunto de traços e qualidades inerentes ao indivíduo desde o seu nascimento; caráter, 
inclinação, temperamento. 
vii Travesti: artista que, em espetáculos, se veste com roupas do sexo oposto. Homossexual que se 
veste e que se conduz como se fosse do sexo oposto. 
viii Transexual: aquele que tem a convicção de pertencer ao sexo oposto, cujas características 
fisiológicas aspiram ter ou já adquiriu por meio de cirurgia. 
ix Intersexual: intermediário, no tocante a características sexuais, entre o macho e a fêmea; 
intersexuado. 
x Homofóbico: rejeição ou aversão a homossexual e a homossexualidade. 
xi Milícia: qualquer organização de cidadãos armados que não integram o exército de um país. 
	1. A CIÊNCIA DA SOCIEDADE
	1.1. A Sociologia de Durkheim
	1.2. Fato Social
	1.3. Patologia Social
	1.4. Divisão do Trabalho Social
	2. OS TIPOS DE DOMINAÇÃO
	2.1. Contribuições de Max Weber
	2.2. Política como vocação
	2.3. Burocracia
	2.4. A ética protestante e o espírito do capitalismo
	3. A SOCIEDADE CAPITALISTA
	3.1. A visão de Marx
	3.2. A transição dos sistemas
	3.3. O Exército Industrial de Reserva
	3.4. Mais-valia
	3.5. Alienação e reificação
	3.6. Utopia
	4. DIVERSIDADE E DESIGUALDADE
	4.1. Antropologia e cultura
	4.2. Etnocentrismo e diversidade de culturas
	4.3. Desigualdade e preconceito
	4.4. Corporativismo, códigos e comunicação

Mais conteúdos dessa disciplina