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REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 1 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. A reconfiguração da identidade digital: impactos do neuromarketing e da inteligência artificial na percepção e comportamento do consumidor The reconfiguration of digital identity: impacts of neuromarketing and artificial intelligence on consumer perception and behaviour La reconfiguración de la identidad digital: repercusiones del neuromarketing y la inteligencia artificial en la percepción y el comportamiento de los consumidores DOI: 10.54033/cadpedv21n6-060 Originals received: 05/07/2024 Acceptance for publication: 05/28/2024 Isis Terezinha Santos de Santana Mestre em Administração Instituição: Logos University International (UNILOGOS) Endereço: Miami, Florida, Estados Unidos E-mail: isiskintra@gmail.com Jhonata Jankowitsch Doutor em Administração de Empresas Instituição: Logos University International (UNILOGOS) Endereço: Miami, Florida, Estados Unidos E-mail: jankowitsch@hotmail.com Robson Antonio Tavares Costa Doutor em Gestão Empresarial pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Instituição: Universidade Federal do Amapá Endereço: Macapá, Amapá, Brasil E-mail: atendimento@unilogosedu.com Francis Silveira Doutor em Ciências da Saúde Instituição: Logos University International (UNILOGOS) Endereço: Miami, Florida, Estados Unidos E-mail: atendimento@unilogosedu.com REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 2 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. RESUMO Introdução: Este estudo investiga a interação entre neuromarketing, identidade digital e inteligência artificial (IA) na publicidade digital, examinando seu impacto na percepção de singularidade em contextos digitais. Objetivo: O objetivo é analisar como essas técnicas afetam a identidade e a percepção de autenticidade dos consumidores em ambientes digitais. Método: Utilizando uma abordagem descritivo-exploratória e quantitativa, foram aplicados questionários a 244 participantes. Resultados: A exposição frequente a estratégias de neuromarketing com imagens geradas por inteligência artificial pode reduzir a percepção de autenticidade e aumentar a desconfiança dos consumidores. Houve uma discrepância significativa entre a persona digital e a identidade real dos indivíduos, afetando a eficácia das campanhas de marketing digital. Conclusões: Destaca-se a importância de uma abordagem ética e centrada no humano no uso de tecnologias avançadas como neuromarketing e IA no marketing digital. É essencial valorizar a transparência e a autenticidade para construir confiança nas marcas e preservar a identidade digital dos consumidores. Essas descobertas ressaltam a necessidade de uma abordagem responsável ao utilizar essas técnicas, considerando seus impactos na percepção da identidade digital e na confiança do consumidor. Palavras-chave: Neuromarketing. Inteligência Artificial (IA). Identidade Digital. Comportamento do Consumidor. Discrepância de Identidade. ABSTRACT Introduction: This study investigates the interaction between neuromarketing, digital identity and artificial intelligence (AI) in digital advertising, examining their impact on the perception of uniqueness in digital contexts. Objective: The aim is to analyze how these techniques affect consumers' identity and perception of authenticity in digital environments. Method: Using a descriptive-exploratory and quantitative approach, questionnaires were administered to 244 participants. Results: Frequent exposure to neuromarketing strategies with AI-generated images can reduce the perception of authenticity and increase consumer distrust. There was a significant discrepancy between the digital persona and the real identity of individuals, affecting the effectiveness of digital marketing campaigns. Conclusions: The importance of an ethical and human-centered approach to the use of advanced technologies such as neuromarketing and artificial intelligence in digital marketing is highlighted. It is essential to value transparency and authenticity to build trust in brands and preserve consumers' digital identity. These findings highlight the need for a responsible approach when using these techniques, considering their impact on the perception of digital identity and consumer trust. Keywords: Neuromarketing. Artificial Intelligence (AI). Digital Identity. Consumer Behavior. Identity Discrepancy. RESUMEN Introducción: Este estudio investiga la interacción entre el neuromarketing, la identidad digital y la inteligencia artificial (IA) en la publicidad digital, examinando REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 3 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. su impacto en la percepción de unicidad en contextos digitales. Objetivo: Se pretende analizar cómo afectan estas técnicas a la identidad y percepción de autenticidad de los consumidores en entornos digitales. Método: Mediante un enfoque descriptivo-exploratorio y cuantitativo, se administraron cuestionarios a 244 participantes. Resultados: La exposición frecuente a estrategias de neuromarketing con imágenes generadas por inteligencia artificial puede reducir la percepción de autenticidad y aumentar la desconfianza de los consumidores. Se observó una discrepancia significativa entre la persona digital y la identidad real de los individuos, lo que afecta a la eficacia de las campañas de marketing digital. Conclusiones: Se destaca la importancia de un enfoque ético y centrado en el ser humano en el uso de tecnologías avanzadas como el neuromarketing y la IA en el marketing digital. Es esencial valorar la transparencia y la autenticidad para generar confianza en las marcas y preservar la identidad digital de los consumidores. Estos resultados enfatizan la necesidad de un enfoque responsable a la hora de utilizar estas técnicas, teniendo en cuenta su impacto en la percepción de la identidad digital y la confianza del consumidor. Palabras clave: Neuromarketing. Inteligencia Artificial (IA). Identidad Digital. Comportamiento del Consumidor. Discrepancia de Identidad. 1 INTRODUÇÃO Nesta era de conectividade digital e de exposição tecnológica perpétua, a própria estrutura da identidade pessoal está se remodelando. O envolvimento constante com plataformas digitais não só molda a nossa percepção de nós mesmos, mas também a forma como somos percebidos pelos outros. Isto tem um significado imenso no mundo de hoje, onde a abundância de informação desafia as noções de autenticidade e individualidade, segundo Meneghetti e Antunes (2021), a interação contínua com ambientes digitais não apenas redefine a experiência humana, mas também suscita questionamentos profundos sobre a natureza da identidade em um contexto contemporâneo. A disciplina de neuromarketing, conforme definida por Terezinha et al. (2023a), emprega conhecimentos da neurociência para compreender e moldar o comportamento do consumidor. Num mundo onde a comunicação é predominantemente digital e a quantidade de informação disponível é esmagadora, o neuromarketing assume maior importância, pois desempenha um papel fundamental na garantia da singularidade e individualidade no domínio REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 4 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. do marketing. A essência do neuromarketing é a ênfase no emprego de metodologias de neurociência para descobrir como o cérebro das pessoas reage a vários estímulos de marketing e publicidade. Basicamente, o campo do neuromarketingonline, destaca uma relação extremamente forte. Isso ressalta o papel fundamental da IA não apenas na criação de conteúdo, mas também na maneira como as identidades digitais dos usuários moldam e são moldadas por esse conteúdo. Essas correlações oferecem insights sobre como as dinâmicas online são influenciadas pela interação entre tecnologia e identidade digital. Ahmed et al. (2022), evidenciam como a IA pode ser usada para analisar comportamentos e preferências dos usuários, permitindo a criação de anúncios altamente personalizados e relevantes. As correlações apresentadas sugerem que a IA está se tornando um elemento cada vez mais presente e influente em nossa experiência online, moldando tanto o conteúdo que consumimos quanto a forma como interagimos e construímos nossas identidades digitais. Este enfoque na personalização e na eficácia dos anúncios, com base na análise de dados comportamentais, reflete diretamente a tendência observada na correlação mencionada. A pesquisa de Yu et al., (2024) explora como as identidades digitais são moldadas e apresentadas por meio de influenciadores virtuais e como influenciam a maneira como os usuários interagem com o conteúdo da marca nas redes sociais, denotando como ela pode ser usada estrategicamente em campanhas de marketing para criar interações mais significativas e REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 31 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. personalizadas com os usuários. À medida que as imagens geradas por IA se tornam mais prevalentes, sua influência na interação dos usuários com as marcas se intensifica, refletindo a crescente personalização e sofisticação das estratégias de marketing digital. Essas correlações revelam uma paisagem digital em rápida evolução, onde a interação entre usuários, suas identidades digitais e o conteúdo gerado por IA nas redes sociais está se tornando cada vez mais entrelaçada. Elas destacam a importância de entender como essas dinâmicas influenciam o comportamento do consumidor online, fornecendo perspectivas cruciais para marcas e anunciantes que buscam se conectar de maneira mais eficaz com seu público-alvo. Através desta compreensão, é possível não apenas otimizar estratégias de marketing digital, mas também enriquecer a experiência online dos usuários, tornando-a mais relevante, personalizada e envolvente (Rocha, 2021). A correlação de 0.892 entre sentir-se manipulado por anúncios e a percepção do impacto das imagens geradas por IA na autenticidade de um perfil ou marca revela uma conexão significativamente forte. Isso indica que os usuários estão cada vez mais conscientes das estratégias sofisticadas adotadas pelas marcas, incluindo o uso de IA para criar conteúdo visual. Essa alta correlação sugere que, ao perceberem que uma imagem foi gerada por IA, os usuários podem sentir um aumento na percepção de manipulação, possivelmente devido a preocupações com autenticidade e confiança. Isso é respaldado pelos estudos de Sonia-Aránzazu Ferruz-González et al. (2023), que destacam a importância de utilizar essas tecnologias de forma a preservar a confiança e autenticidade percebidas. Essa tendência reflete uma crescente demanda por transparência e autenticidade nas interações online, com os usuários valorizando marcas que se apresentam de maneira genuína e confiável. As marcas que conseguirem navegar nesse cenário com responsabilidade e ética serão recompensadas com a lealdade e o engajamento dos consumidores. A correlação de 0.744 entre sentir-se manipulado por anúncios e a percepção de que a identidade digital influencia as escolhas de consumo destaca a forte influência que a presença online e a exposição a conteúdo de marketing REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 32 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. exercem sobre os consumidores. Preconiza-se que a forma como os usuários se veem e são percebidos online desempenha um papel significativo em suas decisões de compra, indicando que as experiências de consumo são profundamente impactadas pela interação digital e pela exposição a estratégias de marketing, potencialmente percebidas como manipuladoras. Além disso, a correlação de 0.800 entre a percepção de que o uso de imagens geradas por IA afeta a autenticidade de uma marca e o impacto da identidade digital nas escolhas de consumo evidencia uma conexão robusta entre a autenticidade percebida e as decisões de compra influenciadas pela identidade digital. Isso demonstra que a autenticidade de uma marca, influenciada pelo uso de tecnologias como a IA, é um fator crucial que molda a forma como os consumidores se relacionam com suas identidades online e, consequentemente, suas escolhas de consumo (Sonia-Aránzazu Ferruz- González et al., 2023; Allal-Chérif; Puertas; Carracedo, 2024). Essas correlações destacam a importância crescente de entender como a tecnologia, especialmente a inteligência artificial, está redefinindo as normas de interação e comunicação entre marcas e consumidores nas redes sociais. A forte ligação entre a percepção de autenticidade, a sensação de ser manipulado e o impacto da identidade digital nas escolhas de consumo destaca a necessidade de as marcas navegarem cuidadosamente na utilização de imagens geradas por IA. Elas devem esforçar-se por manter a autenticidade e a transparência em suas comunicações, a fim de construir relações de confiança com os consumidores (Calgaro; Ruscheinsky, 2023). Por fim, para marcas e profissionais de marketing, essas percepções enfatizam a importância de estratégias de marketing digital que honrem a inteligência e a sensibilidade dos consumidores. Ao adotar abordagens que valorizem a autenticidade e a transparência, as marcas podem cultivar uma relação mais positiva e duradoura com seu público, alinhando-se aos seus valores e expectativas em um mundo digital cada vez mais saturado e competitivo. A presença digital de cada indivíduo nas diversas plataformas de redes sociais é frequentemente uma representação acurada de sua identidade, que pode variar significativamente de um ambiente para outro (Majeed; Adisaputera; REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 33 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. Ridwan, 2020). Esta adaptação da identidade digital, juntamente com o uso emergente de tecnologias como a inteligência artificial (IA) para criar imagens, traz à tona complexas questões éticas e influências perceptíveis na maneira como percebemos os anúncios e, por extensão, os produtos anunciados. A análise dessas correlações fornece uma visão interessante sobre as dinâmicas atuais do espaço digital e suas implicações para consumidores e marcas. A correlação de 0.783 entre a alteração de aspectos da identidade em várias plataformas de redes sociais e a preocupação com desafios éticos decorrentes do uso de imagens geradas por IA destaca uma crescente conscientização sobre as complexidades éticas relacionadas à autenticidade online. Essa forte relação sugere que os indivíduos que ajustam conscientemente sua apresentação em diferentes plataformas também estão mais atentos às implicações éticas do uso de tecnologias avançadas, como a IA, em seus perfis online. Isso pode refletir uma preocupação com a autenticidade, a manipulação de percepções e questões de privacidade e consentimento, especialmente acentuadas pelo uso de conteúdo gerado por IA. Essa correlação entre a modificação da identidade digital em diferentes plataformas e a percepção de que a frequência dos anúncios influencia a visão sobre os produtos anunciados destacacomo a apresentação de si mesmo nas redes sociais pode afetar a receptividade aos esforços de marketing. Essa conexão implica que a maneira como os indivíduos escolhem se apresentar online não apenas reflete suas identidades variáveis (Calgaro & Ruscheinsky, 2023), mas também molda suas interações com o conteúdo comercial, possivelmente devido a uma maior sensibilidade às técnicas de marketing e à sua pervasividade. A relação moderadamente positiva de 0.636 entre a preocupação com desafios éticos do uso de IA em perfis de redes sociais e a influência da frequência de anúncios na percepção dos produtos sugere que as questões éticas em torno do uso de IA não estão isoladas das reações dos consumidores ao marketing digital. A análise semiótica de Coelho e Hildebrand (2021) sobre como os deepfakes são construídos e percebidos revelam as questões éticas destacadas pela relevância. REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 34 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. A forma como os usuários ajustam suas identidades em diversas plataformas é influenciada por preocupações com autenticidade e manipulação (Calgaro & Ruscheinsky, 2023). Estas preocupações desempenham um papel significativo na formação da percepção dos utilizadores em relação aos anúncios e aos produtos que endossam. Considerações éticas podem levar a um aumento do ceticismo e do pensamento crítico em relação às mensagens publicitárias. Quando os anúncios são exibidos com frequência, o uso de conteúdo gerado por IA pode ampliar ainda mais essas preocupações, impactando, em última análise, a eficácia dos anúncios. Iglesias et al. (2023), em seu estudo, examinaram a busca pela autenticidade nas redes sociais, principalmente no Instagram, e como apresentar-se sem filtro afeta a percepção do conteúdo. Embora este estudo não se concentre apenas em imagens geradas por IA, eles destacam a importância da autenticidade e como o processamento de imagens, incluindo a IA, afeta a confiança do usuário e a aceitação de conteúdo comercial. A proliferação de imagens online irreais contribui para uma visão distorcida da realidade e da beleza, especialmente entre jovens. A pressão por padrões inalcançáveis de beleza pode levar ao aumento de distúrbios alimentares, problemas de saúde mental e expectativas irreais nos relacionamentos interpessoais. A disparidade entre a imagem online e a persona real dos indivíduos na era digital gera diversos riscos e desafios que precisam ser seriamente considerados. Essa ruptura entre o real e o digital pode trazer consequências negativas para a saúde mental, relacionamentos, reputação profissional e até mesmo para a sociedade como um todo. A pressão por manter uma imagem online perfeita, muitas vezes irreal e inalcançável, pode levar à ansiedade, depressão, baixa autoestima e distorção da autoimagem. A comparação constante com personas online idealizadas gera sentimentos de inadequação, frustração e insatisfação com a vida real. REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 35 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. 5.3 ANÁLISE LINEAR MULTIVARIADA ENTRE VARIÁVEIS A regressão linear múltipla foi empregada na análise das hipóteses utilizando o modelo Ridge, uma adaptação dos mínimos quadrados ordinários que incorpora a regularização L2. Essa forma de regularização tem a capacidade de atenuar o impacto de características menos relevantes, reduzindo os coeficientes associados a elas até zero. Em cada análise, esse modelo foi utilizado para explorar as relações entre variáveis dependentes específicas e diversas variáveis independentes, ajustando modelos com base em diferentes faixas etárias, enquanto investigava hipóteses sobre o impacto das estratégias de marketing digital e da identidade digital em indivíduos utilizando amostras distintas. A Tabela 4 apresenta o impacto das estratégias de marketing digital em diferentes faixas etárias, oferecendo uma visão abrangente das tendências e padrões observados na interação dos consumidores com as campanhas online. Ao segmentar os dados com base nas faixas etárias, obtivemos insights sobre a relação entre os coeficientes de regressão das variáveis independentes e a eficácia global das estratégias de neuromarketing. Tabela 4. Análise de Regressão Linear com Modelo Ridge: Impacto das Estratégias de Marketing Digital em Diferentes Faixas Etárias. Fonte: Elaborado pelos Autores, São Paulo, Brasil, 2024. Na faixa etária de 18 a 29 anos, destaca-se um valor de R² notavelmente elevado de 0,988, indicando um ajuste excepcional do modelo. O baixo valor de MSE de 0,027 demonstra a precisão do modelo em realizar previsões, enquanto Faixa Etária Variável Independente Coeficientes de Regressão Intercepto (Constante) R² (Coeficiente de Determinação) Erro Quadrático Médio (MSE) Tamanho do Efeito (Cohen's f²) Validação Cruzada (modelo Ridge) Validação Cruzada (Desvio Padrão) 18 a 29 anos [0.331, 0.331, -0.011, 0.113, -0.052, 0.095, 0.123, 0.062] 0.024 0.988 0.027 87.89 0.997 0.003 30 a 39 anos [-0.074, 0.755, 0.027, - 0.220, 0.027, 0.290, 0.147, 0.016] 0.139 0.974 0.033 37.13 0.953 0.038 40 a 49 anos [0.128, 0.128, 0.093, 0.112, -0.171, 0.207, 0.331, 0.188] -0.071 0.741 0.086 4.72 0.567 0.466 50 a 59 anos [0.199, 0.199, -0.025, 0.137, -0.050, 0.199, 0.171, 0.165] 0.026 0.413 0.258 1.63 0.764 0.384 Frequência dos Anúncios, Personalização dos Anúncios, Transparência das Estratégias, Frequência e Influência nas Decisões, Discussão Anúncios, Relevância Neuromarketing, Manipulação por Anúncios, Percepção Produtos REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 36 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. o elevado valor de f² de Cohen, atingindo 87,89, e a sólida pontuação de validação cruzada de 0,997 ± 0,003 reforçam ainda mais a confiabilidade do modelo. A presença de coeficientes de regressão tanto positivos quanto negativos ressalta o impacto forte e diversificado dos anúncios e das percepções. Os dados desta faixa etária sugerem que o emprego de técnicas de neuromarketing não prejudica intrinsecamente a eficácia das estratégias de marketing digital. Pelo contrário, aparentam ser bem aceitas e gerar resultados positivos, especialmente entre os grupos demográficos mais jovens. No entanto, as informações também alertam para a importância do desenvolvimento criterioso de campanhas, como indicado pelos coeficientes negativos, que sugerem que certas abordagens podem acarretar consequências desfavoráveis. Ao adentrar na faixa etária de 30 a 39 anos, ainda se observa um ajuste robusto do modelo, com um elevado valor de R² de 0,974 e um MSE moderado de 0,033. O f² de Cohen moderado, atingindo 37,13, e a pontuação de validação cruzada ligeiramente inferior de 0,953 ± 0,038 sugerem que a personalização dos anúncios e a relevância do neuromarketing exercem um impacto notável nesta faixa etária. Estes resultados evidenciam o impacto significativo e positivo da personalização e relevância do neuromarketing adaptado às características e preferências desta faixa etária, refutando a ideia de que a exposição contínua a tais estratégias conduz necessariamente a campanhas de marketing enganosas ou à redução da eficácia do marketing. Apesar da contínua influência das estratégias de neuromarketing, o declínio no ajuste do modelo sugere uma combinação de percepções variadas ou um interesse reduzido nessas táticas. Brito e Ferreira de Freitas (2019) destacam a influência das redes sociais no comportamento do consumidor, ressaltandoque a faixa etária desempenha um papel significativo na forma como os indivíduos respondem ao marketing digital. Essa diversidade de preferências evidencia a necessidade de uma abordagem segmentada e personalizada no desenvolvimento de campanhas de marketing digital, levando em consideração as características específicas de cada grupo demográfico. Os consumidores mais jovens tendem a ser mais atraídos por abordagens inovadoras e interativas das redes sociais, enquanto os mais velhos podem REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 37 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. preferir formas tradicionais de publicidade. Nesse sentido, as empresas são instadas a adaptar suas estratégias com base nessas nuances: aquelas que conseguirem ajustar seus esforços de acordo com as peculiaridades da idade serão capazes de otimizar seu impacto em diferentes pontos de contato ao longo da jornada do consumidor rumo à compra, especialmente dentro do contexto vibrante e competitivo que as viagens representam. Em um nível prático, esses resultados têm implicações significativas tanto para os profissionais de marketing quanto para os consumidores. Para os profissionais, as diferenças na eficácia das estratégias de neuromarketing entre as faixas etárias destacam a importância de personalizar e adaptar as estratégias para maximizar os resultados. Para os consumidores, o impacto significativo dessas estratégias nos jovens destaca a necessidade de transparência na tecnologia e nas práticas de marketing utilizadas para tomar decisões informadas. Rocha (2021) discute a personalização de produtos e serviços como uma forma essencial de atender às diversas expectativas dos diferentes perfis de clientes. O autor considera vantajoso levar em consideração as preferências individuais das pessoas, não apenas para satisfazê-las, mas também para surpreendê-las. Isso ajuda a personalizar ofertas que ressoem com os clientes em um nível mais profundo, garantindo que suas experiências sejam verdadeiramente memoráveis. Por outro lado, o estudo de Calgaro e Ruscheinsky (2023) investiga práticas responsáveis, bem como a autorrepresentação quando se trata do que se consome. Essa discussão destaca a necessidade de conscientização sobre os prós e contras do neuromarketing. Ao analisar os dados de exposição contínua de estratégias de neuromarketing implementadas por meio de inteligência artificial em plataformas de redes sociais, que podem levar a atividades enganosas afetando negativamente a eficácia das estratégias de marketing digital, é crucial considerar os dados e correlações discutidos anteriormente. Observando as informações sobre eficácia versus manipulação percebida, os dados mostram que a maioria dos usuários acreditava que a estratégia de neuromarketing era REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 38 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. eficaz (média de 4,28). No entanto, existe uma forte correlação entre a frequência da publicidade e as percepções de manipulação (correlação de 0,892). As preocupações sobre a utilização de informações pessoais para fins de marketing também são evidentes (média de 2,37). A correlação entre a adaptação da identidade digital e a resposta do consumidor à publicidade demonstra que é fundamental uma compreensão profunda do seu público-alvo. A incapacidade de adaptar as campanhas de marketing para respeitar e refletir as mudanças na presença digital dos consumidores pode resultar em um menor envolvimento e capacidade de resposta, reduzindo a eficácia da campanha. Esta hipótese é parcialmente aceita, pois os dados analisados demonstram a complexidade do impacto das estratégias de neuromarketing nas redes sociais. Embora sejam eficazes, também têm o potencial de gerar percepções negativas entre os consumidores se não forem implementadas com cuidado e transparência. A aceitação parcial desta hipótese baseia-se na observação de que, embora o neuromarketing ofereça ferramentas poderosas para aumentar o envolvimento e a eficácia das campanhas, a implementação sem considerar a ética, a transparência e a autenticidade podem prejudicar a eficácia das estratégias de marketing. Portanto, as marcas e os profissionais de marketing devem caminhar sobre uma linha tênue entre o uso eficaz dessas tecnologias e a manutenção da confiança e autenticidade do consumidor. Esta descoberta destaca a importância de adotar uma abordagem mais direcionada e ética no uso de técnicas de neuromarketing. Ao reconhecer as nuances das diferentes faixas etárias e considerar a diversidade de fatores que influenciam as respostas dos consumidores, as empresas podem desenvolver estratégias mais eficazes e responsáveis. Além disso, ao implementar técnicas de neuromarketing, deve-se adotar uma abordagem transparente e ética para garantir que os consumidores sejam tratados com respeito e compreendam como suas percepções são formadas. Esta abordagem não só aumenta a confiança do consumidor, mas também promove uma relação mais sustentável e duradoura entre a marca e seu público-alvo. As redes sociais podem influenciar as percepções sobre a autenticidade das identidades digitais, revelando desafios éticos e psicológicos na construção REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 39 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. e manutenção de personas online. Na faixa etária dos 18 aos 29 anos, os coeficientes positivos para o "Impacto Privado" indicam sérias preocupações sobre a privacidade, enquanto os coeficientes negativos para a "Confiança na IA", "Autenticidade Percebida" e "Desafios Éticos" indicam ceticismo e preocupações éticas sobre a inteligência artificial. O modelo apresentou excelente ajuste (R² = 0,994), indicando que essas variáveis são preditores confiáveis do impacto percebido da identidade digital, com tamanho de efeito considerável e alta validação cruzada, conforme mostrado na Tabela 5. Tabela 5. Influência do Uso de Imagens Geradas por Inteligência Artificial nas Percepções e Decisões de Usuários em Diferentes Faixas Etárias. Fonte: Elaborado pelos Autores, São Paulo, Brasil, 2024. A onda crescente de desconfiança e preocupações com a privacidade dos jovens em torno da IA devido à prevalência da tecnologia digital é um tema sublinhado por estudos como o de Moga e Rughiniș (2023), que apresentam avatares de IA se apresentando de forma idealizada, nota-se que essa exposição ocorre principalmente através das redes sociais. Os dados preconizam que a crescente familiaridade com as mídias sociais e a extensa coleta de dados podem ter aumentado a sensibilidade em relação à privacidade. A falta de transparência sobre o uso de dados por empresas pode alimentar a desconfiança e o receio de possíveis abusos das informações pessoais. Além disso, a falta de compreensão sobre o funcionamento da inteligência artificial pode gerar desconfiança e receio de sua possível utilização para propósitos maliciosos. A disseminação de notícias sobre os aspectos negativos da IA, como os “deepfakes” e a manipulação da informação, pode reforçar o ceticismo em relação à tecnologia. Por fim, a falta de Faixa Etária Variável Independente Coeficientes de Regressão Intercepto (Constante) R² (Coeficiente de Determinação) Erro Quadrático Médio (MSE) Tamanho do Efeito (Cohen's f²) Validação Cruzada (modelo Ridge) Validação Cruzada (Desvio Padrão) 18 a 29 anos [0.0035, 0.251, 0.127, 0.068, -0.037, -0.039, - 0.039, 0.683] -0.048 0.994 0.013 157.88 0.979 0.017 30 a 39 anos [0.285, 0.079, 0.285,0.053, -0.001, 0.077, - 0.063, 0.285] -0.007 0.9999 0.00007 10152.15 0.989 0.019 40 a 49 anos [0.191, 0.191, 0.191, 0.191, 0.012, 0.015, 0.015, 0.191] -0.0004 0.9999 0.000015 10307.69 0.999 0.002 50 a 59 anos [0.048, 0.150, 0.048, 0.116, 0.147, 0.155, 0.155, 0.171] 0.025 0.801 0.040 2.881 0.954 0.09 Frequência de imagens com IA, Identif de imagens com IA, Engano por IA, Melhoria Visualização com IA, Confiança nas imagens com IA, Percepção Autenticidade, Desafios Éticos, Implicações Privacidade REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 40 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. representatividade e diversidade no desenvolvimento da IA pode suscitar preocupações sobre vieses e discriminação algorítmica. Essas preocupações refletem a necessidade contínua de abordar questões éticas e sociais relacionadas ao avanço tecnológico. Entre os indivíduos de 30 a 39 anos, observou-se um ajuste de modelo quase perfeito (R² = 0,9999) e um tamanho de efeito (f² de Cohen = 10152.15), indicando uma relação muito forte entre as variáveis e o impacto percebido. As preocupações com a privacidade e o impacto da inteligência artificial são particularmente pronunciadas entre este grupo. Segundo Brito e Ferreira de Freitas (2019) apontaram este fato nas suas pesquisas sobre a influência das redes sociais nas pessoas, aqueles pertencentes a esta faixa etária são geralmente mais sensíveis às preocupações éticas e de privacidade devido à sua exposição no mundo profissional juntamente com os compromissos familiares. Essa faixa etária pode apresentar uma maior experiência com a coleta de dados online e o uso de mídias sociais, o que pode resultar em uma sensibilidade ampliada em relação à questão da privacidade. A desconfiança em instituições e empresas pode ser exacerbada por relatos de vazamentos de dados. Além disso, a familiaridade aprimorada com os avanços tecnológicos pode suscitar receios de que a IA seja empregada para monitorar e controlar indivíduos de maneira invasiva, contribuindo para um clima de preocupação com a privacidade e a autonomia pessoal. Para a faixa etária de 40 a 49 anos, coeficientes consistentemente elevados indicam preocupações éticas e de privacidade, e o ajuste do modelo e os tamanhos dos efeitos são elevados, reforçando o impacto significativo destas variáveis neste grupo. O estudo realizado por Iglesias et al. (2023), chama a atenção para a forma como a ascensão da IA nos cenários das redes sociais distorce o sentido da realidade, lançando uma sombra sobre a integridade da informação e a fiabilidade das plataformas online. Como resultado, os decisores pertencentes a esta era estão mais inclinados a ponderar sobre os resultados éticos e sociais das tecnologias de IA nos seus domínios. Os indivíduos pertencentes a esta faixa etária, muitas vezes ocupando cargos de liderança ou de tomada de decisão, demonstram grande interesse REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 41 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. pelas repercussões éticas e sociais provocadas pela IA. Reconhecem que, através das suas posições influentes, têm responsabilidades que incluem a compreensão da natureza transformadora que a IA traz à sociedade, tendo em consideração questões relacionadas com a autenticidade e a transparência durante as interações online. Entre os indivíduos com idade entre 50 e 59 anos, embora os coeficientes sejam mais baixos, o ajuste do modelo permanece elevado, indicando boa previsibilidade. O efeito foi menor, mas ainda significativo em comparação com o grupo mais jovem. O estudo de Firth et al. (2019), aponta que a era da Internet está redefinindo as capacidades cognitivas; desde mecanismos de atenção até gatilhos de memória e vias de cognição de informação. Estar ciente de tais impactos iminentes, cortesia das tecnologias emergentes, pode levar estes indivíduos a adaptarem uma abordagem ainda mais cautelosa e crítica em relação à sua utilização e repercussões. O impacto percebido da IA em aspectos como a autenticidade e a privacidade destaca a importância de os utilizadores assumirem uma postura crítica sobre a autenticidade do conteúdo online e compreenderem como as suas informações pessoais são utilizadas. Um estudo realizado por Ibanez et al. (2018), investiga o impacto da variabilidade pessoal nas reações emocionais na socialização cognitiva e na atuação em doenças psicopatológicas: realmente uma revelação. A aplicação de tais descobertas através do neuromarketing e da IA poderia certamente aumentar a eficácia do marketing; no entanto, também pode servir como uma faca de dois gumes – piorando inadvertidamente ou mesmo provocando condições mentais entre pessoas susceptíveis, ao brincar com as emoções e perpetuar a conduta de consumo compulsivo. Consideremos então trilhar cautelosamente esse caminho. Terezinha et al., (2023b) apontam para a necessidade de aprofundar as repercussões psicológicas da inteligência artificial (IA) na realidade e na identidade. Enfatizam que é crucial trazer à luz, mais do que nunca, como a IA nos impacta através de plataformas sociais a longo prazo; a infusão de tecnologias de IA nas nossas interações diárias a um ritmo alarmante levanta questões complicadas sobre se estas ferramentas reconfiguram as nossas REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 42 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. percepções, comportamentos e identidades. Ao compreender os efeitos a longo prazo da utilização da IA nas plataformas sociais, podemos compreender melhor como estas tecnologias impactam os elementos centrais da nossa psicologia – incluindo, entre outros, a autoestima, a autoimagem, a percepção de autenticidade e as ligações interpessoais. A hipótese (H1) é aceita. Esta aceitação é baseada nas evidências extraídas dos dados analisados, que mostram que o uso de imagens geradas por inteligência artificial (IA) nas redes sociais tem um impacto significativo, especialmente na autenticidade digital, além de levantar desafios éticos e psicológicos relevantes. Os dados mostram que o uso de imagens geradas por IA tem um impacto significativo na forma como os consumidores percebem a autenticidade da marca (média 4,28). O foco do usuário na autenticidade é evidenciado pela mediana e moda de 5, destacando uma compreensão clara de como as imagens influenciam a autenticidade percebida. Existe um elevado nível de crença de que as imagens geradas através da IA podem influenciar as decisões de compra (média 4,29), sugerindo que tem um impacto direto e considerável no comportamento do consumidor, para além da simples exposição a essas imagens. O valor médio para Questões Éticas e Impacto na Privacidade permanece consistentemente em torno de 3,71, indicando que os usuários estão cientes dos dilemas éticos associados ao uso de IA em imagens. Estas preocupações refletem debates significativos sobre os limites éticos da tecnologia na manipulação de conteúdos e identidades digitais. O modelo de regressão apresenta coeficientes significativos e valores de R² elevados, indicando forte correlação entre a frequência de uso de imagens de IA e diferentes percepções relacionadas à autenticidade, ética e impacto psicológico. O grande tamanho do efeito e o baixo erro quadrático médio confirmam isso, aumentando a relevância estatística dos resultados. A disseminação de imagens geradas por inteligência artificial está redefinindo as normas de apresentação nas redes sociais, afetando a forma como os indivíduos se percebem a si próprios e aos outros online. Esta mudançatem implicações profundas para a autenticidade das identidades digitais e das interações sociais, consistentes com os desafios éticos mencionados acima. A REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 43 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. convergência destas evidências sugere a aceitação desta hipótese, demonstrando como o uso crescente de imagens geradas por IA afeta profundamente as percepções de autenticidade e levanta questões éticas complexas quando se trata de manter personas online autênticas e confiáveis. É fundamental informar as orientações políticas e práticas e direcionar os desenvolvimentos futuros no campo da inteligência artificial. Precisamos ter uma bússola para que aqueles que estão desenvolvendo ou implementando estas tecnologias assumam uma postura ética, uma que tenha a responsabilidade no seu cerne, mas que também procure promover o bem-estar e a saúde mental dos utilizadores. Estes resultados refletem sérias preocupações sobre privacidade e autenticidade nas redes sociais. É provável que isto impulsione uma maior procura de transparência nas operações e regulamentos de IA que protejam a integridade das identidades digitais e a privacidade dos utilizadores. Em relação à hipótese H2, os dados fornecem suporte consistente para a relação entre variáveis relacionadas à identidade digital e à eficácia das estratégias de neuromarketing em todas as faixas etárias estudadas. Para avaliar se suportam a hipótese H2, iremos interpretar estes resultados e compreender as suas implicações (Tabela 6). Tabela 6. Análise da Influência da Identidade Digital na Resposta dos Usuários a Estratégias de Marketing em Diferentes Faixas Etárias. Fonte: Elaborado pelos Autores, São Paulo, Brasil, 2024. Na faixa etária de 18 a 29 anos, observamos maiores coeficientes de regressão para "efeito identidade" e "resposta positiva", indicando uma forte relação entre essas variáveis e a suscetibilidade ao neuromarketing. Além disso, notamos um alto coeficiente de "impacto de identidade", sugerindo que o neuromarketing tem uma influência marcante na forma como esses indivíduos Faixa Etária Variável Independente Coeficientes de Regressão Intercepto (Constante) R² (Coeficiente de Determinação) Erro Quadrático Médio (MSE) Tamanho do Efeito Validação Cruzada Validação Cruzada (Desvio Padrão) 18 a 29 anos [0.602, 0.285, 0.079, - 0.009] 0.099 0.999 0.0011 1219.67 0.968 0.056 30 a 39 anos [0.657, 0.166, 0.010, 0.161] 0.007 0.998 0.0014 507.03 0.986 0.017 40 a 49 anos [0.395, 0.154, 0.045, 0.395] 0.006 0.980 0.0014 54.75 0.994 0.005 50 a 59 anos [0.809, 0.038, -0.024, 0.178] 0.029 0.997 0.00027 320.77 0.788 0.394 Influência Identidade, Resposta Positiva, Manipulação Identidade, Impacto Consumo REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 44 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. percebem sua identidade digital. O R² extremamente alto (0,999) e o MSE extremamente baixo (0,0011) demonstram o excelente poder preditivo deste modelo. O grande tamanho do efeito (f² de Cohen = 1219,67) indica que as variáveis consideradas têm um impacto significativo. Entre os jovens na era digital, foi observada uma ligação mais dominante entre as estratégias de neuromarketing e seu sentido de identidade. A busca por reconhecimento social e autoafirmação por meio das redes sociais e plataformas online é uma tendência comum. Essa faixa etária frequentemente busca validação e reforço de sua identidade digital por meio de mensagens que se alinham com sua percepção de si mesmas. Essa suscetibilidade a mensagens que validam sua identidade digital pode influenciar significativamente o comportamento online e as interações sociais, moldando a forma como as pessoas se apresentam e se relacionam no ambiente digital. Aquino e Cechett (2021) discutem decisões de compra influenciadas pelo neuromarketing nesta era conectada, destacando a razão para esta relação direta, que pode ser explicada pela maior exposição dos jovens e ao envolvimento das plataformas digitais, que constituem a maioria das áreas de aplicação onde as estratégias de neuromarketing são significativamente utilizadas. Para os indivíduos de 30 a 39 anos, o coeficiente de "influência da identidade" ainda é elevado, enquanto o coeficiente de "reação positiva" é moderado. O R² (0,998) e o MSE (0,0014) ainda indicam um bom ajuste do modelo, e o grande tamanho do efeito (f² de Cohen = 507,03) confirma a influência das variáveis. Para essa faixa etária, embora a "influência da identidade" ainda tenha o coeficiente mais elevado, a "resposta ativa" e a "influência do consumo" também são significativas. Isso mostra que o neuromarketing pode ser eficaz em estimular respostas positivas e influenciar o comportamento do consumidor. O estudo de Eduarda et al. (2023), investiga o marketing de conteúdo nas redes sociais e explora como o desenvolvimento de conteúdo customizado tem maior índice de eficácia junto à faixa etária mais jovem, que deseja autenticidade e personalização em suas negociações online. Essa abordagem destaca a necessidade de adaptar estratégias de marketing de conteúdo para atender às REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 45 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. demandas únicas deste público, que valoriza a autenticidade e a relevância em suas experiências online. A faixa etária de 30 a 39 anos demonstra ser suscetível ao neuromarketing, mas a resposta individual pode ser mais complexa do que apenas a busca por emoções positivas. Ao compreender a importância da identidade digital e considerar outros fatores que influenciam a resposta ao neuromarketing, como influência de valores pessoais, crenças e atitudes na resposta ao neuromarketing, a busca por informações confiáveis e autênticas nas mensagens de marketing, e a importância da transparência e da ética no uso do neuromarketing, as empresas podem criar campanhas direcionadas, construir relacionamentos duradouros com os consumidores e alcançar seus objetivos de marketing de forma inovadora e impactante. Na faixa etária dos 40 aos 49 anos, o coeficiente "Impacto no Consumo" é mais elevado, indicando um impacto significativo no comportamento de consumo. Embora o R² seja superior (0,980), é inferior ao da faixa etária mais jovem, e o MSE permanece inferior (0,0014). O tamanho do efeito ainda é grande (f² de Cohen = 54,75), mas menor do que no grupo mais jovem. Nessa faixa etária, observamos uma distribuição mais equilibrada dos coeficientes, sugerindo que múltiplas variáveis desempenham um papel no comportamento do consumidor e na resposta ao neuromarketing. Brito e Ferreira de Freitas (2019) enfatizam em sua investigação sobre o impacto das redes sociais no comportamento do consumidor que este grupo pode ser mais crítico e não facilmente influenciado por decisões impulsivas, favorecendo assim escolhas bem pensadas. Esta poderia ser a razão por trás dos dados dos coeficientes observados distribuídos de maneira mais uniforme. Os indivíduos desse grupo têm uma inclinação para valorizar a pesquisa e a reflexão meticulosa antes de decidir comprar, o que pode resultar em uma menor receptividade a estratégias de marketing mais diretas, como aquelas utilizadas no neuromarketing. Eles são menos suscetíveis a abordagens que buscam apenas uma persuasão rápida, pois buscam informações detalhadas e experiências personalizadas. A busca por experiências personalizadas e autênticas é uma característica em ascensão nesse grupo demográfico. REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO– Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 46 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. Há uma crescente resistência a mensagens de marketing que pareçam manipuladoras ou enganosas. Esses consumidores valorizam sua individualidade e autonomia ao tomar decisões de compra, demonstrando uma inclinação para investigar e ponderar cuidadosamente antes de fazer uma escolha. A busca por informações detalhadas e avaliações confiáveis sobre produtos e serviços é uma prática comum, refletindo a importância da transparência e autenticidade nas mensagens de marketing. Essas tendências enfatizam a necessidade de as empresas priorizarem a criação de experiências autênticas e transparentes para estabelecer conexões significativas com os consumidores. Para os indivíduos entre os 50 e os 59 anos, o coeficiente de "influência da identidade" é muito elevado, o que significa que a identidade digital tem um forte impacto no comportamento. O R² alto (0,997) e o MSE muito baixo (0,00027) indicam excelente ajuste do modelo. Embora a validação cruzada apresente um desvio padrão relativamente alto, o tamanho do efeito é sobressalente (f² de Cohen = 320,77). O coeficiente de "influência da identidade" é extremamente elevado, indicando que o neuromarketing tem forte impacto na identidade digital desta faixa etária. O artigo de Firth et al. (2019), que investiga como a internet pode estar alterando os nossos processos cognitivos, postula que os idosos são provavelmente mais conscientes e criteriosos sobre o uso de informações pessoais online. Isto acrescenta peso ao valor percebido da identidade digital entre os adultos mais velhos, à medida que a tecnologia avança e as ligações digitais se aprofundam nas nossas vidas, os idosos podem muito bem-estar mais conscientes de como estas pegadas virtuais os podem impactar a longo prazo. Os indivíduos mais velhos tendem a manifestar maior resistência à persuasão e a adotar uma postura mais crítica em relação às mensagens de marketing, inclusive aquelas que empregam técnicas de neuromarketing. Esta maior consciencialização poderá levá-los a tomar posições mais fortes em relação a iniciativas de marketing que visem estas preocupações reais; procurar marcas e plataformas que garantam um tratamento ético e transparente dos dados pessoais pode ser uma prioridade para esses indivíduos. Essa faixa etária REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 47 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. valoriza informações autênticas, transparentes e fundamentadas em fatos, preferindo evitar emoções e sensações artificiais geradas pelo neuromarketing. Além disso, os mais velhos costumam ter uma consciência mais aguçada das questões éticas e de privacidade associadas ao neuromarketing, o que os torna mais cautelosos em relação à sua utilização. É importante ressaltar que a suscetibilidade ao neuromarketing é um fenômeno complexo e pode variar entre os indivíduos. Atravessar diretrizes éticas estritas seria fundamental: isso deve garantir que qualquer uso de neuromarketing ou IA se baseie não em intenções manipuladoras, mas sim na busca de um relacionamento saudável entre consumidores (como indivíduos) e empresas (onde procuram produtos ou serviços), visando minimizar os riscos relacionados ao bem-estar mental. Este escrutínio revela a razão pela qual qualquer esquema de marketing dirigido a adultos mais velhos precisa colocar a ética no seu centro, ao mesmo tempo que aborda a autenticidade e a garantia de privacidade, questões com relevância única para este grupo demográfico, dadas as perspectivas distintas que emanam das sensibilidades ligadas aos ecossistemas digitais em que operam. A hipótese (H2) sugere que a discrepância entre a persona digital de um indivíduo e sua identidade offline pode torná-lo mais suscetível às estratégias de neuromarketing, como pode ser verificado pelos dados apresentados e pela correlação entre a identidade digital e o comportamento do consumidor. Os dados revelam que muitas pessoas reconhecem uma diferença entre suas identidades reais e digitais (média 3,68) e que muitos adaptam sua apresentação em diferentes plataformas (média 3,68). Essa adaptabilidade online pode indicar sensibilidade a influências externas, incluindo estratégias de marketing que exploram as nuances das representações online. A influência significativa da identidade digital nas decisões de compra (média 3,72) e a probabilidade de responder positivamente a anúncios alinhados com a identidade digital apresentada (média 4,23) destacam a conexão direta entre a percepção online do self e o comportamento de consumo. Isso sugere que as estratégias de neuromarketing que exploram essas identidades digitais podem ser especialmente eficazes. REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 48 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. É especialmente relevante quando se considera que as representações online afetam a autoestima (média 4,28). A autoestima influenciada pela aceitação online pode tornar os indivíduos mais receptivos a anúncios que reforcem a desejabilidade social ou a persona que escolhem projetar no ambiente digital. O modelo de regressão revela coeficientes significativos relacionados aos efeitos da identidade e do consumo entre faixas etárias, com valores de R² elevados, indicando um bom ajuste do modelo. Por exemplo, a faixa etária de 18 a 29 anos demonstra uma forte influência da identidade digital, com um R² de 0,999, sugerindo que as personas digitais são um preditor quase perfeito de comportamento neste modelo. A hipótese (H2) é parcialmente aceita. Os dados sugerem que, embora não haja uma vulnerabilidade geral às estratégias de neuromarketing devido à diferença entre identidades reais e digitais, há evidências substanciais de que, onde essa diferença é percebida, pode influenciar o comportamento do consumidor e aumentar a aceitação de estratégias de marketing personalizadas. Isso sugere que as personas digitais, especialmente quando distintas das identidades reais, podem ser um fator no aumento da susceptibilidade a técnicas eficazes de neuromarketing, explorando aspectos da identidade que os indivíduos desejam que sejam socialmente reforçados ou validados, especialmente entre os jovens, levantando questões éticas sobre autonomia e influência. A sociedade pode precisar reavaliar a forma como interage com os meios digitais e tornar-se mais consciente da manipulação do marketing. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS O objetivo principal da pesquisa foi explorar o papel do neuromarketing e da tecnologia de publicidade digital na evolução da identidade, bem como moldar a percepção de exclusividade, particularmente em relação a aplicativos baseados em IA e mídias sociais. O objetivo geral do estudo foi plenamente atingido, uma vez que contribuiu significativamente para o entendimento das interações entre neuromarketing, uso de IA e identidade digital. Este estudo revelou como essas interações influenciam a percepção de autenticidade e REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 49 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. eficácia do marketing, além de destacar questões éticas e psicológicas na gestão de identidades online. Através de uma investigação aprofundada sobre como as identidades são moldadas e apresentadas, forneceram-se insights valiosos sobre as implicações das estratégias digitais modernas na construção da identidade, enfatizando a necessidade de abordagens responsáveis e transparentes no marketingdigital. A hipótese H0, que investigou o impacto das táticas de neuromarketing implementadas por IA, revelou que, embora essas técnicas sejam percebidas como potencialmente eficazes, há uma preocupação substancial sobre sua possibilidade de conduzir a campanhas equivocadas ou enganosas. Esse resultado parcialmente validou a hipótese, indicando que a eficácia das campanhas pode ser comprometida se não forem gerenciadas com cuidado e transparência. A Hipótese H1, investigou o impacto da IA na percepção de autenticidade das identidades digitais, encontrou evidências de que o uso crescente de imagens geradas por IA afeta essa percepção. Isso implica em desafios éticos e psicológicos para a manutenção de personas online autênticas, corroborando a ideia de que a IA pode distorcer a autenticidade percebida e complicar a gestão da identidade digital. Assim, esse achado apoiou o objetivo do estudo de aprofundar o entendimento sobre como as tecnologias emergentes influenciam a autenticidade e a singularidade das identidades online. Por fim, a Hipótese H2, que explorou a disparidade entre a persona digital e a identidade offline, demonstrou que essa disparidade pode tornar os indivíduos mais suscetíveis a técnicas de neuromarketing. Isso sugere que as estratégias de marketing digital podem ser particularmente eficazes quando estão alinhadas com a persona que o indivíduo deseja projetar online. A investigação conseguiu explorar como as diferenças entre as identidades online e offline influenciam a resposta aos esforços de marketing, atingindo o objetivo de avaliar a susceptibilidade a técnicas de neuromarketing em função da construção de identidade. O estudo oferece significativas contribuições teóricas e práticas em várias áreas. No âmbito da teoria da identidade em ambientes digitais, amplia-se o entendimento sobre a construção e percepção das identidades digitais em REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 50 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. plataformas de redes sociais, abordando a complexidade de manter uma identidade autêntica diante do conteúdo gerado por IA. No contexto do Neuromarketing, o estudo fornece perspectivas sobre como as técnicas combinadas com IA influenciam a eficácia e a percepção do consumidor sobre a autenticidade e ética das marcas. Destaca-se também a análise da disparidade entre as personas online e offline, enriquecendo discussões teóricas sobre a coerência da identidade. Em termos práticos, o estudo orienta profissionais de marketing na criação de campanhas que respeitem a autenticidade das identidades digitais, destacando a importância da congruência entre as personas online e offline. Além disso, enfatiza a necessidade de transparência no uso de tecnologias de neuromarketing, contribuindo para a manutenção da confiança do consumidor e sugerindo diretrizes para políticas regulatórias. Por fim, o estudo ressalta a importância da educação do consumidor sobre o uso e manipulação de suas informações pelas tecnologias de marketing, promovendo uma maior conscientização e autodefesa. Essas contribuições têm o potencial de impactar tanto as estratégias empresariais quanto as políticas públicas e a educação do consumidor. Quanto às limitações, o estudo reconhece que a amostra utilizada pode não ser totalmente representativa da população de usuários de redes sociais. Além disso, o risco de viés de autorrelato foi considerado, pois os dados basearam-se em respostas de questionário, podendo haver desejabilidade social ou viés de memória por parte dos respondentes. Apesar de utilizar métodos estatísticos robustos, a complexidade das interações online sugere a necessidade de abordagens que considerem variáveis contextuais e dinâmicas temporais. Considerando essas limitações, sugere-se para futuros trabalhos a adoção de uma abordagem longitudinal para entender melhor como as percepções e interações mudam com o tempo em resposta às estratégias de marketing digital e tecnologias emergentes. Além disso, a diversificação de métodos, como entrevistas ou grupos focais, poderia fornecer perspectivas mais profundas sobre as razões por trás das percepções e comportamentos dos usuários. REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 51 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. REFERÊNCIAS AHMED, R. R.; STREIMIKIENE, D.; CHANNAR, Z. A.; SOOMRO, H. A.; STREIMIKIS, J.; KYRIAKOPOULOS, G. L. The Neuromarketing Concept in Artificial Neural Networks: A Case of Forecasting and Simulation from the Advertising Industry. Sustainability, v. 14, n. 14, p. 8546, 2022. https://doi.org/10.3390/su14148546 ALLAL‐CHÉRIF, O.; PUERTAS, R.; CARRACEDO, P. Intelligent influencer marketing: how AI-powered virtual influencers outperform human influencers. 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Como destacam Rodrigues, Bilac e Luz (2020), essas tecnologias têm um impacto significativo nas decisões e preferências dos consumidores. A crescente prevalência de tecnologias, como a inteligência artificial, em nosso dia a dia destaca a importância das estratégias de neuromarketing. Ao combinar conhecimentos da neurociência e do neuromarketing, podemos obter uma compreensão mais profunda de como o cérebro humano, a tecnologia e o desenvolvimento da identidade se cruzam na nossa sociedade interligada. Ao examinar o marketing moderno, a convergência da psicologia do consumidor e da tecnologia da informação suscita uma infinidade de questionamentos e contemplações. No entanto, é crucial aprofundar a complexidade de como estas metodologias são influenciadas pela formação da identidade num domínio virtual abrangente, onde os indivíduos empregam ativamente a inteligência artificial para alterar os seus visuais, imagens e narrativas. Em meio ao contexto de crescente digitalização e experiências de consumo personalizadas, uma investigação significativa surge como ponto focal deste estudo: Como o desenvolvimento da identidade e a percepção de singularidade nos indivíduos são impactadas as técnicas de neuromarketing e a publicidade digital, particularmente em relação a aplicativos e mídias sociais alimentados por inteligência artificial? Esta questão tem imensa importância à medida que se aprofunda na intersecção desses campos. O problema em questão é delineado pelas seguintes hipóteses: (H0) A exposição contínua a táticas de neuromarketing implementadas através de aplicações de inteligências artificiais em plataformas de redes sociais tem o potencial de gerar campanhas equivocadas, comprometendo assim a eficiência REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 5 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. das estratégias do marketing digital. (H1) A crescente utilização de imagens geradas por aplicativos munidos de inteligências artificiais nas redes sociais tem o potencial de impactar a percepção de autenticidade nas identidades digitais dos indivíduos, colocando desafios éticos e psicológicos no estabelecimento e manutenção de personas online. (H2) A disparidade entre a persona digital de um indivíduo e a sua identidade offline pode torná-lo mais suscetível a estratégias de neuromarketing, aumentando, em última análise, a eficácia das campanhas de marketing digital. Uma das razões para estudar este problema é a crescente procura de saber como a tecnologia progride em geral e a inteligência artificial, em particular, afeta as estratégias de marketing, que estão em grande parte nos domínios do neuromarketing e da publicidade digital. Saber sobre esse desenvolvimento específico é realmente valioso para as pessoas que trabalham com marketing e publicidade, pois ajudará a moldar estratégias para atender às demandas dos consumidores, para que essas campanhas possam ser mais eficazes. Tendo estabelecido tais condições, o estudo centrar-se-á predominantemente na investigação das táticas e abordagens utilizadas pelos especialistas. Além disso, a investigação incluirá não apenas uma avaliação dos efeitos percebidos pelos consumidores, mas também uma identificação dos benefícios proporcionados por estas estratégicas. Deve-se notar que o objetivo deste estudo não se limita à análise acadêmica, mas também orientar profissionais, pesquisadores e estrategistas de mercado de forma que possam navegar com sucesso pelos intrincados caminhos labirínticos do marketing e da publicidade digital, que se baseiam na identidade individual. 2 NEUROMARKETING O campo emergente do neuromarketing encontra-se na intersecção entre marketing e neurociência. Originou-se do entendimento de que as escolhas de consumo podem ser influenciadas por processos inconscientes, ainda que não necessariamente racionais, conforme apontam Royo-Vela e Varga (2022). Desde o início dos anos 2000, pesquisadores têm explorado esta área, empregando REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 6 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. métodos avançados de neurociência, como ressonância magnética funcional (fMRI) e eletroencefalografia (EEG), para obter uma compreensão mais profunda das reações dos consumidores a ofertas, marcas e produtos, segundo perspectivas psicológicas destacadas por Terezinha et al., (2023a). Esses estudos elucidam os mecanismos cerebrais que influenciam o comportamento do consumidor, abrindo caminho para o desenvolvimento de estratégias de marketing que atendam melhor às necessidades e desejos do consumidor. A introdução do neuromarketing está intimamente ligada aos avanços no campo da neurociência. De acordo com Zoratto e Efing (2020), os neurocientistas estão descobrindo os mecanismos mais íntimos do cérebro, ao mesmo tempo que os profissionais de marketing exploram essas descobertas em suas estratégias. Essa sinergia entre as duas disciplinas impulsiona uma série de pesquisas e iniciativas, visando compreender melhor como o cérebro responde aos estímulos de marketing e como essas respostas podem ser otimizadas para influenciar o comportamento do consumidor. O neuromarketing, portanto, destaca o papel significativo das emoções, memórias e percepções sensoriais nas decisões de compra dos consumidores. A utilização de ferramentas como fMRI permite observar quais áreas cerebrais são ativadas nesses momentos, oferecendo uma visão aprofundada do comportamento do consumidor. Dentro do neuromarketing, conforme destacam Royo-Vela e Varga (2022), um aspecto crucial é a ênfase na emoção. Isso é reconhecido pela descoberta de que as respostas emocionais têm um papel importante nas decisões de compra, frequentemente sobrepujando informações factuais sobre os produtos. Assim, como mencionam Ahmed et al. (2022), o neuromarketing esforça-se para identificar quais estímulos são capazes de evocar respostas emocionais positivas, com o objetivo de influenciar as atitudes e os comportamentos dos consumidores. Além de focar na emoção, o neuromarketing também se beneficia dos insights da pesquisa aplicada sobre processamento neural. Conforme destacado por Terezinha et al., (2023a) as propriedades sensoriais de um produto, desde o seu apelo visual até os sons, cheiros e sabores a ele associados, desempenham um papel considerável influenciando as decisões de compra dos consumidores. REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 7 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. As pesquisas nesta área mostram, como apontam Rodrigues, Bilac e Luz (2020), que cores específicas podem suscitar diferentes respostas emocionais, permitindo a concepção de embalagens e campanhas publicitárias mais impactantes. Aprofundar a compreensão da percepção sensorial e seu impacto no comportamento do consumidor tem implicações diretas nas estratégias de marketing, possibilitando abordagens mais precisas para criar experiências que envolvam plenamente os consumidores. O neuromarketing também se beneficiou significativamente do avanço nas técnicas de imagem cerebral, o que facilita o estudo detalhado dos processos e padrões de pensamento humano relevantes para o consumo. Como destacado por Evgeny Bryndin e Bryndina (2023), em 1970, o neurocirurgiãoPaul D. MacLean propôs a Teoria do Cérebro Tríade, que contribuiu significativamente para a compreensão do funcionamento do cérebro humano e sua influência no comportamento, especialmente no contexto do consumismo. Esta teoria sugere a existência de três estruturas cerebrais distintas e inter-relacionadas: o cérebro reptiliano, o sistema límbico e o neocórtex. A abordagem de MacLean ganhou ampla atenção ao longo do tempo, devido à sua capacidade de explicar de maneira abrangente as complexas interações entre os processos cerebrais e o comportamento humano, incluindo as decisões de compra. Ao reconhecer a influência dessas três áreas cerebrais, os profissionais de marketing podem ajustar suas estratégias para melhor satisfazer as necessidades e desejos dos consumidores, levando em conta tanto os aspectos emocionais quanto racionais do processo de tomada de decisão. A teoria dos três cérebros, proposta por Paul D. MacLean e posteriormente discutida por Furtado et al. (2020), divide o cérebro em três componentes distintos: o cérebro reptiliano, o sistema límbico e o neocórtex, conforme ilustrado na Figura 1. REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 8 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. Figura 1. Teoria do Cérebro Trino de Mac MacLean. Fonte: Furtado et al., 2020. O cérebro reptiliano representa a parte mais primitiva do cérebro, responsável por funções básicas relacionadas à sobrevivência e aos instintos de luta ou fuga. O sistema límbico, em contraste, desempenha um papel crucial no processamento de emoções e na tomada de decisões emocionais. O neocórtex, por sua vez, é a área mais evoluída, responsável pelas funções cognitivas superiores, como o pensamento lógico e as decisões racionais, conforme discutido por Terezinha et al., (2023a). A teoria propõe que essas três partes do cérebro evoluíram em diferentes momentos da história humana e desempenham papéis complementares na regulação do comportamento. A incorporação dessa teoria ao campo do neuromarketing proporciona uma visão mais detalhada e profunda das motivações e respostas dos consumidores. Uma estratégia eficaz para alcançar esse entendimento envolve a análise do impacto de diferentes estímulos no cérebro reptiliano, conforme demonstrado por Fabiano et al., (2022). Considerando as diferentes áreas cerebrais, o cérebro reptiliano, o sistema límbico e o neocórtex, os profissionais de marketing podem obter uma compreensão mais aprofundada de como as estratégias de marketing influenciam os consumidores em níveis instintivo, emocional e racional. O cérebro reptiliano, sendo a parte mais primitiva do nosso sistema cerebral, desempenha um papel fundamental na tomada de decisões impulsivas e na avaliação imediata de estímulos, conforme destacado por Terezinha et al., (2023a). Ao compreender como essa região do cérebro responde a diferentes estímulos, podemos desenvolver estratégias de marketing que apelam diretamente aos REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 9 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. impulsos e instintos dos consumidores. Esse entendimento nos permite criar campanhas de marketing que capturam a atenção do público-alvo e influenciam suas decisões de compra de maneira mais direta e persuasiva. Ao alinhar elementos da campanha com as respostas instintivas do cérebro reptiliano, é possível criar mensagens e experiências de marca que evocam emoções cruas e impulsos de compra, aumentando a eficácia da campanha e o apelo do produto. Aquino e Cechett (2021) enfatizam que o neocórtex, a parte mais desenvolvida do cérebro humano, é crucial para a capacidade de processar informações e tomar decisões racionais. Esta capacidade cognitiva é extremamente relevante para o desenvolvimento de estratégias de marketing que engajam os consumidores em níveis mais profundos. Compreender a influência do neocórtex é essencial para criar campanhas de marketing que apelam ao pensamento lógico e crítico dos consumidores. Isso envolve destacar características do produto, benefícios tangíveis e dados objetivos para auxiliar nas decisões informadas. Estratégias baseadas no neocórtex podem enfatizar a qualidade e confiabilidade da marca, construindo assim uma relação de confiança com os consumidores. Ao fornecer informações claras e objetivas, as empresas podem demonstrar convincentemente o valor de seus produtos, aumentando a probabilidade de conversão e fidelização dos clientes. Portanto, é crucial compreender a conexão entre o neuromarketing e o marketing psicossocial, que considera as dimensões mais amplas da influência social e da psicologia coletiva nas decisões de consumo. 3 MARKETING PSICOSSOCIAL O marketing psicossocial se destaca como um campo distinto dentro do marketing, focando na análise detalhada de como os elementos psicológicos e sociais influenciam os pensamentos, sentimentos e ações dos consumidores. Esta abordagem revela o impacto de fatores sociais, tais como normas de grupo, influência de pares e identidade social, desafiando a noção tradicional de que as decisões de compra são exclusivamente guiadas pela racionalidade ou necessidades individuais, conforme indica Zhang (2023). REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 10 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. Embora o reconhecimento acadêmico do marketing psicossocial date dos primórdios do século XX, especificamente nas décadas de 1950 e 1960, período que coincide com o surgimento da psicologia social, como apontam Cordeiro e Spink (2019), seu desenvolvimento e progresso têm sido notáveis ao longo do tempo. Dentre os avanços mais significativos, destacam-se a valorização da imagem de marca, o entendimento do impacto psicológico das cores nas estratégias de marketing, a influência das redes sociais e a análise do comportamento do consumidor em diferentes contextos culturais, conforme discutido por Almeida et al., (2022) e Eduarda et al., (2023). O marketing psicossocial transcende o neuromarketing ao integrar conceitos de marketing, psicologia e sociologia. Esta abordagem aprofunda o entendimento dos aspectos psicológicos, sociais e coletivos que influenciam as escolhas do consumidor, conforme descrito por Campelo e Vicente (2023). A análise no contexto do marketing psicossocial é crucial para adaptar as estratégias de marketing aos diversos contextos culturais e para reconhecer a variedade de valores, crenças e comportamentos dos consumidores globalmente (ver Figura 2). Tal abordagem permite que as empresas desenvolvam práticas mais culturalmente sensíveis e inclusivas, fortalecendo seu alcance global e estabelecendo conexões mais profundas com consumidores de diversas origens e identidades. Figura 2. Diagrama dos Fatores que Influenciam o Consumo. Fonte: Elaborado pelos Autores, São Paulo, Brasil, 2024. REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 11 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. Santos e Costa (2022) destacam a importância de considerar fatores como normas sociais, valores culturais, identidade de grupo e pressões sociais para compreender melhor a formação das preferências do consumidor. A maneira como os indivíduos se identificam com seus grupos sociais pode exercer uma influência significativa sobre suas decisões de compra e suas respostas às mensagens de marketing. A identidade do grupo desempenha um papel crucial na vida social das pessoas, influenciando seus conceitos, valores e comportamentos.Quando os consumidores se identificam com certos grupos, como comunidades online, tribos urbanas ou grupos étnicos, eles tendem a buscar produtos e marcas que reforcem sua identidade e estejam alinhados com as normas e valores do grupo. Adicionalmente, as normas sociais e a pressão social têm uma influência poderosa no comportamento do consumidor. Frequentemente, os consumidores sentem a necessidade de adaptar-se aos comportamentos e escolhas de compra dos outros membros de seu grupo social, buscando aprovação e aceitação. Isso pode levar a comportamentos de conformidade e imitação, conhecidos como efeito manada, onde os consumidores adotam as preferências e opiniões do grupo em detrimento de suas próprias inclinações pessoais. Ao se expandir para além da neurociência e das técnicas de análise cerebral utilizadas pelo neuromarketing, o marketing psicossocial aborda o contexto social e psicológico mais amplo no qual as decisões de compra são tomadas. Esse enfoque reconhece a variedade de fatores externos e internos que influenciam a construção da identidade dos consumidores. A intersecção entre o marketing psicossocial e a identidade digital torna-se particularmente relevante na era atual, na qual a presença online é uma parte intrínseca do cotidiano. 3.1 A IDENTIDADE DO INDIVÍDUO E A INFLUÊNCIA DIGITAL Segundo Majeed, Adisaputera e Ridwan (2020), a identidade digital abrange a maneira como os indivíduos se retratam e são percebidos online, incluindo seus perfis em mídias sociais, participação em discussões e transações virtuais. Ela reflete como as pessoas se apresentam e interagem no REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 12 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. ambiente digital, sendo influenciadas por suas experiências pessoais, valores, crenças e inclinações psicológicas. A escolha de nomes de usuário, a criação de perfis e a conduta online moldam a maneira como os indivíduos desejam ser reconhecidos e como se posicionam no panorama digital, ressaltando a importância crescente da autenticidade e da autoexpressão na esfera digital. Essa identidade, refletida em elementos como nomes de usuário e perfis em redes sociais, não é apenas uma extensão da identidade física, mas também possui características próprias do ambiente online, conforme indicam Wang e Wang (2023). No mundo digital, os consumidores têm a oportunidade de moldar e expressar suas identidades de maneiras únicas e diversificadas. Estes elementos frequentemente refletem aspectos da personalidade, interesses, desejos e valores do usuário, mas também podem ser influenciados pelo ambiente digital em que estão inseridos. A Teoria da Identidade Digital encontra paralelos nas ideias de Erving Goffman em "The Presentation of Self in Everyday Life". Goffman analisa como as pessoas constroem suas identidades em interações sociais diretas, uma noção que se aplica ao ambiente digital, onde a performance de diferentes papéis é comum. Conforme discutido por Calgaro e Ruscheinsky (2023), as plataformas de redes sociais e comunicação online têm desempenhado um papel preponderante. Essas plataformas proporcionam um espaço onde os indivíduos podem se expressar, construir narrativas pessoais e interagir com outros de forma global e instantânea, adaptando muitas vezes suas identidades ao contexto ou público específico Essa adaptação da identidade digital pode ocorrer de diversas maneiras. Em diferentes plataformas de redes sociais, os usuários podem adotar diferentes personas ou alterar aspectos de sua identidade, como interesses, estilos de comunicação ou conteúdos compartilhados, para se adequarem às expectativas e normas de uma determinada comunidade. Além disso, podem adaptar sua apresentação online ao público-alvo ou ao propósito dessa interação. Isso pode incluir a adoção de uma identidade específica para participar em grupos ou comunidades online, ou a moderação dos conteúdos compartilhados, baseando- se nas percepções de como serão recebidos por determinados públicos. REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 13 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. A utilização de inteligência artificial para modificar imagens em redes sociais é um exemplo marcante da tendência de idealização da autoimagem em ambientes digitais, suscitando questões importantes sobre autenticidade e autopercepção, conforme apontado nos estudos de Moga e Rughiniş (2023). Essa prática ilustra como a tecnologia pode influenciar a construção da identidade digital, muitas vezes levando os indivíduos a apresentarem versões idealizadas de si mesmos nas redes sociais. Através de filtros alimentados por IA, retoques e outras ferramentas de edição de imagens, os usuários podem modificar fotos para corresponder a padrões de beleza irrealistas ou ocultar imperfeições percebidas. Isso pode resultar na formação de uma autoimagem idealizada e distante da realidade, alimentando uma busca incessante pela perfeição estética nas redes sociais. A pressão para se adequar a padrões de beleza inatingíveis frequentemente leva os usuários das redes sociais a recorrerem a aplicativos de edição de imagem para alterar sua aparência e apresentar uma versão aprimorada de si mesmos online. Essa busca constante pela perfeição estética pode distorcer a percepção da realidade e contribuir para uma cultura de comparação e inadequação entre os usuários das mídias sociais, gerando desafios significativos para a compreensão genuína da própria identidade e a percepção de autenticidade nas interações online. A busca incessante pela perfeição, como destacada por Ibanez et al., (2018) em sua análise das relações entre reatividade emocional e cognição social, pode desencadear impactos negativos na saúde mental, especialmente quando combinada com práticas de neuromarketing e inteligência artificial. Essas tecnologias, embora impulsionem estratégias de marketing, também podem amplificar distúrbios psiquiátricos ao manipular emoções e comportamentos de consumo. A pressão pela perfeição, intensificada pelas representações digitais ideais, não só alimenta a ansiedade e a baixa autoestima, mas também afeta a forma como os usuários são percebidos e interagem nas redes sociais, levantando questionamentos sobre a autenticidade das interações online. REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 14 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. Os aplicativos utilizados para manipular imagens nas redes sociais, que incluem o DALL-E 2, Midjourney, Adobe Photoshop, Canva, ImgCreator e FaceApp, oferecem uma ampla gama de funcionalidades, conforme observado por Moura e Braga (2023). As inteligências embutidas nesses aplicativos permitem uma análise e manipulação mais sofisticada de imagens, superando o que seria possível apenas com ferramentas de edição manual. Conforme destacado por Meneghetti e Antunes (2021), esses aplicativos variam desde ajustes automáticos básicos até recursos complexos de edição facial e artística. Com algoritmos avançados de inteligência artificial, essas plataformas são capazes de reconhecer rostos, identificar objetos e cenários, e aplicar uma variedade de efeitos e filtros com precisão e rapidez. Alguns aplicativos, como o FaceApp, também oferecem recursos de envelhecimento, rejuvenescimento e troca de gênero, ampliando as possibilidades de manipulação de imagens. No entanto, é essencial reconhecer que a utilização dessas aplicações pode levantar questões éticas e de autenticidade, especialmente no contexto de apresentação de uma imagem pessoal nas redes sociais.A interação entre influenciadores virtuais baseados em inteligência artificial (IA) e aplicativos de edição de imagens é amplificada pela automatização subjacente e pela programação complexa associada a essas tecnologias. Os aplicativos de edição de imagens oferecem um conjunto robusto de funcionalidades que permitem aprimorar e modificar o conteúdo visual, como destacado por Moura e Braga (2023). Por sua vez, os influenciadores virtuais gerados por IA possuem uma natureza digital e operam com base em protocolos e dados previamente estabelecidos. Eles são projetados para simular interações humanas e criar conteúdo persuasivo para as redes sociais, utilizando algoritmos avançados de processamento de linguagem natural e aprendizado de máquina. Essa sinergia entre tecnologias redefine a maneira como os conteúdos visuais são produzidos e consumidos nas plataformas digitais. Essas entidades virtuais, construídas com o uso de algoritmos avançados e vastas quantidades de dados, têm ganhado destaque crescente na influência sobre o comportamento do consumidor e na evolução das identidades online, REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 15 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. conforme apontado por Allal-Chérif, Puertas e Carracedo (2024). Com características humanas convincentes e técnicas de interação cada vez mais sofisticadas, esses avatares são capazes de criar conexões emocionais com o público-alvo, influenciar suas decisões de compra e moldar suas percepções sobre marcas e produtos. Além disso, sua presença em plataformas de redes sociais e outros canais online contribui para a construção de comunidades digitais e a formação de identidades online compartilhadas entre os usuários. O surgimento de influenciadores digitais gerados por computador através de IA, como Lil Miquela, Aiatana Lopes, CR.IA e Imma, marca um avanço significativo na utilização da inteligência artificial para construir personalidades virtuais que exibem a aparência e o comportamento de indivíduos reais. Essas reconfigurações de personas digitais são influenciadas não apenas por criadores humanos, mas também por influenciadores artificiais, conforme destacado por Yu et al., (2024). Os influenciadores criados por inteligência artificial desafiam as concepções convencionais de realidade e virtualidade, abrindo novas oportunidades para a expressão pessoal e o desenvolvimento de identidade no ambiente digital. À medida que essas inteligências artificiais se desenvolvem, a linha entre o humano e o artificial torna-se cada vez mais difusa. A ascensão desses influenciadores levanta questões fascinantes sobre autenticidade, identidade e relacionamentos nas redes sociais. Por um lado, questiona-se as ideias tradicionais de influência e celebridade, oferecendo novas perspectivas sobre como personagens digitais moldam e refletem a cultura contemporânea. Por outro lado, também levantam preocupações sobre transparência e ética na publicidade e no marketing, especialmente em relação à clareza sobre a natureza artificial desses influenciadores e seu impacto nas percepções dos consumidores. No entanto, independentemente das questões levantadas, é inegável que os influenciadores de IA estão desempenhando um papel cada vez mais relevante no mundo das redes sociais e da publicidade digital, e é provável que continuem a influenciar como as marcas se conectam com seus públicos- alvo no futuro. REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 16 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. 4 MATERIAIS E MÉTODOS O desenho metodológico deste estudo pode ser classificado como descritivo-exploratório, e incorpora uma abordagem quantitativa. A escolha pela pesquisa quantitativa se justifica pelo seu propósito em fornecer uma descrição minuciosa das variáveis investigadas, que incluem as estratégias de neuromarketing, o uso de imagens geradas por inteligência artificial e a percepção e comportamento dos usuários nas redes sociais. Gil (2002) destaca a importância de estabelecer questionamentos e hipóteses precisas para serem exploradas em futuras pesquisas acadêmicas. Para garantir a validade ética da pesquisa, o estudo obteve aprovação prévia do Comitê de Ética em Pesquisa da UniLogos®. O objetivo principal da pesquisa é investigar a influência das estratégias de neuromarketing e do uso de imagens geradas por inteligência artificial nas redes sociais sobre a percepção de autenticidade e o comportamento de consumo dos usuários. Para alcançar esse objetivo, foram formuladas três hipóteses, cada uma abordando aspectos distintos dessas influências. A primeira hipótese, denominada H0, levanta a conjectura de que a exposição contínua às estratégias de neuromarketing através de aplicativos de inteligência artificial nas redes sociais pode resultar na concepção de campanhas inapropriadas, prejudicando a eficácia das estratégias de marketing digital. A segunda hipótese, H1, sugere que o aumento do uso de imagens geradas por inteligência artificial nas redes sociais pode impactar negativamente a percepção de autenticidade das identidades digitais das pessoas, desencadeando dilemas éticos e psicológicos na construção e manutenção de suas identidades online. A terceira hipótese, H2, explora a discrepância entre a versão digital e a identidade real dos indivíduos, sugerindo que essa discrepância pode tornar as pessoas mais suscetíveis às estratégias de neuromarketing, contribuindo para uma maior eficácia das campanhas de marketing digital. No Quadro 1 estão delineadas as variáveis dependentes e independentes utilizadas para verificar as hipóteses propostas. REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 17 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. Quadro 1. Apresentação das Hipóteses e as Variáveis Dependentes e Independentes. Fonte: Elaborado pelos Autores, 2024. Adotando a abordagem proposta por Sampieri, Collado e Lucio (2013), esta investigação se configura como um estudo de caso, com o objetivo de identificar os atributos e características fundamentais do tema em análise. O método utilizado foi a coleta de dados por meio de questionários, que incluíam 44 perguntas, sendo 30 fechadas baseadas na escala Likert de 5 pontos e 14 perguntas abertas, conforme a interpretação sugerida por Dalmoro & Kelmara Mendes Vieira (2014). É crucial destacar que as questões fechadas foram meticulosamente elaboradas conforme as diretrizes estabelecidas por Gil (2002), visando traduzir de maneira precisa e clara os objetivos específicos desta pesquisa. Esses questionamentos foram direcionados para explorar conceitos pertinentes ao comportamento online, comportamento do consumidor, neuromarketing e processos psicológicos subjacentes. A integração da inteligência artificial no neuromarketing e a construção da identidade digital nos perfis das redes sociais são de significativa relevância para este estudo. Frequência dos Anúncios Personalização dos Anúncios Transparência das Estratégias Frequência e Influência nas Decisões Discussão Anúncios Relevância Neuromarketing Manipulação por Anúncios Percepção Produtos IndependenteHipótese Dependente (H0) A exposição contínua a táticas de neuromarketing implementadas através de aplicações de inteligências artificiais em plataformas de redes sociais tem o potencial de gerar campanhas equivocadas, comprometendo assim a eficiência das estratégias do marketing digital. Criticidade na exposição contínua a esses anúncios to em relação às marcas e anunucios Frequência de imagens com IA Identificaçãode imagens com IA Engano por IA Melhoria Visualização com IA Confiança nas imagens com IA Percepção Autenticidade Desafios Éticos Implicações Privacidade Frequência dos Anúncios Personalização dos Anúncios Transparência das Estratégias Frequência e Influência nas Decisões Discussão Anúncios Relevância Neuromarketing Manipulação por Anúncios Percepção sobre os Produtos (H2) A disparidade entre a persona digital de um indivíduo e a sua identidade offline pode torná-lo mais suscetível a estratégias de neuromarketing, Pressão por mudança sua apresentação online IndependenteHipótese Dependente (H1) A crescente utilização de imagens geradas por aplicativos munidos de inteligências artificiais nas redes sociais tem o potencial de impactar a percepção de autenticidade nas identidades digitais dos indivíduos, colocando desafios éticos e psicológicos no estabelecimento e manutenção de personas online. Imagens geradas por IA nas redes sociais afeta sua confiança na autenticidade. REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 18 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. A amostra foi composta por 244 participantes de diversas cidades brasileiras, com diferentes perfis online e variadas profissões, todos possuindo um entendimento sobre o tema. A técnica de amostragem aleatória estratificada foi empregada para garantir a representatividade de diferentes grupos populacionais. Para serem elegíveis para a participação, os indivíduos deveriam atender a critérios específicos, incluindo possuir perfis ativos em redes sociais, ter familiaridade prévia com aplicativos de reconfiguração de imagem com inteligência artificial e ter no mínimo 18 anos de idade. Indivíduos que não atendiam a esses critérios foram excluídos do estudo . Para avaliar a consistência interna e a confiabilidade de um instrumento de pesquisa, realizamos o cálculo do Alfa de Cronbach, obtendo um valor de 0,981. Um Alfa de Cronbach nessa magnitude sugere que as questões dentro de um mesmo construto estão fortemente correlacionadas entre si, refletindo uma medida altamente confiável do construto investigado pela pesquisa, conforme indicado por Maroco e Garcia-Marques (2006). A disseminação do questionário ocorreu online, por meio de plataformas de redes sociais e e-mails. A participação dos indivíduos foi baseada em um consentimento informado, garantindo a confidencialidade das informações coletadas. O período estipulado para a coleta de dados foi de um mês, de 20 de janeiro de 2024 a 20 de fevereiro de 2024. A fase subsequente do estudo envolveu o tratamento e a análise dos dados. Os dados foram codificados e inseridos em programas como Excel 2023 e Statística 14.1.0 da TIBCO para análise estatística, e utilizamos o Visual Studio Code 1.87 para programação em Python. Diversas técnicas estatísticas foram empregadas, incluindo análises descritivas para traçar o perfil sociodemográfico dos participantes, testes de correlação de Spearman para investigar relações entre variáveis, e análise linear multivariada. Esta última permite investigar e quantificar o grau de relacionamento entre duas ou mais variáveis, ajudando a entender suas interações. REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 19 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. 5 ANÁLISE E APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Ao analisar os dados coletados nos questionários, obtemos uma série de informações intrigantes sobre a composição do grupo. A amostra foi constituída por 244 indivíduos, com uma distribuição bastante equilibrada entre os gêneros: 130 respondentes se identificaram como mulheres e 114 como homens. Quanto à idade, as maiores taxas de participação foram observadas entre os indivíduos de 30 a 39 anos (86 respondentes) e de 40 a 49 anos (64 respondentes). As faixas etárias de 50 a 59 anos (48 respondentes) e de 18 a 29 anos (45 respondentes) seguiram-se, com apenas um indivíduo de 60 anos ou mais, sugerindo um menor nível de participação nesta faixa etária. Em relação à renda, a maioria dos participantes (92 respondentes) relatou ganhar entre R$ 4.000,00 e R$ 5.999,00. A segunda maior faixa, com 65 respondentes, relatou ganhos entre R$ 1.320,00 e R$ 3.999,00. Uma parcela significativa (49 respondentes) estava na faixa de renda entre R$ 6.000,00 e R$ 7.999,00, enquanto 24 participantes relataram ganhar entre R$ 8.000,00 e R$ 9.999,00. Apenas 14 entrevistados declararam renda igual ou superior a R$ 10.000,00. As informações apresentadas oferecem uma visão detalhada da composição demográfica dos participantes da pesquisa, mostrando uma ampla gama de idades e rendas, com uma notável presença de indivíduos nas faixas de renda média. A representação equilibrada de ambos os gêneros, juntamente com a diversidade de grupos etários e de rendimentos, acrescenta profundidade e relevância aos dados coletados e às análises subsequentes derivadas deste estudo. 5.1 ANÁLISE DESCRITIVA DOS DADOS SOBRE A EXPOSIÇÃO AO NEUROMARKETING, EXPOSIÇÃO A IMAGENS GERADAS POR IA E DISCREPÂNCIA DE IDENTIDADE O questionário da pesquisa foi estruturado em três seções distintas: exposição ao neuromarketing, exposição a imagens geradas por inteligência REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 20 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. artificial (IA) e discrepância de identidade. A parte inicial do questionário focou em avaliar o nível de exposição dos entrevistados ao neuromarketing. Para avaliar o nível de concordância entre os respondentes em relação às variáveis investigadas, foi realizada uma análise descritiva dos resultados, apresentada na Tabela 1. Tabela 1. Exposição ao Neuromarketing, Exposição A Imagens Geradas por IA e Discrepância de Identidade Fonte: Elaborado pelos Autores, São Paulo, Brasil, 2024. A frequência média de exposição a anúncios nas redes sociais é de 4,30, com mediana e moda ambas em 5. Isso indica que os usuários estão diariamente expostos à publicidade em suas redes. Esses resultados demonstram que as estratégias de marketing digital encontraram uma base eficaz nessas plataformas. O modesto viés de 1,16 para a exposição sugere que, embora haja uma tendência geral ao consumo de conteúdo publicitário, ainda existe variação entre os usuários. A pesquisa realizada por Almeida et al., (2022) destaca a combinação eficaz de marketing experiencial e influência no aumento do reconhecimento da marca digital. Isso é consistente com a descoberta de que os usuários frequentemente encontram anúncios em seus círculos sociais. Em um ambiente Variável Média Mediana Moda Desvio Padrão Com que frequência você se depara com anúncios ou campanhas de marketing em suas redes sociais? 4.30 5.0 5 1.16 Até que ponto você acredita que esses anúncios são personalizados com base em suas atividades online? 4.30 5.0 5 1.16 Como você avaliaria a transparência das estratégias de marketing digital utilizadas nas redes sociais? 1.80 1.0 1 1.25 Com que frequência esses anúncios influenciam suas decisões de compra? 3.70 4.0 4 0.86 A exposição contínua a esses anúncios tornou você mais receptivo a eles? 4.30 5.0 5 1.15 Você costuma discutir ou compartilhar sua opinião sobre esses anúncios nas redes sociais? 1.79 1.0 1 1.26 Você acredita que as estratégias de neuromarketing são eficazes? 4.28 5.0 5 1.16 A ideia de que as marcas façam uso de suas informações pessoais para marketing é preocupante para você? 2.37 2.0 2 0.92 Já me senti manipulado por algum anúncio ou campanha de marketing? 4.20 5.0 5 1.16 Você sente que a frequência desses anúnciosafeta sua percepção sobre as marcas? 3.77 4.0 4 1.01 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 21 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. saturado de anúncios, priorizar a experiência e o impacto pode ser crucial para se diferenciar. Por outro lado, conforme a pesquisa realizada por Eduarda et al. (2023), a utilização de estratégias de marketing de conteúdo nas redes sociais, como a produção de conteúdo personalizado e significativo, pode servir como um método eficaz de captar a atenção e o engajamento do usuário, apesar da presença avassaladora da publicidade. A pesquisa conduzida por Campelo e Vicente (2023) ressalta a importância das redes sociais na formação das escolhas dos consumidores, sublinhando seu papel fundamental no marketing digital. Suas descobertas fornecem uma contribuição oportuna para a discussão sobre a frequência de exposição publicitária, demonstrando que, apesar da prevalência da exposição publicitária, as redes sociais continuam sendo uma ferramenta eficaz para influenciar as decisões de compra. Que vem de encontro com a análise deste estudo que mostrou que a transparência das estratégias de marketing digital é avaliada como baixa, com média de 1,80, mediana de 1 e moda de 1. Este resultado demonstra uma percepção generalizada de falta de clareza e transparência nas abordagens adotadas pelas empresas em suas campanhas de marketing online. O modesto desvio padrão de 1,25 indica alguma variabilidade nas opiniões dos usuários, mas a tendência principal aponta para uma divulgação e explicação insuficientes das práticas de marketing digital. A falta de transparência pode impactar negativamente a confiança do consumidor nas marcas e nas plataformas de mídia social. Essa constatação pode desencadear apelos por uma regulamentação mais rígida sobre como os dados são usados na publicidade e poderá impactar as leis e práticas de conformidade. Os profissionais de marketing podem precisar repensar suas estratégias para aumentar a transparência e melhorar a conscientização dos consumidores sobre suas práticas. A forte percepção de falta de transparência envia um sinal claro às empresas de que práticas abertas de marketing digital são essenciais para influenciar positivamente a publicidade online e a disposição dos usuários para interagir com as marcas. REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 22 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. Calgaro e Ruscheinsky (2023) abordam questões de transparência nas estratégias de marketing digital e examinam as correlações com o consumo. Ao explorar a intersecção entre essas questões, os autores enfatizam a importância de práticas de marketing transparentes e éticas na construção da confiança entre consumidores e marcas. Eles propõem um caminho em direção a práticas mais conscientes e transparentes que possam efetivamente reconstruir a confiança do consumidor, alinhando-se com os resultados apresentados. A discussão e o compartilhamento de opiniões sobre anúncios são classificados como baixos, com uma média de 1,79, uma mediana de 1 e uma moda também de 1. Esses resultados indicam que os usuários tendem a mostrar pouca inclinação para discutir ou compartilhar suas opiniões sobre os anúncios que encontram nas redes sociais. O desvio padrão moderado de 1,26 sugere uma certa variabilidade nas respostas dos usuários, mas a tendência predominante é de uma participação limitada nesse tipo de interação. Esse cenário pode refletir uma atitude passiva ou até mesmo um desinteresse geral em relação à publicidade online, destacando a necessidade de as marcas adotarem estratégias mais envolventes e relevantes para capturar a atenção e o engajamento do público-alvo. Este estudo interpreta esses dados como um sinal de que os anúncios não estão gerando conversas significativas entre os usuários, promovendo uma oportunidade de reavaliação e possíveis ajustes na estratégia de criação de anúncios mais envolventes e dignos de conversa. A falta de discussão sobre os anúncios pode indicar a necessidade de conteúdo mais relevante e envolvente para incentivar o compartilhamento orgânico e a discussão entre os usuários e levanta uma questão sobre o conteúdo apresentado aos usuários. A menor frequência de discussões sobre anúncios também sugere que as métricas tradicionais de sucesso dos anúncios, como cliques e conversões, podem não capturar totalmente seu impacto social ou conversacional. Esse comportamento pode refletir a tendência dos usuários de ignorar os anúncios ou de se sentirem sobrecarregados por eles, resultando em uma menor probabilidade de envolvimento ativo. O exame apresentado revela um obstáculo notável no âmbito do marketing digital, o desafio de incitar discussões e REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 23 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. incentivar a troca de pontos de vista sobre anúncios em plataformas de mídias sociais. Esta situação indica que, apesar da presença generalizada da publicidade online, as estratégias atuais podem estar aquém da geração de interações significativas entre os consumidores. arneiro Brito e Ferreira de Freitas (2019) investigam o impacto das interações nas redes sociais na tomada de decisão do consumidor, enfatizando a importância de criar conteúdo relevante e autêntico para cativar os usuários. Esta abordagem salienta a necessidade de as marcas desenvolverem anúncios que não apenas visem vender um produto ou serviço, mas também cultivem ligações genuínas com seu público. Ao elaborar conteúdos que ressoem com interesses genuínos e promovam experiências compartilháveis, torna-se possível motivar os usuários a se envolverem em discussões e a compartilharem suas opiniões, superando o atual estado de passividade. A influência significativa das redes sociais nas decisões de compra dos consumidores é destacada por Campelo e Vicente (2023), que propõem que uma estratégia eficaz de redes sociais deve ir além dos métodos convencionais de publicidade. Em vez de depender apenas de publicidade direta, as marcas devem alocar recursos para a elaboração de narrativas que cativem os consumidores, incentivando-os a se envolverem ativamente através de comentários, compartilhamentos e discussões. Estes dados podem sugerir que os anúncios nas redes sociais podem ser percebidos como um ruído de fundo na experiência do usuário, um simples rolar de feeds e reels, em vez de um ponto de interesse que impulsiona o envolvimento. Isto tem implicações importantes na forma como as marcas abordam a publicidade nas redes sociais, destacando a importância de criar campanhas que realmente ressoem nos usuários e encorajem o envolvimento e a partilha. A segunda parte do questionário aborda a exposição a imagens geradas por inteligência artificial nos anúncios das mídias sociais. Nessa seção, discutiremos como a exposição a essas imagens influencia o comportamento e as percepções dos usuários, conforme detalhado na Tabela 2. REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 24 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. Tabela 2. Análises Estatísticas Descritivas sobre a Exposição A Imagens Geradas por Inteligência Artificial nos Anúncios das Mídias Sociais Fonte: Elaborado pelos Autores, São Paulo, Brasil, 2024. Os usuários das redes sociais que responderam à pesquisa estão cada vez mais preocupados com a utilização da inteligência artificial (IA) em conteúdos visuais, o que pode afetar a forma como interagemcom o conteúdo das redes sociais e suas expectativas em relação a ele. A IA promove uma nova era de criatividade e inovação nas artes visuais, permitindo a criação de imagens que não são possíveis através de métodos tradicionais. O uso de inteligência artificial na geração de imagens pode aumentar significativamente a eficiência da produção de conteúdo, economizando tempo e recursos para marcas e produtores. Em um estudo realizado por Allal-Chérif, Puertas e Carracedo (2024), o foco está na exploração de influenciadores virtuais orientados pela IA e na sua capacidade de superar os influenciadores humanos em termos de envolvimento e eficácia. Os autores discutem o impacto transformador dessa tecnologia nas expectativas e interações dos usuários com o conteúdo visual, ao mesmo tempo que examinam as implicações dessas mudanças para marcas e criadores de conteúdo. O estudo explora como os influenciadores virtuais baseados em IA podem fornecer conteúdo personalizado e cativante. A IA pode criar imagens especificamente adaptadas aos interesses e preferências do usuário, o que pode aumentar o envolvimento e a relevância do Variável Média Mediana Moda Desvio Padrão Com que frequência você percebe o uso de imagens geradas por IA nas redes sociais? 3.72 4.0 4 0.88 Você consegue identificar facilmente quando uma imagem foi gerada por IA? 3.71 4.0 4 0.87 Você já se sentiu enganado por imagens geradas por IA nas redes sociais? 3.71 4.0 4 0.88 Você acha que as imagens geradas por IA melhoram a experiência nas redes sociais? 3.70 4.0 4 0.88 Até que ponto você confia em imagens geradas por IA para representar a realidade? 2.42 2.0 2 0.91 A utilização de imagens geradas por IA afeta sua percepção sobre a autenticidade da marca? 4.28 5.0 5 1.15 Você acredita que o uso de imagens geradas por IA pode influenciar suas decisões de compra? 4.29 5.0 5 1.13 Você se preocupa com as implicações de privacidade do uso de IA em imagens? 3.71 4.0 4 0.89 Até que ponto você acha que o uso de imagens geradas por IA é ético? 3.71 4.0 4 0.89 O uso de imagens geradas por IA nas redes sociais melhora a sua experiência de usuário? 4.27 5.0 5 1.16 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 25 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. conteúdo, conforme destacado por Yu et al., (2024). Com a inteligência artificial, artistas com habilidades limitadas podem criar belos conteúdos visuais, tornando esse conteúdo mais acessível ao público. A variável "Com que frequência você observa a utilização de imagens geradas por IA nas redes sociais" sugere que a maioria dos participantes notou a utilização de imagens geradas por IA numa frequência de quatro ou mais vezes. Isso indica uma tendência consistente na percepção dos usuários sobre a presença dessas imagens nas plataformas digitais. Embora a maioria dos participantes tenha relatado uma frequência semelhante de percepção dessas imagens, ainda existe uma variação significativa nas respostas, com alguns participantes observando essas imagens com menor frequência. A dificuldade em diferenciar entre imagens artificiais e reais pode gerar preocupações sobre a autenticidade e confiabilidade do conteúdo compartilhado. A tecnologia de IA, enquanto pode ser empregada para criar deepfakes ou outros tipos de enganos, levanta questões éticas e legais significativas, conforme apontado por Coelho & Hildebrand (2021). A facilidade de criar imagens nas redes sociais é uma faca de dois gumes: por um lado, proporciona uma plataforma acessível para expressão criativa, democratizando o processo de comunicação visual; por outro, a dependência excessiva da IA para a criação de conteúdo visual pode resultar na perda de controle e autonomia por parte dos criadores humanos. No entanto, essa mesma acessibilidade pode resultar em muito conteúdo superficial e de baixa qualidade. Com a proliferação de ferramentas de edição de imagens e aplicativos de filtro, qualquer pessoa pode se tornar um “criador de conteúdo”, o que pode levar a uma superabundância de postagens que dificultam a descoberta de conteúdo autêntico. Isso pode resultar na perda de empregos para artistas, designers, fotógrafos e outros profissionais criativos, além de levantar questões complexas sobre propriedade intelectual e direitos autorais relacionados à criação de conteúdo visual por IA. Quem detém os direitos sobre imagens e vídeos gerados por IA? Como garantir que os criadores humanos sejam justamente recompensados por seu trabalho? Essa falta de clareza jurídica pode gerar conflitos e incertezas no futuro. REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 26 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. Embora a tecnologia de IA proporcione novas oportunidades interessantes para a criação de conteúdos nas redes sociais, também apresenta riscos significativos que devem ser abordados com cautela. Isso inclui a ética, a transparência e a regulamentação da tecnologia. O crescente reconhecimento da sua importância para os usuários também sugere a necessidade de uma discussão contínua sobre o impacto da IA na sociedade e na cultura digital. A resposta média à pergunta “Você já se sentiu enganado por imagens geradas artificialmente nas redes sociais?” é revelada pelas estatísticas. O desvio padrão é 3,71, a média é 4,0 e o desvio padrão é de 0,88. Isso implica que, geralmente, os participantes tendem a sentir-se enganados por essas imagens em um grau significativo. Os dados sugerem que a maioria dos participantes relata essa experiência, embora a intensidade da percepção varie entre os entrevistados. Sentimentos enganosos podem reduzir a confiança dos usuários nas plataformas de mídia social e nas marcas que utilizam IA para criar imagens, o que pode levar a uma relação de desconfiança (Yu et al., 2024). Para abordar ou aliviar esse ceticismo, os criadores de IA podem ser incentivados a melhorar a tecnologia, garantindo que as imagens geradas sejam claramente distinguíveis ou identificadas de outra forma, a fim de evitar a sensação de engano dos consumidores e preservar a confiança e a autenticidade. Na prática, a experiência de ser enganado por imagens geradas por IA pode afetar negativamente a confiança das plataformas de redes sociais e os esforços de marketing das marcas. Com o tempo, isso pode exigir uma abordagem mais ética e transparente na utilização da IA para criar conteúdo visual. Embora os efeitos negativos sejam mais aparentes e diretos, os efeitos positivos podem surgir através de meios indiretos que respondam aos desafios encontrados e melhorem a relação entre as pessoas e a IA. A terceira parte do questionário tratou da Discrepância de Identidade, explorando como essa discrepância se manifesta nas interações online, especialmente com a interação com as imagens produzidas pela inteligência artificial (Tabela 3). A informação estatística relativa à variável sobre a forma como se apresenta online influencia na autoestima, com média de 4,28, o REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 27 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. número do meio é 5,0 e a moda é 5. O desvio padrão é 1,15. Esses valores indicam que a distribuição dos dados é assimétrica à direita, sendo a média menor que a mediana e a moda. Os participantes tendem a favorecer o fenômeno em questão, com a maioria escolhendo 5 como resposta mais comum, embora os dados estejam dispersos em torno da média. Tabela 3. Análises Estatísticas Descritivas Discrepância de Identidade. Fonte: Elaborado pelos Autores, São Paulo, Brasil, 2024. Para alguns, a oportunidadede se expressarem publicamente e serem reconhecidos online pode ser fortalecedora e levar a um aumento positivo na sua autoconfiança (Majeed, Adisaputera & Ridwan, 2020). Nas redes sociais, a interação positiva pode aumentar a autoestima ao experimentar um senso de valor e conexão com uma comunidade. A desvantagem é que a necessidade constante de manter uma reputação online positiva pode levar a uma autoavaliação e pressão social constantes, o que pode ser prejudicial à autoestima do indivíduo. A tendência de comparar a própria vida com a representação idealizada de outras pessoas online pode levar ao sentimento de falta de importância. O trabalho de Allal-Chérif et al., (2024), sobre a criação de influenciadores virtuais e sua aceitação pelo público-alvo, dialoga diretamente com as Variável Média Mediana Moda Desvio Padrão Até que ponto você acha que sua identidade digital reflete sua identidade na vida real? 3.70 4.0 4 0.88 Você altera aspectos de sua identidade ao se apresentar em diferentes plataformas online? 3.68 4.0 4 0.89 Com que frequência você sente que há uma discrepância entre sua identidade real e digital? 3.68 4.0 4 0.89 Você acha que a forma como se apresenta online influencia sua autoestima? 4.28 5.0 5 1.15 Você já comprou um produto porque ele se alinhava com sua identidade digital? 3.06 3.0 3 0.76 Você já sentiu pressão para mudar sua apresentação digital para se encaixar em padrões? 3.70 4.0 4 0.89 Até que ponto a sua identidade digital influencia suas decisões de compra? 3.72 4.0 4 0.90 Você sente que é mais provável responder positivamente a anúncios que se alinham com sua identidade apresentada nas redes sociais? 4.23 5.0 5 1.14 Você já sentiu que sua identidade digital estava sendo usada sem sua permissão? 3.70 4.0 4 0.89 Até que ponto você acredita que sua identidade digital é importante para sua vida social? 3.70 4.0 4 0.89 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 28 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. preocupações e aponta que influenciadores virtuais com uma semelhança humana muito forte podem ser percebidos como enganosos ou estranhos, levando à rejeição por parte dos consumidores devido à sensação de intrusão enganosa. Há uma preocupação de que interações com entidades virtuais possam despertar animosidade entre os consumidores, especialmente se forem percebidos como “ídolos falsos”, sugerindo que a aceitação dos influenciadores virtuais pode variar significativamente entre diferentes audiências. Um alto nível de realismo em um influenciador virtual pode gerar a sensação de "uncanny valley", um fenômeno psicológico que descreve a repulsa ou estranheza que algumas pessoas sentem em relação a objetos ou entidades artificiais que se assemelham demais a humanos. A aceitação dos influenciadores virtuais pelos consumidores é condicionada pelo grau de empatia que eles conseguem gerar, indicando que o sucesso desses influenciadores depende de quão bem eles podem se conectar emocionalmente com o público, além da estrutura das campanhas publicitárias que não só engajam, mas também enriquecem a vida dos consumidores. A informação sugere que as redes sociais e a identidade online têm um impacto significativo na autoestima dos utilizadores e em seu bem-estar emocional e psicológico (Wang & Wang, 2023). Ter conhecimento de como a autoimagem online é fundamental para aumentar a autoestima. Portanto, as marcas podem utilizar o neuromarketing para criar campanhas que não apenas se comuniquem com a personalidade desejada do consumidor, mas também aumentem os aspectos positivos de sua personalidade. Isso irá promover uma reputação de marca autêntica e confiável, desenvolvendo estratégias mais eficazes e emocionalmente ressonantes, e criando assim experiências positivas de marca. Os dados estatísticos para a variável “Você sente que é mais provável responder positivamente a anúncios que se alinham com sua identidade apresentada nas redes sociais?” são os seguintes: média de 4.23, mediana de 5.0, moda de 5 e desvio padrão de 1.14. As descobertas indicam a importância da personalização na publicidade digital. O neuromarketing utiliza IA para analisar dados comportamentais em grande escala, os quais são então usados para entender melhor a vida digital dos usuários e criar anúncios mais REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 29 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. personalizados e com probabilidade de sucesso (Rocha, 2021). A elevada probabilidade de os utilizadores responderem favoravelmente aos anúncios que correspondem ao seu perfil digital realça a necessidade de personalizar a abordagem publicitária. Os dados do estudo fornecem fortes evidências de que a personalização é crucial para o sucesso na publicidade digital e é bem aceita pelos inquiridos. Ao utilizar técnicas de neuromarketing e IA para analisar dados comportamentais e criar anúncios personalizados, as empresas podem alcançar melhores resultados e construir relacionamentos mais fortes com seus clientes. No entanto, é fundamental que as empresas operem de forma ética e responsável, respeitando a privacidade dos usuários. A capacidade da IA de analisar dados comportamentais em escala como um ponto central na criação de campanhas publicitárias altamente personalizadas indica a capacidade de prever o desempenho dos anúncios com base no comportamento digital dos utilizadores, ressoando com a necessidade de alinhar os anúncios com as identidades digitais dos utilizadores. A inteligência artificial pode ser usada para compreender melhor a vida digital dos utilizadores e criar anúncios mais personalizados, consistentes com as conclusões de que os utilizadores são mais propensos a responder positivamente a anúncios nas redes sociais que refletem sua identidade (Terezinha et al., 2023a). 5.2 ANÁLISE CORRELACIONAL DE SPEARMAN ENTRE VARIÁVEIS A era digital trouxe consigo uma transformação significativa na maneira como interagimos com o mundo ao nosso redor, particularmente no âmbito das redes sociais. Davenport et al. (2020) destacam como a IA está transformando o marketing, não apenas em termos de personalização e previsão do comportamento do consumidor, mas também na criação de novos paradigmas para a interação entre empresas e consumidores. Essa transformação se manifesta não apenas na frequência com que nos deparamos com anúncios ou campanhas de marketing, mas também na percepção crescente do uso de imagens geradas por inteligência artificial (IA) em perfis ou publicações nas redes. REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações Ltda. ISSN: 1983-0882 Page 30 REVISTA CADERNO PEDAGÓGICO – Studies Publicações e Editora Ltda., Curitiba, v.21, n.6, p. 01-54. 2024. A análise de correlações entre diferentes aspectos dessas interações fornece perspectivas sobre as dinâmicas subjacentes à nossa experiência online. A correlação de 0.727 entre a exposição a anúncios nas redes sociais e a percepção de imagens geradas por IA destaca uma relação positiva. Isso indica que os usuários que veem mais anúncios tendem a notar mais o uso de imagens geradas por IA, provavelmente devido à sua crescente adoção pelas marcas para criar conteúdo atrativo e personalizado. Outra correlação significativa é de 0.747 entre a exposição a anúncios e o impacto da identidade digital nas interações online. Isso sugere que a exposição a anúncios influencia a forma como os usuários interagem com base em sua identidade digital, refletida no direcionamento de anúncios personalizados. A correlação mais alta, de 0.917, entre a percepção de imagens geradas por IA e o impacto da identidade digital nas interações