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DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
TRABALHO DIREITO PENAL II, ARTs. 160 A 170 CP.
Professor: Alessandro Dorigon
ACADÊMICO: Cinthia Bueno R.A.: 250166-1
ACADÊMICO: Fernanda Bonilla R.A.: 00201446
ACADÊMICO: Maria Luiza de Souza R.A.: 60001510
EXTORSÃO INDIRETA
Art. 160 - Exigir ou receber, como garantia de dívida, abusando da situação de alguém,
documento que pode dar causa a procedimento criminal contra a vítima ou contra terceiro:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa
CONSIDERAÇÕES GERAIS
A natureza da extorsão indireta, conforme a interpretação de juristas aponta que a lei busca prevenir
uma forma de usura, onde a ameaça de um processo criminal é utilizada contra o devedor ou contra
terceiros como garantia para o pagamento de dívidas, conforme Exposições de motivos nº 57. Embora
a usura não seja um requisito, o crime se configura quando o agente usa documentos que podem levar
a um processo penal para assegurar uma dívida legítima. O crime de usura está tipificado no artigo 4º
da Lei nº 1.521/51. É enfatizado que esse tipo de crime é frequentemente cometido por agiotas,
visando garantir pagamentos ilegítimos através da coação. O foco principal do crime é proteger o
patrimônio, com a liberdade individual sendo uma preocupação secundária.
Bem Jurídico - Patrimônio e liberdade individual.
Sujeitos do delito:
➢ Ativo - Qualquer pessoa que exige ou recebe garantia de dívida que possa dar causa a
procedimento criminal contra vítima ou terceiros. (Credor)
➢ Passivo - Qualquer pessoa. Quem entrega o documento ao sujeito ativo (credor), pode ocorrer,
entretanto, que haja dois sujeitos passivos: O que entrega o documento e outro contra quem possa
ser iniciado um procedimento criminal.
Crime Comum - Não exige qualidade específica do agente, podendo ser praticado por qualquer
pessoa.
Objeto Material - É necessário que o documento, público ou privado, possa dar causa à instauração
de um procedimento criminal (ação penal) contra alguém. Exs: Cheque sem fundos, documento falso,
confissões de dívida etc.
Elementos Objetivos e Subjetivos do Tipo:
➢ Objetivo - O tipo penal possui dois Núcleos: Os verbos “exigir”, obrigar, impor a vítima a
entrega do documento, e “receber”, a própria vítima entrega o documento.
➢ Subjetivo - Dolo, que é a vontade livre e consciente de exigir ou receber do devedor
documento, tendo o agente consciência de que o documento pode dar causa a procedimento
criminal contra a vítima ou terceira pessoa.
Crime de Forma Vinculada - A própria legislação impõe a forma da prática, ou seja, receber como
garantia um documento que possa dar causa de procedimento criminal.
Crime Comissivo - Exige a ação do agente.
Crime Instantâneo - Uma vez que se exige ou recebe o crime estará consumado. Não se prolonga
no tempo.
Crime Unissubjetivo - Pode ser praticado tão somente por uma pessoa, não exigindo concurso de
pessoas.
Crime Plurissubsistente: Admite Fracionamento, portanto admite-se TENTATIVA.
Consumação - Pode ser praticado em dois momentos: Na conduta de “exigir”, o fato se perfaz com
a simples exigência e configura-se crime formal, se o documento for de forma escrita em que consta
uma exigência é possível tentativa. O outro é o verbo “receber”, o delito atinge a consumação com
a efetiva entrega do documento, nesse caso trata-se de crime material, tornando admissível a
tentativa.
Pena - Reclusão, de um a três anos, e multa.
Ação Penal - Pública Incondicionada.
JURISPRUDÊNCIA: Apelação – Extorsão majorada – Réus que, na cobrança de dívida, empregaram
ameaça com a finalidade de receber os valores supostamente devidos pela genitora da vítima – Agiotagem –
Farto standard probatório que autoriza a manutenção do título penal condenatório – Palavras das vítimas
corroboradas pelo testemunho dos policiais civis que presenciaram as ameaças sendo proferidas – Quebra de
sigilo telefônico que comprova as mensagens ameaçadoras enviadas pelos agiotas, por meio das quais exigiam
o pagamento dos valores – Impossibilidade de desclassificação para a infração de exercício arbitrário das
próprias razões – Juros exigidos que correspondiam, proporcionalmente, à taxa de 360% ao ano,
caracterizando, portanto, usura pecuniária superior àquela permitida no empréstimo entre pessoas físicas, nos
termos do art. 5º, do Decreto nº 22.626/1933, tornando ilegítima a pretensão que buscavam alcançar com a
violência empregada – Manutenção da absolvição pelo delito de roubo que se impõem – Reconhecimento não
ratificado em juízo, tendo a vítima sustentado que poderia ter reconhecido equivocadamente o indigitado,
esclarecendo que o indicou como responsável pelo crime pois ele o estava encarando no local que o veículo
foi encontrado – Condenação com base em elementos indiciários que implicaria violação ao art. 155, do
Código de Processo Penal – Crime continuado caracterizado – O art. 71, do Código Penal, que estabelece a
ficção jurídica do denominado crime continuado, exige, para sua aplicabilidade, a presença dos requisitos
objetivos e subjetivos – Teoria Objetivo-subjetiva – Precedentes – Extorsões praticadas em dias seguidos, com
a finalidade de obter a mesma vantagem, caracterizando, portanto, a unidade de desígnio na conduta – Regime
prisional readequado – Circunstâncias judiciais integralmente favoráveis na primeira etapa do cálculo
dosimétrico que desautorizam a imposição de regime mais gravoso que aquele previsto no art. 33, § 2º, "b",
do CP – Precedentes – Súmula nº 440, do c. STJ – Dado parcial provimento aos apelos defensivos. (TJSP; Apelação
Criminal 1503005-97.2023.8.26.0535; Relator (a): J. E. S. Bittencourt Rodrigues; Órgão Julgador: 13ª Câmara de Direito Criminal; Foro de Guarulhos - 4ª Vara Criminal;
Data do Julgamento: 11/10/2024; Data de Registro: 11/10/2024)
USURPAÇÃO
Art. 161 - Suprimir ou deslocar tapume, marco, ou qualquer outro sinal indicativo de linha
divisória, para apropriar-se, no todo ou em parte, de coisa imóvel alheia:
Pena - detenção, de um a seis meses, e multa.
CONSIDERAÇÕES GERAIS
Usurpar é APODERAR-SE INDEVIDAMENTE de alguma coisa. O Código Penal prevê três
condutas ligadas a usurpação de bens imóveis. São elas:
➢ Alteração de Limites.
➢ Usurpação de Águas.
➢ Esbulho Possessório.
Conceito de Alteração de limites - De acordo com o art. 161, caput, do CP, é o fato de “Suprimir ou
deslocar tapume, marco, ou qualquer outro sinal indicativo de linha divisória, para apropriar-se, no
todo ou em parte, de coisa imóvel alheia”.
Bem Jurídico – Posse e a propriedade dos bens imóveis.
Sujeitos do delito:
➢ Ativo – Só pode ser o proprietário do prédio contíguo, aquele que realiza a alteração.
➢ Passivo – Proprietário ou possuidor do imóvel em que a conduta típica é realizada.
Crime Próprio - Exige qualidade específica do agente.
Objeto Material – Imóvel ou terreno que sofre a redução, alteração do limite.
Elementos Objetivos e Subjetivos do Tipo:
➢ Objetivo - O tipo penal possui dois Núcleos: Os verbos “suprimir” (fazer desaparecer, anular)
e “deslocar” (tirar do lugar). O CP se refere ainda a qualquer outro sinal indicativo de linha
divisória.
➢ Subjetivo – Só é punível a título de Dolo. Consiste na vontade de suprimir ou deslocar.
Crime Formal – A legislação descreve a conduta (suprimir ou deslocar) e o resultado, não exigindo
sua produção, basta realizar a conduta.
Crime de Forma Vinculada - A própria legislação impõe a forma da prática, ou seja, suprimir ou
deslocar para apropriar-se no todo ou parte de coisa imóvel.
Crime Comissivo - Exige uma ação do agente.
Crime Instantâneo - Uma vez que suprimir ou deslocar, o crime é imediatamente consumado.
Crime Unissubjetivo -Pode ser praticado tão somente por uma pessoa, não exigindo concurso de
pessoas.
Crime Plurissubsistente: Admite Fracionamento, portanto admite-se TENTATIVA.
Consumação – Atinge a consumação com a efetiva supressão ou deslocamento de tapume etc. Não
sendo necessário que se alcance efetivamente o abjetivo desejado.
Tentativa – Ocorre desde que o agente não consiga suprimir ou deslocar o sinal da linha divisória,
por circunstâncias alheia à sua vontade.
Pena – Detenção, de um a seis meses, e multa.
Ação Penal - A aplicação de violência pelo agente implica, além da penalidade prevista para o
delito principal, em uma pena adicional conforme o § 2º. Isso significa que, se o agente utiliza
violência física e causa lesão corporal, ele responde por dois crimes em concurso material:
Alteração de limite e lesão corporal, seja esta leve, grave ou gravíssima. Da mesma forma, se a
violência resulta na morte de alguém, o agente é responsabilizado por ambos os crimes. Contudo,
se o agente apenas pratica atos de vias de fato sem causar lesões, esses atos são absolvidos pelo
crime principal e não geram uma punição autônoma. No que se refere à propriedade, se esta é
privada e não há uso de violência, a ação penal é de natureza privada. Em contrapartida, se a
propriedade é pública e o agente utiliza violência, a ação penal torna-se pública incondicionada,
ou seja, ocorre independentemente de representação.
Conceito Usurpação de Águas – Tipificada no art. 161... Pena – Detenção, de um a seis meses, e
multa.
§1º - Na mesma pena incorre quem:
I - Desvia ou represa, em proveito próprio ou de outrem, águas alheias;
➢ Águas ALHEIAS são tanto particulares quanto públicas.
O Código Civil enuncia que "são bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural
ou artificialmente", à vista disso, as águas que estão em uma propriedade são consideradas
bem imóveis.
Bem Jurídico - A inviolabilidade patrimonial imobiliária, no que tange à utilização e gozo das águas.
Sujeitos do delito:
➢ Ativo – Qualquer pessoa que desvia ou represa, em proveito próprio ou de outrem.
➢ Passivo – Quem sofre o dano em face do desvio ou represamento.
Crime Comum - Não exige qualidade específica. Podendo ser praticado por qualquer pessoa.
Crime de Dano – Exige a efetiva lesão do bem jurídico.
Crime de Forma Simples – Atinge um só bem jurídico (direito à utilização e gozo das águas).
Objeto Material – Águas alheias que sofrem o desvio ou represa.
Elementos Objetivos e Subjetivos do Tipo:
➢ Objetivo - O tipo penal possui dois Núcleos: Os verbos “desviar” (mudar o rumo do curso da
água) e “represar” (impedir que as águas corram normalmente).
➢ Subjetivo – Só é punível a título de Dolo, com o elemento subjetivo “em proveito próprio ou
alheio”. Ou seja, é necessário que haja aproveitamento, vantagem injusta ao usurpador.
Crime Formal – A legislação descreve a conduta (desviar ou represar), não exigindo sua produção,
basta realizar a conduta.
Crime Comissivo - Exige uma ação do agente.
Crime Instantâneo – Consumando-se no instante do desviou ou represamento, eventualmente,
perdurando esses estados, transforma-se em permanente.
Crime Unissubjetivo - Pode ser praticado tão somente por uma pessoa, não exigindo concurso de
pessoas.
Crime Plurissubsistente: Admite Fracionamento, portanto admite-se TENTATIVA.
Consumação – Se dá com o efetivo desvio ou represamento das águas alheias.
Tentativa – É admissível. Se o sujeito é surpreendido no ato de iniciar o desvio das águas.
Ação Penal - Pena – Aplica-se o que enunciamos em relação à alteração de limites.
Conceito de Esbulho Possessório – De acordo com o art. 161... § 1º, II e nos §§ 2º e 3º.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem:
II – Invade, com violência a pessoa ou grave ameaça, ou mediante concurso de mais de duas
pessoas, terreno ou edifício alheio, para o fim de esbulho possessório.
§ 2º - Se o agente usa de violência, incorre também na pena a esta cominada.
§ 3º - Se a propriedade é particular, e não há emprego de violência, somente se procede mediante
queixa.
Os dicionários dizem: ESBULHO é tirar a posse de alguma coisa, (desapropriar, despojar, espoliar).
Esbulhar tem a mesma origem do latim da palavra "desbulhar ou debulhar". A ideia é mais ou menos
a mesma. Se tira algo de alguma coisa (com uma certa "força”.
Bem Jurídico – É a posse do imóvel
Sujeitos do delito:
➢ Ativo – Qualquer pessoa, salvo o proprietário do imóvel.
➢ Passivo – O possuidor do imóvel.
Crime Comum - Não exige qualidade específica. Podendo ser praticado por qualquer pessoa.
Crime de Formal – A conduta é de invadir, com violência a pessoa ou grave ameaça, ou mediante
concurso de mais de duas pessoas, terreno ou edifício alheio.
Objeto Material – Terreno ou edifício alheio.
Elementos Objetivos e Subjetivos do Tipo:
➢ Objetivo - O Núcleos do tipo é o verbo “invadir” (penetrar, incursionar) com violência a
pessoa ou grave ameaça, mediante concurso de mais de duas pessoas.
➢ Subjetivo – Somente a título de Dolo, consiste na vontade de invadir, com violência a pessoa
ou grave ameaça, ou mediante concurso de mais de duas pessoas, terreno ou edifício alheio.
Crime Comissivo - Exige uma ação do agente.
Crime Instantâneo – Consumando-se no instante do desviou ou represamento, eventualmente,
perdurando esses estados, transforma-se em permanente.
Crime Plurissubjetivo - Praticado tão somente por concurso de pessoas.
Crime Plurissubsistente: Admite Fracionamento, portanto admite-se TENTATIVA.
Consumação – Se dá com a efetiva conduta de invadir,
Tentativa – É admissível, desde que o sujeito não consiga entrar no terreno ou edifício alheio por
circunstância independente de sua vontade.
Pena – Detenção, de uma seis meses, e multa.
Ação Penal – A aplicação de violência pelo agente implica, além da penalidade prevista para o delito
principal, em uma pena adicional conforme o § 2º. Isso significa que, se o agente utiliza violência
física e causa lesão corporal, ele responde por dois crimes em concurso material, lesão corporal, seja
esta leve, grave ou gravíssima. Da mesma forma, se a violência resulta na morte de alguém, o agente
é responsabilizado por ambos os crimes. Contudo, se o agente apenas pratica atos de vias de fato sem
causar lesões, esses atos são absolvidos pelo crime principal e não geram uma punição autônoma. No
que se refere à propriedade, se esta é privada e não há uso de violência, se procede mediante queixa,
a ação penal é de natureza privada. Em contrapartida, se a propriedade é pública e o agente utiliza
violência, a ação penal torna-se pública incondicionada, ou seja, ocorre independentemente de
representação.
JURISPRUDÊNCIA: APELAÇÕES CRIMINAIS. FURTO QUALIFICADO (TENTADO).
MATERIALIDADE E AUTORIA SUFICIENTEMENTE COMPROVADAS. ESTADO DE
NECESSIDADE NÃO CARACTERIZADO. DESCLASSIFICAÇÃO PARA O DELITO
PREVISTO NO ARTIGO 161, § 1º, INCISO I, CP. IMPOSSIBILIDADE. CONDENAÇÕES
MANTIDAS. PENAS E REGIME INALTERADOS. INVIABILIDADE. RECURSOS
DESPROVIDOS. 1. A materialidade e a autoria foram suficientemente demonstradas pelo conjunto fático
probatório, notadamente pela confissão extrajudicial dos apelantes. 2. A caracterização do estado necessidade
exige que o comportamento lesivo do agente configure a única alternativa diante de situação de perigo atual a
direito próprio ou alheio. 3. As penas atribuídas aos apelantes foram dosadas com equilíbrio e justiça, não
merecendo reparo algum, assim como o regime prisional aberto para início de seu cumprimento e a substituição
da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos. 4. Recursos desprovidos. (TJSP; Apelação Criminal 1500237-
28.2019.8.26.0540; Relator (a): Toloza Neto; Órgão Julgador: 3ª Câmara de Direito Criminal; Foro de Rio Grande da Serra - Vara Única; Data do Julgamento: 05/08/2024;
Datade Registro: 05/08/2024)
APELAÇÃO CRIMINAL – FURTO DE ÁGUAS – PRETENSÃO ABSOLUTÓRIA NEGADA –
PRISÃO EM FLAGRANTE NO MOMENTO DA RELIGAÇÃO CLANDESTINA E DEPOIMENTO DE
TESTEMUNHA OCULARES – RÉUS QUE NÃO COMPARECEM EM JUÍZO – IMPOSSÍVEL A
DESCLASSIFICAÇÃO PARA O CRIME DE USURPAÇÃO QUE TIPIFICA O DESVIO DO CURSO DA
ÁGUA APENAS ENQUANTO AGREGADA AO SOLO – PENA MÍNIMA – ERRO MATERIAL NA
SUBSTITUIÇÃO DA EXPIAÇÃO CORPORAL POR PENAS ALTERNATIVAS – ESTIPULAÇÃO
APENAS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE – RECURSOS DESPROVIDOS. (tJSP; Apelação
Criminal 0092530-82.2014.8.26.0050; Relator (a): Euvaldo Chaib; Órgão Julgador: 4ª Câmara de Direito Criminal; Foro Central Criminal Barra Funda - 12ª Vara Criminal;
Data do Julgamento: 28/08/2018; Data de Registro: 30/08/2018)
SUPRESSÃO OU ALTERAÇÃO DE MARCA EM ANIMAIS
Art. 162 - Suprimir ou alterar, indevidamente, em gado ou rebanho alheio, marca ou sinal
indicativo de propriedade:
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa.
CONSIDERAÇÕES GERAIS
O Código Penal pune quem SUPRIME ou ALTERA indevidamente esse tipo de MARCA de
propriedade em gado ou rebanho alheio. Essa é a marca feita em uma animal com um FERRETE,
instrumento de ferro posto em brasa e destinado a marcar animais.
Conceito – Consiste em suprimir ou alterar, indevidamente, em gado ou rebanho alheio, marca ou
sinal indicativo de propriedade.
Bem Jurídico – Posse e a propriedade dos semoventes, (bens que possuem movimento próprio).
Sujeitos do delito:
➢ Ativo – Qualquer pessoa.
➢ Passivo – Proprietário do animal.
Crime Comum – Não exige qualidade específica do agente. Qualquer pessoa.
Objeto Material – Os animais que terão sua marca suprimida ou alterada.
Elementos Objetivos e Subjetivos do Tipo:
➢ Objetivo - O tipo penal possui dois Núcleos: Os verbos “suprimir” (fazer desaparecer, anular)
e “alterar” (tornar irreconhecível) a marca ou sinal indicativo de propriedade. O CP se refere
ainda a qualquer outro sinal indicativo como: argolas no chifre ou no focinho do animal.
➢ Subjetivo – Só é punível a título de Dolo. Consiste na vontade de suprimir ou alterar marca
ou sinal indicativo de propriedade em gado ou rebanho alheio.
Crime Formal – Basta que realize a conduta (suprimir ou alterar), independentemente de aferir ou
não vantagem econômica.
Crime de Forma Livre – Não se impõe uma forma a ser praticado.
Crime Comissivo - Exige uma ação do agente.
Crime Instantâneo - Uma vez que suprimir ou alterar, o crime é imediatamente consumado.
Crime Unissubjetivo - Pode ser praticado tão somente por uma pessoa, não exigindo concurso de
pessoas.
Crime Plurissubsistente: Admite Fracionamento, portanto admite-se TENTATIVA.
Consumação – Atinge a consumação com a efetiva supressão ou alteração da marca em animal.
Mesmo que seja em apenas um animal.
Tentativa – É admissível, desde que, por circunstâncias alheias à sua vontade não consiga efetivar a
supressão ou alteração da marca indicativa da propriedade do animal.
Pena – Detenção, de seis meses a três anos, e multa.
Ação Penal - Pública incondicionada. Excepcionalmente, entretanto, é pública, condicionada à
representação. Isto ocorre quando o delito é praticado em prejuízo de cônjuge judicialmente separado,
de irmão legítimo ou ilegítimo, ou de tio ou sobrinho, com quem o sujeito coabita, nos termos no
art.182, I a III do CP.
JURISPRUDÊNCIA: Receptação de semoventes e Supressão e alteração de marca em animais –
Apelação – Recursos defensivos – Nulidades não evidenciadas – Preliminares rejeitadas – Conjunto
probatório suficiente para o reconhecimento das práticas delitivas – Absolvição – Impossibilidade –
Condutas típicas e dolosas – Princípio da consunção entre os crimes – Inaplicabilidade – Condutas autônomas,
praticadas em momentos distintos – Penas adequadas e motivadamente dosadas, necessárias e suficientes para
reprovação e prevenção dos crimes – Sentença mantida – Apelos desprovidos. (TJSP; Apelação Criminal 1500454-
85.2021.8.26.0545; Relator (a): Claudia Fonseca Fanucchi; Órgão Julgador: 5ª Câmara de Direito Criminal; Foro de Nazaré Paulista - Vara Única; Data do Julgamento:
24/07/2024; Data de Registro: 24/07/2024)
DANO
Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
CONSIDERAÇÕES GERAIS
É um crime contra o patrimônio em que o agente não deseja assenhorar-se dos bens alheios, e sim,
destruí-los ou danificá-los. Importante ressaltar que os crimes de dano não estão todos resumidos ao
artigo 163. Existem danos específicos que por sua particularidade foram tutelados por outros tipos
Penais, constantes em outros artigos ou até em leis específicas. Para configurar o crime de dano é
necessário que a coisa seja alheia. Por conseguinte, coisa sem dono, não é objeto do crime de dano,
bem como, coisa abandonada também não faz parte desse crime. Deferentemente, coisa perdida, se
configura objeto do crime de dano, uma vez que este tem dono e se encontra apenas perdida.
Conceito – Dano é o fato de destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia. Art. 163, caput, CP.
Bem Jurídico – A propriedade de coisa móvel ou imóvel. O patrimônio.
Sujeitos do delito:
➢ Ativo – Qualquer pessoa, salvo o proprietário, conforme os termos dos arts. 165 e 166.
➢ Passivo – Qualquer pessoa que seja o titular de direito de propriedade da coisa móvel ou
imóvel.
Crime Comum – Não exige qualidade específica do agente. Qualquer pessoa pode praticar.
Objeto Material – A coisa alheia que sofra o dano.
Elementos Objetivos e Subjetivos do Tipo:
➢ Objetivo - O tipo penal possui três Núcleos: Os verbos “destruir” (desfazer, subverter a coisa)
“inutilizar” (cessar sua finalidade) e “deteriorar” (perder parte de sua utilidade específica),
coisa alheia.
➢ Subjetivo – Só é punível mediante conduta dolosa. Vontade inequívoca de destruir, inutilizar
e deteriorar coisa alheia.
Crime Material –Exige que a conduta alcance o resultado de dano, para fim de sua consumação.
Crime de Forma Livre – Admite qualquer meio de execução.
Crime Comissivo ou Omissivo – Exige uma ação do agente ou podendo deixar de agir.
Crime Simples – O dano lesa um só interesse jurídico.
Crime Instantâneo – Consuma- se quando há a efetiva lesão ao objeto material alheio.
Crime de Dano – Existe pela capacidade de causar dano ao bem jurídico alheio.
Crime Unissubjetivo - Pode ser praticado tão somente por uma pessoa, não exigindo concurso de
pessoas.
Crime Plurissubsistente: Admite Fracionamento, portanto admite-se TENTATIVA.
Consumação – Atinge a consumação com o efetivo dano total ou parcial a coisa alheia.
Tentativa – É admissível.
Formas Qualificadoras:
Textualmente no art. 163, Parágrafo único - Se o crime é cometido:
I - Com violência à pessoa ou grave ameaça.
II - Com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime mais
grave.
III - contra o patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de
autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa
concessionária de serviços públicos; (Redação dada pela Lei nº 13.531, de 2017)
IV - Por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima:
O DANO É QUALIFICADO:
INCISOS – I e II, o dano qualificado é pelo MODO DE EXECUÇÃO – (Violência à pessoa ou grave
ameaça, emprego de substância inflamável ou explosiva.
➢ Na primeira hipótese, o sujeito pode usar violência física ou moral contra uma terceira pessoa
relacionada ao titular do bem, sem precisar agir diretamente contra o proprietário. Caso cause
lesão corporal, responderá por dois crimes em concurso material: Dano qualificado e lesão
corporal leve, grave ou gravíssima. (Preceito secundário do art. 163 do CP, caput.
➢ Na segunda, se o fato não constitui crime mais grave, que podeser um dos delitos contra a
incolumidade pública. (arts. 250 e 251 do CP).
INCISO – III, o dano qualificado é pela QUALIDADE DA COISA – (Contra o patrimônio da União,
Estado, Municípios, empresa concessionária de serviço publico ou sociedade de economia mista).
➢ Nessa qualificadora, existe divergências jurisprudencial a respeito do preso que causa dano
com finalidade de fugir. Para o STJ, não configura crime.
INCISO – IV, o dano qualificado é pelo MOTIVO – (Motivo egoístico) e pela GRAVIDADE
OBJETIVA DA LESÃO – (Prejuízo considerável para a vítima).
➢ Neste primeiro, para qualificar o fato, o sujeito deve agir com o objetivo de alcançar um
interesse posterior, seja moral ou econômico, e não por qualquer sentimento pessoal.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13531.htm#art2
➢ Por fim, para aplicar a qualificadora, exigirá que o sujeito aja com a intenção de causar um
prejuízo maior à vítima.
Pena Dano Simples – Detenção, de um a seis meses, ou multa. (Caput)
Pena na Forma Qualificada – Detenção, de seis meses a três anos, e multa.
Além da pena correspondente à violência. Se por meio de violência, causar a morte ou lesão corporal,
responde pelo crime contra a pessoa e por dano qualificado, em concurso material.
Ação Penal – Nos crimes relacionados ao caput do art. 163 e inciso IV do Parágrafo Único, a Ação
Penal é Privada, se procede mediante queixa crime. Aos demais casos (incisos) a Ação Penal é
Publica Incondicionada.
JURISPRUDÊNCIA: Apelação e Recurso em Sentido Estrito – Homicídio qualificado e Dano
qualificado – R. decisão que pronunciou o réu para ser submetido a julgamento pelo E. Tribunal do Júri pelo
crime do art. 121, § 2º, incisos III e IV, do Código Penal, e o impronunciou em relação ao delito do art. 163,
parágrafo único, II, do Código Penal. Recurso Ministerial buscando a reforma da decisão que impronunciou o
acusado em relação ao delito de dano qualificado. Recurso Defensivo buscando a absolvição sumária ou
impronúncia do acusado. Subsidiariamente, requer-se a desclassificação de sua conduta para lesão corporal
seguida de morte. Materialidade e indícios de autoria presentes – Inteligência do art. 413, § 1º, do Código de
Processo Penal – Decisão de pronúncia que configura juízo de admissibilidade da acusação e que apenas
submete o caso à apreciação de seu Juiz Natural, que é o Tribunal do Júri, para julgamento com a soberania
que lhe atribui a Constituição Federal – Momento em que vigora o princípio in dubio pro societate. A
ocorrência de legítima defesa não é patente e manifesta, de forma que referida tese deverá ser submetida à
análise pelo E. Tribunal do Júri, assim como a alegação de que o acusado agiu sem animus necandi.
Qualificadoras não manifestamente improcedentes, devendo ser submetidas ao crivo dos Srs. Jurados. Dano
qualificado – Crime conexo que deve ser submetido ao Conselho de Sentença, competente para decidir acerca
de sua eventual ocorrência. Recurso da Defesa desprovido. Recurso do Ministério Público provido para
pronunciar o réu também como incurso no art. 163, parágrafo único, II, do Código Penal. (TJSP; Apelação Criminal
1509150-77.2021.8.26.0071; Relator (a): Ely Amioka; Órgão Julgador: 8ª Câmara de Direito Criminal; Foro de Bauru - 3ª Vara Criminal; Data do Julgamento: 24/01/2024;
Data de Registro: 24/01/2024)
INTRODUÇÃO OU ABANDONO DE ANIMAIS EM PROPRIEDADE ALHEIA
Art. 164 - Introduzir ou deixar animais em propriedade alheia, sem consentimento de quem de
direito, desde que o fato resulte prejuízo:
Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, ou multa.
CONSIDERAÇÕES GERAIS
É comum pessoas colocarem seus animais em propriedades alheias para eles se alimentar. Se Isso
ocorrer SEM CONSENTIMENTO do dono do local e EFETIVAMENTE GERAR ALGUM
PREJUÍZO, estaremos diante do crime de Introdução ou abandono de animais em propriedade
alheia.
Conceito – De acordo com este art. pune-se o fato de introduzir ou deixar animais em propriedade
alheia, sem consentimento de quem de direito, desde que o fato resulte prejuízo.
Bem Jurídico – Posse e a propriedade do imóvel, urbano ou rural, semeado ou não.
Sujeitos do delito:
➢ Ativo – Qualquer pessoa, salvo o proprietário, pois indica a propriedade alheia.
➢ Passivo – Proprietário ou possuidor.
Crime Comum – Não exige qualidade específica do agente. Qualquer pessoa.
Objeto Material – Animais.
Elementos Objetivos e Subjetivos do Tipo:
➢ Objetivo - O tipo penal possui dois Núcleos: Os verbos “introduzir” (fazer penetrar) e
“deixar” (abandonar). Basta a entrada ou deixada de um só animal em propriedade alheia para
a realização do tipo penal.
➢ Subjetivo – Dolo. Não há a forma culposa.
Crime Material – Exige a efetiva lesão ao objeto material.
Crime Simples – Atinge um só bem jurídico.
Crime de Forma Livre – Não se impõe uma forma a ser praticado.
Crime Comissivo – Exige-se que “introduza” o animal, (ação) ou Crime Omissivo – Pelo fato de
“deixar” o animal
Crime Instantâneo – Atinge a consumação total ou parcial do objeto material, desde que resulte
prejuízo.
Crime de Dano – Exige a ocorrência do prejuízo.
Crime Unissubjetivo - Pode ser praticado tão somente por uma pessoa, não exigindo concurso de
pessoas.
Consumação – Atinge a consumação com a danificação total ou parcial da propriedade alheia, com
prejuízo patrimonial.
Tentativa – Inadmissível. Por se tratar de um crime cuja sua punibilidade e existência estão vinculada
à produção de causar prejuízo, esse fato se torna indiferente ao direito penal se não houver prejuízo
por meio da entrada ou abandono de animais
Pena – Detenção, de quinze dias a seis meses, ou multa.
Ação Penal – Exclusivamente Privada, pelos termos do art. 167 do CP, se procede mediante queixa.
JURISPRUDÊNCIA: APELAÇÃO CRIMINAL. Esbulho possessório e introdução ou abandono de
animais em propriedade alheia. Concurso material. Sentença condenatória. Ausência de recolhimento do
preparo recursal. Apelação deserta. Recurso não conhecido. (TJSP; Apelação Criminal 1013114-72.2020.8.26.0071; Relator (a): Ana
Zomer; Órgão Julgador: 1ª Câmara de Direito Criminal; Foro de Bauru - 4ª Vara Criminal; Data do Julgamento: 27/07/2023; Data de Registro: 27/07/2023)
DANO EM COISA DE VALOR ARTÍSTICO, ARQUEOLÓGICO OU HISTÓRICO
Art. 165 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada pela autoridade competente em
virtude de valor artístico, arqueológico ou histórico:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
CONSIDERAÇÕES GERAIS
A Constituição Federal de 1934, em seu artigo 10, prevê proteção legal para bens de valor artístico,
arqueológico ou históricos. O mesmo ocorreu em 1937, através da Carta Magna no art. 134, que
estabelece proteção e cuidados especiais da nação aos monumentos históricos, arqueológicos ou
naturais. A Constituição federal de 1988, protege esses bens no artigo. 216.
O delito do art. 165 do Código Penal foi tacitamente revogado pela Lei 9.605/98, que dispõe acerca
das sanções penais e administrativas advindas de condutas lesivas ao meio ambiente. O art. 62, I, do
mencionado, confere proteção a “bem especialmente protegido por lei, ato administrativo ou decisão
judicial”. Com a tipificação da conduta nos moldes da Lei 9.605/98, duas foram as mudanças: o
aumento da pena, que antes variava de seis meses a dois anos de detenção (e agora é de um a três
anos de reclusão) e a previsão da forma culposa (antes não tipificada).
Oportunize que se considere a apreciação da legislação ambiental, neste ponto substitutiva das
disposições do Código Penal a respeito da matéria.
JURISPRUDÊNCIA: AÇÃO CIVIL PÚBLICA – Pretensão à anulação do Alvará de Demolição e à
indenização pelos danos materiais e morais causados ao patrimônio histórico, artístico, ambiental e cultural de
Guarulhos – Impossibilidade– Inteligência do artigo 39, § 3º da Lei Municipal nº 6.573/09 – Imóvel demolido
que não se encontrava nas quadras circunvizinhas ao bem tombado – Inaplicabilidade do artigo 137 do Decreto
Estadual nº 13.426/79, uma vez que há Lei Municipal específica tratando da matéria em comento – Alvará de
Demolição expedido com fulcro Legislação Municipal – Ação julgada improcedente na 1ª instância – Sentença
mantida – Recurso não provido. (TJSP; Apelação Cível 1026362-39.2017.8.26.0224; Relator (a): Leme de Campos; Órgão Julgador: 6ª Câmara de Direito
Público; Foro de Guarulhos - 2ª Vara da Fazenda Pública; Data do Julgamento: 16/08/2019; Data de Registro: 16/08/2019)
ALTERAÇÃO DE LOCAL ESPECIALMENTE PROTEGIDO
Art. 166 - Alterar, sem licença da autoridade competente, o aspecto de local especialmente
protegido por lei:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
CONSIDERAÇÕES GERAIS
O crime de alteração de local especialmente protegido se encontra previsto neste exposto do CP,
consiste na ação de “alterar, sem licença da autoridade competente, o aspecto de local especialmente
protegido por lei".
Tal delito foi revogado tacitamente pelo art. 63 da Lei n. 9.605/98 (Lei de crimes ambientais). Ele
protege a inviolabilidade do patrimônio, no que tange a respeito aos sítios e paisagens que precisam
de proteção legal. O regulamento se encontra no art. 1º, § 2º, do Decreto nº 25 de 1937, que diz:
“Equiparam-se aos bens a que se refere este artigo e são também sujeitos a tombamento, os
monumentos naturais, bem como os sítios e paisagens que importe conservar e proteger pela feição
notável com que tenham sido dotados pela natureza ou agenciados pela indústria humana”.
Dita revogação oportuniza que se considerem, como objeto de análise, as disposições da legislação
ambiental, assim como foi tratada a tese do artigo anterior (165 do CP).
JURISPRUDÊNCIA: APELAÇÃO CRIMINAL. TRÁFICO MAJORADO. IMEDIAÇÕES DE
QUADRA DE ESPORTES, PRAÇA PÚBLICA E ESCOLA. 1. DOSIMETRIA. PENA-BASE.
REDUÇÃO PARA O MÍNIMO LEGAL. PROVIMENTO EM PARTE. 1. REDUÇÃO DA PENA-
BASE: Nos termos do art. 42 da Lei n. 11.343/2006, a quantidade e natureza da droga apreendida são
preponderantes sobre as demais circunstâncias do art. 59 do Código Penal e podem justificar a fixação da pena
base acima do mínimo legal. Por outro lado, as circunstâncias judiciais devem ser fixadas em vista dos
Princípios do Livre Convencimento Motivado, da Razoabilidade e da Proporcionalidade e os aspectos próprios
da prática infracional, bem como, elementos subjetivos não externos à instrução criminal não devem prevalecer
como circunstâncias desfavoráveis ao apelante. 2 - AFASTAMENTO DA MAJORANTE DO ART. 40, III, DA
LEI 11.343/06. INVIABILIDADE. Para a incidência da majorante prevista no artigo 40, III, da Lei n.
11.343/2006, é suficiente que o crime tenha ocorrido nas imediações dos locais especialmente protegidos,
sendo desnecessária comprovação da efetiva mercancia aos frequentadores dessas localidades. 3.
ALTERAÇÃO DO REGIME INICIAL. IMPOSSIBILIDADE. Tendo em vista, deve ser mantido o regime
inicial fechado de cumprimento da pena, nos termos do art. 33, §2º, ?a?, do CP. 4. FIXAÇÃO DO VALOR DO
DIA-MULTA, DE OFÍCIO. Ante a omissão na sentença, fixa-se, de ofício, o valor do dia-multa. APELAÇÃO
CRIMINAL CONHECIDA E PARCIALMENTE PROVIDA. DE OFÍCIO, FIXADO O VALOR DO DIA-
MULTA. (TJGO, PROCESSO CRIMINAL -> Recursos -> Apelação Criminal 5607173-10.2020.8.09.0067, Rel. Des(a). Wilson da Silva Dias, 1ª Câmara Criminal,
julgado em 26/09/2022, DJe de 26/09/2022)
AÇÃO PENAL
Art. 167 - Nos casos do art. 163, do inciso IV do seu parágrafo e do art. 164, somente se procede
mediante queixa.
CONSIDERAÇÕES GERAIS
O artigo 167 do Código Penal tratou de conferir apenas ao ofendido, ou a alguém capaz de representá-
lo, a titularidade da ação penal do crime de dano simples, bem como o qualificado pelo motivo
egoístico (artigo 163 e inciso IV de seu parágrafo único). Ambos demandam Ação Penal Privada –
(mediante queixa). Assim também se exige com relação à introdução ou abandono de animal em
propriedade alheia (art. 164).
Aos demais delitos previstos no “Capítulo IV – Do Dano”, a Ação Penal será Pública
Incondicionada.
JURISPRUDÊNCIA: Violação de domicílio, Lesão corporal, Dano duplamente qualificado,
Constrangimento ilegal - Violência Doméstica – Crime de dano que, praticado sem violência, reclama
ajuizamento de queixa-crime – Inteligência do artigo 167, do CP – Decadência operada – Crime de
constrangimento ilegal não suficientemente demonstrado – Vítima que nada disse sobre ele – Ausência de
outras testemunhas – Prova frágil – Absolvição de rigor – Crimes de Violação de domicílio e de lesão corporal
demonstrados – Confissão judicial corroborada pelas provas oral e pericial - Condenação mantida – Dosimetria
–Agravante da calamidade pública afastada, pois não comprovado o nexo causal entre ela e os crimes
reconhecidos – Precedentes – Pena reduzida - Regime inicial aberto mantido – Extinção da punibilidade quanto
ao crime de dano reconhecida de ofício e Recurso parcialmente provido. (TJSP; Apelação Criminal 1500760-41.2022.8.26.0538;
Relator (a): André Carvalho e Silva de Almeida; Órgão Julgador: 2ª Câmara de Direito Criminal; Foro de Santa Cruz das Palmeiras - Vara Única; Data do Julgamento:
17/05/2024; Data de Registro: 17/05/2024)
APROPRIAÇÃO INDÉBITA
Art. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
CONSIDERAÇÕES GERAIS
O delito do artigo 168 do Código Penal pressupõe uma relação jurídica preestabelecida na qual a
vítima conferiu voluntariamente ao agente do fato a posse ou a detenção de determinada coisa. A
“Quebra de Confiança” é a ideia chave do crime de Apropriação Indébita.
Contudo, a influência sobre o bem acaba indo além da simples posse ou detenção, ocorrendo o crime
quando o possuidor ou o detentor ultrapassa os limites dos poderes que lhe foram confiados pelo
legítimo proprietário.
Visto que a posse e a detenção são conceitos normativos presumidos na Lei Civil (artigos 1.696 e
1.698 do Código Civil).
Aos APROPRIAR-SE dos poderes que o proprietário lhe confiou, o agente passa a agir como se
fosse o legítimo dono, a partir daí incidindo na figura típica da apropriação indébita. No caso do
agente se apropriar da coisa alheia, sem o consentimento do proprietário, caracteriza crime de furto.
Conceito – Conforme o disposto do art.168 do CP, refere-se ao fato de “apropriar-se de coisa alheia
móvel, de que tem posse ou a detenção” em virtude de um vínculo de confiança. O crime ocorre
quando o sujeito ativo, em posse ou detenção da coisa alheia móvel, a ele confiado, em determinado
momento decide ficar com a coisa como se fosse dono, se negando a devolver. Apresentando o abuso
de confiança.
Bem Jurídico – Direito Patrimonial.
Sujeitos do delito:
➢ Ativo – A pessoa que tem a posse ou a detenção de coisa alheia móvel.
➢ Passivo – A pessoa que não cumprida a relação obrigacional, sofre o prejuízo.
➢ Em se tratando de funcionário público, configura delito de peculato (CP, art.312), se idoso,
incide o art. 102 da Lei nº10.741 de 2003 (Estatuto do Idoso).
Crime Comum – Não exige qualidade específica do agente. Podendo ser praticado por qualquer
pessoa.
Objeto Material – Bem apropriado.
Elementos Objetivos e Subjetivos do Tipo:
➢ Objetivo - O Núcleo é o verbo “apropriar-se” (fazer sua a coisa alheia). Ter a posse ou a
detenção do abjeto e em certo momento, mudar a titularidade da posse ou da detenção, agindo
como se fosse dono.
A apropriação pode ser classificada em dois tipos principais:
1. Apropriação Indébita Propriamente Dita: O agente altera a titularidade da posse por meio
de atos como venda, doação ou ocultação do bem.
2. Negativa de Restituição:O agente se recusa a devolver o objeto ao proprietário.
Para ocorrer a apropriação, é necessário que o agente tenha posse ou detenção do bem. O CC (art.
1.197) menciona que a posse direta pode coexistir com a posse indireta, como em contratos de
locação, onde o locatário possui a posse direta e o proprietário a indireta. O CP (art. 168) define a
apropriação indébita, que pode acontecer em contextos como locação, mandato ou depósito.
O texto discute a diferença entre posse e detenção em relação ao crime de apropriação indébita:
• Posse: Detenção de um bem, podendo ser direta (quando o possuidor tem controle sobre o
bem) ou indireta (quando alguém tem um direito sobre o bem, mas não o controla
diretamente).
• Detenção: Pode ser vigiada (quando há controle) ou desviada (quando o possuidor age de
forma contrária ao que foi acordado).
A apropriação indébita ocorre na detenção desviada, enquanto a detenção vigiada é considerada furto.
Exemplos, incluem um empregado que não devolve dinheiro recebido ou alguém que vende um livro
emprestado.
Para diferenciar posse e detenção, é necessário aplicar as normas dos artigos 1.198 e 1.208 do Código
Civil. O artigo 1.208 esclarece que atos de mera permissão não conferem posse.
A posse direta pode ser interessada (benefício próprio) ou não interessada (benefício de terceiros),
enquanto a detenção é classificada como vigiada ou desviada. Apenas a detenção desviada resulta em
apropriação indébita, enquanto a vigiada resulta em furto.
O texto também ressalta que tanto a posse quanto a detenção devem ser adquiridas legalmente; caso
contrário, o agente pode responder por outro crime. O objeto da apropriação indébita é sempre uma
coisa móvel, que pode ser fungível ou não. Coisas fungíveis, como dinheiro, não podem ser objeto
de apropriação indébita porque sua transferência implica mudança de propriedade. No caso de mútuo
e depósito de coisas fungíveis, ocorre transferência de propriedade, excluindo a possibilidade de
apropriação indébita, exceto se uma coisa fungível for entregue para ser transmitida a terceiros.
Além disso, casos de negativa de restituição podem não constituir delito se envolverem o exercício
regular de um direito. A apropriação indébita de uso não é reconhecida; por exemplo: Se um cavalo
é deixado para tratamento e utilizado por outro sem intenção criminosa.
Por fim, um indivíduo que vende um item dado para guardar pode incorrer em dois crimes: se souber
que o item é furtado, responde por receptação; se não souber, cometerá apropriação indébita contra o
legítimo dono do item e não contra o ladrão.
➢ Subjetivo – Dolo. Exige vontade consciente de se apropriar de coisa alheia móvel.
No caso de a posse ser recebida com a intenção de apropriação desde o início, caracteriza estelionato.
Crime Material – Exige a efetiva apropriação ao objeto material.
Crime de Forma Livre – Não se impõe uma forma a ser praticado.
Crime Comissivo – Exige que saia da inércia com fins de praticá-lo.
Crime Instantâneo – A partir da conduta, já é crime consumado. Não se prolongando no tempo.
Crime de Dano – Exige a ocorrência do prejuízo.
Crime Unissubjetivo - Pode ser praticado tão somente por uma pessoa, não exigindo concurso de
pessoas.
Crime Plurissubsistente: Admite fracionamento.
Consumação – O crime se consuma com a prática do ato alheio aos limites da posse e da detenção
confiados pelo proprietário. (Na negativa de restituição, a consumação ocorre quando o agente se
recusa a devolver o objeto).
Tentativa – É possível quando a disponibilidade sobre a coisa, pelo autor, é frustrada por
circunstâncias alheias à sua vontade.
Causas de Aumento de Pena:
§ 1º - A pena é aumentada de um terço, quando o agente recebeu a coisa:
I - Em depósito necessário: Esses depósitos estão previstos no art. 647 do Código Civil, excluindo-
se aqui os oriundos do exercício de função pública, pois estes casos caracterizam a prática do crime
de peculato (312 do Código Penal), subsiste o inciso I apenas o depósito miserável.
II - Na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou
depositário judicial: Aquele agente que recebe a coisa com uma carga extra de confiança, este realiza
uma conduta mais grave, portanto, é punido com um aumento de pena.
Neste o Rol é taxativo, não admitindo a inclusão de outras espécies de depósito.
Importante destacar que o STJ já se pronunciou que o termo "síndico" empregado pelo legislador se
refere ao "administrador judicial" da falência ou recuperação judicial, e não o síndico de condomínio
edilício.
III - Em razão de ofício, emprego ou profissão: A entrega da coisa ao autor deve se justificar em
razão de sua atividade laboral para que incida a hipótese deste inciso.
Obs. Artigo 102 da Lei nº 10.141/03 (Estatuto do Idoso): Oportuno o destaque de que o Estatuto do
Idoso prevê tipo penal específico à apropriação de pertences de pessoa idosa, não obstante ausente,
na hipótese, causas de aumento, assemelhadas às situações do § 1º do artigo 168 do Código Penal.
Pena - Apropriação Indébita Simples - Reclusão de um a quatro anos, e multa.
- Apropriação Indébita Qualificada – A pena é aumentada em um terço.
Ação Penal – Em regra, é pública incondicionada. No entanto, a ação peal é pública condicionada à
representação em casos específicos, como delitos contra cônjuges judicialmente separados ou
parentes próximos que coabitam (art. 182 do CP).
JURISPRUDÊNCIA: APELAÇÃO CRIMINAL – Apropriação indébita majorada (artigo 168, § 1º,
inc. III, do Código Penal) – Sentença condenatória - Apelo defensivo pleiteando a absolvição - Condenação
alicerçada na declaração da vítima e nas demais provas carreadas aos autos – Versão exculpatória apresentada
pelo réu que se mostrou isolada nos autos – Dolo evidente – Réu que apenas buscou remediar sua conduta dias
antes da audiência de instrução, oportunidade em que tentou dissuadir a vítima de prestar declarações -
Condenação mantida - Dosimetria – Primeira fase - Pena fixada no mínimo legal – Segunda fase – Ausentes
agravantes – Atenuante prevista no artigo 65, III, 'b', do CP – Súmula 231 do C. STJ - Terceira fase – Ausentes
minorantes – Presente a majorante insculpida no art. 168, § 1º, III, do CP – Regime aberto mantido –
Substituição da pena privativa de liberdade por penas restritivas de direitos – Recurso desprovido. (TJSP; Apelação
Criminal 1503577-31.2023.8.26.0510; Relator (a): Fátima Vilas Boas Cruz; Órgão Julgador: 4ª Câmara de Direito Criminal; Foro de Rio Claro - 2ª Vara Criminal; Data do
Julgamento: 24/10/2024; Data de Registro: 24/10/2024)
APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA
Art. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos
contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9983.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9983.htm#art1
CONSIDERAÇÕES GERAIS
Enquanto no crime do artigo 168 a norma exige que o agente se aproprie da coisa que mantém em
posse, tomando-a como sua, no exposto do artigo 168-A se afigura indiferente o que o agente fará
com os valores apropriados, se vai mantê-los em depósito, guardá-los para si ou transferir a terceiros.
Claramente, a norma em evidência se contenta com o simples ato de deixar de repassar os valores
descontados de outros contribuintes e segurados. O crime se concretiza com a simples inobservância
de uma obrigação tributária de fazer. Seria o caso, então, de considerá-lo como crime tributário, pelo
incumprimento de obrigação tributária acessória, por sua própria natureza.
Diferentemente do artigo 168 do CP, aqui parece improdutiva a argumentação no que diz respeito da
impropriedade,ou não, da inclusão de bens fungíveis, como é o dinheiro, com finalidade de se
reconhecer a prática da apropriação indébita, pois a expressão escrita se concentra justamente na
advertência da prática de "deixar de repassar".
Pontos importantes é a previsão de EXTINÇÃO DE PUNIBILIDADE e a HIPÓTESE DE
PERDÃO JUDICIAL
Conceito – Introduzido pela Lei n° 9.983/2000, tipifica a conduta de “deixar de repassar à previdência
social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional”.
Bem Jurídico – Patrimônio Público, relacionado ao crédito proveniente da contribuição ou
reembolso advindo de benefício.
Sujeitos do delito:
➢ Ativo – A pessoa que possui o dever legal para realizar o repasse do tributo à seguridade
social, não poderá o crime ser imputado a pessoa jurídica. Portanto, apenas os gestores ou
responsáveis pela empresa poderão ser sujeitos ativos.
➢ Passivo – A previdência social, ou então, se houver segurados lesados, estes também
comporão na qualidade de vítimas.
Crime Próprio – Exige qualidade específica do agente.
Objeto Material – A conduta recai sobre as contribuições, que apenas de recebidas não são
repassadas à previdência social.
Elementos Objetivos e Subjetivos do Tipo:
➢ Objetivo – A conduta consiste em “deixar de repassar” (não fazer o repasse). A lei exige uma
obrigação de fazer o repasse, no prazo e na forma legal ou convencional e assim não é feito
como devido pela lei, essa omissão é causa do delito.
➢ Subjetivo – Dolo. Vontade de lesar.
Crime Formal – Basta recolher e não repassar, independentemente de causar efetivo ou não prejuízo.
Crime de Forma Livre – Não se impõe uma forma a ser praticado.
Crime Omissivo – A lei impõe uma a obrigação é não se faz, “deixar de repassar”.
Crime Instantâneo – Visto que o momento que se pratica o delito seus efeitos não se perduram.
Crime Unissubjetivo - Pode ser praticado tão somente por uma pessoa, não exigindo concurso de
pessoas.
Crime Unissubsistente - Não admite o fracionamento do iter criminis e por essa razão não admite
tentativa.
Consumação – A consumação se dá quando se encerra o prazo legal ou convencional estabelecido
para o repasse ou recolhimento das contribuições devidas, assim como para o pagamento do benefício
que já foi reembolsado ao segurado ou ao estabelecimento pela Previdência Social.
Tentativa – Inadmissível.
Formas Assemelhadas
O §1º traz três condutas equiparadas à conduta do caput.
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem deixar de: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
I – Recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à previdência social
que tenha sido descontada de pagamento efetuado a segurados, a terceiros ou arrecadada do
público; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
II – Recolher contribuições devidas à previdência social que tenham integrado despesas
contábeis ou custos relativos à venda de produtos ou à prestação de serviços; (Incluído pela Lei
nº 9.983, de 2000)
III - Pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido
reembolsados à empresa pela previdência social. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
Igualmente omissivas (pois também repreendem o deixar de fazer), as condutas previstas nos incisos
I a III do § 1º diferem das estabelecidas no caput por exigirem pontualidade do contribuinte já no ato
do recolhimento do tributo a seu encargo, de computá-lo sobre o preço do produto ou do serviço do
empreendimento contribuinte, quando neste é incluído, e no momento de pagar benefício
previdenciário de sua incumbência, por compensação previdenciária anteriormente recebida. Não se
livra da incidência da norma, então, aquele que, embora repasse regularmente os valores
previdenciários, tal como determina a legislação, deixa de efetuar os recolhimentos dos encargos na
forma e prazos determinados pela legislação. Mesmo isso se tratando de situação remota.
EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
§ 2o É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o
pagamento das contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à
previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação
fiscal. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9983.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9983.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9983.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9983.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9983.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9983.htm#art168a
O artigo prevê que a punibilidade é extinta quando o agente:
1. Declara e confessa espontaneamente.
2. Efetua o pagamento das contribuições ou valores devidos.
3. Presta as informações necessárias à previdência social.
Elementos Necessários para o Benefício:
1. Pessoalidade - A declaração e confissão devem ser feitas pelo próprio agente.
2. Espontaneidade - As condutas de declarar e confessar devem ser feitas de forma voluntária,
sem coação.
3. Realização do Pagamento - O agente deve efetuar o pagamento das contribuições ou valores
antes do início da ação fiscal.
4. Prestação de Informação- As informações devem ser prestadas à previdência social
conforme a forma definida em lei ou regulamento.
5. Antes do Início da Ação Fiscal - A extinção da punibilidade ocorre antes da notificação do
contribuinte sobre a ação fiscal.
PERDÃO JUDICIAL E CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA
§ 3o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for
primário e de bons antecedentes, desde que: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
I – Tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o pagamento
da contribuição social previdenciária, inclusive acessórios; ou (Incluído pela Lei nº 9.983, de
2000)
II – O valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele
estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o
ajuizamento de suas execuções fiscais. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
Hipóteses de Perdão Judicial e Aplicação de Multa
O parágrafo prevê:
1. Perdão judicial - Em determinadas condições.
2. Aplicação exclusiva de multa - Em casos específicos.
Condições para o Perdão Judicial:
1. Características do Agente - O agente deve ser primário (sem antecedentes criminais) e ter
bons antecedentes.
2. Pagamento Prévio - O agente deve promover o pagamento da contribuição social
previdenciária, incluindo as acessórias, após o início da ação fiscal e antes da denúncia.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9983.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9983.htm#art168a
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9983.htm#art168a
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9983.htm#art1
3. Limite de Contribuições Devidas - Valor total das contribuições, incluindo acessórias, deve
ser igual ou inferior ao mínimo estabelecido administrativamente pela previdência social para
o ajuizamento das execuções fiscais.
Referências Legais:
Perdão Judicial - Relaciona-se ao Art. 107, inciso IX, e Art. 120 do Código Penal.
Aplicação Isolada de Pena e Multa - Trata dos direitos penais subjetivos públicos do réu, desde que
atendidos os requisitos pessoais e objetivos.
Jurisprudência: Limite mínimo para ajuizamento das execuções fiscais tem sido fixado em R$
1.000, utilizando a integração analógica e o princípio da insignificância.
PARCELAMENTO DO DÉBITO PREVIDENCIÁRIO
§ 4o - A faculdade prevista no § 3o deste artigo não se aplica aos casos de parcelamento de
contribuições cujo valor, inclusive dos acessórios, seja superior àquele estabelecido,
administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções
fiscais.(Incluído pela Lei nº 13.606, de 2018)
De acordo com o art. 83, § 1º da Lei 9.430/96 com redação dada pela Lei 12.382/2011.
Encaminhamento da Representação Fiscal - A representação fiscal para fins penais será enviada
ao Ministério Público somente após a exclusão da pessoa física ou jurídica do parcelamento.
Efeitos do Parcelamento:
1. Suspensão da Pretensão Punitiva - Enquanto a pessoa física ou jurídica estiver no
parcelamento, a pretensão punitiva do Estado fica suspensa.
Essa suspensão se aplica desde que o pedido de parcelamento tenha sido formalizado antes do
recebimento da denúncia criminal.
2. Suspensão da Prescrição - A prescrição da pretensão punitiva também é suspensa durante o
período de parcelamento, conforme disposto no parágrafo 2º.
3. Extinção da Punibilidade - Se houver pagamento integral dos débitos que estão sendo
parcelados, a punibilidade é extinta, conforme o parágrafo 4º.
VACATIO LEGIS
A Lei n.º 9.983/2000, publicada em 17-7-2000, introduziu a vacatio legis, entrando em
vigor noventa dias após a publicação, em 15-10-2000.
Pena – Reclusão, de dois a cinco anos e multa.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13606.htm#art17
O § 1.º menciona condutas equiparadas.
O § 2.º prevê a extinção da punibilidade.
O § 3.º trata do perdão judicial e diminuição de pena.
Ação Penal – Pública Incondicionada.
JURISPRUDÊNCIA: Crime de apropriação indébita previdenciária - Preliminares - Ilegitimidade de
parte - Afastada - Crime próprio - Sujeito ativo é aquele responsável pelo repasse das contribuições aos cofres
públicos. Atipicidade da conduta - Alegação de ausência de dolo específico ("animus rem sibi habendi") -
Afastada - Crime omissivo - Delito que requer somente a presença do dolo genérico - Afastadas. Mérito -
Apelante que responsável pelo repasse das contribuições providenciadas, deixa de recolher, no prazo legal, ao
Instituto de Previdência Social do Município de Paraibuna, os valores descontados dos salários dos
funcionários municipais — Quitação integral do débito na gestão posterior - Aplicação da Lei n" 10.684/03 -
Condenação afastada - Recurso provido para decretar a extinção da punibilidade, nos termos do art. 9o § 2" da
Lei n" 10.684/03. (TJSP; Apelação Criminal 0000117-28.2005.8.26.0418; Relator (a): Ribeiro dos Santos; Órgão Julgador: 15ª Câmara de Direito Criminal;
Foro de Paraibuna - Vara Única; Data do Julgamento: 04/08/2009; Data de Registro: 04/09/2009)
APROPRIAÇÃO POR COISA HAVIDA POR ERRO, CASO FORTUIT0
OU FORÇA DA NATUREZA
Art. 169 - Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou
força da natureza:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
CONSIDERAÇÕES GERAIS
O pressuposto do art. 169 diverge da apropriação indébita original exposto no art. 168 do CP, apenas
em relação a origem da posse ilícita, pois neste decorre de erro, de caso fortuito ou de força da
natureza, enquanto no outro, a origem da apropriação decorre de ato voluntário da vítima.
Neste exposto, de início não se presume que o agente do fato deseja apropriar-se da coisa alheia
quando inicia sua posse por erro, caso fortuito ou força da natureza, cogitando-se a prática do crime,
mas, quando passa a agir como se a coisa fosse sua.
O erro parte de uma falsa percepção da realidade, que recai sobre a pessoa ou a coisa em si, logo que
considerada em sua característica, valor ou natureza. O caso fortuito ou a força da natureza também
não dependem do querer do agente ou da vítima. Identifica a primeira circunstância num episódio
eventual e imprevisível, enquanto na segunda a ação de uma força natural sucede no esbulho do
patrimônio da vítima.
Apropriação pode ser por: Apropriação propriamente dita ou Negativa de restituição. No primeiro
caso, o sujeito realiza uma conduta como se fosse dono do objeto que veio ao seu poder por erro, caso
fortuito ou força da natureza. No segundo, o sujeito se nega a restituir o objeto que veio indevidamente
ao seu poder.
Conceito – O artigo 169, caput, do código penal define o fato de o sujeito se apropriar de coisa alheia
vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza.
Bem Jurídico – Direito Patrimonial.
Sujeitos do delito:
➢ Ativo – Qualquer pessoa que recebe a coisa que vem a seu poder por erro, caso fortuito ou
força da natureza.
➢ Passivo – Proprietário da coisa que saiu de sua disponibilidade por erro, caso fortuito ou força
da natureza.
Crime Próprio – Exige qualidade específica do agente. Qualquer pessoa.
Objeto Material – A coisa.
Elementos Objetivos e Subjetivos do Tipo:
➢ Objetivo - O verbo “apropriar-se” (fazer sua coisa alheia)
➢ Subjetivo – Dolo. Vontade de apropriar-se de coisa alheia vinda a seu poder por erro, caso
fortuito ou força da natureza.
Crime Material – Exige a efetiva apropriação ao objeto material.
Crime de Forma Livre – Não se impõe uma forma a ser praticado.
Crime Comissivo – Demanda de ação.
Crime Instantâneo – Seus efeitos não se perduram no tempo.
Crime de Dano – Exige a ocorrência do prejuízo.
Crime Unissubjetivo - Pode ser praticado tão somente por uma pessoa, não exigindo concurso de
pessoas.
Crime Plurissubjetivo - Admite fracionamento.
Consumação – Se dá quando o agente transforma a posse em propriedade, sendo realizada, portanto,
com um componente puramente subjetivo.
Tentativa – Admite
Parágrafo único - Na mesma pena incorre:
APROPRIAÇÃO DE TESOURO
I - Quem acha tesouro em prédio alheio e se apropria, no todo ou em parte, da quota a que tem
direito o proprietário do prédio;
Neste caso, é essencial que o tesouro tenha sido achado casualmente. Não pode o sujeito ter
interferido para provocar sua perda.
Outro aspecto que costuma ser utilizado para definir o “tesouro” são as condições em que ele é
encontrado. De modo geral, o tesouro, por seu alto valor, deve estar escondido ou enterrado, por
exemplo, para que seja considerado como tal. Trata-se de uma norma penal em branco, visto que o
CP não diz o que é tesouro. O CP está em branco, outra norma irá completar seu significado dizendo
o que é tesouro.
Apropriação de coisa achada
II - Quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria, total ou parcialmente, deixando de
restitui-la ao dono ou legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade competente, dentro no
prazo de quinze dias.
A coisa perdida difere daquela esquecida e a distinção tem efeitos na configuração do delito, já que
com relação a esta o proprietário sequer lembra que ela lhe pertence, não se tratando de ato criminoso,
portanto. A coisa perdida por seu turno, é lembrada pelo dono, mas escapou do seu alcance em razão
de um evento inesperado, sendo está a hipótese de incidência do tipo penal.
Pena – Detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Ação Penal – Pública Incondicionada.
JURISPRUDÊNCIA: APELAÇÃO CRIMINAL – ARTIGO 169, INCISO II, DO CÓDIGO PENAL –
Apropriação de coisa achada – Condenação - Recurso da Defesa – Absolvição – INVIABILIDADE – Elemento
subjetivo do tipo – dolo – comprovado – "animus rem sibi habendi". Pena inalterada. Recurso improvido. (TJSP;
Apelação Criminal 1500904-91.2020.8.26.0115; Relator (a): Paulo Rossi; Órgão Julgador: 12ª Câmara de Direito Criminal; Foro de Campo Limpo Paulista - 1ª
Vara; Data do Julgamento: 28/05/2024; Data de Registro: 28/05/2024)
APROPRIAÇÃO INDÉBITA PRIVILEGIADA
Art. 170 - Nos crimes previstos neste Capítulo, aplica-se o disposto no art. 155, § 2º.
Art. 155 (…) Furto.
§ 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a
pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena
de multa.
CONSIDERAÇÕES GERAIS
Trata-se de dispositivo que atribui às modalidades de apropriação indébita (previstas neste capítulo)
tratamentoidêntico ao conferido para o crime de furto privilegiado, quando a primariedade do autor
e o pouco valor da coisa apropriada (inferior ao valor do salário-mínimo) autorizam a substituição da
pena de reclusão pela de detenção, além da diminuição da privativa de liberdade de um a dois terços,
tal como a possibilidade de aplicação apenas da pena de multa.
Caberá privilégios se:
➢ Criminoso é primário (Atenuante)
➢ A coisa apropriada furtada é de pequeno valor. (Tipo penal insignificante)
Como já referido inicialmente, é indiferente a circunstância de o autor ter mantido os valores em
depósito regular, se apropriado destes ou entregado a terceiros, basta ter deixado de repassar as
quantias à receita previdenciária na forma como prevê a legislação.
Privilégios:
➢ Substituir a pena de reclusão pela de detenção. ou
➢ Diminuir a pena de um a dois terços. ou
➢ Aplicar somente a pena de multa.
JURISPRUDÊNCIA: AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL. Decisão de primeiro grau que deferiu
pedido de penhora de 1/4 do pecúlio do sentenciado. Manutenção. Inteligência do art. 50, §1º, CP, e arts. 168
e 170 da LEP. Princípio da especialidade. Bloqueio, ademais, que foi limitado ao montante total devido a título
de pena de multa (R$ 730,08), inexistindo prova, frente ao saldo total na conta do sentenciado, de que acarretará
prejuízo a sua subsistência. Precedentes. Recurso não provido. (TJSP; Agravo de Execução Penal 0018476-96.2024.8.26.0050; Relator
(a): Marcelo Semer; Órgão Julgador: 13ª Câmara de Direito Criminal; Foro Central Criminal Barra Funda - 1ª Vara das Execuções Criminais; Data do Julgamento: 29/10/2024;
Data de Registro: 29/10/2024)
CONCLUSÃO
Como vimos, a apropriação indébita é um tipo previsto no Código Penal.
Embora sua forma simples guarde semelhanças com outros crimes, como estelionato, furto simples e
receptação, não se trata de coisas iguais.
Referências Jurisprudenciais:
https://esaj.tjms.jus.br/cjsg/resultadoCompleta.do
https://esaj.tjsp.jus.br/cjsg/resultadoCompleta.do
https://www.tjgo.jus.br/jurisprudencia/juris.php