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UNIVERSIDADE DE UBERABA ANA CAROLINA FERREIRA DE CARVALHO Planejamento de Obra: Estudo de Caso UBERABA 2020 ANA CAROLINA FERREIRA DE CARVALHO Planejamento de Obra: Estudo de Caso Trabalho apresentado à Universidade de Uberaba como requisito necessário para obtenção de nota na disciplina de Construção Civil I. Orientador: Sandro Ferreira Fernandes. UBERABA 2020 RESUMO Planejar uma obra se fez ainda mais necessário com a mudança no cenário econômico e aumento da competitividade, transformando empresas de construção civil em industrias. Melhorando a qualidade, os serviços prestados e os prazos determinados. É de suma importância, tal planejamento, para a viabilizar a construção de uma edificação. Estudos técnicos, especificação de execução e prazos, diretamente ligados com custos, advém da necessidade de planejar, fazendo com que o orçamento seja fidedigno. Este trabalho consiste em uma apresentação teórica do que é o planejamento de obra e estudo de caso. Tem como objetivo montar a sequência dos itens para montar o planejamento, plano de contratação, locação, parte normativa e o cronograma de execução. Palavras-chave: Planejamento de obra; cronograma. Sumário 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 5 2 PLANEJAMENTO .............................................................................................. 6 3 INSTALAÇÕES ELÉTRICAS............................................................................. 7 4 ÁREA ADMINISTRATIVA .................................................................................. 8 5 ÁREA DE VIVENCIA ......................................................................................... 9 6 ÁREAS OPERACIONAIS ................................................................................ 11 7 PROJETO DE PRODUÇÃO ............................................................................ 13 8 ESTUDO DE CASO ........................................................................................ 18 9 CONCLUSÃO .................................................................................................. 21 5 1 INTRODUÇÃO 1.1 JUSTIFICATIVA PARA O DESENVOLVIMENTO Com o aumento da concorrência no mercado da construção civil, planejar uma obra vem ganhando cada vez mais relevância. As vantagens disso são: economia de material, menor chance de atraso e maior lucro. Demonstraremos passo a passo de um planejamento de obra, para que vantagens como essas possam ser empregadas em mais obras. 1.2 OBJETIVO O objetivo desse trabalho é fazer uma breve explicação sobre o que é um estudo de caso de um planejamento de obra, que basicamente é a montagem de determinado planejamento. Montando assim um exemplo prático de uma construção predial com um subsolo, um pavimento térreo e oito pavimentos. 6 2 PLANEJAMENTO O planejamento de um canteiro de obras pode ser definido como o planejamento do layout e da logística das suas instalações provisórias, instalações de segurança e sistema de movimentação e armazenamento de materiais. O planejamento do layout envolve a definição do arranjo físico de trabalhadores, materiais, equipamentos, áreas de trabalho e de estocagem (FRANKENFELD, 1990). O planejamento oferecerá condições de infraestrutura para desenvoltura do processo de produção, definindo, por exemplo, condições de transporte e armazenamento do material, tipos de instalações provisórias, mobiliário de escritório ou instalações de segurança. Assuntos não relacionados às proteções físicas não fazem parte do planejamento de um canteiro, sendo parte do planejamento de segurança. 2.1 OBJETIVO DO PLANEJAMENTO Tal planejamento visa obter um aproveitamento maior do espaço físico disponível, garantindo segurança e eficiência no trabalho de homens e maquinas, minimizando movimentação de materiais, mão-de-obra e componente. Podemos dividir os objetivos em dois níveis, como fez Tommelein (1992). (a) alto nível: necessidade de fornecer boas condições ambientais de trabalho, fazendo com que isso motive os operários, tanto em termos de conforto como de segurança. Acrescentando à definição de Tommelein (1992) a necessidade de cuidar do aspecto visual da obra, limpeza e impressões positivas perante funcionários e clientes. (b) baixo nível: minimização de distâncias de transporte, tempos de movimentação de equipe e materiais e manuseios de materiais. 2.2 TIPO DE CANTEIRO Segundo a NR 18 o canteiro de obra restrito se enquadra no projeto proposto, para uma construção predial, em área urbana/central. Considerando o elevado custo de terrenos nas áreas centrais, as edificações ocupam alta percentagem do terreno. Com isso, os canteiros restritos exigem mais cautela no planejamento, seguindo abordagem criteriosa. 7 2.3 NR 18 A norma regulamentadora 18 tem como objetivo estabelecer diretrizes de ordem administrativa, de planejamento e organização, visando implementar medidas de controle e sistema preventivo de segurança em processos, condições e meio ambiente de trabalho na construção. 2.3.1 RESPONSABILIDADES Vedar a permanência de trabalhadores no canteiro de obras que não estejam resguardados nas medidas previstas nesta NR. Fazer a Comunicação Prévia de Obras em sistema informatizado da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho – SIT, antes de iniciar as atividades. 2.3.2 PGR O programa de gerenciamento de riscos é obrigatório nos canteiros de obras, ele contempla os riscos ocupacionais e respectivas medidas de prevenção. Deve ser elaborado por um profissional legalmente habilitado em segurança do trabalho e implementado sob responsabilidade da organização. Com relação a documentação, deve conter um projeto da área de vivência do canteiro de obras e eventual frente de trabalho, projeto elétrico das instalações temporárias, projeto dos sistemas de proteção coletiva, projeto dos sistemas de proteção individual contra quedas (SPIQ) e relação dos equipamentos de proteção individual (EPI) com suas respectivas especificações técnicas. É responsabilidade do profissional legalmente habilitado em segurança do trabalho propiciar, mediante cumprimento dos requisitos previstos nessa NR, avanço tecnológico em segurança, higiene e saúde dos trabalhadores, objetivar a implementação de medidas de controle e de sistemas preventivos de segurança, garantir a realização das tarefas e atividades de modo seguro e saudável. A documentação relativa à adoção de soluções alternativas deve estar disponível no local de trabalho e acompanhada das memórias de cálculo, especificações técnicas e procedimentos de trabalho. 3 INSTALAÇÕES ELÉTRICAS O canteiro de obras, em toda sua extensão, deve possuir quadros de medição, distribuição e terminais para que sejam seletivas as instalações garantindo a proteção dos seus condutores. Os quadros de medição são os primeiros a serem instalados, sendo responsável pela entrega da energia elétrica da concessionária para o canteiro de obras. Possuem 8 dispositivos de proteção e manobra para que quadros terminais, como tomadas e plugs, tenham segurança na ligação de máquinas e equipamentos. Os mais utilizados são os disjuntores termomagnético, que tem capacidade de desarme por sobrecarga elétrica ou sobrecarga térmica. Em alguns canteiros é necessário a instalação de condutores elétricos aéreos, projetado e executado considerando a altura das máquinas que transitarão no local, observando a localização correta dos postes de sustentação.Os cabos deverão ter altura mínima de 5 metros. Para instalações subterrâneas é necessária uma projeção cautelosa do posicionamento das instalações, levando em conta as escavações, perfurações e máquinas de grande porte, deverão ser instaladas com eletrocalhas ou eletrodutos que servirão de proteção mecânica para os cabos de energia. De forma que a rede de energia fique 1,5 metros das escavações. 4 ÁREA ADMINISTRATIVA É um escritório de obras que vai permitir à equipe executar os serviços administrativos e de controle técnico. Espaço ideal para manter plantas, diário de obras, ter controle de ponto, em uma estrutura com telefone instalado e acesso à internet, sendo comumente usado para reuniões. Geralmente fica nas laterais do canteiro, com acesso próximo à obra. Poderão ser construídos com barracões, contêineres ou madeira. Onde o engenheiro estará locando e destinando para cada setor sem interferir no início dos serviços até que seja concretizado a implantação definitiva do canteiro. Compõe-se, geralmente, de dependências para os seguintes elementos da administração da obra: Engenharia (gerentes e engenheiros), estagiários, mestre-de-obras, encarregado de escritório, segurança do trabalho, Padrões mínimos: Dimensões: Comprimento: 6200 m/ 4000 m. Largura: 2300 m Altura: 2600 m Fechamento externo: Paredes e teto em chapa de aço galvanizado com perfil trapezoidal com 0,65 mm Janelas: Duas janelas de 800 x 800 mm em alumínio e acrílico Instalação Elétrica: Entrada elétrica com interruptor, tomada e dois pontos de luz. Instalação embutida no forro e eletrodutos fixados na parede. Banheiro: Um vaso sanitário, um lavatório, um ponto de chuveiro, incluindo entrada externa de água e saída para esgoto. 9 Figura 1 – Planta da área administrativa do canteiro de obras. Fonte: Manual do Canteiro 1010. Disponível em: https://pt.slideshare.net/FABIOPRADOTST/manual- de-canteiro-1010. Acesso em: 11 setembro 2020. 5 ÁREA DE VIVENCIA Devem ser projetadas de forma a oferecer, aos trabalhadores, condições mínimas de segurança, conforto e privacidade. Também deverão ser mantidas em perfeito estado de conservação, higiene e limpeza, contemplando de: a) instalação sanitária; b) vestiário; c) local para refeição; d) alojamento, quando necessário. Seguindo também a NR 24 que estabelece condições mínimas de higiene e de conforto a serem observadas pelas organizações. 5.1 INSTALAÇÕES SANITÁRIAS Deve ser constituída por uma bacia sanitária sifonada, dotada de assento com tampo e lavatório. As instalações sanitárias precisam ter 1 (um) lavatório, 1 (um) mictório para cada 20 (vinte) trabalhadores ou fração; 1 (um) chuveiro para cada 10 (dez) trabalhadores; Conter portas de acesso impedindo o devassamento e construídas de modo a manter o resguardo conveniente; Estar situadas em locais de acesso fácil e seguro, no máximo 150 (cento e cinquenta metros) de distância do posto de trabalho. 10 As áreas estimadas para as instalações sanitárias devem considerar: o Número máximo de trabalhadores. o Para cada vaso sanitário: 1,0 m². o Para cada chuveiro: 0,8 m². o Para lavatório, espaçamento: 0,6 m². o Para mictório, espaçamento: 0,6 m². 5.2 VESTIÁRIO Todo canteiro de obra deve possuir vestiário para troca de roupa dos trabalhadores que não residem no local. Deve estar localizado próximo aos alojamentos e/ou entrada da obra, sem ligação com o local de refeições, além de: o Ter armários individuais dotados de fechadura; o Ter bancos, com largura mínima de 0,3 cm (trinta centímetros). 5.3 REFEITÓRIO Independente da quantidade de trabalhadores é obrigatório um espaço reservado para o aquecimento e realização das refeições com condições de infraestrutura mínimas. Devem ter: o Capacidade de garantir atendimento de todos os trabalhadores no horário das refeições e assentos suficientes para atender os usuários; o Lavatório instalado em suas proximidades o Fornecimento de água potável, filtrada e fresca para os trabalhadores. 5.4 COZINHA Quando houver cozinha no canteiro de obras, ela deve: o Ter pia para lavar os alimentos e utensílios. o Possuir instalações sanitárias, de uso exclusivo dos encarregados de manipular gêneros alimentícios, refeições e utensílios. o Ter equipamentos de refrigeração, para conservação dos alimentos. o Para o preparo do alimento, as pessoas envolvidas, devem usar aventais e gorros. 5.5 ÁGUA O fornecimento de água é obrigatório, devendo ser filtrada e fresca para os trabalhadores por meio de bebedouros de jato inclinado, na proporção de 1 (um) para cada grupo de 25 (vinte e cinco) trabalhadores. Sendo uma demanda total de consumo para ingestão e higiene de 20 – 30 l/homem-dia. 11 Água para preparar argamassa 200-250l/m³; para preparar concreto 100-200 l/m³; tratamento posterior do concreto 30l/m³; outros fins de pequena demanda 20-25l. 6 ÁREAS OPERACIONAIS São áreas destinadas a produção, na periferia da construção onde se preparam elementos necessários à obra. Sendo elas: O porte da obra: área a ser construída; Natureza e tipo de obra: para construção de natureza habitacional pode ser que tenha uma estrutura de elementos pré-moldados. Localização da obra: dentro ou longe de um perímetro urbano, observando a existência de acessos, comércios, tipos, potenciais de fornecedores, etc. Fornecimento de energia elétrica, comunicações, telefônicas, água potável, e facilidade para disposição de rejeitos sólidos e líquidos. Diversificação dos tipos de materiais: para prever depósitos e linhas de produção. Especialização das empresas: para fins de previsão das instalações a serem fornecidas para atuação competente. Figura 2: Planta do canteiro de obras. Fonte: Gestão da Qualidade no Canteiro. Disponível em: http://monografias.poli.ufrj.br/monografias/monopoli10018456.pdf. Acesso em 11 de setembro de 2020. 6.1 ALMOXARIFADO Deve ser construído separado do escritório, porém nas proximidades, e mantido limpo e arrumado. Deve também estar próximo as entradas e ser localizado de modo a permitir uma fácil distribuição dos materiais pelo canteiro. 12 6.2 DEPÓSITO Destinados a estocagem de materiais volumosos ou de uso corrente, em local aberto ou cercado. 6.3 CENTRAL DE CARPINTARIA É o local no canteiro, destinado a fabricação de fôrmas, ligado ao fluxo de materiais, logo, planejar sua localização é importante. O construtor pode optar por fôrmas pré- moldadas. A fabricação ou pré-montagem de fôrmas requer a instalação dessa central. A pilha de tábuas e vigotas, por exemplo, devem estar localizadas junto ao acesso a obra, e as serras, posicionadas de modo que as peças de madeira possam ser retiradas com facilidade na longitudinal. 6.4 ACESSO À OBRA E TAPUMES O portão de acesso deve ser exclusivo, sendo desintegrado do portão de veículos, e integrado ao planejamento de acesso, que visa a melhor maneira de visitantes e funcionários entrarem com segurança na obra, sem que tenham que passar por dentro do canteiro. Deve ter identificação orientando sua função (para pessoas ou veículos), inscrição com o número do terreno, fechadura, caixa de correios fixada no tapume e campainha. Os tapumes isolam a área da construção impedindo que pessoas entrem em áreas perigosas. Os mais seguros são tapumes que permitem a visualização da obra para quem está na rua e visualização da rua para quem está na obra. Uma prática muito comum que está sendo usada são tapumes diferentes que ajudam no marketing do empreendimento. Contendo placas de informações como nome dos responsáveis técnicos pela execução e pelos projetos e serviços complementares. Devendo reservar um espaço para a colocação do selo do conselho regional de engenharia e arquitetura(CREA). 6.5 CENTRAL DE CONCRETO E ARGAMASSA O concreto da obra será preparado na central de concreto, necessita estar próximo ao estoque para minimizar o fluxo de cargas. Devendo ser coberta para evitar atrasos em dias chuvosos. O canteiro deverá disponibilizar uma parte de sua área, devido a necessidade de estocagem de materiais constituintes (cimento, areia e brita) e aquisição de equipamento para mistura do concreto. O número de betoneiras é função da demanda da obra por argamassas, em obras pequenas apenas uma é suficiente. Prevendo tablado para estoque dos sacos de aglomerantes necessários. 13 6.6 CENTRAL DE MONTAGEM DE ARMADURAS Local destinado a corte e montagem das ferragens. Ideal que seja coberta e próxima ao local de estoque do aço. Com acesso direto ao elevador de cargas, simplificando as atividades de montagem de estruturas. Com área da ordem de 50 m². Se possível possuir cobertura, mas sendo obrigado apenas sobre eventual policorte. 7 PROJETO DE PRODUÇÃO Toda matéria prima da construção civil, como engenheiros, arquitetos, empreiteiros e fornecedores, se juntam em um processo de trabalho e transformação que resulta na construção do empreendimento. Dando origem a uma ramificação de pequenos processos produtivos. Que traz a necessidade de as empresas apresentarem uma estratégia para nortear esse andamento e transformação do produto. 7.1 GESTÃO DE LOGÍSTICA Quando aplicado em um canteiro de obras visa garantir o abastecimento, armazenamento, processamento e disponibilização de determinados recursos de materiais na frente de trabalho. Busca dimensionar equipes de produção e gestão de fluxos físicos de produção, através de atividades de planejamento, organização e direção de controle, garantindo o fluxo de informações antes do inicio da execução em si. Para análise do arranjo físico utilizam um diagrama de fluxo, ou fluxograma, que em suma é um desenho de linhas de fluxo sobre a planta da obra, identificando a circulação de materiais e pessoas. 7.2 LOGÍSTICA DE TRANSPORTE A gestão de materiais demonstra baixos índices de produtividade. Alguns problemas com transporte interno de materiais excessivo, estocagem no canteiro de obras, grandes perdas, furtos, falta de material, erros nas entregas, materiais devolvidos, quebras e danos em trabalhos feitos, demonstram a deficiência dessa logística. Podemos classificar essa logística em duas partes, logística de suprimentos (externa) e logística de canteiro (interna). 14 Figura 3: Subdivisões da Logística. Fonte: Gestão de fluxos logísticos internos na construção. Disponível em: http://livros01.livrosgratis.com.br/cp073711.pdf. Acesso em: 11 de setembro de 2020. 7.2.1 Logística de suprimentos Buscando estabilidade econômica a redução dos custos de produção tem grande importância em empresas construtoras. Ainda assim, as empresas visam a competitividade, dessa forma desejam obter vantagem em produzir pelo menor custo, levando em consideração a qualidade exigida pelo produto. Essa parte da logística, de suprimentos, representa uma rede de organizações, porque liga dois sentidos, diferentes processos e atividades que tem valor na forma de produto e serviços que serão colocados a mão do consumidor final. A gestão na qualidade dessa cadeia tem caráter multifuncional, envolvendo setores como de projeto, suprimentos e de obras, devendo permitir um trabalho integrado garantindo a satisfação dos clientes em relação à qualidade dos materiais. 15 Figura 4: Fluxograma Logística de Suprimentos. Fonte: Gestão de fluxos logísticos internos na construção. Disponível em: http://livros01.livrosgratis.com.br/cp073711.pdf. Acesso em: 11 de setembro de 2020. Como o processo de compra é demorado, desde o pedido até a entrega, os atrasos são frequentes por diferentes problemas: erros no detalhamento de projetos e especificações, retardos em pedidos feitos do canteiro, burocracia no processo e atraso de fornecedores. Problemas causados muitas vezes por falta de integração da cadeia produtiva. Isso faz com que cada vez mais as empresas vêm tentando parcerias com os fornecedores, buscando adequar melhor os materiais às suas necessidades. Parceria essa que vem de relacionamento a longo prazo, com o proposito de concluir os objetivos específicos do negócio. A logística de suprimentos tem um papel estratégico na construção civil porque atua ligando fornecedores a produção, e tem participação significativa nos custos totais dos empreendimentos. Muitas vezes os suprimentos são apontados como causadores de atrasos, paradas no processo de produção e perda de produtividade. 16 Por outro lado, o sistema Just in time, que é comprar somente quando e o que precisar, reduz o tamanho do estoque, espaço físico necessário para armazenamento e investimento financeiro, influencia positivamente a gestão logística de suprimentos nas empresas construtoras. 7.2.2 Logística Interna do Canteiro Tudo que a construção civil produz é imóvel, diferentemente da maioria dos produtos de outras indústrias, que podem andar em uma linha de montagem, todos os componentes dos produtos da construção devem ser levados até ele. É um layout fixo. O que faz com que a movimentação de materiais seja grande, já que devem ser levados até o local da obra e ali ser feita a montagem e aplicação. Em casos de obras verticais, como a desse estudo, a situação fica mais complicada. A má utilização e definição dos equipamentos a serem utilizados. A falta de carros adequados para transportes, tanto vertical como horizontal, também são um problema. Pode ser que ocorra um duplo manuseio de materiais dentro do canteiro, situação que pode ser atribuída à inadequação da tecnologia empregada ou falhas gerenciais. Problemas desses transportes podem ser minimizados, e uma das maneiras é um estudo preciso do layout do canteiro, procurando a melhor posição para o guincho, betoneiras, local para estoque e entrada de caminhões. Buscando otimizar distâncias, para reduzir o transporte. • o melhor transporte é aquele que não existe; • a força motora mais econômica é a força da gravidade; • cargas iguais devem ser movimentadas em conjunto; • a produtividade da movimentação aumenta quando as condições de trabalho se tornam mais seguras; • quanto menor o peso transportado, mais econômicas as condições operacionais; • o armazenamento, se possível, deve utilizar o espaço cúbico; • utilizar o caminho o mais direto possível; • evitar o cruzamento dos fluxos de transporte; • prever o caminho de ida e volta; • diminuir distâncias entre postos de trabalho. Aplicando uma forma modificada de Just in Time, para racionalização de ressuprimento do estoque e facilitação do controle de maneira rápida, usamos o Kanban, que visa evitar a falta de materiais para execução de atividades, sem estoques excessivos e desnecessários, mas controlados, diminuindo o risco de pedidos emergenciais que prejudicam o resultado financeiro da obra. Sistema 17 desenvolvido pelos engenheiros da Toyota Motors Cia, onde nada se produz até que o cliente de seu processo solicite a produção de determinado item. Funciona baseado no uso de sinalizações para ativar a produção e movimentação dos itens, convencionalmente feita com base em cartões kanban e em painéis porta kanbans. Principais características: 1. Melhoria total e contínua dos sistemas de produção; 2. Regulagem do fluxo de itens globais com controle visual a fim de executar essas funções com precisão; 3. Simplificação do trabalho administrativo dando autonomia ao chão de fábrica; 4. Informação transmitida de forma organizada e rápida. Figura 5: Fluxograma de suprimentos internos. Fonte: Gestão de fluxos logísticos internos na construção. Disponível em: http://livros01.livrosgratis.com.br/cp073711.pdf. Acesso em: 11 de setembro de 2020. Figura6: Mapofluxograma de transporte de materiais. Fonte: Projeto do canteiro de obras: avaliação das instalações provisórias e dos fluxos físicos de materiais. 18 8 ESTUDO DE CASO Buscando satisfazer o objetivo da pesquisa, adotaram-se uma obra de um edifício habitacional, constituído por um subsolo, um pavimento térreo e oito pavimentos tipo. Durante o período analisado, a obra apresentou produtividade constante, sem restrições produtivas. Análise essa feita em âmbito da execução de serviços, sem vinculo com departamento de projeto. O processo de interpretação buscou avaliar fatores positivos e negativos da logística e layout do canteiro. A obra possui 3244 m² construídos formado por um subsolo e um pavimento térreo, que serão estacionamentos, e oito pavimentos tipo de moradias. Com dez funcionários para mão de obra, sendo subcontratados ou com vinculo direto. Durante a exploração dos processos, a obra estava em fase inicial, no primeiro estágio construído, com isso, houve a possibilidade de acompanhar o processo das fundações e concretagem. A localização do terreno é em esquina, sendo possível dimensionar diferentes locais de entrada. Fatores relacionados a declividade do terreno, a divisa e a ocupação de 50% tornam o canteiro restrito. Ao entrevistar o mestre de obras obtive informações sobre o processo de escavações, que relatou a estratégia de escavar apenas onde estavam previstas delimitações laterais de alvenaria do subsolo, mantendo uma faixa de 120 m² nivelado com uma das ruas, resultando na implantação de instalações provisórias e depósitos de materiais no local. Com vias de circulação obstruídas para trafego de pessoas e materiais. Observando que faltou planejamento em demarcar as vias de circulação, e na ocupação do layout não estar sendo bem utilizada. Figura 7: Vias de Circulação. 19 O espaço do layout, para armazenamento de materiais, foi mal dividido no canteiro de obra, sobrecarregado em determinados pontos e mal aproveitado em outros. Podemos observar na figura 6, em uma área de 35 m², onde seria suficiente para armazenar os materiais com um bom planejamento. Figura 8: Armazenamento mal planejado no canteiro. Entrevistando o mestre de obras, ele relatou que o empuxo lateral da terra, devido ao depositado solo no buraco sem parede de alvenaria fixada na vida, poderia romper o muro de contenção. Tal problema poderia ter sido resolvido com o projeto de implementação do canteiro previsse essa necessidade, fazendo um aterro no local sem ter que esperar a viga do pavimento térreo. Abrigar mais que um portão de entrada, já que é cabível nesta obra, ajudaria na melhor distribuição de materiais pelo layout do canteiro. 20 Figura 9: a) layout atual; b) layout planejado. Certas melhorias buscam aproveitar a capacidade da área do terreno, organizando o layout de estoque para que fiquem próximos dos seus centros produtivos. A troca do local que era uma vala para locar os blocos de concreto e escoras metálicas; um espaço adequado para transitar pessoas e carrinhos de mão no canteiro, a alocação do estoque de madeira e painéis os colocando mais próximos a central de fôrmas. E a implantação de dois novos portões, buscando reduzir a distância da entrega de materiais dentro do canteiro. 21 9 CONCLUSÃO O estudo do layout do canteiro de obras, trabalho realizado nesta pesquisa, visou o processo produtivo em empreendimento de edifício residencial localizado em centros urbanos. Podemos afirmar que o estudo desse layout no canteiro é de suma importância, para a integração e aperfeiçoamento dos processos construtivos. Quando o ambiente está bem organizado o rendimento é maior por parte dos funcionários, que se sentem motivados, e utilizam menos esforços durante o processo de transporte de materiais. Através da análise de logística, que é a base da organização, podemos dividir em dois fatores: fluxos de informações e fluxos de logística. Fluxos de informações é constituído pelo projeto de canteiro, produto e produção, além de relatórios e observações de produtividade. Já a análise de fluxos físicos é basicamente a tentativa de redução de distâncias, de mão de obra e tempo ocioso durante o processo de transporte de materiais. Com base na análise, ficou claro a necessidade de prever no projeto do canteiro todas as modificações das etapas construtivas do empreendimento, a fim de evitar imprevistos. A logística de materiais no canteiro tem vínculo direto com a análise dos processos. Aliando dois fundamentos, juntamente com a compreensão e definição dos espaços, pode-se planejar o layout dos espaços proporcionando condições mais favoráveis à produção da edificação. 22 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NR 18: condições de segurança e saúde no trabalho na indústria da construção. Brasília. 1978. BRAGA, Camila dos Santos. GESTÃO DA QUALIDADE APLICADA A CANTEIRO DE OBRAS. In: BRAGA, Camila dos Santos. GESTÃO DA QUALIDADE APLICADA A CANTEIRO DE OBRAS. Orientador: Jorge dos Santos. 2016. Monografia (Engenharia Civil) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2016. Disponível em: http://monografias.poli.ufrj.br/monografias/monopoli10018456.pdf. Acesso em: 11 set. 2020. FORMOSO, C. T; SAURIN, T. A. Planejamento de canteiros de obras e gestão de processos. Recomendações técnicas HABITARE. Porto Alegre, 2006 GESTÃO DE FLUXOS LOGÍSTICOS INTERNOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL - O CASO DE OBRAS VERTICAIS EM FORTALEZA-CE. Orientador: Fernando Ribeiro Melo Nunes. 2008. TCC (Engenharia Civil) - Universidade Federal de Paraíba, João Pessoa, 2008. Disponível em: http://livros01.livrosgratis.com.br/cp073711.pdf. Acesso em: 11 set. 2020. MORO, Luiz Fernando Crema. ANÁLISE DO LAYOUT DE CANTEIROS DE OBRAS VISANDO O PROCESSO PRODUTIVO. 2015. TCC (Engenharia Civil) - Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2015. Disponível em: http://www.ct.ufsm.br/engcivil/images/PDF/2_2015/TCC_LUIS%20FERNANDO%20C REMA%20MORO.pdf. Acesso em: 12 set. 2020. PEREIRA, Caio. NR 18. In: PEREIRA, Caio. NR 18. [S. l.], 21 jan. 2019. Disponível em: https://www.escolaengenharia.com.br/nr-18/. Acesso em: 12 set. 2020. SAURIN, T.A. Método para diagnóstico e diretrizes para planejamento de canteiros de obras de edificações. Porto Alegre, 1997. Dissertação (Mestrado em Engenharia) - Escola de Engenharia, Universidade Federal do Rio Grande Sul. Porto Alegre. 23