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CUIDADO INTEGRAL À SAÚDE DO ADULTO I Renata de Paula Fara Rocha Técnicas e cuidado de enfermagem na quimioterapia Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Relacionar a biossegurança com a técnica de administração de quimioterápicos. Descrever as formas de aplicação de quimioterapia e os locais de administração. Demonstrar a Sistematização da Assistência de Enfermagem que aborda a administração, manutenção e retirada dos quimioterápicos. Introdução A quimioterapia é uma modalidade de tratamento do câncer que pode levar à cura ou ser utilizada para minimizar o sofrimento causado pelo câncer nos cuidados paliativos. Nesse tipo de tratamento, são utilizados medica- mentos com potencial para destruir as células tumorais. No entanto, para a administração de quimioterápicos, muitos pontos precisam ser avaliados. Neste capítulo, você vai ver como relacionar a biossegurança com a técnica de administração de quimioterápicos, vai aprender a descrever as formas de aplicação de quimioterapia e os locais de administração e demonstrar a Sistematização da Assistência de Enfermagem que aborda a administração, manutenção e retirada dos quimioterápicos. Biossegurança e administração de quimioterápicos A biossegurança é um conjunto de ações que tem como objetivo prevenir, controlar ou eliminar os riscos relacionados à assistência em saúde (BRASIL, 2010), já que os quimioterápicos apresentam risco para o profi ssional que manipula essa droga. Além disso, é importante destacar que os agentes qui- mioterápicos não são específi cos para a célula tumoral, eles agem em células que estão em divisão celular, ou seja, atingem células saudáveis também. Sendo assim, o contato com essas substâncias pode causar efeitos adversos em pessoas saudáveis também e, como a equipe de enfermagem está em con- tato direto com o paciente, esses profissionais podem ser afetados. Por isso, é fundamental que a equipe adote medidas de biossegurança na manipulação dos agentes quimioterápicos. O contato com a droga pode acontecer em diversos momentos: durante o preparo, na administração, através de partículas no ar, nas excretas do paciente e no descarte dos materiais. Para minimizar o risco e evitar a exposição a esses agentes, medidas de biossegurança devem ser adotadas. Por exemplo, os profissionais devem utilizar equipamentos de proteção individual (EPI) para manipulação das drogas e recomenda-se o uso de jalecos de manga longa, óculos, luvas de procedimento e máscara de carvão ativado. O preparo dos quimioterápicos deve ser realizado em capelas de fluxo laminar por profissional treinado e capacitado e deve haver uma sala específica para preparo dos quimioterápicos (Figura 1). Essas medidas de biossegurança, se adotadas, podem ajudar a prevenir e proteger o profissional da exposição aos quimioterápicos. Figura 1. Preparo dos quimioterápicos em capelas de fluxo laminar. Fonte: Méndez Castillo (2015, documento on-line). Técnicas e cuidado de enfermagem na quimioterapia2 Para a administração dos quimioterápicos (Figura 2), as medidas de biossegurança que podem ser implementadas para minimizar os riscos são: utilização de campos descartáveis, equipos e seringas luer lock, manter gaze próxima para eventual vazamento, não retirar o ar de seringas e equipos (de- vem vir prontos para administração), avaliar todas as conexões para prevenir vazamentos. Figura 2. Administração de quimioterápicos. Fonte: Maia (2010, documento on-line). O descarte de materiais deve ser feito em recipientes próprios, de acordo com a classificação de resíduos de saúde, o que também configura medida de biossegurança. Os resíduos químicos estão no grupo B, conforme mostra a Figura 3, a seguir. 3Técnicas e cuidado de enfermagem na quimioterapia Figura 3. Descarte de resíduos. Fonte: Wons (2017, documento on-line). Para saber mais sobre o gerenciamento dos resíduos de saúde, acesse o manual da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. https://qrgo.page.link/VNXwn Essas estratégias de biossegurança são importantes para a manipulação, administração e para o descarte de qualquer agente quimioterápico cuja forma de apresentação seja ampola ou frasco-ampola. Independentemente da via de administração (intravenosa, intratecal, intra-arterial, intracavitária, intramus- cular, intralesional ou intravesical), as medidas são as mesmas. Quanto às vias de administração oral e tópica, os cuidados de biossegurança estão relacionados ao fracionamento e acondicionamento dessas drogas, e são os mesmos descritos anteriormente (uso de EPIs para manipulação e descarte adequado), com exceção dos cuidados descritos relacionados à administração. Outras medidas de biossegurança também são importantes, como a atenção que deve ser dada às excretas do paciente (fezes, urina e vômitos), pois podem Técnicas e cuidado de enfermagem na quimioterapia4 conter agentes quimioterápicos. Ao desprezar as excretas, deve-se evitar res- pingos e tampar o vaso sanitário antes de dar a descarga. A manipulação de roupas contaminadas deve ser feita com luvas, e o descarte, em saco plástico duplo e identificado. No caso de acidentes com quimioterápicos, devem ser tomadas as medidas listadas a seguir. Pele: retirar todo o EPI contaminado e descartar, lavar a pele com água e sabão. Olhos: lavar com soro fisiológico 0,9% ou água por 5 minutos. Ambiente: isolar a área, usar compressas para absorver o medicamento, lavar a área com água e sabão. Inalação: usar máscara de carvão ativado para prevenção. Formas de aplicação de quimioterapia e os locais de administração O câncer é uma doença que engloba mais de 100 tipos diferentes de patologias e origina-se do crescimento anormal e descontrolado de determinada célula. A partir de um agente carcinogênico, o DNA celular sofre uma mutação e, a partir daí, ocorre um crescimento celular desordenado, gerando um tumor (Figura 4). Figura 4. Desenvolvimento de câncer. Fonte: Adaptada de Designua/Shutterstock.com. 5Técnicas e cuidado de enfermagem na quimioterapia Para o tratamento do câncer, existem três modalidades básicas: a qui- mioterapia, a radioterapia e a cirurgia. A cirurgia pode ser do tipo: cura- tiva (quando o tumor é completamente retirado); diagnóstica (que são as biópsias, nas quais um fragmento de tecido é retirado para diagnóstico) e paliativa (quando o objetivo é aliviar os efeitos colaterais causados pelo câncer) (BRASIL, 2016). A radioterapia consiste na aplicação de radiação ionizante para destruir ou controlar o crescimento tumoral. Pode ser de dois tipos: a radioterapia externa (em que a radiação é emitida por um aparelho e direcionada para o local do tumor) e a braquiterapia (um material radioativo é inserido dentro ou próximo do tumor). A quimioterapia consiste no uso de medicamentos para controlar e destruir a célula tumoral. Na atualidade, a forma mais utilizada é a poliquimioterapia, que consiste na combinação de duas ou mais drogas, com ação complementar. Essa modalidade apresenta resultados e reduz os efeitos colaterais. Assim, é uma forma de tratamento considerada sistêmica. É administrada em ciclos, ou seja, os medicamentos são administrados em intervalos regulares, que podem ser a cada três, quatro, cinco ou seis semanas, já que não ocorre a destruição de 100% das células tumorais em apenas um ciclo; dessa forma, as células restantes precisam ser destruídas nos próximos ciclos. O primeiro ciclo de quimioterapia é chamado de indução, e seu objetivo é alcançar a remissão total (menos de 5% de células neoplásicas na medula óssea) ou parcial da doença (menos de 20% de células neoplásicas na medula óssea) (MAIA, 2010). Classificação Os agentes quimioterápicos podem ser classifi cados de acordo com a fi na- lidade, a especifi cidade no ciclo celular e a estrutura química/mecanismo de ação. De acordo com a finalidade, a quimioterapia pode ser paliativa, tratamentotemporário, neoadjuvante, adjuvante ou curativa, tipos descritos a seguir. A quimioterapia paliativa é utilizada para aliviar os efeitos do câncer, sem possibilidade de cura. O tratamento temporário é semelhante ao da quimioterapia paliativa, mas pode ser repetido por vários ciclos, mesmo sem possibilidade de cura da doença. É indicado para tumores de evolução crônica, que permitem longa sobrevida. Técnicas e cuidado de enfermagem na quimioterapia6 A quimioterapia neoadjuvante, também chamada de prévia ou citor- redutora, consiste na administração de quimioterápicos para redução de tumores avançados para posterior intervenção cirúrgica. A quimioterapia adjuvante ou profilática é indicada após a ressecção cirúrgica completa do tumor. É utilizada como prevenção. A quimioterapia curativa tem por objetivo curar e destruir comple- tamente as células tumorais. Quanto à especificidade no ciclo celular, podem ser classificados como ciclo-específicos ou ciclo-inespecíficos. As células tumorais caracterizam-se pelo crescimento constante e desor- denado. Sendo assim, algumas drogas podem agir em fases específicas do ciclo celular e impedir a atividade mitótica. O ciclo celular (Figura 5) é dividido em fases: G0 (repouso), G1 (aumenta de tamanho e sintetiza RNA e proteínas), S (síntese de DNA), G2 (duplicação de organelas), M (mitose). Figura 5. Ciclo celular. Fonte: Alila Medical Midia/Shutterstock.com. Sendo assim, os agentes quimioterápicos que agem em uma fase específica do ciclo celular são chamados de ciclo-específicos. Já os agentes que atuam em qualquer momento do ciclo celular são chamados de ciclo-inespecíficos. 7Técnicas e cuidado de enfermagem na quimioterapia Quanto à estrutura química/mecanismo de ação, os agentes quimioterápi- cos podem ser: agentes alquilantes, antimetabólitos, antibióticos, alcaloides, agentes múltiplos e hormônios. Esses agentes podem ser ciclo-específicos ou ciclo-inespecíficos. Os agentes alquilantes causam alterações na cadeia de DNA das células, interferindo, assim, na sua replicação. Agem também recrutando células em fase G0 para iniciar a divisão celular, o que potencializa a ação dos agentes ciclo-específicos. Exemplo de agentes alquilantes são: cisplatina, ciclofosfa- mida, ifosfamida. Os antimetabólitos são substâncias que possuem estrutura química seme- lhante à de metabólitos normais, mas não exercem a função desse metabólito. Assim, eles se ligam a receptores e são incorporados na célula bloqueando a produção de substâncias fundamentais para que a divisão celular ocorra. Metotrexato, ara-C e tioguanina são exemplos de antimetabólitos. Os antibióticos antitumorais são agentes que interferem na síntese dos ácidos nucleicos. Exemplos de antibióticos são daunoblastina, doxorrubicina e idarrubicina. Os alcaloides são agentes que inibem a mitose por causar destruição dos microtúbulos, o que impede a polarização dos cromossomos — por exemplo: vincristina, vimblastina, etoposide. Os agentes múltiplos , como asparaginase, bleomicina e hidroxiureia, são uma classe de quimioterápicos que possuem variados mecanismos de ação. Finalmente, os hormônios e antagonistas hormonais são uma classe composta por diversas substâncias hormonais que podem recrutar células para a divisão celular. Exemplos desses hormônios são prednisona, metil- prednisolona e dexametasona. Vias de administração Os agentes quimioterápicos podem ser administrados por diversas vias. A via oral é a mais simples e indolor, mas apresenta limitações devido à absorção das drogas e aos efeitos gastrointestinais. São exemplos de drogas administradas por via oral os hormônios corticosteroides e a hidroxiureia. As vias intramuscular e subcutânea são as menos utilizadas devido às características tóxicas dos agentes quimioterápicos. Por via intramuscular, pode-se administrar a asparaginase e, pela via subcutânea, a citarabina. A via intratecal é utilizada para a administração de agentes quimioterá- picos no líquor e realizada através da punção lombar (Figura 6), por isso, é Técnicas e cuidado de enfermagem na quimioterapia8 feita pelo médico. O objetivo de administrar drogas no espaço subaracnoide é impedir a proliferação do câncer no sistema nervoso central. As drogas mais utilizadas por essa via são o metotrexato e a citarabina. Figura 6. Punção lombar. Fonte: Casa nafayana/Shutterstock.com. Na Figura 7, você pode ver os espaços entre as meninges. A administração via intratecal utiliza o espaço subaracnoide. Figura 7. Espaço entre as meninges para administração de quimioterápico por via intratecal. Fonte: Systemoff/Shutterstock.com. 9Técnicas e cuidado de enfermagem na quimioterapia A via endovenosa é, sem dúvida, a via mais utilizada para a administração dos quimioterápicos. Para a administração de medicamentos por essa via, pode-se utilizar uma punção periférica normal com dispositivos como os ilustrados na Figura 8. O calibre a ser utilizado dependerá das condições do vaso e do volume da infusão. Figura 8. Dispositivos para administração via endovenosa. Fonte: Piyawan Chanpetch/Shutterstock.com. Algumas drogas são consideradas vesicantes, ou seja, se extravasarem, têm o potencial de causar lesão (Figura 9). Por isso, é muito importante garantir um bom acesso venoso para administração de quimioterápicos. Em casos de extravasamento, o conteúdo deve ser aspirado através de pressão negativa no êmbolo da seringa, o acesso venoso deve ser retirado e deve-se aplicar compressa fria, com exceção dos extravasamentos por alcaloides da vinca (vin- cristina e vimblastina), em que se deve aplicar compressa quente (MAIA, 2010). Figura 9. Lesões por administração de quimioterápicos. Fonte Martins (2013, documento on-line). Técnicas e cuidado de enfermagem na quimioterapia10 Para evitar a ocorrência de extravasamentos e as múltiplas punções, existem acessos vasculares de longa permanência utilizados no tratamento quimiote- rápico, os cateteres semi-implantados e os totalmente implantados. Os cateteres totalmente implantados são implantados pelo médico. Nesse tipo de cateter, existe uma porção que é colocada na região do tórax, no tecido subcutâneo, e, ligado a ela, existe um cateter que acessa o vaso. Veja, na Figura 10, o posicionamento do cateter. Figura 10. Posicionamento do cateter. Fonte: Adaptada de rumruay/Shutterstock.com. O cateter totalmente implantado fica sob a pele, não há nenhuma parte exposta. Somente durante a administração do medicamento é que o enfermeiro punciona a porção que fica no subcutâneo. Já no cateter semi-implantado (Figura 11), uma porção do cateter fica posicionada no tórax do paciente, enquanto a porção interna é inserida através de um trajeto no subcutâneo até acessar o vaso. 11Técnicas e cuidado de enfermagem na quimioterapia Figura 11. Cateter semi-implantado. Fonte: Adaptada de rumruay/Shutterstock.com. Para saber mais sobre os cuidados com os acessos vasculares para quimioterapia, leia o artigo no link a seguir. https://qrgo.page.link/VheG4 Efeitos colaterais dos quimioterápicos Por apresentar ação sistêmica, além das células tumorais, os agentes quimiote- rápicos atingem também células sadias em processo de divisão celular. Dessa forma, o tratamento quimioterápico apresenta diversos efeitos colaterais. Os tecidos que apresentam altas taxas de divisão celular são os mais sensíveis à ação das drogas quimioterápicas; são eles: as mucosas, o tecido germinativo capilar e a medula óssea. A gravidade dos efeitos colaterais depende da dose do quimioterápico, do tempo de exposição das células ao agente, da toxicidade de cada quimioterápico, do metabolismo e do estado geral do paciente (MAIA, 2010). Técnicas e cuidado de enfermagem na quimioterapia12 Para minimizar os efeitos colaterais da quimioterapia, o paciente precisa apresentar condições mínimas, que são: ter perdido menos de 10% do peso corporal (referência é o peso do início da doença); nãoapresentar contraindicação clínica para uso dos quimioterápicos escolhidos; não apresentar infecção, ou, no caso de infecção, deve estar controlada; quanto à capacidade funcional, deve apresentar índice de Zubrod 0, 1 ou 2 e Karnofsky maior que 50%. Quanto aos exames laboratoriais, o paciente deve apresentar: leucócitos > 4.000/mm³; neutrófilos > 2.000/mm³; plaquetas > 150.000/mm³; hemoglobina > 10 g/dl; ureiatempos. À ausculta respiratória, murmúrios vesiculares universalmente audíveis. Ao exame abdominal, ruídos hidro- aéreos hiperativos, abdomem distendido, refere dor à palpação superficial. MMSS e MMII sem alterações. Eliminações urinárias presentes e eliminações intestinais com presença de sangue visível. SSVV: Tax = 37,6ºC; FR = 23 irpm; PA = 100 x 60 mmHg; P = 82 bpm; Sat O2 = 97%. Exames laboratoriais: hematócrito = 27%; hemoglobina = 8 mg/dL; plaquetas = 50.000; leucócitos = 2000 mm3. 17Técnicas e cuidado de enfermagem na quimioterapia Diagnóstico de enfermagem Planejamento Aprazamento Dor crônica relacionada ao câncer de colón e caracterizada por relato verbal e dor à palpação abdominal Paciente apresentará melhora da dor em até 6 horas Intervenções de enfermagem Avaliar a dor por meio de escalas a cada 4 horas 10 14 18 22 02 06 Administrar analgésicos prescritos conforme intensidade da dor CPM (conforme prescrição médica) Avaliar ação dos medicamentos administrados CPM Implementar medidas não farmacológicas para alívio da dor, tais como: meditação, massagens, compressas a cada 4 horas 10 14 18 22 02 06 Monitorar sinais vitais a cada 4 horas 10 14 18 22 02 06 Diagnóstico de enfermagem Planejamento Aprazamento Náusea relacionada ao tratamento quimioterápico caracterizada por relato de náuseas e presença de vômitos Paciente apresentará melhora das náuseas e vômitos em curto prazo Intervenções de enfermagem Manter o ambiente arejado, sem odores Contínuo Ajustar a dieta, priorizando alimentos leves e fracionando a dieta 08 12 17 21 Priorizar alimentos frios, líquidos gelados ou pedaços de gelo 08 12 17 21 Evitar alimentos com cheiro forte, carne vermelha, derivados do leite, café e chocolate 08 12 17 21 Quadro 1. Sistematização da Assistência de Enfermagem a paciente com quimioterápicos (Continua) Técnicas e cuidado de enfermagem na quimioterapia18 Intervenções de enfermagem Administrar antieméticos antes e após a administração da quimioterapia 15 Avaliar as eliminações a cada 4 horas 10 14 18 22 02 06 Realizar e/ou orientar a realização de higiene oral 10 Manter cabeceira elevada, lateralizar cabeça durante os episódios de vômitos Contínuo Instalar balanço hídrico 18 06 Administrar hidratação venosa conforme prescrição médica CPM Promover conforto através de terapias complementares, tais como relaxamento, técnicas de distração a cada 6 horas 12 18 24 06 Diagnóstico de enfermagem Planejamento Aprazamento Mucosa oral prejudicada relacionada ao tratamento quimioterápico e caracterizada por múltiplas ulcerações em cavidade oral Paciente apresentará melhora das lesões em médio prazo Intervenções de enfermagem Realizar higiene oral 4 vezes ao dia 08 12 17 22 Inspecionar cavidade oral a cada 6 horas 12 18 24 06 Utilizar escova macia a cada higienização 08 12 17 22 Hidratar os lábios 3 vezes ao dia 08 14 22 Remover próteses dentárias 10 Avaliar a dor a cada 4 horas 10 14 18 22 02 06 Administrar medicamentos conforme intensidade da dor CPM Quadro 1. Sistematização da Assistência de Enfermagem a paciente com quimioterápicos (Continua) (Continuação) 19Técnicas e cuidado de enfermagem na quimioterapia Intervenções de enfermagem Orientar a ingestão de alimentos com consistência mais pastosa, evitar alimentos condimentados, ácidos ou muito salgados e alimentos quentes 10 Avaliar sangramento a cada 6 horas 12 18 24 06 Encaminhar para acompanhamento odontológico durante tratamento quimioterápico 10 Diagnóstico de enfermagem Planejamento Aprazamento Nutrição desequilibrada menor que as necessidades corporais relacionada a mucosite, náuseas e vômitos e caracterizada por hiporexia e emagrecimento Paciente apresentará melhora da nutrição em médio prazo Intervenções de enfermagem Fracionar a dieta 10 14 18 22 02 06 Oferecer alimentos de acordo com a tolerância, preferencialmente pastosos 10 14 18 22 02 06 Avaliar aceitação da dieta 10 14 18 22 02 06 Avaliar a necessidade de outras vias de alimentação (enteral ou parenteral) a cada 12 horas 10 22 Realizar adequado controle da dor a cada 4 horas 10 14 18 22 02 06 Realizar adequado controle das náuseas e vômitos a cada 4 horas 10 14 18 22 02 06 Pesar diariamente em jejum 06 Quadro 1. Sistematização da Assistência de Enfermagem a paciente com quimioterápicos (Continuação) (Continua) Técnicas e cuidado de enfermagem na quimioterapia20 Diagnóstico de enfermagem Planejamento Aprazamento Risco de infecção relacionado à leucopenia Paciente não apresentará infecção durante o tratamento Intervenções de enfermagem Monitorar temperatura a cada 4 horas 10 14 18 22 02 06 Orientar o paciente sobre o risco de infecção 10 (na visita) Atentar para que não ocorra quebra de técnica na realização dos procedimentos invasivos Contínuo Avaliar sinais e sintomas de infecção: taquipneia, taquicardia, tremores e calafrios, hipotensão, disúria, alterações intestinais a cada 4 horas 10 14 18 22 02 06 Orientar o paciente quanto às medidas de higiene oral e corporal, higiene dos alimentos 10 (na visita) Diagnóstico de enfermagem Planejamento Aprazamento Risco de sangramento relacionado à plaquetopenia Paciente não apresentará sangramento durante o tratamento Intervenções de enfermagem Realizar avaliação neurológica a cada 2 horas 10 12 14 16 18 20 22 24 02 04 06 08 Manter repouso absoluto no leito ATENÇÃO Monitorar sangramento a cada 2 horas 10 12 14 16 18 20 22 24 02 04 06 08 Fazer controle de diurese a cada 6 horas 12 18 24 06 Monitorar exames laboratoriais uma vez ao dia 10 (na visita) Minimizar procedimentos invasivos: sondagens, punções 10 (na visita) Quadro 1. Sistematização da Assistência de Enfermagem a paciente com quimioterápicos (Continuação) (Continua) 21Técnicas e cuidado de enfermagem na quimioterapia Diagnóstico de enfermagem Planejamento Aprazamento Sono prejudicado relacionado a dor, náuseas e vômitos e caracterizado por relato de padrão de sono alterado Paciente apresentará melhora do sono em curto prazo Intervenções de enfermagem Manter ambiente adequado que favoreça o sono 22 Promover o sono com medidas de conforto 22 Realizar adequado controle da dor a cada 4 horas 10 14 18 22 02 06 Realizar adequado controle das náuseas e vômitos a cada 4 horas 10 14 18 22 02 06 Quadro 1. Sistematização da Assistência de Enfermagem a paciente com quimioterápicos (Continuação) BRASIL. Ministério da Saúde. Biossegurança em saúde: prioridades e estratégias de ação. Brasília: Ministério da Saúde, 2010. (Série B. Textos Básicos de Saúde). BRASIL. Ministério da Saúde. Oncologia: manual de bases técnicas. 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